12 de set de 2016

A história do “capitão Balta” revela a participação das Forças Armadas no golp

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/09/12/a-historia-do-capitao-balta-revela-a-participacao-das-forcas-armadas-no-golpe/


O repórter Fausto Salvadori, da Ponte Jornalismo, traz à tona a verdadeira identidade de Baltazar Nunes, o Balta, um informante que se infiltrou em grupos de jovens que defendem o Fora Temer.

O nome verdadeiro do agente secreto tabajara, que não conseguiu enganar nem usuários do Tinder com suas cantadas suspeitas, é Willian Pina Botelho, capitão de inteligência do Exército.

Numa democracia que se respeite, que tivesse uma mídia com um pingo independência, com jornalistas menos covardes, um judiciário ao menos relativamente sério, uma OAB que não fosse golpista, uma ABI que não se calasse aos desígnios patronais, promotores que não estivessem em boa medida mais preocupados com flashes do que com investigações sérias, isso geraria uma crise institucional.

Hoje o ministro da Defesa, um certo Raul Jungmann, estaria sendo acossado por dezenas de microfones que iriam lhe perguntar o óbvio.

1) Qual a participação das Forças Armadas nas manifestações contra o governo?

2) Por que esse capitão se infiltrou em grupos de adolescentes e jovens?

3) Como as Forças Armadas articularam essa operação que levou 21 garotos e garotas à prisão?

4) Por que o comandante da PM mentiu à imprensa dizendo que os jovens estavam em condição suspeita no metrô quando a PM foi ao local com informações do capitão do Exército?

5) Em que outras operações e em que outros estados as Forças Armadas têm participado de operações com informantes trabalhando para as PMs?

6) O que vai ser feito do capitão Willian Pina Botelho, que foi pego com a boca na botija numa operação absurda como essa?

Ao mesmo tempo que a imprensa estaria fazendo o seu papel, como concessionária de meios de comunicação que deveriam defender o interesse público, o judiciário, o parlamento e instituições como a OAB estariam entrando com diferentes ações, inclusive fora do país, para denunciar essa violência à democracia e exigir explicações sobre o ocorrido do presidente da República e do ministro da Defesa.

Não é pouco coisa um capitão do Exército participar de uma ação tão absurdamente fascista como a que levou ilegalmente à prisão esses jovens.

Não é pouca coisa que o governador do Estado e o Secretário de Segurança Pública pareçam estar completamente envolvidos com essa patacoada. Como também o presidente da República e o seu ministro da Defesa.

Não é pouco que isso pareça ter sido articulado com o delegado do Deic e com outros agentes públicos, que mentiram à sociedade e deixaram os garotos sem contato com advogado e a família por mais de dez horas.

O fato é que a democracia está sendo violentada em praça pública com requintes de sadismo. E que enquanto isso os puros da nossa sacrossanta mídia silenciam.

Sabem por quê? Porque isso pode.

Porque isso interessa ao estabilishment. Porque isso vai garantir a ordem. A ordem fascista que vai se impondo no país e que não pode nos levar a outro lugar que não seja uma ditadura.

E que, pelo revelado na reportagem da Ponte, já tem a participação das Forças Armadas.

A história do “capitão Balta” é um dos fatos mais marcantes deste golpe escandaloso que o país vive. E que está levando à prisão dezenas de manifestantes. E que tem sócios. Os canalhas, canalhas, canalhas de sempre, na expressão precisa do senador Requião.
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'Fantástico' detona filha de Cunha. Fedeu!


O Fantástico deste domingo (11) disparou um torpedo contra Eduardo Cunha, que pode ser cassado pela Câmara Federal. O programa mirou na filha do correntista suíço, Danielle Dytz, revelando que o seu casamento custou mais de R$ 400 mil. A reportagem evidencia a crueldade e a frieza da famiglia Marinho. A TV Globo festejou a eleição do famoso lobista para a presidência da Câmara Federal, em fevereiro de 2015. Durante meses, ela simplesmente escondeu todos os seus pobres. Afinal, Eduardo Cunha tinha a missão — quase divina — de desestabilizar a presidenta Dilma e preparar o clima para o seu impeachment. Consolidado o golpe dos corruptos, porém, a Rede Globo passou a tratar o aliado como bagaço e agora, na véspera da sua cassação, ela cava fundo sua sepultura. Sem dó nem piedade!

Segundo a matéria do Fantástico, "procuradores da Lava Jato investigam a origem do dinheiro usado para pagar o luxuoso casamento da filha de Cunha, Danielle, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, em 2011. A festa custou mais de quatrocentos mil reais entre gastos com o hotel e outros fornecedores, como floristas e fotógrafos. Perícia da Receita Federal mostra que tudo foi pago em dinheiro vivo, ou depósito em dinheiro. Os recibos saíram em nome da empresa da mulher de Cunha, Cláudia Cruz, e da noiva, Daniele. E a Receita Federal diz que nem a empresa C3 nem Danielle têm movimentação financeira que mostre de onde saiu o dinheiro usado nos pagamentos".

Recentemente, o mesmo Fantástico já havia denunciado os gastos nababescos de Eduardo Cunha, de sua esposa Cláudia Cruz — que foi âncora da edição carioca da TV Globo por 13 anos — e de sua filha em viagens ao exterior. A matéria revelou que a família só se hospedava em hotéis de luxo dos EUA, da Europa e da Ásia, comia nos melhores restaurantes e consumia em famosas lojas de grife. A grana das farras provinha de contas secretas em bancos suíços. "Só em um restaurante, a conta chegou perto de R$ 9 mil. Em nove viagens ao exterior, a gastança chegou a R$ 880 mil", relembrou o programa deste domingo, que ainda enfatizou: "Segundo o Ministério Público, a rota do dinheiro começava por contratos superfaturados com a Petrobras. 

De fato, após cumprir a missão golpista orquestrada pela Globo, Eduardo Cunha virou bagaço! Resta saber se o lobista — que o próprio Fantástico menciona ter na sua folha de pagamento mais de 260 deputados — vai aceitar passivamente a degola e as traições. Ele conhece muitos podres, inclusive da famiglia Marinho e do Judas Michel Temer, que podem abalar a república das bananas dos golpistas!



Altamiro Borges
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Xadrez do acordão da Lava Jato e da hipocrisia nacional


Conforme previsto, caminha-se para um acordão em torno da Lava Jato que lança a crise política em uma nova etapa com desdobramentos imprevisíveis.

Movimento 1 – os ajustes na Lava Jato

Trata-se de um movimento radical do Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot, que praticamente fecha a linha de raciocínio que vimos desenvolvendo sobre sua estratégia política.

Peça 1 – monta-se o jogo de cena entre Gilmar Mendes e Janot. Janot chuta para o Supremo a denúncia do senador Aécio Neves. Gilmar mata no peito e devolve para Janot que se enfurece e chuta de novo de volta ao Supremo. Terminado o jogo para a plateia, Janot guarda a bola e não se ouve mais falar nas denúncias contra Aécio. Nem contra Serra. Nem contra Temer. Nem contra Geddel. Nem contra Padilha.

Peça 2 – duas megadelações entram na linha de montagem da Lava Jato: a de Marcelo Odebrecht e de Léo Pinheiro, da OAS. Pelas informações que circulam, Marcelo só entregaria o caixa 2; Léo entregaria as propinas de corrupção, em dinheiro vivo ou em pagamento em off-shores no exterior.

Peça 3 – advogados de José Serra declaram à colunista Mônica Bergamo estarem aliviados, porque a delação de Marcelo Odebrecht só versaria sobre caixa 2. Ficavam duas questões pairando no ar. Se Caixa 2 é crime, qual a razão do alívio? E se ainda haveria a delação de Léo Pinheiro, qual o motivo da celebração?

Peça 4 – em um dos Xadrez matamos a primeira charada e antecipamos que a Câmara estava estudando uma saída, com a assessoria luxuosa de Gilmar Mendes, visando anistiar o caixa 2 e criminalizar apenas o que fosse considerado dinheiro de corrupção, para enriquecimento pessoal.

Peça 5 – a segunda questão — de Léo Pinheiro delatando corrupção — foi trabalhada em seguida, quando monta-se o jogo de cena, de Veja publicando uma não-denúncia contra Dias Toffoli e, imediatamente, Janot acusando os advogados da OAS pelo vazamento e interrompendo o acordo de delação, ao mesmo tempo em que Gilmar investia contra a Lava Jato, anunciando que o Supremo definiria as regras das delações futuras. Há movimentos do lado da Lava Jato, do lado da PGR, Gilmar se acalma, diz apoiar a Lava Jato. A chacoalhada, sutil como um caminhão de abóboras que passa em um buraco, permitiu ajustar todas as peças, como se verá a seguir+.

Peça 6 – Avança-se na tal Lei da Anistia do caixa 2 e o caso passa a ser analisado também pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), presidido por Gilmar.

Peça 7 – Ontem Janot abriu mão das sutilezas, dos rapapés, das manobras florentinas, dos disfarces para sustentar a presunção de isenção e rasgou a fantasia, nomeando o subprocurador Bonifácio de Andrada para o lugar de Ela Wieko, na vice-Procuradoria Geral. Não se trata apenas de um procurador conservador, mas de alguém unha e carne com Aécio Neves e com Gilmar Mendes. Janot sempre foi próximo a Aécio, inclusive através do ex-PGR Aristides Junqueira, com quem trabalhou e que é primo de Aécio. Com Bonifácio, estreita ainda mais os laços.

Fecho – tudo indica que se resolve o imbróglio da Lava Jato da seguinte maneira:

1.     Avança-se na nova Lei da Anistia, com controle de Gilmar através do TSE.

2.   Bonifácio de Andrada faz o meio-campo de Janot com Gilmar e Aécio, ajudando na blindagem e evitando qualquer surpresa, que poderia acontecer com Ela na vice-PGR.

3.   Monta-se um acordo com a Lava Jato prorrogando por um ano seus trabalhos e definindo um pacto tácito de, tanto ela quanto a PGR, continuar focando exclusivamente em Lula e no PT, exigência que em nada irá descontentar os membros da força-tarefa.

4.     Agora há um cabo de guerra entre a Lava Jato e Léo Pinheiro. Léo já informou que não aceitaria delatar apenas o PT. Janot interrompeu as negociações sobre a delação afim de que Léo e seus advogados “mudem a estratégia”, como admitiram procuradores à velha mídia. Sérgio Moro prendeu-o novamente, invadiram de novo sua casa, no movimento recorrente de tortura psicológica até que aceite os termos propostos por Janot e a Lava Jato.

Movimento 2 – o teatro burlesco no Palácio

Aí se entra em um terreno delicado.

A política move-se no terreno cediço da hipocrisia. Faz parte das normas tácitas da democracia representativa os acordos espúrios, os interesses de grupo disfarçados em interesses gerais, a presunção de isenção da Justiça.

Mas o jogo político exige a dramaturgia, a hipocrisia dourada. E como criar um enredo minimamente legitimador com um suspeitíssimo Geddel Vieira Lima, e sua postura de açougueiro suado cuspindo imprecações? Ou de Eliseu Padilha, e seu ar melífluo de o-que-vier-eu-traço? Ou de José Serra e as demonstrações diárias da mais rotunda ignorância em diplomacia e um deslumbramento tão juvenil com John Kerry que só faltou beijo na boca? Ou de Temer e suas mesquinharias, pequenas vinganças, incapaz de entender a dimensão do cargo e do poder que lhe conferiram?

O “Fora Temer” não se deve apenas à situação econômica precária, mas ao profundo sentimento de que o país foi entregue a usurpadores. Mesmo com toda a velha mídia encenando, não se conseguiu conferir nenhum verniz a esses personagens burlescos.

Ressuscitou-se até esse anacronismo da “primeira dama”, tentando recriar o mito do casal 20, de Kennedy-Jacqueline, Jango-Tereza e filhos, peças do repertório dos anos 50.  Ontem, o Estadão lançou a emocionante questão: vote no melhor “look” da primeira dama que, aparentemente, vestiu quatro “looks” durante o dia. Um gaiato votou no “tomara que caia Temer”.

Movimento 3 – a PGR rasga a fantasia

Como fica, agora, com o próprio Janot abrindo mão da cautela e expondo seu jogo?

Janot foi um dos artífices do golpe. Teve papel central para entregar o país aos projetos e negócios de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Moreira Franco e José Serra, entre outros. Sacrificou-se apenas Eduardo Cunha no altar da hipocrisia.

Sua intenção evidente é liquidar com Lula e com o PT. Mas, para fora e especialmente para dentro — para sua tropa — tem que apresentar argumentos legitimadores da sua posição, como se o golpe fosse mera decorrência de procedimentos jurídicos adotados de forma impessoal.  Era visível o alívio dos procuradores nas redes sociais, quando Janot decidiu encaminhar uma denúncia contra Aécio. Porque não tem corporação que consiga manter a disciplina e o espírito de corpo se não houver elementos legitimadores da sua atuação, o orgulho na sua atuação, na sua missão.

Ontem, em suas escaramuças retóricas, Gilmar escancarou a estratégia. Mesmo contando com toda a estrutura da PGR, Janot avançou minimamente nas denúncias contra políticos.

Para todos os efeitos, há delações contra Temer, Padilha, Geddel, Jucá, Moreira, Aécio e Serra. E, para todos os efeitos, o grupo está cada vez mais à vontade exercitando as armas do poder. Dá para entender porque o temível Janot não infunde um pingo de medo neles?

Com a nomeação de Bonifácio de Andrada abrem-se definitivamente as cortinas e o MPF entra no palco onde se encena o espetáculo da hipocrisia nacional.

Movimento 4 – as vozes da rua

O jogo torna-se sumamente interessante.

Os últimos episódios, a violência policial, os sinais cada vez mais evidentes de se tentar fechar o regime, despertaram um lado influente da opinião pública, que jamais se moveria em defesa de Dilma, mas começa a acordar em defesa da democracia.

A “teoria do choque” exigia, na ponta, um governante com carisma, um varão de Plutarco, um moralista compulsivo, que trouxesse o ingrediente final na consolidação de um projeto fascista. O enredo não previa o espetáculo dantesco da votação na Câmara, a pequena dimensão de Michel Temer, a resistência épica de Dilma Rousseff — que, de mais fraca governante da história, na queda  tornou-se um símbolo de dignidade da mulher —, a massacrante diferença de nível entre José Eduardo Cardoso e Miguel Reali Jr. e Janaina Pascoal.

O grito de “Fora Temer” torna-se cada vez mais nacional.

Por outro lado, a violência das PMs de São Paulo e outros estados mereceu  a reação do MPF, através da PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão). Agora, a intenção implícita de Janot é o esvaziamento dos bolsões de direitos humanos da PGR, liquidando com os últimos pontos legitimadores da instituição.

O baixo nível de corrupção no MPF deve-se a um sentimento de missão que está sendo jogado pelo ralo pelo jogo político. Sem as bandeiras legitimadoras, será cada vez mais cada qual por si, com os mais oportunistas procurando exercitar a dose de poder que o MPF conquistou com o golpe. A médio prazo, dr. Janot vai promover o desmonte da tropa, não se tenha dúvida.

Qual o desfecho? Aumento da violência em uma ponta, aumento da indignação na outra. O país institucional encontrará uma saída para essa escalada de violência, ou nos conformaremos em ser uma Argentina de Macri e uma Venezuela de Maduro?

Na mídia e em alguns altos postos do Estado, não se fica a dever quase nada à Venezuela. E, em uma época que se tem os olhos do mundo sobre o Brasil.

Luís Nassif
No GGN
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A degola da CLT não é “boato”. Advogado traduz o que se quer com a mudança


Entrevistado  pela  Globonews, o advogado trabalhista Sergio Batalha Mendes não foi na onda da emissora e  deixou bem claro o que significa a “reforma” trabalhista pretendida pelo governo Temer.

É descarnar, na hora da crise, o trabalhador.

Batalha explica, com toda a clareza que:

a) o Brasil não tem uma legislação trabalhista desalinhada com os países da América Latina e do resto do mundo, exceto dos que não tem legislação alguma;

b) que redução nos gastos com folha de pagamento não vira mais emprego, mas mais ganhos para o empresariado;

c) que é uma balela dizer que isso apenas “flexibizaria” a mesma jornada de trabalho atual, o que já existe para regimes de plantão e com o banco de horas e

d) que a baixa representatividade sindical pode geral um mar de desvios e até de corrupção na negociação de direitos e que, por isso, a prevalência do “negociado” sobre a lei é, no mais das vezes, lesiva ao trabalhador;

Vale a pena assistir, até porque a apresentadora-entrevistadora mal consegue disfarçar o “não é isto o que esperávamos que o senhor dissesse”.



Fernando Brito
No Tijolaço
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