12 de ago de 2016

O bando do Jaburu

Mergulhado em escândalos, prepara-se para ocupar o Planalto e dar continuidade aos seus planos de desmonte do Brasil

Daqui o bando zarpa para assumir o leme em definitivo
Ressalvadas eventuais mudanças de última hora, somente a vontade de “não perder” sustenta a luta para voltar ao governo, travada pela presidenta Dilma Rousseff contra o golpe, vestido de impeachment, parido na Câmara e amamentado no Senado.

A grande maioria dos senadores votou pelo impedimento da presidenta, invocando a necessidade de manter a estabilidade no País. Ao contrário. O que se pode esperar neste caso, onde se misturam hipocrisia e falsidade, diz respeito à eventual reação das ruas.

Eis um alerta insuperável de Raymundo Faoro: “A mais grave de todas as formas de falseamento da soberania popular é aquela que usurpa a legitimidade, confundindo-a com o poder”.

Na penúltima fase do processo de impeachment, a honesta Dilma foi julgada e, possivelmente, na última etapa, será condenada, pelos políticos suspeitos de corrupção, conforme apontam as investigações da Operação Lava Jato. Uma grande parte deles integra a cúpula do PMDB.

Ulysses Guimarães, mito dessa legenda partidária, os reprimiria com rigor muito forte. E poderia mesmo jogá-los na lixeira.

A propósito. Serão eles, expressões da corrupção na política, responsáveis pelas homenagens na passagem do centenário de nascimento de Ulysses, a 6 de outubro próximo? Se assim for, Ulysses não comparecerá aos eventos.

Voltando aos fatos de agora. O núcleo duro de um suposto poder definitivo, em operação já na interinidade, seria este: Michel Temer, presidente da República; Renan Calheiros, presidente do Congresso; senador Romero Jucá, líder do partido; Moreira Franco, da Secretaria-Executiva do governo; Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil; deputado Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo.

Atuaria por fora, como já atua, o deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, de grande influência no Jaburu. Ele renunciou à função e, recentemente, foi substituído pelo deputado Rodrigo Maia, do DEM, agregado de última hora ao bando peemedebista.

Maia é o responsável pela prorrogação do julgamento final de Cunha, na Câmara. O jovem títere atendeu aos pedidos superiores. Mas, sob pressão, poderá “recuar”, para usar uma expressão muito comum a Michel Temer.

Mesmo envolvidos em escândalos, todo o bando do Jaburu voará, em breve, para o Palácio do Planalto, onde há mais poder, e mais espaço, para dar continuidade aos planos do bando. Planos traduzíveis mais ou menos assim: mais dinheiro aos ricos e menos dinheiro aos pobres e entregar o País.

Este o remédio que Henrique Meirelles e José Serra pretendem ministrar ao País, longe de atender às suas necessidades, assim como não o é a tendência autoritária do presidente interino ao sustentar, em ilegítima defesa, as restrições impostas aos cartazes e às vaias audíveis nas áreas onde atletas disputam medalhas olímpicas.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Sérgio Moro e a obsessão pelos Estados Unidos


Sérgio Moro não sabe onde mora a esposa de Eduardo Cunha, mas sabe TUDO sobre a legislação dos Estados Unidos. Ou melhor, quase tudo: talvez ele não saiba que lá a gravação e divulgação de conversas privadas é um crime cuja pena pode chegar a CINCO ANOS de prisão. Com a sua seletividade tão escancarada, possivelmente ele também não saiba qual a pena nos Estados Unidos para o crime de espionagem contra o presidente da República ou contra ex-presidentes...

Confira quantas vezes o juiz de Curitiba se referiu aos EUA em sua participação em audiência pública na Câmara, há poucos dias (04/08/2016). Até "filme americano" foi mencionado pelo magistrado paranaense que teve que pedir desculpas ao STF por ter divulgado ilegalmente conversas da presidenta Dilma Rousseff.


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Cunha e a fábula do burro falante


Diz a velha história que o homem chegou ao reino dizendo ser tão bom professor que até a um burro ensinava a falar. O rei mandou indagar-lhe se era verdade e se o faria por ordem real.

O homem confirmou e impôs condições: estábulo para o burro do Palácio Real, aposentos suntuosos e concubinas para si e uma bolsa-burro de mil patacas de ouro a cada mês. E prazo, porque o burro, como sabia Sua Alteza, era burro e, sendo assim, era preciso um tempo longo, dez anos, para que o bichinho passasse a fluir no idioma reinol.

O rei concordou com tudo, mas disse que, se ao final dos dez anos, o quadrúpede não falasse, o pescoço de seu professor seria cortado nas escadarias do Palácio Real.

Trato feito, o “professor” da fábula — ao contrário dos da vida real — passou a desfrutar do bom e do melhor, embora não descuidasse de, todos os dias, falar pausada e silabadamente algumas palavras ao burro.

Até que um diz um rapazote, cavalariço que sempre assistia a cena, resolveu interpelar o “professor”, dizendo que todos sabiam que o burro não falaria.

— Meu jovem, disse o charlatão, não existe o possível e nem o impossível. Só o que existe é o tempo, que mostra se as coisas se realizam ou não. Neste caso, o prazo me auxilia.

— Mas daqui a dez anos o senhor será degolado nas escadarias do palácio!

— Rapaz, daqui a dez anos são imensas as possibilidade de que o rei, eu ou o burro, um dos três esteja morto e nada do que se disse terá valor.

A cassação de Cunha — agora a Folha o descobre — ficará para “novembro”.

Ou, na prática, para as calendas, como há dois dias se observou aqui ao ver Rodrigo Maia acertar-se com Temer para “marcar” para uma esvaziada segunda-feira de setembro a votação na qual supostamente Cunha seria cassado.

Setembro não tem quorum, menos ainda em outubro, mês das eleições, em novembro a pauta estará cheia e dezembro é Natal e o espírito natalino proíbe estes espetáculos.

Caminhamos para ficar sem a Presidenta honesta e eleita e com o ladravaz que providenciou a sua deposição.

Por medo, muito medo, que o burro nada burro desta história, afinal, pudesse falar.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Impeachment de Dilma é uma hipocrisia, diz comentarista da Aljazeera


Mehdi Hasan é um jornalista, escritor, premiado comentarista de política e o apresentador de Head to Head da Aljazeera.




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Temer deveria avaliar permanência de Barros na saúde

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, aumentou a sua coleção de gafes ao dizer que os homens cuidam menos da saúde porque trabalham mais do que as mulheres.

Dada isoladamente, essa declaração já seria desastrosa. Mas o conjunto de gafes do ministro da Saúde deixa evidente que Ricardo Barros tem uma visão extremamente conservadora e anacrônica do mundo e da saúde pública para chefiar uma pasta que lida com um assunto tão fundamental, que afeta diretamente a vida das pessoas, sobretudo das mais pobres.

Não é verdade que os homens trabalhem mais do que as mulheres, que têm, na média, carga de trabalho semanal superior em 4 horas, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Barros tem uma visão antiga, que coloca as mulheres numa situação de inferioridade.

O ministro da Saúde já quis trazer religiosos para debater a questão do aborto, que tem uma legislação bem restritiva no Brasil e que é um problema de saúde pública para mulheres pobres. Não viu problema em usar um tipo de pílula do câncer se ela fosse apenas um placebo, porque a “fé remove montanhas”.

Já falou em redimensionar o tamanho do SUS (Sistema Único de Saúde). Mas depois recuou, diante da repercussão negativa de sinalizar a intenção de reduzir o atendimento público de saúde, o que afetaria principalmente os mais pobres.

Recentemente, deu apoio à discussão sobre um plano de saúde popular, com padrão abaixo das exigências de atendimento da ANS (Agência Nacional de Saúde). Ora, ou a ANS está fazendo exigências demais que devem ser revistas, para que seja possível ter um plano de saúde mais barato para todos, ou o ministro está admitindo criar uma categoria de plano de saúde abaixo do que o órgão governamental considera hoje adequado. Certamente, isso atende aos donos dos planos de saúde e não aos usuários.

Todas as pesquisas mostram que a saúde está no topo da preocupação dos brasileiros. Com o provável fim da interinidade, Michel Temer deveria avaliar se valeria a pena trocar o comandante do Ministério da Saúde por alguém que realmente entenda do riscado.

* * *

Bumlai sob pressão

A decisão do juiz federal Sérgio Moro de determinar a volta do José Carlos Bumlai para cumprir prisão preventiva é uma notícia ruim para o PT e para o ex-presidente Lula, de quem o pecuarista é um amigo próximo. De volta à prisão em Curitiba, haverá nova pressão para uma delação premiada.

A determinação de Moro é baseada em análise médica do quadro clínico atual do pecuarista, que fez tratamento para um câncer de bexiga e que poderia, no entender do juiz, fazer tratamento de recuperação cardíaca mesmo preso. Nos bastidores, petistas dizem que se trata de mais uma decisão de Moro para tentar obter provas contra o ex-presidente Lula.

Isso deve alimentar o duelo público entre o magistrado e o ex-presidente. Lula aponta parcialidade de Moro. O petista apresentou recurso nesse sentido ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, Organização das Nações Unidas.

Até hoje, Bumlai se recusou a fazer colaboração premiada. Mas temporadas na prisão levaram acusados que antes resistiam a acabar por se render a esse expediente.

O PT e alguns advogados de defesa de investigados na Lava Jato têm dito que é uma forma de tortura psicológica para forçar delações premiadas. O Ministério Público e Moro rebatem, dizendo que a maioria das colaborações foram feitas por acusados que estavam em liberdade.

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Os motivos para transformar o soldado baleado em herói nacional


Centenas de policiais morrem todo ano em serviço, assim como marginais e  jovens negros de periferia.

A morte do policial da Força Nacional no Rio de Janeiro, no entanto, mereceu duas manifestações inusitadas. Do Ministro da Justiça Alexandre Morais, tratando-o como "herói do nosso povo" — designação que se dá a quem tomba no campo de batalha enfrentando inimigo externo. Do interino Michel Temer a decretação de luto oficial.

Por qualquer prisma, há que se lamentar a morte do soldado. Mas é evidente que há uma vontade no ar de estimular o clima de guerra interna.

Há duas intenções nisso. 

A primeira, de fortalecer o governo recriando o mito do inimigo interno. Funcionou com o PT. Com o PT fora de combate há que se recriar outro inimigo no imaginário nacional. Obviamente  vai sobrar para os movimentos populares.

A segunda, de incentivar as Forças Armadas a retomarem o conceito de guerra revolucionária interna, a fim de afastá-la das relevantes missões que lhe foram conferidas na última década, da exploração do fundo do mar (com o pré-sal), a guerra tecnológica e a parte aeroespacial, projetos que estão sendo gradativamente retirados das mãos da elite militar e entregues a burocratas.

Resolução recente da ONU determinou que as riquezas do alto mar não serão propriedade territorial de ninguém, mas de quem tiver condições de explorá-las. Não se trata apenas de petróleo mas de um enorme conjunto de minérios. As Forças Armadas estavam empenhadas em fortalecer o pré-sal, no campo da defesa, tendo em vista esse cenário futuro.

Luís Nassif
No GGN
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Míriam Leitão antecedeu Carmen Lúcia na anti-sororidade destruidora

Soldada do jornalismo de guerra dos patrões
Soldada do jornalismo de guerra dos patrões
Carmen Lúcia, escrevi outro dia, encarnou a anti-sororidade ao dizer por que prefere ser chamada de presidente e não presidenta do STF. Sororidade, termo muito em uso hoje, é a fraternidade entre as mulheres.

Carmen foi grosseira com Dilma e ignorante com a língua portuguesa, da qual disse presunçosamente ser “amante”.

Presidenta é uma acepção tão correta como presidente, como mostram dicionários e citações de grandes escritores, entre os quais Machado de Assis.

Carmen Lúcia não foi pioneira na anti-sororidade.

Em outro episódio notável, Míriam Leitão foi extremamente dura numa entrevista com Alckmin porque este ousou se referir a Dilma como presidenta.

Míriam o censurou diante das câmaras. Alckmin respondeu que costumava chamar as pessoas da maneira que elas preferem.

A mesma Míriam Leitão que recentemente se mostrou indignada com o ministério masculino de Temer foi, ali, tão machista quanto o interino e tão primitiva no português quanto Carmen Lúcia.

Era o jornalismo de guerra das grandes corporações jornalísticas. Míriam Leitão foi um dos grandes expoentes disso.

Algum dia haverá de ser estudado o papel de mulheres jornalistas na caça a Dilma. Sequer as roupas presidenciais foram poupadas. Outra jornalista da Globo, Cora Ronai, massacrou o vestido usado por Dilma na cerimônia de posse de seu segundo mandato, como se fosse um machista bêbado falando de mulheres feias numa roda de bar.

Mas o papel de precursora de Carmen Lúcia cabe, com todas as honras, a Míriam Leitão.

Como soldada e fâmula do jornalismo de guerra dos Marinhos, ela recriminou Alckmin por haver chamado Dilma como ela optara por ser dessignada, com total amparo etimológico.

Ao vencedor as batatas, escreveu Machado de Assis, uma das provas da existência de presidenta, como falei acima.

Para Míriam Leitão, as batatas.

Paulo Nogueira
No DCM
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Classe média se prepare; em breve você também pagará o preço do golpe

Manifestação pede o afastamento definitivo de Dilma Rousseff no Rio de Janeiro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O colunista Jânio de Freitas, em artigo publicado na Folha, escreveu “que o afastamento da presidente se faz em um estado de hipocrisia como jamais houve por aqui. (…) Uma hipocrisia política de dimensões gigantescas, que mantém o Brasil em regressão descomunal, com perdas só recompostas, se o forem, em muito tempo — as econômicas, porque as humanas, jamais.”

Os holofotes do jogo jogado do impeachment — desde o momento no qual um bandido, no comando da Câmara, com a conivência do Supremo, instalou o processo — estão todos voltados para o Congresso e, neste momento, no Senado, como se lá fosse o único palco dessa encenação ridícula. Mas, é preciso reconhecer que, não obstante o fato de termos um Parlamento majoritariamente ocupado por ratazanas, a falta de lideranças com credibilidade, respeito e reconhecimento nos campos político, econômico, social, religioso, artístico e intelectual impossibilitou uma saída democrática para a crise instalada desde 2013.

Sob o ponto de vista sociológico e político, as elites são os principais atores que orientam os rumos dos governos e da sociedade, porque têm grande poder de vocalização de seus interesses e, portanto, extensa capacidade de mobilizar, publicizar e definir a agenda pública.

O papel sociedade civil é central no tensionamento de processos políticos com vistas à ampliação da cidadania e dos direitos. Mas, as elites, queiramos ou não, são fundamentais para induzir o desenvolvimento social, político, econômico e cultural de qualquer sociedade.

O Brasil, apesar de historicamente dirigido por elites muito conservadoras — cujos grupos majoritários dessas elites têm fortes tendências antidemocráticas —, já teve expoentes que, em situações de crise intensa, conseguiram articular grandes concertações em torno de ideias e ideais capazes de produzirem significativos avanços sociais, econômicos, culturais, políticos…

Já tivemos na elite política referências como Ulisses Guimarães, Franco Montouro e Tancredo Neves. Hoje, os líderes bajulados pelas elites são Temer, Cunha, Aécio, Renan, Serra, Bolsonaro, Caiado…

Na cultura, orgulhávamos de personalidades como Guimarães Rosa, Antonio Cândido e Chiquinha Gonzaga. Hoje, as elites batem palma para Reinaldo Azevedo e Alexandre Frota.

Tínhamos elites intelectuais do porte de Paulo Freire, Sérgio Buarque, Euclides da Cunha e Darcy Ribeiro. Hoje, as elites intelectuais cultuadas são Olavo de Carvalho e Lobão.

Já convivemos com economistas do porte de Roberto Campos e Celso Furtado. Hoje, segmentos mais visíveis das elites seguem as dicas econômicas de Rodrigo Constantino e Miriam Leitão. E já tivemos empresários que defendiam uma indústria nacional forte e geradora de riqueza e renda para o Brasil e os brasileiros. Agora, os homens de negócio dessa terra resolveram criar a filosofia empresarial do pato amarelo.

O espaço da liderança religiosa que era ocupado por figuras da estatura de Paulo Evaristo Arns, Helder Câmara e Luciano Mendes de Almeida é protagonizado, agora, por vultos como Malafaia, Cunha, Malta, Macedo e Feliciano.

Lula é a última grande liderança política e social que teve a capacidade de movimentar uma ampla coalizão, num momento de bons ventos da economia — apesar de não ter enfrentado as grandes mazelas nacionais com reformas estruturais, quando presidente. Sonhou, como um operário que sempre fica devendo favores ao patrão, tido um bom cristão, que era possível conciliar o mundo do trabalho, historicamente oprimido, com o mundo das elites, historicamente privilegiado. Para tanto, arriscou a jogar o mesmo jogo das elites políticas tradicionais, historicamente comprometidas com a corrupção, o patrimonialismo, o clientelismo e a apropriação privada do espaço público. Acreditou, inclusive, que jogando o mesmo jogo dos políticos tradicionais seria poupado, com a crença que a justiça e as elites agiriam com isonomia, caso suas estratégias fossem delatadas. Todos sabemos o enredo dessa história…

Não obstante, Lula conseguiu avanços sociais e econômicos reconhecidos internacionalmente. Gostemos ou não, por uma década, sob sua liderança, os brasileiros sonharam com a possibilidade de uma sociedade na qual os interesses de classe poderiam se conciliar. E esse sonho começou a se transformar em pesadelo naquele junho de 2013, quando as ruas foram invadidas por hordas de interesseiros.

Provavelmente, por ter conseguido transformar a realidade social do país, apesar de algumas ações erráticas, Lula é caçado tresloucadamente por uma juristocracia, uma elite jurídica que, aliada aos outros segmentos conservadores das elites sociais, econômicas, políticas, religiosas e culturais sempre determinaram os lugares sociais a partir de seus interesses de classe.

E foi através de uma coalizão de amplos setores dessas elites conservadoras, com a participação descomunal da mídia, que uma engenharia golpista bem-sucedida foi sendo arquitetada, desaguando num processo fajuto de impeachment, cujo resultado qualquer mortal sobre a terra já tem conhecimento.

Os ricos e poderosos e os segmentos rancorosos e privilegiados da classe média — portanto, parte significativa das elites sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas —, são coniventes com o golpe. Creem que o governo que tomou de assalto a República manterá intactos seus privilégios. Não percebem que o golpe à democracia nos coloca na situação de uma sociedade atrasada e que esse retrocesso repercutirá negativamente na vida de todos os segmentos sociais.

Um golpe na democracia não é um jogo de soma zero, no qual uns ganham e outros perdem. Trata-se de uma involução social, política, econômica, cultural e ética que tomos, com intensidades diferentes, amargaremos nos próximos anos. Inclusive a classe média que sentirá, mais cedo ou mais tarde, os reflexos de um governo pouco comprometido com a Nação. Várias medidas anunciadas pelo governo interino sinalizam perdas de direitos que incidirão sobre todos os brasileiros, inclusive a classe média. É questão de tempo…

Portanto, o malsinado caminho do golpe punirá terrivelmente os trabalhadores e os pobres, mas certamente penalizará também os hipócritas que naturalizam e desejam invisibilizar essa violência estúpida à Constituição, ao estado de direito e à democracia, chamada impeachment.

Falando Verdades.

Robson Sávio Reis Souza é Doutor em Ciências Sociais e professor da PUC Minas
No Cafezinho
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A associação entre a mídia e a Lava Jato para assassinar reputações


Noticia a Folha que a Polícia Federal pediu o arquivamento do inquérito que investigava o senador Humberto Costa, do PT. Trecho da matéria:
(…) a delegada da PF Graziela Machado da Costa Silva e Silva afirma que o pedido de arquivamento se deu por falta de provas que comprovem “configuração de solicitação e/ou recebimento de vantagem indevida”.

“Sendo assim, esgotadas as diligências vislumbradas por esta autoridade policial, não foi possível apontar os indícios suficientes de autoria e materialidade a corroborar as assertivas do colaborador Paulo Roberto Costa”, justificou.
A abertura de investigações virou uma espécie de arma política, a qual foi muito usada na Lava Jato.

O escopo da Lava Jato é praticamente infinito — e seria maior ainda caso o STF não tivesse afastado a competência de Sergio Moro em alguns casos, como o da Eletronuclear —.

Pode-se investigar, portanto, praticamente qualquer pessoa, sem precisar de provas ou indícios mínimos.

Qualquer um que tenha encontrado uma vez na vida Paulo Roberto Costa, por exemplo, pode ser investigado.

Aberta a investigação, você já sabe como a coisa funciona. Se for do interesse dos barões da mídia o investigado ganha destaque nos portais de notícias e nos jornais e o tom da manchete e da matéria deixa nas entrelinhas que a pessoa é culpada por antecipação.

No tribunal da mídia não há direito de defesa: a condenação é sumária.

Para políticos, que vivem da sua imagem perante a sociedade, um ataque à reputação pode ser fatal para a vida pública. O fato de ele ser absolvido posteriormente não faz diferença alguma quando os jornais já destruíram sua reputação.

No caso de Humberto Costa, por exemplo, a notícia da abertura da investigação é de março de 2015.

Março foi o mês das primeiras marchas da família com Deus pela liberdade versão 2016.

Abertura de investigações contra petistas foi tudo o que a mídia precisou para insuflar, com manchetes garrafais, o seu exército coxinha a ir para as ruas para dar sustentação ao discurso de que “o povo quer o impeachment”.

O início de uma investigação é algo grave e deveria ser tratado pelo Estado e pela imprensa com todo o cuidado, ainda mais quando envolve pessoa pública.

No Brasil do oligopólio midiático conservador a investigação vira um factoide político usado para criar e manter o clima de golpe.

Se mais de um ano depois a PF conclui que não há provas contra o investigado, que diferença faz? O governo foi derrubado e a abertura da investigação já cumpriu seu papel como arma política.

Temos, portanto, um poder discricionário absoluto do consórcio sistema de justiça/mídia, os quais não tem preocupação nenhuma com a reputação do investigado.

Abrem-se e fecham-se investigações com objetivos políticos, segundo os critérios pessoais dos investigadores.

A mídia concentrada, por sua vez, também utiliza critérios puramente pessoais/políticos para dar destaque, ou não, a investigados inimigos ou aliados.

Para os adversários, capas, manchetes garrafais, colunistas repercutindo por dias a fio.

Para os amigos, notinhas de rodapé, espaço enorme para a defesa (o que seria louvável caso fosse concedido a todos) e repercussão zero.

A simbiose entre o sistema de justiça e a mídia conservadora fere de morte a democracia e o próprio conceito de justiça.

Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho
No Bem Blogado
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EUA espionam ONGs médicas e órgãos de saúde por todo o mundo


Como parte de um esforço contínuo na “exploração de informações sobre medicina”, a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) se juntou à DIA (Agência de Inteligência de Defesa) para extrair “informações médicas” das comunicações interceptadas de grupos sem fins lucrativos a partir no começo dos anos 2000, conforme comprova este documento confidencial.

As informações médicas interceptadas podem incluir dados sobre epidemias, capacidade de governos estrangeiros responderem a armas químicas, biológicas e nucleares, recursos controlados por empresas do setor farmacêutico, avanços tecnológicos na medicina, além de pesquisas médicas e capacidade de resposta médica de diversos governos, de acordo com esse e outros documentos semelhantes vazados pelo ex-funcionário da NSA, Edward Snowden. Os documentos mostram que esse tipo de informação é usado para proteger as forças militares americanas, avaliar o nível de preparação de exércitos de outros países, criar oportunidades para que diplomatas ganhem credibilidade, descobrir programas de armas químicas, identificar instalações de armas biológicas e estudar a propagação de doenças.

A existência e a amplitude da coleta de informações médicas pelo governo americano já havia sido revelada — assim como um de seus usos mais nefastos, em que o fluxo de suprimentos médicos seria utilizado para localizar um indivíduo específico. Mas um artigo confidencial, publicado em novembro de 2003 em um boletim interno da NSA, SIDtoday, e agora revelado por The Intercept, explica em detalhes o nascimento da colaboração entre a agência e o NCMI (Centro Nacional de Inteligência Médica) da DIA, conhecido à época como Centro de Inteligência Médica das Forças Armadas. (O artigo está sendo publicado juntamente com outros 262 documentos pelo The Intercept hoje; veja aqui alguns dos destaques.)

HONG KONG, CHINA:  A tram driver is silhouetted at a tram stop in front of a billboard showing medical workers doctor wearing masks to prevent the SARS disease in the Central district of Hong Kong, 07 May 2004.  Although China's first 2004 SARS patient, a lab worker in Beijing, will be discharged from hospital 10 May 2004 and only one person on the mainland has died so far, authorities in Hong Kong have continued to push public service advertisements warning local citizens to be diligent in the fight against the disease which caused almost 800 deaths in 2003, nearly 300 in the former British colony.    AFP PHOTO/Samantha SIN  (Photo credit should read SAMANTHA SIN/AFP/Getty Images)
Um outdoor mostra médicos usando máscaras para impedir a disseminação do vírus SRAG em uma estação de trem em Hong Kong em 2004.
Photo: Samantha Sin/AFP/Getty Images
Os trabalhos foram abertos quando a NSA trouxe um especialista em doenças infecciosas da DIA para ajudar sua problemática Divisão de Organizações Internacionais, responsável pela espionagem de ONGs, a explorar informações médicas sobre epidemias dos relatórios de organizações sem fins lucrativos. O funcionário da DIA se tornou “integrante” da NSA e recebeu acesso a informações interceptadas (SIGINT) em estado considerado “bruto” — ou seja, que ainda não haviam tido informações pessoais editadas ou removidas. Dentre os tópicos de interesse encontravam-se “SRAG na China, cólera na Libéria, e disenteria, pólio e cólera no Iraque”, de acordo com o artigo escrito pelo “gerente de contas da DIA” na NSA.

“O momento da chegada do novo integrante, coincidindo com uma epidemia internacional de SRAG, não poderia ter sido melhor”, informava o artigo. O SRAG, um vírus transmitido por vias respiratórias, infectou mais de 8 mil pessoas em todo o mundo, com epicentro na China, antes de ser contido.

Durante esse período, a NSA e seus parceiros pesquisaram “os efeitos da epidemia no aparato de segurança do Estado”, a cobertura da doença na mídia, os impactos políticos e econômicos da propagação do vírus, assim como o “impacto” do SRAG na “prontidão” do Exército de Libertação Popular da China, de acordo com os documentos da NSA sobre a conferência do SRAG publicados pelo The Intercept em maio.

No entanto, o SRAG não era o único motivo por trás da parceria, de acordo com o artigo do SIDtoday.
”Além disso, a colaboração possibilitou a obtenção de informações interceptadas exclusivas, que favorecem as Comunidades de Inteligência e o Departamento de Defesa de uma forma geral,” confirmava o artigo.
“Os esforços para desenvolver tópicos relacionados informarão e facilitarão os esforços futuros na exploração de informações médicas na Divisão de Organizações Internacionais”, acrescentou – porém, não especificou como as informações poderiam ser exploradas.

A colaboração uniu as interceptações de comunicações da NSA aos extensos conhecimentos especializados do NCMI. O NCMI tem especialistas, civis e militares, em sua maioria médicos e pesquisadores baseados nas instalações em Fort Detrick, Maryland, conduzindo estudos sobre doenças e outros tópicos relacionados a saúde, medicina, farmacologia e armas biológicas, tendo como um de seus principais objetivos a proteção das forças militares americanas espalhadas por todo o mundo.

(GERMANY OUT) Roentgenbild Herzschrittmacher (Photo by Becker & Bredel/ullstein bild via Getty Images)
Foto: Ullstein Bild/Getty Images
O esforço conjunto para explorar as “informações médicas interceptadas” ganhou notoriedade 13 anos mais tarde, à medida que dispositivos médicos e monitores corporais se integram cada vez mais à internet, ampliando as possibilidades de expandir o uso de informações coletadas além das epidemias e armas biológicas, para formas de vigilância mais específicas. O diretor assistente da NSA, Richard Ledgett, disse em junho que a agência de espionagem estava “estudando (…) teoricamente” a possibilidade de usar dispositivos médicos, como marca-passos, para vigiar pessoas, mesmo tendo admitido haver formas mais fáceis de espioná-las.

A NSA não fez comentários a respeito da colaboração. Falando em nome da DIA, o gabinete do diretor da Inteligência Nacional não quis responder a perguntas específicas sobre a parceria e escreveu por meio de um porta-voz que “desde as projeções e o rastreamento de epidemias infecciosas até a avaliação de ameaças internacionais à saúde, a inteligência médica é fundamental para proteção de nossas forças militares de diversos tipos de ameaças por todo o mundo”.

A evolução da coleta de inteligência médica

Um dos exemplos mais proeminentes da espionagem com foco médico veio em 2010, quando a agência elaborou um plano para enviar dispositivos de rastreamento clandestinamente em suprimentos médicos destinados a Osama bin Laden, que se encontrava doente, visando localizar o líder terrorista, conforme descrevem os documentos fornecidos por Snowden e publicados pelo The Intercept no ano passado.  Não ficou claro se o plano foi executado.

No entanto, de acordo com o Dr. Jonathan D. Clemente, médico e pesquisador da Carolina do Norte que escreveu um relatório sobre inteligência médica para o The Intellingencer, jornal publicado pela Associação de Ex-oficiais do Serviço de Inteligência dos EUA, as forças armadas norte-americanas vêm coletando inteligência em medicina, saúde e desenvolvimento na área de biologia desde a Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, o cirurgião general do exército começou a disseminar informações sobre a saúde pública de vários países para comandantes e cirurgiões militares antes dos combates.

À medida que a guerra se aproximava de seus estágios finais, os aliados começaram a apreender remédios e equipamentos médicos de adversários para uso próprio e a espionar os alemães para obter informações sobre possíveis planos para uso de armas químicas.

Os programas de inteligência médica foram extintos e apenas reinaugurados pela CIA por volta de 1947, cumprindo um papel importante para os serviços de inteligência no Bloco Comunista e durante a Guerra da Coreia.

Após diversas mudanças em cargos e gerência, a unidade de inteligência médica foi transferida permanentemente para a Agência de Inteligência de Defesa, em 1992, e recebeu a responsabilidade da “preparação de análises e projeções sobre sistemas médicos estrangeiros civis e militares, doenças infecciosas e riscos ambientais para a saúde, bem como pesquisas biomédicas”, de acordo com Clemente.

A atenção a doenças infecciosas resistentes a medicamentos só foi intensificada após os ataques de 11 de setembro, que reforçaram a necessidade de analistas de inteligência médica para monitorar as tentativas de inimigos de usarem ferramentas biológicas, como o anthrax, como armas de guerra.

Outros parceiros conhecidos da agência, agora denominada Centro Nacional de Inteligência Médica, incluem a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial e o Departamento de Agricultura.

Um ex-diretor da unidade de inteligência médica da DIA, atualmente professor de biologia, Anthony Rizzo, descreveu sua missão como “proteger o país de ameaças de que as pessoas nunca tomarão conhecimento”.

O escritor, ex-analista de inteligência da NSA e ex-professor de assuntos de segurança nacional do Colégio de Guerra Naval dos EUA, John Schindler, descreveu os recursos de inteligência médica do governo americano em um artigo de blog como “absolutamente único”, defendendo que o NCMI é a “única unidade de inteligência dedicada na Terra”.

Guerra biológica e armas nucleares

Outros artigos do SIDtoday, de 2003, explicam o foco da NSA em inteligência médica, incluindo as estratégias para combater possíveis armas de destruição em massa e para colaborar com o Departamento de Segurança Interna.

Um dos artigos, de agosto de 2003, identifica um projeto da NSA responsável pelo monitoramento da evolução da biotecnologia em diversos países. “Podemos (…) determinar recursos específicos que possam distinguir um programa de armas biológicas de uma iniciativa de produção farmacêutica?”, escreveu o autor, identificando uma “fábrica iraniana [de armas biológicas] suspeita” como alvo de inspeção.

Uma outra apresentação de slides de abril de 2013, chamada de “Semanário das Operações de Fonte Especial” orientou analistas a respeito de uma missão de coleta de inteligência em duas universidades iranianas que a NSA suspeitava estarem envolvidas em programas de armas biológicas e químicas do Estado.

A pesquisa, envolvendo experimentos com humanos em pacientes expostos a produtos químicos de pesticidas, “também poderia ser usada no evento de (…) exposição a gases tóxicos”, informou o slide. “Esse tipo de informação permitiu que os clientes internos da [comunidade de inteligência], como o NCMI (Centro Nacional de Inteligência Médica) (…) analisassem os tipos de medidas defensivas sendo desenvolvidas pelo Irã, assim como a capacidade de resposta e proteção contra ameaças [de armas químicas e biológicas]”, explica uma nota de rodapé no slide.

Desde então, a coleta de inteligência médica continuou, de acordo com o suposto “orçamento negro” proposto para o ano fiscal de 2013, publicado em 2012.

O documento especifica uma solicitação ao NCMI para “expansão dos recursos de alerta para incidentes biológicos e de saúde que tenham implicações estratégicas através da implementação de ferramentas de análise mais sofisticadas para prever, detectar, preparar e responder a ameaças de saúde externas, enfatizando modelos de contágio por doenças infecciosas e de propagação de contaminantes tóxicos e radiológicos.

Detalhes do pedido de orçamento de 2013 identificam outros objetivos do Centro Nacional de Inteligência Médica: monitorar “recursos da indústria farmacêutica estrangeira”, “oportunidades na área de saúde para que diplomatas ganhem credibilidade”, “tendências e recursos de resposta e assistência médica civil e militar de outros países” e “avanços médicos de outros países na defesa contra armas nucleares, radiológicas, biológicas e químicas”.

O pedido de orçamento fez referência específica a pesquisas no Afeganistão e no Paquistão para que fossem coletadas informações sobre “recursos médicos civis e militares”, bem como fundos para permitir que analistas “ofereçam suporte a confecção da lista de alvos compartilhados e alvos ilegítimos”.

Tradução de Inacio Vieira
Jenna McLaughlin
No The Intercept
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Filha de ministro da Saúde dá bronca no pai por causa de declaração machista

Maria Victoria Borghetti publicou um vídeo corrigindo o pai, Ricardo Barros, que afirmou que homens trabalham mais do que mulheres e, por isso, não têm tempo para cuidar da saúde


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou na quinta-feira (11) que homens trabalhavam mais do que mulheres e, por isso, não têm tempo para cuidar da saúde. A fala virou rapidamente um dos assuntos mais comentados do país pelo teor machista, levando Barros a ser criticado pela própria filha, a deputada estadual Maria Victoria Borghetti (PP-PR).

A declaração do ministro aconteceu no lançamento do plano que visa aumentar o número de atendimentos a homens na rede pública de saúde. “Eu acredito que é uma questão de hábito. Os homens trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias e não acham tempo para a saúde preventiva. Isso precisa ser modificado”, disse.

Já Borghetti publicou, em seu perfil no Facebook, um vídeo falando sobre os comentários do pai e respondendo com informações oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Por mais que haja dados absolutos de que há um maior número de homens no mercado formal de trabalho, o IBGE afirma que as mulheres trabalham em média 5 horas a mais na semana do que os homens, portanto uma jornada de trabalho mais longa”, destacou.

A deputada ressaltou a questão da jornada dupla, quando as mulheres, além de atuarem no mercado de trabalho, voltam para o lar, limpam, cozinham e cuidam dos filhos. “E não precisa de dados para mostrar o quanto as mulheres trabalham nesse Brasil inteiro. Depois de trabalhar fora de casa, ainda têm de trabalhar em casa”, completou.

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Moro deve achar que somos todos imbecis

Ele
Foto: Lula Marques/ AGPT
Sergio Moro durante audiência na Câmara, no dia em que se recusou a responder o deputado Paulo Pimenta sobre os abusos da Lava Jato contra o ex-presidente Lula

Numa coisa nós temos que concordar. A força-tarefa da Operação Lava Jato, capitaneada pelo juiz Sergio Moro, nos surpreende a cada dia.

Depois de terem ‘desarticulado o maior esquema de corrupção da história brasileira’ — segundo a opinião dos procuradores e da grande mídia, é claro, que fingem desconhecer escândalos muito piores como o Banestado, ou para ficar num caso recente, a Operação Zelotes, responsáveis por desvios superiores a do ‘Petrolão’ — o juiz Sergio Moro afirmou na cara dura que só não intimou até agora a esposa de Eduardo Cunha porque não sabe onde ela mora.

“Há dificuldades para intimação pessoal da acusada Cláudia Cordeiro Cruz. O endereço disponível nos autos informado pela defesa era o endereço da Presidência da Câmara, não mais ocupada pelo marido da acusada”, disse ele.

Tamanha cara de pau é inacreditável. Para condenar Lula vale tudo, até perseguir sua família. Já quando se trata de alguém que não é do PT o juiz o justiceiro é afável, quase uma mãe.

Porque a força-tarefa da Lava Jato não bate no gabinete do ex-presidente da Câmara e pergunta seu novo endereço? É tão complicado assim?

Como disse um comentarista no Jornal GGN: ‘Moro, já não acha que somos idiotas. Ele tem certeza!’

Abaixo matéria do Jornal GGN com informações do portal Jota.

Obs: antes que um algum coxinha ou troll apareça nos comentários para dizer que estou comparando o Petrolão com os escândalos do Banestado e Zelotes apenas para defender o PT, aviso logo que não estou.

Digo apenas que a imprensa brasileira e os procuradores da Lava Jato se utilizam de uma estratégia denominada Bomba Semiótica. Não importa o fato do Banestado ou Zelotes terem desviado mais dinheiro que o Petrolão. É preciso colar no PT a imagem de ‘partido mais corrupto que já existiu na face da Terra’, por isso a hipérbole.

* * *

De novo, Moro não intima Cláudia Cruz porque não sabe onde ela mora


A força-tarefa que diz ter desarticulado o maior esquema de corrupção da história brasileira, instaurado no seio da Petrobras, não consegue intimar a mulher de Eduardo Cunha por falta de CEP. Pela segunda vez nos últimos dois meses, o juiz federal Sergio Moro diz que está esperando um endereço correto para pedir que a jornalista Cláudia Cruz se manifeste sobre as denúncias que enfrenta na Lava Jato.

Esta semana, Moro determinou que os advogados de defesa de Cláudia respondam de imediato sobre endereço onde ela possa ser localizada. “Há dificuldades para intimação pessoal da acusada Cláudia Cordeiro Cruz. O endereço disponível nos autos informado pela defesa era o endereço da Presidência da Câmara, não mais ocupada pelo marido da acusada”, diz Moro, segundo informações do portal Jota.

A Justiça Federal está há 11 dias tentando localizar Cláudia para dar andamento à ação penal na qual ela é acusada de fazer uso de contas no exterior que eram abastecidas com recursos desviados de esquemas de corrupção na Petrobras.

No início de junho, Moro aceitou denúncia oferecida pelos procuradores da Lava Jato contra a jornalista. Naquele mesmo mês, por duas vezes a Justiça Federal tentou localizar Cláudia em busca de sua defesa pessoal. Mas não conseguia encontrá-la na residência que possui no Rio de Janeiro. Ela costumava, à época, passar a semana com Cunha em Brasília. Ambos deixaram a residência oficial do presidente da Câmara quando Cunha abriu mão do posto.

Procurado, o advogado Pierpaolo Bottini disse que informou à Justiça Federal que “a defesa já se deu por intimada de forma que a comunicação pessoal de Claudia Cruz é dispensável”.

Com informações do Jota

Carlos Eduardo
No Cafezinho
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Primeiramente , fora Temer‬ – diz Duvivier ao vivo na Globo


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Nomeado para Ibama praticou crime ambiental e comemorou nas redes sociais

Escolhido pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, como superintendente do Ibama em Tocantins, Luciolo Cunha Gomes afirmou, em uma postagem de 2013, que tinha medo de ser flagrado pelo órgão de fiscalização ao comer um animal silvestre

Nomeado pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, como superintendente do Ibama em Tocantins, Luciolo Cunha Gomes anunciou, em uma postagem de 2013, que havia comido um animal silvestre. Na mesma publicação, ele debochou do órgão que acabou de assumir. “Deliciando pernil de Caitutu (…) o medo aqui é só aparecer o IBAMA… rsss”, escreveu.

Nos comentários, ele continuou com ironias, dizendo que não seria responsabilizado porque o Ibama não sabia “o endereço”. O caititu também é conhecido como “porco do mato”. Caçar e utilizar animais silvestres sem permissão das autoridades é crime ambiental cuja pena varia de 6 meses a um ano de prisão, além de multa.

O caso foi trazido à tona pela Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista de Meio Ambiente (Ascema Nacional), que divulgou a mensagem atribuída a Luciolo. Ele, que é advogado, foi nomeado em 9 de agosto no lugar de Flávio Luiz de Souza Silveira, biólogo e servidor de carreira.

luciolo 2

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BBC diz "cala a boca, Galvão!"

Berros do Galvão anularam a largada da prova!

Galvão deve ter algum problema com o Phelps...
Na fAlha

Comentarista britânico dá bronca em Galvão Bueno: 'Precisa calar a boca durante a largada

Galvão Bueno levou uma bronca de um narrador da emissora britânica "BBC", na noite desta terça-feira (9), durante a exibição de uma prova de natação.

"O comentarista perto de mim precisa calar a boca durante a largada", disse um apresentador do canal do Reino Unido na transmissão.

O vídeo do puxão de orelha está circulando pelas redes sociais. Nele, é possível ouvir, ao fundo, Galvão apresentando em voz alta os competidores, entre eles Michael Phelps. O americano venceria a prova, os 200 m borboleta, e conquistaria sua 20ª medalha de ouro olímpica.

Por se tratar de um momento no qual os atletas precisam de silêncio para ouvir o sinal sonoro da largada, o apresentador britânico não se conteve e reclamou do brasileiro.

"Desculpem, todo mundo aqui está quieto durante a largada", acrescentou o britânico, após a partida ter sido abortada momentaneamente pela juíza da prova.



No CAf
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As Teorias Econômicas de Keynes - Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo


Abordagem dos aspectos da teoria Keynesiana, comparando-as com a teoria Clássica e relacionando com a Grande Depressão. Uma visão do Professor Luíz Gonzaga de Mello Belluzzo.

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