2 de jan de 2017

Doria resgata Jânio Quadros e César Maia no seu primeiro dia como prefeito

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/01/02/doria-resgata-janio-quadros-e-cesar-maia-no-seu-primeiro-dia-como-prefeito/

O novo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), escolheu para primeiro ato de seu governo ir às ruas com todo o seu secretariado e presidentes de empresas municipais vestido de gari e empunhando vassouras. A cena, além de constrangedora, não é nada nova. Muito pelo contrário, remete ao populismo imbecilizado que teve em Jânio Quadros seu principal expoente. Jânio, o homem da vassourinha, que depois de renunciar e levar o país ao golpe de 64, se tornou prefeito de São Paulo, em 1985, utilizando os mesmos métodos.

Jânio descia do carro oficial para multar motoristas, dava incertas em hospitais e saia distribuindo ordens para médicos e enfermeiros. Fazia de tudo, mas sempre quando havia algum órgão de imprensa para registrar a cena.

Eleito em 1992 para prefeito do Rio de Janeiro, César Maia resgatou o estilo Jânio. Se tornou conhecido nacionalmente como o “prefeito maluquinho”. Entre outras ações, em meio ao calor carioca pediu sorvetes num açougue e aproveitou o Carnaval carioca para sair junto com os garis (que coincidência, né?) varrendo a Sapucaí.

O misancene de João Dória nada mais é do que uma estratégia de marketing de um produto que foi criado em laboratório e que precisará de muita cobertura positiva da imprensa para não apodrecer em poucos meses.

Dória precisa se lançar numa cruzada enlouquecida por holofotes e notícias de suas ações porque, inclusive, já é candidato a governador do estado.

O velho populismo ganhou um ator à altura. Mas engana-se quem acha que  neste papel Doria vai se permitir ser apenas um coadjuvante, por exemplo, de Alckmin.

Se houver possibilidade e se o governador der mole, ele partirá para cima.

Os populistas não fazem jogo coletivo. Eles jogam sempre sozinhos e para eles mesmos.

Se você achou a cena de hoje bizarra, prepare-se. Vai vir coisa muito pior pela frente. Doria de gari é só uma amostra grátis de um novo contexto político onde Bolsonaro é considerado um mito por boa parte da população.

PS: Só pra não dizerem que falei de tudo, menos do ato em sim, as ruas da Praça 14 Bis que Doria e seus asseclas foram varrer hoje pela manhã, foram limpas de madrugada por uma equipe de trabalhadores de fato. Gente que não veste o uniforme de gari apenas para sair na foto.



Demagogo e falastrão, Doria não terá paz!

Na maior capital do país, São Paulo, o empresário e apresentador de tevê João Doria – também já apelidado de João Dólar – tomou posse neste domingo (1) afirmando que cumprirá todas as suas promessas de campanha. Mas nem a mídia chapa-branca bota fé nas bravatas do novato tucano, uma criação de laboratório do governador Geraldo Alckmin. E muitos já preveem que sua gestão será conturbada. “Pesquisas qualitativas feitas por agências de comunicação mostram que o pavio do paulistano está curtíssimo e que a lua de mel do eleitorado com João Doria pode ser curta”, informa uma notinha da Folha. Ou seja: o demagogo e falastrão não terá paz!

O mesmo jornal – mais ligado ao “chanceler” José Serra, rival de Geraldo Alckmin – fez um balanço das propostas do ricaço e chegou a uma conclusão que já poderia ter tirado durante campanha. “Eleito no primeiro turno das eleições com 3,1 milhões de votos (53% dos votos válidos), o empresário e jornalista João Agripino da Costa Doria Junior assume a Prefeitura de São Paulo com uma bagagem pesada de compromissos assumidos em sua primeira disputa eleitoral. Foram 118 promessas feitas em debates, sabatinas, programas eleitorais e entrevistas... Para honrá-las integralmente nos próximos quatro anos, o prefeito terá que cumprir, em média, uma a cada 12 dias de mandato”.

Ricaço indenizará as vítimas das marginais?

Uma das promessas, a do aumento das velocidades nas marginais Tietê e Pinheiros, já tem data para ser implantada – em 25 de janeiro, data de aniversário de 463 anos da cidade –, e pode trazer baita dor de cabeça ao falastrão. Como lembra a Folha, “os limites dessas vias foram rebaixados por Haddad em julho de 2015, com o objetivo de reduzir acidentes e melhorar a fluidez. Na campanha, a medida foi criticada por Doria: ‘Ela penaliza os motoristas’, afirmou. O fato é que os acidentes com mortes caíram pela metade desde as reduções das velocidades, e a Marginal Tietê completou 19 meses sem nenhum atropelamento”. Prováveis mortes serão debitadas na milionária conta do empresário.

Já outras promessas mirabolantes devem desgastar rapidamente a imagem do novo prefeito. Ele prometeu zerar a fila por vagas em creches em apenas um ano. Nenhum especialista da área acredita nesta fanfarrice. “O deficit hoje atinge 133 mil crianças de zero a três anos. Para matricular todas elas até dezembro de 2017, Doria terá de entregar, em média, 2,6 creches por dia”. Outra bravata, a de que vai acabar até o final do ano com as filas para os exames nos estabelecimentos de saúde, também deve cair no ridículo. São 417 mil paulistanos à espera de um exame. João Doria também prometeu renovar toda a frota de ônibus da cidade. Outra picaretagem típica de um ser midiático!

O levantamento da Folha ainda aponta as promessas vagas, sem metas definidas, que caracterizam os demagogos oportunistas. “É o caso do compromisso de ampliar o número de moradias sociais. Embora tenha dito que investiria no Casa Paulista, programa estadual de habitação, Doria não cravou objetivos claros. Foi assim também com as escolas em tempo integral, uma promessa ainda nebulosa. ‘Ensino em tempo integral em todas as escolas onde for possível. Onde não for, vamos ampliar e construir mais escolas’, prometeu, em debate na TV Gazeta. Também não se sabe quantos CEUs ou abrigos para moradores de rua o prefeito construirá – os dois temas são promessas de campanha”.

A bravata do "choque de gestão"


A Folha serrista não é o único jornal que desconfia das promessas do novato tucano. Em reportagem publicada neste domingo (1), o Estadão apresenta opiniões críticas de especialistas em várias áreas. “O novo prefeito começa com a velha prática política de anunciar ‘choques de gestão’, a começar pela zeladoria. Afirma que estará a postos amanhã, às 6h, vestido de gari, com seus 22 secretários, para varrer a Praça 14 Bis, no centro. O mutirão é visto com ressalvas. ‘Ele está certo em fazer ações de zeladoria, mas não é só uma questão de limpar a cidade. Precisa ter investimento para colocar padrões nas calçadas, guias, bancos, tirar a fiação exposta para ficar com cara de cidade do século 21”, diz o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Lúcio Gomes Machado”.

O jornal também questiona as promessas na área da educação. “Doria prometeu zerar, em um ano, a fila de 133 mil crianças por vagas em creche, por meio da ampliação de convênios com entidades da rede privada. Nos cálculos de Cisele Ortiz, coordenadora do Instituto Avisa Lá, o prefeito teria de inaugurar 1 mil unidades com 150 vagas. ‘Algo que não me parece possível de ser feito em um ano’ ... Já na saúde, outra tarefa nada fácil: acabar com a fila por exame, que é de 417 mil, em 90 dias, a partir da contratação de serviços da rede privada. Para Walter Cintra, coordenador do Curso de Especialização em Administração Hospitalar da FGV, o prazo não parece suficiente, mesmo com parcerias”.

Altamiro Borges

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