11 de nov de 2016

Lula parte para ofensiva e processa Delcídio e Isto é


Duas ações de indenização por dano moral marcam o início de uma ofensiva dos advogados do ex-presidente Luís Inacio Lula da Silva contra seus acusadores.

A primeira é uma ação de indenização por danos morais — no valor de R$ 1,5 milhão —  contra o ex-senador Delcídio do Amaral por este ter mentido em “delação premiada” procurando envolver Lula na tentativa dele próprio de manter em silêncio Nestor Cerveró, seu  amigo e ex-subordinado na Petrobras.

Como Cerveró e todas as demais pessoas citadas por Delcídio disseram em depoimentos desconhecerem  qualquer ação de Lula para favorecer negócios ou mesmo para obstruir as investigações do caso e o ex-senador não apresenta prova alguma de suas acusações – embora a Justiça Federal tenha achado que isso basta para tornar alguém réu em um processo – terá de responder por isso, senão na esfera criminal, ao menos na cível, numa vara do Fórum de São Bernardo do Campo, local de moradia de Lula e foro adequado para ação de danos morais.

A segunda, que ainda será apresentada, é contra a revista Istoé que antecipou sua edição para dizer que, na delação de Marcelo Odebrecht, este teria dito que Lula recebeu dinheiro dele, em espécie.  Não diz, entretanto, nem quanto, nem a que título e nem dizem a razão, até porque não haveria ato de ofício que pudesse ser praticado por Lula dois anos ou três depois de ter saído da Presidência.

No seu site, o ex-presidente reclama que  a “má-fé da revista é tão evidente que os autores sequer procuraram a defesa ou a assessoria do ex-presidente antes de publicar a mentira” e que não a publicação não apresentou quaisquer documentos, referindo-se a uma suposta delação que estaria em absoluto sigilo e que, por isso, nem mesmo se pode saber o que nela se contém.

E, contendo algo, o que se tem para provar o que se diz, porque para sair da cadeia depois de quase dois anos, ou para livrar dela o filho ou para salvar um império empresarial diz-se qualquer coisa se isto lhe é exigido.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lute como uma menina: A linda história das mulheres que enfrentaram Alckmin


Este documentário conta a história das meninas que participaram do movimento secundarista que ocupou escolas e foi as ruas para lutar contra um projeto de reorganização escolar imposto pelo governador de São Paulo, que previa o fechamento de quase cem escolas.

As meninas contam suas histórias enfrentando figuras de autoridade, desde a luta pela autogestão das escolas até a violência desenfreada da policia militar. Uma importante reflexão sobre o feminismo, o atual modelo educacional, e o poder popular.

Direção: Flávio Colombini e Beatriz Alonso.

Este filme só foi possível devido à colaboração especial do cinegrafista Caio Castor, dos Jornalistas Livres, e de muitos outros cinegrafistas e fotógrafos que documentaram a luta secundarista.

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“São os comunistas que pensam como os cristãos”, diz Papa Francisco em entrevista

Para o jornal italiano, o Papa evitou comentar vitória de Donald Trump, mas sustentou hipótese de que os que mais se assemelham aos cristãos são os comunistas e citou Jesus Cristo


“São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam”. Quem disse isso foi o Papa Francisco, durante entrevista para o jornal La Repubblica da Itália, publicada nesta sexta-feira (11). Ao ser perguntado se gostaria de ver uma sociedade com ideais mais próximos do marxismo, o pontífice foi contundente e completou:

“São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade”.

O líder da igreja católica explicou durante a entrevista que sua maior preocupação é a crise de refugiados e imigrantes. Para ele, “deve-se acabar com os muros que dividem, tentar aumentar e estender o bem-estar, e para eles é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade e direitos”.
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Cynara Menezes: Ideologia de gênero

Foto Cynara Menezes

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Um Brasil justo pra todos e pra Lula




Lula: Brasil vive momento de 'perigoso regresso', mas não se cala

"Quem rasgou a Constituição não vai fazer com que seja respeitada", diz ex-presidente. Ele também fez referência a "pacto quase diabólico" entre mídia, PF, MP e o juiz Sérgio Moro, cujo nome não citou

Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil vive um momento de "perigoso regresso", com ameaça de perda de direitos, agressão às liberdades civis e escalada da violência. Em ato organizado em sua defesa e da democracia, na noite desta quinta-feira (10), em São Paulo, Lula fez críticas à Operação Lava Jato, acusando a força-tarefa de mentir, além de estar prejudicando, segundo ele, não só o país, mas instituições como o próprio Ministério Público e a Polícia Federal. Ele voltou a dizer que não tem problema "em prestar contas à Justiça e prestar quantos depoimentos forem necessários", mas condenou a prática de "condenar pessoas pelo escândalo".

Ao destacar atos públicos convocados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, como os desta sexta-feira (11), Lula afirmou que "o país ainda tem muitas vozes", no sentido da resistência. Ele manifestou respeito pelas instituições, mas observou que isso não acontece entre os apoiadores do impeachment. "Quem rasgou a Constituição não vai respeitá-la, nem fazer com que seja respeitada." Mesmo dizendo-se agradecido, o ex-presidente disse que não se sentia "confortável" em participar de um evento em sua defesa, preferindo um ato de acusação contra a força-tarefa.

O evento, que reuniu centenas de pessoas na Casa de Portugal, região central da capital paulista, marcou o lançamento da campanha "Um Brasil justo pra todos e pra Lula", com manifesto lido pela vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão, e pelo professor e historiador Luiz Felipe de Alencastro. O texto, disponível no site (www.brasiljustopratodos.com.br), fala em "manipulação arbitrária da lei", prisões apenas por suspeita "perigosamente banais" e "caçada jurídica e midiática sem limites éticos ou legais". Diz que Lula pode e deve ser investigado, mas não submetido, juntamente com sua família, "ao vale-tudo acusatório". Até a tarde de ontem, havia mais de 600 assinaturas, segundo os responsáveis, entre políticos, artistas, intelectuais, dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais.

"Essa campanha não tem dono", disse o ex-ministro Gilberto Carvalho, ressaltando o caráter suprapartidário da iniciativa, que trata, afirmou, não apenas de Lula, mas de um processo contra a democracia e as classes mais pobres. Também se busca melhorar a comunicação e fortalecer os próprios organismos de esquerda. "É na dinâmica da luta e do diálogo com o povo que reencontraremos a melhor forma de reconstruir as nossas entidades", afirmou.

Passado e futuro

Em seu pronunciamento, ao lado de sua mulher, Marisa Letícia, Lula exaltou o movimento estudantil e as ocupações nas escolas. "Eles têm de saber que a juventude de hoje não é tão boba ou inocente quanto a minha. A única razão de existir de uma escola é ensinar a ser cidadão de primeira classe." Quase no final, quis deixar uma mensagem ao que chamou de "nossos perseguidores", para que não se preocupassem com pessoas da idade dele, que já fariam quase parte do passado, mas com o futuro que se aproxima, simbolizado pelos estudantes. E criticou o corte de gastos no setor. "Gastem com a língua de vocês, mas não com a educação deste país, que é o mais importante investimento."

Quem se manifestou no ato foram justamente representantes dos estudantes e dos sem-terra, com referências às ocupações e à invasão, na semana passada, da Escola Nacional Florestan Fernandes, ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O Coletivo de Cultura do MST fez leituras e cantou, enquanto integrantes do Levante Popular da Juventude (LPJ) e da União da Juventude Socialista apresentaram um jogral.

Não houve discursos de representantes de partidos políticos, de entidades sindicais ou de movimentos. Mas estavam lá, entre outros, os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Afonso Florence (PT-BA), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS), o dirigente do MST João Paulo Rodrigues, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Falaram apenas os advogados Marcelo Neves, professor da Universidade de Brasília (UnB), e Cristiano Zanin, que defende Lula, sobre aspectos da Lava Jato. Durante o ato, eram exibidos vídeos com pronunciamentos de artistas, como Sérgio Mamberti, Tonico Pereira, Osmar Prado, Chico César e Bete Mendes, além do clipe da canção O Trono do Estudar, de Dani Black, gravada no final do ano passado em homenagem aos estudantes por vários intérpretes, como Chico Buarque, Paulo Miklos, Zélia Duncan, Dado Villa-Lobos, Felipe Catto e Pedro Luís.

Lula também fez várias referências à mídia, que, segundo ele, faria parte de um "pacto quase diabólico" envolvendo ainda a PF, o MP e o juiz responsável pelo processo (Sérgio Moro), cujo nome ele não citou. Falou sobre "delegados comprometidos ideologicamente" e "comportamento perverso dos meios de comunicação".

"Tenho muita clareza que não cometi nenhum crime ou irregularidade antes, durante ou depois de ser presidente da República", afirmou Lula. "Vocês estão acusando uma pessoa honesta que vai lutar", acrescentou, com mais críticas a setores do MP e da mídia. "Quantos políticos aguentariam 13 horas (de noticiário negativo) no Jornal Nacional? Isso são mais de 30 dias de novela."

O ex-presidente citou ainda o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, denunciado pelo Ministério Público paulista como responsável por suposto rombo nas contas da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), que presidiu. "É acusado há nove anos. Ontem, ele foi inocentado", lembrou Lula. A juíza Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, absolveu Vaccari, considerando improcedente a ação.

Segundo ele, "um grupo de procuradores de São Paulo" tenta há anos culpar o PT pela morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002, mesmo com a polícia declarando que se tratou de um crime comum e não político. Lula também citou o caso da Escola Base, em São Paulo, em que gestores da instituição foram indevidamente acusados, com ampla cobertura da imprensa. "Não aceito a ideia de que convicção vale como prova", acrescentou, em referência a recente manifestação de um procurador.

Ao citar iniciativas de seu governo, como o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Portal da Transparência e a Lei de Acesso à Informação, Lula lembrou que "não são obra exclusiva do PT, mas formam um legado que não pode ser esquecido, muito menos dilapidado, pois formam um novo patrimônio democrático brasileiro".

Vitor Nuzzi
No RBA
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The Economist: o neolibelismo perdeu, Temer!

Como previu o Piketty: os pobres se vingaram dos neolibelistas


Extraído de The Economist, a Bíblia dos neolibelistas que dominam a língua inglesa, o que não é o caso da maioria dos neolibelistas pigais...:

A eleição de Trump é um repúdio a todos os liberais, inclusive a esta revista. Mercados abertos e a clássica democracia liberal que defendemos, e que pareciam vitoriosos com a queda do Muro de Berlim, em 1989, foram rejeitados, primeiro, na Inglaterra, com o Brexit, e agora na América.

França, Itália e outros países europeus podem seguir o mesmo caminho.

É claro que o apoio popular à Ordem Ocidental dependia mais de rápido crescimento econômico e do efeito estimulante da ameaça da União Soviética do que propriamente de persuasão intelectual. Ultimamente, as democracias ocidentais falharam em distribuir os benefícios da prosperidade.

Em termos reais, a renda mediana do homem americano está abaixo da que ele tinha em 1970. Nos últimos 50 anos, com exceção da expansão dos anos 90, a renda das famílias de classe média caiu a cada recessão. A mobilidade social está muito lenta e não dá esperança de que alguma coisa melhor vá acontecer. A perda de autoestima não foi neutralizada por alguns centavos de aumento salarial.

Os políticos e analistas políticos menosprezaram a desilusão.

Quando Trump se prepara para entrar na Casa Branca, o longo e difícil trabalho de argumentar a favor do internacionalismo liberal começa de novo.
Como sempre, a Colônia chega atrasada.

O neolibelismo toma uma violento pontapé no traseiro e o Brasil dá um Golpe para esses açougueiros do neolibelismo entregarem o país ao estrangeiros.

Exatamente quando um Ultra-Nacionalista assume o poder na maior Economia do Mundo.

Além de Golpistas são ignorantes!

Como os 'pigais colonistas', não sabem ler inglês.

Nem a Economist eles conseguem ler…

Pensam que ser chic é frequentar circuito iFHC-Diamantino-Brasilia, onde, inclusive o alemão que se fala é de péssima qualidade!

Enquanto isso, há 165 homicídios por dia e degolar é o crime da moda!

PHA
Em tempo: The Economist e a Urubóloga, hoje Cegonhóloga, parecem não levar o Thomas Piketty a sério. Mas, bem que o Piketty previu: o neolibelismo ia desmoralizar a ideologia da meritocracia e, com isso, detonar a Democracia.

Em tempo 2: na rádio que troca a noticia, a CBN da Globo, o Ataulpho Merval lamentou que a Hillary não tivesse sido eleita, por causa das intimas relações do Fernando Henrique Cardoso com a família Clinton. Como se sabe, Bill Clinton escreveu vários livros sobre seu governo e carreira e não fez NENHUMA referência ao Fernando Henrique, que ainda não era da Brasif. Quem é mais parvo: o Ataulpho ou o FHC?

No CAf
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Coronel previu que base de Alcântara sofreria sabotagem dos EUA


Um ano antes da explosão da base de lançamentos de foguetes de Alcântara, no Maranhão, o coronel do exército Roberto Monteiro de Oliveira fez uma "premonição": o projeto brasileiro de enviar um satélite ao espaço sofreria sabotagem. Em seu depoimento, feito em agosto de 2002, o coronel revelou que na época havia um plano para implantar uma base norte-americana no Brasil — o que ameaçava gravemente a soberania do país. Tal plano não era somente especulação, mas um projeto prontinho para ser colocado em prática. E quem governava o país era Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Saliente-se que as denúncias do cel. Monteiro não mereciam atenção somente por sua patente no exército brasileiro, mas principalmente porque ele fora chefe do (extinto) Serviço Nacional de Informação — SNI —, órgão estatal de inteligência (a "CIA" brasileira) que era encarregado de trabalhar com informações e contra-informações altamente estratégicas para o Brasil. Em tese, claro. Pois, como todo mundo sabe, o SNI, criado em 1964 (e extinto em 1999, sendo substituído pela Abin), acabou desvirtuando suas funções para virar um instrumento da repressão do governo militar de então. Mas a despeito de tal desvirtuamento, não se pode negar que o SNI dispunha de informações altamente relevantes para a soberania brasileira, como bem mostra este depoimento do cel. Monteiro. No vídeo, ele ressalta que o sucesso do projeto do satélite brasileiro implicaria na inutilidade de outro projeto, que era a pretensão dos EUA de transformar a base de Alcântara em base norte-americana. Eis a transcrição do que disse o cel. Monteiro:

"Eu vou bancar o profeta. Aquilo é tão importante pra eles [os EUA] que eu vou dar duas hipóteses: ou não vão lançar o satélite (vão apresentar qualquer desculpinha; qualquer argumentação técnica); ou vão lançar e ele vai explodir. E como eu tenho 76 anos, eu digo que não há uma terceira hipótese. Porque se lançar [o satélite] e ele funcionar, tudo isso que está aqui [ele exibe documentos] podemos jogar na lata do lixo".

Os documentos que o coronel trazia em mãos eram informações sobre o projeto dos EUA de encampar a base de Alcântara. E o raciocínio dele é simples de entender. Porque o sucesso do projeto do satélite daria ao Brasil autonomia para suas ambições no campo aeroespacial — logo, altamente estratégico para a soberania do país. Mas tal autonomia obviamente ia contra a pretensão dos EUA de manter o Brasil (e toda a América Latina) subserviente aos seus interesses. Tal prepotência sempre vinha com a eufêmica fachada de "parceria".

Um ano depois do depoimento do cel. Monteiro, a Base de Alcântara explodiu antes do lançamento do satélite. Coincidência?

Em 2009, ou seja, sete anos após a denúncia do cel. Monteiro, documentos vazados pelo Wikileaks revelaram que o coronel não estava fazendo "premonição" alguma, mas sim revelando uma assustadora realidade. Pois as correspondências trocadas entre autoridades dos EUA revelaram que eles não queriam de jeito algum que o Brasil desenvolvesse a energia nuclear e a tecnologia aeroespacial. E para evitar isto, exerceram enorme pressão contra os países parceiros do Brasil no desenvolvimento de tais tecnologias. No caso do lançamento do satélite brasileiro (fruto de longos anos de investimento financeiro e científico), os norte-americanos estavam dispostos inclusive a sabotar o projeto. O mais incrível desta revelação do Wikileaks foi a anuência do então presidente Fernando Henrique Cardoso, quando aceitou que órgãos estratégicos (como a Polícia Federal) fossem cooptados pela inteligência norte-americana — como denunciou o jornalista Bob Fernandes em longas e detalhadas reportagens feitas entre março de 1999 e abril de 2004 na revista Carta Capital.

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Xadrez da financeirização de Trump a Temer


Não aposte no fracasso de Donald Trump. Esse americano truculento, primário, grosseiro, tem trunfos na manga para algumas mudanças fundamentais, que poderão relançar a economia norte-americana.

Poderá ser um Franklin Delano Roosevelt às avessas. Enquanto Roosevelt salvou a economia norte-americana brandindo o discurso da solidariedade, valendo-se do triunfo econômico para consagrar a democracia, Trump poderá trazer de volta o dinamismo aos EUA e consagrar a intolerância e o voluntarismo como fator determinante.

Como é uma questão intrincada, vamos por partes para compor o nosso xadrez.

Peça 1 – a financeirização no século 19

No século 19 há a internacionalização do sistema financeiro mundial, comandando a globalização do período. Instituiu-se o livre fluxo de capitais e montou-se uma articulação entre o Banco da Inglaterra e demais bancos centrais, deles para com os financistas dos países periféricos, visando conseguir o máximo de vantagens para o capital.

No início, o padrão ouro impedia jogadas especulativas mais profundas. Mas ficava a liquidez global dependendo dos humores do Banco da Inglaterra. Bastava o banco subir suas taxas para enxugar o ouro dos demais países e, consequentemente, obrigá-los a restringir as moedas em circulação - que tinham o ouro como lastro.

Essas restrições levaram ao abandono gradativo do padrão ouro, substituído pelo papel moeda e pela desregulação total dos mercados. E, aí, bolhas especulativas passaram a explodir em várias partes do planeta.

Peça 2 – os principais personagens da financeirização

O jogo político dos grupos financeiros dava-se através dos seguintes personagens, que descrevo em meu livro "Os Cabeças de Planilha":

1. O financista interno, que faz o meio campo entre os capitalistas nativos e o meio político e a ponte com o sistema bancário inglês.

2. O economista, subordinado ao financista, que se apresenta como o portador da nova ciência mundial, capaz de fazer os países atrasados se desenvolverem.

De posse desses dois ativos - recursos financeiros e a plataforma política embasada no discurso do economista -, o financista monta os pactos internos, com políticos e partidos..

3. O terceiro personagem é o político, presidente ou Ministro da Fazenda.

4. A mídia, influente nos centros de poder, mesmo para um país com apenas 5% de alfabetizados. Foi através dos jornais que Rui Barbosa ganhou sua primeira vitrine, combatendo os planos de remonetização da economia do gabinete de Ouro Preto, o último Ministro da Fazenda do Império.

Deposto o Imperador, o primeiro presidente (golpista) Marechal Deodoro da Fonseca convida Rui para Ministro da Fazenda. Sua primeira atitude foi retomar o plano de remonetização da economia, mas aí escolhendo o seu banqueiro, o Conselheiro Mayrink, espécie de Daniel Dantas da época, banqueiro sem capital que passa a controlar a emissão de moeda no país.

O resultado final são bolhas especulativas, tacadas financeiras de Rui e seus sócios e movimentos voláteis do câmbio que impedem a consolidação de qualquer tentativa de estabilidade e de industrialização. O país vai se arrastando até os anos 30.

Foi só após mais uma moratória, no início dos anos 30, o governo Vargas encontrou força para proibir definitivamente o livre fluxo dos capitais. Sem ter como se movimentar, esses capitais desceram ao reino da terra, financiando indústrias e novos empreendimentos. O Brasil começava a nascer ali.

Peça 3 - a 2ª Guerra e os regimes que venceram o financismo

Essa hegemonia massacrante do capital produziu concentração de renda por todas as partes, dificultou a ascensão econômica de países, produziu conflitos comerciais e se encerrou com a Primeira Guerra Mundial. Ganhou uma sobrevida até a crise de 1929. E foi sepultado no pós-Segunda Guerra.

Os abusos do financismo lançaram um manto de descrédito sobre o sistema democrático em todo mundo. Percebeu-se que as democracias deixavam países desarmados, ante a influência do dinheiro nas eleições, através da parceria de capitalistas locais com os internacionais e com políticos locais, deixando o país indefeso ante o capital predador.

Em três frentes houve o rompimento com a financeirização. Na Europa, com a ascensão do nazifascismo. Na Eurásia, com a ascensão do comunismo. Nos Estados Unidos, com a new deal de Roosevelt e seu plano de grandes obras públicas.

Nos três casos, os países se transformaram em potências econômicas. Mesmo a Alemanha, com as enormes dívidas de guerra, encontrou alternativas criativas que lhe permitiram adquirir matérias primas e retomar o crescimento.

A decisão sobre o melhor regime se deu nos campos de batalha.  Com a vitória dos aliados, se consolida o modelo democrático de mercado norte-americano e o comunismo soviético.

O mundo se reorganiza em torno de novas instituições, disciplinam-se os fluxos de capitais com um novo modelo cambial e criam-se instituilções para promover o desenvolvimento nas regiões mais pobres e amparar países com problemas de solvência.

Peça 4 - o neoliberalismo e os desequilíbrios sociais

As lições da Guerra encerram-se em 1972. O presidente norte-americano Richard Nixon promove a desvinculação do dólar com o ouro, reinstaurando o primado da financeirização global.

Gradativamente a desregulação financeira vai estendendo o manto da financeirização sobre os diversos países, impulsionada pelas mudanças tecnológicas e pela falência dos modelos centralizados de planejamento. Atinge o auge com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. E não para.

As bolhas especulativas se sucedem. À bolha da prata no início dos anos 80, se sucedem as bolhas do mercado imobiliário nova-iorquino, no final dos anos 80, a bolha das montadoras, as bolhas cambiais que balançam da Inglaterra ao México, da Coreia ao Brasil, as bolhas de empresas de tecnologia. E, à frente do FED (o Banco Central norte-americano), um acadêmico, Alan Greenspan, sendo enaltecido como gênio das finanças, capaz de controlar todas as bolhas e garantir a prosperidade eterna.

O sistema financeiro passa a reciclar recursos de potentados árabes, empresários japoneses, do narcotráfico, da corrupção política e empresarial. E consolida-se valendo-se da adesão ampla com o meio acadêmico, especialmente os economistas, desenvolvendo teorias cada vez mais despregadas da realidade, visando iludir eleitores – com o bordão da “lição de casa” – e preservar os ganhos do capital.

E também se beneficia com a adesão incondicional da mídia, tanto norte-americana quanto de outros países.

Peça 5 – os efeitos da crise de 2008

Nas eleições de 2008, a mídia foi unanimemente anti-Obama. Agora, anti-Donald Trump. O que ambos têm em comum? Certamente, não as posições morais, um Obama libertário e um Trump troglodita, mas a crítica ao sistema financeiro e a ameaça ao reinado do financismo.

Mesmo assim, o financismo logrou preservar seu poder político. Quando veio a crise de 2008, um pesado manto ideológico fez com que as ações de salvamento focassem o sistema bancário, em detrimento dos demais gastos públicos, inclusive dos devedores. Mais que isso, impôs cortes fiscais draconianos em economias que afundavam, ampliando ainda mais a recessão. Desmontou estados nacionais.

Tudo isso levou a uma enorme reação global contra o sistema, basicamente o modelo financista que gerou concentração de renda, entregou a maior crise desde 1929, e ainda arrebentou com os orçamentos nacionais.

Mais que isso, a globalização das corporações promoveu a precarização do trabalho, a redução do emprego. No próprio país sede da financeirização, a lógica do capital atropelou a lógica nacional. E tudo isso era revestido por um pretenso cientificismo.

O ponto que une todas as ações antiglobalização, portanto, não é a xenofobia, o racismo explícito — presente em grupos de ultradireita e no discurso de Trump —, mas a crítica a essa financeirização.

O mundo racional, cartesiano, intelectual, obedecia a um pêndulo que ora gerava políticas mais nacionais, ora políticas mais internacionalizantes. Com os exageros de mercado, nos Estados Unidos a bola da vez caiu no colo da malta, tangida por discursos racialistas.

Peça 6 - o desafio de Trump

A subordinação total à financeirização, criou uma falsa ciência, com tantos absurdos, que bastará romper com seus dogmas para revitalizar as economias.

Há uma grande possibilidade da política econômica de Trump ser bem-sucedida, se romper de vez com a financeirização. Caso comprometa o orçamento público com investimentos pesados em infraestrutura, práticas industriais protecionistas e outros recursos antiglobalização, conquistará uma vitória maiúscula para seu país, e problemas para o resto do mundo.

Se vingarem suas propostas de política externa, reduzirá drasticamente as intervenções norte-americanas no mundo, principais responsáveis pelas guerras e pelos êxodos globais.

A eventualidade de seu sucesso ampliará as práticas protecionistas por todo o planeta. E Trump poderá ser o grande inspirador dos racistas, xenófobos, intolerantes por todos os pontos do planeta.

O modelo do cowboy solitário que se impõe, pela vontade, sobre partidos políticos e sobre o sistema será um referencial perigosíssimo para os avanços dos direitos sociais.

Peça 7 - o neoliberalismo à brasileira

No Brasil, no momento em que se resolvesse a questão da dívida pública e dos juros pagos pelo Tesouro, a recuperação da economia seria questão de meses. A política monetária do Banco Central, 14% de taxa básica de juros para uma economia que amarga a maior depressão da história, não é apenas um erro de análise: é crime. Se um dia houver um tribunal para julgar os grandes crimes financeiros da história, não isentará um dirigente de BC brasileiro desde Francisco Gros a Ilan Goldjan — o criador da planilha das metas inflacionárias.

Mais que isso, o eventual sucesso de Trump poderá demonstrar que o sistema de freios e contrapesos das democracias acabou criando freios demais, tornando as democracias disfuncionais e exigindo o estadista capaz de atropelar leis, constituição, separação de poderes.

E o maior exemplo da crise da democracia está aqui mesmo, com um Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luis Roberto Barroso, defendendo o estado de exceção, um mero procurador do Tribunal de Contas definindo políticas fiscais, um juiz de primeira instância e procuradores regionais atropelando direitos básicos, em cima do vácuo do Supremo. E, principalmente, um golpe que resultou na ampliação da falta de rumo, das benesses financeiras em um momento em que a potência hegemônica do capitalismo financeiro diz não.

A eleição de Trump é o ponto de não retorno. O que virá daqui em diante é uma incógnita ampla, que passa pelo reposicionamento estratégico da China, pela maneira como a União Europeia irá se comportar, pelos impactos sobre o comércio global e, principalmente, sobre as maneiras como a democracia irá se modificar, para ser preservada. 

E, em todos os campos institucionais, o Brasil irá para essa guerra armado com personalidades públicas de pequena dimensão, Michel Temer, Eliseu Padilha, Geddel, Henrique Meirelles, José Serra, FHC, Luis Roberto Barroso, Rodrigo Maia, Carmen Lucia, Rodrigo Janot, nenhum à altura dos grandes desafios que se apresentam em seus campos.

Aumentam as possibilidades de uma solução bonapartista em 2018.

Luís Nassif
No GGN
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