15 de set de 2016

A denúncia inconsistente do MPF


Confesso que, passadas mais de duas horas da madrugada, ainda não consegui ler toda a denúncia que o Ministério Público apresentou, em Curitiba, contra o ex-presidente Lula, sua esposa e várias outras pessoas.

Confesso, ainda, que estou com dificuldade mesmo de extrair desta abundante narrativa quais são exatamente as condutas que são imputadas aos réus.

São 149 páginas de narrativas, as mais variadas e abrangentes, sobre esquemas de corrupção que se protraíram por mais de uma década em nosso país. Algumas passagens são repetidas de forma inexplicável.

O formato desta peça acusatória é totalmente atípico. Mais se parece com o relatório que os delegados de polícia têm de apresentar ao final do inquérito... Por vezes, esta denúncia lembra também um longo arrazoado. Poderia ser uma alegação final ou contra-razões de algum recurso..., ou seja, uma peça processual postulatória, mas não a peça inaugural de um processo penal.

Fui promotor de justiça por 26 anos (mais 5 como Procurador de Justiça) e nunca tinha visto o exercício da ação penal desta forma, através de uma denúncia com este formato estranho.

Como professor de Direito Processual Penal, em uma prova prática, reprovaria o aluno que redigisse uma denúncia desta forma...

A boa técnica remenda, tendo em vista o disposto no art. 41 do Cod.Proc.Penal que, na denúncia, o órgão acusador faça imputações certas e determinadas, individualizando as condutas no tempo e lugar. É preciso que o réu saiba exatamente do que está sendo acusado para poder se defender de forma eficaz.

Fica até difícil entender por que a acusação precisa de 149 folhas para descrever as condutas penalmente típicas que atribui aos réus. Análises políticas e conjecturais não ficam bem em uma denúncia, como peça inicial de um processo criminal.

Pelo adiantado da hora, parei de ler estas narrativas infindáveis, cheias de adjetivos e poucos verbos, (condutas dos imputados).

Confesso que não compreendi bem as acusações. Fiquei meio perplexo com o que estava lendo. Não é assim que devem ser elaboradas as denúncias no processo penal. Repito: denúncia é diferente de alegações finais ou relatório de delegados...

Como levar mais de 3 horas para ler uma denúncia e não conseguir chegar ao seu final, não conseguir extrair com clareza as acusações, que devem ser precisas e individualizadas? As argumentações devem ser feitas ao final do processo, com análise da prova carreada para os autos.

Tenho a impressão de que a desmedida extensão desta denúncia tem como escopo disfarçar a fragilidade de seu conteúdo acusatório.

Enfim, como ainda não entendi o teor desta infindável acusação, por ora, limito-me a criticar o formato da denúncia, formato este que torna quase que impossível serem entendidas as imputações específicas das condutas de cada um dos acusados. Forçoso é reconhecer que esta peça processual carece da mais comezinha técnica.

Nada obstante, já podemos dizer algo sobre o mérito das acusações, ainda que de forma resumida e superficial:

1 – Não faz muito sentido dizer que o ex-presidente foi o “general” ou “maestro” de um esquema bilionário de corrupção e fraudes para receber de propina benefícios que chegariam a pouco mais de dois milhões de reais. Tais benefícios se traduziriam em pagar o transporte e armazenamento de móveis e presentes que o Lula teria recebido como presidente e mais uma reforma de um apartamento, que sequer ele teve a posse ou a propriedade;

2 – Mesmo que assim não fosse, tudo isso não caracterizaria o crime de lavagem de dinheiro, pois tal numerário não entrou no patrimônio do ex-presidente Lula. Por isso, não usou ele dinheiro de propina de forma a disfarçar a sua origem criminosa. Nem isto diz a denúncia. Assim, tais benesses da OAS seriam apenas o próprio pagamento da alegada corrupção passiva. Corrupção passiva esta, vale a pena repetir, alegada de forma genérica e imprecisa.

3 – No direito brasileiro, proprietário é quem tem o título translativo da propriedade registrado na matrícula do imóvel junto ao Registro Geral de Imóveis. No caso, o apto. de Guarujá está registrado no RGI em nome da empresa OAS. Note-se que a denúncia não chega sequer a alegar que o ex-presidente Lula e sua esposa tiveram, ainda que por um dia, a posse do referido apartamento. Visitar um imóvel e solicitar que nele seja feita esta ou aquela reforma não transforma o pretendente em proprietário... Elementar.

4 – Saber que existe um ou vários crimes (e isto não está provado) não transforma a pessoa em autora ou partícipe de tais crimes. Ademais, não pode haver participação por omissão em crime comissivo. Também aqui é elementar...

5 – O direito penal dos povos civilizados não aceita a chamada responsabilidade penal objetiva. Ninguém pode ser responsabilizado penalmente pelos crimes que seus subalternos teriam praticado. A responsabilidade penal é absolutamente pessoal. Nem precisaria dizer que isto é elementar...

6 - Esta denúncia entra em choque com toda aquela outra narrativa feita na denúncia contra o ex-presidente Lula pelos promotores de justiça de São Paulo. Ali eles afirmam que as benesses da OAS não teriam qualquer ligação com as fraudes da Petrobrás e, sim, com fraudes na cooperativa que fora administrada pelo sr. Vacari. Esta denúncia, ao que se sabe, ainda não foi apreciada pelo poder judiciário, pois ficou pendente de decisões sobre a competência de recebê-la ou rejeitá-la. Assim, temos uma estranha e vedada litispendência...

7 – Pelas próprias narrativas constantes da denúncia, complicadas e muito pouco claras, não teríamos a figura do concurso material de infrações e, sim, de crimes continuados. Refiro-me às hipóteses em que se diz que tais ou quais condutas teriam sido praticadas várias vezes pelo mesmo autor ou partícipe.

Enfim, está tudo muito nebuloso, inconsistente e absolutamente incorreto e frágil. Isto dizemos mesmo sem um estudo mais aprofundado da malsinada peça acusatória, que ainda não conseguimos ler em toda a sua absurda dimensão.

Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual.
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Atenção

No Brasil da Lava-Jato, tornou-se muito importante saber se suas conversas telefônicas estão sendo gravadas. Atenção. Desconfie se:

— antes de começar a falar, você ouve uma voz dizendo “Silêncio no estúdio!”;

— antes de começar a falar, você ouve uma voz dizendo “Fale pausadamente, enuncie bem as palavras e tente ser conciso”;

— antes de começar a falar, você ouve a instrução “Evite ironias, como, no fim da ligação, dizer: ‘É com você, Bonner’”;

Mesmo se não detectar sinais de que seu telefone está grampeado, acostume-se a falar em código, tendo o cuidado de combinar com seus interlocutores o significado real das palavras mais usadas em suas conversas. Por exemplo:

— Tia Helga: conta na Suíça;

— Tia Matilda: Ilhas Cayman;

— Milho verde: milhões de dólares;

— Pamonhas: milhões de reais;

— Canjica: milhões de euros.

Como em “Mandei duas canjicas para a tia Helga” ou “Recebi uns milhos verdes da tia Matilda”, ou “Estou pensando em transformar os milhos verdes da tia Matilda em pamonhas para a mamãe, que está ótima (tradução: ‘para aplicar na Bolsa, que está em alta’), e canjica para comer com o seu Maurício no fim do ano (‘para gastar na temporada em Saint Moritz’)”.

Nunca se refira ao seu iate ou ao seu condomínio em Palm Beach.

Diga “o meu caíque” e “a minha chácara”. Nunca cite nomes reais, mesmo que eles não tenham nada a ver com o que a Polícia Federal (código: “Os mosquitos”) pode estar investigando a seu respeito. Use pseudônimos.

Nunca fale em “propina” (prefira “motivação”), nunca se gabe dos congressistas que tem no bolso (melhor comentar que apoia o pluralismo democrático) e em hipótese alguma encomende vinhos, enlatados e um novo home theater pelo telefone sem explicar que é para o cachorro.

É claro que também é preciso se precaver contra o risco das coisas mais inocentes parecerem código, e você ser incriminado pelo mal-entendido.

— Mas eu tenho uma tia chamada Helga, delegado.

— Claro, claro. E manda canjicas para ela todos os meses.

— Mando mesmo. Para Camaquã.

— Rá! Um óbvio código para Cayman.

— Não, não, delegado. É uma cidade no interior do...

— E este trecho da gravação em que se planeja a participação do seu grupo financeiro na venda do Brasil para um consórcio espanhol?

— O quê? Isso era eu lembrando à minha mulher que nós estamos devendo pro espanhol da feira!

— Tá. Conta outra.

Luís Fernando Veríssimo
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Já não é perseguição: o que se faz contra Lula é carnificina

O objetivo de Moro é exterminar Lula
Se há alguma coisa de que Lava Jato não pode ser acusada é de surpreender.

O indicionamento de Lula, agora: você quer coisa mais óbvia?

Há muito tempo ficou claro que o objetivo de Moro e da Lava Jato está longe de ser erradicar a corrupção: é acabar com o PT. Mais especificamente, com Lula.

Todo o resto foi perfumaria. A plutocracia — à qual Moro serve — usou o pretexto da corrupção porque é um tema que comove a classe média despolitizada, manipulável e cheia de ódio contra os pobres.

Em 1954 contra GV foi o mesmo. Dez anos depois contra Jango foi utilizado o mesmo expediente.

E outra vez a mesma coisa se dá agora.

Nas delações, emergiram acusações seriais contra políticos como Aécio, Jucá e vários outros. Nada deu em nada.

O alvo é Lula, Lula e ainda Lula.

O paradoxo é o seguinte: Lula é massacrado pela conjunção da Lava Jato com a imprensa, notadamente a Globo. E mesmo assim nas pesquisas ele aparece numa liderança confortável.

Que a plutocracia faz com isso?

Tira Lula de cena. Dá um jeito de impedi-lo de concorrer em 2018. Se as circunstâncias permitirem, prende-o. (Esta é uma cartada mais arriscada.)

As ruas têm que reagir. Gritar basta para a plutocracia. Os plutocratas não podem tratar o Brasil como seu quintal e tudo ficar por isso mesmo.

Já não é perseguição o que se faz contra Lula. É carnificina.

E isso não pode ser tolerado.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ó Tempora... O espião do Exército, a cassação de Cunha, a confissão do AGU


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Informativo Paralelo #16 — Fora Temer!


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Entrevista com o Diretor da Rede Brasil Atual e Coordenador da TVT Paulo Salvador


Seminário TV Floripa em Foco, 14 de setembro de 2016. O Comitê para a Democratização da Comunicação de Santa Catarina realizou o seminário para qualificar e potencializar a TV Floripa, com Luiz Carlos Azenha e Paulo Salvador, trazidos de São Paulo.

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Mino Carta comenta a presença de Lula na posse de Carmen Lúcia


Mino Carta: “A presença do ex-presidente Lula na posse de Carmen Lúcia de alguma forma legitima o golpe”. Confira a entrevista concedida a Rodrigo Martins.

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A coletiva com o ex-presidente Lula — vídeo na íntegra


Após a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira (14) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua mulher Marisa Letícia, e mais seis pessoas, Lula convocou uma coletiva de imprensa pra dar a sua versão dos fatos. Segundo o procurador Deltan Dallagnol, Lula era o "comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato”. Ele tem convicção, mas não tem provas!


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O golpe continuado





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Denúncia inepta da Lava Jato expõe o Ministério Público


O rebaixamento do Brasil para a segunda divisão das democracias ocidentais teve três momentos significativos: a votação da admissibilidade na Câmara, com aquela malta aos berros invocando o nome do pai e da mãe; a performance de Janaina Paschoal no comício do Largo São Francisco; e o jovem procurador gaguejante, armado de um Power Point capenga, conduzindo um discurso tatibitate naquele que deveria ser o grande desfecho da mais massacrante campanha já movida contra uma pessoa no país.

Foi como se todo o edifício de marketing erigido em torno da Lava Jato desmoronasse de uma vez.

Até agora era ensaio e jogo para a plateia. O jogo de verdade começou ontem. E, ali, não houve marketing que resolvesse.

O dia começou com as críticas à parcialidade do Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot, culminando com uma Carta Aberta de seu ex-melhor amigo, procurador Eugênio Aragão. E terminou com um palco iluminado, com os olhos do país sobre a Lava Jato, para que procuradores provincianos, armados com todos os recursos do marketing — prejudicado por um Power Point sofrível — se exibissem para a torcida durante 90 minutos, sem marcar um gol sequer.

O único chute, aliás, foi gol contra: a afirmação do procurador de que “não temos prova, mas temos convicção”. Que mereceu uma blague matadora: uma foto do helicóptero com os 400 quilos de cocaína e a frase “nós temos provas, mas não temos convicção”.

Depois de meses com o país aguardando em suspense o grande dia da apresentação da denúncia, a peça acusadora assemelha-se a um livro de ensino básico montado com a assessoria do Google. Descrevem os escândalos da Petrobras, o mensalão, o presidencialismo de coalizão, a história de José Dirceu no PT, em um “enrolation” sem par. E terminam com um duplo abuso.

O primeiro, de não terem apresentado uma prova sequer contra Lula. O segundo de, mesmo assim, terem alimentado os jornais de manchetes falsas por meses e meses, e, agora, oferecerem a denúncia, com uma peça que expõe o Ministério Público Federal à galhofa.

Com um texto paradidático para ensino fundamental, explicam o que é o presidencialismo de coalizão.

“Dentro do “presidencialismo de coalizão”, a formação da base aliada do Governo envolve três momentos típicos. Primeiro, a constituição da aliança eleitoral, que requer negociação em torno de diretivas programáticas mínimas, a serem observadas após a eventual vitória eleitoral. Segundo, a constituição do governo, no qual predomina a distribuição de cargos e compromissos relativos a um programa mínimo de governo. Finalmente, a transformação da aliança em coalizão efetivamente governante, momento em que emerge o problema da formulação da agenda real de políticas e das condições de sua implementação. Numa estrutura multipartidária, o sucesso das negociações, na direção de um acordo explícito entre o Poder Executivo e os integrantes do Poder Legislativo, que aprova as leis que concretizam o plano de governo, é decisivo para capacitar o sistema político a atender demandas políticas, sociais e econômicas”.

Fantástico! Entenderam o que o presidencialismo de coalizão!

Mas o de Lula é diferente.

“No entanto, de forma contrária, em vez de buscar apoio político por intermédio do alinhamento ideológico, LULA comandou a formação de um esquema criminoso de desvio de recursos públicos destinados a comprar apoio parlamentar de outros políticos e partidos, enriquecer ilicitamente os envolvidos e financiar caras campanhas eleitorais do PT em prol de uma permanência no poder assentada em recursos públicos desviados”.

Antes do Lula os partidos queriam cargos para fazer o bem comum, procurar o bem e a caridade e pagar dízimo para a Igreja.

Mais: descobriram novidades fantásticas! Que além de construir a governabilidade, Lula “objetivou também a perpetuação no poder do próprio partido”. Alvíssaras! No seu curso de Ciências Políticas por correspondência, os doutos procuradores de Curitiba descobriram que os partidos políticos lutam para se perpetuar no poder.

Em um trecho, desenvolvem a tese da caixa única centralizada, como se fosse peça central para fechar o raciocínio em torno da tal organização criminosa.  “Considerando que  o  dinheiro  é  um  bem  fungível,  e  tendo  em  vista que  os  recursos  ilícitos  de  cada  uma  das  empreiteiras  revertia  para  o  mesmo  caixa  geral  de cada  partido,  os  valores  desviados  de  diferentes  fontes  nesse  caixa  se  misturavam”, uma maneira douta e erudita de dizer que os partidos recebiam propinas de diversas frentes.

Na falta de provas, recheiam a acusação com uma salada monumental, misturando acusações diversas, de escândalos e sub-escândalos já levantados, das mutretagens da André Barbosa com agências de publicidade, à Eletronorte, para atribuir tudo a Lula.

O leitor esperando as provas, e nada. Em cada capítulo repetem a história do apartamento tríplex — sem apresentar um dado sequer de que é ou era de Lula; e a guarda dos documentos presidenciais, bancada pela OAS.

É para isso que se quer as Dez Medidas. Para conferir um poder avassalador para procuradores sem discernimento, que sabem apenas jogar para a mídia.

Com esse espetáculo burlesco, os procuradores da Lava Jato facilitaram o trabalho dos que pretendem esvaziar sua atuação. Fizeram o mesmo que seus colegas portugueses com o ex-primeiro-ministro José Sócrates: montaram uma campanha sem provas para destruir a imagem política. Entregue o trabalho sujo, chegou a hora do Alto Comando enquadrá-los. E, nada melhor, do que a apresentação canhestra de procuradores imberbes e deslumbrados para facilitar o desmonte.

Luís Nassif
No GGN
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Coletiva com o ex-presidente Lula — ao vivo

 Transmissão encerrada 


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Mendes está moralmente impedido de atuar em ação da chapa Dilma/Temer

O pedido de impeachment de Gilmar Mendes, com a intenção de destituí-lo do Supremo Tribunal Federal e, por consequência, do Tribunal Superior Eleitoral, tem estreita possibilidade de prosperar. Seus signatários, todos de alta qualificação e reputação, e ninguém dado a receber "santo" ou dinheiro pelo pedido de impeachment, adotaram sua iniciativa com pleno conhecimento da dificuldade que a esperaria: receber, encaminhar ou recusar o pedido são tarefas do presidente do Senado, o acossado em oito ações judiciais no Supremo e na Lava Jato, Renan Calheiros.

Costumeiro criador de artifícios para esgueirar-se entre o contra e o favorável, o senador não surpreenderá se o fizer mais uma vez, e nem seria a última. Delegar a decisão ao plenário, por exemplo, em nome de uma definição institucional e não apenas pessoal. De qualquer modo, parte da intenção do pedido estará assegurada, ao registrar e chamar a atenção para o que os signatários denunciam como atitudes de Gilmar Mendes incompatíveis com os dispositivos legais e regimentais do Supremo.

Manifestação pública sobre processo em curso no tribunal, protelar julgamento, quebra do decoro, manter-se como juiz quando deveria dar-se por impedido, são algumas das acusações e exemplificações do pedido de impeachment. Mas, neste momento, transcorre um caso de anormalidade engrandecida pelas atuais circunstâncias institucionais e políticas.

Ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes recusou a transferência, para outro ministro, da parte que conduzia sobre possíveis irregularidades na campanha Dilma/Temer. Atitude capaz, por si só, de suscitar suspeitas de sua motivação. Gilmar Mendes foi mais longe: já com o impeachment correndo no Senado, foi ao Palácio Jaburu para longa conversa fechada com Michel Temer, que é tão suscetível quanto Dilma nas possíveis irregularidades sob exame no TSE.

Gilmar Mendes está moralmente impedido de se pronunciar no processo e julgamento da campanha Dilma/Temer. E talvez até de presidir o provável julgamento. Nada indicando, porém, que o reconheça.

Quando em processos judiciais surge justificada indagação sobre eventuais motivações de quem acusa ou julga, algo vai mal, com tendência a piorar. Não foram poucos os estranhamentos da suspensão, pelo procurador-geral Rodrigo Janot, das negociações para delação premiada de Léo Pinheiro, presidente da OAS.

A ocorrência de vazamento foi a pretensa explicação de Janot, sem que os vazamentos de todas as outras delações premiadas as suspendessem. O teor do vazamento nem ao menos convinha a Pinheiro, enquanto na própria Lava Jato o vazamento é irreparável.

Com a mesma falta de explicação convincente, Sergio Moro determinou a volta de Pinheiro para a cadeia. Sob a ameaça de perder o direito à delação premiada e já de volta à cadeia, Léo Pinheiro foi cercado pelo mínimo de ética judicial e o máximo de pressão. Condições ótimas para desdizer que o apartamento em Guarujá é da OAS, como sustentou em depoimentos anteriores, e enfim apontar Lula e Marisa como donos. Pelo visto nesta quarta (14), nada feito, ou Léo Pinheiro seria a estrela da nova carga da Lava Jato contra Lula.

Janio de Freitas
No fAlha
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Eleições no interior, mitômanos e antipetismo


Vamos começar com a premissa de que as eleições no Brasil são umas merdas, mas que as eleições nas cidades do interior são merdas ainda maiores.

Esse festival grotesco que nos assola de dois em dois anos costuma ser o ápice da escrotidão nacional, e aqui não quero negar a importância do processo e sim a forma e seus atores. Nossa deficiência política e intelectual tem nos dado de presente uma quantidade enorme de vermes abjetos e inescrupulosos como candidatos a representantes. Nosso sistema eleitoral privilegia primeiro quem tem mais poder econômico, e depois quem mente melhor, então melhor ainda que seja um mentiroso com dinheiro.

Para exemplificar quero falar da minha cidade, Acari, cidadela de 10 mil habitantes incrustada no sertão do Seridó do Rio Grande do Norte. Aqui como em toda parte a eleição e todo o processo político não se baseia mais em ideias mas no marketing, para não dizer nas mentiras.

Não sei quem edita essas propostas do prefeito de Acari, se é ele ou algum assessor seu, o fato é que, seja lá quem for, esse sujeito perdeu totalmente a vergonha de mentir descaradamente, e por isso merece uma nota 10 no quesito elegibilidade.

Como não acreditar num candidato que, quatro anos atrás, prometeu fazer um orçamento participativo, durante seu mandato não destinou um cibazol para tal ação, e agora estampa em seus banners de campanha a mesma promessa? Um candidato que prometeu um parquinho para as crianças e construiu merda nenhuma? Um sujeito que falava em acabar com a panelinha da gestão passada mas construiu sua própria “La Bombonera” na prefeitura?Uma pessoa que esculhambava o sistema político no poder mesmo tendo feito parte deste mesmo sistema por sua vida toda? Esse cara merece mesmo é uma medalha de honra ao mérito eleitoral.

As promessas de 2012 não cumpridas vieram todas reeditadas agora no novo pleito. Podem pegar o plano de governo protocolado pelo candidato na eleição anterior e comparar com o que promete agora. Como não cumpriu nem a metade, tá tudo lá de novo. Pra você, amigo ruminante, engolir novamente.

O prefeito e seu staff se acostumaram a mentir diuturnamente desde que se apossaram do poder e se valeram dos bajuladores, seguidores doentios, repetidores de lorotas, e seres anencéfalos em geral para dominar o ambiente político. (Criação de uma seita, mais uma nota 10 para o candidato).

O que tem de gente que caiu na conversa mole do “desenvolvimento”, do emprego, do trabalho, e até do meio ambiente (Zizuis, teve essa também!), e agora vê que foi feito de besta não é brincadeira. Mas muita gente continua a acreditar. Animal domesticado não costuma se revoltar, não é?

O que se vê é muito messianismo, muita MENTIRA, e pouca vergonha na cara. Estão todos de parabéns!

Eu teria muita coisa pra falar  —  tenho convicção de coisa muito mais séria mas como as provas que disponho são parcas ou simplesmente indícios, e eu não sou membro do MPF  —  vou ficar só na mentira e na deslealdade mesmo, pois são coisas que me irritam demais nessa gestão.

E isso me faz lembrar também de um certo secretário municipal, partidário do “Fora Dilma”, mas que ironicamente, teve seu trabalho facilitado sobremaneira pela gestão da então presidenta. Fico imaginando o trabalho deste ser sem as máquinas pesadas que a presidenta destinou à cidade como seria melhor e mais confortável. Continuaria usando as velhas carroças municipais, as caminhonetes sucateadas que eram alugadas, e o trabalho braçal. Ferramentas, penso eu, muito mais adequadas a esse tipo de gente.

Aliás, o Fora Dilma e o antipetismo é uma constante entre os partidários do prefeito, assim como de qualquer outro político padrão CBF.

Essa presidenta, realmente, pouco ajudava o município. Como seria mais fácil o trabalho do prefeito durante essa seca sem o carro pipa que a presidenta enviou para cá!

E na zona rural? Como seria melhor o trabalho de recuperação de barreiros, de açudes e estradas vicinais sem essas drogas de máquina pesadas que a Dilma mandou! Era mais dinheiro pago aos donos de máquinas locais e por conseguinte mais apoio para a campanha.

Imagina você, jovem ser unicelular, como seria melhor sua vida sem os IFRNs implantados aqui na região! Como seria melhor não haver a tarifa social de energia, o bolsa família, o Prouni. Gente, como era melhor a vida no campo antes do Luz para Todos! Luz para quê, não é mesmo? Muito mais romântico quando se usavam velas, candelabros e lampiões!

Bolsa Família é outro atraso, com ele não temos mais pessoas pedindo sobra de comida nas portas como antes. O que faremos de nossa soberba sem ninguém para negar-lhes um prato de comida?

Já pensou nossos PSFs sem o médicos cubanos do programa Mais Médicos? Sem as complementações de salário do pessoal da saúde, da educação? E essas casas do Minha Casa Minha Vida? Maldito Governo Federal, só atrapalhou essa maravilhosa gestão!

O prefeito venceu a última campanha baseado em promessas que certamente sabia não poder cumprir, mas isso é a coisa mais comum no Brasil, o que não é comum é eu ter ficado calado nesses quatro anos e agora não poder falar porque o prefeito contratou uma junta de advogados para processar toda e qualquer pessoa que o critique.

Isso sim, é a cara da eleição no interior, projetos de coronéis manejando seu rebanho e ameaçando os desgarrados. Comigo não, Napoleão!

Francisco Segundo Véras G
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