7 de ago de 2016

A vergonha da vaia ou a vaia da vergonha?


Sequer uma nota de obituário! Nada!

Isso não se faz! Com golpe ou sem golpe é o presidente e nada justifica o descaso da mídia brasileira ao passamento de Michel Temer.

Não importa até quando assombrará o Palácio do Planalto, mas na abertura dos Jogos Olímpicos, ainda que morto estava lá na condição de presidente. Morto, mas presidente.

Pela falta de notificação da nossa imprensa, ninguém se comportou como se fosse presidente. Tampouco com a circunspecção e respeito devido a qualquer defunto. O único circunspecto foi o próprio defunto enquanto à sua volta uma multidão se desabria.

Um cadáver totalmente ignorado e presidente ou não, se comportou devida e irretocavelmente como cadáver. Com toda a naturalidade de um morto. O que impressionou foi a falta de sensibilidade mundial àquela morte.

Qualquer outro cadáver, sobretudo de presidente, seja de fato ou por golpe, normalmente impediria, interromperia a festa. Mas ali no Maracanã o que se sobrepôs foi a obstinação de todos, nacionais e estrangeiros, pela alegria.

E o morto foi esquecido, abandonado a mais completa insignificância, sem a menor solenidade. Nem mesmo um olhar compungido pela morte ou aceno por algum reconhecimento à sua condição de presidente.

Afora a inequívoca condição de morto, não se pôde nem mesmo distinguir o que realmente o mundo ignorou: se ao presidente ou ao defunto.

Todas as autoridades, todos os presidentes, representantes de reinos e repúblicas, primeiros-ministros e primeiras damas dos mais distintos e distantes países, dos próximos também, fizeram não perceber que o morto, mesmo que momentaneamente é a autoridade máxima da nação que os recebe com toda a cordialidade.

Para os nacionais foi como se o presidente não estivesse morto ou se o morto não fosse presidente. Para estrangeiros, como se o morto fosse nada. Coisa alguma. Sequer morto.

O maior estádio nacional do mundo lotado como nunca antes esteve, pois além dos camarotes e das arquibancadas também no campo. Em cada metro quadrado não havia espaço para mais ninguém, mas todos fizeram questão de deixar claro não haver cabimento para o morto que, contudo, estava ali, apequenado em um acento como se abrisse espaço às ausências realmente notadas e sentidas. Tentando provar de não ser por sua culpa a não presença dos mais desejados, dos que melhor justificariam suas presenças.

O principal responsável que resgatando a depreciada imagem internacional do país fez o Comitê Olímpico escolher a cidade do Rio de Janeiro, garantindo a realização da festa. A da que superando todas as especulações preparou a cidade para o sucesso da grande festa. E a do brasileiro maior atleta mundial de todos os tempos, infelizmente adoecido.

Todos caberiam naquele acento e seriam aclamados. Menos o morto.

Com todos espocariam spots e se posaria para fotos. Do morto não se quis qualquer lembrança nem se concedeu a menor comiseração. Total alheamento correspondendo à defunta impassibilidade à euforia que lotou o Maracanã, como convêm à dignidade dos mortos.

O hipotético maior aliado, secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, manteve a câmara do seu celular dirigida à festa., comportando-se como se o morto ou o presidente não existisse

O presidente do Comitê Olímpico distribuiu abraços e sorrisos num esforço para ofuscar a palidez mortuária, impedindo-a de embasar o brilhantismo de tantas luzes e cores.

Desnecessário, pois a negação do morto se confirmou por geral altruísmo à tônica da mais alegre das festas da história das Olimpíadas.

Ninguém escondeu a disposição de ignorar a morte ou o presidente. Nem mesmo o Secretário Geral da ONU a quem a natureza do cargo requer esforço diplomático. Ban Ki-moon se despiu do atávico formalismo oriental e a despeito da fúnebre presença, foi um menino totalmente alheio à circunspecção ao seu lado.

Do começo ao fim do evento, Michel Temer não existiu. Inexistiu. Ausência absoluta!

Sem dúvida, melhor assim. Perceptivelmente foi uma morte planejada. Estratégica.

Morto ou vivo qualquer um precisa encontrar um momento de dignidade, sobretudo um golpista. E Temer e sua equipe sabem que, em meio à realização da Olimpíada Rio 2016, o único reduto para alguma dignidade de suas presenças seria mesmo a ausência.

A surreal ausência de corpo presente.

Todas as ausências percebidas e lamentadas estão vivas. A única sequer notada foi a ausência de corpo presente. E morta.

Corpo morto, conforme voluntariamente se comprovou, sem qualquer outra possibilidade perante a negação de sua existência. Mas presente.

Alegria, descontração, sorrisos, empolgação, entusiasmo, exaltação foram as emoções tomadas pelas câmeras de todas as emissoras de TV do mundo. Eventual e inevitavelmente focavam a solitária e impassível circunspecção do morto para imediatamente fugir da imagem do contrassenso à mais alegre e descontraída festa de abertura em toda a história dos jogos olímpicos.

E a festa aconteceu. Grandiosa!

Até José Serra cantou! Sem qualquer expressão definida, mas como definir expressão em uma cara que sequer se defini como rosto? Ainda assim, cantou.

A festa aconteceu numa noite em que o mundo inteiro foi brasileiro. Todo o mundo alegre e descontraído como qualquer brasileiro.

Menos o morto em sua determinação de confirmar que o mundo dos mortos é outro e não se rebaixa ao dos vivos. Ao dos pulsantes e emotivos. Dos que aconteça o que acontecer, se agarram a inexorabilidade da vida. Do prazer de viver.

Situação tão surreal que se torna impossível afirmar qual a maior negação: se ao morto e ao presidente, ou se do presidente morto à vida no Maracanã e no Brasil.

Mas em um momento, sem citar nomes ou funções, uma voz anuncia pelos alto-falantes que serão abertos os jogos. Repentinamente as luzes focam a inegável presença do morto e sem tempo para o susto, o falecido fala: “Declaro oficialmente aberto os Jogos Olímpicos 2016”

Apenas isso. Somente isso. Mais nada, seguido de um mínimo, quase imperceptível instante de apreensão que explode na mais uníssona e estentórea vaia já ouvida de qualquer outra multidão.

Um Maracanã inteiro em uma única vaia de todos. Da plateia de todo o mundo, de todos os atletas do mundo, de todas as autoridades esportivas, diplomáticas e políticas do mundo. Todos, compulsivamente juntos.

Cariocas garantem que ecoou de Marechal Hermes ao Leblon, mas cidadãos de Mangaratiba afirmam que também chegou lá. Alguém escreve ter ouvido em Tóquio. Um italiano diz que repercutiu em Roma e Milão, e próximo à Glasgow espantou os visitantes de velhas ruínas. Entremeou-se também às insólitas estruturas de Gaudí, em Barcelona.

Nova-iorquinos dizem ter imaginado nova morte de um negro pela polícia ou outro crack de Wall Street. Enquanto isso em São Petersburgo o escritor se perdeu do enredo da história. Em Praga um pintor errou o traço, e em Guadalajara o mariachi desafinou no sopro.

Nas cabanas de aldeias em meio à savana africana, fez vibrar a pele de tambores. Tigres em extinção das encostas do Himalaia confundiram com o soprar dos ventos.

Aborígenes perscrutaram os céus da Tasmânia imaginando vinganças de seus deuses. Pesquisadores brasileiros na Antártica relatam que pinguins agitaram asas e focas bateram palmas.

A TV brasileira também se esforçou por, além da vaia, conferir palmas à fala do defunto expondo a imagem de três ou quatro assessores atrás do remoto recanto reservado para o cumprimento do protocolo que obrigou a única articulação mortuária em todo o evento: “Declaro oficialmente aberto os Jogos Olímpicos 2016”.

Há os que tentam comparar com a vaia orquestrada por César Maia na abertura dos Jogos Pan-americanos em 2007, mas então os ensaiados funcionários da prefeitura do Rio de Janeiro não perfaziam mais do que alguns metros quadrados de arquibancada. Também incomparável ao camarote do Globo na abertura do Campeonato Mundial de Futebol em 2014, quando Luciano Huck puxou grosseiras ofensas.

Não há nada com que se comparar à breve, porém definitiva vaia a um morto, por mais que tenha se esforçado pela própria ausência.

Ao Mussolini, depois de fuzilado, penduraram o corpo de cabeça pra baixo. Mas já não era um morto presente. À morte de Margareth Thatcher se festejou por três dias em todo o Reino Unido, mas também já não era uma morta ainda presente. Aqueles não insistiram, não resistiram às próprias mortes como Michel Temer.

Em que pese o esforço do cadáver interinamente presidente, não se pode considerar como real a ausência ou a presença de Temer à festa de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas ainda mais surreal do que a reduzida fala do corpo destituído de vida, foi o geral alheamento à sua função. Talvez, também em sua primeira vez, as Olimpíadas são realizadas em um país onde sua real presidente tenha sido afastada, mas sem dúvida a primeira realizada em um país sem presidente ou qualquer autoridade reconhecida.

Impossível definir o que tenham aplaudido aqueles poucos assessores que acompanharam o féretro até o Maracanã, mas segundo o mundo o que compareceu ao Maracanã não foi um presidente. Realidade que a vaia global torna inequívoca e dela só resta uma dúvida: a vaia envergonha mais ao morto ou a vergonha é do mundo por ter vaiado um defunto?

Seja qual for a resposta, a conclusão é a de que assim caminha a humanidade desde os tempos de Luís XVI e Maria Antonieta. Ou antes.

Na história de usurpadores do poder ou poderosos usurpadores, muito antes.

O Maracanã, maior concentração de expectativas e esperanças dos brasileiros, tornou mais do que evidente de que em todo o mundo e entre os próprios brasileiros não há qualquer possibilidade de expectativa e esperança num país presidido por um morto.

Raul Longo

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As peripécias de um ministro interino e a falta de debate sobre drogas


Nunca dantes na história deste país um ministro da Justiça foi tão longe. Alexandre Moraes, ministro interino da Justiça, foi, com seu facão, colocar abaixo os pés de maconha no vizinho Paraguai. Foi um ato de coragem. E se colocassem fogo nos pés de maconha? Mas o tema não é este, apesar do nonsense da cena. O sério é que a palhaçada irritou os especialistas em política de drogas no Brasil. Este tipo de circo só colabora com o debate truncado que temos tido no país. No mais, o que falta é seriedade para enfrentar o problema das drogas e das políticas que só servem ao tráfico. Leia o texto e veja os vídeos do site Justificando.


Ministro da justiça cortando pés de maconha no Paraguai será a coisa mais ridícula que você verá hoje

A página Quebrando o Tabu publicou hoje (3) um vídeo que mostra o Ministro da Justiça interino, Alexandre de Moraes, munido de um facão, de forma desajeitada, cortando pés de maconha em solos paraguaios. A cena é tão non sense que vale a pena o registro:



A cena, contudo, irritou estudiosos especialistas em políticas de drogas. Para Gabriel Santos Elias, Coordenador de Relações Institucionais da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, Alexandre de Moraes foi para o Paraguai "enxugar gelo".

Elias explica que há métodos mais eficientes, econômicos e sérios de lidar com o problema ao invés de mandar o Ministro para o Paraguai cortar pés de maconha com um facão. Um desses métodos é uma política de educação honesta sobre as drogas - não apenas falar "Drogas, nem morto", mas alertar sobre os reais problemas das drogas. Sem exagerar para aterrorizar, como temos feito. As pessoas não são idiotas e percebem quando estamos mentindo. Quando os primeiros amigos começam a usar drogas e não morrem, percebemos que tem alguma coisa errada na informação que o governo passa.

Outro ponto é a política de redução de danos e tratamento de usuários tem gente que usa drogas e não é viciada. Tem gente que é viciada e não tem grandes problemas com o vício. Tem gente que tem vício e tem problemas e quer parar. Tem gente que usa drogas, tem problemas, e não quer parar. Temos que ter o tratamento adequado para as várias situações, respeitando a autonomia das pessoas e cuidando do fundamental: sua saúde e bem estar.

Além disso, Elias ressalta a importância da legalização da maconha, acompanhada de impostos sobre sua comercialização e controle da produção, a fim de que a arrecadação seja revertida para consumo e tratamento de usuários com problemas decorrentes do consumo.

Para entender melhor a política de drogas brasileira, assista ao Coisas que Você Precisa Saber, que contou com a colaboração do pesquisador.



Alexandre de Moraes ressuscita “Romeu Suma”

Isso mesmo: “Romeu Suma”. O leitor não leu errado. Antes de se tornar senador por uma sopa de letras desqualificada qualquer, o senhor Romeu Tuma, ainda sob proteção da ditadura, foi exilado na Polícia Federal de São Paulo. Juntou toda a tralha que tinha da Secretaria de Segurança Pública do Estado e levou para a sede da PF, na Rua Antônio de Godoy (centro de São Paulo). Lá, isolou alguns andares, onde guardou os arquivos criminosos da ditadura. Por coincidência, todo final de tarde das sextas-feiras, os funcionários sentiam um cheirinho de queimado...

Pois bem. Romeu Tuma chegou à PF para quebrar resistências, pois estava assumindo o posto de Superintendente Regional da PF no estado de São Paulo. Um posto sonho de consumo ou de poder de muitos antigões que lá estavam, que quando muito tornavam-se “maçanetas” dos militares, que até então ocupavam todos os postos-chaves da Polícia Federal.

Como dito, quebrar resistências. Tuma providenciou o perdão de muitos que internamente estavam sendo investigados. Fez uma administração leve, “portas abertas”, linha bonachão e ganhou a simpatia dos muitos barnabés. Generoso, tolerante, simpático com a imprensa até hoje corrupta, fez um gênero oh, oh, oh!!. Nos postos chaves, colocou “muito homem bom”, até no aeroporto de Guarulhos, onde mais tarde desconfiou-se que funcionários saiam do plantão pra comprar armas em Miami (USA). Segundo a lenda, até televisão gigante entrava...

Como tudo passa, logo apareceram “os probleminhas”, as relações foram se desgastando. Rolou aquela história de uma polícia dentro da outra, de investigador da Polícia Civil mandando mais que delegado federal, sem contar que um dos maiores “homens bons” acabou aparecendo como torturador, enfrentou boatos de que teria sido coordenador da sangrenta Operação Bandeirantes, coisa e tal. O serviço médico da PF abrigou até um legista que assinava laudos frios de vítimas da ditadura, entre eles o do jornalista assassinado Vladimir Herzog.

Relações desgastadas, com o advento do sindicalismo, houve um plebiscito para saber se os servidores aceitavam Romeu Tuma ou não. A resposta acachapante foi o “não” e a partir daí, o bonachão chefe da PF passou a ser tratado como “Romeu Suma”. As atas sindicais, em original, cópia ou digitalizadas, jornais velhos e suas charges que o digam.

Querendo ou não, o tal Romeu ganhou projeção, usou bem o cargo para ganhar visibilidade e um dos seus atos preferidos foi mesmo deixar seu gabinete em Brasília e entrar no meio do mato para cortar e queimar pés de maconha, muito bem acompanhado da sempre serviçal TV Globo, que, quando não é copiada, é imitada ou discutida pelas demais emissoras pertencentes à tradicional família de Tubiacanga, hoje à frente do golpe de estado e incensando o impostor Michel Temer.

E não é que “Romeu Suma” fez escola? Quando um tal de Alexandre Moraes, que segundo a lenda advogou para o Primeiro Comando da Capital, entrou no meio do mato para arrancar pés de maconha... Segunda-feira, neste portal, foi publicada uma citação de Karl Marx falando da repetição de farsas e tragédias. E não é que o bom velhinho, que não deixou herdeiros, no dizer do escritor Mia Couto, está coberto de razão? Pois é. Lá estava o Alexandre Frota, digo, Morais, arrancando pé da “erva maldita”, protagonizando um ato que não dá pra dizer se é farsa ou tragédia.

Senhores capitães do mato da PF, aprenderam agora o que é realmente uso político da instituição e “estado aparelhado”? Entenderam agora o que significa aprofundar a questão política nacional, sem ódios, preconceitos, partidarismo, sem idiotice de bolivarianismo e outras baboseiras, tão repetidas nos grupos de delegados federais? Entenderam que refletir sobre isso não é defender a corrupção?

Pois bem. Depois de tentar marketing político com o arriscado tema terrorismo, expondo o Brasil ao ridículo internacionalmente, a “Pasta da Justiça” do governo golpista envereda agora por mais um nebuloso terreno — tráfico. Cada capitão do mato tem o chefe que merece e no caso da PF, o chefão do chefão, literalmente, entrou no meio do mato... Perdão, leitores. Essa não deu pra esperar pela segunda-feira, não...

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Anastasia, símbolo da hipocrisia, foi delatado


O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) é um dos governadores delatados por Marcelo Odebrecht, em Curitiba.

Segundo o empreiteiro, o ex-governador de Minas também recebeu recursos de caixa dois durante sua administração, em que a Odebrecht participou de obras relevantes, como a construção da Cidade Administrativa, nova sede do governo estadual.

Relator do impeachment, e braço direito do senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato que perdeu última disputa presidencial e não aceitou o resultado, Anastasia produziu um relatório que propõe a cassação da presidente Dilma Rousseff pelas chamadas "pedaladas fiscais."

Questionado, Anastasia se limitou a dizer que desconhece o teor da delação de Marcelo Odebrecht, segundo informa o colunista Lauro Jardim.

Num artigo recente, o jornalista Janio de Freitas afirmou que nunca se viu tanta hipocrisia no Brasil como em 2016 e disse que Anastasia é seu símbolo maior. 

"As 441 folhas do relatório do senador Antonio Anastasia não precisariam de mais de uma, com uma só palavra, para expor a sua conclusão política: culpada. O caráter político é que explica a inutilidade, para o senador aecista e seu calhamaço, das perícias técnicas e pareceres jurídicos (inclusive do Ministério Público) que desmentem as acusações usadas para o impeachment", escreveu Janio (leia aqui). "Do primeiro ato à conclusão de Anastasia, e até o final, o processo político de impeachment é uma grande encenação. Uma hipocrisia política de dimensões gigantescas, que mantém o Brasil em regressão descomunal, com perdas só recompostas, se o forem, em muito tempo — as econômicas, porque as humanas, jamais."

No 247
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Caso Feliciano: B.O. mostra bancada evangélica tentando calar vítima de estupro

A jornalista Patrícia Léllis menciona “coação” e “ameaça de morte” feita por políticos ligados ao Partido Social Cristao (PSC). O B.O. cita a participação do pastor Everaldo, líder do PSC, o deputado Gilberto Nascimento (que concorreu à vaga de Cunha), o chefe de gabinete do deputado Marco Feliciano e outros dois parlamentares

Patrícia denuncia Talma Bauer por ameaça de morte (centro) e Feliciano por estupro
O boletim de ocorrência registrado pela jornalista de 22 anos ­— que acusa o deputado federal Marco Feliciano de estupro — também cita sequestro, cárcere privado além de coação no curso do processo.

Membros do Partido Social Cristão (PSC) são citados em vários trechos do documento. Além de parlamentar, Feliciano é presidente da Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, Conferencista Internacional, escritor e cantor.

De acordo com o boletim, no dia seguinte à violência no apartamento do deputado Marcos Feliciano, o pastor Everaldo, presidente do PSC, procurou a estudante e ofereceu a ela “uma quantia em dinheiro que estava no interior de uma sacola dizendo que a vítima poderia apropriar daquela quantia”.

O chefe de gabinete do Pastor Marco Feliciano, Talma Bauer, também é citado no B.O. Segundo a vitima, ele indagou “quanto ela queria ganhar para esquecer todo o ocorrido, asseverando ainda que, caso ainda não quedasse silente, poderia ‘sair perdendo’”. Ou seja, era melhor que ela ficasse bem quietinha.

Uma mulher, citada no B.O. como “Denise do PSC”, foi procurada em duas ocasiões pela vítima. Logo depois da violência no apartamento de Marcos Feliciano e dias depois das conversas com Bauer.  A presidente nacional do PSC Mulher chama-se — por coincidência — Denise Assumpção. Segundo o B.O., foi Denise quem agendou uma reunião com a garota e a cúpula do partido.

Nesse encontro, diz o documento, estavam presentes Denise, o Pastor Everaldo e outros três parlamentares. Um deles era o deputado federal Gilberto Nascimento, ex-delegado da polícia civil, indiciado pela PF no escândalo das sanguessugas, esquema de corrupção que desviava recursos federais para a compra de ambulâncias superfaturadas. Gilberto ganhou recente notoriedade por ter se candidatado à presidência da Câmara dos Deputados no lugar de Eduardo Cunha. É figura proeminente no partido. A vitima diz n’ao se lembrar dos nomes de outros dois parlamentares do partido.

Ao final desta reunião, a vítima conta que o Pastor Everaldo a segurou pelo braço e disse em seu ouvido que achava melhor que ela ficasse quieta”. A garota foi desligada do partido logo em seguida.

Coação

No final de julho, quando a história já tinha vazado no facebook, a garota foi para São Paulo. Sabendo disso, Bauer, o chefe de gabinete de Feliciano, ameaçou matar a família da vítima, caso não informasse seu paradeiro exato. Ela contou que estava no Hotel San Raphael.

Foi a filha de Bauer, de acordo com o B.O., quem foi até o local obrigar a garota a gravar um vídeo dizendo que o post da página do Facebook e outras notícias que envolvessem Marcos Feliciano eram mentirosas. O vídeo foi feito no celular de Cíntia. Também teria sido exigência de Bauer o fornecimento das senhas de Instagram e Facebook e a postagem de uma foto da garota com seu namorado no Face, dizendo que estava tudo bem. Internautas não se convenceram.

Bauer, então, foi pessoalmente ao hotel. Estava armado. Exigiu gravação de novo vídeo e obrigou a garota a entrar em seu carro. Rodou pela cidade e parou numa praça para a vítima gravar um vídeo como selfie de seu próprio telefone. Ela tinha de dizer que tudo o que estava sendo veiculado sobre seu nome e de Feliciano era mentira e aquilo se tratava de uma ação da ala esquerda da política para prejudicar o deputado federal. Também era preciso enaltecer o parlamentar.

O homem de confiança de Feliciano, ainda com as senhas da garota, a impediu de ir embora, postou o vídeo no Facebook. “No hotel, manteve a vítima ao seu lado mediante grave ameaça” e respondia aos comentários de internautas dizendo que estava tudo bem. Só de noite ele deixou a garota subir para o quarto. Mas, nesse mesmo dia, na hora do jantar, Bauer a procurou novamente e a obrigou a usar o WhatsApp para dizer a amigos que estava tudo bem.

No dia seguinte, de novo, Bauer estava lá. Perguntou se a menina não tinha contado nada para ninguém, elogiou o comportamento dela e disse que assim estaria garantindo a segurança de sua família. Ele ainda almoçou com a garota e, antes de ir embora, a mandou ficar em silencio e postar fotos no Instagram e Facebook para dizer que estava tudo bem.

O B.O. deixa claro: “A vítima informa que durante todo o tempo, Bauer a ameaçava de morte e ainda dizia que a vítima deveria colocar seu preço para esquecer todo o ocorrido.”

O outro lado

O ainda deputado Marcos Feliciano publicou em suas redes sociais um vídeo em que se diz inocente das acusações da jornalista Patrícia Léllis. Ele pede a confiança de todos os fiéis da sua igreja. No vídeo, ele apareceu ao lado de sua mulher, Edileusa.

#RepresentaSatanás

#FelicianoNaCadeia


Núcleo de reportagem investigativa dos Jornalistas Livres
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Jogos

Na Olimpíada, ganharia quem fizesse as melhores figuras com o ioiô, inclusive mantê-lo girando sem parar rente ao solo

Acho que deveria haver Olimpíada infantojuvenil, com modalidades que se perdem quando as pessoas crescem e esquecem. De quatro em quatro anos, teríamos competições, por exemplo, de cuspe à distância. Um esporte que depende da direção do vento e requer um conhecimento apurado de balística, além de uma boa produção de saliva. Importante, também, na modalidade, é a correta postura do cuspidor ao disparar seu projetil, já que um meneio da cabeça pode significar a diferença entre uma cuspida no próprio sapato e uma cuspidela triunfante.

Guerra de travesseiros. Equipes de, digamos, três atletas de cada lado trocariam travesseiradas até que uma equipe desistisse, ou pedisse penico, como se dizia antigamente. Não haveria regras rígidas nas batalhas de travesseiros, valendo tudo, menos usar um para sufocar um adversário.

Bola de gude. Existem várias maneiras de se jogar bola de gude. Como modalidade olímpica, as partidas seriam de singles ou de duplas. Ao contrário dos jogos de rua, que podem ser “à brinca” ou “à vera”, a combinar, na Olimpíada, os jogos seriam sempre à vera.

Abafa. O jogo consiste em abafar uma pilha de figurinhas com a palma da mão. Ganha quem virar mais figurinhas num certo espaço de tempo. Na Olimpíada, os juízes examinariam as mãos dos competidores antes de cada encontro para evitar o uso de cola na palma. Procedimento recomendado principalmente no caso de jogadores russos.

Ioiô. Ganha quem consegue fazer as melhores figuras com o ioiô, inclusive mantê-lo girando sem parar rente ao solo, uma técnica chamada, pelo menos no meu tempo, de “cachorrinho”.

Futebol de rua. Jogam de três a 17 jogadores de cada lado. As goleiras podem ser peças de vestiário, mochilas ou o que estiver à mão, inclusive irmãos menores. A bola pode ser qualquer coisa, mas o Comitê Olímpico exigiria que fosse uma coisa mesmo vagamente esférica, e proibiria o abacaxi. Futebol de rua não tem juiz. Só há falta quando acertam a canela de um adversário, mas convencionou-se que, dos pés à cintura, tudo é canela.

Mamãe posso ir. Os contendores ficariam alinhados, esperando as ordens de um juiz, que, de costas para eles, ditaria quantos passos deveriam dar, e que espécie de passo: formiga, elefante, guarda da rainha etc. O jogador que fosse flagrado em movimento ou dando um passo errado quando o juiz se virasse seria eliminado. Talvez a modalidade mais excitante dos Jogos.

Luís Fernando Veríssimo
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Poucos chefes-de-estado foram à abertura das Olimpíadas


O desprestígio não é do Temer, é do próprio movimento do golpe. Esta é a conclusão que pode-se chegar ao ler a matéria de Jamil Chade, no Estadão. A baixa presença de autoridades, depois da propalada presença confirmada de 45 chefes-de-estado, contrastou com a efetiva marca de 18 chefes presentes e uma miríade de autoridades menores e vices, inclusive o brasileiro.

Segundo apurado por Jamil Chade, autoridades se recusaram a sentar no camorote do vice-presidente Michel Temer, e muitos dos locais VIPs permaneceram vazios. Não foi só o estrondoso vaiar que Temer enfrentou, mas também uma reprovação silenciosa de tantos chefes-de-estado quantos ali estiveram.

Leia a matéria de Jamil Chade no Estadão.

Abertura teve apenas 18 líderes internacionais e saída 'à francesa'

Baixa presença de autoridades contrasta com anúncio anterior do Itamaraty

Jamil Chade

O Itamaraty havia anunciado que 45 chefes-de-estado e de governo estariam na abertura dos Jogos Olímpicos, na noite desta sexta-feira. Mas uma lista obtida pelo Estado revela que o número total foi de apenas 18, sendo que os demais eram apenas vice-primeiros ministros, governadores e autoridades de segundo escalão. 

A reportagem do Estado foi a única a entrar nos camarotes presidenciais e constatou como muitos dos locais VIPs permaneceram vazios, enquanto ministros e autoridades circulavam sem qualquer compromisso. Alguns deles ainda tiveram tempo para abrir freezers para escolher sorvetes ou conversar sobre as apostas de medalhas.

Michel Temer é vaiado ao anunciar a abertura oficial da Olimpíada do Rio

Depois de Londres em 2012 receber mais de 90 chefes-de-estado, de Pequim ter mais de 70, Atenas com 48 e Sidnei com 24, a Rio-2016 acabou sendo prejudicada pelo caráter interino do governo brasileiro, da crise e, segundo o Itamaraty, pela "distância" que representa uma viagem até o País. 

Estavam no Maracanã apenas os líderes máximos de Andorra, Argentina, Bélgica, Eslováquia, Fiji, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Mônaco, Paraguai, Portugal, República Tcheca Servia e Suíça. Na lista do governo, o Planalto incluiu ainda os dignitários que, no fundo, eram membros do COI, como os de Luxemburgo e Mônaco, e que tinham obrigação de estar em seu próprio evento. 

Ainda estavam presentes vice-primeiros ministros, vice-presidentes ou príncipes da China, Jordânia, Guiné Equatorial, San Marino ou Uzbequistão. Alguns chefes de diplomacia também estavam na lista, como o americano John Kerry. A lista se contrasta com o que o governo anunciava ainda em maio de que tinha mais de 50 pessoas confirmadas e que esperava chegar a 70 convidados VIP.

Corredores

A ausência era nitidamente notada nos corredores internos do estádio, vazios e com comida, funcionários e seguranças sobrando. A falta de líderes internacionais ainda permitia tempo para que ministros e políticos brasileiros usassem o tempo para conversar, sem ter de recepcionar os estrangeiros. 

Enquanto as delegações desfilavam, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, conversava numa das mesas com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Em outro canto, o chanceler José Serra falava ao telefone. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, circulava ainda tranquilamente, buscando algo para beber nos balcões vazios dos bares montados no local. 

O governo brasileiro tentou convidar os poucos líderes a ficar no principal camarote, ao lado de Michel Temer, presidente interino. Sem sucesso, o local foi preenchido por diversos ministros do governo e autoridades municipais e do governo do estado. Antes mesmo de terminar o evento e logo depois do desfile da delegação da França, o presidente François Hollande deixou o Maracanã, à francesa.

No GGN
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A Liberdade está morrendo no Brasil




Golpe logo gera Estado de exceção. A polícia está reprimindo quem se manifesta contra Temer durante eventos das Olimpíadas.

Espero que todos entendam a gravidade disso e, assim, repito: o presidente golpista está usando a PM pra impedir protestos contra ele em eventos.

Onde estão aqueles que falavam que vivíamos numa "ditadura comunista"? Vocês viram Dilma usar a PM pra impedir protestos contra ela? Uma ditadura RARAMENTE começa já com autoritarismo escancarado; ela vai se estabelecendo aos poucos, com pequenos gestos fascistas como estes. Quando nos damos conta, já vivemos completamente num Estado de exceção, com repressão ideológica e fim da liberdade de expressão.

E mais: ao longo da História, TODO governo ilegítimo precisou recorrer à repressão para não cair. E mais ilegítimo que Temer, impossível.

Nos últimos três dias, já testemunhamos a polícia apreendendo faixas de Fora Temer, impedindo protestos e, agora, PRENDENDO quem se manifesta.

Ou há reação AGORA ou desistam da democracia.

Atualização:

No Twitter, o leitor Rafael Lopes enviou a seguinte informação: "Eu estava lá, Pablo. Na outra arquibancada. Muita gente gritou "fora Dilma" e não fizeram nada. Se grita "fora temer" é expulso.

Pablo Villaça
No Esquerda Caviar
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Delação contra Temer fortalece plebiscito


Confirmada a delação de Marcelo Odebrecht, de que repassou R$ 10 milhões em ajuda eleitoral não declarada (caixa dois) ao PMDB, a pedido do vice-presidente em exercício Michel Temer, só restará ao Brasil a saída pelas urnas. Diante do imperativo de uma relegitimação da Presidência da República, a saída que ganha força é a do plebiscito sobre a antecipação das eleições presidenciais, defendida por Dilma. Este seria o caminho trilhado por um Congresso realmente empenhado em encontrar uma solução legal, legítima e estabilizadora da situação política. Fora disso,  e consumado o golpe contra Dilma, estará o país condenado a conviver com um presidente acusado de grave crime eleitoral e rejeitado pela população, situação que promete mais instabilidade política,  maior deterioração econômica e conturbação social.

A reportagem publicada pela revista Veja, a partir do acesso a parte do acordo prévio da delação de Marcelo Odebrecht, até este momento foi tratada com discrição pelo resto da mídia, num sinal de que haverá esforço para proteger o presidente interino da mais grave ameaça à sua efetivação. O foco maior do noticiário dos jornais, neste sábado, foi dirigido para as acusações improvadas de procuradores,  de que o ex-presidente Lula teve atuação efetivada e destacada no esquema do petrolão. Mas, homologada a delação, a exposição de Temer e do PMDB será inexorável, assim como o repique da crise, que exigirá providências mais drásticas da elite política, se é que ainda temos isso.  Pois boa parte dela também será implicada pela delação de Odebrecht, o que só reforça a necessidade de uma saída legal e legítima, acompanhada de uma reforma política que represente o fim do sistema que está na origem da crise atual. Vale dizer, o do conluio entre políticos e empresas para financiar, através dos contratos com o Estado, a própria atividade político-eleitoral.

Homologada a delação e confirmada a denúncia contra Temer, que farão o juiz Sergio Moro e os procuradores? Enviarão o caso de Temer ao procurador-geral Rodrigo Janot, que seria obrigado a pedir ao STF autorização para investigá-lo.  Esta seria a via jurídica, plena de sinuosidades e válvulas de escape.  Poderá Temer ser investigado por algo ocorrido em 2014, antes, portanto, do início de seu atual mandato como vice-presidente? A resposta a esta pergunta, por exemplo, poderá inviabilizar qualquer investigação. Então, a saída não será dada pela via judicial. Exigirá uma resposta política.

Existe ainda outra porta mas está trancada e o ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, é que tem a chave. Trata-se do julgamento da ação do PSDB pedindo a cassação da chapa Dilma-Temer. A dupla condenação por uso de recursos irregulares levaria, se tal julgamento ocorresse este ano, à realização de nova eleição. Ou à realização de eleição indireta,  se ocorrer no ano que vem. Trata-se, portanto, de saída hipotética, sujeita a variáveis e interesses diversos,  e temporalmente incerta para a urgência da situação que deve ser criada a partir da homologação de tal delação.

Neste quadro, a proposta de convocação de um plebiscito,  consultando a população sobre a antecipação da eleição presidencial de 2018, afigura-se como a saída mais producente.  Dilma se comprometerá com ela na Carta aos Brasileiros que divulgará em breve. A consulta poderia ser feita agora,  em outubro, no pleito municipal. Uma vez que o SIM teria, como indicam as pesquisas, o apoio da maioria absoluta dos eleitores, o Congresso estaria forçado a aprovar emenda constitucional fixanda a data das eleições presidenciais para, por exemplo, janeiro próximo. O presidente eleito (ainda que para um mandato tampão de dois anos), legitimado,  teria condições de, realmente, pacificar o país, direcionar a economia para sua estabilização, negociar a reforma política imprescindível e preparar as novas eleições. Estas já seriam realizadas sob regras de um  sistema político-eleitoral saneado dos vícios que nos levaram à situação atual.

Tereza Cruvinel
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Gilmar ultrapassou todos os limites: basta!


Basta dos abusos e arbitrariedades do Gilmar Mendes: impeachment já!

Se fosse preciso descrever as características que um ser humano em hipótese alguma deveria possuir para exercer o cargo de juiz, o modelo irretocável seria Gilmar Mendes.

Gilmar é o exemplar mais perfeito do anti-juiz, do anti-magistrado. Ele é uma enciclopédia do anti-Direito. A Enciclopédia Gilmar do anti-Direito deveria ser de distribuição obrigatória aos estudantes de todas faculdades de Direito do país, ainda na fila de matrícula para o curso.

Gilmar não age por impulso, age com consciência. Ele é um empreendedor ideológico do fascismo que está se plasmando no sistema jurídico brasileiro. Criou sua própria escola, o Instituto do Direito Público, para disseminar sua corrente de pensamento e formar as novas lideranças jurídicas da oligarquia reacionária — Kim Kataguiri, o soturno líder do MBL, cursa Direito nesta igreja.

Gilmar não tem equilíbrio, isenção, imparcialidade e ética para ser funcionário público, quanto menos para ser juiz. E menos condições ainda para ser juiz da mais alta Corte da sétima economia do planeta.

Falta-lhe, sobretudo, o recato e a parcimônia esperada de juízes. E sobram-lhe extravagância e boçalidade. Certa vez seu ex-colega Joaquim Barbosa disse que Gilmar tem capangas no Mato Grosso. É provável que a arrogância tenha sido lapidada nessa experiência de vida.

Gilmar é um militante partidário engajado. É do PSDB, fato conhecido pelas pedras de Brasília. Chegou ao STF menos por méritos jurídicos e mais por identidade e lealdade ideológica. Em 2001, deixou de ser Advogado-Geral do FHC para ser promovido a líder partidário tucano no Supremo.

Ele, incrivelmente, não sofre impeachment por atuar fora-da-lei da Magistratura, por ferir o Código de Ética da Magistratura e por violentar a Constituição, e está sempre em busca dum protagonismo político ainda maior. É o que se observa na compulsão por aparecer, que faz intrometer-se, comicamente, até em assuntos da política externa, como o golpe na Turquia.

Gilmar é um ativista tucano internacionalista. Em março passado, patrocinado pela FIESP, FECOMÉRCIO/RJ, CNI, FGV, OAB, FIESP [as entidades sócias do golpe], ele levou seu Instituto a Portugal para promover e divulgar internacionalmente o golpe. Diligente como só ele, é claro que não esqueceu de incluir na programação o Toffoli, o Serra, o Aécio, o Temer.

Gilmar é um sujeito destemido e intimidador [um parêntesis: para entender este traço da sua personalidade, é impossível não evocar outra vez aquele modo de vida mato-grossense, entre capangas e jagunços...]. Ele peita os adversários e assume posições pró-tucanas com um descaramento assombroso. A coleção de feitos pró-PSDB-PMDB-DEM-PTB-PP é tão extensa quanto os feitos anti-PT.

Agora Gilmar foi radical, determinando a abertura de processo para cassar o registro do PT. Essa medida equivale a pedir a proscrição, a extinção do partido. Ele argumenta que “há vários indicativos de que o Partido dos Trabalhadores foi indiretamente financiado pela Petrobrás”, porque recebeu contribuições eleitorais de empresas implicadas na Lava Jato.

Isso é risível e absurdo numa democracia séria, porque é uma indignidade de moleque, de provocador, de conspirador fascista; jamais deveria ser admitida.

Como não conseguem derrotar o PT nas urnas, mesmo com a caçada implacável ao Lula, engendram manobras fascistas nas instituições de Estado — no Poder Judiciário, no MP, na PF — aparelhadas para o extermínio dos adversários, tratados como inimigos que devem ser aniquilados.

Gilmar deveria desvestir a toga e trajar a camiseta tucana que usa por baixo do disfarce jurídico. Que dispute eleições e tente realizar o sonho de entrar na política, o sonho de pertencer, junto com sua corja fascista, à “assembléia geral de bandidos comandada pelo bandido Eduardo Cunha”, como a imprensa internacional chama a Câmara dos Deputados.

É inconcebível que Gilmar Mendes, juiz sem-votos do STF, continue atuando política e partidariamente, como se fosse detentor de mandato popular. A permanência dele no STF é fator de desestabilização do ambiente político e degradação do Judiciário brasileiro.

Gilmar é um sujeito sem limites e sem freios, que ultrapassa todos os limites toleráveis pela democracia e pela Constituição brasileira. Ele tem de ser demitido do serviço público, a bem do interesse público.

Para não se auto-extinguir, o PT tem de reagir energicamente a mais esta infâmia fascista. O PT tem a responsabilidade de unir as consciências democráticas do país e propor o julgamento do impeachment de Gilmar Mendes pelo Senado da República, nos termos do artigo 52 da Constituição Federal.

A luta contra o golpe é indissociável da luta contra a ameaça fascista e em defesa do Estado Democrático de Direito.

Jeferson Miola
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Gilmar quer cassar registro do PT

Quá, quá, quá, reagiu o Dr Abdelmassih


Essa semana, o Dr Roger Abdelmassih, já condenado por 37 estupros a 181 anos de cadeia, recebeu uma condenação adicional: atentado violento ao pudor.

Como se sabe, o Dr Abdelmassih gozava a vida, numa boa, em Assunção, no Paraguai, e só foi preso por obra do produtor Leandro Santana do programa Domingo Espetacular.

O Dr Abdelmassih levava a vida na flauta graças a um Habeas Corpus concedido pelo Ministro (sic) Gilmar (PSDB-MT), a pedido do ilustre advogado Dr Marcio Thomaz Bastos.

(Pelo que o Dr Bastos cobrou R$ 500 mil do Dr Abdelmassih. Sem comentários...)

Provavelmente para tirar do foco essa nova condenação do Dr Abdelmassih, o Ministro (PSDB-MT), segundo o Globo Overseas Investment BV , "pede a cassação de registro do PT".

Já que há "indicativos" de que a sigla foi "indiretamente "sic" financiada pela Petrobras.

E o Traíra, que recebia em dinheiro vivo da Veja e da Odebrecht?

E a Odebrecht, que comprou o Cerra pela bagatela de R$ 34 milhões?

Mas, isso "não vem ao caso"!

E eles acham que o povo não está percebendo...

(Por falar nisso, ouça a vaia memorável, ao Temer, na tevê italiana, sem o abafa).


PHA

No CAf



Gilmar Mendes e a extinção do PT


Estudo acadêmico sobre o perfil dos "antipetistas puros" (excluídos os "impuros", ou seja, os que manifestam sentimentos positivos em relação a outros partidos) chega à seguinte conclusão: antipetistas não são conservadores; tendem a ser relativamente ricos; acreditam que o PT administrou mal a economia; manifestam sentimentos anticorrupção (desde 2006); e, mais importante, possuem atitudes negativas contra políticas de ação afirmativa que beneficiam afrobrasileiros. (extraído de Ciência Política, Sentimentos partidários e antipetismo, 2016, pág. 12)

Em paralelo, uma pesquisa do Vox Populi, de junho de 2015, sobre os limites do antipetismo na intenção de voto dos eleitores demonstrou que o eleitorado "potencial" do PT soma 48% dos eleitores, superando os 39% que não votariam no partido (Carta Capital, Os limites do antipetismo).

Eis aí uma possível explicação para a intenção do ministro Gilmar Mendes de requerer a extinção do PT: a farsa de que o PT é a origem de toda a corrupção brasileira somente foi recepcionada pela parcela rica da população, que abomina o discurso da generosidade e de redução das desigualdades sociais.

Esse alcance é insuficiente para eliminar a possibilidade de retorno do partido ao governo federal. Por conta disso, a "solução final" de Gilmar é simplesmente pôr na câmara de gás um partido que acolhe um terço do pensamento ideológico dos eleitores.

O que o infelizmente ministro não está levando em conta é o seguinte: para os eleitores, pouco importa o nome da agremiação, desde que saibam que determinado partido será o sucessor do PT, os votos convergirão para ele.

É como a piada do marido traído que retira o sofá da sala. O autoritarismo do Gilmar não resolverá, ainda bem.

Um dia pessoas como Gilmar Mendes compreenderão os limites de seu humano poder.

Tomara esse dia não tarde.

Marcio Valley
No GGN
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Por muito menos que Serra Lula está sendo linchado


As matérias contra Lula publicadas no núcleo duro da imprensa antipetista (Globo, Folha, Estadão e Veja) não cessam um só dia. De segunda a segunda há algum factoide contra ele sendo divulgado. Um dos investigadores opinou contra o ex-presidente? Vira manchete de primeira página e “prova definitiva e incontrastável” de que ele é “culpado”.

A rigor, porém, o que pesa contra Lula é muito, muito, mas muito menos do que pesa contra tucanos e peemedebês de alto escalão — leia-se Aécio Neves, José Serra ou Michel Temer.

Lula é investigado porque suspeitam que obra que a construtora OAS fez em um tríplex no Guarujá foi feita para beneficiá-lo, porque o imóvel seria seu, e porque suspeitam, sem nenhuma prova para amparar a suspeita, que um sítio em Atibaia (SP) teria sido reformado pelas construtoras OAS e Odebrecht também para beneficiar o ex-presidente.

Lula também é investigado porque empreiteiras teriam contratado suas palestras e feito doações para o instituto que leva seu nome, assim como contrataram palestras e fizeram doações ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quem, no entanto, não é investigado, apesar de que, desde o finzinho de seu governo (2002), começou a receber enormes doações de empreiteiras e bancos, sem jamais ter sido incomodado.

Matéria abaixo, publicada em 2004 pela Folha de São Paulo, mostra como o candidato a prefeito de São Paulo João Dória Jr. liderava esquema de doações para o ex-presidente pouco tempo após ele ter deixado o cargo.

tucanos 1
O que pesa contra Lula, porém, são meras suposições. Procuradores do Ministério Público e delegados da Polícia Federal encasquetaram que o sítio em Atibaia e o apartamento no Guarujá devem ser dele e isso, sob meros indícios, passou a ser tratado como prova inquestionável pela mídia, que trata o ex-presidente como condenado com culpa provada.

Neste domingo, porém, a Folha de São Paulo publicou com grande destaque denúncia contra um dos políticos mais blindados do país pela mídia — talvez mais até do que Fernando Henrique Cardoso.

tucanos 2

Em primeiro lugar, é bom comentar que nenhum outro grande jornal divulgou esse fato e que é mais fácil Lula ser defendido pela Veja do que o Jornal Nacional divulgar que o “honestíssimo” Serra foi NOVAMENTE denunciado por corrupção — sim, novamente, porque não é a primeira vez.

Antes de prosseguir, porém, vamos combinar que chega a ser ridícula a teoria da mídia e da militância antipetistas de que os dinheiros que petistas receberam de empreiteiras são sujos e os dinheiros que tucanos receberam das mesmas empreiteiras são limpinhos e cheirosos.

Peguemos só o caso da denúncia da Odebrecht contra Serra. O antipetismo fanático afirma que é verossímil que ela tenha doado a Lula ilegalmente porque tinha negócios com a Petrobrás, investigada por corrupção de seus gestores. Ora, mas a mesma Odebrecht também doou a Serra, entre outros tucanos, e tinha negócios com o metrô ou com o Rodoanel de São Paulo, igualmente investigados por corrupção de seus gestores.

Por que, então, você não vê um massacre de um Aécio Neves, de um José Serra ou de um Michel Temer, todos acusados por delatores da Lava Jato? Simples: trata-se de escolha jornalística — ou melhor, “jornalística”.

Aécio Neves, por exemplo, foi citado CINCO vezes por delatores da Lava Jato, como tendo recebido propina. O Senador foi acusado de receber propina em Furnas e de manipular dados do Banco Rural para esconder o mensalão do PSDB.

O doleiro Alberto Youssef disse ter ouvido do ex-deputado José Janene (PP) que Aécio dividiria uma diretoria de Furnas com o PP e que sua irmã faria uma arrecadação de recursos junto à estatal. Isso teria acontecido entre 1996 e 2000.

Em 3 de fevereiro de 2015, o lobista Fernando Moura também disse que Aécio recebia propina de Furnas. E apresentou documentos.

tucanos 3

Em julho de 2015, o entregador de valores Carlos Alexandre de Souza Rocha relatou ter ouvido que Aécio era “o mais chato” na cobrança de propina junto à empreiteira UTC.

O ex-senador Delcídio do Amaral também afirmou que Aécio recebia “pagamentos ilícitos” de Furnas e o ex-diretor da estatal Dimas Toledo foi o grande delator do esquema que pilotava e que envolvia o tucano.

É bem mais do que há contra Lula, que é suspeito simplesmente porque investigadores do MP e da PF ACHAM que os imóveis em questão seriam dele.

No caso de Serra, aliás, a denúncia divulgada pela Folha neste domingo nem é nova. No começo do mês passado, um colunista de O Globo já antecipara que Serra é suspeito de ter recebido propinas de empreiteiras

Em junho, outro dono de empreiteira, além da Odebrechet, citou Serra por receber doações eleitorais via caixa 2 e por ter recebido propinas referente à interminável obra do Rodoanel, quando o tucano governava o Estado de São Paulo: Leo Pinheiro, da OAS.

Os indícios mais fortes contra Serra, na verdade, começaram a surgir no ano passado. Um relatório da Polícia Federal sobre supostos beneficiários de propinas identificou as iniciais do então vice-presidente, Michel Temer, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas colocou uma tarja preta na identificação da sigla JS (José Serra). Depois ficou o dito pelo não dito.

Os indícios contra Serra e Aécio, portanto, são muito mais impactantes e concretos do que os que existem contra Lula, mas, curiosamente, nenhum dos dois está sendo investigado da mesma forma, com o mesmo espalhafato.

A denúncia que a Folha dominical divulgou na primeira página poderia ter sido dada por todos os jornais muito antes e com igual destaque devido à importância do acusado (Serra).

Não é novidade que Marcelo Odebrecht incriminou Serra. A Folha divulgou essa denúncia com destaque só agora apenas porque sabe que, nas próximas semanas, a coisa pode esquentar para o tucano, de modo que o jornal sai na frente diante do inevitável, enquanto que a concorrência (Estadão, Globo e Veja) pretende segurar as informações enquanto for humanamente possível.

Se pesasse contra Lula a quantidade de indícios e até provas documentadas que pesam contra Serra e Aécio, a mídia estaria pedindo o linchamento físico do ex-presidente em editoriais de primeira página. É por isso que todas essas acusações contra tucanos vão terminar sendo abafadas como tantas outras. É é por isso que as acusações contra petistas não podem ser levadas a sério.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Após novas delações, cenário será de terra arrasada

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/apos-novas-delacoes-cenario-sera-de-terra-arrasada/2016/08/07/

Foram R$ 10 milhões de caixa dois para o PMDB de Michel Temer, em 2014, segundo a Veja, e R$ 23 milhões para o PSDB de José Serra, em 2010, segundo a Folha.

Estas são, em  resumo, as grandes novidades das delações da Odebrecht publicadas pela imprensa neste final de semana de largada da Olimpíada do Rio, na reta final do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Dois anos e cinco meses após a deflagração da Operação Lava Jato, as investigações chegam ao PMDB e ao PSDB, os dois grandes partidos que, ao lado do PT, denunciado desde o início, se revezam no comando da política brasileira desde a redemocratização do País.

No mesmo lote de novas delações, a maior empreiteira nacional citará a presidente afastada Dilma Rousseff que, segundo o marqueteiro João Santana, não só sabia, como coordenava a arrecadação de caixa dois para as suas campanhas.

O ex-presidente Lula, também citado em outras delações, já enfrenta meia dúzia de processos em Brasília, São Paulo e Curitiba.

Pelo andar da carruagem, ao final desse processo não restará ninguém para contar a história e acusar os adversários por corrupção, e nenhum líder político de expressão sobreviverá para reformar e reconstruir o apodrecido sistema político-partidário brasileiro a partir de 2018.

O cenário é de terra arrasada.

Os grandes partidos e as grandes empreiteiras nacionais saem destruídos desta guerra sem vencedores, que arrasou a nossa economia e instalou uma crise política sem precedentes e sem data para acabar.

Os maiores derrotados somos todos nós, cidadãos-contribuintes, assaltados por esta promíscua aliança público-privada, que gerou aumento da inflação, queda do PIB e um crescente deficit fiscal.

Em tenebrosas transações, agora reveladas, roubaram até a nossa esperança, e nos deixaram sem perspectivas de dias melhores, até onde a nossa vista alcança.

Peço desculpas aos leitores, pois sei que não é agradável tratar destes assuntos em pleno primeiro domingo olímpico, mas é a nossa triste realidade.

Vida que segue.
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O caixa 2 de Serra: precisava de tudo isso para descobrir?


Na Folha de hoje, mais uma delação futurística da Lava Jato.

Segundo a reportagem, os executivos da Odebrecht disseram aos procuradores que José Serra recebeu R$ 23 milhões de caixa 2.

A delação ainda não foi assinada, mas já foi devidamente vazada à imprensa, como de praxe.

Há tempos que a Lava Jato vaza as delações antes mesmo delas existirem oficialmente.

Pela lei da delação premiada, tanto aqui como nos Estados Unidos, o vazamento deveria ser suficiente para anulá-la, até porque permite que o réu destrua provas, mas isso não vem ao caso, pois o objetivo principal é o tribunal da mídia.

José Serra é um tucano velho e decadente: um cordeiro gordo perfeito para um sacrificiozinho político temporário.

A matéria vem com infográficos, coisa rara em se tratando de material negativo aos tucanos.

Os executivos prometeram entregar recibos dos depósitos feitos em bancos no exterior. A ver.

Quando disputou as eleições em 2010, o Congresso em Foco apurou que o tucano era o recordista, entre os candidatos, de processos na justiça: tinha 17 processos, todos por improbidade administrativa. Mais um menos um. Que diferença faz?

O que me deixa intrigado, com a Lava Jato e com a mídia, porém, é o seguinte.

Precisava quase destruir a Odebrecht e todas as grandes da engenharia nacional, prender o Marcelo por mais de um ano (e condená-lo a 19 anos de regime fechado), provocar demissão de centenas de milhares de famílias, criar um clima de golpe de estado, para descobrir que José Serra fez caixa 2 em 2010?

O Amaury Ribeiro escreveu um livro, Privataria Tucana, onde não quebrou sigilo de ninguém, não torturou ninguém com prisão preventiva, não destruiu nenhuma empresa, nem prejudicou um único trabalhador, não gastou um centavo de verba pública, e, no entanto, descobriu muito mais podres sobre Serra do que a Lava Jato!

A Folha e a grande mídia em geral desprezaram o conteúdo apresentado no livro do Amaury, apesar dele trazer provas abundantes de tudo que dizia, e agora dão destaque, com direito a infográfico, a uma delação ainda não assinada, que não traz, por enquanto, prova nenhuma?

A reportagem mostra os métodos da Lava Jato:

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Casos que interessam aos procuradores...

A Lava Jato está na fase "pega tucano", ou seja, naquele momento em que disfarça suas intenções.

Algumas reportagens-denúncias sobre o PSDB, nada que provoque grandes reviravoltas...

Afinal, algum tesoureiro tucano foi preso? A sede do PSDB foi invadida pela Polícia Federal?

Esse dinheiro de campanha era para pagar marketeiros: algum foi preso?

A filha de Serra também será perseguida pela Lava Jato?

Voltando ao livro do Amaury, o leitor, a mídia e os procuradores descobrirão que a fortuna da família Serra não é feita de canoas de alumínio num sítio de amigo.

A minha teoria sobre o golpe, é bom lembrar, para eu mesmo não me perder nessa rede de intrigas e conspirações, é que ele foi costurado pelas castas burocráticas e mídia. Os políticos aproveitaram o vácuo criado e o ocuparam. Mas o golpe foi feito para isso mesmo, para que exatamente esses mesmos políticos ocupassem o vácuo.

O MPF e as castas em geral, fazem questão de manter os políticos bem conscientes de que eles, mesmo tendo ocupado o vácuo, são apenas representantes dos interesses das castas, da mídia e dos patrocinadores da mídia.

O poder real está em mãos das castas judiciais e da mídia, cuja arma principal agora é a Lava Jato, que é uma espécie de ensaio de Estado de Exceção, uma "pausa democrática", um cão raivoso vigiado de perto por seus donos.

Há um embate surdo dentro do golpe. As gravações de Sergio Machado revelaram isso muito bem. Os políticos que assumiram o Planalto conspiram agora para ampliarem sua (a autonomia deles, políticos) autonomia.

O "barbarismo", o radicalismo neoliberal, que vemos no governo Temer, é tão grande porque são as únicas ações que agradam à grande mídia e aos representante do setor privado que também conspiraram pelo golpe. Os interinos tentam, desesperadamente, agradar aos patrocinadores do golpe visando ganhar um pouco de crédito e autonomia para brincarem de governo.

Aparentemente, a Lava Jato finge seguir o moralismo fanático descrito na máxima latina fiat iustitia pereat mundus. Faça-se justiça ainda que o mundo pereça.

Mas é mentira. Quer dizer, no que toca à economia brasileira e à democracia, é verdade, e com apoio da mídia. Miriam Leitão escrevia nas suas colunas: não importa o prejuízo a ser provocado na economia, a Lava Jato tinha de seguir em frente.

Claro, havia um cálculo: uma economia em dificuldades era condição fundamental para se criar a atmosfera de golpe.

O fanatismo moral da Lava Jato, porém, sempre foi uma máscara.

Quando, numa das fases da Lava Jato, as investigações se aproximaram de uma offshore usada pela Globo e outros grupos para fazerem seus negócios no Brasil, Sergio Moro e a força tarefa recuaram imediatamente, soltaram os detidos e voltaram aos pedalinhos de Lula.

O jogo é simples. Vou repetir alguns argumentos do post anterior. A votação final do impeachment se aproxima. Caso a insatisfação social com Temer e a rejeição ao impeachment cresçam além do controle, a Lava Jato precisará lançar alguns factoides especialmente fortes nas duas próximas semanas.

Ou seja, a Lava Jato terá que prender, naquele método da prisão preventiva perpétua, às vésperas da votação, alguns petistas graúdos: um Edinho Silva, por exemplo, seria uma vítima perfeita, porque geraria a manchete: tesoureiro da campanha de Dilma é preso.

Pronto: clima de intimidação, perplexidade, golpe. Os senadores indecisos ficam assustados, porque farejam no ar o clima de linchamento midiático ao PT e intuem que, senão aderirem à onda, serão eles mesmos agredidos.

A prisão de Lula pode ficar para depois do golpe consumado, caso haja clima... Agora já se criou duas frentes promissoras de ataque: a própria Lava Jato e o MPF do Distrito Federal.

A Lava Jato precisa, contudo, fazer um movimento calculado. Antes de encetar novo violento ataque ao PT, é de bom tom distribuir uma denúncia forte contra um tucano. É como comprar créditos.

Denuncia-se um tucano, nada mortal, como movimento preparatório para mais um grande ataque judicial-midiático ao PT.

A Globo, vê-se logo, por seu tamanho, riqueza e arrogância, tem enorme dificuldade para entender e seguir as sutilezas desse jogo, mas vem aprendendo rápido e, sobretudo, é a proprietária da conta bancária de longe a mais polpuda dentre os barões de mídia e pode comprar, portanto, através de consultorias, a inteligência que seus diretores e donos não possuem.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Serra recebeu R$ 23 milhões via caixa dois, afirma Odebrecht

Ele
Executivos da Odebrecht afirmaram aos investigadores da Operação Lava Jato que a campanha do hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), à Presidência da República, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois.

Corrigido pela inflação do período, o valor atualmente equivale a R$ 34,5 milhões.

A afirmação foi feita a procuradores da força-tarefa da operação e da PGR (Procuradoria-Geral da República) na semana passada por funcionários da empresa que tentam um acordo de delação premiada, conforme antecipou a colunista Mônica Bergamo.

Durante a reunião, realizada na sede da Polícia Federal em Curitiba, os executivos disseram que parte do dinheiro foi entregue no Brasil e parte foi paga por meio de depósitos bancários realizados em contas no exterior.

As conversas fazem parte de entrevistas em que os possíveis delatores da Lava Jato corroboram informações apresentadas pelos advogados na negociação da delação premiada.

O acordo, entretanto, ainda não foi assinado.

Suspeita de caixa 2 de Serra

Para comprovar que houve o pagamento por meio de caixa dois, a Odebrecht vai apresentar extratos bancários de depósitos realizados fora do país que tinham como destinatária final a campanha presidencial do então candidato.

Segundo informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou em 2010 R$ 2,4 milhões para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República de Serra (R$ 3,6 milhões em valores corrigidos).

Dessa maneira, a campanha do tucano teria recebido, apenas do grupo baiano, R$ 25,4 milhões, sendo R$ 23 milhões "por fora".

Segundo os depoimentos de executivos da Odebrecht, a negociação para o repasse à campanha de Serra se deu com a direção nacional do PSDB à época, que depois distribuiu parte do dinheiro entre outras candidaturas.

Delação

Os envolvidos nas negociações consideram o tema um dos principais anexos que integram a pré-delação da empresa. É primeira vez que o tucano aparece envolvido em esquemas de corrupção por potenciais colaboradores da operação que investiga desvios na Petrobras.

Em conversas futuras com os procuradores, os executivos também pretendem revelar que o ministro das Relações Exteriores era tratado pelos apelidos de "Vizinho" e "Careca" em documentos da empreiteira.

Acarajé

O nome do tucano foi um dos que apareceram na lista de políticos encontrada na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, durante a 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, em fevereiro.

A Folha também apurou que funcionários da companhia relatarão que houve propina paga a intermediários de Serra no período em que ele foi governador de São Paulo (de 2007 a 2010) vinculados à construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas.

O trecho em questão teve construção iniciada no primeiro ano da gestão do tucano e foi orçado em R$ 3,6 bilhões na época.

Na última quinta-feira (4), o ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, falou pela primeira vez aos procuradores que investigam o petrolão. Ele está preso há mais de um ano na Lava Jato.

A reunião, realizada com nove procuradores e cinco advogados na superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde Marcelo está preso, começou por volta das 10h e terminou quase sete horas depois.

Ao longo da conversa, o executivo foi cobrado pelos investigadores a falar de maneira "explícita" dos atos de corrupção, "sem rodeios".

O ex-presidente do grupo vinha se preparando havia meses para esse dia, com reuniões semanais com advogados. Na véspera da oitiva, ele recebeu as visitas da mulher, Isabela, e das três filhas para lhe dar apoio.

'Lição de casa'

Além de Marcelo Odebrecht, cerca de 30 executivos da empreiteira deram depoimentos em Curitiba.

As oitivas foram duras. Alguns executivos chegaram a ser chamados de mentirosos pelos investigadores. Parte foi ordenada a fazer a "lição de casa", trazendo mais informações sobre casos que interessam aos procuradores.

Outro lado

O ministro das relações exteriores, José Serra (PSDB-SP), afirmou, por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, que a campanha dele durante a disputa a Presidência da República em 2010 foi conduzida em acordo com a legislação eleitoral em vigor.

O tucano disse também que as finanças de sua disputa pelo Palácio do Planalto eram de responsabilidade do partido, o PSDB.

Ainda em nota, José Serra reiterou que ninguém foi autorizado a falar em seu nome.

"A minha campanha foi conduzida na forma da lei e, no que diz respeito às finanças, era de responsabilidade do partido", afirmou.

Segundo a prestação de contas da campanha tucana no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República, do PSDB, declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da empreiteira na disputa de 2010.

Sobre o suposto pagamento de propina a intermediários do tucano quando ele foi governador do Estado de São Paulo, entre 2007 e 2010, e que teriam relação com a construção do trecho sul do Rodoanel, o ministro disse que considera "absurda a acusação".

"Até porque a empresa em questão já participava da obra quando assumi o governo do Estado."

Bela Megale
No fAlha
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O papel de Lula na escolha do Rio como sede das Olimpíadas foi suprimido pela Globo

Lula e Pelé comemoram a vitória do Rio em Copenhague
A Globo vendeu seis cotas de patrocínio das Olimpíadas por 1,5 bilhão de reais.

Outras cotas, cinco, foram vendidas pelo Sportv, do grupo, a um preço menor.

Para você ter uma ideia do tamanho da cifra, nas Olimpíadas de 2008 em Pequim a cota era dez vezes menor: 25 milhões. (Em 2012 em Londres a Globo ficou de fora da transmissão.)

As digitais de Lula estão impressas nesse negócio bilionário. Foi Lula quem trouxe as Olimpíadas para o Rio.

O anúncio foi feito em 2009. O carisma mundial de Lula foi determinante para que a escolha recaísse sobre o Brasil.

Um vídeo da GloboNews no dia da escolha do Rio circulou estes dias na internet. Nele, Lula celebra o feito ao lado de muita gente, em Copenhague. Você pode vê-lo aqui:



Se você prestar atenção, vai enxergar ali, nas cercanias de Lula, Michel Temer, num de seus clássicos papeis na vida, o de papagaio de pirata. Era uma presença decorativa. Lula cita muita gente que contribuiu para o triunfo. Temer é, merecidamente, ignorado.

Na retaguarda, você vê, na redação da GloboNews, rostos marcantes da Globo ao vivo, na cobertura ao vivo do triunfo. Fátima Bernardes e Patrícia Poeta riem, como num êxtase, a cada frase de Lula.

Rio 2016 não existiria sem Lula. Nem o negócio bilionário da Globo, especialmente bem vindo num momento em que a internet vai criando crescentes problemas para a empresa.

Mas Lula desapareceu na Globo.

Num vídeo que recapitula os acontecimentos desde o anúncio do Rio, Lula foi simplesmente suprimido.

É o jornalismo de guerra dos Marinhos. Stálin fazia isso. Tirava das fotos históricas pessoas que caíam em seu desagrado.

Em sua maldade sem limites, a Globo iguala Stálin.

Mas nada do que a empresa faça vai eliminar o fato de que Lula é o pai das Olimpíadas e a Globo a madrasta ingrata, usurpadora e canalha.

Paulo Nogueira
No DCM
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