6 de jan de 2017

Até o Jornal Nacional “zoa” o “Acidente do Temer”, assista


Michel Temer não consegue passar um dia sem cair no ridículo.

Parece que só no Congresso Nacional, palco do massacre que quer fazer dos direitos sociais e trabalhistas é levado a sério, dá para imaginar por quais razões.

Temer é tão patético que nem de seus apoiadores escapa.

Ontem, no Jornal Nacional, a desastrosa emenda do soneto de mau-gosto que fez ao chamar a chacina de Manaus de “acidente” virou tema de mais uma “zoação”, de 40 segundos, em rede nacional.

Quando nem na Globo dá para defender Temer, a coisa está ruim, mesmo.

Veja o trecho, abaixo:



Fernando Brito
No Tijolaço



Opinião de especialistas

Formado em letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre pela PUC-Rio, o professor da língua portuguesa Sérgio Nogueira avaliou ao G1 que o uso do termo “acidente” não é “adequado” para o episódio envolvendo a rebelião no presídio em Manaus.

“[O termo] ‘acidente’ não é adequado. Isso [a rebelião] não é acidente. Mas daí é subjetivo. A palavra ‘acidente’ é aquilo que acontece ao acaso, e não é bem o caso [de Manaus]. É uma tentativa de suavizar”, avaliou.

Também formado em letras pela UFRGS, mestre e doutor em língua portuguesa, Cláudio Moreno disse ao G1 que, na avaliação dele, o presidente usou o termo adotando um conceito de que a palavra “acidente” está relacionada a um acontecimento desagradável, com perda e morte.

“O que se pode criticar é a escolha da palavra ‘acidente’. Acidente sugere que foi uma coisa fortuita, [que] não era previsível. Ele [Temer] quer dizer que é uma coisa pontual, não é normal. Agora, para outros, não é acidente porque já estava anunciado. Então, usar a palavra ‘acidente’ seria uma maneira de querer ‘tirar o corpo fora’. Por isso, a escolha de palavras é a retórica política”, disse.

“Poderia ser ‘tragédia’, poderia ser ‘catástrofe’. Ele [Temer] usou ‘acidente’ porque as pessoas escolhem as palavras de acordo com a sua ideologia. A discussão vai se dar no nível ideológico e não no nível das palavras, porque em ambos os casos está certo. Toda escolha de palavras implica um posicionamento de ideias. […] As palavras têm que ser muito bem pesadas para o que as pessoas querem dizer, qualquer assessor de imprensa tem que saber isso”, completou.



Temer chama Massacre de Manaus de “acidente”. Acidente é o país estar de pé

Michel Temer chamou de ''acidente pavoroso'' o Massacre de Manaus.

Nesse acidente, 56 pessoas acabaram assassinadas.

Acidentalmente, cabeças foram decapitadas e membros separados dos corpos no presídio Anísio Jobim, em Manaus.

Por acidente, o lugar estava superlotado.

Um acidente fez com que facções criminosas comandassem o local.

Outro acidente garantiu que a política de segurança pública do Estado brasileiro fosse falida e incompetente para garantir a reinserção social dos encarcerados.

Mais um acidente levou à adoção de uma política de combate às drogas totalmente ineficaz, que apenas aumentou o poder de organizações criminosas, armando-as até o dentes.

E, é claro, um acidente fez com que leis brasileiras tenham sido criadas para proteger os mais ricos em detrimento dos mais pobres e para que um racismo institucionalizado siga enviando para a cadeia relativamente mais negros do que sua participação na população brasileira.

E, apesar de Temer ter tentado tirar o corpo fora da história, acidentalmente ele é o presidente e, portanto, responsável por esse problema estrutural do país – que não se resolve apenas com a construção de presídios e aumento no efetivo de segurança.

As palavras têm significados, apesar de tentarmos torturá-las sistematicamente no desejo de que atendam nossas necessidades. Procurei em dicionários mas não achei o significado de ''acidente'' que Michel Temer quis imputar a um massacre que possui responsáveis diretos e indiretos – dos próprios presos até a cúpula da República.

Pois o que aconteceu não foi casual, inesperado e fortuito, mas proposital, esperado e previsto.

Precisamos parar de culpar o acaso por crimes intencionais. Não se estupra por acidente, não se atropela e mata embriagado ao volante por acidente, não se espanca alguém na rua por acidente, não se põe fogo em uma pessoa em situação de rua que estava dormindo por acidente.

Manaus não foi acidente.

Mas o Brasil, há muito tempo, parece estar sendo conduzido por acidente.

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