21 de ago de 2016

Uol Olimpíadas: Comparação idiota e imbecil


A comparação do “custo do medalhista” nas Olimpíadas feita pelo UOL, com base no investimento nos atletas, entre Brasil, Inglaterra e Alemanha demonstra a mediocridade dos jornalistas. Ao comparar o custo do investimento por medalha conquistada, ignora as diferenças históricas, econômicas e de desenvolvimento humano dos dois países.

O Brasil terá que investir mais, muito mais e cada vez mais para ser uma potência nos esportes. Essa matéria, na verdade, só valoriza os esforços dos governos Lula/Dilma.

Uma reportagem relevante poderia comparar o resultado desse período, mas teria que fazer uma comparação de uma série histórica de investimentos no esporte em um tempo maior, de 30, 50 ou 80 anos.

A conclusão seria que o Brasil não investiu nem 1/10 do que foi feito na Europa e Estados Unidos.

Uma reportagem com invólucro de jornalismo investigativo, mas rasa como um pires, que serve apenas para atender os interesses políticos e ideológicos dos patrões.

Igor Felippe
No Viomundo
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Morais: Cadê o Lula, Moro?


Cadê o Lula, Moro? Cadê o Lula, meritíssimo?

Aqui vai o relatório final da Polícia Federal encerrando a chamada “Operação Triplo X”, que trata do apartamento no Guarujá que pertenceria ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o relatório é extenso (129 páginas) resolvi facilitar a vida do internauta e fiz uma varredura minuciosa nele. O resultado é o seguinte:

• o nome “Luiz” não aparece nenhuma vez.

• o nome “Inácio” não aparece nenhuma vez.

• o nome/sobrenome/apelido “Lula” não aparece nenhuma vez.

• o sobrenome “Silva” não aparece nenhuma vez.

• o nome “Marisa” não aparece nenhuma vez.

• o nome “Mariza” não aparece nenhuma vez.

• o nome “Letícia” não aparece nenhuma vez.

• o nome “Luís” aparece duas vezes, mas em ambas refere-se a Luís Fernando Hernandez Rivero.


Fernando Morais
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Lula propõe criação de uma rede nacional da esquerda na Internet


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Dinheiro fez de juízes uma casta que tem horror ao povo


O Estadão publica hoje mais uma das matérias que mostram, outra vez,  o absurdo das remunerações milionárias dos juízes e desembargadores brasileiros. Desta vez, para mostrar que ganham tanto ou mais que seus congêneres de países ricos, onde o trabalhador em geral ganha três, quatro, seis ou mais vezes que os brasileiros.

Volta e meia temos estas já nem tanto reveladoras contabilidades da drenagem de recursos da população para um grupo de profissionais vorazes e poderosos que hoje detêm, virtualmente, o direito de fazer o que quiserem, com qualquer um.

Apenas o fato de escrever sobre isso já nos sujeita, como mostrou o caso dos colegas da Gazeta do Povo, do Paraná, a exigirem-nos indenizações inalcançáveis ao nosso padrão de vida, como dizia Graciliano Ramos, de pão e laranja.

Há, porém, algo ainda mais grave que o prejuízo que o povo brasileiro suporta com este festival de dinheiro que, claro, não fica incluído nos “cortes” que se quer fazem em saúde, educação e outras atividades mundanas, para as quais Suas Excelências contam com os (in) devidos “auxílios”.

É que se formou uma casta judicial — na qual se incluem, naturalmente, promotores, procuradores e, em cascata, outras corporações de Estado que usam o Judiciário como referência de seu “preço” — que transforma seus integrantes numa camada que, pelo que ganha e pelo como vive, é indiferente à vida dos homens e mulheres “comuns”.

O processo mental que, em geral, se forma nas mentes — sobretudo dos magistrados mais jovens — é extremamente cruel. Um rapaz de vinte e quatro, vinte e cinco anos, ganhando R$ 40 mil por mês (confira que os dados do Estadão se referem a salários líquidos, já com os descontos de Previdência e Imposto de Renda) forma que tipo de visão de mundo?

Passa a encarar como “inferiores” os que deveria ver como semelhantes  a quem, em tese, deveria servir. A condição de juízes passa a funcionar como um título nobiliárquico, como se um concurso público justificasse a formação de uma “nobreza” funcional à qual os plebeus devem obediência e vassalagem.

Some-se  o fato de que, em boa parte, venceram aqueles concursos porque suas famílias têm sobras que lhes permitem estudar por anos para serem sagrados “cavaleiros”e, não raro, por isso deformarem-se pela falta de contato com a realidade.

A hipertrofia dos dinheiros e dos poderes da casta judicial, por isso, tem um componente mais danoso do que a já grave injustiça de nos levarem dinheiro que deveria se destinar a uma desvalorizada ideia de justiça, a social.

É o fato de nos colocar, como já é perceptível, sob a ditadura de uma nobreza togada, numa condição divina e incriticável, onde mutuamente se protegem e confirmam ordens, como  o “direito extra”, agora, de apontar o dedo e mandar levar à Bastilha quem desejarem, bastando que o indiquem como corrupto, porque seus dedos detém o condão da verdade que a mídia lhe concede.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Na Globo, heróis olímpicos atribuem sucesso a programa de Lula


A Globo, que há dois anos lidera uma campanha contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já quebrou as principais empreiteiras do País e colocou a economia brasileira na maior recessão de sua história, viu ontem dois heróis olímpicos atribuírem seu sucesso a um programa lançado por ele, em seu primeiro mandato: o Segundo Tempo.

Na edição do Jornal Nacional, a apresentadora Renata Vasconcellos quis saber como dois atletas, Isaías Queiroz, nascido em Ubaitaba (BA), e Erlon Silva, de Ubatã (BA), começaram a praticar um esporte tão pouco conhecido, a canoagem, mesmo longe dos centros mais desenvolvidos do País.

A resposta foi um tapa com luva de pelica. "A gente começou com um programa do governo federal, o Segundo Tempo, que tinha vôlei, futebol e canoagem. Como eu gostava de água, fui para a canoagem", disse Erlon. "Mesma coisa, foi no Segundo Tempo, um programa do governo federal e do Ministério do Esporte", disse Isaquias, o maior medalhista brasileiro em todos os tempos.

O Segundo Tempo foi lançado pelo governo Lula em abril de 2003, quando ele tinha apenas quatro meses de mandato, como um instrumento de inclusão social. Naquele momento, o Brasil nem sonhava em sediar as Olimpíadas — direito conquistado apenas em 2009.

Em 2003, quando o Segundo Tempo começou, Erlon tinha apenas 12 anos. Isaquias, por sua vez, tinha apenas 9. Nenhum dois dois poderia imaginar que chegaria tão longe.

Assista, à reportagem do Jornal Nacional:


Abaixo, a notícia de quando o Segundo Tempo foi lançado:

23/04/2003 às 12:27h

Ministérios do Esporte e da Educação lançam o programa Segundo Tempo   

Os ministros do Esporte, Agnelo Queiroz, e da Educação, Cristóvam Buarque, assinaram hoje protocolo de cooperação para desenvolver projetos de parceria entre os dois ministérios. O primeiro programa será o “Segundo Tempo”, que criará uma estrutura nas escolas públicas, para o estudante permanecer na instituição em tempo integral. A idéia é que nesse tempo os alunos desenvolvam atividades esportivas, culturais e pedagógicas. 

O programa vai beneficiar 100 mil crianças na fase inicial. Ao final dos quatro anos do governo Lula, o benefício deverá ter atingido quatro milhões de crianças e adolescentes em todo o País, segundo meta dos dois ministérios. Agnelo e Cristóvam destacaram que o programa “Segundo Tempo” faz parte de uma estratégia de governo para melhorar a qualidade da educação e tirar crianças e adolescentes da violência e das drogas. 

Agnelo Queiroz acredita que o programa “Segundo Tempo” além de incentivar a inclusão social por meio da prática esportiva, permitirá ainda uma melhor formação das crianças e adolescentes. De acordo com a proposta, a criança ficará durante um turno na escola e, no outro, fará atividades pedagógicas. Nesse período, ela poderá fazer seus deveres escolares, receber reforço alimentar e ainda praticar uma atividade esportiva. 

“A proposta desse programa é tornar a escola atrativa e alegre”, destacou Cristóvam. Ele também lembrou que esporte tem um papel importante no processo de formação do cidadão e poderá contribuir na redução da evasão escolar, que hoje atinge 60% dos alunos do ensino médio.  

“Esse é um programa que dá oportunidade às crianças, cuja situação familiar não permite maiores investimentos no desenvolvimento escolar”, disse Agnelo. O Ministério do Esporte está firmando parcerias com o Sesc, clubes sociais, organizações não-governamentais (ONGs), prefeituras e as Forças Armadas para ampliar o programa. 

Ação de governo

O projeto é parte da iniciativa do governo Lula em fazer uma ação articulada entre seus ministérios. A principal função de cada um neste caso será capacitar os professores de educação física de todo o país, oferecendo cursos aos profissionais. O Ministério do Esporte deverá, ainda, distribuir material esportivo para as escolas e o Ministério da Educação terá a função de esclarecer as universidades do País para que disponibilizem seus estudantes de educação física para trabalhar como monitores dos programas. 

A cooperação entre os dois ministérios foi elogiada pelo presidente da Comissão de Educação e Desporto da Câmara, deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), que esteve presente ao ato de assinatura. Segundo ele, o acordo mostra que o governo tem o firme propósito de melhorar a qualidade do ensino brasileiro. “O esporte é um grande instrumento educacional, de lazer e rendimento”, destacou o ex-jogador e deputado Deley (PL-RJ).

No 247
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E/I

– Iminência...

– Você quer dizer “eminência”.

– O quê?

– Você disse “iminência”. O certo é “eminência”.

– Perdão, senhor. Sou um servo, um réptil asqueroso, um nada. Uma sujeira no seu sapato de cetim. Mas sei o que digo. E eu quis dizer “iminência”.

– Mas está errado! Nossa vontade não altera a correção gramatical. O tratamento certo de um rei é “eminência”.

– Não duvido da sua eminência, senhor, mas o senhor também é iminente. Uma iminência eminente. Ou uma eminência iminente.

– Em que sentido?

– No sentido filosófico.

– Você tem dois minutos para se explicar, antes que eu o mande para o calabouço, onde vão os bobos insolentes.

– Somos todos iminentes, senhor. Vivemos num eterno devir, sempre às vésperas de alguma coisa, nem que seja só o próximo segundo. Na iminência do que virá: o almoço ou a morte. À beira do nosso futuro como de um precipício, no qual despencaremos ou alçaremos voo. A iminência é o nosso estado natural. Pois o que somos nós, todos nós, se não expectativas?

– Você, então, se acha igual a mim?

– Nesse sentido, sim. Somos coiminentes.

– Com uma diferença. Eu estou na iminência de mandar açoitá-lo por insolência, e você está na iminência de apanhar.

– O senhor tem esse direito hierárquico. Faz parte da sua eminência.

– Admita que você queria dizer “eminência” e disse “iminência”. E recorreu à filosofia para esconder o erro.

– Só a iminência do açoite me leva a admitir que errei. Se bem que...

– Se bem quê?

– Perdão. Sou um verme, uma meleca, menos que nada. Um cisco no seu santo olho, senhor. Mas é tão pequena a diferença entre um “e” e um “i” que o protesto de vossa eminência soa como prepotência, o que não fica bem num rei. Eminência, iminência, que diferença faz uma letra?

– Ah, é? Ah, é? Uma letra pode mudar tudo. Um emigrante não é um imigrante.

– É um emigrante quando sai de um país e um imigrante quando chega a outro, mas é a mesma pessoa.

– Pois então? Muitas vezes, a distância entre um “e” e um “i” pode ser um oceano. E garanto que você terá muitos problemas na vida se não souber diferenciar ônus de ânus.

– Isso são conjunturas.

– Você quer dizer “conjeturas”

– Não, conjunturas.

– Não é “conjeturas” no sentido de especulações, suposições, hipóteses?

– Não. “Conjunturas” no sentido de situações, momentos históricos.

– Você queria dizer “conjeturas” mas se enganou. Admita.

– Eu disse exatamente o que queria dizer, senhor.

– Você errou!

– Não errei, iminência.

– Eminência! Eminência!

– Está bem, o senhor ganhou..., majestade.

Luís Fernando Veríssimo
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Reportagem da Veja sobre Toffoli reflete briga entre justiceiros e Justiça

Toffoli
A revista Veja que acaba de chegar às bancas traz mais um capítulo na luta entre os justiceiros e a Justiça no Brasil. O alvo da vez está na capa e é o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Recentemente, ele adotou posições que desagradaram os titulares da noção de que o papel do juiz hoje é condenar e não julgar. Nada irrita mais os poderosos procuradores do Ministério Público Federal do que a concessão de um Habeas Corpus. Um deles publicou na Folha de S.Paulo uma reprimenda a Toffoli por esse motivo.

A rigor, a reportagem publicada esta semana não faz imputação alguma ao ministro. O enunciado da capa (Empreiteira delata ministro do Supremo) fica na promessa. Não se apresenta favorecimento da empreiteira ao ministro nem contrapartida. Apenas ilações.

Mas a reportagem traz indicações importantes: o Ministério Público de fato tem direcionado delações para comprometer ministros do Supremo e do Superior Tribunal de Justiça. Oferecer liberdade para quem pode ficar até vinte anos na cadeia é atrativo suficiente para isso e muito mais, naturalmente. A queda de braço entre os justiceiros e os tribunais superiores não é nova. Mas a desenvoltura dos atacantes é cada vez maior, já que agora eles podem fuzilar os ministros do STJ e do STF.

As “suspeitas” contra ministros são lançadas regularmente na imprensa. Dias atrás uma notinha no jornal O Globo sacudiu o meio jurídico: um dos advogados mais importantes e respeitados do país, flagrado em delito, teria procurado o MPF para fazer delação premiada disposto a informar atos de corrupção de ministros do STJ e do STF. Se a informação falsa intimidou as duas casas não se sabe. Mas o objetivo, evidente, era esse.

Outra reportagem pautada pelo MPF que tem voltado à baila é a que revela que ministros têm parentes. E que esses parentes trabalham em empresas ou escritórios de advocacia. E que a ligação de parentesco “pode” facilitar eventual tráfico de influência. Exemplos concretos de ilícitos: nenhum. Resultado concreto: as cortes resistem cada vez mais a pedidos da defesa e cada vez menos ao que quer a acusação.

A contenda promete. A peleja vai longe. Aguarda-se acusações, suspeitas, ilações a granel contra quem puder ameaçar o poder da acusação com Habeas Corpus considerados inconvenientes. Novos petardos devem atingir ministros e seus familiares. A serviço da acusação algumas centenas de jornalistas pressurosos atuam como assessores de imprensa da PF e do MPF. Os repórteres que tentam escapar do conúbio são punidos duramente. Ficam sem notícias e fora da lista dos vazadores regulares que trabalham para a PF e para o MPF.

Críticas

Para o ministro Gilmar Mendes, do STF, toda acusação deve ser investigada e todo homem público deve satisfação à sociedade, “mas a acusação deve ser legítima, jamais anônima e muito menos com objetivos espúrios”. A reportagem da Veja, como a própria revista admite, diz Mendes, “serve apenas para constranger o ministro”. Presidente o Tribunal Superior Eleitoral, ele diz ser importante uma lei que coíba o abuso de autoridade

O ex-advogado-geral da União Luís Inácio Adams é de opinião semelhante. Para ele, a revista só “especula sobre uma promessa de delação que refere a fatos que não têm qualquer remota relação com algum crime ou conduta reprovável”. “É lamentável a superficialidade da especulação feita.”

Aposentado do STF, o ministro Nelson Jobim classificou de “ridícula” a reportagem da Veja. Segundo ele, a publicação foi “irresponsável” por ter transformado um texto que não diz nada em capa para constranger o ministro Toffoli. A reportagem traz algumas perguntas a seus leitores. Jobim tem as dele: “Quem vazou aquelas informações? O Ministério Público ou a Polícia Federal? Qual é o interesse das pessoas que estão fazendo isso?”

“Há avanço em se cometer imoralidades a pretexto de combater imoralidades?”, questiona o ministro Luis Felipe Salomão, do STJ.  Para o representante do STJ, a violenta pressão contra a cúpula do Judiciário atrapalha a aplicação da justiça. “Hoje os juízes estão decidindo com medo, sob absoluta pressão. Onde isso ocorreu, sempre resultou em ditadura.”

A mesma preocupação tem o advogado Pierpaolo Bottini, professor de Direito Penal da USP. “Caminhamos a passos largos para o arbítrio disfarçado de salvador da pátria. Não é a primeira vez que isso acontece na história do país”, comenta.

veja

“Há uma tendência em se jogar suspeita sistemática sobre o magistrado quando ele decide a favor do réu. Cria-se um clima em que a decisão mais fácil é condenar, punir, ainda que não haja certeza sobre os fatos”, afirma o advogado. “Aquele que absolve sempre é olhado de esgueio, como se tivesse praticado um ilícito. Inverte-se a ordem constitucional, a presunção de inocência. O juiz garantista é demonizado, como se fosse um agente criminoso, quando tudo o que faz é cumprir seu juramento perante a Constituição.”

Outro ministro do STF, que prefere não se identificar, aponta “o nefando fenômeno que vivemos hoje: o da criminalização das relações políticas, sociais, pessoais e até familiares”. Esse ministro referenda, “as tentativas de intimidação de ministros do Supremo e de juízes têm crescido, de forma preocupante, nos últimos tempos”.

Ex-presidente do Supremo e já aposentado, o ministro Sepúlveda Pertence é mais um dos que observa com incômodo o comportamento dos investigadores da vez. Em entrevista à ConJur publicada em julho deste ano, ele declarou: “Houve a criação de uma mística em que uma crítica, por mais pontual que seja, por mais consequente que seja, ao ‘juízo de Curitiba’ tornou-se um pecado mortal. Ou uma conspiração”.

Ao passado 

A força-tarefa da “lava jato” também tem levado às mesas de negociações com delatores investigações antigas. O caso mais candente é o da operação castelo de areia, que investigou um esquema de corrupção em obras tocadas pela Camargo Corrêa, mas acabou trancada por ilegalidade na forma com que foram colhidas as provas – os investigadores partiram de uma denúncia anônima para grampos telefônicos generalizados, tudo com anuência da Justiça Federal.

Em abril de 2011, a 6ª Turma do STJ trancou as investigações e todas as ações penais que decorreram daquelas provas. Em outras palavras, disse que não se podem cometer ilegalidades para investigar ilegalidades.

Hoje os investigadores citam o assunto nas negociações com os executivos da Camargo Corrêa. Querem descobrir, na empreiteira, um setor de pagamento de propinas e caixa 2 semelhante ao que anunciam ter achado na Odebrecht. E querem punir os controladores da empresa, notadamente os herdeiros de Sebastião Camargo, fundador da empresa ao lado de Sylvio Brand Corrêa.

Trata-se de mais uma estratégia de intimidação aos ministros do STJ. A maioria das abordagens aos delatores tem sido discreta, mas alguns perguntam com todas as letras quem foram os ministros que receberam dinheiro para decidir daquele jeito, já que para os investigadores é inconcebível que a Justiça tenha julgado, e não punido, os acusados.

Dado digno de nota é que o único ministro dos que condenaram a ‘castelo de areia’ que continua no tribunal é a ministra Maria Thereza de Assis Moura. Hoje, é considerada uma juíza de perfil duro, resistente aos pedidos da defesa.

Márcio Chaer, Pedro Canário e Marcelo Galli | Do Conjur
No DCM
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PMDB ajudou a aumentar renda de assessor de Temer

Márcio Freitas (2º da esq. para dir.) durante entrevista concedida por Temer em junho
Uma fundação do PMDB repassou, ao longo do ano passado, R$ 240 mil ao hoje secretário especial de Comunicação do governo interino, Márcio Freitas.

No mesmo período, ele recebeu salário como assessor de Michel Temer na vice-presidência da República.

Pagamentos mensais de R$ 20 mil foram feitos pela Fundação Ulysses Guimarães à empresa Entretexto Serviços, da qual Freitas é sócio-proprietário. A fundação é comandada pelo diretório nacional do PMDB e mantida com recursos provenientes do Fundo Partidário, constituído majoritariamente por verbas da União.

Na época dos repasses, Freitas exercia a chefia da Assessoria de Comunicação Social da Vice-Presidência pelo salário de R$ 11,3 mil.

A sua relação financeira com a fundação do PMDB aparece na prestação de contas anual do Fundo Partidário ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A lei 8.112/90 proíbe o servidor público de "participar de gerência ou administração de sociedade privada", funções que Freitas disse não exercer na Entretexto Serviços.

No processo do TSE, o jornalista aparece como responsável por encaminhar notas fiscais e análises para comprovar a prestação dos serviços pagos pelo partido.

Em sete de 12 meses de 2015, ele entregou textos de três páginas a título de "análises e propostas sobre conjuntura política".

Em cinco meses (janeiro, março, setembro, outubro e dezembro) não há esses relatórios no TSE, mas só notas fiscais e um ofício assinado por Freitas aos então presidentes da fundação, Eliseu Padilha e Moreira Franco, hoje integrantes do primeiro escalão do governo Temer.

No total, a empresa recebeu R$ 240 mil no ano passado e entregou 22 páginas, segundo registros do TSE.

Questionados, tanto a fundação quanto Márcio Freitas não informaram se os pagamentos à Entretexto continuaram em 2016.

Desde a posse de Temer como presidente interino, em maio passado, Freitas ocupa o cargo de secretário de Comunicação, com salário de R$ 14,2 mil.

Também ganha R$ 3.300 a título de jetons por reuniões no Conselho de Administração da estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

Três servidores do TCU (Tribunal de Contas da União) ouvidos pela reportagem sob a condição de não ter seus nomes publicados disseram que uma conclusão sobre a legalidade desses pagamentos dependeria de análise técnica relacionada à prestação de serviços e a eventual conflito de interesse.

Destacam ainda a necessidade de apurar se houve ato de administração ou de gerência por parte do servidor, mesmo que formalmente ele não exerça essas funções, proibidas por lei ao funcionário público.

Pautas alternativas

Freitas exerce a tarefa de assessor de imprensa do presidente interino há mais de uma década, tendo atuado na Câmara dos Deputados, já presidida por Temer, e nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014.

É o principal nome do peemedebista no relacionamento com a imprensa.

Em abril, em meio à abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, ele chegou a pedir demissão do cargo de assessor em razão de uma crise com Temer — depois, voltou atrás e permaneceu no governo.

Em um dos textos anexados pela Fundação Ulysses Guimarães na prestação de contas do TSE, Freitas escreveu, em março de 2015, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, iria entregar ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma lista com os nomes de políticos a serem investigados na Operação Lava Jato.

Ele disse que "o impacto no PMDB é considerado certo" e que "administrar esse desgaste será impossível".

E apontou uma saída: "É preciso criar pautas alternativas, seja no plano Executivo, seja no Congresso para dividir atenção com esses episódios".

Para o assessor, "a divisão interna [do PMDB] evidenciou que o partido não consegue ter um projeto de poder unitário, consolidado e organizado".

"Sem rumo, a política brasileira segue à deriva e espera que alguém assuma o timão. Pode ser a grande hora de ousar", aconselhou o assessor no texto escrito durante o ano passado.

Outro lado

Freitas afirmou que os pagamentos feitos pela Fundação Ulysses Guimarães à sua empresa "não trazem nenhum conflito com a ocupação de cargo de confiança na Vice-Presidência" da República.

"Legalmente é limitado ao ocupante de cargo comissionado a administração ou gerência de empresa, o que não ocorre neste caso", disse à reportagem, por e-mail.

De acordo com o assessor, "as consultorias de imprensa e análises políticas são feitas sempre que solicitadas pelo cliente".

Questionado, ele não esclareceu a ausência de relatórios relativos a cinco meses de 2015 no processo entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O cargo hoje ocupado por Freitas tinha status de ministro durante o governo da presidente afastada, Dilma Rousseff. Com a posse de Temer, a Secretaria de Comunicação passou a ser subordinada à Casa Civil, mas manteve a maior parte de suas atribuições, como a gestão do orçamento de publicidade.

A Fundação Ulysses Guimarães informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre as dúvidas encaminhadas pela Folha. A reportagem fez uma série de perguntas sobre seus gastos e o relacionamento com a Entretexto.

A entidade é mantida com recursos oriundos do Fundo Partidário e repassados anualmente pelo diretório nacional do PMDB.

Os valores tiveram um forte aumento entre 2014 e 2015, como reflexo do aumento das cotas do Fundo determinado pelo Congresso Nacional.

Em 2014, o PMDB nacional repassou à fundação um total de R$ 8,6 milhões. No ano passado, o valor passou para R$ 18,5 milhões.

Rubens Valente
No fAlha
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Virei coxinha

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2016/08/8965/virei-coxinha/


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Os Jogos

Na capa de uma revista “New Yorker” recente aparecem quatro atletas numa pista de corridas, correndo. A referência clara é à Olimpíada, uma simpática homenagem da revista, pensa você, aos Jogos no Rio. Mas um exame mais demorado da capa revela que os quatro atletas não estão competindo numa prova, estão fugindo, em pânico, de uma nuvem de mosquitos, supostamente portadores do vírus da zika. Entre todas as previsões dos riscos de realizar a primeira Olimpíada num país da América do Sul, e logo um país em crise, a mais catastrófica — mais do que assalto ou desorganização — era a do contágio por picada de mosquito. Houve assaltos e alguma desorganização, mas os mosquitos não atacaram, e a Olimpíada chega ao fim como um sucesso inegável. Eta Rio.

A cobertura dos Jogos feita pela nossa mídia — descontados alguns excessos de entusiasmo não justificados pela atuação dos nossos atletas, que, mesmo assim, não deram vexame — foi ótima. O difícil era decidir o que ver. Entre o pingue-pongue e o hipismo, a escolha era grande. Alguns esportes aos quais nunca se tinha prestado muita atenção por aqui foram revelações. Exemplo: o handebol, uma mistura de basquete, futebol e judô. E acho que o badminton (tênis com peteca), a esgrima e o hóquei sobre grama poderiam fazer uma Olimpíada à parte, só dos chatos. No caso do polo aquático, outro que pode competir na Olimpíada dos Chatos, o que impressiona é a vitalidade dos jogadores, obrigados a se manter à tona, controlando a bola e ao mesmo tempo tentando se proteger da marcação do adversário, o que, presumivelmente, inclui pontapés, puxões no calção e outros acontecimentos abaixo da linha da água que o juiz não pode ver.

Mas eu fico falando mal de esportes que não me interessam sem medir as consequências dos meus preconceitos. Se eu aparecer um dia com uma peteca na boca, marcas de golpes com um taco de hóquei sobre a grama por todo o corpo, trespassado por um sabre e todo molhado, saberão por quê.

Luís Fernando Veríssimo
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Para os jornais daqui e de fora, o Brasil seria incapaz de realizar a Olimpíada

Ainda que as palavras não levem a consequências práticas entre os filiados à Associação Nacional de Jornais, seu novo presidente justificou a posse com alguns conceitos apropriados a vários aspectos das transtornadas circunstâncias atuais. Marcelo Rech tratava das relações entre imprensa e internet, e para isso falou dos jornais:

"Devemos ser, os jornais, muito mais que transmissores de notícias. Devemos ser os certificadores profissionais da realidade. Em meio ao caos da abundância desinformativa [da internet], temos o desafio de sermos [...] aqueles que, graças a conceitos éticos e técnicas profissionais, oferecem os atestados de veracidade para a história".

Pois não façam cerimônia. É isso mesmo que esperam receber os que pagam por um jornal. A prova de que não recebem, ou mais uma, está no que o novo mandatário achou necessário dizer. E em termos ainda de um "desafio", de uma resposta em suspenso.

Despido do cuidado político conveniente à plateia, o que Rech formulou fica simples e direto: jornais precisam fazer jornalismo. Se não fosse essa a sua natureza, precisam fazê-lo porque jornalismo é algo essencial que os internautas só podem receber em parte. Por sinal, pequena em comparação com as redes de amadorismo pouco ou nada confiável, mais conduzido por interesses que por seriedade.

A Olimpíada deixa um bom exemplo da situação do jornalismo nos jornais, dispensando discutir o tão notório facciosismo político que deu substância e propagação à crise política, em especial à derrubada de Dilma Rousseff. Por todo o período de organização dos Jogos e da cidade para recebê-los, a campanha de desmoralização não deu trégua. Nenhuma obra ficaria pronta a tempo. O resultado dos trabalhos de organização seria o caos. Os projetos de mobilidade estavam errados e haveria problemas graves de transporte. O Brasil era incapaz de realizar a Olimpíada, e o Rio, muito mais.

Na ocasião da candidatura a sediar os jogos, porém, os jornalistas e os jornais com restrições à iniciativa foram pouquíssimos. Àquela altura, os críticos posteriores apoiavam ou estavam no muro: o governo Lula colhia êxitos e não era esperto ser do contra. O mesmo na fase ainda saudável do governo Dilma.

O sensacionalismo, degradação retomada, que leva as empresas editoras mais sérias a cometerem edições com cara dos "Diários da Noite" de Assis Chateaubriand, projetou-se para o exterior. Os jornais europeus e dos EUA sem interesses, hoje em dia, no Brasil, desancaram o país. As águas da Guanabara, segundo "pesquisa" sem precedente da Associated Press, intoxicariam os velejadores. O lixo quebraria barcos. As águas da lagoa Rodrigo de Freitas eram inutilizáveis, de tão fétidas. E os estrangeiros, coitados, não teriam como viver na cidade em que ninguém fala língua de civilizado.

Os de casa passaram as duas últimas semanas ciscando uma coisinha aqui, o pontinho ruim ali, em um provincianismo ciumento ou na tentativa inútil de se confirmar. Os de fora se esbaldaram em escrachar o país do assalto aos americanos. Até provar-se que são nadadores por esforço e desordeiros por vocação — e o jornalismo de lá dedicou-se, quase por unanimidade, a disfarçar a correção, atribuindo-a só a declarações policiais.

Nenhum evento civil no mundo tem a complexidade e a dimensão de uma Olimpíada. As obras e as disputas que se mostram são uma insignificância em comparação com o que as faz acontecerem.

É uma quantidade assoberbante de planejamento e de execução dos milhões de pormenores que se conjugam, em escolha e treinamento de milhares de pessoas, coordenação de tempos e ações para que tudo seja feito no seu momento, nas competições simultâneas e em lugares diferentes. O abastecimento alimentar dá uma ideia do gigantismo geral: o COB (Comitê Olímpico do Brasil) informa que em um só dia foram servidas quase 70 mil refeições no Parque Olímpico. Foi, este, um desafio com resposta.

Escrevo a 48 horas do encerramento, logo mais. Já se pode ter certeza de que, por sua beleza e organização, a Olimpíada brasileira recompôs muito do que o Brasil perdeu no mundo, nestes tempos de crise. Os jornais correram atrás.

Janio de Freitas
No fAlha
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