6 de nov de 2016

Clinton & Estado Islâmico financiados pelo mesmo dinheiro – Não permitirão a vitória de Trump: As máquinas de votar são programadas a fim de roubar eleições


No segundo excerto de John Pilger Special, a ser difundido exclusivamente pela RT no próximo sábado por cortesia da Dartmouth Films, Julian Assange acusa Hillary Clinton de enganar os americanos quanto ao verdadeiro âmbito do apoio ao Estado Islâmico por parte de Washington e dos seus aliados do Médio Oriente.

Num email de 2014 publicado no mês passado pela WikiLeaks de Assange, Hillary Clinton, que foi secretária de Estado até o ano passado, insta John Podesta, então conselheiro de Barack Obama, a “fazer pressão” sobre o Qatar a Arábia Saudita, “os quais estão a fornecer apoio financeiro e logístico clandestino ao ISIL [Islamic State, IS, ISIS] e outros grupos sunitas radicais”.

“Penso que este é o email mais significativo de toda a colecção”, afirmou Assange, cujo sítio de denúncias divulgou três conjuntos de emails relativos à Clinton durante o ano passado, contou Pilger numa entrevista exclusiva, cortesia da Dartmouth Films .

“Todos os analistas sérios sabem, e até o governo dos EUA concordou, que algumas figuras sauditas têm estado a apoiar o ISIS e a financiar o ISIS, mas a trapaça era sempre que alguns príncipes “patifes” utilizando o seu dinheiro do petróleo fazer o que querem, mas que o governo realmente desaprova. Mas aquele email diz que é o governo da Arábia Saudita e o governo do Qatar que têm estado a financiar o ISIS”.

Assange e Pilger, que se sentaram para a sua entrevista de 25 minutos na Embaixada Equatoriana em Londres, onde o denunciante está refugiado desde 2012, conversaram acerca do conflito de interesses entre o posto oficial da Clinton, mantido durante todo o primeiro mandato de Obama, a [organização] não lucrativa do seu marido e os responsáveis do Médio Oriente, cujo desejo declarado de combater o terrorismo pode não ter sido sincero.

John Pilger: Os sauditas, os qataris, os marroquinos, os bahrainitas, particularmente os dois primeiros, estão a dar todo este dinheiro para a Fundação Clinton, enquanto Hillary Clinton é secretária de Estado, e o Departamento de Estado está a aprovar vendas maciças de armas, particularmente para a Arábia Saudita.

Julian Assange: Sob Hillary Clinton – e os emails de Clinton revelam uma discussão significativa disto – o maior negócio de sempre do mundo sobre vendas de armas foi efectuado com a Arábia Saudita: mais de US$80 mil milhões. Durante o seu mandato, o total de exportação de armas dos EUA duplicou em valor de dólares.

John Pilger: “Claro, a consequência disto é que este notório grupo jihadista, chamado ISIL ou ISIS, é criado em grande medida com dinheiro de gente que está a dar dinheiro para a Fundação Clinton?

Julian Assange: Sim.

Pilger também questionou Assange acerca de acusações cada vez mais frequentes do campo de Clinton, e dos media ocidentais, de que a WikiLeaks procura inclinar a eleição presidencial da próxima semana em favor de Donald Trump – talvez por ordem da Rússia.
Mas Assange considerou como improvável a perspectiva de Trump, o qual está para trás nas pesquisas, sair vitorioso – e não necessariamente por não ter as boas graças do eleitorado.

“Minha análise é que não seria permitido a Trump que vencesse. Por que digo isto? Porque ele tem todo o establishment distante do seu lado. Trump não tem um establishment, com a excepção talvez do evangélicos, se é que se pode chamá-los de establishment”, disse Assange. “Bancos, [serviços de] inteligência, companhias de armas, dinheiro estrangeiro, etc estão todos por trás de Hillary Clinton. E os media também. Os proprietários dos media e os próprios jornalistas”.


Maior fraude eleitoral na história descoberta nos Estados Unidos


Vídeo chocante revela software secreto projetado para eleger eleições

Bev Harris expõe máquinas de votação eletrônica

Por Jon Rappoport

(Para ler sobre a mega-coleção de Jon, Power Outside The Matrix, clique aqui.)

OK. Ela finalmente fez isso. Na segunda-feira, Bev Harris (blackboxvoting.org), o grande investigador da fraude de votos, apareceu no show de Alex Jones e colocou tudo para fora. O sistema de fraude de voto GEMS, “magia de fração”, a forma como o voto está sendo roubado. Não apenas na teoria, mas na verdade. Ouça toda a entrevista e divulgue a notícia. As descobertas de Bev são surpreendentes. Abaixo do vídeo está a peça original que eu fiz sobre isso no início deste mês.¹





Como as máquinas de votar são programadas a fim de roubar eleições. – Elas não contam os votos como números inteiros!

“Especialistas” (leia-se “apoiantes de Hillary”) dizem aos americanos que a fraude eleitoral é rara nos EUA. Os americanos também são erradamente informados de que a fraude no ato de votar seria detectada. A verdade é, como agora foi provado, que para isso não é preciso nenhuma vasta conspiração. Basta uma só pessoa para por a máquina a contar os votos tal como o desejado. Uma vez que o voto é registado, o código apaga os elementos que revelariam a fraude. Denuncia Paul Craig Roberts.

High Alert: a eleição ainda pode ser manipulada

Votos contados como frações em vez de números inteiros

… Surpreendentemente, o sistema de manipulação de votos descrito não tem recebido atenção generalizada. O sistema pode ser usado em todo os EUA.

Como sabemos, há uma série de maneiras de criar uma eleição. Bev Harris, em blackboxvoting.org, está explorando uma “folha de fraude” específica que tem vastas implicações para a competição Trump vs. Hillary.

É um sistema de contagem de votos chamado GEMS.

Peço-lhe para mergulhar em sua série de várias partes, Fração Mágica (Parte-1 aqui). Aqui estão as principais citações de Harris. Elas são todas chocantes:
“Nosso teste [de GEMS] mostra que um voto pode ser contado 25 vezes, outro apenas um milésimo de um tempo, efetivamente para converter alguns votos para zero.”

“Este relatório resume os resultados da nossa revisão do sistema de gestão de eleições GEMS, que conta aproximadamente 25 por cento de todos os votos nos Estados Unidos. Os resultados deste estudo demonstram que uma característica de voto fracionário está embutida em cada aplicação GEMS que pode ser usada para de modo invisível, mas radicalmente, alterar os resultados eleitorais por pre-definidas porcentagens de voto desejadas para redistribuir votos. Esta adulteração não é visível para os observadores eleitorais, mesmo que eles estejam de pé na sala e observando o computador. É improvável que o uso do recurso de voto decimal seja detectado através de procedimentos de auditoria ou de pesquisa e pode ser aplicado em grandes jurisdições em menos de 60 segundos”.

“Os sistemas de contagem de votos da GEMS são e têm sido operados sob cinco nomes comerciais: Sistemas Eleitorais Globais, Sistemas de Eleição Diebold, Sistemas Eleitorais Premier, Sistemas de Votação Dominion e Sistemas Eletrônicos e Software, além de uma série de subcontratados regionais privados. No momento em que escrevo este artigo, este sistema é usado em todo o estado no Alasca, Connecticut, Geórgia, Mississippi, New Hampshire, Utah e Vermont e para condados no Arizona, Califórnia, Colorado, Flórida, Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Massachusetts, Michigan, Missouri, Ohio, Pensilvânia, Tennessee, Texas, Virgínia, Washington, Wisconsin e Wyoming. Também é usado no Canadá.”

“Em vez de ‘1’, o voto pode ser 1/2, ou 1 + 7/8, ou qualquer outro valor que não seja um número inteiro.”
“Ponderar uma corrida [através do uso de GEMS] elimina o princípio de “uma pessoa – um voto” para permitir que alguns votos sejam contados como menos de um ou mais do que um. Independentemente do que os votos reais são, os candidatos podem receber um determinado percentual de votos. Os resultados podem ser controlados. Por exemplo, ao candidato A pode ser atribuído 44% dos votos, as candidato B 51%, e as candidato C o resto.”

“Todas as evidências de que os valores fracionários [manipulados] já existiam [no sistema GEMS] podem ser removidos instantaneamente até mesmo do banco de dados subjacente usando uma configuração nas tabelas de dados do GEMS, caso em que mesmo instruindo o GEMS para mostrar os decimais [manipulados] falhará ao revelar que eles foram usados.”

“Código fonte: instruções para tratar votos como valores decimais em vez de números inteiros [ou seja, ajustagem] são inseridos várias vezes no próprio código-fonte GEMS; Assim, este recurso não pode ter sido criado por acidente.”
Um contato que, até agora, aparentemente deseja permanecer anônimo afirma o seguinte sobre a história do sistema GEMS:

“A parcela fracionária do voto [ajustado] traça diretamente a Jeffrey W. Dean, cuja esposa era acionista preliminar da companhia que desenvolveu GEMS. Ele dirigiu a empresa, mas foi proibido de lidar com o dinheiro ou os cheques devido a uma condenação criminal por fraude de computador, que lhe rendeu 4 anos na prisão. Quase imediatamente após ter sido libertado da prisão, foi-lhe concedido acesso íntimo a dados eleitorais e contratos governamentais de grande envergadura para a impressão de cédulas e processamento de cédulas”.

Não vejo nenhum esforço por parte do governo federal, dos governos estaduais ou da imprensa convencional para investigar o sistema GEMS ou responder à extensa análise de Bev Harris.

Não é como se os meios de comunicação não soubessem disso. De shesource.org, aqui está um trecho de sua biografia:

“Harris foi referido como “a madrinha” do movimento de reforma eleitoral. (Globo de Boston). A revista Vanity Fair lhe credita com a fundação do movimento para reformar a votação eletrônica. A revista Time chama seu livro, Black Box Voting, ‘a bíblia’ do voto eletrônico… As investigações de Harris levaram alguns a chamá-lo de ‘Erin Brockovich das eleições’ (Salon.com) … Harris supervisionou cinco ‘demonstrações hack’ em campo, usando máquinas de votação reais. Estas foram cobertas pela Associated Press, pelo Washington Post e em relatórios formais do Escritório de Contabilidade Geral dos Estados Unidos… ”

Até agora, sua análise do GEMS parece ser rotulada como “muito quente para lidar.” Relatórios da imprensa preferem relatar o slinging de lama de ambos os campos dos candidatos presidenciais. Enquanto isso, os resultados reais das próximas eleições – incluindo as corridas do Congresso – parecem estar a ganhar, dependendo de quem controla o GEMS.

Atualização: Pelo que eu entendo, cada governo do estado nomeia um “consultor” para gerenciar GEMS na noite das eleições. Essa pessoa seria capaz de manipular o voto.²

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: ¹ RT.com, Autor: John Pilger | ² Autor: Jon Rappoport
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Usar o Palácio dos Bandeirantes para fotos é um dos problemas do negócio da filha de Alckmin

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Sophia e o pai


A nota saiu na seção “Radar” da Veja e me foi enviada pelo colega Clayton Netz:
Sede do governo estadual de São Paulo, o Palácio dos Bandeirantes vem tendo sua rotina burocrática quebrada por ensaios de moda. Filha mais velha do governador Geraldo Alckmin, com 36 anos, Sophia Alckmin, utiliza o local para realizar suas produções.

Formada em Direito, ela não exerce a carreira, mas faz bastante sucesso como blogueira de moda. Aos seus 400 mil seguidores do Instagram, exibe uma profusão de fotos em que ostenta sapatos, bolsas, joias e roupas de grife.

Como cada ensaio desses exige trabalho exaustivo, os funcionários do Palácio ficam ali de prontidão, como forma de garantir que nada falte à princesa.
O que levaria a filha de Alckmin a mobilizar o que deve considerar seus empregados para que as fotografias que alimentam seu negócio saiam perfeitas?

Ela imagina que esse pessoal não trabalha para ela e ela não é uma espécie de Elizabeth em Buckingham? Os funcionários fazem hora extra?

Parte da explicação é que Sophia tem ciência de que, como o pai, é blindada. Não é filha de Lula ou de Dilma.

Em 2005, amigos de Luís Cláudio, caçula de Lula, postaram fotos de quando ficaram hospedados no Alvorada. Foi um escândalo. A Folha chamou o palácio de “colônia de férias”.

Sophia é uma típica dondoca, mas isso é problema dela. A questão é que esse tipo de — vá lá — “malandragem” não é novidade e vai além de possível falta de noção.

Ex-vendedora e “responsável por novos negócios” da Daslu, ela esteve na secretaria da Fazenda de São Paulo, há 11 anos, na primeira encarnação do governo Alckmin, pedindo “regime especial de recolhimento de tributos” para a loja de luxo.

O próprio secretário contou que a viu algumas vezes com representantes do estabelecimento. A dona da Daslu, Eliana Tranchesi, acabaria condenada por fraude em importações e falsificação de documentos. Chegou a ficar presa e foi solta por meio de um habeas corpus.

Sophia é blogueira de moda. Ela usa a supracitada conta no Instagram para oferecer seus serviços. Como quase tudo nesse meio, é movida a jabá.

Os blogs de moda funcionam de uma maneira, digamos, peculiar. Têm uma ética particular.
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As imagens do “insta” de Sophia, bem produzidas, são acompanhas de legendas fofas em que ela conta que está usando roupas ou acessórios de determinada marca. Não há aviso algum para seus fãs de que ela recebeu aquilo de graça e está fazendo propaganda.

Aparecem “testemunhos” do gênero: “Total Black lá no Bettys com malha e bota de tachas @carmensteffens“.

As filhas e o marido Mario Ribeiro são largamente utilizados nessa jabalândia. Uma de suas meninas ganhou um triciclo de “presente” de uma fábrica de brinquedos famosa. A mãe registrou, obviamente, quem deu.

Geraldo Alckmin e Dona Lu aparecem em vários momentos família. “Tarde relaxante no @aigaispa. Trouxe minha mãe no spa comigo para fazermos um programa só nós duas”, ela escreve, mencionando o patrocinador, comme il faut.

O “endosso” vale também para restaurantes, academias, restaurantes, livros etc etc. Ao que parece, o cotidiano de Sophia é inteiramente na faixa. Ela não gasta com absolutamente nada.

As pessoas, em sua rede, são todas vendedoras desse esquema. Quanto Sophia ganha, e se paga impostos, são outros quinhentos.

Nesse sentido, que mal há em “pedir” para o pessoal do Palácio dos Bandeirantes ajudar nas montagens? No mundo de Sophia, é a coisa mais normal. Agora, se o seu sobrenome fosse Silva, a história seria outra.

Sophia e o pai
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Kiko Nogueira
No DCM
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Trotsky: a revolução começa na escola

Vocês acreditam em sincronicidade? Eu acredito muito. E eis que estava pesquisando no youtube uns filminhos para a seção Cine Morena do blog, quando me deparo com esta comédia canadense de 2009, cujo título parece incrivelmente profético no Brasil atual. É a hilária vida do garoto Leon Bronstein, de 17 anos, no último ano do colegial em Montreal. Leon acredita ser a reencarnação do revolucionário russo de quem é homônimo: ninguém menos que o comandante do Exército Vermelho, Leon Trotsky.

Filho de industrial, a primeira ação de Leon é organizar uma greve de fome dos trabalhadores da fábrica do pai, a quem chama “fascista”. Mas é um filme canadense, né? Ninguém espere que o pai do menino seja tão reaça assim: ele passa a ler a autobiografia de Trotsky para compreender melhor o filho, que segue esquematicamente todos os passos do revolucionário. Enquanto procura, um por um, os Vladimir Ulyanov que aparecem nas listas telefônicas do Canadá, para encontrar o seu Lenin.

Bem, como “castigo” pela agitação política, o pai de Leon o manda para a escola pública. Castigo que ele, é claro, adora. Na escola pública, o desafio de Leon Bronstein é descobrir se sua geração é vítima do tédio ou da apatia. Se for tédio, ele diz que ainda há cura…

Tem muitas citações, desde o livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, até a clássica cena da escadaria de O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. Muito bom, assistam. Só achei a versão dublada. Alguém podia exibir para os garotos nas ocupações, não?



Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Chupa paulistanos


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Xadrez da reconstrução do Brasil


O PSDB de Sérgio Motta e Mário Covas tinha um projeto de poder de 20 anos, porque pensavam em um projeto de Nação. Apostava que a estabilidade econômica e a pacificação política pós-real permitiriam desenvolver um conjunto de políticas legitimadoras que garantissem o poder do partido.

O projeto dançou com a inoperância do governo Fernando Henrique Cardoso e com sua falta de visão política sobre as novas bandeiras a serem içadas.

O PT de Lula entrou, então, com um plano de 20 anos, porque ancorado em um projeto de Nação. Desenvolveu políticas sociais, políticas industriais, avançou nas políticas educacionais e científico-tecnológicas.

Dançou ao não perceber os novos tempos de militância em redes sociais, ao não conseguir se desvencilhar das políticas tradicionais e não dispor de uma estratégia para o segundo governo Dilma.

O grupo que assumiu o poder não tem projeto algum.

Na ponta do PMDB montou o maior assalto ao poder desde o governo Sarney.

Na ponta do mercado, um grupo de economistas que se move exclusivamente por bordões ideológicos e visão de curtíssimo prazo. São a contrapartida do mercado à superficialidade desenvolvimentista de um Guido Mantega.

Já o ex-PSDB tornou-se um partido de direita tosca, perdendo qualquer capacidade de planejamento do futuro. Seus formuladores ou se aposentaram ou desistiram do partido. As lideranças atuais só conseguem articular o discurso da intolerância e do antipetismo.

Não há poder que sobreviva sem um projeto de Nação.

Esse quadro lança o seguinte quebra-cabeças para os próximos anos.

Peça 1 – a crise e um governo sem projeto

Há muito tempo, um dos principais déficits do país é no estudo da economia.

Para manter os privilégios do rentismo, o establishment econômico trocou as visões sistêmicas, a análise de realidades complexas, por simplificações absurdas e visões de curtíssimo prazo, atropelando princípios básicos de economia. Como a ideia de que um violento choque fiscal pró-cíclico, em meio a um quadro recessivo, permitiria em poucos meses a volta do crescimento — brandido por Joaquim Levy, o coveiro de Dilma. Ou, agora, a superstição que bastará um teto nas despesas primárias, deixando de lado os juros, a demanda e as relações sociais e políticas, para devolver a confiança aos investidores.

No médio prazo, é tão draconiano que não se sustentará. É um pacote que não tem viabilidade econômica, nem apelo eleitoral.

No curto prazo, ajuste fiscal e política monetária restritiva, em uma economia em depressão, apenas produzirão mais depressão.

O mercado tem as seguintes fontes de dinamismo:

·      Gastos públicos.

·      Demanda externa.

·      Novos investimentos.

Com a PEC 241, esqueçam-se os gastos públicos.

Com a taxa de juros puxando o câmbio para baixo, mata-se a possibilidade de estimular a economia via exportações.

Com os juros reais em alta (devido à queda da inflação), e com a capacidade ociosa da economia (em função da recessão) o único investimento que acontecerá será na compra de ativos públicos e privados depreciados pela crise.

O país entrará em 2018 com a economia se arrastando, sendo tocado por um governo ilegítimo, sem dispor de nenhum projeto de país.

Portanto, reduzam as estimativas de dez anos de predomínio da direita. Ela fenece antes disso.

Peça 2 – o acervo de projetos da era Lula-Dilma

Por outro lado, em que pese os desastres dos últimos anos, os governos Lula e Dilma lograram desenvolver um conjunto de novas políticas públicas exitosas, industriais, de parcerias com confederações para estímulo à inovação, de avanços na educação, de estratégias diplomáticas, além das políticas sociais.

Como já foram utilizadas com sucesso, bastará a recuperação da história recente do país para se voltar a apresentar um projeto de país ao eleitorado. E, daqui a dois anos, o bicho-papão não será mais o PT, mas a camarilha de Temer.

Algumas das ideias do período que necessitarão ser recuperadas:

Novas políticas industriais

A ideia de juntar políticas de bem estar — como educação e saúde — com compras públicas que estimulem um complexo industrial, cujo momento maior foram as negociações com multinacionais para a transferência de tecnologia de medicamentos adquiridos pelo SUS para laboratórios públicos e nacionais privados,.

As parcerias com a CNI para aparelhamento de laboratórios de universidades federais, em torno de projetos factíveis de desenvolvimento de novos produtos e de apoio a setores competitivos.

A tentativa de transformar a Finep em articuladora das Fundações de Amparo à Pesquisa para financiamento de startups e de setores de tecnologia de ponta, mapeados pelos conselhos empresariais reunidos na ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), infelizmente abandonados na gestão Dilma.

A recuperação do projeto da Petrobras como centro de um complexo químico-industrial, um dos grandes feitos de Dilma.

Novas políticas educacionais

As mudanças com a nova base curricular, os avanços nas conferências nacionais, no desenho de um Plano Nacional de Educação acordado com professores, secretarias de educação e ONGs privadas, o Fundeb, a identificação de projetos bem-sucedidos para disseminação pelas escolas, tudo isso significaram décadas de avanço sobre as baboseiras de pretensos especialistas pretendendo tratar a educação como uma Olimpíada, com cada escola disputando isoladamente os indicadores de avaliação.

A integração de políticas

A parceria interministerial para políticas sociais, como o Brasil Carinhoso, o embricamento do Bolsa Família com o Ministério da Educação.

Os modelos de participação

Embora deixados de lado por Dilma, a figura dos conselhos da sociedade civil — tanto na área social quanto empresarial — são figuras jurídicas maduras, testadas, e que deverão constar da plataforma de qualquer candidatura progressista.

Peça 3 - Os avanços sociais e o governo sem projeto

Há um país moderno, contemporâneo, que transcende o PT e penetra também nos setores mais arejados das grandes metrópoles e no próprio empresariado mais antenado com a contemporaneidade.

Essas bandeiras estão a quilômetros de distância do eixo PSDB-PMDB, que definitivamente se associou ao que existe de mais anacrônico no campo dos costumes.

A ideia de um poder de direita se sustentando por décadas não resiste à falta de projetos do grupo. Com Lula ou sem Lula, dificilmente terá uma plataforma competitiva para 2018.

A arma à qual recorrerá o grupo de poder será a radicalização política, a tentativa de aprofundar o estado de exceção.

A resposta política não poderá ser mais radicalização, mas o exercício diuturno da política, buscando um arco amplo de alianças, que não fique restrito aos grupos de esquerda, mas a todo um espectro de forças modernas, antenadas com a contemporaneidade.

Peça 4 – a construção da oposição

O caminho passará pela construção de pontes com grupos internos comprometidos com os valores democráticos em cada área de poder, que possam exercer papel de liderança e de influência no seu meio.

As mudanças no Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal só se concretizarão com alianças com os setores internos de cada instituição, hoje calados pela maré obscurantista que tomou conta do país.

Há um conjunto de temas a ser trabalhado, dentro da reconquista de um novo projeto de país, aprendendo em cima dos erros cometidos:

Gestão pública

Na ponta da gestão, a responsabilidade maior caberá ao conjunto de governadores progressistas — de Minas, Bahia, Piauí, Maranhão, Ceará e Acre —, estimulando práticas participativas, recuperando os conceitos de políticas de desenvolvimento. E, principalmente, disseminando os conceitos de forma competente nas redes sociais.

Papel relevante pode ser assumido pelos técnicos que ajudaram a implementar um conjunto amplo de políticas sociais inovadoras no governo Fernando Haddad.

O governo Dilma e, principalmente, o de Haddad, comprovam que sem uma venda política eficiente de um projeto de governo, as melhores administrações tendem a naufragar.

Economia e política

No campo econômico, o questionamento radical — e didático — da política monetária do Banco Central, assim como da liberdade absoluta dos fluxos de capital, algo que nenhuma administração do PT ousou afrontar. Principalmente após a PEC 241, ficará cada vez mais claro que o problema econômico central do Brasil é a carga de juros, sustentada pela falsa ciência das metas inflacionárias.

Em algum momento, será necessário algum consenso entre as principais escolas de pensamento heterodoxo, Institutos de Economia da Unicamp e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, mas em um plano interdisciplinar, com os institutos de análise política, como o IUPERJ, a UFMG e outros, para consolidar no plano teórico o verdadeiro normal da economia.

É um desafio para a academia.

Mídia

No campo da comunicação, o questionamento amplo da cartelização da mídia, do sistema de concessões públicas.

Mais do que nunca, haverá a necessidade de uma regulação da mídia, não apenas no campo econômico, mas também em temas diretamente ligados aos direitos sociais e individuais: como o direito de resposta e a necessidade de pluralidade nas TVs abertas e rádios.

Não será desafio fácil. Não poderá ser uma agência centralizada que possa, mais à frente, instituir formas de censura.

O caminho passa pela diversificação das fontes de notícias, da entrada dos grupos estrangeiros — que hoje em dia já produzem o melhor jornalismo no Brasil — à organização de alternativas internas das centrais sindicais, Igreja, coletivos, conselhos, que terão que se organizar para se tornarem produtores de informação.

Segurança pública

No campo da segurança pública, o enquadramento dos órgãos de repressão, especialmente a Polícia Federal e as Polícias Militares, devolvendo às Forças Armadas seu papel de defesa contra o inimigo externo, envolvendo-a prioritariamente com tecnologia, defesa aeroespacial e marítima.

Trata-se de um desafio que passa pela formação profissional, pelas formas de ingresso e de ascensão na carreira. Terá que haver uma aproximação com setores democráticos dentro dessas corporações

Sistema judicial

No campo institucional, uma discussão ponderada e firme sobre os órgãos de controle, acabando com a ampla subversão de poderes, nos quais se tem um Tribunal de Contas opinando sobre políticas fiscais, procuradores avançando sem controle algum (nem externo nem interno) sobre todos os temas, tribunais superiores sem accountability.

Não se pode coibir os poderes, mas submetê-los a formas de prestação de contas para a sociedade civil, em parceria com os grupos internos mais arejados.

Sistemas participativos

Há toda uma estrutura institucionalizada de organização da sociedade civil, através dos conselhos sociais representando os diversos setores, desde os temáticos — saúde, educação, segurança — até os de minorias — negros, idosos, juventude, criança e adolescente, criança com deficiência.

Especialmente, há as universidades, institutos de pesquisa e a extensa rede de escolas secundárias, como centros de discussão e de formação gradativa de consensos. E há as redes sociais e a Internet possibilitando fóruns de discussão nacionais.

Peça 5 – desenho do futuro

Falta um partido ou frente política dando consistência a esse arquipélago de movimentos modernizadores, dessa musculatura da sociedade civil.

Mesmo assim, há quantidade e variedade de grupos de interesse, espalhados por todo o país, se constituirão em trincheiras contra os esbirros autoritários da camarilha de Temer apoiada pela mídia. Dificilmente esses atentados ao Estado de Direito conseguirão prosperar.

Há instrumentistas disponíveis em todos os campos sociais, políticos e econômicos, jurídicos e policiais, uma massa crítica considerável. Falta um maestro ou estrutura que dê organicidade à orquestra.

Como se trata de uma sociedade viva, nos próximos anos se verão movimentos de aproximação entre esses grupos, de busca de identidades comuns, até haver massa crítica para a constituição de um partido ou frente que acomode todas essas forças modernizantes.

Mesmo que a colheita dure um pouco, o plantio está começando de forma vibrante.

Luís Nassif
No GGN
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A PPP: Lava Jato e Globo para ferrar Lula

É a “lawfare”, a Justiça de guerra para destruir a imagem e aniquilar a carreira de um adversário

Ancelmo Lopes tornou-se uma celebridade global com a "notícia do fato"!
Reprodução: Edson Sombra
O Conversa Afiada reproduz artigo do portal Lula.com.br:

Entenda como a Globo e autoridades atuam em “parceria público-privada” para perseguir Lula

Este texto é um registro, baseado em provas e fatos, não convicções, de como funciona a dinâmica da parceria público-privada entre o maior grupo de comunicação do país, de propriedade da família mais rica do Brasil, e funcionários públicos que deviam servir a toda sociedade brasileira, na perseguição de uma liderança política, reconhecida como o melhor presidente da história do Brasil.

Como as acusações e processos contra Luiz Inácio Lula da Silva costumam a nascer de matérias com graves incorreções e mentiras de veículos das Organizações Globo. E como essas matérias dão origem a custosas investigações por agentes públicos, que por sua vez são vazadas prioritariamente também para a Globo, em um mecanismo que se retroalimenta.

Assim será possível entender por que Lula diz que autoridades não podem ser “reféns da imprensa” e por que os advogados de Lula dizem que ele sofre um processo de “lawfare”, de uso de instrumentos jurídicos para a destruição da imagem e inabilitação de um adversário político.

O jornal O Globo publicou, no dia 26 de outubro deste ano, a reportagem: “Lava-Jato investiga outra cobertura usada por Lula” (http://oglobo.globo.com/brasil/lava-jato-investiga-outra-cobertura-usada-por-lula-20357937), assinada pelos repórteres Cleide Carvalho e Thiago Herdy. Ela versa sobre uma nova frente da Lava Jato, aquela investigação que era sobre milhões desviados da Petrobrás, mas que a cada dia vira mais uma investigação de qualquer bobagem relacionada a Lula.

A matéria informa que os investigadores questionam o que seria “uma operação de aluguel”. Com isso, querem dizer um aluguel de um imóvel efetivamente contratado e pago por Lula, segundo o que já comprovaram os próprios investigadores da Lava Jato.

Segundo a reportagem, “a operação” seria uma “simulação para dar caráter formal ao uso do apartamento por Lula ”. Chegou-se ao ponto em que se investiga como simulação de aluguel a própria definição de aluguel: pagar para usar temporariamente a propriedade de outra pessoa.

A matéria recupera uma outra reportagem do mesmo Thiago Herdy, de 12 de abril de 2015: “Diretor da Odebrecht pagou ‘voo sigiloso’ de Lula para Cuba em 2013”. (http://oglobo.globo.com/brasil/diretor-da-odebrecht-pagou-voo-sigiloso-de-lula-para-cuba-em-2013-15850030)

Está escrito na reportagem: “A DAG foi usada pela Odebrecht para bancar despesas de avião usado por Lula em 2013, numa viagem a Estados Unidos, Cuba e República Dominicana. O voo custou R$ 435 mil e foi classificado pela Líder Táxi Aéreo, responsável pela viagem, como ‘sigiloso’.

Essa viagem de Lula não tinha ligação oficial com os negócios da empreiteira. No trecho dos Estados Unidos, o ex-presidente tinha agendado um congresso de trabalhadores.”

O que Herdy escreve como recapitulação da matéria é pura e simplesmente uma mentira republicada. É mentira que a viagem não tinha relação com a Odebrecht. Lula deu uma palestra para a construtora na República Dominicana, por isso ela pagou o voo. Palestra registrada em vídeo, na imprensa local e com a devida nota fiscal. A classificação de “sigiloso” no voo só existe em um documento da Líder com o qual Lula não tem nenhuma relação. A viagem não era sigilosa. Foi divulgada por release da assessoria do ex-presidente e contou com uma série de atos públicos nos três países, devidamente registrados e divulgados. No compromisso que Lula atendeu nos EUA, Alexandrino de Alencar não estava presente.

Tudo isso é de conhecimento do Ministério Público e está provado em documentos que já foram vazados para a imprensa. Mas o texto do repórter induz o leitor a entender outra coisa. Que a viagem seria clandestina, que teria sido paga pela Odebrecht de modo dissimulado e sem motivo, e que Alexandrino teria acompanhado Lula aos Estados Unidos.

Mas por que essa insistência na informação errada 18 meses depois da primeira matéria, já equivocada? Por conta das consequências da primeira mentira. Tomando por base a matéria de O Globo que fala de uma viagem sigilosa que não era sigilosa e outras notícias de jornais e da internet, o procurador Anselmo Lopes, da Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF), deu início a um procedimento investigatório, chamado “Notícia de Fato”, oito dias após a publicação de abril de 2015 (saiba mais: http://www.institutolula.org/nota-a-imprensa-sobre-abertura-de-inquerito).

Em seu texto inaugural, de apenas 50 linhas, sem apresentar qualquer prova ou indício, o procurador Anselmo Lopes levantou a hipótese de que o ex-presidente Lula “poderia”, “em tese”, ser suspeito de tráfico de influência internacional, “caso se comprovasse” que teria recebido favores da empresa Odebrecht para “supostamente” influir sobre autoridades de países estrangeiros para que contratassem obras da empresa. Criou-se uma notícia de fato sem fato, porque não apontou algo concreto a ser investigado, e sim gerou uma tese sem elementos concretos, tão somente baseada em uma notícia falsa de jornal.

Assim, a reportagem das Organizações Globo forneceu o elemento necessário para se abrir uma investigação sobre uma pessoa, tentando lhe atribuir um crime.

O procurador Anselmo Lopes disse que fez a notícia de fato após receber uma manifestação que estimulou a redação do tal documento, mas se recusou a dizer ao Conselho Nacional do Ministério Público quem ou por que vias foi provocado a fazer essa notícia de fato. Disse apenas que foi por via “informal”.

Nove dias depois, no dia 29 de abril, antes de qualquer parte ser citada ou ter conhecimento do incipiente procedimento investigatório, o repórter Thiago Bronzatto, então na revista Época, também pertencente às Organizações Globo já estava sabendo da existência da notícia de fato, e obteve formalmente o documento, como prova protocolo no Ministério Público do Distrito Federal.

Já no dia seguinte, Época foi às bancas levando uma capa espalhafatosa, onde mentiu ao dizer que se tratava de uma investigação coletiva do MPF-DF o que era nada mais do que uma simples notícia de fato, feita por um único procurador, a partir da própria imprensa. A matéria, que contém vários erros jamais corrigidos pela revista, (http://www.institutolula.org/as-sete-mentiras-da-capa-de-epoca-sobre-lula) ampliou e muito a tese sem fatos do procurador e estimulou o avanço do procedimento inicial a partir de uma reportagem mentirosa.

O inquérito, que segundo Época teria sido aberto em abril, foi efetivamente aberto apenas em julho, por um procurador substituto, antes do prazo dado pela procuradora titular do caso para receber os documentos que ela mesmo tinha solicitado ao ex-presidente para análise (http://www.institutolula.org/nota-a-imprensa-sobre-abertura-de-inquerito) e 40 dias antes do término do prazo de procedimento inicial estipulado pela própria procuradora.

A notícia da abertura do inquérito, então, foi vazada para a Globonews, das mesmas Organizações Globo, no dia 16 de julho de 2015.

A partir dali, investigação do Ministério Público se estendeu por 14 meses, a consumir recursos públicos. No processo, vazaram para a imprensa telegramas diplomáticos secretos do Estado brasileiro sem nenhuma relação com o tema investigado, com consequências para a imagem do Brasil no exterior, para a diplomacia brasileira. Levantaram todas as viagens de Lula para o exterior após a presidência – qual era o avião, companheiros de viagem, dia e local de saída e chegada. A revista Época foi a principal beneficiada dos vazamentos, com ao menos duas capas (sobre Cuba e África) com muitas insinuações, danos às relações internacionais, mas sem nenhum crime encontrado.

Época, “patrona” da ação na imprensa, também teve acesso a documentos do processo antes dos advogados de defesa, violando o sigilo da Justiça em que corria a investigação. Um desses acessos, ilegal, foi dado pelo procurador Douglas Kirchner, que depois foi demitido do Ministério Público não por isso, mas pela acusação de agredir e torturar sua ex-mulher (http://www.conjur.com.br/2016-abr-06/cnmp-demite-procurador-republica-batia-mulher).

O Conselho Nacional do Ministério Público não puniu o vazamento de informações protegidas por segredo de justiça. Os 14 meses de investigação jamais confirmaram a tese inicial de “tráfico de influência internacional” que estava na notícia de fato. Mas os procuradores já estavam presos à primeira mentira e reféns da imprensa.

Em dezembro de 2015, derivaram a investigação em um inquérito da Polícia Federal para investigar o filho do irmão da primeira esposa de Lula, Taiguara dos Santos, apresentado como milionário em matéria da revista Veja, por contratos da empresa Exergia com a Odebrecht para obras em Angola.

Embora não tenha detectado nenhum centavo da Exergia nas contas de Lula, nem tenha sido capaz de apontar qualquer ato ou conduta ilegal concreta do ex-presidente, durante a presidência ou depois dela, o Ministério Público Federal, após toda essa investigação, denunciou Lula por corrupção, tráfico de influência no Brasil e lavagem de dinheiro por conta dos contratos da empresa Exergia com a Odebrecht em Angola (a ampla maioria deles, contratos entre duas empresas privadas, sem nenhum recurso brasileiro direto ou indireto).

A tese criativa era de que Lula teria armado um esquema ao longo de sete anos, envolvendo três países diferentes (Brasil, Angola e Portugal) e mais de 7 bilhões de reais de liberação em créditos para ter, em troca, o pagamento de alguns meses do plano de saúde do seu irmão por Taiguara. Não faz o menor sentido, mas é essa a acusação na denúncia.

O Ministério Público, também após 14 meses de investigação, afirmou que as palestras de Lula em Angola em 2011 e 2014 seriam “supostas”, não teriam comprovação de terem sido feitos, apesar de terem informações sobre data, local e foto das palestras, e de existirem vídeos registrando os eventos.

Não é difícil adivinhar qual veículo de imprensa foi agraciado com a informação em primeira mão de que Lula seria denunciado para explicar eventuais irregularidades na liberação dos créditos. Claro que foi a revista Época.

Se a investigação durou longos 14 meses sem chegar em lugar nenhum, a denúncia foi aceita pelo juiz em apenas três dias, sendo que um deles era feriado. A defesa do ex-presidente prepara a resposta à acusação, onde irá evidenciar os devaneios da peça acusatória do Ministério Público, produzida dentro da lógica do chamado lawfare (Guerra Jurídica) para atender às demanda da imprensa, não do devido processo legal.

Esse procedimento se repete em outros casos. Foi o jornal O Globo que publicou, em dezembro de 2014, que Lula seria dono de um apartamento “tríplex” no Guarujá. Apesar das Organizações Globo martelarem que o apartamento 164-A do Condomínio Solaris seria de Lula, a Justiça de São Paulo e o próprio condomínio Solaris, em ação na Justiça de São Paulo, que cobra condomínios atrasados e podem levar a propriedade a leilão, já reconheceram que o apartamento é da OAS.

Mas como a Globo agora vai admitir que errou? Vai dar igual direito de resposta a quem ofendeu de maneira tão feroz e sistemática? Como vai escapar dessa situação? A Globo ainda não pediu desculpas nem pela edição do debate de 1989…

A busca por holofotes ao acusar Lula é tão grande que apenas a história desse apartamento envolve uma disputa entre dois Ministérios Públicos – o Federal do Paraná, com Deltan Dallagnol, e o Estadual de São Paulo, com Cássio Conserino – que fazem acusações diferentes, contraditórias uma com a outra, e ambas sem provas em relação ao apartamento (http://lula.com.br/um-apartamento-duas-denuncias-nenhuma-prova). O Jornal Nacional deu nove minutos para a acusação de Conserino, outros dez para a acusação de Dallagnol. Nenhum registro sobre a Justiça de São Paulo reconhecer a OAS como dona do apartamento. Ou para as contradições entre as duas acusações que tiveram tanta publicidade no principal telejornal do país.

É este é o ambiente de massacre midiático, guerra jurídica e pressa desmedida para obter uma condenação de Lula em segunda instância antes das eleições de 2018. Uma parceria público-privada contra a democracia e o Estado de Direito.
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Ocupação de escolas não vai acabar se governo não admitir autoritarismo

A ocupação de escolas, e já também de faculdades, não vai cessar, caso o governo não admita que cometeu um ato de autoritarismo, com a imposição de uma alegada "reforma do ensino" sem a discutir sequer com uma das várias partes diretamente envolvidas no assunto.

Novas ações do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra entram em processo de gestação, que recebeu agora o estímulo de invasões policiais e prisões em áreas sem conflito. O Movimento dos Sem-Teto fará mais comprovações de que a ferocidade policial, outra vez aplicada em desocupação no centro de São Paulo, incentiva-o em vez de o intimidar.

A intenção do governo, agora silenciada mas não abandonada, de rever demarcações de reservas indígenas (chegará à revisão também de áreas de proteção ambiental), atenderá aos interesses fundiários representados pelo senador Ronaldo Caiado, mas já são motivo de planos de resistência.

A história registra como essas resistências são respondidas pela polícia e pelos ambiciosos de terra com seus os jagunços.

Em meado da semana encerrada, houve ao menos dois encontros reservados de representantes de diferentes movimentos ou setores (nenhum de estudantes). 

Uma dedução possível é a de que ações conjuntas, e até mesmo uma conjugação mais geral, sejam ideias sob exame. Vê-se que é uma situação complexa. Muito mais a de fora da política do que a de seu interior alienado.

A contribuição do governador Geraldo Alckmin para tal situação é inequívoca. A cada episódio de sua PM ditatorialesca, Alckmin comparece com suas falazinhas de bom moço, cada sílaba bem escandida, a fisionomia neutra, ou indiferente. E nenhuma das ações de sua obrigação governamental.

A escolha dos seus secretários de Segurança é significativa. O atual Magino Alves, que só faz gaguejar o fugidio "vamos investigar" as ações truculentas e ilegais da PM; o anterior, Alexandre Moraes, está por dentro dos ataques a jato contra petistas, mas por fora do que a sua polícia apronta. E ele depois acoberta.

A desocupação policial de escola sem autorização judicial foi arbitrariedade dupla: usurpação de poder do Judiciário e ação policial indevida.

O ataque da PM a uma trupe de teatro financiada pelo governo é uma violência indecente, tanto quanto a cobertura recebida do secretário de Segurança e, portanto, do governador.

Na desocupação de um prédio, Marlene Bergamo, que está entre os melhores repórteres-fotográficos do país, saiu com um ferimento no abdome que é como uma cicatriz moral do governo que a atacou. Tudo isso na São Paulo de um Alckmin desejoso de ocupar a Presidência. Para quê?

Um governo federal que só pensa em impor um teto arbitrário e duradouro aos gastos do país carente não precisa, além dessas, de mais palavras sobre sua responsabilidade pelo horizonte que escurece. Mas, é verdade, não se poderia esperar outra obra de Temer e do grupo de que, fraco, se deixou cercar.

Falas

1- Ao lançar Fernando Henrique a uma candidatura para eleição presidencial indireta, e direta só em último caso, Xico Graziano omitiu, por bondoso esquecimento, o motivo que lhe tirou o cargo de secretário da Presidência de Fernando Henrique.

Sério, ele desconfiou das relações do diplomata encarregado dos salamaleques palacianos. E descobriu que o embaixador João Batista dos Santos estava articulado com um representante da Raytheon, para destinar a essa multinacional a construção do sistema de vigilância da Amazônia, o Sivam. Expôs a descoberta a quem deveria ouvi-la.

Nada, nenhuma providência. A transação continuava. Graziano deu um jeito de torná-la pública. Aí Fernando Henrique tomou não uma, porém duas providências: demitiu Graziano e premiou o diplomata lobista com a embaixada, na Itália, junto à FAO.

Pouco depois, afastada à força a concorrente francesa, entregou o Sivam à Raytheon e telefonou ao então presidente Clinton, como contou, para informá-lo de que atendera o interesse do governo norte-americano.

2- O lançamento feito por Graziano, em artigo na Folha, teve farta repercussão. Indagado, disse "O Globo", se aceitaria a candidatura, "FH, 85 anos, foi rápido: 'Não. A Presidência abrevia a morte'."

Ah, essa briga com as palavras, tão longa, não cessa. O que a Presidência pode abreviar não é a morte, é a vida. À morte, poderia antecipá-la.

Janio de Freitas
No fAlha
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