2 de out de 2016

Hora de políticos cantarem


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Cachorros entendem muito mais da fala humana do que você pensa


De acordo com um novo estudo da Universidade Emory (EUA), cães têm a capacidade de distinguir palavras e a entonação da fala humana através de regiões cerebrais semelhantes aos que os seres humanos usam.

Assim, os pesquisadores creem que a aprendizagem do vocabulário não parece ser uma capacidade exclusivamente humana, mas sim uma função mais antiga que pode ser explorada para ligar sequências sonoras arbitrárias de significados.

Palavras + entonação

As palavras são os blocos de construção básicos da língua humana, mas quase nunca são encontradas em comunicações vocais não humanas.

Entonação é uma outra maneira de transmitir informação através da fala. Por exemplo, elogios tendem a ser transmitidos em um tom mais alto e variável.

Seres humanos usam ambos os mecanismos para se comunicar – inclusive quando estão falando com seus cães. Mas será que os animais podem entender?
Sim

No estudo, cachorros foram expostos a gravações de vozes de seus donos conforme eles usavam várias combinações de vocabulário e entonação.

Por exemplo, elogios com uma entonação de elogio, elogios com entonação neutra, palavras neutras com entonação de elogio e palavras neutras com entonação neutra.

Os pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional para analisar a atividade cerebral dos cães enquanto eles escutavam cada combinação.

Os resultados revelaram que, independentemente da entonação, os animais processaram o vocabulário, reconheceram cada palavra distinta e, ainda, o fizeram de uma forma similar aos seres humanos, usando o hemisfério esquerdo do cérebro.
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Também como os humanos, os cientistas descobriram que os cães processaram a entonação separadamente do vocabulário, nas regiões auditivas no hemisfério direito do cérebro. Por último, e também como seres humanos, a equipe descobriu que os cães invocaram tanto o significado da palavra quanto a entonação para processar o valor dos enunciados.

Ou seja, os cães parecem compreender ambas as palavras e entonação humanas. Os autores observam que é possível que forças seletivas durante a domesticação dos cachorros levaram ao surgimento da estrutura cerebral subjacente a esta capacidade nos animais.

Apesar disso, a rápida evolução das assimetrias hemisféricas relacionadas com a fala em cães é improvável. Logo, os seres humanos continuam sendo únicos na sua capacidade de inventar palavras. [ScienceDaily, OxfordJournals]



Veja como o estudo aconteceu:



No Hype Science
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Usurpação

Cervantes levou quase dez anos para escrever a segunda parte de “Dom Quixote”, e escreveu porque uma versão apócrifa da continuação da história, feita por alguém que nunca se soube quem era, foi um sucesso popular. Cervantes se viu forçado a, por assim dizer, resgatar seu personagem do usurpador. Na falsa continuação, Quixote trai a sua amada Dulcineia e acabava seus dias num asilo de loucos. Charles Dickens viu seu personagem Pickwick transformado por um usurpador no seu oposto. O Pickwick apócrifo visita a França, renuncia à bebida e se casa, coisas que o Pickwick do Dickens jamais faria.

Estes dois exemplos sugerem uma especulação: até que ponto personagens criados por um autor pertencem ao autor ou, postos no mundo, caem em domínio público e pertencem a todo o mundo? Uma criação literária traz implícita a condição de exclusividade dos seus personagens ou, uma vez criados, os personagens passam a ter vida própria, muitas vezes diferente da vida imaginada pelo autor? Quixote e Pickwick podem ter outra vida fora da que foram condenados na página impressa?

Outra especulação é sobre a relação variável do livro com o leitor. Como um texto é compreendido, ou incompreendido, dependendo da época e de quem lê. No século XVIII, Cervantes foi acusado de fazer a apologia da loucura em “Dom Quixote”, sugerindo que os loucos são mais sensíveis que os sãos. O livro favorito de Hitler era “O último dos moicanos”. Durante anos se usou o termo “kafkiano” para descrever os horrores e as incongruências da vida moderna, mas Kafka estava escrevendo sobre o peso do passado, de instituições obsoletas resistindo ao moderno.

Com a internet, surgiu um novo tipo de relação entre texto e leitor, e um novo tipo de usurpação. Textos apócrifos tornaram-se comuns, com assinaturas que, na maior parte das vezes, são inconfiáveis. E não há o que fazer, a não ser relaxar e se resignar. Sempre conto que fui abordado por uma senhora que declarou não gostar muito do que eu escrevo, mas que tinha adorado um texto meu recente, que lera na internet. O texto não era meu, mas agradeci com um sorriso. Elogio a gente não dispensa.

Luís Fernando Veríssimo
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Outra história

Nem Copérnico nem Galileu conseguiram convencer as pessoas de que a Terra não é o centro do Universo. A ciência fracassou na tarefa de vencer crendices e obscurantismo, que persistem em boa parte da Humanidade. A versão “oficial” da História humana, desde o século 18, é uma história de conquistas da razão secularista, mas esta versão não pegou. A maioria prefere acreditar nos búzios, em astrologia ou na Divina Providência.

A teoria da evolução de Darwin é outra que não convenceu muita gente. Numa enquete recente, mais de 70% dos americanos pesquisados responderam que preferem a explicação bíblica da origem da sua espécie à de Darwin. Em vários Estados americanos, há leis que obrigam o ensino da versão bíblica junto com a da evolução, que deve ser identificada como apenas uma especulação teórica em contraste com a palavra de Deus. A influência do fundamentalismo religioso cresce na política e nos costumes dos Estados Unidos — e no Brasil também. E, claro, cresce a radicalização do fundamentalismo islâmico, com influência direta da palavra do deus deles no estado de nervos de todo o mundo.

Alguém já descreveu o que está acontecendo na Terra como a crise terminal dos monoteísmos e do combustível fóssil. Mas enquanto se desenvolvem outras fontes de energia para substituir o combustível fóssil e finalmente começa a haver uma reação da razão ao autoenvenenamento do planeta, a razão não parece ter avançado muito contra o obscurantismo religioso. Seja como for, não estamos vivendo a História sensata que os iluministas imaginaram para nós no século 18, e que pensávamos que era a que tinha vencido. Não era.

Uma outra história parecia estar se desenhando nos loucos anos 20 do século passado, quando várias liberdades novas começavam a ser experimentadas. Mas a “era do jazz” acabou sendo a do crescimento do fascismo e outras formas liberticidas. Nos fabulosos anos 1960, as drogas, o sexo e a comunhão dos jovens pela paz e contra tudo que era velho também anunciavam uma outra história, mas a que ficou, a que ganhou, foi a do conservadorismo de Reagan, de Margaret Thatcher e dos nossos generais.

A História que não aconteceu fica apenas como especulação, tendo como rótulo a frase mais triste de qualquer língua: o que poderia ter sido.

Luís Fernando Veríssimo
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Pronunciamento do golpista Temer sobre as eleições


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Aumento da violência coincide com a exaltação propagada pelo país

O total é incerto, o que tanto atesta a precariedade da informação do Brasil sobre o Brasil, como sugere a gravidade da onda de candidatos e pré-candidatos assassinados no período eleitoral que neste domingo chega às urnas. A violência contra pretendentes eleitorais é tão antiga aqui quanto as eleições, sem sequer se limitar à agressão física: o longo domínio do sistema de trapaças, com a "eleição no bico de pena", justificou até uma revolução, em 1930. Nem por isso os atentados deixaram de existir. Nessas eleições, porém, as mortes já computadas no noticiário deram um salto tão brusco quanto inexplicado.

Nos municípios que circundam a cidade do Rio, na chamada Baixada Fluminense, as milícias integradas por policiais e ex-policiais são apontadas como responsáveis pelos homicídios que, só ali, rondariam a metade dos casos noticiados. Como explicação, não serve nem para a Baixada só. Há dois anos houve as eleições que influem no sistema de segurança, por serem de governadores, e não ocorreu salto na criminalidade dos milicianos interessados no resultado. As eleições de agora são municipais, sem influência na repressão a milícias e seus negócios. O mesmo se pode presumir sobre a ação das milícias nos outros 12 ou mais Estados com violência eleitoral extremada.

Certo é que o aumento da violência relacionada com as eleições coincide com a exaltação propagada pelo país todo. Mais até, sua elevação em número e em vítimas acompanha o processo iniciado na raivosa campanha de 2014 e, visto o resultado das urnas, sempre mais extremado e irado no decorrer dos dois anos até aqui.

Parece não ser ocasional a onda de assassinatos e atentados políticos. Tem tudo de um sintoma a mais, e com eloquência alarmante, de uma situação que se agrava em muitos sentidos, sob atenção de poucos e providências de ninguém.

Duas vezes

Gilmar Mendes piorou. Passou muito da grosseria, ao chamar publicamente de vergonhoso o ato, sem qualquer deslize moral, de outro ministro do Supremo.

Tem história essa colérica opinião de Gilmar Mendes sobre a divisão do impeachment de Dilma, decidida pelo Senado e admitida pelo ministro Ricardo Lewandowski, em perda do mandato e nos mantidos direitos políticos. Nomeado para o Supremo por Fernando Henrique, Gilmar Mendes tinha sido assistente jurídico de Collor então presidente. O plano de defesa contra o impeachment de Collor consistiu em esperar quanto possível e, se encaminhada a perda do mandato, precipitar a renúncia. Assim seriam preservados os direitos políticos do ex-presidente.

Surpreendidos, os senadores recusaram-se a suspender seu pronunciamento e, não podendo mais votar o impeachment, decidiram dar as duas punições por separadas: aprovaram, isoladamente, a cassação por oito anos. A grande esperteza jurídica deu em vexame.

No julgamento de Dilma, o Senado seguiu a separação anterior das punições e Lewandowski, presidindo a sessão, admitiu-a. O Senado cassou o mandato e manteve os direitos. Outra derrota para a estratégia indicada a Collor.

Indigesto

Lá pelo começo de setembro, Aécio Neves ameaçou o rompimento do PSDB com o governo, se a reforma da Previdência não chegasse ao Senado ainda naquele mês. Geddel Vieira Lima respondeu pelo governo: pois não, o projeto será mandado em setembro — no dia 30, sexta-feira. Aécio teve que engolir.

Antevéspera das eleições, não seria o PMDB a jogar nas manchetes e TVs uma bomba contra direitos dos assalariados/eleitores. Sexta-feira, nem telefonema para o Senado, quanto mais reforma da Previdência. Aécio Neves terá que engolir. O bolo do governo e a ameaça.

Janio de Freitas
No fAlha
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