27 de jan de 2017

Cabral e a cara de pau da delação premiada


Diz O Globo que Sérgio Cabral “estuda negociar um acordo de delação premiada como forma de diminuir o tempo que ficará preso”, e quer fazer isso enquanto Eike Batista está “foragido” – embora já tivesse saído do país antes da decretação de sua prisão.

Não entendo que valor possa ter a delação de Sérgio Cabral, um desavergonhado ladrão público por tudo o que se noticiou até aqui e que, como governador, ocupava o primeiro posto de poder e decisão nas obras realizadas aqui, inclusive as feitas com dinheiro federal.

Aliás, esta história está cada vez mais estranha, porque Eike foi o único dos empresários, até agora, a admitir que deu dinheiro, “por dentro” e “por fora” – o registro está na reportagem de Cíntia Alves, no GGN – oferecendo até uma planilha de para quem, quanto e quando, que o Ministério Público, que a teria devolvido.

A delação de Cabral, em tese, serve apenas para duas coisas.

A primeira, para mostrar – se é que ainda é preciso – que ele é um rematado canalha, que sugou, fruiu, beneficiou-se de tudo e de todos – na política e no dinheiro – para refocilar numa vida luxuosa, que a imprensa nunca quis ver, mesmo que as denúncias dobre ela datem dos anos 80 e sejam todas muito movimentadas.

Tão canalha que tem na coronha de sua picareta marcados nomes de quem traiu de enorme  variedade: Marcello Alencar, Garotinho, Lula, Dilma, para ficar apenas nos mais destacados.

A segunda “serventia” é a de fazer o que se espera dos canalhas: que saiam apontando os outros e, neste caso, “os outros” seriam Lula e Dilma, os mesmos que , há dois anos, traiu para apoiar  Aécio Neves, seu amigo de longa data e parceiro de aspirações políticas.

Pouco importa se vai ter provas, porque contra Lula, sabe-se, basta a inabalável convicção dos rapazes de Janot e de Sérgio Moro.

Ah, sim, a mais uma coisa a delação premiada de Cabral se presta: a desmoralizar de ver um instrumento ue era para ser usado em casos excepcionais e virou arroz de festa para toda espécie de canalha comprar sua liberdade e a vida folgada com a tornozeleira que, a esta hora, está amarrada no cachorro da casa.

Fernando Brito
No Tijolaço

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