2 de ago de 2016

Prefeito que processou blogueiro é cassado

Depois de muitas protelações e pedidos de vista nas três instâncias da Justiça, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou por 4 votos a 3 a cassação do prefeito de Taubaté, Estado de São Paulo, José Bernardo Ortiz Júnior. Ele continuava no cargo mesmo depois de cassado pela justiça eleitoral local e pelo TRE-SP, graças a um recurso que tramitou durante quase um ano em Brasília.

Ortiz Júnior foi denunciado pelo então promotor-público eleitoral Antonio Ozório, minutos após o fechamento das urnas no segundo turno da eleição de 2012. Ozório apontava "abuso de poder político e econômico" do candidato do PSDB, envolvido num cartel para fraudar licitação de compra de um milhão de mochilas pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão do Governo do Estado. A autarquia era presidida pelo pai do candidato, José Bernardo Ortiz, três vezes ex-prefeito e um coronel político em Taubaté desde 1982, tendo eleito todos os seus sucessores e rompido com todos ao longo dessas três décadas.

Segundo a denúncia, com testemunho de um lobista, Djalma Santos, e da própria chefe-de-Gabinete da FDE, advogada Gladiwa Ribeiro, Júnior recebeu 1,7 milhão em propina naquela transação. Ele teria dito ao denunciante Djalma Santos que precisava acumular entre 5 e 7 milhões para sua campanha eleitoral a prefeito de Taubaté, que foi de fato milionária.

Enquanto o processo se arrastava — foram oito meses só no Fórum de Taubaté — o prefeito e seu pai moviam ferrenha perseguição aos raros jornalistas e blogueiros que informavam a população sobre o caso. Enquanto a mídia tradicional, inclusive as retransmissoras regionais da TV Globo e da TV Bandeirantes, ignorava o assunto e tratava o prefeito como se estivesse tudo normal no âmbito jurídico, o blogueiro Irani Lima era processado pelo pai e pelo filho, por suposta calúnia. Acabou sendo absolvido nos dois processos, mas foi condenado em primeira instância em outro processo, este movido pela então juíza eleitoral de Taubaté, Sueli Zeraik de Oliveira Armani. Irani havia criticado a lentidão da Justiça Eleitoral em julgar o prefeito, que tomou posse normalmente — o jornalista acabou condenado a 1,4 ano de detenção, e está recorrendo ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Tanto Irani como o autor deste texto (que teve que fazer um acordo judicial com o Ministério Público para não ser processado pela juíza Zeraik) receberam todo o apoio dos blogueiros "sujos" nesses quase quatro anos de lutas, especialmente da direção nacional do Centro Barão de Itararé. A cassação do tucano corrupto é fruto também da persistência da blogosfera progressista.

Antonio Barbosa Filho é jornalista, editor do blog valepensar.com
No Blog do Miro
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A importância do apoio de um assessor de Teori à ida de Lula à ONU

O que é absurdo é a caça a ele
Enfim sai uma notícia que permite ter alguma esperança na Justiça. Alguma, repito. Não muita. Mas já é um avanço.

Estou falando da inclusão de um assessor de Teori Zavascki entre os signatários de um manifesto de jurista em apoio à decisão de Lula de recorrer — pedir socorro é a expressão mais adequada — à ONU. Manoel Lauro Volkmer de Castilho é o nome.

Clap, clap, clap. De pé.

Lula fez, com atraso, o que deveria ter realizado há muito tempo.

Ele é vítima de uma brutal perseguição da plutocracia, encabeçada pela Globo e por Moro com sua Lava Jato.

Brutal, indecente, descarada, vergonhosa: são muitos os adjetivos, todos eles negativos, com os quais você pode designar a caça a Lula.

E a plutocracia teve o desplante de acusar Lula de desmoralizar a Justiça brasileira no mundo.

Ora, ora, ora.

A Justiça brasileira vem-se impondo um formidável processo de autodesmoralização. Lula é vítima dela e deste processo.

Seu crime: ser nordestino, não ter diploma universitário, ser amado pelos pobres, falar a língua dos excluídos e, sobretudo, trabalhar por eles.

É o oposto, para ficar numa comparação eloquente, de FHC, o fâmulo dos plutocratas, o corrupto que comprou votos para se reeleger e durante oito anos governou para os poderosos, a começar pela Globo.

A plutocracia faz horrores no Brasil para manter suas mamatas e privilégios, mas parece sentir vergonha quando suas práticas são levadas ao mundo.

No próprio Brasil, está tudo dominado. As grandes comporações da mídia plutocrata controlam o noticiário (não mais como antes, é certo, com o avanço explosivo da internet).

Mas no cenário internacional nem Globo nem ninguém na imprensa tem o menor peso e a menor influência.

É para lá que a esquerda deve se dirigir no chamado duelo das narrativas. Golpe virou golpe em todo o mundo, desde que o jornalista Glenn Greenwald, americano radicado no Brasil, deu uma entrevista à CNN desfazendo a farsa da “legalidade”.

E a perseguição a Lula ganhou ares internacionais também, desde que ele apelou para a ONU. O recurso, segundo contas dos advogados de Lula, foi notícia em quase 50 país.

Isso quer dizer: o mundo sabe quem é Moro. Quais são suas armas sujas, como gravar conversas de Lula e Dilma e depois vazá-las para a cúmplice Globo.

Se Moro estivesse preocupado com sua reputação de juiz sério não tiraria fotos abraçado com os irmãos Marinhos e João Dória em eventos da plutocracia. Não compareceria, alegremente deslumbrado, ao lançamento de um livro de um jornalista da Globo em que é santificado e Lula demonizado. Não teria vazado ações da Lava Jato para que a mídia transformasse tudo num circo para desestabilizar Dilma e destruir o PT. Não teria forçado Lula a um depoimento sem base legal nenhuma, numa aparente tentativa de prendê-lo que só não foi adiante graças à reação dos lulistas.

Essas coisas, sim, desmoralizam a Justiça. Podem deslumbrar imbecis que pedem a volta dos militares, e que usam máscaras de Moro em protestos descerebrados, mas não merecem ser levadas a sério.

Uma luz pode fazer diferença. A adesão de um assessor de Teori ao oportuníssimo documento de juristas de apoio à ida de Lula à ONU é uma luz.

No meio das trevas jurídicas em que vivemos, é um avanço.

Paulo Nogueira
No DCM
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“Não há nada contra Lula a não ser a delação de Delcídio”, diz Zanin

Ao GGN, Cristiano Zanin, um dos defensores de Lula, disse que o MPF usou contra o ex-presidente "indícios” que não comprovariam crime algum. Lula é réu por suposta tentativa de obstruir a Lava Lato, com base na fala de um "delator que é réu confesso"


A defesa de Lula não imagina o que o procurador Ivan Marx — o mesmo que inocentou Dilma Rousseff após analisar seis tipos de pedaladas — adicionou à denúncia contra o ex-presidente para sustentar a tese de tentativa de obstrução da Lava Jato, aceita na semana passada pelo juiz federal Ricardo Leite, de Brasília. O aditamento ocorreu quando Marx ratificou as acusações feitas pela Procuradoria Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, contra Lula e outros seis.

Nesta segunda (1º), em entrevista ao GGN por telefone, o advogado Cristiano Zanin Martins, um dos defensores de Lula na Lava Jato, disse que desde que o processo saiu das mãos do Supremo Tribunal Federal para a primeira instância, não houve surgimento de novos fatos nem de pedidos adicionais de investigação que justifiquem ou apontem o que pode haver de novo contra seu cliente. A transferência ocorreu quando Delcídio do Amaral, o delator de Lula, perdeu o foro privilegiado a partir de sua cassação no Senado.

“Considerando que não houve outro ato de investigação ou instrução, acredito que não haja mais elementos [contra Lula] a não ser a delação de Delcídio”, comentou. “Mas para que a acusação se sustente é necessário outro amparo além do delator, e não há nada”, acrescentou.

Na última sexta-feira, a imprensa noticiou que Lula virou réu na Lava Jato, numa ação que também envolve o ex-senador Delcídio do Amaral, seu assessor, Diogo Ferreira, o advogado Edson Ribeiro, o banqueiro André Esteves, o pecuarista José Carlos Bumlai e seu filho, Maurício Bumlai. Todos teriam feito parte de uma trama para impedir os avanços da Lava Jato, comprando o silêncio de Nestor Ceveró, ex-diretor da Petrobras.

A decisão do juiz Ricardo Leite — que foi afastado da Zelotes a pedido do Ministério Público Federal, por tomar medidas que atrapalhavam as investigações contra grandes empresas — foi assinada na quinta-feira. Naquele mesmo dia, a defesa de Lula anunciou que recorreu à ONU para deter os abusos da Lava Jato e do juiz Sergio Moro.

Aditamento

Nesta terça (2), o Estadão informou que Ivan Marx inseriu na denúncia contra Lula relatos sobre o empréstimo que Bumlai tomou junto ao Banco Schahin, supostamente para pagar uma dívida do PT. A ideia, no caso, seria indicar que Lula tinha a preocupação de defender Bumlai da Lava Jato, pois isso seria defender o partido. E, assim, sustentar a tese de que houve tentativa de comprar o silêncio de Cerveró.

Zanin disse que Lula ainda não foi oficialmente informado da decisão de Ricardo Leite, que o transformou em réu com base na delação do ex-senador Delcídio do Amaral. No depoimento à Lava Jato, Delcídio admitiu que, com ajuda do advogado e assessor, pagou R$ 250 mil à família de Cerveró para evitar que ele fosse citado. Para deixar a prisão com um acordo de delação premiada válido para a Lava Jato, Delcídio disse que fez o que fez porque Lula pediu.

Para a defesa de Lula, as provas juntadas aos autos pela equipe de Janot são frágeis. “Tivemos acesso à denúncia quando estava na PGR e verificamos que ela é única e exclusivamente em cima de delação de Delcídio, que cita uma suposta conversa em que Lula teria feito o pedido. Não havia qualquer outro elemento de prova. O que usaram — como a agenda do ex-senador para mostrar que houve um encontro com Lula, ou as passagens que atestam viagens — não pode provar qual foi o teor das conversas. O encontro por si só não prova crime. [A Lava Jato] não tem nada [contra Lula] a não ser a palavra de um delator que é réu confesso”, disse Zanin.

Defesa prévia

O juiz Ricardo Leite acolheu a denúncia aditada por Ivan Marx e divulgou sua decisão à imprensa na sexta passada. No despacho, também negou à defesa de Lula a possibilidade de apresentar defesa prévia.

Segundo Zanin, o juiz acertou ao citar que a lei impede Lula de antecipar a defesa em primeira instância e eventualmente evitar que a denúncia fosse acolhida. O juiz sustentou que, em processos em primeira instância, não é necessário facultar ao investigado a defesa prévia, porque esse direito será dado ao longo do processo. O impasse reside no fato de que, enquanto as ações estavam no Supremo, todos os demais réus tiveram a oportunidade de apresentar defesa prévia. Apenas Lula foi prejudicado neste sentido, porque não houve tempo. Quando ele foi citado por Janot, o processo migrou para a primeira instância, pois Delcídio perdera o mandato.

“De um lado, o juiz está correto quando diz que a lei não permite a apresentação de defesa prévia na primeira instância. Mas também é verdade que todos tiveram a oportunidade de se defender, menos Lula. Vamos analisar, assim que houver a citação, e definir qual será a estratégia de defesa”, disse Zanin.

Após Lula ser avisado formalmente sobre o acolhimento da denúncia e sua situação de réu, ele terá 20 dias para se defender. “O juiz, então, poderá optar por absolvição sumária ou por continuar instruindo o processo”, lembrou Zanin.

Domínio do fato

Segundo Zanin, mesmo sem a existência de provas robustas contra Lula, ainda é difícil imaginar que seria usada contra ele a teoria do domínio do fato. Para o advogado, a ideia é “absurda”.

“Primeiro porque a teoria do domínio do fato é incompatível com nosso sistema penal. Segundo, que aqueles que admitem esse recurso apontam a exigência de alguns requisitos. A pessoa que teria o domínio do fato delituoso precisaria conhecer o esquema e dar sua aquiescência para que a organização criminosa possa atuar. No caso de Lula, ele não tinha conhecimento. Nem ele, nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público, nem a imprensa [sabiam dos esquemas da Lava Jato]. Não há participação dele."

“Para mim, seria como se as suspeitas contra Lula não se confirmassem e se buscasse uma teoria para incriminá-lo.”

Cíntia Alves
No GGN
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Entrevista de Lula à rádio O Povo de Fortaleza

Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula

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Dilma entrevista pela Fórum

Dilma: “Serei a primeira mulher presidenta que superou um impeachment sem base”

Em entrevista ao vivo e exclusiva para a Fórum, a presidenta Dilma Rousseff falou, entre outras coisas, sobre sua representação na mídia tradicional, criticou o governo interino, os cortes na saúde, bem como editorial do jornal O Globo que pede privatização do ensino superior. Assista a íntegra


A presidenta Dilma Rousseff concedeu, na tarde desta terça-feira (2), no Palácio da Alvorada, uma entrevista exclusiva ao editor da Fórum, Renato Rovai, e à editora da revista em Brasília, Maíra Streit. Entre outros assuntos, a presidenta falou sobre a PEC 241, que prevê a alteração do sistema de vinculação de receitas e despesas com serviços públicos de saúde e educação. “É uma das piores medidas do governo interino. Limita e congela gastos em educação e saúde nos seus valores reais, haverá queda no gasto per capita”, apontou.

Ao comentar o governo ilegítimo e sua baixa representatividade, Dilma foi contundente e definiu a governança de Michel Temer como sendo de “homens, brancos e ricos”. Para a presidenta, afastada do cargo em maio desse ano, o jornal O Globo através de seus editoriais recentes apresenta indicadores de plano de governo que mostraria os reais interesses por trás do golpe parlamentar em curso. “Acho que O Globo tem dado todos os indicadores de plano de governo que o governo provisório quer para o Brasil”, disse.

Sobre a sua imagem na mídia tradicional, Dilma afirmou que não tem dúvidas com relação a influência de alguns veículos de comunicação ao longo do processo.“Tentam construir uma imagem para transmitir que a melhor saída seja me afastar. É o projeto por trás das iniciativas que começam após a reeleição. A participação da mídia foi grande. Ela convocou manifestações, espetacularizou coberturas e tentou mostrar que era contra corrupção”.

Com relação ao presidente interino e seu partido, a presidenta assumiu que errou em “não ter percebido que havia uma transformação no PMDB” e foi além, admitindo ter errado ao compor sua chapa com Michel Temer. Sobre o PT, Dilma aponta que o partido precisará passar por “uma grande mudança”.

Dilma, a menos de um mês para a votação do impeachment no Senado, se mostrou otimista em relação ao futuro. Para a petista, ainda é possível “reverter o jogo” e ela garantiu que não desistirá.

“Serei a primeira mulher presidenta que superou um impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade e uma mulher que  soube reconduzir a democracia”.

A presidenta concluiu enviando um recado aos internautas e àqueles que se colocam contra o golpe. “Tenho a agradecer muito às mulheres, que têm sido especiais nesse processo. Pelo carinho, afeto e compreensão. O nosso lado é o lado certo: da história e da democracia, da defesa dos direitos socais do País. Vamos caminhar sempre mais fortes e mais livres”, finalizou.

Assista:



Matheus Moreira
No Fórum



Quando o que se tem a perder é tudo

Quando a presidenta Dilma chegou na sala do Palácio da Alvorada em que realizaríamos a entrevista ao vivo para o Facebook da Fórum, ao invés de ir direto para o local da transmissão, ela nos chamou para uma conversa informal da qual participaram os ministros Ricardo Berzoini e Carlos Gabas.

Conheço os dois desde os tempos de movimento sindical, quando implementei a Revista dos Bancários, que hoje se tornou a Revista do Brasil. Naquele momento, a conversa acabou passeando pela década de 1990 e começo dos anos 2000. Falamos sobre as disputas na CUT, a construção do PT, a redemocratização do Brasil.

Nada disso, de alguma forma, foi abordado na entrevista ao vivo com a presidenta. Não porque não seja interessante, mas porque o momento político exige outros questionamentos. Ainda vou contar um pouco dessa conversa em outro post. Aliás, conversa que foi gravada pela equipe da diretora Anna Mulayert, que está fazendo um documentário sobre esses dias da presidenta Dilma.

Mas naquele contexto do papo meio off uma frase da presidenta Dilma me tocou. Disse que ela parecia muito tranquila e com um astral muito bom. Ela respondeu: “Quando o que se tem a perder é tudo, não há por que ficar triste”. Ou seja, a presidenta tem a exata dimensão do momento histórico que o Brasil vive. Sabe que sua condenação no Senado é uma imensa derrota de um projeto político que ela ajudou a construir e também uma imensa derrota da esquerda brasileira e latino-americana.

Durante a entrevista, como você vai poder ver no vídeo que esta na página da Fórum, ela tratou de diversos assuntos, mas para este blogueiro o momento mais forte foi o ataque direto à Rede Globo. Pela primeira vez a presidenta disse que a Globo é parte do golpe.

Dilma também fez uma avaliação crítica de algumas decisões que tomou. Entre elas a de ter aceitado Michel Temer como seu vice. E de não ter percebido as mudanças no PMDB no percurso do seu primeiro para o segundo mandato.

Dilma está absolutamente concentrada na resistência. Ela sabe que resistir para ganhar ou para perder é o que lhe resta. Que é o mais importante dessa luta política que travará nesses próximos trinta dias. E que decidirá boa parte da história do Brasil de ao menos uma geração.

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Senadora Lucía Topolansky afirma que o Uruguai tem que aceitar o impeachment de Dilma por estar previsto na Constituição

A Senadora não poupa críticas ao governo Temer: ‘Está havendo uma destruição do projeto brasileiro’.


Sozinho em meio ao conflito dos gigantes do Mercosul — Brasil, Argentina e Venezuela — o governo uruguaio não consegue evitar a dubiedade política. Horas depois que a presidenta Dilma Rousseff promoveu seu último discurso, em frente ao Palácio do Planalto, no dia 12 de maio, e saiu escoltada para seu afastamento provisório do cargo, o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, concedeu uma entrevista em Montevidéu dizendo que seu país não iria se comunicar com Michel Temer. Foi o primeiro país do mundo a se posicionar após a consumação da saída da presidenta do poder.

No entanto, 55 dias depois, o chanceler provisório José Serra e o ex-presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) viajaram juntos ao Uruguai para se encontrar com Novoa. O tema da reunião era, principalmente, pedir ao governo local que não passasse a presidência temporária do Mercosul à Venezuela. Segundo relatos da imprensa, porém, não deixaram de falar da situação brasileira e dos negócios entre os dois países.

Para a senadora governista Lucía Topolansky, esposa do ex-presidente “Pepe” Mujica, não se tratou de uma mudança de rota, porque é impossível cortar relações com o Brasil, independentemente da situação política do país. Mais um sinal de que os fatos acabam, às vezes, se preponderando às ideias. “Somos um pequeno país entre dois gigantes. Não temos remédios que não receber o chanceler José Serra, em forma interina ou não”, admite em entrevista exclusiva à Calle2 em sua chácara, nos arredores de Montevidéu.

Apesar disso, não poupa críticas ao processo que afastou Dilma, amiga com quem conversava semanalmente quando estava no poder. “Estão destruindo o projeto brasileiro”, vocifera, para depois também admitir que é difícil falar em um golpe de Estado contra a presidenta. À seguir, trechos da conversa sobre o país.

O governo uruguaio anunciou que não se relacionaria com o Executivo brasileiro depois do afastamento de Dilma, mas Tabaré Vázquez já se encontrou com o chanceler José Serra em Montevidéu. Isso é um sinal de mudança de rota?

Não. É que não temos meios para não fazê-lo. Somos um pequeno país entre dois gigantes. Não temos remédios que não receber o chanceler José Serra, em forma interina ou não. A gente não se propôs a cortar relações com Brasil nem retirar nossa representação diplomática em Brasília, mas apenas a acompanhar com atenção o que está acontecendo no juízo de Dilma Rousseff.
Pensamos que o governo dela é legítimo, mas temos que aceitar o processo, porque ele está previsto na Constituição brasileira.
Da mesma forma, não é da nossa alçada interferir nisso. Se o chanceler viaja a Montevidéu para falar do Mercosul e nós estamos exercendo a presidência temporária do bloco, seria um equívoco não recebê-lo. Mas não mudamos nossa posição: seguimos preocupados com a situação brasileira. Frente ao mundo, qual foi a imagem que o Brasil passou naquela sessão da Câmara dos Deputados onde se votou o juízo da presidenta? Foram os argumentos mais estranhos que eu já vi em todos os meus 70 anos de vida.

A senhora é amiga de Dilma Rousseff. Falou com ela após o afastamento?

A última vez que fui ao Brasil o impeachment ainda estava em discussão. Depois, não falei mais. No entanto, algumas pessoas do meu partido [Frente Amplio] estão indo e vindo de Brasília, muitos dos quais são deputados do parlamento do Mercosul que se reuniram com ela. Estivemos com o presidente Lula também. Contratamos um advogado ? desses que te roubam as calças ? para nos deixar informados de todos os detalhes sobre o processo brasileiro.

Temem uma mudança nos rumos econômicos?

A impressão que me dá é que se destruiu em pouco tempo uma enormidade de coisas que foram levantadas nos últimos anos. Alguns gestos foram muito duros, como quando extinguiram o Ministério de Cultura.
Quando se começa a destruir algo que foi construído com o trabalho de muito tempo, e ainda mais por obra de um governo provisório, é muito triste. Há ainda a impressão que o Judiciário brasileiro trabalha sem independência alguma, o que nos preocupa muito.
Pensei esses dias que uma das hipóteses é que o processo deimpeachment não seja suficiente para tirar a presidenta Dilma do cargo. Neste caso, ela teria mais um ano e meio de governo para construir de novo tudo o que foi destruído por este governo provisório.

O Brasil está sendo destruído?

Sim. Está havendo uma destruição do projeto brasileiro. Com determinados fundamentos, que não sei se são reais, percebe-se que o Brasil está marchando para trás. Ficamos alegres com a ação de retirar 40 milhões de pessoas da pobreza que o governo conseguiu realizar, de forma que só esse feito, esquecendo-se de todo o resto, é uma proeza. É a mesma coisa com a China: você pode apontar o sistema de partido único ou outras várias críticas possíveis, mas quando um governo dá de comer ao seu povo já se produz uma diferença. Quando se retira uma quantidade de pessoas da pobreza, há um tempo de consolidação dessa saída. É preciso ir consolidando essas pessoas que já não são mais miseráveis. Se no momento em que esse fenômeno está acontecendo surge um retrocesso como esse, o risco maior é que essas pessoas voltem à pobreza. No século 21, isso não é mais admissível.

A Calle2 mostrou que os gabinetes da América Latina possuem poucas mulheres. Há algum tempo havia quatro presidentas e agora só permanecemos com Michelle Bachelet, no Chile. O que houve?

Fomos para trás. Temos que seguir lutando. É a única receita. A presença das mulheres na política é uma batalha cultural complicada, mas não apenas na América Latina. Vemos dificuldades até da Hillary Clinton nos Estados Unidos.
Olhando para o mundo, as mulheres ainda estão em minoria. Essa luta precisa ser permanente até que haja uma equidade de direitos.
O caso uruguaio é curioso: ao mesmo tempo em que nunca tivemos uma mulher eleita presidenta neste país, somos a vanguarda desse projeto de igualdade de gênero na política: Batlle y Ordoñez, no começo do século XX, conseguiu mudar os aspectos judiciais da questão, que são mais fáceis que os culturais. Com ele, fomos o primeiro país da América a permitir voto feminino, a posse de propriedades e a possibilidade do divórcio por vontade exclusiva das mulheres. Nesse momento, aliás, o Judiciário uruguaio tem mais mulheres do que homens. Estamos falando, portanto, que um dos três poderes do país está aparelhado majoritariamente por mulheres.

No Brasil chegaram a dizer que o impeachment de Dilma também se explica pelo fato dela ser mulher. Concorda?

Claro. É um fator contrário a ela. O Brasil é um país complexo que dificulta a vida de qualquer governante. Não me arrisco a colocar-me no lugar de um dirigente desse porte. Por outro lado, é uma posição maravilhosa, porque se trata de governar um país onde houve verdadeiramente uma miscigenação. As raças realmente se integraram e não se discriminam, o que é uma virtude enorme da sociedade brasileira. A chegada do PT ao poder gerou uma espécie de terremoto, porque ninguém podia imaginar que um metalúrgico nascido no sertão nordestino se tornaria presidente. Para alguns setores, esse feito gerou resignação. Não sou partidária da reeleição perpétua e gosto do exemplo brasileiro, de poder continuar no poder por mais um período, mas não admiro essas reeleições perpétuas. É outra discussão política, mas não deixa de nos rodear.
Achei muito inteligente a atitude do PT em buscar uma figura que não complementasse Lula, mas que fosse completamente diferente.
O pior são as cópias ruins, como acontece na Venezuela.

Maduro é uma cópia ruim de Chávez?

Sim. Maduro quer copiar o estilo de Chávez, que era um personagem fora de série. É muito difícil quando isso acontece não por causalidade, mas por planejamento. Foi muito inteligente, portanto, que fosse uma mulher extremamente inteligente como é Dilma a escolhida para suceder Lula. Escutei que sua presidência foi reprovada pelo próprio partido pelo seu distanciamento com algumas pautas do programa original, o que também não deixa de estar certo. Os partidos ganham os governos e os governos precisam governar, mas os partidos não precisam imitar o governo. Os partidos têm a função de velar pelo programa que foi prometido para que se chegasse ao governo e ser a verdadeira ponte entre a sociedade e o governo. Na sociedade democrática, o partido é o que leva e o que trás. No Brasil, isso se fraturou nos últimos tempos, gerando essa crise atual.

Alguns críticos do PT dizem que Lula errou ao escolher Dilma. Mais ainda: que ela só foi escolhida sucessora porque, na cabeça dele, ela seria facilmente manipulada.

Não posso acreditar nisso. Cada pessoa tem uma personalidade para tomar decisões. Isso seria subestimar a figura da presidenta e do próprio Lula.
O que houve foi uma transição inteligente, porque quando há um governante com uma personalidade muito forte, como Lula, é difícil substituí-lo. Não é apenas o caso do Brasil, mas de vários países latino-americanos.
É preciso encontrar uma forma de perpetuar a ideia, porque as pessoas guiam as ideias, mas as ideias são mais importantes. Ou as causas. A orientação e o programa de um partido que busca alguns objetivos são cruciais, e eu tenho percebido, por meio de alguns militantes do PT, que houve certo desvio em relação ao programa do partido para o segundo mandato. Capaz que esse seja um dos problemas, ainda que não seja algo que fira a ética de Dilma. É apenas um erro político. O impeachment de Dilma não é a mesma coisa que houve com Fernando Collor de Mello.

Do Calle22
No Desacato
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Globo promete cobertura tautista das Olimpíadas


Metalinguagens e efeitos visuais tautológicos dominaram a cobertura do programa Fantástico do último domingo sobre as Olimpíadas Rio 2016, com a mesma estética apoteótica das transmissões do Carnaval, dando o tom geral da cobertura da emissora. Mais do que mau gosto, é a evidência do “tautismo” (autismo + tautologia) crônico da Globo nos anos recentes. Para uma emissora que se fechou em si mesma como reação à crise de audiência e a concorrência das mídias de convergência, não existe mais mundo externo: as Olimpíadas só acontecem no Rio para que a Globo possa transmiti-la. E o auge do tautismo é quando jornalistas começam a entrevistar outros jornalistas da própria emissora. Para a Globo, a cobertura jornalística em si é mais importante do que o próprio evento e os relatos das emoções de seus apresentadores é mais dramático do que as dos próprios atletas.

Em pouco mais de uma hora da cobertura dos preparativos para o início das Olimpíadas no Rio no programa Fantástico, um terço do tempo (algo em torno de 20 minutos) foi dedicado a um exercício de metalinguagem: a Globo falando dela mesma sobre como vai cobrir o evento. O ápice da contínua auto-referência foi quando um jornalista entrevistou outro jornalista da própria emissora.

O restante do tempo, a emissora nada mais fez do que transformar o evento em uma espécie de suíte da pauta do seu telejornalismo da últimas semanas: a suposta ameaça de terroristas brasileiros de uma “célula amadora” (segundo o ministro da Justiça Alexandre de Moraes) e o escândalo do esquema de dopagem generalizada de atletas russos.

A novidade foi a mudança de humor e atmosfera da cobertura jornalística: uma pauta pra lá de positiva, bem diferente da Copa do Mundo de 2014 com denúncias de arenas superfaturadas, previsões sombrias sobre um possível caos nas telecomunicações e obras de infraestrutura que jamais seriam inauguradas.

A mudança da pauta da grande mídia: da Copa negativa às Olimpíadas positivas

Dessa vez, haverá legado olímpico (a infraestrutura de transporte do Rio de repente passou a funcionar), bem diferente da Copa onde tudo era reportado como um grande gastança de dinheiro público. Agora o pensamento é positivo e patriótico. Afinal, a torre de marfim do estúdio da Globo está no Parque Olímpico. Por isso, repetir o baixo astral da Copa não vem ao caso.

O que é “tautismo”?


Tudo isso evidencia que a TV Globo fará uma cobertura tautista (autismo + tautologia) do evento olímpico, confirmando a tendência dos últimos anos que coincide com a sua queda vertical de audiência. Autista porque a linguagem começa a misturar elementos de ficção e não-ficção onde a cobertura torna-se mais importante do que o próprio evento; e tautológico pela lógica auto-referencial onde as fronteiras entre o “dentro” e “fora” começam a desaparecer.

Tautismo é um neologismo criado pelo pesquisador francês Lucien Sfez para designar o que ele chama de “comunicação confusional”: traço dominante contemporâneo onde o processo comunicacional teria se tornado um diálogo sem personagem. Só leva em conta a si mesmo, isto é, a comunicação como o seu próprio objeto.

Seguindo o paradigma dos estudos sobre sistemas dos pesquisadores Varela e Luhumann, para Sfez o tautismo é o resultado da hipertrofia de sistemas que de tão grandes e complexos começam a se auto-organizar e fechar em si mesmos — “auto-organização” e “fechamento”, como chamado nos estudos sistêmicos — sobre isso leia SFEZ, Lucien. Crítica da Comunicação. São Paulo: Loyola, 2000.

Por “fechamento” entende-se o momento no qual quando o sistema troca informações com o mundo externo, qualquer dado exterior é traduzido por uma descrição que o sistema faz de si mesmo.


Da metalinguagem ao fechamento operacional


A TV Globo sempre abusou das metalinguagens como forma de demonstração do seu poder tecnológico e financeiro em relações às concorrentes. O estardalhaço com que falava da câmera nos trilhos sobre os boxes do autódromo de Interlagos ou da sua câmera exclusiva nas transmissões das copas do mundo sempre foi para a emissora uma prova inconteste do seu monopólio das comunicações no País.

Embora ainda a TV Globo mantenha o seu poder econômico graças a sua estratégia de BV (Bônus por Volume) para garantir a maior parte do bolo das verbas publicitárias, seu poder simbólico vem decrescendo com a crescente queda de audiência e a concorrência das tecnologias de convergência e Internet.

Como um sistema de comunicação que cresceu, tornou-se hegemônico e complexo com seus interesses e ingerências na política brasileira, a Rede Globo começa a expor as características de todo sistema: buscar a todo custo o equilíbrio, prevenindo que qualquer informação que venha do ambiente exterior possa desestabilizá-lo. Isso se chamaria “fechamento operacional”.

Por isso, diante das novas condições políticas (parcialmente resolvidas com o afastamento da presidenta Dilma e o sucesso do afastamento do PT do poder) e tecnológicas (ainda não resolvida com o ameaça das redes sociais, blogs e dispositivos móveis) a Globo radicalizaria esse processo de fechamento para tentar expurgar qualquer evidência de decadência.


O destaque dado à “célula amadora” brasileira supostamente cooptada pela Internet como ameaça terrorista real torna-se uma tradução do mundo através da projeção de uma descrição que a Globo faz de si mesma: transformou-se numa pauta obrigatória das Olimpíadas, para provar como a Internet e novas tecnologias seriam, em si mesmas, criminógenas — vício, pedofilia, violência de torcidas de futebol, golpes cibernéticos etc. 

 Mas o momento culminante desse autismo e recorrente auto-referência é quando jornalistas entrevistam outros jornalistas do próprio grupo — o repórter José Burnier “entrevistou” o locutor Galvão Bueno sobre suas impressões de décadas cobrindo olimpíadas.

Jornalistas entrevistando outros jornalistas sempre foi um fato corriqueiro em coberturas extensivas como Copa do Mundo e Olimpíadas: sem notícias novas, inventam-se pautas para encher buracos da programação.

Mas nos tempos recentes da Globo isso vai além: transforma-se em tautismo. Por exemplo, no programa Estúdio I do canal Globo News tornou-se corriqueiro a apresentadora Maria Beltrão e seus comentaristas entrevistarem repórteres do jornal O Globo — nos últimos dias abordando os temas da violência no Rio e a ameaça terrorista no Brasil. O que contradiz qualquer parâmetro de uma suposta objetividade que o jornalismo sempre prezou.

A natureza tautológica, auto-referencial e de circularidade fica exposta: o repórter apenas confirma a pauta que ele já conhece de antemão da redação do programa que o entrevista.


Efeitos visuais tautistas


As imagens aéreas do Globocop (o helicóptero da emissora) do Parque Olímpico, mostravam o estúdio da Globo como edifício central do complexo esportivo.  O tom apoteótico dos apresentadores produziu o mesmo efeito das coberturas do desfile das escolas de samba no Sambódromo: assim como o Carnaval, também as Olimpíadas só acontecem para que a Globo possa transmitir.

Mas esse efeito apoteótico como um samba enredo do Carnaval não fica apenas por aí. Os efeito visuais em chroma acrescentam mais um elemento tautológico no tautismo da linguagem global. A função dos antigos “selos” (composição de elemento gráfico que identifica editorias ou temas da pauta do telejornal) na linguagem telejornalística, que sempre se posicionavam atrás do apresentador, agora pulam para frente, no meio do estúdio em efeito 3D.

Se o tema é vôlei de praia, aparece areia no estúdio com um jogador preparando uma cortada na rede. Apresentadores e convidados se esforçam em tornar orgânico o efeito, mas sem sucesso. O efeito não é informativo, mas de mera repetição ou saturação semântica semelhante aos efeitos neobarrocos das coberturas de carnaval.

O mesmo ainda acontece com as chamadas “mesas táticas” de futebol (agora evoluindo para “piscinas táticas” e “quadras táticas”) onde do didatismo também pula para a redundância daquilo que o comentarista já havia dito durante a partida.

A função geral não é mais informativa — sistemas tautistas se tornam cegos ao mundo externo; aliás, o lado de fora só existe para confirmar o que já está dentro.

A função é tautológica e, mais além, ideológica. Desde os tempos da estética Hans Donner, o futurismo das bancadas de telejornais da Globo que pareciam naves espaciais procurava criar uma atmosfera de tecnologia, neutralidade e transparência — no senso comum, tudo que soa a “científico” e “tecnológico” é neutro e confiável.

Essa continua sendo a função ideológica tanto do estúdio de vidro da Copa do Mundo como a atual torre de marfim no Parque Olímpico, repleta de efeitos de chroma e holografia: criar a aparência de objetividade jornalística, mesmo que seja através de uma estética tautológica e apoteótica como um samba-enredo no Sambódromo.

Wilson Ferreira
No Cinegnose
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Venezuela rechaza supuesto vacío en presidencia pro tempore de Mercosur


El Gobierno de Venezuela manifestó este martes su rechazo hacia las acciones de los gobiernos de derecha de Argentina, Brasil y Paraguay, aliados para atacar al Gobierno Bolivariano por medio de cuestionamientos sobre el cumplimiento de la normativa del Mercado Común del Sur (Mercosur) en relación con el traspaso de la presidencia pro tempore.

A través de un comunicado emitido por el Ministerio para Relaciones Exteriores venezolano, se reitera el repudio "a la invención de una fraudulenta tesis, sin soporte en el Derecho, para enmascarar tan ilegal proceder expresado en el falso supuesto de vacío en la Presidencia Pro Témpore; que ejercemos legalmente a partir del día 29 de julio del corriente, con sus deberes y derechos, tal como fue oportunamente comunicado a los Estados Partes mediante Nota PPTV 01/2016".

Asimismo, en el texto se alerta sobre la intención de  "reeditar una suerte de Operación Cóndor contra Venezuela, que hostiga y criminaliza su modelo de desarrollo y democracia".

Lea a continuación el texto íntegro.


No teleSUR
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Sol sem manchas pode significar início de mini era glacial

Nos últimos sete dias as manchas solares simplesmente desapareceram.

As manchas solares são áreas de intensa atividade solar por onde são irradiadas imensas tempestades magnéticas de altíssima energia. O poder destas irradiações afeta diretamente a Terra e o seu clima.

Há séculos sabemos que a cada 11 anos alternam-se períodos de grande intensidade de solar, onde as manchas estão bem desenvolvidas, com períodos de baixa atividade.

O fenômeno que estamos observando hoje parece se assemelhar com o que ocorreu entre 1.645 e 1.700, quando as manchas solares, que em média são de 40 a 50.000 foram reduzidas para apenas 50.

Foi um período de intenso frio na Terra, uma mini era glacial que deixou os rios europeus como o Tâmisa (pintura de 1677) completamente gelado, causando grandes perdas econômicas, a destruição da produção agrícola e a fome.

O desaparecimento das manchas solares por uma semana parece indicar, aos astrônomos, que estamos próximos de um novo Solar Minimum, quando ocorrem longos períodos de resfriamento: as eras glaciais e as mini eras glaciais.

O fenômeno vem sendo observado nos últimos anos e muitos cientistas começam, agora, a acreditar em um período de resfriamento global.

O assunto é apaixonante e está dividindo os cientistas.

Muitos apostaram todas as fichas no aquecimento global e não conseguem aceitar um mundo sem ele...

Deixaram de ser cientistas para serem lacaios de ideias preconcebidas.

Já a ausência das manchas solares de hoje parece estar apontando, inequivocamente, para um período de baixíssima intensidade magnética no Sol. Este processo deve continuar nos próximos anos até mudar drasticamente o clima terrestre, como o que ocorreu em 1.700.

Alguns astrônomos já marcaram a data do início da mini era glacial para 2019-2020.

Entre hoje e 2019 as manchas solares e as tempestades magnéticas ficarão mais raras: será mais um Solar Minimum quando a Terra receberá menos energia solar.

Veremos menos interferências nas telecomunicações, ausência de auroras boreais, menos problemas em satélites e, obviamente, frio, muito frio.

O período de congelamento vai durar um mínimo de 3 ciclos solares (30 anos).

Tudo leva a crer que a Terra, com essa mini era glacial, terá uma nova chance e que as piores previsões sobre o aquecimento global não passarão de um sonho ruim.

No Pravda
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Estado, Direito e Análise materialista do racismo


Conferência do professor Sílvio Luiz de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, promovida pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos, em 30 de junho de 2016.

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“Preto” ou “negro”? O vídeo viral que levantou um debate semântico




Qual o palavra correta para se referir aos, digamos, afrodescentes, “negro” ou “preto”? Embora a primeira seja usada corriqueiramente, inclusive em documentos oficiais e acadêmicos, para o músico e ativista ganês radicado no Brasil Nabby Clifford, “preto” é o único termo aceitável.

“Um país, o Brasil, usa palavras como lista negra, dia negro, magia negra, câmbio negro, vala negra, mercado negro, peste negra, buraco negro, ovelha negra, a fome negra, humor negro, seu passado negro, futuro negro. Não deveria chamar uma criança de negro (…). Pega o dicionário de língua portuguesa, está escrito: negro quer dizer infeliz, maldito. Brasileiro quando valoriza alguma coisa não fala negro, ele fala preto.”

“Ele não come feijão negro, come feijão preto, o carro dele não é carro negro, o carro dele é carro preto, ele não toma café negro, toma café preto, a fome é negra, quando ganha na loteria, ganha uma nota preta. Se branco não é negativo, preto também não é negativo.

Mas negro não, negro é palavra 100% negativa, e atrasa, isso causa morte, causa miséria, doenças. Já que o mundo mudou, vamos mudar nossa linguagem também”, diz Clifford, em um vídeo que está com quase seis milhões de visualizações na página TupiVox no Facebook.

A repercussão do vídeo provocou elogios mas também dúvidas a respeito de qual palavra seria a mais adequada.

Uma pesquisa rápida sobre a militância racial permite ver que o termo “negro” e usado amplamente. Coletivos e grupos organizados assumem a palavra no nome e em textos. Por outro lado, é crescente o uso de “preto”, embora a palavra soe estranha a quem está fora da militância.

Em busca de respostas mais consistentes, recorri à amiga e ativista Mirtes Santos, do Coletivo Negrada. “Os negros que não estão no movimento e não compreendem o que o Clifford falou repudiam o ‘preto’, pois a palavra sempre foi usada como forma de agredir a identidade negra. O termo preto está sendo ressignificado”, explica Mirtes.

Contudo, esse processo não implica na repulsa à palavra “negro” nos moldes que os norte-americanos fizeram com “nigger”. A “n-word”, como eles chamam, era usada corriqueiramente, mas com o avanço das lutas dos movimentos pelos direitos civis foi desconstruída a ponto de se tornar tabu.

Talvez isso não venha a acontecer no Brasil, para desgosto de Clifford. O mais provável é que as duas palavras coexistam, porém sem a carga negativa que o racismo estrutural incrustou.

Inclusive, expressões como “dia de preto”, “coisa de preto” ou “a coisa está preta” mostram que a palavra “preto” pode sim ser usada para perpetuar conceitos racistas.

E por mais que a palavra seja ressignificada e tenha seu sentido empoderado, dependerá do contexto para transmitir a mensagem completa, como mostram esses dois tweets que achei enquanto pensava no texto e via Lewis Hamilton vencer o GP da Alemanha.

“E mais uma história de um preto que vence! Parabéns Lewis Hamilton…”;  “na boa nunca vi um preto tão charmoso, deve ser o unico tbm né .. Lewis Hamilton”

O primeiro é um exemplo do uso inofensivo e empoderado de “preto”. Já o segundo, nem precisou de termos pejorativos para transbordar racismo.

Marcos Sacramento
No DCM
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Sergio Moro desabafa sobre os insucessos do caso Banestado


Decidindo sobre últimos recursos do caso Banestado, entre os anos de 1996 e 1997, de remessa de mais de R$ 2 bilhões ao exterior, com a condenação carimbada pela primeira instância há quase 12 anos, o magistrado do Paraná, Sergio Moro, revela toda a insatisfação e críticas ao sistema penal, que permite recursos e instrumentos de defesa.

O caso de evasão de divisas e um dos maiores crimes financeiros da história atual do Brasil, que pelo caminho natural dos processos saiu das mãos e controle do juiz do Paraná, após as sentenças de 2004, expõe as razões que levaram Sergio Moro a hoje enfrentar garantias de defesa asseguradas pelo Código Penal.

"Há algo de errado em um sistema criminal que leva tanto tempo para produzir uma condenação definitiva", manifestou o magistrado, ao receber autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para executar a pena de prisão de Aldo de Almeida Júnior, ex-funcionário do Banco do Estado do Paraná e um dos principais condenados entre agentes públicos no grande esquema criminoso.

Moro foi o responsável na primeira instância por julgar o processo do Banestado, que apurou fraude de, pelo menos, R$ 2.446.609.179,56, entre 1996 e 1997, via recursos para fora do país, por meio de contas de residentes no exterior. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi recebida no dia 6 de agosto de 2003. Moro levou menos de um ano para condenar 14 ex-funcionários do banco por evasão de divisas e quadrilha.

Mas, a partir daí, apenas doi condenados não recorreram da sentença. No caso de Gabriel Nunes Pires Neto e José Luiz Boldrini, transitando em julgado, suas penas já foram, inclusive, executadas, para contentamento de Sergio Moro. 

Mas os demais réus, apoiados em seus direitos de defesas, entraram com recursos, a que o juiz do Paraná caracteriza como "protelatórios", ou seja, com o único objetivo de estender as penas, em tentativas de prescreverem.

Os réus recorreram ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que os absolveu dos crimes de quadrilha, mantendo a condenação por fraude e evasão de divisas, entre fevereiro de 2006 e junho de 2008. O TRF-4 também reduziu a modalidade de prisão para o semiaberto.

"Quase vinte anos desde os crimes. Quase doze anos desde a sentença de primeiro grau. Desde o acórdão no TRF4, em 2008, no qual houve redução das penas, foram interpostos somente recursos de caráter protelatório pelas Defesas, o que levou ao reconhecimento da

prescrição para boa parte dos condenados. Aliás, entre 2014 e 2015, só não houve trânsito pela insistência da Defesa em recurso sabidamente inadmissível. A única vitória desde então a prescrição parcial", disse Moro.

O juiz do Paraná confessa que a exposição no despacho é "um desabafo".

Para o caso em questão, Aldo de Almeida teve a pena fixada de cinco anos e dez meses. Ao contrário do que vem ocorrendo nos processos da Operação Lava Jato, em que instâncias superiores tendem a confirmar as condenações das Justiças Federais, para o caso do Banestado muitas defesas dos réus tiveram recursos admitidos.

Do total, por exemplo, sete condenados conseguiram a extinção da pena pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em março de 2013, por prescrição devido ao tempo transcorrido. A decisão livrou Sergio Eloi Druszcz, Oswaldo Rodrigues Batata, Milton Pires Martins, Clozimar Nava, Alcenir Brandt, Altair Fortunato e Onorino Rafagnin.

Entre os que não conseguiram a extinção, Aldo de Almeida Júnior teve a sua pena confirmada pelo STJ, sendo preso na 12ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Mas o seu advogado apresentou um novo Habeas Corpus no STF. O ministro Edson Fachin negou o recurso, a que Moro chamou de tentativa de "obstaculizar a prisão" e o caso voltou para Curitiba.

O réu fez um novo pedido de defesa, garantido pelo Código Penal. Alegou que a idade elevada do condenado e as razões de saúde justificariam um "indulto humanitário", que é o perdão da pena.

"Não houvesse o condenado e sua Defesa atrasado, com recursos protelatórios, o trânsito em julgado desde pelo menos 2008, certamente não teria o condenado idade tão elevada para cumprir a pena. Não parece a este Juízo que, quem deu causa ao problema, deve dele beneficiar-se, máxime diante da elevada gravidade em concreto dos crimes pelos quais foi condenado", desabafou Moro.

No despacho de fevereiro, Sergio Moro disse que a decisão cabia à 12ª Vara Federal, com os juízes Carolina Moura Lebbos e Danilo Pereira. Em abril, a juíza não aceitou o pedido de perdão da pena, mas cedeu o direito de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Arquivo


Patricia Faermann
No GGN
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Manual Prático do Filósofo Amador #2


Séries de TV e Filósofos Pop: A prática do conforto em ver e ouvir o que queremos

Hoje todo mundo está falando de Stranger Things, ontem todo mundo estava falando de Game of Thrones, Breaking Bad, Narcos. Hoje todo mundo está falando de Leandro Karnal. Ontem todo mundo estava falado de Mario Sergio Cortella, Clóvis de Barros Filho, Bauman, Slavoj Žižek. Duas coisas diferentes, seriados de tv e filósofos e intelectuais, que se unem por dois fios mágicos: o modismo e o tempo.

Séries de TV e filósofos pop ão duas febres era da informação. Nos anos 80 / 90 quando você assitia a Super Vicky, Alfie, o ETeimoso ou Twin Peaks, podia comentar apenas com seus vizinhos e amigos. O SBT foi para nós o que o Netflix é hoje, exibindo em versões dubladas DKS a fina nata das produções americanas (Super Vicky hoje seria politicamente incorreta por apologia do trabalho infantil, mas isso é outro assunto). Do mesmo modo os gurus do pensamento moderno manifestavam-se ou em programas de televisão (o Roda Vida já existia naquela época) ou quando um livro “viralizava” e todo mundo comprava ou tirava xerox (lembro do boom de A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda e de As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano). As modas eram orgânicas, a informação corria lenta, as coisas demoravam a grudar na nossa cabeça e as as fitas VHS embolavam.

Você não deve conhecer essa imagem, ela vem dos primórdios do universo das séries.
Sem nenhum saudosismo, o que acontece hoje é muito mais interessante. A troca alucinante de conceitos só atordoa quem já é atordoado por natureza. Para quem sabe selecionar o que quer a era da informação é uma dádiva e por magia nenhuma eu sinto vontade de voltar a reviver aqueles cortes de cabelo horrorosos nem ter que baixar música num pen drive de 500 e poucos megabites.

Mas isso tem um preço. O tempo. Não temos mais tempo de ler Kant, nem de sapear pela TV ou perambular pelas videolocadoras (fui dono de uma, sei bem com era). Precisamos do alívio imediato contra a falta de tempo, seja do tempo intelectual ou do tempo de entretenimento.

Tempo e episódios do Netflix — você realmente quer assistir a mais um capítulo?

Quando digo que não temos tempo, não é metáfora. Não temos. Nossa sociedade atual foi privada, em nome da produtividade, do tempo contemplativo (o ócio criativo de Domenico De Masi). Acabou o estudar pra se formar, acabou o bater papo na porta da rua, acabou o “depois eu faço”, acabou. Diploma não salva ninguém, perder tempo se tornou sinônimo de atraso, cultura não é mais um bem absoluto. Precisamos saber mais e desconsideramos a equação que nasce tatuada em nossa nuca:

A quantidade de conhecimento do mundo será sempre maior que o nosso tempo de vida no mundo.

Somos um exercício completo e sublime de frustração. Se você possui uma biblioteca, não vai viver para ler todos os livros dela. Não vai viver para ouvir todas as discografias, nem provar de todas as receitas, amar todas as pessoas legais de serem amadas nem irá conhecer todos os lugares do mundo. É um pensamento cristalino sobre o qual despejamos o entulho cinzento da ilusão de conexão. E quando recebemos na cara o tapa do tempo corremos atrás de atalhos.

Byung-Chul Han (guarde o nome desse cara, ele será em breve o que Bauman é hoje) filósofo sul-coreano de formação alemã, descreveu com precisão e comedimento a nossa paranoia de falta de tempo no pequeno grande livro A Sociedade do Cansaço. Corremos demais, trabalhamos demais, giramos demais a roda do capitalismo pobre e da democracia desgastada em nome da modernidade, do comprometimento com a produção. Precisamos de ideias fáceis de digerir, modelos binários de sim ou não, esquerda ou direita, ocidental ou oriental, fácil ou difícil; caso contrário perdemos as estribeiras e contemplamos a coisa mais horrenda que a nossa sociedade pode conceber, o tempo livre sem pertubações.

Leandro Karnal, o cara do momento (espere até aparecer outro)
Assisti noutro dia uma entrevista do Leandro Karnal onde ele dizia que muita gente o importunava por não estar fazendo nada, somente lendo. Ora, mas para ele, intelectual com todas as letras, ler é parte do da profissão. Parar para refletir é a enxada do filósofo / pensador / intelectual. Foi “fazendo nada” que Newton teve seu insight sobre a gravidade. Foi “fazendo nada” que Kant escreveu Os Devaneios do Caminhante Solitário. Foi “fazendo nada” que Pablo Picasso pintou Guernica, que Santo Agostinho escreveu Confissões e que muitos outros encontraram a grandeza do pensamento e da arte. Somos acostumados pela lógica do animal laborans (analisado com perfeição por Hannah Arendt) a pensar que fazer nada é perder tempo. A febre dos novos filósofos é uma alegoria da nossa falta de tempo para pensar na vida, precisamos que alguém pense nela por nós. Vivemos como o Coiote do desenho animado do Papa-Léguas, que corre atrás de um objetivo tão certo que não percebe o abismo debaixo dos pés. Quando vemos alguém se pronunciar com calma e certeza sobre assuntos dos quais não temos tempo para analisar, não importa se essa opinião é verdadeira ou falsa: aplaudimos. Aplaudimos os intelectuais que podem fazer o que não podemos, contemplar o tempo, assistir a vida de modo crítico, refletir sobre coisas que deveríamos refletir, mas que deixamos de lado em nome da comodidade.


O Netflix é um outro exemplo da nossa pouca intimidade com o tempo. Basta um aparelho próprio, conexão com internet estável, um sofá e um dia cansativo para seguirmos a série que desejamos seguir. Sempre buscamos preencher o tempo com ficção, seja um filme, um romance ou um desenho na parede da caverna. O Netflix é o Decamerão da nossa época.

O segredo do Netflix não é apenas pelo catálogo de produções (a empresa cria conteúdo de qualidade, mas no que se refere a um catálogo de filmes ela é bem pobre, pelo menos por enquanto), mas a relação de conteúdo x tempo. É o entretenimento disponível para o tempo que eu tenho disponível. Se quero ver o novo filme iraniano do momento terei que arranjar tempo para ir a um cinema cult ou festival. Sem ter esse tempo disponível posso me contentar com a nova comédia de Adam Sandler (é uma generalização, eu sei). Posso aprender sobre política brasileira com algumas horas diárias de leituras ou repetir o que o Olavo de Carvalho diz (é horrível, eu sei). Atalhos algumas vezes nos jogam no buraco.


Intelectuais pop, gurus do mundo hightech e mestres de auto-ajuda são como um Netflix de conceitos disponíveis para consumação imediata. Até o Medium pode ser visto como um Netflix do “Como eu fiz tal coisa e me tornei tal coisa”. A filosofia compartilhada nas redes sociais nos poupa o tempo de abrir A Crítica da Razão Pura e meditar contemplativamente num bosque ou numa biblioteca. Isso é um problema? Não. Usando nosso tempo livre para ver mais um episódio da série do momento ou para compartilhar um vídeo de um pensador da moda, estamos replicando padrões de comportamento que nos darão segurança. O que é definitivamente perturbador é que não possamos usar o tempo livre para nada. Pensar sem a pressa de mais um episódio ou sem o aval de um intelectual da moda abre espaços para a repetição de coisas as quais não sabemos ao certo se são verdadeiras ou não. Atalhos funcionam quando conhecemos o caminho, de outra maneira são apenas trilhas e trilhas nem sempre vão dar onde queremos chegar.

Precisamos de pausas, vazias, puras, incertas, sem compartilhamentos, episódios ou sentido claro. Uma pausa consciente que não seja o sono (nossa pausa biológica e que ainda assim não é uma pausa no sentido completo do termo).

Ninguém senta-se no sofá e olha para a parede e pensa no vazio existencial, mas deveria. Tudo começa com o vazio. Tempo para pensar em nada, parar pelo prazer de parar, sem omitir uma opinião sobre isso, esperar o fluxo da vida lhe trazer coisas sublimes, ou terríveis. Não deveríamos temer o vazio do tempo, mas amá-lo como gênesis de tudo o que há de belo no mundo. Nossa preocupação em saber, conhecer e assistir mais e mais conteúdos consome a mais elementar característica de um ser humano pleno: a reflexão. Reproduzimos muito, refletimos pouco e reprodução sem reflexão é apenas eco de uma voz que não é nossa reverberando pela caixa oca de nossas cabeças.

Link:

O Continental Philosophy reúne num único site os melhores vídeos de filósofos agrupados por temas: http://continentalphilosophytube.com/

O Manual Prático do Filósofo Amador sai toda terça-feira com um combo de texto + um link sobre a aventura de pensar. Compartilhe, comente, faça parte do debate.

Valter Nascimento

Acompanhe também:

Manual Prático do Filósofo Amador #1

Manual Prático do Filósofo Amador #3
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