25 de out de 2016

Renan fala por Temer ao detonar o judiciário e o ministro da Justiça

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/10/25/renan-fala-por-temer-ao-detonar-o-judiciario-e-o-ministro-da-justica/


Renan foi na goela do judiciário e chamou Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a operação Métis, realizada pela PF no Senado, de juizeco de primeira instância. E para não perder a viagem disse que o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, se porta como chefete de polícia. Moraes é o homem de Alckmin no governo federal.

Renan e Temer nunca foram da mesma turma do PMDB. Mas neste momento jogam juntos. Engana-se quem acha que as duras palavras do presidente do Senado não foram negociadas antes com o atual presidente.

Temer está por aqui com Moraes. Já percebeu que o seu ministro da Justiça é muito mais Alckmin do que ele. E que não está disposto a se lançar ao mar para salvar a pele de parceiros históricos de Temer que estão envolvidos até as tampas com a Lava Jato.

Boa parte do governo quer a demissão de Moraes. Temer também. Mas quem conhece o atual presidente sabe que seu jogo é dissimulado. É do tipo de vazar suas próprias cartas e seus áudios.

E como sabe o preço que teria de pagar ao demitir o ministro de Alckmin, vazou sua opinião pela voz de Renan.

A coletiva de ontem do presidente do Senado é uma linha no chão para o destino da Lava Jato.

Renan tem razão que a operação da PF desmoraliza o legislativo e coloca em risco o equilíbrio dos poderes. Mas esse risco não foi levado em conta para derrubar Dilma.

O babado é outro.

Renan sabe que o acordo de delação da Odebrechet e a prisão de Cunha somadas devem levar o PMDB à lona em breve. E ele não terá como se salvar.

E que o PSDB, principalmente Alckmin, vão tentar de tudo para chegar à presidência ainda em 2017.

O racha do atual governo já é uma fratura externa.

Agora é acompanhar essa crise com binóculos, porque mesmo para quem estiver por perto, muito do que parece ser uma coisa, pode ser outra.

Renan e Temer estão jogando juntos.
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Deputado do PMDB/RS, Alceu Moreira, chama aposentados e trabalhadores de vagabundos


Milhares de trabalhadores afastados por doenças do trabalho estão perdendo seus benefícios e aposentados estão perdendo suas aposentadorias. O Governo Temer, assim como um dia FHC já achou, entende que trabalhadores afastados por doenças e aposentados são “vagabundos”. E Alceu Moreira, braço direito de Eliseu “quadrilha” faz questão de dizer isto da Tribuna. Ele chama aposentados e trabalhadores de vagabundos para defender a Reforma da Previdência, que vai fazer com que a maioria dos trabalhadores morra antes de se aposentar. Este é o resultado do Golpe contra Dilma. A conta esta vindo e quem já esta pagando ela é o povo.

E tá aqui o vídeo pra comprovar:



No Luiz Müller Blog
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Dilma diz que a PEC 241 é o “vestibular” da cassação dos direitos sociais


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Nildo Ouriques: "O governo está nos chamando para a guerra"


Entrevista com o economista e presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, Nildo Ouriques sobre a conjuntura econômica brasileira. Não há crise fiscal, é guerra de classes.

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Por que pobre vota na direita


Profº Clóvis de Barros Filho explicando o conceito de Ideologia, dominação de classe e hegemonia burguesa, a partir de Marx.

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Peça desculpas, Samuel Milet


Debora Diniz fala a Samuel Milet, professor da Universidade Federal de Rondônia, para exigir desculpas públicas pelas palavras violentas com que ofendeu Sinara Gumieri, doutoranda em direito na Universidade de Brasília sob orientação de Debora.



Entenda o caso, abaixo:

O que você vai ler é uma história verdadeira, mas não é direito.

“Aquela vagabunda, entendeu? Defensora de aborto, de gênero. Vagabunda. Mande pra ela me processar, que eu provo que ela é.”

É difícil imaginar que qualquer diálogo em sala de aula possa se iniciar com uma frase como essa. Mas a transcrição é real e saiu de uma aula de Direito das Sucessões da Universidade Federal de Rondônia, do dia 20 de outubro de 2016. O autor da frase é Samuel Milet, professor da disciplina. Quem chama “vagabunda” é uma colega de profissão, Sinara Gumieri, advogada e mestra em Direito pela Universidade de Brasília, que havia dado uma palestra para as estudantes do curso na semana anterior, sobre a importância de se falar sobre gênero no campo do direito. A ira de Samuel foi provocada justamente por isso: Sinara era uma jovem mulher em um espaço de poder como o palco de um evento acadêmico, falando sobre vidas e violências que aquele que se diz professor não reconhece nem tolera ouvir.

Mas se a agressividade do discurso contra Sinara não deixa de ser grave, a cena da violência se dirigiu a outras, às alunas em sala de aula. Foram elas, e especialmente a aluna interpelada continuamente pelo professor, que foram submetidas aos 15 minutos de virulência daquele que tem voz de mando. Tudo na cena é o contrário do que um encontro pedagógico deveria ser.

Ouça o áudio e leia a transcrição do caso aqui: http://issonaoedireito.tumblr.com/

Assine a petição para demandar à Universidade Federal de Rondônia a devida responsabilização de Samuel Milet pelo ocorrido: https://secure.avaaz.org/po/petition/Universidade_Federal_de_Rondonia_Responsabilize_Samuel_Milet_por_postura_abusiva_em_sala_de_aula/?cQPqllb



Carta a um professor

Peço que outros docentes ouçam a gravação de seus impropérios em sala de aula, para que avaliem o impacto de suas palavras para jovens estudantes

"Aquela vagabunda, entendeu? Defensora de aborto, de gênero. Vagabunda. Mande pra ela me processar, que eu provo que ela é". A fala é parte da transcrição feita a partir da gravação (autorizada) de um docente do curso de Direito da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), proferida após um debate sobre gênero na prática jurídica, da qual participou uma aluna minha. Dirijo a palavra a ele:

Professor,

Como o senhor, sou professora universitária há mais de duas décadas. Soube que ensina direito civil, essa área que abrange de propriedades a famílias. Nós dois formamos futuros juristas, delegados, advogados, juízes, promotoras ou promotores, mas também gente comum que move a justiça e a cidadania. Nossas semelhanças terminam aí.

Diferente do senhor, nunca desrespeitei estudantes em sala de aula, jamais desqualifiquei qualquer mulher como “bostinha” ou “sapatão”, não faço uso do grito para fazer valer o que deve ser só mais uma forma de pensar, e não a verdade absoluta.

Explico-me: sendo nós dois tão diferentes, por que lhe escreveria esta carta? Não nos conhecemos, esclareço, apesar de já conhecer sua voz de doutor. Sinto-me diretamente envolvida no abuso de poder e na virulência com que se dirigiu a uma das estudantes sob minha responsabilidade acadêmica na Universidade de Brasília, Sinara Gumieri.

Fui convidada pelo Centro Acadêmico de Direito da Universidade Federal de Rondônia para falar sobre gênero na prática jurídica. Não pude ir, a estudante me representou.

Como pôde ouvir e ver, ela é uma jovem mulher, brilhante nas palavras e no pensamento, não se acomoda com o que dizem as leis sobre quem pode receber o título de família, ou por que o aborto deve ser um direito das mulheres e não uma perseguição patriarcal aos úteros.

Sei que este último tema o provocou particularmente. Ouvi seu descontrole em sala de aula, logo após o evento, pois foi o senhor quem pediu que se gravasse o que diria sobre a palestrante.

Constranjo-me ao repetir suas palavras, mas a transparência dos fatos exige: “Aí, quando tocou no assunto do aborto, eu tive que me manifestar, eu soltei um peido, dei as costas e fui embora.”

A descreveu também como “vagabunda” e oradora de “ideologia de sapatão”. Estou surpresa por diversos motivos. Claro que o mais evidente é a sua pouca habilidade para a docência.

Já leu Paulo Freire? Pois deveria relê-lo várias vezes e depois retornar ao áudio que circula pelo país. Sua voz não é a de um professor que ensina, mas a de um ditador que determina; o professor abandonou-se à autoridade da moral que rejeita a diversidade, a divergência e a dúvida.

O senhor esqueceu que um professor ensina pela inteligência e não pelo grito. No seu discurso só havia brado — basta a lógica para saber o que faltou.

Suas primeiras palavras de indignação foram as seguintes: “ela é uma defensora do gênero, uma vagabunda”. Adiante, o senhor posicionou-se contra a “ideologia de gênero”, descrevendo-a como uma invenção de partidos políticos de esquerda.

Bem, um dos deveres de quem ensina é não só falar a verdade, como também estudar. E estudar muito, pois o que se espera de nós é sabedoria e não clichês; pesquisa e não conversa vulgar.

A ignorância é uma inimiga de quem ensina. Nossas alunas nos escutam porque estudamos muito sobre o que falamos. Não falo de sucessões em sala de aula; por que o senhor falou de gênero, se desconhece conceitos básicos? Seria por intolerância religiosa?

Preciso lhe dizer: não entendi e não gostei de suas piadas sobre “mulheres sapatões” que bisbilhotam outras mulheres no banheiro, ou sobre suas próprias genitálias.

Como o senhor seria reprovado em um curso de introdução ao direito, e consequentemente em um curso de gênero, sinto-me no dever de corrigi-lo. Gênero não é ideologia e menos ainda invenção do PT.

Se tivesse cursado algumas disciplinas introdutórias do departamento de sociologia ou antropologia teria aprendido alguns conceitos básicos, como a famosa frase de Simone de Beauvoir: “não se nasce mulher, se transforma”.

Sei que isso pode parecer terrível ou imoral para quem acredita que “as mulheres são inimigas entre si”, ou seja, para quem repercute fantasias misóginas sobre as mulheres em uma ordem patriarcal.

Mas não sou sua professora, e acredite, se fosse, não o reprovaria no curso de gênero, mas o mostraria como viver a sexualidade fora das normas heterossexuais — isso que descreveu como “sapatona muito doida” é só uma das formas de se viver a vida.

Minha carta é um apelo, senhor professor. Peço que outras professoras e outros professores do país ouçam a gravação de seus impropérios em sala de aula, para que avaliem melhor o impacto de suas palavras para jovens estudantes. Para terminar, queria lhe dizer que houve uma esperança no que escutei — a paciência e a tolerância de sua aluna.

A voz era de uma jovem mulher anônima que lhe interpelava no melhor estilo do método socrático. Diferente do senhor, ela não acredita que pode dizer o que quiser e como quiser. Ela segue regras importantes de civilidade e cidadania, como respeito às mulheres, aos grupos minoritários, à laicidade.

Ao fazer isso, ela foi a professora que ensina pelo testemunho. Se quer um julgamento, ela foi a vencedora do debate. Aprenda com ela; talvez o senhor se torne um professor melhor.

Debora Diniz



O áudio e a transcrição

“Aquela vagabunda, entendeu? Defensora de aborto, de gênero. Vagabunda. Mande pra ela me processar, que eu provo que ela é.”

É difícil imaginar que qualquer diálogo em sala de aula possa se iniciar com uma frase como essa. Mas a transcrição é real e saiu de uma aula de Direito das Sucessões da Universidade Federal de Rondônia, do dia 20 de outubro de 2016. O autor da frase é Samuel Milet, professor da disciplina. Quem chama “vagabunda” é uma colega de profissão, Sinara Gumieri, advogada e mestra em Direito pela Universidade de Brasília, que havia dado uma palestra para as estudantes do curso na semana anterior, sobre a importância de se falar sobre gênero no campo do direito. A ira de Samuel foi provocada justamente por isso: Sinara era uma jovem mulher em um espaço de poder como o palco de um evento acadêmico, falando sobre vidas e violências que aquele que se diz professor não reconhece nem tolera ouvir.

Mas se a agressividade do discurso contra Sinara não deixa de ser grave, a cena da violência se dirigiu a outras, às alunas em sala de aula. Foram elas, e especialmente a aluna interpelada continuamente pelo professor, que foram submetidas aos 15 minutos de virulência daquele que tem voz de mando. Tudo na cena é o contrário do que um encontro pedagógico deveria ser.

Ouça o áudio completo:




Leia a transcrição abaixo:

Professor: Sinara Gumieri, já pode, já? Sinara Gumieri, aquela vagabunda, entendeu? Defensora de aborto, de gênero. Vagabunda. Mande pra ela me processar, que eu provo que ela é. O pior sabe o que é? Não é a pessoa que fale, o pior crime é a omissão. O teu corpo é teu?

Aluna: É.

P: Mas a vida não é. Então aquilo que tá dentro de você não é seu, porque é vida. Pode falar.

A: O senhor assistiu quantos minutos de palestra?

P: Quando fala em aborto eu não assisto nem meio.

A: Eu acho então que o senhor não pode falar nada da palestra se não assistiu ela toda. Assim, é um achar meu.

P: Tá, então o que é que você quer que eu diga do aborto. O que é que você julga que é bom do aborto?

A: Eu não quero discutir isso com o senhor, porque eu acho que a gente não tá nessa discussão.

P: Mas é exatamente. Aquela mulher, aquela bostinha, cocô; ela foi lá não foi pra dar uma palestra. Ela não foi pra um debate, porque ela falou sozinha. Aí quando tocou no assunto do aborto eu tive que me manifestar, dei as costas, soltei um peido e fui embora.

A: Professor, se o senhor tivesse ficado até o final o senhor teria percebido que metade da noite foi feita de perguntas e respostas. Inclusive pessoas com posicionamento contrário falaram no evento.

P: Sim, mas ela falou quantas horas ali?

A: Ela falou 45 minutos.

P: E os que iam fazer uma pergunta gastaram quantos segundos?

A: Mais de minutos.

P: Porque um debate não é assim, não. Um debate é isso aqui que a gente tá fazendo.

A: Mas justamente. Foi um debate, é porque o senhor não ficou até o final. O debate, em todos os dias de palestra, funcionava assim: acontecia uma palestra, uma exposição oral que era a ideia do evento, depois era aberto pra um debatedor da mesa que era sempre um representante da casa pra ele falar, e após isso era aberto ao público. E todas as pessoas que quiseram se manifestar perguntaram e foram respondidas.

P: Então eu vou falar agora e eu vou usar o mesmo espaço que ela teve. Eu agora vou debater. Tá? Em primeiro lugar, uma questão de gênero. Aonde foi que se discutiu direito ali? Porque a semana era acadêmica de direito.

A: Falaram de Maria da Penha várias vezes.

P: E o que a Maria da Penha tem a ver com transexuais?

A: É direito também, professor. Se é uma demanda social também é direito.

P: Os transexuais têm o mesmo direito que qualquer um, sem dúvida. É ser humano…

A: Mas gênero não é só transexual.

P: Pera aí. Deixa eu falar. Eu falo e depois você fala. Você é petista, pelo jeito.

A: Sou não, professor. Sou não.

P: Porque petista que é assim. Não deixa a gente falar. Deve ser PSOL então. Ou é PSTU.

A: Também não. Eu não tenho nenhum posicionamento de esquerda.

P: Então deixa eu falar. Os transexuais, seja homem ou mulher, GLBT, SBT, Record, o que for, eles são humanos. Humanos, tá? E como humanos eles têm direitos. Agora a questão de gênero que estão querendo incutir em nós é o seguinte: você nasce com uma rola, mas é você quem vai decidir se é homem ou se é mulher, tá? Agora tudo bem, decida. Só que a Lei Maria da Penha foi feita para as mulheres no âmbito doméstico. Os homossexuais, os trans, têm direito? Têm. Eu já falei aqui, mas então vamos fazer uma lei pra eles. Que eles têm direitos, eu acho que têm. Eles não podem ser vítimas da sociedade. Agora usar a mesma lei que eu defendi para você, mulher, e dizer que serve pra ele? Não! Pra ele tem que ter uma lei igualzinha, só que destinada exclusivamente pra ele. Assim como eu não vou permitir nunca que um homo, um trans, um gay entre no banheiro em que minha esposa esteja lá porque eu quebro ele todinho de porrada. Inclusive tinha uma sapatona que foi aluna minha, gente finíssima, ela disse: professor, eu tenho uma vantagem na frente de vocês. Quando tua mulher vai no banheiro eu vou também, que eu entro lá e fico olhando. A bicha é boa. Entendeu?

Então, se têm direito? Têm! Eu não tô roubando o direito de ninguém, eu só não aceito que seja a mesma lei. Então se a Lei Maria da Penha foi criada, ela foi feita para as Penhas e transexuais não é Penha. É Penho. Então vamos fazer a lei do Maria do Penho porque não pode sofrer a maldade humana. Isso é gênero? Não, isso é homem com opção sexual, a mulher com opção sexual. Esse negócio de gênero é PT, meu bem. É PT quem inventou isso. O PT afasta as pessoas. Antes o Brasil era formado de pessoas, hoje o Brasil é formado de classes. Você viu os gays que estão aí querendo cotas, você tem as mulheres que estão querendo…. Olha, tu como mulher, tu, tu, tu e tu não fizeram nada para ter os direitos que vocês têm.

A: Eu faço, inclusive peço para calarem a boca quando pessoas têm esse tipo de discurso e falam isso na minha frente.

P: Pois eu provo. Só que você pode pedir pra eu calar, eu não vou calar.

A: De todo o direito seu.

P: Quer que eu prove? Quer que eu prove? Vocês sabem quando foi que as mulheres entraram no mercado de trabalho? Foi porque elas lutaram pra isso? Não! Foi porque os homens foram pra guerra e faltaram pessoas pra movimentar as indústrias. 53% da população é formada por mulheres, e quantas deputadas Rondônia tem? Uma federal. E quantas estadual? Duas, mas agora é uma só porque a outra virou prefeita.

A: Professor, e é justamente por isso que a gente precisa falar de gênero.

P: Quantas vereadoras? Uma. Então vocês não gostam de mulheres. A mulher não gosta da outra, é inimiga.

A: Como não? Eu votei nela, eu votei nela.

P: Presta atenção. A Lei Maria da Penha….

A: Como que eu não gosto de mulher se eu votei nela?

P: Pronto… Parabéns.

A: Pois é, representatividade.

P: Só que você não é 53%. Você é exceção. Vamos pra regra.

A: Não, professor, a questão é que quando a gente trata das exceções e coloca elas para falarem num evento acadêmico o senhor entra dentro de sala e fala: isso não é direito. Eu acho isso um posicionamento absurdo.

P: Eu liberei a turma foi pra estudar direito.

A: Não foi o senhor quem liberou, foi o departamento, professor.

P: Não, não. O departamento não libera, não.

A: Isso foi liberado em reunião departamental.

P: Presta atenção. Outra coisa que você não sabe: o departamento não pode interferir em faltas. É tanto que eu já disse antes de você entrar no grupo: eu não aceito e eu vou pro Ministério Público Federal. E vou derrubar quem tiver que derrubar se contra a minha vontade um aluno tiver a falta abonada. Olha, eu tenho que dar 40 horas-aula. Se vocês querem fazer jogos, isso aí, vocês façam fora do meu horário. Porque não tem departamento no mundo que mude lei.

A: Tudo bem, é um posicionamento seu.

P: Não é não, é da lei.

A: Mas eu não posso me manter omissa quando o senhor chega dentro de uma sala de aula e fala que não é direito um evento acadêmico em que, se o senhor tivesse comparecido nos demais dias, o senhor poderia ter verificado. Foram mestres e doutores em criminologia, doutores em filosofia, foram juízes. Ela é mestre em direito, a Sinara Gumieri. Ela é mestre em direito da UnB.

P: Não. Ela é uma sapatona muito doida.

A: E se ela quiser ser o problema é dela. A vida é dela.

P: E que veio com uma ideologia petista. Porque eu odeio o PT, veio com uma ideologia petista e vocês bateram palmas de pé.

A: Professor, o senhor pode achar o que o senhor quiser, mas a questão é que o senhor não pode ferir a dignidade de alguém xingando ela pra outras pessoas.

P: Então me processe.

A: Não, eu não tenho que lhe processar em nada.

P: Mande ela me processar.

A: Olhe, se o senhor me chamar de vagabunda, aí eu posso fazer alguma coisa.

P: Mas é porque você ainda não fez por onde. Mas no dia que você fizer…

A: E o senhor sabe? O senhor sabe da minha vida por aí? Porque se eu quisesse ser uma vagabunda também era uma coisa minha e o senhor não tinha que falar nada disso.

P: E se eu quiser chamar é coisa minha e depois a gente discute na esfera jurídica, se é que vai chegar lá. Agora, um direito que eu tenho, e isso é constitucional, é o de livre manifestação.

A: Sim, isso o senhor tem de verdade. E eu também tenho o direito de falar que a sua manifestação é que o senhor está expondo pra um grupo muito grande uma manifestação que está um pouco obscura, porque o senhor está falando de uma coisa que o senhor não conheceu por completo. É só isso que eu estou me manifestando.

P: Olhe, em Rondônia, 85% da população é evangélica. E eu soube que 100% lá era batendo palmas de pé. Então eu não sei onde está o grau de religiosidade dos que estavam lá, porque aplaudir qualquer discurso sobre aborto é aplaudir, é bater palmas pra morte. Ah, mas um quarto das mulheres abortam. E metade do Brasil fuma drogas também, então vamos liberar. A lei diz que matar é crime, que não deve matar, mas todo dia morre gente, então vamos liberar o homicídio também. Então vamos ponderar o que aquela moça que chegou lá pra falar. Ela quis dizer o seguinte: que as pessoas que não são, as pessoas que optarem ser homossexuais devem ser vistos como mulher, se ele for homem. E que deve ser visto como homem se ele for mulher. A opção de cada um é de cada um, agora dividir com a minha lei Maria da Penha que eu ajudei a inventar? Eu não editei Lei Maria da Penha não foi pra transexuais, não, eu editei foi pra mulheres no âmbito familiar. Agora, os transexuais devem ser protegidos? Devem. Vamos fazer uma lei pra eles. Eu ajudo a fazer também. Eu não quero tirar o direito de ninguém.

Agora, trazer pras Universidades ideologia de sapatão, de petista… Eu morro, eu morro defendendo minhas convicções. E minha convicção é que o crime mais nojento que existe é o aborto. E vamos acabar com esse negócio. Você é dona do seu corpo? Então faça a doação dela em vida, que importa em diminuição, pra dizer que não é seu o corpo.

Você tá dizendo que a vida é sua? Eu digo que ela não é.

A: Professor, eu não tô defendendo aborto aqui, não.

P: Mas se bateu palmas é porque defende. Bater palmas é aceitar.

A: Professor, eu posso concordar com 90% do que uma pessoa diz, eu vou criticar ela e chamar ela de vagabunda só porque ela disse uma coisa que eu não concordo?

P: Eu chamo do que eu quiser. Porque eu tenho coragem, eu não sou hipócrita.

A: Só que eu acho que a partir do momento que eu discordo com a posição de alguém, isso não me dá o direito de chamar ele de nenhuma coisa. Assim como eu não posso chamar o senhor de nada, porque a sua pessoa não tem a ver com as suas ideias, entendeu?

P: Não. A minha pessoa tem a ver com as minhas ideias. Pode ter certeza.

A: A sua dignidade como pessoa eu não posso atacar pelas suas ideias, pelas quais eu não concordo, como o senhor pode ver aqui.

P: Você pode não concordar. Agora eu estou explanando o que eu penso e que eu luto por isso. Eu sou contra a ideologia de gênero.

A: Justamente, o senhor falou que a manifestação de pensamento é livre para todo mundo, mas o senhor prega que um pensamento contrário ao seu não deve ser professado só porque é contrário ao seu.

P: Eu não preguei nada.

A: O senhor falou que não deveria colocar num evento acadêmico porque isso não era direito. O senhor está querendo cercear a nossa ideia.

P: Pois agora se depender do meu voto e do meu poder enquanto operador do direito, se eu ver o diretório, o chefe de departamento tirar falta de aluno eu vou pro Ministério Público Federal e derrubo gente. Porque eu tenho que dar 40 horas-aula. Quem quiser jogar futebol, quem quiser fazer, faça fora do horário noturno, ou pelo menos que tenha cuidado com a minha disciplina.

A: Professor, o senhor sabe que a gente tem cargas extras a cumprir, né? Eu não tô falando de jogos, porque aí realmente é uma opinião sua. Mas a gente tem cargas fora da sala de aula pra cumprir, o senhor quer que a gente cumpra essas cargas fora de sala de aula em que horário?

P: Desde que seja depois das 40 horas, depois das 80 horas.

A: Aí o senhor quer que a gente cumpra elas no sábado? No domingo? Porque no sábado a agente já tá fazendo. No domingo também?

P: Aí eu não sei, aí é problema seu. Tá? Eu só quero dizer o seguinte: se vocês tivessem vindo pra aula teria mais proveito do que assistido aquela palestra.

A: Pra ver alguém ser chamada de vagabunda em sala de aula?

P: Não. Porque ela só foi chamada depois que ela professou o crime de aborto.

A: Pra ficar ouvindo piada de estupro em sala de aula?

P: Você é petista. É petista.

A: Sou não, professor. Eu nunca votei em ninguém do PT e tenho orgulho de dizer isso. Nunca votei em ninguém do PSOL, do PT e do PMDB. A questão é que eu tenho um posicionamento meu e o senhor não está respeitando.

P: Eu tô respeitando, sim.

A: Não.

P: E o que eu estou fazendo contra você? Eu tô te expulsando da sala de aula? Eu tô dizendo que vou lhe reprovar?

A: Não, porque eu não estou lhe dando nenhum motivo pra isso.

P: Eu estou dizendo que vou te reprovar?

A: Não.

P: Pois é, eu respeito a sua opinião.

A: O senhor está dizendo que eu sou petista de uma forma como se fosse ofensivo. E quem quiser ser que seja.

P: Porque você usa exatamente o mesmo sistema petista de manifestação. Você tá falando que eu não posso falar porque eu chamei ela de vagabunda e reitero? Você só tá usando isso. Você não tá discutindo o tema, não.

Outro aluno: Professor, dá pra gente tratar desse ponto fora de sala?

A: Não, mas foi escolhido tratar dentro de sala.

P: Faça uma representação contra mim.

A: Pode deixar.

P: Faça uma representação contra mim. Eu tenho o direito de me manifestar. A disciplina é minha. Reclame. Você é autoridade. Reclame. Agora não venha me dizer o que eu tenho que fazer não, porque eu faço isso há 19 anos e eu estou me manifestando aqui enquanto pessoa. Não é como professor, não. É como pessoa. Agora se você está achando ruim, quem tem que sair é você porque eu continuo.

Eu só não faço é ficar calado quando eu vejo falar em aborto, porque aí mexeu comigo.

Outra aluna: Ô professor, deixa a gente fazer…

P: E eu tenho vergonha de quem levantou e bateu palma pra aquela moça. Tenho vergonha. Porque se ela tivesse falando de direito, de coisa que não fosse opinião própria dela e pra meia dúzia de gato pingado, aí tá certo. Mas bater palma pra quem professa aborto, bater palma pra quem quer mudar o mundo? Cada um tem suas opiniões e eu tô expressando a minha e eu respondo pelos excessos.

Pode ter certeza que eu estou aqui na UNIR não é por causa de um salário, não… Se tivesse eu teria muito dinheiro, se fosse pra abaixar a cabeça. Assim como eu dei as costas lá praquela moça. Que eu chamei de vagabunda, todo mundo viu. Aí estou esperando o processo.

22 de outubro de 2016



A resposta do professor Milet



Professor Samuel Milet divulgou um vídeo como direito de resposta. Nele, apresenta duas justificativas para o que disse em sala de aula: a) o áudio não corresponderia à integralidade do ocorrido; b) “vagabunda” seria uma palavra corrente da língua portuguesa, portanto não haveria conotação pejorativa em seu uso por um docente em sala de aula. Publicamos o vídeo de Milet por reconhecer o direito de todas as pessoas a se defenderem, mas queremos aqui reiterar a nossa indignação com o evento e com as razões apresentadas pelo professor em sua defesa.

Milet confirma que a gravação do áudio foi autorizada. E não seria preciso sua confissão, pois, logo no início do áudio, há sua voz para a estudante anônima: “já pode, já?”, ou seja, ele conferia que a gravação tinha início. Há mais do que isso: mesmo que fosse um corte de um contexto amplo, o áudio que tivemos acesso é abusivo em seus próprios termos. Por isso, a hipótese de uma ausência de contexto não procede. O único contexto que nos importa é onde e em que posição Milet se pronunciava — como docente em uma universidade pública. Era da autoridade de professor que pronunciava palavras como “vagabunda”, “sapatão”, “bostinha”, “doida”, entre outras.

A tentativa de aproximar “vagabunda” de sentidos literários ou musicais é pueril. Havia virulência no áudio; a voz de Milet gritava. Não havia a leveza de quem subverte a língua, mas o ódio de quem persegue mulheres. As palavras precisam do contexto para seu julgamento sobre sentidos. “Vagabunda” foi uma dentre graves ofensas pelas quais Milet descreveu Sinara Gumieri. Sobre as outras — tão odiosas quanto “vagabunda” — Milet não apresentou razões para seu anúncio em sala de aula.

Por fim, não há como reclamar para si mesmo o direito de ofensa à honra ou da defesa de bons constumes. É a honra, a integridade, a dignidade de Sinara Gumieri que foi ofendida pelas palavras odiosas de Samuel Milet. Se há bons costumes em jogo, eles devem ser aprendidos por Milet: um deles é o de respeitar seu posto como professor de uma universidade pública. Liberdade de pensamento não se confunde com ódio. Por isso, pedimos que escutem novamente o áudio, assinem a petição, divulguem este odioso caso para que possamos afirmar que as universidades serão espaços livres de discriminação.

No IssoNãoéDireito
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Xadrez da falta de rumos da mídia


Peça 1 – falta de cérebros e falta de músculos

A ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, traça um quadro corajoso e pessimista sobe o futuro da imprensa. No artigo “A conta da notícia” revela os resultados dos principais jornais em 2015, as perspectivas sombrias para 2016 e as reclamações dos leitores (https://goo.gl/fCMQGe).

"Venho observando a Folha despencar, seja em número de cadernos, de páginas, na qualidade das tirinhas, dos horóscopos, mas, principalmente, com devidas e respeitáveis exceções, nos teores jornalísticos, analíticos e opinativos", criticou um dos mais severos leitores.

E aí a ombudsman faz uma confusão: crise econômica nada tem a ver com a mediocridade da linha editorial. Na mesma edição em que a ombudsman atribuía a perda de qualidade à crise econômica, a manchete principal era a relevante notícia de que o estádio do Corinthians fora um presente da Odebrecht ao Lula. Alguma diferença com as notícias de Facebook, dizendo que Lulinha é o dono da Friboi?

Manchetes desse tipo não são decorrência de falta de repórteres. São resultantes da falta de valores jornalísticos em sentido amplo.

Até hoje os jornais não entenderam seu papel no universo nas informações online.

Peça 2 – o gerencialismo inócuo

No momento, os jornais esmeram-se em recorrer a um gerencialismo inócuo.

A Folha voltou ao quantitativismo dos anos 80, com o repórter recebendo pontos de acordo com o número de matérias que emplacam no online, no impresso e nas manchetes.

O Globo e a Época planejam uma consolidação de redações, uma espécie de redação única que fornecerá conteúdo para todos os veículos. Cada qual dará um tratamento diverso ao mesmo conteúdo.

Esse mesmo modelo foi aplicado anos atrás pelo Estadão e Jornal da Tarde, resultando no fim de um produto de primeira qualidade, o velho JT.

Aliás, quando iniciou o Projeto Folhas, o velho Octávio Frias pretendeu implantar métodos quantitativos na produção de notícias. Criou uma estatística, pela qual o repórter era avaliado pela quantidade de matérias que produzia.

O modelo de avaliação gerou um jogo curioso. O repórter especial saia atrás de uma grande reportagem. Na volta, transformava uma grande reportagem em cinco reportagens pequenas e inexpressivas. E era mais bem avaliado do que o que produzia uma grande reportagem de impacto.

Tempos depois, a Folha tentou implantar um sistema de ISO 9000 e nem sei o resultado.

Nos anos 90, a TV Bandeirantes contratou uma empresa para implementar um programa de qualidade. A principal sugestão da consultoria foi para que a TV antecipasse para as 19 horas o fechamento do Jornal da Noite, que iria ao ar às 23 horas.

Na EBC, o deplorável presidente Nelson Breve contratou outra consultoria de qualidade. O máximo que produziu foram cartazes bonitos falando sobre a missão da empresa, sem conseguir desenrolar um processo interno sequer ou implementar uma missão sequer. Só fachada.

O gerencialismo é a arma dos que não tem projeto editorial e não trabalham com foco no produto final.

O primeiro passo é ter um plano estratégico, um projeto editorial claro, adequado aos novos tempos para, só então, montar as estatísticas capazes de monitorar sua implementação.

O grande desafio dos jornais não é contar quantas linhas o repórter produziu, mas desenvolver formas de organizar a força de reportagem para trabalhos conjuntos em torno de pautas selecionadas, de estratégias diárias ou continuadas de cobertura. Mais que isso, recuperar a credibilidade jornalística e aumentar a qualidade com formas novas de tratamento das informações.

Enquanto a Folha discute o quantitativismo na produção, sua manchete principal diz que a Odebrecht construiu o estádio do Itaquerão para o Lula. Não há gerencialismo que resolva o problema do mau jornalismo.

Peça 3 – os modelos de jornalismo

No final dos anos 90 escrevi um artigo para a revista Imprensa prognosticando o fim dos modelos tradicionais de mídia. Diretor de Redação da Folha, Otávio Frias Filho me pediu que ampliasse o artigo para servir de base para uma discussão ampla sobre a reformulação do jornal.

Antes da Internet, o ritmo das notícias era diário. As revistas semanais tinham espaço nobre consolidando as notícias da semana — de maneira a facilitar a compreensão de mundo aos seus leitores — e acrescentando notícias exclusivas.

Com as notícias online o desafio consistia em sintetizar, em cada edição, o torvelinho de notícias do dia anterior, dentro de uma moldura analítica e contextualizada, e ainda acrescentar informações, ângulos e raciocínios adicionais. Caberia aos jornais, em prazo exíguo, cumprir a função que as semanais tinham nos tempos do ritmo diário de notícias.

Para atingir esse objetivo, seriam necessárias mudanças estruturais no velho conceito da super-redação:

1.     Trabalhar com jornalismo de dados. Na época, não havia ainda essa definição. Mas o que eu dizia — com base já na realidade da época — é que cada vez mais as informações iriam para a Internet, mudando o modo do jornalista fiscalizar o poder. A imprensa teria que cumprir a função de um auditor, criando indicadores, estratégias de cobertura em cima de bancos de dados estruturados e não-estruturados.

2.     Esse modelo de jornalismo obrigaria a uma reciclagem ampla do perfil de jornalista. Em vez do sujeito especializado exclusivamente em arrancar frases de efeito do entrevistado, para o titulo e para o lead, haveria a necessidade de profissionais melhor aparelhados, capazes de contextualizar grandes massas de informação.

3.     As grandes coberturas deveriam ser acompanhadas por salas de situação trabalhando com estratégias de narrativas.

4.   Em vez de super-redações, haveria um corpo mais enxuto de jornalistas mais especializados, e bancos de dados com colaboradores cadastrados em todo o planeta, que seriam acionados pontualmente para cobrir reportagens que exigissem a presença física local. O enorme aumento de brasileiros estudando fora facilitava essa montagem.

Como se viu, os trabalhos e conselhos não resultaram em nada.

Peça 4 – em vez do Facebook, Murdoch

Quando houve a explosão das redes sociais, mais que nunca as redações teriam que dispor dessa competência técnica para fazer o filtro e organizar esse mundo caótico de notícias para aprimorar o modo de fazer jornalismo.

Em vez de se esforçar no jornalismo, as empresas jornalísticas brasileiras fizeram o oposto. Por influência de Roberto Civita — o símbolo do jornalismo ético para Eugenio Bucci — trouxeram para o Brasil o padrão Murdoch  de jornalismo.

Por ele, os grupos de mídia deveriam aproveitar o caos da informação trazido pelas redes sociais para se posicionarem politicamente, inventando notícias, criando boatos, cometendo assassinatos de reputação para reforçar seu protagonismo político, levando para o campo político a disputa com os novos atores — redes sociais e empresas de telecomunicações.

Em vez de repórteres multi-aparelhados, colunistas de variedades, cronistas de futilidades, produtores musicais, de repente, transformados em Catilinas do Leblon ou dos Campos Elíseos, arrotando grosserias, ódio e opiniões políticas primárias.

Agora — como revela a ombudsman — os jornais continuam atrás de uma sobrevida econômica. Mas sem terem sequer compreendido os novos modos de produção.

Peça 5 – os modelos de negócio

O G1 sobe, O Globo definha. A UOL se mantém, a Folha afunda.

A diferença entre os dois modelos é que um trabalha a massa de leitores, com uma diversidade de conteúdo que garante uma audiência capaz de sustentar a publicidade. No caso do G1, favorecido pela extraordinária capacidade de gerar conteúdo da Globo e suas afiliadas.

Já o formato jornal fica preso entre a pressa do online e a necessidade da maior elaboração no impresso/digital. Fica no meio termo sem se resolver. Justamente por continuar recorrendo aos métodos tradicionais de jornalismo, trocando apenas a gilette-press pelo copy-paste.

Luís Nassif
No GGN
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A morte de Max Weber

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=436

Depois que anúncios da morte de Marx, Hegel e do Todo-Poderoso foram veementemente desmentidos, não faltarão testemunhos denunciando como precipitada a notícia de passamento desta para a melhor do veterano sociólogo alemão, ora vivo e bem, dirão, curtindo temporada restauradora em certo retiro curitibano. Mas há fortes indícios obtidos de colaboradores voluntários incentivando a convicção de que o celebrado autor da tese de que o protestantismo inventou o capitalismo não vai lá muito bem das pernas.

O retorno à celebridade do longevo Weber deve-se à recuperação de seus conceitos de possibilidade objetiva (quando não há impedimento lógico ao surgimento de algo) e de causalidade adequada (o especial piparote que transformará algo possível em fato material). Foi do casamento entre uma possibilidade e um piparote que se gerou, muito mais do que o capitalismo, a teoria do domínio do fato: o capitalismo era, entre outras, uma possibilidade histórica que, por felicidade, encontrava no domínio da religião protestante (mas não no da religião budista, por exemplo), o poder de materializá-lo. E para assegurar-lhe a capital existência entregou o monopólio do uso legítimo da violência ao Estado, ocupando-o com uma burocracia recrutada por critérios de competência, submetida a códigos de aplicação impessoal e disciplinada por severa hierarquia de obediência. Pois, rumorejam por aí, esses órgãos dão sinais de falência, levando o sistema nervoso weberiano à extrema inquietação; à breca, como se diz, com o país ingressando em confusa clandestinidade institucional.

O monopólio da violência foi desmantelado quando o Estado despedaçou-se em trincheiras regionais, judiciais, funcionais, tais como as disputas entre bandos facinorosos, e que se confrontam dentro e fora dos xadrezes. Quem manda em que prisão, destacamento armado ou quarteirões públicos são conflitos que escaparam ao controle dos traficantes de drogas e se instalaram nas enxovias da administração do Estado. E legítima deixou de ser a violência codificada, mas a arbitrariedade vitoriosa na competição entre máfias com alvará de licença para vinganças. O velho Max tem toda razão de andar horrorizado com o que fizeram do seu ideal-típico Estado.

A teoria do domínio do fato foi há tempos reduzida à categoria de cognição a voo de pássaro, estando canceladas todas as impossibilidades lógicas, principalmente a de que nada pode ser e não ser ao mesmo tempo. Temos agora autoridades impolutas com robusta carteira de ilícitos financeiros; temos pré-presos, denunciados justamente ao não se comprovarem as acusações originais; e, esta é de cabo de esquadra, temos juízes declarando que todas as leis de que discordam são insubsistentes.

Se o conceito de impossibilidade objetiva foi declarado dessueto, o de causalidade adequada adquiriu, em compensação, uma excelência jamais imaginada pelo Max maduro, falido visionário de três formas de autoridade: tradicional, carismática e racional-legal. A pobreza dos conceitos, segundo os juristas no comando, serve de convincente indício de que a cultura alemã decaiu depois de Lutero. Com todo respeito, o pobre diabo do Max Weber nunca alcançaria a sofisticação do mecanismo da causação preventiva cum adequação a posteriori, fenômeno recém-descoberto por missionários do Sul do Brasil. Nem consegue qualquer europeu ajustar farelos de documentos a boatos parnasianos e a promissórias confessionais, parindo denúncias especulativas em argumentos de deslavada insensatez. Ou melhor, qualquer europeu até consegue, mas ser aplaudido e condecorado como aqui é que são elas.

Dando tudo por visto, desfez-se o casamento entre a possibilidade objetiva e a causalidade adequada, sob o império da teoria do domínio do fato, na versão weberiana, instaurando-se em substituição o concubinato entre as impossibilidades convenientes e as causas de acesso esotérico, sob a regência de cognições precursoras. Se o ragu parece um tanto mistifório, não se afobe; o Estado, digo, o Estado-retalho de quistos mafiosos está aí mesmo para garantir a esbórnia da clandestinidade.
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Nassif analisa “Ditadura do Judiciário” e conjuntura política do Brasil pós-golpe


Esta entrevista do jornalista Luís Nassif à TVE Bahia é obrigatória para todos aqueles do campo progressista, pois Nassif faz um resumo brilhante da conjuntura política atual.

Menciona todos os problemas importantes, sobretudo a Operação Lava Jato, a escalada do aescismo, o “Estado de Exceção” imposto pelo Poder Judiciário, a iminente prisão de Lula, as perspectivas para economia brasileira, os desdobramentos pós-golpe, o surgimento de novos partidos de esquerda, os vícios que derrubaram o PT e muito mais. Num bate-papo descontraído, o jornalista fala sobre o momento político e social que vive o Brasil. Assuntos como a saída de Dilma Rousseff da presidência da República, os casos de corrupção e a PEC 241 vão ser analisados.

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PT representa contra Laerte Bessa (PR-DF) no Conselho de Ética por ameaça a deputado Paulo Pimenta


Durante votação da proposta que reajusta salário da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, nesta segunda (24), o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) foi ameaçado pelo deputado Laerte Bessa (PR-DF). O PT anunciou que irá fazer uma representação contra Bessa no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

O deputado Pimenta lembrou Laerte Bessa que as práticas de ameças e torturas devem ser tratadas no rigor da lei. "Essa época de onde você vem, da ditadura, das práticas da Arena, já passou. Aqui ninguém vai se intimidar com delegado fanfarrão, acostumado a dar borduada e a não respeitar a Constituição".

Essa não foi a primeira vez que Laerte Bessa ameaçou parlamentares. No ano passado, ele chegou a agredir um outro parlamentar dentro do plenário da Câmara.



PSB vai pedir cassação do deputado Laerte Bessa ao Conselho de Ética por chamar governador Rollemberg de 'safado' e 'maconheiro'.

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Eduardo Cunha, seu momento Supremo, e a história...



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Como a máxima de Pulitzer pôde ser tão subvertida pela imprensa brasileira?

Os oprimidos que se danem
“Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal residem em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade.”

Estou lendo um perfil de Joseph Pulitzer e me detenho na frase acima.

É uma reflexão que tem 150 anos de existência — e que, como tudo que é sábio, guarda uma atualidade completa, fresca, revigorante e inspiradora.

É uma receita perene de bom jornalismo.

E então me ocorre a fatal comparação. Os jornais brasileiros são a completa negação de Pulitzer.

Simpatia pelos oprimidos? Esqueça.

Devoção à causa pública? Esqueça.

Ansiedade em servir à sociedade? Esqueça.

Você inverte o enunciado pulitzeriano e encontra a mais perfeita definição do jornalismo nacional.

As corporações jornalísticas servem apenas a si próprias e a classe que representam — a plutocracia.

Dizer que a visão de Pulitzer é romântica é uma tolice. Ele não foi apenas o jornalista mais inovador da história. Foi, também, um empreendedor de extremo sucesso.

Sua lógica como empreendedor no jornalismo era irretocável: “Circulação significa anúncio, anúncio significa dinheiro, dinheiro significa independência.”

Sua visão de jornalismo é ainda hoje perfeita. “Para se tornar influente, um jornal tem que ter convicções, tem que algumas vezes corajosamente ir contra a opinião do público do qual ele depende”, afirmou.

Como jornalista, foi Pulitzer quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete, assim, bem como a primeira página.

Era um jornalista brilhante, ambicioso, e inevitavelmente acabou tendo seu próprio jornal, World, o maior em sua época.

E de novo a comparação me ocorre: por que os jornais brasileiros são o contrário?

Se eles seguissem alguns postulados de Pulitzer — não digo todos, que é coisa de gente grande, mas pelo menos alguns — o Brasil seria um país muito melhor. Digamos: a simpatia pelos oprimidos, que figura no topo das prioridades de Pulitzer.

Não seríamos um país tão assombrosamente desigual. Poderíamos ser talvez, como sonha o DCM, uma grande e ensolarada Escandinávia, uma sociedade próspera, igualitária, feliz.

Estaríamos livres do que Rousseau chamou de “extremos de opulência e miséria” que nos rebaixam e nos humilham.

Mas não.

Você abre um jornal brasileiro, qualquer um, e logo tem um choque de realidade. Pode ser uma revista. Ou vê um telejornal. Ou ouve uma rádio. É tudo anti-Pulitzer.

Por isso somos o que somos.

Paulo Nogueira
No DCM
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