17 de ago de 2016

(Re)militarizada, Abin busca se fortalecer disseminando o medo do terrorismo nas Olimpíadas


O inimigo não poderia ter escolhido pior hora para dar as caras. Às vésperas de um megaevento esportivo internacional, o Brasil vivia simultaneamente uma profunda crise econômica e uma crise política. Quando o país parecia frágil, e o medo era disseminado, veio a bomba: um relatório do serviço secreto vazado na imprensa apontava que cidadãos brasileiros, em conluio com agentes estrangeiros, planejavam se armar para praticar atos violentos e, assim, desestabilizar ainda mais o Brasil.

Isso aconteceu trinta anos atrás, no primeiro ano do pós-ditadura. O evento era a Copa do México, em 1986. No Brasil, o governo José Sarney era um desastre, e a inflação acumulada naquele ano alcançaria 65%. O perigoso inimigo que ensaiava jogar o país no caos? Segundo o serviço secreto, que, à época, respondia pelo nome de Serviço Nacional de Informações (SNI), a ameaça era a volta da luta armada, financiada por agentes externos, sobretudo da Alemanha, e com engajamento do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A ameaça, claro, era apenas um delírio. Fora inventada pelo SNI para abonar a criminalização dos movimentos sociais e ajudar a deter a construção de um projeto político de esquerda, mas não apenas isso. A invenção de um inimigo perigoso justificava a existência, em pleno começo da transição democrática, de um órgão que se tornara símbolo da ditadura.



Aquela não foi a primeira nem a última vez que, visando manter ou ampliar seus poderes, o serviço secreto brasileiro “plantou” em seus relatórios a existência de um inimigo interno radical mancomunado com inimigos externos poderosos. Em 1960, quando o órgão ainda respondia pela sigla SFICI (Serviço Federal de Informações e Contrainformação), o perigo era representado por um retrato de Fidel Castro pregado na fachada da sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro. Quatro anos depois, já no começo da ditadura civil-militar, o alerta vermelho foi acionado quando se descobriu que, em Porto Alegre, existia uma boate com o suspeito nome de Encouraçado Botekim.

Houve mais. Em 1989, véspera da primeira eleição presidencial direta do pós-ditadura, o serviço secreto alertou para a existência de um plano comunista que pretendia relançar a luta armada para impor a ditadura do proletariado, estatizar indústrias e bancos, desapropriar terras e estatizar os meios de comunicação.

Em 1994, pouco antes de Fernando Henrique Cardoso se eleger pela primeira vez, derrotando Luiz Inácio Lula da Silva, a imprensa divulgou um relatório do serviço secreto que afirmava, de forma categórica, que os sem-terra treinavam guerrilha.

Em 1998, já no governo FHC, quando o serviço secreto ensaiava (mais uma vez!) se reinventar com uma nova troca de sigla, a quarta de sua história, o inimigo da hora, segundo outro providencial vazamento na imprensa, eram agentes estrangeiros (norte-coreanos, chineses e norte-americanos) atuando em solo brasileiro.

Tudo invenção, tudo desvario. Ou, em outras palavras, manipulação.
Uma das primeiras medidas do presidente interino, acusado por muitos de ser golpista, foi justamente (re)militarizar o serviço secreto. Voltamos ao padrão 1964.
Se na ditadura-civil militar de 1964 a 1985 o serviço secreto foi a viga-mestre do poder autoritário (de suas fileiras, saíram dois presidentes da República*) e sustentáculo do terrível aparato de repressão, na democracia o órgão nunca encontrou uma posição adequada dentro do Estado. Permaneceu sendo um órgão civil controlado por militares (e obviamente, sob a ótica militar, ou seja, do combate ao inimigo). Seguiu atuando simultaneamente e oficialmente nos campos interno e externo, algo impensável nos países que respeitam o Estado Democrático de Direito. E continuou agindo na clandestinidade para proteger presidentes, ao mesmo tempo em que se envolvia em operações que acabavam por desestabilizar governos (FHC e Lula foram os dois últimos presidentes a provar desse método sopra e bate).

Somente no segundo governo Dilma Rousseff — ou seja, 59 anos após sua fundação —, o serviço secreto ficou livre do jugo militar. Isso se deu com o fim da subordinação da Abin — sigla do órgão desde 1999 — ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), nome pomposo do antigo Gabinete Militar. No ano passado, Dilma extinguiu o GSI e, ato contínuo, vinculou o serviço secreto à Secretaria de Governo da Presidência da República, um órgão civil. Parecia, enfim, que a Abin teria um desenho institucional mais condizente com um país democrático. Mas eis que Michel Temer assumiu o poder….

Presidente interino Michel Temer em reunião com o Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen (E) e o Ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (D), no Palácio do Planalto, no dia 15 de julho de 2016. No encontro, as autoridades discutiram a estrutura de segurança para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.
Presidente interino Michel Temer em reunião com o Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional,
Sergio Etchegoyen (E) e o Ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (D), no Palácio do Planalto, no dia 15 de
julho de 2016. No encontro, as autoridades discutiram a estrutura de segurança para os Jogos Olímpicos no Rio
de Janeiro.
Foto:Evaristo Sa/AFP/Getty Images
Dentre os inúmeros retrocessos institucionais iniciados com a gestão Temer, está a volta da vinculação da Abin ao GSI, recriado das cinzas. Ou seja, uma das primeiras medidas do presidente interino, acusado por muitos de ser golpista, foi justamente (re)militarizar o serviço secreto. Voltamos ao padrão 1964.
Após se dar conta de que seu pai e seu tio estavam na relação dos 377 acusados de violações dos direitos humanos, Etchegoyen classificou o trabalho da comissão de “leviano” e “patético”.
O serviço secreto está novamente sob a batuta de um militar linha dura. O general quatro estrelas Sérgio Etchegoyen, novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, nomeado por Temer, faz parte de um clã de militares radicais e de viés autoritário que há um século ocupa altos postos no Exército. Alcides Etchegoyen, seu avô, tentou impedir a posse do presidente Washington Luís em 1926. Depois, substituiu o nefasto Filinto Müller na chefia da Polícia do Distrito Federal, na ditadura do Estado Novo, em 1942, e fez parte do grupo que buscou a renúncia de Getúlio Vargas, em 1954. Leo Etchegoyen, pai do ministro-chefe do GSI, comandou a Polícia do Rio Grande do Sul logo após o golpe de 1964, período em que recebeu Dan Mitrione, instrutor de tortura do governo norte-americano, para um “curso” na Guarda Civil do estado. O general Cyro Guedes Etchegoyen, tio do ministro Sérgio Etchegoyen, é apontado como responsável pela Casa da Morte, centro de tortura e eliminação de presos políticos que funcionou clandestinamente em Petrópolis (RJ) no período mais agudo da ditadura (lá, dissidentes eram mortos àna pancada, com choques elétricos ou injeção para sacrificar cavalos).

O próprio ministro Sérgio Etchegoyen já teve chance de provar sua veia autoritária. No final do primeiro mandato de Dilma Rousseff, ele foi o primeiro oficial de alta patente (da ativa) a questionar publicamente os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que investigou os crimes cometidos por agentes do Estado na ditadura civil-militar. Após se dar conta de que seu pai e seu tio estavam na relação dos 377 acusados de violações dos direitos humanos, Etchegoyen classificou o trabalho da comissão de “leviano” e “patético”. Na época, Sérgio Etchegoyen não foi punido; logo depois, Dilma, ainda o promoveria a chefe do Estado-Maior do Exército. Hoje, como ministro-chefe do GSI, Etchegoyen é quem diz quem pode e quem não pode passar a barreira montada na entrada do Palácio da Alvorada, onde Dilma vive enquanto espera do julgamento do processo de impeachment. É ele também quem controla a segurança e estabelece os limites do transporte oficial (aéreo e terrestre) de Dilma.

Agora, com a volta da ótica militar e sob a subordinação do general Etchegoyen, o serviço secreto busca se fortalecer. Para isso, investe na manjada disseminação, na sociedade, do medo do inimigo interno associado ao inimigo externo. Em tempos de Estado Islâmico, lobos solitários e atentados desconcertantes na Europa e nos Estados Unidos, não parece difícil “vender” para a sociedade brasileira que o perigo está em toda parte e que o inimigo pode ser qualquer um. O remédio, claro, é vigiar e punir.

Soldados do exército realizam simulação de ataque terrorista na estação de Deodoro, no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 2016. Foto: Mario Tama/Getty Images
Soldados do exército realizam simulação de ataque terrorista na estação de Deodoro, no Rio de Janeiro,
em 16 de julho de 2016.
Foto: Mario Tama/Getty Images
Com 15 anos de atraso, emulando George W. Bush, o governo Temer está entrando no clima de guerra ao terror.

Nas últimas semanas, a Abin tratou de vender seu peixe no mercado da paranoia. Começou promovendo, com ares de gravidade, uma campanha de “prevenção ao terrorismo” em que instava a população a denunciar “pessoas suspeitas” — na concepção do órgão, aquelas que “utilizam roupas, mochilas e bolsas destoantes das circunstâncias e do clima” e que “agem de forma estranha e demonstram intenso nervosismo”. A Abin continuou avançando com o discurso do medo ao divulgar que trabalhava diuturnamente para evitar ataques durante as Olimpíadas. Depois, alertou para a existência de “dezenas de supostas ameaças” diárias e, em seguida, com o aumento do risco de ataques durante a Rio 2016.

Imagem divulgada na página da Abin no Facebook no dia 8 de julho de 2016.
Imagem divulgada na página da Abin no Facebook no dia 8 de julho de 2016.
Imagem: Facebook
O coroamento da campanha de disseminação do medo veio no mês passado, com a Operação Hashtag, que, segundo a Abin e o Ministério da Justiça, desbaratou uma célula terrorista que preparava atentados durante os Jogos Olímpicos. Os 14 brasileiros presos em duas fases haviam feito buscas no Google sobre como comprar um fuzil. Também tinham feito um juramento ao Estado Islâmico que é facilmente encontrado na internet, trocaram mensagens comemorando o atentado em Nice, na França, e demonstraram interesse em aprender artes marciais. O poder do fogo do grupo era reduzido (basta dizer que não tinham um projeto, não tinham uma liderança clara, não tinham entrado em contato com membros do Estado Islâmico, não tinham dinheiro para viajar, que dirá para comprar armas, e agiam de forma absolutamente amadora e ostensiva; eram uns “porra-loucas”, como bem definiu o ministro da Defesa, Raul Jungmann). Bastou, porém, para estrear a nova Lei Antiterrorismo do Brasil.

O show não pode parar. De acordo com a Abin, os 14 componentes da suposta “célula terrorista” desbaratada pela Operação Hashtag não são os únicos aprendizes de lobos solitários soltos por aí. Ainda há uma centena de brasileiros “suspeitos” sendo monitorados.

Suposto terrorista é escoltado por policial federal no aeroporto de Brasilia, em 12 de julho de 2016. Autoridades brasileiras prenderam membros de uma suposta organização terrorista que atacaria durante os Jogos Olímpicos. 
Suposto terrorista é escoltado por policial federal no aeroporto de Brasilia, em 12 de julho de 2016.
Autoridades brasileiras prenderam membros de uma suposta organização terrorista que atacaria durante os
Jogos Olímpicos.
Foto: Evaristo Sa/AFP/Getty Images
Há anos, o serviço secreto luta para aumentar seu orçamento e sua posição na hierarquia dentro do Estado. No passado recente, chegou a reivindicar o direito de fazer escutas telefônicas e conceder porte de armas a seus agentes. Segue querendo mais poderes e recursos, e não abre mão de carregar a pesada herança dos tempos da ditadura. O atual diretor-geral da Abin, Wilson Roberto Trezza, é um veterano dos tempos do SNI. Depois das Olimpíadas, ele deverá ser substituído por Janér Tesch Hosken Alvarenga, outro agente forjado dentro do Serviço Nacional de Informações.

Como o diz o carcomido bordão positivista adotado pelo novo governo, Temer quer agora “ordem e progresso”. O serviço secreto já se prepara para dar sua contribuição.

*Antes de chegarem ao Palácio do Planalto, os generais-presidentes Emílio Garrastazu Médici (1969-74) e João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979-85) foram ministros-chefes do SNI.

Lucas Figueiredo
No The Intercept
Leia Mais ►

Para juiz, fotógrafo é culpado por levar tiro em protesto que o deixou cego de um olho

Fotógrafo Sérgio Andrade da Silva ficou cego do olho esquerdo após
ser atingido por uma bala de borracha.
O fotógrafo que, ao cobrir uma manifestação, coloca-se entre manifestantes e policiais assume o risco de ser alvejado em caso de confronto. Assim, a Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização feito pelo fotógrafo Sérgio Andrade da Silva, que perdeu a visão de um olho após ser atingido por uma bala de borracha disparada por um policial durante manifestação contra o aumento das passagens em São Paulo, em junho de 2013.

Na ação, o fotógrafo pediu que o estado fosse responsabilizado pelo ato do policial e que fosse pago R$ 1,2 milhão, referentes aos danos moral, estético e material. Além disso, pediu uma pensão mensal de R$ 2,3 mil, acrescido de R$ 316 para custeios médicos.

Os pedidos, contudo, foram negados pelo juiz Olavo Zampol Júnior, da 10ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo. Ao justificar sua decisão, o juiz explicou que a responsabilidade do estado é objetiva, existindo diversos precedentes jurisprudenciais em que houve responsabilização estatal pela ação da polícia na contenção de tumultos e manifestações, quando manifestantes teriam sido feridos por balas de borracha.

Porém, no caso específico, o juiz considerou que houve culpa exclusiva do fotógrafo que se posicionou na "linha de tiro" entre manifestantes e policiais, excluindo assim a responsabilidade do estado. 

"No caso, ao se colocar o autor entre os manifestantes e a polícia, permanecendo em linha de tiro, para fotografar, colocou-se em situação de risco, assumindo, com isso, as possíveis consequências do que pudesse acontecer, exsurgindo desse comportamento causa excludente de responsabilidade, onde, por culpa exclusiva do autor, ao se colocar na linha de confronto entre a polícia e os manifestantes, voluntária e conscientemente assumiu o risco de ser alvejado por alguns dos grupos em confronto (policia e manifestantes)", registrou o juiz na sentença.

O juiz considerou ainda não ser possível falar em concorrência de culpas. "A imprensa quando faz coberturas jornalísticas de situações de risco sabe que deve tomar precauções, justamente para evitar ser de alguma forma atingida. Não por outro motivo alguns jornalistas buscam dar visibilidade de sua condição em meio ao confronto ostentando coletes com designação disso, e mais recentemente, coletes a prova de bala e capacetes", concluiu. Assim, "ressalvando que não se está insensível ao drama do autor", o juiz negou o pedido de indenização feito pelo fotógrafo.

Caso semelhante

Esta não é a primeira vez que a Justiça de São Paulo exclui o estado da culpa por fotógrafo atingido em manifestação. Em 2014, a 2ª Câmara Extraordinário de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo negou recurso em que o fotógrafo Alexandro Wagner Oliveira da Silveira pedia indenização por danos morais e materiais. Ele foi atingido por uma bala de borracha, disparada pela PM, no olho esquerdo e perdeu parcialmente a visão.

Segundo o processo, o repórter fotográfico foi ferido em maio de 2003, quando cobria protesto na avenida Paulista, em frente ao Masp. Manifestantes interromperam o tráfego da via, e a tropa de choque da Polícia Militar interveio, utilizando bombas de efeito moral e balas de borracha. Os militantes, por sua vez, atiraram pedras e paus.

Em seu voto, o relator da ação, desembargador Vicente de Abreu Amadei, afirma que o próprio fotógrafo foi o único responsável. “Permanecendo, então, no local do tumulto, dele não se retirando ao tempo em que o conflito tomou proporções agressivas e de risco à integridade física, mantendo-se, então, no meio dele, nada obstante seu único escopo de reportagem fotográfica, o autor colocou-se em quadro no qual se pode afirmar ser dele a culpa exclusiva do lamentável episódio do qual foi vítima.”

Clique aqui para ler a sentença.
1006058-86.2013.8.26.0053

Tadeu Rover
No Conjur
Leia Mais ►

TSE ameaça Temer no pós-impeachment

Michel Temer em junho: depois do impeachment, ele pode virar alvo
Michel Temer busca blindagem judicial tornando-se presidente efetivo, mas não tem garantias de comandar o País até 2018 caso o impeachment seja aprovado no Congresso. A ameaça ao ainda interino vem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), razão para ele namorar o presidente da corte, Gilmar Mendes, desde as primeiras horas após substituir Dilma Rousseff.

O TSE ainda examina uma ação do PSDB contra a chapa Dilma-Temer eleita em 2014. Indóceis com o governo provisório, que rumina a ideia da reeleição e exita no arrocho fiscal, os tucanos querem que a ação vá até o fim. Foi o que disse o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator do impeachment e aliado de Aécio Neves, nesta segunda-feira 16, no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Não se pode descartar o aproveitamento pelo TSE da delação premiada de Marcelo Odebrecht, segundo o qual o empreiteiro deu dinheiro vivo ao PMDB a pedido de Temer.

Nem que o tesoureiro da campanha dilmista, Edinho Silva, do PT, aceite uma missão partidária e faça uma delação sobre as finanças da chapa. Mendes, o presidente do tribunal, nutre indisfarçáveis preferências políticas. Temer iniciou sua interinidade no amanhecer de 12 de maio e, quando o sol se pôs, correu à posse do magistrado no comando da corte, seu primeiro compromisso oficial à frente do Palácio do Planalto. De lá para cá, a dupla já teve ao menos mais dois encontros.

Um foi no escurinho de um sábado no Palácio do Jaburu, a residência oficial do vice-presidente. Foi logo após a divulgação da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, a acusar Temer de ter pedido dinheiro para a campanha de um peemedebista na eleição de 2012. Para todos os efeitos oficiais, a conversa versou sobre o orçamento do TSE.

O segundo foi no início de agosto, um jantar no aconchego de Gilmar Mendes. Também havia outros presentes, como o ministro da Agricultura, senador Blairo Maggi, e a justificativa propalada foi celebrar o fim de antigas negociações entre Brasil e EUA sobre o comércio de carne bovina. Mas, segundo relatos, o cardápio foi a conjuntura política.

Ali, por exemplo, Temer deixou claro que trabalharia para antecipar o julgamento de Dilma. Inclusive pediria o apoio do presidente do Senado, seu ex-desafeto Renan Calheiros, prestes a emplacar o deputado peemedebista Marx Beltrão, seu conterrâneo de Alagoas, no ministério do Turismo, apesar de Beltrão ser réu no STF por falsidade ideológica.

Pode ser só coincidência, mas após tantos flertes, o interino sente-se à vontade para mostrar despreocupação, ao menos em público, sobre o futuro da ação no TSE. Em entrevista publicada nesta segunda-feira 16, disse crer que “o TSE vai separar o julgamento das minhas contas de campanha do das contas da presidente afastada”.

André Barrocal
No CartaCapital
Leia Mais ►

A maior herança de Havelange foi a tomada de poder da Globo no futebol brasileiro

Fruto de Havelange
A maior herança de João Havelange, morto hoje aos 100 anos, foi a tomada de poder da Globo no futebol brasileiro.

Cada vez que você ficar furioso ao ter que esperar até as 22 horas para ver um jogo de futebol na quarta, lembre-se de Havelange.

Havelange, na CBF, forjou uma aliança extremamente lucrativa com a então jovem Globo de Roberto Marinho.

A Globo ganhou bilhões com o monopólio das transmissões de futebol. E Havelange levou sua cota em propinas para garantir que a Globo jamais perdesse seu privilégio, expresso monetariamente em cotas publicitárias multimilionárias, para não falar da audiência trazida pelas partidas.

A parceria, a partir de um certo momento, incluiu não só a CBF como a Fifa. Foi quando Havelange assumiu o comando da Fifa.

É documentado o escândalo dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Havelange foi subornado para que uma emissora brasileira transmitisse a Copa. O jornalista brasileiro Jamil Chade conta, em seu livro sobre a sujeira da Fifa, detalhes da negociata.

Quem transmitiu a Copa para o Brasil foi a Globo, como sabemos.

Na CBF, Havelange tratara de deixar ao ir para a Fifa seu genro, Ricardo Teixeira, para que o esquema com a Globo não fosse interrompido.

A Globo, com Teixeira na CBF, continuou a desfrutar das mamatas das transmissões de futebol.

As coisas se complicaram pessoalmente, num determinado momento, entre Havelange e Teixeira. O motivo não poderia ser mais comum nas rupturas entre sogros e genros: Teixeira se divorciou da filha de Havelange.

Mas a Globo não perdeu nada com a briga entre seus dois aliados no futebol.

O saldo de tudo pode ser resumido assim: a Globo, Havelange e Teixeira ganharam barbaramente com o futebol brasileiro. E o futebol brasileiro ficou em ruínas: campos precários, gramados parecidos com pasto, arquibancadas vazias.

E um terrível êxodo dos melhores jogadores.

É um padrão que se repete onde quer que a Globo se meta: para ela os lucros. Para a outra parte, e não estou falando aqui de parceiros como Havelange, as ruínas. No cinema, com a Globofilmes, é a mesma coisa.

Havelange legou a Globo para o futebol brasileiro.

Cada vez que você dormir no meio de um jogo às dez da noite, lembre-se dele.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Informativo Paralelo #13 — Padrões de Beleza



Leia Mais ►

A carta da Dilma


Apesar de tardia, a carta da presidente afastada Dilma Rousseff é perfeita.

Propõe tudo o que o Brasil precisa: um plebiscito sobre novas eleições e para reformar o sistema político.

Como é boa demais, não mudará o voto dos senadores golpistas.

Nem sensibilizará os empresários entusiasmados com o programa neoliberal de Michel Temer.

Aposentadores serão saqueados.

Aposentadoria aos 70 anos é o crime perfeito. Boa parte morre antes.

A economia será enorme.

Adeus à CLT.

Depois de encontrar um pretexto duvidoso para tomar o poder na mão grande, os beneficiados não cederiam, tendo os votos para permanecer no governo, diante de uma proposta tão razoável, racional e justa.

O poder emana do povo.

Em caso de dúvida, o povo deve decidir.

Os oportunistas, claro, não se deixarão arrastar para o voto popular.

Seria suicídio.

Basta imaginar Michel Temer como candidato.

Faria menos votos do que um Eneas da vida.

Temer só tem chance pelo atalho.

A carta da presidente Dilma terá efeito nulo.

O golpe já foi dado.

Ninguém desiste de um golpe depois de conquistar as condições para implementá-lo.

Os dados estão lançados.

A conta já está chegando.
Leia Mais ►

O Uruguai não está à venda: Serra precisa ser demitido antes que provoque um incidente diplomático insolúvel

FHC e Serra cercam o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
De todas as barbeiragens que o interino cometeu na montagem de sua equipe, a nomeação de José Serra deve lhe provocar as maiores urticárias.

Serra é uma bomba relógio de proporções continentais. A chamada liabilty.

Dias depois de ser citado na delação da Odebrecht, acusado de receber 23 milhões de reais em caixa 2, o chanceler se meteu — ou nos meteu — num incidente diplomático vergonhoso.

Seu homólogo uruguaio, Rodolfo Novoa, conta que ele tentou “comprar o voto” do Uruguai para impedir que a Venezuela assumisse a presidência pro tempore do Mercosul.

Serra, segundo ele, se ofereceu para levá-lo a negociações comerciais com países da África subsaariana e o Irã. Irrecusável.

A história foi publicada no jornal El Pais, que teve acesso ao conteúdo de uma reunião de Novoa com deputados. Novoa ainda reafirmou a posição de seu governo, de que a Venezuela ocupa legitimamente a presidência do Mercosul, e acusou Brasil e Paraguai de fazer “bullying” com aquele país.

O suborno teria sido proposto numa visita de Serra e Fernando Henrique Cardoso a Montevidéu no dia 5 de julho, quando a dupla foi se encontrar com o presidente Tabaré Vásquez.

Apanhado em flagrante, acusado por um colega que, provavelmente, considerava mais um mané, Serra reagiu atacando: convocou o embaixador uruguaio, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, a dar explicações.

Mas ele também terá que se explicar. Na Câmara, o líder do PT, Afonso Florence, protocolou um requerimento para que JS fale “pessoalmente”, no plenário, sobre o imbroglio.

Serra é um elemento desagradável e desagregador que sobrevive apenas graças a uma blindagem calamitosa da mídia e do Judiciário.

O absurdo do posto que ele ocupa pode ser resumido da seguinte maneira: como é que um sujeito que não tem amigos e não conhece seus vizinhos ocupa um cargo na diplomacia dessa magnitude?

Serra dividiu o PSDB com sua estratégia do tudo ou nada. Preparou dossiês, por exemplo, contra seu arqui inimigo Aécio Neves. É o mentor de um artigo clássico contra Aécio publicado no Estadão, chamado “Pó Pará, Governador”.

Um ex-assessor dele conta que, em campanha, Serra se recusava a pagar uma pizza para os motoristas que aguardavam os figurões nos comitês.

Montado na ilegitimidade do golpe e de quem o financia, Serra procura mostrar serviço cantando de galo com os “bolivarianos”. Enquanto late com eles, com a desculpa de realinhamento geopolítico ou uma idiotice do gênero, distribui passaportes diplomáticos para pastores evangélicos.

É inacreditável e, ao mesmo tempo, sintomático que esse bando desmoralizado internacionalmente ache que pode dar uma de gigante imperialista.

Serra e FHC quiseram usar o método que consagraram: a compra de votos. O Uruguai, infelizmente para eles, não está à venda.

Requião resumiu bem a palhaçada em discurso no Senado. “Quero pedir desculpas ao Uruguai pelo comportamento absolutamente indevido do chanceler e da chancelaria brasileira. Está transformando a política externa do Brasil em chacota com uma intervenção absolutamente sem sentido”, disse.

“É uma proeza. José Serra é um gênio: conseguiu brigar com o Uruguai. O Brasil não merece o que estamos vendo hoje na nossa política externa”.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Os últimos dias de um país que queria ser grande. E que será


Domingo, acaba a Olimpíada, que os ingênuos maldisseram por não verem que nosso país pode e deve receber o mundo com seu melhor, como se pobre não pudesse fazer festa.

Até o outro domingo, termina o período de quase 30 anos de legitimidade democrática que o país, aos trancos e barrancos, viveu desde as eleições de 1989. O direito de escolha que os pretensiosos e os reacionários também não aceitaram nunca, porque pobre, além de não poder fazer festa, também não pode decidir quem governa seu país.

Em poucos dias, o país que, na última década, vinha se afirmando diante do mundo, aparecendo com o tamanho enorme que possui, cai de novo da vida medíocre que nos fazem crer ser uma fatalidade para o Brasil.

Vamos mergulhar — sabe-se lá por quanto tempo — na velha pequenez do “este país não tem jeito mesmo”, que a elite sabuja nos ensina a pensar de nós mesmos.

O acanalhamento da vida volta a ser o normal, a política volta a ser apenas um negócio, o povo apenas um molambo.

Baixamos, desde a segunda eleição de Dilma, a bandeira e, baixada a bandeira, perde-se a batalha.

Os países se formaram por causas e as causas são seus interesses.

Quando os interesses de uma coletividade não se erigem em causas, ela perde seu rumo e capacidade de mobilizar-se.

Os defeitos políticos — boa parte deles inevitáveis e efeitos colaterais do exercício do poder — das forças populares no Brasil, porém, não devem ser superestimados.

Em primeiro lugar, porque eles são próprios da política — ou de qualquer atividade humana. Purismos são, quase sempre, imobilizadores, quando não autoritários. Não se perde a pureza quando não se perde a própria natureza, apenas quando se faz da política apenas escada do ego e da pecúnia.

Em segundo lugar, porque a submissão é apenas  se deixar-se, enquanto a rebeldia é a exploração de caminhos, de veredas, de espinhos, por um mapa que tem norte, mas não tem estradas abertas.

Mas, sobretudo, porque um país como o nosso é objeto de cobiças imensas, proporcionais às suas riquezas e seus potenciais. E estas cobiças formam seus suportes internos, imensos como tudo o mais aqui.

A história deste país está escrita na frase que li, ontem, no facebook de meu sempre professor Nilson Lage: “A luta do Brasil pela independência é a luta de seu povo trabalhador. Dele e dos que sonham com ele.”

Só quando pararmos de sonhar seremos, de fato, pequenos.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Atletas militares ou bolsistas?

Como o Brasil formou uma rede de incentivo para conseguir medalhas na Rio 2016


No sábado, o brasileiro Felipe Wu garantiu a prata no tiro esportivo. Ontem, Rafaela Silva foi ouro no judô. Ambos têm histórias de muito treino suor e superação.

atletas militares

Felipe treinava em casa sem equipamentos adequados e em espaços menores do que nas competições. Rafaela treina desde criança na Cidade de Deus e precisou vencer o preconceito para se sagrar campeã mundial e olímpica.

Os medalhistas Felipe e Rafaela são atletas militares e beneficiários do programa Bolsa Pódio do governo federal, ou seja, fazem parte de uma complexa rede formada há anos para o Brasil conseguir medalhas.

Há quem acuse a imprensa de não dar o devido crédito ao esporte militar. Há quem diga que esse fator não interfere na preparação dos atletas. Os argumentos parecem se perder na briga reducionista entre “coxinhas” e “petralhas”, “reaças” e “progressistas”. No meio disso, não entendemos direito como funciona essa complexa rede formada por trás dos nossos atletas olímpicos.

Vamos lá! Felipe e Rafaela são apenas dois dos 145 atletas militares que fazem parte dos 465 esportistas da delegação do Brasil. Entre eles, também está Yane Marques, que conduziu nossa bandeira na cerimônia de abertura.

Eles fazem parte do Programa Atletas de Alto Rendimento do Ministério da Defesa.

Como funciona? Por meio de um edital, o Ministério da Defesa recruta atletas de ponta, oferece estrutura de treinamento e uma bolsa que pode chegar a R$ 3,2 mil por mês.

Para receber esse valor, é preciso se graduar a terceiro sargento. Já graduados, eles passam a defender o Brasil também nos Jogos Militares.

São recursos públicos do Brasil colocados em prol do esporte. A serviço do Brasil!

É também o Brasil usando instalações esportivas militares.

Em parceria com o Ministério do Esporte, é possível investir em equipamentos para os atletas. Felipe Wu, por exemplo, precisa de local adequado, armas e munições para treinar.

Já o triatleta Juraci Moreira treina no centro de treinamento do Exército na Urca, no Rio de Janeiro.

Tem mais um detalhe aí: além de receber o valor previsto no edital, os atletas militares continuam contando com os recursos do Bolsa Atleta e do Bolsa Atleta Pódio, ambos do governo federal, administrados pelo Ministério do Esporte.

Os dois programas são considerados, hoje, a maior iniciativa de transferência de renda para atletas do mundo. Felipe Wu, Rafaela Silva e Yane Marques também são bolsistas!

Na prática, ser atleta militar e ter o Bolsa Atleta são formas de complementar a renda e contar com mais apoio. É preciso lembrar que boa parte deles não conta com patrocínios milionários, como vemos no vôlei, ou confederações ricas, como no futebol.

Eles precisam de renda, equipamento, espaço e sossego para treinar, entende?

Nos Estados Unidos, jovens promessas do esporte não se aliam a universidades para ter onde treinar e recursos? Pois é! No Brasil, temos os clubes, esses incentivos do governo e, só agora, o Ministério do Esporte está montando uma rede nacional de treinamento mais ampla, inclusive contando com universidades federais.

Mas não para por aí. Esses convênios, bolsas e formas de incentivo fazem parte doPlano Brasil Medalhas. Lançado em setembro de 2012 pela presidente Dilma Rousseff, o Plano Brasil Medalhas instituiu o Bolsa Pódio e Bolsa Atleta com o objetivo de nos colocar entre os 10 primeiros países no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos e cinco primeiros nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Pois é, tem mais esse detalhe! Todos os 22 melhores atletas paralímpicos de 2015 são beneficiários do Bolsa Atleta ou Bolsa Pódio.

Desde a criação do programa, 8.991 atletas com deficiência receberam bolsas. Um detalhe: nenhum deles participou desse programa do Ministério da Defesa. Sabe por quê? Porque ainda não há um projeto voltado para paralímpicos.

Isso não nos impede de ter ficado em sétimo lugar no quadro de medalhas nos Jogos de Londres 2012. A propósito, sabe qual foi a posição do Brasil nos esporte olímpico? 22º lugar.

Afinal, quem é o responsável e quem ganha com toda essa rede? Quem ganha com isso? São os militares? O Ministério do Esporte? É o Brasil.

O Brasil ganha não só pelo pódio, mas por toda a rede de benefícios que o esporte traz.

Esporte é saúde. Saúde de verdade, que previne doenças, a que evita que a gente precise de hospitais.

Esporte gera inclusão social, combate preconceito.

Fico pensando… Quantas histórias de Rafaelas Silvas precisamos contar para entendermos isso?

No Bem Blogado
Leia Mais ►

Em delação, Odebrecht cita caixa 2 de R$ 500 mil para Marta em 2010

A senadora Marta Suplicy (PMDB), candidata à Prefeitura de São Paulo
A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) recebeu doação de R$ 500 mil via caixa dois da Odebrecht na campanha de 2010, segundo informação prestada durante processo de delação premiada de executivos da empresa.

Corrigido pela inflação do período, o valor seria hoje de R$ 757 mil.

Na época, Marta concorreu ao cargo pelo PT, partido que deixou em 2015 para se filiar ao PMDB, legenda pela qual disputa este ano a Prefeitura de São Paulo.

A senadora nega a acusação e diz não ter recebido doações da Odebrecht na eleição de 2010. Não constam registros de contribuição da empreiteira à campanha dela na Justiça Eleitoral naquele ano.

A informação foi prestada há cerca de duas semanas aos procuradores da República em Curitiba, que conduzem o processo de delação.

A negociação com os executivos ocorre paralelamente às conversas sobre a leniência com a Odebrecht, espécie de delação para pessoas jurídicas.

A citação a Marta integra um dos volumes preliminares da negociação com os procuradores. Caso o acordo de delação seja fechado, essas informações poderão ou não entrar na versão final.

Segundo depoimento prestado aos procuradores, a negociação sobre os R$ 500 mil foi feita com o empresário Márcio Toledo, hoje marido de Marta e namorado da senadora em 2010.

Toledo atuou nos bastidores da coordenação daquela campanha, inclusive na articulação para buscar potenciais doadores.

É a primeira vez que Marta Suplicy aparece como suposta beneficiária de caixa dois na investigação da Lava Jato.

Em junho do ano passado, o nome da senadora apareceu em laudo da Polícia Federal mostrando que sua campanha para o Senado recebeu R$ 100 mil em doações oficiais de duas empresas do lobista Julio Camargo, outro delator da Lava Jato.

Essas empresas se tornaram alvo de investigação por receber dinheiro da empreiteira Camargo Corrêa sem ter prestado serviço.

Na mesma semana em que o diretor da Odebrecht mencionou Marta, Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo e preso há mais de um ano no Paraná, teve uma conversa de mais de sete horas com os investigadores.

Um dos pontos que têm trazido dificuldades para a delação da empreiteira ser selada é que, como no caso de Marta e em outros, os executivos adotaram a versão de que a maioria pagamentos foi caixa dois, doação não declarada, e não propina.

Para fechar um acordo, os procuradores cobram dados sobre corrupção, incluindo repasse a campanhas eleitorais de recursos desviados dos cofres públicos.

A Folha revelou, no dia 7 de agosto, que executivos da Odebrecht afirmaram aos investigadores da Lava Jato que a campanha do hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), à Presidência, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois.

Corrigido pela inflação do período, o valor atualmente equivale a R$ 34,5 milhões.

Marta Suplicy se elegeu senadora em 2010 por São Paulo com 22% dos votos, atrás de Aloysio Nunes (PSDB), que teve 30%.

Em abril de 2015, após ser ministra de Dilma Rousseff, ela entregou carta de desfiliação acusando o PT de limitar sua atuação. Cinco meses depois, se filiou ao PMDB com o objetivo de concorrer à prefeitura. Em pesquisa Datafolha em julho, ela apareceu em segundo lugar, com 16%.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) afirmou, por meio de sua assessoria, que "não houve nenhuma doação da Odebrecht" à sua campanha nas eleições de 2010.

"Os responsáveis pela arrecadação e prestação de contas foram o tesoureiro da campanha e o Comitê Financeiro Único do PT", afirmou. "Todas as doações da campanha foram contabilizadas oficialmente e declaradas à Justiça Eleitoral", completou.

Apontado pela empreiteira investigada na Lava Jato como intermediário da negociação para o suposto repasse, o marido dela, Márcio Toledo, declarou ser "leviana e mentirosa a afirmação de que negociei com a Odebrecht doação de recursos para a campanha de Marta Suplicy ao Senado em 2010".

Bela Megale
No fAlha
Leia Mais ►