16 de nov de 2016

A desintegração ética do jornalismo brasileiro


"Como você conheceu a Marcela?" é a pergunta-síntese da desintegração ética do jornalismo brasileiro.

Primeiro, porque é absolutamente irrelevante. O cara é considerado ilegítimo por imensa parcela da população (e É); sua vida romântica não importa. Como ele é um golpista abominado pela população — até mesmo por quem não gostava de Dilma —, não dá entrevistas e, assim, esta seria uma oportunidade ímpar para que jornalistas de verdade pudessem questioná-lo sobre a gravação do "ministro" Jucá no qual este planeja o golpe; sobre os 23 milhões de caixa 2 depositados na conta do "ministro" Serra; sobre o cheque de um milhão em seu próprio nome, e assim por diante. "Ah, mas eles perguntaram sobre o cheque!". Não, eles TOCARAM NO ASSUNTO, o que é bem diferente. Questionar é fazer perguntas complementares, apontar as provas que desmentem a resposta e, principalmente, voltar ao assunto se o entrevistado tenta desviar o foco da conversa.

Em vez disso, os "jornalistas" (haja aspas pro Brasil de hoje) preferiram fazer perguntas adolescentes que seriam bem mais apropriadas em uma matéria de Caras.

Em segundo lugar, fizeram uma pergunta cuja resposta todos sabem: ele conheceu a esposa quando tinha 60 anos e ela, filha de um amigo, era menor de idade.

O único propósito da pergunta, portanto, era o de tentar "humanizá-lo". E quem faz isso não é jornalista, é um Relações-Públicas.

Não é à toa que, após a entrevista, Temer, o Pequeno, gravou um vídeo no qual agradeceu pela propaganda. E, sim, ele disse "propaganda". Porque maior do que a falta de caráter de nossa imprensa é a cara-de-pau de sua criação.

Pablo Villaça
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Sergio Moro e Ministério Público não fazem perguntas a mulher de Cunha


O juiz Sergio Moro e o Ministério Público Federal decidiram não fazer questionamentos à esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz, no processo em que ela é acusada de usufruir das contas no exterior que o ex-deputado federal teria supostamente abastecido com recursos desviados de esquemas na Petrobras.

Cláudia Cruz, por ordem de seu advogado, avisou a Moro que só iria responder as perguntas da defesa. O juiz concordou e abriu espaço para que o Ministério Público fizesse perguntas, ainda que para deixá-las apenas registradas, mas o procurador também decidiu não participar.

Moro justificou sua postura dizendo que "normalmente" não faz perguntas quando o acusado decide ficar em silêncio integralmente. 

"Eu, normalmente, nesses casos, não faço perguntas quando o acusado resolve ficar em silêncio integralmente. E normalmente também deixo que as partes não perguntem. Mas, neste caso, como existe a ideia de responder a defesa, se o Ministério Público quiser fazer as perguntas mesmo assim, para ficar registrado, aí é escolha do Ministério Público. Eu não vou fazer perguntas diante da manifestação da acusada", comentou Moro. Ao que um procurador rebateu: "Eu também não vou fazer, excelência."

Num depoimento que não durou nove minutos, Cláudia Cruz diz que achava que tinha apenas um cartão internacional, e não uma conta corrente no exterior. Ela disse que usava o cartão para pagar despesas de seus filhos que foram estudar fora. Também disse que desconhecia que Cunha poderia ser acusado de corrupção e que os recursos que ela usufruia tinham origens ilícitas.

O depoimento é da tarde desta quarta (16), assista:

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Padilha, o Dr. Fantástico, revoluciona o conceito de invalidez


Decididamente não é normal a quantidade de disparates de sucessivas propostas do governo Temer. Seguem um padrão tão nonsense que parecem todas saídas da cabeça do dr. Fantástico: provavelmente o Ministro-Chefe da Casa Civil Eliseu Padilha, que se tornou um formulador respeitado pela imprensa desde que ofereceu aos jornais a bolsa-mídia.

A última genialidade está se dando nas discussões sobre aposentadoria por invalidez (https://goo.gl/ykOJeG).

O incrível Dr. Fantástico começa brandindo conceitos de isonomia e informa que os aposentados por invalidez levam vantagem sobre os aposentados em geral, porque contribuem por menos tempo e têm direito à aposentadoria integral. Assim, seriam estimulados a se aposentar mais cedo, para gozar da aposentadoria. Tipo assim: para gozar a aposentadoria integral mais cedo, vou cortar meu braço esquerdo, ou me provocar um AVC.

Nem se peça ao Dr. Fantástico Padilha conhecimento sobre princípios básicos de isonomia que sugerem tratar de forma desigual os desiguais. Inválidos têm gastos com tratamento, com cuidados e, como não são Ministros-Chefe da Casa Civil, não têm direito a mordomias bancadas pelo poder público..

E termina com outro lance de genialidade: bastaria instituir a aposentadoria por invalidez por tempo de serviço para desestimular o inválido a se aposentar mais cedo.

Vai ganhar o Prêmio Nobel de Economia Solidária e o Prêmio Alana de Sacadas Sociais.

Se a invalidez permite ao inválido trabalhar, não é válida. Só vale a invalidez que invalida o sujeito para o trabalho. Não é por coincidência que invalidez e invalidar tem a mesma etimologia.

Se o inválido solicita a aposentadoria por invalidez estando válido para o trabalho, é fraude. Ou não? Estão aí os peritos do INSS que há 15 anos se recusam a conceder aposentadoria para uma ex-secretária minha que sofreu um AVC e está há 15 anos sem falar.

Provavelmente, os formuladores estão revendo o enquadramento da invalidez. Afinal, há casos de invalidez moral e mental que não impediram seus portadores de ascenderem a altos cargos públicos.

Luís Nassif
No GGN
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Documentário mostra articulação do golpe no Brasil


A prática do golpe de Estado legal parece ser a nova estratégia das oligarquias latino-americanas. Em 1964, grandes manifestações “da família com Deus pela liberdade” prepararam o terreno para o golpe contra o presidente João Goulart; desta vez, multidões “patrióticas” – influenciada pela imprensa submissa – mobilizaram-se para exigir a destituição de Dilma, em alguns casos chegando a pedir o retorno dos militares…

O que a tragédia de 1964 e a farsa de 2016 têm em comum é o ódio à democracia.Os dois episódios revelam ;o profundo desprezo que as classes dominantes brasileiras têm pela democracia e pela vontade popular.

POR MAIS TENDENCIOSA E MANIPULADORA QUE A MÍDIA SEJA, ELA DEIXA RASTROS

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Noblat é um caso jornalístico que sempre me intrigou

Nas redes sociais
Noblat é um caso jornalístico que sempre me intrigou.

Tecnicamente, é um dos melhores jornalistas do país. É aquele sujeito que sabe escrever, sabe editar, sabe distinguir o que é uma nota e o que é uma manchete.

Conheço-o há muitos anos. Quando entrei na Veja, em 1980, ele já era um respeitado editor assistente da seção mais importante da revista, a de política. Pernambucano arretado, era um nome para complexas operações jornalísticas. Fora da Veja, fez um bom guia básico de jornalismo que meu filho Pedro leu com o cuidado de fazer anotações.

Escrevo tudo isso para perguntar: como ele pôde se transformar num desses jornalistas que vivem de infernizar a esquerda e servem obsequiosamente apenas a seus patrões?

É uma pena. É um desperdício de talento.

As consequências estão aí. Circula hoje nas redes sociais uma foto de Noblat na infame entrevista do Roda Viva com Temer. Ele está olhando para Temer, e a legenda dizia: “Procure um amor que olhe para você como o Noblat olha para o Temer”.

Nós jornalistas sonhamos com muitas coisas no início da carreira. Sonhamos. Acreditamos poder contribuir para um mundo melhor.

Não creio que o jovem Noblat da Veja de 1980 sequer cogitasse em se tornar um dos principais jornalistas da direita. Não, pelo menos, da direita que pratica um jornalismo de guerra contra qualquer coisa remotamente parecida com esquerda.

“Meu sonho é ser um novo Lacerda”: não, aposto que isso não passava pela cabeça do jovem Noblat.

Outro integrantes da brigada conservadora do jornalismo foram fazer o que fazem — Villa, Azevedo — por conveniência. Era uma oportunidade que se abria para ganharem destaque na indústria da mídia.

Mas Noblat não precisava disso. Tinha, tem, talento para seguir um outro caminho em que o custo ético e moral não fosse tamanho.

Foi com alguma melancolia que vi a foto mordaz hoje nas redes sociais. Foi também com certa tristeza que vi que foi ele o autor da pergunta a Temer sobre como ele conhecera Marcela.

Pareciam velhos camaradas, e não entrevistado e entrevistador. Me passou pela cabeça os massacres impostos a Dilma quando ela era a entrevistada — qualquer que fosse a situação. “Nunca tive uma moleza dessas”, Dilma talvez tenha pensado.

Ainda bem.

Para ser tratada daquele jeito, ela teria que ser um Temer, cercada por jornalistas que fizeram um caminho bem diferente daquele com que sonhavam quando eram jovens, e acreditavam nas coisas.

Paulo Nogueira
No DCM
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Caiu a ficha do Rio: Globo mandava na Prefeitura

Pesquisadores avaliam contratos da Fundação Roberto Marinho


Uma pesquisa realizada por especialistas da Unirio e da Universidade Federal do Rio de Janeiro investiga o monopólio de grupos privados de comunicação, em especial Fundação Roberto Marinho, e entidades sem fins lucrativos na gestão de equipamentos públicos no estado do Rio.

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Ex-governador do Rio, Anthony Garotinho é preso pela PF


Ele foi detido na manhã desta quarta-feira (16) em sua residência no bairro do Flamengo e transferido para a sede da Polícia Federal em Campos dos Goytacazes; prisão foi solicitada pelo Ministério Público Eleitoral em mais um desdobramento da Operação Chequinho, que investiga compra de votos

O ex-governador Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR), foi preso pela Polícia Federal em sua residência no bairro do Flamengo na manhã desta quarta-feira (16). A prisão foi solicitada pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, do Ministério Público Eleitoral, e o ex-governador deve ser encaminhado à sede da PF em Campos dos Goytacazes.

Garotinho foi detido pela Operação Chequinho, que investiga o uso eleitoral do programa “Cheque Cidadão” e compra de votos nas eleições municipais de Campos dos Goytacazes. A atual prefeita da cidade é Rosinha Garotinho, esposa do ex-governador. Garotinho, por sua vez, exerce atualmente o cargo de secretário de governo do município.

Além de Garotinho, estão sendo executados ainda oito mandados de prisão temporária, outros oito busca e apreensão e um de condução coercitiva.

A Polícia Federal informou que forneceria mais informações sobre as prisões de hoje ao decorrer do dia, já que elas ainda estão em andamento.

Garotinho governou o estado do Rio de 1999 a 2002.
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Delegados acusam Estadão de receber por matéria sobre PF aecista. E o Estadão, vai calar?


Marcelo Auler publica, em seu blog, documentos em que dois delegados da Polícia Federal dizem que o jornal O Estado de S. Paulo recebeu  para publicar a reportagem sobre os alguns de seus colegas são mostrados em desabrida campanha pró-Aécio Neves nas eleições de 2014.

Em palavras mais clara: acusa o jornal de ter sido subornado para divulgar o comportamento partidarizado dos delegados, o que, não é preciso explicar, seria gravíssimo, se não fosse absolutamente improvável. Os delegados da Lava Jato Igor Romário de Paula e  Marcio Adriano Anselmo dizem – e assinam embaixo –  que o advogados Augusto Botelho, da Odebrecht, Marden Maués, de Nelma Penasso e outro delegado federal, Paulo Roberto Herrera teriam pago, através do primeiro, ao Estado de S. Paulo pela publicação da reportagem de Julia Duailibi em que se mostra a troca de mensagens hostil a Lula e a Dilma Rousseff e que o mentor do suborno seria o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, já falecido.

A história completa está no blog do Auler, mas reproduzo, pela gravidade de acusação, um dos documentos exibidos por ele, o assinado pelo delegado Igor Romário de Paula.

É inacreditável que o Estadão saiba desta acusação e muito menos que a aceite, silencioso.

O jornal, que é destino privilegiado de tantos vazamentos da Polícia Federal está sendo acusado de ser subornável e não pode aceitar isso silente, sob pena de desmoralizar seus profissionais e desmoralizar-se perante seus leitores, que podem supor, então, que o jornal aceita pagamento pela publicação de matéria jornalística.

Se, agora que as acusações são conhecidas e documentadas, continuar mudo, estará aceitando o que dizem.


Fernando Brito
No Tijolaço
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