24 de out de 2016

Mais uma vez a Lava-jato inventa uma sede que nunca existiu para o Instituto Lula


São Paulo, 24 de outubro de 2016

Diante de documento da Operação Lava Jato que cita o Instituto Lula e uma suposta "nova" sede, mais uma vez é importante destacar que desde que foi criado, em 2011, o Instituto Lula funciona em um sobrado adquirido em 1991 pelo antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador. No mesmo endereço funcionou, por mais de 15 anos, o Instituto Cidadania. Originalmente, era um imóvel residencial, semelhante a tantos outros no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.

O Instituto Lula jamais teve outra sede ou recebeu qualquer terreno, por isso não tem sentido especular sobre esse tema. Todas as doações recebidas pelo Instituto foram devidamente declaradas e registradas e estão absolutamente dentro da lei.

José Chrispiniano
Assessoria de Imprensa
Instituto Lula
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Golpista, mas sincero: a confissão de Cristovam de que impeachment foi para passar a PEC 241

Cristovam vive
Cristovam Buarque fez uma confissão no plenário do Senado que, em circunstâncias normais, estaria causando um barulho absurdo.

Como não vivemos circunstâncias normais, mas o marasmo de uma república bananeira, o que o senador falou passa em brancas nuvens, como mais uma blague no meio da piada trágica que viramos.

Foi num embate com Gleisi Hoffmann. No final de sua insuportável peroração, naquele tom subprofessoral que deve deixar seus antigos eleitores em coma, Cristovam falava da “credibilidade necessária do governo” para a PEC 241 ser efetivada.

— Essa credibilidade não vem da cara do Temer. A cara do Temer é a cara da Dilma, gente. Ficaram dez anos juntos, conta ele.

— Pra que vocês mudaram, então?, devolve Gleisi. Pra que fizeram o impeachment?

— Pela PEC do Teto, que a senhora não quer votar.

Gleisi pondera o óbvio: se esse projeto fosse posto em votação por qualquer candidato, não seria eleito. “Desculpe”, é o máximo que Buarque consegue responder.

Cristovam já ultrapassou há muito tempo a barreira do cinismo e da desfaçatez. Talvez esteja beirando o alambrado da loucura, mas isso é dar-lhe indulgência pelo que faz.

A admissão de Cristovam é tenebrosa. O fato de ele não estar nem aí para isso é emblemático do momento nacional.

O golpe foi dado para que uma proposta de emenda constitucional que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos seja aprovada sem o incômodo de passar pelo crivo popular.

Já temos um presidente inepto que mente na maior sobre uma reunião que não teve com Putin na cúpula dos BRICS em Goa. Nada acontece.

Cristovam, ao menos, é verdadeiro em sua imensa, facinorosa, cara de pau.



Kiko Nogueira
No DCM
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Medo de Lula

O ex-presidente deixa um recado para o futuro, valioso para entender o presente

A imagem assustadora do único, verdadeiro líder popular
Impecável texto assinado por Luiz Inácio Lula da Silva publicou a Folha de S.Paulo na terça 18, debaixo do título “Por que querem me condenar”. Um documento para a história, altivo e sereno, digno de um estadista, e impecável, repito, na forma e no conteúdo.

O ex-presidente da República escreve infinitamente melhor do que a larga maioria dos jornalistas nativos e, ao contrário destes, deita os advérbios no lugar certo. Irretorquível a demonstração das razões da perseguição e da inconsistência das acusações, a não ser que sobrem apenas, como única prova, a política social e a política exterior postas em prática pelo governo Lula em seus dois mandatos. A isto acrescentaria uma verdade factual: o ex-presidente parte favorito de qualquer pleito presidencial.

Inútil acentuar que as razões acima chocam-se de frente com os interesses da casa-grande, admiravelmente defendidos pelo regime de exceção em vigor, graças ao conluio dos três poderes afinados no golpe, a contarem com a força da polícia e a propaganda da mídia. Trata-se de um arremedo fascistoide, adequado ao país da casa-grande e da senzala, como se fossem possíveis acenos de modernidade em plena Idade Média.

Outra prova emerge do texto de Lula, sem contar a ironia da publicação na página 3 do Folhão, o jornal que o convidara para um almoço em julho de 2002, a incluir no cardápio uma entrevista. Bom recordar: o filho do anfitrião Otavio Frias, o Otavinho diretor da redação, cuidou na ocasião de duvidar abertamente da capacidade de um ex-metalúrgico exercer a Presidência da República. O hóspede ergueu-se, jogou o guardanapo sobre a mesa e dirigiu-se para os elevadores. O velho Otávio seguiu o ofendido, ao tentar demovê-lo da decisão de se retirar. Não houve jeito. Mais tarde Lula reconheceu o gesto fidalgo do dono da casa.

Quanto à prova, é de evidência solar: o Brasil é hoje um país sem lei e sem Justiça, uma espécie de faroeste, ou de Chicago na época da Grande Depressão. Carecemos, porém, de jornalistas como aquele de uma das obras-primas de John Ford, O Homem Que Matou o Facínora, impávido defensor da verdade factual. Contamos, em contrapartida, com os porta-vozes iletrados da casa-grande, sabujos dos patrões, dos quais assumem ódio e raiva para externá-los nas páginas impressas, no vídeo, nos microfones, pela internet.

O papel da mídia nativa é oposto àquele da personagem de Ford. Fundamental neste contexto tragicômico bastante peculiar, em que a encenação de uma ópera-bufa se transforma em tragédia e nela se cristaliza. A mídia foi e é decisiva para tornar verdade a mentira, realidade a ficção, ao estabelecer um círculo vicioso entre vazamentos seletivos, delações premiadas, a pronta divulgação do material que a república de Curitiba fornece pontualmente, o retorno aos promotores milenaristas para a solicitação do indiciamento a partir de suas convicções, aceitas de imediato como provas pelo camisa preta Sergio Moro.

Logo se entende por que Michel Temer trata de pagar a conta dos prestadores do mais eficaz serviço a bem do golpe, e o prêmio é imponente como será provado pela reportagem de capa desta edição. Quem dá recebe, e a mídia exorbitou na sua contribuição, determinante, é o caso de dizer. A publicidade governista rega generosamente as hortas midiáticas e lhes traz alento quando as ameaça a aridez do momento, tão incerto, por exemplo, para a imprensa propriamente dita.

CartaCapital é excluída dessas benesses porque o regime é de exceção e quantos praticam o jornalismo honesto e, portanto, denunciam o golpe e condenam o seu resultado, não merecem favores. Pelo contrário, na esperança golpista habilitam-se à morte lenta, tanto mais em tempos de penúria da publicidade privada. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, também sofremos um capitis diminutio neste específico aspecto, graças ao denodado esforço do então ministro Andrezinho Matarazzo.

Quando Lula foi empossado pela primeira vez, janeiro de 2003, chamou-me a Brasília para falar das coisas da vida, as nossas e as do País. Somos amigos há muito tempo, no ano próximo celebraremos 40 anos de convívio bem-sucedido. Vinha eu da deplorável experiência sofrida com FHC e disse ao amigo presidente esperar do novo governo a isonomia na distribuição da publicidade governista. O então chefe da Casa Civil, José Dirceu, que se juntara a nós tão logo o assunto veio à baila, anotou diligentemente o meu pedido.

Isonomia foi. Em termos, só mesmo os governos do PT agiram democraticamente e, às vezes, até exageraram. Deu-se, por exemplo, que lá pelas tantas a revista Exame, da Editora Abril, quinzenal de negócios, tivesse mais anúncios governistas do que a semanal CartaCapital, de política, economia e cultura. Entregues ao dever democrático e republicano, os governos petistas aplicaram com rigor calvinista um certo “critério técnico”, baseado em tiragens e audiências. Há exceções à regra mundo afora, a se levar em consideração a influência do órgão midiático junto a setores da sociedade ou ao próprio poder, onde quer que se situe. 

Exceções não houve, de todo modo. Nem por isso, escapamos à pecha de “revista chapa branca”, levada adiante até o naufrágio da nau de Dilma Rousseff, por jornalistas, colunistas, editorialistas, com intrépida dedicação e irredutível fervor. Havia mesmo quem, a cada edição, fizesse as contas dos nossos anúncios para concluir que, às vezes, em maioria eram do governo, sem falar dos balanços periódicos publicados pelo Folhão.

As calúnias partiam de medíocres recalcados, escribas ou bichos falantes inclinados a iniciar o período com um porém ou um gerúndio, e a banir de vez o uso do subjuntivo, além de alimentarem a certeza de que, por nos agredir, agradavam ao patrão antes do seus egos. Mas os patrões enchiam as burras graças ao PT. Agora, com o governo do golpe, já não corremos o risco de acusações mentirosas. Voltamos ao nosso lugar.

Trata-se de um reconhecimento importante. Da nossa honestidade, do nosso antigolpismo, da nossa independência. Do irredutível respeito que temos pelos leitores. Contra o festival de hipocrisia, prepotência e velhacaria que assola o País, como diria Stanislaw Ponte Preta. Nesta moldura, vale enquadrar a prisão de Eduardo Cunha. A enganação prossegue impavidamente: não passa de uma preliminar da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mino Carta
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Itaquerão de Lula é um insulto ao leitor acima da média


O esforço da Folha de S. Paulo, em parceria com os vazadores da Lava Jato, para destruir a imagem do ex-presidente Lula e inviabilizá-lo para 2018 está virando um insulto aos leitores mais despertos.

Em 29 parágrafos, a reportagem "Itaquerão foi presente para Lula, diz Emílio Odebrecht"  faz contorcionismos para legitimar uma delação que sequer existe oficialmente e que, portanto, não tem valor jurídico contra Lula.

Aliás, nem se sabe se será aceita pela Justiça, pois, em tese, não basta dizer que o estádio foi uma "espécie de presente", um "agrado" da Odebrecht ao ex-presidente pelo, digamos assim, conjunto da obra — ou dois mandatos presidenciais em solidariedade à empreiteira, que cresceu 7 vezes nesse período, destacou a Folha. Qualquer acusação precisa ser corroborada por provas.

Não à toa, Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, definiu assim a reportagem sobre o ensaio da delação de Emílio Odebrecht: "Se a delação já não serve para provar qualquer fato, a especulação de delação é um nada e não merece qualquer comentário."

O comentário cabível, na verdade, é o seguinte: do jeito que está, a delação que não existe só fomenta ainda mais uma campanha midiática para destruir reputações. E, note-se, não passou nem uma semana desde a prisão de Eduardo Cunha, episódio em que a Lava Jato chutou um cachorro morto e vendeu, com ajuda da imprensa, uma versão isenta e apartidária da investigação.

No caso do Itaquerão de Lula, há alguns pontos que dão no calo do leitor acima da média — aquele que compreense que a Lava Jato tem uma veia política saltante e sabe que delação não é verdade absoluta, pois se fosse, lideranças do PSDB, por exemplo, dessas blindadas pela mídia, teriam Rodrigo Janot em seu encalço. Mas não têm.

Lula, o torcedor impaciente

O primeiro ponto é a tese da Folha de que Lula estava descontente com o desempenho de seu time de futebol e mandou construir um estádio. O jornal chega a associar as derrotas consecutivas do Corinthians aos últimos anos do mandato de Lula.

"Em 2010, o último ano de Lula à frente da Presidência, o clube ficou em quinto lugar no Campeonato Paulista, terceiro no Brasileiro e nono na Libertadores. Em 2007, havia sido rebaixado."

"A ideia de construir o Itaquerão partiu do então presidente Lula, que atribuía os maus resultados do Corinthians à falta de um estádio, segundo relatos colhidos pela Folha."

Essa seria a motivação de Lula para "favorecer" a Odebrecht com recursos do BNDES que seriam aplicados em um dos estádios previstoas para a Copa do Mundo.

Tem suborno X Não tem suborno

No quinto parágrafo, para chamar atenção do leitor, a Folha cravou: "Os relatos [de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo], que indicam suborno, ainda terão de ser homologados pela Justiça."

No vigésimo primeiro parágrafo, Folha retira o que disse: "Nos encontros entre Lula e Emílio, não eram mencionados pagamentos de suborno, ainda na narrativa dele."

Pega Palocci

Na sequência da negativa de suborno a Lula, a Folha dá um cavalo de pau que muito interessa à Lava Jato, e afirma que se houve algum tipo de pagamento ao PT por causa do estádio, este foi negociado por Antonio Palocci.

"As questões práticas de como o PT seria beneficiado pela ajuda à Odebrecht seriam tratadas entre Marcelo e o ex-ministro Antonio Palocci", escreveu a Folha, que preferiu tratar Lula como a questão central desde a capa, passando pelas fotos e manchetes internas da edição do domingo, 23 de outubro.

Preso na operação Omertà, às vésperas da eleição municipal, Palocci segue na carceragem da Polícia Federal de Curitiba, por ordem de Sergio Moro,juiz de primeira instância, porque a força-tarefa não encontrou provas de recebimento de propina por parte do ex-ministro. Facilitaria o trabalho se a força-tarefa descolasse uma delação fatal.

Nos dias seguintes à prisão de Palocci, os jornais da velha mídia noticiaram, sem alarde, que a Lava Jato teria exigido uma delação de Marcelo Odebrecht contra Palocci. Caso contrário, não haveria negócio com Marcelo e ele continuaria preso, enquanto Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e outros delatores da Lava Jato já gozam do regime domiciliar.


Não bastasse a mudança súbita de curso da reportagem para atingir Palocci, a fala do advogado do ex-ministro, José Roberto Batochio, lá no penúltimo parágrafo, coloca a credibilidade das conexões feitas pela Lava Jato em xeque: "Causa surpresa essa versão de que o Palocci tinha mais contato com o Marcelo do que com o Emílio Odebrecht. Porque há uma amizade muito antiga entre Palocci e Emílio. Ele consultava muito o Palocci sobre a economia nacional e global. Já a relação entre Palocci e Marcelo era quase zero", disse o defensor.

O Lobby

Por último, o que se extrai contra Lula da pré-delação de Emílio Odebrecht é que o ex-presidente é suspeito por ter tido "reuniões com frequência mensal" com o empreiteiro e, nesses encontros, "Emílio pediu e obteve o aval de Lula para ajudar a empreiteira a se expandir por América Latina e África."

E aí temos mais do mesmo: "O petista é réu numa ação que tramita em Brasília, sob acusação de ter ajudado a Odebrecht a conquistar contratos em Angola."

Folha não diz ao seu leitor que, nesse caso de Angola, os procuradores admitem que Lula foi indiciado não porque há provas substanciais de que ele foi direta e indevidamente favorecido pela Odebrecht, mas porque a imprensa criminalizou o lobby de Lula no exterior em favor das grandes empresas nacionais, quando já não era mais presidente. Seus atos viraram tráfico de influência internacional porque algumas revistas assim disseram.

O leitor mais crítico poderia formar suas convicções - para usar a palavra da moda - se, junto com as delações, fossem vazadas as "provas cabais".

Cíntia Alves



"Amigo" em planilha da Odebrecht é assunto do mês passado, requentado contra Lula

É destaque nos portais de notícia, na tarde desta segunda (24), que Lula é o "Amigo de EO [Emílio Odebrecht]" que consta numa planilha apreendida e analisada pela Polícia Federal para dar corpo a uma investigação contra o ex-ministro Antonio Palocci.


Apesar de os jornais só terem dado valor a essa informação um dia após a Folha noticiar que, em sua pré-delação, Emílio, pai de Marcelo Odebrecht, teria dito que o Itaquerão é uma "espécie de presente" para Lula, esse dado circula na imprensa pelo menos desde 29 de setembro. Naquele dia, delegado da PF pediu que a prisão temporária de Palocci fosse transformada em prisão preventiva, solicitação prontamente atendida pelo juiz Sergio Moro.

Naquele pedido, consta o seguinte parágrafo: "(...) MARCELO revelou ter solicitado a ANTONIO PALOCCI FILHO que reforçasse junto ao “amigo de [seu] pai” as intenções da ODEBRECHT. O personagem referido como amigo do pai de MARCELO BAHIA ODEBRECHT possivelmente seria LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, conforme se demonstrará no Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 675/2016 (ANEXO6, Evento atual), uma vez que é claramente constatével na mensagem que tal personagem estava em esfera igual ou superior na cadeia hierárquica do governo federal."

No relatório do indiciamento, divulgado hoje, o delegado Filipe Pace recicla a informação. "Conforme Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 675/2016 (Evento 54, ANEXO6, Autos nº 5043559-60.2016.4.04.7000), LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA era conhecido pelas alcunhas de “AMIGO DE MEU PAI” e “AMIGO DE EO”, quando usada por MARCELO BAHIA ODEBRECHT e, também, por “AMIGO DE SEU PAI” e “AMIGO DE EO”, quando utilizada por interlocutores em conversar com MARCELO BAHIA ODEBRECHT."

Pace, contudo, diz que "muito embora haja respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o AMIGO das planilhas (...) era referência a LULA, a apuração de responsabilidade criminal do ex-presidente da República não compete ao núcleo investigativo do GT LAVA JATO do qual esta Autoridade Policial faz parte."

Cabe ao delegado Márcio Anselmo, que cuida de um inquérito contra Lula, decidir o que fazer com a informação. Na planilha, Amigo, segundo a PF, está associado ao recebimento de propina de R$ 8 milhões.

Palocci é acusado pela PF de gerenciar a propina da Odebrecht em favor do PT durante o governo Lula. A corporação tenta prova que o ex-presidente tinha conhecimento dessa suposta prática.

Na planilha da Odebrecht, segundo a PF, Palocci é o "Italiano" ou "Itália". A defesa nega a associação.

Hoje o GGN mostrou que a reportagem da Folha sobre o Itaquerão ser um "presente" a Lula endossa o argumento de que existe uma campanha midiática difamatória contra o ex-presidente.

Além disso, levanta a questão de que existe uma encomenda da Lava Jato à família Odebrecht para que uma delação fatal contra Palocci seja garantida.

O processo contra o ex-ministro está em segredo de justiça, segundo o portal da Justiça Federal do Paraná. Pelo acompanhamento, é possível saber, contudo, que os autos estão nas mãos de Moro para análise.

No GGN
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Coletivo negro de medicina emite nota contra o Fantástico


O Coletivo Negrex emitiu nota de repúdio ao programa Fantástico, pela reportagem sobre cotas que foi ao ar no dia 16 de outubro, domingo. Veja abaixo a nota na íntegra:



É com grande indignação que o coletivo NegreX de estudantes negras e negros da Medicina repudia, por meio desta, a reportagem acerca de fraudes no sistema de cotas em instituições públicas de ensino superior, exibida no dia 16 de outubro de 2016 pelo programa Fantástico da emissora Rede Globo. Extremamente tendenciosa, a reportagem se utilizou do mito da democracia racial para tratar o problema das fraudes nas cotas raciais como irremediável, respaldando a afroconveniência de estudantes fraudadores, bem como, questionando a validade das denúncias realizadas.

A reportagem foi um grande desserviço a toda mobilização e luta do povo negro para ocupar um espaço que lhe é de DIREITO nas universidades. Os responsáveis pela lamentável matéria jornalística parecem ignorar o cerne da existência das cotas raciais, o qual reside na reparação histórica por séculos de um regime escravocrata que, ainda hoje, se reflete no estado de fragilidade socioeconômica no qual a maior parte da população negra se encontra.

fantasticocotasnegrex

A reportagem expõe e culpabiliza, de maneira altamente irresponsável e desleal, uma mulher negra, líder quilombola, por assinar documentos sobre a habitação dos estudantes fraudadores. Tal exposição, além de tirar o foco dos verdadeiros infratores (isto é, quem frauda as cotas se fazendo passar por quilombola), coloca a líder e todo o seu quilombo em uma situação de maior vulnerabilidade e insegurança.

Além disso, para compor a reportagem, jornalistas da referida emissora requisitaram entrevistas com integrantes deste coletivo, que tiveram a oportunidade de colocar seu posicionamento. A despeito desse encontro, houve ocultação de boa parte das falas dos estudantes negros entrevistados e o seu tempo de exibição foi irrisório. Essa edição de conteúdo se configura em silenciamento, retirando a voz dos que se pronunciaram, sobretudo quando associada ao destaque dado para pessoas brancas e juristas que se mostram contra a existência de comissões avaliadoras e que não questionam as brechas da autodeclaração.

Não restam dúvidas de que estamos diante de uma mídia racista, golpista e parcial. A dificuldade de se identificar quem é negro por conta da miscigenação do país deixa de existir no momento em que a polícia decide quem vai levar o tiro. A dificuldade deixa de existir no momento em que se escolhe quem vai ser contratado para o emprego. A dificuldade deixa de existir no momento em que nós, universitários negros e negras, olhamos a nossa volta e não vemos com a frequência que deveríamos nossos iguais, porque tiveram seus espaços de direito ocupados por pessoas brancas incapazes de reconhecer seus próprios privilégios.

Quando falam ‘abaixo a corrupção’, sejam coerentes. Comecem denunciando quem frauda um direito. Quando dizem ‘não sou racista’, sejam coerentes. Comecem sendo aliados da luta do povo negro por reparação histórica.

Quantos negros tem na sua sala? Quantos deveria ter?

É preciso defender a permanência da política de cotas raciais sempre e sua execução de maneira justa. O problema das fraudes nas cotas raciais EXISTE e nós não nos calaremos!

Pedro Borges
No Desacato
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Agonia e queda de Eduardo Cunha


Em que ponto da vida Eduardo Cunha se perdeu? Para o gozo da altura que desfrutou, quando era o substituto, e mais adiante seria o presidente da república, devemos perguntar: em que ponto do poder ele saiu da curva?

Se olharmos para a sua biografia, que se tornou uma ficha criminal, no começo vemos só indícios do grande furto que seria: em 1989, o economista e empresário Paulo César Farias, maneira de se referir ao caixa de Collor, o filiou ao Partido da Reconstrução Nacional (que nome, mas tudo é a ironia da realidade) e o misturou ao núcleo da campanha presidencial de Fernando Collor.

Com pouco menos de trinta anos, o gênio Eduardo Cunha trabalhou como tesoureiro do comitê eleitoral no Rio de Janeiro. Em 1991, Collor o nomeou para o comando da Telerj. No papel de  presidente da companhia, criou uma comissão de licitação vinculada diretamente a seu gabinete. (A raposa cuidava das galinhas.) Elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2002, pelo PPB, foi  reeleito pelo PMDB nas eleições de 2006, 2010 e 2014. O mais é público por fortes laudos criminais.

Nas recuperações histórias de suas entrevistas na televisão, mostra-se num cinismo cavalar desde o tempo das fraudes na Telerj. Ele sorri com escárnio por um canto dos lábios, olha de lado, interrompe a pergunta, argumenta com preciosismos de conceitos. Ele parece se dizer: são uns babacas, sabem de nada. Sequer conhecem o significado de usufrutuário e dono de contas na Suíça. No Congresso, a sua prática foi comprar, corromper, ameaçar e intimidar, nem sempre nessa ordem.

Mas onde, em que ponto Eduardo Cunha se perdeu?  Se olharmos as datas, vemos que em 17/04/2016 apresentou o impeachment de Dilma Rousseff. Seis meses depois, em 19/10/2016, é preso. Mas como é que foi tão depressa de salvador da pátria a ladrão favorito? É que na sua intensa ficha criminal, o chantagista acrescentou o crime de sequestro, na medida em que procurou fazer da então presidenta Dilma uma refém.

O poderoso presidente do Congresso Eduardo Cunha já havia sequestrado o Congresso e, como bom criminoso, aumentava o preço do resgate a cada votação. Ele chegou a sacrificar o Brasil para exercer o próprio arbítrio e delinquência. Na sua decisão afirmou que abriu o impeachment contra a presidenta por estas razões: “o governo Dilma não é uma crise exclusivamente econômica, mas também política e, sobretudo, moral…”.  E mais: “tenho defendido que, a despeito da crise moral, política e econômica que assola o Brasil…”. E entregou a vítima às feras do congresso, grande mídia e judiciário.

É simples e elementar, a experiência humana sustenta: o sequestrador não pode perder a sua vítima. Quando Eduardo Cunha entregou a presidenta ao impeachment, ele perdeu o valor de troca. E fez sumir o interesse em ser mantido como antes, quando o saudavam como o “malvado favorito”, apesar dos notórios e provados crimes.

Agora, ele se torna agora um homem-bomba, em mais de um sentido. No de causar a morte política em quem estiver a seu redor e no sentido próprio, que fere fundo a si mesmo.

Enquanto escrevo, as notícias precipitam o seu abismo e ladeira.  O chão é o limite, porque gritam os títulos: “Para Lava Jato, filhos de Cunha participaram de ‘série de fatos criminosos’”. Para os procuradores da Força Tarefa da Operação Lava Jato, há evidências de que três filhos do ex-deputado federal Eduardo Cunha participaram de uma ‘série de fatos criminosos graves’ como o recebimento de propinas e lavagem de dinheiro.

Ele está morto? Ainda não.

Eduardo Cunha guarda como última moeda os crimes dos amigos corruptos com quem se relacionou. Ele possui muitos dados para a chantagem. Difícil, no seu próximo lance, é saber como usar, como lançar os dados que não o projetem de vez para muito longe da curva. Que não o empurrem para fora da vida.  Eduardo Cunha acredita em Deus, mas não quer dar o próximo passo até o paraíso.

Urariano Mota
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“De fora, só aparece Lula”: Moro deveria ouvir o autor do livro que prefaciou sobre a Mãos Limpas


A melhor cena do clássico “Annie Hall”, de Woody Allen, é quando um sujeito, numa fila de cinema, começa a pontificar sobre o trabalho de Marshall McLuhan.

Num determinado momento, com o saco cheio de ouvir tanta baboseira, o personagem central, vivido por Allen, vai buscar o próprio McLuhan para explicar ao sabichão que ele estava errado.

“Você não entendeu nada”, diz McLuhan para seu atônito interlocutor, antes de desaparecer atrás das câmeras.

O que Sérgio Moro está fazendo com sua versão brasileira da Operação Mãos Limpas é parecido com o que fez o homem na fila de cinema com McLuhan. Moro, tudo indica, não tem a compreensão do que ocorreu na Itália.

Seria interessante que conversasse com o jornalista Gianni Barbacetto, especialista no assunto e autor do livro sobre a Mani Pulite que está sendo lançado no Brasil — cujo prefácio foi escrito por Moro.

Os dois jantaram e tiraram fotos para a posteridade, mas, aparentemente, trocaram impressões sobre a pizza napolitana e as escadarias de Roma, mais do que qualquer coisa.

A Mãos Limpas cumpriu quase 3 mil mandados de prisão, investigou 438 parlamentares e 872 empresários, acabou com cinco partidos — e desembocou no pilantra Silvio Berlusconi.

Barbacetto já tinha falado com a Zero Hora. Deu uma entrevista ao Valor, publicada nesta segunda, 24, que deveria ser lida e anotada por Sérgio Moro. São placas onde está escrito “Perigo! Não entre!”, virtualmente ignoradas.
Valor: A Mãos Limpas já foi classificada como um sucesso no curto prazo, mas um fracasso no longo prazo. O sr. concorda?

Gianni Barbacetto: Sim. Por um breve período, dois anos, a política italiana se livrou da corrupção. Cerca de 90% dos italianos se envolveram e apoiaram a operação, num clima de grande torcida. Aqui, no Brasil, vejo apoio de alguns que são favoráveis, mas outra parte que considera um golpe. Na Itália, não havia isso, nos primeiros anos. Depois, houve as consequências políticas.

Valor: Que consequências?

Barbacetto: No começo, os promotores fizeram a investigação e descobriram um sistema de corrupção perfeito, que incluía até partidos da oposição, como o Comunista. Com isso, os cidadãos deixaram de votar naqueles partidos. Depois, a partir de 1994, o sistema político se fecha e se recria.

Valor: Como?

Barbacetto: Começam a nascer novas legendas, como a Liga Norte, partido separatista, e sobretudo a Força Itália, de Berlusconi. Ele controlava as três redes de TV privadas e dominava a opinião pública. Em pouco tempo, ele se apresenta como defensor da Mãos Limpas e vence as eleições, dizendo-se um empreendedor, e não um político. Depois disso, ele reconstruiu o velho sistema, reciclando os antigos políticos. Berlusconi era o maior amigo do maior protagonista da Mãos Limpas, o ex-primeiro-ministro Bettino Craxi, seu grande protetor. Berlusconi conseguiu o monopólio da TV privada italiana graças a Craxi.

Valor: A população não fazia essa ligação?

Barbacetto: Metade sim, mas metade, que estava apaixonada por Berlusconi, não – o defendeu e votou nele por quase 20 anos.
Valor: A ascensão de Berlusconi marca a decadência da operação?

Barbacetto: O sistema antigo de corrupção, com os tesoureiros recolhendo e distribuindo as propinas para o partido, não existe mais. Mas se criou um novo sistema. São vários políticos e cada um se serve. É um self-service da corrupção. Por meio de correntes e grupos partidários.

(…)

Valor: A Lava-Jato ajudou a derrubar Dilma Rousseff e o PT, mas o novo governo, de Michel Temer, é apoiado por uma maioria parlamentar com políticos e partidos também envolvidos em esquemas de corrupção. Esse resultado é muito diferente ao da Itália, não?

Barbacetto: Sim, na Itália a população foi às urnas e como forma de protesto derrubou os grandes partidos em 1994. A mudança não ocorreu dentro do Parlamento, mas fora.

Valor: No Brasil, há grupos muito críticos à Lava-Jato. Isso aconteceu na Itália?

Barbacetto: Durante dois anos ninguém criticou quase nada. Os italianos amavam a Mãos Limpas, mas Berlusconi conseguiu convencer, pelo menos a metade da população, de que a operação foi manipulada e politizada. Ele e a direita italiana ainda dizem que a Mãos Limpas acabou com o antigo sistema, mas salvou o Partido Comunista, chamava os juízes de comunistas, de “toga vermelha”.

(…)

Valor: Qual é a visão da Lava-Jato na Itália?

Barbacetto: Olhando de fora, aparece só Lula. Na Itália, sabemos apenas que Lula é investigado. Não sabemos ninguém de outro partido.
Na semana passada, talvez tentando disfarçar a parcialidade patente da Lava Jato, Moro prendeu Eduardo Cunha numa operação que fugiu completamente ao protocolo.

A essa altura, depois de dois anos concentrados em apenas um partido e seu líder, fica complicado convencer que o objetivo não seja tirar Lula da cena.

Fica claro, a cada entrevista de Barbacetto, que Sérgio Moro não leu a obra para a qual escreveu o texto de apresentação. Agora: ainda que Barbacetto lhe dissesse que ele não entendeu nada, é duvidoso que o juiz o ouvisse, do alto de seu posto de salvador da pátria brasileira.

Kiko Nogueira
No DCM
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Os “patos” agora querem conteúdo nacional na Petrobras?


Alertado pelo GGN, de Luís Nassif, vejo na Folha que os líderes de “pataquada” — a Fiesp e a Firjan — agora querem que Michel Temer reverta as mudanças anunciadas que praticamente extinguem a exigência de conteúdo nacional na construção das plataformas e demais equipamentos de exploração de petróleo.

Os “campeões da livra iniciativa” que viviam reclamando da falta de competição agora se arrependeram, porque as petroleiras estrangeiras, quando vierem o nosso pré-sal, vêm de mala e cuia, com seus fornecedores internacionais que, obvio, podem dar melhores preços, uma vez que trabalham em escala mundial.

Percam as esperanças, senhores.

Pode ser que sobre para vocês fazerem uns caninhos, uns parafusos, quem sabe uns gradis e escadas.

Partes de maior valor agregado? Esqueçam.

Com lei e tudo, as petroleiras não preferiram pagar R$ 570 milhões em multas para importar além do que era autorizado?

Imagina sem ela e com o raciocínio “besta” de que é melhor pagar uns dólares a menos e trazer de Singapura?

Vejam como a Folha conta a história e o “dinheirinho” que se perde aqui, em produção e empregos:

“A pressão sobre o governo aumentou em junho, quando a Petrobras passou a defender abertamente a flexibilização das regras após a chegada de Pedro Parente à presidência. Em 2016, o governo recebeu os presidentes globais da Shell, Ben Van Beurden, e da Statoil, Eldar Saetre. O setor afirma que ganharia investimentos de US$ 250 bilhões com as mudanças.

O curioso é ver que o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, diz que — o verbo é dele — as multis “ ameaçam com um investimento que só vai acontecer na década que vem. O fechamento de fábricas vai trazer desemprego agora”.

Patos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Onde estão os democratas?

Faço essa pergunta diante da perseguição judicial de que está sendo vítima o ex-presidente Lula. Uma perseguição que tem como protagonistas o juiz Sérgio Moro e os procuradores do Ministério Público Federal organizados sob a forma de "força tarefa". Essa perseguição é evidente para quem quiser ver. Eu a vi no dia em que, por ordem de Moro, Lula foi conduzido coercitivamente para depor e, ao mesmo tempo, a Força Tarefa enviava um press-release no qual afirmava que o ex-presidente era "o principal beneficiário" do escândalo da Petrobras, e apresentava como "evidência" o apartamento que Lula não comprou e sítio emprestado pelos amigos que foi imprudente em usar. Como seria possível ser ele o principal beneficiário de um imenso sistema de corrupção com "propinas" tão ridículas?

Há um mês Lula foi indiciado, ao mesmo tempo que o Procurador Deltan Dallagnol, em uma patética apresentação de slides, reiterava que Lula é "comandante máximo do esquema de corrupção" sem nada acrescentar às ridículas acusações.

Nesta semana Lula reagiu. Na última quinta-feira, a Folha publicou seu artigo, "Por que querem me condenar". É o documento de um estadista, indignado e sereno.

Está na hora de os verdadeiros democratas — daqueles para quem a garantia dos direitos civis é mais importante do que seus interesses de classe ou seus interesses corporativos — juntarem-se aos protestos dos seus correligionários e dos seus advogados. Não sou do PT, entendo que esse partido cometeu um grande erro ao se envolver institucionalmente na corrupção, mas entendo que é inadmissível que membros do Estado, como são juízes e promotores, se deixem levar pelo moralismo e usem do poder do Estado contra membros do partido contra os quais não há qualquer evidência que tenham participado do esquema corrupto, como é o caso do ex-presidente Lula.

Luiz Carlos Bresser-Pereira
No Esquerda Caviar
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TV aberta pode perder 10% em publicidade

Os barões da mídia vão ter que bajular muito o usurpador Michel Temer para evitar um desastre ainda maior no seu modelo de negócios. Só mesmo com muitas mamatas do poder — via aumento das verbas de publicidade oficial e outras maracutaias — para escapar do precipício que se avizinha. Nesta sexta-feira (22), o jornalista Ricardo Feltrin postou no UOL um artigo que evidencia a gravidade da crise no setor. Segundo descreve, com o agravamento da recessão econômica e o fim das Olimpíadas, a TV aberta pode perder até 10% do seu faturamento em publicidade do setor privado neste ano. Além das razões políticas-ideológicas, o apoio ao "golpe dos corruptos" teve uma forte motivação mercenária. E ainda tem "midiota" que acredita na demagogia "ética" dos barões da imprensa.

Segundo a reportagem, "nem os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro vão ajudar as TVs abertas este ano no faturamento. Pelo contrário: em alguns casos, como na Record e na Band, a transmissão dos jogos serviu apenas para aumentar os gastos operacionais de 2016 e reduzir ainda mais suas receitas. Sem falar que não fizeram efeito na audiência também. Fontes do mercado ouvidas pela coluna são unânimes em dizer que 2016 não será um ano para a televisão aberta se lembrar com carinho em seus balanços". Apesar da falta de transparência das emissoras de tevê, o jornalista obteve informações que confirmam a gravidade da crise no setor.

"Dados do primeiro semestre computados pela Kantar Ibope apontam que as TVs amealharam cerca de R$ 33 bilhões até 31 de julho. O problema é que esse cálculo da Kantar Ibope é inflado: a empresa faz as contas de acordo com a tabela cheia cobrada pelas emissoras aos anunciantes. Só que isso é irreal: algumas TVs chegam a dar descontos de até 95% nessa tabela, dependendo do anunciante. A Kantar não tem acesso ao valor real faturado, portanto. Em todo o ano passado, por exemplo, o Ibope calculou que a TV aberta arrecadou (pela tabela cheia) R$ 67,5 bilhões. Este ano, de acordo com a projeção, esse valor ficaria na casa dos R$ 66 bilhões. Portanto, somente usando os números oficiais da Kantar Ibope a queda este ano já seria em torno de 2%".

Ainda de acordo com o jornalista, esta queda de faturamento deve ser ainda maior. "Os especialistas do mercado garantem que em alguns casos a queda será de ate 10% ou mais, pois a insegurança política no país tem feito muitos anunciantes colocar o pé no freio desde janeiro". Ricardo Feltrin apresenta ainda uma estimativa — "extraoficial" — do faturamento real de cada TV em 2016. É muita grana, mas bem abaixo da gula dos barões da mídia. Vale conferir:

- TV Globo: R$ 12,5 bilhões

- Record: 2,1 bilhões

- SBT: R$ 940 milhões

- Band: R$ 400 milhões

- RedeTV!: R$ 250 milhões

Altamiro Borges
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