5 de nov de 2016

Nota de Repúdio – Onda Fascista em Florianópolis


Nas últimas semanas temos vivido um sem fim de acontecimentos que necessitam esclarecimentos e apontamentos – A onda fascista instaurada na cidade de Florianópolis. Com o eclodir das Ocupações contra a PEC 55 (antiga 241) e a Reforma do Ensino Médio e Lei da Mordaça, temos observado ataques cada vez mais diretos a livre manifestação e posicionamento político. Atualmente na cidade estão Ocupadas: Reitoria da UDESC, CFH da UFSC, IFSC – Centro; Colégio Aplicação/UFSC e Escola Estadual Simão Hess em estado de Ocupação. Todas as ocupações autonomamente mobilizadas e respaldadas por suas assembleias estudantis.

No último dia 31, um ativista do MBL passou a fotografar indiscriminadamente o rosto de algumas pessoas específicas presentes no CTC quando o grupo de estudantes proferia o grito de luta “racistas, fascistas não passarão” em protesto ao ocorrido na virada antirracista e aos ataques nazistas na sala do Quilombo da mesma Universidade. Em ato que seguiu passando pelos Centros da UFSC chamando os estudantes para somar aos movimentos de Ocupação, a perseguição se manteve, dirigindo a câmera para o rosto dos manifestantes. Em dado momento colaboradora da Mídia Independente DESACATO realizava seu trabalho, quatro pessoas pró MBL, cercaram um grupo de manifestantes, a colaboradora do Desacato foi ajudar a separar e foi verbalmente agredida iniciando uma discussão quando foi questionado sobre a motivação da perseguição e a indevida foto. Não tendo resposta que justificasse sua ação foi pedido que apagasse as imagens, outros estudantes intervieram na ação, colocando a mão sobre a lente da câmera evitando que novas imagens fossem captadas. Não bastasse o transtorno causado no campus da UFSC em momento posterior o tal fotógrafo, velho conhecido por colaborar com a polícia federal entregando nome de estudantes militantes e ativistas que foram indiciados juntamente com docentes no episódio conhecido como Levante do Bosque, publicou num tal Jornal Livre.com, canal de desserviço do MBL, vídeo com imagens dos estudantes além das imagens captadas sem autorização. A redação que se segue as imagens são completamente distorcidas e inventadas, já que em nenhum momento o mesmo foi agredido.

Os dias se seguem com mais ações totalitárias como nota do docente do curso de Engenharia Mecânica da UFSC — bastante conhecido por seus posicionamentos problemáticos — criminalizando os movimentos de ocupação e incitando a violência com palavras, misóginas, racistas e violentas, ou intervenção de um adepto durante uma assembleia na reitoria da UFSC que toma voz no microfone apenas para insultar os demais estudantes com a frase “hipócritas, vão trabalhar e estudar seus inúteis”. Fora a perseguição de certos indivíduos na Ocupa UDESC, fotografando rosto de estudantes sem autorização e destratando meninas com o mais baixo da misoginia. Além do caso de racismo por parte de uma coordenadora do MBL de Florianópolis, que na mesma tática, começou a filmar pessoas que estavam participando de uma atividade da Ocupação. As meninas que estavam na linha de frente para impedir a filmagem eram negras, a tal coordenadora grita dizendo que estava sofrendo racismo reverso. Chamou a polícia, alegando ser ameaçada pela Ocupação, mais tarde lançando uma entrevista para o mesmo portal de desserviço do MBL o Jornal Livre.com distorcendo e inventando fatos que não aconteceram sobre o ocorrido; a organização da Ocupação possui provas de que ela está mentindo.

Ontem novamente o MBL volta atacar se autopromovendo como defensor e articulador de desocupações em escolas, juntamente com seus simpatizantes. Durante ato de estudantes do colégio de Aplicação em frente à Escola Estadual Simão Hess que vem sendo mantida trancada pela direção num sistema de cerceamento dos estudantes pró-ocupação, bem como incitando pais e professores a assinarem termos de responsabilidade contra a Ocupação, numa tática esdrúxula de coerção, mostrando despreparo e autoritarismo em relação à luta dos estudantes. Uma das lideranças da gangue MBL, filmou indiscriminadamente e sem autorização os estudantes que realizavam o ato. E ao contrário do que promove em sua página o que se vê é apenas a provocação dele incitando algumas estudantes e negando-se a dizer que pertence ao MBL, quando questionado que mídia independente representava. Hoje, adeptos do grupelho perseguem e gravam determinados professores do Simão, mesmo durante atividades pessoais dos mesmos.

Tais ações nos oferecem um panorama complexo dos levantes totalitários “o surgimento de estruturas de poder voltadas para uma forma total de dominação, que não se detêm nem mesmo diante da tarefa monstruosa de eliminar populações inteiras, para fazer triunfar ideias abstratas e crenças na superioridade de raças e de ideologias.” Como tão bem versou Hannah Arendt. É preciso estar atento e forte, mesmo diante de tanta violência e discurso de ódio produzido e espalhado por este Movimento – MBL que se diz em prol da liberdade, mas está o tempo todo cerceando a dos outros, com perseguições, difamações e mentiras.

Repudiamos rigorosamente toda exposição de qualquer estudante presente nas ocupações, amparados pelo Código Civil que diz: Da publicação contrária à vontade nasce o dever de indenizar, tal fato independe do estado de desconforto aborrecimento ou constrangimento que é causado pela publicação da fotografia de alguém. “Consumada a ofensa ao direito à imagem, deve o infrator ressarcir os prejuízos sofridos pelo titular do direito à imagem, buscando a reparação do dano causado. Essa reparação far-se-á através da indenização pecuniária”. No mesmo sentido preconiza o Código Civil Brasileiro no seu artigo 159: “aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imperícia, violar direito ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”.

Repudiamos todas as ações que visem criminalizar os movimentos de Ocupação através da difamação, incitação ou agressão aos seus participantes. Lembrando que estes são a força imprescindível de luta neste país entregue as ações de desmanche do Estado. Que todo levante secundarista e universitário é autônomo, suprapartidário, pacífico e organizado. Com integridade em ações de emancipação, reflexão e mobilização sobre as políticas de austeridade impostas pelo desgoverno golpista. Nos manteremos em luta, ocupando ruas, escolas, universidades e tomando todas as medidas cabíveis em respostas aos fascistas de plantão.

Seguem links das notas em apoio as Ocupações que já passam de 1100 em todo Brasil.

http://www.udesc.br/noticia/dialogo_entre_gestores_da_udesc_e_estudantes_define_rumos_da_ocupacao_da_reitoria
https://ninja.oximity.com/article/M%C3%ADdia-internacional-questiona-o-d-1
http://www.udesc.br/noticia/nota_de_apoio_da_faed___ocupa__o_estudantil_da_reitoria h
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/11/alunos-que-ocuparam-pedro-ii-se-prontificam-nao-interferir-no-enem.html?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar
https://www.facebook.com/notes/udesc-ocupada-pela-democracia/negocia%C3%A7%C3%A3o-reitoria-e-estudantes/1728241844165511
http://ajd.org.br/documentos_ver.php?idConteudo=228

No Desacato
Leia Mais ►

Conheça os bilionários convidados para “reformar” a educação brasileira de acordo com sua ideologia


Na primeira audiência pública feita no Congresso para debater a reforma do ensino médio, na terça-feira, dia 1º, as ocupações foram um dos temas abordados. Contudo, as falas de alguns parlamentares são o desenho perfeito da falta de compreensão das demandas feitas pelos estudantes.
“Eu não consigo entender as motivações contra a reforma do ensino médio.” Deputado Thiago Peixoto (PSD-GO)
thiago-a
Deputado Thiago Peixoto (PSD-GO)
Foto: Ananda Borges
Talvez, se eles tivessem mais voz nesse debate, não fosse tão difícil compreendê-los.

Em oposição à total surdez para com os estudantes, os parlamentares são todos ouvidos para outro grupo: os representantes de bilionários presidentes de fundações educacionais. Para as audiências públicas que estão por vir foram convidados sete representantes de fundações e institutos empresariais.

Mas, qual o problema em se ter bilionários na mesa de debate? A princípio, nenhum. Na prática, além do fato de que não existe almoço grátis, é necessário observar o tipo de educação que esses grupos vislumbram como o “padrão de qualidade” — lembrando que a própria existência de um “padrão de qualidade”, quando se fala sobre educação, já é algo bastante questionável.

Fundações costumam se colocar como apartidárias, porém, ao participarem ativamente da criação e execução de políticas públicas — como está sendo o caso no debate sobre a reforma do ensino médio — comportam-se, elas mesmas, como partidos.

É no mínimo curioso que as propostas de reforma do ensino médio tenham ganhado força logo quando a tutela do MEC passa para as mãos de jovens empreendedores e ex-Lemann fellows (o apelido dado aqueles que receberam bolsa da Fundação Lemann). O Diário Oficial da União do dia 2 de setembro avisou sobre a nomeação de Teresa Pontual, ex-bolsista da fundação, para a Diretoria de Currículos e Educação Integral do MEC. Menos de um mês depois, a MP foi assinada.

Outro  exemplo é o caso de Maria Helena Guimarães de Castro, uma das sócias-fundadoras do Todos Pela Educação e membro da comissão técnica do movimento, hoje secretária-executiva do MEC à frente da reforma.

Brasília - A secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, durante divulgação dos resultados, por escola, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015 (Elza Fiuza/Agência Brasil)
A secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro.
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
Os interesses que ficam por trás destes “partidos” nem sempre são facilmente notáveis. A filantropia pode ser usada para vários fins: o honesto desejo por um mundo melhor, a “lavagem de consciência”, o tráfico de influência, e até a lavagem de dinheiro. Além das óbvias isenções fiscais e imunidades tributárias concedidas às fundações por todas as suas benesses, há um ponto a mais quando se fala da ligação entre fundações educacionais e grandes empresas: a formação dos funcionários.

A média brasileira de gastos com treinamentos é de R$ 518 por funcionário. Seria ótimo se os donos de grandes empresas pudessem economizar esse dinheiro, que significa aproximadamente R$ 1,38 milhão anuais por empresa escoando das companhias com mais de 500 funcionários. Já para a Ambev, de Jorge Paulo Lemann — que também está à frente da Fundação Lemann — significaria uma economia de aproximadamente R$ 20 milhões ao ano, afinal são mais de 40 mil empregados. Se, ao menos, no ensino técnico ou médio já fossem ministrados alguns dos treinamentos necessários aos futuros empregados, empresários como Lemann não precisariam gastar tanto com RH.

Depois de estudantes e professores se manifestarem pedindo um lugar à mesa de debate, o espaço para profissionais de educação foi ampliado. Continuam sendo apenas 2 representantes dos alunos, mas subiu de 3 para 9 o total de professores entre os 57 convidados para audiências públicas na comissão especial. Os lugares de honra, no entanto, permanecem reservados às fundações e institutos empresariais.

A próxima audiência pública, por exemplo, está marcada para a próxima terça, 8 de novembro, e contará com representantes do Instituto Inspirare, Fundação Lemann e Instituto Unibanco. Muitos dos representantes destes organismos receberam até mais de um convite, todos feitos pelos 24 parlamentares integrantes da comissão, para ir ao púlpito. Serão necessárias outras audiências, no entanto. Afinal, são muitos os representantes de fundações e institutos empresariais.

Quem o governo quer ouvir:

1 — Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann

A fundação de Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil e 19º entre os mais ricos do mundo. Espécie de “Midas”, todos seus investimentos são certeiros e ajudam a engordar ainda mais a fortuna de R$ 103,59 bilhões do “rei da cerveja”. Não por coincidência, uma de suas mais recentes apostas é a Escola Eleva, que tem foco no ensino médio e atua em período integral.

2 — Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco

O Instituto Unibanco é presidido por Pedro Moreira Salles, o 9º colocado da lista dos bilionários brasileiros, com R$ 12,96 bilhões. Empatados na mesma posição estão seus irmãos Walter Jr, João e Fernando. O principal projeto do IU, Jovem de Futuro, está comemorando uma década. Criado a partir de uma parceria com o MEC e com as secretarias estaduais, o instituto oferece consultorias e treinamentos aos gestores de escolas públicas de ensino médio. Para colocar as metodologias em prática, porém, é necessário que a escola adote a plataforma tecnológica criada pelo instituto, que passou a constar no Guia de Tecnologias do MEC.

3 — Ana Inoue, consultora de educação da Fundação Itaú

A Fundação Itaú é presidida por Alfredo Egydio Setubal. Pedro Moreira Salles faz parte do conselho curador. Os dois são membros do conselho administrativo do banco Itaú Unibanco, que controla tanto a Fundação Itaú quanto o Instituto Unibanco.

O trabalho da Fundação é, em parcerias com secretarias municipais e estaduais, oferecer consultorias para treinamento de gestão aos secretários de educação e aos diretores de escolas.

Sobre seus interesses políticos, o secretário de Educação da Paraíba, Aléssio Trindade, que, inclusive, também consta na lista de convidados pela comissão especial, resume: “o Itaú-BBA lidera uma ação do Consed junto ao MEC, que é a reforma do Ensino Médio, com a inserção da educação profissional”.

4 — Anna Penido, diretora executiva do Instituto Inspirare

O Instituto Inspirare é presidido por Bernardo Gradin, o 47º colocado na lista dos 70 maiores bilionários do Brasil. A origem da fortuna de R$ 4,16 bilhões são empresas de construção e petroquímica. Ex-presidente da Braskem, empresa petroquímica, e ex-acionista da Odebrecht, Gradin foi mencionado por outro “ex” em delação premiada na Lava Jato: Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras disse ter tratado de “pagamentos de vantagens ilícitas” a ele.

Seu instituto está envolvido na proposta de “educação integral na prática”; plataforma que “disponibiliza recursos organizados em eixos temáticos para apoiar gestores e equipes técnicas na elaboração, implementação e avaliação de programas de educação integral”. Outra iniciativa é a “Escola Digital”, uma plataforma virtual que oferece ferramentas pedagógicas como vídeos, jogos, mapas e livros digitalizados.

5 — Priscila Fonseca da Cruz, presidente-executiva do “Todos pela Educação”

O presidente do Conselho de Governança do T.P.E. é Jorge Gerdau Johannpeter, que já figurou na Forbes como 48º colocado na lista dos bilionários, em 2012. Hoje seu nome ainda aparece na famosa lista, mas com menos destaque, já que seus módicos R$ 1,56 bilhão mal fazem sombra aos demais concorrentes.

Como prêmio de consolação, entrou para uma nova lista, a dos brasileiros nomeados nos “Panama Papers”, maior vazamento de documentos da história. Na lista, figuram 22 empresários nacionais que possuem ligação a companhias abertas em paraísos fiscais. A de Gerdau consta como aberta em 2005, para captar recursos no exterior, e desativada em agosto de 2009.

O T.P.E. já se consagrou como influência nas políticas públicas de educação. Fundado em 2006 como um movimento social, um ano depois, deu nome a um decreto que estabelecia as diretrizes do compromisso com o plano de metas.

6 — David Saad, Diretor-presidente do Instituto Natura

Antônio Luiz Seabra, fundador da Natura é dono de uma fortuna que totaliza R$ 4,12 bilhões. O Instituto Natura é o principal parceiro do ICE em seus trabalhos de consultorias dadas a secretarias estaduais de educação para implantação do ensino médio integral. Para entender seu papel, é preciso, então, chegar ao último convidado VIP.

7 — Marcos Magalhães, Presidente do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE)

Engenheiro aposentado, Marcos Magalhães não desfruta de fortuna como os demais listados. Seu tesouro é outro: a amizade com o atual ministro da educação, Mendonça Filho.

Em entrevista realizada em 2012, Magalhães explicou o funcionamento de seu trabalho: “Houve uma parceria em que nós trabalhamos, uma parceria público privada (PPP) entre a secretaria e parceiros. Esses parceiros compreendem ONGs e grupos empresariais locais do estado. Os grupos aportam o recurso financeiro, e o ICE faz a consultoria.”

As consultorias são para implantação de ensino médio integral. Partem de uma experiência considerada exitosa, em Pernambuco, estado do ministro. Já foram registrados casos de parcerias e contratos com secretarias de educação apontados como irregulares. Nada que tivesse despertado a atenção da grande mídia ou de órgãos investigadores.

Na mesma entrevista de 2012, Magalhães deixou bem claro o que já pensava sobre os profissionais de educação: “A gente fala que pedagogo tem visão um pouco, digamos, estreita do que é modelo educacional.” [ênfase adicionado]

Brazilian bankers Roberto Setubal (L), of Itau, listens to Pedro Moreira Salles, of Unibanco, as he speaks during a press conference announcing the merger of their institutions, in Sao Paulo, Brazil, on November 3, 2008. Brazil's Itau and Unibanco stated they were merging to create the biggest bank in Latin America, with combined assets of more than 260 billion dollars. Itau is currently the second largest private-sector bank in Brazil, and Unibanco is ranked fourth. AFP PHOTO/Mauricio Lima (Photo credit should read MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images)
Roberto Setubal (esquerda), do banco Itaú, e Pedro Moreira Salles, do Unibanco na coletiva de imprensa que
anunciou a união entre os dois bancos.
Foto: AFP/Getty Images
A generosidade é tamanha que chega a despertar curiosidade. No caso específico do banco Itaú, por exemplo — dono da Fundação Itaú e do Instituto Unibanco — é do tamanho de uma pilha de R$ 188,8 milhões de reais, tudo investido apenas em educação e apenas em 2015, de acordo com suas demonstrações contábeis.

Nos artigos publicados por especialistas do Itaú sobre educação, o tom não é exatamente de caridade. Em “Educação, produtividade e crescimento”, de janeiro deste ano, pode-se ler:
“Em 1992 os brasileiros estudavam 4,8 anos, em média.

Em 2014, o número subiu para 8 anos.

Com esses resultados, a produtividade da mão de obra no Brasil deveria estar aumentando, contribuindo para o crescimento do PIB potencial do país. No entanto, as estimativas de evolução da produtividade calculadas a partir das contas nacionais e dos números do mercado de trabalho sugerem que, na melhor das hipóteses, a produtividade ficou constante. Por que isso acontece?”
Fica bem claro que a mentalidade do investimento em educação é aumentar a produtividade da massa trabalhadora. Inclusive, essa é a ideia por trás da reforma do ensino médio: formar a massa trabalhadora, e não indivíduos pensantes. É o que critica a professora de educação física Viviane Coelho:


“As crianças e os adolescentes, eles têm que passar por essa experimentação. Até porque quando eles se formam no ensino médio eles não têm uma exata noção do que eles querem fazer, estão numa fase de transição. Então todas as matérias são importantes. Mesmo que não seja a aptidão, mas que se forme, que tenha a informação, então o aluno se forma de uma maneira mais global.”
Essa mentalidade de formação de massa trabalhadora fica desenhada no sumário executivo sobre a reforma, publicado pelo Senado:

Ainda sobre o artigo publicado pelo Itaú, o próprio texto responde à pergunta final (“por que a produtividade não aumenta, apesar dos investimentos em educação?”) com três possíveis motivos:

1 – “As condições socioeconômicas para dar às crianças boas condições de desenvolvimento no Brasil ainda estão longe dos padrões internacionais”

2 – “Houve avanço na quantidade de pessoas na escola e de tempo de permanência, mas não há sinais de que houve melhora na qualidade do ensino”

3 – “O país ainda não parece ter encontrado a melhor forma de gerar incentivos, via legislação, na direção de aumentos de produtividade

Caso o número três não tenha ficado claro, o economista Caio Megale, que assina o artigo, explica: “Desta forma, o impulso gerado pela educação, em países com legislações mais flexíveis, pode estar amortecido no Brasil”. Ou seja, apesar das melhorias na educação, pode ser que nossa lei trabalhista esteja no caminho de um aumento de produtividade.

O estudo “Ensino Médio no Brasil e a privatização do público”, de Maria Raquel Caetano, Doutora em Educação pela UFRGS, explica como essa influência de ideologia liberal se dá na prática educacional: “Não são simplesmente os serviços de educação e de ensino que estão sujeitos a formas de privatização: a própria política de educação – por meio de assessorias, consultorias, pesquisas, avaliações e redes de influências”.

Usando uma ideia de falta de produtividade da escola, o desempenho em avaliações nacionais é usado para justificar a necessidade de apoio do setor privado. Usando a melhoria da gestão como argumento, aceita-se a contratação de serviços de formação de professores e gestores, consultorias educacionais e serviços de avaliação. Ideia que, inclusive, vem sendo apresentada como justificativa para a MP da reforma do ensino médio.

Helena Borges
No The Intercept
Leia Mais ►

fAlha - o jornal que mais se vende


Folha monta megaprojeto de mídia com a Caixa Econômica Federal

O Ministro Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, cumpriu a promessa de oferecer uma "bolsa mídia" para aliviar os problemas financeiros dos grupos de mídia.

Logo que o Ministro anunciou a bolsa-mídia, a Folha retribuiu com reportagem de ataques aos blogs. Chegou a somar dez anos de publicidade de empresas estatais nos blogs, para aparentar grandes volumes de recursos. Em seguida, a nova diretoria da CEF foi recebida em almoço no jornal.

O pacote assinado com a CEF provavelmente não tem paralelo no mundo online. A CEF comprou o banner principal em 10 páginas nobres da Folha Online, colocando a mesma peça de publicidade:

* Home da editoria de Poder

* Página com as reportagens de Poder.

* Home da Tendência e Debates

* Página com artigos de Tendência e Debates

* Home da editoria de Mundo

* Página com as reportagens do Mundo

* Home da editoria de Esportes

* Página com reportagens de Esporte

* Home da editoria de Cotidiano

* Página com reportagens do Cotidiano

Desde que se iniciaram as negociações, Padilha, Geddel Vieira Lima e Romero Jucá passaram a ser poupados pelo jornal, contra a linha anterior ao impeachment, de denúncias constantes contra eles.

No GGN
Leia Mais ►