5 de jan de 2017

Proposta de controle popular sobre meios desata polêmica na Itália


A proposta do líder do Movimento 5 Estrelas, Beppe Grillo, de submeter a julgamento popular a veracidade das informações publicadas pelos meios tradicionais de comunicação de massa, desatou ontem (4 de janeiro)  uma intensa polêmica.

O comediante e dirigente político lançou a iniciativa em um artigo publicado na véspera em seu blog pessoal, no qual reitera as críticas contra quem, em dias recentes, se pronunciaram a favor de um maior controle sobre os conteúdos falsos difundidos em Internet.

‘Os jornais e os telenoticiários são os primeiros fabricantes de notícias falsas no país com o objetivo de manter no poder aqueles que eles querem. São suas notícias as que devem ser controladas’, assinala o texto.

Proponho — diz — não um tribunal governamental, senão um júri popular que determine a veracidade das notícias publicadas pelos meios. Cidadãos escolhidos à sorte a quem se submeta os artigos dos jornais e os serviços dos telenoticiários.

Faz alguns dias, Grillo fustigou duramente ao presidente da entidade Antitrust (Autoridade de garantia da participação e do mercado), Giovanni Pitruzella, que em uma entrevista com o Financial Times se pronunciou a favor da criação de uma rede de agências públicas dos países membros da União Europeia, para enfrentar a publicação de conteúdos falsos nos sites.

A proposta do líder do M5E foi recusada pela Federação Nacional da Imprensa Italiana, que a qualificou de uma tentativa de linchamento midiático generalizado, e o senador do dirigente Partido Democrático, Stefano Esposito, que através de sua conta em uma das redes sociais acusou Grillo de estar perdendo a cabeça.

Por sua vez, o jornalista e diretor do Tele Noticiário A7, Enrico Mentana, anunciou que se discutirá contra o dirigente político diante dos tribunais de justiça, porque ‘fabricantes de notícias falsas é uma ofensa irreparável a todos os trabalhadores das tele noticias que dirijo e que tenho a responsabilidade diante da lei’.

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