29 de mai de 2017

Menos médicos: as melhores fotos das faculdades de medicina que apoiaram Aécio

O perfil Aécio de Papelão, do Twitter, publicou uma coletânea de fotos de faculdades de medicina de diversos estados que apoiaram Aécio em 2014.

Saudade dos cubanos.


No DCM
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Se houver troca de governo, 5 ministros perdem foro privilegiado

Foto: Lula Marques
A Esplanada de Michel Temer tem 10 titulares encrencados na Justiça. Cinco deles ficariam desprotegidos caso tivessem de deixar o cargo. Sem mandato, perderiam o foro privilegiado e teriam seus processos remetidos à 1ª instância.

Esse é um dos fatores que joga a favor da manutenção de Michel Temer na Presidência. Em uma eventual eleição indireta para escolher 1 sucessor para o peemedebista, haveria uma pressão sob os candidatos para que mantivessem parte da atual composição da Esplanada.

Na hipótese de troca de todos os ministros, perderiam o foro privilegiado Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Helder Barbalho (Integração Nacional) e Marcos Pereira (Indústria).

Outros 5 ministros investigados continuariam com inquéritos tramitando no STF: os senadores Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Blairo Maggi (Agricultura) e os deputados Bruno Araújo (Cidades), Marx Beltrão (Turismo) e Maurício Quintella (Transportes). Eis um resumo:

ministros-temer

No Desacato



A república de Temer: nova MP para manter Moreira com foro

anngoraforo

No Globo Online, Cristiane Jungblut diz que Michel Temer prepara uma reedição de medida provisória para manter Moreira Franco com status ministerial e, assim, com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal. O decreto que faz isso vai perder a validade dia 1º e não há sinais de que possa ser aprovado na Câmara.

Moreira Franco, até os tapetes do Congresso o sabem, é detestado pelos parlamentares, pela postura arrogante de quem “se acha”, mas todos sabem muito bem o que é.

A medida, claro, vai conter algumas alterações para justificar a reedição – é vedado repetir MPs que caducaram, na mesma legislatura – mas o objetivo é manter Angorá livre de surpresas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Troca de e-mails mostra propina de R$ 100 mil a Magno Malta, que fez festa em jatinho particular


Trechos de e-mails trocados entre diretores, assessores e funcionários de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país sugerem o pagamento de R$ 100 mil não declarados para o senador Magno Malta (PR-ES). As conversas aconteceram em 8 de setembro de 2014 e obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo – que as divulgou neste domingo (14).

As conversas envolvem o presidente da empresa, Victor Costa, seu filho e então gerente financeiro, Daniel Costa, e Hugo Gabrich, que era assessor da Itatiaia.

Segundo as mensagens, além de ter recebido verba não declarada, o senador usou o avião da empresa em pelo menos duas ocasiões, em 2012 e 2013. O senador evangélico admite que voou no avião da empresa para fazer palestras.

Um dos trechos da conversa entre o presidente da empresa e seu filho, Daniel Costa, diz que o dinheiro foi desviado de uma nota fiscal de serviço prestado pela empresa Vix Consulting. Leia o diálogo:

– Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$ 100.000 do Malta. Não sei como foi contabilizado [a saída desse valor da empresa] – escreve o presidente da firma.

– Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação? – pergunta o filho dele

– Não existe NF, não declaramos. Está em aberto, talvez como adiantamento para mim. Veja com Lailton [tesoureiro da empresa]. Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto – encerra Victor Costa.

Em outras mensagens, entre Gabrich e Malta, o senador diz que não tem conhecimento dos valores, mas o ex-assessor da Itatiaia encaminha os e-mails que o envolvem e recebe como resposta: “Somos amigo Hugo… Sempre fomos” [sic].

Jatinho

Os e-mails ainda indicam que a diretoria da empresa tentou se afastar de Magno Malta depois que o senador causou problemas ao utilizar o avião particular da Itatiaia. O ex-diretor da firma, Beto Rigoni, reclama que Magno voou com mais pessoas que o permitido e que fez uma verdadeira festa durante o trajeto, ao que Victor Costa responde que eles precisam “cortá-lo”, porque os acionistas não queriam muita proximidade.

No Esquerda Valente
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Multidão em Copacana abre o tour nacional das #DiretasJá enfrentando os barões da mídia



No dia em que o usurpador Michel Temer fez mais uma manobra para barrar a Operação Lava Jato, trocando o ministro da Justiça Osmar Serraglio — definido pelo então presidente do PSDB, Aécio Neves, como um “bosta” — a multidão tomou a praia de Copacabana no lançamento da campanha nacional das #DiretasJá.

Serraglio trocou de posição com o ministro da Transparência, Torquato Jardim, que não descartou mexer na direção da Polícia Federal.

Na conversa gravada pelo delator Joesley Batista, da JBS, Aécio disse que Serraglio era fraco para implementar o plano de colocar determinados delegados para tocar determinados inquéritos de políticos investigados por corrupção.

O pleno do Supremo Tribunal Federal deverá decidir pela prisão ou não do senador afastado, um pedido da Procuradoria Geral da República.

Solto, Aécio continua articulando em sua casa em Brasília. A irmã e o primo dele estão presos em Minas Gerais.

A campanha das #DiretasJá, organizada por partidos políticos, movimentos sociais, centrais sindicais e artistas, emocionou quem esteve em Copacabana — organizadores calcularam o público de todo o dia de atividades em 100 mil pessoas.


Os maiores adversários dela serão os barões da mídia, que de forma unânime defendem a escolha do sucessor de Temer, se e quando acontecer a queda dele, de forma indireta e através de um Congresso corrupto.

Os que pregam respeito estrito ao previsto na Constituição são os mesmos que atropelaram a Carta para derrubar Dilma Rousseff.

Dentre os apoiadores do Fora Temer há divisões entre os que prefeririam anular o impeachment de Dilma, os que pregam eleições gerais e os que preferem deixar o governo golpista sangrar ao menos mais alguns meses.

A própria Dilma defende DiretasJá.

Para tentar desqualificar a campanha, políticos da base de Temer se referem a qualquer PEC para permitir eleições agora como a PEC do Lula, já que o ex-presidente lidera as pesquisas para as eleições de 2018.

O baronato midiático sabe que qualquer governo eleito agora seria incapaz de levar adiante as reformas que o rolo compressor corrupto da coalizão PMDB/PSDB/DEM pretende fazer avançar no Congresso, especialmente as reformas trabalhista e da Previdência.

A Globo, que já embarcou na derrubada de Temer, vai trabalhar por um governo “tecnocrático” que dê andamento as reformas sem a sombra da corrupção.

Para a elite rentista que sustenta Temer, as reformas são essenciais para recolocar o Brasil na divisão internacional do trabalho como mero fornecedor de mão-de-obra barata, especialmente num momento em que a China planeja um salto adiante através do qual deixaria de ser a grande produtora mundial de badulaques, investindo na formação de uma classe média sustentada pela exportação de produtos sofisticados.

A semana promete novas investidas da Lava Jato contra Temer e Aécio Neves, a partir do resultado das operações de busca e apreensão realizadas em endereços ligados aos dois.

Como resposta, o governo tenta em várias frentes dilapidar a Lava Jato, reduzindo verbas, questionando as delações da JBS e promovendo ataques indiretos ao relator da operação no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Além de Temer e Aécio, o ministro Gilmar Mendes é visto como outro articulador importante do movimento para salvar o PMDB e o PSDB do escândalo. O objetivo é repetir o que aconteceu no “mensalão”, com punição severa para os acusados do PT mas nenhum tucano preso pelos mesmos crimes em Minas Gerais.

Veja no vídeo abaixo um dos momentos mais emocionantes do show de Copacabana, quando a dupla Caetano Veloso-Milton Nascimento estava no palco.



Fotos e vídeo do Mídia Ninja
No Viomundo
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Globo abandona líder na estrada


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28 de mai de 2017

PF investiga Perrella e conselheiros do Cruzeiro no caso do dinheiro da JBS —assista



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A saída de Serraglio





Temer obedece Aécio e demite ministro que tucano chamou de “bosta de um caralho”


Michel Temer tirou do Ministério da Justiça o homem que Aécio Neves definiu como imprestável para seus planos de abafar as investigações da Lava Jato, Osmar Serraglio.

Seu substituto é Torquato Jardim.

Mesmo afastado do Senado, Aécio continua poderoso no governo de Temer, que ele ajudou a criar com o golpe que derrubou Dilma Rousseff.

Veja o trecho da fala de Aécio Neves que Joesley Batista gravou:

Aécio — Tá na cadeira (…). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF.

O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

Joesley — Pro João.

Aécio — É. O Aécio vai pro Zé (…)

Aécio — Tem que tirar esse cara.

Joesley — É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

Aécio — E o motivo igual a esse?

Joesley — Claro. Criou o clima.

Aécio — É ele próprio já estava até preparado para sair.

Joesley — Claro. Criou o clima.

Joaquim de Carvalho
No DCM



Serra ligou para Aécio pedindo para substituir Serraglio por “ministro forte”


No dia 20 de abril, José Serra ligou para seu colega Aécio Neves.

Ele queria derrubar o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para colocar outro mais “forte” em seu lugar.

Serra queria paz e sossego para roubar. A conversa foi grampeada:

José Serra – Deixa eu te falar uma coisa, cara. Eu tô preocupado… olhando do ponto de vista macro, né… da política, eu acho que precisa ter um ministro da Justiça forte, viu Aécio.

Aécio Neves – Eu também acho, sempre achei.

José Serra – E… realmente forte. Não precisa ser da área, porque vai ficar da área… vai ficar aquele problema todo. Alguém como o Jungmann daria, entende? Bem assessorado, tal. O fato é que tem que por alguém com força. Não para fazer nada arbitrário, mas para que as coisas tenham um caminho, né? de desenvolvimento, tudo.

Aécio Neves – Vamos falar pessoalmente, tá bom.

José Serra – É. Mas se você tiver oportunidade, sem mencionar que eu te falei, porque eu tinha ficado de falar com ele. Podia mencionar isso para o presidente.

Aécio Neves - Tudo bem, mas não sei se consigo.

José Serra – Inclusive quem etc. Mas o fato é o seguinte, precisa ter ministro forte.

Aécio Neves – Concordo com você.

José Serra – O rapaz é um… o Osmar Serraglio foi um bom deputado, acho mesmo… pode ir para outro ministério, tal, mas as condições iniciais ele não teve

Aécio Neves – Falamos pessoalmente, mas concordo. Falamos pessoalmente, tá bom? Mas tá entendido.

José Serra – Você concorda com a ideia, né?

Aécio Neves – Concordo há muito tempo já.

José Serra – Tá bom.

Aécio Neves – Abração.

José Serra – Ok.

Aécio Neves – Melhoras aí.



Temer, no desespero, dá o golpe fatal em si mesmo

O desembarque do governo Michel Temer, mesmo com este ministério de quinta categoria que possui, já tem data para começar: é amanhã mesmo.

Torquato Jardim, ex-ministro do TSE por 18 anos, assinou ontem um flagrante de interferência em decisões judiciais.

Osmar Serraglio deixa o Ministério da Justiça pela porta dos fundos para dirigir-se a igual porta no Ministério da Obscuridade, digo, da Transparência, se é que os servidores o deixarão entrar lá, do que duvido, com sua ficha de grampeado e investigado por corrupção.

O PSDB começará a mostrar seu desembarque amanhã, deixando claro que não está disposto a embarcar na solução “meu Garoto-Meu Paipai” de Rodrigo Maia.

A escandalosa manobra de proteção ao “homem da mala” Rodrigo Rocha Loures terá efeitos desastrosos, anotem.

As possibilidades de um desfecho favorável a Temer no julgamento do TSE – se este sair, porque a solução deverá ser,se ainda houver chance , um pedido de vistas – acabaram.

Governo, quando parte para ações desesperadas, já acabou.

Fernando Brito
No Tijolaço



Temer pode demitir chefe da PF para matar de vez a Lava Jato

Investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, Michel Temer fez, neste domingo, um movimento arriscado: nomeou Torquato Jardim para o Ministério da Justiça, com a missão de ampliar o controle sobre a Polícia Federal; segundo o colunista Gerson Camarotti, da GloboNews, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, poderá ser demitido; rejeitado por 95% da população, Temer é alvo de 14 pedidos de impeachment – um deles apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil– e transformou o Palácio do Planalto num bunker, para tentar se manter no cargo; se cair, Temer perderá o foro privilegiado e poderá ser investigado pelos crimes apontados nas delações da JBS e da Odebrecht; em seu governo, as verbas para a Lava Jato foram reduzidas em 30% e um dos objetivos do golpe, como revelou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), era "estancar a sangria"

Delegados reagem ao plano Temer para interferir na PF

Começou a reação ao plano de Michel Temer para interferir na Polícia Federal e, consequentemente, esfriar as investigações da Operação Lava Jato; em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que viu com "preocupação" a troca no comando do Ministério da Justiça: "qualquer mudança no comando do Ministério da Justiça gera preocupação e incerteza sobre a possibilidade de interferências no trabalho realizado pela Polícia Federal"; neste domingo, Temer anunciou que Torquato Jardim será o novo Ministro da Justiça, no lugar de Osmar Serraglio, tido como fraco para cumprir a missão de fazer mudanças na PF; o colunista Gerson Camarotti, da GloboNews, afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, pode ser trocado nos próximos dias; na gestão de Temer, os recursos para a Lava Jato foram reduzidos em 30%

No 247
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Ministério Público do MS coagiu pais a irem em palestra com pregação religiosa




A noite do último dia 25 no estádio municipal Douradão, em Dourados (MS), abrigou uma audiência pública, no mínimo, curiosa. Sobre um palco montado diante de milhares de pais e mães de alunos da rede pública de ensino da região, Sérgio Fernando Harfouche, Procurador de Justiça, bradava em tom de líder religioso inflamado frases de ordem por Deus nas famílias e condenações públicas à discussão de gênero nas escolas.  O evento deveria discutir um programa de evasão escolar e obrigou a presença de todos sob pena de multa e acusação de crime. No final o encontro acabou por se tornar uma pregação motivacional e religiosa.

A organização que conseguiu reunir milhares de pessoas coube à Prefeitura Municipal, ao Governo do Estado e ao próprio Ministério Público do Mato Grosso do Sul. Procurada pelo Justificando, a assessoria de comunicacão da Procuradoria Geral do MPMS negou a participação institucional do órgão na organização ou realização do evento, sendo tudo de exclusiva responsabilidade do Procurador Harfouche. Entretanto, à redação o próprio Procurador Harfouche confirmou a participação institucional de várias promotorias de justiça na organização e realização da palestra motivacional e religiosa:
“O evento foi um sucesso. Atingiu a expectativa desejada. Os desafios são grandes, mas as Promotorias de Justiça da Infância e Juventude fizeram inúmeras reuniões com todos os segmentos, cumprindo todos os determinantes de lei”.

“O evento foi do Ministério Público. A Promotoria de Infância e Juventude me convidou e eu vim aqui compartilhar aquela nossa experiência em Campo Grande, que trata de responsabilização de pais, alunos e professores”.
De fato, os pais e mães receberam em suas casas a convocação obrigatória feita pela Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, sob pena para quem faltasse à reunião de multa de 3 a 20 salários mínimos, além da acusação por crime de abandono intelectual. Essa convocação, segundo o Procurador de Justiça atendia ao artigo 129 e 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o qual trata dos deveres inerentes ao poder familiar, algo muito contestado por conta de exercer o direito de não ir à palestra não significa descumprir com deveres do Poder Familiar. O próprio Procurador de Justiça afirmou que não “há intenção alguma de aplicar multa nos pais”. A carta, contudo, não continha o aviso de que as coações envolvidas para o comparecimento da reunião não eram, de fato, aplicáveis.

Convocação enviada à residência das famílias para evento do Ministério Público do Mato Grosso do Sul. Nesta convocação, a assinatura é promotora de justiça Fabrícia Barbosa Lima.
Nas redes sociais, a convocação obrigatória que levou milhares de pais ao estádio – muitos ficaram do lado de fora – repercutiu de forma negativa. Outro Promotor de Justiça ironizou o evento, chamando-o de “palestra coercitiva” em referência às conduções obrigatórias de pessoas que ficaram famosas nos últimos tempos pela Operação Lava Jato. 

Mas o choque foi mesmo os vídeos da palestra do Procurador de Justiça. Em um deles, o membro do Ministério Público faz campanha contra à “ideologia de gênero”, termo criado recentemente por entusiastas do “Escola sem Partido”, mas que não tem clareza no seu real significado. A discussão sobre teorias de gênero é algo visa reduzir a série de violência contra a mulher que assola o Brasil, bem como é exigência de leis e tratados internacionais ratificados pelo Brasil.

“Eu ponho filho na escola para fazer ler, escrever, fazer conta e pensar. Não é para discutir a identidade dele não. [aplausos da público, entusiasmado]. Eu estou falando de identidade de gênero é se meter na identidade do filho. Quantos repudiam identidade de gênero na escola, digam ‘Sim’! [esticando as mãos para o alto]” – quando então a multidão inflamada segue o comando e grita “Sim!”, ao que o promotor então determina ao escrivão da ata do encontro: “Põe na ata! Essa assembleia repudia na identidade dos filhos. Isso é problema de pai e mãe, sim ou não?!”. Então, a multidão responde: “Sim!”. Veja o vídeo:



Em outra parte, o Procurador faz claramente um discurso religioso de palanque – “ensina no coração do seu filho que há um Deus soberano sobre todas as coisas”. Veja:



Para Tiago Botelho, professor da Faculdade de Direito e Relações Internacionais da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD): a Audiência Pública convocada pelo Ministério Público Estadual, não permitia a ausência voluntária dos pais, o que violava o próprio espírito de participação social que movem uma audiência dessa natureza.  

Botelho explica que a postura do agente público feriu a laicidade do Estado: “Não pode um Procurador de Justiça, por meio de sua convicção religiosa, determinar o que pode e o que não pode um professor fazer em sala de aula. Não se pode, de maneira nenhuma, confundir o papel de um procurador de justiça e o papel de um cidadão que professa uma fé. Naquele espaço existiam pessoas que acreditavam no Deus cristão, mas também tinham as que não acreditavam. Tanto umas quanto as outras merecem respeito, porque a República Federativa do Brasil é laica: protege todas as religiões, mas não professa nenhuma” – afirmou.

O Promotor defendeu as imposições das sanções, bem como o conteúdo de sua fala pela importância que via no seu programa que foi, inclusive, transformado em projeto de lei em Campo Grande, capital do Estado. Ao Justificando, Vanessa Pipinis, jornalista e especialista em programas de educação afirma que pelas imagens não é possível saber sobre o programa defendido pelo promotor de justiça, mas que a grande questão é a sua conduta em si que desrespeitou pais e tratou temas de gênero com leviandade.

“A partir dessas poucas imagens, é possível que o programa defendido pelo promotor de justiça seja realmente bom. Há uma série de programas de combate à evasão escolar por todo país que são muito bons, reconhecidos e urgentes. A realidade da escola é complexa que demandam soluções complexas. Mas o que a gente tem que olhar com cuidado é a postura do agente público, o qual convoca os pais e familiares nessa base [de envio de convocação sob pena de multa], gerando insegurança, constrangimento” – afirmou a pesquisadora.

“Uma postura de um agente público que faz uma oração, que fala de questões relativas à espiritualidade, sabendo que os pais dos alunos têm religiões de natureza diferentes e que muitos ali não foram respeitados, gerando ainda mais constrangimento e também tratar de questões de gênero de maneira tão superficial, sem problematizar, sem entender a importância que é falar sobre isso na escola” – completou.

Para encerrar o evento, o Procurador de Justiça  afirmou que “nessa noite [última quinta feira], nós declaramos solenemente Jesus Cristo é o Senhor Dourados, que vai governar Dourados como príncipe da paz. Amém”. O próximo evento do Ministério Público no estádio Douradão com o Procurador de Justiça está marcado para próximo dia 09/06.



Brenno Tardelli
No Justificando
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Após 34 anos, Folha de S. Paulo se acovarda!


Quem lê o editorial deste domingo (28/05) da Folha de S. Paulo – Sucessão Especulada – e foi testemunha, em 1983, da audaciosa coragem do jornal ao publicar o editorial Por eleições diretas, conclui facilmente que na ausência do seu antigo dono, Octávio de Oliveira Frias, o jornal, hoje comandado por seus filhos, Octávio Filho, na parte editorial, e Luís Frias, como presidente da empresa, se acovardou. Lamentavelmente!


A Folha, que nos anos de 1983/84 escreveu parte da História do Brasil (com maiúscula) ao se transformar em porta-voz do que a sociedade civil clamava, hoje é capaz de criticar o processo de escolha indireta, como faz o editorial, sem, contudo, assumir aqui que milhões de brasileiros já pedem em praça pública e renovarão os pedidos ao longo deste mesmo domingo ao ocuparem ruas de diversas cidades brasileiras: Diretas Já!

Este foi o primeiro, mas não o único. Talvez, o mais importante tenha sido o de 3 de novembro do mesmo ano – Diretas agora - que marcou definitivamente o ingresso do jornal na campanha, transformando-o no Jornal das Diretas. Algo bastante ousado na época, mas que só a Folha, por sua independência financeira e editorial, poderia fazer. O resultado, até comercialmente falando, foi palpável, a ponto de tornar-se o maior matutino do país. Em termos de respeitabilidade então nem se fale. Quem viveu aquela época como seu repórter sabe disso.


Vivo fosse “Sr. Frias”, que muitos acusavam de ser um “granjeiro dono de jornal”, jamais publicaria uma posição em cima do muro como a que seus filhos fizeram hoje em um jornal que, merecidamente, foi chamado por Ulisses Guimarães de “Porta-voz das Diretas Já!“. Basta lembrar a forma como ele decidiu engajá-lo e toda a sua equipe, a partir de novembro daquele ano, na campanha que ainda se iniciava. Fui partícipe desta bela época e testemunhei tais fatos, ainda que possa não ter estado em todas as reuniões que o levaram a ganhar destaque na sociedade brasileira.

A ideia de o jornal – que se intitulava um “saco de gatos” por se dar ao direito de, em plena ditadura, publicar artigos de todas as correntes ideológicas -, abraçar a bandeira do voto do eleitor para escolher o sucessor do general de plantão no Planalto, João Baptista Figueiredo, partiu do Ricardo Kotscho. Ele, casualmente, sentava-se ao meu lado na velha redação da Rua Barão de Limeira. Entre a apresentação da proposta que idealizou durante um fim de semana e a decisão do “Sr. Frias” não foram gastos nem 24 horas, como narro mais adiante. O jornal poderia – como queriam alguns, entre os quais Boris Casoy, então diretor de redação -, não abraçar esta bandeira. Jamais, porém, tomaria uma posição dúbia, como consta do editorial deste domingo, quase três décadas e meia depois.

Kotscho entregou as três laudas em que expôs e defendeu o engajamento na campanha como forma de a Folha tomar o partido da sociedade civil que já clamava há tempos pelo direito de escolher seu presidente, a Adilson Laranjeiras, então chefe de reportagem. Pouco tempo depois estava nas mãos do Sr. Frias que convocou editores e repórteres especiais para uma reunião na mesma tarde, ou fim de tarde. Após ler o que recebera como proposta, todos foram ouvidos.

Eu não estava nessa reunião, ainda era um “bagrinho” como diziam, embora participasse da Comissão de Redação – a primeira instituída oficialmente em órgão de imprensa. Pelo que soube, o último a falar foi justamente Casoy, que se posicionou contrário à ideia, dando seus motivos. “Sr. Frias”, porém, não se convenceu e decidiu ali mesmo que o jornal se engajaria na campanha.

No relato do próprio Kotscho no livro “Explode um Novo Brasil – Diário da Campanha das Diretas” (Editora Brasiliense, 1984), na hora foi constituído um grupo para cuidar de toda a cobertura da campanha que era coordenado exatamente por Octávio Frias Filho, então secretário do Conselho Editorial. Como tal ele respondia, junto com o pai, pela linha editorial que o jornal tinha. Por isso, causa estranheza a quem viveu aquele período dentro do que chamávamos de “Vênus Pastilhada” (por conta das pastilhas amarelas que cobriam sua fachada e em um contraponto ao prédio da Rede Globo no Rio, conhecido como Vênus Platinada), ver a Folha, ainda sob o comando de Octávio Frias Filho, publicar um editorial com as passagens que destaco abaixo:


Nem se recorra ao argumento de que hoje a Constituição prega a eleição por meio do Congresso Nacional. Isso também acontecia em 1983 e a Folha foi clara ao se opor ao texto daquela Carta, reescrita durante a ditadura civil-militar, que o jornal apoiou no seu início, com episódios lamentáveis que a História registrou. A campanha de 1983, no fundo, é quase idêntica à campanha atual que ganha cada vez mais adesão da população: mude-se a regra.

O “quase idêntica” fica por conta de que hoje, como narramos em TSE pode provocar Diretas Já!, existir na legislação vigente a previsão da eleição direta no caso da vacância dos cargos de presidente e vice-presidente. Está no Código Eleitoral. É verdade que a constitucionalidade dele está sendo questionada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal Federal, desde maio de 2016.

Mas, não é menos verdade, que na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5525 foi pedida uma liminar suspendendo a validade da lei e o ministro relator, Luís Roberto Barroso, não a concedeu. Portanto, para todos os efeitos, a lei está vigente.

A propósito da discussão da constitucionalidade desta mudança que o Congresso Nacional fez em 2015, vale a leitura do artigo do ex-procurador regional da República, Daniel Sarmento, professor de Direito Constitucional na UERJ. Ele, em nome da Clínica de Direitos Fundamentais da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, pediu ingresso no processo, na qualidade de amicus curiae (amigo da corte). Com isso, terá voz na hora do julgamento do caso.

A tese que ele defende para justificar a mudança na legislação e o acatamento a ela, independentemente do texto constitucional está muito bem explicada em artigo que publicou em outubro de 2016, no site Jota -Eleições presidenciais (in)diretas, a ADI 5.525 e o espírito da Constituição cidadã. Deste artigo, copio o trecho abaixo em que ele expõe quando deve ocorrer a eleição indireta prevista no art. 81 da Constituição e quando ela deve ser Direta, como o Congresso incluiu no Código Eleitoral:

“De acordo com a disciplina legislativa adotada, quando a segunda vacância ocorrer na metade final do mandato presidencial, e derivar de causas não eleitorais – e.g., morte, renúncia, impeachment, condenação criminal – aplica-se o art. 81, § 1º, da Lei Fundamental, com a convocação de eleições indiretas. Nesse caso, a primeira eleição foi presumivelmente válida, mas ocorreram fatos supervenientes, impeditivos da conclusão do mandato pelo Presidente e por seu substituto. Já quando o pleito tiver sido contaminado por vícios reconhecidos pela Justiça Eleitoral, o art. 81, §1º, não incide. Nessa última hipótese, diante da invalidade do resultado da eleição originária ou dos mandatos por ela conferidos, entendeu o legislador que se deveria, na medida do possível, atribuir ao próprio povo a prerrogativa de eleger validamente a sua (ou o seu) Presidente da República, ao invés de se conferir tão importante poder ao Congresso Nacional. Em outras palavras, na ótica do legislador, a incidência do art. 81, § 1º, da Carta, pressupõe a validade do pleito eleitoral original e dos mandatos que dele resultarem“.

Há, portanto, uma diferença básica entre a situação de 1983 e a atual. Mas, no fundo, há coincidências também maiores que devem ser levadas em conta.

Inicialmente, tanto quanto o governo militar de Figueiredo, ainda que por motivos diversos, o atual governo de Michel Temer não tem respaldo popular. Ambos foram conquistados na base do golpe. Um que levou25 anos para terminar. Outro, o atual, que pode se encerrar em pouco mais de um ano. O impossível, na visão dos eleitores, é se manter este governo mais do que suspeito, mas envolvido com diversos de seus membros em casos explícitos de corrupção.

Outra coincidência entre as duas situações é a falta de confiança da população no Congresso Nacional (CN). Ou seja, no chamado “colégio Eleitoral indireto”. Isto, por sinal, é explicitado nos dois editoriais da Folha.

No corajoso editorial que defendeu Diretas em 1983, o jornal retrata a realidade de então:

“Falta ao Colégio Eleitoral previsto pela Constituição, antes de tudo, representatividade para escolher em nome do povo, uma vez que sua composição, definidas a garantir a supremacia do PDS, não reflete sequer aproximadamente as tendências do voto popular nas eleições de 1982“.

Na posição ambígua e covarde que adotou neste domingo (28/05), o editorial também, expõe, ainda que de forma disseminada, as dificuldades políticas que envolverão uma negociação para a escolha do sucessor de Temer dentro do Legislativo. Inclusive, como lembra o próprio editorial, incluindo acordos para salvar a pele de políticos corruptos, a começar pelo próprio presidente golpista:

“(…) O acordo dependerá de um rearranjo de forças e papéis entre os múltiplos partidos governistas, PMDB e PSDB em especial.

Conforme os cenários mais discutidos no momento, trata-se de decidir pela candidatura tucana do senador Tasso Jereissati (CE) ou a do preferido dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. Há mais, porém.

Mesmo o PMDB tendo sido gravemente avariado por escândalos, não haverá composição viável sem o apoio do partido, que, além de postos no poder, demanda uma transição que não deixe sua cúpula no sereno da Justiça.

Mesmo antes da irrupção da crise, era árduo o trabalho para aprovar as reformas, em especial a da Previdência. A maioria que se articulava teria de ser, no mínimo, renegociada em uma hipotética troca de comando do Executivo.

Tendem a ser reabertos ainda, nesse caso, entendimentos em torno de projetos legislativos capazes de atenuar punições aos políticos hoje ameaçados por processos judiciais. Iniciativas do gênero, se levadas a cabo, agravariam o descrédito geral da elite dirigente perante a opinião pública.”

Se o próprio jornal afirma que a saída que os políticos buscam para resolver a sucessão entre eles, sem ouvir a opinião popular, “envolve o risco de acentuar fissuras na base partidária, o que inviabilizaria medidas ambiciosas”.

Mais ainda. Ao dizer que acontecendo isso, o governo eleito indiretamente “pouco poderia fazer além de evitar um desastre econômico maior, conduzindo o país em banho-maria até as eleições de 2018“, a conclusão óbvia é de que a melhor definição será a escolha direta, pelo povo, dando legitimidade ao novo governo. Tal conclusão não é apenas óbvia, mas acima de tudo lógica.

Para expô-la, porém, era preciso ter a coragem que, usando o termo carinhoso de Kotscho, “o velho Frias” teve, em 1983. Mas aos seus sucessores ela parece ter faltado, seja por que motivos (interesses?) forem. Perderam uma boa oportunidade que o pai jamais perderia.

Marcelo Auler
No CAf
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Dona Marisa, Cláudia Cruz e a justiça de classe de Moro


Sérgio Moro foi um caçador implacável da Dona Marisa. O juiz-acusador perseguiu a ex-primeira dama com uma tal e eficiente obsessão que conseguiu, finalmente, condená-la à morte com um AVC.

À continuação, um odioso Moro, ser possuído por sentimentos que são estranhos a pessoas justas e de bem, quis decretar a condenação eterna da Dona Marisa.

Ele descumpriu o Código de Processo Penal e relutou, por mais de 30 dias depois do óbito, a declarar a inocência da Dona Marisa.

O grande crime cometido por Marisa Letícia, na convicção do Moro e dos seus colegas justiceiros de Curitiba, foi ter sido a companheira de vida e de sonhos do ex-presidente Lula; a parceira do sonho de um Brasil digno, justo e democrático.

Neste 25 de maio de 2017, Moro trocou a toga daquele juiz-acusador que persegue obsessivamente Lula, pelo traje de advogado de defesa dos integrantes da sua classe – no caso, a família Cunha/Temer/Aécio.

Moro inocentou Cláudia Cruz, a “senhora” do presidiário Eduardo Cunha [como a burguesia patriarcal se referes às esposas dos “chefes de família”], o integrante da camarilha e sócio de Michel Temer na conspiração que golpeou a Presidente Dilma.

A gentileza do Moro com Cláudia Cruz tem antecedentes. Sem a mínima plausibilidade, em 2016 ele decidiu devolver o passaporte dela, sendo ela ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas – ou seja, dinheiro depositado no estrangeiro.

Titular de contas milionárias na Suíça, a única maneira da Cláudia Cruz sair do país para, eventualmente, gerenciar as contas [os alegados trusts] da família, seria com o passaporte que Moro fez a deferência de mandar devolver-lhe [à Cláudia Cruz].

Na sentença de hoje Moro entendeu, inacreditavelmente, que “não há provas” de que Cláudia Cruz conhecia e de que ela tenha se beneficiado da propina de contratos da Odebrecht com a Petrobrás, recebida por Eduardo Cunha no contrato de exploração do campo de petróleo em Benin [sic].

O pagamento, através do cartão de crédito dela, das aulas de tênis do filho nos EUA a um custo de mais de 100 mil dólares [uma bagatela, a considerar o critério do Moro], e os gastos extravagantes com artigos de luxo em lojas de grife na Europa e EUA, estranhamente não foram levados em consideração por Moro e pelo MP.

Para dissimular a desfaçatez jurídica, no despacho Moro anotou uma “reprimenda” a Cláudia Cruz e registrou, simplesmente, que ela foi “negligente” [sic]. “Zeloso” no cumprimento da Lei [como não é na condenação do Lula], Moro destacou, porém, que “negligência” não é suficiente para condenar alguém [sic].

Cada qual que tire as próprias conclusões.

Se, contudo, alguém ainda acreditar que a justiça é cega, que faça o teste.

Sugiro, todavia, que só testem “a imparcialidade e a isenção” da justiça aqueles seres humanos que não sejam negros, pobres, trabalhadores, subalternos e, principalmente, petistas, anti-capitalistas e anti-imperialistas.

Jeferson Miola
No GGN
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Caco Barcellos fala da imensa importância de Brizola na educação


Caco Barcellos fala da imensa importância de Brizola na educação e que os bons professores formados na época foram expulsos do Brasil pela ditadura militar.


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Delações revelam esquema de propina em troca de créditos tributários


As delações premiadas da Operação Lava-Jato vêm mostrando uma prática ilícita, desconhecida e corriqueira em vários estados. Uma empresa tem créditos fiscais a receber do governo estadual, que, por sua vez, simplesmente não os paga e deixa esses créditos acumularem. Chega o ano de eleição e, finalmente, a empresa consegue o dinheiro devido. Mas isso não sai de graça. Em troca, é feita uma contribuição para a campanha, ou é repassado dinheiro por fora.



Na delação dos executivos da empreiteira Odebrecht, foram relatados casos semelhantes no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo a delação de pessoas ligadas ao frigorífico JBS, o mesmo ocorreu em Minas Gerais e no Ceará. Também foi relatado um esquema parecido na esfera federal, mais precisamente na unidade da Receita em São Paulo. Esses casos somados envolvem pagamentos de propinas de R$ 198,65 milhões para a liberação de créditos fiscais de R$ 3,177 bilhões. Em sua delação, Joesley Batista resumiu como funciona essa relação:

— Os políticos arrumam dificuldades para vender facilidades.

Um crédito tributário é, basicamente, o direito que uma empresa tem a ser restituída, por meio de reembolso ou compensação, por um tributo pago a mais que o necessário. Isso ocorre, no caso dos estados, com o ICMS, cuja alíquota varia em cada unidade da Federação. É o caso, por exemplo, de quando o imposto é pago de forma duplicada ou calculado com base em um faturamento previsto maior que o apurado.


Wesley Batista, da JBS, relatou esquemas de propina
Eliária Andrade
'Vieram com proposta direta'

Em 4 de maio, o empresário Wesley Batista, irmão de Joesley, relatou episódios ocorridos no Ceará em 2010 e em 2014. Segundo ele, foram pagos R$ 24,5 milhões ao ex-governador Cid Gomes (PDT) e pessoas apontadas por ele. Uma parte foi repassada por meio de doações oficiais declaradas à Justiça Eleitoral, e outra parte usando notas frias. A JBS tinha interesse em receber créditos fiscais atrasados que o governo do Ceará não vinha pagando.

A empresa possui uma fábrica no estado para processar couro e que, em razão de incentivos fiscais, tinha créditos para receber. Segundo Wesley, após o pagamento de propina de R$ 4,5 milhões em 2010, os créditos foram zerados. Mas nos anos seguintes, eles voltaram a se acumular, chegando a R$ 110 milhões em 2014. Naquele ano, Wesley conta que Cid mandou dois emissários: o secretário estadual Arialdo Pinho e o então deputado federal Antônio Bahlmann.

— Vieram com uma proposta direta. Falou: “olha, nós precisamos daquela contribuição de R$ 20 milhões e aqui o negócio é assim. Você paga os 20 milhões e nós lhe pagamos, o estado lhe paga os 110 milhões que você tem de crédito”. Se você não paga, o estado não libera. Se você paga os R$ 20 milhões para a campanha, o estado libera. Simples como isso — contou Wesley em depoimento prestado em 4 de maio de 2017.

— Em que pese ter sido pago via doação oficial, era uma propina? — indagou um investigador.

— Era uma propina, era uma propina — respondeu Wesley.

O diretor da JBS Ricardo Saud, que também firmou acordo de delação, relatou um caso semelhante em Minas Gerais. Segundo ele, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), agora afastado do cargo, prometeu liberar crédito de ICMS da empresa no estado em 2014. Na época ele era senador e seria o candidato tucano a presidente, mas mantinha grande influência no governo mineiro. A empresa tinha para receber R$ 12,6 milhões da JBS Couros, além de outros créditos no valor de R$ 20 milhões. Ficou acertado que Aécio ajudaria com compensações tributárias na compra de caminhões e, em troca, receberia doações para a campanha.

— Então, Aécio, você vai resolver isso para nós? “Vamos”. Então nós vamos comprar esses 20, 30 milhões, tudo em caminhões, já fica a mesma coisa, melhora para nós e a gente passa a te ajudar, uma ajuda de todo jeito nós vamos te dar para a campanha pra ter um equilíbrio de forças pra ter uma disputa. “Não, vou cumprir com você, pode fazer” — afirmou.

Na delação da Odebrecht, há um caso parecido, envolvendo a ex-governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius (PSDB). Por ser deputada federal, há um inquérito aberto no STF para investigá-la. Yeda responde por corrupção e lavagem de dinheiro, mas nega as acusações. Alexandrino Alencar, executivo da Odebrecht, relatou pagamentos a vários candidatos ao governo gaúcho em 2006. Mediante o compromisso de contrapartidas no futuro, foram repassados R$ 200 mil por doação oficial e R$ 400 mil por fora para Yeda.

Alexandrino conta que a Braskem, empresa petroquímica pertencente à Odebrecht, chegou a ter R$ 1 bilhão em créditos acumulados no Rio Grande do Sul. Apesar das reclamações e da doação feita em 2006, o governo local dizia que estava em situação difícil e não poderia fazer tais pagamentos. Em 2008, em razão de um negócio realizado no estado, a empresa conseguiu obter de volta parte do dinheiro. Segundo Alexandre, isso fez com que o governo de Yeda Crusius ficasse “desesperado” com a perda de receita e passasse a ameaçar a empresa com aumento da alíquota do ICMS.

Quando as acusações se tornaram públicas, Cid, Aécio e Yeda negaram as acusações.

Índicios de que esquema existe também na União

As delações da JBS revelam indícios de esquemas de pagamento de propina para liberação de créditos tributários em favor da empresa não apenas nos estados, mas também na União. O delator Valdir Boni, diretor de tributos da JBS, contou que a empresa pagou em torno de R$ 160 milhões em propina para facilitar a homologação de créditos tributários federais. Esse esquema teria durado até este ano e começado em 2004. Segundo o delator, nesse período, a empresa conseguiu a liberação de mais de R$ 2 bilhões.

A recuperação de créditos tributários pelas empresas junto à Receita Federal é um direito previsto pela legislação. As corporações costumam reclamar, no entanto, que o Fisco demora para liberar esses créditos, tanto nos casos de compensação (quando um tributo pago a mais é usado para abater outro imposto) ou de restituição (quando a Receita devolve o dinheiro para o contribuinte).

Na delação, Boni narra que, em 2003, foi apresentado a duas pessoas: Davi Mariano e Antônio Miranda. Segundo o delator, eles prometiam agilizar a liberação dos créditos em favor da empresa junto à Receita Federal em São Paulo. O dono da JBS, Joesley Batista, teria concordado em pagar 8% sobre o valor dos créditos liberados. Boni afirma que os dois homens citados não trabalham no Fisco, mas conseguiram agilizar a liberação dos pagamentos. Esse trabalho teria começado em 2004 e seguiu até neste ano.

— A Receita Federal não tem tantos fiscais à disposição das empresas para homologar créditos. Ela prefere fiscalizar e arrecadar, e não devolver créditos. Mas são créditos legítimos. Foi proposta a cobrança por parte de Davi Mariano e Antônio Miranda de 8%. E, de fato, as coisas começaram a acontecer. Em alguns momentos, Davi Mariano nos dizia: “parte desse percentual que você está nos pagando, parte a gente repassa para alguns colabores dentro da Receita”. Mas nunca disseram nomes dessas pessoas, se é que recebiam — afirmou Boni.

Notas frias e dinheiro vivo

O delator da JBS contou que, a cada homologação de créditos por parte da Receita, autorizava os pagamentos da propina, usando notas fiscais frias, dinheiro vivo e doleiros.

— Não foram menos de R$ 2 bilhões liberados para a empresa — acrescentou.

Executivos da Odebrecht também relataram que empresa pagou propina em troca da liberação de créditos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo os delatores Pedro Leão e João Antônio Pacífico, a companhia tinha crédito nos governos estaduais em razão de serviços prestados ainda nos anos 1980 e 1990. Eles dizem que os estados reconheciam a dívida, mas alegavam não ter dinheiro para pagar.
A solução encontrada foi cobrar da União o que era devido em razão da separação dos estados, em 1977, quando ficaram pendentes algumas questões previdenciárias. Em 2006, a União finalmente liberou o dinheiro e os estados pagaram o que deviam à Obebrecht.
Mas, segundo os delatores, isso não saiu de graça. Eles disseram ter pago ao hoje ministro da Agricultura, Blario Maggi (PP), que era governador de Mato Grosso, R$ 12 milhões, o equivalente a 35% do que a empresa tinha a receber. Além de Blairo, é investigado no mesmo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) o deputado Zeca do PT, que governou Mato Grosso do Sul entre 1999 e 2006.

Procurada para se manifestar, a Receita Federal não deu retorno. O GLOBO não conseguiu localizar Davi Mariano e Antônio Miranda.

Na época em que a delação da Odebrecht veio à público, Blairo e Zeca do PT negaram irregularidades.

André de Souza / Manoel Ventura
No O Globo
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64

Lucia e eu nos casamos em março de 1964. Fomos morar num quarto-e-sala da Rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Eu, sem emprego, tentava começar um negócio que só provaria minha total inabilidade para negócios. Vivíamos do dinheiro mandado de casa, o bastante para pagar o aluguel e pouca coisa mais. E éramos felizes.

Quando marcamos a data do casamento, me ocupei em saber o que o ano de 64 nos reservava. Não tinha nenhuma crença em desígnios ocultos, mas nunca se sabe. Encontrei uma lista num livro chamado “Símbolos”.

Descobri que 64 são os caminhos da Cabala para o conhecimento.

Que a mãe do Buda era de uma família com 64 tipos de virtude.

Que 64 gerações separavam Confúcio do começo da dinastia Hoang Ti.

Que Jesus Cristo era o sexagésimo-quarto na linha de descendentes diretos de Adão, segundo São Lucas.

Que 64 mulas puxaram a carruagem fúnebre de Alexandre Magno.

Que 64 pessoas carregavam os restos mortais dos imperadores da China.

Que 64 são as casas num tabuleiro de xadrez.

E que 64, oito vezes oito, é o numero da plenitude humana.

Deduzi que 64 era um bom ano para começar um casamento. Mal sabia eu…

A lista não dizia nada sobre o general Mourão.

A notícia de que as tropas estão na rua outra vez me enche, portanto, de revolta, mas também de nostalgia. Saudade não do golpe e do que viria depois, mas de nós, naqueles dias. Minha única atividade antigolpe, além de comprar o “Correio da Manhã” para ler o Cony, era preparar a fuga de uma tia que estava sendo hostilizada no trabalho, caso fosse necessário. Mas quando penso em 64, penso no nosso pequeno apartamento na Figueiredo Magalhães, na festa que era quando sobrava algum dinheiro para jantar no “Rondinela”.

Não sei se teremos 64 de novo. Nem sei se a tropa já não foi, sensatamente, recolhida aos quartéis. Nossa juventude é que certamente não volta mais.

Luís Fernando Veríssimo
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Não se derruba um governo sujo com rosas

Para caracterizar o samarcal do desgoverno Temeroso, vou citar o guerreiro do Império, Winston Churchill, em suas “Memórias da Segunda Guerra Mundial”. O trecho está na página 112 do primeiro volume, na edição da Nova Fronteira, e refere-se a Mr. Baldwin, uma espécie de Treme-Temer inglês: “E assim vai ele num estranho paradoxo, decidido só a não decidir, resolvido só a não resolver, firme na deriva, sólido na fluidez, onipotente na impotência”.

É ou não é a cara do presigárgula? Imaginem aquele sorriso falso de Mono Esburacado, ajeitando o nó da gravata deformada pelo barrigão. Ele desliza feito réptil em direção à tribuna para não falar a verdade e, seguindo Churchill, ser coerente na incoerência, forte na tibieza, sólido na flatulência… Em suma: o cara passará à História como “ele recebeu a propina, separou mil e jogou no bolso”.

Homem da Zona Norte, conheci malandros de palavra, que tinham elevado sentido de honra, como o saudoso Maneca, cuja promessa era sagrada. Pensem na figura patética de Dá-o-pé-Loures, mais um caso de “jogou no bolso”. Devolveu a tal mochila faltando 35 mil. Depois, “achou” a grana e devolveu. Outro descalabro: precisamos de alguém para nos defender do minidef, membro caído do PPS (Partido Paleolítico Senil), aquela agremiação cujo dono é Robertov, que já abandonou o navio. A presença do vomitivo político na Defesa não faz o menor sentido. A casa também caiu sobre Mineirinho. Entregou o passaporte e aguarda a prisão. Já a irmã, usada e abusada, está presa. É preciso ressaltar que Mineirinho continua impune em espancamento de mulheres e blindado no tenebroso escândalo de Furnas (e aí, juízes do Supremo? Não vão abrir esse cofre de Pandora?). É preciso investigar também o helicoca, a Samarco (19 homicídios culposos, um rio morto, a maior catástrofe ambiental do Brasil, estragos que chegam ao litoral da Bahia). Dá nojo a forma como homens (?) vis exploram irmãs que os idolatram.

O desespero Temeroso pode ser avaliado pelo grito de help às Forças Armadas, uma estupidez, com, é claro, a cumplicidade do minidef.

A ONG Alerta Brasil e o Projeto #Colabora denunciam que, desde que Temeroso abundou-se no trono presidencial, um direito foi perdido por dia! Esse é o líder “jogou mil no bolso”.

Como cravou a jornalista Dorrit Harazim, o presipodre poderia ter dito aos animais proteicos “Fora daqui”.

Vi no canal Bloomberg a seguinte pérola: “O mercado exige a continuação das reformas”. Qual mercado? Aquele que quebrou o mundo em Wall Street na megafraude de 07/08, ninguém preso? O da Fiesp? O de Pedro Parente Deles, onde o Brasil paga caro para explorar suas próprias riquezas?! O da “reconstrução” da Halliburton no Iraque? Vão se fifar!

Toda solidariedade ao repórter fotográfico André Coelho, chutado por um PM em Brasília. Quando se homenageia o Capitão Sampaio por esfacelar o rosto de um jovem, o resultado é esse.

Não se derruba um governo sujo com rosas.

Aldir Blanc
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‘Aécio virou uma sarna em cima do Joesley’, diz executivo sobre propinas

Ricardo Saud, da J&F, afirmou à Procuradoria-Geral da República que senador saiu endividado da campanha de 2014 e que o próprio tucano, sua irmã e seu primo ligavam '24 horas por dia' para pedir dinheiro


O executivo da J&F Ricardo Saud afirmou, em delação premiada, que após a campanha de 2014 Aécio Neves (PSDB-MG) ‘saiu endividado’ e que o tucano, seu primo, Frederico Pacheco, o Fred, e sua irmã, Andrea, ligavam ’24 horas por dia’ para pedir propinas. O jeito para se livrar, por um período, das solicitações do tucano, foi, segundo delatores, comprar a antiga sede do jornal Hoje em Dia, em Minas.



Delação cita publicidade como propina a Aécio

“Estamos tentando vender pela metade do preço e não vende. Está a venda. Não precisávamos dele, nada, foi único e exclusivamente para atender os interesses do senador Aécio”, afirmou Saud.




De acordo com a JBS, a pedido de Aécio, foi feito um caixa de aproximadamente R$ 100 milhões para ‘comprar apoio de partidos’ ao tucano nas eleições presidenciais em 2014. Logo no início das tratativas, como relatou Ricardo Saud, Joesley Batista teria advertido Aécio ao aceitar dar ajuda com propinas para as legendas:

“O Joesley falou: ó, você não resolveu nada pra mim. 12 anos lá e nunca deu conta de fazer nada. Vou tentar te dar o crédito mais uma vez. E ainda falei pra ele: vou fazer pra você igual fiz com o Marconi Perillo. Cansei de dar dinheiro pro Marconi Perillo através do Jayme Rincon e o Marconi Perillo nunca fez um nada pra mim no estado de Goiás. vocês, do PSDB são todos a mesma coisa. Vocês vem, com essas almofadinha, todos arrumadinhos e depois somem da gente e não faz mais nada”.

Os delatores da JBS dão conta de que a compra de apoio partidário se deu por meio de doações oficiais aos diretórios das legendas e prestação de serviços fictícios, além de dinheiro em espécie. PTB, Solidariedade, DEM, PTN, PSL, PTC, PSC , PSDC , PMN, PT do B, PTN, PL, PTC são citados como os partidos ‘comprados’ com os R$ 100 milhões da JBS para a campanha de Aécio Neves.

Ao fim das eleições, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) acabou reeleita, e , segundo os delatores, o tucano, ‘endividado’. As tratativas para pedido de propinas, então, teriam se intensificado. “O Aécio então entrou numa loucura, que eu acho que todo mundo correu dele”.

“Um dia precisou de um amigo comum do Aécio e do Joesley ir atrás do Joesley para pedir para atender a irmã do Aécio. Pra você ver ao ponto que chegou de desespero. A gente não conseguia mais. Depois, ainda tivemos mais 2 milhões, que pagamos em espécie agora há pouco tempo”, relatou.

Os R$ 2 milhões, entregues em espécie, aos quais o delator se refere, foram alvo de ação controlada da Polícia Federal. À época do depoimento, Aécio, seu primo, Frederico Pacheco e sua irmã, já eram investigados e os repasses foram filmados.

Joesley Batista disse ainda ter repassado R$ 17 milhões a Aécio Neves por meio da compra superfaturada do prédio em Belo Horizonte, de propriedade de um aliado do senador. “Precisava de R$ 17 milhões e tinha um imóvel que dava para fazer de conta que valia R$ 17 milhões”, afirmou.


Ao Estado, Flávio Jacques Carneiro, dono da editora responsável pelo veículo à época da transação, confirmou a venda realizada, em 2015, pelo valor de R$ 17,3 milhões, do prédio onde ficava o jornal Hoje em Dia, mas reiterou que o valor não foi repassado a Aécio Neves, e sim para quitar dívidas do jornal, ‘tais como salários de funcionários, pagamentos de fornecedores, tributos e contratos de empréstimos que financiavam a operação do Jornal, estando devidamente contabilizado na empresa Ediminas’.

Outro documento entregue pela JBS é referente a um contrato de R$ 2,5 milhões, que a empresa firmou com a Bel Editora. Segundo os delatores, o valor também foi estabelecido por Aécio Neves. Flávio Carneiro, dono da Ediminas à época da negociação, nega o envolvimento do tucano na negociação, e reitera que a publicidade foi declarada ao fisco.

Flávio Jacques Carneiro esclarece que a venda do prédio onde funcionava o Jornal Hoje em Dia, realizada em setembro de 2015, aconteceu dentro da legalidade com assinatura de contrato e escritura entre a Ediminas e a J&F Investimentos.

Os contratos entre a J&F e a Bel Editora, que controla a Ediminas, também estão nas mãos da Procuradoria Geral da República.


Com a palavra, Aécio Neves

São falsas as declarações dadas por Joesley Batista e Ricardo Saud, que atuaram em seus depoimentos como verdadeiros atores na tentativa de construir uma narrativa que sustente a história criminosa que fabricaram para ganhar os benefícios da delação e sobre a qual não apresentaram provas concretas. O senador Aécio Neves prestará à Justiça, por meio de sua defesa, todos os esclarecimentos sobre os assuntos mencionados e reitera que jamais recebeu propinas ou defendeu interesses da JBS, como o próprio Saud admite na declaração dada de que : “Aécio nunca fez nada por nós”.

Assessoria do senador Aécio Neves

Com a palavra, Paulo Vasconcelos

“Paulo Vasconcelos firmou um contrato com a JBS e todos os serviços previstos foram honrados. Não houve emissão de notas frias – nem mesmo o delator fala isso em seu depoimento. A lisura da sua conduta será provada na investigação”

Assessoria de imprensa da PVR

Com a palavra, Flávio Jacques Carneiro

Flávio Jacques Carneiro esclarece que a venda do prédio onde funcionava o Jornal Hoje em Dia, realizada em setembro de 2015, aconteceu dentro da legalidade com assinatura de contrato e escritura entre a Ediminas e a J&F Investimentos.

O imóvel foi vendido pelo valor de 17,3 milhões de reais e os pagamentos foram realizados mediante transferências bancárias creditadas na conta do vendedor, empresa Ediminas.

O valor da venda foi usado para quitar dívidas, tais como salários de funcionários, pagamentos de fornecedores, tributos e contratos de empréstimos que financiavam a operação do Jornal, estando devidamente contabilizado na empresa Ediminas.

Em relação à verba de 2,5 milhões de reais destinados à publicidade, da mesma forma foram contabilizados, declarados às autoridades fiscais e os recursos aplicados na operação do Jornal.

Não houve, em momento algum, repasse de dinheiro para o senador Aécio Neves, pessoa a ele ligada ou partido político.

Com a palavra, o PSC

Sobre a informação de que o Partido Social Cristão teria recebido recursos do Grupo JBS nas eleições de 2014, o partido esclarece que:

– O Grupo JBS não fez nenhuma doação para o Diretório Nacional e nem para a campanha presidencial do PSC;

– As campanhas do partido sempre foram modestas e feitas com recursos legais, informados à Justiça Eleitoral por meio das prestações de contas entregues ao TSE;

– É absolutamente fantasiosa a suposição de que atuação do partido na campanha de 2014 tenha sido influenciada por qualquer empresa.

Com a palavra, O Instituto Sensus

A reportagem entrou em contato com a entidade, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o PTB

O Diretório Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro afirma que a legenda recebeu doações de campanha da empresa JBS S.A. nas eleições gerais de 2014. Entretanto, o PTB ressalta que todas as doações recebidas pela referida empresa foram feitas por indicação do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), candidato a presidente da República apoiado pelo partido naquela época. E reiteramos que as doações recebidas foram realizadas rigorosamente dentro das normas legais e devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

O Diretório Nacional do PTB, portanto, esclarece que o partido jamais teve qualquer relação com a JBS nem com qualquer membro da empresa – seja pessoa física, seja pessoa jurídica. Certificamos que o partido não teve vínculo com a JBS no passado, não tem no presente e não terá no futuro.

Declaramos também que o PTB não tem compromisso em ajudar a JBS, tendo em vista a atuação aberta, firme e intensa de parlamentares do partido na CPI do BNDES, comissão que teve por objetivo investigar irregularidades em empréstimos concedidos pelo banco.

Por fim, reiteramos o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro às investigações da Lava Jato, e queremos que as denúncias envolvendo a JBS S.A. sejam apuradas e a empresa seja devidamente punida por todos os crimes que cometeu.

Roberto Jefferson
Presidente Nacional do PTB

Com a palavra, o PSDC

RONDÔNIA

Em depoimento prestado pelo executivo da JBS,Valdir Aparecido Boni, à Procuradoria Geral da República em 4 de maio de 2017, o executivo afirma que todas as tratativas pertinentes as irregularidades fiscais que teriam beneficiado a JBS, em Rondônia, foram mantidas exclusivamente com o contador Clodoaldo Andrade , na sede da sua empresa, Rio Madeira Contabilidade Empresarial.

Considerando que o senhor Clodoaldo Andrade, integra a direção do PSDC do Estado de Rondônia.

Considerando que no depoimento prestado pelo executivo Valdir Aparecido Boni, ele teria conhecido o referido contabilista na sede do PSDC em Porto Velho, apresentado pelo contador Nilton Amaral da empresa Guaporé, adquirida pelo Grupo JBS .

Face a esses fatos, a Comissão Executiva do Diretório Nacional do PSDC, fundamentada em seu compromisso com a transparência e a legalidade,

CONVOCOU

o Presidente Estadual do PSDC em Rondônia, o Eng. Edgard Nilo Tonial e o Contador Clodoaldo Andrade, também integrante da Direção Estadual do PSDC naquele estado, para comparecerem na sede operacional do partido em São Paulo – SP, e apresentarem a versão dos fatos.

Após a audiência, a Direção Nacional do PSDC, deliberará sobre as providências que se mostrarem necessárias , no âmbito partidário.

Brasília , 22 de maio de 2017.

COMISSÃO EXECUTIVA DO DIRETÓRIO NACIONAL
PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA CRISTÃO

Com a palavra, o PMN

O presidente do PMN Antônio Carlos Bosco Massarolo confirmou, nesta sexta-feira, 26, que o partido recebeu R$ 1,3 milhões, registrados em doações oficiais, da JBS, no entanto, disse desconhecer as tratativas do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para angariar os recursos. Ele também afirmou que, como encabeçou a chapa eleitoral, o tucano ficou responsável pela arrecadação de campanha.

“A JBS provavelmente fez essa doação a pedido do Aécio Neves, porque o partido não tinha essas relações com a empresa. Não sei como foram as tratativas, mas, pelo que vi na imprensa, parece que o linguajar do Aécio não é dos melhores”, afirmou.

Massarolo ainda esclarece que, quando a doação é feita ao partido, ‘é feito um recibo eleitoral é discriminado da origem’.

“Nas contas dos candidatos deve constar. À época, não existia nenhum tipo de ideia de que poderia haver esses embaraços legais da JBS”, relata.

Com a palavra, o Solidariedade

Todas as contas eleitorais do Solidariedade foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. A JBS fez uma doação legal de R$ 11 milhões, que foram distribuídos oficialmente entre diversos candidatos do partido pelo Brasil, portanto, não há irregularidade. Também é importante ressaltar que o Solidariedade foi um dos primeiros partidos a se definir na eleição de 2014, muito antes dos demais.

Solidariedade
Direção Nacional

Com a palavra, o PT do B

A reportagem entrou em contato com o PT do B, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o PEN

A reportagem entrou em contato com o PEN, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o PTC

A reportagem entrou em contato com o PTC, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o DEM
A reportagem entrou em contato com o DEM, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Luiz Vassallo
No Estadão
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