4 de nov de 2016

A crise de projetos da elite


A série britânica Black Mirror é uma excelente crítica desses tempos de redes sociais estimulando o aparecimento da besta, os consensos em torno de chavões e lugares-comuns, um profundo processo de emburrecimento não apenas do cidadão médio mas também da elite.

Mal comparando, reflete o estilo corporativo das empresas que miram apenas o resultado trimestral, perdendo de vista o foco estratégico da companhia.

Dois casos são sintomáticos.

Primeiro, o do chanceler José Serra, que assumiu o Itamarati amparado  nos bordões mais primários de direita. Assume uma máquina complexa, com uma temática sofisticadíssima, que passa por acordos de blocos, relações bilaterais, acordos de comércio e a única coisa que consegue emplacar é a briga com a Venezuela e os bolivarianos, comprometendo uma estratégia secular de não-alinhamento do Itamarati.

Um completo tosco, tentando imprimir a lógica rasa de rede social na casa de Rio Branco.

Outro, o das novas lideranças empresariais que emergem nesses tempos de caos.

O país já teve lideranças empresariais com visão do todo, de Roberto Simonsen nos anos 40 às lideranças industriais dos anos 90. Pessoas como Paulo Cunha, do grupo Ultra, Jorge Gerdau, Emilio Odebrecht, em outros tempos Walther Moreira Salles, Amador Aguiar, comportavam-se como os pioneiros norte-americanos do início do século 20, entendendo que só conseguiriam ser grandes empresários em um país grande. Enfim, tinham um projeto de país.

Hoje em dia, aparentemente todas as novas lideranças sucumbiram ao financismo raso, à enorme facilidade em enriquecer cada vez mais apenas com a política monetária do Banco Central e de pensar de acordo com bordões de rede.

Dia desses conversei longamente com uma dessas lideranças de mercado. Um dos temas foi a reforma educacional.

O atual estágio de desenvolvimento econômico global exige a multidisciplinaridade, a capacidade de visão sistêmica, de entender os diversos ângulos de uma questão.

O desafio da pedagogia atual é como embalar o multiconhecimento de maneira a atrair a atenção do aluno. Há toda uma discussão entre os mais diversos setores em torno da base curricular, um modelo que permitiria às escolas trabalhar o conceito de projeto.

Por ele, define-se um desafio local — por exemplo, as enchentes que abalam determinada comunidade. Em cima desse problema, monta-se um projeto juntando as diversas matérias relacionadas ao tema.

Do lado técnico, os alunos levantarão como prevenir enchentes. Do lado social, o impacto das enchentes na vida dos habitantes. Do lado científico, os efeitos do aquecimento global na região. Do lado das políticas públicas, ferramentas do poder público para trabalhar o problema.

Em cima desse projeto — que trabalha com prazos, indicadores e produto final —, entra a base curricular, as matérias que precisam fazer parte do curso, de acordo com as diretrizes do MEC (Ministério da Educação).

Às crianças — e seus professores — cabe buscar fora da escola as informações de que não dispõem para o projeto. Vão atrás de especialistas, pesquisam no Google, buscam informações entre pais que tenham algum conhecimento da matéria.

A ocupação das escolas, em São Paulo, foi um exemplo soberbo dessa nova metodologia e expectativa dos estudantes. Sem os grilhões de direções quadradas, escolheram livremente seus temas e lotaram as escolas nos fins de semana, com convidados falando sobre a matéria escolhida por eles..

No entanto, o que se absorve das lições do INSPER — que se tornou uma espécie de think tank ideológico dessa elite — é o padrão Martha Suplicy de profundidade: muitas matérias atrapalham o aluno e dispersam conhecimento; o Brasil precisa de técnicos, não de filósofos; não se pode dar tantas alternativas de conhecimento às crianças, mas apenas o que é de seu interesse futuro, como se crianças soubessem de berço a profissão que seguirão.

No início da era da Internet no Brasil, algumas das primeiras agências de comunicação tinham filósofos no comando, porque a filosofia , assim como a física, trabalha com um dos pontos centrais, a capacidade humana de formular raciocínios e entender realidades complexas.

Outro ponto em que houve notável involução do pensamento gerencial, é a ideia de que os professores, na ponta, são inimigos de qualquer mudança e precisam ser tratados com comando e disciplina.

Como pretender enfiar goela abaixo instruções para um contingente de centena de milhares de professores, responsáveis diretos pela qualidade do produto final, a educação?

Até nas empresas privadas, a implantação de novos métodos gerenciais exigem a conquista de corações e mentes dos funcionários — porque são eles, em última instância, que responderão pela qualidade do produto.

A metodologia de avaliação da própria Fundação Nacional de Qualidade privilegia o ambiente interno e a capacidade de adesão dos funcionários aos novos métodos.

A Secretário Executiva do MEC, Maria Helena, é o símbolo mais ineficaz desse método de definir políticas educacionais a partir do gabinete. São pessoas limitadas, que aprendem alguns conceitos gerenciais e julgam ter a força do conhecimento, que lhes permite se impor sobre a malta dos comandados.

O que assusta é que esse pensamento primário tenha eco em lideranças empresariais. Há ONGs bancadas pelo setor privado — como o Todos Pela Educação ou a Fundação Ayrton Senna — que avançaram na busca da melhor pedagogia. E, em nenhum caso, as ordens de cima para baixo merecem consideração.

No entanto, parece haver um divórcio entre esses think tanks especializados e o novo pensamento empresarial brasileiro, entregue a pessoas que acreditam que basta uma PEC 241 para emergir um novo país.

Luís Nassif
No GGN
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Manipulação global na Copa do Brasil é confirmada

Globo anuncia mandos de final da Copa BR antes de sorteio e gera polêmica

Preste atenção na hora em que foi feita a transmissão. (Inclusive no vídeo abaixo).
Assista ao vídeo divulgado pela Globo e, na sequência, ao que um telespectador gravou ao vivo:



O sorteio dos mandos de campo das finais da Copa do Brasil aconteceu na manhã desta sexta-feira (4), na sede da CBF no Rio de Janeiro, e ficou definido que o Grêmio decide em casa, em Porto Alegre (RS). Porém, com mais de 24 horas de antecedência, os mandos da decisão da competição foram anunciado pela TV Globo no seu telejornal Hora 1, na madrugada de quinta-feira (3), poucas horas depois de serem conhecidos os vitoriosos nas semifinais, transmitidas pela própria Globo no tradicional horário de futebol na noite de quarta-feira.

''Estão definidas aí as datas das finais entre Atlético e Grêmio. A primeira partida vai ser em Belo Horizonte, dia 23, e no dia 30 tem o jogo decisivo, então, em Porto Alegre'', disse no ar, ao vivo, às 5h55, a apresentadora do noticioso, Monalisa Perrone, logo após exibição de VT com repercussão das semifinais feita por Cleber Machado, narrador do jogo de volta entre Grêmio e Cruzeiro.

Muitos internautas estranharam o fato e o vídeo do Hora 1 com Cleber e Monalisa foi bastante repercutido na manhã desta sexta-feira (4). Bombardeado por telespectadores com questionamentos no Twitter, o também apresentador de telejornal na Globo, Chico Pinheiro, torcedor atleticano assumido, justificou a um seguidor se tratar possivelmente de um erro da emissora apenas. ''Foi falha nossa. Ela deu a notícia na madrugada de ontem, 6 horas depois de Galo e Inter. Tinha 50% de chance de acerto.''

A reportagem já entrou em contato com a emissora, que prometeu uma resposta nas próximas horas.





No Uol Esporte
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Minas pode se tornar a bola da vez


Peça 1 – a falta de propostas da direita

Tem-se a seguinte situação em relação aos chamados governos progressistas.

De um lado, a falta de perspectivas imediatas de volta ao poder. Ao mesmo tempo, um governo sem a menor noção de políticas públicas, somado a um pensamento neoliberal raso, incapaz de ir além do fiscalismo tosco da PEC 241.

Muitos e muitos anos atrás, o PSDB era capaz de formular políticas alternativas, dentro da ideia de Estado enxuto, porém forte. Hoje em dia, só sabe exercitar a negação pura e simples do Estado.

Preso a superstições ideológicas, nos próximos dois anos o governo PSDB-PMDB irá praticar o ajuste fiscal e uma política monetária de juros altos e de câmbio baixo em um ambiente recessivo Matará, com uma só tacada, três motores de demanda: a demanda pública, as exportações e os novos investimentos privados, que não conseguirão concorrer com uma taxa de retorno real de 8 a 10% ao ano.

Com isso, a aliança PSDB-PMDB chegará em 2018 sem recuperar a economia e sem um projeto de país.

De seu lado, a oposição terá que mostrar suas vitrines de políticas alternativas. O caminho é através dos estados, o que joga uma enorme desafio-oportunidade-responsabilidade para os governadores.

Peça 2 – o fator Minas Gerais

Há tempos Minas Gerais tem se destacado como um laboratório de experiências administrativas.

Do antecessor, Antônio Anastasia, Pimentel herdou algumas metodologias de planos gerenciais e um bom contingente de gerentes públicos formados pela Escola de Administração Pública da Fundação João Pinheiro

Depois, se cercou de um grupo de acadêmicos da Cedeplar (Centro de Desenvolvimento de Planejamento Regionais) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) (http://migre.me/vpXNE), entre os quais especialistas em desenvolvimento regional e em modelos administrativos que rapidamente identificaram as falhas e os pontos de aprimoramento a serem trabalhados.

Depois de um primeiro ano excepcional, no entanto, o governo de Fernando Pimentel foi alvejado por dois tiros: a crise econômica e a ofensiva política da Polícia Federal.

Se o governo Pimentel recuperar o pique, Minas poderá ser estados chave como vitrine de um modelo de governança alternativa à centralização autocrática de Brasília.

Peça 3 – as políticas de gabinete

Os técnicos do Cedeplar identificaram dois vícios no modelo de gestão anterior.

O primeiro, o modelo gerencialista, que optou por dirigir a gestão pelo monitoramento de indicadores físicos, abstraindo o resultado final, a entrega de políticas públicas.

O segundo, a falta de interlocução com as regiões, o que resultou em políticas de gabinete, muitas vezes sem atender às especificardes locais.

Estados imensos, como Minas, com dimensão de país, carecem de estruturas intermediários mezo-regionais.

Os consórcios vêm tentando preencher o vazio. Mas ainda não representam uma leitura estratégica dos gestores, de como tratar as especificidades territoriais dos estados.

Algumas regiões, como o sul de Minas e o Triângulo, têm sociedade georreferenciadas. Mas não dispõem de estruturas institucionais às quais recorrer.

Se o Norte quiser algum benefício, ou elege um deputado ou faz um secretário emu ma pasta que o atenda. Daí a necessidade de uma estrutura que lide diuturnamente com problemas.

Há as estruturas regionalizadas do Estado. A Secretaria da Saúde tem 27, a Educação 42 e a Segurança Pública 48. Mesmo assim, são estruturas burocráticas, que não desenvolvem diagnósticos nem propostas de ação levando em conta o território. Com isso, as políticas são empurradas pelas necessidades imediatas dos municípios, sendo reativos, não propositivos.

O primeiro passo foi resgatar o sentido da Política na formulação de políticas públicas.

Para dentro da máquina, é necessário reconhecer o protagonismo dos gestores, mantendo com eles interlocução permanente para planos, orçamentos e PPA (Plano Plurianual). Para fora, montar o processo de participação regional conectado com processos internos.

O segredo está em ter um pilar hegemônico, em torno dos quais gravitariam os demais pilares demandados pela sociedade. O pilar em questão foi o princípio de desenvolvimento com combate às desigualdades.

Peça 4 — Os instrumentos de gestão

Em Minas, o sistema de gestão é montada em cima de três peças:

Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado

Trata-se de um modelo que vem desde os anos 50, anterior à criação dos PPAs (Planos Plurianuais) pela Constituição de 1988.

Os PPAs deveriam ser a ferramenta que asseguraria a continuidade das políticas públicas, ao definir as prioridades do gestor, entrando pela administração seguintes. Mas não cumprem esse papel porque não conseguiram definir modelos eficientes de participação.

Fóruns Descentralizados de Gestão

Na gestão Pimentel, a maneira encontrada foi através dos Fóruns regionais.

Todos eles trabalham tendo como foco o desenvolvimento econômico com redução das desigualdades.

A montagem dos fóruns começou com um decreto regulamentador.

Depois, o governador visitou os 17 territórios, recepcionou prefeitos e lideranças. Na sequência, foi explicado para eles o processo.

Um mês depois houve a segunda reunião, para montar o grande diagnóstico por cinco eixos:

·       Saúde e proteção social

·       Educação e cultura

·       Infraestrutura e logística

·       Desenvolvimento econômico sustentável

·       Segurança pública

Foram feitas reuniões por grupo, sem nenhuma pré-orientação.

As lideranças entregaram questionários apontando problemas dos territórios. Foram mapeados 12.689 problemas e necessidades.

Depois, o trabalho das lideranças foi priorizar ações dentro de cada eixo. Em cada território foi escolhido um colegiado executivo com 25 lideranças da sociedade civil, um prefeito e um vereador por microterritório. Ao todo, são  80 microterritorios. Cada colegiado terá um Secretário Executivo representante do governo, que será a correia de transmissão entre as demandas regionais e a administração do Estado.

Planos Mineiros de Desenvolvimento

Da junção do PMDI com os Fóruns nasceram 17 planos mineiros de desenvolvimento.

Os Planos de Desenvolvimento Territoriais Integrados não são apenas documentos com diagnósticos, mas carteiras pactuadas com sociedade civil e poder público municipal e estadual, tendo como foco a diretriz de vocação econômica regional.

Um dos grandes desafios desses modelos é desenvolver instrumentos de coordenação. Trata-se de um desafio que atormenta governos desde a redemocratização. Existem várias arenas superpostas e com autonomia.

O próximo passo da gestão mineira terá que ser uma reforma administrativa que defina melhor os papéis dos órgãos de articulação.

Peça 5 – a entrega dos produtos

Dos Fóruns nasceu o PPA, que foi submetido aos critérios de sustentabilidade, não apenas ambiental, mas também econômica, de acordo com a metodologia de pesquisa que o IBGE está desenvolvendo para a ONU, a ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), um conjunto de 17 indicadores, com metas a serem atingidas até 2030.

Esse modelo será colocado à prova nos próximos meses, devido à crise econômica e fiscal. O desafio exigirá do próprio governador uma atuação proativa para negociar os projetos em ambiente de escassez.

Mesmo com a crise, o governo Pimentel tem conseguindo envelopar o que existe e está sendo tocado com diretriz diferenciada: as preocupações sociais e de atendimento a segmentos mais marginalizados. Inclusive porque a burocracia mineira é bem instrumentalizada.

De dezembro a abril haverá as chamadas reuniões devolutivas, onde serão prestadas contas dos acordos firmados. Nesses encontros haverá a interação entre as estruturas regionais do Estado – especialmente da Saúde, Educação e a RISP (Região Integrada de Segurança Pública), as que estão mais direcionadas para pensar políticas de acordo com as especificidades locais.

Se Pimentel conseguir superar os obstáculos atuais e retomar o fio da meada do primeiro ano, Minas Gerais poderá fazer a diferença. Se se entregar ao desânimo, poderá ser o coveiro do PT em um de seus últimos redutos.

Luís Nassif
No GGN
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Polícia invade a tiros Escola do MST em SP e, sem mandado de busca e apreensão, prende militantes


Na manhã desta sexta-feira (04) cerca de 10 viaturas da polícia civil e militar invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em Guararema, São Paulo.
Na manhã de hoje, 04 a polícia entrou na ENFF realizando prisões arbitrárias, sem mandato de busca e apreensão.
Na manhã de hoje, 04 a polícia entrou na ENFF realizando prisões arbitrárias, sem mandato de busca e apreensão.
A Escola Nacional Florestan Fernandes é tida como um marco nas conquistas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e reúne em um mesmo espaço cursos de formação para integrantes do MST e de outros setores e entidades ligados ao campo e às lutas sociais.

Bala recolhida após a ação da polícia
Bala recolhida após a ação da polícia
De acordo os relatos de militantes que estão no local, os policiais chegaram por volta das 09h25, fecharam o portão da Escola e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra recolheram os estilhaços no local e comprovaram ser provenientes de balas letais.

Neste momento a polícia está em frente à ENFF aguardando um mandato de prisão.

O MST divulgou nota oficial repudiando a ação e exigindo respostas do governo.
O MST repudia a ação da policia de São Paulo e exige que o governo tome as medidas cabíveis nesse processo. Somos um movimento que luta pela democratização do acesso a terra no país e a ação descabida da polícia fere direitos constitucionais e democráticos.


A operação no estado de São Paulo decorre de ações deflagradas nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. A Polícia Civil executa mandatos de prisão contra militantes do MST, reeditando a tese de que movimentos sociais são organizações criminosas, já repudiado por diversas organizações de Direitos Humanos e até mesmo por sentenças do STJ.

Nas redes sociais outros movimentos se solidarizam e prestam solidariedade.

Movimentos sociais se posicionam em solidariedade ao MST nas redes sociais.

MídiaNinja
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Seis milhões de judeus 1915-1938


Este vídeo se ha subido únicamente para documentar un hecho histórico. No hay agenda política promovida con esta subida de video. No hay absolutamente ninguna intención de promover el racismo, guerra o movimiento anti-constitucional.

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