15 de nov de 2016

MPF alia-se a Osmar Terra para carnavalizar a Bolsa Família


Ao tratar indícios de inconsistências do banco de dados do Bolsa Família como fraude, o Ministério Público Federal aliou-se ao suposto Ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, e ao Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para um objetivo comum: desqualificar o Bolsa Família para facilitar, em um ponto qualquer do futuro, uma redução drástica nos objetivos.

Há duas explicações para o fato de apresentarem como irregularidades meras inconsistências encontradas no BD: despreparo ou má fé.

No caso de Osmar Terra seguramente má fé e uso eleitoral das estatísticas. No caso do MPF, um misto de ambos visando engordar as estatísticas. O resultado final é o mesmo: tentativa de desqualificação do BF.

A maior prova da intenção do MPF são as semelhanças entre o pente fino do BF e da Receita Federal. Em ambos os casos, os dados são auto declaratórios — o beneficiário ou contribuinte informam. O batimento de bancos de dados permite identificar inconsistências nas declarações. Há uma enorme distância entre inconsistência e fraude.

No entanto, o bravo MPF que, pela Constituição deveria ser o arauto da cidadania, coloca como suspeitos 1,4 milhão de beneficiários, em um total de R$ 2,5 bilhões de benefícios.

Qual a razão do MPF colocar seu telescópio em cima do BF e não da malha fina da Receita? Ou então, da folha de salários do setor público e do Judiciário, para identificar quem ganha acima do teto constitucional?

A diferença de cor entre moreno e brancos. No segundo caso, a falsa criminalização recairia sobre médicos, procuradores, classe média em geral.

Vamos entender melhor a natureza do abuso do MPF.

O BI do MPF

Em 2015 o Procurador Geral da República Rodrigo Janot aprovou o Projeto Business Intelligence Bolsa Família, proposto pelas Câmaras Criminal e de Combate à Corrupção, com a Secretaria de Pesquisa e Análise e a Secretaria de Tecnologia de Informação e Comunicação.

O sistema atua batendo dois bancos de dados, o do BF e o de outro banco de dados público. A partir daí, são revelados indícios de inconsistências. É em tudo igual à malha fina da Receita Federal.

Ocorre que desde 2005 o MDS tem um processo de averiguação, batimento de cadastros de grandes bancos de dados, como o Número de Inscrição Social (NIS), o Serviço Nacional de Teleatendimento (Senarc), o Registro Geral (RG), o CPF (Cadastro de Pessoa Física), o Sistema de Controle de Óbito (Sisobi). A cada dois anos, há o batimento com o cadastro do TSE. Anualmente, com o do SISOB. Esses batimentos vêm sendo feitos anualmente desde 2007.

Se esta não fosse a República do Desperdício, em vez de investimentos milionários no seu BI, bastaria o Procurador Geral da República orientar seus soldados a trocar o BI por um acordo com o MDS, para auditar seu banco de dados. Mas cada poder no país é uma ilha de desperdício, que quer uma estatística para chamar de sua.

O batimento de BDs é a parte mais simples da operação. A parte pesada é o momento seguinte: a convocação de milhares de famílias para ouvir suas explicações. E há inúmeras explicações. Há a enorme rotatividade de trabalho nessa faixa de renda, conforme constatação do próprio Banco Mundial mostrando que a flutuação é maior em população pobre. Em outros casos, o beneficiário — cuja renda com o benefício superava o teto — era arrimo de família grande. Dividida pelos membros da família, a renda enquadrava-se. Há casos de homônimo, de números de inscrição incorretos. E as fraudes propriamente ditas.

Em 2014, quando o MPF divulgou pela primeira vez (também com estardalhaço) as supostas irregularidades, cerca de 95% já tinham sido não apenas identificadas como esclarecidas pelo MDS. Mas se em vez de 1,4 milhão de suspeitos, as irregularidades englobassem apenas 70 mil pessoas, qual a graça?

Este ano, como todo ano, o MDS voltou a fazer o filtro. "A grande diferença em relação ao nosso tempo’’, diz Mirian Belchior, ex-Ministra do MDS, "é que não chamávamos o pobre de fraudador. Convocávamos milhares de famílias para investigar se inconsistências tinham alguma base de fundo ou apenas de erro, homônimos, números errados. As famílias que diziam ter melhorado de renda eram efetivamente desligadas”.

Todas essas explicações estavam na Nota Técnica, ao alcance desse inacreditável Osmar Terra. Fosse ao menos um Ministro de boa fé, teria convocado os especialistas do MDS — um quadro reputado internacionalmente — e todas as informações lhe teriam sido prestadas.

Em vez disso, preferiu aliar-se ao MPF para a demonização do Bolsa Família. Afinal, o salário mensal de um procurador da República equivale, no mínimo, a 12 anos de benefícios do BF. E, com a crise fiscal, esses pobres famélicos poderão obrigar as boas famílias a reduzir o estoque de vinho.

Luís Nassif
No GGN
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Fofocas, gargalhadas, romance e diversão de montão: as estrelas da mídia encontram seu Presidente


Seis jornalistas entrevistaram o Presidente Michel Temer ontem à noite no programa Roda Viva da TV Cultura. Cinco deles eram estrelas da mídia dominante que incitaram incansavelmente o impeachment da Ex-presidente Dilma Rousseff e, portanto, foram responsáveis pela ascensão de Temer ao poder: O Globo, Folha, Estadão (um representante do jornal e outro do conglomerado do qual o jornal faz parte) e Veja (cujo representante é também âncora do Roda Viva). O sexto jornalista faz parte da própria TV Cultura, rede de televisão pública que já foi vítima de pressões de políticos de importância como José Serra, o chanceler do governo Temer, e cuja verba de publicidade foi reduzida pelo governo.

A lista de jornalistas escalados para a entrevista foi bizarra, mas previsível. Quando um presidente empossado é entrevistado somente por veículos que defenderam o processo de impeachment que o levou ao poder, é inevitável que a conversa decorrente mais se assemelhe a um churrasco animado entre amigos do que a uma entrevista contenciosa (um deles, Ricardo Noblat, d’O Globo, já havia submetido tanto o Presidente quanto sua esposa a esta implacável apuração jornalística):

Outra jornalista presente, Eliane Cantanhêde, do Estadão, certa vez saiu em defesa de Temer sugerindo que seus críticos estariam traindo o país: “Mas o esforço para derrubar Temer, neste momento, é trabalhar contra o Brasil”.

Além disso, qual o propósito de uma rede de televisão pública como a TV Cultura — supostamente uma alternativa à mídia dominante com fins lucrativos — se acaba por oferecer uma plataforma para esses mesmos veículos de comunicação corporativos em momentos jornalísticos de tamanha importância?

A entrevista foi iniciada com um tom relativamente sério, porém, extremamente amigável. No primeiro bloco, foram feitas diversas perguntas relevantes, como: por que o grande aliado de Temer, Romero Jucá, comprometido pelas gravações de Sérgio Machado, se tornará líder do governo no Senado e se são verdadeiras as alegações de que Temer recebeu R$ 10 milhões da Odebrecht em doações de campanha ilegais. Ainda assim, não foram realizadas perguntas complementares após as respostas do presidente, nenhum pedido de esclarecimento foi feito sobre as perguntas que foram descaradamente evadidas e muito pouco esforço foi colocado na elucidação das diversas contradições e alegações infundadas de Temer. Essa foi a parte boa da entrevista.


A partir daí, o encontro decaiu para um nível tão fútil e constrangedor que foi preciso assistir à entrevista diversas vezes para crer no que os olhos viam. Com o passar dos minutos, ficava cada vez mais claro que o político e os jornalistas, que evidentemente o adoram, se inclinavam a um terno abraço coletivo. Quando a entrevista chegou ao terceiro bloco, já estavam todos gargalhando e rindo com considerável pujança das piadas insossas do presidente, como fazem empregados de baixo escalão na primeira semana de emprego para agradar o patrão. Assistindo à entrevista, era possível se sentir como uma mosca na parede de um coquetel de gala da família real, onde os convidados de honra — não completamente bêbados, mas relaxando à medida que incrementavam o nível etílico com taças e mais taças do mais requintado Chardonnay — exploravam os limites da decência no comportamento social.

No quarto e último bloco, as estrelas da mídia pareciam tão cansadas de manter a máscara jornalística, que optaram por deixá-la cair, libertando-se completamente. Ao fim do caloroso bate-papo, o grupo fofocava com o presidente sobre seu palácio preferido, seu estilo antiquado de oratória que lhe confere um charme invejável, o primeiro encontro com a esposa Marcela e como se apaixonou por aquela que viria a ser mãe de seu filho, e seus ousados planos para o mundo literário.


Se um desavisado começasse a assistir à entrevista sem saber quem é Temer, poderia facilmente achar que o entrevistado era um vovô simpático, famoso por suas melodias delicadas de Bossa Nova, em vez do líder político profundamente impopular que chegou à presidência através do controverso impedimento de uma presidente eleita democraticamente, que milhões de brasileiros consideram um golpe, e diversas instituições e líderes de todo o mundo considerem um ataque à democracia.



Como resultado da conversa fiada, inúmeras questões cruciais foram ignoradas. Os jornalistas perguntaram diversas vezes a Temer se ele pretendia concorrer à eleição em 2018, mas ignoraram — como a mídia dominante sempre faz — o fato inconveniente de que o TRE o declarou “ficha suja”. Embora tenham mencionado Serra quando falaram dos problemas da Venezuela, não demonstraram interesse no depoimento de Odebrecht, em que o Ministro das Relações Exteriores de Temer é acusado de receber R$ 23 milhões em um banco suíço, uma vez que o assunto não foi mencionado. A confissão recente de Temer a banqueiros internacionais em Nova York, de que o impeachment foi motivado por Dilma se recusar a aceitar as reformas econômicas propostas pelo PMDB, também foi completamente ignorada (acompanhando o completo descaso da mídia perante essa importante revelação).

O fato de que a maioria do país rejeita Temer e deseja seu impeachment foi algo que também escapou ao julgamento dos jornalistas. Embora o atual colapso financeiro do Rio de Janeiro tenha sido mencionado, isso serviu apenas para perguntar a Temer qual é seu plano para salvar os cariocas, ignorando o fato de que foi seu partido que governou tanto o estado quanto a cidade nos últimos anos. Os jornalistas tampouco encontraram tempo para perguntar ao presidente sobre o consenso entre economistas ocidentais que acreditam que o caminho mais perigoso que pode ser tomado por um país enfrentando crescimento econômico baixo ou negativo é a austeridade: exatamente o que está sendo imposto por Temer.

Mesmo que a entrevista tenha sido trágica, o que se seguiu conseguiu superá-la nesse quesito. Em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, todos os jornalistas elogiaram e parabenizaram uns aos outros pelo excelente trabalho, como se comemorassem a vitória de seu time do coração. No meio da celebração da conquista do campeonato, o próprio Temer, sorrindo como pinto no lixo, olhando direto para a câmera, ofereceu ao público da rede social uma das poucas declarações honestas do encontro: “Eu cumprimento vocês por mais essa propaganda.” Arrancando, mais uma vez, gargalhadas subservientes de seus subalternos jornalistas.

No começo do ano, a respeitada organização Repórteres Sem Fronteiras rebaixou o Brasil para a 104ª posição em seu ranking de liberdade de imprensa – atrás de países como Chile, Argentina, El Salvador, Nicarágua, Peru e Panamá — em parte, porque a mídia dominante é controlada por um número ínfimo de famílias extremamente ricas, além de serem usados para fins de propaganda e ativismo político, em vez de jornalismo. Fora a reconstituição dramática com ares de novela das oito das gravações de Lula e Dilma, a palhaçada vergonhosa que foi transmitida ontem à noite foi a caracterização mais fiel, e lamentável, dessa triste dinâmica até o momento.


Glenn Greenwald
No Intercept
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Ocupação IFSC - São José Estudantes resistem à reforma do ensino


Estudantes do Instituto Federal em São José, recebem em ocupação, a reportagem do Portal Desacato, durante resistência à MP 746/16 , a PEC 55/16 e a PLS163/16.

Entrevistas de Márcio Papa.

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Temer joga na divisão do sindicalismo

Reportagem publicada no Estadão desta segunda-feira (14) evidencia que o Judas Michel Temer está preocupado com a crescente resistência do sindicalismo brasileiro. O “dia nacional de paralisação”, na última sexta-feira (11), superou as expectativas, como greves e atos em vários Estados, e serviu de esquenta para uma futura greve geral. A mídia chapa-branca simplesmente omitiu os protestos, em mais um momento vergonhoso do jornalismo. Mas o covil golpista sabe que o caldo está entornado. Até setores sindicais que apoiaram o “golpe dos corruptos”, como a central liderada pelo mercenário Paulinho da Força, têm criticado as reformas trabalhista e previdenciária e a PEC da Morte.

Diante deste risco, o usurpador decidiu investir na cooptação e na divisão do sindicalismo. Segundo a reportagem, assinada pelos jornalistas Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho, “o presidente Michel Temer mobiliza a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) para tentar rachar o movimento sindical, reduzir a oposição às reformas da Previdência e trabalhista e esvaziar ações contra o governo planejadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central brasileira e ligada ao PT. Até o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deverá conversar com sindicalistas aliados para barrar eventual impacto negativo das propostas entre os trabalhadores”.

“O governo espera que as duas centrais, que juntas superam a CUT em número de sindicatos filiados, ajudem ao menos a ‘embalar’ o discurso sobre a necessidade das reformas. Em troca, o Planalto deverá ceder às reivindicações dos aliados e ampliar os seus espaços na gestão... Enquanto recebe o apoio dessas duas centrais na base, Temer é pressionado a aumentar o espaço na administração federal dos partidos ligados à Força e à UGT. Líder da Força Sindical, Paulinho quer que a Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, atrelada à Casa Civil, volte a ter status de ministério”, acrescenta a reveladora matéria do Estadão.

Em outras palavras, o covil golpista vai liberar grana e cargos para corromper os oportunistas — num retorno à velha prática do peleguismo. A questão é saber se essas manobras serão suficientes quando as bases dos trabalhadores passarem a repudiar as políticas regressivas e destrutivas do governo e os traidores das cúpulas sindicais. A aposta na divisão do sindicalismo pode dar chabu!

Altamiro Borges
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A Shell anuncia que não colocará dinheiro no país e o governo festeja!

E o palhaço ainda ri...
Este governo ou é muito burro ou é muito sem-vergonha! O anúncio da Shell que colocará no Brasil nos próximos 5 anos US$10,00 bilhões é um indício que a Shell simplesmente manterá seus interesses no Brasil e não colocará dinheiro novo no Pré-sal.

Ué, o pessoal está estranhando, deram a notícia e depois dela fala que isto não é dinheiro novo?

Claro, este volume de dinheiro em 5 anos que dá uma média de 2 bilhões de dólares por ano, para quem entende um pouco e sabe os custos de exploração em água profunda, mostra que a Shell só procurará manter a operação que já tem em conjunto com a Petrobrás e talvez algo em termos de pesquisa.

Se a Shell ou qualquer outra grande operadora de petróleo no mundo quisesse participar do pré-sal como líder ou mesmo em associação com a Petrobrás em outros campos os dez bilhões deveriam ser no mínimo o dobro e anuais. Sim, para investir num campo novo qualquer operadora precisaria no mínimo vinte ou mais bilhões por ano para entrar no mercado.

Dois bilhões de dólares comparados com os valores que a Petrobras pretendia em 2014 é menos do que 5% a.a..

Agora como a nossa imprensa é povoada de imbecis que nem noção de ordem de grandeza de investimentos, ficam colocando este valor como se fosse algo surpreendente, quando a leitura deveria ser:

A Shell não está acreditando no mercado de petróleo no Brasil, por isto só está mantendo a posição!

O Temer aparece nas fotos sobre o anúncio da Shell rindo, é um verdadeiro palhaço e imbecil.

Rogério Maestri
No GGN
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O padrão jornalismo da invisibilidade

Meios de comunicação adotam estratégia da ocultação e criminalização na cobertura das manifestações do Dia Nacional de Greve, na última sexta-feira


Não é a primeira vez, nem será a última, mas não deixa de ser simbólica a (não) cobertura da mídia brasileira sobre os protestos e paralisações de diversas categorias profissionais ocorridos em mais de 21 estados e no Distrito Federal, na última sexta-feira (11), no Dia Nacional de Greve. Os atos, organizados por movimentos sociais e pelas principais centrais sindicais do país, contou com a participação de dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, além de estudantes, que interromperam suas atividades em setores como transporte público, limpeza urbana, bancos, escolas e indústria, e foram às ruas das maiores cidades brasileiras para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 55, em tramitação no Senado. Se aprovada, essa PEC vai impor um congelamento nos gastos públicos, como saúde, educação, cultura e saneamento básico pelos próximos 20 anos, uma tragédia em termos de direitos sociais sem precedentes na história do Brasil.

Uma mudança constitucional tão drástica, num país que tivesse um sistema de comunicação plural e diverso, deveria gerar, para dizer o mínimo, um intenso debate na sociedade, com participação maciça da própria mídia na visibilidade e no esclarecimento das reais implicações da medida. Não é o que ocorre no Brasil.

A irrealidade da mídia  


Em um de seus ensaios mais célebres, o jornalista e sociólogo Perseu Abramo descreveu com acuidade as múltiplas formas de manipulação da informação por parte da imprensa. Ao distinguir os quatro padrões básicos de distorção da realidade praticados pela mídia, Abramo chama a atenção para o padrão de ocultação, um dos mais recorrentes. Em suas próprias palavras, “é o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre os fatos da realidade”.

Um outro padrão concebido por Perseu Abramo, o da fragmentação, tem a ver com a forma como a mídia, ao noticiar um fato, decompõe a totalidade desse fato, operando um processo de seleção de alguns aspectos, em detrimento de outros. É o que ocorre, por exemplo, quando a ênfase das matérias trata apenas das consequências dos bloqueios no trânsito e fechamento de rodovias, como que opondo os objetivos dos manifestantes ao do conjunto da população. Ao mesmo tempo que ressalta esse aspecto, silencia sobre as motivações das paralisações e se recusa até mesmo a dar voz aos envolvidos nas mobilizações para dialogue com a sociedade. Trata-se de uma inversão rasteira dos fatos e da própria realidade, mas que é absolutamente corriqueira na cobertura da mídia. Basicamente, esses dois padrões de manipulação, facilmente verificáveis, deram a tônica do noticiário na (não) repercussão das manifestações e paralisações no Dia Nacional de Greve. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) acompanhou com atenção a cobertura das principais redes de televisão, jornais e portais de notícias ao longo da sexta-feira e no dia seguinte. O resultado? Um tapa na cara da democracia e um descompromisso brutal com o direito à comunicação e informação da população brasileira.

Televisão: a gente não se vê por aqui

As principais emissoras de televisão aberta parecem ter disputado entre si o título de quem mais ignorou as expre

ssivas mobilizações do Dia Nacional de Greve. O Jornal Nacional, da Globo, noticiário de maior audiência na tevê brasileira, decidiu simplesmente não exibir um segundo sequer dos atos que paralisaram algumas das maiores cidades do país, apostando forte na estratégia da ocultação. Na opinião de Perseu Abramo, em seu ensaio sobre manipulação da grande imprensa, a mídia é mais perversa por aquilo que ela não veicula do que por aquilo que leva ao ar. É como se ela definisse os fatos sociais que merecem ser considerados fatos jornalísticos ou não. “Todos os fatos, toda realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe de suas características reais intrínsecas, mas depende, sim, das características do órgão de imprensa, de sua visão de mundo, de sua linha editorial”.


A Globo News, canal de notícias das Organizações Globo na televisão por assinatura, que, durante as manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff dedicava praticamente a totalidade de sua programação aos protestos, dessa vez apenas cumpriu um lamentável protocolo de cobrir com distanciamento e até desprezo os atos do Dia Nacional de Greve. Exibindo notas curtas e panorâmicas ao longo de sua programação, sem sequer ouvir os porta-vozes dos atos, a emissora deu ênfase justamente às interrupções no trânsito e paralisação dos transportes públicos em cidades como São Paulo e Brasília. No programa Estúdio I, que se define pela característica de noticiário com análise, e vai ao ar de segunda à sexta, às 14h, a cobertura dos protestos seguiu a lógica de relatar superficialmente os acontecimentos. No momento de analisar a notícia, os participantes do programa praticamente ignoraram as causas do protesto e logo mudaram de assunto. Para se ter uma ideia, o programa dedicou mais tempo à matéria sobre o site de dicas econômicas de moda da filha do Donald Trump do que à repercussão da greve nacional, incluindo aí os comentários de estúdio.

No Jornal da Record, uma nota de 37 segundos, lida pelo apresentador, apenas mencionou protestos de estudantes e servidores do Rio de Janeiro contra atrasos nos salários por parte do governo estadual, com ênfase na repressão da Polícia Militar. O Jornal da Band, levado ao ar na noite da sexta-feira (11), como que reconhecendo a dificuldade em ignorar as manifestações, optou por um caminho misto, entre a ocultação e a distorção com doses generosas de criminalização da manifestação política e do próprio direito de greve. Na matéria de um minuto e 10 segundos, o telejornal enfocou imagens das manifestações pela ótica da paralisação do transporte público e bloqueio de ruas e rodovias, ressaltando a ideia de que os protestos “atrapalharam muita gente”. Os dois únicos entrevistados foram pessoas que criticaram as interrupções no trânsito, e não houve qualquer menção mais clara sobre os motivos do protesto.


Já o SBT Brasil, dentre os principais telejornais, foi o que exibiu a matéria mais equilibrada. Com 4min27 de duração, a reportagem seguiu a ênfase de relatar criticamente os bloqueios e paralisações de rodovias na primeira parte da matéria, mas foi a única a dar voz para lideranças dos movimentos (Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares e Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT Brasília). Destacou passeatas e protestos de estudantes e professores no Rio Grande Sul, que resultaram em forte repressão da Brigada Militar. Bom lembrar que diversas categorias de servidores estaduais do RS sofrem com salários atrasados há meses. A própria Brigada Militar, que reprimiu os protestos, corre o risco de nem sequer receber o 13º salário em decorrência da política de austeridade do governo Ivo Sartori (PMDB-RS), que tem penalizado principalmente os serviços públicos no estado.

Ocultação nos jornais

Os três maiores jornais impressos do país, em suas edições publicadas no sábado (12), decidiram deliberadamente ignorar os atos ocorridos no dia anterior. Até mesmo a Folha de S. Paulo, que se vende como veículo aberto ao debate e que busca exibir diversos pontos de vista políticos diferentes, não dedicou uma linha sequer ao assunto. No jornal O Globo, da família Marinho, idem. O Estadão, tido como o mais conservador entre os três, publicou uma nota pequena, na página interna B3, de economia, com cerca de 10 linhas, praticamente um registro dos protestos, e não uma cobertura. Nos portais de notícias UOL e G1, foram publicadas matérias sobre os protestos, repetindo a fórmula panorâmica de descrição dos atos a partir do ângulo das interrupções no transporte e paralisação das rodovias. Nenhuma dessas matérias ganhou destaque na página principal desses portais. Para encontra-las, os interessados teriam que buscar principalmente na página de últimas notícias ou no buscador do próprio site, o que diminui muito o potencial de audiência dessas notícias.

Censura privada na TV pública

Se o comportamento dos veículos privados de comunicação não chega a surpreender, foi lamentável constatar que as mesmas fórmulas de ocultação e cobertura superficial se aplicaram também à matéria exibida pela TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no seu principal telejornal, o Repórter Brasil, na noite de sexta-feira. Em menos de dois minutos, a “reportagem” exibiu trechos dos protestos e paralisações em diversos estados. Novamente, destaque para os bloqueios de rodovias e paralisações no transporte público e nas escolas. Nenhum porta-voz dos trabalhadores foi ouvido para contextualizar o significado daqueles atos. Oferecer mecanismos para debate público acerca de temas de relevância nacional, como preconiza a lei de criação da EBC, mandou lembranças dessa vez. Esse episódio não parece estar desconectado da grave intervenção promovida por Michel Temer sobre a EBC, que praticamente eliminou as garantias de autonomia e independência de sua programação frente ao governo, ao extinguir principalmente o Conselho Curador e os mandatos do diretor-presidente e do diretor-geral.

O contraponto     

Coube aos meios de comunicação alternativos oferecer uma cobertura decente e proporcional ao tamanho das paralisações e mobilizações da última sexta-feira. Apenas para ficar em um dos exemplos mais expressivos, a Mídia Ninja utilizou seus canais nas redes sociais para distribuir, ao longo de toda a sexta-feira, um rico conteúdo das manifestações, que incluía, principalmente, vídeos e fotos, com registro de paralisações em mais de 20 cidades, incluindo diferentes categorias: metroviários, rodoviários, professores, estudantes, trabalhadores da limpeza urbana, e muito mais. Vale destacar que, ao contrário da cobertura televisiva, onde as filmagens se deram com distanciamento, partir do topo de edifícios ou do alto dos helicópteros, a cobertura da Mídia Ninja se dá diretamente das manifestações, abrindo espaço para falas dos trabalhadores e capturando uma dimensão mais orgânica do significado desses atos. O portal Brasil de Fato também publicou dezenas de matérias e postagens destacando a abrangência das paralisações em todo o país.

Esse contraponto só reforça uma conclusão inevitável: a grande imprensa só não cobriu o Dia Nacional de Greve porque não quis. Ou melhor, porque tratou-se de uma deliberada decisão editorial de ignorá-lo e, com isso, alienar ainda mais o conjunto da sociedade sobre o debate do presente e do futuro do país. Não há democracia sem mídia democrática. E, sem democracia, não se constrói um país justo. Re-existir sempre, calar jamais!

Pedro Rafael é jornalista, mestre em comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e secretário-executivo do FNDC. 
Colaboraram Bia Barbosa e Renata Mielli.  
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Ao admitir que “Roda Viva” faz “propaganda” dele, Temer deu mais um motivo para não assistir




Michel Temer prestou um favor aos brasileiros que estavam em dúvida se deveriam assistir ao Roda Viva com ele.

Ele cometeu um ato falho diante do jornalista Willian Corrêa, que entrou ao vivo no Facebook, inexplicavelmente animadíssimo, após a gravação da entrevista.

— Presidente, eu sei que deveria pedir permissão para sua assessoria, mas é pra registrar que o senhor é gente como a gente. O que o senhor achou? Nós fomos muito virolentos (sic) ou não?

— A virolência (sic) nessas coisas é importante. Eu pude em uma hora e meia dizer o que o governo está fazendo. Cumprimento vocês por mais esta propaganda.

Corrêa seguiu adiante, numa boa.

O âncora do Jornal da Cultura passeava pelo Palácio do Planalto, serelepe. Cometeu um dos vídeos de bastidores mais constrangeramente reveladores das última décadas.

Parou em Eliane Cantanhêde, num determinado momento.

— Ele foi muito bem. Muito equilibrado e muito afirmativo. Não recusou nenhuma pergunta. Ele está escrevendo um romance. E olha, cá pra nós, aqui baixinho, que ninguém nos ouça: de romance o presidente entende, hem?

Eliane fica devendo uma explicação sobre a pegadinha Didi Mocó. Ele podia ter recusado alguma questão? O romance é com Marcela? Ela quer dizer que Temer é romântico? É com você, Lombardi.

O DCM entrevistou Dilma Rousseff três vezes, uma delas exclusiva, e Lula uma vez. Em nenhuma dessas ocasiões houve qualquer sugestão de assuntos que deveriam ser evitados ou algo do gênero.

Se houvesse, não teríamos participado.

Lula e Dilma falaram do que estava na ordem do dia — dos escândalos de corrupção do PT à escolha de Temer para vice, por exemplo. Fomos acusados de ser chapa branca por grande parte da mídia chapa branca, que enxerga tudo como ela.

O Michel pós golpe é um desastre, mas pelo menos foi honesto ao alertar as pessoas sobre a natureza desse tipo de programa. É propaganda, mané.

De quebra, deu mais uma razão para ver “Homeland” na Netflix.

Kiko Nogueira
No DCM
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Temer escapa da roda viva: uma propaganda em troca da morte do jornalismo


Muito interessante o “Brasil do Temer” que foi apresentado no Roda Viva, na TV Cultura, desta segunda-feira (14). Lembrando que são seis meses e um dia a frente do executivo — o ministério foi nomeado dia 13 de maio de 2016, há 6 meses.

Há seis meses, o dólar estava 3,52, hoje está 3,40.

Há seis meses, o desemprego estava batendo 11%, hoje está em 12%. A bolsa pouco mudou também.

São seis meses e nenhum indicador mudou de forma considerável. A única coisa que de fato mudou é que não se lê mais a palavra “crise” nas capas da mídia tradicional. A famosa crise deixou de aparecer, ficou tímida e não faz mais atuação, nem mesmo uma pontinha.

A grande mídia e os jornalões resolveram ouvir o conselho de Temer: não fale em crise, trabalhe.

No Roda Viva desta segunda, por exemplo, não foi citada a palavra “crise” nenhuma vez.

No primeiro bloco, Michel Temer respondeu à jornalista Catanhêde dizendo que ele se preocupa, sim, com a saúde e com a educação. Que votou em tempo recorde diversos projetos de lei, como há muito não se votava.

No segundo, teve orgulho de dizer que não se fala mais em CPMF. Que agora, em seu governo, está gastando só o que arrecada e que não é preciso criar mais nenhum tributo.

Ainda no segundo bloco, disse que “admite, mas lamenta” as ocupações nas escolas. E que no seu tempo não era assim. Aproveitou para dizer que fazer a reforma do ensino médio via MP foi uma boa ideia, pois “incendiou o país” e “acendeu o debate“. Belo motivo para editar uma MP de um assunto tão importante!

O programa permaneceu assim durante os próximos blocos, mas nada, absolutamente nada, superou a última pergunta de Noblat, no último bloco, nos últimos minutos de programa:

“Temer, como você conheceu a Marcela?”

Um jornalista que, em tese, se diz sério, em momento delicado de nossa democracia, pergunta como o presidente conheceu a sua atual esposa.

Poderia ser feita pelo Leão Lobo ou pela Ana Maria Braga, mas foi feita por Ricardo Noblat.

O cenário reflete o serviço que o programa da TV Cultura parece ter cumprido ao presidente: marketing. Isso porque poucos momentos após a entrevista, Temer agradeceu ao jornalista Wilian Corrêa, também diretor de jornalismo do canal, pelo espaço de “propaganda” cedido.


Nos bastidores, Michel Temer agradece a Willian Corrêa pela “propaganda” cedida

Pronto, entendemos tudo. O circo estava armado e cercado de aliados que de longe ousariam colocar o entrevistado em uma roda viva. A morte do jornalismo ao vivo e a cores.

Então, por mais palavras que existam, nada vai resumir melhor a entrevista de Temer no Roda Viva do que a pergunta de Noblat: como você conheceu a Marcela?

Temos que ter fé, mas infelizmente está cada vez mais difícil.

Igor Silva, sociólogo e cientista político
No Jornalistas Livres
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De Darcy Ribeiro para o promotor dos “degredados”


Quem quiser achar que foi uma força cósmica, que ache. Eu prefiro achar que é o subconsciente que lembrou, lembrou e  achou um furo na racionalidade para brotar a ligação entre o (perdão pela palavra) pensamento do promotor Deltan Dallagnol, aquele que disse que  a origem da corrupção no Brasil está nos primeiros colonos portugueses, aqueles “degredados, criminosos” , enquanto ” quem foi para os Estados Unidos foram pessoas religiosas, cristãs, que buscavam realizar seus sonhos” e a primeira parte de uma palestra de Darcy Ribeiro que virou parte e título de um de seus livros, Sobre o Óbvio:

Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas trabalham é com o óbvio. O negócio deles – nosso negócio – é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e disfarçada que se precisa desta categoria de gente – os cientistas – para ir tirando os véus, desvendando, a fim de revelar a obviedade do óbvio. O ruim deste procedimento é que parece um jogo sem fim. De fato, só conseguimos desmascarar uma obviedade para descobrir outras, mais óbvias ainda.

Para começar, antes de entrar na obviedade educacional – que é nosso tema – vejamos algumas outras obviedades. É óbvio, por exemplo, que todo santo dia o sol nasce, se levanta, dá sua volta pelo céu, e se põe. Sabemos hoje muito bem que isto não é verdade. Mas foi preciso muita astúcia e gana para mostrar que a aurora e o crepúsculo são tretas de Deus. Não é assim? Gerações de sábios passaram por sacrifícios, recordados por todos, porque disseram que Deus estava nos enganando com aquele espetáculo diário. Demonstrar que a coisa não era como parecia, além de muito difícil, foi penoso, todos sabemos.

Outra obviedade, tão óbvia quanto esta ou mais óbvia ainda, é que os pobres vivem dos ricos. Está na cara? Sem os ricos o que é que seria dos pobres? Quem é que poderia fazer uma caridade? Me dá um empreguinho aí! Seria impossível arranjar qualquer ajuda. Me dá um dinheirinho aí! Sem rico o mundo estaria incompleto, os pobres estariam perdidos. Mas vieram uns Barbados dizendo que não, e atrapalharam tudo. Tiraram aquela obviedade e puseram outra oposta no lugar. Aliás, uma obviedade subversiva.

Uma terceira obviedade que vocês conhecem bem, por ser patente, é que os negros são inferiores aos brancos. Basta olhar! Eles fazem um esforço danado para ganhar a vida, mas não ascendem como a gente. Sua situação é de uma inferioridade social e cultural tão visível, tão evidente, que é óbvia. Pois não é assim, dizem os cientistas. Não é assim, não. É diferente!

Os negros foram inferiorizados. Foram e continuam sendo postos nessa posição de inferioridade por tais e quais razões históricas. Razões que nada têm a ver com suas capacidades e aptidões inatas mas, sim, tendo que ver com certos interesses muito concretos.

A quarta obviedade, mais difícil de admitir – e eu falei das anteriores para vocês se acostumarem com a idéia – a quarta obviedade, é a obviedade doída de que nós, brasileiros, somos um povo de segunda classe, um povo inferior, chinfrim, vagabundo. Mas tá na cara! Basta olhar! Somos 100 anos mais velhos que os estadunidenses, e estamos com meio século de atraso com relação a eles. A verdade, todos sabemos, é que a colonização da América no Norte começou 100 anos depois da nossa, mas eles hoje estão muito adiante. Nós, atrás, trotando na história, trotando na vida. Um negócio horrível, não é? Durante anos, essa obviedade que foi e continua sendo óbvia para muita gente nos amargurou. Mas não conseguíamos fugir dela, ainda não.

A própria ciência, por longo tempo, parecia existir somente para sustentar essa obviedade. A antropologia, minha ciência, por exemplo, por demasiado tempo não foi mais do que uma doutrina racista, sobre a superioridade do homem branco, europeu e cristão, a destinação civilizatória que pesava sobre seus ombros como um encargo histórico e sagrado. Nem foi menos do que um continuado esforço de erudição para comprovar e demonstrar que a mistura racial, a mestiçagem, conduzida a um produto híbrido inferior, produzindo uma espécie de gente-mula, atrasada e incapaz de promover o progresso. Os antropólogos, coitados, por mais de um século estiveram muito preocupados com isso, e nós, brasileiros, comemos e bebemos essas tolices deles durante décadas, como a melhor ciência do mundo.

O próprio Euclides da Cunha não podia dormir porque dizia que o Brasil ou progredia ou desaparecia, mas perguntava: como progredir, com este povo de segunda classe? Dom Pedro II, imperador dos mulatos brasileiros, sofria demais nas conversas com seu amigo e afilhado Gobineau, embaixador da França no Brasil, teórico europeu competentíssimo da inferioridade dos pretos e mestiços.

O mais grave, porém, é que além de ser um povo mestiço – e, portanto, inferior e inapto para o progresso – nós somos também um povo tropical. E tropical não dá! Civilização nos trópicos, não dá! Tropical é demais. Mas isto não é tudo. Além de mestiços e tropical, outra razão de nossa inferioridade evidente – demonstrada pelo desempenho histórico medíocre dos brasileiros – além dessas razões, havia a de sermos católicos, de um catolicismo barroco, não é? Um negócio atrasado, extravagante, de rezar em latim e confessar em português.

Pois além disso tudo a nos puxar para trás, havia outras forças, ainda piores, entre elas, a nossa ancestralidade portuguesa. Estão vendo que falta de sorte? Em lugar de avós ingleses, holandeses, gente boa, logo portugueses… Lusitanos! Está na cara que este país não podia ir para frente, que este povo não prestava mesmo, que esta nação estava mesmo condenada: mestiços, tropicais, católicos e lusitanos é dose para elefante.

Deltan Lallagnol jamais entenderia Darcy, tão cheio de convicções que acredita mesmo no óbvio que Darcy ironiza e diz que somos um povo chinfrim, tataranetos de ladrões, corruptos por natureza, ladrões por maldição.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute - final


Em visita ao Brasil para o lançamento de seu filme “Snowden”, o cineasta norte-americano Oliver Stone, ganhador de três Oscar, visitou o ex-presidente Lula, com quem almoçou e a quem entrevistou com exclusividade para o Nocaute. Participaram da entrevista o venezuelano Maximilien Arvelaiz e a intérprete Gala Dahlet.

Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 1 - assista aqui.

Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 2:

“Se quiserem me derrotar vão ter que ir pra rua disputar comigo.”



Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 3:

“Nós aprovamos uma lei em que o petróleo era do povo brasileiro. E isso deixou muita gente irritada.”



Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 4:

“A questão do Irã foi a única coisa que me deixou decepcionado com o Obama.”



Oliver Stone entrevista Lula para o Nocaute. Bloco 5:

“Hillary Clinton não gosta da América Latina.”



No Nocaute
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