13 de ago de 2016

MTST e as Olimpíadas


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Presidenta Dilma contesta jornalista chapa-branca de O Globo


Sobre a nota publicada por Jorge Bastos Moreno, na edição de 6 de agosto de O Globo, “Dilapidaram patrimônio do Palácio”, a Assessoria de Imprensa da presidenta Dilma Rousseff esclarece:

1) Lamentável que o repórter de O Globo tenha deixado de procurar esta Assessoria de Imprensa para tratar da auditoria em curso no Tribunal de Contas da União, aberta a pedido do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), para tratar da “ausência de itens do patrimônio”. A praxe é buscar ouvir o outro lado para os esclarecimentos necessários, ANTES de publicar uma notícia.Segundo o colunista do diário carioca, o governo interino fez levantamento do patrimônio “deixado pelos governos Lula e Dilma, com a ajuda do TCU e do Itamaraty”. E relata: “O Itamaraty descobriu que pelo menos 700 presentes recebidos de governos estrangeiros deixaram de ser registrados, como manda lei, na lista de patrimônio da União”.

2) Ressalte-se que a primeira auditoria patrimonial completa dos bens integrantes da Presidência da República ocorreu em 2012, durante o mandato da Presidenta Dilma Rousseff.

3) A auditoria noticiada pelo O Globo, TC 011.591.2016-1, do Tribunal de Contas da União, ainda não foi concluída, como se comprova a partir de uma verificação no site do TCU. O relatório apresentado é sigiloso.

4) Tal auditoria contempla órgãos integrantes da Presidência da República e não se limita aos palácios do Planalto e da Alvorada. Integram-na as secretarias Especial de Políticas para as Mulheres, de Portos, de Aviação Civil e de Micro e Pequena Empresa.

5) Jorge Bastos Moreno talvez não saiba, mas há diferenciação entre os bens que integram o acervo privado do presidente da República. Nos termos do artigo 2º da Lei 8.394/91, tais bens são de propriedade particular do presidente da República, inclusive para fins de herança, doação ou venda. É situação diferente dos bens que NÃO integram o referido acervo, por força do artigo 3º do Decreto 4.344/2002, em especial os documentos bibliográficos e museológicos recebidos em cerimônias de troca de presentes, nas audiências com chefes de Estado e de Governo por ocasião das “Visitas Oficiais” ou “Viagens de Estado” do presidente da República ao exterior. Aplica-se, da mesma forma, quando das “Visitas Oficiais” ou “Viagens de Estado” de chefes de Estado e de Governo estrangeiros ao Brasil.

6) Tal entendimento vem sendo adotado pela Presidência da República desde 2002, quando da edição do decreto, de agosto daquele ano, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, cabendo à Diretoria de Documentação Histórica da Presidência da República proceder a correta classificação dos bens que integram, respectivamente, os acervos privado e público da União.

7) Todos os 716 presentes recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela Presidenta Dilma Rousseff foram corretamente classificados com a estrita observância a legislação aplicável e ao processo de registro documental pelo setor competente.

8) Sobre o cervo doado pelo governo da Bulgária – uma réplica de um dos tesouros da Trácia, do século 4 AC, a Assessoria de Imprensa da presidenta Dilma Rousseff informa que, ao contrário do que noticiou o colunista, o presente não está perdido e encontra-se no acervo pessoal da presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, como atesta a foto cima, feita nesta sexta-feira, 12 de agosto, com a edição do jornal O Globo. Além disso, a cabeça do cervo não é de porcelana, mas de ferro fundido, banhado a ouro.

No Esquerda Caviar
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É medo de Cunha o que leva Moro a não mexer em Cláudia Cruz?


Sérgio Moro tem medo de Eduardo Cunha.

Esta é a única explicação razoável para a inoperância patética da Lava Jato em relação a Cláudia Cruz, a mulher de Cunha.

A desculpa de que não foi possível notificá-la por não saber seu endereço é uma das coisas mais ridículas da história da Lava Jato e do golpe.

Ou é uma prova da extrema inépcia de Moro ou é uma evidência do caráter da Lava Jato.

Fico com a hipótese dois, com o acréscimo, repito, do medo que Moro parece ter de Cunha.

Examinemos o caráter da Lava Jato. Ficou claro, e já faz tempo, que seu alvo é o PT. O resto são efeitos colaterais, e em geral indesejados. O tratamento é completamente diferente. Rigor extremo para uns, complacência absoluta para outros.

Cunha mesmo: ele só se enrolou mesmo porque os suíços entregaram suas contas secretas no país. Mesmo assim, ele continua aí, e não são pequenas as possibilidades de que escape quase impune dos múltiplos crimes que cometeu.

E então chegamos a Moro e Cunha.

Moro mostrou extrema valentia, aspas, sobre os pedalinhos de Atibaia. E não hesitou em coagir Lula indevidamente para um depoimento, sob cobertura circense da imprensa.

Mas é pateticamente manso com Cláudia Cruz.

É que Cunha manda muito. Seu poder de retaliação, nas sombras, é tão grande quanto era antes à luz do sol.

Sua ligação com Temer é estreita e antiga. Imagine o que ele não conhece sobre o amigo Michel.

E se ele abrir a boca?

Não é uma hipótese plausível, a rigor. Sua força reside exatamente em mantê-la fechada por um preço que lhe seja compensador.

O que Cunha poderia fazer contra Moro caso quisesse?

Ninguém sabe. Moro também não parece saber, como sugere sua chocante maneira de conduzir o caso Cláudia Cunha.

Paulo Nogueira
No DCM
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Assessor de Feliciano afirma ter dado dinheiro por silêncio de jovem


Talma Bauer, chefe de gabinete do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) afirmou nesta sexta-feira (12) ter entregado dinheiro para a estudante de jornalismo Patricia Lélis, 22, silenciar sobre a acusação de tentativa de estupro que faz contra Feliciano, acusação que diz ser "caluniosa".

Em depoimento à polícia, em São Paulo, Bauer disse ter dado R$ 20 mil a Emerson Biazon, assessor ligado a Lélis que a acompanhava em sua visita à capital paulista na primeira semana de agosto, para que entregasse à estudante.

Segundo o chefe de gabinete do deputado, a jovem é que teria pedido o dinheiro. "Ela pediu dinheiro para pagar a faculdade", afirmou.

Lélis, no entanto, afirmou em entrevista coletiva na segunda (8), que teria sido o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo (RJ), quem lhe ofereceu dinheiro para que ela não fizesse as denúncias contra Feliciano. Ela também acusa Bauer de cárcere privado e de coagi-la a gravar os vídeos que foram publicados nas redes sociais em que inocenta o deputado.

Segundo Bauer, ele teria retirado o dinheiro de economias pessoais, "para evitar o mal maior, o escândalo". De acordo com ele, a denúncia de Lélis, que é militante do PSC, contra Feliciano é "caluniosa".

Ele afirmou ainda ter feito a negociação sem o conhecimento do deputado, por estarem "indo bem".

Bauer veio à delegacia acompanhado do advogado e assessor de Feliciano, Rafael Novaes. Bauer continua trabalhando como chefe de gabinete do deputado, mas está afastado em licença médica.

O caso

Em boletim de ocorrência registrado neste domingo (7), Lélis acusou Feliciano de assédio sexual e tentativa de estupro, que ocorreram, segundo ela, no dia 15 de junho no apartamento funcional do parlamentar na capital federal.

Lélis afirmou ainda que Everaldo e Bauer lhe ofereceram dinheiro quando ela procurou ajuda do PSC a respeito das acusações que pretendia fazer contra Feliciano.

Na quarta (10), Bauer e Lélis aparecem discutindo valores. No vídeo, (assista abaixo), ambos aparecem discutindo uma transação de R$ 50 mil que teriam sido entregues por Bauer a um homem identificado como Artur Mangabeira, namorado de uma amiga de Lélis.



Ele, apesar disso, afirma que a transação não aconteceu e que teria sido um "blefe".

Angela Boldrini
No fAlha
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A Operação “Cozinhem o Galo” com Eduardo Cunha


A esta altura, nem a mídia consegue disfarçar as evidências de que está em curso um plano para protelar até o indefinido a cassação do mandato de Eduardo Cunha.

A Folha, candidamente, registra hoje que…

O discurso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que haverá quorum alto na votação do processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no dia 12 de setembro, uma segunda-feira, contraria a praxe na Casa.

Três dias para perceber o que todo mundo sabe, mas tudo bem…

A questão, agora, é o dos vários interesses que se acumpliciam nesta sobrevida: os do grupo de Cunha, que pretendem que o leve à absolvição e os de Temer e o dos tucanos, que preferem cozinhar o galo a fazer uma “pizza”.

No centro disso estão as emendas constitucionais que Temer e os tucanos precisam emplacar para tirar direito dos aposentados, acabar com as vinculações orçamentárias para a Educação e a Saúde.

Sem os votos que Cunha ainda tem, nenhuma chance de alcançar os 308 votos necessários para sua aprovação.

Mas Cunha, é claro, tem bons motivos para não entregar logo estes votos, que são seus trunfos e, portanto, têm hora certa de descarte.

Temer terá, portanto, de forçá-lo a jogar na mesa seu apoio ao arrocho e é por isso, com a bênção do Ministro da Polícia Federal, vai funcionar o Judiciário, provavelmente com novas pressões sobre a mulher de Cunha que, qualquer pessoa percebe, é beneficiária do dinheiro da propina, mas não cúmplice — até por falta de poder para isso — da execução da rapinagem.

Caminha por aí o jogo imundo da “moralização” da política brasileira.

Um jogo de gangsterismo, que arrastou, com grande prazer, a Justiça e a imprensa para a sua lógica e para seus interesses comuns.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O governo interino está dando aos médicos o tratamento que os médicos deram a Dilma


A RBA deu a seguinte notícia:
Na sexta, quando as atenções do país estavam voltadas para o início oficial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial a criação de um grupo de trabalho para discutir e elaborar projetos de convênios médicos privados de baixo custo, porém, de cobertura limitada.

O golpe são os chamados “planos populares” de saúde, que são defendidos pelo ministro interino da Saúde, Ricardo Barros. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), esses ‘planos populares’ distorcem os anseios da população.

Mais que isso, mas não explicitado pela nota do CFM, está a preocupação com a remuneração e as condições de trabalho dos médicos dos possíveis ‘planos populares’

Na nota oficial, o CFM se posicionou de maneira crítica à proposta do ministro Barros, que teve campanha financiada principalmente pelos planos de saúde.

Para a entidade, “a venda de ‘planos populares’ apenas beneficiará os empresários da saúde suplementar e não trará solução para os problemas do Sistema Único de Saúde”. (…)

Íntegra da nota:

“Em relação à portaria do Ministério da Saúde publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (5), que cria Grupo de Trabalho para discutir e elaborar o projeto de plano de saúde com caráter popular, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informa que:

A autorização da venda de “planos populares” apenas beneficiará os empresários da saúde suplementar, setor que movimentou, em 2015 e em 2016, em torno de R$ 180 bilhões, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);

Se implementada, esta proposta não trará solução para os problemas do Sistema Único de Saúde (SUS), possivelmente sem a inclusão de doentes crônicos e idosos, resultando em planos limitados a consultas ambulatoriais e a exames subsidiários de menor complexidade. Portanto, não evitarão a procura pela rede pública ou impacto prejudicial ao financiamento do SUS;

Propostas como a de criação de “planos populares de saúde” apropriam-se e distorcem legítimos desejos e anseios da sociedade;

Na expectativa de um novo governo e de uma nova cultura de proficiência, eficácia e probidade na Nação, a sociedade conta, na verdade, com a adoção de medidas estruturantes para o SUS, como: o fim do subfinanciamento; o aperfeiçoamento dos mecanismos de gestão; a criação de políticas de valorização dos profissionais, como uma carreira de Estado para os médicos; e o combate à corrupção.

Somente a adoção de medidas dessa magnitude será capaz de devolver à rede pública condições de oferecer, de forma universal, o acesso à assistência segundo parâmetros previstos na Constituição de 1988 e com pleno respeito à dignidade humana. 

Brasília, 5 de agosto de 2016″
O interino nomeou para a pasta um sujeito que não passaria num teste para tirar carteira de motorista. Ou melhor, passaria, mas depois de molhar a mão dos funcionário da auto escola.

Antes de declarar que homens vão menos ao médico porque “trabalham mais que as mulheres”, contrariando o IBGE e o bom senso, Ricardo Barros já deu outras demonstrações cristalinas de indigência.

Defendeu a “pílula do câncer”, falou que quer discutir a legalização do aborto com a igreja católica e evangélica, descobriu que “a maioria das pessoas chega ao posto com efeitos psicossomáticos”.

Encontrou-se com uma senhora chamada Marisa Lobo, que se autodenomina “Psicóloga Cristã”. Marisa é uma das maiores advogadas da “cura gay”. No Facebook, ela revelou que lhe deu seu livro sobre a “ideologia de gênero” e ele a tranquilizou, lembrando que “o MEC agora é do DEM ”.

O maior doador individual da campanha de Barros a deputado federal no Paraná foi Elon Gomes de Almeida, sócio do Grupo Aliança Administradora de Benefícios de Saúde.

Gomes teve um mandado de busca e apreensão em sua casa por causa da operação Acrônimo. Em entrevista, Barros já mencionou a necessidade de redimensionar o SUS. Ligue os pontos.

A preocupação da classe de branco com relação ao ministro não deixa de ter uma dose de justiça poética.

Se houve uma categoria que surpreendeu nos últimos dois anos, pelas piores razões, é esta. Desde a gritaria xenófoba com os cubanos até o ódio aos nordestinos — uma senhora sugeriu um holocausto na região —, a maioria dos doutores foi responsável por uma sucessão de descalabros éticos.

O corporativismo deu as caras de um jeito feio, sujo e malvado. Mergulharam na “luta contra a corrupção” com amor e dedicação.

Em panfletos, uma Associação Médica Brasileira acusou o governo Dilma de “financiar a ditadura cubana”. Aécio era a solução porque ele pretendia que não houvesse “mais necessidade de estrangeiros no Brasil.”

Um doutor de Porto Alegre recebeu uma advertência carinhosa do presidente do Conselho Regional do Rio Grande do Sul (Cremers) depois de chamar Dilma de “uma grande filha da puta” nas redes e fazer uma versão assassina do Juramento de Hipócrates.

Ocorreram tentativas tímidas de acalmar os ânimos. Num debate sobre o mercado de trabalho na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Miguel Srougi, professor titular de urologia da USP, ensaiou um mea culpa. “Erramos. Não soubemos fazer o diagnóstico da situação. A população ficou contra a gente”, admitiu, sobre os ataques ao Mais Médicos.

Um grupo criado no Facebook que recebeu o nome “Dignidade Médica”, reuniu um número assombroso de mentecaptos denunciando, por exemplo, a “necessidade de sermos terroristas para nos colocar no nível de conversa que pobre entende”.

Em março, uma ex-secretária do governo Tarso Genro contou que a pediatra de seu filho de um ano se recusou a atender o menino porque a mãe era “petista”.

O proselitismo de baixíssimo nível desse pessoal ajudou a dar a alegação de “apoio popular” ao golpe. Agora eles têm de lidar com um presidente interino e um ministro que não hesitarão em atropelar os interesses deles.

2014 será lembrada como o ano em que Mister Hyde prendeu Doutor Jekyll no armário. Deu nisso. Eles que agora lidem com os monstros que promoveram.

Kiko Nogueira
No DCM
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O “14 Bis” de Nicolelis voou no Brasil

Pela primeira vez no mundo, pesquisa mostra que paraplégicos podem recuperar movimentos e tato


A função da verdade é aparecer. Sempre. Mesmo que às vezes demore. Em ciência, especificamente, costuma levar tempo.

Meados da década de 1990, Estados Unidos. O laboratório do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, na Universidade Duke, em colaboração com o de John Chapin na Filadélfia, criou o paradigma moderno da interface cérebro-máquina.

Através dessa combinação, qualquer pessoa pode usar apenas a sua atividade elétrica cerebral para controlar os movimentos de braços e pernas robóticos e virtuais, ou colaborar mentalmente na execução de tarefas motoras.

Publicado em 1999, o primeiro trabalho de Nicolelis, envolvendo cérebro-máquina, foi em ratos.

12 de junho de 2014, Brasil. Abertura da Copa do Mundo, Arena Corinthians, mais conhecida como Itaquerão, em São Paulo.

O Projeto Andar de Novo, liderado por Nicolelis e que envolveu 150 participantes (entre os quais, pesquisadores e técnicos) de 25 países, realizou uma demonstração científica inédita.

Usando a tecnologia interface cérebro-máquina, o jovem Juliano Pinto, com o corpo paralisado do peito para baixo, deu o chute inaugural da Copa.

Nas pernas, Juliano “vestia” um exoesqueleto. É uma “roupa robótica”.

Na cabeça, por baixo do capacete, múltiplos eletrodos (não invasivos) embutidos numa espécie de touca aplicada no couro cabeludo, imediatamente acima das áreas cerebrais envolvidas no controle motor.

Essa tecnologia permitiu que Juliano controlasse os movimentos do exoesqueleto e, ao mesmo tempo, recebesse dele sinais táteis nos pés e, assim, desse o pontapé inicial.

A Fifa, por motivos até hoje não esclarecidos, fez de tudo para derrubar a apresentação. Após longa batalha, só concedeu 29 segundos. Por razões misteriosas também, apenas 8 segundos foram exibidos na transmissão ao vivo, pela TV.

De pronto, a grande mídia e alguns cientistas brasileiros tacharam o êxito como “fracasso”.

Enquanto o feito era saudado na Europa e EUA, aqui Nicolelis e equipe sofreram toda a sorte de difamação e injúrias.

Uma perseguição implacável. Por inveja, preconceito — ele escolheu o Nordeste para erguer o Instituto Internacional de Neurociência —, sabotagem — o nosso vira-latismo crônico insiste em desprezar o que é feito aqui —, picuinhas acadêmicas e suas posições políticas progressistas.

Mas, desespero dos desafetos e alegria de todos os que torcem por um mundo realmente melhor, 2 anos, 1 mês e 29 dias depois, a verdade apareceu.

11 de agosto de 2016. Nessa quinta-feira, a revista Scientific Reports, da Nature, publicou o primeiro artigo científico sobre Projeto Andar de Novo. São 16 páginas.

Nicolelis - Nature  combinação

O artigo relata os resultados obtidos por oito pacientes paraplégicos crônicos, entre os quais o Juliano Pinto, que treinaram durante um ano (janeiro a dezembro de 2014), usando interfaces cérebro-máquina. Entre elas, a realidade virtual para ajudá-los a imaginar que estavam se movimentando com as suas próprias pernas.

Nicolelis - óculos virtual

No início do estudo, os pacientes (duas mulheres e seis homens):

* Tinham entre 26 e 36 anos de idade.

* Estavam paralisados por lesão medular de três anos a 13 anos.

* Sete foram classificados como portadores de lesão medular completa e um como tendo lesão incompleta.

* Nenhum havia apresentado qualquer sinal de melhora clínica com métodos tradicionais de reabilitação antes da entrada no Projeto Andar de Novo.

* Nenhum também tinha movimentos voluntários abaixo do nível da sua lesão medular no início do treinamento.

Após um ano de treinamento com sistemas controlados pela atividade cerebral, incluindo um exoesqueleto motorizado e realidade virtual, descobertas fantásticas.



Os pacientes readquiriram a habilidade de mover voluntariamente alguns músculos das pernas e sentir o tato e dor.

Também recuperaram grau importante dos movimentos peristálticos do intestino e do controle da bexiga, além de melhora sensível das funções cardiovasculares.

Conclusão: Pela primeira vez no mundo, um estudo mostra a recuperação neurológica parcial em pacientes portadores de paraplegia completa, com base no uso de interfaces cérebro-máquina.

Uma esperança concreta para milhões de pessoas, que, até agora, tinham como única perspectiva a cadeira de rodas.

Nicolelis é pesquisador e professor da Duke University (EUA) e coordenador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) (Brasil).

Eu o entrevistei sobre os resultados da pesquisa e o seu significado para milhões de pessoas com lesão medular.

— Professor, o trabalho publicado nessa quinta-feira é o coroamento de três anos e meio do Projeto Andar de Novo?

Miguel Nicolelis — Mais do que isso. É o coroamento de 18 anos de pesquisa de interface cérebro-máquina, área que eu e John Chapin criamos.

Em 1999, quando publicamos o primeiro trabalho em ratos, nós achávamos que o máximo que se conseguiria era criar métodos para tecnologias assistidas, permitindo que pacientes severamente paralisados pudessem readquirir mobilidade por meios artificiais. Por exemplo, membros protéticos ou exoesqueletos controlados diretamente pela atividade dos seus cérebros.

Lá atrás, a gente nunca imaginou que o treinamento contínuo com interface máquina-cérebro pudesse levar a qualquer tipo de melhora clínica.

É justamente essa descoberta que relatamos neste trabalho publicado agora. É o primeiro de uma série. Outros já estão a caminho. Um inclusive já foi aceito.

— Em resumo, o que demonstrou o estudo até agora?

— Aparentemente a prática crônica de reabilitação pode levar à melhoria da sensibilidade e à reativação do controle voluntário muscular abaixo da lesão em níveis que ninguém jamais registrou na literatura de lesões medulares.

— Eu assisti ao vídeo da pesquisa. É possível ver pacientes fazendo movimentos nas pernas. Eles tinham esses movimentos antes?

— Nenhum deles tinha qualquer movimento das pernas. Sete deles foram classificados por anos — de 3 a 13 — como paraplégicos completos. No momento em que começaram a ter esses movimentos, eles passaram também a ter sensibilidade nos mesmos segmentos do corpo abaixo da lesão.

— Exatamente começou esse trabalho com os pacientes?

— Desde dezembro de 2013. Nos primeiros 12 meses (janeiro a dezembro de 2014), quatro deles foram reclassificados como paraplégicos incompletos e mudaram de categoria.

Mas como a gente continua a acompanhá-los, agora em junho de 2016 todos os sete foram reclassificados como paraplégicos parciais. Todos os pacientes tiveram recuperação significativa.

Cada um mudou num momento diferente. O tempo de recuperação também é diferente de um para outro, assim como as lesões são diferentes.

— São sete ou oito pacientes?

— Eram oito, mas um teve de deixar o projeto no final do ano passado, porque mudou de cidade.

— O grupo é o mesmo desde o início?

— O mesmo.

— Então, quando o senhor começou o projeto não cogitava essa melhora real dos pacientes?

— Ninguém no mundo esperava por isso. Eu nunca falei a respeito antes porque imaginei que isso não seria possível.

— Em que momento percebeu que estava ocorrendo algo além do previsto inicialmente?

— Logo depois da Copa, quando refizemos os exames neurológicos. Á medida que o tempo foi passando, fomos percebendo que eles foram obtendo ganhos. Recuperando a possibilidade de controlar voluntariamente os músculos dos quadris, das pernas… Tem um paciente no vídeo que consegue mover ambas as pernas, envolvendo o quadril, o joelho e até o tornozelo. Ele estava há 13 anos numa cadeira de rodas sem movimentação alguma!



— O tempo de lesão interfere? E a idade?

— Eles são jovens, numa faixa etária que vai de 26 a 36 anos. Mas o mais importante é o tempo de lesão. Variava de 3 a 13 anos quando entraram no projeto.

Eles são os chamados pacientes crônicos. Já tinham feito reabilitação convencional e não melhoraram nada clinicamente.

O mais interessante é que a melhora não se restringe à parte motora e sensorial. Há também um componente visceral muito importante. Esses pacientes recuperaram movimentação peristáltica intestinal. Adquiriram melhor controle da bexiga. Tiveram melhoras cardiovasculares. Enfim, uma recuperação fisiológica global. Algo inédito até agora.

— Para o paciente conseguir esses resultados, qual a duração do tratamento?

— No paciente que parou de treinar, a gente já nota queda de performance. Portanto, é um caso mostrando que o treinamento é essencial.

— Então tem de ter continuidade?

— Os efeitos não desaparecem imediatamente se o paciente parar. Leva alguns meses para começar a haver algum tipo de regressão. Mas até onde as melhoras continuam a gente não sabe. Até o momento a gente não tem um platô.

— Qual é a sua hipótese para essa melhora?

— Essa prática de usar o cérebro para controlar um sistema e receber simultaneamente feedback visual e tátil leva a um processo de plasticidade cortical. E como os nossos pacientes estavam andando com exoesqueleto, que é um equipamento robótico, provavelmente houve plasticidade de medula espinhal também. Ou seja, se sobra algum nervo numa lesão espinhal talvez seja possível usá-lo para restabelecer um contato do córtex com os músculos.

— Professor, como a gente explica para o leigo a questão do exoesqueleto, da interface cérebro-máquina?

— Basicamente o cérebro é como se fosse uma orquestra sinfônica que muda a configuração dos seus instrumentos cada vez que ele produz uma nota musical.

É o único sistema que a gente conhece que é capaz de se autorremodelar para otimizar a sua performance.

Então, a ênfase não é no exoesqueleto, na máquina. É no treinamento mental que faz o paciente tentar readquirir a capacidade de imaginar movimentos nas pernas.

O que interessa é o que o paciente faz mentalmente para isso e os sinais que ele emite.

Assim, por meio de eletroencefalograma, a gente captura esses sinais. É o suficiente para criar uma sensação de realismo de marcha autônoma.

O cérebro precisa de feedback, precisa de sinais do mundo para se autoconfigurar.

Nós inserimos feedback tátil na camiseta especial que o paciente usa — há sensores dela no pé. À medida que caminha, ele vai recebendo feedback tátil do contato do pé no solo, na pele dos braços.

E com isso a gente criou uma ilusão. O cérebro criou uma sensação de membro fantasma. E essa sensação dá a nítida impressão para o paciente de que ele está andando pelos próprios meios, que ele não está dependendo da tecnologia assistida que nós usamos.

Eu acho que isso que foi essencial para disparar o processo de plasticidade cerebral.

Quando os pacientes chegaram aqui, eles não tinham mais no córtex motor a representação dos membros inferiores ou a ideia de se locomover.

Isso tinha sido removido quase que completamente do cérebro. O nosso treinamento reinseriu no cérebro deles esse conceito de ter pernas e caminhar.

— O que significa esse trabalho para as pessoas com lesões medulares?

— Abre uma perspectiva enorme para o mundo da reabilitação de lesões medulares. Existem no mundo pelo menos 25 milhões de pessoas sofrendo com paralisia severa, principalmente medula espinal. Existem também centenas de milhões de pessoas com déficit motor decorrente de derrames e outras doenças neurovegetativas.

— E para a ciência?

— Esse trabalho é um coroamento daquilo que foi tentado no mundo. É mais um componente de esperança para todas essas pessoas, pois mostra que o cérebro tem formas de se autorreorganizar e tentar compensar o que foi perdido.

Nós precisamos entender qual é a linguagem da plasticidade cerebral para basicamente poder tirar vantagem dela e oferecer opções terapêuticas que aumentem a qualidade de vida.

E isso é o que a ciência faz. A ciência só tem sentido se ela é focada no bem da humanidade.

A propósito. Todo esse trabalho clínico foi totalmente desenvolvido no Brasil.

Sem a infraestrutura que foi criada no Instituto de Neurociência de Natal, nós nunca teríamos conseguido fazer esse projeto aqui.

— Professor, especialmente nos últimos dois anos, o senhor sofreu ataque feroz por parte de alguns colegas desafetos e da grande mídia. O que diria para eles agora?

— A melhor resposta é o resultado da pesquisa. Ela demonstrou uma coisa que nunca tinha sido demonstrada antes no mundo. Além de sermos os pioneiros, os resultados foram em tempo recorde. A nossa perspectiva era isso ocorrer em cinco anos. Eles vieram com três anos e meio, já o Projeto Andar de Novo começou em dezembro de 2013.

— E a tua equipe como está, já que ela também enfrentou uma pressão tremenda?

— Nós todos estamos muito felizes. Além da descoberta inédita, ele foi feito completamente aqui no Brasil. A ideia veio da minha carreira da Duke.

Mas este trabalho tem DNA brasileiro. Eu considero este trabalho o mais importante da minha carreira. O nosso “14 Bis” voou aqui.



Conceição Lemes
No Viomundo
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90 dias de “governo” dos Traíras

Uma análise dos ataques e retrocessos

Ato falho: "os crimes CONTRA ELA"
Reprodução: Isto É
A Frente Ampla de Trabalhadores e Trabalhadoras do Serviço Público pela Democracia publicou o relatório 90 Dias de Desgoverno Golpista. O documento apresenta diversas análises com o objetivo de deixar claros os ataques aos direitos sociais e os retrocessos ocorridos nesses três meses de Governo Temer. O relatório também avalia as consequências para o desmonte das políticas públicas, o desmonte da Saúde e Educação, além de mostrar um perfil dos ministros envolvidos em escândalos de corrupção.


Confira o relatório completo neste link ou baixe aqui o PDF do texto completo,
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O preço daquilo que é de graça


Com certa frequência, tem sido observada a retirada de conteúdo e usuários das redes sociais (Facebook e Twitter, em particular). Em princípio, o material removido infringiria as regras de conduta estipuladas pelas empresas. Como empresas particulares, qualquer rede social pode estipular suas regras. O que tem sido notado, no entanto, são critérios pouco claros daquilo que pode ou não ser postado na rede social e, aparentemente, denúncias em massa são suficientes para remover um conteúdo ou derrubar uma página ou usuário.

Fiquemos com o exemplo do Facebook. A rede possui mais de um bilhão de usuários. Façamos uma estimativa conservadora: se 0,001% dos usuários decidirem fazer uma denúncia, serão 1 milhão de ocorrências que o Facebook deverá analisar. Segundo o Facebook, são aproximadamente 15.000 funcionários na empresa. Imagino que somente pequena parte desses funcionários trabalhe na análise de denúncias, o que se mostra evidentemente insuficiente para dar vazão à demanda de análises. Podemos imaginar que empresas terceirizadas são contratadas para fazer esse trabalho. Ainda assim, seriam necessárias milhares de pessoas contratadas dessa forma para analisar todas as denúncias, nos diversos idiomas presentes na rede social. Do ponto de vista de negócio, parece-me improvável que Mark invista tanto assim em mão de obra, já que ele é uma pessoa cujo objetivo é criar tecnologia e nesse caso, ele investirá em engenheiros e profissionais que trabalhem para a empresa inovar constantemente. Analisar denúncias não é algo que pode reverter em valor, em principio. Como resolver essa questão?

Enquanto profissional da computação, eu  sugeriria um critério de automatização para as denúncias. O mais simples, seria definir um número limite de denúncias: chegou à determinado número, o conteúdo é removido. Algo mais elaborado pode ser implementado, utilizando Inteligência Artificial para identificar padrões de denúncias que resultaram em remoção de conteúdo. Após analisar dezenas de milhares de casos que de fato foram removidos após análise, o algoritmo poderia identificar uma regra e aplicar a remoção nas denúncias que seguirem esse padrão. Essa regra poderia levar em conta análise de variáveis como frequência de denúncias, origem das denúncias, histórico de denúncias dos responsável, etc. Esta é uma explicação bem superficial de como poderia ser feito, mas dada a tecnologia disponível no Facebook, algo nesse sentido certamente já deve ter sido implementado.

Não é difícil imaginar que o processo de fato para a remoção de conteúdo do Facebook é automatizado e, na maior parte dos casos, não envolve decisão humana direta.

E por que o Facebook removeria conteúdo considerado “inadequado”?  Porque, além de ser uma rede social, ele é uma ferramenta de marketing. Talvez a maior ferramenta de marketing já criada. Através das informações que disponibilizamos de boa vontade ao Facebook, ele propicia a oportunidade para criação de campanhas publicitárias diretamente ao público definido: localização, idade, gênero, religião, posição política, nível de escolaridade, todos esses elementos podem ser usados para direcionar os anúncios. Se houver conteúdo que incomode ou desestimule a presença do usuário na rede social, isso potencialmente afeta o alcance das campanhas e pode afastar anunciantes. Como resolver? Removendo tudo aquilo que incomoda os usuários, para que seja criado um “espaço seguro”.

Nesse cenário, podemos concluir que o Facebook não é uma ferramenta adequada para debate político, por exemplo, dado que a opinião contrária sempre é “ofensiva” e está sujeita à denúncia. E, sabendo que o método de remoção dos conteúdos é automático, basta uma mobilização daqueles que não concordam com o conteúdo para que seja removido da rede. Isso aconteceu recentemente tanto com páginas “de direita” e “de esquerda”, além de páginas “de centro”, que criticavam ambos os extremos. Os chamados “Padrões de Comunidades” são tão vagos que qualquer conteúdo pode ser considerado como violação dos padrões.

O que nos leva a refletir: as redes sociais talvez não sejam espaços para discussão de fato em alto nível. Elas são, primariamente, fonte de entretenimento, “espaços seguros” nos quais é possível ficar horas e horas sem se sentir ofendido e que querem reter sua “audiência” para que haja mais público alcançado pelas campanhas publicitárias. O compromisso com a liberdade de ideias parece ser uma retórica vazia, apenas para atrair seus usuários.

O slogan “É gratuito. Sempre será.” não é exatamente verdade. Ou sua liberdade de expressar ideias não tem valor?

José Paulo R. de Lima, Paulista de Jundiaí, é empresário da área de TI e professor de colégio técnico da área de informática. Possui graduação em sistemas de informação (EACH-USP) e mestrado em ciências pelo PPgSI (EACH-USP).
Fã de ficção científica, espera que a humanidade alcance os parâmetros sociais apresentados em Star Trek.
Também coleciona quadrinhos e adora viajar com sua esposa.
No Bule Voador
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El Cumpleaños


Mañana cumpliré 90 años. Nací en un territorio llamado Birán, en la región oriental de Cuba. Con ese nombre se le conoce, aunque nunca haya aparecido en un mapa. Dado su buen comportamiento era conocido por amigos cercanos y, desde luego, por una plaza de representantes políticos e inspectores que se veían en torno a cualquier actividad comercial o productiva propias de los países neocolonizados del mundo.

En una ocasión acompañé a mi padre a Pinares de Mayarí. Yo tenía entonces ocho o nueve años. ¡Cómo le gustaba conversar cuando salía de la casa de Birán! Allí era el dueño de las tierras donde se plantaba caña, pastos y otros cultivos de la agricultura. Pero en los Pinares de Mayarí no era dueño, sino arrendatario, como muchos españoles, que fueron dueños de un continente en virtud de los derechos concedidos por una Bula Papal, de cuya existencia no conocía ninguno de los pueblos y seres humanos de este continente. Los conocimientos trasmitidos eran ya en gran parte tesoros de la humanidad.

La altura se eleva hasta los 500 metros aproximadamente, de lomas inclinadas, pedregosas, donde la vegetación es escasa y a veces hostil. Árboles y rocas obstruyen el tránsito; repentinamente, a una altura determinada, se inicia una meseta extensa que calculo se extiende aproximadamente sobre 200 kilómetros cuadrados, con ricos yacimientos de níquel, cromo, manganeso y otros minerales de gran valor económico. De aquella meseta se extraían diariamente decenas de camiones de pinos de gran tamaño y calidad.

Obsérvese que no he mencionado el oro, el platino, el paladio, los diamantes, el cobre, el estaño, y otros que paralelamente se han convertido en símbolos de los valores económicos que la sociedad humana, en su etapa actual de desarrollo, requiere.

Pocos años antes del triunfo de la Revolución mi padre murió. Antes, sufrió bastante.

De sus tres hijos varones, el segundo y el tercero estaban ausentes y distantes. En las actividades revolucionarias uno y otro cumplían su deber. Yo había dicho que sabía quien podía sustituirme si el adversario tenía éxito en sus planes de eliminación. Yo casi me reía con los planes maquiavélicos de los presidentes de Estados Unidos.

El 27 de enero de 1953, tras el golpe alevoso de Batista en 1952, se escribió una página de la historia de nuestra Revolución: los estudiantes universitarios y organizaciones juveniles, junto al pueblo, realizaron la primera Marcha de las Antorchas para conmemorar el centenario del natalicio de José Martí.

Ya había llegado a la convicción de que ninguna organización estaba preparada para la lucha que estábamos organizando. Había desconcierto total desde los partidos políticos que movilizaban masas de ciudadanos, desde la izquierda a la derecha y el centro, asqueados por la politiquería que reinaba en el país.

A los 6 años una maestra llena de ambiciones, que daba clases en la escuelita pública de Birán, convenció a la familia de que yo debía viajar a Santiago de Cuba para acompañar a mi hermana mayor que ingresaría en una escuela de monjas con buen prestigio. Incluirme a mí fue una habilidad de la propia maestra de la escuelita de Birán. Ella, espléndidamente tratada en la casa de Birán, donde se alimentaba en la misma mesa que la familia, la había convencido de la necesidad de mi presencia. En definitiva tenía mejor salud que mi hermano Ramón — quien falleció en meses recientes —, y durante mucho tiempo fue compañero de escuela. No quiero ser extenso, solo que fueron muy duros los años de aquella etapa de hambre para la mayoría de la población.

Me enviaron, después de tres años, al Colegio La Salle de Santiago de Cuba, donde me matricularon en primer grado. Pasaron casi tres años sin que me llevaran jamás a un cine.

Así comenzó mi vida. A lo mejor escribo, si tengo tiempo, sobre eso. Excúsenme que no lo haya hecho hasta ahora, solo que tengo ideas de lo que se puede y debe enseñar a un niño. Considero que la falta de educación es el mayor daño que se le puede hacer.

La especie humana se enfrenta hoy al mayor riesgo de su historia. Los especialistas en estos temas son los que más pueden hacer por los habitantes de este planeta, cuyo número se elevó, de mil millones a fines de 1800, a siete mil millones a principio de 2016. ¿Cuántos tendrá nuestro planeta dentro de unos años más?

Los científicos más brillantes, que ya suman varios miles, son los que pueden responder esta pregunta y otras muchas de gran trascendencia.

Deseo expresar mi más profunda gratitud por las muestras de respeto, los saludos y los obsequios que he recibido en estos días, que me dan fuerzas para reciprocar a través de ideas que trasmitiré a los militantes de nuestro Partido y a los organismos pertinentes.

Los medios técnicos modernos han permitido escrutar el universo. Grandes potencias como China y Rusia no pueden ser sometidas a las amenazas de imponerles el empleo de las armas nucleares. Son pueblos de gran valor e inteligencia. Considero que le faltó altura al discurso del Presidente de Estados Unidos cuando visitó Japón, y le faltaron palabras para excusarse por la matanza de cientos de miles de personas en Hiroshima, a pesar de que conocía los efectos de la bomba. Fue igualmente criminal el ataque a Nagasaki, ciudad que los dueños de la vida escogieron al azar. Es por eso que hay que martillar sobre la necesidad de preservar la paz, y que ninguna potencia se tome el derecho de matar a millones de seres humanos.



Fidel Castro Ruz
Agosto 12 de 2016
10 y 34 p.m.
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Transar: o pecado de Ingrid

As disputas do esporte feminino estão sempre em 2º plano. O importante é o flagra, o biquíni, a seleção de musas.
Uma matéria da Superinteressante indica que cada atleta deve transar seis vezes por dia durante a Olimpíada. São quase todos jovens, atléticos e bonitos no ápice da vida hormonal e esportiva em um lugar reservado só para eles, a Vila Olímpica. O que poderia ser mais natural?

Historicamente, basta um sinal para que atletas tenham privacidade em seus quartos durante competições. Uma toalha branca pendurada na porta fechada indica: aqui dentro tem gente transando, favor não entrar. Um acordo tácito, todos obedecem. Isso desde os tempos de Garrincha  —  haja toalha!

É verdade que muitos dos técnicos, metidos a durões, se recusavam a aceitar o sexo de seus comandados como natural. Acreditava-se que isso poderia atrapalhar o rendimento, mas hoje há vários estudos que provam o contrário.

Décadas depois e alheios a comprovações científicas, surge o primeiro escândalo sexual forjado da Rio 2016. É necessária uma regressão para entender o porquê a “escapulida” —  como foi chamado o caso da saltadora Ingrid Oliveira  — provocou tanta fúria em seus compatriotas.

A foto de Ingrid que a alçou à fama instantânea
Meses antes dos Jogos, a saltadora brasileira era absolutamente ignorada. Não se falava dela até que uma foto postada no Instagram despertou a curiosidade dos leitores. O interesse, claro, não era esportivo.

A imagem mostra a bela jovem de 20 anos do alto do trampolim de salto ornamental. De maiô, sua roupa de treino, ela aponta para os anéis olímpicos no horizonte. Uma foto com um quê poético, mostrando a Olimpíada no porvir. Mas é lógico que ninguém se interessou pela poesia. Mesmo sentada, a atleta chamava atenção por suas curvas.

Ingrid é alçada àfama instantânea. O salto sincronizado, em nenhum momento, foi o alvo das atenções. As disputas do esporte feminino, afinal, estão sempre em segundo plano. O importante é o flagra, o biquíni, a seleção de musas  —  como atestado por um estudo de Cambridge. Só se falava dela, do corpo dela, do coração dela.

Iniciada a competição, Ingrid volta aos holofotes como sexy symbol perambulando de uniforme entre as piscinas. Oooohh, um maiô. Na cabeça doentia de seus pseudofãs, Ingrid é obrigada a ter um desempenho esportivo à altura do desejo que despertara.

Às vésperas do grande salto, a nadadora resolve levar um outro atleta para o quarto  —  como dezenas, centenas de desportistas. Chega para a colega de saltos ornamentais, com quem andava meio desentendida, e pede:

— Amiga, você pode dormir em outro quarto?

Ela bate boca, é dedurada para o Comitê Olímpico e a eliminação  —  para lá de óbvia  —  passa a ser inaceitável. Pronto, forjado o escândalo. Como pode? Que falta de profissionalismo, que devassidão, que falta de companheirismo.

Ingrid deu e não pode ser perdoada por isso. Aqueles que a desejaram agora passam a humilhá-la publicamente do alto de seus desejos reprimidos inalcançáveis. O machismo fala mais alto. E se revela, sobretudo, em um silêncio estratégico.

Ingrid não foi para o quarto sozinha. E o tal muso que a acompanhou? Sua participação na Olimpíada, como a dela, também não havia acabado. Classificado, ele tem dois troféus: a vitória e Ingrid. Eliminada, ela tem a dupla derrota: o vexame esportivo e o sexual. Como se transar fosse um vexame.

Pode ser que os dois não tenham escolhido a melhor hora ou o melhor lugar para dormir juntos. Mas isto é apenas uma suposição que cabe ao casal julgar. Ingrid, porém, não está sendo escorraçada porque não avançou para as finais.

O pecado dela é usar o corpo para o próprio prazer. O pecado dela é que seu corpo seja fonte do prazer masculino, mas não daqueles milhares que a desejam. Todos deveriam fazer como Ingrid.

A vida é para ser gozada quando bem entendermos. E o momento cabe a nós, somente a nós. Uma coisa, no entanto, deve ser lembrada. Para sempre: tenha amigos que liberem o quarto.

Gabriel Barreira, repórter, carioca e botafoguense — três instituições à beira do colapso.
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Delegado da PF manipula decisão do Supremo

Segundo advogados, "Anselmo extrapolou sua competência de delegado da PF"



No portal Lula.com.br:

Delegado manipula decisão do STF para manter intimação a família de Lula

O delegado Márcio Anselmo, operador da Lava Jato, manipulou uma decisão do STF para criticar — também de forma indevida — a defesa do ex-presidente Lula e de seus familiares.

Em despacho divulgado nesta sexta (12/08), Anselmo extrapolou sua competência de delegado da Polícia Federal para incluir o seguinte comentário sobre a defesa dos familiares de Lula:

"Lamentável a posição por parte dos referidos que, além de serem críticos da condução coercitiva, cuja validade foi reconhecida no julgamento do HC 107644, relatoria do Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/9/2011, apesar de sempre terem alegado estarem (sic) à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos, quando intimados buscam evitar o comparecimento..."

Só que não. O Habeas Corpus 107644 trata especificamente de um caso de assassinato, que chegou ao STF em 2011, no qual o réu já condenado queixava-se de ter sido conduzido coercitivamente em uma situação de flagrante, e teve o pedido negado pelo ministro Lewandowski. Nada a ver com os abusos cometidos no âmbito da Lava Jato.

(...) Também é falsa — e totalmente descabida neste caso — a afirmação de que Lula e sua família "buscam evitar o comparecimento" a depoimentos. Lula e seus filhos compareceram a todos os depoimentos para os quais foram convocados dentro da lei. Ilegal e arbitrária foi a condução coercitiva imposta a Lula pela Lava Jato em 4 de março.

O delegado Márcio Anselmo já teve sua parcialidade em relação a Lula e ao PT revelada em reportagem do Estado de S. Paulo. Seu comportamento fere o Artigo 107 do Código de Processo Penal. Ao invés de constranger a família de Lula e atacar sua defesa com falsos argumentos, Anselmo deveria declarar-se impedido de atuar na investigação.

A intimação pelo delegado da PF à esposa de Lula e a seu filho só pode ser entendida como retaliação dos operadores à denúncia que Lula fez dos abusos da Lava Jato junto ao Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Da mesma forma, só pode ser entendida como retaliação a inclusão de outro filho de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva, nas investigações da Lava Jato, por fatos que já foram esclarecidos no âmbito da Operação Zelotes — e que nada têm a ver com a propriedade do sítio de Atibaia.

As novas arbitrariedades da Força Tarefa apenas reforçam o prejulgamento de delegados, procuradores e do juiz Sergio Moro em relação a Lula. Sem provas, sem evidências, sem fatos, estes operadores promovem uma caçada judicial, por meio de propaganda opressiva, com o objetivo de promover um julgamento pela mídia.

Lula não teme investigações, porque sempre agiu dentro da lei. Mas tem direito, como todos os cidadãos brasileiros, a um processo imparcial, que respeite suas garantias e o estado democrático de direito.
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Delação premiada é ato de covardia, afirma ministro do STF Marco Aurélio

“O Brasil é um país carente de grandes valores”, afirmou o
ministro Marco Aurélio ao ser questionado sobre a
supervalorização de magistrados.
A delação premiada “não deixa de ser um ato de covardia”, afirmou nesta sexta-feira (12/8) o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio. Além disso, a confissão deve ser voluntária, e não pode ser forçada, apontou o magistrado em palestra no 7º Congresso Brasileiro de Sociedades de Advogados, promovido pelo Sindicato das Sociedades de Advogados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro (Sinsa) na capital paulista.

“Acima de tudo, a delação tem que ser um ato espontâneo. Não cabe prender uma pessoa para fragilizá-la para obter a delação. A colaboração, na busca da verdade real, deve ser espontânea, uma colaboração daquele que cometeu um crime e se arrependeu dele”, avaliou.

Essa crítica de Marco Aurélio ecoa a de diversos advogados de investigados na operação “lava jato”. Segundo eles, só é liberado da prisão quem decide colaborar com as apurações. O instrumento, regulamentado no Brasil pela Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013), tem sido o fio condutor do caso, no qual já foram firmados mais de 60 compromissos desse tipo.

Esse método, porém, só funciona graças às prisões preventivas sem prazo decretadas pelo juiz federal Sergio Moro. Sem referir-se à “lava jato”, o integrante do Supremo atacou a transformação dessa detenção cautelar, que era para ser uma exceção, em regra. “Agora, eu não posso ser culpado se a carapuça servir”, ressaltou o ministro.

De acordo com ele, a distorção dessa medida fez com que 40% dos encarcerados no Brasil sejam presos provisórios. Para mudar essa situação, os magistrados devem voltar os olhos à Constituição e às leis, e não à voz das ruas, opinou Marco Aurélio. “Aí, cabe ao Judiciário atuar de forma contramajoritária. Na quadra de delinquência maior, o que querem os leigos? Querem vísceras, querem sangue. Mas não se avança por aí.”

O problema é que os juízes, assumindo uma “postura politicamente correta”, não vêm atuando dessa maneira, avaliou. Isso, a seu ver, explica o baixo sucesso dos Habeas Corpus impetrados nas instâncias superiores contra as detenções cautelares da “lava jato”. “E aí se parte para se atender a um anseio da sociedade que não é legítimo. Nós não podemos viver um período de caça às bruxas, de inquisição”, analisou.

Guinada ao punitivismo

Outro reflexo desse anseio dos magistrados em agradar à opinião pública, conforme Marco Aurélio, está na recente decisão do STF de permitir a execução da pena após condenação em segunda instância. Para ele, esse acórdão contraria o princípio constitucional da presunção de inocência, que assegura que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da decisão condenatória, e dá margem a injustiças. “Quem devolve ao cidadão inocente a liberdade perdida?”

A esperança do ministro é que o Supremo reveja esse entendimento ao julgar as ações declaratórias de constitucionalidade movidas pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Partido Ecológico Nacional, que pedem o retorno à interpretação anterior da corte sobre o assunto.

Nesse período de crise política, econômica e institucional, Marco Aurélio disse ser preciso “implementar a resistência democrática e republicana”. Esse movimento passa pela valorização do advogado criminal, cuja atual desconsideração afeta o bom funcionamento da Justiça, na visão do magistrado.

Questionado pela ConJur sobre o que significa a supervalorização de magistrados como o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa e Sergio Moro, Marco Aurélio lamentou: “O Brasil é um país carente de grandes valores”.

Sérgio Rodas
No Conjur
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Teoria dos Jogos e Delação Premiada


As Delações Premiadas são uma síndrome social que fomentam a cultura do medo. Entenda através do Dilema do Prisioneiro, uma das teses da Teoria dos Jogos, como tudo isso funciona. Engenharia social e manipulação, você vê por aqui.

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