21 de jan de 2017

A resposta que se afogou com Teori e os miados de Noblat


O Globo publica trechos de um depoimento inédito de Teori Zavascki que reparam parte de uma das maiores injustiças já feitas neste país: a de que Dilma Rousseff, como presidente, fosse uma manipuladora do Judiciário:

Estava em Paris quando me ligaram, dizendo que a (então) presidente (Dilma Rousseff) queria falar comigo. Eu cheguei (a Brasília) num sábado, no domingo eu fui no Palácio da Alvorada, e ela me convidou. Não se falou em mensalão em nenhum momento. A presidente tem uma visão do STF que eu achei importantíssima, tem uma visão de altíssimo nível. Ela disse que estava me indicando porque gostaria de uma pessoa tranquila, que tivesse uma experiência de juiz, que fosse técnico.

Quando Teori foi indicado, todos se lembram – ou deveriam lembrar-se – que a nossa mídia, disse que  era um “gato” para aliviar o julgamento do “Mensalão”.

Ricardo Noblat, que se espalhou em elogios a Teori Zavascki  depois de sua morte, foi um dos que se destacou nessa campanha de desmoralização. Em sua coluna de 24 de setembro de 2012, intitulada “Miau! Miau! Miau!”, o festejado global dizia:

“Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato. Mas está longe de ser um gato, segundo a malta dos que nada veem demais na escolha em tempo recorde do ministro Teori Zavascki para a vaga do ministro Cezar Peluso no Supremo Tribunal Federal (STF). E também na pressa com que estão sendo tomadas as providências para que ele assuma o cargo o mais rapidamente possível.”

E dizia que o próprio ministro participava da trampa:

 “(Dilma)Até mandou espalhar a história de que escolheu Teori sob a condição de ele não votar no julgamento do processo [do Mensalão]. Escolheu-o para não ser obrigada a engolir alguém que Lula lhe apontasse.Mas a escolha foi relâmpago. (Miau!) Dois dias depois de anunciada, Teori começou a bater perna dentro do Senado atrás de votos. (Miau! Miau!)Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato a presidente do Senado, pediu para relatar a indicação de Teori. (Miau! Miau! Miau!)”

Há mais na coluna, como a descrição – deus meu! – de uma tentativa de golpe anti-Lula por parte de Dilma, com a correspondente retaliação da parte de Lula.

Mas há, apesar deste mérito, a lacuna imperdoável na entrevistas de Teori sobre as razões pelas quais ele deixou, com o afastamento pedido pelo Ministério Público, o ladravaz Eduardo Cunha no comando da Câmara – e o comando da Câmara era o impeachment –  contra alguém que ele mesmo diz que era de “altíssimo nível”.

Esta resposta mergulhou com o Beechcraft nas águas de Paraty, talvez porque nossa grande imprensa jamais lhe tenha feito a pergunta.

Inclusive o Ricardo “Miau, Miau, Miau” Noblat que diz que Teori Zavaski era capaz de correr quando lhe interessava, e à Dilma.

Esta caixa-preta, ao que parece, vai repousar para sempre no fundo do mar do esquecimento.

Fernando Brito
No Tijolaço

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