10 de ago de 2016

A defesa de Cardozo no plenário do Senado


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Carta aberta ao jornal O Estado de S.Paulo


Em editorial veiculado nesta data (10/08/2016), intitulado “O que resta a Lula”, o jornal “O Estado de S.Paulo” promove um reprovável ataque à defesa do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentando mascarar o antagonismo político do diário em relação a Lula com questões técnico-jurídicas.

O mote da publicação foi a crítica feita pela defesa de Lula em relação à iniciativa do Delegado Federal Marcio Adriano Anselmo de envolver familiares do ex-Presidente em um inquérito policial destinado a apurar a propriedade de um sítio em Atibaia (SP). No último dia 08/08, Anselmo decidiu convocar a esposa e um dos filhos de Lula para serem ouvidos no âmbito policial e, além disso, determinou — sem ordem judicial — uma nova devassa na vida dos filhos do ex-Presidente.

A crítica da defesa é plenamente justificável do ponto de vista jurídico. Se a investigação busca saber quem é o proprietário de um bem imóvel, a resposta terá que ser encontrada, necessariamente, no Cartório de Registro de Imóveis onde está situada a propriedade. E, especificamente, no caso desse sítio de Atibaia, a matrícula do imóvel revela, de forma inequívoca, que os proprietários são Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Não bastasse, no dia 14/03/2016 — ou seja, há aproximadamente 05 (cinco) meses — a Força Tarefa Lava Jato recebeu de Fernando Bittar cópia da declaração de Imposto de Renda de seu pai, Jacó Bittar, “comprovando que os valores utilizados para a aquisição do sítio tiveram origem exclusiva e lícita da família Bittar”. Na mesma oportunidade Fernando Bittar apresentou cópia de documentos relativos aos gastos que efetuou com reformas na propriedade e, ainda, de sua frequência no local.

Merece registro, ainda, que o ex-Presidente Lula já prestou depoimentos tanto à Polícia Federal, como ao Ministério Público Federal, reafirmando que nem ele, nem seus familiares, são proprietários do mencionado sítio.

Diante desses fatos, não pode haver qualquer dúvida de que o sítio pertence a Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Por essa razão é que se afirmou que a determinação da oitiva de familiares de Lula pode ser entendida como uma retaliação às providências adotadas pela defesa contra os abusos cometidos pela Lava Jato em relação ao ex-Presidente.

Em relação à devassa na vida pessoal dos filhos de Lula, a situação é ainda mais grave. Qual a relação dessa medida com o objeto das investigações — a propriedade do sítio de Atibaia (SP)? Nenhuma. Outrossim, Luis Cláudio Lula da Silva já teve seus sigilos bancário e fiscal já foram quebrados no âmbito de outra Operação, a Zelotes, e nenhuma ilegalidade foi identificada.

Dessa forma, aquilo que o jornal classificou como “chicanas do exercício de causídicos”, nada mais é do que um posicionamento com base técnica de advogados que honram o mandato que lhes foi outorgado e prezam pelas garantias asseguradas ao seu constituinte tanto pela Constituição Federal, como pelos Tratados Internacionais que o País se obrigou a cumprir.

A propósito, o comunicado feito ao Comitê de Direitos Humanos da ONU no dia 28/07/2016 nada tem de “patético”, ao contrário do que também afirma, sem qualquer base técnica, o jornal. Primeiro, porque está baseado em um Protocolo Facultativo da ONU que o Brasil aderiu em 2009, especificamente para aceitar que o citado órgão pudesse analisar violações ao Pacto de Direitos Civis e Políticos que havia sido ratificado pelo País em 1992. Segundo, porque no comunicado foram listados diversos fatos concretos que demonstram que agentes do Estado Brasileiro violaram — e continuam a violar — de forma flagrante, as disposições desse Tratado no âmbito da Operação Lava Jato em relação a Lula e seus familiares. E mesmo após o caso ter passado pelo Supremo Tribunal Federal não houve cessação dessas violações — revelando inexistir um remédio eficaz no plano nacional para essa finalidade. Terceiro, porque o Brasil não pode viver aquilo que alguns juristas, como André de Carvalho Ramos, chamam de “truque de ilusionismo”, segundo o qual aderem às disposições de tratados internacionais sobre direitos humanos mas se recusam a seguir a interpretação dada a esses documentos pelos órgãos internacionais.

O jornal parte da superada tese de que um processo internacional de direitos humanos tem por objetivo “achincalhar a Justiça brasileira” — a mesma usada pelo Brasil durante a ditadura para não subscrever Tratados Internacionais sobre a matéria e, ainda, para ignorar os relatórios e as recomendações que eram dirigidas ao País pelos órgãos internacionais apontando graves violações aos direitos humanos. A tendência atual, no entanto, é o diálogo entre os Tribunais Nacionais e os órgãos internacionais encarregados de analisar violações aos direitos humanos.

Por isso mesmo, Greoffrey Robertson, um dos maiores especialistas no âmbito mundial na defesa dos direitos humanos e que também subscreve conosco o comunicado feito à ONU, afirmou, corretamente, em entrevista à Folha de S.Paulo (06/08/2016) que “Qualquer país se beneficia quando suas leis e procedimentos estão sujeitos ao escrutínio internacional para que atendam aos padrões internacionais de direitos humanos”.

Tivesse o jornal consultado seus arquivos, teria identificado reportagem publicada em suas páginas em 13/11/2014, intitulada “Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede” (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,delegados-da-lava-jato-exaltam-aecio-e-atacam-pt-na-rede,1591953), com referências específicas ao comportamento do Delegado Federal Marcio Adriano Anselmo em relação ao ex-Presidente Lula. Ora, diante desse fato — registrado pelo insuspeito jornal — mais do que nunca a defesa deve ficar atenta a qualquer ato que permita identificar perseguição ou retaliação a Lula ou aos seus familiares.

Lula, pessoalmente, e por meio de seus advogados, já prestou e prestará todos os esclarecimentos que lhe forem solicitados pelas autoridades brasileiras. Mas, como qualquer cidadão, exige o respeito às suas garantias fundamentais e ao devido processo legal.

São Paulo, 10 de agosto de 2016

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira
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Rafaela aplica ippon em Waack

Quáquáquá


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O jornalismo de guerra da mídia suprimiu o fato de que Rafaela foi favorecida por um programa de Dilma

A mão invisível de Dilma foi vital no ouro de Rafaela
No jornalismo de guerra que a plutocracia usa contra qualquer coisa remotamente parecida com esquerda, foi escondida ou simplesmente suprimida a informação de que Rafaela Silva foi beneficiada por um programa social criado por Dilma, o Bolsa Pódio.

Funciona assim: você não dá nada que possa ser positivo para seu inimigo. Você não dá sequer a verdade, como no caso da bolsa dada a atletas pobres como Rafaela.

Ninguém na imprensa lembrou, por exemplo, que a Olimpíada foi uma conquista pessoal de Lula. Graças a Lula, a Globo faturou com os jogos 1,5 bilhão de reais, mas a cultura jornalística da casa é tão perniciosa que a origem da Rio 2016 obliterou Lula.

Rir ou chorar?

Rir. Montaigne, em seus Ensaios, contrapôs dois sábios da Antiguidade. Um deles, diante da miséria humana, chorava. O outro ria. Montaigne recomendava a segunda alternativa: rir.

Riamos, então.

Fora a canalhice da mídia, o caso Rafaela mostra que os programas sociais devem ser, todos eles, ampliados. No esporte, e não só nele.

Uma sociedade tão brutalmente injusta e desigual brasileira só vai se tornar decente com a expansão e continuidade de programas sociais.

Mas Temer, o indesejado, acena exatamente com o contrário.

É preciso registrar ainda como o PT foi ruim na divulgação de programas como o Bolsa Pódio.

600 milhões por ano em publicidade federal na Globo e jamais o Bolsa Pódio foi citado nem em propaganda e nem, muito menos, editorialmente em nenhuma das múltiplas mídias dos Marinhos.

Perdemos todos com isso.

Rafaela ganhou — mas a mão de Dilma estava presente também. Mão invisível, como a mídia a trata, mas fundamental.

Paulo Nogueira
No DCM
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O Rabo e o Cachorro



O fascismo vive, historicamente, de grande absurdos e de um processo crescente, paroxístico, de negação da realidade, que troca a verdade por um determinado paradigma mítico que a substitui na mentalidade dos povos, levando-os a cometer supremas imbecilidades.

O movimento que levou Mussolini ao poder, baseava-se, entre outras coisas, na ideia de que um dos povos mais misturados do planeta, nos últimos dois mil anos, o italiano, situado no encontro de todas as esquinas do mundo — a África e a Europa, o Oriente e o Ocidente, o Leste e o Oeste — fosse descendente puro dos romanos — já então miscigenados de escravos e bárbaros por gerações - que habitaram a Península Itálica há 2.000 anos.

Isso, na crença da improvável hipótese de que um país récem-unificado há poucas décadas, mergulhado ainda na miséria e no analfabetismo, que exportava pobres para todos os continentes, estivesse predestinado a reeditar o poder da Roma Antiga e conquistar o mundo.

A Alemanha Hitlerista apropriou-se de um símbolo hindu, a suástica — criado por um povo de pele morena, magro, de cabelos escuros — e com ele consolidou uma mitologia nórdica de cabelos loiros e olhos azuis, que já vinha de obras como a Cavalgada das Walquirias ou o Anel dos Nibelungos, de Wagner, para erguer como insuperáveis monumentos ao ódio, ignorância, preconceito e morte, as chaminés dos fornos crematórios de Maidanek, Treblinka, Birkenau, cujo principal papel era o de transformar vida — amores, esperanças, memórias, sonhos, homens, mulheres e crianças — em cinzas e fumaça.

No Brasil de hoje, o oportunismo e um mal disfarçado fascismo desenvolveram uma ideia mestra com a qual pretendem chegar ao poder: a de que a corrupção é culpada por todos os males brasileiros e que todos os defeitos e problemas serão definitivamente sanados quando ela for eliminada para sempre da vida nacional.

Desde 2013, pelo menos, uma parcela aparentemente preponderante do Ministério Público, da polícia, dos juízes federais, aliada aos segmentos dominantes de uma mídia manipuladora e irresponsável — e a um verdadeiro exército de "colunistas", "especialistas" e "filósofos" conservadores, mendazes, hipócritas ideologicamente, e anacronicamente anticomunistas, destituído de qualquer compromisso com o desenvolvimento do país ou a preservação de um mínimo de governablidade, estão defendendo esse mito, movendo uma das maiores campanhas institucionais e midiáticas já vistas no mundo, destinada a fazer o país acreditar que a corrupção é o maior problema nacional e que ela pode ser erradicada por obra e graça de algumas mudanças na lei e o trabalho repressivo conduzido por meia dúzia de salvadores da pátria.

Nada mais errado, equivocado e perigoso.

A corrupção, por mais que queiram nos fazer crer certos segmentos da plutocracia e seus apoiadores, naturalmente interessados em pintar o diabo pior do que parece e exagerar o mal em seu próprio benefício, uns, para se supervalorizarem, outros para chegar ao poder, outros, ainda, para destruir adversários ideológicos que não conseguem derrotar nas urnas, não é, insistimos, nem de longe, o maior problema brasileiro, nem o de outro país.

Dificilmente ela vai ser totalmente eliminada um dia, como mostra a sua ubíqua, universal, presença, comum e inerente à sociedade humana, de forma amplamente disseminada, em qualquer nação do mundo, independentemente de sistema político ou grau de desenvolvimento, seja na Europa da Itália da Operação Mãos Limpas ou da Grã Bretanha em que se pagam orgias com prostitutas com verba do Parlamento, ou em potências espaciais e atômicas, como a Rússia, a China e os EUA.

Na maioria dos países do mundo, a corrupção é vista, por quem tem um mínimo de conhecimento histórico, como um rio que corre continuamente.

Um fenômeno que pode ser desviado, represado, canalizado, momentaneamente, mas que não tem como ser totalmente eliminado — corruptos surgem permanentemente, por desvio de caráter, pressão, convencimento, oportunidade de meter a mão no alheio — que deve ser visto com a dimensão que realmente tem, e cujo controle tem que ser exercido de forma a não afetar o funcionamento de um sistema infinitamente maior e mais complexo, e muitíssimo mais importante, que abarca todo o universo político, econômico e social de cada país e toda uma teia, vasta e interligada, de instituições internacionais.

Imaginem se o combate à corrupção vai se sobrepor aos interesses estrategicos de países como a Alemanha, a Rússia, a China, a Grã Bretanha, os Estados Unidos, que com ela convivem há centenas de anos.

Por lá, ele é um elemento a mais, no processo continuado, permanente, de fortalecimento e desenvolvimento nacional, que não destrói empresas nem empregos, nem programas ou projetos essenciais.

Do ponto de vista econômico, também, por maior que seja, a importância da corrupção é relativa.

No caso brasileiro, mesmo que fosse inequivocamente provado tudo que se está falando - com desvios de bilhões na Petrobras, sem nenhum funcionário de comissão de licitação preso ou envolvido; delações premiadas conduzidas por promotores e procuradores que especificam o que querem ouvir, arrancadas a cidadãos detidos há meses, sob custódia do Estado; conduções coercitivas sem prévia comunicação da situação de investigado e vazamentos propositais a torto e a direito; a repentina e retroativa transmutação, também "de boca", de doações legais, absolutamente regulares à época, do ponto de vista da lei e das instituições, em suposta propina — o dinheiro desviado pela corrupção seria, ainda, uma porcentagem mínima do que se desvia em sonegação de impostos, segundo algumas organizações, da ordem de mais de 700 bilhões de reais por ano.

Ou das centenas de bilhões de reais transferidos a cada 12 meses dos bolsos dos contribuintes para os cofres dos bancos privados, em juros pagos por títulos públicos, ou em meros cartões de crédito, por exemplo, com taxas de mais de 400% ao ano.

A diferença entre o dinheiro desviado do público por um corrupto e por um banco particular é que a comissão do corrupto, segundo se alega nas investigações, é de um a três por cento, e a do banco pode chegar a 300%, 400% do valor da operação.

Sobre o desvio do corrupto, o sujeito que eventualmente estaciona em vaga de portador de necessidades especiais de vez em quando, pode alegar, enraivecido, que não sabia do que estava acontecendo.

O assalto dos bancos ao erário, com a conivência dos governos é público, todo mundo sabe que está ocorrendo, mas muitos preferem fingir que não estão sabendo, nem a ele dedicar a mesma indignação.

É claro que, para o "sistema" — e para quem vive de gigolar, permanente e malandramente o discurso anti-corrupção — é muito mais fácil e conveniente fazer os trouxas acreditarem que estão faltando escolas e hospitais mais devido à desonestidade dos políticos do que por causa das centenas e centenas de bilhões de reais pagos em juros ou perdidos com a sonegação de impostos.

Esse é o caso — embora a massa ignara e conservadora não perceba que está sendo miseravelmente passada para trás — de redes de televisão que sonegam centenas de milhões de reais e que ganharam no último ano cerca de 3 bilhões em rendimentos financeiros, boa parte deles atrelados à SELIC, que defendem a independência do Banco Central em seus editoriais, e "convidam" todos os dias "especialistas" para "explicar" em seus programas de entrevistas porque os juros devem subir, com justificativas como a atração de investidores externos ou o combate à inflação.

Mas esse discurso venal, pseudo-moralista não serve apenas para distrair uma pseudo maioria de idiotas dos problemas realmente importantes e da verdadeira situação do país.

Ele também é a espinha dorsal de um manual que estamos pensando em escrever, chamado COMO CHEGAR AO PODER ATACANDO OS POLÍTICOS.

Um livrinho simples, cheio de conselhos simples de como enganar os trouxas, aproveitando-se de seus preconceitos e ignorância, que certamente teria sido lido, e servido de programa tático, se já existisse à época, por pilantras que usaram e abusaram desse estratagema, como Hitller e Mussolini, e outros assassinos sanguinários e hipócritas que se seguiram, porque nunca aprendemos, nós, os que pensamos defender a liberdade e a democracia, a velha lição de George Santayana, que reza que aqueles que se esquecem da História estão condenados a repetí-la.

De vez em quando, quando derrotado, o sistema fabrica uma bandeira e em cima dela produz um salvador da pátria, como ocorreu com um certo "Caçador de Marajás". Ele entrou e saiu do governo e, décadas depois, o Brasil continua, paradoxalmente, cada vez mais cheio de marajás que recebem acima do teto constitucional, muitos deles envolvidos com a caça a suspeitos de serem "corruptos".

Como já dissemos aqui, antes, o discurso anti-corrupção e a alegação de que se vai "consertar" o país, castigando os "bandidos", premiando os "mocinhos" - quem sabe até com uma Presidência da República - e dando paz e tranquilidade para os "homens de bem", são características clássicas da estratégia fascista, que joga com o preconceito, o conservadorismo, o ódio irracional e o medo da parte mais ignorante da população para chegar, e instalar-se, confortavelmente, no poder.

O combate à corrupção deve ser visto como uma tarefa normal, permanente, de qualquer país ou sociedade, e exercido com equilíbrio e bom senso, e nunca a serviço de interesses de um determinado grupo ou pessoa.

Se o Brasil fosse um cachorro — e está quase se transformando em um, com o avanço célere do "viralatismo" militante que defende a entrega de nossas riquezas a outras nações, incluídas algumas que estão incensando e vibrando com "líderes" do que está acontecendo por aqui agora — o combate à corrupção seria o rabo — acessório eventualmente útil para combater as moscas — do animal, enquanto a economia, o trabalho, o emprego, a indústria, as grandes empresas praticamente dizimadas pela Lava Jato, os projetos estratégicos de infraestrutura e defesa, a Democracia, o Estado de Direito, a Constituição, as instituições, o Presidencialismo de Coalizão, com todos os seus eventuais defeitos, a República e a governabilidade, seriam o corpo, o esqueleto e os órgãos vitais do animal.

Ao querer, na prática e midiaticamente, limitar os problemas nacionais ao combate à corrupção; com um processo interminável que está afetando, da maneira como vem sendo conduzido, vários setores da economia; desviando o foco de todas as outras questões, transformando-o em prioridade máxima — quando se está cansado de saber que no dia em que a corrupção acabar no Brasil, principalmente por obra e graça de dois ou três "vingadores", o Cristo Redentor vai descer do Corcovado, com sua saída de praia, para pegar uma onda em Copacabana e em Katmandu choverão búfalos dourados e sagrados — os responsáveis pela Lava-Jato e quem a está defendendo como a última limonada do deserto estão tratando a cauda como a cabeça do cão e colocando o bicho para correr, em círculos atrás dela.

Ou pior, para usar outra imagem ainda mais clara: hipotecar o futuro político e econômico da oitava economia e quinto maior país do mundo a uma operação jurídica discutível e polêmica é tão surreal e absurdo quanto querer que o rabo balançe o cachorro, no lugar do animal balançar a própria cauda.
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Informativo Paralelo #12


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PF confirma propina para Fernando Bezerra, braço direito de Eduardo Campos

Em delação premiada, ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que senador recebeu R$ 20 milhões de empreiteiras e teria repassado parte da verba à campanha de reeleição de Campos ao governo pernambucano


A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), aos cuidados do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato, o inquérito que aponta o recebimento de propina pelo senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) para campanha de reeleição ao governo pernambucano de Eduardo Campos, morto em 2014.

As informações foram confirmadas por delação do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Em depoimento, ele declarou que, entre 2010 e 2011, Bezerra teria recebido R$ 20 milhões em propina, e que teria repassado parte da verba à campanha de Campos.

O dinheiro, pago por empreiteiras, tinha como finalidade garantir participação nas obras da refinaria Abreu e Lima, no litoral sul de Pernambuco. As empresas foram contratadas por Paulo Roberto Costa via Petrobras durante sua atividade como diretor da estatal.

As investigações comprovaram ainda benefícios a Eduardo Campos. Porém, devido à morte do político, o inquérito contra o ex-presidenciável será extinto.

No Fórum
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Manual Prático do Filósofo Amador #3


Buda e Rolling Stones  —  A arte de ter satisfação

Dediquei duas semanas da minha vida a um curso no Coursera com o mestre budista e neurocientista Robert Wright, que numa de suas aulas disse não conhecer melhor metáfora para nossa situação no mundo do que a música Satisfaction, dos Rolling Stones. Não conseguir satisfação não nos impede de tentar e tentar e tentar. A palavra “sofri­men­to”, centro do contexto budista, é tradução do sânscri­to dukkha, cujo significado aproximado seria o de “insatisfação”. Buda e Rolling Stones, quem diria, têm muito em comum.

Vou abrir um parênteses para aqueles que não estão familiarizados com a ideia do budismo. Embora seguido por milhões de fiéis, o budismo cruza a linha da religião e entra no campo da filosofia por se ater em questões que vão além da fé. Na verdade pensamos no budismo como uma coisa única, assim como o cristianismo, que mesmo com suas variáveis segue mais ou menos o mesmo caminho, mas o budismo é absolutamente plural. Varia de acordo com a tradição, desdobrando-se em diversas vias divididas em dois caminhos principais: o budismo Theravada (ou budismo do sul, mais aberto aos leigos e mais próximo da visão ocidental) e o budismo Mahayana (de influência chinesa, mais mitológico e místico). É uma simplificação, a doutrina budista é, em sua totalidade, algo muito complexo e cheio de nuances e influências. Vou me ater apenas a ideia central, os caminhos ou escolas ficarão para depois.

Você pode seguir o budismo, mas só se quiser. O budismo não foi feito para ser seguido. O budismo, segundo o próprio Buda, é um barco utilizado para cruzar um rio turbulento, depois que você chegar até a outra margem pode abandonar o barco ou passá-lo a outra pessoa. O budismo é um veículo, não um objetivo. Há budistas que buscam a iluminação completa, mas você pode usar o budismo para o alívio imediato. Você nem precisa acreditar em Deus para ser budista. Na verdade nem em Buda você precisa acreditar. O que você precisa é desejar não sofrer e se esforçar para isso. Para citar mais uma vez uma parábola budista, podemos ver nossa existência como um homem ferido por uma flecha. O budismo não se preocupa em saber quem disparou a flecha, se Deus, Alá, o Diabo ou o vazio existencial — o que importa é curar o doente logo. Essa visão aproxima o budismo da filosofia como arte da busca por uma vida menos medíocre.

No centro da visão budista existem quatro verdades fundamentais:

1  —  A vida é repleta de sofrimento. Não importa o que façamos, todos sofremos em maior ou menor grau.

2  —  Os sofrimentos são causados pelo apego. Quanto mais nos apegamos, mais sofremos.

3  —  O sofrimento pode ser vencido. Há uma vontade universal que une todos os seres humanos: a busca pelo fim do sofrimento e essa pergunta pode ser respondida com as ferramentas certas.

4  —  A maneira para acabar com o sofrimento é o caminho do meio. E por caminho do meio entenda a vida sem extremos, nem desapegada a ponto de causar misérias, nem grudada na existência a ponto de pensarmos que somos donos de alguma coisa, quando na verdade não possuímos de fato nada. Viver em harmonia consigo e com os outros também ajuda bastante e é parte dessa busca pelo meio das coisas.

Buda via a existência como uma avalanche de pedras e a presença humana como a tentativa desesperada de reter essas pedras. Apegar-se a bens materiais ou a conceitos considerados inabaláveis são formas de sofrimento, pois a vida é transformação. Coisas, pessoas, conceitos, tudo isso muda, morre ou apodrece. Saber que não há nada no mundo que seja fixo é uma forma de compreender a existência. As pedras rolantes ditas por Buda são muito mais velhas que os Stones.

Heidegger te julgando com olhar matador cheio de fenomenologia e vazio.

Você, na verdade, não existe

Um outro conceito interessante é a meditação budista e sua abordagem do Eu.

Meditar, ao contrário do que muita gente pensa, não é apenas uma forma de busca por bem-estar, é um exercício de presença e observação. A ansiedade e a depressão podem ser vistas como parte de um pêndulo que nos empurra para o futuro (ansiedade) e para o passado (depressão). Claro, há muita coisa em jogo, podemos nos sentir deprimidos em relação a uma expectativa futura ou ansiosos por um problema passado. Onde quero chegar é que a vida moderna, especialmente na era da informação em que vivemos, nos estimula em movimentos binários de um lado ou outro, passado e futuro, ansiedade e recolhimento, expansão e contração, o que fomos e o que queremos ser, o que tivemos e o que queremos ter; nos mantendo num fluxo constante de falta de tempo, urgência e tensão, quando na verdade a mente existe apenas no agora. Meditar é uma forma de estar no agora. Nem depois, nem antes, no agora.

Uma das coisas mais interessantes que já ouvi sobre vícios é que viciados adquirem tais hábitos pela urgência de agora. Seja qual for o vício, desde drogas até o vício em internet, no momento em que sentimos o prazer do estímulo estamos, derradeiramente, no agora. Não há repuxos em nenhuma das direções do pêndulo passado — futuro. Meditar é um exercício de realidade. Medito uma vez por semana, mas tento (na medida do possível) fazer pequenos exercícios de “presença” ao longo do dia. Faço isso quando me vejo diante de um problema aparentemente insolúvel ou quando me perco diante de expectativas ou frustrações sem limite. Paro e penso que não há nada de fato além do Agora. É um hábito difícil de ser criado, mas que rende soluções poderosas. Porém meditar tem seu preço, implica em olhar para dentro de si mesmo e quando fazemos isso de modo sério e determinado, sem julgamentos, sem preconceitos, sem pressa, percebemos atônitos que não existe Eu nenhum. Penso, logo existo, foi o que disse Descartes, mas há controvérsias.

É uma coisa desconsertante pensar que nossa consciência seja basicamente um vazio. Mais uma vez citando Robert Wright, diversas correntes da neurociência e da psicologia moderna afirmam com fervor que o Eu é uma ilusão. A mente é composta de módulos, o pensamento e a sensação de existência são parte de uma combinação de conexões que giram em torno do vazio. Não há uma parte alguma do cérebro que represente o Eu, nem podemos dizer com certeza que tal pensamento seja o que somos. Somos uma combinações de estímulos, o que vemos do mundo e o que projetamos deles dentro de nós, um movimento que cria uma “sensação” de existência. Sentimos que existimos, mas não podemos compreender isso. Quando olhamos nossa existência mental o que encontramos? Sensações, que podem ser influenciadas por diversos fatores químicos e biológicos  —  quantas vezes nos sentimos tristes por causa de um dia nublado? ou quantas vezes nos sentimos eufóricos por coisas banais?  —  memórias, que podem ser falsas ou reagrupadas para nos gerar conforto ou incômodo, pré-julgamentos que não correspondem a realidade. De fato existimos, olhamos para o nosso corpo, tocamos o mundo ao redor, mas a “Existência” só se manifesta quando observamos as coisas e as coisas mudam. O Eu é assim um exercício de referência  —  temos um ponto de partida, mas se não houvesse outros pontos de comparação o Eu não existiria. Isso é briga de cachorro grande, que entra no campo da ontologia e da fenomenologia. Hegel e Heidegger precisariam ser invocados e nós não temos esse tempo. Fique com essa: de maneira prática nossa consciência é um erro. Tudo ao nosso redor, dos animais até as montanhas, das estrelas até o cosmo, nada possui a famosa consciência e razão e até o dia em que encontrarmos vida inteligente fora da Terra teremos que lidar com o fato de que a existência é uma coisa apavorante.

Mesmo o nosso corpo, quando visto de maneira objetiva, não passa de um arranjo químico e biológico que troca de casca a todo momento. A universidade de Stanford possui um estudo muito curioso que viralizou na internet dizendo que, a cada sete anos, todos os átomos do nosso corpo se renovam. Ou seja, você não é o mesmo de sete anos atrás. Tudo o que há de físico em você mudou, foi trocado, refeito, reconstruído. Há um novo você a cada ciclo. Você (Eu), a unidade perfeita de comparação com o mundo, não é uma coisa fixa, sagrada, imutável.

You can’t always get what you want
But if you try sometimes, yeah
You just might find you get what you need!
 —  Os Stones estavam certos desde o início.

Dê o play nos Stones e chore sua existência mutável e cruel.
Mas não é preciso pesquisar muito para descobrir isso. Você não é o mesmo que começou a ler esse texto. Não é o mesmo que era na infância, ou quando desfilava com mullets e walkmans ouvindo fitas K7 (se você tem 30 ou mais sabe do que estou falando). Mesmo mudando a cada momento, sentimos que somos “nossos”, mas essa ideia, dentro do budismo e de diversas correntes fenomenológicas, são falsas. Existir é apenas uma pegadinha do seu cérebro.

E se não somos os mesmos que aqueles do passado, e se o futuro não existe de fato, sobra o agora. Todo o nosso apego ao que somos e ao que temos mostra-se de fato um esforço tolo que gera apenas a famosa insatisfação. Nosso deslocamento com a vida, nossa incompreensão com os outros, nossas brigas, dores, todo o debatimento da vida perde sentido quando abraçamos o agora. Não podemos prever o futuro, não podemos mudar o passado, o agora é a nossa morada.

O budismo não aponta soluções fáceis, mas é um caminho muito interessante quando pensamos na vida e suas questões. Quando Mick Jagger grita:

I can’t get no satisfaction
I can’t get no girl reaction
’Cause I try and I try and I try and I try
I can’t get no, I can’t get no

é parte da filosofia moderna, de Hegel e Kant, de Buda e Cristo, Maomé e Zaratustra, repetindo o que todos os homens e mulheres da Terra já perceberam: Existir é foda.


Link maneiro e existencialista:

O Robert Wright é o cara quando o assunto é filosofia + psicologia + budismo. O curso dele no Coursera tem legendas em inglês, então faça o favor de colocar esse CCAA pra trabalhar em nome da sua ontologia!


O Manual Prático do Filósofo Amador sai toda terça-feira, 9 da manhã, com um combo de texto + um link sobre a aventura de pensar. Compartilhe, comente, não me deixe sozinho no vazio existencial.

Valter Nascimento Livreiro, escritor, estudante de Relações Internacionais, enófilo. Mais em: https://valternascimento.com.br e http://www.b9.com.br/author/vnascimento/

Acompanhe também:

Manual Prático do Filósofo Amador #1

Manual Prático do Filósofo Amador #2
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As Olimpíadas são o último ato da era Lula-Dilma


Se o espírito anti-olímpico contra a crise econômica e, obviamente, o impeachment, rendeu a corrida da tocha mais didimocózistica da história, a abertura  —  e o que parece se seguir a ela  —  das Olimpíadas foi o suspiro final da era Lula-Dilma, iniciada em janeiro de 2003 e a se encerrar, provavelmente, no dia 29 de agosto de 2016, data prevista do julgamento final da presidente afastada.

Se as benesses e mazelas do projeto lulista podem ser debatidas (e seguem sendo, afinal) por décadas, existe um impacto psicológico difícil de mensurar porém importante na auto-imagem nacional. Foi a primeira vez que um governo federal se propôs, ativamente e com êxito, a integrar mesmo que parcialmente os setores marginalizados da sociedade brasileira. Para além da inclusão pelo consumo e a redistribuição tímida de renda, os governos Lula-Dilma se esforçaram num projeto de criar um país que não vinculasse sua cultura e povo ao “atraso” econômico, numa tentativa de reverter o vira-latismo latente do discurso médio nacional.

Das cotas à história geral da África, da Lei Maria da Penha ao slogan “Brasil, país de todos”, descobrimos que o melhor do Brasil é o brasileiro, todos eles, e que talvez, como disse o Mateus Potumati um tempo atrás, o “reginacaseísmo” venceu o “forastierismo”. O maior exemplo do quão paulatina porém revolucionária foi essa mudança pode ser visto na grita com a qual a reforma ministerial do governo Temer foi recebida, rechaçada em seu fisiologismo, filisteísmo, misoginia e racismo. Uma década atrás esse recorte branco, macho, etc num gabinete ministerial brasileiro não teria sido nem percebido.

A abertura das Olimpíadas é o exemplo mais bem acabado desse recorte de inclusão. Paulinho da Viola no hino nacional, Gil, Anitta e Caetano no medley final, bateria de samba com enredo pra ganhar na Sapucaí, 14 Bis, portugueses acabando com o mato, Drummond de Andrade, Gisele e Niemeyer, a mini-pira e a ~sustentabilidade~, e só música boa. Só filé mesmo, Tóquio tá fodida nesse aspecto, por sinal. Isso com metade da grana de Londres: só a gambiarra salva. Até os vira-latas podem se orgulhar, a imprensa internacional amou. A dissonância entre o que foi apresentado no gramado do Maracanã e a figura funesta de Michel Temer, ladeado por dois de seus papagaios de pirata mais proeminentes  —  a raposa velha Eliseu Padilha e o colhedor de maconha Alexandre de Moraes  —  era maior que a vaia que ele tomou no anúncio do início da competição. Temer escolheu não ser mostrado no telão e nem anunciado formalmente, tamanho seu medo de enfrentar a rejeição pública. Mas no fundo, também não faria sentido: aquela festa não era feita por ele, nem para ele, e o cálculo político era claro.

Da mesma forma que a abertura só foi “surfada” (num oceano de cocô) pelo governo interino, o resto da competição precisa também estar na conta de Lula-Dilma, para o bem ou para o mal, do apoio aos atletas (dos Correios ao Exército) aos desalojamentos para a criação das obras olímpicas. Isso não é de Temer, é de todos nós, construído de um jeito torto por uma democracia frágil numa era onde ainda, pelo menos, se respeitava o voto popular. Assim como nosso primeiro ouro, de uma atleta raçuda da Cidade de Deus que parecia ter perdido tudo depois de 2012, mas que voltou por cima da carne seca. Rafaela da Silva é a cara do Brasil, em todos os aspectos.

Portanto, amigo ex-governista à beira do boicote das Olimpíadas, com aquele medo irracional da Copa de 1970 e sua promessa do eterno governo militar, do meiaoitismo do “futebol é o ópio do povo”, pense bem antes de esbravejar contra nosso renovado espírito olímpico. Grite contra o golpe nas arquibancadas (agora pode), xingue o futebol masculino (tá osso), vibre com as conquistas que ainda vão se amontoar, relembre do desprezo de Lula-Dilma pela causa indígena e da falta de compromisso com aqueles desalojados pelas obras, mas não dê a Temer o gosto de ser dono de um evento que, como o Brasil, foi construído com nosso sangue, lágrimas, suor e muito jeitinho. Na verdade, estamos vendo a história de um mundo que se acabou antes de ter se transformado em algo melhor e maior, e que, pelo visto nas delegações internacionais afora (especialmente as de Terceiro Mundo), inspirou todo o planeta. Essa não é a Olimpíada do Temer, ela é sua e minha, é a tragédia e a promessa de uma nova vida que talvez nunca mais se concretize, mas que pode ser boa de sonhar ainda  —  e quem sabe, como a flor de Drummond, possamos ultrapassar o tédio, o nojo e o ódio para furar novamente esse asfalto.

Atualizando abaixo com momentos para lembrar que “a Olimpíada é nossa”:



Amauri Gonzo é jornalista radicado em São Paulo. Foi editor do Noisey (portal de música da Vice), da +Soma, foi repórter do G1 e redator na Conrad Editora.
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Petroleiros são agredidos e presos — assista


Nesta terça-feira, 09, o plenário da Câmara dos Deputados Federais debateu o Projeto de Lei 4567/16, que acaba com a obrigatoriedade da Petrobrás ser a operadora exclusiva do Pré-Sal e ter participação mínima de 30% nos campos exploratórios. A sessão foi transformada em uma Comissão Geral, onde o coordenador da FUP, José Maria, junto com deputados do PT, PCdoB, PSOL e PDT reiteraram que tirar a Petrobrás da exploração do Pré-Sal é entregar a maior riqueza nacional às empresas estrangeiras, comprometendo a soberania nacional e o desenvolvimento do país.

“Esse projeto é baseado em falsas premissas, como, por exemplo, de que a Petrobrás estaria quebrada. A Petrobrás foi ao mercado agora para captar 5 milhões de dólares, captou 6 milhões e o mercado queria oferecer 15 (milhões de dólares). Alguém empresta dinheiro a uma empresa quebrada? A Petrobrás tem um endividamento alto, sim, fruto dos seus investimentos que nos levaram a descobrir o Pré-Sal e a chegar nos patamares em quer se encontra hoje. Ou alguém acha que nós chegamos a produzir 1,2 milhão de barris (diários) de petróleo no Pré-Sal da noite para o dia? Ou alguém acha que nós conseguimos fazer da Petrobrás uma das maiores empresas do mundo da noite para o dia?”, destacou o coordenador da FUP, afirmando que a Petrobrás tem plena condição de continuar sendo a operadora única do Pré-Sal.

A Comissão Geral foi realizada em um clima de muita tensão e resistência. Foram ouvidos o diretor da FUP e secretário de Relações Internacionais da CTB, José Divanilton Pereira, o consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo Lima, o ex-diretor de Exploração da Petrobrás, Guilherme Estrella, e o coordenador da FUP, José Maria, que, criticaram duramente o PL 4567. Já o ministro interino de Minas e Energia, Fernando Coelho Bezerra Filho, defendeu o projeto, assim como o líder do PSDB, deputado federal Otávio Leite (RJ), que foi veementemente repudiado pelos petroleiros, que ficaram de costas durante a sua fala.

Truculência

Desde o início da manhã, petroleiros de vários estados do país protestavam contra a entrega do petróleo brasileiro, recepcionando os parlamentares no aeroporto de Brasília com faixas e palavras de ordens em defesa da Petrobrás como operadora do Pré-Sal. Com jalecos da empresa, eles seguiram para a Câmara para acompanhar a audiência pública da Comissão Geral que debateu o PL 4567, mas foram recebidos com truculência pela Polícia Legislativa, cuja ordem era tentar impedir o acesso dos trabalhadores ao plenário.

Dois dirigentes sindicais foram violentamente atacados pelos policiais, levados presos e continuaram detidos, mesmo após a conclusão da sessão. Somente após os dirigentes e militantes da FUP e dos movimentos sociais ocuparem por mais de três horas o plenário da Câmara, eles foram liberados.

Petroleiros  libertados

Os petroleiros Gustavo Marsaioli, diretor do Sindipetro Unificado de São Paulo, e Cláudio Nunes, do Sindipetro NF, foram liberados pela polícia no final da tarde desta terça-feira, 09, após permanecerem detidos por mais de cinco horas. Os dois foram arbitrariamente presos pelas Polícias Legislativa e Militar do Distrito Federal quando tentavam ingressar no plenário da Câmara dos Deputados Federais, para acompanharem a audiência pública da Comissão Geral que debateu o PL 4567/16.

Com extrema violência, os policiais impediram o acesso dos sindicalistas, recorrendo a agressões físicas e a spray de pimenta. Eles tiveram voz de prisão decretada pelos policiais sob a absurda alegação de desobediência e resistência, só porque tentavam ingressar na Câmara para uma audiência pública. Os dois permaneceram presos, mesmo após a conclusão da sessão legislativa, e só foram soltos depois que dirigentes e militantes da FUP, dos sindicatos de petroleiros e de diversos movimentos sociais ocuparam por mais de três horas o plenário da Câmara, exigindo a liberação dos trabalhadores.

Desde o início da manhã, petroleiros de vários estados do país protestavam contra a entrega do petróleo brasileiro, recepcionando os parlamentares no aeroporto de Brasília com faixas e palavras de ordens em defesa da Petrobrás como operadora do Pré-Sal. Com jalecos da empresa, eles seguiram para a Câmara para acompanhar a audiência pública da Comissão Geral que debateu o PL 4567, mas foram recebidos com truculência pela Polícia Legislativa, cuja ordem era tentar impedir o acesso dos trabalhadores ao plenário.

Mesmo com toda a truculência da polícia e a determinação do governo golpista de Michel Temer e dos partidos políticos que apoiam o golpe de entregarem o Pré-Sal ao capital financeiro internacional, os petroleiros seguirão resistindo e defendendo a soberania nacional.





No Viomundo
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Meirelles, o aposentado, usa o pai para defender “aposentadoria nunca”. Que filho!


A nota de Monica Bergamo, na Folha de hoje (9), em que ela narra que o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles usa o exemplo do falecido pai, Hesegipo, para defender idade mínima para aposentadoria, com um número que faz tremer: diz que o pai se aposentou aos 92 anos!

Nada contra a pessoa trabalhar até quando e quanto possa, se quiser. Se o pai de Meirelles, ex-político e advogado, quis, foi sua vontade. Até certo ponto e em certos limites, não é ruim, se a pessoa o deseja e sente-se em condições.Talvez fosse bem diferente se ele fosse peão de obra, carregando peso e fazendo esforço físico.

Agora, é supreendente o complemento do “chiste” de Meirelles: diz que o pai se aposentou aos 92 anos contra a vontade dele, Henrique.

Como? Será possível que um filho, com um pai de 92 anos, não se preocupa ou insiste em que ele descanse, cuide da saúde, passeie, faça tudo o que um emprego (se é que estamos falando de um trabalho-trabalho, destes de oito horas diárias, etc…) fixo não permite? E que quando um homem, quase com um século de vida, decide se aposentar, ainda fica contra?

Desculpe, Ministro, mas que filho é o senhor?

recortemeirellesMais ainda porque Henrique Meirelles, como Michel Temer, que se garantiu aos 55, aposentou-se aos 57 anos.

E não foi com “merreca”, mas com aposentadoria do FleetBoston Bank, de US$ 750 mil anuais.

Sabem quem contou isso? Um senhor chamado Henrique Meirelles, em entrevista à Folha em 2003, quando conta que se aposentou em agosto de 2002, mês em que completou 57 anos de vida!

E quando o questionaram sobre se era legítimo acumular essa bolada com a bolada de presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meireles foi peremptório:

 -Eu trabalhei, tenho direito a essa aposentadoria!

Nós também, ministro, nós também.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Golpe é movido a medo


O golpe de estado no Brasil pode ser visto de vários ângulos.

Um deles: é movido a medo.

Ouvindo o discurso dos golpistas — os agentes públicos e os que se propõem a ser seus teóricos — percebe-se a inconsistência e o alheamento dessas pessoas que, no entanto, ostentam títulos acadêmicos, exerceram funções de importância e dirigem, hoje, o país.

Temer, Jucá, Serra, Merval, por exemplo, são umas bestas.

Gilmar e Cunha são apenas espertos.

Meireles e Goldfajn são banqueiros. O último dessa espécie que viu na humanidade algo além de números foi Voltaire.

Falta-lhes dimensão. Perto deles, José Dirceu é um gênio e Lula um gigante.

Traço comum é que são incapazes de professar ou defender uma doutrina coerente — não importa se progressista, conservadora ou reacionária. Não se garantem.

Rezam catecismos e aplicam receitas prontas,

O espírito desses e dos que os acompanham é o de quem está onde não devia, sabe disso e teme a chegada de quem ameace seu lugar.

Não surpreende que temam a ascensão de novos comensais ao banquete. Ou que segurem a mesa para que não vire.

Nilson Lage
No Esquerda Caviar
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Cunha não será cassado!

É o Golpe perfeito


Diz o PiG que o presidente da Câmara Rodrigo Maia decidiu adiar a votação para cassar o Eduardo Cunha para depois que o Senado golpear a Dilma.
Perfeito!

Assim, não há o risco de ele cuspir os feijões podres do Temer - os da Veja e os jabutis das medidas provisórias, como as da denúncia do Ciro Gomes.

Mas, essa não é a principal consequência do Golpe do Maia.

Depois que o Temer sentar na cadeira e deixar de ser interino, ele salva o Cunha.

E não haverá quórum para cassá-lo.

Como diz o Ciro: quem manda é o Cunha, não é o Temer.

Uma mão lava a outra.

É dando que se recebe.

PHA
No CAf
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Leandro Karnal - Por que Dilma caiu?


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