19 de out de 2016

O que fazer com a Rede Globo de Comunicações?

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=430


O que fazer com o sistema globo de comunicação é um dos mais difíceis problemas a solucionar pela futura democracia brasileira. A capacidade de fabricar super-heróis fajutos, triturar reputações e transmitir versões selecionadas e transfiguradas do que acontece no mundo, lhe dá um poder intimidante a que se foram submetendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A referência aos três poderes constitucionais da República resume a extensão do controle que o Sistema Globo detém e exerce implacavelmente, hoje, sobre toda e qualquer organização ou cidadão brasileiro. Só ínfima proporção do povo desdenha ser personagem de um fictício Brasil, nas páginas de seus jornais e revistas, notícias radiofônicas e matérias televisivas. Ainda menor é o número dos que não se abalam com a possibilidade de soçobrar nos planos de perseguição e vingança do portentoso vozeirão do Monstro comunicativo. Nenhum juiz, político, servidor público, organizações do bem ou do mal, passantes inofensivos e supostos detentores de direitos posa de valente diante das bochechas do mau humor Global. O Sistema Globo de Comunicação superou as Forças Armadas e as denominações religiosas, inclusive a inquisitorial Igreja Católica, na capacidade de distribuir pela sociedade os terríveis sentimentos de medo, ansiedade e inquietação. Ele é a fonte do baixo astral e baixa estima dos brasileiros e das brasileiras. O Sistema Globo converteu-se no gerente corruptor e corruptível do medo político, econômico, social e moral da sociedade brasileira, sem exceção.

Denunciar a gênese não contribui para elaborar eficiente estratégia de destruição do Monstro. Aliás, de que destruição se trata? O Sistema fabricou a mais abrangente e veloz rede de transmissão de notícias, através de emissoras e retransmissoras associadas, com comando centralizado e sem rival na sofisticação de sua aparelhagem e na competência de seus operadores. O Sistema Globo de Comunicações é modelo de excepcionalmente bem sucedido projeto de formação da opinião pública e de interpretação conjuntural dos valores cívicos da nacionalidade. É ele quem cria os amigos e os inimigos do País, mediante o controle, pelo medo, das instituições políticas e judiciárias. Com extraordinária reserva de recrutas intelectuais e especialistas, está aparelhada para a defesa de qualquer tese que a mantenha como proprietária praticamente exclusiva do poder de anunciar, em primeira mão, o que é a verdade — sobre tudo e sobre todos.

Não é esse poder tecnológico e de competência que deve ser destruído. Ao contrário, preservado e estimulado a manter-se na vanguarda da capacidade difusora de notícias e de valores, bem como em sua engenhosidade empresarial capitalista. O que há a fazer é expropriar politicamente o Sistema Globo de Comunicações, mantendo-o autônomo em relação aos governos eventuais (ou frentes ideológicas de infiltradas sanguessugas autoritárias), e implodir as usinas editoriais e jornalísticas do medo e de catástrofes emocionais, restituindo isenção aos julgamentos de terceiros. O Sistema Globo constitui, potencialmente, excelente opção para um sistema público de notícias impressas, radiofônicas e televisivas. Politicamente expropriados da tirania exercida sobre o jornalismo da organização, seus proprietários jurídicos podem manter ações e outros haveres econômicos das empresas conglomeradas, sem direito a voto na redação do futuro manual do sistema público de comunicação.

Como está é que não pode ficar. Ou não haverá democracia estável no país.
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Prisão de Cunha “protege” Moro para ação contra Lula?



Também do ponto de vista político, a prisão, agora há pouco, do ex-deputado Eduardo Cunha é, de alguma forma, “preventiva”.

Previne o questionamento, óbvio, que uma eventual ação contra o ex-presidente Lula teria se, ao ser desfechada, encontrasse Cunha ainda flanando por aí.

Não estão esclarecidas as razões de uma prisão feita a esta altura. Falar que o homem que teve poder para destituir uma presidente eleita e “nomear” Michel Temer presidente pudesse estar usando de prestígio e influência, agora que está apeado da presidência da Câmara e até do mandato parlamentar, para obstruir a Justiça.

Assim como não parece que fosse uma prioridade: para Cunha não houve entrevista coletiva, powerpoints e espalhafatos. Até a hora, sem o “japonês matinal” de praxe destoou.

Portanto, o que se pode suspeitar é que Eduardo Cunha, que deveria estar monitorado até nos pensamentos, tenha partido para alguma ação de ameaça ou chantagem, nada estranhas em se tratando dele.

Por que é preciso haver uma fato concreto para que a prisão tenha sido determinada, embora no caso de Cunha alguém pudesse ter sido feita “por merecimento”, o que pode ser um critério moral, mas não é um critério legal.

Enfim, é mais um para a Casa Verde de Sérgio Moro, a marcar a concentração absurda de poder num único homem, que prendendo ou permitindo que com as prisões se arranquem confissões — aceitarão a de Cunha? — que levam o país à mais completa destruição institucional que se tem notícia desde a decretação ao Ato Institucional nº 5.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Como Lula lidera as pesquisas mesmo sendo massacrado pela imprensa?


Os barões da mídia devem estar se perguntando: como a gente bate tanto em Lula e ele aparece na frente nas pesquisas, como mostrou a Vox Populi divulgada ontem?

O pesadelo aumenta de tom quando se pensa que, na época de campanha, Lula vai aparecer na televisão, para todo o país, com sua própria versão dos fatos.

E nos debates: alguém pode imaginar Lula no meio de Aécios, ou Alckmins, ou Marinas?

São cenários que apavoram os donos da mídia.

Eles serão forçados a reflexões.

Um fato inescapável é que não basta acusar. Não, pelo menos, quando se trata de Lula. É necessário haver qualidade, consistência nas acusações, e você não encontra nada disso contra Lula.

Ao contrário: o que se viu resvalou muitas vezes o humorismo, como os pedalinhos do mítico sítio de Atibaia. Ou a própria ignorância: duvidaram da existência das palestras de Lula, mesmo com ele sendo sabidamente, depois do segundo mandato, um dos conferencistas mais requisitados e mais caros do mundo.

Mas o erro maior foi a frequência dos ataques. Foram tantos, e tão intensos, que acabaram perdendo a força original.

Em muitos brasileiros — descontados aqueles para os quais o PT é demoníaco — começou a aparecer uma incômoda sensação de perseguição, de vale tudo para acabar com Lula. Muita gente, paradoxalmente, pode ter pensando: “Esse cara deve ter virtudes para ser tão massacrado pelos ricos.”

Entra aí a imagem de Lula como mártir.

E entram também aí as posições de liderança de Lula nas pesquisas — e seu favoritismo claro para 2018.

Paulo Nogueira
No DCM
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Gilmar acusa juízes de chantagem e chama Serra, Malan e Parente de “gente do melhor quilate” — assista


Gilmar Mendes rasgou a toga em sessão do TSE nesta terça, dia 18. Segundo a Folha, ele acusou juízes e integrantes do Ministério Público de usarem a Lei da Ficha Limpa para chantagear políticos. Não citou nomes.



Falou Gilmar:
  • “Promotores e juízes ameaçam parlamentares com a lei da Ficha Limpa, essa é a realidade […]. Há abuso de poder […]. Ao empoderarmos determinadas instituições, estamos dando a elas um poder que elas precisam para fazer esse tipo de chantagem”.
  • “Nós erramos ao fazer essa ação [do Proer] voltar, porque é um escândalo, uma ação que salvou o país […]. E aí, as pessoas ficam expostas a essa assanha de pessoas que não entendem nada de política pública, que não sabem nada do que se está fazendo e aí saem a palpitar”.
  • “Ou seja, gente do melhor quilate, como Serra, como Malan e Parente estão submetidas à ação de improbidade até hoje, enquanto esses ladravazes estão soltos”.
Gilmar foi advogado-geral da União no governo FHC, que o indicou ao STF. Malan, Serra e Parente respondem a processo de improbidade no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), de 1994.

No DCM
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Cenas de um dia na Bananalândia: Temer, o íntimo de Putin


Cena 1 - Temer, o íntimo de Putin

Enviado especial do Estadão ao encontro dos BRICS na Índia, o repórter Andrei Neto constatou que Michel Temer foi o único representante dos Brics a não ser recebido por Putin na Índia (goo.gl/P56npo).

Como explica Andrei, "em diplomacia, a reunião bilateral é uma deferência política ou um gesto de proximidade e, não raro, de simpatia entre dois dirigentes políticos. O russo se reuniu em Goa com o presidente da China, Xi Jinping, com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com Jacob Zuma, presidente da África do Sul, mas não concedeu seu tempo a Temer durante os dias de permanência dos dois líderes na cidade indiana".

Continua ele: “Segundo o canal de informação Russia Today, espécie de NBR da Rússia, a escolha seria por não se aproximar do presidente brasileiro após a "mudança brusca", como se referiram ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo o canal, os líderes dos Brics prestam "muita atenção" em Temer para tentar entender quais serão os rumos políticos do Brasil a partir de agora”.

E tudo não passaria de um caso de desconfiança dos parceiros em relação a um presidente não eleito, não fossem as cenas que precederam a revelação: Temer arrotando intimidade com Putin, como um fã deslumbrado pela proximidade com a celebridade.

Diz o repórter:

"Em seu primeiro pronunciamento aos jornalistas brasileiros, Temer não se referiu à falta de encontro com Putin, mas insinuou, ao contrário, uma certa aproximação com o líder russo. Ao ser questionado sobre como os líderes estrangeiros haviam reagido em relação à aproximação da PEC sobre o limite de gastos do orçamento, Temer afirmou: "Não só o ministro indiano se interessou, como durante um almoço o ministro Putin… o presidente Putin se interessou vivamente, tanto que eu dei explicações as mais variadas sobre o nosso projeto", disse ele. Instantes depois o presidente brasileiro se referiu ao almoço como "um jantar". Sem ser questionado, Temer prosseguiu falando de Rússia: "Há uma identidade muito grande de questões econômicas entre a Rússia e o Brasil". 

Prosseguiu Temer apontando como pontos comuns, entre Brasil e Rússia, uma dívida bruta de quase 70% do PIB e um déficit anual de R$ 170 bilhões. E esse déficit criou, de imediato, uma identificação entre ambos. "De modo que, como havia essa identidade, nós conversamos muito sobre o teto dos gastos públicos. Percebo que ele se interessou. Agora não sei o que ele fará.", disse Temer 

Não ficou nisso o interesse de Putin por Temer. "Eu fiquei de mandar a documentação da proposta da PEC dos gastos públicos para ele e até para os demais integrantes dos Brics", explicou. 

E Temer aproveitou para contar prosa de sua suposta estratégia diplomática. Ao contrário de Lula e Dilma, ele abrirá todas as portas, em vez de se limitar a uma diplomacia direcionada.

Mais, o repórter não disse. Mas consta que, ao seu lado, a primeira dama assentiu com a cabeça em tom grave, de quem entendeu tudo.

Cena 2 - o chanceler que fala em Copom

No encontro do mais importante evento geopolítico de décadas — os BRICS — o chanceler José Serra entrou mudo e saiu calado. Ou melhor, falou sobre a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) anunciando que poderá reduzir os juros, devido à queda da inflação.

Sabendo-se da blindagem do Banco Central a opiniões de fora, a declaração de Serra teve a mesma relevância de qualquer palpiteiro. Mas como Serra e a comitiva não conseguiram gerar uma notícia diplomática sequer, os enviados especiais não tiveram outra alternativa senão a de dar destaque ao palpite . O que gerou manchetes, constrangendo o Copom na sua próxima reunião.

Se baixam os juros, se poderá alegar que se curvaram a Serra. Assim, a declaração de Serra será um argumento a mais para o Copom não mexer nos juros.

De resto, não se ficou sabendo se Serra aprendeu o significado dos BRICS e se decorou os países que compõem a sigla.

Cena 3 - o Ministro celebridade

Enquanto Temer se deslumbrava com o centro do mundo, seu Ministro da Justiça anunciava o novo Plano Nacional de Segurança correndo, com receio de que o próprio presidente viesse disputar os holofotes com ele. E os apaniguados do Palácio apressam-se em informar os repórteres que Temer não gostou da mais nova impertinência de Moraes, e pretende demiti-lo em breve.

Cena 4 - o Ministro da Educação e suas prioridades

Na sua praia, o Ministro da Educação Mendonça Filho define o mais prioritário: colocar o FIES em dia. A dívida do FIES é com grandes grupos educacionais. Eles tiveram prioridade sobre todas as demais áreas.

Luís Nassif
No GGN
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Calar Jamais


Vídeo da campanha Calar Jamais, contra violações à liberdade de expressão. Iniciativa do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), em parceria com diversas organizações da sociedade civil.

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Denuncismo moralista do TSE mostra sua imoralidade com Dona Geni


Ontem de manhã, no rádio do carro, ouvi um âncora e um entrevistado pela CBN desancando a “corrupção generalizada” por conta da suposta doação de R$ 75 milhões de um beneficiário do Bolsa-Família a um candidato às eleições.

Como é óbvio, a primeira pergunta que me fiz é: verificaram isso? Não há erro na doação ou no CPF?

Devia ter havido conferência, pois atribuíam a informação ao Tribunal Superior Eleitoral e já anunciavam o envio dos dois desgraçados ao Ministério Público Federal.

Mas não houve, foi na base da “cognição sumária”. Claro, são todos ladrões na política…

Seria extremamente simples, porque a tal “doação milionária” foi feita por transferência bancária e transações desta monta são imediatamente comunicadas ao COAF.

Qualquer imbecil que visse uma doação deste valor a uma candidata humilde, vinda de um pessoa humilde, numa cidadezinha de 12 mil habitantes no interior de Pernambuco iria pensar antes num erro que numa fraude, porque só um fraudador mais imbecil ainda desviaria R$ 75 milhões desta maneira, ainda mais em depósito bancário.

Mas não houve sequer imbecis, não é? Nem no TSE nem na mídia, que repetiu o erro feito papagaio da cruzada moralista.

Hoje, na Folha, Bernardo de Mello Franco dá o tratamento devido a esta indignidade feita com a lavradora pobre Maria Geni do Nascimento, que ganha 91 reais de Bolsa-Família, e como o “doador-milionário” Pedro Rodrigues, que deu modestos R$ 75 reais — e não milhões de reais — à candidata humilde.

Moralidade, no Brasil, só existe nos milhões da mídia, do Dória, do “mercado”.


Jogaram pedra na Geni

Bernardo Mello Franco, na Folha

A notícia foi divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral: uma beneficiária do Bolsa Família doou R$ 75 milhões a uma campanha política. Com ar de escândalo, a corte listou o caso entre os “indícios de irregularidades mais relevantes” do primeiro turno.

Ao avisar a imprensa, o TSE informou que “compartilhou imediatamente o material com o Ministério Público Eleitoral”. A corte também acionou o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário para a abertura de uma investigação.

Rapidamente, vazou-se o nome da suspeita: Maria Geni do Nascimento. Ela se candidatou a vereadora pelo PDT em Santa Cruz da Baixa Verde, no sertão de Pernambuco. É lavradora, tem 56 anos e não completou o ensino médio.

Segundo o banco de dados da Justiça Eleitoral, Geni teria recebido, e não doado, os R$ 75 milhões. Mesmo assim, seu caso parecia perfeito para confirmar duas teses em voga: o cadastro do Bolsa Família é uma bagunça e o veto às doações de empresas levaria o caos às eleições.

O presidente do TSE, Gilmar Mendes, declarou em setembro que doações de beneficiários de programas sociais indicavam fraudes e crimes eleitorais. “Ou essa pessoa não deveria estar recebendo o Bolsa Família ou ocorre o fenômeno que chamamos de ‘caça-CPF’, que é a ideia de se manipular o CPF de alguém que está inocente”, disse o ministro.

Nesta terça (18), descobriu-se que Geni não era fraudadora nem laranja. Ela apenas errou ao preencher o sistema eletrônico e informar sua única ajuda de campanha: R$ 75, doados por um estudante que recebe auxílio-alimentação da universidade pública. “Ela digitou zeros demais”, explicou Raquel Salazar, da corregedoria do TRE de Pernambuco, ao “Jornal do Commercio”.

A assessoria do TSE me disse que cabe à candidata, e não ao tribunal, providenciar uma correção. Até aqui, nenhuma autoridade se desculpou com Geni. Ela levou pedradas de todos os lados, mas não se elegeu. Teve apenas 13 votos.

PS. Dona Geni, não se atreva a pedir uma indenização por danos morais contra o TSE. A sua honra não vale o mesmo que a das excelências, que cobram caro por ela aos blogs.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Eduardo Cunha preso — assista


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Xadrez de Carmen Lúcia, agente da remilitarização do país


Há tempos venho juntando um conjunto de indícios que apontam para um aumento da interferência militar nas políticas internas do país. O ápice foi a atitude da nova presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Carmen Lúcia, de convocar as Forças Armadas (FFAAs) para discutir segurança interna.

A respeito do “Xadrez das Vivandeiras dos Quarteis”, recebo o seguinte e-mail do jornalista O, que recebeu de L., brasileiro que mora na Argentina. Ambos pediram sigilo de fonte.

De L. para O.

Prezado amigo,

li o artigo de hoje do Nassif sobre a aproximação perigosa do governo golpista com os militares. Por uma feliz coincidência, o Página 12 publicou hoje uma matéria intitulada “Jugar con el fuego” na qual faz um resumo de um painel ocorrido recentemente aqui em Buenos Aires.

O evento reuniu acadêmicos e jornalistas para apresentar o documento “La riesgosa política del gobierno para las Fuerzas Armadas”.

O texto foi publicado pelo Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS), conhecida organização de direitos humanos aqui na Argentina, e trata, adivinha do quê?, de um paulada na clara intenção do governo Macri de acabar com a saudável e histórica distinção entre Defesa e Segurança Interna.

Os argentinos conhecem bem a merda que é, para o conjunto da sociedade, colocar as Forças Armadas para fazer papel de polícia. Com a redemocratização, eles conseguiram separar bem os papéis institucionais dos militares e da polícia, estabelecendo claramente, do ponto de vista legal e administrativo, os limites das Forças Armadas.

Agora, estão muito receosos das intenções do governo Macri de acabar com essa conquista histórica. E, claro, com o que isso pode representar: uma porta escancarada para a repressão política, para a violação dos direitos individuais, sobretudo das populações menos favorecidas.

Veja você que, por razões semelhantes, o que se vive aqui na Argentina é parecido como que está ocorrendo no Brasil. A diferença é que aqui há mais vozes que gritam.

No Brasil, há pouquíssimas. Nassif é um dos únicos a chamar a atenção para isso. De modo que te envio abaixo os links para a matéria e para o documento do CELS. Acho que o Nassif vai adorar receber os dois.

Vamos a um breve apanhado do que ocorre na Argentina, para avaliar melhor o papel da Ministra Carmen Lúcia.

A reportagem do Página 12 é sobre encontro realizado na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) sobre o tema. No encerramento do painel, Horácio Verbitsky, presidente do Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (CELS)  denunciou documento do governo Macri, procurando militarizar a polícia de segurança. Os demais especialistas presentes alertaram para o “enfraquecimento do princípio da demarcação entre os conceitos de segurança e defesa”.

Os argumentos invocados por Macri para envolver as Forças Armadas nas questões internas foram o da prevenção do terrorismo e do tráfico de drogas e a contenção da agitação social e dos protestos.

Vamos ver como fica o nosso Xadrez com essas novas movimentações.

Peça 1 – a desmilitarização na Argentina

A Argentina foi vítima de uma ditadura militar trágica, que deixou milhares de vítimas e protagonizou a guerra das Malvinas e a derrota ampla para a Inglaterra.

De lá para cá, houve um gradativo processo de reinstitucionalização das Forças Armadas promovido desde 1983 pelo presidente Raul Alfonsin.

O principal ponto acertado foi o da clara demarcação entre os conceitos de segurança e de defesa. Segurança é trabalho para a polícia; defesa, para as Forças Armadas. Segurança trata de crimes; defesa trata de inimigos externos.

A estratégia argentina consistiu, de um lado, na subordinação constitucional dos militares ao poder civil. Foram punidos os crimes contra a humanidade ocorridos na ditadura e desmilitarizados todos os cargos do Ministério da Defesa.

Peça 2 – porque não envolver FFAA com repressão interna

O trabalho apresentado no seminário lista inúmeros argumentos para não se envolver as FFAAs com repressão interna.

A primeira razão é que as Forças Armadas atuam dentro do conceito de guerra, na qual a lógica é do extermínio do inimigo. Os militares não estão treinados para o uso gradual das forças, o que explica que suas intervenções sempre têm nível maior de letalidade.

A formação do militar é mais demorada que a do policial. Por isso mesmo, não se resolve a adaptação com re-treinamento ou com mudança de equipamentos, diz o estudo.

Em 2006, o governo do México envolveu as Forcas Armadas na luta contra o crime organizado.  Segundo informe de janeiro de 2013 da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), as denúncias por torturas, assassinatos e desaparecimento de presos aumentaram em 1.000% no período de seis anos. E não houve nenhuma redução no tráfico.

O mesmo ocorreu na Colômbia, com seguidas denúncias de violação de direitos humanos, chegando à prática de assassinatos como indicador de eficácia.

Em vários países, as próprias Forças Armadas se deram conta dos riscos de entrarem na luta contra o narcotráfico.

Os riscos para as Forças Armadas estão no envolvimento de oficiais e soldados com a corrupção. No México, as Forças Armadas foram infiltradas por redes criminosas que acabaram controlando boa parte de sua estrutura e adotando suas técnicas nas disputas com outras quadrilhas. O mesmo ocorreu na Colômbia, com integrantes das Forças Armadas envolvidas em redes de narcotráficos e de armamentos.

Peça 3 – o Comando Sul e a luta contra o narcoterrorismo

No seminário foram levantados um acerto e um erro da política argentina pós-ditadura. O acerto foi a subordinação dos militares às lideranças políticas, inclusive com a punição dos que foram responsáveis por crimes contra a humanidade.

O erro foi não ter reconhecido a fundo o novo papel das forças armadas como última linha de defesa nacional contra a agressão externa.

Ao permitir o financiamento externo através do Comando Sul - uma tropa multinacional coordenada pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas -, mas na prática comandada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos (http://migre.me/vgGi3 e http://migre.me/vgGiD).

Originalmente, o Comando Sul foi criado para combater o narcotráfico. Mas, segundo denunciou Horácio Verbitsky, já incluiu catástrofes naturais e indigenismo como temas de preocupação. (http://migre.me/vgVn5).

Sediado em Miami, Flórida, o Comando Sul dos Estados Unidos é uma organização militar regional unificada, ligada ao Departamento de Defesa dos EUA. Seu papel é o de organizar a cooperação com forças de segurança da América do Sul, Central e Caribe, somando mais de 30 países da região. É comandado por um general 4 estrelas e organizado em diretorias, comandos e forças tarefas militares.

Em 2011, em entrevista à Folha (http://migre.me/vgGGh), o ex-embaixador do Brasil nos EUA no governo FHC, Rubens Barbosa, já denunciava as interferências indevidas do Comando Sul nos assuntos internos dos países. Acusava-o de alimentar a imprensa com boatos sobre terrorismo na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), afim de valorizar sua atuação. Sediado em Miami, o comando treinava militares paraguaios, acenando com a ameaça dos “brasiguaios”.

O chefe da Força, general James Hill, equiparava as drogas a armas de destruição em massa e defendia o fim das restrições legais à interferiria dos militares em assuntos internos.

Na Argentina, diz o trabalho, nenhum estudo sério comprovou que o narcotráfico é o maior problema para a segurança interna. Mas é o álibi para a ampliação das intervenções das Forças Armadas e da militarização da estratégia de intervenção policial.

Nenhuma coincidência, portanto, nas atuações recentes do Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, montando um carnaval em torno da suposta rede terrorista brasileira, e da nova presidente do STF, Carmen Lúcia, convocando as FFAAs para discutir a segurança interna.

Continuando nesse ritmo, em breve será uma ameaça à democracia brasileira maior que o próprio Gilmar Mendes. Gilmar é partidário, vale-se de todos os instrumentos legais em defesa dos seus, mas tem conhecimento suficiente sobre os riscos do excesso de poder de corporações do Estado, do Ministério Público Federal às Forças Armadas. Carmen Lúcia parece ser uma completa sem-noção.

Aliás, o assessor de imprensa de Alexandre Moraes é um militar. E o chefe de gabinete do MInistro-Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, é um general.

Peça 4 – os sinais da militarização na Argentina

A lógica da Argentina de Macri é similar àquela desenhada nas primeiras medidas do Brasil de Michel Temer. Trata-se de envolver as Forças Armadas nas disputas internas, a pretexto de combater o narcotráfico, o terrorismo e as agitações populares. Dali para a repressão política seria um pulo.

O seminário anotou os seguintes indícios:

·       Em 19 de janeiro de 2016, através do Decreto 228/16, o governo declarou estado de emergência na segurança pública. Definiu um protocolo permitindo às Forças Armadas derrubarem aeronaves “hostis”, algo não previsto em nenhuma norma de direito internacional. E abriu a possibilidade de enfrentar “novas ameaças”, caminho aberto para que seja envolvida no combate ao narcotráfico. O governo Temer vem ensaiando medidas nessa direção, agora com o apoio de Carmen Lúcia.

·       Operação Fronteira, através do decreto 152/16, permitindo recursos militares tecnológicos e humanos para a Operação Escudo Norte, que atua nas fronteiras. No Sistema de Defesa Nacional não há nenhum tipo de atividade de fronteira que se enquadre em ameaça à integridade nacional. O novo Plano Nacional de Segurança, semi-divulgado por Alexandre de Moraes avança nessa direção.

·       Instruções ao Ministério da Defesa para recolher informações sobre narcotráfico e terrorismo nos seus países de origem. No Brasil, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ligado à presidência da República já articular os serviços de informações das Forças Armadas no monitoramento de movimentos sociais.

·      Designação de militares como funcionários do Ministério de Defesa. Desde Raul Alfonsin vinha-se desmilitarizando cada vez mais os cargos no Ministério da Defesa, entregando-os a civis. Nos últimos meses os militares voltaram a ocupar o Ministério da Defesa. No Brasil, esse movimento foi iniciado por Aldo Rebelo, ainda como Ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff. E está sendo radicalmente ampliado pelo novo Ministro, Raul Jungman.

Peça 5 – a caixa de Pandora da remilitarização

A ideia básica desse modelo é ajudar a fortalecer governos de direita, contra movimentos populares e partidos de esquerda. Imagina-se que conferindo uma missão específica às Forças Armadas — a luta contra o narcotráfico e os “subversivos” — ela vá se ater a esses campos, sendo comandada por políticos para lá de suspeitos.

Com a desmoralização crescente do poder civil, o resultado óbvio será o de, em algum ponto do futuro, as FFAAs abolirem os intermediários.


Luís Nassif
No GGN
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O golpe de Temer contra os 99% de internautas que o consideram golpista

Ele no Japão
Michel Temer já perdeu a guerra das redes sociais, entre outras, mas você vai continuar pagando a conta dessa derrota de várias maneiras. A mais óbvia é com propaganda paga com dinheiro público.

Segundo o Estadão, o Planalto decidiu “bombardear os sites e as redes sociais do governo com informações positivas sobre a emenda e explicar exaustivamente a ‘necessidade’ da medida”.

Um relatório do governo dá conta de que 94% dos internautas acham que a PEC 241 é negativa para o país. E — o dado mais revelador — 99% associam o nome de Temer à palavra golpista quando se trata desse assunto.

Pesquisa do Vox Populi encomendada pela CUT diz que a PEC é reprovada por 70% da população, sendo que apenas 19% dos entrevistados disseram ser favoráveis e outros 11% são indiferentes, não sabem ou não responderam.

A ideia é lutar contra o vento, basicamente.

Para chegar a um impossível resultado menos vergonhoso em sua avaliação e na de seus planos, a gestão Michel contratou os serviços do MBL, querendo repetir uma parceria já vitoriosa na campanha do golpe (lembrando: PMDB, PSDB e DEM bancaram as manifestações “espontâneas” e a estrutura dessa milícia, segundo um de seus líderes).

Os kataguiris já estão se mexendo. Totalmente queimados e desacreditados, eles servem a seus seguidores um menu vagabundo, chamando tilápia de saint peter para engambelar trouxas que se comprazem em ser engambelados.

O MBL em ação
O MBL em ação

A boa vontade de amigos da mídia, a balela da herança maldita e a mãozinha molhada desses movimentos não dá conta da realidade.

E a realidade é que se trata de um bando que tomou de assalto o poder, com quinze ministros investigados ou citados na Lava Jato, sem legitimidade e sem qualquer sombra de apoio popular.

As más notícias o perseguem. No Japão, em visita oficial, teve que responder sobre as mais recentes acusações e denúncias. “Se a cada momento que alguém mencionar o nome de alguém isso passar a dificultar o governo, fica difícil”, admitiu.

“O envolvimento dos nomes se deu, convenhamos, por enquanto, por uma simples afirmação. Se um dia se consolidarem, o governo verá o que fazer”.

Já se decidiu, na verdade, o que fazer: propaganda. Ao invés de demitir corruptos, Temer vai tentar acelerar as reformas antes que novos e inevitáveis escândalos apareçam e, no meio do caminho, “combater os boatos nas redes sociais”.

pesquisa-vox-populi-cut-11-1024

Kiko Nogueira
No DCM
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Pesquisa CUT/Vox Populi explica porque a direita precisa condenar Lula


CUT/Vox Populi: Cresce para 34% intenção de votos em Lula

Apesar dos ataques do MP, Judiciário e da mídia, Lula é o melhor presidente do Brasil para 42% dos entrevistados

Lula é o melhor presidente do Brasil, fez coisas boas para o povo, é injustiçado e perseguido. E se for candidato em 2018, é o preferido pela maioria dos brasileiros. Essa é uma das principais conclusões da 5ª rodada da pesquisa CUT/Vox Populi, realizada depois do 1º turno das eleições municipais e, também, depois das manchetes que destacaram a decisão do Ministério Público do Paraná de tornar Lula réu por supostos crimes que os procuradores não conseguiram provar, mas têm convicção de que ele cometeu.

Intenção de votos

Cresceu para 34% o percentual dos brasileiros que pretendem votar em Lula para presidente em 2018 na pesquisa estimulada de intenção de voto — em abril e junho, a intenção de voto em Lula era de 29%.

 Se concorrer à presidência da República em 2018, Lula ganha de Aécio Neves/PSDB (15%), Marina Silva/Rede (11%), Jair Bolsonaro/PP (7%) e Ciro Gomes/PDT (5). Se o PSDB trocar Aécio por Geraldo Alckmin, Lula ganha também — 35% contra 12%. 17% não declararam quem vão votar e entraram na coluna de ninguém/branco ou nulo. Outros 10% não souberam ou não quiseram responder.

 Lula atinge 28% na pesquisa de voto espontâneo para presidente em 2018. Nessa modalidade em que não é apresentado nenhum nome para os entrevistados, Aécio tem 6%, Alckmin tem 3%, Marina 3%, Fernando Henrique (PSDB) 2%, Joaquim Barbosa (sem partido) 2%, Ciro Gomes 1%, Luciana Genro (PSOL) 0% e Eduardo Jorge (PV) 0%. 12% declararam que não vão votar em ninguém/branco ou nulo. E, 35% não sabem ou não responderam.

Lula: o melhor presidente

42% dos entrevistados disseram que Lula foi o melhor presidente do Brasil, 19% não sabem ou não responderam, 12% acham que nenhum foi bom, 9% citaram outros, 2% José Sarney e Dilma Rousseff; e, 1% Itamar Franco.


Vida melhorou nos governos do PT

Aumentou para 56% (em abril eram 36%) o percentual de entrevistados que consideram que suas vidas melhoraram nos governos de Lula e Dilma. Para 28%, nem melhoraram nem pioraram e, apenas 14% acham que piorou.

No Nordeste, o percentual dos que responderam que a vida melhorou é de 75%, no Centro-Oeste/Norte de 60%, no Sudeste 48% e no Sul 40%.

Brasileiros gostam mais de Lula do que de qualquer outro político

À pergunta sobre qual o “sentimento em relação a lideranças políticas”, 43% disseram que gostam de Lula, 36% não gostam e apenas 1% não souberam ou não quiseram responder.

 Os percentuais dos que não gostam de Temer (53%), Aécio (51), Serra (43%) e Alckmin (39%) em comparação aos percentuais dos que gostam, provam que a perseguição e as tentativas de destruir o legado de Lula como pessoa e como presidente não contaminaram o povo, nem tampouco contribuíram para melhorar a imagem dos seus opositores. Apenas 13% declararam gostar de Temer, 17% de Aécio, 19% de Serra e 21% de Alckmin.

 Lula é bem avaliado como pessoa e como político

A avaliação de Lula como pessoa e como político é positiva para 43% dos entrevistados. No Nordeste, o índice sobe para 67%, no Centro Oeste/Norte 48%, no Sudeste 33% e no Sul 21%.

30% dos brasileiros avaliaram Lula como pessoa e político como regular, 25% negativo e 2% não sabem ou não responderam. No Nordeste, o percentual de negativo cai para 5%, regular 27% e apenas 1% não sabem ou não responderam.


O povo sabe que Lava-Jato declarou Lula réu e se divide sobre injustiça 

95% dos entrevistados ficaram sabendo que Lula foi indiciado pelos procuradores da Lava-Jato.

Quanto à isenção dos procuradores, a pesquisa constatou que o Brasil está dividido. Para 41%, os procuradores sempre atacam Lula e os petistas, mas não fazem nada contra os políticos do PSDB e do governo Temer. Para 43%, esses procuradores são justos e tratam todos os políticos da mesma maneira. 16% não sabem ou não responderam.

 65% consideraram errado o fato dos procuradores dizerem que não conseguiram provas de que Lula agiu de forma desonesta, mas que estavam convictos de que ele agiu errado. 29% acharam correto Lula ser acusado sem provas.

Para a maioria dos brasileiros, Lula acertou mais do que errou. Para 62% dos entrevistados, Lula cometeu erros, mas fez muito mais coisas certas pelo povo brasileiro e pelo Brasil. 31% acham que ele errou mais do que acertou.

A pesquisa foi realizada depois do resultado das eleições, entre os dias 9 e 13 de outubro. Foram entrevistadas 2 mil pessoas com idade superior a 16 anos do Distrito Federal e de todos os estados brasileiros, exceto Roraima, de todos os segmentos econômicos e demográficos em 116 municípios.

Conceição Oliveira
No Maria Frô
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Pesquisa CUT/Vox Populi: 80% rejeitam a PEC 241 e a reforma da Previdência; 74% desaprovam o governo Temer


PEC do Juízo Final e reforma da Previdência são rejeitadas por 80% dos brasileiros, constata pesquisa CUT/Vox Populi

Medidas cruéis, derrubam ainda mais avaliação de Temer:74% dos entrevistados avaliam negativamente o governo golpista

80% dos trabalhadores do campo e da cidade rejeitam a proposta do governo Temer de aumentar a idade mínima para 65 anos com, no mínimo, 25 anos de contribuição, que vai prejudicar os trabalhadores mais pobres que começam a trabalhar mais cedo, como a CUT vem alertando. Outros 15% concordam com o arrocho previdenciário, 4% nem concorda nem discorda e 2% não sabem, não têm opinião ou não responderam.

Pesquisa CUT - Vox

70% dos entrevistados são contra a PEC 241 — também chamada de “PEC do Juízo Final” —, que congela gastos públicos, em especial despesas com Saúde e Educação pelos próximos 20 anos. Só 19% concordam com e aprovação da medida, 6% é indiferente — nem concorda nem discorda — e 5% não sabem, não responderam ou não têm opinião formada.

Pesquisa CUT Vox 2-001

Ao analisar os resultados da 5ª rodada da pesquisa CUT/Vox Populi,  o presidente da CUT, Vagner Freitas, destacou o fato de que as propostas de Temer, que atacam direitos sociais e trabalhistas e indicam arrocho salarial e previdenciário sem precedentes no Brasil, são conhecidas e rejeitadas pela maioria dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Para Vagner, os resultados contribuem para a avaliação negativa dos golpistas — Temer é mal avaliado por 74% dos brasileiros (para 40% o desempenho dele é regular, para 34% é negativo) — e servem de alerta para os parlamentares que estão votando a favor da retirada de direitos.

“Ao contrário do que deputados e senadores pensam”, diz Vagner, “o povo está informado, sabe que será o mais prejudicado com menos hospitais, menos médicos; e, se a reforma da Previdência passar, que vai ter de trabalhar até morrer.”

Como uma das entidades brasileiras que mais defendem total transparência, a CUT vai divulgar em todo o país os nomes de todos os deputados e senadores que votarem contra a classe trabalhadora.

“Os traidores da classe trabalhadora serão expostos cotidianamente até as eleições de 2018, podem ter certeza. Faremos de tudo para que nenhum jamais seja reeleito”, concluiu Vagner.

Piora da avaliação de Temer como presidente

Temer é mal avaliado por 74% dos brasileiros. Só 11% avaliam Temer de maneira positiva e 15% não sabem ou não responderam.

No Nordeste, Temer é avaliado negativamente por 78% dos entrevistados — 46% negativo, 32% regular. Apenas 8% dos nordestinos avaliam o golpista de forma positiva.

A expectativa de como o Brasil vai ficar no governo do golpista também piorou no Nordeste. Enquanto o Brasil se dividiu — 33% acreditam que vai piorar e o mesmo percentual acham que vai melhorar —, o Nordeste foi taxativo: para 50% vai piorar.

A pesquisa CUT/Vox Populi foi realizada depois do resultado das eleições, entre os dias 9 e 13 de outubro. Foram entrevistadas 2 mil pessoas com idade superior a 16 anos no Distrito Federal e em todos os estados brasileiros, exceto Roraima. Foram ouvidos todos os segmentos econômicos e demográficos em 116 municípios.

A pesquisa avaliou sentimentos e opiniões da população brasileiros a respeito de questões políticas e administrativas e a margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.



Conceição Lemes
No Viomundo
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