6 de ago de 2016

Rio 2016 — Melhores Momentos da Cerimônia de Abertura


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O 7 a 1 de Anitta em William Waack e nos fiscais do “bom gosto” na Rio 2016

Anitta e um fiscal da Rio 2016
Anitta, como você, Messi e Jesus Cristo, tem virtudes e defeitos. O maior de seus problemas, para os críticos burros, é ser ela mesma e não Elis Regina.

Ela deu uma boa entrevista a William Waack e uma moça que servia de escada ao apresentador depois da abertura da Olimpíada, quando interpretou “Isto aqui, o que é?” ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Waack, com aquela animação que lhe é peculiar, começou com uma pegadinha. A coreografia não tinha nada a ver com os clipes dela, lembrou ele. Era “a Anitta que estava lá?”

Ficamos sem saber se Waack sentiu falta de “Essa Mina é Louca” no repertório ou se ele realmente não entende como funciona um espetáculo daquelas dimensões com um diretor, um roteiro etc.

Mas aí veio a bobagem nostálgico-gordurosa de quem acha que determina o que é “bom gosto”.

— Caetano e Gil são da minha geração. Eu cresci ouvindo esses dois…

— Eu também, respondeu ela.

— Você acha que, para o exterior, é a nova voz da música brasileira? Pensando que isso foi transmitido para o mundo inteiro.

— O brasileiro tem que entender que, na música brasileira, as coisas se renovam. As pessoas nascem, podem vir a cantar, a se tornar um sucesso.

– Você está falando de você?

– Não, de várias pessoas… A gente tem que estar aberto para a novidade. Tem que dar oportunidade para os novos talentos na música ou no esporte.

Touché. Anitta foi indicada por Caetano, que não é bobo. Ela tem boa voz, é bonita, carismática — e, possivelmente, a artista mais bem sucedida comercialmente do Brasil hoje. Ou seja, todos os atributos necessários para estar numa celebração desse quilate.

É entretenimento. Na Olimpíada de Londres, o encerramento contou com os meninos esquisitos do One Direction, o DJ Fatboy Slim, a já desaparecida Jessie J, o rapper Tinie Tempah e as Spice Girls. Ninguém achou que eles são “a nova voz da música britânica” ou uma estupidez do gênero porque não é disso que se trata.

A outra face desse preconceito surgiu com os comentários batendo em Anitta por ela ser “mainstream demais”, “vendida”, “uma bunda com voz” ou algo que o valha.

Para esse pessoal, o correto seria chamar Elza Soares, Pretinho da Serrinha, Maria Gaduh (Gadú? Ghadu?), Ernestinho da Tijuca, Zizu da Sanfona, Dona Jurema da Portela — alguma figura cult, desconhecida, eventualmente com talento mediano, mas com legitimidade na brasilidade.

Por trás disso está a discriminação contra Anitta e o que ela representa. Tom Jobim dizia que, no Brasil, sucesso é ofensa pessoal.

Anitta nasceu num bairro pobre da Zona Norte do Rio, aprendeu a cantar na igreja, foi vendedora de roupa, postou os primeiros vídeos no YouTube, virou “revelação do funk”, engoliu sapo, estourou com “Show das Poderosas”, pagou mico com Roberto Carlos.

Ontem estava ao lado de dois medalhões da MPB, aparecendo para o mundo. Competente e profissional, abrilhantou a festa. Esses bocós precisam entender que ela é parte da cultura brasileira, tanto quanto Gil, Caetano, Bethânia, Minhoco da Mangueira e Tia Zita do Recife. Kudos.

Se havia alguém que não deveria estar no Maracanã era o sujeito que ocupava uma tribuna de honra e tomou uma vaia imortal na cara. Mas, para esse tipo de canalha, Waack é um docinho de coco.



Kiko Nogueira
No DCM
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Primeira Luta-Livre. Galvão vs Glória Maria

As Olimpíadas de Tóquio terão a prova "Lançamento de Lixo"!


O "cala a boca, Galvão !", voltou gloriosamente.

Porque o Galvão e a Glória Maria travaram um vale-tudo: para ver quem falava mais e quem aparecia mais!

Os dois juntos têm um Ego maior do que o do Padim Pade Cerra.

O Galvão conseguiu "abafar" o Maracanã que cantava o "Moro num Pais Tropical", depois que o Jorge Benjor acabou de deslumbrar o mundo...

O Galvão não podia deixar que o Jorge o ofuscasse.

Momento sublime, segundo o Mauricio Stycer no UOL, foi quando entrava a delegação dos refugiados e o Galvão anunciou: vem aí o Japão.

Não, corrigiu a Glória: são os asiáticos!

O Galvão e a Glória Maria, juntos, não dão um Álvaro José de férias...

O Comitê Olímpico Internacional vai criar uma nova modalidade de competição nas Olimpíadas de Tóquio.

O "Lançamento de Lixo" (só com a Mão Esquerda).

É para homenagear a contribuição inestimável do Galvão ao espírito olímpico.

Ele cobre olimpíadas desde a de Londres, de 1948, a primeira do pós-Guerra.

É que, mais do que nunca, no Rio, a mão esquerda do Galvão se movimentou com a liberdade com que o Moro surfa na Democracia brasileira!

A mão esquerda do Galvão tem livre arbítrio.

Faz o que bem entende!

Em tempo: Galvão foi o único que ouviu o único aplauso ao Temer, no meio da vaia planetária. Eram as palmas do Meirelles. Pelo menos bom ouvido o Galvão tem.

E uma coluna dorsal quebradiça, também...

PHA
No CAf
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Não haverá como o PGR deixar de investigar Temer


No início dos anos 90, após a CPI das Empreiteiras, o velho Norberto Odebrecht tinha uma frase padrão para definir o desafio das empresas que entravavam no sistema de propinas: entrar na lama sem respingar.

Dizia ele que a Constituição de 1988 descentralizou as verbas. Obrigou, então, as empreiteiras a atuar na ponta com a classe política. Operações normais são contabilizadas, dizia ele, assim através do balanço fica possível controlar os gastos. As propinas, não. Então havia um duplo desafio para as empresas: fiscalizar os subornados e fiscalizar também seus executivos que participaram da operação. Afinal, não há registro delas. Quem poderia garantir a destinação da propina paga, sem nenhuma espécie de registro?

Só exige pagamento em dinheiro vivo quem não quer deixar rastro. Não tendo nenhum registro, pode-se fazer o que quiser com o dinheiro recebido. Inclusive embolsá-lo sem prestar contas a ninguém.

Lembro isso a propósito das denúncias de Marcelo Odebrecht — veiculadas pela Veja — de ter contribuído com R$ 10 milhões para o PMDB, a pedido do então vice-presidente Michel Temer em uma reunião ocorrida na própria residência oficial, o Palácio do Jaburu.

Há dois personagens na história: o doador e o beneficiário.

Em relação ao doador, o beneficiário não é obrigado a saber da procedência do dinheiro doado. Quando uma empresa consegue um contrato, mediante o pagamento de propina, o dinheiro que vai para seu caixa não é carimbado. Usa-se o caixa 2 apenas para disfarçar o destinatário do pagamento, não a natureza do recebimento.

Mas só há uma maneira de conferir a utilização do dinheiro depois que é doado: ele transitar pelos canais financeiros. No caso de financiamento de campanha, através de depósito na conta do partido. O partido registra o dinheiro doado, dá o recibo e o dinheiro fica no circuito partidário, sendo objeto de fiscalização do próprio partido, do Ministério Público e do Tribunal Superior Eleitoral.

As duas outras formas de pagamento — por laranjas ou por dinheiro vivo — significa corrupção do beneficiário, utilização do dinheiro para enriquecimento pessoal ou para utilizações ilegais.

Segundo a reportagem, os beneficiários — Michel Temer e Eliseu Padilha — exigiram pagamento em dinheiro vivo. R$ 4 milhões foram para Eliseu Padilha; R$ 6 milhões para Paulo Skaf, o homem dos patos da FIESP.

Ouvido pela revista, Temer declarou que ele e o empresário conversaram "sobre auxílio financeiro da construtora Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB, em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor e conforme foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral". Ora, na prestação de contas do partido há R$ 11,3 milhões declarados de doação da Odebrecht. Mas certamente não são os mesmos R$ 10 milhões mencionados por Marcelo Odebrecht.

A resposta de Eliseu Padilha foi mais incompleta ainda: "Como Eliseu Padilha não foi candidato, não pediu nem recebeu ajuda financeira de quem quer que seja para sua eleição". Fantástico! Ninguém afirmou que os R$ 10 milhões eram para sua eleição, mas que ele recebeu na condição de homem de confiança de Temer.

Quais os motivos para exigir o pagamento em dinheiro vivo?

Esconder a contribuição à campanha de Paulo Skaf? Certamente, não. Se poderia alegar que, se a contribuição vazasse, outros candidatos poderiam exigir isonomia. Ora, o padrão normal é depositar na conta do partido nacional e o partido remeter para o candidato a ser beneficiado.

Esconder a ajuda a candidatos de outros partidos? Pode ser. Mas, no mínimo, configuraria uma infração eleitoral.

Valer-se do dinheiro para enriquecimento pessoal? É uma hipótese robusta.

Há um cadáver estirado no centro da Praça dos Três Poderes: R$ 10 milhões em dinheiro vivo negociado pessoalmente pelo presidente com uma empreiteira.

A única maneira de saber o que ocorreu será a Procuradoria Geral da República abrir um inquérito sobre isso. Não será possível ao país manter um presidente interino — que está prestes a se tornar efetivo — sob a mancha de suspeita de tal dimensão.

Luís Nassif
No GGN
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O recado explícito de Elza Soares ao traidor Michel Temer na abertura das Olimpíadas


Os versos são de Vinicius de Moraes, o poetinha ex-diplomata que nunca chegou a ser o mais progressista dos brasileiros. A música é de Baden Powell, que no final da vida extirpou a palavra “saravá” de suas canções e substituiu os antigos cantos de candomblé pela religião evangélica. Transtornado por Elza Soares, o “Canto de Ossanha” (1966) de Baden e Vinicius constituiu-se, para boas entendedoras, no grande momento político da cerimônia planetária de abertura das tristes Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Foi um recado explícito, cortante e 100% feminino ao “macho” traidor Michel Temer, a grande estrela negativa da noite universal. “Coitado do homem que cai no canto de Ossanha traidor“, cantou Elza em meio ao espetáculo de despolitização transnacional, com ênfase aberta, indignada, às sílabas do (des)qualificativo traidor. Obra de gênio, de gênia.



O homem que diz “sou” não é. Porque quem é mesmo é “não sou”.

O homem que diz “tô” não tá. Porque ninguém tá quando quer.

Para filtrar tais versos e trazê-los a 2016 é necessário apenas ser boa entendedora, bom entendedor. É necessário apenas não ser robô.

Brasileiras devotas da democracia assistimos atarantadas à escalada de repressão testada nas Olimpíadas do Brasil. Tropas de choque avançam sobre o Rio de Janeiro e São Paulo para calar o “fora Temer“. A lei dos homens olímpicos faz de tudo para escorraçar a política das arenas esportivas. Policiais militares transgridem ínfimas leis para oprimir professoras que desejam se manifestar em arena contra o golpe de estado em curso.

A cerimônia transcorre apática, dirigida à política do anódino, obediente à blitzkrieg endoidecida para preservar a “integridade” do golpe. Fracos diante da máquina de moer sonhos, esportistas e artistas se movem como o grande rebanho big brother aboiado pela Rede Globo aqui no país tropical abençoado pelo golpe. Até que Elza adentra a arena, já bastante machucada pelo tempo e pela violência cotidiana disparada preferencialmente contra as carnes mais baratas do mercado branco.

Sentada impávida rodeada por três jovens mulheres de carne negra e cabelos black power, Elza não faz nada mais, nada menos que ressuscitar o “Canto de Ossanha” de 1966, ano 2 da ditadura civil-militar de 1964.

“Amigo sinhô, saravá, Xangô me mandou lhe dizer/ se é canto de Ossanha não vá, que muito vai se arrepender/ pergunte pro seu Orixá, o amor só é bom se doer”, avisa Elza, a mandinga feminina resplandescente contra as ditaduras masculinas onde tudo o mais ensaia se calar.

O preço da traição será enorme para todos os pactuares do corte, adverte a mandingueira soberana. O semblante de Temer, sombrio por inúmeros motivos, é a prova viva de que a melhor de todas as cartas abertas chegou a seu destinatário. Nem precisávamos mais das vaias.

(p.s.: Todas nós, brasileiras que precisamos de democracia, temos um grito uníssono de celebração para acalentar o triste início dos Jogos da Exclusão e da Vergonha: viva Elza Soares!)

No Farofa
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Mídia alternativa denuncia golpe ao mundo

A Olimpíada Rio 2016 acontece em um período turbulento para os brasileiros. Mandatário interino do país, Michel Temer assumiu a cadeira presidencial através de um golpe midiático-judicial, afastando a presidenta Dilma Rousseff, democraticamente eleita por 54 milhões de brasileiros, e alçando ao poder o que há de mais retrógrado na política brasileira. Por isso, o cenário dos jogos promete pegar fogo não só pelo calor da tocha e da pira, mas pelos massivos protestos que devem ocorrer para denunciar o golpe em curso.

Controlados por sete famílias que formam um oligopólio da informação no país, os grandes meios de comunicação, comprometidos com o processo golpista, agem no sentido de distorcer e omitir a resistência ao golpe a luta em defesa da democracia. Por isso, dezenas de coletivos de mídia e veículos contra-hegemônicos farão cobertura colaborativa de todos os protestos e manifestações que ocorrerem durante os jogos. A ideia é dar visibilidade e repercussão internacional à denúncia do que ocorre no país, a despeito dos esforços da mídia privada e do governo provisório em asfixiar vozes dissonantes.

Como forma de contribuir nessa importante tarefa, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promoverá uma cobertura multilíngue dos atos contra Temer e o golpe. Referência na luta pela democratização da comunicação no país e formada por jornalistas, intelectuais, ativistas digitais e lideranças de movimentos sociais, a entidade produzirá matérias em português e em idiomas como o inglês, o espanhol, o francês, o russo e o alemão.

A série será publicada no portal do Barão de Itararé (www.baraodeitarare.org.br) e divulgada em redes sociais como o Facebook (www.facebook.com/baraomidia) e Twitter (www.twitter.com/cbaraodeitarare). A hashtag #ForaTemerRio2016 será a etiqueta das publicações. A reprodução é livre, mediante citação da fonte.

* Leer en español: http://bit.ly/2axCjIK

* Read it in English: http://bit.ly/2aM29LU

* Lire en français: http://bit.ly/2aRetMf

* Auf Deutsch lesen: http://bit.ly/2aYxTwU

* Leggere in italiano: http://bit.ly/2aUk9GC

* Читайте на русском языке: http://bit.ly/2aGKjrU

Os ataques de Temer à liberdade de expressão

Um dos casos mais emblemáticos da ofensiva do governo interino sobre a liberdade de expressão é a tentativa de desmonte da incipiente comunicação pública brasileira. “O Brasil é estreante na construção de meios públicos de comunicação. Nosso histórico remete a um modelo estritamente comercial, típico dos Estados Unidos”, afirma Renata Mielli, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). “Por isso, nossa democracia se ressentiu, durante décadas, de uma comunicação pública que buscasse outro olhar sobre os acontecimentos e sobre a pluralidade e diversididade cultural e regional”.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada em 2007, é a iniciativa que busca construir o setor partindo da estaca zero. “Isso significa dar voz a segmentos antes invisibilizados”, comenta Mielli. “A TV Brasil estreou, recentemente, o primeiro programa do país voltado ao público homossexual, comprometida com as questões desta comunidade”. O jornalismo diverso produzido pela EBC, reflete a jornalista, rompe com o discurso único do monopólio midiático no Brasil.

O problema, segundo Mielli, é que o golpe não convive bem com essa diversidade na comunicação. “Não é possível consolidar um processo ilegítimo com focos de combate e questionamento na mídia”, alerta. Por isso, a EBC, que é uma empresa pública, mas institucionalmente vinculada ao Estado brasileiro, sofreu intervenção por parte do novo governo, que nomeou um novo diretor de forma ilegal, mudando os rumos da Empresa. Como a Justiça anulou a medida (único revés judicial sofrido por Temer até o momento), o governo promete, agora, aprovar lei que altera o caráter público da EBC.

Quanto aos jogos olímpicos, Renata Mielli avalia que a cobertura jornalística do evento tem duas dimensões: o acompanhamento das competições e a observação do que ocorre fora da arena esportiva. “A iniciativa de produzir conteúdo que busca contextualizar as olimpíadas no cenário político brasileiro é fundamental para superar o bloqueio da informação”, opina. “Esse evento, concebido em um período de afirmação da soberania e da capacidade do povo brasileiro, ocorre, agora, em um momento de retrocesso. O mundo só vai compreender isso se existir essa outra narrativa dos fatos”.

Calando a divergência

Outra medida levada a cabo por Temer antes mesmo da consolidação do impeachment de Dilma Rousseff — a votação final no Senado brasileiro deve começar dias após o encerramento da Olimpíada — reflete bem a mão de ferro do golpismo contra a diversidade de opiniões e ideias. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, órgão responsável por definir os critérios de distribuição da verba publicitária aos meios de comunicação, rompeu unilateralmente os contratos de publicidade com blogs e meios do campo progressista.

De acordo com o presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, o critério de repartição da publicidade oficial é historicamente antidemocrático. “O fomento aos meios de comunicação contra-hegemônicos é uma grande dívida dos governos brasileiros, já que esses sempre receberam quantias pouco significativas. Já as famílias que dominam o setor abocanham quase todo o bolo e, comprometidas com o golpe, devem passar a devorá-lo na totalidade”, comenta.

Autor do Blog do Miro, o jornalista critica a atitude de Temer em cortar a verba destinada aos meios alternativos. Para ele, o cenário, que já é de concentração, tende a piorar. “Ao suspender os contratos, Temer escancara a sua intolerância para com a liberdade de expressão e deixa claro: não aceitará divergência durante seu governo”, opina.

Os movimentos populares no Rio-2016

Com os holofotes do mundo apontados para o Brasil, os movimentos populares prometem ocupar as ruas do Rio de Janeiro para reverberar internacionalmente a denúncia do golpe em curso no país. No dia 4 de agosto, véspera da abertura dos jogos, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo concederão entrevista coletiva para a imprensa estrangeira. As Frentes reúnem os principais movimentos sociais brasileiros, de diversas matizes do campo progressista.

O grande ato dos movimentos está marcado para a sexta-feira (5), a partir das 11h, em Copacabana. A bandeira escolhida pelos movimentos é a seguinte: “Fora Temer! Nenhum direito a menos! Contra a calamidade olímpica!”. Mais cedo, às 10h, as “Mulheres pela democracia” realizam protesto na Estação Arco Verde.

Felipe Bianchi
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Veja e Odebrecht derrubam Temer!

Propina foi em dinheiro vivo!



VEJA teve acesso a um anexo da delação premiada mais esperada do escândalo do petrolão. A Odebrecht mobilizou mais de uma centena de advogados para assessorar a delação de seu presidente, Marcelo Odebrecht, e de cerca de cinquenta executivos da empresa. No trecho a que VEJA teve acesso consta a informação de que em maio de 2014 houve um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República. Nele, estavam o próprio vice Michel Temer e o então deputado Eliseu Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil. Do lado da empreiteira, Marcelo Odebrecht. Segundo os termos do anexo, Temer pediu “apoio financeiro” ao empresário. Marcelo Odebrecht, um campeão em contratos com o governo federal e um financiador generoso de políticos e campanhas eleitorais, prometeu colaborar. Afinal, estava diante do vi­ce-presidente da República e comandante em chefe do PMDB, o maior partido do país, que controlou desde a redemocratização cargos estratégicos da máquina pública, como diretorias da Petrobras e de estatais do setor elétrico.

A Lava-Jato já sabe que empreiteiras repassaram propinas a partidos na forma de doações eleitorais. Ou seja: que usaram a Justiça Eleitoral para lavar dinheiro sujo. No caso da negociação no Jaburu, o anexo da empreiteira promete provar, caso a delação seja homologada, que se deu uma operação distinta: o pagamento do “apoio financeiro” aconteceu em dinheiro vivo, entre agosto e setembro de 2014. A Odebrecht repassou 10 milhões de reais ao PMDB. Do total, 4 milhões tiveram como destinatário final o próprio Eliseu Padilha. Já os 6 milhões de reais restantes foram endereçados a Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Skaf tem boa relação com Marcelo Odebrecht e é apontado como o mentor do jantar entre o empreiteiro e os peemedebistas, do qual não participou. Em 2014, ele disputou o governo de São Paulo pelo PMDB graças ao apoio de Temer. O repasse dos 10 milhões de reais em dinheiro vivo está, segundo o anexo, registrado na contabilidade do setor de operações estruturadas da Odebrecht, também conhecido como “departamento da propina”.

Em nota, o presidente interino confirmou o jantar e afirmou que ele e o empresário conversaram “sobre auxílio financeiro da construtora Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB, em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor e conforme foi depois declarado ao Tribunal Superior Eleitoral”. Segundo dados do TSE, a Odebrecht repassou 11,3 milhões de reais à direção nacional peemedebista em 2014. Seria a mesma doação? Para evitar fraudes, a Justiça Eleitoral exigia que os recursos doados legalmente pelas empresas fossem depositados na conta do partido. Na delação da empreiteira, os 10 milhões saíram em dinheiro vivo e foram contabilizados em seu “caixa paralelo”.

Temer não esclareceu se foi ele quem pediu a ajuda financeira, conforme relatado à força-tarefa da Lava-Jato, ou se a iniciativa partiu de Marcelo Odebrecht. Consultado por VEJA, Eliseu Padilha enviou uma nota. Diz: “Lembro que Marcelo Odebrecht ficou de analisar a possibilidade de aportar contribuições de campanha para a conta do PMDB, então presidido pelo presidente Michel Temer”. Padilha negou que tenha recebido os recursos da Odebrecht. Sua assessoria escreveu: “Como Eliseu Padilha não foi candidato, não pediu nem recebeu ajuda financeira de quem quer que seja para sua eleição”. Paulo Skaf também declarou que a empreiteira não doou para a sua campanha e que recebeu apenas 200 000 reais da Braskem, petroquímica controlada pela Odebrecht. A empreiteira não comenta o assunto sob a alegação de que está negociando uma delação premiada e tem o compromisso de manter a confidencialidade.
Por que a Veja detonaria o Traíra?

Por instinto de sobrevivência.

A Veja ja sabe que o Traíra não dura.

O placar indica 31 votos contra o impítim, mesmo com o Cristóvam Buarque do lado golpista.

Especialmente depois dessa vaia de dois bilhões de espectadores o Traíra não chega ao Senado...

Cai antes...

A Veja também sabe que, se não publicasse, amanhã os outros vazadouros preferenciais, a Mônica Bergamo, o Elio Gaspari e o Fausto Macedo, o vencedor do Troféu Conexões Tigre, publicariam.

E, hoje, a Veja é a única publicação que sustenta (sic) a árvore bichada da Abril.

Como dizia o Conversa Afiada na campanha de 2010, 'Cerra', bye-bye!

Porque, se o Gilmar (PSDB-MT) acha que vai dar um Golpe para o 'Cerra' é porque ele acha que o Brasil se concentra no circuito Diamantino-DF, que ele provincialmente controla...

Ele foi ao Maracanã e não percebeu nada...

PHA
No CAf
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Jovem pedia para amigo divulgar provas contra Feliciano enquanto desmentia o caso


O Democratize conversou com Thiago Vanzeler, amigo da jovem que teria sido vítima do deputado Marco Feliciano e presidente estadual do PSC Jovem. Segundo o rapaz, Patrícia pedia para divulgar as supostas provas no grupo do WhatsApp do PSC Jovem Nacional, enquanto a mesma desmentia o caso culpando a esquerda nas redes sociais.


Na noite desta quinta-feira (4), a Agência Democratize divulgou um trecho inédito da conversa entre o Chefe de Gabinete do deputado, Talma Bauer, e a jovem Patrícia. Mais cedo, o UOL já havia divulgado boa parte da conversa entre ambos, porém não liberou o áudio na íntegra. Tivemos acesso ao trecho em que Bauer questiona para Patrícia se ela e o deputado já haviam tido relação sexual. A jovem diz que sim, porém que “não foi consensual”  —  ou seja, o ato ocorreu sem a permissão de Patrícia, tratando-se portanto de estupro. É possível ainda ouvir o assessor de Feliciano dizendo “morreu aqui” sobre o abuso. Veja:



Também na noite desta quinta-feira, conseguimos contato com um dos amigos de Patrícia dentro do partido, chamado Thiago Vanzeler.

Thiago é presidente estadual do PSC Jovem, entidade na qual Patrícia participava ativamente. Além disso, acompanhou todo o caso envolvendo o deputado desde o começo, sempre ajudando a jovem quando necessário.

Em conversa com o Democratize, Thiago disse: “A única coisa que eu sei é que não tem nada com a esquerda nessa estória e ainda não sei quem é a vítima. O problema é interno. É da direita conservadora e portanto a única coisa que os demais e eu queremos é a verdade e que o(s) culpado(s) seja(m) punido(s) e abandonado(s) por todos os conservadores brasileiros”.

O jovem ainda contou para a nossa reportagem sobre o diferente posicionamento de Patrícia agora, após o caso ter repercutido nas redes sociais.

Inicialmente, a jovem que teria sofrido abusos e agressões por parte de Feliciano, queria denunciar o caso. Porém, após uma série de reuniões e encontros com Talma Bauer e até mesmo assessores do deputado Celso Russomano (PRB), ela teria mudado de ideia.

A partir dai, pelo menos 2 vídeos foram publicados pela jovem desmentindo o caso.

“Os printscreens que eu compartilhei comprovam que a Patrícia estava me pedindo para divulgar as supostas provas no grupo de WhatsApp do PSC Jovem Nacional enquanto ela desmentia e culpava a esquerda no grupo de Facebook “Panelinha da Direita (O Retorno)”. Ao longo do dia, ela gravou vídeos culpando a esquerda mas eu tinha provas que era um problema interno”, contou Thiago.

Um dos vídeos publicados por Patrícia culpando setores da esquerda e “blogs de notícias” é este:



Agora veja, os printscreens da conversa entre a jovem e Thiago, feito enquanto a mesma gravava vídeos atacando setores da esquerda pela divulgação do caso, além de defender Marco Feliciano:
















Para Thiago, mesmo sendo amigo próximo de Patrícia, a situação é complicada e ainda não se sabe quem foi a verdadeira vítima da história. “Agora resta saber quem é a vítima dessa estória: Patrícia, Feliciano ou nós, o que acarretaria em uma jogada de autopromoção de ambos. Eu e os demais aguardamos a verdade aparecer. É só o que queremos”, terminou o presidente estadual do PSC Jovem.

Porém, o caso ganha ainda mais suspense nesta sexta-feira (5).

Segundo o blog Coluna da Esplanada, do UOL  —  responsável por denunciar o caso  — , a jovem que até então acusava Feliciano compareceu na 4ª Delegacia de Polícia de São Paulo, na Consolação, para conversar com o delegado Roberto Pacheco, junto com a sua mãe.

A senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, denunciou ao Ministério Público o caso de suposto estupro cometido pelo deputado.

Francisco Toledo é co-fundador e fotojornalista pela Agência Democratize em São Paulo
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Carta à vítima de Feliciano

A dupla em dias mais felizes
Cara Patrícia,

Escrevo com certa intimidade, embora não a tenhamos, porque a sororidade, a essa altura, me permite.

Assisti ao vídeo que você gravou em defesa de seu algoz — não sabemos em quais circunstâncias — em que você dizia, entre outras coisas, que a “mídia esquerdinha” queria derrubar a direita às vésperas das eleições.

Eu, que orgulhosamente faço parte desta “mídia esquerdinha” (e sim, nós queremos derrubar a direita, mas não com mentiras), poderia ter perdido a vontade que tenho — agora mesmo, inclusive — de te abraçar forte e te dizer que tudo isso passará e você sairá vitoriosa, mas o que nos une, felizmente, é mais forte: somos mulheres.

E, para além disso, eu ouso compreender a confusão que te aflige agora.

Você disse que ainda não levou o caso à polícia porque é cristã e ama a sua igreja.

Eu também fui cristã — há muito tempo, é verdade, mas ainda me lembro bem — e também amei a minha igreja, seja lá o que isso tenha significado.

Me afastei quando o pastor, um homem de meia idade, calvo, simpático, casado e defensor da família, foi descoberto na cama com uma mulher vinte anos mais jovem (uma quase adolescente, pelo que me lembro).

Depois foi a vez de o diácono — é assim que eles chamam os sacerdotes neopentecostais, não é mesmo? — acima de qualquer suspeita, abandonar a amada esposa na rua da amargura — levando todo o dinheiro e deixando o pequeno negócio da família à deriva – para viver com uma mulher mais jovem do que a mais jovem de suas três filhas.

Não digo nada disso para tentar te afastar de sua fé, de jeito nenhum. Respeito você e tudo o que há em você. Digo apenas para que talvez fique claro que poucos homens — senão nenhum — estão aptos a verdadeiramente pregarem e viverem a palavra cristã, esta que você tanto reverencia, e com todo o direito.

O Cristo a quem você serve creio eu, pregava o amor e andava com os excluídos — os “esquerdinhas” daquela época, acho — defendia valores que nenhum dos homens do PSC — aos quais você procurou quando precisava de apoio — parece cultuar.

Que valores cristãos são estes que permitem que esse homem de Deus te machuque, te ameace, te violente, te pressione, te aterrorize? Que valores cristãos permitem a crueldade, o prazer em violentar outra pessoa? Que valores cristãos são estes, cultuados não por um, mas por todos os homens cristãos a quem você procurou, que fazem com que eles te digam para sumir quando você só precisa de um pouco de segurança?

O perdão, minha cara, é de fato uma grande virtude — e não apenas para o cristianismo — mas, corrija-me se eu estiver errada: acobertar crimes e proteger criminosos não é um dos desígnios do Deus a quem você serve, como tentaram te convencer esses homens terríveis que dizem falar em nome d’Ele.

Você é, desde já, uma vitoriosa por ter feito cair a máscara de um homem que faz atrocidades em nome de Deus, e é preciso prosseguir. Se lhe peço que não recue, é também por mim e por todas as mulheres — que são violentadas todos os dias pela presença de Feliciano na Câmara dos Deputados — mas, antes de qualquer coisa, é por você, que tem o direito de ver a justiça sendo feita sem sentir-se culpada por isso.

A vítima nunca é culpada.

Não devo te dizer o que fazer, mas posso aconselhar: não tenha medo do que lhe parece certo. Está nas suas mãos desmascarar um falso cristão diante da igreja que você tanto ama e, sobretudo, livrar milhares de mulheres do julgo terrível de um crápula como Marco Feliciano na Câmara dos Deputados — o lugar dele, e isto você sabe melhor do que eu, é na cadeia.

Nós contamos com você.

Cordialmente,

Nathalí

Nathalí Macedo
No DCM
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Chefe de gabinete de Feliciano é preso em SP acusado de cárcere privado


Segundo a jovem Patrícia Lélis, Talma Bauer teria a mantido contra a sua vontade em um hotel, além de ter feito ameaças de morte para que ela gravasse vídeos desmentindo a acusação de assédio contra Feliciano

O chefe de gabinete do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), Talma Bauer, foi detido ontem (5), no centro de São Paulo, suspeito de ter mantido uma jovem em cárcere privado em um quarto de hotel. De acordo com o delegado Luiz Roberto Hellmeister, será pedida a prisão temporária dele por sequestro, coação e ameaça.

A jornalista Patrícia Lélis, de 22 anos, compareceu à delegacia com a mãe e contou que Bauer a ameaçou com um revólver para que gravasse vídeos desmentindo a acusação que fez contra Feliciano por agressão e tentativa de estupro.

Ela ainda disse que o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, chegou a oferecer uma sacola de dinheiro em troca de silêncio sobre o caso. Segundo a jovem, Everaldo também a ameaçou de morte.

Entenda o caso

A militante do PSC, que frequenta a mesma igreja que o pastor-deputado, afirmou que recebeu uma proposta para ser amante de Marco Feliciano. Ela disse que vinha sendo assediada e, ao negar as investidas, foi agredida no apartamento funcional do parlamentar, em Brasília, no dia 15 de junho. A jovem relatou ter levado um soco e que ele tentou puxá-la pelo braço para uma suíte.

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Michel Meme - Abertura olímpica oficial do presidento


O nosso Presidento Michel Meme se pronuncia sobre as Olímpiadas.


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O mundo inteiro passou a saber que o Brasil é presidido por um golpista covarde e ilegítimo; assista às vaias, de novo


Michel Temer,  o interino usurpador, fez de tudo para não ser vaiado na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, nessa sexta-feira, 5 de agosto.

Pediu aos organizadores para não ser anunciado no início da cerimônia.

Foi atendido. Tornou-se-se, de novo, decorativo.

Temer chegou a aparecer no telão, mas, a pedidos, não teve o nome anunciado, como de praxe.

Porém, no finalzinho, quando disse que declarava oficialmente abertos os Jogos, estouraram as tão temidas vaias.

Não adiantou Temer se esconder. Dez segundos foram suficientes para escrachar ao mundo inteiro quem ele é: golpista e covarde. Exatamente o oposto da presidenta Dilma Rousseff.

Virou meme nas redes sociais.

Em seu página no Facebook, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), fez o retrato perfeito:

Ele bem que tentou se esconder. Mas assim que o Maracanã notou que tinha golpista falando, a vaia explodiu. Não adiantou os comentaristas relativizarem, mexerem no som da transmissão… o mundo inteiro passou a saber que o Brasil é interinamente presidido por um golpista covarde e ilegítimo, rejeitado pela imensa maioria da população.

Temer mostrou hoje a sua estatura política. Um presidente que pede para não ser anunciado, um conspirador covarde, um golpista patético. A lata de lixo da História o espera, interino!

Assista à vaia novamente!




Conceição Lemes
No Viomundo
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Globo fabrica “aplausos” a Temer junto a vaia estrondosa na abertura da Olimpíada

Não existe país que sedie um evento do porte das Olimpíadas de 2016 sem que ocorram problemas e questionamentos quanto ao custo ou organização das obras.

A poucos dias do início das Olimpíadas de Londres (2012), por exemplo, o governo britânico teve que enviar 3.500 soldados das forças armadas do Reino Unido para reforçarem a segurança após a empresa responsável dizer que não seria capaz de cumprir com o contrato e garantir a paz durante o evento.

Houve atraso em várias obras e, como aqui, muitas foram concluídas em cima da hora.

A apenas quatro dias da cerimônia de abertura, o sistema de Metrô da capital britânica sofreu com diversos problemas. Três das principais linhas que levam à região da Vila Olímpica tiveram complicações e não funcionaram normalmente, atrapalhando a fluidez do trânsito londrino.

A abertura das Olimpíadas de 2016, porém, emocionou o mundo. A mensagem de congraçamento entre os povos e de preocupação com o meio ambiente foi singela e profunda. A delegação brasileira entrou triunfante, numerosa, explodindo em alegria como convém a um país continental como o nosso.

Mas houve um show menos edificante para olhos e ouvidos mais atentos. Um show de covardia e de manipulação jornalística.

A covardia ficou por conta dele mesmo, de Michel Temer, quem, antes do evento, dizia-se “preparadíssimo” para as vaias, mas, na hora agá, não decepcionou e… decepcionou!

Pela primeira vez em uma olimpíada o presidente do país-sede não foi anunciado na cerimônia de abertura. Para evitar as vaias, Temer pediu à organização do evento que não citasse seu nome.

Contudo, após a fala do presidente do Comitê Rio-2016 Carlos Arthur Nuzman, Temer fez uma fala rápida para anunciar que os jogos estavam abertos. Seguiu-se uma sonora vaia. Ao fundo, porém, ouviram-se alguns aplausos: eram do camarote onde o presidente interino estava, que a Globo fez ecoarem junto às vaias de modo a que Galvão Bueno pôde anunciar “alguns aplausos”.

Veja o anúncio de Galvão e, em seguida, o vídeo em que a Globo reduz o volume das vaias e aumenta o dos aplausos do camarote de Temer.

Versão da Globo



Os fatos



Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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As vaias a Temer mostraram quanto os brasileiros desprezam quem trai


Mais do que a impopularidade extrema de Temer, o que se destacou ontem na abertura das Olimpíadas foi sua covardia pusilânime.

Temer fugiu, assustado, melhor, aterrado, das vaias — mas mesmo assim foi alcançado por elas num momento sublime da cerimônia.

A primeira medalha de ouro brasileira foram as vaias a Temer diante não apenas do Maracanã lotado, não apenas dos brasileiros — mas do mundo.

As vaias mostraram, melhor que o espetáculo de abertura, o caráter do brasileiro. Somos um povo que despreza quem trai, quem apunhala pelas costas enquanto sorri, quem usurpa, quem toma pela conspiração sórdida algo que não é seu.

O brasileiro despreza, ainda, a paúra. O jornalista Leandro Fortes lembrou, nas redes sociais, que Dilma suportou estoica insultos de imbecis na Copa do Mundo. Temer se portou como um homem sem fibra e sem caráter, um antiexemplo para os brasileiros.

As manobras para livrá-lo do confronto com a realidade começaram cedo no Maracanã. O protocolo foi quebrado logo no início e seu nome não anunciado.

Depois, quando era inevitável que ele declarasse abertos os jogos, uma fala de oito segundos foi o artifício para tentar escapar de ser notado e vaiado. Um falastrão reduzido a oito segundos por medo da reação.

Não adiantou.

As vaias foram a resposta. O mundo viu o tamanho da rejeição a um golpista sem carisma, sem voto, sem sequer ficha limpa. Quase tão rápidos como o estrondo  popular, e para dar um tom cômico à cena, foram os aplausos inaudíveis do ministro Meirelles, sentado algumas fileiras atrás do chefe detestado.

Meirelles podia passar sem essa operação abafa pessoal. Na antologia das patacoadas é um flagrante memorável, bem como a cena fugidia de Serra cantando Aquarela do Brasil com requebros de boneco desengonçado.

Com o golpe e com Temer, o Brasil regrediu extraordinariamente na imagem internacional. Apenas 45 presidentes e chefes de estado compareceram à cerimônia. Isto é menos da metade do que aconteceu há quatro anos em Londres.

A mídia estrangeira já está repercutindo as vaias da Temer. Que foram, repito, a primeira medalha de ouro brasileira.

Paulo Nogueira
No DCM
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A falta de caráter do tucano Anastasia (+ vídeo)

Ilustração Lili
Em mais um capítulo grotesco do "golpe dos corruptos", a Comissão Especial do Impeachment no Senado aprovou nesta quinta-feira (4) o relatório do tucano mineiro Antonio Anastasia favorável ao afastamento definitivo da presidenta Dilma. Foram 14 votos a favor e cinco contrários. A partir da próxima terça-feira (9), o texto passa a ser analisado pelo plenário em uma votação prévia chamada de "pronúncia do réu". Se for aprovado por maioria simples — por 41 dos 81 senadores —, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, marcará a data para o julgamento final — previsto para começar em 25 ou 26 de agosto e que deve durar cerca de cinco dias.

A sessão que aprovou o relatório teve quase três horas e muito bate-boca. Dominada pelos golpistas, a comissão nem fez esforços para comprovar o crime de responsabilidade que justificaria o processo do impeachment. A motivação política da conspiração ficou evidente. Alguns senadores até fizeram questão de se defender, jurando que não são golpistas. A ex-serviçal da TV Globo, Ana Amélia (PP-RS), por exemplo, rechaçou a tese de que este impeachment é um típico golpe. "O rito está sendo respeitado aqui. Se assim não fosse, e aí de novo cai a narrativa do golpe, caberia ao STF suspender este processo. O STF não o fez, pois as leis e a Constituição estão sendo cumpridas rigorosamente".

No outro extremo, os senadores favoráveis à legalidade democrática deixaram de lado o conhecido cretinismo parlamentar. Lindbergh Farias (PT-RJ) foi enfático: "Não é necessário ter tanques nas ruas. Esse é um golpe frio. Os que votaram pelo impeachment ficarão na História como golpistas". Já o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), classificou o processo como uma "pedalada" contra a democracia. "Os decretos jamais justificariam a retirada de uma presidente... Escolheu-se a criminosa e agora procuram por um crime... Passam por cima da Constituição em nome de um projeto de poder. Querem vencer no parlamento porque não conseguem vencer nas urnas".

As pedaladas do cínico tucano

Entre os golpistas, porém, o papel mais deprimente coube ao relator do processo, o senador Antonio Anastasia. Ex-governador de Minas Gerais, o tucano demonstrou total falta de caráter. Como acusou o advogado da presidenta Dilma, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, seu relatório final foi "movido pela paixão partidária". Não apresentou provas, mas apenas "indícios". O tucano insistiu na tese das "pedaladas fiscais" quando todo o mundo político sabe que ele cometeu o mesmo "crime" durante sua gestão em Minas Gerais. Ele também fez várias insinuações sobre desvios de verbas públicas, quando são conhecidas as inúmeras denúncias de corrupção que pesam contra ele há muitos anos.

Já quando da sua indicação para a relatoria, no final de abril, muitos senadores questionaram a sua moral para julgar o caso. Na ocasião, um documento da Controladoria-Geral de Minas Gerais foi bastante citado. Ele denunciou o ex-governador por corrupção, desvios e mau uso de dinheiro público na construção de um centro internacional de meio ambiente na cidade mineira de Frutal. A auditoria confirmou que os prejuízos aos cofres públicos chegaram a R$ 18 milhões. Entre as irregularidades, ela constatou pagamentos indevidos a empresas por serviços não prestados, superfaturamento, não entrega dos equipamentos comprados e restrição à competitividade nas licitações. 

Também foram lembradas as suas famosas manobras fiscais, as tais pedaladas, na gestão pública. A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) foi uma das que criticou a incoerência do relator neste assunto. "O senhor usou fartamente esse instrumento quando governou Minas Gerais. O senhor usou de muita contabilidade criativa quando era governador, tanto é que os documentos do Tribunal de Contas do seu estado e de outras instâncias provam que, infelizmente, o senhor não cumpriu preceitos constitucionais sagrados como a destinação de 12% para a saúde e 25% para a educação".

Na mesma linha, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) fustigou: "Dos quatro anos em que o senhor foi governador, o senhor não cumpriu em nenhum ano a meta fiscal em Minas Gerais. Agora quer cassar a presidente por um ato que fez como governador? Como justifica isso?... O senhor sabe que não tem autoridade para afastar uma presidente". Esta ausência de moral, porém, não o fez recuar no relatório golpista aprovado nesta quinta-feira, em mais um grotesco capítulo do "golpe dos corruptos".

Altamiro Borges



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