23 de nov de 2016

Paulo Roberto Costa diz que não tem nenhuma acusação contra Lula — Ouça o depoimento






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Absolvido, jornalista que ficou 9 meses preso conta no Congresso as denúncias que foi impedido de fazer contra Aécio








O jornalista Marco Aurélio Carone ficou preso 9 meses e 20 dias em 2014, em Minas Gerais.

Ele é filho de um ex-prefeito de Belo Horizonte que foi aliado de Tancredo Neves.

No Diário de Minas e no Novojornal, este na internet, passou a fazer denúncias contra o grupo político do hoje senador e presidente do PSDB, Aécio Neves.

O jornalista se diz vítima de policiais, procuradores, juizes e desembargadores de Minas, que estariam a serviço de Aécio.

Carone foi solto 5 dias depois da eleição presidencial em que Aécio foi derrotado por Dilma Rousseff.

Foi absolvido no processo que o levou à prisão.

Mas, enquanto esteve na cadeia, não pode fazer as denúncias que pretendia fazer contra o tucano.

Hoje, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Carone contou quais eram: financiamento de campanha via caixa dois, envolvimento de Andreia Neves, esquema na mineração e exportação de nióbio e uso político da estatal Cemig, a Companhia Energética de Minas Gerais, dentre outros.

Também depôs Geraldo Elísio, o jornalista que trabalhava com Carone e sofreu busca e apreensão da polícia civil de Minas Gerais — segundo ele, o objetivo era descobrir as fontes das denúncias.

Num dos trechos de seu depoimento, Elísio disse que o helicóptero apreendido com 450 kg de pasta base em Minas fez pelo menos três pousos em Divinópolis, no interior do Estado, sugerindo assim que o aparelho — de propriedade da Limeira Agropecuária, do senador Zezé Perrella, aliado de Aécio Neves — fazia o vôo regularmente.

Reproduzimos acima as falas de Carone e Elísio.

Abaixo, a audiência na íntegra:


No Viomundo
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Roda Morta não usa mais o Chico


Chico Buarque solicita a retirada da música “Roda Viva” da trilha sonora do programa homônimo da TV Cultura.

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O que a Globo esconde


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Meios de Comunicação alternativos e populares realizam audiência histórica


Pela primeira vez os meios de comunicação livres, alternativos, independentes, comunitários e populares se juntam para reivindicar do município o compartilhamento das verbas que a administração de Florianópolis gasta com publicidade e propaganda, 100% delas dirigidas aos grandes meios de massa, como os grupos RBS e RIC Record.

Entendendo a comunicação como um direito humano, esses meios independentes entendem que o Estado, seja ele em nível federal, estadual ou municipal, não pode se limitar a financiar grupos que representam apenas um extrato da sociedade, que é o da classe dominante. Como nesses meios as vozes da maioria não se expressam, é necessários que o estado compartilhe as verbas de comunicação também com os veículos populares e comunitários.

Foi a partir desse entendimento que os veículos resolveram unir forças, se encontrar e pensar formas de reivindicar o mesmo direito que os grandes meios têm. Assim, numa discussão puxada pelo Portal Desacato, juntaram-se a Rádio Campeche, Portal Catarinas, TV Floripa, Rede Abraço, o Centro de Estudos de Mídias Alternativas Barão de Itararé, o portal O Barato de Floripa, Coletivo de Jornalismo Maruim  e UFSC à Esquerda. Desse debate nasceu a ideia de uma audiência pública para dialogar com os vereadores sobre a necessidade de uma regulamentação para o uso de verbas da comunicação que contemplasse as mídias alternativas.

A proposta logo foi encampada pelo vereador Lino Peres, que foi quem articulou a audiência. Assim, no dia 17, os representantes de todos esses veículos lá estavam para serem ouvidos pelos vereadores e pela sociedade. O recado foi dado, ainda que apenas o vereador Guilherme Botelho tenha participado, como representante da Comissão de Educação.  Coincidiu que naquele mesmo momento outra reunião sobre o Plano Diretor estivesse acontecendo, o que tirou o quórum da audiência. Mas, mesmo assim, todos os meios fizeram sua fala e ficou acertado ao final que será criado um Grupo de Trabalho dentro da Comissão de Educação para que se construa coletivamente um projeto de lei no qual esteja normatizado o direito dos veículos alternativos, comunitários e populares a receber também verbas do estado na rubrica comunicação.

A importância desse movimento é muito grande na medida em que a cidade de Florianópolis conta hoje com grupos muito bem estruturados de comunicação livre. As novas tecnologias baratearam bastante a produção de informação e as mudanças que vieram com essas tecnologias também proporcionam a possibilidade do crescimento desses novos veículos, comprometidos com a maioria da população, dispostos a oferecer espaço onde as vozes – geralmente silenciadas pela grande mídia – possam se expressar.

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É fato que essas mídias ainda não se constituem de fato uma alternativa de comunicação, uma vez que os meios de massa são capazes de chegar ao estado inteiro, no país inteiro, enquanto as mídias comunitárias e populares ainda formam um grupo de alcance reduzido. De qualquer forma, esses espaços tem sido de crucial importância no processo de organização dos movimentos populares uma vez que cumprem a função de informar o que acontece no campo de interesses da maioria. Basta lembrar que toda a articulação contra o golpe foi feita através dos meios alternativos e das redes sociais.

Por isso, cada dia mais é fundamental fortalecer esses veículos, para garantir que a maioria da população tenha, de fato, uma alternativa ao pensamento único e a fabricação do consenso que são elementos basilares dos meios de massa.

Com a criação do GT na Comissão de Educação da Câmara de Vereadores, esses veículos de mídia comunitários e populares acompanharão o processo e se manterão na luta para romper com a assimetria de tratamento na distribuição das verbas. Se os grandes meios de comunicação recebem recursos do bolo estatal, os meios alternativos também  devem receber. Não há argumento para a discriminação.

A luta avança.

Elaine Tavares
No Desacato
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Não é só a boca. A língua dele também é grande!


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Palestra com Leandro Karnal


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Economia afunda e desmoraliza Temer e mídia

O “golpe dos corruptos” foi embalado com a falsa promessa de que bastaria derrubar Dilma Rousseff para a economia voltar a crescer.

Michel Temer e Henrique Meirelles, o fajuto “salvador da pátria”, prometeram o retorno da confiança do “deus-mercado”, dos investimentos e dos empregos.

Já a mídia privada, principal protagonista da conspiração golpista, reforçou estas falácias e passou a divulgar só notícias positivas sobre a economia.

Antigos “urubólogos”, que na gestão petista alardeavam o caos e difundiam o pessimismo, tornaram-se servis otimistas de plantão.

Passados sete meses, porém, até o “midiota” mais tacanho já percebe que foi feito de otário, sendo usado como massa de manobra.

Na vida real, o país afunda em acelerada recessão e as perspectivas para o futuro são as mais sombrias.

Nesta segunda-feira (21), Fabio Kanczuk, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, confirmou a tragédia.

Ele anunciou que o covil golpista revisou para pior a sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2016 e de 2017.

Para este ano, a estimativa é de que que a economia vai encolher 3,5% — a previsão anterior era de queda de 3%. Já para o próximo ano, a expectativa é que o PIB cresça apenas — menor do que a projeção anterior, de 1,6%.

Ele mesmo elencou como um dos motivos para o desastre a “falta de confiança” das empresas — aquela mentira antes apresentada como verdade pelo Judas Michel Temer e pela mídia chapa-branca.

Estadão lamenta ociosidade na indústria

Antes da confissão oficial do governo, a Fundação Getúlio Vargas já havia divulgado números bem preocupantes sobre a situação do país. Segundo dados do Monitor do PIB, elaborado pela FGV, no terceiro trimestre deste ano a economia encolheu 0,99% em relação ao trimestre anterior. Foi o sétimo recuo seguido.

Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o PIB diminuiu 3% — o que confirma que o Brasil afunda em grave recessão.

“Esses resultados mostram uma resistência à recuperação da economia maior do que a previamente esperada”, afirmou a nota oficial do instituto. E não é preciso ir longe para constatar a tragédia. Basta olhar para a pasmaceira das indústrias e do comércio.

No último sábado (19), o jornal Estadão — um dos entusiasta do covil golpista — publicou uma matéria que revela o caos no setor produtivo.

Segundo a reportagem, assinada Márcia De Chiara, “a indústria brasileira atravessa seu pior momento em pelo menos 16 anos. De janeiro a outubro, a ocupação média das fábricas está em 73,9%, o menor índice desde 2001, quando a FGV começou a fazer o levantamento. Nesses 16 anos, a média histórica de ocupação de capacidade da indústria é de 80,9%. ‘A grande ociosidade na indústria mostra a profundidade da crise econômica’, diz a coordenadora da Sondagem Industrial do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Tabi Thuler Santos”.
Segundo a FGV, dos 19 segmentos pesquisados, 80% estão com a ocupação baixa ou extremamente baixa.

O setor em pior situação é o de automóveis. Em outubro, as montadoras utilizaram 55,9% da capacidade das fábricas, menor nível mensal de ocupação também em 16 anos.

A japonesa Honda, que investiu R$ 1 bilhão numa nova fábrica em Itirapina (SP), por exemplo, continua com sua planta fechada e sem perspectivas de usá-la no curto prazo.

O Estadão até descarta uma recuperação já no próximo ano. “Um dos efeitos da grande ociosidade na indústria, segundo especialistas, é adiar pelo menos para 2018 a retomada do investimento na produção, com abertura de fábricas e contratações”.

Folha agora teme pelos golpistas

Também a Folha parece desanimada.

Em editorial publicado no domingo (20), intitulado “Otimismo abalado”, o jornal admitiu o fiasco — mas sem fazer autocrítica da sua servil posição anterior.

Em tom de lamúria, opinou: “Marca do início da gestão de Michel Temer, a esperança na recuperação da economia vai dando lugar a prognósticos mais sombrios. A melhora dos índices de confiança a partir do segundo trimestre não foi suficiente até agora para suplantar obstáculos concretos para volta do crescimento… Cresce entre analistas do setor privado o temor de resultados ainda piores… O investimento privado ainda patina, em razão dos estoques excessivos e da falta de demanda”.

Diante deste cenário, a Folha golpista prevê dias difíceis para Michel Temer.

“A crise econômica e a resistência da inflação dificultam o ajuste das contas públicas. A situação falimentar dos Estados é mais um sinal de alerta, que pode favorecer o acirramento de protestos. Os riscos para o governo federal são evidentes, uma vez que opera num ambiente de baixa popularidade. Paira sobre ele a ameaça de rápida erosão de seu capital político, nos próximos meses”.

Como remédio, o jornal da famiglia Frias — que sempre defendeu a linha dura, inclusive a dos generais na ditadura — prega que o governo acelere as destrutivas reformas neoliberais, principalmente a da Previdência Social.

Se até a mídia privada, que protagonizou o “golpe dos corruptos” e apostou as suas fichas no sucesso econômico do covil golpista, já dá sinais de desânimo, o Judas Michel Temer que se cuide.

Como bem apontou André Singer, em artigo na Folha, o usurpador pode estar sendo aos poucos descartado, o que lhe reservaria um futuro tão sombrio como o do ex-presidente José Sarney. Vale conferir o texto publicado no sábado passado (19):

Governo Temer pode sofrer sarneyzação

Os fracos resultados econômicos no trimestre terminado em setembro somados ao desarranjo mundial provocado pela vitória de Donald Trump formam quadro perigoso para o Brasil. A situação já indicava dificuldades estruturais para uma volta dos empregos.

Agora, a incerteza produzida pelo trumpismo deverá congelar as decisões de investimento ao redor do planeta até que, empossado, o novo ocupante da Casa Branca mostre o que realmente vai fazer.

Diante dessa mudança conjuntural, o governo Temer parece inerme, perdido na ilusão de que a austeridade bastará para recolocar o “país nos trilhos”, como gosta de dizer o presidente.

Governar requer alterar rotas quando o horizonte muda. Na ausência de resposta, o caos ameaça tomar conta.

A curta semana pós-proclamação da República foi típica de avião sem piloto na cabine de comando.

Enquanto a sociedade se agitava de maneira furiosa — seja pela legítima revolta dos funcionários públicos cariocas, seja pela amalucada invasão da Câmara Federal por nostálgicos do regime militar -, instituições do âmbito judiciário continuavam a triturar o mundo político.

Desta vez caíram os ex-governadores Anthony Garotinho e Sérgio Cabral, além de surgirem novas denúncias contra o PSDB de São Paulo.

Emblema de toda a confusão, o Rio de Janeiro ficou parecendo uma Grécia em escala subnacional, na qual estivesse em curso também uma megaoperação Mãos Limpas.

No meio do furdunço, o Planalto repetia o discurso monocórdio de que a volta do crescimento depende de mais arrocho, entoando o mantra “acalma mercado” da reforma previdenciária.

Até que ponto os luminares do PMDB acham que os prejudicados vão aguentar em silêncio?

Pode ser que, sustentado pela maioria parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, o Executivo consiga até fazer passar a pretendida mudança na idade mínima para aposentadoria.

Mas se os empregos não reaparecerem, Michel padecerá de rápida sarneyzação.

Convém lembrar que o ex-presidente José Sarney conseguiu vencer no Congresso constituinte a difícil batalha em favor do mandato de cinco anos para si, o que não o impediu de deixar a Presidência com uma das maiores rejeições registradas desde o retorno dos civis ao poder.

A seguir assim, a dupla Temer/Meirelles, que pretendia emular a dobradinha Itamar/FHC, acabará abrindo a porta para algum salvacionista de ocasião, como diria Chico de Oliveira.

Com a Lava Jato pondo abaixo as estruturas partidárias, torna-se fácil o surgimento, filiado a qualquer microlegenda, de um messias que prometa colocar ordem na bagunça — tal como Fernando Collor de Mello jurava dar um fim à inflação em 1989. Venceu.

Altamiro Borges
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Governo Sartori gastou R$ 3,5 milhões em campanha publicitária sobre a ‘calamidade financeira’

Em março deste ano, governo Sartori lançou campanha publicitária para informar à população sobre as medidas que estava tomando para sair da crise.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O Procurador Geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Costa da Camino, questionou o gasto de cerca de R$ 3,5 milhões, pelo governo José Ivo Sartori, para a veiculação de uma campanha de publicidade, iniciada em março deste ano, destinada a informar a população sobre a amplitude da crise financeira estadual e as medidas tomadas pelo governo para enfrentar essa crise. Em parecer encaminhado ao conselheiro Iradir Pietroski, dia 11 de novembro, Da Camino analisa a legalidade e a legitimidade de tal campanha no contexto da crise financeira que afeta as contas estaduais.

O lançamento da campanha publicitária para tratar da crise financeira motivou entidades como a Associação dos Procuradores do Estado do Rio Grande do Sul (Apergs) e o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm) a protestarem contra a decisão do governo de gastar R$ 3,5 milhões em publicidade sobre a crise, no momento em que os salários dos servidores eram parcelados, segundo o Executivo, por falta de recursos.

Convidada a se manifestar, a Secretaria Estadual de Comunicação apresentou a seguinte justificativa ao Ministério Público de Contas: “o Governo do Estado vai fazer uma campanha de comunicação, para informar à população sobre as medidas que está tomando para sair da crise e as perspectivas futuras. Para isso, serão veiculados programas de rádio e televisão”. Segundo informou o governo, o período da campanha seria de um mês e a ação de comunicação se daria por divisão igualitária entre as cinco agências habilitadas na Secom/RS (Matriz, Dez Comunicações, Global Comm, Escala Comunicações e MKT, Morya).

“Legitimidade, eficiência e economicidade”

Em seu parecer, Da Camino observa que, ainda que sob o aspecto estrito da legalidade os atos relativos à implementação da campanha possam atender os comandos legais, o gasto público não pode esquecer os princípios da legitimidade, da eficiência e da economicidade. Em momentos de crise, assinala ainda o procurador, “o interesse da sociedade em receber as informações institucionais deve ser sopesado com as demais necessidades, sobretudo aquelas capazes de afetar a regular prestação de serviços públicos essenciais e, por conseguinte, a legitimidade de determinadas despesas”.

Considerando o cenário de crise vivido pelo Estado e descrito pelo governador José Ivo Sartori como uma “calamidade financeira”, Da Camino “vislumbra a possibilidade de que os dispêndios com finalidade publicitária possam estar afrontando os princípios constitucionais da legitimidade, da eficiência, da economicidade e da razoabilidade”. O procurador pede ao relator “a adoção das providências no sentido de que a avaliação da gestão do exercício de 2016, realizada neste processo, contemple os gastos com publicidade e a sua conformação aos princípios e às normas de regência, intimando-se de imediato, o Gestor, a fim de que tome ciência de que seus gastos serão examinados sob o viés referido”.

ZH recebeu mais que qualificação de assentamentos e de recursos humanos

Segundo o portal Transparência RS, a Secretaria Estadual de Comunicação gastou este ano, até o mês de novembro, R$ 6.237.444,26 em publicidade institucional. No mesmo período, a Assembleia Legislativa gastou R$ 5.723.906,18 em publicidade institucional. Enquanto isso, políticas como a qualificação de assentamentos receberam apenas R$ 372.801,60, em 2016. Já a qualificação dos sinais de cobertura da TVE e FM Cultura recebeu R$ 156.760,92 e a qualificação dos recursos humanos na administração recebeu apenas R$ 10.350,52.

Ainda segundo o portal Transparência, somadas, essas últimas três áreas — qualificação de assentamentos, dos sinais de cobertura da TVE e FM Cultura e de recursos humanos — receberam menos recursos do que o jornal Zero Hora, por exemplo, recebeu em publicidade até novembro deste ano. Enquanto os gastos de publicidade com ZH chegam a R$ 583.185,21, as três áreas citadas, somadas, chegam a R$ 539.911,00. Ainda no mesmo período, o jornal Correio do Povo recebeu R$ 222.655,28.

Marco Weissheimer
No RS Urgente
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A Petrobras e os tribunais

http://www.maurosantayana.com/2016/11/a-petrobras-e-os-tribunais.html


Estudo da FUP - a Federação Única dos Petroleiros, mostra que, além de não haver justificativa para a acelerada desvalorização promovida pela atual diretoria nos ativos da Petrobras — já que eles já foram "reavaliados" em 2015 e em 2014, reduzindo seu preço em R$ 112,3 bilhões e diminuindo em 60% o seu valor de mercado — por trás dela estaria uma "vergonhosa manobra contábil que tem por objetivo jogar pra baixo os preços dos ativos para acelerar a privatização da empresa".

E - diríamos nós — para piorar também a sua situação a longo prazo, impedindo que ela se recupere de forma mais rápida, contradizendo o discurso de que a Petrobras está "quebrada" e que essa crise se deve exclusivamente à corrupção e ao governo anterior.

O pior, segundo a FUP, é que o esmilinguamento proposital do valor dos ativos tem sido promovido justamente nas áreas que se está colocando à venda — as mais importantes e com maior potencial de lucro e de geração de caixa — como os campos de produção, as termelétricas, o Complexo Petroquímico de Suape, a Araucária Fertilizantes, o Comperj, que estão sendo vendidos a preço de banana, por 15,7 bilhões a menos do que teria sido possível arrecadar antes, além das distribuidoras de gás e de combustíveis.

Isso quer dizer que, somando-se a um tremendo prejuízo estratégico, com a entrega à concorrência de recursos naturais, tecnologia própria e mercado, que levaram anos para ser descobertos e desenvolvidos; se está praticamente doando, atabalhoadamente — e muitas vezes sem licitação, o que facilita e muito a possibilidade de ocorrência de corrupção, sem nenhuma razão que justifique a pressa, a não ser a vontade, não se sabe por que, de desmontar e entregar tudo o que for possível nos dois anos que restam ao atual governo — o patrimônio da nossa maior empresa a particulares e até mesmo a grupos estrangeiros, como a Statoil, que também são estatais, como a própria Petrobras.

A concessão de liminar, por uma juíza da Justiça Federal de Sergipe, suspendendo o processo de venda de participação da Petrobras nos campos de Baúna e Tartaruga Verde para a Karoon Gas Australia, nas bacias de Santos e de Campos, respectivamente, a pedido do Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe, com a justificativa de que a venda não poderia ocorrer sem licitação, mostra que ainda existe, no Judiciário, bom senso e responsabilidade suficientes para com a obediência a regras mínimas de alienação do patrimônio público, e, indiretamente, atenção ao irresponsável desmonte do Estado nacional em curso, e às suas deletérias, irreparáveis, consequências para o desenvolvimento brasileiro nos próximos anos.

O que os petroleiros deveriam fazer, em conjunto com outras instituições, como a AEPET, é barrar, na justiça, toda e qualquer venda de ativos da Petrobras que estiver em andamento, que não tiver passado por ampla discussão e por competente e transparente processo de licitação, já que a empresa pertence a todos os brasileiros, incluídos os entreguistas e os imbecis que, nas redes sociais, assumem que a “odeiam” e que pretendem destruí-la, movidos pela desinformação, a manipulação e o preconceito que caracterizam a sórdida campanha realizada contra a Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima ao longo dos últimos 4 anos.

Usando dados como os levantados pelo economista do Dieese Cloviomar Cararine Pereira, que mostram que a Petrobras não está quebrada, e que não precisaria vender esses ativos agora — justamente quando o petróleo está voltando a subir de preço — ou reduzir seu efetivo.

Não é possível que o fechamento e a venda de unidades como a Usina de Biodiesel de Quixadá, que acaba de deixar ao "deus-dará" milhares de agricultores e funcionários, se dê sem audiência pública, quando usinas como Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, tiveram, no governo anterior, suas obras interrompidas por dezenas de vezes pela justiça, por alegada preocupação com o meio ambiente ou a qualidade de vida da população local.

Do ponto de vista institucional, é importante também contestar, judicialmente, o relatório da Price Waterhouse and Coopers, para que essa empresa de "auditoria" — várias vezes multada e investigada pela justiça norte-americana, vide A Petrobras e a Teoria do “Domínio do Boato” — explique e comprove, indubitavelmente, as perdas que, alega, foram sofridas pela Petrobras com corrupção, apontando em que operações se deram esse prejuízo; quem aprovou uma por uma; como se deu o desvio; para que contas foi supostamente repassado o dinheiro e quem recebeu os recursos teoricamente "desviados" de cada uma delas, no fantástico patamar informado, de 6 bilhões de reais.

Se fôssemos funcionários da Petrobras, e tivéssemos participado de alguma das numerosas comissões envolvidas, em diferentes níveis, na aprovação desses projetos; ou de aditivos envolvendo as obras que a Price Waterhouse tem por obrigação apontar, claramente, quais foram, nos sentiríamos pessoalmente atingidos em nossa honra e publicamente taxados de incompetentes, irresponsaveis ou corruptos.

E certamente, teríamos movido ações individuais contra a "auditora" — centenas delas, se necessário — para que fosse provado nosso envolvimento, ou definitivamente comprovada nossa lisura e inocência, abrindo a possibilidade para posteriores ações de indenização por danos morais.

Nem mesmo se o dono de uma empreiteira alegar que pagou, ou a quem pagou, “propinas” é possível confiar em sua palavra, devido às altíssimas condições de “temperatura” e de pressão e às ameaças de multas bilionárias, por exemplo, com que têm sido comumente negociados os acordos de “leniência” e obtidos os testemunhos e delações da Operação Lava Jato.

É preciso que provem cabalmente a quem deram o dinheiro e de que forma, e se houve realmente sobrepreço — comparando-se com preços de mercado e respeitando-se as especificidades de cada projeto — mesmo que expedientes estejam sendo utilizados corriqueiramente para transformar retroativamente alhos em bugalhos, como doações eleitorais legalmente registradas em "propina".

Os processos aos quais a Petrobras está sendo submetida nos EUA, partem, todos, da aceitação passiva da atual diretoria — e o pior, da diretoria anterior, que contratou, também sob extrema pressão, a Price — de que houve prejuízos e desvios no montante desses 6 bilhões de reais.

Cabe aos petroleiros demonstrar, por meio da Justiça, que não houve esses desvios ou que se eles eventualmente ocorreram foram infinitamente menores, não apenas para desmontar a farsa do "petrolão" — que justifica tudo que está sendo feito com a empresa e o país agora — mas também para que a Petrobras não tome ainda mais prejuízo com o pagamento de quase centenas de milhões de dólares em indenizações apenas nos processos que responde em Nova Iorque, movidos por grupos de especuladores que querem ganhar sempre, buscando, hipocritamente — mesmo que estejam arriscando seu dinheiro na bolsa — apenas o bônus sem ônus, em um novíssimo sistema econômico, o do "capitalismo sem risco".
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