14 de dez de 2016

Defesa de Lula pede para Noblat esclarecer na Justiça “furo” de que ele será preso

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a Justiça pedir que o colunista do jornal O Globo Ricardo Noblat esclareça a afirmação de que “Moro condenará Lula no início do ano. Mas não mandará prendê-lo. Satisfeito?”.

A declaração foi feita por Noblat em seu perfil na rede social Twitter após um seguidor pedir por uma notícia exclusiva. O jornalista também afirmou: “Nine. É assim que Moro se refere a Lula quando está entre amigos”.

A interpelação criminal, feita pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins, pede a Noblat para confirmar a autoria das declarações publicadas no Twitter e, ainda, para que explique se efetivamente as publicações se baseiam em juízo de valor do próprio jornalista — o que se afasta do conceito de “furo jornalístico” — ou se houve contato com o juiz Federal Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, ou com algum documento ou minuta por ele elaborada.



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Moreira Angorá Franco, o sétimo defenestrado?

O covil golpista está definhando. Nas redes sociais, os internautas já ironizam o drama da quadrilha que assaltou o poder. No Google, as buscas sobre a possível queda do usurpador cresceram 200% nos últimos dias. Surgiram, inclusive, eventos no Facebook: "Natal sem Temer" e "Renuncia, Temer". Já nos bastidores de Brasília, o clima não está para piadas. Nas últimas horas aumentaram os rumores sobre a iminente demissão de Moreira Franco, o homem das intimidades do Judas. O site da revista Exame até postou na tarde desta quarta-feira (14) que sua "carta de demissão" já está pronta:

"O secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, está com a carta de demissão pronta, mas ainda não a apresentou ao presidente Michel Temer, afirmou uma fonte do governo à Reuters. Citado em delação pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho, Moreira Franco é um dos nomes de confiança do presidente e um dos integrantes mais importantes do governo peemedebista. Segundo a fonte, que pediu anonimato, a decisão de sair seria para não prejudicar o governo".

"Questionados por Exame.com, auxiliares do governo afirmam que a eventual demissão de Moreira Franco está descartada. 'Isso não passa de uma tentativa da oposição de desestabilizar o governo para barrar votações de medidas econômicas importantes', afirmou um interlocutor do Palácio do Planalto. O secretário-executivo do PPI divulgou uma nota curta, afirmando que não abandona lutas nas quais acredita. A nota de Moreira Franco não convenceu muita gente. Afinal, aonde há fumaça, há fogo! E a situação da quadrilha ficou ainda mais tenebrosa com a primeira delação da Odebrecht - e são 77 delações - e com a pesquisa Datafolha que mostra o total descrédito do Judas Michel Temer.

O clima é de fim de festa em Brasília. Tanto que outro homem de confiança do usurpador, o assessor especial José Yunes, pediu as contas nesta quarta-feira. Segundo o site Terra, "ele entregou a carta de demissão ao presidente no início desta tarde, mas nega ter recebido recursos da empreiteira. Seu nome foi citado pelo ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. De acordo com a delação, Yunes teria recebido em seu escritório em São Paulo cerca de R$ 10 milhões repassados ao PMDB durante a campanha eleitoral presidencial de 2014".

Na carta de demissão, o conhecido operador do Judas afirma que não conhece o empresário Cláudio Melo Filho. Em tom choroso, ele acrescenta: "A decisão de se demitir foi tomada para preservar minha dignidade e manter acesa a chama cívica que me faz acreditar nos imensos potenciais de meu país". O problema, segundo fontes de Brasília, é que o ex-executivo da Odebrecht teria gravado as conversas com o assessor demissionário de Michel Temer. Se for verdade, a coisa vai feder em Brasília. Talvez a ironia dos internautas até se concretize: "Natal sem Temer". A conferir!

Altamiro Borges



Reuters: carta de demissão de Moreira Franco está pronta, mas não foi entregue

O secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, está com a carta de demissão pronta, disseram à Reuters fontes do governo, mas não a apresentou ao presidente Michel Temer.

De acordo com as fontes, a carta é uma formalidade para ser usada caso o presidente acredite que a presença no governo de Moreira Franco, citado na delação de ex-executivo da Odebrecht, passe a constranger o governo.

Neste momento, no entanto, a avaliação no Palácio do Planalto é que não há razões para a saída de Moreira ou do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Ambos foram citados pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, como arrecadadores do PMDB. Moreira Franco é um dos líderes do PMDB mais próximos a Temer.

O secretário-executivo do PPI divulgou uma nota curta, afirmando que não abandona lutas nas quais acredita.

“Estou dedicado a colaborar no lançamento das medidas microeconômicas e no fortalecimento do programa de concessões. Não abandono lutas quando acredito nelas”, disse Moreira Franco, segundo seu assessor.

Em nota, Moreira Franco disse estar comprometido com os compromissos do governo:

“Estou dedicado a colaborar no lançamento das medidas microeconômicas e no fortalecimento do programa de concessões. Não abandono lutas quando acredito nelas”, afirmou.
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Entrevista com D. Paulo Evaristo Arns | 25/12/1995


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Apesar da "crise" e dos "trouxinhas", Petrobras está prestes a recuperar o posto de maior empresa do país

http://www.maurosantayana.com/2016/12/petrobras-esta-prestes-recuperar-o.html


Em um movimento que começou em fevereiro, a Petrobras deverá recuperar, nas próximas semanas, o posto de empresa mais valiosa do país, temporariamente ocupado pela AMBEV.

Em dezembro de 2014, com Enquanto muita gente corre delas, um dos homens mais ricos do mundo multiplica sua compra de ações da Petrobras já alertávamos que a queda das ações da Petrobras era passageira, e que quem tirasse seu dinheiro da bolsa apenas estaria facilitando a criação de fortunas por investidores estrangeiros, como George Soros, por exemplo.

Em 2016, a Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima já se valorizou em 200 bilhões de reais, (em 2016 suas ações preferenciais subiram 120% e as ordinárias, em 110%), e essa curva ascendente tem espaço para subir ainda mais, com a queda da produção - e consequente aumento dos preços da commoditie - em países produtores não vinculados à OPEP - Organização dos Páises Exportadores de Petróleo.

Uma verdadeira paulada na cabeça de muitos brasileiros que se deixaram enganar pelo destrutivismo e o pessimismo anti-petrobras, da mídia, no processo pré impeachment.

E dos trouxinhas ideologicamente manipulados que torciam antes da queda de Dilma para que as ações da Petrobras chegassem a 5 reais e acreditaram - e continuam acreditando, em sua maioria - que a empresa tinha sido definitivamente quebrada pelo PT.

Muitos deles venderam suas ações aos gringos e aos especuladores de sempre, a preço de banana, no início do ano, e agora ainda terão de pagar mais caro pelo preço da gasolina nas bombas nacionais, com a vaga promessa da nova diretoria da BR de que, se o petróleo voltar a cair nos mercados internacionais, os preços também cairão nos postos, dentro do Brasil.

Você acredita nisso, caro leitor?

Nem nós.

Há algumas semanas - lembram ? - dirigentes da empresa foram à mídia anunciar, com estardalhaço oficial, uma queda desse tipo (extremamente "generosa", de 1.5% na distribuidora) e o que se viu foi aumento do custo da gasolina nas bombas, em quase todo o Brasil - o preço não caiu nem no posto da Salete, na fictícia São Dimas, da Rede Globo.

É essa empresa, com uma tremenda capacidade de recuperação, cuja produção não para de crescer dentro do país, que está tendo seus principais ativos, até mesmo de distribuição, esquartejados, desnacionalizados e vendidos na bacia das almas aos estrangeiros.

De olho nesse espólio, oferecido com a velha desculpa da suposta fragilidade financiera da BR, estão compradores potenciais como a EXXON, cujo CEO, Rex Tillerson, acaba de ser escolhido por Donald Trump para ser o próximo Secretário de Estado (Ministro das Relações Exteriores) dos EUA.
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Cai Yunes, o 1º amigo; Temer e Gilmar atacam "vazamentos" da Lava Jato


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Caiado quer eleição já!

A canoa já virou! Só a Globo não notou...




Senador líder do DEM (amigo navegante, DEM é um partido político que só existe na treva e, não, uma abreviatura de DEMonio), companheiro de bancada do "gripado", o Agripino Maia, na relação de alcunhas da Odebrecht e, portanto, os, membros da elite dos canalhas, canalhas, canalhas, na acepção do Requião e do Lindbergh, Ronaldo Caiado, conhecido em Goiás como "uma cabeça - ou cabeleira - em busca de um cérebro", quer a renúncia do Traíra - como "um gesto maior": "não podemos ter medo de uma antecipação do processo eleitoral, de maneira nenhuma".

Caiado é candidato a Presidente, desde que tomou aquela surra monumental na eleição presidencial de 1989 e teve magníficos 0,68% dos votos.

Era o representante mais conspícuo do movimento liberal do campo brasileiro, a UDR, que dispõe, até hoje, de uma rede (em frangalhos) de televisão, a Bandeirantes.

Desde então, Caiado sonha com a presidência.
E, agora, deve achar que pode se eleger.

O importante é que Caiado foi um dos heróis do Golpe, no Senado.

E, como um tubarão na política, sente o cheiro de sangue na água.

Ele deve ter feito as contas: segundo o Datafalha, a Bláblárina ganha (no segundo turno, como o Aecím já ganhou, no mesmo infalível instituto de pesquisa).

Mas, o Lula só faz crescer!

Portanto, o movimento do DEM deve ter duas pás: com uma, esmaga a cabeça do Traíra.
Com outra, a do Lula.

Apesar das dificuldades nessa heroica operação eólica, o senador goianeiro, de polêmicas relações com o Carlinhos Cachoeira, segundo o ínclito promotor Demóstenes Torres, o senador Caiado será benvindo à tese do "a canoa já virou; só a Globo não notou".

PHA

No CAf
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Marcelo Odebrecht confirma à Lava Jato versão de delator sobre Temer


Ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht confirmou à Lava Jato a versão do ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho sobre pagamento de R$ 10 milhões ao PMDB feito a pedido do presidente Michel Temer.

Segundo a Folha apurou, Marcelo, que fechou acordo de delação premiada, depôs por pouco mais de três horas na segunda (12) em Curitiba. De acordo com procuradores, as oitivas seguiram terça (13) e devem durar ao menos três dias.

Marcelo respaldou o episódio do jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, com a presença de Temer, então vice-presidente, e do hoje ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, no qual, segundo os delatores, foi acertado o pagamento de R$ 10 milhões para a campanha peemedebista.

Marcelo não deu detalhes sobre a operacionalização do dinheiro que, de acordo com Melo Filho, foi feita por Padilha. Segundo o ex-executivo, o hoje ministro do governo pediu que parte dos recursos fosse entregue no escritório de José Yunes, assessor e amigo de Temer, em São Paulo.

Temer, Padilha e Yunes negam ter praticado qualquer tipo de irregularidade e a empreiteira não se manifesta sobre o teor dos acordos.

O patriarca da empresa, Emílio Odebrecht, também iniciou seu depoimento no acordo de colaboração. Ele foi à sede da Procuradoria-Geral da República em Brasília nesta terça-feira (13).

Assim como Marcelo, Emílio deve detalhar a relação da empreiteira com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT.

Como revelou a Folha, Emílio vai esmiuçar a construção da Arena Corinthians, que, segundo ele, foi uma espécie de presente a Lula, torcedor do time paulista.

Marcelo deve contar como pediu à ex-presidente Dilma que intercedesse para que a Caixa Econômica ajudasse no financiamento da obra — os dois teriam discutido o assunto numa visita ao estádio.

Os relatos apresentados aos procuradores informam que Marcelo era o responsável por tratar dos assuntos da empreiteira com a alta cúpula do Executivo, ou seja, a Presidência da República.

Já Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, fazia a ponte com o Legislativo. Melo, aliás, presta depoimento também desde segunda aos procuradores em Brasília.

Pessoas com acesso às investigações afirmam que o depoimento de Marcelo mira principalmente os ex-presidentes petistas e funciona como um "guarda-chuva" na confirmação de versões dos demais executivos.

Ele corrobora ainda a versão do pagamento de sete mesadas no valor de R$ 50 mil a Anderson Dornelles, um dos principais assessores de Dilma, também relatada por Melo Filho. O ex-auxiliar nega.

Após a conclusão dos depoimentos, o ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), decide por homologar ou não os acordos.

Formalidade

Preso em Curitiba desde 19 de junho de 2015, Marcelo substituiu o usual traje esportivo que usa na cela por blazer ao prestar depoimento. Sua pena será de dez anos, sendo mais um em regime fechado.

Como as oitivas são gravadas em vídeo, o ex-executivo relatou a pessoas próximas que queria reaparecer de maneira mais sóbria.

Segundo relatos de quem tem contato com o herdeiro da Odebrecht na carceragem, após a assinatura do acordo de colaboração, Marcelo preferiu discrição e se limitou a dizer que estava "tudo fechado" com os procuradores.

No fim de semana, mostrou irritação aos colegas de carceragem ao saber do vazamento do conteúdo da delação de Melo, dizendo que não sabia de todo o escopo das declarações do ex-vice-presidente.
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Elio Gaspari alerta aos paneleiros: “As notícias são ruins”

Coluna desta quarta-feira (14) na Folha de São Paulo comenta pesquisa Datafolha para a sucessão presidencial divulgada no final de semana em que Lula aparece na frente

Ao comentar pesquisa Datafolha, o colunista Elio Gaspari publicou hoje: “Para quem se esgoelou na avenida Paulista gritando ‘Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro’ as notícias são ruins”. O texto sai apenas um dia depois de Mário Sérgio Conti pedir a renúncia de Temer e dizer que “só um presidente com voto pode dar alento à vida nacional”.

De acordo com Gaspari, “pesquisa Datafolha informou que entre março e dezembro Lula pulou de 17% para 25%, nas preferências para um primeiro turno na próxima eleição presidencial, com variações desprezíveis dependendo do cenário”.

O jornalista afirma ainda: “Pesquisa de opinião em 2016 para uma eleição que está marcada para 2018 vale pouco mais que um horóscopo, mas o sinal que vem do Datafolha é claro: o caminho de “todos os outros” será pedregoso.”

“Marina Silva prevalece num segundo turno, contra Lula, Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra. Lula só perde para ela. Como ele mesmo disse, ‘a jararaca está viva’”, lembrou o colunista.

“Não só viva, como tonificada por um governo que anuncia uma reforma da Previdência que mais se parece a um rebanho de bodes. Se isso fosse pouco, falta-lhe a humildade de reconhecer que a prometida (e indefinida) reforma trabalhista foi um balão de ensaio para enternecer o andar de cima, que acabou enfurecendo o de baixo”, completa.

No Fórum
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Yunes puxa Temer para o precipício

Amigão da Odebrecht abandonou o navio

Yunes e o MT

Via IstoÉ:

O assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB), José Yunes, pediu demissão nesta quarta-feira (14). A decisão de Yunes, que é amigo do presidente há 50 anos, ocorreu dias após ele ser citado na delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho.

De acordo com o ex-executivo da empreiteira, Yunes teria sido o intermediário de uma parte dos R$ 10 milhões solicitados por Temer a Odebrecht para o pagamento de campanhas eleitorais do PMDB em 2014.

Em carta, Yunes disse que entregou cargo para “preservar dignidade e manter acesa chama cívica que me faz acreditar nos imensos potenciais de meu país”.

(...)

No CAf
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Jader Barbalho: “A mídia já tem candidato. É FHC”

Senador disparou contra a imprensa, PSDB e procuradores da Lava Jato, a quem se referiu como “essa gente”. “Está em marcha um processo para derrubar o presidente Michel Temer. Não querem esperar 2018! O esquema é avacalhar o governo, o Congresso”.

Aécio Neves e tucanos assistem calados

Senador revela depois que se referia à Globo


Jader Barbalho (PMDB-PA) fez discurso no Senado, nesta terça-feira (13), denunciando o golpe dentro do golpe: “está em marcha um processo para derrubar Michel Temer. A grande mídia aliada a determinados setores já tem candidato. E este candidato é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, completou.

A frase foi dita logo após o senador elogiar vários pares tucanos, entre eles Aloysio Nunes Ferreira e Aécio Neves e também, curiosamente, citar Paulo Henrique Amorim e o seu livro “O Quarto Poder”.

O senador fez ainda a defesa do presidente: “Está em marcha um processo para derrubar o presidente Michel Temer. Não querem esperar 2018! O esquema é avacalhar o governo, o Congresso”, disse. Além disso, criticou o vazamento de delações premiadas. “Essa gente fez condenação por antecipação!”

“Chega, senhor presidente! Não aceito que delações que não foram aceitas juridicamente possam ser publicadas como verdade. Prisão preventiva sem prazo, passou a ser condenação. Estão condenadas à execração pública”, afirmou.

Jader acenou com a defesa da votação da Lei que pune o Abuso de Autoridade. Fez críticas à reação de magistrados e de parte da imprensa, a quem chamou de “essa gente”. Além disso, defendeu Renan, afirmando que o colega foi muito criticado, atacou as delações não homologadas e acusou juízes de quererem ter mais poder do que na época da ditadura com o Ato Institucional número 5.

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Dom Paulo Evaristo Arns

* 14 de setembro de 1921  + 14 de dezembro de 2016

Morreu nesta quarta-feira (14), em São Paulo, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal dom Paulo Evaristo Arns, 95.

Ao longo da vida, o frade franciscano Paulo Evaristo Arns recebeu muitos epítetos.

Foi chamado de cardeal da liberdade, bispo dos oprimidos, cardeal dos trabalhadores, bispo dos presos, bom pastor, cardeal da cidadania, guardião dos direitos humanos e tantos outros.

Mas já ao final da vida, quando lhe perguntaram como gostaria de ser lembrado, deu uma resposta singela: "amigo do povo".

Como padre, bispo e cardeal, lutou pela liberdade, ficou ao lado dos trabalhadores e dos oprimidos, combateu em defesa dos direitos humanos, mas foi, sobretudo, exatamente como gostaria de ser lembrado, um amigo do povo.

Nesta condição, subiu morros, frequentou favelas, incursionou pelas periferias e enfrentou os generais da ditadura para dar proteção a perseguidos políticos — de religiosos a operários, de advogados a jornalistas.

Quando do assassinato do jornalista Vladimir Herzog por agentes do governo, em 1975, comandou na Catedral da Sé um culto ecumênico que, reunindo milhares de pessoas, acabou por se transformar num dos atos públicos mais significativos da luta contra o regime militar instalado 11 anos antes no país.

O golpe de 1964 colheu o frade franciscano dando assistência religiosa aos moradores dos morros de Petrópolis (RJ). Lá chegara depois de uma trajetória iniciada no dia 14 de setembro de 1921, quando nasceu na colônia de Forquilhinha, região de Criciúma, em Santa Catarina. Teve 13 irmãos, quatro dos quais (três freiras e um padre) se dedicaram também à carreira religiosa — sendo Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança que morreu no terremoto do Haiti em 2010, a mais conhecida.

Pela mãe, Helena, nutria uma enorme ternura, mas a admiração reverencial pelo caráter do pai, Gabriel, salta das páginas autobiográficas do volume "Da Esperança à Utopia - Trajetória de uma Vida" (Editora Sextante, 2001).

Nas memórias, trata a mãe quase como santa e o pai como ídolo. Identifica nele o "herói anônimo da não violência" que o inspiraria pelo resto da vida.

Relata com dramaticidade — bom escritor que foi — o episódio em que o velho descendente de alemães se coloca à frente de uma arma para apartar uma briga entre irmãos no armazém da colônia, de sua propriedade.

Corajoso, líder e democrata — assim dom Paulo via o próprio pai, em cujos exemplos, conta, baseou-se para implantar uma gestão participativa na Arquidiocese de São Paulo.

Da infância herdou também, sobretudo da mãe, a profunda religiosidade que o acompanharia para sempre.

Pois, apesar de ser mais conhecido, no Brasil e no mundo, por suas ações políticas, dom Paulo dedicou seguramente a maior parte de sua vida à pregação do Evangelho e à propagação da fé católica.

Estudou teologia exaustivamente e se especializou na patrística — a história e a filosofia dos primeiros séculos do cristianismo. Foi um homem culto.

O amor à cultura também vem da infância, por influência de dois tios, Adolfo e Jacó, professores em Forquilhinha e declaradamente seus mais queridos mestres.

Calçou sapatos pela primeira vez aos oito anos — antes, só tamancos — e assim que conseguiu convencer seu pai, que o queria como sucessor à frente do armazém da colônia, partiu para a o seminário menor franciscano de Rio Negro, no Paraná, em 1934. De lá seguiu para Rodeio, Santa Catarina.

Em seguida, transferiu-se para o seminário de Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde foi ordenado sacerdote em 1945.

Escolhido por seu superior para estudar teologia, embarcou para a França, aportando na prestigiosa Sorbonne do pós-guerra.

Lá se dedicou também ao estudo de línguas e recebeu o título de doutor, em 1952.

No mesmo ano voltou ao Brasil, lecionou em instituições franciscanas e dedicou-se a escrever livros e artigos, tornando-se jornalista profissional.

Trabalhou, então, como vigário nos subúrbios de Petrópolis, onde foi à luta organizando a população das favelas locais.

Inspirou-se em ensinamentos tirados da infância: "O povo é a família do padre (...). E o padre (...) não é fujão nem frouxo" (op. cit., pág. 40).

Regime Militar

Nomeado bispo em 1966, por decisão pessoal do papa Paulo 6º, a quem conhecera em Roma, voltou à terra natal para ser ordenado ao lado dos colonos de Forquilhinha.

A seguir assumiu a função de bispo auxiliar de São Paulo, por uma improvável escolha do cardeal Agnelo Rossi, alinhado à ala conservadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Como bispo auxiliar da região norte da maior cidade brasileira, começou a visitar os presos comuns no Carandiru e, por designação do cardeal, foi ao presídio Tiradentes saber das condições de um grupo de frades dominicanos encarcerados por motivos políticos, entre eles frei Betto e frei Tito.

Constatou que foram torturados e encontrou Tito esvaindo-se em sangue. Voltou ao cardeal e relatou o que viu. Para sua surpresa, como relata em "Da Esperança à Utopia", ouviu de seu superior: "Muito obrigado dom Paulo, (...) mas outros me garantem que não há tortura nas nossas prisões". Ele nunca criticou publicamente dom Agnelo pela declaração.

Mas a partir desse batismo de sangue, assumiu em São Paulo a vanguarda da luta pelos direitos humanos e pela defesa dos presos políticos.

Em outubro de 1970, foi designado titular do arcebispado em substituição ao cardeal Rossi, que foi servir em Roma. Outra vez, uma escolha pessoal de Paulo 6º, o papa que dom Paulo mais admirou e de quem se aproximara em passagens de estudos pelo Vaticano.

À frente da Igreja de São Paulo, aplicou ensinamentos do Concílio Vaticano 2º e transformou em ações concretas a opção preferencial pelos pobres afirmada na Conferência Episcopal de Medellín, Colômbia, em 1968.

Começou a gestão vendendo o imponente palácio episcopal. Com o dinheiro, comprou terrenos em bairros populares para construir centros comunitários e instalações religiosas modestas, dando início à "Operação Periferia".

Jogou os costumes principescos de seus antecessores pela janela. Surpreendeu os religiosos que o serviram na Cúria paulista ao sentar-se com eles às refeições.

Inspirou-se no que ouviu do pai ao contar-lhe que queria ser padre: [você] "sempre será filho de colono e de seu povo".

Agindo como tal, investiu em trabalho comunitário, foi às periferias, voltou-se para os migrantes e espalhou Comunidades Eclesiais de Base pelos quatro cantos da cidade.

Ao mesmo tempo, revitalizou o estudo doutrinário entre os religiosos e fez da evangelização um objetivo constante em todas as ações da Arquidiocese, até nos presídios.

São dessa época seus grandes confrontos com os generais da ditadura. Enfrentou os sucessivos comandantes do 2º Exército (hoje Exército do Sudeste), sediado em São Paulo, e até presidentes da República.

Num encontro com o presidente Emílio Garrastazu Médici, a conversa encerrou-se aos berros. Foi Médici quem decretou, depois, em 1973, a cassação da rádio Nove de Julho, tradicional emissora da igreja em São Paulo.

Do mesmo modo, desafiou as autoridades civis de São Paulo, de governadores afinados com a ditadura a secretários de Segurança e delegados de polícia, tentando preservar a vida e assegurar os direitos fundamentais dos presos políticos.

Com base no exemplo de Paulo 6º no Vaticano, reproduziu na Arquidiocese de São Paulo a Comissão Justiça e Paz, em 1972, indo buscar o jurista Dalmo de Abreu Dallari para ser seu primeiro presidente. Paulo 6º declaradamente o admirava e, no consistório de 1973, elevou-o a cardeal.

Sem perder o foco na ação propriamente religiosa de que pouco se fala, usou a nova insígnia papal para se contrapor aos desmandos da repressão política. Apoiou decididamente o procurador de Justiça Hélio Bicudo em sua luta contra o Esquadrão da Morte -quadrilha policial de assassinos de que fazia parte um notório torturador e ícone da ditadura, o delegado Sergio Paranhos Fleury.

Foi a Comissão Justiça e Paz que publicou nos anos 70 o livro de Bicudo sobre o Esquadrão, recusado por editoras comerciais.

No período sofreu ameaças e calúnias — como denúncias anônimas tachando-o de homossexual. Sobre isso jamais se pronunciou, demonstrando absoluto desprezo por seus detratores.

Mas admitiu ter sido informado de que o acidente de automóvel que sofreu no Rio de Janeiro fora na verdade um atentado à sua vida.

Sobreviveu e ainda bateu muito na ditadura — por exemplo, patrocinando a publicação "Brasil: Nunca Mais", sobre os mortos e desaparecidos na ditadura militar. Apanhou também.

Um dos animadores de suas organizações de base, o operário Santo Dias, presidente da Pastoral Operária, foi assassinado pela polícia com um tiro nas costas durante uma manifestação popular.

O nome do operário — "cuja sorte foi a mesma de Jesus Cristo pregado na cruz", nas palavras de dom Paulo — tornou-se mais um símbolo da luta do cardeal com a criação, anos mais tarde, do Centro Santo Dias de Defesa dos Direitos Humanos, hoje internacionalmente conhecido.

Na prisão, dom Paulo foi ainda visitar — e procurar proteger sob o manto cardinalício — sindicalistas e estudantes.

No episódio Herzog, sua figura se agigantou. O regime militar fez de tudo para desqualificá-lo e ensaiou até manobras diplomáticas junto ao Vaticano por seu afastamento da Arquidiocese de São Paulo.
Foram esforços vãos.

João Paulo 2º

Surpreendentemente, sofreu seu maior revés no período da restauração democrática do país. Numa iniciativa cujas motivações mais profundas são até hoje mal explicadas, o papa João Paulo 2º fracionou a arquidiocese em seções menores e, por consequência, com menos poderes.

Antes que o fato fosse consumado, o cardeal se queixou pessoalmente ao papa, que negou ter dado a ordem. Porém, como dom Paulo deixa claro em suas memórias, nada dessa magnitude acontece sem autorização expressa do pontífice.

Também na campanha do Vaticano contra a Teologia da Libertação, arquitetada pelo então cardeal Joseph Ratzinger (depois papa Bento 16), João Paulo 2º agiu do mesmo modo.

Disse a dom Paulo que não era contra a doutrina, mas deixou a Cúria Romana mandar um visitador para colher elementos processuais com vistas a bombardear a prática da Teologia da Libertação em São Paulo.

Depois dessas contrariedades, o cardeal se afastou, em 1998, por limite de idade, do comando da Arquidiocese de São Paulo, levando o título de arcebispo emérito.

Passou os últimos anos de sua vida entre orações, leituras e assistência aos idosos, recebendo ainda inúmeras homenagens, entre as quais a da presidente Dilma Roussef que, em 18 de maio de 2012, foi visitá-lo na Congregação Franciscana Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, em Taboão da Serra (SP).

Na ocasião, Dilma contou a ele as providências do governo para criar a Comissão da Verdade, instalada poucos dias antes. Já bastante combalido, não fez comentários públicos a respeito.

A rigor, seu derradeiro gesto de caráter político — embora de fundo religioso — ocorreu pouco antes de deixar o comando da Arquidiocese, em 1998, quando reagiu de forma dura às atitudes da Cúria Romana, levando João Paulo 2º a admitir, em uma difícil conversa pessoal com o cardeal brasileiro, que era, sim, o responsável final por aquelas decisões polêmicas.

"A Cúria sou eu", disse o papa, provocado por dom Paulo. Mais uma vez, então diante da autoridade máxima da Igreja Católica Romana, o frade mostrou que não era frouxo.
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