29 de nov de 2016

Se for mesmo para os Estados Unidos, Moro já vai tarde

Bye
Enfim uma boa notícia.

Moro planeja passar um ano nos Estados Unidos, depois da Lava Jato. Seria, segundo a colunista Mônica Bergamo, entre 1918 e 1919.

Bem, antes de tudo, é difícil crer que a Lava Jato chegue ao fim. São já dezenas de operações e fases, e não se vê sinal de desfecho.

É mais provável que ela vá murchando, e murchando, e murchando — até sumir. Onde foram parar aquelas ações espetaculares, transmitidas euforicamente pela mídia?

A real missão da Lava Jato — derrubar o governo de Dilma — já foi alcançada.

Se for mesmo para os Estados Unidos, Moro já vai tarde. O Brasil tem que tirar férias de Moro. De preferência, esquecê-lo, por tudo que ele representou e representa.

Moro simboliza a antijustiça. Ele é a negação do conceito de imparcialidade da Justiça. Nisso tem a companhia de Gilmar Mendes, mas há uma grande diferença entre os dois: Moro tem muito mais poder. Por isso é bem mais deletério que Gilmar.

Gilmar fala muito, mas pode fazer pouco. Moro pode fazer muito sem falar nada.

Quando se fizer um balanço de Moro e da Lava Jato, se verá que os prejuízos superaram amplamente os ganhos.

Combate à corrupção pela metade — só vale pegar petistas — é um mal terrível. Você luta de mentirinha contra a roubalheira. Você usa a Justiça para perseguir seus inimigos, e ponto. Os costumes se corrompem. É o triunfo do cinismo e da hipocrisia.

Considere os efeitos práticos de Moro e sua criatura. Sob o pretexto da corrupção, uma mulher honesta foi encurralada até ficar sem saída e ser apeada do poder.

Tudo isso para colocar no Planalto Temer, Jucá, Geddel e tantos outros do gênero. Se fosse pela corrupção, não seria assim.

No golpe de 1964, pelo menos as aparências foram mantidas inicialmente. A corrupção foi, como agora, brutalmente usada como pretexto pelos golpistas. Mas o militar posto na presidência, Castelo Branco, tinha a aura de um homem incorruptível, simples, frugal. Note: eu disse “aura”.

Nem isso Temer tem. O que o aproxima de Castelo é um detalhe físico: a ausência de pescoço.

Os filhos da Lava Jato são dantescos. Temer é filho da Lava Jato. A crise política e econômica que nos flagela é filha da Lava Jato. A impunidade insuportável de corruptos como Aécio, Serra e Alckmin é filha da Lava Jato.

É este o legado de Moro. Pioramos e muito depois dele. Os fatos, os números, as estatísticas estão aí. Éramos uma democracia que avançava — lentamente, é certo — na igualdade social. Somos agora uma República de Bananas voltada, como sempre aconteceu, para os ricos. Para os privilegiados. Para a plutocracia.

Moro já vai tarde.

Bye.

Paulo Nogueira
No DCM
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Moro está fugindo


A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.

Leandro Fortes
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Câmara de Porto Alegre aprova projeto que destina verba de publicidade à imprensa alternativa


A Câmara de Porto Alegre aprovou nesta segunda-feira (28) projeto de lei de autoria do vereador Engenheiro Comassetto (PT) que destina a veículos de imprensa alternativa (jornais de bairro, rádios comunitárias, sites e blogs) 20% da verba da publicidade oficial do município. A proposta tramita no Legislativo desde 2011.

De acordo com Comassetto, o projeto, além de objetivar fortalecer os jornais de bairros e as rádios comunitárias da Capital, visa contribuir com a democratização dos meios de comunicação e impulsionar o segmento. O vereador argumenta que esses veículos de comunicação exercem a função de informar a população sobre fatos locais. Acrescenta que tais jornais e rádios sobrevivem com dificuldades e têm sua fonte de recursos limitadas a anúncios de pequenas casas de comércio e de estabelecimentos de serviços, que acabam limitando o espaço para notícias ou tempo da programação.

O projeto define jornais alternativos os periódicos com tiragem mínima de cinco mil exemplares, “ou notório conhecimento local, e que se caracterize por ser dirigido a bairros ou regiões”. A proposta estabelece, ainda, que os veículos interessados em receber a publicidade oficial do Município de Porto Alegre deverão credenciar-se junto ao órgão competente.

No Desacato
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Fidel e o safari africano

http://www.maurosantayana.com/2016/11/fidel-e-o-safari-africano.html


Reza a lenda — em piada tudo é possível — que, nos tempos em que estava liberada a caça, uma numerosa turma de turistas que fazia um safari em certo país africano, saiu pela manhã do acampamento, deixando, nas barracas, apenas um cozinheiro gago.

Perto da hora do almoço, estava o nosso nobre portador de disfemia cortando grandes filés de um imenso pedaço de carne bovina que havia descongelado, quando, atraído pelo cheiro de sangue, um leão introduziu-se, silenciosamente, na tenda, por trás dele.

Caçando, também, há dias, sem sucesso, ao ver a carne recém cortada e o cozinheiro, que — para o leão, naturalmente — não era de se jogar fora, já que estava, digamos assim, um pouco acima do peso, foi natural que o estômago da fera se manifestasse, com um longo, profundo e poderoso ronco, que fez com que o homem se virasse, apavorado, dando de cara com o felino, a enorme juba desgrenhada e os olhos vermelhos, já retesado para o salto, com a bocarra semi-aberta, de onde escorriam, viscosos, grossos fios de saliva.

Paralisado pelo medo, primeiro, apenas, com o barulho que saía das entranhas do bicho, e depois pela pavorosa visão que estava à sua frente, o cozinheiro, tremendo como vara verde, apoiou, para não cair, o cabo da faca enorme que estava em sua mão na mesa, e, sentindo as pernas desfalecerem, foi escorregando lentamente para o chão, na expectativa de desmaiar de pavor debaixo do móvel, e a esperança de que o leão comesse primeiro a carne que já estava fatiada e só depois a dele.

Foi nesse mesmo instante que deu-se o desenlace, trágico — para um dos lados — do episódio.

O leão, rugindo, saltou por cima da mesa, certamente para alcançar, primeiro, o cozinheiro, mas acabou caindo sobre a faca que o outro estava segurando, e, ferido de morte, arrastou-se, moribundo, para fora, onde, em frente à entrada do acampamento, deu, deitado, o último grunhido.

Tremendo, sem acreditar que o animal estava mesmo morto, o gago aproximou-se do leão, e, com muito cuidado, levando nisso quase meia hora, aproximou o pé da sua cabeça, cutucando de leve seu pescoço com a ponta da bota.

E estava ele nessa atitude, com a faca ensanguentada ainda na mão direita, quando surgiu, no horizonte, o grupo de turistas, que, frustrados por não terem caçado nada, voltava ao acampamento para o almoço.

À medida em que se aproximavam, se apercebendo da cena, os caçadores davam vivas e batiam palmas para o mestre-cuca, que, tudo indicava, havia matado o leão praticamente à unha, sozinho e armado apenas de seu instrumento de trabalho.

O cozinheiro, por sua vez, parecia que, excitado com a situação, também comemorava efusivamente o acontecido.

Com surpreendente agilidade, ele havia subido para cima de umas grandes caixas de madeira, e, dirigindo-se aos companheiros que chegavam, levantando as mãos para o céu, descia o braço direito, apontando repetidamente a faca para eles, gritando Hip... Hip....Hip.... Hip...Hip...Hip... aos quais, a cada vez que isso ocorria, os outros respondiam, ruidosamente, Hurra! Hurra!, Hurra!

E foi assim, na maior euforia, que, em poucos minutos, morreram todos, incluído o cozinheiro, esmagados pela manada de hipópotamos cuja aproximação não tinham ouvido, por trás deles, e que, esmigalhando tudo, passou sobre o acampamento como um tsunami.

Como aqueles que desenvolveram a tese de que a queda da União Soviética correspondia à vitória do Ocidente sobre o mundo e a uma espécie de "Fim da História", — até que a história esmurrou brutalmente os EUA em uma certa manhã de setembro, com a sutileza de dois boiengs cheios de passageiros batendo nas torres do World Trade Center — tem gente que, no contexto da morte de Fidel Castro, ocorrida ontem, só está vendo o cozinheiro pulando em cima dos caixotes.

Enquanto os conservadores e os anticomunistas de plantão estão dando hurras ao gago, comemorando a morte do velho leão barbado e, mais uma vez, o fim do socialismo como alternativa utópica a um capitalismo e a uma democracia muitas vezes imperfeitos e hipócritas, como se vê pela controversa eleição indireta de Donald Trump, nos EUA, fingindo, malandramente, que só existem dois países comunistas no mundo, Cuba e a Coréia do Norte; a China faz o papel do improvável, porém didático, tropel de hipopótamos, atropelando e atrapalhando, velozes e furiosos, a história segundo os privilegiados, o faz de conta dos imbecis, o seu discurso superficial, artificial, midiático, manipulado, tão sólido, consistente e profundo como um colarinho de chopp.

Tirando um bilhão de pessoas do subdesenvolvimento.

Transformando-se, embora com um regime de partido único e um sistema financeiro e produtivo altamente estatizado — e 5 trilhões de dólares em reservas internacionais — no maior credor do planeta e na segunda maior economia do mundo — por enquanto.

Sem deixar de ser, ao lado da Rússia e da Índia, também uma poderosa potência espacial e atômica.

Ora, o que seria do azul se todos gostassem do amarelo?

Se o mundo não tivesse opções, e fosse unipolar e hegemônico, alguém duvida de que já viveríamos sob um governo único, autoritário e tirânico?

A História só irá acabar, senhores, quando e se um dia, acabar a desigualdade, a hipocrisia, a exploração do homem pelo homem, de países por outros países, a humilhação, a maldade e a covardia.

Por uma razão muito simples, cristalina:

Dinâmica e incontrolável, caprichosa como uma amante volúvel, ou uma folha ao vento que precede as tempestades, a História ainda é o melhor, senão o único, antídoto, de que dispõem o Homem, a Humanidade, contra a opressão, a injustiça e a infâmia.
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Dallagnol comprou apartamentos construídos para o Minha Casa Minha Vida

O procurador Deltan Dallagnol
O procurador da república Deltan Dallagnol é conhecido por sua atuação como chefe da Operação Lava Jato e pela sua campanha contra a corrupção, que o tem levado a reuniões em grandes veículos de comunicação e a igrejas, principalmente evangélicas — é membro da Batista do Bacacheri, em Curitiba.

Esta é a face conhecida do procurador Dallagnol. Mas tem outra, a de investidor em imóveis. Segundo registro do Cartório de Imóveis de Ponta Grossa, em fevereiro do ano passado, Dallagnol comprou duas unidades no condomínio Le Village Pitangui, construído pela construtora FMM.

Para fazer a construção, a FMM recorreu a financiamento da Caixa Econômica Federal destinado ao Programa Minha Casa Minha Vida. Mas os compradores não precisavam ser, necessariamente, pessoas de baixa renda.

Dallagnol pagou R$ 76 mil por um apartamento, o 104 do bloco 7, e 80 mil reais em outro, o 302 do bloco 8. Nas duas compras, uma escritura foi assinada em 22 de agosto de agosto de 2013 e outra, de rerratificação, em 20 de fevereiro do ano passado.

As escrituras foram assinadas pelo dono da construtora, Fernando Mehl Mathias, como vendedor, e por Deltan Dallagnol e a esposa, que é advogada, como compradores.

Dallagnol é natural de Pato Branco, no interior do Paraná. Nenhum dos apartamentos comprados em Ponta Grossa foi para moradia própria. Segundo o endereço fornecido ao cartório para a escritura, Dallagnol reside num bairro de classe média da capital paranaense.

Na internet, há o anúncio de venda de um apartamento no mesmo condomínio que o dele em Curitiba. O preço é R$ 895 mil. Tem 130 metros quadrados, com três suítes, cinco banheiros e duas vagas na garagem.

Muito diferente dos seus apartamentos de Ponta Grossa, padrão Minha Casa Minha Vida: 55 metros quadrados de área privativa, num condomínio com 29 blocos de quatro andares, com quatro apartamentos por andar. Uma vaga na garagem, em princípio descoberta.

O Le Village Pitangui de Ponta Grossa tem ainda três quadras de esportes, três salões de festas e três quiosques com churrasqueira — isso para atender os 464 apartamentos. A taxa de condomínio é R$ 210, já incluída a conta da água, que é coletiva.

Procurei a construtora FMM, que fez o condomínio. O chefe dos corretores disse que todos os apartamentos do Le Village Pitangui foram vendidos. Quem quiser comprar agora tem que procurador investidores como Dallagnol.

No caso dele, os apartamentos estão sendo vendidos a R$ 135 mil cada — diferença de 59 mil reais em uma unidade (77,6%) em relação ao que ele pagou e de 55 mil na outra unidade (68,7%).

Uma corretora de Ponta Grossa disse que muitos apartamentos do condomínio ficaram nas mãos de investidores — “acho que a maioria”. Ou seja, quem tinha dinheiro para pagar à vista ou em poucas parcelas, quando o condomínio foi lançado, fez um excelente negócio, ao contrário de quem agora está nas mãos dos investidores.

Os investidores pagam barato esperando pela valorização ou colocam o apartamento para alugar — os do procurador Dallagnol nunca foram ocupados e, segundo uma corretora, ele não tem interesse no aluguel, em torno de R$ 600. Conversei com ela sem dizer o nome do procurador, e ela se referiu ao proprietário também sem dizer o nome dele.

Comprar apartamento destinado preferencialmente ao programa Minha Casa Minha Vida não é ilegal, mesmo quem tem altos rendimentos. Em outubro, os vencimentos totais brutos de Deltan Dallagnol foram de R$ 35.607,28, segundo o Portal da Transparência do Ministério Público Federal.

Os vencimentos líquidos do procurador foram de R$ 22.657,61, mas neste ano houve um mês — abril —,  em que ele recebeu líquidos R$ 67.024,07, com “indenização” e “outras remunerações retroativas/temporárias”, acima do teto constitucional.

Quem compra apartamentos habilitados para o Minha Casa, Minha Vida tira a oportunidade de quem procura conseguir um imóvel com financiamento com taxa de juros subsidiada — máximo de 8,16% ao ano. Na mão do investidor, caso de Deltan Dallagnol, o comprador terá que pagar à vista ou recorrer ao financiamento imobiliário regular — com taxa de 12% ao ano.

“Podemos dizer que ele fez um excelente negócio. A valorização foi muito maior do que a maior parte dos investimentos. Mas não cometeu nenhuma ilegalidade”, diz um advogado, especialista em Direito Imobiliário, que não quer ter o nome divulgado por temer represália.

A ex-secretária nacional de Habitação no governo Dilma Rousseff, Inês Magalhães, disse que, durante a regulamentação do programa Minha Casa, Minha Vida, houve preocupação de vetar o duplo subsídio.

“O imóvel que é financiado uma vez recebe o subsídio, mas, se o imóvel for vendido, o segundo comprador não poderá ter o financiamento com taxa subsidiada. Isso nós evitamos, mas não pudemos impedir que quem tem dinheiro compre sem financiamento e ganhe com a especulação imobiliária”, disse Inês Magalhães.

O procurador Dallagnol comprou como investimento, apostando na valorização de um imóvel popular (veja entrevista dele abaixo), mas, como não recorreu a financiamento, não houve meio legal de impedir que ele (e outros investidores) fizesse isso.

O Village Pitangui
O Village Pitangui

“Impedir que quem tem dinheiro compre é interferir nas regras de mercado. Mas esta é uma discussão que temos de fazer: quem tem dinheiro pode comprar imóvel destinado ao Minha Casa Minha Vida?”

Inês não quis entrar no mérito ético da compra dos imóveis por parte do procurador: “Hoje, nós estamos sendo vítimas de julgamentos morais, numa campanha que tem à frente alguns procuradores. Eu não me sinto à vontade para fazer o mesmo. Mas que temos de discutir essa questão da especulação imobiliária, à luz da política habitacional para o País, isso temos.”

Dallagnol, na sua campanha em favor do projeto das dez medidas contra a corrupção — propostas idealizadas por ele e outros procuradores da Lava-Jatou — já esteve em grandes jornais e igrejas.

Em fevereiro deste ano, em entrevista para o canal do YouTube da Igreja Batista Atitude Central da Barra, do Rio de Janeiro, foi questionado sobre a razão de “trazer” o tema para debate. Dallagnol respondeu:

“Esse processo de transformação envolve todos os atores da sociedade, e a Igreja, em especial, tem um papel muito particular nisso, porque a Igreja é uma instituição ou um grupo de pessoas que amam a Deus, mas que tem um mote central de amor ao próximo, de amor à sociedade.”

A apresentadora ainda pergunta sobre o que as pessoas podem fazer para participar do combate à corrupção:

“Em primeiro lugar, devemos deixar de praticar as pequenas corrupções do nosso dia a dia, que acabam gerando uma tolerância com a grande corrupção.”

Em seguida, Dallagnol cobra “atitude, nós precisamos agir” e pede que os telespectadores assinem a proposta das dez medidas contra a corrupção — esta que está sendo agora votada pelo Congresso Nacional.

* * *

Procurei a assessoria de imprensa da Procuradoria da República em Curitiba e falei sobre esta reportagem. Pedi para falar com o procurador Dallagnol e fui orientado a enviar um e-mail com perguntas, que o procurador respondeu:

1) O senhor costuma fazer investimentos em imóveis?

Adquiri, para fins de investimento, os dois apartamentos localizados em Ponta Grossa, com recursos oriundos de salários. Todos estão declarados em Imposto de Renda e foram pagos todos os tributos e taxas atinentes.

2) Como tomou conhecimento de que havia essa oportunidade de negócios em Ponta Grossa?

Funcionário da construtora FMM Engenharia, em Curitiba, ofereceu a possibilidade de aquisição dos apartamentos.

3) Construções destinadas ao Programa Minha Casa, Minha Vida são viabilizadas com dinheiro barato, através da Caixa Econômica Federal. Comprar apartamentos destinados a famílias com renda máxima de R$ 6.500,00 e depois revendê-los com um ganho superior a 60% em um ano e meio não seria uma prática questionável do ponto de vista ético? (não é um juízo de valor, é só uma pergunta).

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) funciona com quatro faixas (faixa 1, faixa 1,5, faixa 2 e faixa 3). Dentre essas faixas, apenas a primeira oferece empreendimentos exclusivamente voltados para famílias de baixa renda. As demais faixas oferecem linhas de crédito para pessoas que atendam aos requisitos do programa. Repetindo: a primeira faixa oferece empreendimentos exclusivos enquanto as demais oferecem financiamentos para a compra de imóveis – mesmo em empreendimentos não exclusivos do programa – por pessoas que atendam os requisitos. O Le Village Pigangui é um empreendimento não exclusivo do programa. Assim, os imóveis comprados estavam disponíveis para aquisição por qualquer pessoa, independentemente de atender os requisitos do programa MCMV. Os apartamentos que adquiri foram comprados com recursos próprios, à vista, declarados em imposto de renda e sem qualquer financiamento. Não obtive financiamento do program MCMV ou de qualquer outro banco, pois comprei à vista.

Os apartamentos foram quitados em agosto de 2012, tendo sido sempre declarados em imposto de renda, mas a construtora só pôde realizar a transferência via escritura pública e o consequente registro mais recentemente. O dinheiro investido nos apartamentos, caso tivesse sido investido em títulos do Tesouro Direto, do Governo Federal, atualizados pela SELIC, resultaria em valor muito próximo ao valor pelo qual os apartamentos foram anunciados para venda. O valor de aquisição de um dos apartamentos, com a variação da SELIC no período (que seria similar à variação de investimento em banco) e somado aos custos de transferência, resulta em R$ 127 mil. O valor de aquisição do outro dos apartamentos, fazendo-se a mesma conta, é de R$ 134 mil.

4) Fique à vontade para fazer outras observações.

Caso sejam usadas as respostas, peço que sejam disponibilizadas na íntegra e na mesma página em que forem utilizadas.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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As perguntas de Cunha ao Traíra

Se o Moro deixar...


As perguntas da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao presidente Michel Temer, que vai depor por escrito como testemunha no processo contra Cunha na Operação Lava Jato, foram protocoladas na última sexta-feira (25) no sistema da Justiça Federal:

(...)

1 – Quando da nomeação do Sr. Jorge Zelada na Petrobrás, qual era a função exercida por Vossa Excelência?

2 – No início de 2007, no segundo governo do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, houve um movimento na bancada de deputados federais do PMDB visando a sua pacificação e isso incluiu a junção dos grupos antagônicos. Vossa Excelência tem conhecimento se isso incluiu o apoio ao candidato do PT à presidência da Câmara com o compromisso de apoiá-lo como candidato no segundo biênio em 2009?

3 – Vossa Excelência tem conhecimento de acordo para o então líder da bancada, Sr. Wilson Santiago, concorrer à Primeira Secretaria e o Sr. Henrique Alves assumir a liderança?

4 – Vossa Excelência tem conhecimento da divisão da maioria da bancada em coordenações, sendo o Sr. Tadeu Filippelli no Centro-Oeste, Eduardo Cunha no Rio de Janeiro e o Sr. Fernando Diniz em Minas Gerais?

5 – Vossa Excelência tem conhecimento da nomeação do Sr. Geddel Vieira de Lima para o Ministério da Integração Nacional, do Sr. Reinhold Stephanes para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Sr. José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde?

6 – Vossa Excelência indicou o nome do Sr. Wellington Moreira Franco para a Vice- Presidência do Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal?

7 – Vossa Excelência fazia a interlocução com o governo como presidente do PMDB juntamente com o líder Sr. Henrique Alves quando se tratava da Câmara dos Deputados?

8 – Vossa Excelência tem conhecimento se as coordenações ficaram responsáveis por indicações levadas ao Governo Federal para atendimento dos seus deputados?

9 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Rio de Janeiro, coordenada pelo Sr. Eduardo Cunha, coube a indicação do ex-prefeito, ex-vice-governador do Rio de Janeiro e à época Secretário de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, Sr. Luiz Paulo Conde, para a presidência de Furnas?

10 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Centro-Oeste, coordenada pelo Sr. Tadeu Filippelli, couberam as indicações do vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e da vice-presidência de Governo do Banco do Brasil?

11 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação de Minas Gerais, coordenada pelo Sr. Fernando Diniz, coube a indicação do diretor da área internacional da Petrobrás, tendo sido indicado o Sr. João Augusto Henriques, vetado pelo Governo, e depois substituído pelo Sr. Jorge Zelada?

12 – Vossa Excelência tem conhecimento se a interlocução com o Governo era feita com o ex-presidente, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva?

13 – Vossa Excelência tem conhecimento de quais ministros mais participavam?

14 – Vossa Excelência foi procurado pelo Sr. José Carlos Bumlai para tentar manter o Sr. Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobrás?

15 – Vossa Excelência já conhecia o Sr. José Carlos Bumlai? De onde?

16 – Vossa Excelência recebeu o Sr. Nestor Cerveró para discutir a permanência dele na Diretoria Internacional da Petrobrás?

17 – Quando Vossa Excelência o recebeu? Onde e quem estava presente?

18 – Vossa Excelência foi comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró sobre uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?

19 – Caso Vossa Excelência tenha sido comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró, quem teria feito a proposta e qual foi a vossa reação? Por que não denunciou?

20 – Vossa Excelência tem conhecimento se o Sr. Eduardo Cunha teve alguma participação na nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás?

21 – Quantas vezes Vossa Excelência esteve com o Sr. Jorge Zelada?

22 – Vossa Excelência recebeu o Sr. Jorge Zelada alguma vez na sua residência em São Paulo/SP, situada à Rua Bennett, 377?

23 – Caso Vossa Excelência o tenha recebido, quais foram os assuntos tratados?

24 – Após a morte do Sr. Fernando Diniz, Vossa Excelência tem conhecimento de quem o substituiu na coordenação da bancada de Minas Gerais?

25 – Vossa Excelência recebeu alguém para tratar de algum assunto referente à área internacional da Petrobrás?

26 – Vossa Excelência encaminhou alguém para ser recebido pelo Sr. Jorge Zelada na Petrobrás?

27 – Vossa Excelência encaminhou algum assunto para ser tratado pela Diretoria Internacional da Petrobrás?

28 – Vossa Excelência tem conhecimento sobre a negociação da Petrobrás para um campo de petróleo em Benin, na costa oeste da África?

29 – Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha em algum assunto relacionado à Petrobrás?

30 – Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha na compra do campo de petróleo em Benin?

31 – Vossa Excelência conhece o Sr. João Augusto Henriques?

32 – Caso Vossa Excelência conheça, quantas vezes esteve com ele e sobre quais assuntos trataram?

33 – Vossa Excelência sabe de alguma contribuição de campanha que tenha vindo de algum fornecedor da área internacional da Petrobrás?

34 – Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuira, no 470, em São Paulo/SP, juntamente com o Sr. João Augusto Henriques?

35 – Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?

36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?

37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?

38 – Matéria publicada no “O Globo” no dia 26/09/2007, citada na denúncia contra Eduardo Cunha, dá conta de que após uma interrupção na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, Vossa Excelência foi chamado ao Planalto juntamente com o então líder Sr. Henrique Alves para uma reunião com o então ministro Sr. Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobrás. Vossa Excelência reconhece essa informação?

39 – Caso esta reunião tenha ocorrido, quais temas foram tratados? A nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás foi tratada?

40 – A matéria cita o desconforto do PMDB porque haveria o compromisso das nomeações na Petrobrás, mas só após a votação da CPMF. No entanto, a então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sra. Dilma Rousseff, teria descumprido o compromisso e nomeado a Sra. Maria das Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e o Sr. José Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. Vossa Excelência reconhece essa informação?

41 – Vossa Excelência tem conhecimento se o desconforto teria causado a paralisação da votação da CPMF, que só foi retomada após o compromisso de nomear os cargos prometidos ao PMDB?

Em tempo: das 41 questões levantadas por Cunha, Sergio Moro já cortou 21. Segundo o imparcialíssimo juiz, sua atitude se justifica porque "não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal".

No CAf
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