11 de ago de 2016

Moralidade comparada

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2016/08/8929/moralidade-comparada/

– Chega de ideologia – era o que gritavam os defensores do impeachment da presidente Dilma quando havia manifestações e panelas.

Depois da ascensão de Michel Temer, tudo mudou. A delação da Odebrecht vaza como a defesa do Inter: Michel Temer e Eliseu Padilha teriam recebido R$ 10 milhões em dinheiro vivo. Quem se importa? José Serra teria sido aquinhoado com R$ 23 milhões da empreiteira em caixa dois. E daí? O superministro da Fazenda, o endeusado Henrique Meirelles, nada fez até agora, mas promete fazer muito. A gastança aumentou satisfazendo parte do funcionalismo e governadores. O empresariado, porém, dá sinais de contentamento. Sabe que, depois do impeachment confirmado, virão as coisas sérias: o desmonte da CLT.

Por que as acusações não abalam José Serra? Porque os críticos do ideologismo gostam das suas declarações pragmáticas contra a Venezuela. Por que as acusações a Michel Temer não colam nele? Porque é homem, branco, rico e promete o que os donos do capital querem ouvir. Tudo se negociará: até férias e décimo-terceiro salário. Por enquanto, o quadro é avassalador: as bolsas de iniciação científica do CNPq caíram 20%; o Ciência sem Fronteiras não abrange mais alunos de graduação; fala-se em limite para investimentos em educação; o Minha Casa Minha Vida perdeu o teto; portar cartaz com “fora, Temer” resultou em “condução coercitiva” para fora de recinto olímpico.

O déficit fiscal dobrou. A arrecadação caiu R$ 12 bilhões. Mas o mercado comemora. O futuro é promissor. O pior passou. A corrupção não interessa mais. Nunca interessou. Foi só um pretexto. A coerência, palavra tão anacrônica, pressupunha um roteiro linear: caça a todos os corruptos. Se o PT deve sair por corrupção, o PMDB também. Se Dilma não serve, pelos malfeitos do seu partido, Temer também não. Dilma nunca foi citada diretamente como tendo recebido ou pedido dinheiro. Não é de duvidar que isso venha a acontecer. No mar tenebroso das delações, há muito a vir à tona. Michel Temer, no entanto, já é tri. Pode até pedir música no Fantástico da Rede Globo.

O petista André Singer, colunista da Folha de S. Paulo, fez uma síntese perfeita do milagre praticado pelo doutor Temer: “Simples: unificou as classes dominantes e esvaziou a reação das dominadas”. Até petistas conseguem, vez ou outra, perceber a realidade. O aumento aos ministros do STF será a cereja do bolo. O líder governista no TSE e no STF, Gilmar Mendes, andou querendo a cassação do registro do PT.

Alfinetado, o antigo batedor de panelas contra a corrupção petista dispara o seu argumento de ocasião predileto e ardiloso:

– Como se isso justificasse as roubalheiras do governo afastado.

Não justifica mesmo. Nem o fato de que, no combate à corrupção, os senadores afastarão uma presidente acusada diretamente de crime administrativo e entronizarão um presidente citado em acusações por receber propina (gravação de Eduardo Cunha com Léo Pinheiro), dinheiro de caixa dois (Marcelo Odebrecht e Sérgio Machado) e “pedágio” (caso do Porto de Santos envolvendo Erika Santos). Na moralidade comparada, acusações de ladroagem direta valem menos. O impeachment de Dilma blindará Michel Temer de qualquer investigação.

Quem diz que tudo se resume a lembrar que os outros também roubaram, sofisma.

Dilma ainda não foi acusada pessoalmente de ter roubado.

Eu não a defendo.

Constato.
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Cristovam pediu a Dilma para tirar a palavra “golpe” de carta antes de votar pelo golpe

Ele
Se Eduardo Cunha simboliza a bandidagem profissional do impeachment, Cristovam Buarque representa sua flacidez moral e seu jaez cínico.

O senador do PPS esteve quatro vezes no Palácio da Alvorada com Dilma, negociando trechos da carta que ela vai divulgar em defesa do plebiscito por novas eleições.

Cristovam pediu mudanças acerca de temas econômicos, mas sua maior insistência foi com relação à palavra “golpe”.

Pediu que ela fosse retirada.

A mensagem de Dilma foi escrita durante dez dias. Lula contribuiu. Outros senadores foram “consultados”. De acordo com uma fonte do DCM, Cristovam era sempre “o cara mais difícil”.

A missiva teve várias versões. Deve ser anunciada nesta quarta, dia 10. Desnecessário lembrar que é tarde demais. Demorou. O jogo está perdido.

Em seu discurso no planário do Senado, quando o relatório de Anastasia obteve 59 votos a favor e 21 contra, Cristovam declarou que “há meses o Brasil está divido nas ruas e dentro do Senado entre os que desejam interromper o mandato da presidente a qualquer custo e os que desejam mantê-lo a qualquer custo”.

Ele votaria “no melhor para o Brasil e não na alternativa mais simpática, mesmo que isso significasse suicídio político e sentimental”. Por fim: “Voto pela aprovação do parecer da comissão. A volta do governo Dilma significaria a volta do mesmo modelo”.

Cristovam foi tido, ao longo dos últimos meses, como um dos indecisos, como Romário. Na prática, como Romário, o que ele estava fazendo era valorizar seu passe. Como quem tem a caneta é Temer, fechou com ele.

O blablabla sobre novas eleições era do gênero “se colar, colou”. Muita saliva e muita tinta foram gastas no sentido de apelar para sua consciência, seu passado ou algo que o valha.

A última dessas tentativas foi uma carta aberta de ex-colegas UnB (Woody Allen foi definitivo sobre cartas abertas: “por que a pessoa simplesmente não telefona?”). Eles avisaram que Cristovam “trilhará o caminho da cinza, da abjeção e, por fim, do esquecimento”.

“Os signatários militaram ao seu lado travando batalhas em torno de bandeiras democráticas — os Programas ‘Bolsa Escola’, ‘Saúde em Casa’, ‘Paz no Trânsito’, ‘Temporadas Populares’ e outros — e seguem acreditando naquele sonho humano que justifica vidas: não há invenção mais imperfeita nem mais generosa, como forma de governo, do que a Democracia.”

Esse tipo de argumento — totalmente legítimo, aliás —, jamais vai comover um cínico dessa estatura. A moeda de CB é outra e Michel Temer sabe como é que tipos como eles devem ser tratados.

Quando se trata de gente como Cristovam, Temer não escreve cartinha. Michel repete Stalin: “Quando ouço falar em impeachment, saco logo meu talão de cheque”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Por que o Chile decidiu dar uma força para as pequenas quitandas de bairro

Além de dinamizar a economia, gerando emprego e renda para 400 mil famílias, mercadinhos, padarias e hortifruti humanizam a convivência cotidiana e protegem teia de relações que ainda resistem nas grandes cidades.


O governo do Chile anunciou nesta segunda-feira (8) o lançamento de um programa chamado Armazéns do Chile, que injetará o equivalente a US$ 1,5 milhão em pequenos negócios que tentam sobreviver ao avanço dos hipermercados e das grandes cadeias de negócios no país.

Embora as principais justificativas sejam econômicas – como a geração de emprego e renda – o programa traz consigo variáveis incomuns e menos tangíveis em iniciativas do gênero, tais como a identidade de bairro, o fomento às relações interpessoais, a preservação do patrimônio material e imaterial, o fortalecimento das organizações comunitárias e a simples ideia de que as relações comerciais podem trazer para o cotidiano outras trocas além da compra e venda de produtos.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, realçou essas características no lançamento do programa, ao visitar um pequeno negócio na capital, Santiago, acompanhada pelo ministro da Economia, Luis Felipe Céspedes.

“O armazém é um ponto não apenas de intercâmbio comercial, mas também de vida social, onde os vizinhos se juntam, se encontram, conversam, combinam a pelada [jogo de futebol], a reunião da associação de moradores ou uma visita a alguém.”

Cidades mais humanas


Quando comparada a grandes cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, Santiago tem uma urbanização muito menos densa, com enormes manchões ainda ocupados quase exclusivamente por casas e edifícios baixos.

A capital chilena é dividida em comunas. O nome se refere a um tipo de divisão político-geográfica maior que um bairro e menor que uma cidade, semelhante a algumas subprefeituras paulistanas, mas com “alcalde” (espécie de prefeito) eleito por voto direto.

Essa dinâmica política em escala reduzida favorece o debate dos assuntos locais, de interesse imediato dos moradores daquela “comuna” específica. Outro fator que impulsiona a ideia de comunidade é a existência de um grande número de parques públicos e outras áreas de convivência comum, mesmo nos bairros localizados fora do centro.

É nesse contexto de afirmação da cultura local que os pequenos comércios de bairro lutam para sobreviver ao avanço das redes de hipermercados. Frequentemente, esse comércio é mantido por uma única família há muitos anos no mesmo local e funciona como referência de vida comunitária, preservando muitas vezes aspectos arquitetônicos de construções mais antigas, que as novas redes se apressam em padronizar detrás de outdoors e outros recursos modernos de identidade visual, que descaracterizam o entorno e dão uniformidade ao comércio.

Curso, dinheiro e conselhos

Michelle Bachelet em evento sobre o programa do governo chileno Almacenes de Chile
O plano do governo é apostar na capacitação técnica dos donos desse tipo de negócio, oferecendo também uma assessoria personalizada e subsídios equivalentes a até US$ 3 mil para financiar projetos de melhoria apresentados pelos proprietários.

Além disso, o governo anunciou a unificação de vários tributos e a criação de um sistema on line de emissão de notas fiscais, para desburocratizar o setor.

10% de todas as empresas abertas no Chile atualmente são pequenos armazéns de bairro

20% de todos os empregos gerados pelas microempresas chilenas estão nos armazéns de bairro

‘Pequeno x grande’ é debate antigo

Grandes companhias desumanizam a economia, segundo autor
A tentativa de reafirmar o valor do pequeno comércio frente às linhas de produção dos grandes mercados é um debate que se apresenta com força entre sociólogos, urbanistas e economistas de várias partes do mundo, pelo menos, desde os anos 1970.

Um dos clássicos desse assunto é o livro “Pequeno é bonito – Um estudo da economia como se as pessoas importassem” (em tradução livre do título original “Small Is Beautiful: A Study of Economics As If People Mattered”, do economista britânico Ernst Friederich “Fritz” Schumacher.

Na esteira do feminismo e de outras transformações sociais similares do pós-guerra, o autor critica o “gigantismo” como valor, que leva à desumanização das relações econômicas e, em consequência, da própria vida das pessoas. Segundo o suplemento literário do jornal britânico “The Times”, o livro de Schumacher era considerado nos anos 1970 um dos cem mais influentes publicados desde a Segunda Guerra Mundial (1945).

Na época, a produção em série e o avanço tecnológico favoreciam a ideia do “quanto maior, melhor”, e as grandes marcas se expandiam pelo mundo, desafiando as economias locais.

Madeleine Bunting, colunista do jornal britânico “The Guardian” e filha de um pequeno comerciante de Yorkshire, leu o livro de Schumacher aos 13 anos e, num texto publicado em 2011, revisitou alguns conceitos. Ela considera que “o grande” venceu, mas deixou como legado uma narrativa sedutora sobre o valor intrínseco do “pequeno”, à qual as mega corporações recorrem atualmente para incorporar valor à própria imagem.

“Marcas de nicho como a The Body Shop no Reino Unido ou a Ben & Jerry’s nos EUA tentam construir um modelo ‘pequeno é bonito’ de empresa que põe o relacionamento, o artesanal e o ambiente no coração de suas formas de trabalhar”, diz Madeleine Bunting.

“O pequeno se tornou ‘cool’ mas apenas como parte de uma estratégia de marca que mascara a concentração dos poderes político e econômico que está em curso. O gigantismo triunfou”, conclui.

Schumacher defendia que as cidades não excedessem 500 mil habitantes, mas hoje vivemos em megalópoles de mais de 2 milhões. A mudança demográfica parece inevitável, mas a forma como os governos fomentam certos setores e protegem certas culturas ainda são objeto de disputa e de debate, como a iniciativa chilena sugere.

João Paulo Charleaux
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A grosseria gratuita de Carmen Lúcia

Maus modos
O que levou a ministra Carmen Lúcia a ser tão deselegante, tão impiedosa e tão maldosa exatamente no dia em que foi eleita para suceder Lewandowski no comando do STF?

A única resposta que me ocorre é uma combinação letal de ódio no coração com ignorância presunçosa.

Dizer que quer ser tratada como “presidente”, tudo bem. Mas afirmar que quer isso por ser “amante da língua portuguesa” é ao mesmo tempo uma crueldade com Dilma e um disparate linguístico.

Presidenta é uma forma absolutamente correta. Ao contrário de Carmen Lúcia, o português é uma língua generosa: em várias situações, admite mais de uma escolha.

Dilma optou por presidenta para reforçar o ineditismo de ser a primeira mulher a ocupar o Planalto.

A mídia jamais a tratou como ela desejava não por amor ao português castiço ou coisa do gênero. Foi uma decisão meramente política. A Veja tratou Isabelita Peron como presidenta da Argentina nos anos 1970, para ficar num caso. Presidenta figura no Aurélio desde a edição inicial, em 1975.

No âmbito da Academia Brasileira de Letras, o imortal Merval Pereira não usa presidenta, mas o imortal Machado de Assis usou em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Chega?

Isabelita era presidenta da Argentina para a Veja
Isabelita era presidenta da Argentina para a Veja
Negar a Dilma o título escolhido por ela fez parte do jornalismo de guerra que as grandes companhias de mídia adotaram contra ela desde o primeiro dia de seu primeiro mandato.

Dilma teve 54 milhões de votos. Carmen Lúcia teve um: o de Lula, que a levou ao STF em mais uma de suas escolhas desastradas.

Mesmo assim, Carmen Lúcia se acha no direito de sapatear em cima de Dilma. E exatamente quando Dilma enfrenta um drama épico, seu afastamento por um crime que não cometeu.

As mulheres de hoje têm uma palavra para expressar a fraternidade feminina: sororidade. O que Carmen Lúcia fez é o exato oposto de sororidade.

Se não bastasse tudo, o comentário infeliz vem num momento em que uma parcela expressiva dos brasileiros nutrem total desconfiança em relação à lisura da Justiça e, especificamente, do STF.

A mesquinharia gratuita de Carmen Lúcia apenas vai reforçar essa desconfiança.

Numa tirada antológica, Sêneca escreveu que ao se lembrar de certas coisas que dissera invejava os mudos.

A nova presidente — chamemo-la como quer — do STF poderia refletir sobre a frase de Sêneca.

Paulo Nogueira
No DCM
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Golpista sincera


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Procurador não pode fazer juízo de valor, só de mérito


Os advogados de Lula protocolaram ontem, dia 10 de agosto, uma reclamação contra atos dos Procuradores da República Julio Motta Noronha, Roberson Henrique Pozzobom, Jerusa Burmann Veicili e Athayde Ribeiro Costa por anteciparem juízo de valor em relação a Lula sobre fatos que ainda são objeto de investigação.

Os ditos procuradores deveriam ter se limitado à discussão em torno da competência do juízo, mas resolveram ir mais longe, dizendo que "já há elementos de provas de que Lula participou ativamento do esquema criminoso", além de outras afirmativas fora de competência e contexto.

Causa espanto que procuradores se prestem a este papel quando investigações ainda estão em curso, violando, inclusive, artigo das diretrizes do CNMP, que proíbe expressamente os membros do Ministério Público de "externar juízos de valor a respeito de apurações ainda não concluídas". A atuação desses membros do MP viola também a regra de tratamento que fala, exaustivamente, da presunção de inocência.

No fundo, diz a nota da defesa de Lula, o que os procuradores e Sérgio Moro querem é um trial by media.

Leia a nota na íntegra.

Nota

Os advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram na data de hoje (10/08/2016) reclamação dirigida ao Corregedor Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra atos dos Procuradores da República Julio Motta Noronha, Roberson Henrique Pozzobom, Jerusa Burmann Veicili e Athayde Ribeiro Costa por terem antecipado juízo de valor em relação a Lula sobre fatos que ainda são objeto de investigação.

Em manifestações apresentadas em 05/08/2016 em exceções de incompetência que tramitam perante a 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba, referidos Procuradores da República, ao invés de limitarem à discussão jurídica em torno da competência do juízo — tema exclusivo dos incidentes processuais — afirmaram, dentre outras coisas, que "já há elementos de prova de que LULA participou ativamente do esquema criminoso engendrado em desfavor da PETROBRAS, e também de que recebeu, direta e indiretamente, vantagens indevidas decorrentes dessa estrutura delituosa".

Tal afirmação, além de não estar baseada em nenhum elemento concreto — até porque as investigações estão em curso, inclusive com novas diligências determinadas pela Polícia Federal — viola o art. 8º da Resolução 27/2007, do CNMP, que expressamente proíbe os membros do Ministério Público de "externar ou antecipar juízos de valor a respeito de apurações ainda não concluídas" (art. 8º). Viola, ainda, a regra de tratamento que decorre da garantia da presunção de inocência prevista na Constituição Federal e em Tratados Internacionais que o País se obrigou a cumprir, que impede que se formulem juízos morais contra qualquer cidadão fundados em situações juridicamente ainda não definidas.

A reclamação aponta a troca do devido processo legal pelo sensacionalismo com afirmações sem base, buscando condenação por um trial by media. 

O documento está disponível em www.abemdaverdade.com.br

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

No GGN
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Kennedy: a trapaça de Maia para salvar Temer e Cunha

Quem manda é o Cunha e não o Temer - Ciro Gomes



Governo e Câmara tentam salvar Cunha; Meirelles se enfraquece

Marcar a votação da cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para uma segunda-feira, dia 12 de setembro, no meio das eleições municipais, é uma clara articulação para facilitar a vida do ex-presidente da Câmara.

Será um escândalo realizar essa votação num dia de baixa presença no Congresso Nacional. Como são necessários 257 votos dos 513 deputados para que Cunha seja cassado, essa data é um presente para o peemedebista e um tapa na cara da sociedade diante da quantidade de acusações graves que pesam contra ele.

Mais: mostra que o governo e boa parcela da Câmara temem segredos que Cunha possa tornar públicos. Aprovar o impeachment de Dilma e dar a Cunha a chance de escapar confirma o uso de dois pesos e duas medidas e reforça a tese de um golpe parlamentar contra a petista.

É inusual marcar a votação para uma segunda-feira, porque cassações são geralmente votadas às quartas, dia de maior quórum no Congresso. Aliás, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está quebrando uma promessa de votar a cassação num dia de presença alta no plenário, a fim de evitar que seja responsabilizado por eventual salvação de Cunha. Maia mudou o discurso pressionado pelo governo, que não assume isso publicamente, e por líderes partidários comprometidos com os segredos que dividem com o ex-presidente da Câmara.

Marcar a votação da cassação para depois do impeachment de Dilma permitirá o discurso de que seria melhor deixá-lo responder às acusações da Lava Jato com o mandato de deputado federal a fim de não criar tumulto na economia. Deixar Cunha como um problema apenas do Supremo Tribunal Federal é uma covardia da Câmara dos Deputados.

Essa votação deveria ter sido marcada para esta semana ou para a próxima, como sugeriu Rodrigo Maia quando se elegeu presidente da Câmara. Mas ele deu sinais de que embarcou na articulação para salvar Cunha.
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Juiz que sustou posse de Lula e tinha Facebook "Fora PT" concede palestra sobre imparcialidade

O juiz federal Itagiba Catta-Preta Neto, famoso por sua página nas redes sociais com fotos e montagens contra Dilma Rousseff, Lula e demais políticos do PT, bem como por conceder liminar que impediu o ex-presidente de assumir o Ministério da Casa Civil, palestrou hoje (8) na III Semana Institucional do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região sobre o risco do protagonismo judicial ferir a imparcialidade.

Catta Preta é juiz federal há 20 anos. Em março deste ano, concedeu uma liminar em 28 segundos para suspender a posse de Lula na Casa Civil.

Minutos após a decisão que repercutiu em diversos canais, postagens do magistrado no Facebook viralizaram nas redes sociais, cujo conteúdo apresentava mensagens, memes e fotos do juiz nas manifestações em favor do impeachment da presidenta.

"Ajude a derrubar a Dilma e volte a viajar para Miami e Orlando. Se ela cair, o dólar cai junto", publicou Catta-Preta. Outra legenda dizia "Liberté, Egalité, Fraternité e Fora Peté".

O magistrado foi cobrado por suas posições políticas que influiriam na decisão liminar - verdadeiro recorde de 28 segundos. Entretanto, passada a polêmica, Catta-Preta palestrou em São Paulo, no Tribunal Trabalhista, com o tema: “O protagonismo Judicial importa risco à imparcialidade?”.

Uma fonte próxima ao Justificando afirmou ser "bizarro" um juiz com o histórico de Catta-Preta palestrar a outros sobre imparcialidade.

No Justificando
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A Origem dos Deuses


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Jamil Murad: Pelo fomento à comunicação alternativa e comunitária

Vivemos um período de centralização e grande poderio dos enormes conglomerados midiáticos que defendem interesses próprios. A concentração dos meios de comunicação impede a diversidade informativa e cultural e afeta a democracia.

É preciso fazer mais do que a denúncia do monopólio da mídia. O Estado pode e deve contribuir com outros importantes setores da comunicação, como a comunitária e alternativa.

A comunicação comunitária na cidade de São Paulo é riquíssima, conta com rádios e jornais comunitários que ajudam a formar a identidade cultural de nossa metrópole. Assim como a mídia alternativa que ultimamente tem cumprido fundamental papel para arejar o debate que muitos vezes é interditado pelas empresas que formam os monopólios de comunicação.

Por isso, apresentei o projeto de lei 432/2016 que tem como fundamento, entre outros, o respeito à liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, os direitos humanos e o exercício da cidadania em meios digitais. O projeto tem também como objetivo assegurar a pluralidade de ideias e opiniões nos meios de comunicação, estimular e fomentar a cultura da cidade através das mídias comunitárias e alternativas.

A democratização das comunicações é o objetivo central deste projeto de lei que procura criar Política Municipal de Incentivo e Fomento às Mídias Locais e Produtores de Conteúdo de Mídias Digitais no Município.

Diante desta realidade é importante dar garantia de condições de sustentabilidade suficientes para uma produção de conteúdo independente e autônoma para que os demais meios de comunicação local possam atuar na alimentação de informações sobre os mais diversos temas, dando importante passo no processo de democratização dos meios de comunicação e promovendo transparência e acesso às informações públicas.

Leia abaixo o projeto:

Projeto de Lei Nº 432/16

Dispõe sobre Política Municipal de Incentivo e Fomento às Mídias Locais e Produtores de Conteúdo de Mídias Digitais no Município de São Paulo e dá outras providências.

Art. 1º A Política Municipal de Incentivo e Fomento às Mídias Locais e Produtores de Conteúdo de Mídias Digitais no Município de São Paulo consiste em adoção de medidas que estimulem a produção deste setor.

Art. 2º Para atender o disposto no artigo 1º, o Executivo fica autorizado, observados os preceitos legais sobre a matéria, a destinar percentual não inferior a 5% (cinco por cento) da verba prevista no Orçamento Municipal sob a rubrica destinada à publicidade e publicação de interesse público.

Parágrafo único O percentual previsto no caput será direcionado para a divulgação de obras, anúncios, editais, programas, serviços e campanhas em geral, para os veículos mencionados nesta Lei.

Art. 3º Para os efeitos desta Lei considera-se Mídia Local e Produtores de Conteúdo de Mídias Digitais os seguintes veículos:

I periódicos, jornais e revistas impressas, com tiragem entre 10.000 (dez mil) e 100.000 (cem mil) exemplares editados sob a responsabilidade de empresário individual, micro e pequenas empresas;

II veículos de radiodifusão local, devidamente habilitados em conformidade com a legislação brasileira;

III veículos de radiodifusão comunitária, devidamente habilitados em conformidade com a legislação brasileira;

IV veículos de comunicação por mídias eletrônicas como sítios eletrônicos, TV Web, Radio Web, blogs e demais produtores de conteúdo de mídias digitais editados aos auspícios da Lei Federal nº 12.965 de 23 de abril de 2014, sob a responsabilidade de empresário individual, micro e pequenas empresas.

§ 1º As mídias apontadas devem ter reconhecimento local, caracterizando-se por serem prioritariamente dirigidas aos bairros e distritos ou a segmentos específicos do município;

§ 2º O Executivo poderá exigir que a tiragem a que se refere o inciso I do caput deste artigo seja atestada por instituto de pesquisa de notória reputação.

Art. 3º Para efeito de habilitação aos recursos públicos, as mídias interessadas deverão observar os seguintes critérios:

I ter, no mínimo, 2 (dois) anos de funcionamento sem interrupção de suas atividades e vinculado a órgão de classe associado;

II possuir preferencialmente jornalista legalmente responsável por sua programação

III não manter vínculos que a subordinem ao comando de outras empresas jornalísticas e de radiofusão, igrejas, partidos políticos, sindicatos ou associações representativas de setores industriais ou de serviços;

IV não possuir proprietário, sócio ou gerente que exerça estas mesmas funções em outra mídia beneficiária;

V não possuir proprietário, sócio ou gerente, ou parentes até o segundo grau destes, que ocupem cargos públicos eletivos ou de confiança nos âmbitos municipal, estadual ou federal;

VI primar e veicular conteúdo eminentemente editorial, sendo vedado o benefício a mídias destinadas exclusivamente a conteúdos publicitários e/ou as entidades descritas no inciso III do caput deste artigo.

Art. 4º O Executivo Municipal regulamentará a presente lei no prazo máximo de 60 (sessenta) dias.

Art. 5º As despesas decorrentes desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas, se necessário.

Art. 6º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Jamil Murad é presidente do Comitê Municipal do PCdoB de São Paulo e vereador, exerceu três mandatos de deputado estadual e um de deputado federal.
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O Xadrez dos movimentos radicais de uma democracia incompleta


O Brasil é o país dos extremos, vítima de movimentos pendulares radicais.

Determinadas tendências vão se radicalizando pela inércia, sem que sejam contidas por fatores moderadores. Quando assumem proporções intoleráveis, são sucedidas por movimentos contrários que, primeiro corrigem os excessos anteriores para, depois, promoverem sua própria radicalização. E não há freios, amortecedores para reduzir a intensidade desses movimentos.

Se alguém afirmar que o governo Dilma foi dos mais desastrosos da história, não vou discutir. Mas um sistema institucional robusto teria que dispor de instrumentos para passar incólume pelo desafio Dilma, permitir ajustes sem abrir espaço para aventuras golpistas. E o golpismo impediu os movimentos corretivos de Dilma.

A crise atual lança luzes sobre um conjunto de vulnerabilidade o da sociedade brasileira, permite identificar as correções a serem feitas, mas não se vislumbram agentes econômicos, sociais ou políticos para cumprir a função moderadora.

O subdesenvolvimento é uma construção de gerações, já se dizia.

Chave 1 - Agentes moderadores das políticas públicas

Os movimentos de política econômica costumam ser pendulares. A oposição torna-se governo criticando os exageros da política anterior. Há um movimento inicial, virtuoso, de correção de rumos, de trazer o pêndulo para o centro. Na medida em que se tem sucesso, o movimento tende a radicalizar para o outro extremo. Ou seja, o próprio sucesso do modelo planta as sementes dos exageros posteriores.

Com a eleição de Dilma Rousseff, após as ações anticíclicas vitoriosas de 2008, havia a esperança de que o país estaria imunizado contra movimentos radicais voluntaristas.

O que se viu foi o poder solitário de uma presidente produzindo um conjunto de medidas voluntaristas não tão drásticas quanto os vizinhos, mas suficiente para desmontar a economia, expondo o governo a uma oposição destrutiva.

Como conseguir o equilíbrio? A imprensa não tem capacidade ou maturidade para exercer esse papel moderador. Há décadas é presa ao refrão único dos juros altos, livre fluxo de capitais, Estado mínimo, alergia a qualquer forma de aprofundamento da democracia. É uma imprensa do nível da venezuelana.

Um Conselho Superior de Economia não só coibiria os exageros, como qualquer mudança de rota. Portanto, não seria aconselhável.

O grande problema do presidencialismo brasileiro não é apenas a dispersão de partidos. É também o poder absoluto do presidente. Quase tão absurdo quanto o golpe foi a atuação individual da presidente, inibindo a atuação de conselhos populares, de fóruns empresariais, não concedendo audiências a representantes de outros poderes e sequer se alinhando com seu próprio partido.

O ideal seria partidos políticos programáticos, com ideias claras sobre a economia e, principalmente, instrumentos para conter ímpetos voluntaristas dos seus candidatos eleitos.

O mínimo que se espera é que os atos do presidente sejam analisados, avalizados ou não, pelo seu partido ou base de apoio. Hoje em dia, nem partidos há.

A grande dicotomia a ser vencida é, de um lado, criar ferramentas que subordinem o presidente ao programa do partido e canais de participação técnica e popular. De outro, não inibir seu protagonismo.

2. O papel desestabilizador das corporações públicas.

Padilha deve seu poder a JanotO grupo que se apossou do poder — Michel Temer, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha — deve sua vitória ao Procurador Geral da República Rodrigo Janot, ao Ministério Público Federal em geral e ao Tribunal de Contas da União. Eles foram os agentes finais, que ajudaram a desequilibrar o jogo, que colocaram a caneta mais poderosa da República nas mãos de Temer e Padilha, com um protagonismo político inaceitável em qualquer país civilizado.

Pior, o corporativismo impediu o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) de exercer o papel moderador. A procuradoria de coalizão — fruto da escolha do procurador mais votado para a PGR — faz com que os candidatos cada vez mais se afastem dos valores constitucionais do Ministério Público e se aproximem da ansiedade por poder da massa da corporação.

Por outro lado, sem o mecanismo da eleição direta para a lista tríplice, corre-se o risco de se voltar ao tempo do Ministério Público engavetador.

De alguma forma, se terá que encontrar o meio-termo, ou através da formação de um Conselho de Notáveis, com as figuras referenciais do próprio Ministério Público que, mesmo não tendo poder de veto, possa exercer moralmente um papel moderador.

É inacreditável que um poder, a PGR, que se vangloriava de contar com altos conselhos técnicos para qualquer tema, não tenha conseguido montar uma identidade simples:

Poder Executivo - Dilma Rousseff = Michel Temer + Eliseu Padilha + Geddel Vieira Lima + Moreira Franco + Eduardo Cunha = - Poder do MPF

3. A leniência com a ilegalidade

O jogo anterior à Lava Jato estimulava o malfeito. Apelações infinitas, uso indiscriminado do fruto podre para anular inquéritos, sentenças jamais cumpridas.

Aí o movimento pendular se inverte.

Os vazamentos de inquéritos sigilosos, com propósitos políticos, tornam-se uma constante. O uso de inquéritos policiais para represálias políticas, um novo normal. O uso abusivo de poder de Estado de qualquer procurador iniciante, representando contra grupos políticos, solicitando prisões midiáticas, vazando informações para a imprensa passam a ser aceitos como normal. A incapacidade do STF de confrontar os abusos, infelizmente, tornou-se uma constante.

Ao tolerar vazamentos, o PGR Rodrigo Janot ajudou a criar um poder paralelo incontrolável, na parceria política mídia-procuradores. O que era uma prática coibida, considerada abusiva, torna-se o novo normal, inclusive na PGR.

Ao aceitar as gravações contra Delcídio do Amaral, o Ministro Teori Zavascki convalidou o grampo ilegal. E a falta de providências contra os vazamentos de escutas ilegais, no episódio dos diálogos da presidente, comprovou a subversão no sistema de hierarquia do Judiciário.

Os ataques montados pela parceria mídia-procuradores contra o Ministro Marcelo Navarro Ribeiro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), são de natureza pior do que os ataques apócrifos perpetrados contra a esposa do Ministro Luís Roberto Barroso, ou com a possível intimidação do Ministro Luiz Facchin, que praticamente imobilizaram o Supremo.

A história do "não é comigo" não cola. Esse quadro é de responsabilidade direta de Rodrigo Janot, Teori Zavascki, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso, que permitiram que o STF passasse a ter a cara de Gilmar Mendes e a se deixar conduzir pela Lava Jato. E menciono apenas aqueles dos quais se esperava algo.

Tem-se agora uma re-centralização política similar ao período da ditadura. Os estamentos brasilienses — Congresso, corporações públicas, MPF, Judiciário — avançando sobre o orçamento público, ao preço de arrebentar com a estrutura de despesas federais, saúde, educação, segurança, Previdência e outras funções de Estado.

5. O papel desestabilizador da Globo

Desde as campanhas de 2006 e 2010, ampliada pela campanha do mensalão, observou-se o papel deletério do cartelização da mídia. A cartelização produziu dois fenômenos opostos, mas correlatos. De um lado, a plena liberdade dos grupos oficiais de mídia para assassinar reputações, adulterar notícias, jogar vergonhosamente com a autoestima nacional, em episódios inaceitáveis para qualquer sociedade minimamente civilizada. De outro, uma ação pertinaz de esmagamento do discurso contrário, através de ações judiciais contra blogs e sites independentes..

A tendência dominante é o de enfraquecimento gradativo da mídia e aumento da atoarda representada pelas redes sociais. Mas o papel das Organizações Globo tornou-se uma questão de Estado. Sua influência sobre a opinião pública, o Judiciário e o Ministério Público criou um território indevassável, que conseguiu bloquear até a cooperação internacional do MPF com o FBI, nas investigações do caso FIFA, ou das contas no escritório Mossak Fonseca.

A regulação econômica da mídia e o uso correto das concessões públicas tornaram-se uma questão de sobrevivência da democracia brasileira. 

PS — Agora à noite, ao solicitar que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também investigue as contas de Aécio Neves, "por uma questão de isonomia", a Ministra Maria Thereza de Assis Moura comprova a superioridade de gênero: mulher, fez o que Ministro nenhum tem ousado fazer, com receio da agressividade inaudita e do uso da mídia por Gilmar Mendes, deixando o Judiciário refém da falta de limites.

Luís Nassif
No GGN
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Temer pode estar por trás da absolvição de Russomanno no STF

Ele
O voto do ministro Gilmar Mendes pela absolvição de Celso Russomanno por crime de peculado (no português claro: desvio de dinheiro público) no Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira, 9, levou muita gente a acreditar que o presidente interino Michel Temer pode estar por trás da decisão.

Além de Mendes, que deu o voto de minerva, manifestaram-se a favor do deputado os ministros Dias Toffoli e Celso de Mello.

Carmen Lúcia, relatora do processo e o ministro Teori Zavascki, mantiveram-se favoráveis à condenação.

“A decisão reforça a tese de que Temer está jogando para tirar o Fernando Haddad do segundo turno”, afirmou Paulo Fiorillo, presidente do diretório municipal do PT. Fiorillo lembrou que Russomanno é forte justamente nos bairros periféricos, onde o PT tradicionalmente tem boa votação.

“Mas decisão da Justiça nos cabe acatar”, disse o dirigente.

No PMDB, a absolvição foi recebida com naturalidade.

“Russomanno é um nome forte, conhecido, mas para os eleitores, principalmente os mais humildes, a sua candidatura é uma faca de dois gumes, já que os problemas da cidade são mais complexos que aquilo que ele mostra na TV todos os dias”, comentou Fábio Fortes, presidente da Associação de Moradores e presidente licenciado do Conseg de Santa Cecília. “Sem perceber, as pessoas podem estar comprando uma falsa ilusão”.

Muna Zeyn, coordenadora da campanha de Luiza Erundida (Psol), mostrou indignação com a decisão do STF.

“Se a intenção é mudar as coisas para melhor, esquece”, disse ela.

“É um passo atrás, a sinalização de que vale a pena tripudiar sobre a ética e a dignidade na vida pública. Ninguém pode usar dinheiro público para fins pessoais”.

Evando Losacco, vice-presidente do PSDB e membro do conselho político da campanha de João Doria, evitou juízo de valor.

“Nossa campanha será focada em propostas, não nos adversários”, disse ele. “O que esperamos do Russomanno é que ele exponha seus planos para a cidade e que o eleitor possa compará-los com os nossos”.

O certo é que Doria, cuja aceitação, segundo as pesquisas, é maior na região do centro expandido, onde se concentram os bairros ricos, é o que menos deve sofrer perda de votos com a absolvição do candidato do PRB.

A briga vai ser grande mesmo é nos bairros afastados onde estão os eleitores mais pobres e menos escolarizadaos, tradicionalmente inclinados a apoiar candidatos populistas como Russomanno ou com discurso voltado para o social, como os de Marta, Fernando Haddad e Erundina.

“Com o tempo de TV vamos poder mostrar tudo o que fizemos em quatro anos”, afirmou Fiorillo. “A torcida do presidente interino contra a nossa ida para o segundo turno é um forte indício da força da nossa candidatura”.

José Cássio
No DCM
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Serra, Odebrechet, Russomano e o dinheiro nas meias de Paulo Preto

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/08/10/serra-odebrechet-russomano-e-o-dinheiro-nas-meias-de-paulo-preto/


Ninguém nada mais nada menos do que Marcelo Odebrechet teria revelado em negociação para delação premiada que o senador José Serra, atual chanceler do governo interino, teria recebido 23 milhões de reais, em 2010, para a sua campanha presidencial. Em dinheiro de hoje, 35 milhões.

Sei que o leitor deste blogue é inteligente e sabe fazer contas, mas só para efeito de comparação com esses 35 milhões dá para comprar uns 50 apartamentos ditos triplex localizados na praia da Enseada, no Guarujá, e que supostamente seriam do Lula.

Mas se o leitor preferisse investir em umas terrinhas em Atibaia com dois pedalinhos, daria pra mandar embrulhar umas 20 com o tamanho daquela que também dizem ser do ex-presidente.

Ou seja, não é pouca grana.

E no depoimento, Odebrechet diz ter provas de mandou depositar a bufunfa no exterior. E ainda acrescenta que também teria dado 10 milhões de reais para o interino Michel Temer.

A mídia tapuia faz de conta que não leu, não viu e ouviu.

Até porque quem noticiou o fez pra não deixar a matéria cair no colo de um blogueiro sujo qualquer. Antes eles darem primeiro. E esconderem depois.

É assim que funciona.

Mas essa matéria dos 23 milhões da Odebrechet para Serra em 2010 leva a uma questão ainda menos explorada. Deveria levar os jornalistas a irem atrás de um senhor chamado no tucanato de Paulo Preto.

Ele sempre foi conhecido por operar heterodoxamente recursos na Dersa.

E foi preso na loja da Gucci por tentar vender uma jóia que teria sido roubada na própria loja.

Tudo muito estranho.

Mas não foi estranha a reação do José Serra quando Dilma num debate naquela eleição de 2010 lhe tascou na testa o nome de Preto.

Serra suou frio, fez cara de nada e fugiu da história.

De uma história que renasce agora e que pode voltar ao ponto inicial.

Mas há um outro nome que pode tratar do assunto, Celso Russomano. Ele mesmo, o candidato favorito à prefeitura de São Paulo;

A revista IstoÉ, em 2010, fez uma matéria onde o atual candidato a prefeito pelo PRB narrava o que tinha assistido na delegacia em que Paulo Preto foi preso.

Leiam abaixo e depois digam se isso não merecia muitas outras matérias.
“O engenheiro foi preso em flagrante no dia 12 de junho, na loja de artigos de luxo Gucci, dentro do Shopping Iguatemi, no momento em que negociava ilegalmente um bracelete de brilhantes avaliado em R$ 20 mil. Detido pela polícia, Paulo Preto foi encaminhado ao 15° DP, localizado no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo.

Por coincidência, estava na delegacia naquele momento, registrando uma ocorrência, o deputado Celso Russomano (PP-SP). Ali ele presenciou uma cena pouco usual. A delegada titular do distrito, Nilze Baptista Scapulattielo, conforme Russomano contou a ISTOÉ, foi pressionada por autoridades da Polícia Civil e do governo de São Paulo para livrar o engenheiro da prisão.

Ela recebeu ligação do Aloysio (Nunes Ferreira, ex-chefe da Casa Civil), do delegado-geral, do delegado do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), isso tudo na minha frente, para aliviar o Paulo Preto. A pressão era para não prendê-lo em flagrante delito”, disse Russomano.

Ou seja, dois meses depois de ter sido demitido da Dersa, o ex-diretor ainda era tratado com privilégios por membros da cúpula do governo paulista. Para defendê-lo, foram capazes até de agir ao arrepio da lei, que deveria valer de maneira igualitária para todos. Mas as pressões não foram suficientes para tirar do prumo a delegada, que cumpriu suas obrigações profissionais.

Nilze Baptista é conhecida no meio policial pela competência e pulso forte. Além de prender Paulo Preto, enquadrou o engenheiro como receptador de joia roubada. No boletim de ocorrência, Nilze Baptista disse que, durante a detenção, foram encontrados R$ 2.742 na calça e R$ 8.500 no bolso da jaqueta bege de Paulo Vieira de Souza. Escapou-lhe, porém, um pequeno detalhe que joga um ingrediente ainda mais peculiar no episódio. “Quando Paulo Preto foi flagrado pela polícia, também havia dinheiro nas meias”, revela Russomano.

Durante a ação policial, os agentes ainda apreenderam com Paulo Preto um veículo esportivo de luxo BMW Z4 2009/2010, avaliado em R$ 250 mil. Horas depois, o veículo foi liberado. Já o engenheiro passou dois dias no xadrez.”
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Moro, vai atrás do 'Cerra' em Nova York

"Só pode ter vindo de jatinho", diz o garçom mineiro

Quarto de US$ 1,503 a noite e vinho de US$ 13,500
Reprodução: Squarespace
O "Padim Pade Cerra" é suspeito de ser corrupto desde 1983, no Governo Montoro, em São Paulo, quando foi Secretário de Planejamento e tinha que aprovar todas as obras e gastos.

O então deputado Flavio Bierrembach tentou na Justiça, no recurso à “exceção da verdade”, provar que ele era ladrão e ele, 'Cerra', fez de tudo para não deixar a Justiça provar que ele não era ladrão.

Cerra foi também do “planejamento” da privataria tucana, quando seu clã, segundo as denúncias irrespondíveis do Amaury Ribeiro Jr., enriqueceu por várias gerações.

Depois, Rubens Valente, no livro “Operação Banqueiro”, onde se prova que, sem Gilmar, não haveria Daniel Dantas, demonstra que 'Cerra' “operava” com o lobbista Roberto Amaral para beneficiar Daniel Dantas no Governo do Príncipe da Privataria.

A trajetória do enriquecimento de Cerra ainda está para ser escrita.

Por Amaury, Valente, ou outro destemido jornalista.

Quem sabe não será o historialista dos chapéus?

No dia seguinte a um editorial da Fel-lha que mandava 'Cerra' e Temer à Papuda, Gaspari, disciplinadamente, escreveu destemida colona para dizer o óbvio: que a Lava Jato tinha esbarrado no 'Cerra'!

(O Janio mostra que a Odebrecht o pagava no exterior!)

Como demonstrar isso?

Onde ele recebia e em que gastava?

Já que não recebe delações premiadas, o Conversa Afiada, por conta própria, resolve contribuir para o aperfeiçoamento da Lava Janto e fazer uma não-premiada delação.

Poucos dias depois da retumbante vitória de Dilma sobre 'Cerra', em 2010, o ansioso blogueiro e a mulher foram a Nova York jantar no famoso Café Boulud, num chiquérrimo endereço: 20 East 76th, a alguns passos do Central Park.

Ali, um vinho Romané-Conti, 2011, custa US$ 13,500.

(O Gaspari entende muito de Romanée-Conti. Na campanha de 2002, ele ficou horrorizado porque o Duda Mendonça ofereceu um Romanée-Conti ao Lula, num restaurante do Rio, para celebrar a vitoria esmagadora sobre o… 'Cerra'! Ele gosta de apanhar…)

A certa altura, aproxima-se um garçom mineiro do Le Boulud.

Provavelmente lulista

E conta ao ansioso blogueiro que, na noite seguinte à derrota para Dilma, 'Cerra' jantou lá.

(O que dá a entender que viajou a Nova York de jatinho...)

Ficou só, num canto reservado.

E pediu um bom vinho (o mineiro foi discreto e não identificou o vinho…)

Mas, contou que 'Cerra' se hospedou no hotel em cima do Boulud.

Trata-se de um “hotel boutique”, em que a acomodação “Grande De Luxe”, de 37 metros quadrados, com cama tamanho King, custa US$ 1,503.00, a noite.

O imparcial Dr. Moro deveria mandar uma delegação da Força Tarefa a Nova York refazer esse trajeto do Cerra, pegar os recibos, trazer de volta, e vazar para o Janio de Freitas.

Quá, quá, quá!

Esse Dr. Moro...

PHA

No CAf
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Kiribati!

As surpresas começaram durante o desfile das delegações na (magnífica) inauguração da Olimpíada do Rio. Várias delegações eram de países que eu não sabia que existiam. Onde fica Comores? Em que canto do mundo se esconde Djibuti? E Vanuatu? Algumas delegações eram de poucos atletas e nenhuma ambição de medalhas. Outras, tenho certeza, só estavam ali para testar a minha ignorância geográfica. Duvido que existam, mesmo, Nauru, Butão e Palau.

Outra coisa que eu ignorava era é que no Brasil se joga rúgbi – feminino! O rúgbi, como se sabe, foi inventado por ingleses que achavam o futebol um jogo para meninas, ou procuravam um pretexto para se agarrarem sem provocar falatório. Parece que as nossas surpreendentes meninas não estão fazendo feio.

O esporte mais decepcionante de todos é a esgrima. É verdade que fomos mal acostumados pelo cinema, em que lutas de espada são sempre emocionantes, com os espadachins trocando estocadas e contraestocadas e muitas vezes destruindo o cenário à sua volta, até que um seja trespassado pelo florete do outro. Na esgrima como esporte não há nada parecido com a coreografia empolgante que nos acostumamos a ver no cinema. Os competidores se enfrentam, avançam e recuam, um esperando uma brecha na defesa do outro, e suas espadas raramente se cruzam. Às vezes, uma só estocada, que, em vez de trespassar o outro, dispara uma luzinha e um sinal de que ele foi atingido, decide tudo. Eu sei, eu sei, a esgrima tem sutilezas que o espectador nem sempre nota e deve ser apaixonante para quem o pratica. Mas a única emoção que me provoca é a de saudade do D’Artagnan.

China e Estados Unidos, pelo que se está vendo, devem dividir a maioria das medalhas de ouro. O que já se esperava. Eu confesso que tinha uma secreta esperança de que surgisse uma grande revelação e o maior nome desta Olimpíada. Um nadador de Burundi, por exemplo. Um levantador de peso de Brunei Darussalam. Alguém de Kiribati!

Luís Fernando Veríssimo
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Discussão entre Lava Jato e Odebrecht leva a impasse

A discussão entre dirigentes da Odebrecht e a Lava Jato, sobre um acordo de delação premiada, encontra dificuldades resistentes de parte a parte. A ponto de ser admitida a hipótese de uma situação nova e de decorrências imprevisíveis, com a mais importante das empreiteiras e os métodos da Lava Jato postos em xeque.

Há um mês, Sergio Moro e os procuradores divulgaram que só aceitariam mais um "acordo" de delação. Havendo, porém, duas empreiteiras a discuti-lo, era já um degrau mais alto nas pressões contra as dificuldades de dobrar a Odebrecht e a OAS, nas pessoas de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro. Nem por isso os dois saíram correndo para conceder o que lhes é exigido, na concepção de preço que a Lava Jato arbitra, sem parâmetros prévios, e submete à aprovação do STF.

Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba há um ano e dois meses, a se completarem na próxima semana. Aguardou quatro meses para a primeira e breve inquirição. Só na semana passada foi ouvido pela primeira vez no grupo de procuradores, como noticiado pela Folha. Léo Pinheiro recebeu outra pena. Os ex-diretores da Petrobras, que agiram com várias empreiteiras, estão em suas casas de férias em Itaipava e Angra dos Reis, e em edifícios luxuosos de Ipanema e Leblon.

O impasse entre a Lava Jato e a Odebrecht deixou bem caracterizado o seu início: os vazamentos da força-tarefa curitibana de repente arrefeceram, e logo sumiram mesmo por largo tempo. As informações propostas pela Odebrecht, para análise da possível delação, davam rumo diferente à temática da Lava Jato: entrevam lideranças do PSDB, governo paulista, Michel Temer e PMDB, enfim, muitos daqueles que, se mencionados em depoimentos distantes, foram entregues depressa aos resguardos do silêncio.

A Lava Jato nada foi verificar ou quis descobrir nesses veios da corrupção, como sabem, não o digam ou digam o contrário, os que têm as informações básicas sobre o que se passa lá e nas adjacências. A confluência de novos citados e o sumiço de vazamentos faz parecer a existência de uma contradição nessa fase da Lava Jato, em cobrar mais delações e desprezar delações a mais do que o esperado ou desejado.

Só há quatro dias um assunto da nova temática apareceu, com a revelação da Folha, pela repórter Bela Megale, de que dirigentes da Odebrecht informaram a Lava Jato sobre doação "por fora" de R$ 23 milhões (hoje, R$ 54,5 milhões) "à campanha" presidencial de José Serra em 2010.

Além daquele montante, haveria ainda R$ 2,4 milhões (R$3,6 milhões de hoje) doados por meio do Comitê Financeiro Nacional da Campanha, portanto, legais em princípio.

Parte daquele montante anterior foi depositada no exterior. E aí há, digamos, um equívoco. Partido não precisa de dinheiro no exterior, o que até exige complicadora remessa para o Brasil. Depósito no exterior indica como destino, não campanhas, mas bolsos e contas pessoais, mesmo se encobertas por terceiros.

Ainda no ramal novo, o aparecimento de Michel Temer e Eliseu Padilha, se bem que citados por "Veja", traz delicada contribuição para o seu governo. Não foi por casualidade destoante que a composição do ministério encheu-se de pendurados na Justiça e estrelas das citações a jato. Pode-se agora deduzir afinidades a conduzirem as escolhas. No fundo, é de fato o mesmo grupo do PMDB e da Câmara. O governo montado por Temer tem unidade, pois. De cima a baixo.

Nem mesmo é casual a proteção que Michel Temer e seus aliados proporcionam a Eduardo Cunha para protelar sua cassação, já adiada, e agora marcada para 12 de setembro.

Janio de Freitas
No fAlha
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