31 de dez de 2016

Para "bebemorar" a passagem do ano, lembre-se do Barão



“Monólogo”

- Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não...

- Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente.

E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.

- Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi.


- Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei.

- Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei.

- Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi.

- Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.

- Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.

- Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.

- Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.

- Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário.

- Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca!

Apparício Torelly, o Barão de Itararé
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Temer e o Brasil sabujo e imbecil de seu comercial de TV


Assisti, finalmente, o comercial de Michel Temer – não, não é um comercial do governo brasileiro – na televisão.

É uma peça de estupidez.

Além das mentiras que ontem se apontou aqui, com o trecho do texto antecipado pela Folha, o fecho do anúncio é de uma atroz prostituição ao capital estrangeiro.

“O mundo já reconhece que investir no Brasil voltou a ser um bom negócio”

Claro, onde é, no mundo, que se vai encontrar um governo que entregue jazidas imensas de petróleo praticamente de graça?

Onde é que se vai encontrar um país em que se possa colocar uns dólares e sair com eles generosamente multiplicados à custa de cortes na saúde, na educação e na assistência social de seu povo.

Onde é que vão encontrar um governante ilegítimo – afinal, as ditaduras escasseiam no mundo – que faça qualquer coisa para que um chefe de Estado ou um dirigente de multinacional venha posar para uma foto de cumprimentos, quando o planeta inteiro o olha de esguelha.

Somos, mais do que sempre fomos, um campo de caça do capital internacional. Somos um país de uma elite imbecil, que considera que só de fora há gente capaz de (nos) explorar as riquezas, e que algumas migalhas são o máximo que merecem por abrir a porteira, escancaradamente.

O Brasil “voltou a ser um bom negócio” porque o país está controlado por barraqueiros de feira na hora da xepa, vergado, destruído, arruinado, pedinte.

Regido – porque se comportam mesmo como rei pela usurpação – por um bando, como dizia o velho Brizola, de vendilhões da pátria.

Repito o que já disse: a propaganda do Temer é a cara do Temer.

Um evidente mau negócio para o Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A curiosa coincidência que envolve a embaixatriz da Grécia Françoise Amiridis em tragédias com assassinatos de estrangeiros


Em 2004, o caseiro que confessou ter assassinado o casal de americanos Staheli, ele o executivo da Shell, Todd Staheli, foi preso saindo da casa de Amiridis, flagrado pela câmera da segurança pulando o muro. Na ocasião, a consulesa, cujo nome não foi então revelado à imprensa, disse que o caseiro invadiu seu quarto munido de uma faca, depois de ter roubado 20 reais na cozinha, e a acordou quando deixou cair uma moeda no chão. Ela teria pedido educadamente que ele se retirasse, e ele a teria obedecido. Preso, o caseiro acabou confessando o assassinato, um mês antes, do casal vizinho, para o qual havia trabalhado, passando a trabalhar para outro morador, Paulo Malta. Ele justificou o crime por motivo de “racismo”, não convencendo a ninguém, pois outros empregados negros serviam ao casal Staheli sem sofrerem preconceito. Um crime mal explicado.

Até então, ninguém sabia que o cônsul Amiridis era casado. Ele era tido como solteiro por toda a sociedade carioca e, ao longo dos quatro anos em que serviu na cidade, de 2001 a 2004, foi o bachelor oficial dos jantares elegantes,  compondo as mesas de lugares marcados, escoltando senhoras e jovens senhoras desacompanhadas. Muitas tentaram namorá-lo, porém sem sucesso. Não podiam supor que ele já estivesse casado, como agora sabemos estar há 15 anos, praticamente desde que chegou ao Brasil. Elegantemente, Kyriakos não dava esperanças a elas. Era um homem fiel a Françoise.

O diplomata grego Amiridis era um amigo de muitos anos. Meu e de amplo círculo social carioca. Agradável, sociável e extremamente simpático, seu smoking frequentou os bons salões do Rio – do Cosme Velho, de Lily Marinho, ao edifício Golden Gate, de Idinha Seabra Veiga, dos elegantes jantares de lugares marcados de Angélique Chartouny, aos de Beth e Carlos Alberto Serpa. Ele praticamente testemunhou, como um dos protagonistas, o “canto do cisne” da alta vida social da cidade, quando esta colunista ainda noticiava anfitriões de jantares black-tie à francesa, que marcavam lugares à mesa. Hoje, raridade.

Foi praticamente às vésperas de sua remoção do Rio de Janeiro para outro cargo que sua casa na Barra da Tijuca foi invadida por um assaltante, funcionário de casa do condomínio, que ao ser preso confessou o assassinato do casal Staheli, caso horripilante e rumoroso. A mídia noticiou, porém nem todos leram e souberam que Kyriakos era casado.

O estimadíssimo Kyriakos era moldado para a carrière, um multiplicador e “estreitador” de laços. Nos anos em que esteve ausente do Brasil, manteve contato com os amigos que fez no Rio de Janeiro. Até que, em 8 de janeiro passado, recebi de Atenas esta mensagem formal abaixo do diplomata:

“Prezada Senhora Hilde,

Em primeiro lugar, espero que este meu e-mail  vos encontre  bem, com saude e que tudo esteja indo conforme desejais em vossa vida.

Venho por meio desta me comunicar com V.Sa para levar ao vosso conhecimento que em meados de Janeiro de 2016, estarei assumindo o cargo de Embaixador da Grecia no Brasil.

Creio que vos compreendeis a satisfacao e a alegria que me proporciona o fato de retornar, em novo cargo, num pais, com o qual me unem lindas memorias como tambem fortes amizades com pessoas especiais como V.Sa.

Espero que terei a oportunidade de vos encontrar logo novamente.

Atenciosamente,

Kyriakos Amiridis”

Em seguida, enviei a resposta:

“Caro Kyriakos

Seus amigos do Rio de Janeiro, entre os quais Francis e eu nos incluímos, estamos muito contentes com seu retorno ao Brasil como embaixador.

Hoje, a Andrea Natal, diretora geral do Copacabana Palace, pediu-me seu email, pois quer convidá-lo para o Baile do Copa, em que a Grécia será a grande homenageada, por ocasião deste nosso Ano Olímpico.

Envio-lhe o link do post que veiculei em meu blog.

“Ex-cônsul grego Kiriakos Amiridis de volta, agora como embaixador em Brasília” http://ln.is/com.br/rTYGh

Abraços e com os votos de uma boa viagem

Hildegard”

A troca de correspondências via email prosseguiu. Vejam abaixo:

“Estimada Hilde,

Agradeço  muitíssimo pela sua calorosa mensagem de boas-vindas!
Cheguei em Brasília e já assumi minhas funções na sexta-feira, 15 de janeiro, quando encontrei o Secretário-Geral das  Relações Exteriores no Itamaraty, Embaixador Sérgio Danese, a quem apresentei as cópias das minhas credenciais como Embaixador da Grécia no Brasil!

Estou animado  com a possibilidade de encontrar você e Francis quando estiver no Rio de Janeiro e os avisarei antecipadamente, antes da minha chegada na nossa cidade maravilhosa!

Meu número de celular é (61) XXXX XXXX

Com os melhores cumprimentos,

Kyriakos Amiridis 

P.S.

Agradeço imensamente  pela referência que fez sobre mim em sua coluna social.”

Minha resposta:

“Caro e prezado amigo Kyriakos

Francis e eu estamos muito contentes com sua presença em nosso Brasil.

Não vemos a hora de revê-lo.

Pergunto: o Copacabana Palace (Andrea Natal) conseguiu lhe falar? Caso tenha havido algum desencontro, eu gostaria de convidá-lo para meu camarote no Baile do dia 6, que homenageia a Grécia. O “Olympia Ball”, abrindo os festejos olímpicos. O embaixador da Grécia é presença fundamental.

Abraços

Hildegard”

Réplica dele:

“Cara Hilde,

Mais uma vez agradeço pela sua gentileza em ter-nos indicado para receber tão honroso convite da Sra. Andrea Natal e, ainda, de convidar-nos para o seu Camarote. Já tivemos sim o contato com os organizadores do Baile e os convites para mim e a Françoise já estão à nossa disposição no Copacabana Palace.

Ainda não sei qual o local que ficaremos no evento, mas caso tenhamos a possibilidade de estarmos juntos no mesmo Camarote, será um grande prazer para nós.

Abraços, Kyriakos”

Meu retorno:

“Prezado Kyriakos

Certamente teremos a oportunidade de nos ver no baile. Nossos camarotes são lado a lado. Será um grande prazer estar com você e Françoise. Fico contente em saber que o contato foi feito, e o local mais adequado para o Embaixador do país homenageado certamente é o do anfitrião da festa: a direção do hotel, a querida Andréa Natal.

Abraços e nos vemos na grande celebração à Grécia,

Hildegard”

Na ocasião, no animado e lindo baile grego do Copa, conheci Françoise, a mulher de Kyriakos. Percebi que não tinha o traquejo e a postura usuais em mulheres de diplomatas ou habituadas ao convívio social. Mas foi simpática. Quando ele fez a apresentação, houve um diálogo mais ou menos assim:

“Hildegard, esta é minha mulher, Françoise. Você sabia que eu havia me casado?”.

“Sim, eu soube pela mídia, quando houve aquele assalto à sua casa, na Barra da Tijuca, e a presença da consulesa foi mencionada”.

Neste instante, Kyriakos lançou um olhar cheio de significados para a mulher. Fiquei imaginando o que ele estaria querendo dizer através daquele olhar. Não sou de registrar olhares ocorridos, sobretudo em grandes bailes de carnaval, e sequer de me lembrar deles. O olhar de Kyriakos, não esqueci. Havia algo sério por trás daquele.


Exibindo as máscaras de Maria Callas, homenageada em nosso camarote no Olympia Magic Ball, do Copacabana Palace, esta colunista e a embaixatriz da Grécia, Françoise Amiridis, indiciada como suspeita no assassinato do marido, o tão estimado da sociedade carioca, e agora também do mundo social e diplomático de Brasília, embaixador Kyriakos Amiridis. Foi a última vez em que Francis e eu o vimos, esperávamos revê-lo neste verão carioca.

Hildegard Angel
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Anonymous hackea página web del club Bilderberg

Los piratas electrónicos dejaron una advertencia al selectivo grupo para que dejen de lado sus intereses y trabajen en beneficio de la población mundial.
“Ustedes no van a estar seguros en ningún lugar donde haya electricidad”, es parte del mensaje que dejaron los piratas electrónicos en la página del selectivo club internacional.

La página web del club Bilderberg, un foro secreto compuesto por 130 personas de las más influyentes del mundo, fue hackeada este viernes por piratas electrónicos de los grupos HackBack movement y Anonymous.

Los piratas electrónicos dejaron una advertencia al selectivo grupo que se reúne cada año sin dar ningún acceso a la prensa, para que cumplan sus reivindicaciones internacionales.

"Queridos miembros de Bilderberg: a partir de ahora cada uno de ustedes tiene un año (365 días) para trabajar verdaderamente a favor de la gente y no en aras de sus intereses privados", escribieron.

“Cada tema del que hablen o el trabajo que cumplan por medio de sus reuniones más que privadas tendrán que beneficiar a partir de ahora a la población mundial y no a un grupo Y o X de la gente”, agrega el mensaje de los piratas electrónicos.

Por último, los hackers concluyen que “a partir de ahora tienen que trabajar para nosotros, para la humanidad y para la gente”, ya que aseguran haberse hecho con el control de “sus coches de lujo y dispositivos de seguridad de sus casas conectadas”, así como de “las computadoras portátiles de sus hijas y los móviles de sus esposas”.

No teleSUR
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Petrobras - Interesses Ocultos da Lava Jato


Nesse episódio o Olhar TVT mostra o que está por trás da operação Lava-jato. Enquanto a opinião pública se embebeda com a sensação justiça feita, o país para, a economia encolhe, e a Petrobras fica na berlinda, como se fosse inviável. O programa mostra a força da Petrobras e o interesse dos países ricos no pré-sal, a quarta maior reserva de petróleo do mundo. Ao mesmo tempo que a Lava-jato prende os acusados, ela coloca cada dia mais a maior empresa brasileira nas mãos de multinacionais.



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El joven Karl Marx llegará a los cines en el 2017 (+ Video)


Titulado “El Joven Marx”, el largometraje dirigido por el destacado cineasta haitiano, Raoul Peck, tiene previsto su estreno para el 2017.

Detrás de la dirección del largometraje está el destacado cineasta Raoul Peck, gran entusiasta del cine crítico. Peck también dirigió el increíble y premiado documental “I Am Not Your Negro” (2016), que explora la historia del racismo en los Estados Unidos a través de reminiscencias de James Baldwin, junto a los figuras defensores de los derechos humanos Medgar Evers, Malcolm X y Martin Luther King. La película tiene como base un manuscrito inacabado de James Baldwin y fue narrado por Samuel L. Jackson.

La película que retrata la juventud de Karl Marx está situada en 1844, justo en el periodo en que comienza su amistad y colaboración intelectual con Friedrich Engels.

En 1843, Marx, interpretado por el actor alemán Auguste Diehl, (de “bastardos sin gloria”), pierde su empleo de redactor en la Gazeta Renana después de haber sido expulsado por el gobierno prusiano. Desde entonces, el joven Karl pasó a ser perseguido y antes de exiliarse en Paris, se casa con Jenny Von Westphalen, interpretada por la actriz luxemburguesa Vicky Krieps (de “amor y revolución”).

Engels, interpretado por el actor Stefan Konarske, era hijo de un importante industrial alemán, pero a pesar de eso, siempre mostró preocupación con la clase trabajadora. Enviado por sus padres a Manchester en 1842, dirigió la industria de su padre. Con esta experiencia, puede ver de cerca las precarias condiciones del proletariado, lo que le incentiva a investigar tal realidad y más tarde publicar la obra “La situación de la clase trabajadora en Inglaterra”.

En 1844, Engels decide volver a Alemania, pero a pedido de Marx, se encuentran en París, pues para ese entonces apenas habían intercambiado correspondencia. Es sobre ese escenario, en el auge de la revolución industrial, que Le Jeune Karl Marx promete hacer un abordaje fiel de los acontecimientos que iniciaran la gran amistad de los dos revolucionarios, la cual resultó en grandes obras, siendo quizá las más importantes, El Capital y El Manifiesto Comunista. Engels también colaboró con Marx en el desenvolvimiento del método de análisis de la sociedad llamado Materialismo histórico dialéctico.



No CubaDebate
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Alô, Alô Cunha! Telefonema pro Cramunhão


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El País explica como nasceu a ideologia golpista do Ministério Público


(Na foto, os três patetas do Ministério Público de São Paulo, que tentaram ganhar pontos na Globo inventando uma denúncia amalucada contra Lula. Se deram mal não pela patetice, pois qualquer coisa que se invente contra Lula é festejada pela mídia, mas porque atropelaram patetas superiores hierarquicamente, como o especialista em Power Point, Deltan Dallagnol.)

Chocante, para dizer o mínimo. Ao mesmo tempo, esclarecedor.

Reportagem do El País, em parceria com a Agência Pública, explica porque o Ministério Público se tornou uma instância tão autoritária, conservadora e golpista.

A reportagem se baseou em estudo da Conectas, uma organização não-governamental internacional, especializada em direitos humanos, fundada em setembro de 2001. Desde janeiro de 2006, a Conectas tem status consultivo junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e, desde maio de 2009, dispõe de status de observador na Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos.

É impressionante que somente agora, depois do golpe, um órgão de imprensa, estrangeiro, revele as engrenagens do controle ideológico que vem moldando o pensamento de membros do Ministério Público.

Apesar da matéria ter focado apenas no Ministério Público de São Paulo, ela lança uma luz sobre problemas similares em toda a instituição, a nível federal e em outros estados.

O controle ideológico se dá por diversas vias. A primeira delas é o método de selação dos procuradores, mas isso não foi objetivo da reportagem.

O estudo revela, porém, que os promotores novatos são tutelados politica e ideologicamente pelos procuradores mais velhos, justamente aqueles que construíram mais vínculos com os governos tucanos do estado de São Paulo.

Trecho da matéria:
Os promotores novatos precisam enviar relatórios mensais de suas atividades: denúncias realizadas, recursos impetrados, justificativas para processos arquivados. Os relatórios são analisados e o corregedor e seus assistentes atribuem a eles os conceitos ótimo, bom, regular e insuficiente, como um boletim escolar. Rafael Custódio, um dos responsáveis pela pesquisa da Conectas, compara essa estrutura a uma “espécie de Big Brother” que dita o caminho a ser trilhado. “Não está monitorando se o promotor foi pego dirigindo alcoolizado ou se está ganhando dinheiro fora da lei. Está monitorando o teor das manifestações. Esse monitoramento é ilegal. É perigoso. [O promotor] Não tem mais que agir conforme sua cabeça, mas agir pensando no que a corregedoria vai ver.”

Desse modo, os promotores são influenciados, segundo Evorah, a adotar um modo de agir ligado a valores e ideias mais conservadoras e punitivistas, do ponto de vista penal. “O que foi muito relatado [pelos entrevistados] é que existe um medo da Corregedoria, de fazer algo errado no início da carreira. Então, a Corregedoria tem um papel muito forte de moldar esses profissionais jovens”, conta Evorah, que é doutora em direito pela Universidade de São Paulo e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Outra forma de controle é a promiscuidade entre membros do MP e o Executivo. Diversos secretários do governo paulista vieram do Ministério Público. Um deles, Alexandre de Moraes, ex-secretário de Segurança, agora é ministro da Justiça.

Os membros do MP que não se alinham ao pensamento conservador hegemônico da instituição são marginalizados, segundo Alberto Machado, procurador que aceitou dar entrevista à Pública pouco depois de se aposentar. A crítica de Machado não se restringe ao MP: “Os tribunais e a lei não foram pensados para promover transformação social. Ao contrário. Eles nascem vinculados à ideia de manutenção da ordem estabelecida. Juízes, tribunais, o direito e a lei são naturalmente conservadores”.

A reportagem ajuda a entender inúmeros fatos recentes, envolvendo membros do MP incrivelmente submissos à mídia corporativa e aos interesses dos partidos conservadores.

Enquanto os crimes de evasão fiscal, que correspondem a centenas de bilhões de reais, permanecem impunes, o MP faz dobradinha com a mídia para destruir empresas nacionais, assinar acordos de cooperação internacional lesivos a nossa soberania, desestabilizar governos eleitos, perseguir grandes nomes da ciência (como o almirante Otto, pai da energia nuclear brasileira), lideranças populares (como o ex-presidente Lula) e movimentos sociais.

A Lava Jato é uma prova viva dessa distorção: os grandes ladrões, como Paulo Roberto Costa, Alberto Yousseff, Pedro Barusco, vão sendo todos soltos ou blindados, com anuência de procuradores, que lhes oferecem acordos espúrios nos quais, em troca de delações armadas, ganham liberdade.

A dica para ler a matéria veio do Tijolaço.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Mensagem de Ano Novo de Vladimir Putin ao presidente dos EUA e a todo o povo americano


Nós vemos os novos passos inamistosos da administração cessante dos EUA como uma provocação destinada a minar ainda mais as relações russo-americanas. Isto é claramente contrário aos interesses fundamentais de ambos os povos russo e americano. Tendo em conta a responsabilidade da Rússia e dos EUA na preservação da segurança global, [os novos passos da administração Obama] infligem danos a todo o conjunto das relações internacionais.

De acordo com a prática internacional vigente, o lado russo tem todos os fundamentos para uma resposta adequada.

Reservando o direito de medidas de resposta, não vamos descer até à diplomacia irresponsável de baixo nível. Iremos estruturar os próximos passos na restauração das relações russo-americanos com base na política da administração do presidente Trump.

Retornando à sua terra natal, os diplomatas russos vão passar os feriados de Ano Novo perto dos parentes e amigos - em casa. 

Nós não vamos criar problemas para os diplomatas dos EUA na Rússia, não vamos expulsar ninguém.

Não vamos proibir as famílias e as crianças de usar seus lugares habituais de férias durante os feriados do Ano Novo. 

Mais que isso, convido todos os filhos dos diplomatas americanos credenciados na Rússia para a festa de Ano Novo no Kremlin.

É pena que a administração do presidente Obama termine seu trabalho desta maneira, mas, no entanto, parabenizo a ele e sua família pelo Ano Novo.

Felicito o presidente eleito Donald Trump, todo o povo americano!

Desejo a todos bem-estar e prosperidade!
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Promotor que investigava Lula usa Facebook para atacar ex-presidente


Depois de se declarar suspeito para investigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, usou seu perfil no Facebook para atacar Lula. Em uma foto publicada na rede social, ele chama o ex-presidente de "encantador de burros".

Conserino participava da investigação que, em agosto deste ano, fez com que Lula e sua mulher, Marisa Letícia, fossem indiciados pela Polícia Federal sob a suspeita de terem sido "beneficiários de vantagens ilícitas" na reforma de um apartamento em Guarujá e na guarda de bens do ex-presidente.

No Facebook, promotor ataca ex-presidente Lula, que ele investigava.
Na denúncia apresentada em São Paulo à época, paralelamente a outra investigação no Paraná, os promotores Conserino, Fernando Henrique Araújo e José Carlos Blat afirmam que Lula, seu filho Fábio Luís e Marisa Letícia lavaram dinheiro ao ocultar a posse do apartamento.

Disseram ainda que essa seria apenas uma de várias irregularidades envolvendo a empreiteira OAS e a Bancoop. Os promotores afirmaram que uma série de pessoas foi lesada quando a cooperativa transferiu imóveis para a empreiteira. Quando a construtora assumiu as obras, alguns cooperados foram cobrados por valores não previstos inicialmente.

De atuação polêmica, Conserino já teve a postura criticada até mesmo por juízes, após acusar uma magistrada de ter feito "acordos ilícitos" para aceitar uma denúncia sobre supostas irregularidades envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), mas sem incluir Lula entre os réus.

Ele e outros promotores já foram à Justiça inclusive contra o sigilo de fonte de jornalistas, após serem tachados, em reportagem, como patetas. Eles alegam que tiveram a honra ofendida ao serem "ridicularizados" em notícia publicada pelo jornal.

A reportagem em questão foi publicada no dia 12 de março, três dias depois de o MP-SP denunciar e pedir a prisão de Lula, sua mulher e outras 14 pessoas por crimes envolvendo lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao ocultar bens, como o famoso triplex em Guarujá.

No início de dezembro, os promotores Conserino e Araújo alegaram motivos pessoais para se declararem suspeitos e deixarem o caso.

No Conjur
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País tem direito de saber quem é Santo, quem é Careca


Embora já tenha chegado a sua 35ª fase, a operação Lava Jato não conseguiu livrar-se da acusação de trabalhar de modo seletivo, reproduzindo um traço historicamente nefasto da Justiça brasileira, onde o Estado "é usado como propriedade do grupo social que o controla", nas palavras da professora Maria Sylvia de Carvalho Franco, no estudo Homens Livres na Ordem Escravocrata.

Neste universo, que descreve o Brasil anterior a abolição da escravatura, onde o grilhão, a chibata e o pelourinho eram instrumentos banais de manutenção da ordem para os habitantes da senzala, o "aparelho governamental nada mais é do que parte do sistema de poder desse grupo, um elemento para o qual se volta e utiliza sempre que as circunstâncias o indiquem como o meio mais adequado."

Dias antes de Guido Mantega ter sido forçado a deixar o centro cirúrgico do Alberto Einstein, onde sua mulher era operada de um câncer, para cumprir um mandato de prisão, descobriu-se um fato ao mesmo tempo chocante e instrutivo.

A Justiça Federal foi incapaz de descobrir o endereço residencial de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, para lhe entregar uma notificação relativa a AP 470, o Mensalão (Rubens Valente, Folha de S. Paulo, 15/9/2016). Não se trata de um caso com muitas dúvidas. Em 2005 a Polícia Federal encontrou quatro cheques do esquema de Marcos Valério, no valor de R$ 75.000 cada um, na conta do ex-ministro. Pimenta alegou que eram pagamentos por honorários que exerceu num serviço como advogado. Não mostrou documentos nem apresentou casos concretos em que atuou. O próprio Valério alegou, na CPI dos Correios, que havia ajudado Pimenta a pagar a conta do tratamento de saúde de um filho. Não convenceu. Mesmo assim, o caso já dura dez anos, o que configura outra ironia de longo curso.

Quando resolveu procurar Henrique Pizzolato, o dirigente do PT condenado a 12 anos e sete meses no STF, o Ministério Público fez investigações no Paraguai, Argentina e Espanha, até que chegou ao interior da Itália para localizá-lo na casa de um sobrinho. Enfrentou uma disputa na Justiça daquele país para garantir que Pizzolato fosse trazido para cumprir pena no Brasil, embora tivesse passaporte italiano. A principal denúncia contra o antigo diretor do Banco do Brasil envolve um pagamento de R$ 326.000, quantia 10% superior aos R$ 300.000 de Pimenta. O detalhe é que Pizzolato sempre alegou que o dinheiro não era para si, mas para o PT no Rio de Janeiro. Verdade ou não, os R$ 326.000 nunca surgiram em sua conta nem foram confirmados pela quebra de seu sigilo bancário ou fiscal.

Ao contrário do que ocorreu com o dinheiro entregue a Pizzolato, os recursos destinados a Pimenta foram pagos em quatro prestações e descobertos pelo delegado Luiz Fernando Zampronha, da Polícia Federal, e mais tarde arquivados no inquérito 2474 — aquele que o Supremo não examinou quando julgava a AP 470.

Mesmo considerando antecedentes tão notáveis sobre o caráter seletivo das investigações que envolvem políticos brasileiros, a representação da Polícia Federal que pediu a prisão de Antonio Pallocci, Branislav Kontic e Juscelino Dourado causa um choque inegável. Isso porque a leitura das primeiras 30 páginas sobre o esquema de pagamentos clandestinos do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, um departamento destinado a sustentar esquemas políticos, nada informa sobre o ministro ou o Partido dos Trabalhadores mas é muito revelador sobre o conhecimento da PF sobre o esquema de corrupção do PSDB paulista.

Na página 13, por exemplo, descreve-se a partilha de uma propina de 0.9% sobre um investimento de US$ 20,6 bilhões. Na página 17, uma troca de email entre executivos da Odebrecht deixa claro que estamos falando da linha 2 do Metrô, um investimento que seria particularmente rico em denúncias de superfaturamento e gastos suspeitos. Na página 18, surgem pseudônimos de quem irá receber o dinheiro. Em outra passagem, aparecem iniciais que poderiam identificar empresas envolvidas. Nas páginas seguintes, surgem várias planilhas, com detalhamento de datas, prazos e acordos. Na página 36, informa-se que o DGI, sigla usada para designar propina, pode subir de 5% para 8% em determinada obra. Também se descobre que, além da linha 2, a linha 4 do metrô entrou na dança. Foi ali, na estação Pinheiros, que em 2007 ocorreu um acidente trágico, que provocou a morte de sete pessoas, engolidas por uma cratera. Quando se refere ao consórcio encarregado da obra da linha 4, um executivo da Odebrecht usa a palavra "vencedor" assim mesmo, entre aspas, o que chama a atenção durante a leitura, pelo reforço da ironia. Também se registra na mesma passagem o pagamento de duas parcelas de R$ 250.000 destinadas a uma autoridade identificada como "Santo".

A verdade é que, além de dois vereadores do PSDB paulistano citados nominalmente, ao lado de quantias relativamente modestas num contexto de pagamentos milionários — R$ 6.000 e R$ 3.000 — não há menção explícita a nenhuma autoridade de escalão mais alto. São elas que recebem pagamentos de R$ 200.000 ou R$ 250.000 por mês — por vários meses. Embora José Serra e Geraldo Alckmin sejam mencionados como suspeitos óbvios por pessoas que conhecem os bastidores do caso, a verdadeira pergunta consiste em saber por que não se buscou apurar sua identidade real — fosse qual fosse. Boatos não resolve. Suspeita que não é apurada também não. Não há motivo para segredinhos. Os fatos estão descritos em documentos públicos.

O tempo passa e quem se beneficia é o acusado, seja quem for. Como acontece com tantos colegas de Pimenta da Veiga no mensalão PSDB-MG, as acusações acabam prescrevendo.

Durante um bom período, um personagem conhecido como "Italiano, visto como o protagonista das investigações que envolvem Antonio Palocci, foi identificado com outro ministro, Guido Mantega. Após um trabalho de checagem, procurando compatibilizar nome de assessores e eventos descritos em diversas trocas de mensagem, a Polícia Federal concluiu que Palocci era o "Italiano." Foi com base nessa visão que fez a representação e, numa cena indispensável para alimentar o já previsível de carnaval televisivo, conduziu o ministro para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

O problema é que entre as palavras civismo, virtude que tem sido frequentemente associada a Lava Jato, e cinismo, palavra comum no vocabulário de seus críticos, a única diferença consiste numa letra.

Se não há motivo para suspeitas prematuras nem acusações irresponsáveis, não há razão jurídica aceitável para se manter na penumbra a identidade de personagens conhecidos como "Santo" e "Careca" nos emails da Odebrecht. Elas devem ser conhecidas e investigadas, com o mesmo rigor dispensado a Antonio Palocci — a menos que, aceitando a troca do "v" pelo "n", aceite-se que há uma seleção política para alvos do Judiciário. Neste caso, é preciso admitir que não estamos investigando nem a corrupção nem a troca de favores. Mas um partido e seus dirigentes, o que só é aceitável sob ditaduras. Não se quer justiça, mas política, colocando o estado "a serviço do grupo social que o controla," como escreve Maria Sylvia de Carvalho Franco, referindo-se às instituições que mantinham a escravidão.

A tragédia da linha 4, na qual sete pessoas perderam a vida, só reforça a necessidade de um esclarecimento completo a respeito da identidade e do papel de "Santo" e "Careca."

A assumida intimidade de Fernando Henrique com Emílio Odebrecht, principal acionista do grupo, muito mais influente naquele período, que é descrita com tanta intimidade no Diário da Presidência, é mais uma razão para isso. Como se aprende pela leitura, FHC chegou a imaginar que o pai de Marcelo Odebrecht poderia ajudá-lo num programa de investimentos públicos destinado a redesenhar o capitalismo brasileiro. Está lá, no volume 1. A mudança do coração da economia sob orientação da Odebrecht. Entendeu?

A seletividade, sabemos todos, produz anedotas como uma Justiça que não consegue descobrir o endereço de um antigo ministro, Pimenta da Veiga. Mas não só.

Roberto Brant, que foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, também foi apanhado na rede de Marcos Valério. Recebeu um cheque de R$ 100.000. Disse que era contribuição para sua campanha. Acredito sinceramente que, como tantos, estava falando a verdade. Não importa. O fato é que seu destino foi outro. Renunciou ao mandato e ficou livre, enquanto parlamentares do PT, na mesma situação, marchavam no cadafalso da AP 470.

Na nova vida, fora de Brasília, Brant não teve de escapar de oficiais da Justiça. Pelo contrário. Um belo dia, lhe chegou o convite para uma missão nobre. Preparar a versão final de um projeto político de mudanças para o país. Foi assim que, uma década depois de ser apanhado com um cheque de Marcos Valério, tornou-se o autor do texto final de um documento chamado Ponte para o Futuro, projeto que deu o esqueleto ideológico para o golpe de 31 de agosto.

Deu para entender como tudo se liga com tudo?

Paulo Moreira Leite
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