14 de ago de 2016

O segurança do Mineirão que provou que a Globo manda mais que Temer

A Globo manda mais que Temer
Uma advertência de um segurança num estádio olímpico é o retrato perfeito do Brasil.

Numa cena registrada num vídeo, o segurança diz que cartazes contra Temer tudo bem, mas contra a Globo não. Você pode vê-lo abaixo.

Ora, ora, ora.

Isso escancara o óbvio: a Globo pode mais que Temer.

O segurança deve ter ouvido isso de algum chefe. Que também ouviu a ordem de um superior.

Seja como for, é uma aberração.

Qual o sentido em proibir manifestações pacíficas contra a Globo? Liberdade de expressão não inclui acusar a casa dos Marinhos de golpista?

A favor do segurança, pelo menos se pode dizer que ele foi sincero. Ministros togados do STF louvam as chamadas instituições e fingem que a Globo não manda em todas elas. Seria mais honesto e realista se um magistrado do STF bradasse, agarrado a uma Constituição: “Acima disso aqui, só a Globo.”

2016 deixou claro que enquanto existir a Globo tal qual a conhecemos não haverá democracia. 54 milhões de votos podem ser incinerados com relativa facilidade caso a Globo deseje.

A culpa não é do segurança que avisou que estava proibido cartaz contra a Globo.

A culpa é de todos nós, de uma sociedade que permite que a Globo seja o que é e faça o que faz.

Paulo Nogueira
No DCM

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Lá como aqui


Imagen positiva de Macri sigue en retroceso

Varios sondeos publicados recientemente revelan que la opinión pública comienza a variar su postura en determinados temas, afectando severamente la aprobación de su Gobierno.

Un informe publicado por el Centro de Estudios de Opinión Pública (CEOP) evidencia que siete de cada 10 argentinos señalan que la economía está mal o muy mal.

De igual forma siete de cada 10 sostienen que es imposible pagar las tarifas de acuerdo al aumento dispuesto por el Gobierno y la mayoría considera que el ministro de Energía, Juan José Aranguren, debe renunciar. Asimismo, seis de cada 10 ciudadanos están de acuerdo con las protestas contra el tarifazo





El sondeo revela además que la imagen de Mauricio Macri y de su Gobierno perdió entre 15 y 20 puntos desde diciembre y actualmente se ubica en un 46 por ciento de probación.

Por otra parte, una encuesta realizada por Poliarquía Consultores también determinó que las medidas económicas del Gobierno han tenido repercusión negativa en la imagen del jefe de Estado.




En enero un 71 por ciento aprobaba la gestión de Macri, mientras que en agosto el valor se ubica en 63 por ciento. En el primer mes del año un 25 por ciento la desaprobaba y hoy lo hace un 43 por ciento.

La imagen y la aprobación de Macri cayeron en 4 puntos y, por primera vez, quedó por debajo del 50 por ciento, ubicándose en 46 por ciento.



Alejandro Catterberg, director de Poliarquía Consultores, detalló que "pese al deterioro del clima social y el retroceso de la aprobación de Macri, el apoyo al Gobierno se mantiene.

El 59 por ciento de los consultados considera que este Gobierno sabe cómo resolver los problemas y un 55 por ciento cree que el país mejorará en el futuro próximo".

Sin embargo los sondeos de Ibarómetro realizados sobre mil 200 personas muestra que un 53,2 por ciento tiene sentimientos negativos con respecto al futuro del país, mientras un 40 por ciento positivos.

En este contexto cuando se consulta sobre el país, los argentinos destacan como problemas principales la corrupción y la educación; mientras que al referirse a su vida cotidiana los consultados enfatizan su preocupación por la inflación y la inseguridad responsabilizando al actual Gobierno.

No TeleSUR
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Cunha coagiu, extorquiu e chantageou 'de maneira elegante', diz delator


Júlio Camargo depôs como testemunha de acusação contra Cunha.
Defesa de deputado afastado aponta contradições em delações.

O empresário Júlio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou em depoimento dentro de ação penal contra o deputado federal Eduardo Cunha, que está afastado de seu mandato, que foi coagido, extorquido e chantageado pelo parlamentar "de maneira muito elegante".

Ao ser perguntado sobre o motivo de, em seu primeiro depoimento na delação premiada, não ter citado o envolvimento de Cunha com irregularidades e posteriormente ter mudado a versão, Júlio Camargo respondeu que tinha "medo".

"Simplesmente um fator: medo, receio. Toda pessoa que é razoavelmente inteligente ou não é demente tem que ter [medo]. E o meu medo, o meu receio, não era físico, o meu receio era de uma pessoa poderosa, agressiva, impetuante (sic) na sua cobrança, contra minha família e meus negócios e das minhas representadas. A pessoa que se apresenta dessa maneira, que me coage, me extorque, me chantageia de maneira muito elegante. Porém, foi exatamente isso que aconteceu, nesses termos que estou usando: ou você paga ou vou te buscar. De novo, não é ameaça física", disse Camargo após uma pergunta do representante do Ministério Público.

O depoimento foi dado na última segunda-feira (8), em São Paulo. Foi mais um dos depoimentos das testemunhas de acusação, indicadas pela Procuradoria Geral da República, em uma das duas ações penais nas quais Cunha é réu e que estão em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

No processo, Eduardo Cunha é acusado de receber ao menos US$ 5 milhões em dinheiro desviado de contrato de navios-sonda da Petrobras. O primeiro depoimento coletado no processo foi no fim de julho do doleiro Alberto Youssef, também colaborador da Lava Jato, que confirmou ter ouvido que Cunha seria destinatário de propina.

Depois de Youssef, outros delatores também prestaram depoimento no processo, entre eles os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, além do lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano. Os depoimentos foram conduzidos pelo juiz Paulo Marcos de Farias, que atua no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF.

Outro lado

O advogado Ticiano Figueiredo, que defende Eduardo Cunha, afirmou que “estão muito claras as contradições existentes” nas delações das testemunhas de acusação.

Segundo ele, Júlio Camargo admite que recebeu toda a propina referente às sondas e que Eduardo Cunha não teve participação na contratação das sondas. “Pelo que se vê nos depoimentos, Júlio Camargo recebeu, não repassou para Fernando Baiano e para quem mais tinha combinado de passar. Ficou claro que Eduardo Cunha não tem nada a ver com essa negociação”, disse Ticiano Figueiredo.

Conforme o advogado, a reunião em que Eduardo Cunha teria cobrado pessoalmente Júlio Camargo não existiu. “Para o tal encontro que teria ocorrido ninguém consegue apresentar provas, muito menos dar uma versão coincidente. Trata-se de criação mental dos colaboradores e da acusação.”

Ticiano Figueiredo completa que Júlio Camargo deveria voltar para a prisão e destacou que as contradições são uma “desmoralização da Operação Lava Jato”.

“O tratamento que deveria ser dado ao Júlio Camargo e outros delatores, principalmente a Júlio Camargo, é o mesmo dado a Fernando Moura (delator que admitiu mentir na delação e voltou para prisão). Deveria ser revogada a delação e ele ser preso, diante de contradições inequívocas e flagrantes. Essas contradições de Júlio Camargo, dentro de um mesmo depoimento, em se mantendo a colaboração, é uma desmoralização da Operação Lava Jato”, frisou o advogado.

Julio Camargo

Ao prestar depoimento, Júlio Camargo relatou que pediu ajuda de Fernando Baiano para obter para a empresa que representava, a Samsung Heavy Industries, contratos para fornecimento de sondas para a Petrobras. Segundo relatou, teria direito a uma comissão de US$ 53 milhões, e repassaria R$ 35 milhões para Fernando Baiano, que o ajudou a fechar o negócio.

Segundo o empresário, a empresa parou de repassar a comissão e a propina deixou de ser paga. Foi quando Fernando Baiano o avisou que Eduardo Cunha usaria requerimentos no Congresso, pedindo apuração sobre atuação de Júlio Camargo e das empresas que representava, para pressionar pela retomada dos pagamentos. Conforme a denúncia, o requerimento foi apresentado pela então deputada Solange Almeida.

Júlio Camargo confirmou os termos da delação premiada de que chegou a buscar ajuda do então ministro de Minas e Energia Edison Lobão, mas que ouviu de Fernando Baiano que não adiantaria. "Não me lembro se Fernando me procura ou se eu procuro para narrar esse encontro com Lobão. Ele disse 'não adianta nada. Enquanto você não pagar, o Eduardo Cunha vai te perseguir. Até você pagar. Não adianta procurar Lobão, presidente Lula, você precisa pagar o que você deve'", relatou o empresário.

O empresário contou ainda que encontrou diretamente com Eduardo Cunha para explicar que havia deixado de receber as comissões. Mas que Eduardo Cunha contou que precisava receber porque tinha uma "folha de pagamento de 260 deputados que ele tinha que manter".

"Eu não tinha tido o prazer de conhecer Eduardo Cunha. Mas era uma pessoa que todos me reportavam parceira amiga, mas quando tem que cobrar é duro e agressivo. Já esclareci que não sob o ponto de vista físico, mas de persuasão, dada sua força política, não só dele mas de sua base. E que, conforme ele falou, ele tinha uma folha de pagamentos de 260 deputados que ele tinha que manter", disse Camargo.

Depoimentos no Rio de Janeiro

No dia 1º de agosto, prestaram depoimento Fernando Baiano, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. Eduardo Cunha foi até o local acompanhar os depoimentos.

Fernando Baiano relatou que Eduardo Cunha pediu ajuda para obter doações eleitorais e que ele sugeriu que, caso o deputado ajudasse na cobrança junto a Júlio Camargo, ele poderia ajudar.

"Eu conversei com o deputado sobre essa dificuldade que eu tinha de receber do Júlio Camargo e aí comentei com ele. Se tivesse uma forma dele me ajudar a receber esse valor, eu poderia contribuir pra campanha.[...] Ele me autorizou a usar o nome dele e foi assim que eu comecei a cobrança e que o deputado apareceu nessa história", contou Baiano. Inicialmente, Cunha receberia 20% do valor, mas depois isso subiu para metade dinheiro que faltava ser pagos.

Fernando Baiano contou que Eduardo Cunha ficou de pensar numa estratégia e citou os requerimentos, e então foi retomada a pressão a Júlio Camargo.

Os valores da "dívida" que Júlio Camargo tinha variam de acordo com o delator. Segundo o próprio Júlio Camargo, eram R$ 12 milhões, mas ele só pagaria R$ 10 milhões. Fernando Baiano fala em R$ 16 milhões. Já segundo Nestor Cerveró, o valor devido era de R$ 18 milhões. "Para mim e para todos os integrantes que faziam parte do recebimento, ele nunca pagou os R$ 18 milhões para gente", disse Cerveró no depoimento que deu no Rio de Janeiro dentro da ação penal que corre no Supremo.

Já Paulo Roberto Costa, disse que ouviu de Fernando Baiano que Júlio Camargo devia valores, mas negou ter conhecimento do envolvimento direto de Cunha.

"Se não me falha a memória, o Fernando, acho que uma vez mencionou que o Júlio estava devendo alguns valores aí e que seria bom pressioná-lo pra ele fazer esse pagamento e se acontecesse o pagamento o Fernando ia me repassar algum valor desse pagamento. Se não me falha a memória, teve essa conversa. Agora, se ele repassou ou não repassou, eu não me recordo", afirmou.

Testemunhas de defesa

No próximo dia 22 de agosto será realizado o depoimento de mais uma testemunha de acusação, o empresário Leonardo Meirelles, que também relatou repasses a Cunha na delação premiada. Depois disso, será iniciada a fase dos depoimentos de testemunhas de defesa dentro do processo.

O deputado Eduardo Cunha indicou 29 nomes como testemunhas, entre eles o ex-ministro Edison Lobão e diversos deputados federais, como Carlos Sampaio, Hugo Motta, Washington Reis, Mauro Lopes, José Saraiva Felipe, além de Gabriel Chalita, candidato a vice-prefeito de São Paulo.

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, está previsto para ser votado no plenário no próximo dia 12 de setembro o processo que pede a cassação do mandato de Cunha. Ele é alvo de processo por quebra de decoro parlamentar sob a acusação de ter mentido à CPI da Petrobras sobre a existência de contas em seu nome no exterior.

Mariana Oliveira e Camila Bomfim
No G1



Cunha ameaça Temer


Eduardo Cunha não pretende morrer sem atirar. Na semana passada, um emissário do notório deputado conversou com Michel Temer no Palácio do Jaburu.

O recado que Temer ouviu pode ser resumido na espécie de parábola que foi transmitida a ele pelo emissário.

— O Eduardo me disse: 'era uma vez cinco amigos que faziam tudo junto, viajavam, faziam negócios.... então, um virou presidente, três viraram ministros e o último foi abandonado'... E que isso não vai ficar assim.

Temer, de acordo com o relato que Cunha tem feito a pessoas muito próximas, respondeu: "Ele sabe que estou tentando ajudá-lo".

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Rede Nacional de Comunicação Pública declara apoio à continuidade da TV Brasil


A Rede Nacional de Comunicação Pública, que reúne 16 emissoras públicas estaduais de TV, publicou uma nota pública manifestando apoio da entidade à continuidade da TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A decisão de escrever a nota foi tomada durante uma reunião mensal que as emissoras fazem para falar de programação e tratar da troca de conteúdos.

A EBC é uma empresa pública que, além da TV Brasil, é gestora da TV Brasil Internacional, daNBR, de oito emissoras de rádio, da Agência Brasil e da Radioagência.

A  Rede Nacional de Comunicação Pública diz que a “ameaça de suspensão da TV Brasil é gravíssima”. "A hipótese de descontinuidade da TV Brasil prejudicaria diretamente toda estrutura de comunicação pública no país, na medida em que boa parte da programação das emissoras regionais é fornecida dela", diz a nota.

Segue a íntegra da nota pública da  Rede Nacional de Comunicação Pública

Por uma comunicação pública forte, comprometida com o cidadão e a democracia

Reunidas em Brasília, as emissoras públicas estaduais de TV que compõem a Rede Nacional de Comunicação Pública manifestam seu total apoio à continuidade da operação da TV Brasil, fundamental para o cumprimento do princípio de complementariedade de sistemas de televisão definido pela Constituição Federal. A ameaça de suspensão das atividades da TV Brasil é gravíssima. Configuraria um duro ataque à liberdade de imprensa e de expressão e uma violação a um dos direitos humanos fundamentais reconhecidos pelas Nações Unidas.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nave-mãe da TV Brasil, da TV Brasil Internacional, da NBR, de oito emissoras de rádio e uma agência de notícias, foi inaugurada em 2007 com a missão de avançar na concretização dos artigos da Constituição relativos à comunicação — que seguem sem regulamentação, na sua quase totalidade, 28 anos depois de promulgada a Carta Magna.

A hipótese de descontinuidade da TV Brasil prejudicaria diretamente toda estrutura de comunicação pública no país, na medida em que boa parte da programação das emissoras regionais provém dela. Na prática, a rede pública de televisão é o único meio de circulação de informação gratuita qualificada sobre fatos ocorridos para além do eixo Rio-São Paulo, onde se concentram as grandes redes de TV comerciais. É por meio da rede pública, a partir da TV Brasil, que a sociedade brasileira enxerga melhor a diversidade de temas, personagens, realidades e culturas regionais — o que demarca com clareza os diferentes papéis da TV pública e da TV comercial.

Da mesma forma, é importante acentuar a distinção entre uma TV pública como a TV Brasil e um canal estatal — caso da NBR, responsável pela comunicação governamental do Poder Executivo Federal. Essenciais para a defesa de uma democracia saudável, TV Brasil e NBR precisam demarcar com cada vez mais clareza seus diferentes papéis, que serão melhor cumpridos quanto maior for a separação de estruturas. equipes e conteúdos.

A lei que cria a TV Brasil oferece também um importante mecanismo de fomento à radiodifusão pública, por meio da única fonte de financiamento existente para o setor. A Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública precisa ser regulamentada urgentemente, para que se possa escoar os R$ 2,7 bilhões arrecadados desde 2009 entre as TVs e as rádios do campo público.

As emissoras abaixo assinadas reafirmam, portanto, a importância da preservação do caráter público da TV Brasil e do fortalecimento da Rede Nacional de Comunicação Pública, essenciais para a garantia dos direitos à informação, à comunicação e à liberdade de expressão. O que se constitui como instrumento indispensável para a afirmação de uma comunicação voltada aos interesses do cidadão, que contribua para a consolidação da jovem democracia brasileira.

TV Aldeia (Acre)
TV Antares (Piauí)
TV Aperipê (Sergipe)
TV Ceará
TV Cultura do Amazonas
TV Pernambuco
TV UFB (Paraíba)
TV UFSC
TV UFG (Goiás)
TV Universitária do Recife
TV Universitária (Rio Grande do Norte)
TVE Alagoas
TVE Bahia
TVE Tocantins
TVT (São Paulo)
Rede Minas

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Michel Temer é Michael Phelps às avessas

Phelps em família
Esta Olimpíada ficará marcada pelo contraste entre duas figuras de mesmo prenome: Michael Phelps e Michel Temer.

As semelhanças entre eles terminam aí.

Phelps está se despedindo dos Jogos aos 31 anos gloriosamente. No sábado, juntou mais um ouro à sua coleção, totalizando 23. É o maior atleta da história das Olimpíadas.

Foi um monstro no revezamento 4X100 medley. Pulou na água com um rival britânico à frente, entregou para o colega na liderança.

Finda a prova, chorou copiosamente. Na plateia, sua mãe, Deborah, e a mulher, Nicole, também se emocionaram. Nicole levou o bebê do casal, Boomer, de 3 meses, a várias apresentações do marido. O público o ovacionou.

O carinho dos brasileiros, desde o primeiro dia, chamou sua atenção e a de sua família. “Tinha tanta excitação vinda da torcida que era impossível não sentir durante a prova. Eu não sei se já ouvi algo parecido com isso”, falou.

Nicole também ficou impressionada: “Foi incrível. É uma honra vir aqui, poder assistir, estar no Brasil. Foi ótimo, os torcedores realmente têm um carinho muito grande com o Michael. O Brasil é um lindo país”.

Se Phelps está saindo de cena em alto estilo, consagrado e respeitado, seu xará Michel se prepara para assumir o leme da nação a reboque de um impeachment fraudulento. Michael é um gigante, Michel é um anão.

O momento mais importante na vida de MT é fruto de um golpe e os Jogos congelaram a imagem dele como um sujeito abjeto e desprezado.

Apesar de todas os truques para tentar abafar as vaias na festa de abertura, apesar de um discurso de 12 palavras, os apupos no Maracanã foram ensurdecedores.

Não houve maneira de parar o “Fora Temer”. Policiais, membros da Força Nacional, voluntários expulsaram homens e mulheres de arenas e rasgaram os cartazes de protesto.

A orientação era reprimir. Nem assim o Mineirão ficou quieto, nem assim as pessoas deixaram de se manifestar. O ódio ao interino é maior que o medo de porrada.

Michael Phelps sai do Rio como uma lenda do esporte, reconhecido por seu gênio, querido por seu compromisso com o que faz e por uma postura humilde, que conquistou quem o viu.

Michel Temer tenta ver se existe um jeito de fugir da cerimônia de encerramento por causa do vexame óbvio. Consumado o golpe no Senado, vai procurar se arrastar até 2018 com seu ministério de ladrões e incompetentes e seu projeto de levar o país para o passado.

Ganhou a medalha de ouro da vergonha, entregue por um bando de vagabundos.

Kiko Nogueira
No DCM
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Na ponta da língua

Muitos mitos da seleção brasileira de 70 não resistiram ao tempo. Ou foram desmentidos ou foram convenientemente esquecidos. João Saldanha disse ou não disse que cortaria o Pelé da lista porque o Pelé era míope? Largou a seleção porque os militares no poder, a começar pelo presidente Médici, estavam se intrometendo demais no seu trabalho, ou não foi bem assim? Não importa. O que deixou mais saudades — porque nunca tinha acontecido antes e nunca mais se repetiu — foi a simples anunciação pelo Saldanha, como primeiro ato da sua regência, do time que ele tinha na cabeça, do goleiro ao ponta-esquerda. O time que acabou ganhando no México não foi o do Saldanha, foi o do Zagallo, mas isso também não interessa. O fato é que, entre o time da ponta da língua do Saldanha e o que jogou no México, entraram as circunstâncias, essas serpentinas em que a gente vive se enredando.

Hoje, não existe mais a escalação espontânea como a do Saldanha. O futebol mudou no campo (nem ponta-esquerda existe mais) e fora dele. Ninguém consegue acompanhar o que os jogadores brasileiros fazem no exterior para merecer a seleção. Em alguns casos, são jogadores que saíram daqui desconhecidos e só se destacaram lá fora, ou só são conhecidos por quem acompanha, por exemplo, o futebol turco ou árabe. Não são mais da nossa vizinhança. O Brasil de 70, com Médici e tudo, era um pouco mais íntimo. E na falta do time mais ou menos óbvio, na falta do time da ponta da língua, o que se vê é isso: uma seleção em constante experimentação. Como essa da Olimpíada, formada por jogadores que aqui mal se conhece.

O bom mesmo

Faz parte do folclore do futebol brasileiro, e da conversa de boteco, a figura do “Bom mesmo”, como na frase “Vocês ficam aí falando no Pelé, mas bom mesmo era...”. E vem o nome de algum contemporâneo do Pelé, que só não teve a mesma fama por uma dessas injustiças da vida. Geralmente, quem invoca o Bom Mesmo quer mostrar que tem uma percepção mais rarefeita do futebol do que os outros, ou apenas melhor memória. Velhos torcedores do Vasco da Gama garantem que o maior craque que já passou pelo time foi um chamado Ipojucan, que não teve o reconhecimento e a posteridade que merecia. E há quem insista que o grande jogador brasileiro da época em que o mais festejado era o Pelé, o Bom Mesmo, era o mineiro Dirceu Lopes — que seria outro injustiçado pelo tempo. Já que nenhum julgamento definitivo é possível e nenhum palpite sobre quem era e quem não era o Bom Mesmo pode ser provado, esta é uma conversa sem fim. Como todas as boas conversas de boteco.

Seleção X seleção

Outra especulação inútil, mas irresistível, é: qual seria o resultado do encontro entre seleções brasileiras de diferentes épocas? Muita gente opina que os dois melhores times do Brasil de todos os tempos foram justamente os das nossas duas derrotas mais inesquecíveis, a seleção de 50 e a de 82 – esquecendo-se, por misericórdia, os 7 a 1 de 2014. Um jogo da seleção de 58 com a seleção de 70 seria um encontro de Pelés, o Pelé com 17 anos e o Pelé com quase 30. Um Pelé começando e um Pelé experiente. Time por time, sei não. Uma comparação jogador a jogador não seria fácil, fora obviedades como o Nilton Santos comparado com o Everaldo. Já a superioridade do Garrincha sobre o Jairzinho, levando-se em conta o que o Jairzinho jogou no México, não seria tão grande assim, mesmo o Garrincha sendo incomparável. Em outros casos, nem caberia comparação. Vavá e Tostão? Tostão, claro. Rivellino também era um falso ponteiro, como o Zagallo, mas tinha os recursos do drible curto e do chute forte que Zagallo não tinha. Enfim, quem ganharia? Acho que o jogo seria decidido por um dos dois Pelés. Eu apostaria no Pelé maduro.

Luís Fernando Veríssimo
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O pé-de-moleque e a planta tenra da democracia


O escritor O. Henry tinha um conto sobre uma menina que precisa de toda energia interna para superar uma grave doença no inverno rigoroso dos Estados Unidos. Da sua janela, ela passa a acompanhar uma folha, de uma trepadeira do muro em frente seu quarto.

Todo dia ela abria a janela para conferir se a folha resistia. Outras folhas caiam, mas a folha companheira resistia. E resistiu até a menina se curar.

Curada, foi até o muro e descobriu que alguém da família, percebendo a simbiose emocional, simplesmente havia colado a folha no muro.

Vendo a crise econômica surgir, a democracia desmoronar, minha folha de inverno é um pé-de-moleque na padaria perto de casa. Diariamente saio de casa, passo na padaria, compro dois pés-de-moleque e dou minha caminhada diária.

Em 2010 enfrentei uma audiência hostil, em uma palestra em Fortaleza para um fabricante de produtos agrícolas. Coronéis vociferavam contra o Bolsa Família. Calei-os recorrendo ao pé-de-moleque: mensalmente, dois pés-de-moleque por dia útil era mais do que o valor de uma pessoa acolhida pelo Bolsa Família.

Através do pé-de-moleque, acompanhei dia a dia a vida do dono da fábrica, mesmo sem saber quem era. Era uma empresa pequena, sim. Mas o produto era gostoso, a embalagem caprichada. No início, ele tinha dificuldades em definir o padrão. Às vezes acertava em cheio, às vezes não. Com o tempo, conseguiu manter o mesmo padrão. E eu acompanhando seu aprendizado.

Quando a crise começou, o pé-de-moleque sumiu da prateleira perto do caixa. O caixa me indicou outro, de marca conhecida. Não era a mesma coisa.

Fiquei imaginando a saga do empreendedor. Provavelmente uma pequena empresa que decidiu dar um passo maior. Juntou dinheiro, conseguiu um financiamento bancário, no curtíssimo período em que o crédito barateou, adquiriu uma máquina, depois outra, montou um departamento comercial perrengue e partiu para a luta, colocando o pé-de-moleque como quem coloca um filho no mundo.

Lembrei-me de meu pai em Poços de Caldas, com sua Farmácia Central Salva Sempre, ou de meu tio Léo, com o Doces Mesquita, Coma e Repita, que nasceu do talento de minhas tias Rosita e Marta de reeditar o doce-de-leite argentino.

De repente, a crise surgiu como um ogro faminto, avançando sobre os pequenos, arrebentando os sonhos de crescer, os credores avançando como harpias ensandecidas.

Creio que foi essa loucura, fruto do plano de estabilização de Roberto Campos e Bulhões, que me fez mais tarde enveredar pela economia. Queria entender esse monstro que aparecia no horizonte durante as crises de estabilização, que eliminava empresas, empregos, arrebentava com a tranquilidade familiar.

O monstro que se abateu sobre a farmácia era filho direto de Campos. Comprava-se o remédio e se proibia de reajustar os preços, em um quadro inflacionário. Quando o farmacêutico ia repor o capital de giro, a indústria já havia aumentado de novo seus preços. A cada renovação do estoque, realizava-se o prejuízo.  Com giro maior, e adquirindo direto nas fábricas, os grandes varejistas nadavam de braçada. Os grandes tinham acesso a Campos; os boticários do interior, não.

Na época cheguei a compor uma peça com um título tirado de Carlos Drummond de Andrade, o “Congresso Internacional do Medo”, que começava com um arremedo da Cavalgada das Valquírias, e as palavras rituais, “juro, lucro, multa, mora, déficit / ágio, avo, quota, conta, prejuízo / muralhas de Jericó, trombetas de Josué / o imprevisível”.

Agora, indo diariamente na padaria, fico conferindo o pé-de-moleque com a mesma ansiedade da menina tísica apreciando a folha, com a mesma ansiedade do adolescente testemunhando a agonia diária do velho.

Dias depois, voltou o pé-de-moleque original. Imaginei que o dono tivesse se encalacrado com falta de capital de giro, fruto do desastroso plano Levy. Ou então, tivesse voltado com outra razão social, para se livrar do fisco. Era a mesma marca, a mesma razão social. Provavelmente vendeu algum bem para recompor o giro.

De lá para cá, o pé-de-moleque aparece, some por algum tempo, mas volta, persistente como a folha no muro, valente como a menina na cama.

Fico imaginando quanto tempo resistirá. E fico imaginando a democracia brasileira.

Desde a Proclamação, o país conviveu historicamente com golpes. Mas havia explicações históricas, sociológicas. Floriano endureceu para consolidar a República. Vargas veio no bojo da Aliança Nacional, uma mobilização do país. Mesmo 1964 foi fruto de uma corporação militar aliada com setores políticos. Mas, hoje? Hoje há o episódio inédito do país ter sido entregue a um grupo que, se não estivesse com o poder, estaria metido em inquéritos e processos, alguns deles mofando na prisão.

É inédito, é humilhante.

Fico imaginando em qual folha me agarrar, enquanto persistir a escuridão sem fim.

Luís Nassif
No GGN
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E-mails indicam repasse de R$ 100 mil a senador Magno Malta

O presidente da Itatiaia, Victor Penna Costa, e o senador Magno Malta (PR-ES) em evento da empresa
Trocas de e-mail entre dirigentes de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país trazem indícios de repasse não declarado de R$ 100 mil para o senador Magno Malta (PR-ES). Os e-mails, obtidos pela Folha, são de 8 de setembro de 2014.

Outras mensagens entre funcionários e a direção da Cozinhas Itatiaia indicam que Malta viajou no avião particular da empresa em 2012 e 2013.

Malta, da bancada evangélica no Senado, nega ter recebido dinheiro da Itatiaia e afirma que voou no avião da firma para fazer palestras.

Os e-mails são conversas das quais participam o presidente da Itatiaia, Victor Penna Costa, o filho dele, Daniel Costa — que era gerente financeiro à época — e o então assessor da firma Hugo Gabrich.

Em um deles, o presidente da empresa diz que precisa pagar R$ 400 mil para "consultoria" de Gabrich. O assessor responde: "Estou entregando a NF [nota fiscal] que cobre o montante de R$ 500 mil conforme orientação do dr. Victor. Impostos serão incluídos na NF, totalizando R$ 575 mil."

Na nota emitida pela Vix Consulting, de Gabrich, a contratante é a Itatiaia. O acerto mostra que a contratante pagou os R$ 75 mil de impostos para a Vix — o que sugere que a nota foi encomendada.

Na sequência dos e-mails, Costa manda o filho depositar para a Vix Consulting somente R$ 475 mil. "Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$ 100.000 do Malta. Não sei como foi contabilizado [a saída desse valor da empresa]", escreve o presidente da firma.

O filho dele, então, pergunta: "Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação?".

Victor encerra: "Não existe NF, não declaramos. Está em aberto, talvez como adiantamento para mim. Veja com Lailton [tesoureiro da empresa]. Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto".

Procurado, Gabrich afirmou que sua empresa fez nota fria para justificar pagamentos não declarados da Itatiaia.

O destino do restante do valor da nota (R$ 400 mil) não aparece na troca de e-mails.

A pedido da reportagem, as origens das mensagens foram analisadas pelo perito em ciências forenses Reginaldo Tirotti. O especialista atestou a autenticidade delas, identificando a sequência de códigos gerados pelos remetentes das mensagens.

A Itatiaia foi fundada em 1964 e tem duas fábricas, em Ubá (MG) e em Sooretama (ES).

Em outro e-mail, de 8 de julho de 2014, um ano após a Itatiaia inaugurar a unidade capixaba, que recebeu incentivos fiscais, Gabrich descreve a Victor Costa o cenário político no Espírito Santo.

Menciona candidatos "viáveis" ao governo, fala de Malta, que "fechou aliança com o governador Casagrande", da mulher dele, Lauriete, que "não disputará a reeleição para deputada federal", e do "nosso deputado estadual, o Marcelo Santos - PMDB".

"Não tenho dinheiro para todos", responde o presidente da Itatiaia. "Não posso dar mais para deputado estadual que para senador."

Gabrich diz: "O Magno não é candidato agora a nada."

A Folha obteve também uma troca de mensagens entre Gabrich e Malta, que usa seu e-mail pessoal. Gabrich fala dos R$ 100 mil da Itatiaia e o senador responde: "Amigo não tenho conhecimento de nada dessas coisas.. Mas dia 16 estarei de volta a Brasília [sic]".

O ex-assessor da Itatiaia envia, então, cópia de conversas da direção da empresa que citam o político, que rebate: "Somos amigo Hugo.. Sempre fomos. Dia 16 te espero para o almoço no gabinete kkkk a rabada lembra?? [sic]".

Jatinho

Outros e-mails mostram que o senador usou avião particular da Itatiaia ao menos duas vezes: em 20 de julho de 2012, de Vitória a Aracaju (SE), e em 28 de fevereiro de 2013, no trajeto Brasília-São Paulo.

Em 22 de fevereiro daquele ano, uma secretária da Itatiaia agenda um voo para Costa, Gabrich e o senador. Em 28 de fevereiro, Malta vai com Gabrich ao BNDES –a reunião não constou da agenda oficial, informou o banco.

Sobre a viagem a Aracaju, há um e-mail enviado ao presidente da Itatiaia pelo então diretor Beto Rigoni, que relata problemas no trajeto.

"Eram 7 pessoas quando só cabem 4 no avião. O Yunes [piloto] tinha duas opções: dar duas viagens ou colocava todos dentro na aeronave. Como o senador pressionou ele bastante, ele [...] seguiu para Aracaju em 8 pessoas dentro do avião (além da insegurança, fizeram uma 'festa no ar')."

"Nós precisamos começar a cortá-lo. Os acionistas também não querem tanta proximidade", responde Costa.

Outro lado

Em nota, o senador Magno Malta negou ter recebido dinheiro da Cozinhas Itatiaia.

"O senador, que vive grande exposição em virtude do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff, responde com transparência e com a consciência de não ter cometido nenhum crime."

Os voos no jatinho, "que não são nenhuma ilegalidade", foram para palestras sobre "o combate à pedofilia, a redução da maioridade penal e a luta contra a legalização do uso da maconha".

A reunião no BNDES com funcionário da Itatiaia e o ex-diretor do banco Guilherme de Lacerda foi para atrair empregos para seu Estado, afirmou o senador.

Victor Costa, presidente da Itatiaia, disse que Malta não foi beneficiado. "O senador não recebeu esse dinheiro. Esse dinheiro está parado comigo, declarado", afirmou, em nota à Folha.

Sobre os voos, Costa disse que emprestava o avião da empresa para o senador "poder fazer alguns trabalhos para a igreja". "Época em que eu me tornei crente", afirmou.

Reynaldo Turollo Jr
No fAlha
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O 2° escalão do governo Temer


Toda semana um ministro do governo Temer fala alguma atrocidade, em geral questionando direitos humanos ou trabalhistas e com isso gerando uma barafunda de críticas na Internet. Mas, para além da crítica superficial, deveriam chamar mais atenção os nomes que têm sido indicados para o 2° escalão dos ministérios. Basicamente são ex lobistas da iniciativa privada e/ou quadros importantes do governo FHC. Fica evidente que Temer entregou os cargos de ministros para a base de partidos aliados, mas os quadros técnicos e de gestão estão com o mercado ou com seus parceiros mais próximos na burocracia estatal. São esses os responsáveis de fato pela formulação das políticas no governo Temer.

No Ministério da Educação estão Maria Helena Guimarães de Castro (secretária executiva) e Maria Inês Fini (INEP). Ambas foram peças fundamentais na gestão do então ministro Paulo Renato de Souza. Maria Helena foi, inclusive, secretária dos governos Serra e Alckmin. Ainda no MEC está Abílio Neves, que voltou a ocupar a direção da CAPES, onde esteve entre 1995 e 2003.

Para o BNDES foi Maria Silvia Bastos Marques, oriunda do Ministério da Fazenda de FHC e ex secretária de Fazenda de Cesar Maia. Depois de participar do processo de privatizações e defender o uso de “moedas podres”, Maria Silvia foi ser presidente da CSN privatizada.

Na Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda está Mansueto Almeida, um dos principais formuladores da política econômica do PSDB.

Para o IBGE foi Paulo Rabelo de Castro, sócio da SR Rating, empresa especializada no uso de dados estatísticos para a confecção de índices de classificação de risco. Agora, será ele próprio a construir os principais dados estatísticos do país.

Na Petrobras está Pedro Parente, ex ministro das Minas e Energia (o “ministro do apagão”) e da Casa Civil do governo FHC.

Para a presidência do Banco Central foi nomeado Ilan Goldfajn, diretor do mesmo banco no governo FHC.

Várias matérias na grande imprensa indicam que Elena Landau (ex diretora do BNDES e assessora do Ministério da Fazenda de FHC) deverá assumir a presidência da Eletrobras.

Mas poucos ministérios refletem tão bem a opção por colocar lobistas em postos chave quanto o recém-criado Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Para a Secretaria de Telecomunicações, o ministro Kassab nomeou André Borges, ex diretor de assuntos regulatórios da NET e da OI. Para a Secretaria de Radiodifusão foi Vanda Bonna Nogueira, cujo escritório de advocacia já teve como clientes Globo, SBT e Record. Já o próximo presidente da Anatel, Juarez Quadros, foi não apenas ministro das Comunicações de FHC como sócio da Orion Consultores que atua justamente na área de telecomunicações.

No Blog do Gindre
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Ferrar-se

O Ano do Brasil na França (2005, por aí) foi um sucesso. Tanto que, quando veio ao Brasil, num encontro com um barão da nossa imprensa, o coordenador do evento estranhou a ausência de qualquer notícia, aqui, sobre o que acontecia lá, onde nossos artistas e produtos eram bem promovidos, numa iniciativa conjunta dos governos brasileiro e francês. E ouviu do seu interlocutor uma explicação sucinta, contada por ele mesmo:

— Eu quero que o Lula se ferre.

“Se ferre”, claro, não foi exatamente o verbo usado. O verbo substituído exprimia o sentimento de parte da grande imprensa nacional e boa parte do nosso patriciado, para quem um governo do PT bem-sucedido era uma ameaça trifurcada: à ortodoxia liberal deixada pelo Fernando Henrique, ao desejado Estado mínimo, minado por um assistencialismo desenfreado, e à normalidade democrática (ou seu atual arremedo), com um PT eternizado no poder e monopolizando a vida política no país por muitos anos. A reeleição da Dilma e a perspectiva de ela ser substituída no poder pelo Lula em 2018 tornaram mais urgente a necessidade de frear, ou ferrar, o PT.

Durante muito tempo, quando as coisas se acalmarem, se discutirá se o PT foi ferrado ou ferrou-se sozinho, sucumbindo à tentação do dinheiro fácil do propinato, sem o consolo de não ser o único. O PT limpo continua, talvez até tenha futuro, mas o fato é que o desejo do tal barão da imprensa (que já morreu) se realizou.

Tese

Ouvi uma tese que parece doida mas não deixa de ter sentido — ou um sentido doido, como todas as teses conspiratórias. Seguinte: o Donald Trump estaria fazendo todo o possível para perder as eleições. Ninguém mais do que ele teme a sua vitória. Assim, tudo o que ele está fazendo e dizendo como candidato à Presidência dos Estados Unidos (culminando com sua pouco sutil sugestão de que a Associação Nacional do Rifle cuide de Hillary, supostamente com um rifle) não é excentricidade ou demência, é pânico. Como a velha piada do Groucho Marx — me recuso a ser sócio de um clube que aceita gente como eu — Trump não quer ser presidente de um país governado por alguém como ele.

Luís Fernando Veríssimo
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TSE é fonte de incertezas para Temer e seus aliados

Se no impeachment as cartas estão marcadas, muitas delas compradas para pagamento futuro, o Tribunal Superior Eleitoral é uma fonte de incertezas para Michel Temer e seus aliados. Informações dadas por empreiteiros, apenas para possível acordo de delação, mudam, por si sós, a configuração do processo sobre irregularidades na campanha de Dilma/Temer. E, por consequência, influem no risco de cassação dos dois mandatos ou daquele que permaneça.

A esperável entrega ao TSE de documentação da Lava Jato, pedida pela ministra-relatora Maria Thereza de Assis Moura, é inconveniente para Michel Temer e sua expectativa de separação, em processos distintos, de PT e PMDB. Desmembramento que estava visto como quase certo desde que Gilmar Mendes assumiu a presidência do tribunal. Além das razões bem conhecidas para tal previsão, ele as confirmara com a atitude incomum de não transferir, ao se tornar presidente, o processo que conduzia sobre, ou contra, o PT.

Os depoimentos de Sérgio Machado e as recentes pré-delações acentuaram a integração de PT e PMDB na campanha, citando Michel Temer. Com isso, a ministra Maria Thereza requereu a inclusão do PMDB e também do PP no processo, ao lado do PT com que fizeram aliança eleitoral e financeira.

Não se sabe o quanto a Lava Jato poderá comprovar que as doações à campanha saíram de dinheiro da corrupção, nem se as deduções da Lava Jato serão acompanhadas pela maioria do TSE. O que é um motivo a mais de incerteza. Ao qual ainda se acrescenta a próxima substituição da respeitável relatora, por expiração do mandato.

Embora as decisões do TSE, nesse caso, não estejam próximas, o processo merece, no mínimo, compartilhar as atenções dedicadas à Lava Jato e, por ora, ao impeachment no Senado. O que se passa lá não é menos do importante.

O Sub

A morte do soldado Hélio Vieira Andrade, da Força Nacional de Segurança, serviu a Michel Temer para o ato demagógico de decretar um luto nacional ligeiro. Não, porém, para seu governo romper a incúria que está na raiz do crime fatal. Muitos policiais têm morrido ao enfrentar bandos do crime, muita gente comum tem morrido pelos tiros a esmo nos enfrentamentos. Nem por isso o gesto do luto foi lembrado por Temer antes da obsessão de popularizar-se, informado de que um em cada três brasileiros nem sequer sabe de sua existência.

Há algum tempo, o primeiro carro recebido a tiros por entrar enganado em área de bandidos, no Complexo da Maré (também conhecida pelo sugestivo nome oficial de Vila do João, o Figueiredo), era de recém-chegados ao Rio. Não foi o da polícia com o soldado Hélio. Seguiram-se vários. Apenas 48 horas depois do ataque ao desprevenido carro policial, a meio da semana, mais um de uso familiar foi alvejado ao entrar por engano na mesma rua.

Em comum aos três incidentes, a informação errada sobre uma via para sair da autoestrada: orientação dada por mapa e rota de GPS. Um serviço fantástico pela utilidade e pelo avanço tecnológico, mas necessitado de aperfeiçoamentos. Os quais deveriam ser cobrados de imediato já no primeiro incidente, dada a obviedade de que a consulta e a orientação com erro se repetiriam. Como os mapas de GPS vão se estendendo pelo país, a exigência de verificação em todos os sistemas indicadores de rotas cabe ao Denatran, responsável pelas medidas gerais de segurança no trânsito. Cabe, mas em vão.

Essa incúria de aparência miúda, das seringas que acabam em um hospital, da falta de passaportes, da merenda escolar insalubre, coisas dessa ordinarice rasteira, que infernizam e extinguem vidas, fazem a cara de um subdesenvolvimento infinito. A redução da pobreza e o crescimento econômico, quando existiram, não foram capazes de reduzir no Brasil esse subdesenvolvimento funcional e moral, capaz até mesmo de levar à morte por entrar enganado em uma rua.

Ministro da Justiça dado ao bombástico sem fundos, Alexandre de Moraes elevou o soldado morto ao título de herói. Não consta que tivesse o gesto mínimo de pedir, no seu ministério, a providência corretiva do roteiro errado que levou seu herói à morte.

Janio de Freitas
No fAlha
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