23 de dez de 2016

“Coxinhas” ficam sem o peru de Natal

Manipulados pela imprensa falsamente moralista, muitos “midiotas” bateram panelas e foram as ruas para exigir o “Fora Dilma”. Os tapados acreditaram piamente na conversa fiada de que bastaria tirar a presidenta para a economia voltar a crescer e o Brasil virar um paraíso. Nos primeiros dias do “golpe dos corruptos”, a imprensa mercenária, alimentada com mais verbas de publicidade, até estimulou essa miragem. Ex-urubólogos se fantasiaram de otimistas para difundir a mentira da “volta da confiança” do deus-mercado. Agora, porém, nem eles mais divulgam esta baita mentira, temendo pela queda ainda mais abrupta da sua já pouca credibilidade.

Já os “midiotas” começam a questionar, ainda timidamente, se não serviram de massa de manobra para as elites golpistas e seus planos de retirada de direitos sociais. Desde 31 de agosto passado, data fatídica do golpe do impeachment, eles só ouvem falar em aumento da idade para a aposentadoria, em parcelamento das férias, em aumento da jornada de trabalho para 12 horas semanais – entre outras maldades orquestradas pelo covil golpista e defendidas pela mídia chapa-branca. O Natal, que dizem ser um tempo de reflexão, talvez sirva para os “coxinhas” confirmarem a besteira que fizeram... mas sem o tradicional peru na ceia.

Matéria publicada na Folha nesta quinta-feira (22) informa que “a crise fez o cardápio natalino tradicional perder espaço na mesa dos brasileiros, segundo estudo da consultoria especializada em varejo dunnhumby. A parcela dos consumidores que pretendem preparar uma ceia tradicional caiu de 75% em 2013 para 61% neste ano. Além disso, 10% terão à mesa pratos do dia a dia, conforme mostra levantamento com mil consumidores em São Paulo. Em 2013, só 4% optaram por um jantar comum. ‘O consumidor está atento a produtos alternativos que podem ser mais baratos. Por isso, os itens típicos de Natal vão sofrer mais’, disse o diretor da dunnhumby Sérgio Messias, lembrando que o frango aparece como forte substituto do peru na pesquisa deste ano.

Ainda segundo a reportagem, “entre os que farão ceia, 55% preferirão o frango para economizar no Natal de 2016, um crescimento de cinco pontos percentuais. A demanda por frutas secas também será impactada, segundo a pesquisa. Cerca de 56% dos entrevistados falam em tirá-las do cardápio, alta de três pontos percentuais em relação ao ano passado. Luiz Muniz, sócio da consultoria Telos Resultados, observa que apesar da crise, o panetone será beneficiado. ‘Neste Natal, o panetone deixou de ser um pão com frutas e virou um presente’, afirmou”. 

Que o Natal sem peru e sem presentes sirva para despertar os tacanhos “midiotas”, são os meus mais sinceros desejos!

Altamiro Borges
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Programa Pensamento Crítico: O Brasil, o rentismo e a dívida


Programa de análise da conjuntura brasileira e latino-americana, produzido pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos, com a participação de Elaine Tavares, Nildo Ouriques, Daniel Corrêa e Maurício Mulinari. Nesta edição discutindo o Brasil, o rentismo e a dívida.

Imagens e edição: Rubens Lopes

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As intrigas natalinas em um Supremo risonho e franco


O espírito natalino faz com que os atos de fim de ano sejam muito melhores do que a realidade do ano seguinte. O melhor de nós aparece nessa época do ano. Depois, quando se cai no espírito do mundo real, vai piorando gradativamente. O melhor do Supremo não anima.

Lance 1 - A intriga

Sai a nota no Estadão, assinada pelo repórter Ricardo Galhardo (https://goo.gl/vkxUSZ). O título é “Lewandowski trava regra de indicação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral.

Diz a matéria:

“Repousa desde março de 2012 em uma gaveta do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma resolução de emenda regimental que altera a forma de escolha dos ministros juristas que compõem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A substituição de dois dos sete ministros do TSE ainda no primeiro semestre do próximo ano é vista como um trunfo do governo contra a ameaça de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer”.

“(...) Se aprovada a proposta de mudança regimental feita pelo então presidente do STF Cezar Peluso, em 2012, o governo seria obrigado a mudar de estratégia. 

Pela proposta cada um dos 11 ministros da Corte indicaria dois advogados eleitorais com pelo menos dez anos de experiência. Então os ministros fariam uma eleição interna e os três mais votados seriam submetidos à escolha de Temer. 

Entre os críticos da fórmula atual está a ministra Carmen Lúcia, presidente do STF. O ministro Marco Aurélio Mello chegou a adiantar seu voto favorável à mudança, mas Lewandowski pediu vista.

(...) Procurado por meio de seu gabinete, o ministro não explicou por que pediu vista em março de 2012 de uma resolução que tem apenas sete linhas e até hoje não liberou o processo”.

Lance 2 - A correção da intriga

Uma breve consulta ao site do STF (Supremo Tribunal Federal) mostra que o Processo Administrativo nº 353.132 está retido por pedido de vista do Ministro Dias Toffoli, aliado incondicional do Ministro Gilmar Mendes, em cuja área de influência (dele, Gilmar) orbita a presidente do STF Carmen Lúcia.




Lance 3 – O mapeamento da intriga

Uma consulta à Ata da Oitava Sessão Administrativa de 2016, realizada em 24 de agosto de 2014 mostrará que o Ministro Ricardo Lewandowski apresentou o Processo e o Ministro Dias Toffoli pediu vistas.


Quem fez a intriga não foi informado das decisões dessa sessão. Por isso a intriga não poderia ter partido de nenhum Ministro presente. Mas pode ter partido de algum Ministro que faltou e, por isso, não ficou sabendo das decisões daquela sessão.

Há três evidências, portanto, apontando a Ministra Carmen Lúcia:

1.     Segundo consta da Ata, foi a única faltante da sessão.

2.     A reportagem menciona a posição de apenas dois Ministros. No caso do Ministro Marco Aurélio, uma informação óbvia, visto ter sido o único que adiantou seu voto favorável à mudança. Dos dez outros Ministros, registrou-se apenas a posição da Ministra Carmen Lúcia, comprovando que o repórter não entrou em contato com nenhum outro Ministro para saber sua posição.

3.     A intriga teve como alvo o Ministro Lewandowski, velho desafeto da Ministra.

Luís Nassif
No GGN
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Por que o “furo do ano” virou uma notinha minúscula?


A palavra presepada vem, óbvio, de presépio, mas tem um sentido completamente inverso ao da representação da cena fundamental do cristianismo. Dizem os etimologistas que  essa acepção vem dos antigos “presépios vivos” com que se figurava o Advento cristão. Eram toscos, nitidamente fingidos, atores inconvincentes e roteiros atrapalhados.

A Folha, hoje, publica uma matéria que lhe transmitiram, claramente, com um sentido de presepada. Tanto é assim que, aquela que seria a manchete do ano — uma acusação pessoal de Marcelo Odebrecht a Lula — virou um pequeno registro. Nitidamente, faltou munição para “bancar” o suposto furo.

O próprio título — “Em delação, Odebrecht revela estratégia para manter Lula influente” — e, na pequena chamada de capa, afirma que a empresa “diz ter agido para manter a influência de Lula”.

Ok. Partamos do princípio que, de fato, alguém com acesso às declarações de Marcelo Odebrecht à “joia da coroa” das 77 delações da empreiteira — alguém, um dia, por favor, explique como se manteve secreto um esquema que envolvia 77 pessoas dando dinheiro de propina e caixa 2 — deu ao jornal o que ele continha e as provas de que as atividades políticas de Lula eram sustentadas pela empreiteira.

Só quem lê com atenção é que percebe que a suposta e vaga informação é apenas “gancho” para requentar a história do tal “prédio do Instituto Lula”.

O que há ali? Lula “manteria sua influência” com um novo prédio de seu instituto, prédio que, aliás, não é e  não foi do Instituto Lula, como a reportagem candidamente registra:

Um ponto a ser esclarecido nas apurações é o fato de a sede do instituto não ter sido instalada no terreno da rua Dr. Haberbeck Brandão, na zona sul, mas em um edifício no bairro do Ipiranga.

Reparem que “pequeno detalhe”: porque o Instituto Lula é onde sempre foi e não é onde lhe  compraram um prédio para ser? É algo tão nonsense quanto a história de que o Itaquerão foi “um presente” a Lula. Se eu fosse presidente do Corinthians pediria de volta o dinheiro pago, já que foi “presente”.

Admita-se, por simples exercício, que o prédio foi comprado para isso.Será que Lula pediria para comprar um prédio sem saber qual seria, onde seria, etc? Porque, na versão dos procuradores, Lula não teria achado o prédio adequado. Bem, neste caso só é possível imaginar que ele não tenha pedido que o comprassem ou, no mínimo,que não participou desta história senão para dizer não à cessão do prédio para seu instituto.

Se alguém pediu e a Odebrecht comprou, aqui por engano, não é? Tráfico de influência é solicitar ou obter vantagem indevida por ato de funcionário público. Neste caso, não se apontou solicitação, não se provou obtenção e muito menos localizou-se o ato específico a que ele se referiria.

A história do financiamento de uma campanha em El Salvador, francamente, também falta sustentação para afirmar que vantagens obteria Lula. Quem poderia estar interessada em vantagens — em obras e contratos — em El Salvador era a Odebrecht, não ele. Aliás, não só lá, mas em vários outros países onde andou distribuindo propinas. Ou será que ela corrompeu dirigentes destes países para “agradar Lula”?

Quando o jornalismo parte, sem provas e sem lógica, para montar cenários que “alguém me disse”, agindo como “vaquinha de presépio” da meganhagem jurídica que sabidamente quer “pegar o Lula” o resultado é o que o Houaiss descreve  como “espetáculo ridículo, fanfarrice”.

Uma presepada.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Flagrante forjado, abandono do caso e barraco na Justiça; o fim melancólico da 1ª denúncia contra Lula


Veja uma lista com as principais façanhas do trio de promotores que tentou prender o ex-presidente

O trio de promotores estaduais de São Paulo José Carlos Blat, Cássio Conserino e Fernando Henrique Araújo, que pediram a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma rejeitada acusação de Obstrução da Justiça, não conseguem manter seus nomes longe da imprensa, tal a capacidade dos três em se envolver em polêmicas e confusões.

Desde que pediram a prisão de Lula — rapidamente negada pela Justiça — eles já se declararam suspeitos de conduzir as uma investigação sobre o ex-presidente, já foram acusados pela Justiça de forjar flagrante em outro processo investigatório, já confundiram publicamente nomes de filósofos conhecidos e até protagonizaram um “barraco” nada protocolar com uma juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Veja, abaixo, uma lista com as principais façanhas do trio que tentou prender o ex-presidente Lula.

— Pedidos esdrúxulos em casos de repercussão

Sempre em busca de holofotes, José Carlos Blat é conhecido por atuar em casos envolvendo figuras públicas ou assuntos que causam comoção geral. Ele já atuou em casos como da Favela Naval, da Máfia dos Fiscais e, mais recentemente, da Bancoop, a cooperativa habitacional dos bancários que enfrentou problemas financeiros e acabou por vender alguns de seus empreendimentos à construtora OAS.

No caso da Bancoop (que, por uma derivação criada pelos promotores, acabou por levar ao pedido de prisão de Lula), alguns de seus pedidos foram de tal forma draconianos que geraram espanto do juiz que os apreciou, como pode ser lido neste trecho da decisão judicial negando pedidos de Blat, datada de abril de 2012:

“A partir do momento em que este inquérito passou a ter tamanha repercussão política, é preciso que cada decisão ou providência tomada esteja ainda mais firmemente embasada em elementos de prova e de direitos sólidos e claros. Quanto ao item 6 (bloqueio imediato de todas as contas bancárias, fundos e aplicações da Bancoop), observo que é manifesto seu descabimento e despropósito nestes autos, sendo de rigor o pronto indeferimento.”

— Suspeita de forjar flagrante contra dono de boate

Na mais recente confusão em que se meteu, José Carlos Blat se tornou suspeito de forjar um flagrante contra Oscar Maroni, dono da boate Bahamas. Há sete anos, Maroni era acusado por Blat de coagir testemunhas. Agora, ao fim do processo, Maroni foi inocentado, enquanto o promotor passou para o papel de acusado de ter forjado um flagrante.

Maroni era acusado crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos.  Ele chegou a ser preso em flagrante, com o carro estacionado em frente ao prédio da mulher que iria depor contra ele, sua ex-namorada Vivian Milczewsky.

Durante o processo da 5ª Vara, no qual Blat atuava, Vivian disse que o empresário estava fazendo ameaças para ela não testemunhar. Apresentou mensagens de celular e áudios como provas.

Mas, na hora de testemunhar em frente ao juiz, Vivian falou o contrário do que Blat afirmava que ela iria dizer: disse que não sofreu nenhuma pressão, que se falou o contrário foi para se vingar de Maroni, que o promotor tinha elaborado um plano junto com ela para que o empresário fosse preso.

Diante disso, até a promotora que atuava no caso junto com Blat pediu a absolvição de Maroni. A juíza Tatiana Vieira Guerra acolheu pedido de defesa e da acusação e, atendendo a pedido da promotora, a juíza pediu à Procuradoria-Geral de Justiça que a entidade investigue as acusações feitas contra o promotor José Carlos Blat.

— Autodeclaração atrasada de suspeição

Se os outros dois promotores colegas de Blat no caso frustrado contra Lula não são suspeitos de forjar flagrante, se autodeclararam, na semana passada, suspeitos para conduzir procedimentos investigatórios contra o ex-presidente.

Quer dizer, sete meses após imputarem a Lula o crime de obstrução de Justiça e pedirem sua consequente prisão por causa disso, Cássio Conserino e Fernando Henrique Araújo admitiram que não devem trabalhar em casos envolvendo Lula. O motivo? Não revelaram, disseram apenas ser “questão foro íntimo”.

Para o advogado dos diretores da Bancoop, Rubens de Oliveira, a situação é muito inusitada. “É questionável tudo que ele fez até agora. Mas por que é suspeito só agora? Espero que a juíza peça para ele se manifestar. Não é usual que tenha de explicar foro íntimo, mas acredito que, nesse caso, ele precisa explicar”, disse.

“Barraco com juíza do TJ-SP”

Em outubro deste ano, o trio de promotores protocolou um documento acusando o Ministério Público Federal no Paraná e a equipe de procuradores da Operação Lava Jato de organizarem um conluio com uma juíza paulista e montar uma denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas com base em "achismos", no que se refere ao apartamento no Guarujá cuja propriedade é da OAS, mas que os procuradores da Lava Jato insistem em dizer que é “propriedade oculta” de Lula.

Em sua reclamação à juíza paulista Maria Priscilla Veiga de Oliveira, que entregou o caso ao Ministério Público Federal do Paraná, para ser julgado pelo juiz Sérgio Moro, Conserino abre mão da etiqueta forense e se dirige à magistrada em linguajar pouco comum no âmbito do Judiciário, além de dar início e encerrar o documento sem as cordialidades de praxe. "Aqui tem Ministério Público! Aqui tem Promotores de Justiça que fizeram uma denúncia com convicção. Não denunciamos com base em achismo", afirmou Conserino, comparando seu trabalho ao dos procuradores do MPF-PR.

Tudo isso disseram os promotores só para, dois meses depois, admitirem que não podem conduzir investigações envolvendo Lula e o prédio do Guarujá, por serem suspeitos, “por motivo de foro íntimo” não revelado.

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‘Aproveito a impopularidade para tomar medidas impopulares’: a última barbaridade de Temer


Temer ainda teve tempo, no finalzinho de 2016, para proferir uma frase destinada à antologia das obtusidades.

Sequer original ele foi. Tomou a sentença do publicitário Nizan Guanaes.

“Um governo com popularidade extraordinária não poderia tomar medidas impopulares”, disse ele nesta quinta num encontro com jornalistas.

“Estou aproveitando a suposta impopularidade para tomar medidas impopulares.”

Ele se referia à reforma na legislação trabalhista e às mudanças na Previdência.

O mais pitoresco foi o uso do adjetivo suposto com o qual Temer se referiu ao apoio da sociedade a seu governo.

Suposta impopularidade?

Um momento: alguém tem dúvida disso? Temer vem batendo sucessivos recordes de rejeição. Cada pesquisa é pior que a anterior.

Não foi tudo.

Numa inversão monumental, ele conseguiu dizer que um governo popular não conseguiria aprovar medidas impopulares.



Desde quando?

É exatamente o contrário.

Administrações populares — sobretudo em seus primeiros meses — são as mais talhadas para passar medidas impopulares.

Como cientista político, aspas, Temer revelou-se uma tragédia ao proferir uma barbaridade daquelas.

Para completar o circo, nenhum dos jornalistas presentes o questionou sobre a abstrusa tese que ele fabricou.

É como se eles, a exemplo do que ocorreu no infame Roda Viva, estivessem dizendo a Temer: “Tamos juntos, presidente!”

Paulo Nogueira
No DCM
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