15 de dez de 2016

Temer é citado pela 2ª vez em delação da Odebrecht

Executivo da empreiteira afirma ter repassado recursos a pedido do presidente da República e o ex-deputado Eduardo Cunha

Ele
Um dos principais executivos da construtora Odebrecht, o empresário Márcio Faria da Silva disse à Procuradoria-Geral da República que operacionalizou o repasse de recursos a pedido do presidente Michel Temer e do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A liberação do dinheiro, segundo contou, estava vinculada à execução de contratos da empreiteira com a Petrobras. A informação consta no acordo de delação premiada assinado pelo executivo. Em 2010, Michel Temer recebeu, em seu escritório político em São Paulo, Márcio Faria da Silva para uma conversa, da qual também participaram Eduardo Cunha e o lobista João Augusto Henriques, coletor de propinas para o PMDB dentro da Petrobras.

O Palácio do Planalto confirmou o encontro, mas informou que foi Cunha quem pediu a conversa a Temer, dizendo que o executivo gostaria de conhecê-lo. A assessoria do presidente acrescentou que na reunião, que teria durado cerca de 20 minutos, não se tratou de questões financeiras, mas só de formalidades. Nada além disso. “Se, depois da conversa de apresentação do empresário com Temer, Eduardo Cunha realizou qualquer acerto ou negociou valores para campanha, a responsabilidade é do próprio Eduardo Cunha”, afirmou a assessoria de Temer.

Márcio Faria da Silva é um dos 77 delatores da Odebrecht. Entrou na empresa em 1978 e escalou de forma meteórica o seu organograma, tornando-se um dos principais executivos da construtora. No comando da Odebrecht Engenharia Industrial, participou de grandes obras da Petrobras, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e as refinarias de Abreu e Lima, Araucária e São José dos Campos. Um de seus principais contatos na estatal era Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento.

Representante de interesses suprapartidários, inclusive do PMDB, Costa disse à força-tarefa da Lava Jato que negociou o repasse de propinas com Márcio Faria da Silva. Operador do petrolão, o doleiro Alberto Youssef ratificou essa versão, o que levou o Ministério Público a processar o executivo por improbidade administrativa. Para o MP, ele teve papel decisivo na costura do cartel de empreiteiras que fraudou contratos e desviou bilhões de reais da Petrobras.

Márcio Faria da Silva é o segundo executivo da Odebrecht a implicar Temer no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, Cláudio Melo Filho contou que num jantar em maio de 2014, no Palácio do Jaburu, o então vice-presidente Michel Temer, acompanhado do então deputado Eliseu Padilha, pediu uma ajuda financeira a Marcelo Odebrecht. Ficou combinado o repasse de 10 milhões de reais, dos quais 6 milhões de reais foram reservados para Paulo Skaf, então candidato do PMDB ao governo de São Paulo, e 4 milhões de reais para Eliseu Padilha, hoje chefe da Casa Civil.

Veja revelou o caso em agosto passado. Ao assinar seu acordo de delação premiada, Melo Filho detalhou um pouco mais o rateio do butim. Ele declarou que parte dos 4 milhões de reais foi entregue em espécie no escritório de advocacia de Eliseu Padilha em Porto Alegre. Outra parte, também não especificada, foi entregue em dinheiro vivo no escritório de advocacia de José Yunes, o amigo de Temer que se demitiu ontem do cargo de assessor especial do presidente. Melo Filho diz ter ouvido do próprio Padilha que 1 milhão de reais foi entregue a Cunha. O ex-deputado, portanto, teria se beneficiado dos valores pedidos por Michel Temer a Marcelo Odebrecht.

Preso pela Operação Lava Jato, Cunha era operador financeiro do PMDB. Foi ele quem conseguiu da própria Odebrecht doações generosas a políticos ligados a Michel Temer — entre eles, o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, investigado no petrolão, e Gabriel Chalita, candidato peemedebista à prefeitura de São Paulo em 2012. É esse um dos motivos que justificam a apreensão do governo com a eventual delação premiada do ex-deputado, preso pela Operação Lava Jato.

Daniel Pereira e Robson Bonin
No Veja
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Entrevista com Sen Lindbergh Farias


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O que leva Luiz Fux a afrontar o Congresso


Dizem que o Ministro Luiz Fux tem grande coragem pessoal. Lutador de jiu jitsu, certa vez imobilizou um assaltante que invadiu seu apartamento. As crônicas de época não descrevem a compleição física do assaltante.

No Supremo, porém, Fux só ataca quando pressente que o adversário está caído ou imobilizado.

Foi assim na fase final do “mensalão”. Com o Congresso de joelhos, concedeu uma liminar absurda ao governador Sérgio Cabral Filho, mandando trancar toda a pauta da Câmara para que não fosse votada uma lei que mudaria a distribuição do ICMS do petróleo. Até hoje a lei não foi votada.

Coube a ele também pedir vistas de um processo que questionava a constitucionalidade dos auxílios salariais que engordavam o salário dos magistrados. O processo está até hoje em sua gaveta.

Passados os momentos de catarse, sua atuação no STF tem sido tímida. Desde que a história do “matar no peito” vazou — a promessa que fez de segurar as ações do mensalão, se indicado Ministro do STF —, não se expôs em temas mais delicados, evita protagonismos maiores, especialmente em temas de maior repercussão.

O que o levaria, então, a incendiar a guerra com o Congresso, com essa decisão esdrúxula de impor à Câmara como deve votar as leis, exigindo que reponha integralmente o conteúdo das 10 Medidas enviadas pelo Ministério Público Federal?

Segundo juristas consultados pela mídia, o argumento invocado é extravagante. Diz Fux que emenda de tramitação popular não pode ser alterada. Pode e há inúmeros precedentes. O Ministro Gilmar Mendes, que exige para si o monopólio da parcialidade, taxou a decisão de Fux de AI-5 do Congresso.

Por trás dessa afronta à independência do Congresso pode estar a posição vulnerável de Fux, após as últimas investidas da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Fux foi um Ministro indicado pelo esquema Sérgio Cabral Filho. O próprio Lula admitiu que a maior pressão que recebeu foi da advogada Adriana Ancelmo, esposa de Cabral, na época a toda poderosa primeira dama do estado, hoje detida na penitenciária de Bangu. Sua campanha foi pavimentada pelo grupo de lobistas que sempre orbitou em torno de Cabral, com jantares e eventos para os quais eram convidados juristas com suposta influência sobre Lula e Dilma.

Valeu-se de seu cargo para pressionar a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro, a votar em sua filha Marianna Fux, de apenas 32 anos, para o 5º Constitucional do Tribunal de Justiça do Rio.

Segundo reportagem da revista Piauí (https://goo.gl/ivIQ89) foi uma campanha intimidatória, de um Ministro que tinha em mãos centenas de processos de interesse dos advogados cariocas. Valeu-se disso para pressionar vários advogados a votar em sua filha, telefonando pessoalmente para eles. O cargo exigia dez anos de experiência prévia dos candidatos. A experiência de Marianna consistia em trabalhos de pesquisa no escritório de Sérgio Bermudez, o superadvogado que, na posse de Fux, ofereceu um megajantar em sua homenagem.

Fux pertence ao grupo de influência de Luiz Zveiter, o polêmico ex-presidente do TJ-RJ, que foi um dos principais cabos eleitorais de Marianna. Zveiter tem uma relação de cinco processos no CNJ e apenas uma condenação. Em passado recente, um promotor foi condenado pelo TJ-RJ por ter investigado Zveiter (https://goo.gl/NkLstF).

Em setembro de 2014, o TJ-RJ mudou os requisitos para permitir a reeleição de Zveiter.  O próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) condenou a mudança. Mas Fux concedeu uma liminar que permitiu a Zveiter concorrer — e ser derrotado (https://goo.gl/cxjXCl).

Este ano Zveiter candidatou-se novamente e foi eleito. Mas na semana passada o caso finalmente foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Zveiter foi derrotado por 7 x 3. Dentre os três votos a favor de Zveiter, o do indefectível Luiz Fux.

Por esse histórico, corre o risco de ser atingido por algum vazamento da operação que prendeu Cabral e Adriana, uma frase solta, um nome na agenda que, mesmo não configurando nenhum crime, possa ser utilizado para alvejá-lo.

Luís Nassif
No GGN
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O que Moro e a Globo não querem que você veja no jn e que explica o nervosismo do juiz

Lula e sua família jamais tiveram as chaves do tal tríplex do Guarujá


O Jornal Nacional não mostrou, e a mídia preferiu cobrir os gritos do juiz aos advogados, porque os depoimentos de segunda-feira não só reforçaram a inocência de Lula, como confirmaram que a família do ex-presidente jamais teve as chaves do tal tríplex do Guarujá, uma mentira repetida mil vezes pelas organizações Globo.

Depois de mais de 20 testemunhas não acrescentarem prova nenhuma contra Lula, fato nenhum que indique relação entre desvios na Petrobras e um apartamento que a família de Lula cogitou comprar mais de 3 anos após ele não ser mais presidente, com tudo isso registrado você entende porque o juiz decidiu partir para o berro e para tentar desqualificar a defesa?



Lawfare





Lula processa Dallagnol

Na data de hoje (15/12), protocolamos ação de reparação por danos morais em favor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o procurador da República Deltan Martinazzo Dallagnol. A ação pede a condenação do citado procurador da República ao pagamento de reparação por danos morais, no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), em virtude da realização de coletiva de imprensa em 14/09/2016 transmitida em rede nacional, durante a qual, sob o pretexto de informar sobre a apresentação de uma denúncia criminal contra Lula, promoveu injustificáveis ataques à honra, imagem e reputação de nosso cliente, com abuso de autoridade.

Independentemente do desfecho da ação penal gerada pela citada denúncia — que somente poderá ser o reconhecimento da inocência de Lula, como emerge com nitidez dos 23 depoimentos já colhidos de testemunhas selecionadas pelo próprio Ministério Público Federal —, a pretensão indenizatória mostra-se desde logo cabível.

Nenhum cidadão pode receber o tratamento que foi dispensado a Lula pelo procurador da República Dallagnol, muito menos antes que haja um julgamento justo e imparcial. O processo penal não autoriza que autoridades exponham a imagem, a honra e a reputação das pessoas acusadas, muito menos em rede nacional e com termos e adjetivações manifestamente ofensivas.

A mesma coletiva já é objeto de pedido de providências perante o Conselho Nacional do Ministério Público, ainda pendente de análise. O fato também foi levado ao conhecimento do Comitê de Direitos Humanos da ONU em atualização feita no mês passado.

O documento está disponível em www.averdadedelula.com.br



O PowerPoint contra-ataca


Depois de mais de 20 depoimentos de testemunhas arroladas pelo próprio Ministério Público enterrarem a farsa de que Lula seria proprietário de um apartamento tríplex no Guarujá, com as testemunhas comprovando que a família do ex-presidente jamais teve as chaves ou usou o apartamento, sendo apenas "potenciais compradores" do imóvel, os procuradores do Ministério Público do Paraná, chefiados por Deltan Dallagnol, tinham que inventar uma nova história na sua busca obsessiva de tentar retratar o ex-presidente como responsável pelos desvios na Petrobras.

Após um apartamento que nunca foi de Lula no Guarujá, entra a acusação de um apartamento que também não é de Lula, pelo qual sua família paga aluguel pelo uso, e um terreno que não é, nem nunca foi, do Instituto Lula, onde aliás o atual proprietário hoje constrói uma revendedora de automóveis.

Em release, a Lava Jato admite que a denúncia seria uma "reafirmação" da Operação, uma vingança contra a atuação dos advogados de Lula, descrita como "abuso do direito de defesa" e iniciativas legislativas no Congresso com as quais o ex-presidente não tem qualquer relação, não sendo nem deputado, nem senador. Os procuradores da República revelam que são contra a punição do abuso de autoridade e até mesmo do exercício do direito de defesa. Usam de suas atribuições legais como forma de vingança contra aqueles que se insurgem contra ilegalidades praticadas na Operação Lava Jato.

A denúncia repete maluquices da coletiva do PowerPoint; atropela a competência do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República ao fazer conclusões precipitadas sobre inquérito inconcluso na PGR; quer reescrever a história do País para dizer que todos os males seriam culpa de Lula; tenta atribuir responsabilidade penal objetiva, coisa completamente fora do Código Penal Brasileiro; contradiz depoimento como testemunhas (com a obrigação de dizer a verdade) de delatores ouvidos pela própria Lava Jato como Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, que disseram em depoimentos ao juiz Sérgio Moro jamais terem tratado ou tido conhecimento de qualquer irregularidade ou desvio envolvendo o ex-presidente Lula. Usam delações não homologadas e rejeitadas pelo Supremo Tribunal Federal, como a do deputado Pedro Paulo Corrêa, em um festival de ilegalidades, arbitrariedades e inconformismo diante da realidade: mesmo com uma devassa completa na vida de Lula, não encontraram nenhum desvio de conduta do ex-presidente.

Os procuradores da Lava Jato não se conformam com o fato de Lula ter sido presidente da República. Para a Lava Jato, esse é o crime de Lula: ter sido presidente duas vezes. Temem que em 2018 Lula reincida nessa ousadia.

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Repórter da RBS morto em acidente tinha contrato irregular


O repórter cinematográfico Djalma Araújo Neto, da RBS TV Florianópolis, foi uma das 71 vítimas do acidente aéreo na Colômbia, em 28 de novembro. Ele era contratado irregularmente como “radialista”, segundo apurou o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.  Há 13 anos, Djalma exercia a função de repórter cinematográfico, como a própria RBS admitiu durante a cobertura da tragédia. Mas o contrato registrado na sua carteira de trabalho era outro: operador de câmera.

A irregularidade cometida contra Djalma afeta quase todos os repórteres cinematográficos da RBS. Dos 47 profissionais contratados pela empresa em SC, apenas sete tem reconhecida sua verdadeira função.

O objetivo desta manobra é pagar salários menores e impor jornadas maiores aos profissionais de imagem. Esta situação ocorre não apenas na RBS, mas também nas principais emissoras de televisão do Estado. RIC-Record, Band-SC e SBT também submetem seus profissionais a contratos de “radialistas” para reduzir custos e ampliar suas margens de lucro.

As irregularidades na RBS começaram no final da década de 1990. A partir de 1998, os profissionais de imagem contratados para o departamento de jornalismo eram enquadrados como “operadores de câmera”.

Com essa medida, as emissoras ampliam a jornada destes profissionais de cinco para seis horas diárias. O prejuízo  financeiro é grande. Enquanto o salário inicial de um repórter cinematográfico é de R$ 2.100, o de um operador de câmera é 50% menor: R$ 1.050. Em outras palavras, estes profissionais trabalham 30 horas a mais por mês para receber apenas metade do salário. O valor de R$ 2.100 ainda está defasado porque a data-base da categoria é em maio e ainda não houve um desfecho para a Negociação Coletiva de 2016.

Irregularidades ocorrem em todo o Brasil

Segundo o presidente do SJSC, Aderbal Filho, a prática não ocorre apenas em Santa Catarina. Tampouco, pode ser justificada por suposta falta de recursos. “Há um verdadeiro conluio das empresas de televisão em todo o Brasil para fraudarem os contratos destes repórteres. Isso ocorre justamente no segmento de mídia mais lucrativo do país”, argumenta.

Djalma Araújo Neto atuava junto ao Sindicato dos Jornalistas e a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc/SC) para a resolução deste problema. O SJSC vai denunciar novamente a RBS TV ao Ministério Público do Trabalho, visando regularizar a situação das dezenas de profissionais enquadrados incorretamente na empresa.

Recentemente, uma denúncia similar realizada contra a Band-SC tornou a empresa ré em uma Ação Civil Pública, que pede o reenquadramento correto dos profissionais e multas por dano moral coletivo na ordem de R$ 1 milhão.

No Desacato, com Informe exclusivo do Sindicato de Jornalistas de Santa Catarina
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PIG e Congresso mentem sobre manutenção de Sociologia e Filosofia no ensino médio

Congresso Federal rejeita emenda que tornaria Sociologia e Filosofia obrigatórias na proposta de reforma do ensino médio.

Diferentemente do que noticiou a Folha de São Paulo e o G1, os deputados federais não aprovaram o retorno da obrigatoriedade das matérias excluídas na proposta de reforma do ensino médio. Anunciando que “Câmara aprova exigência de filosofia e sociologia no ensino médio” e “Câmara inclui estudos de filosofia e sociologia no ensino médio”, as manchetes são o oposto do que foi votado.

Para confundir a população e contando com a ajuda da grande mídia, os deputados aprovaram “estudos e práticas” nos quais os conteúdos de Sociologia e Filosofia devem ser inseridos dentro da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Na prática o que vale é a diluição desses conteúdos que podem ser oferecidos em outras matérias, e não sua manutenção através de matérias específicas como leva a crer os títulos da mídia apoiadora do golpe. A bancada do PSOL havia apresentado proposta de incluir Sociologia e Filosofia como matérias específicas obrigatórias, durante os três anos do ensino médio, porém essa emenda foi rejeita por ampla maioria.

Mendonça Filho (DEM), ministro da Educação e propositor da reforma, está entre os nomes que receberam propina da Odebrecht segundo os documentos apreendidos pela policial federal. A emenda aprovada, que mantém a exclusão de Sociologia e Filosofia, é de autoria André Figueiredo (PDT), ex-ministro das Comunicações do governo Dilma. O texto base da reforma foi aprovado na semana passada, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), deixou para ontem a votação dos destaques. Agora ela seguirá para o Senado para aprovação definitiva.

Outras tentativas de suprimir itens da reforma também entraram em pauta. Uma delas tentava retirar a possibilidade de realização de convênios com instituições de ensino a distância para oferta de parte do currículo desta etapa (que na prática significa uma ampla abertura para privatização do ensino público). A outra propunha a supressão da possibilidade de contratação de professores sem formação específica, denominada no projeto da reforma como “notório saber”. As supressões foram rejeitadas, e o conteúdo do texto base foi mantido.

No mesmo dia em que o Senado aprovou a PEC 55, a reforma do ensino médio segue a todo vapor para aprovação no legislativo sem qualquer mudança que pudesse representar algum tipo de recuo do governo golpista. Seu conteúdo privatizador e precarizante, são complementares aos congelamento de gastos contidos na PEC, e significarão a destruição da educação pública.

Com ataques dessa magnitude, o papel da chamada “oposição” no Congresso segue trágico. Não bastasse Jorge Viana (PT) ter participado do acordão para manter Renan Calheiros na presidência do Senado, agora a deputada Maria do Rosário (PT), votou favorável a emenda da “diluição” de Sociologia e Filosofia com a justificativa de “redução de danos” junto com outros deputados do PT e PCdoB.

É preciso de um plano imediato para barrar a reforma. As manobras do legislativo e seus propagadores de (des)informação, são parte do projeto para confundir a opinião pública e a população. O papel político que a mídia cumpriu nos principais momentos políticos não é uma novidade. Noticiar exatamente o oposto do fato é a praxe do jornalismo burguês.

Danilo Magrão é professor de sociologia da rede pública.
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Gilmar berra e Fux concilia — assista

Quando ele fala o STF encolhe




Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Luiz Fux, respectivamente presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tiveram um debate acalorado na sessão do TSE na manhã desta quinta-feira, 15, no primeiro encontro entre eles após Fux ordenar o reinício do trâmite na Câmara do projeto de 10 medidas contra a corrupção e Mendes criticá-lo duramente.

Embora não estivessem tratando na sessão sobre a decisão de Fux, Gilmar disse que “o Supremo não faz do quadrado redondo”.

O plenário discutia a aplicação da jurisprudência da Lei da Ficha Limpa em um caso relativo ao município de Abelardo Luz (SC). Em dado momento, Fux, falando sobre a hipótese de surgir algum absurdo decorrente desta jurisprudência, disse que “o absurdo está chancelado pelo Supremo (Tribunal Federal), e o direito é aquilo que os tribunais dizem que é”.

Mendes, então, interrompeu Fux. “Não, não, não ministro. Aí, de jeito nenhum. Se o Supremo chancelar absurdos… o Supremo não faz do quadrado redondo. Data vênia. Isso não é conceito que se possa sustentar”, retrucou.

“Nem o ‘Código Fux’ sustenta isso, e nós não podemos chancelar. E eu mesmo vou defender a insurreição contra este tipo de jurisprudência. Data vênia”, disse Mendes. Código Fux é uma referência à última edição do Código de Processo, coordenado por Fux.

Mambembe

Em seguida, Mendes criticou a forma como foi aprovada no STF a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. “Nós já tivemos um caso excepcional que foi ter aceito uma ação declaratória mambembe, porque não atendia aos requisitos e pressupostos de admissibilidade. Não teve a controvérsia dos casos concretos. Não atendia aos requisitos. Assim como o Congresso foi pressionado, nós também fomos pressionados e atendemos a recados de rua. Foi isso que aconteceu com o Supremo naquele caso”, disse Gilmar, que chamou a lei de “casuística”.

Fux, em tom conciliador, disse que não estava discordando do colega. “Ministro Gilmar, acho que nós acabamos de estabelecer uma belíssima equação. Ou seja, a Lei da Ficha Limpa tem a sua tipologia, só que às vezes a aplicação daquela previsão legal no caso concreto gera uma decisão absurda.”

Gilmar Mendes ainda voltou a dizer que “não se trata de aplicação cega de jurisprudência em lugar nenhum” e que as Cortes podem dialogar. “Do contrário, se torna uma aplicação cega.”

Um pedido de vista do ministro do TSE Henrique Neves encerrou o debate.

Farpas

Mendes já havia dito ao jornal O Estado de S. Paulo na noite da quarta-feira, 14, que a decisão de Fux sobre a tramitação das 10 medidas contra a corrupção era um “AI-5 do Judiciário”. “Melhor fechar o Congresso e entregar as chaves ao (Deltan) Dallagnol (coordenador da força-tarefa da Lava Jato).”

Nesta quinta-feira, após café da manhã com deputados da Comissão da Reforma Política na Câmara, Gilmar falou que o STF vive “momentos esquisitos” e “a toda hora é um surto decisório”, também um comentário à medida de Fux.

Apesar de ter feito a crítica, Mendes não falou se ia pedir à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, para levar a liminar de Fux ao plenário para referendo.

O ministro ironizou a decisão de Fux assim como havia ironizado a liminar do ministro Marco Aurélio Mello que determinava o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. Mendes chegou a sugerir o impeachment de Mello, para depois dizer que o comentário não passava de uma “blague” – uma brincadeira. E também já havia afirmado que a Lei da Ficha Limpa foi “feita por bêbados”.

No CAf
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Informativo Paralelo #25 — Especial de final do ano



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A falsa briga entre Fux e Gilmar


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Brasil fica em sexto lugar no ranking de países ‘mais ignorantes’ do mundo

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O Brasil é o sexto colocado em um ranking que avalia o nível de ignorância da população de 40 países em relação à realidade vivida neles.

O dado é um dos resultados da pesquisa ”Os Perigos da Percepção”, realizada pelo instituto Ipsos Mori. O estudo avaliou o conhecimento geral e a interpretação que as pessoas fazem sobre o país em que vivem e comparou esta percepção com dados oficiais de cada país – quanto mais próxima a percepção da realidade, menor é considerada a ignorância do país.

O resultado indica que as pessoas em todos os países avaliados têm uma interpretação muito equivocada da realidade.

Entre os temas abordados, o levantamento mostra que a população da maioria dos países acredita que a riqueza é mais bem distribuída do que ela de fato é. Além disso, pensam que a população do lugar onde vivem é menos feliz do que elas dizem ser, acham que a proporção de muçulmanos na sociedade é bem maior do que a realidade, e creem que as pessoas são menos tolerantes em relação a homossexualidade, aborto e sexo antes do casamento do que elas de fato são.

O levantamento ouviu 27.250 pessoas entre setembro e novembro deste ano em 40 localidades usando uma combinação de métodos, incluindo pesquisas online, pelo telefone e presenciais.

A pesquisa avaliou a percepção da realidade de pessoas da Alemanha, da África do Sul, da Argentina, da Austrália, da Bélgica, do Brasil, do Canadá, do Chile, da China (e, separadamente, de Taiwan e de Hong Kong), de Cingapura, da Colômbia, da Coreia do Sul, da Dinamarca, da Espanha, , dos Estados Unidos, da França, das Filipinas, da Hungria, da Índia, da Indonésia, de Israel, da Itália, do Japão, da Malásia, do México, do Peru, da Polônia, do Reino Unido, da Rússia da Suécia, da Tailândia, da Turquia e do Vietnã.

Os dados coletados a respeito da percepção de realidade das pessoas foram comparados com informações de diferentes fontes oficiais e institutos de pesquisas respeitados internacionalmente.

A partir dos dados coletados no levantamento e da sua comparação com dados reais, a pesquisa traçou o “índice de ignorância”, listando os países em que a percepção é mais distante da realidade.

O “Índice de Ignorância” é formado a partir da média computada dos resultados no estudo. Por resultado, entende-se a diferença entre as respostas fornecidas pelos respondentes do estudo (percepções) e os dados oficiais de cada país (realidade). Quanto maior a diferença entre percepção e realidade, pior é a classificação do país.

A Índia aparece em primeiro lugar na lista, seguida pela China e por Taiwan. Na ponta oposta do índice, Holanda, Reino Unido e Coreia do Sul aparecem como países menos ignorantes.

Erros

Segundo a pesquisa, os brasileiros erram feio, por 12 pontos percentuais, na percepção do percentual da população muçulmana no país, e se equivocam mais ainda ao achar que esta religião está crescendo no país, e poderia chegar a 18% em 2050 (dados reais apontam que a proporção é de menos de 1%, e deve permanecer assim).

Questionados sobre a proporção da população que diz ser feliz, os entrevistados brasileiros disseram acreditar que era de 40%, quando dados de estudos indicam que são 92% os brasileiros que se dizem felizes.

Os brasileiros ouvidos no levantamento acham que o país é mais tolerante do que ele realmente é. Para os entrevistados, 51% dos brasileiros acham que a homossexualidade é moralmente aceitável, mas dados reais indicam que só 39% da população pensa assim.

Entrevistados disseram acreditar que 43% da população acha que o sexo antes do casamento é inaceitável, mas o dado real é de 35%; e que 61% do país acha o aborto moralmente inaceitável (dados reais indicam que 79% da população pensa assim).

O levantamento indica erro dos entrevistados também em relação à desigualdade. Para os ouvidos, os 70% menos ricos do país possuem 24% da riqueza do Brasil, quando na verdade possuem apenas 9%.

Entre as perguntas da pesquisa, o dado em que os brasileiros ouvidos mais se aproximaram da verdade foi em relação ao tamanho da população. Para os entrevistados, o país tem 200 milhões de habitantes, pouco menos do que os 207 milhões de dados atualizados do censo, diz o estudo.

Milton Ribeiro
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A lista dos que aprovaram a PEC da Morte

Atolado no lodaçal da corrupção e com sua popularidade em queda, o Judas Michel Temer festejou a aprovação nesta terça-feira (13) da chamada PEC do Teto dos Gastos — mais conhecida como PEC da Morte. Segundo o Jornal do Brasil, "o presidente comemorou e agradeceu ao Senado a aprovação, em segundo turno, da Proposta de Emenda à Constituição que cria o limite para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Classificando a proposta do teto como a 'primeira emenda que visa tirar o país da recessão', Temer declarou ter 'coragem para governar' e promover as mudanças que o país precisa".

A aprovação da PEC da Morte — que retira dinheiro dos investimentos em saúde e educação e garante maior reserva de caixa para pagar os juros dos rentistas — também foi motivo de festa para os abutres financeiros e para os barões da mídia. Em editoriais nos jornalões e comentários efusivos na tevê, a imprensa mercenária elogiou a "atitude corajosa" dos senadores. Ela também exigiu mais maldades do covil golpista, pedindo pressa na votação das reformas previdenciária e trabalhista. Assistindo a TV Globo e a Globo News, até parece que a famiglia Marinho comanda o governo federal. Parece?

A votação no Senado, porém, trouxe algumas inquietações para os neoliberais de plantão. Houve uma queda do número de picaretas que aprovaram a PEC-55. No primeiro turno, ela teve 61 votos a favor e 14 contra. Já na segunda votação, foram 53 favoráveis e 16 contrários. O próprio Judas demonstrou certo incômodo com as traições em entrevistas nesta quarta-feira. A diferença de oito votos indica o desgaste crescente do covil golpista, que já enfrenta resistências entre os partidos fisiológicos da sua base de sustentação. Muitos ratos já ameaçam abandonar o navio à deriva.  

Na lista dos traidores que aprovaram a PEC da Morte, vale destacar os votos de Cristovam Buarque — o "reitor" da planilha de propinas da Odebrecht —, de Marta Suplicy — a ex-petista que se bandeou para a direita e foi menosprezada pelo eleitorado paulistano — e dos três senadores do PDT — que já foram comunicados que serão expulsos da sigla. Confira abaixo a lista dos inimigos do povo e guarde-a bem para as próximas eleições.

Os que votaram a favor da PEC da Morte:

- Aécio Neves (PSDB-MG)

- Aloysio Nunes (PSDB-SP)

- Álvaro Dias (PV-PR)

- Ana Amélia (PP-RS)

- Antonio Anastasia (PSDB-MG)

- Antonio C Valadares (PSB-SE)

- Armando Monteiro (PTB-PE)

- Ataídes Oliveira (PSDB-TO)

- Benedito de Lira (PP-AL)

- Cidinho Santos (PR-MT)

- Ciro Nogueira (PP-PI)

- Cristovam Buarque (PPS-DF)

- Dalírio Beber (PSDB-SC)

- Deca (PSDB-PB)

- Edison Lobão (PMDB-MA)

- Eduardo Amorim (PSC-SE)

- Eduardo Braga (PMDB-AM)

- Elmano Férrer (PTB-PI)

- Eunício Oliveira (PMDB-CE)

- Fernando Coelho (PSB-PE)

- Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

- Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)

- Ladson Cameli (PP-AC)

- Hélio José (PDMB-DF)

- Ivo Cassol (PP-RO)

- José Agripino (DEM-RN)

- José Anibal (PSDB-SP)

- José Maranhão (PMDB-PB)

- José Medeiros (PSD-MT)

- Lasier Martins (PDT-RS)

- Lúcia Vânia (PSB-GO)

- Magno Malta (PR-ES)

- Marta Suplicy (PMDB-SP)

- Omar Aziz (PSD-AM)

- Otto Alencar (PSD-BA)

- Pastor Valadares (PDT-RO)

- Paulo Bauer (PSDB-SC)

- Pedro Chaves (PSC-MS)

- Pinto Itamaraty (PSDB-MA)

- Raimundo Lira (PMDB-PB)

- Reguffe (DF)

- Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

- Roberto Muniz (PP-BA)

- Romero Jucá (PMDB-RR)

- Ronaldo Caiado (DEM-GO)

- Sérgio Petecão (PSD-AC)

- Simone Tebet (PMDB-MS)

- Tasso Jereissati (PSDB-CE)

- Telmário Mota (PDT_RR)

- Valdir Raupp (PMDB-RO)

- Vicentinho Alves (PR-TO)

- Waldemir Moka (PMDB-MS)

- Wellington Fagundes (PR-MT)

Os que votaram contra a PEC da Morte:

- Ângela Portela (PT-RR)

- Dário Berger (PMDB-SC)

- Fátima Bezerra (PT-RN)

- Gleisi Hoffmann (PT-PR)

- Humberto Costa (PT-PE)

- João Capiberibe (PSB-AP)

- Jorge Viana (PT-AC)

- José Pimentel (PT-CE)

- Kátia Abreu (PMDB-TO)

- Lídice da Mata (PSB-BA)

- Lindbergh Farias (PT-RJ)

- Paulo Paim (PT-RS)

- Paulo Rocha (PT-PA)

- Regina Sousa (PT-PI)

- Roberto Requião (PMDB-PR)

- Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Altamiro Borges
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Organização

Digam o que disserem da Odebrecht, não se pode deixar de admirar sua organização. O pagamento de propinas a políticos cabia a uma divisão da empresa criada exclusivamente para este fim, chamada Setor de Operações Estruturadas. Imagina-se que o setor tivesse suas próprias instalações e seu próprio corpo de funcionários — e, desgraçadamente para muita gente, seus próprios arquivos — e existisse à parte dos outros departamentos da empresa. Talvez até tivesse (ou ainda tenha) autonomia para distribuir propinas e comprar favores a seu critério, mas o mais provável é que só cumprisse ordens da alta direção. Mas deveria haver no setor um grupo especializado em decidir quais políticos comprar, por quanto. As cotações variariam. Um Renan vale quantos Geddeis? Um Cunha merece mais do que um Maia? Etc. O admirável na Odebrecht é não só ter o gasto ilícito com a compra de políticos previsto no seu orçamento como ter um departamento no seu organograma encarregado de comprá-los. Operações Estruturadas soa melhor do que Departamento de Corrupção.

Não sei se cabe o paralelo, mas nos Estados Unidos o “lobby” é uma atividade perfeitamente respeitável — ou uma forma socialmente aceita de corrupção. Grandes empresas ou grandes interesses têm sede em Washington e seu único objetivo é fazer amigos e influenciar congressistas e governantes. As sedes dos lóbis são, em muitos casos, prédios imponentes, o dinheiro que corre não é pouco. Em Washington, o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht poderia atuar a céu aberto e chamar corrupção por outro nome — incentivo à excelência parlamentar, inspiração, recompensa, qualquer coisa assim. 

É difícil resistir à tentação de dizer que a corrupção, ilícita ou camuflada, é endêmica e inevitável em países em que o dinheiro manda em tudo. Ou seja, em quase todos. É uma enfermidade capitalista, mas no socialismo real a distorção não foi diferente. Políticos à venda há em toda parte. Variam a desfaçatez e a ganância, e nestes quesitos somos líderes. Dizem que os governos em países capitalistas são sempre os melhores que o dinheiro pode comprar. Pior é quando o governo, além de comprado, é ruim. Como no Brasil.  

Aos colorados.

O Internacional não foi rebaixado. A Série B é que se valorizou, com a chegada de um campeão do mundo.

Luís Fernando Veríssimo
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Gente do governo

"Não podemos deixar que isso paralise o país" — eis uma frase interessante de Michel Temer. Não por ser contra os "vazamentos". Ou Lava Jato, isso não ficou claro. O país só não está paralisado porque se move, veloz, para trás e para baixo.

E, nos últimos sete meses, não "por interferência" da Lava Jato ou dos "vazamentos", arrefecidos desde que cumprido o seu papel no afastamento de Dilma.

Nem se pode dizer que haja crise política, propriamente, com a Câmara e o Senado em seus estados habituais, e os novos "vazamentos" produzindo efeitos pessoais, não parlamentares ou partidários. O país desmorona porque em sete meses o governo Temer não produziu uma só medida em contrário.

Fruto da reunião de apavorados, convocada por Temer no fim de semana, o pacote anunciado para esta quinta-feira (15) é uma farsa. Sua finalidade é criar "manchetes positivas". Feito às carreiras por pressão ansiosa de Temer sobre Henrique Meirelles, repete a leviandade na divulgação do projeto da Previdência, depois de queixas paulistas no encontro de Temer com o Conselhão privado.

Na agenda de Eliseu Padilha, esse projeto estaria pronto no próximo ano. Incapaz para o governo, Temer só se ocupa do seu interesse. Não estamos distantes da simples vigarice administrativa.

Temer considerou que os novos "vazamentos", além do mais, "são ilegítimos", reclamando ao procurador-geral que acelere os processos. Por conta própria, Rodrigo Janot já informara de uma investigação a respeito.

Gilmar Mendes, claro, atacou logo de "criminosos", para fundamentar sua ideia de que as respectivas delações sejam invalidadas. Nada disso lhes ocorreu quando os ocupantes de manchetes eram outros, e não as eminências peessedebistas e peemedebistas que circundam a superestrela do "vazamento" (não é qualquer um que pode ser acusado de negociar suborno nos luxos recônditos de um palácio, e não em mesa visível de restaurante).

Na Alemanha, Sergio Moro deu ênfase às menções, nos "vazamentos", a políticos do PMDB, do PP e do PSDB como negação de seletividade facciosa da Lava Jato. Menos internacional, aqui o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, voltou ao mesmo argumento. Beiram, porém, a apropriação indébita.

Geraldo Alckmim, José Serra, Geddel Vieira Lima, José Agripino e outros do time só apareceram porque citados espontaneamente em delações preliminares do pessoal da Odebrecht. Por dois anos e meio, a Lava Jato deixava passar quando citado um daqueles nomes. Referências à corrupção na Petrobras do governo FHC estão há dois anos em vã gravação na Lava Jato.

O que se passou agora está bem perceptivo: os procuradores da Lava Jato e Sergio Moro perderam o controle das delações. Vêm daí os nomes inovadores e, ao menos em parte, o problema para a delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. Também ele não cede a sugestões.

Um bravo

Todos os que sentimos parte essencial de nossas vidas roubada pela ditadura, temos impagável dívida de gratidão por dom Paulo.

Tive a sorte de fazer-lhe em pessoa reconhecimento da minha dívida. Em frente a Octavio Frias de Oliveira, que me chamara para descer com os dois, e já na calçada, dom Paulo apenas me disse, suave: "Coragem".

Janio de Freitas
No fAlha
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Entrevista com o Dep Silvio Costa


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