5 de ago de 2016

Como era o esquema de propina de Russomanno em clínica com o “Doutor Rey”


Há alguns anos, a Rede TV começou a exibir no Brasil o reality show “Doutor Hollywood”, exibido nos Estados Unidos pela E! Entertainment e People and Arts.

A estrela do programa era o cirurgião plástico brasileiro Roberto Miguel Ray Júnior, que se apresenta como Doctor Rey, um médico de celebridades. No Brasil, ele se candidatou a deputado e não se elegeu. Mas se aproximou de um político campeão de votos e eleito seis vezes deputado federal, o Celso Russomanno, líder disparado nas pesquisas de intenção de votos para Prefeitura de São Paulo.

Juntos, desde 2014 os dois começaram a vender franquias da Estética Hollywood. Depois de anunciaram planos de inundar o Brasil com a marca, a Estética Hollywood se tornou um caso de polícia. Os proprietários de pelo menos doze franquias denunciaram um esquema de propina e de superfaturamento de preços.

A popularidade de Celso Russomanno assusta os denunciantes. “Se ele se eleger prefeito de São Paulo, o que vai acontecer comigo?”, questiona um deles. Procurei alguns dos nomes que aparecem no processo que corre na 36ª Vara de Justiça Cível de São Paulo e no inquérito aberto no 36º Distrito de Polícia, mas nenhum quis gravar entrevista.

Levantei as informações no processo e obtive cópia do inquérito aberto do 36º Distrito Policial de São Paulo. Pessoas que participaram das reuniões dos franqueados falaram na condição de não serem identificados.

“Eu só entrei nesse negócio por conta da credibilidade do Celso Russomanno, o político que defende o consumidor, e da imagem do Doutor Rey, que tinha um programa na televisão. Descobri tarde demais que era uma arapuca”, disse em uma dessas reuniões, chorando, Simone Basaglia.

A PM chegou a ser chamada para resolver uma briga numa das lojas
A PM chegou a ser chamada para resolver uma briga numa das lojas
Na sala, estavam as pessoas que se consideram vítimas de um golpe, na maioria mulheres. “A gente vai pela emoção, pela cara de bom moço do Celso e a fama do doutor Rey”, acrescentou. Simone foi a primeira a abrir a franquia Estética Hollywood, há dois anos, em um endereço da Vila Mariana, em São Paulo.

Simone assistiu a uma entrevista na Rede Record, a emissora em que Russomanno trabalha, mas quem aparecia no vídeo era o Doctor Rey. Ele  falava sobre “tratamentos inovadores” que planejava trazer para o Brasil. Simone se interessou e procurou na internet informações sobre a possibilidade de abrir uma franquia do Doctor Hollywood.

Alguns dias depois, estava frente a frente com os dois em um escritório de Moema, onde deixou um cheque de R$ 90 mil como sinal pela franquia e posou para fotos, que postou no facebook, ao lado dos franqueadores famosos.

Na inauguração da clínica, alguns meses depois e outros 110 mil reais depositados na conta da franchising, Celso Russomanno e Doutor Ray estavam lá, dando entrevistas sobre os projetos dos dois: abrir 1 000 franquias em todo o Brasil.

Em dois anos, eles não chegaram tão longe, mas conseguiram assinar contrato com pelo menos 60 pessoas, todas acreditando na seriedade dos produtos e da marca. Para se tornar um franqueado, o empresário pagava, de início, R$ 200 mil. Conforme descrito no processo, a relação entre franqueados e franqueadores começou a ruir quando os empresários descobriram que estavam pagando muito mais do que valiam os serviços e os produtos que eram obrigados, por contrato, a adquirir da franchising.

As instalações eram padronizadas e uma arquiteta indicada pela equipe de Celso Russomanno deveria ser necessariamente contratada. O piso de porcelanato, por exemplo, saía pelo dobro do preço. A arquiteta deixou a empresa e contou aos franqueados como funcionava esse esquema de superfaturamento.

Os franqueados disseram à justiça que pagavam pelo serviço de locação de equipamentos mais do que o preço de mercado. Por exemplo, a máquina que faz o congelamento de células de gordura, num procedimento que é conhecido como criolipólise, era locada obrigatoriamente de um único fornecedor, a Localaser, que, segundo a denúncia, cobrava R$ 1.500 para cada período de doze horas. No mercado, o mesmo equipamento podia ser alugado por R$ 1.000. Além disso, segundo os franqueados, o serviço tinha melhor assistência técnica.

Uma das provas entregues à Polícia Civil é uma gravação com o representante da empresa indicada pela Laz Estética Franchising LTDA, que vende a franquia Estética Hollywood, um nome fantasia, já que não tem registro no INPI, a autoridade brasileira para marcas e patentes.

“Só para te falar. A Localaser não conseguia fazer melhor preço porque tinha comissão para passar para eles”, diz o representante da empresa, de nome Luiz, numa conversa gravada por um dos franqueados. “Propina?”, pergunta o franqueado. “É”, responde o representante.

Os franqueados contam na ação que tentaram um acordo amigável para desistir do negócio, mas não conseguiram e recorreram à Justiça para não ter de pagar a multa de R$ 400 mil. Como a ação ainda não foi julgada e sem fôlego financeiro para continuar tocando o negócio, muitos estão fechando, depois de amargarem prejuízo que, em alguns casos, passam de R$ 2 milhões.

Celso Russomanno não aparece como sócio da Laz Estética Franchising LTDA. A sócia majoritária é sua esposa, Lovani Russomanno. Segundo o advogado, ele aconselhava a mulher e participava de eventos da empresa, mas nunca tomava decisões, que cabia à diretoria.

A própria conta do deputado federal no Instagram desmente essa versão. No auge do negócio, Celso Russomanno postou uma foto sua no escritório da empresa, com a frase: “Hoje na Estética Hollywood para reunião de diretoria, sigam @esteticahollywood é o que há de mais moderno em estética.”

Com a ex Flávia Feola: "Deus nos livre desse pesadelo”
Com a ex Flávia Feola: “Deus nos livre desse pesadelo”
Essa denúncia contra Celso Russomanno, caracterizada como estelionato, chegou numa velocidade recorde ao Supremo Tribunal Federal, onde são julgados casos de políticos com foro privilegiado. Um mês depois da denúncia formulada, os papéis já estavam na mesa do presidente da casa, Ricardo Levandowski, levados em mãos, depois que o próprio Celso Russomanno e advogados estiveram pessoalmente no 36º.

Distrito de Polícia, na rua Tutóia.  O inquérito saiu de lá a passos de lebre e está retornando no ritmo de tartaruga. Não chegou até agora à delegacia. Levandowski mandou tirar o nome de Russomanno e investigar a denúncia.

Em dez dias, Russomanno deverá ser julgado por outro crime, em que já foi condenado em primeira instância, o de estelionato. Trata-se do caso em que, segundo o Ministério Público, a gerente Sandra de Jesus trabalhava na produtora de vídeo de Russomanno, em São Paulo, mas recebia da Câmara dos Deputados, o que é definido pelo Código Penal como peculato, isto é, embolsar patrimônio público – no caso, verba. A denúncia do Ministério Público apresenta cópia de carteira de trabalho de funcionários da produtora assinada pela funcionária nomeada na Câmara por Russomanno.

Na semana passada, a apresentadora de TV Flávia Feola entregou ao Diário do Centro do Mundo nova prova contra Russomanno. É a carteira de trabalho dela, assinada por Sandra, com quem trabalhou durante muitos anos. Flávia conhece bem Celso Russomanno. Era ela quem o substituía num programa de TV e o namorou durante três anos e meio – chegaram a dividir a mesma casa.

No YouTube, existem muitos vídeos dela cobrindo eventos da Estética Hollywood, com entrevistas de Russomanno. O programa era da Rede Brasil, uma emissora de TV sediada em São Paulo. Segundo Flávia, é Russomanno quem manda na TV e, ao mesmo tempo, na Estética Brasil, mas o nome dele não aparece em nenhum registro oficial.

Ainda assim, ela processa o deputado federal na Justiça trabalhista, porque foi ele quem a contratou para trabalhar lá e, depois, não evitou sua demissão, quando a direção da emissora queria cobrar R$ 20 mil reais por mês para ele continuar apresentando o programa – mesmo sendo ela assalariada na empresa.

Por três vezes, a audiência na Justiça trabalhista foi adiada, porque Russomanno sustenta estar em Brasília. No último adiamento, Flávia ligou para o escritório dele em São Paulo e gravou a secretária dizendo ele estava em São Paulo. Ou seja, mentiu para a Justiça.

Na biografia de Russomanno fatos insistem em desmentir suas versões. Mas as versões prevalecem e o transformaram em um dos maiores campeões de voto de São Paulo. “O Russomanno que eu conheço não tem condições mínimas de administrar uma cidade como São Paulo. Deus nos livre desse pesadelo”, diz Flávia.

No que depender do Doctor Rey, Russomanno chegará lá. Doctor Rey é vice-presidente nacional do Partido Ecológico Nacional, o PEN, uma das pequenas siglas que apoiam a candidatura de Celso Russomanno pelo PRB, o partido criado pelo bispo Edir Macedo, dono da Rede Record. Outro partido aliado nesta empreitada política é o PSC, do pastor Marco Feliciano.

Esta semana, Marco Feliciano foi alvo de uma denúncia cabeluda, a de uma jovem de Brasília que teria sofrido um ataque sexual do pastor. Não existe comprovação de que o caso, de fato, ocorreu, apenas transcrições de conversas comprometedoras pelo whatsapp. Mas chama a atenção que a moça teria sido acolhida em São Paulo por um assessor do PRB, que a teria convencido a não ir adiante na denúncia contra Feliciano.

Em 2017, o PRB de Russomanno e o PSC de Feliciano poderão chegar, juntos, ao Palácio Matarazzo, assumindo a cadeira de Fernando Haddad.

A carteira de trabalho de Flávia, usada na denúncia de peculato
A carteira de trabalho de Flávia, usada na denúncia de peculato
Joaquim de Carvalho
No DCM
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Força Tarefa ilude a sociedade: não há provas contra Lula

http://lula.com.br/forca-tarefa-ilude-sociedade-nao-ha-provas-contra-lula

Procuradores da Lava Jato seguem criando manchetes para difamar Lula

Foto: Ricardo Stuckert/Instituo Lula
NOTA DA ASSESSORIA DO EX-PRESIDENTE LULA

Os procuradores da Operação Lava Jato iludem a sociedade brasileira ao afirmar que têm provas para incriminar o ex-presidente Lula. Uma afirmação dessa gravidade só poderia ser feita com base em provas concretas. Como não há fatos, apenas ilações, pois Lula sempre agiu dentro da lei, os procuradores da Lava Jato mantiveram hoje sua campanha de difamação e perseguição ao maior líder político do País, valendo-se da cumplicidade dos meios de comunicação que não questionam tal comportamento.

No dia da abertura dos Jogos Olímpicos no Rio — conquistados pelo Brasil durante o governo Lula e preparados no governo dele e de sua sucessora, Dilma Rousseff — os procuradores da Lava Jato voltaram a induzir manchetes artificiais, incluindo comentários indevidos, infundados e ofensivos a Lula, num documento que deveria primar pela objetividade.


Esse tipo de comportamento, que configura uma caçada judicial, com apelo à propaganda ofensiva para sustentar um julgamento pela mídia, motivou o recurso dos advogados de Lula ao Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Os procuradores e o juiz da Operação Lava Jato violam sistematicamente os direitos do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, e não há mais como esconder sua parcialidade. Na ausência de remédio jurídico eficaz no Brasil contra essa perseguição, Lula buscou a corte da ONU, um direito que todo cidadão brasileiro tem, conforme tratados internacionais assinados pelo país.

A manifestação divulgada hoje pelos procuradores — caluniosa, infamante, irresponsável e indigna de servidores ligados ao mundo do direito — é mais uma evidência de que Lula não pode esperar Justiça no âmbito da Operação Lava Jato. O que se deseja fazer com ele é um linchamento.

Os promotores da Lava Jato já incorreram diversas vezes em pré-julgamento em relação a Lula, o que é objeto de uma queixa contra o procurador Carlos Fernando Lima na Corregedoria do Ministério Público, e já chegaram a afirmar que fazem parte do mesmo "time" do juiz Sérgio Moro. Logo, não é surpresa que cometam de novo essa prática e não questionem a incompetência territorial, os pré-julgamentos ou as violações legais cometidas por Moro, que assumiu a postura, como juiz acusador, de atuar como parte da promotoria. 

Se a Força Tarefa da Lava-Jato diz ter provas  contra Lula, ela deve apresentá-las dentro do devido processo legal, com direito a defesa e contraditório, e não continuar com sua prática de difamação de imagem com vazamentos e apoio de uma mídia hostil ao ex-presidente Lula sem a apresentação de qualquer prova ou denúncia concreta.  Isso também é uma violação dos direitos humanos, no caso da presunção da inocência, e também objeto da ação na ONU. 

Após mais de 60 acordos de delação premiada onde criminosos puderam reduzir suas penas, quebra de sigilos bancários, telefônicos e de viagens do ex-presidente e de sua família, não foi encontrada nenhuma prova de que Lula tivesse cometido qualquer ilegalidade, tivesse conhecimento ou atuação em qualquer ilícito. Após dois anos de investigações direcionadas os procuradores apresentam apenas suposições inspiradas na infame teoria do domínio do fato e do direito penal do inimigo, que dispensam provas para condenar.  Não há na caluniosa peça do Ministério Público um ato, um acontecimento, um fato capaz de indicar qualquer crime cometido pelo ex-presidente, apenas suposições fantasiosas de quem quer reescrever a história do primeiro presidente de origem operária a chegar a presidência da República. 

O ex-presidente já provou com documentos não ser dono do apartamento no Guarujá (http://lula.com.br/os-documentos-do-guaruja-desmontando-farsa-0), nem do sítio em Atibaia (http://lula.com.br/o-que-lula-tem-e-o-que-inventam-que-ele-teria-1). Ambas propriedades tem as escrituras públicas dos seus proprietários. O ex-presidente realizou palestras para diversas empresas de diversos setores (http://www.luladasilva.net/). Todas elas foram comprovadamente realizadas, sempre foi cobrado o mesmo valor de referência pelo serviço prestado, e inclusive em acordo de delação premiada celebrado pela Andrade Gutierrez já foi confirmada a realização idônea das palestras, da mesma forma que outros ex-presidentes do Brasil e do mundo. É infame a tentativa do Ministério Público de criminalizar ações feitas dentro da ordem legal, sem nenhum ato de corrupção ou contrapartida.

A verdade é que o Ministério Público Federal submeteu Lula e seus familiares a uma indevida devassa e verificou que o ex-presidente não cometeu qualquer crime. Mas ao invés de darem a ele um atestado de inocência querem condena-lo pelas manchetes dos jornais e das revistas.

Lula reafirma sempre ter agido dentro da lei antes, durante e depois da presidência da República.
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Prioridades que falam por si: enquadrando a violência à mulher no Jornal Nacional


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Nascido[1] em pleno período de recrudescimento da ditadura militar no Brasil, o Jornal Nacional tenta passar, historicamente, uma imagem de neutralidade e transparência. Faz isso a partir de sucessivas declarações de comprometimento com a informação gerada ao público, nas quais destaca sua função de estabelecer a “cobertura das principais notícias no Brasil e no mundo. Pautado pela credibilidade, isenção e ética”[2]. Tendo em vista que as edições do JN têm menos de uma hora de duração, e que, portanto, a seleção de casos é algo inescapável, seria possível ainda assim manter qualquer tipo de isenção durante o processo de escolha das “principais notícias” do país? Quem participa desse processo? De qual ética estamos falando? Por exemplo, de que modo as mulheres, que são mais da metade da população do país, são contempladas nesta mídia?

Em geral, os grandes meios de comunicação não primam pela paridade de participação entre homens e mulheres. Segundo 
estudo realizado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa em parceria com o Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública, ambos do IESP-UERJ, o gênero feminino não chega a 30% de participação entre os colunistas dos jornais O Globo, Folha de São Paulo e Estadão. Quando a variável raça é adicionada, as mulheres negras aparecem como o grupo menos contemplado nos espaços de opinião destes grandes jornais. No Jornal Nacional, as funções de maior notoriedade (editor-chefe/apresentador e diretor responsável) pertencem a homens, respectivamente, William Bonner e Ali Kamel. Do total da equipe, 61% são do gênero masculino e 39% são do gênero feminino[3]. Isso significa que as pautas apresentadas diariamente à população são formatadas prioritariamente por homens. As mulheres têm pouca possibilidade de expor suas experiências cotidianas. Ainda que a presença desse grupo não traga necessariamente pontos de vista diferenciados, sua ausência inibe qualquer chance de que isso ocorra.

O escopo habitual das “principais notícias” do país neste programa televisivo compreende, sobretudo, a política institucional e o cenário econômico. Há algum tempo, o Manchetômetro tem mostrado que isenção e ética são atributos raramente praticados pela cobertura do Jornal Nacional. A escolha dos temas mencionados, bem como a sua abordagem, varia significativamente de acordo com o partido político ou personagem noticiado.

Contudo, ao observarmos a cobertura das questões de gênero, esses dois problemas — seleção e abordagem — se manifestam de maneira específica. Destaca-se a escassa atenção dedicada ao tema da violência à mulher. Apesar da proliferação de novos veículos de comunicação que priorizam a denúncia do machismo, esse comportamento ainda não se reproduz nas mídias de maior audiência. Salvo algumas exceções, como o caso do estupro coletivo ocorrido recentemente no Rio de Janeiro
[4], que alcançou grande notoriedade na mídia nacional de um modo geral, os relatos diários de violência e, especialmente, os inúmeros episódios de feminicídio que ocorrem em nosso país não conformam objeto relevante de análise aos olhos dos editores e redatores do JN. Tampouco quando as vítimas são mulheres negras, ainda que essas sejam as vítimas preferenciais desse tipo de crime.

Segundo o relatório da FLACSO, Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil 
[5], publicado ano passado, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54% de 2003 a 2013. Em um ranking com 83 países, baseado em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a quinta posição em taxa de homicídios de mulheres. Só no ano de 2013, por exemplo, em média 13 mulheres foram assassinadas por dia, sendo 50,3% desses crimes cometidos por familiares e 32,2% pelo parceiro atual ou ex.

Silenciando o Feminicídio

Foto: Paulo Pinto/AGPT
Não bastassem as raras notícias dirigidas ao tema, quando elas ocorrem, há problemas de abordagem. No dia 15 de julho de 2016 o Jornal Nacional cobriu um suposto caso de assalto seguido de morte de uma mulher no Rio de Janeiro[6]. O sofrimento da filha e da família da vítima e a crueldade do crime foram aspectos centrais na narrativa da reportagem. Entretanto, no dia 18 de julho de 2016 a história sofreu uma reviravolta[7]. A Polícia Civil, a quem a reportagem dá voz, reformula o ocorrido em termos de violência perpetrada contra a mulher. O executor do crime, já com passagem na polícia, seria, na verdade, ex-companheiro da vítima, e teria cometido o assassinato por não se conformar com o término do relacionamento. A família, por sua vez, negou a versão da polícia e disse que a vítima só conhecia seu algoz por ele ser um trabalhador da região.

O fato da dona de casa Cristiane de Souza Andrade — a vítima — conhecer Rogelson Santos Batista — o responsável pelo crime — ganha protagonismo na notícia. Isso ocorre não só pela afirmação da polícia e a negação da família, mas também pela declaração do âncora William Bonner, que assume a postura de defender a atuação policial, utilizando a relação entre a vítima e o criminoso para atenuar qualquer possível responsabilização da polícia pela falha no provimento de segurança. Em 163 segundos de notícia, os 67 finais são reservados à opinião de Bonner, que afirma:

“Nesses dias em que tem aumentado o efetivo de segurança no Rio de Janeiro para a Olimpíada, a primeira suspeita de tentativa de roubo seguida de morte provocou imediatamente uma discussão sobre a necessidade de proteção que os cariocas têm o tempo todo, não só durante os jogos. Em todas as áreas da cidade, não só nos locais de prova. É uma discussão absolutamente legítima e necessária, mas com a identificação do criminoso, especificamente neste caso, não é justo ligar esses dois assuntos, porque o assassino, que apareceu nas imagens caminhando ao lado da vítima, era no mínimo conhecido dela e de vizinhos, e seria um desafio imenso pra (sic) polícia inibir uma ação covarde e rápida como essa, de uma pessoa de quem ninguém pudesse suspeitar. Infelizmente nunca se saberá se Rogelson teria feito o que fez se houvesse mais policiamento por perto e se tivesse sido punido exemplarmente na primeira vez em que sacou uma faca pra ameaçar uma mulher”.

É mais do que escancarada a ausência de neutralidade na descrição do ocorrido. Alguns pontos na fala do apresentador do Jornal Nacional saltam à vista: a despeito da atenção concedida à relação da vítima com o agressor, em momento algum fala-se sobre feminicídio. O debate suscitado pela ocorrência do crime fica restrito, no enquadramento dado pelo jornalista, à discussão da segurança dos “cariocas”. Sancionada ano passado pela então presidenta Dilma Rousseff, a lei do feminicídio institui punições mais severas a crimes baseados na condição de mulher e à violência doméstica[8].

Ao editorializar a notícia dando sua própria versão do fato para o telespectador, coisa que raramente acontece, Bonner tem como principal objetivo a defesa da atuação da polícia do Rio de Janeiro, a mais letal do país[9]. Ademais, ele deixa de mencionar a lei federal, mas apresenta a punição como solução preventiva (“se tivesse sido punido exemplarmente”), sem qualquer problematização mais aprofundada acerca da natureza da violência em nossa sociedade.

Em suma, ao passo que escondeu a natureza de gênero da violência ocorrida, protegendo, ao mesmo tempo, a Polícia Carioca de eventuais críticas, o Jornal Nacional, na voz de seu dileto âncora, passou uma concepção law and order de justiça e segurança pública: quanto mais rápida e exemplar vier a punição, melhor! E assim, a grande mídia brasileira educa sua audiência para a cidadania.


[1] O primeiro episódio do Jornal Nacional foi ao ar em setembro de 1969. Disponível em: http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/telejornais/jornal-nacional/evolucao.htm


[3] Percentual calculado com base nas informações disponíveis em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/04/redacao.html


[5] Mapa da Violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. Flacso, 2015. Disponível em: http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf

[6] Mulher morre a facadas em um assalto na Zona Norte do Rio, 15 de julho de 2016. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/5167909/

[7] Dona de casa esfaqueada no Rio conhecia assassino, diz polícia, 18 de julho de 2016. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/5173017/

[8] Lei do Feminicídio (Lei nº 11.340/06). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/lei/L13104.htm


Marcia Rangel Candido, João Feres Júnior e Luna Sassara
No Manchetômetro
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As duas histórias do Almirante Othon


Há duas formas de contar a história do almirante Othon Luiz Pereira da Silva, o herói do programa nuclear brasileiro condenado a 43 anos de prisão por um juiz entreguista e vaidoso cujo nome não vale a pena mencionar. A primeira é simples e direta: o Almirante, segundo o juiz, é um cleptomaníaco pervertido que não suportou a tentação de pegar uma propina da Andrade Gutierrez, construtora de Angra 3, no valor divulgado de 4,5milhões de reais. Assim, por esse ato de corrupção explícita, atirou no lixo os registros de uma notável carreira militar e de uma carreira científica ainda mais destacada, relatadas com inigualável acuidade pelos jornalistas Mauro Santayana e Luís Nassif em vários sites na internet.

A outra história é a seguinte. O Brasil, país ainda em desenvolvimento, se meteu, à revelia e contra as imposições dos Estados Unidos, a desenvolver um programa nuclear de primeiro mundo do qual resultou uma tecnologia de ponta em centrífugas para gerar urânio enriquecido, um produto nuclear ultrasensível. Para o comando dessa tarefa designou o Almirante Othon, por sua notória especialização na área. Ele saiu-se maravilhosamente bem. Os americanos, através da Agência Internacional de Energia Atômica, quiseram bisbilhotar as centrífugas já que, com todo o potencial científico que tem, dispõem de uma tecnologia de enriquecimento menos eficiente. O Brasil recusou-se a abrir a exibir a tecnologia das centrífugas e os norte-americanos, pacientes como são, decidiram ficar de tocaia.

Com os recursos do seu poderoso sistema de informação, a espionagem norte-americana, que há muito vinha seguindo, sem sucesso, a trilha do Almirante Othon no mercado negro de peças e equipamentos da indústria nuclear, necessários para o desenvolvimento do programa nuclear brasileiro, obviamente só possíveis de serem compradas com caixa 2, encontrou no Judiciário do país um sócio perfeito para revelá-la. De fato, a Lava Jato não tem nada a ver com Angra 3, e a extensão das investigações a esta última só foi possível porque informações paralelas de Curitiba foram vazadas para ela. E, claro, tudo isso tinha uma rede básica de informação a partir da espionagem norte-americana: os “amiguinhos” do juiz Sérgio Moro, que frequentemente o cumulam de honrarias.

Qual desses dois roteiros é mais plausível? Esse último, conforme os italianos, si non é vero é bene trovatto! Pessoalmente, rejeito a primeira hipótese, a de corrupção. Não se encaixa na biografia do Almirante. E estou convencido de que, caso o Almirante tenha pedido “propina” às empresas construtoras de Angra 3, seu objetivo era formar com esse dinheiro um caixa 2 para comprar para as centrífugas equipamentos nucleares no mercado negro, já que os países monopolistas da tecnologia nuclear não os vendem de forma regular. Claro que o Almirante não poderia dizer isso aos empresários que estava fazendo um caixa 2 para ajudar o Brasil a desenvolver a tecnologia nuclear. Estaria revelando um segredo de Estado. E não pode revelar também para o juiz porque não se revela esse tipo de segredo a ninguém inconfiável.

O lado ainda inexplicável dessa história é o papel desempenhado pela Marinha e as outras Forças Armadas. Elas deveriam ter levantado imediatamente a bandeira do segredo militar quando o Almirante foi preso pela primeira vez. A conclusão é que ou estão todos comprometidos com segurança para os norte-americanos, ou são desatentos com a Defesa brasileira. A propósito, o contra-golpe na Turquia, que interpretei corretamente aqui antes que qualquer outro comentarista, revelou a estreita cumplicidade do sistema judiciário turco com a CIA e o Pentágono. Não sei se é também nosso caso. Entretanto, os caminhos perseguidos pela Lava Jato e pelo processo de Angra, com a agressividade da condenação dos que não fazem delação premiada (ou revelam segredos de Estado), nos deixam em profunda suspeição.

P.S. Um criminoso de guerra a serviço dos nazistas, Werner Von Braun, recebeu total cobertura do governo norte-americano para escapar da Alemanha e da forca, nos últimos dias da guerra, pelo simples fato de ser um cientistas de primeira linha e não obstante milhares de vítimas de suas V1 e V2 lançadas sobre Londres. Nos EUA, chefiou o programa de mísseis que, na parte civil, levou o homem à lua. Tornou-se herói nacional. É assim que os EUA fazem com os homens de ciência que servem ao interesse nacional. Aqui, recompensam-nos com 43 anos de prisão!

J. Carlos de Assis - Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ.
No GGN
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Progressistas enfrentam golpistas falsários e hipócritas

As representações políticas das classes dominantes fecharam questão em torno da deposição da presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita com os votos de mais de 54 milhões de brasileiros. Trata-se de uma posição cristalizada em partidos como PSDB, DEM, PMDB, PSD, PSB, PPS e os direitistas do chamado Centrão. Destacam-se nessa representação as presidências das duas casas legislativas - Senado e Câmara. Já assinalamos em artigo anterior que a eleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara culminava o arranjo político do golpe.

Os fatos dos últimos dias revelam que as movimentações do presidente do Senado, Renan Calheiros, constituem mais um lance desse golpe legislativo. O senador alagoano mancomunado com o presidente interino usurpador, Michel Temer, forceja pelo encurtamento dos prazos do processo de impeachment, num flagrante desrespeito às normas, aos ritos e - pasme-se - à autoridade do presidente da Corte Suprema, Ricardo Levandowsky, que detém constitucionalmente a prerrogativa de fixar a data do julgamento.

De Renan não se esperava outra coisa. Sua biografia é eloquente. Para onde os ventos sopram, gira a biruta do chefete do clã de Murici. Pertenceu à base de apoio do governo Sarney, respaldou Itamar, foi ministro de Collor e FHC, compôs-se com Lula e, enquanto a presidenta Dilma estava na plenitude do poder, encenava sustentá-la. Mas sempre como manobra, visando a objetivos próprios que nada tinham em comum com a defesa do governo progressista. No início do segundo mandato de Dilma, em 2015, mesmo tendo sido eleito à presidência do Senado com o apoio do PT e PCdoB, Calheiros, ao perceber as vulnerabilidades da presidenta reeleita, criou muitas dificuldades ao governo no Congresso Nacional, flexionando sua posição apenas para não favorecer seu rival de turno no PMDB, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A frente unida dos partidos dominantes se manifesta com força total na agenda proposta pelo Executivo ao Legislativo. Um arrocho fiscal brutal, uma ofensiva contra os direitos dos trabalhadores (reformas trabalhista e previdenciária), incluindo os servidores públicos, diminuição das políticas sociais, retomada do plano de privatizações inclusive a entrega do pré-sal. Para além disso, o governo realiza uma ação deletéria, contando com o apoio dos partidos conservadores e neoliberais, contra os fundamentos da política externa independente e solidária exercida pelo Brasil sob os governos de Lula e Dilma. Na ordem do dia da ação externa dos golpistas está o ataque à Venezuela e ao Mercosul.

No retorno dos trabalhos legislativos a ação dos golpistas tomou a forma mais acabada com a leitura e discussão do relatório indicativo de condenação à presidenta Dilma por Antonio Anastasia, ex-governador mestre das pedaladas fiscais em Minas Gerais. O debate foi mais um teatro de absurdos, em que se desnudou o reacionarismo dos senadores do PSDB, DEM, PSD e PSB.

A propósito deste último partido, ocorreu nesta quarta-feira (3) um episódio irônico. Quase que em simultâneo ao discurso que pronunciava na comissão o senador Fernando Bezerra Coelho, do PSB pernambucano, o Ministério Público dava publicidade ao seu envolvimento no escandaloso episódio de lavagem de dinheiro, em que toda a seção estadual do partido está envolvida. Ecos da campanha presidencial protagonizada pelo falecido candidato Eduardo Campos, cuja família e cujos sucessores no governo do estado e na prefeitura capitalina são incansáveis ativistas pela deposição da presidenta Dilma.

Neste ambiente sombrio do golpismo engendrado por falsários e hipócritas, é alentadora a resistência dos senadores da esquerda na comissão do Senado, expressos no épico voto em separado das senadoras Vanessa Grazziottin (PCdoB) e Gleisi Hoffman (PT) e no antológico discurso de Lindbergh Farias (PT), em que denuncia o caráter de classe do golpe de Temer, Cunha, Maia, Aécio e cia.

Na disjuntiva entre os falsários e hipócritas, e os combatentes da resistência, abre-se o espaço para uma luta de imprevisíveis consequências. A única certeza é que os golpistas não terão sossego.

José Reinaldo Carvalho é jornalista e cientista político, editor do Resistência [www.resistencia.cc]
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Quem Moro pensa que é para não dar satisfações na Câmara? Napoleão?

Nosso Napoleão
Quem Moro pensa que é para não dar satisfações na Câmara?

Napoleão?

Foi patética sua atitude depois das observações do deputado Paulo Pimenta na Câmara ontem.

Moro foi fazer, pelo visto, um monólogo sobre um suposto pacote anticorrupção. Disse, depois, diante de questionamentos, que não iria falar de “casos concretos”. (Aqui, o vídeo.)

Um momento. Ele queria falar de abstrações?

Moro parece não se dar conta de que existe uma enorme parcela de brasileiros que, longe de considerá-lo heroi, têm enormes reservas sobre ele.

A maior ressalva é seu comportamento de juiz. Moro nem nas aparências age como um juiz imparcial. Ele tem, registrada em fotos até, uma ligação visceral com a Globo e com políticos do PSDB.

As imagens serão o registro eterno da parcialidade de Moro e de sua Lava Jato, para vergonha da Justiça como deveria ser.

E ele se acha no direito de nada comentar na Câmara?

A agenda não permitia, alegou. Ora, ora, ora. Apenas como especulação, suponhamos que quem dirigisse uma pergunta a ele fosse João Roberto Marinho.

Moro atropelaria qualquer compromisso para atender JRM. Vôo marcado? Ora, os aviões partem a todo momento.

Moro é um personagem que veio para dividir ainda mais um país já suficientemente separado em dois. Fosse um grande juiz, fosse um estadista da toga, traria união e esperança.

Quanto ao pacote anticorrupção, ele deve ser recebido com gargalhadas de escárnio.

Há uma classe de brasileiros absolutamente preservada de qualquer consequência derivada de atos de corrupção.

Aécio é um caso exemplar.

A plutocracia brasileira construiu um sistema em que a lei vale para os outros, os que não estão alinhados com ela.

Moro é símbolo desse sistema.

Enquanto essa aberração persistir, pacote anticorrupção nenhum fará sentido.

Paulo Nogueira
No DCM
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Xadrez da democracia em transe e dos aprendizes de feiticeiro

Caso 1 – cenas de uma República risonha e franca

O Ministro interino da Casa Civil, Eliseu Padilha, é acusado de ter manobrado ilegalmente certificados de filantropia para uma universidade privada em troca de bolsas para apaniguados e contratos para suas empresas (http://migre.me/uz6NF).

Também é réu por jogadas com precatórios envolvendo o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem). Como Ministro dos Transportes, valeu-se de um acordo extrajudicial para repassar R$ 2,3 milhões a uma empresa gaúcha (http://migre.me/uz6Vv).

Foi condenado em R$ 300 mil por manter um servidor fantasma (http://migre.me/uz6Sv).

Em 2011 foi indiciado pela Polícia federal por formação de quadrilha na construção das barragens Jaguari e Taquarengó (http://migre.me/uz711).

É feliz proprietário de um terreno onde se instalou um parque eólico. Padilha recebe R$ 1,5 milhão por ano apenas por estar na corrente do vento (http://migre.me/uz7t8), embora vozes maliciosas sugerissem se tratar de propina da EDP.

Mas passou a controlar a Secom (Secretaria da Comunicação) e a inundar sites e blogs da velha mídia com o controle centralizado da publicidade de todas as estatais.

Com isso, transmudou-se. Eliseu Padilha aparece nos jornais com aspecto grave, pontificando sobre reforma da Previdência, reforma administrativa, diplomacia. Tem a última palavra para liberar verbas milionárias para estados (http://migre.me/uz7vQ). Tornou-se o segundo homem mais poderoso de um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes. E sob as vistas benevolentes dos mais intimoratos defensores da moralidade pública que a República já conheceu: o Procurador Geral da República Rodrigo Janot, a Força tarefa da Lava Jato, colunistas moralistas da velha mídia.

Cena 2 – a destruição de direitos sociais

Montou-se o seguinte pacto dos justos:

1.     Em 2016 o orçamento federal será utilizado para pagar a conta do impeachment. Houve aumento para as emendas parlamentares, para as carreiras que mais contribuíram para a vitória e para os amigos dos reis. Ao mesmo tempo, manteve-se no Banco Central a política de Selic a 14,15% com apreciação cambial, propiciando enormes lucros para os especuladores que apostaram na queda do dólar pós-golpe.

2.     O enorme déficit contratado para 2016 e 2017 será compensado pela lei de limitação de gastos públicos. Se congelarão as despesas no menor nível da década (porque após dois anos de recessão). Depois de aprovada a lei, só poderão ser corrigidas pela inflação. Como os gastos com a Previdência continuarão aumentando, pelo envelhecimento da população, haverá cada vez menos recursos para saúde, educação, políticas assistenciais e todos os demais gastos públicos. E a conta de juros continuará sem limitações.

3.     A lambança fiscal deste ano ajudará de algum modo na recuperação moderada da economia. A médio prazo, a situação não será sustentável, a menos que se coloque o Exército nas ruas para administrar a segurança.

4.     A estratégia não é eleitoralmente viável para 2018. Mesmo esperando alguma recuperação da economia — que parece ter batido no fundo do poço.

Tem-se, então, um modelo em xeque.

O atual grupo de poder conseguiu salvo-conduto na condição de abrir o saco de maldades e liquidar com direitos consagrados na Constituição de 1988.

Mas vai-se chegar a 2018 com a dívida pública muito mais elevada — devido às lambanças desses dois anos — e sem a menor garantia de manutenção desse pacote devido a essa inconveniência das democracias chamada de voto popular.

Não é nenhum pouco factível a ideia de um grupo de desprendidos, dispostos a passar dois anos praticando maldades para depois passar o bastão para terceiros.

De duas, uma: ou prorrogarão a irresponsabilidade fiscal; ou tratarão de se articular para impedir as eleições de 2018.

Cena 3 – os sinais da ditadura que se avizinha

Conforme o “Xadrez” antecipou, o caminho natural será apostar na figura do inimigo interno visando primeiro partir para uma democracia mitigada e, mais à frente, para um endurecimento maior do regime, provavelmente inviabilizando 2018.

O grupo que tomou o poder é alvo de muitas críticas. Mas há de se reconhecer que, no exercício do poder, são profissionais, incomparavelmente mais eficientes do que o amadorismo constrangedor do governo deposto: sabe intimidar os que se intimidam; e a comprar os que se vendem.

Basta ver a reação da cúpula do governo à informação de que Michel Temer estaria inelegível pela Lei da Ficha Limpa: “Não tem problema: mudaremos a lei”.

Hoje em dia, todas as nomeações, inclusive de funcionários concursados, passam pelo crivo do Ministro Padilha, com a assessoria do general Sérgio Etchegoyen, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Há um estímulo à delação, visando eliminar qualquer sinal de resistência na máquina pública.

Multiplicam-se as ações contra Lula do mesmo modo que desaparecem as ações contra políticos do PSDB. Tanto na PGR quanto na Força Tarefa da Lava Jato se mantém informações sob sigilo, só sendo vazadas informações contra Lula e o PT.

Cena 4 – os responsáveis

Seria esse o objetivo final do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, da força-tarefa da Lava Jato, do juiz Sérgio Moro, da Globo, de entregar o país a um grupo tão polêmico? Tenho para mim que não.

Então o que leva forças tão díspares a montarem uma operação de tal envergadura, derrubando uma presidente de forma ilegítima, para entregar o poder a um grupo com tal biografia?

As ditaduras não nascem do nada. São semeadas, irrigadas, até ganhar vida própria.

A base da psicologia de massa do fascismo, dos movimentos violentos europeus dos anos 30, consistia em centrar a intolerância em uma figura ou um grupo e ir alimentando gradativamente o ódio, até que a besta saísse às ruas.

Criado o efeito manada, no início consegue-se manipular a coesão contra o inimigo comum, levantando o grande véu debaixo do qual misturam-se do exercício do preconceito mais odioso, o personalismo mais entranhado às jogadas mais rasteiras, mas todos imbuídos da orientação divina de erradicar o mal.

Destampada a caixa de Pandora, gradativamente a besta vai ganhando vida própria e todos os atores, em volta, acabam sendo conduzidos pelo turbilhão que pretendiam controlar.

Quando a grita contra Lula e o PT tornou-se hegemônica, Janot resolveu surfar na onda. No início, dá uma indizível sensação de onipotência. Provavelmente o que se passava na sua cabeça foi isso, um tremendo sentimento de onipotência. Julgava que o primeiro passo seria defenestrar Dilma e prender Lula. Ficaria titular de um poder tão avassalador que o segundo passo seria pegar o PMDB.

No momento do segundo passo, o aprendiz de feiticeiro deu uma tacada altíssima: o pedido de prisão de vários senadores com base em grampos de Sérgio Machado. O álibi do inimigo interno só se aplicava ao PT, as declarações grampeadas não eram fortes o suficiente para justificar tais arroubos, o STF impediu e a PGR veio ao chão como um balão furado.

Imediatamente recuou. Não se ouviu falar mais em ofensivas contra o PMDB, manteve a blindagem a Aécio Neves. As únicas duas missões do PGR e do MPF, assim como dos juízes de 1a instância, são continuar atacando os bichos de sempre — PT e Lula —  e, no andar de cima, Eduardo Cunha, e apenas ele, já que se tornou pato manco. Tudo sem risco.

Cena 5 – os desdobramentos

Nesses momentos de selvageria, o país não dispõe de forças contra cíclicas. O conceito de democracia e estado de direito não é suficientemente forte nem entre os seus operadores.

Ante a onda formada, o Supremo apequenou-se. No MPF, qualquer ato contra a onda recebe críticas da própria corporação. Hoje em dia há um exército de procuradores espalhados por todas as comarcas do país, indo à forra contra os advogados graças à Lava Jato.

Qualquer medida contra Lula ou Dilma é aplaudida. E o PGR não conduz, pelo contrário, é conduzido por esse sentimento porque vive-se a Procuradoria de coalizão, desde que o PT inventou a história de indicar automaticamente o Procurador mais votado — que obviamente vai ser descontinuado pelos novos donos do poder.

Criou-se um movimento inercial irresistível. Numa ponta, o desmonte total do precário Estado de bem-estar que o país ousou levantar nos últimos anos, somado à venda indiscriminada de estatais na bacia das almas. Na outra, a condescendência com o grupo de Temer, desde que entregue o combinado. Alimentando essa fuzarca, a intolerância, a radicalização do Judiciário, o delenda Lula. E, a cada momento, mais incursões sobre o estado de direito.

E como impedir essa avalanche? O que aconteceria se o PGR ganhasse coragem cívica e tentasse enquadrar Temer e sua turma? Pagaria o preço de uma segunda crise institucional sem dispor da unanimidade em que se calçou para derrubar a presidente? A caixa de mágicas do PGR só tinha combustível para um impeachment.

A caminhada rumo ao arbítrio acontecerá grotescamente, mas passo a passo. Cada novo ato de arbítrio será minimizado, cada novo cerco aos recalcitrantes ignorado. Até que o país passe da democracia mitigada ao autoritarismo.

E não haverá forças contra cíclicas. Hoje em dia, em lugar de Raimundo Faoro, Luís Roberto Barroso; em lugar de Waldir Pires, Rodrigo Janot; em lugar de Pedro Aleixo, Michel Temer; em lugar de Paulo Brossard, Cristovam Buarque.

Enfim, o país é a resultante do nível de suas elites.

Luís Nassif
No GGN
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61% querem eleições já!

Lula ganha todas!

Reprodução: Carta Capital

A revista Carta Capital que chega às bancas nessa sexta-feira, 5/agosto, publica, com exclusividade, os resultados de uma pesquisa nacional da respeitada Vox Populi, realizada entre 29 de julho e 1o. de agosto.

— 61% dos brasileiros querem votar para presidente, já!


Ou seja, trata-se de uma aspiração consolidada, amadurecida, independente do que fizeram a Globo, o Senado e o Juiz (sic) Moro.

— entre 18% e 17% querem que a Dilma ou o Temer governem;

— com Temer na Presidência vai ter: desemprego, corrupção, fim dos programas sociais, destruição da CLT;

— o brasileiro não quer vender o pré-sal à Chevron do 'Cerra', nem aumentar a idade da aposentadoria;

— 57% são a favor do impeachment da Dilma e 68% acham que ela será impeachada;

— e o Lula ganha a eleição para presidente contra Aecim, Padim Pade Cerra e Geraldo Alckmin.

Mais do que nunca o Juiz (sic) Moro precisa encarcerar o Lula!

PHA
No CAf
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Novas eleições são defendidas por 61%, diz CartaCapital/Vox Populi

A maior base de apoio para a volta de Dilma concentra-se no Nordeste, onde 32% acreditam que seu retorno seria o mais benéfico para o País

Pesquisa 1

Para 61% dos entrevistados, seria melhor para o Brasil se novas eleições fossem convocadas antes de 2018, segundo pesquisa CartaCapital/Vox Populi. Os questionamentos foram respondidos por 1.500 pessoas em 97 municípios de todo o Brasil, entre 29 de julho e 1º de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

O índice de 61% é o mesmo verificado pelo instituto em abril, logo após a Câmara aceitar o pedido de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff.

O maior entusiasmo pela convocação de novas eleições está no Centro-Oeste/Norte (66%), seguido do Sul (64%) e Sudeste (62%), e a menor adesão (57%), no Nordeste. O apoio à volta de Dilma ao governo foi de 21% para 18% em todo o País, enquanto subiu a opção de Temer permanecer na presidência (11% para 17%).

A maior base de apoio para a volta de Dilma concentra-se no Nordeste, onde 32% acreditam que seu retorno seria mais benéfico para o País, em vez da permanência do interino ou da convocação de um novo pleito. A região é historicamente mais favorável às gestões petistas.

Pesquisa 2

Entre os residentes nas regiões Centro-Oeste/Norte e Sudeste, o amparo à volta da presidenta é defendido por 14% da população. O menor índice está no Sul, onde apenas 9% defendem essa proposta. A região Sul é também a que mais apoia a preservação de Michel Temer como presidente (23%), seguida do Sudeste (21%) e Centro-Oeste/Norte (16%). A menor adesão à permanência do interino está no Nordeste, onde 9% apoiam a proposta. A margem de erro é de dois pontos. 

A pesquisa CartaCapital/Vox Populi também debruçou-se sobre as diferenças de opinião entre homens e mulheres, faixa etária, escolaridade e renda quando questionados sobre o que seria melhor para o Brasil: a volta de Dilma, a permanência de Temer ou novas eleições.

Apesar da convocação do novo pleito ser a opção preferia de ambos os gêneros, ela é apoiada por uma fração ligeiramente maior entre o público masculino (63%) do que entre o feminino (60%). Os homens também apoiam mais a hipótese da manutenção de Temer no cargo, 20%, ante 14% das mulheres. Elas também expressam mais simpatia pela volta de Dilma, com 22% defendendo essa opção. Entre os homens, o índice fica em 14%.

Os jovens são os maiores entusiastas da proposta de novas eleições (68%) e os que menos apoiam Michel Temer (13%) – a volta de Dilma é apoiada por 17% dos entrevistados mais novos. Entre os adultos, 61% preferem novas eleições como uma opção mais positiva para o Brasil. A volta de Dilma ou a permanência de Temer estão tecnicamente empatadas entre os adultos, com 18% e 17%, respectivamente.

Senado
Sessão no dia 19 de abril no Senado em que houve a protocolação de proposta de novas eleições
Entre o público maduro, o entusiasmo pela proposta de novas eleições é menor, 43%. Para os mais velhos, o melhor seria a manutenção do interino no cargo até 2018 (28%), enquanto 24% defendem a volta da presidenta.

Com relação à escolaridade, há um apoio ligeiramente maior à proposta de novas eleições entre os entrevistados com diploma do Ensino Médio (69%). O menor índice está entre aqueles que só cursaram o Ensino Fundamental (56%). Entre os com Ensino Superior, o apoio é 61%.

Os entrevistados com diploma universitário também são os mais favoráveis à manutenção de Michel Temer como presidente (23%), com empate técnico entre nos estratos do Ensino Médio e Fundamental que defendem sua permanência, 15% e 17%, respectivamente. O maior apoio à volta da presidenta eleita em 2014 está entre os que estudaram até o Fundamental (24%). Para os que têm diploma do Ensino Superior, o índice cai para 15% e está em 13% entre os que concluíram a última etapa da Educação Básica.

Com relação à renda, há mais adesão à proposta de novas eleições entre todas as faixas salariais. O maior apoio está entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos (entre R$ 1760 e R$ 4400) - opção defendida por 65%. Para os que recebem até dois salários mínimos, a volta de Dilma tem mais apoio do que a manutenção de Temer, 26% contra 13%. Já entre os mais ricos, com rendimentos de cinco salários mínimos, 26% preferem Temer e 9%, a volta de Dilma.


No CartaCapital
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Hino nacional do "Fora Temer"


Em véspera de Olimpíadas, os professores do Supletivão se reúnem para a execução do Interhino Nacional Brasileiro.

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Temer “não tem legitimidade nenhuma no mundo”, diz Glenn Greenwald

Ganhador do prêmio Pulitzer, escritor norte-americano disse, em entrevista à Rádio Guaíba, que a mídia brasileira mostra apenas um lado do debate em torno do impeachment de Dilma

Greenwald passou a produzir entrevistas e reportagens
no exterior denunciando que o pedido de impeachment
da presidente Dilma Rousseff resulta de um esquema
arquitetado com esse fim
Conhecido mundialmente por ter sido escolhido pelo analista de sistemas Edward Snowden para revelar a rede de espionagem da National Security Agency (NSA), o jornalista e escritor norte-americano Glenn Greenwald passou a produzir entrevistas e reportagens no exterior denunciando que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff resulta de um esquema arquitetado com esse fim. Após ter denunciado a rede internacional de grampos, Greenwald  ganhou o Prêmio Pulitzer de Jornalismo, em 2014.

Em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, Greenwald ratificou, nesta terça-feira, o entendimento de que manobras foram realizadas pelo Congresso e parte da mídia nacional para sustentar o governo interino de Michel Temer que, segundo ele, “não tem legitimidade nenhuma no mundo”. “Eu comecei a usar a palavra golpe depois da divulgação das conversas entre Romero Jucá e Sergio Machado, quando eles falaram sobre envolvimento do Supremo e demais facções no Brasil no plano para realizar o impeachment de Dilma”, salienta.

Para Glenn Greenwald, o processo de impeachment se deu pela quarta derrota consecutiva da oposição contra o PT. “Na minha opinião o motivo principal do impeachment é que as pessoas contra o PT não conseguiram vencer as eleições e decidiram que não poderiam mais usar a democracia para expulsar o PT. Ainda mais, políticos corruptos estão liderando o processo contra Dilma em nome (do fim) da corrupção.  É impossível de pensar em um governo novo, como o governo Temer, cheio de corrupção. Eu acho que isso mudou a opinião internacional, mais do que tudo”, segue.

Impeachment no Exterior

“Este tema (impeachment de Dilma) foi criado pela mídia brasileira e a mídia internacional aceitou, mas quando eles olharam mais sério e outros jornalistas estrangeiros — The Intercept,  Guardian e New York Times — começaram a explicar melhor o que se passava aqui, a opinião no mundo mudou muito. Eu acho que, agora, o governo Temer não tem legitimidade nenhuma no mundo, talvez com a Argentina. Mas o mundo inteiro não confia mais neste processo, este governo não tem mais credibilidade”.

Mídia conservadora

“Os meios de comunicação dominantes no Brasil estão em propriedades de poucas famílias ricas, que estão abusando de forma aberta para forçar a queda de Dilma. Todo mundo pode ver que a mídia aqui é muito unida e controlada, e isso não é jornalismo e, sim, propaganda contra os partidos de esquerda e de defesa de partidos de direita. Isso é muito perigoso”.

Critica da GloboNews contra imprensa internacional

“Isso é ridículo. Absurdo, é uma vergonha. A primeira coisa é que existem ótimos jornalistas que moram no Brasil há muitos anos, falam bem português e trabalham para os jornais mais importantes do mundo. A mídia brasileira  —  Globo, Abril, Veja e Estadão — está atacando os jornalistas estrangeiros, mas agora com a Internet a mídia não pode mais controlar as informações que os brasileiros estão recebendo. Nós (estrangeiros) estamos fazendo o trabalho que eles, incluindo (quem trabalha para) a Família Marinho, não podem fazer, que é mostrar outras perspectiva”.

Michel Temer

“Em primeiro lugar, ele (Temer) escolheu 23 ministros, já perdeu três e tem muitos outros ministros envolvidos em corrupções serias. É muito claro, que o próprio Temer também é citado e acusado de receber e controlar dinheiro ilegal para campanhas. Isso é um fato incrível, pois ele está liderando esta força para retirar uma presidente eleita em nome da corrupção. O fato incrível é que a mídia brasileira quase nunca menciona é que ele foi condenado e proibido para qualquer candidatura”.

Eduardo Cunha

“O Cunha foi a cebola do impeachment na Câmara. No exterior, isso sempre foi o fato mais incrível — como Eduardo Cunha pode liderar um processo de impeachment quando ele é um ladrão óbvio e um dos maiores corruptos políticos da América Latina. O Cunha é muito corrupto e o plano para ele renunciar foi para diminuir a tensão contra ele”.

Jornalismo honesto

“Eu comecei a fazer as reportagens sobre a crise no Brasil neste ano porque eu não conseguia acreditar o que estava acontecendo com a mídia brasileira. Eu fiz jornalismo em quase 30 países, nos últimos cinco anos, e nunca vi uma mídia como a brasileira que se comporta com desonestidade, mostrando apenas um lado do debate com muitas mentiras. Eu acho que a democracia precisa de um jornalismo honesto e justo, mas as organizações dominantes do país estão muito abusadas”.

No Rádio Guaíba
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Moro foge de Pimenta! E toma de Damous

Imagine um grampo do Clinton e do Obama na Globo!


O Conversa Afiada reproduz intervenção do deputado Paulo Pimenta diante daquele que, segundo o deputado Wadih Damous, não é Deus.

O Juiz (ou Deus) de Curitiba foi à Câmara defender um projeto inconstitucional de Procuradores da Lava Jato, que querem suprimir o direito de defesa para governar (com o Moro e a PF...) o Brasil com uma pedalada legal.

Pimenta se pergunta: o que aconteceria (ao Moro) nos Estados Unidos se um juizinho de primeira instância vazasse para a Globo um grampo do Clinton com o Obama!

Veja, amigo navegante, como Juiz (Deus) foge da resposta ao Pimenta: diz que seu tempo acabou.


Mas, o tempo não existe para uma divindade!

Ela tem o tempo que a Globo quiser!

(Não deixe de ver que o Moro já quebrou a Petrobras, as empresas da construção naval que para ela fornecem, e se prepara para fechar o programa nuclear brasileiro! Ou entregá-lo aos americanos! E ninguém faz nada!)

(Como se sabe, Moro está incurso em processo judicial que corre na ONU)

PHA

Nota da assessoria do deputado:

Confrontado pelo deputado Paulo Pimenta (PT), Sérgio Moro se recusa a responder: “Não vou comentar”

Em audiência na Comissão Especial que analisa o projeto de lei 4850/2016, que “estabelece medidas contra a corrupção”, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) criticou seletividade da justiça no Brasil, como no caso Banestado; e a falta de medidas de combate à corrupção contra juízes e procuradores que vendem sentença. Durante o debate, ocorrido na manhã desta quinta-feira (4), que contou com a presença do juiz federal Sérgio Moro, Pimenta apontou a ausência de mecanismos de combate à corrupção que abranja também o Poder Judiciário.

“Quero ver juiz e procurador defender cassação para juízes e procuradores que vendem sentença. Hoje a pena para um juiz que vende sentença é aposentadoria com manutenção de salário integral”, protestou Pimenta.

Durante a audiência, ao defender a aplicação de leis americanas pelos juízes brasileiros, Sérgio Moro foi rebatido por Pimenta: "Quando se fala da legislação americana, imagina se um juiz de primeira instância nos Estados Unidos captasse de maneira ilegal uma conversa entre Bill Clinton, ex-presidente norte-americano, e Barack Obama e jogasse nas redes de televisão, qual teria sido a atitude da justiça americana? E então por que nós não pegamos esses exemplos para serem adotados no Brasil", questionou Pimenta.

O deputado também condenou a condução coercitiva, sem justificativa, do ex-presidente Lula, apenas para gerar manchetes nos meios de comunicação, e lembrou que essa arbitrariedade foi criticada até por ministros do STF como “excessivas e desnecessárias”. Ao final, Sérgio Moro se recusou a comentar os questionamentos feitos pelo deputado federal Paulo Pimenta, e alegando falta de tempo se retirou da audiência, pedindo “desculpas” aos parlamentares.


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Brasil precisa dobrar oferta de serviços de medicina nuclear para atender população

Através de medicamentos e técnicas diagnósticas que usam radiação, a medicina nuclear consegue prevenir e tratar tipos de câncer e doenças cardiovasculares responsáveis por quase metade de todas as mortes registradas na América Latina e Caribe. Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem dado apoio ao Brasil e a países da região para ampliar atendimento à população.

Tomografia pode identificar câncer e doenças do coração.
Foto: Ministério da Saúde do Brasi
Doenças cardiovasculares e câncer — principalmente os de pulmão, mama, próstata e colo do útero — são responsáveis por quase metade de todas as mortes registradas na América Latina e no Caribe. Para prevenir e tratar esses problemas de saúde, a ciência confia nos serviços de medicina nuclear que, apesar de eficazes, ainda são uma realidade distante para parte da população.

“O número de pacientes que precisam de exames médicos (que fazem uso) de tecnologia nuclear está aumentando a cada ano, mas eles frequentemente não têm acesso”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, Claudio Tinoco Mesquita.

“No meu país, por exemplo, deveria haver pelo menos o dobro do número de centros de medicina nuclear para cobrir as necessidades gerais crescentes da população, desde departamentos, equipamento e profissionais treinados”, explica o especialista.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — que apoia o Brasil na expansão de seus serviços de saúde s considera a medicina nuclear uma área fundamental, ainda que pequena, do cuidado de saúde, pois drogas e técnicas diagnósticas que usam radiação, como as tomografias, podem salvar vidas.

“Diagnósticos precoces e precisos são críticos para o tratamento efetivo tanto de doenças cardiovasculares, quanto de câncer”, afirma a pesquisadora da agência da ONU, Diana Paez.

A especialista destaca, porém, que o acesso as serviços de medicina nuclear é frequentemente desigual e limitado, particularmente em áreas rurais. “Enquanto a saúde privada oferece normalmente mais serviços, muitas instalações públicas ficam para trás, e são esses os hospitais a que a maior parte das pessoas recorre.”

Agência da ONU capacita profissionais

Para reverte um cenário de escassez de serviços — que inclui a falta de equipamentos e profissionais qualificados — a níveis nacionais e regional, a AIEA tem oferecido capacitação presencial para clínicos da América Latina e Caribe. Neste ano, mais de 600 médicos devem participar de cursos de formação.

Outra iniciativa são as mais de 500 missões de especialistas que viajam pela região para conscientizar profissionais e gestores sobre as aplicações da medicina nuclear.

Por meio de treinamentos online sobre técnicas de diagnóstico na medicina nuclear, mais de 1,2 mil médicos foram treinados e mais de mil especialistas também participaram em seminários virtuais, conferências e outras atividades de educação continuada e pós-graduação.

Esses programas contaram com o apoio e, muitas vezes, com o patrocínio do organismo das Nações Unidas, que também subsidia a compra de equipamentos e busca facilitar a criação de parcerias entre institutos de medicina nacionais e regionais.

“Ajudar países a aprimorar seus serviços de medicina nuclear e a transferir tecnologias inovadoras para beneficiar pacientes são um importante aspecto dos nossos esforços de desenvolvimento na região”, afirma o diretor da Divisão da AIEA para América Latina e Caribe, Luis Carlos Longoria Gandara.

No ONU BR
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