12 de dez de 2016

Golpistas sem moral


Leia Mais ►

O que a manchete esconde, o gráfico mostra: Lula sobe; adversários caem


A manchete da Folha (impressa) sobre sua pesquisa eleitoral, hoje, é um “Marina lidera em todos os cenários“, referindo-se a uma senhora desaparecida, que se vestiu, faz tempo, do figurino de “apolítica de direita”.

De novo, até na pesquisa, Marina é usada para esconder a verdade, que é dura para os golpistas e que aparece cristalinamente nos gráficos que reproduzo acima: Lula não apenas lidera com folga as preferências de voto dos brasileiros como vem crescendo de forma consistente, enquanto seus adversários tradicionais caem a cada rodada de sondagens.

É só olhar, não preciso argumentar. Confira, de um em um, e veja se não é assim.

As duas únicas exceções a esta queda generalizada é a dos “candidatos da ferocidade”, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

O tal “somos todos Sérgio Moro” que inunda as tevês e redes sociais deve ser lido como “todos, somos 11%”.

Trabalhar com a ideia de rejeição a Lula nas atuais circunstâncias é como avaliar um lutador que  está amarrado ao córner, apanhando dos advesários, do juiz, dos jurados e da parte da platéia que torce para o adversário.  Numa campanha, ele se levanta, tem televisão e pode se defender e atacar, o que agora lhe é vedado.

Aliás, palmas para Michel Temer, que coseguiu ir do anonimato a campeão de rejeição (45%) em apenas seis meses. E sem a lista da Odebrecht, que foi depois da pesquisa!

No meio da manhã volto, para tratar com mais detalhes da pesquisa Datafolha.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Juiz Sérgio Moro é escrachado durante palestra na Alemanha


O juiz Sérgio Moro foi alvo de protestos durante palestra sobre corrupção em uma universidade na Alemanha. Moro foi questionado sobre a foto em que aparece em momento de intimidade com o senador Aécio Neves, do PSDB, um dos políticos mais citados em delações da operação lava-jato.

Leia Mais ►

Temer é falso (65%) e defende os ricos (75%)


A pesquisa Datafolha deste domingo (11) trouxe vários números impressionantes. Apesar da forte blindagem da mídia mercenária, que apoiou o “golpe dos corruptos” para depois garfar muita grana em publicidade da gangue que assaltou o poder, a sociedade está atenta diante da postura nefasta do Judas Michel Temer. O levantamento aponta que a população considera o “presidente” falso (65%), desonesto (58%) e defensor dos mais ricos (75%). Não há manipulação que seduza tantos “midiotas” por muito tempo. Isto talvez explique porque setores da imprensa, temendo a queda da sua precária credibilidade, já ensaiem abandonar o usurpador, “o breve”, para apostar em outras saídas golpistas.

Vale lembrar que a pesquisa foi realizada antes das primeiras delações dos executivos da Odebrecht. Somente no depoimento de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de relações institucionais da empreiteira, o nome do usurpador Michel Temer é citado 43 vezes — 43 vezes! Outros integrantes da quadrilha golpista também são mencionados várias vezes. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é citado em 45 ocasiões; Moreira Franco aparece 34 vezes; e o ex-ministro Geddel Vieira, já defecado do covil, surgem em 67 trechos da bombástica delação ao Ministério Público Federal.

Segundo o delator, o Judas Michel Temer atuava de forma “indireta” na arrecadação financeira do PMDB, mas teve um papel “relevante” em 2014. O falso moralista pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, para a campanha eleitoral durante um jantar no Palácio do Jaburu. O peemedebista incumbiu Eliseu Padilha de operacionalizar os pagamentos. “Foi ele o representante escolhido por Temer — fato que demonstrava a confiança entre os dois —, que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitadas por Michel Temer", descreve a Folha em reportagem deste sábado (10).

De acordo com a delação vazada de Cláudio Melo Filho, "chegamos no Palácio do Jaburu e fomos recebidos por Eliseu Padilha. Como Michel Temer ainda não tinha chegado, ficamos conversando amenidades em uma sala à direita de quem entra na residência pela entrada principal. Acredito que esta sala é uma biblioteca... Após a chegada de Michel Temer, sentamos na varanda em cadeiras de couro preto, com estrutura de alumínio. No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o Vice-Presidente da República como presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10 milhões".

O delator ainda acrescenta: "Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião. Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como 'MT'". Cláudio Melo Filho dá inclusive um dos endereços para a entrega do dinheiro: o do escritório de advocacia de José Yunes, atual assessor especial do presidente golpista. Ele também dá o nome de vários "prepostos" utilizados por Michel Temer "para atingir interesses pessoais". Entre eles, Eliseu Padilha, Geddel Vieira e Moreira Franco — o trio de confiança do usurpador.

Estas e outras revelações - feitas após a pesquisa Datafolha - devem reforçar ainda mais a percepção na sociedade de que o Judas Michel Temer é, de fato, "desonesto, falso e defensor dos ricos". Elas servirão para impulsionar outra conclusão do levantamento: a de que 63% dos entrevistados querem a renúncia imediata do usurpador e convocação de eleições diretas para presidente da República.

Altamiro Borges
Leia Mais ►

Lula e sua família nunca tiveram a chave do triplex, diz testemunha de acusação


Reforma no triplex foi para um "cliente em potencial" da OAS, diz gerente da empresa, confirmando que ex-presidente não é nem jamais foi dono do imóvel





A engenheira da OAS Empreendimentos Mariuza Aparecida Marques depôs nesta segunda-feira em processo na 13ª Vara Justiça Federal, em Curitiba, por videoconferência. Ela é testemunha de acusação dos procuradores do Ministério Público Federal do Paraná contra Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de ser dono de um um apartamento triplex do qual jamais foi o proprietário oficial nem jamais fez uso. Atualmente, a OAS é a dona do imóvel.

Mariuza é quem tem a chave do apartamento em questão, o 164-A. Além dela, testemunhou que, quando o apartamento sofreu uma reforma, tinham cópias da chave também a construtora Talento (responsável pela reforma) e a área de incorporação da OAS.

Ao juiz Sérgio Moro, que está à frente do processo penal, ela disse que fez mais de 120 visitas ao imóvel, e em nenhuma delas jamais viu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já a esposa de Lula, dona Marisa, ela disse que viu uma única vez, em agosto de 2014, confirmando visita reconhecida e documentada da mulher do ex-presidente, que visitou e não teve interesse em adquirir o apartamento.

Mariuza inspeciona o condomínio Solaris semanalmente até hoje, inclusive para evitar focos de dengue no apartamento. Ela supervisionou a reforma toda feita pela empresa Talento no apartamento. Disse que, até onde tinha sido informada, o trabalho estaria sendo feito para um "potencial cliente" da empresa, que seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois, tendo sido instada por Sérgio Moro a emitir sua opinião, disse acreditar que a reforma estava sendo feita para atender a dona Marisa, baseada no fato de que a esposa de Lula comentara que a reforma "estava ficando boa".

Já em outro momento do depoimento, a testemunha reiterou que foi lhe dito que Lula seria um "potencial cliente", caso viesse a se interessar pelo imóvel, e que a família do ex-presidente nunca recebeu a posse do imóvel.

A testemunha levada pelo MPF-PR confirmou que a família Lula nunca teve as chaves do apartamento 164-A. Confirmou também que Lula esteve uma única vez no prédio com Dona Marisa, e Dona Marisa esteve mais uma vez após essa visita, como já foi informado diversas vezes (http://lula.com.br/os-documentos-do-guaruja-desmontando-farsa-0). E que nem ele, nem sua família jamais usaram o apartamento. Mariuza também confirmou que recebeu móveis e eletrodomésticos para o apartamento, e que a compra desses objetos na empresa Kitchens foi feita pela OAS, e que todos eles seguem no apartamento, acumulando poeira.

"Era uma reforma para ver se o ex-presidente se interessava por apartamento", diz engenheiro de obra no triplex

Mais uma testemunha levada ao processo pelo MPF-PR contraria a tese acusatória e afirma que apartamento jamais foi de Lula ou sua família





O engenheiro da OAS Igor Pontes foi a segunda testemunha a ser ouvida nesta segunda-feira na 13ª Vara Federal em Curitiba, em processo em que o MPF-PR (MInistério Público Federal no Paraná) acusa Luiz Inácio Lula da Silva de ser o “dono oculto” de um apartamento triplex no Guarujá.

Pontes falou sobre a reforma feita no apartamento - que, originalmente, era de um empreendimento da Bancoop, a cooperativa dos bancários de São Paulo, mas foi adquirido pela OAS -, na qual prestou seus serviços. De acordo com ele, a obra feita pela OAS foi para tentar vender o apartamento para o ex-presidente Lula e sua família.

"O que foi dito é que seria feita uma reforma para melhorar a unidade. Já que era um prédio muito simples, (seria feita) uma melhoria para ver se o ex-presidente de repente se interessava em ficar com a unidade", afirmou Igor Pontes, somando-se às mais de dez testemunhas de acusação do MPF-PR que não confirmam a tese acusatória dos procuradores.

O depoimento confirma os fatos sempre expressos por Lula e derruba a versão dos procuradores, na medida em que reafirma que Lula não era proprietário do apartamento e que as duas visitas de Dona Marisa e a única visita de Lula ao imóvel foram para verificar o interesse da família em comprar o apartamento - o que acabou não ocorrendo.

A testemunha disse também que lhe foi solicitado pela primeira vez que atentasse ao apartamento do Guarujá em janeiro de 2014. Ele deveria fazer pequenas melhorias na unidade porque haveria uma visita do presidente do grupo OAS, Léo Pinheiro, e do ex-presidente Lula, e que foi solicitado que ele (Igor) estivesse presente. Tal visita teria ocorrido no começo de fevereiro de 2014.

Igor teria acompanhado essa visita apenas para responder qualquer pergunta ou questionamento técnico. Segundo o engenheiro, Lula e Dona Marisa visitaram o apartamento e se detiveram na vista, sem que lhe tivessem feito qualquer pergunta sobre o imóvel.

Perguntado pelo Ministério Público se o apartamento 164-A está à venda, Igor Pontes disse que, após tanta exposição da imprensa, acha difícil colocarem o apartamento à venda.

O funcionário da OAS também confirmou que o apartamento segue sendo da construtora e que nunca foi feito nenhum "Boletim de Vistoria", documento que fecha a venda de um imóvel.

Em nova discussão, Sérgio Moro grita com advogados de Lula

“Já foi indeferida sua questão. Já está registrada e o senhor respeite o juízo!”, gritou o juiz federal. Assista o vídeo.

O juiz federal Sérgio Moro e os advogados do ex-presidente Lula discutiram em uma audiência de testemunhas que ocorreu nesta segunda-feira (12). No momento mais tenso da discussão, o juiz levantou a voz e chegou a gritar com o o advogado Juarez Cirino dos Santos, um dos defensores do ex-presidente.

A divergência ocorreu por conta de uma pergunta feita pelo pelo procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho para a testemunha Mariuza Aparecida da Silva Marques, engenheira civil da OAS que trabalhou no tríplex que o Ministério Público Federal diz ter sido dado a Lula como um presente da empreiteira.

Galvão de Carvalho perguntou para Mariuza se Marisa Letícia, esposa do ex-presidente, foi tratada como possível compradora ou alguém cujo o imóvel já havia sido destinado. A defesa alegou que a pergunta já havia sido feita e que não poderia se feita de novo. Moro se irritou e pediu para a defesa não fazer novas intervenções.

— Você não pode cassar a palavra da defesa — respondeu Cirino.

— Posso, porque o senhor está sendo inconveniente — disse Moro.

Cirino diz que o procurador estava tentando induzir a resposta da testemunha. Foi nessa hora que Moro levantou a voz:

— Doutor, está sendo inconveniente. Já foi indeferida sua questão. Já está registrada e o senhor respeite o juízo!

— Eu? Mas, escuta, eu não respeito Vossa Excelência enquanto Vossa Excelência não me respeita enquanto defensor do acusado. Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí então Vossa Excelência terá o respeito que é devido a Vossa Excelência. Mas se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal, Vossa Excelência perde todo respeito.

— Sua questão já foi indeferida, o senhor não tem a palavra.

Leia Mais ►

Temer é ótimo! - Pobre de Direita


Leia Mais ►

Fantástico: Globo parte pra cima de Temer e renúncia vira possibilidade

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/12/11/globo-parte-pra-cima-de-temer-no-fantastico-e-renuncia-vira-possibilidade/


Temer já estaria considerando a possibilidade de renunciar antes do dia 31/12 para não sair escorraçado do governo, é o que teria dito um de seus aliados a um deputado de oposição.

O que o faz tentar se agarrar ao cargo de qualquer forma é a manutenção do foro privilegiado. Não só dele, mas de muitos de seus atuais ministros.

Eles sabem que abrir mão disso agora pode levá-los a ter de forma rápida o futuro de Sérgio Cabral.

Mas o atual presidente já teria, segundo esta fonte, sentido o cheiro do golpe dentro do golpe que estaria sendo articulado pelas Organizações Globo.

O Fantástico desta noite foi mais um exemplo de como a emissora já abandonou o governo. Além de fazer um resumo da delação da Odebrecht vazada durante a semana, o semanário global também deu com destaque o resultado do Datafolha, onde a avaliação do presidente despencou para apenas 10% de ótimo e bom. E o índice de ruim e péssimo passou a ser de 51%.



Mais do que dar esses números, o apresentador fez questão de destacar que a pesquisa foi realizada antes do vazamento da delação da Odebrecht. Ou seja, deixando claro que os números atuais podem ser ainda piores.

Um dos fatores que teria levado Temer a ir jantar com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e alguns líderes partidários hoje à noite teria sido exatamente este, avaliar o estrago do cavalo de pau no noticiário global.

Ele queria saber quais os riscos de partidos aliados abandonarem o governo por conta disso.

Não é a delação da Odebrecht que mais preocupa Temer. Mas a forma como a Globo está se aproveitando disso para rifá-lo.

O presidente já estaria avaliando mandar o seguinte recado à emissora. De que não servirá de bucha de canhão para que o Congresso eleja alguém ao gosto da família Marinho no ano que vem.

Os próximos dias prometem muitas emoções.

PS: O Fantástico em sua seleção citou os políticos do PMDB, dois do PT, e omitiu que o Mineirinho (apelido de Aécio Neves (PSDB), na lista da Odebrecht) é apontado como destinatário de R$ 15 milhões entre 7 de outubro e 23 de dezembro de 2014. E ainda que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), – o Santo – teria recebido na campanha de 2010 R$ 2 milhões por meio de seu cunhado Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin, segundo delações de executivos da empresa. Certamente isso não foi à toa.
Leia Mais ►

Caia fora presidente desgraçada


Texto: Herton Gustavo Gratto

Atriz: Fernanda Brandão

Imagens/Edição: Newman Costa

Leia Mais ►

Xadrez do tribunal para a Lava Jato


Peça 1 - o xadrez e as análises estratégicas

Adotei o nome Xadrez na série sobre o golpe por duas razões:

1. Analisar realidades complexas. 

Eventos dessa abrangência, que mexem com a vida e o futuro do país,  têm  inúmeros fatores de influência se entrelaçando, a crise econômica global, a política econômica interna, a geopolítica internacional, os interesses corporativos internos. 

O desafio consiste em identificar as grandes linhas de mudança globais, a maneira como se interrelacionam no Brasil, os personagens locais protagonistas desse jogo e a resultante final.

2. Estimar efeitos sobre o futuro.

Trata-se de um exercício complexo, que depende em parte de informação, e muito de intuição, de tentar identificar os desdobramentos de fatos atuais, de processos políticos, sociais e econômicos, as linhas que prevalecerão.

Os estrategistas se valem dessa metodologia para prevenir desastres, acertar rumos, minimizar custos e riscos, desenhar o futuro.

O desafio aqui é de fundo jornalístico, mais modesto. Não se pretende ter as respostas definitivas, mas criar uma moldura, uma forma organizada  para que a discussão possa fluir de maneira mais ordenada, aprimorando, confirmando ou retificando cada peça e mesmo as correlações entre elas, com a inestimável contribuição de vocês. 

Peça 2 - os funcionários e as autoridades públicas

Autoridade é todo aquele que exerce parcela de poder. Isso envolve uma responsabilidade adicional. Por isso mesmo não pode se ater exclusivamente aos fatos do momento, mas aos desdobramentos presentes e futuros. 

O exercício de previsão dos atos presentes, os desdobramentos futuros, são parte inerente da responsabilidade e de obrigação dos que exercem poder de Estado.

É a diferença do mero servidor público, que age de acordo com o princípio da legalidade, e à visão estática dos fatos.

Transportando as definições para a Lava Jato, a Procuradoria Geral da República é a autoridade. Não é um dos poderes originais do Estado - Executivo, Legislativo e Judiciário -, mas detém parcela de poder, como a Polícia, pela margem de discricionariedade na aplicação da lei. A discricionariedade existe para que se tenha o poder de decisão para aplicar melhor o que diz a lei. Se fosse um exercício mecânico, bastaria um manual e um computador.

Já os membros da força-tarefa são funcionários públicos e, como tal, limitam-se ao cumprimento burocrático da lei. Mas, por ter atribuições específicas de poder, também incorrem em um grau de responsabilidade.

Peça 3 – a responsabilidade da Lava Jato

Voltemos ao tema do último Xadrez, o "Xadrez do Assassinato Político e o MPF" (https://goo.gl/2Z5KOG).

Lá se mostra que a Lava Jato e o Procurador Geral da República Rodrigo Janot exerceram um papel antinacional, de pacto com autoridades norte-americanas visando ações contra uma estatal brasileira.

Não apenas isso.

O enorme estrago promovido na cadeia do petróleo e gás, a destruição das empreiteiras, o desmonte da indústria de defesa, a tentativa de criminalizar as ações comerciais e diplomáticas na África, tudo isso configura claramente uma ação antinacional, embrulhada no pacote da anticorrupção. Era perfeitamente possível apurar os crimes, punir os corruptores e corruptos preservando as empresas. Mas optou-se por um trabalho meticuloso de destruição.

Por ora, a enorme barreira ideológica de pós-verdade imposta pela mídia tratou essa destruição como inevitável. 

Mas a história não acaba em 2016. Em um ponto qualquer do futuro, quando recomeçar o processo de reconstrução do país, haverá o balanço inevitável desses anos de destruição. E não haverá como não se apurar as responsabilidades. 

De um lado, da parte dos que se darão conta dos enormes prejuízos para o desenvolvimento nacional; de outra, dos que estão atrás de revanche, políticos corruptos ou não, empresários presos, inocentes desmoralizados.

Se, ao contrário dos tempos atuais, a força tarefa tiver a sorte de ser julgada dentro das normas do estado de direito, serão condenados com atenuantes. Como funcionários públicos, cumpriram apenas o que dizia a lei. E se avançaram nos limites de lei, e os avanços foram endossados por tribunais superiores, estarão a salvo de punições maiores. 

São figuras menores que cresceram porque as instituições se tornaram menores. No máximo serão personagens de crônicas de costumes sobre o deslumbramento de mentes provincianas, quando o destino coloca em suas mãos o martelo de Thor.

Peça 4 – a responsabilidade de Rodrigo Janot

Mas não haverá como eximir de responsabilidade o PGR Rodrigo Janot.

Ele é a autoridade, a quem compete o discernimento  para impedir os enormes malefícios que a operação trouxe para o presente e o futuro do país, impor o freio na ação da força tarefa, a definição de estratégias que assegurassem a punição dos culpados sem a destruição da economia.

Daqui a alguns anos, quando o país estiver se esfalfando para recuperar o tempo perdido, tentando desenvolver setores competitivos para a luta da globalização, deparando-se com a regressão dos indicadores sociais, de avanços tecnológicos, de modernização do trabalho, ficará mais nítida a percepção de desperdício, da destruição inútil ocorrida nesses tempos de dissipação. E não haverá como levantar mais o álibi da inevitabilidade dos danos colaterais.

Juízes técnicos, isentos, como não são os de agora, constatarão facilmente os inúmeros caminhos que havia para se coibir a corrupção e punir os corruptos sem destruir a economia.

Disporão dos sucessivos alertas do que estaria ocorrendo. Haverá condições de se ter acesso aos documentos e trocas de mensagens da cooperação internacional e dos acordos montados individualmente pela Lava Jato.

Certamente Janot alegará, em sua defesa, que as pressões foram enormes, que não houve como enfrentá-las. E a acusação constatará que ele falhou com seus deveres funcionais, com sua responsabilidade em relação ao país.

Serão levadas à sua responsabilidade os milhões de brasileiros que perderão oportunidade de sair da miséria pela destruição da economia brasileira, os atrasos na infraestrutura, a perda de qualidade dos empregos.

Durante algum tempo Janot dirigiu a Escola Superior do Ministério Público da União. Nela, organizou diversos seminários sobre problemas nacionais, onde foram esmiuçados cada um dos fatores de desenvolvimento.

O trabalho meritório de antes será o agravante quando tiver de responder a um tribunal. Não poderá acenar sequer com o álibi da ignorância.

Que a maldição da nacionalidade abortada recaia sobre ele e parceiros, como o ex-Ministro José Eduardo Cardozo, que viram as tropas bárbaras avançando e, por cumplicidade, acomodamento ou medo, deixaram de cumprir com seu dever perante o Brasil e perante a história.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►