14 de nov de 2016

Chico e Francisco: como Moro trata vazamentos contra Lula e Toffoli


Em um inquérito da Polícia Federal, o delegado da Polícia Federal Hille Pace acusou Lula de estar em uma suposta planilha da propina da Odebrecht. Seria o "amigo" mencionado na planilha.

Não havia nenhuma prova acompanhando a acusação. Mesmo assim, o delegado escreveu a acusação em um relatório oficial. Não houve nenhuma reação do juiz Sérgio Moro. E a defesa de Lula teve que processar o delegado em um processo de reparação de dados morais (https://goo.gl/1rCCPp).

O mesmo delegado Hill Pace incluiu o nome do Ministro Dias Tofolli, do Supremo Tribunal Federal, em outro relatório, sobre o caso Bumlai. Registrou que o nome estava no caderno de endereço e colocou todas as ressalvas devidas: o fato do nome estar lá, por si, não significava nada.

Mesmo assim, sofreu uma reprimenda pública do juiz Sérgio Moro (https://goo.gl/yBnuQO). Em um inédito — porém explicável — ataque de garantismo, Moro foi duro:

"Apesar da ressalva, o fato é que a conclusão anterior não tem base empírica e é temerária. O fato de algum investigado possuir em sua agenda números de telefones de autoridades públicas não significa que ele tem qualquer influência sobre essa autoridade. O relatório contem afirmação leviana e que, por evidente, deve ser evitada em análises policiais que devem se resumir aos fatos constatados".

Luís Nassif
No GGN
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Temer agradece a propaganda do Roda Morta

É na emissora que chama o Villa de historiador!




No CAf
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Alguém ainda acredita na IstoÉ depois de infindáveis barrigadas? Alexandre Garcia parece que sim


Alguém ainda acredita na IstoÉ depois de uma, duas, infindáveis barrigadas ao longo dos tempos?

Alexandre Garcia parece que sim.

Com base numa daquelas tantas denúncias ocas contra da IstoÉ, Garcia contou ao mundo que Lula recebera de presente uma mansão em Punta Del Este, balneário de luxo no Uruguai.

O doador teria sido o empresário Alexandre Grendene, que Garcia chama de Grandene.

Para encurtar: era mais uma balela da IstoÉ. Garcia teve que se retratar. A retratação é uma peça cínica: Garcia toca em outras supostas propriedades de Lula para, no meio, discretamente desmentir a si próprio.

Homem de bons propósitos, meu irmão Zeca pergunta numa reunião familiar: “Mas os caras não deveriam checar esse tipo de coisa antes de publicar?”

Sim, Zeca. Deveriam. Mas este mundo em que vivemos está longe de ser perfeito. “E o que acontece com quem comete um erro desses”, continua Zeca.

Nada é a resposta. Não acontece nada. Repórter nenhum jamais será punido por publicar notícias infundadas contra Lula. Importante, para as empresas jornalísticas, é manchar o nome de Lula com acusações — quaisquer que sejam elas. O compromisso com a verdade é zero.

O caso de Alexandre Garcia é particularmente grave. Ele sabe que a IstoÉ não é uma fonte confiável. Não é nenhum New York Times. Você tem certeza de que por trás de uma bomba do Times está jornalismo. A mesma certeza de que por trás de uma bomba da IstoÉ estão motivos políticos ou econômicos obscuros.

Se ele estava ciente da precariedade da fonte que utilizou para atacar Lula — ele, sempre ele — por que seguiu adiante?

Numa sentença clássica, Eça de Queiroz afirmou que certas canalhices são fruto ou de “obtusidade córnea” ou de “má fá cínica”.

Ignorância não foi. Garcia conhecia o terreno em que pisava.

Sobra a segunda hipótese: má fé cínica.

Paulo Nogueira
No DCM
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Alexandre Garcia se retrata por ter mentido sobre mansão do Lula

Após afirmar que Lula teria uma mansão em Punta Del Este, Alexandre Garcia volta atrás e se retrata. Amigo vizinho da suposta mansão teria o alertado da incoerência


O jornalista e apresentador da TV Globo, Alexandre Garcia, ao comentar uma reportagem da Revista IstoÉ associou o ex-presidente Lula a uma mansão em Punta Del Este.

Garcia afirmou que a Operação Lava Jato estaria investigando Lula por, supostamente, ter recebido indevidamente o imóvel de presente do empresário Alexandre Grendene Bertelle, um dos donos da rede de industrias de calçados Grandene. O empresário seria dono de uma várias mansões em Punta Del Este.

Lula processou a IstoÉ pela calúnia e ao perceber que também seria processado, Garcia foi ao ar dizendo que um amigo e vizinho da suposta mansão dada a Lula por Grandene, alertou o colega que nunca vira Lula ou Grandene no local e que o imóvel não pertencia ao ex-presidente.

Na retratação, Garcia atribui seu erro a um boato.

“Como surgiu essa história? Quando fazem viagens em Punta, aquelas casa maravilhosas […] os guias, querendo se mostrar dizem ‘olha, aquela é a casa do Collor, aquela ali é do Eduardo Cunha, aquela ali é do Juscelino, a outra é a do Lula, que ganhou de fulano’. É, não tem nada a ver com isso”.

Ou seja, Garcia admite que quando é para incriminar Lula basta um boato espalhado por guias turísticos. Já sobre José Serra, cuja delação de Marcelo Odebrechet fala de um depósito de R$ 23 milhões numa conta na Suiça, nenhum comentário.

É provável que Garcia e seus colegas jornalistas globais estejam esperando a história se tornar boato.

Ouça o áudio.



No Fórum
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Papa: quem gosta de dinheiro não deve fazer Política


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O Xadrez da teoria que produziu 12 milhões de desempregados


Peça 1 –  do plano Joaquim Levy à PEC 241

Em 2015, mal assumiu o segundo governo, a presidente Dilma Rousseff anunciou o plano Joaquim Levy, um enorme aperto fiscal que, segundo ela, ajudaria a tirar o país rapidamente da crise. Em março daquele ano, baseada nos estudos de Levy, Dilma sustentava que o pior da crise já havia passado. Nem havia começado.

Em 2016, Michel Temer e o seu Ministro da Fazenda — e o editorialista da Folha — prometem que, depois da PEC 241 virá o paraíso do crescimento porque, graças aos cortes fiscais, haverá a redução dos juros e a retomada do crescimento.

Sem consumo de governo (por conta da PEC 55), sem consumo das famílias (por conta do desemprego) e sem o impulso das exportações (por conta da apreciação cambial), de onde viria o crescimento? Da fé cega e da faca amolada dos cortes. Será um desastre continuado, fazendo a economia regredir uma década.

No primeiro semestre de 2017 dirão que o pacote não deu certo porque não foi duro o suficiente. Os crentes aceitarão que a culpa foi da sua falta de fé. E toca sacrificar mais empregos, produção e riqueza para seus experimentos.

Peça 2 – a teoria que legitimou os desastres

Em ambos os casos, de Dilma-Levy e Temer-Meirelles, houve a obediência cega a teorias que surgiram nos anos 80 e 90 visando demonstrar a pouca eficácia das políticas fiscais.

Nos anos 90, duas duplas de autores — Giovani-Pagano e Alesina-Perotti — sistematizaram os estudos, querendo provar que aumento dos gastos públicos não tinha nenhum efeito sobre a demanda agregada.  Portanto, a melhor alternativa seria efetuar grandes cortes — com baixo impacto no produto — e, com isso, recuperar a confiança empresarial, despertando o espírito animal do empresário. Tornou-se o cabo de guerra do neoliberalismo.

A teoria estimava os multiplicadores (o cálculo do efeito de cada unidade gasta) para subsídios, gastos sociais, compra de ativos etc., com impacto aparecendo de 3 a 10 meses depois:

·      Benefícios Sociais: 0,8416

·      Ativos Fixos: 0,414

·      Subsídios: 1,5013

·      Gasto de pessoal: 0,6055

Eram esses estudos que lhe davam confiança para afirmar, em março de 2015, que o pior da crise já havia passado. Ou, então, nos anos anteriores, para investir tão pesadamente nos subsídios. Afinal, para cada 1 de subsídios haveria um efeito de 1,5013 no produto, em um prazo de 3 a 10 meses. E com cortes fiscais, haveria impacto mínimo sobre o produto.

Seria como jogar na Loto sabendo os resultados antecipadamente.

E de nada adiantavam os alertas dos que dispõem de conhecimento empírico da realidade econômica, que conseguem prever a rota de desastre de teorias que ignoram a realidade econômica. Serão considerados meros palpiteiros até que, com o desastre consumado, algum economista consolide os erros cometidos em um paper.

Peça 3 – a identificação dos erros na teoria

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) acaba de premiar o trabalho “Política Fiscal e Ciclo Econômico: uma análise baseada em multiplicadores de gastos públicos” — de autoria de Rodrigo Octávio Orais, Fernando de Faria Siqueira e Sergio Wulf Gobetti —, de onde foram tirados os dados acima, apontando um erro crucial nos trabalhos originais de Giovani-Pagano e Alesina-Perotti .

Os autores dos trabalhos iniciais montaram uma metodologia analisando a média histórica dos indicadores. E não se deram conta de que havia variações fundamentais dependendo dos ciclos econômicos: quando a economia está em expansão, o impacto dos cortes fiscais é mínimo; mas com a economia em recessão, o impacto é significativo.

Os brasileiros refizeram, então, as séries, mas separando os resultados da média (levantada de acordo com a metodologia em vigor), e dos multiplicadores com a economia em expansão e em recessão. Abaixo, se tem o raio-x dos desastres econômicos produzidos pelo uso acrítico da teoria.

Multiplicadores
Linear
Expansão
Recessão
Benefícios Sociais
0,8416
0,1536
1,5065
Ativos Fixos
1,0414
0,1623
1,6803
Subsídios
1,5013
4,7338
0,5972
Gasto de Pessoal
0,6055
0
1,3265







Dilma havia lido apenas o trabalho anterior. O multiplicador para subsídio era de 1,5013 na média, porque de 4,7338 em períodos de expansão. Na recessão, no entanto, caía para 0,5972. Foi esse o resultado que explicou a falta de impacto dos subsídios no produto em 2013 e 2014.

Com a economia em expansão, há a garantia de demanda que leva o empresário a investir. O subsídio barateia o investimento ou o custo de produção e ele consegue ampliar sua produção. Na recessão, sem garantia de mercado, o empresário aproveitará os subsídios para melhorar sua margem e fazer caixa, não para ampliar os investimentos.

O segundo macro-erro foi no pacote Levy.

Do mesmo modo, na recessão o multiplicador para benefícios sociais é de 1,5065 — expressivo. Para compra de ativos, é mais ainda: 1,6803. Dilma imaginava que para cada unidade de gasto em benefícios sociais, o retorno seria de 0,8417, inferior, portanto, ao que foi gasto. O mesmo para investimento em ativos fixos. Baseou-se em dados errados.

Repare que, depois de afastada no cargo, nas sessões históricas do Senado, Dilma invocou várias vezes o FMI para sustentar a importância dos gastos públicos. Ou seja, só depois de apeada do poder, tomou conhecimento dos estudos confirmando o que os críticos diziam sobre o desastre do plano Levy. E Henrique Meirelles nem chegou lá ainda.

De fato, segundo os autores do estudo do STN, o FMI estimulou um debate público entre 2011 e 2012 — três a quatro anos antes do desastre do pacote Levy — sobre os rumos da política fiscal nas economias avançadas e em desenvolvimento, em cima dos motes "O que nós pensávamos que sabíamos" e "O que nós aprendemos com a crise".

O estudo do FMI, de autoria de Blanchard, Dell'Ariccia e Mauro (2010) sustenta que "a política fiscal anticíclica é um importante instrumento na conjuntura atual, dada a durabilidade esperada da recessão e o escasso espaço de ação para a política monetária".

As conclusões são diametralmente opostas aos enunciados do período Levy-Dilma e Meirelles-Temer. Concluem que se vive um período extraordinário no qual o gasto público tem efeitos multiplicadores significativos e no qual ajustes fiscais convencionais podem ter efeitos contraproducentes para o próprio objetivo de consolidação fiscal e redução do endividamento (Romer, 2012; De Long e Summers, 2012), segundo dados que constam do trabalho premiado. 

Concluem os autores:

“A  luz  desses  parâmetros,  por  exemplo,  é totalmente inapropriado o corte de investimentos  públicos  realizado  em  2015  e mantido em 2016.  Diante  disso,  constituiu se  um  consenso  no mainstream, principalmente  acadêmico,  de que o foco da política fiscal deveria se concentrar na sustentabilidade do endividamento público e em regras fiscais voltadas a limitar a discricionariedade dos governos, deixando preferencialmente para a política monetária o papel estabilizador da demanda agregada.

O pesado manto ideológico de que se revestiu a teoria econômica impediu qualquer questionamento a essas supostas verdades estabelecidas. A fé cega nesses estudos derrubou a economia sob Dilma, contribuiu para derrubar seu próprio governo, e continuará derrubando a economia sob Temer. Milhões de empregos perdidos, riqueza transformada em pó, dívida pública explodindo, receitas fiscais caindo, tudo com base na fé cega nesses estudos.

Agora, os grandes gurus da ortodoxia — como os economistas Afonso Celso Pastore e Armínio Fraga — já começam a preparar terreno, buscando explicações antecipadas para o fato da economia não se recuperar no próximo ano.

Peça 4 – os abusos do experimentalismo econômico

A economia não é nem ciência exata nem universal. Mais ainda que na medicina, exige o conhecimento teórico, mas associado à sensibilidade para analisar as condições do paciente.

No entanto, há uma ignorância ampla e generalizada do mainstream econômico em relação ao mundo real. Como se o conhecimento da economia real fosse uma extravagância, acientífica, uma forma menor de conhecimento.

Nesse mesmo período, o pacote Levy promoveu um superchoque tarifário e cambial, simultaneamente a problemas internos de seca impactando os alimentos.  Imediatamente explodiu a inflação. Ao choque inicial sucedem-se ondas inflacionárias em diversos setores. A lógica dizia que bastaria os meses do choque saírem da contagem da inflação anual, para os preços irem se acomodando e a inflação refluir.

No entanto, a visão do cabeça de planilha é incapaz de ir além da planilha. Não entende a economia real, os impactos dos choques nas diversas cadeias produtivas, as maneiras como ada setor reage, para poder chegar a uma conclusão sobre a melhor posologia.

Substituem esse amplo desconhecimento pela análise exclusiva dos grandes agregados.

É o caso da economista Mônica de Bolle, analisando a demora da inflação em refluir. Segundo ela, o país estaria entrando na fase da dominância fiscal, na qual os instrumentos monetários e fiscais não produzem mais efeito deflacionário. A única saída seria vender reservas cambiais para montar uma âncora cambial. Não dispensou um parágrafo sequer analisando os impactos da queda de reservas na volatilidade cambial ou ao menos estimando o que aconteceria com a inflação quando o impacto dos choques tarifário e cambial saíssem da contagem anual.

No fim, a inflação está refluindo sem nenhuma atitude heroica.

Pior é a questão das metas inflacionárias, um sistema que drenou para os rentistas a maior parte do orçamento público. Provavelmente, o excedente dos juros pagos no período daria para prover toda a malha ferroviária brasileira e grande parte do sistema de saneamento.

Peça 5 – os limites Constitucionais

Por todos esses fatores, o ideal seria que a sede de participação do Judiciário o levasse a pensar em limites constitucionais para a política econômica.

Tome-se o caso do Banco Central. Nos Estados Unidos, o FED é obrigado a seguir dois objetivos: controle da inflação e preservação do emprego. No Brasil, apenas o controle da inflação.

Como não tem em suas mãos os instrumentos fiscais, o BC joga todo o peso em juros estratosféricos, que arrebentam com a atividade econômica, sem nenhuma preocupação com os impactos sobre o produto e o emprego.

Para fazer demagogia de baixo risco, a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia afirmou que não é Ministra da Fazenda, para avaliar o impacto de medidas judiciais na economia.

Seria mais consistente se, junto com seus colegas, definissem limites constitucionais ao experimentalismo da política econômica e aos abusos das politicas fiscal e monetária.


Luís Nassif
No GGN
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Democratização da Mídia: Audiência Pública na Câmara de Florianópolis


A Comunicação Independente, Alternativa e Popular, a Soberania Comunicacional e o Direito Humano à Comunicação em Florianópolis

Documento dos Coletivos de Comunicação representados na Audiência Pública sobre Comunicação Independente, do dia 17 de novembro de 2016, solicitada pelo mandato do Vereador, Professor Lino Peres, e aprovada pela Câmara Municipal de Vereadores de Florianópolis

Professor Lino Peres

Demais vereadores que acompanham esta Audiência Pública

Colegas jornalistas, comunicadores sociais, lideranças sociais e trabalhadoras e trabalhadores da Comunicação

Companheiras e companheiros

Amigas e amigos aqui presentes

97% dos lares brasileiros recebem as potentes ondas do conglomerado Globo. Alguma das suas emissoras de TV, rádio ou produções gráficas estão presentes nos prédios públicos, nas filas de espera de hospitais, clínicas púbicas e privadas, nos supermercados, nos ônibus de transporte coletivo, nas linhas aéreas, e até nos elevadores dos prédios. O conglomerado Globo é a verdade única e uniforme que fomenta opinião no Brasil. As outras mídias tradicionais, Bandeirantes, Record, SBT, Folha, Veja, etc., vivem do resíduo que cai da mesa da Globo, e atuam do mesmo jeito e servem aos mesmos interesses, como por exemplo, a Rede Brasil Sul em Florianópolis. A maioria da sociedade florianopolitana é refém quase inevitável da mais-valia ideológica que se expressa através desse veículo. Ele cria um consenso, formata uma forma de pensamento e de opinião que (exclui qualquer) que torna quase impossível outra possibilidade de enxergar nossas comunidades e o Mundo em geral. Florianópolis tem um único modelo de comunicação que se expressa de forma parecida na RBS, nos outros canais de TV aberta, nas rádios tradicionais e nos jornais papel das mesmas empresas.

A assimetria entre essa mídia tradicional e conservadora se manifesta e agiganta na opção que o Estado Nacional, os Estados da Federação e os Municípios, sempre fizeram para manter os privilégios das 6 ou 7 famílias que controlam o espectro televisivo, radial e o controle do papel jornal no país, e das famílias e empresas subsidiárias em cada município. Em Florianópolis não é diferente.

Os veículos tradicionais e seus repetidores se beneficiam de bilionárias cifras de dinheiro através das contas das principais empresas públicas, como Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Como se fosse pouco, tem a receita das grandes multinacionais e transnacionais que operam publicitariamente nesses meios. Ao longo das décadas o Estado Brasileiro tem patrocinado, sem se ruborizar, este ataque ao Direito Humano à Comunicação e à nossa Soberania Comunicacional. Em Florianópolis a história se repete da mesma forma e com a mesma intensidade.

Essa realidade precisa mudar em favor do Direito Humano à Comunicação, à produção local do imaginário que responda às características culturais, sociais e econômicas da Comunidade de Florianópolis, e não se restrinja, por interesse da grande mídia tradicional, a um neo-colonialismo oriundo da repetição, durante o dia todo, das informações que são produzidas em São Paulo e Rio de Janeiro, bem como pela agencias internacionais, também criando um consenso sobre o que acontece no mundo, bem ao gosto da classe dominante. Afirmar isto não é bairrismo, segmentação do país, porque nosso único país é o Brasil, de Norte a Sul. Trata-se de compreender que as necessidades de produção comunicacional têm que garantir o suficiente espaço às identidades de cada população, de cada local, e não torná-las invisíveis em favor dos interesses centrais das grandes indústrias que patrocinam a mídia tradicional.

Precisamos que o município de Florianópolis invista na sua Comunicação de cunho local, produzida na Cidade. É urgente que os coletivos de Comunicação Independente possam ter acesso a uma parcela da Receita que a Prefeitura Municipal de Florianópolis consagra à comunicação massiva. A assimetria que hoje se percebe, na qual os veículos independentes e comunitários não recebem um real da receita, se expressa depois na impossibilidade de profissionalizar sua produção e sua intervenção para melhor servir à sociedade, função essencial do Jornalismo e da Comunicação Social.

Há uma outra informação, verdadeira e latente, que existe e não chega ao lar das trabalhadoras e trabalhadores, à escola, aos pescadores, ao interior dos hospitais e postos de saúde, que não chega, em definitivo, à Classe Produtiva, aos Estudantes e aos Excluídos. Essa informação é reprimida por um sistema injusto e antidemocrático de distribuição das verbas em comunicação da Prefeitura Municipal de Florianópolis. E essa assimetria mencionada não se resolve com leis assistencialistas do tipo “faz de conta”. Profissionalizar os veículos independentes de comunicação social implica em dar o mesmo tratamento a todos os cidadãos e cidadãs, independentemente de setores de interesse, religiosos ou políticos. Significa valorizar a profissionalização na área, frente à demissão constante que virou endêmica na mídia tradicional, e criar novas fontes de emprego para um setor profissional transcendente na formação do senso crítico e o avanço civilizatório da Capital do Estado.

Sem a produção e partilha de conteúdos que polarizem com a visão uniforme que as elites impõem com a colaboração econômica e estrutural do Estado, não haverá quem possa defender o legítimo direito de se expressar e permitir que as pessoas tenham outras visões da realidade. Tem que acabar essa forma distributiva injusta do recurso tributário dos cidadãos e cidadãs, que impõe uma ditadura midiática que subjuga à Constituição Nacional e atua em detrimento da Liberdade de Expressão e Pensamento das pessoas.

Quando a Prefeitura consolida e cristaliza através de décadas essa assimetria, propende ao que chamamos de colonialismo cultural dos grandes centros na construção do imaginário catarinense. Os catarinenses precisamos levar a cada município do nosso Estado, a construção destas audiências públicas em favor da comunicação independente, alternativa, comunitária e popular. Florianópolis, através desta Audiência, está sendo pioneira no Estado de Santa Catarina. É preciso discutir e entender que é necessário que os portais, as rádios, as tevês, os jornais, independentes e comunitários, sejam valorizados em favor da identidade cultural e comunicacional de cada município. Parabéns a Florianópolis que se oferece a si esta oportunidade de estabelecer essa discussão.

Sem a compreensão desta mazela não resolvida, a realidade dos invisíveis, os pobres, os deserdados, os invadidos, os excluídos em suma, fica oculta na malha de interesses que, muitas vezes, nem sequer tem origem no Brasil.

Os veículos independentes e abaixo assinados querem ampliar o compromisso com a sociedade de Florianópolis e que esta luta sirva de alento aos veículos populares, alternativos e comunitários de outros municípios de Santa Catarina e do nosso Brasil, único e ricamente diverso.

É urgente essa mudança de comportamento de parte da Prefeitura Municipal de Florianópolis, porque do contrário, o presente continuará sendo limitado ao extremo para a Comunicação Independente e Comunitária, até a desaparição paulatina de cada projeto particular por falta de recursos mínimos e por exaustão dos que os levam à frente.

Defendemos o direito a Um Jornalismo Solidário, Independente, Justo e Soberano, onde ninguém tenha seu direito à expressão livre cerceado pela injustiça do Estado, seja ele nacional, estadual ou municipal. A hora de defender a Soberania Comunicacional da nossa População chegou, e estamos aqui a defender esse Direito Humano, com nossa profissão, nossa vocação de serviço e nossa disposição a dialogar de igual a igual em favor da nossa Cidade.

Em anexo, entregamos aos senhores vereadores os Projetos de Lei que conseguimos reunir nas reuniões que precederam esta Audiência, como forma de subsídio ao debate que hoje se inicia.

Obrigado/a todas e todos.

Florianópolis, 17 de novembro de 2016.

Plenarinho da Câmara Municipal de Florianópolis








https://pbs.twimg.com/profile_images/654650841601716231/jnFDxVjv.png
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Precisamos (não) falar sobre o Bolsonaro

Desde que Donald Trump venceu as eleições, centenas de relatos de agressões movidas por racismo, homofobia, misoginia, anti-islamismo e mesmo anti-semitismo ganharam as redes sociais — várias delas comprovadas por fotos e vídeos. Isto já era previsível; na noite do pleito, comentei no Twitter (@pablovillaca) que isto certamente ocorreria, pois o mesmo havia sido observado após o Brexit. No entanto, a intensidade e o número dos relatos surpreenderam até os mais pessimistas.

Mas como alguém como Trump pode se tornar presidente dos Estados Unidos? O objetivo deste texto não é analisar todas as razões por trás do resultado chocante, mas não custa citar algumas rapidamente:

1) Trump conseguiu, apesar de ser bilionário, se apresentar como o candidato antiestablishment;

2) Hillary Clinton não poderia ter mais cara de establishment;

3) Os eleitores de Trump se viram motivados a ir às urnas, enquanto os democratas não encontraram razão para fazer o mesmo (ver itens 1 e 2);

4) Os republicanos conseguiram implementar estratégias eficientes para suprimir o voto de certas faixas demográficas nos assim chamados “swing state” — leia-se: passaram legislação que dificultava o voto para eleitores negros e latinos;

5) Muitos eleitores de Bernie Sanders (os infames BernieBros) adotaram a estratégia do “Bernie or Bust”, ou seja: já que Sanders não conseguiu a indicação, eles preferiram ver Trump vencendo e, para isso, se abstiveram de votar ou... vide item 6:

6) Os candidatos independentes Jill Stein e Gary Johnson atraíram muitos votos que normalmente iriam para Hillary (o efeito Nader que atrapalhou Al Gore em 2000);

7) O puro machismo;

8) Os efeitos econômicos do neoliberalismo globalizado criaram uma massa de excluídos sociais; gente que passou a encarar a política como uma forma de melhorar a vida dos ricos e de oprimir a classe trabalhadora.

9) E por que os citados no item 8 votariam em um bilionário? Voltamos ao item 1: ele se apresentou como um “não-político”, uma tática que, no Brasil, contribuiu para a eleição de João Dória em São Paulo e Kalil em Belo Horizonte.

No entanto, há uma questão extremamente importante na consagração de Trump que não pode ser ignorada: se um indivíduo com um discurso de ódio tão patente quanto o do republicano conseguiu atrair milhões de votos, é absurdo pensar que todos os que nele votaram são igualmente preconceituosos e, portanto, algo deve ter ocorrido para que não se sentissem impedidos/envergonhados por adotá-lo como candidato.

A resposta: a feiura do caráter de Trump foi diluída pela cobertura da mídia, que aos poucos normalizou os absurdos que este falava em seus comícios. Pior: a cada discurso recheado de preconceito contra negros, latinos, mulheres, muçulmanos e outras minorias, Donald Trump ganhava um espaço considerável em todas as emissoras de tevê, já que seu comportamento repugnante atraía audiência. E, completando o círculo, a frequência de suas aparições na mídia normalizava seu comportamento.

E é isso que me traz a este texto: a constatação de que exatamente o mesmo processo está ocorrendo no Brasil com Jair Bolsonaro (não só com ele, mas Bolsonaro é o exemplo mais óbvio e perigoso).

Há alguns dias, por exemplo, as capas de todos os principais portais de notícias do país trouxeram um vídeo no qual o sujeito, ao ouvir um repórter perguntar se era homofóbico, respondeu: “Se eu fosse, não estaria dando essa entrevista pra você”. Uma brincadeira? Só se você considera oferecer bananas a um negro algo engraçado (ou seja: é fã de Danilo Gentili); caso contrário, é patente o preconceito embutido na fala.

E, no entanto, os portais trataram o assunto como algo trivial, até mesmo “divertido”, como se um deputado federal dizer algo assim fosse a coisa mais normal do mundo.

Já neste domingo, o UOL trazia em sua capa um post com fotos de Trump, Bolsonaro e Dória acompanhas da seguinte chamada: “Eles têm papas na língua? Teste-se e saiba se você consegue acertar o autor das frases polêmicas”.

É exatamente isto que torna o racismo “aceitável” por milhões: a normalização, o fato de ser tratado apenas como curiosidade, gerando até mesmo um leve "quiz". Intolerância vira “controvérsia”; vomitar racismo vira “não ter papas na língua”. Assim, se há alguns anos o público ficava absolutamente horrorizado ao ouvir Bolsonaro falando barbaridades, hoje a reação de muitos passou a ser “Esse Bolsonaro...” com um tom quase de impaciência maternal, como um “Ai, ai, ele não tem jeito mesmo...”.

Com isso, acostumam-se com o inaceitável. E, de figura desprezível pelo ódio que prega, Bolsonaro vira apenas uma figura... curiosa. Um personagem em vez de um político que detém poder, influência e votos. E aí, depois de anos, quando ele se tornar um candidato à presidência com chances reais de vitória, a mesma mídia que normalizou sua imagem publicará dúzias de artigos tentando explicar como alguém como ele pode ter atraído tantos eleitores.

Exatamente como a mídia norte-americana faz agora com Trump depois de lhe dar centenas de horas de exposição e de tratá-lo simplesmente como “controverso”, “excêntrico”, “politicamente incorreto” ou “sem papas na língua”.

Caros jornalistas, racistas não são “polêmicos”; são RACISTAS. O que dizem não é “politicamente incorreto”; é DISCURSO DE ÓDIO.

E a cada vez que colocam Bolsonaro na capa de um portal, numa matéria de revista ou num telejornal, amenizando sua imagem, estão atuando como assessores de imprensa de um sujeito cuja única diferença para Donald Trump é o fato de não ter sido apresentador de TV.

Ou, considerando a irresponsabilidade com que a mídia age, é preciso completar a frase acima com uma palavra: "ainda".

Pablo Villaça
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Aos gringos, filé. Para a Petrobras, o osso

http://www.maurosantayana.com/2016/11/aos-gringos-file-para-petrobras-o-osso.html


Entre os aspectos mais perversos da atual retirada nacional, baseada filosófica e administrativamente na diminuição do papel do Estado e das empresas estatais e paraestatais como instrumentos de aumento da competitividade e do desenvolvimento do Brasil em sua natural disputa com outros países do mesmo porte territorial e demográfico, um dos mais abjetos, pelo cinismo com que tem sido levado a cabo, é o que envolve o acelerado e proposital enfraquecimento, para não dizer descarado desmonte, da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.

A desculpa é sempre a mesma.

Estariam, a Petrobras e o país, quebrados, devido à atuação dos governos anteriores, embora a estatal estivesse, até há poucas semanas, a caminho de zerar o déficit cambial acumulado nos últimos anos; suas ações tenham se valorizado em mais de 170% neste ano, em processo iniciado quando Dilma ainda se encontrava à frente da Presidência da República; esteja batendo sucessivos recordes de produção, especialmente no pré-sal; e o Brasil quebrado de Lula seja o mesmo país em que o BNDES tem tão pouco dinheiro que se prepara para "devolver" 100 bilhões de reais ao Tesouro e a mesmíssima nação que pagou as dívidas com o FMI e que acumulou 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, diminuindo, ao mesmo tempo, a Dívida Pública Bruta e a Líquida nos últimos 13 anos.

O cinismo é tanto, que a turma que alega que faltava transparência à direção anterior da empresa é a mesma que, agora, pretende concentrar mais poder nas mãos de pequenos grupos para decidir questões estratégicas, como o que vender, ou melhor, "doar" dos ativos da empresa e a quem fazê-lo; a participação ou não da Petrobras como operadora neste ou naquele poço do pré-sal; o uso ou não de peças e equipamentos comprados ou encomendados no Brasil neste ou naquele projeto; e até mesmo a fixação do preço da gasolina, a cada mês, "seguindo a média dos preços internacionais" que levarão, se não houver transparência e discussões públicas, abertas, à possibilidade da eventual ocorrência de corrupção em altíssima escala, já que envolvem, qualquer um destes temas, direta ou indiretamente, interesses que vão de multinacionais a fornecedores estrangeiros de equipamentos a donos de postos de gasolina, em uma escala que vai de bilhões de reais a dezenas de bilhões de dólares.

Nesse processo, abandona-se a lógica, evitando que a Petrobras, que, durante anos, subsidiou os consumidores brasileiros, quando a gasolina estava mais cara lá fora, seja ressarcida por isso, agora, quando ela está mais barata.

Adiando a recuperação da maior empresa nacional, o que é uma excelente desculpa para entregar, a toque de caixa, e a preço de banana, seus mais importantes ativos, sem consulta à sociedade brasileira, que é, em última instância, a dona do negócio.
Áreas de maior valor agregado e de maior potencial de avanço da pesquisa tecnológica e científica, como a petroquímica, o transporte e a distribuição gás e de combustíveis, estão sendo entregues a concorrentes, deixando apenas o osso, ou a produção, para a Petrobras, dependendo do poço, quando isso for de interesse do "mercado", representado pela associação que reúne, no Brasil, as petroleiras estrangeiras.

O que dá mais dinheiro?

Um barril de petróleo bruto, em um momento em que os preços se encontram historicamente deprimidos, ou um barril de gasolina ou diesel, vendido diretamente ao consumidor, na bomba de combustível?

A ganância, e a possibilidade de lucro é tanta, que o anúncio demagógico da inútil queda do preço da gasolina nas refinarias saiu como um tiro pela culatra, aumentando os preços para o consumidor, em muitos estados, no lugar de diminuí-los.

Ou alguém achou que os donos dos postos iriam repassar o desconto para os clientes?

A contradição dos recém-chegados é tanta que o seu discurso privatista e entreguista defende a superioridade e proeminência da iniciativa privada sobre o Estado, mas os ativos da Petrobras estão sendo entregues a estatais, leia-se, a estados estrangeiros, como a Noruega e a China, porque no mundo real, e não no da midiotização brasileira, são as empresas estatais, como as sauditas e as chinesas, que dominam o mercado mundial do petróleo, e são nações altamente estatizadas, como a China, que dominam a economia mundial e são os maiores credores da Europa e dos Estados Unidos.

Enquanto nossa maior empresa vai sendo desmontada, esquartejada, descaracterizada estrategicamente, as mentiras sobre ela vão se acumulando, como um infinito zigurate babilônico.

Cabe aos petroleiros processar a Price Waterhouse and Coopers para que ela prove os alegados desvios de 6 bilhões de reais na companhia, que já deveriam ter sido reincorporados aos novos balanços.

Ao contrário do senso comum baseado em um discurso apressado e rasteiro, a gasolina no Brasil não está entre as mais caras do mundo.

Há mais de 50 países em que ela custa mais do que aqui, incluídos grandes produtores, como a própria Noruega, a quem estamos entregando mega poços do pré-sal, quando poderíamos simplesmente estabelecer alianças entre a Petrobras e estatais estrangeiras, mantendo o controle dos poços e das reservas em nossas mãos, como deveria ter sido feito agora com a Total francesa.

A verdade é que a Petrobras não está, nem esteve, nunca, quebrada da forma que foi divulgada.

O seu endividamento decorreu não de algumas dezenas de milhões de dólares efetivamente pagos por empreiteiras a bandidos como Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró para que não atrapalhassem seus negócios, mas da brutal queda do preço do petróleo que a afetou e também outras companhias.

E de uma estratégia deliberada de sabotagem da credibilidade da empresa, para derrubar o governo anterior e levar as suas ações ao chão, para que grandes investidores privilegiados, como George Soros, por exemplo, e acionistas estrangeiros que nunca acreditaram em sua quebra e no catastrofismo fascista fizessem extraordinárias fortunas, em poucos meses, como aconteceu este ano, enquanto otários tupiniquins pseudo conservadores e midiotizados se desfaziam de suas ações, metendo o pau na empresa, nas redes sociais, a cinco reais quando elas estão valendo hoje quase 20,00.
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