1 de ago de 2016

O detalhe que falta a Temer

A mídia insiste em diplomar o interino com "boas notícias", mas o governo é só trapalhada

Com o início caótico do governo, a perplexidade assombrava os amigos de Temer
Com o governo provisório no terceiro mês e uma perspectiva cada vez maior de permanência, a lua de mel de Michel Temer com os integrantes da aliança que o levou ao poder atravessa seu melhor momento. Parecem todos felizes.

Especialmente após um fim de semana em que a “grande imprensa” os presenteou com boas notícias, oferecidas de bandeja pelo instituto Datafolha, do jornal Folha de S.Paulo. Há maneira melhor de acordar no domingo e saber que “cresce o otimismo com a economia”, como garantiu o matutino em manchete? Ou de ir dormir assistindo ao programa Fantástico, da TV Globo, e ouvir que “metade dos brasileiros prefere o presidente em exercício à presidente afastada” e que “para 50% dos entrevistados, Michel Temer deve continuar no mandato até 2018”?

Foi quase uma diplomação. Há força maior do que a Globo declarar que “Temer deve continuar”, escolhendo um verbo imperativo que sequer constava do questionário da pesquisa? Os senadores que entendam a instrução...

Com o início caótico do governo, a perplexidade assombrava os amigos de Temer. De trapalhada em trapalhada, ele e equipe estavam acabando por fazer o que parecia impossível, recuperar a imagem de Dilma Rousseff. Depois de tanto esforço para destruí-la, do enorme custo que sua derrubada representou para o Brasil.

Os envolvidos no impedimento de Dilma precisavam de um alento, para consumo interno e internacional. De algo que sugerisse que o governo interino dispunha da confiança da população e do mínimo de legitimidade que se exige nas sociedades democráticas modernas.

E, como não tinham “boas notícias” de verdade para oferecer, inventaram algumas.

Apesar do otimismo do Datafolha, no mundo real as expectativas a respeito da economia continuam muito negativas. Seja em relação à inflação, seja ao desemprego, a vasta maioria das pessoas olha para o futuro com apreensão. É o que mostram as pesquisas e é para onde apontam os indicadores objetivos. O mercado imobiliário está estagnado e patina a compra de bens duráveis. Por receio, as pessoas não querem se endividar.

Tais sentimentos decorrem do longo processo de construção da ideia de que “estamos em crise”, ao qual os partidos que voltaram ao governo com Temer, o empresariado e a mídia se dedicaram nos últimos anos, mais especificamente, desde o primeiro semestre de 2013. Fez parte do esforço para derrubar o governo do PT e foi bem-sucedido: as pessoas se convenceram de que “a crise é grave”.

Chega a ser cômico supor que, apenas dois meses depois de empossado, Temer fosse capaz de reverter essas expectativas, como a manchete da Folha sugere nas entrelinhas e como afirmou peremptoriamente a TV Globo: “Em fevereiro deste ano, com Dilma na Presidência, 72% acreditavam que a inflação ia subir. Agora, com Michel Temer, caiu para 60%”.

A realidade, como mostrou a pesquisa CUT/Vox Populi de junho, é outra. Temer chegou ao Planalto em meio a graves preocupações da população com a economia, em particular com o desemprego: 56% dos entrevistados disseram acreditar que o problema iria aumentar, além de outros 21% que afirmaram que “não iria mudar”. Em cada cinco pessoas, apenas uma imaginava que diminuiria.

O mesmo vale para a despropositada conclusão de que metade dos brasileiros acha que Temer “deve continuar até 2018”. Por razões que não explicou, o Datafolha deixou de fazer a pergunta relevante a respeito do que a população deseja como solução da crise política atual. Mas vários institutos a fizeram.

Na pesquisa CUT/Vox, 67% dos entrevistados responderam que “o Brasil deveria fazer uma nova eleição ainda este ano”. Também em junho, a pesquisa CNT/MDA indicou que 50% afirmaram que “a eleição para presidente (...) deveria ser antecipada para este ano”. Em abril, o Ibope já havia mostrado que 62% achavam que “a melhor maneira de superar a crise política” era “Dilma e Temer saírem e ocorrer nova eleição”.

De pouco adianta declarar que existem sentimentos inexistentes. Não é porque leem que as pessoas estão otimistas que elas mudam de opinião, esquecendo seu pessimismo. Não é porque a TV Globo decretou o que “deve” acontecer que elas passam a desejar aquilo que não querem.

O Brasil dessa pesquisa do Datafolha não é real. Como dizia Garrincha em sua frase inesquecível, para que fosse verdadeira, falta um detalhe: combinar com o povo.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Reforma trabalhista e o manual da Globo


O jornal O Globo em suas quatro páginas do “encarte” — E agora, Brasil? — na edição da quinta-feira, (28), rasgou ou rasurou os “Princípios editoriais das Organizações Globo”, solenemente apresentados aos leitores em 7 de agosto de 2011, assinados pelos três Marinhos.

Explico-me.

No “encarte”, o jornal editou o segundo encontro da série, realizado na terça-feira na Maison de France e promovido com o apoio da Confederação Nacional do Comércio.

O tema era a reforma da legislação trabalhista e os dois especialistas convidados — José Pastore e José Marcio Camargo — foram mediados pelos colunistas Merval Pereira e Miriam Leitão. Participou dos debates o “time de colunistas e editores de O Globo”, ou seja, os principais dirigentes responsáveis da edição do jornal.

De acordo com os especialistas foram destacados os “pontos (que) não podem faltar na reforma trabalhista”: terceirização, hora extra, arbitragem, demissões e justiça trabalhista. O encadeamento das posições e sua parcialidade foram espantosos. Basta mencionar, para esclarecimento, algumas das manchetes do “encarte”: “Mudar CLT vai ajudar o país a crescer”, “Justiça concentra negociação”, “Os absurdos que ainda sobrevivem na CLT”, “Terceirizar a produção é processo sem volta na economia” e “Empresários apontam urgência de reforma das leis”. Dois boxes afirmavam que o governo estuda privilegiar acordos e que a reforma na França é modelo. A cobertura fotográfica destacava os figurões presentes e a plateia acomodados elegantemente em mesas no ambiente faustoso.

O que o evento fez foi orientar o estado-maior da redação em uma única direção para que ele, por sua vez, determine as pautas de trabalho para os profissionais. Foi criado um “manual de redação” ideológico que diminuirá a necessidade de uso de coleiras e chibatas no dia a dia. Operação de pensamento único típico, já que não se cogitou o contraditório, escamoteado pelo “saber” dos especialistas, que têm lado reconhecido.

O Globo prevê grandes batalhas na reforma trabalhista, a serem travadas entre os trabalhadores, os empresários e o governo e procura “fazer a cabeça” daqueles que a seu serviço travarão a luta da informação; lava a jato cerebral.

Comparem tudo isto com: “O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. (...) As Organizações Globo terão sempre e apenas veículos cuja proposta seja conhecer, produzir conhecimento, informar. (...) Mas, se de fato o objetivo do veículo for conhecer, informar, haverá um esforço consciente para que sua opinião seja contradita por outras e para que haja colunistas, articulistas e analistas de várias tendências”.

Estes são alguns princípios editoriais das Organizações Globo que o convescote da terça-feira e o “encarte” da quinta-feira rasgaram ou rasuraram.

João Guilherme Vargas Netto
No Blog do Miro
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Nota Oficial do PT


O PT repele e desmente mais esta invencionice, sustentada por "fontes" anônimas, e reafirma seu compromisso integral na luta pelo retorno à Presidência da companheira Dilma.

O PT acredita que as mobilizações das Frentes e dos setores democráticos — que apoia e das quais participa — serão capazes de barrar o golpe contra a presidenta, que não cometeu nenhum crime.

E confia em que a maioria dos senadores e senadoras, na votação final, irá preservar os 54 milhões de votos e o mandato legítimo conquistados pela nossa presidenta.

Rui Falcão
Presidente nacional do PT
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Gilson Caroni Filho: O fascismo é a incapacidade de ser alguma coisa que mereça respeito


Chico Buarque é o melhor compositor brasileiro, um bom escritor e também dramaturgo. Sou de um tempo em que todos nós, homens e mulheres, o amavam.

Letícia Sabatella é excelente atriz, mulher combativa, sempre engajada, linda e corajosa. É capaz de aliar a conhecida determinação com uma ternura própria das pessoas despojadas.

Por que hoje ambos são agredidos? Por que tão hostilizados? Mudaram os tempos. Não mudaram os homens.

Apenas os imbecis, que antes ruminavam seus rancores isoladamente, foram encorajados a externar o ódio guardado no canto dos quartos onde ficavam, e ainda por lá permanecem quando não estão em bando.

Não odeiam Chico e Letícia apenas por pensarem diferente. O que os leva ao descontrole é ver nos dois a personificação do que jamais conseguirão ser: humanos que pensam, argumentam e se apaixonam por causas generosas. E isso é muito duro para quem não é nada.

O fascismo é a incapacidade de ser alguma coisa que mereça respeito.

Gilson Caroni Filho
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O trono de Aécio é monumento à corrupção


Me senti dentro das páginas do livro "Autoimperialismo", de Benjamin Moser, ao visitar Belo Horizonte, semanas atrás. No aeroporto de Confins, peguei um táxi rumo à Praça da Liberdade, no coração da cidade. O trânsito na rodovia fluiu bem por alguns quilômetros, até que tudo parou.

De repente surgiu à direita o imenso conjunto de construções brancas com vidros pretos, a Cidade Administrativa, uma aberração arquitetônica inaugurada no governo de Aécio Neves (PSDB), quintessência da chamada "arquitetura monumental" ou faraônica.

"Trata-se da mais cara obra do tucano nos oito anos em que permaneceu à frente do Estado, entre 2003 e 2010", informou a capa da Folha (26/6). Faltou dizer que além de "a mais cara de Aécio", é certamente uma das mais inúteis do Brasil desde a inauguração de Brasília, em 1960.

O custo total do "Palácio de Aécio", R$ 1,2 bilhão, correspondente ao orçamento inicial para a construção da linha 3 do Metrô de BH; seria suficiente para construir e manter um hospital de grande porte por dez anos; idem para centenas de escolas... O leitor pode eleger um milhão de coisas úteis para o povo de Minas que poderiam ser feitas com o R$ 1,2 bilhão que foi para o ralo.

Em que país democrático, no século 21, a principal realização de um governante poderia ser a construção de seu gabinete? Só no Brasil do "autoimperialismo". Há 50 anos, outro mineiro, alçado à Presidência, levou megalomania semelhante ao Planalto Central, com danos para a economia e a moral brasileiras até hoje.

Cito só um claro efeito negativo: longe das metrópoles, o poder não se submete à pressão popular. O ronco das ruas de verdade não chega aos palácios das cidades imperiais, exatamente porque elas são construídas longe dos centros vivos: os reis da França moravam em Versalhes, não em Paris; o imperador do Brasil morava em Petrópolis, fora do Rio; Juscelino levou os palácios para Brasília... Se a capital brasileira fosse o Rio, o grito das ruas teria forçado eleições diretas em 1984 e a queda de Dilma em 2013.

É preciso dar um desconto a Juscelino: 60 anos atrás, não se falava de poluição e aquecimento global. Não considerar isso no projeto de uma obra no século 21 é prova de irresponsabilidade ou desinformação doentia.

A impropriedade não se restringe ao custo bilionário da obra inútil: uma vez inaugurada, ela eterniza gastos imensos de energia, perda de tempo e emissão de poluentes com o deslocamento de pessoas até a pirâmide; congestiona vias e força a construção ou ampliação de novas artérias. No caso de Minas, são 30 mil pessoas forçadas a uma viagem diária de 20km para ir e voltar ao trono de Aécio.

E tudo isso por quê? A resposta veio nas semanas seguintes, nas notícias sobre a delação premiada do presidente da OAS e a auditoria da Andrade Gutierrez (Folha, 13/7): ambas dizem ter pago percentuais sobre os custos da obra.

Assim como a transposição do rio São Francisco, as hidrelétricas na Amazônia, as refinarias inacabáveis e tantas outras realizações surrealistas dos governos do Brasil recente, seu fim não é o que parece. A corrupção se autonomizou e submeteu todas as outras razões. A obra é feita para girar o caixa das empreiteiras. Depois, os "autoimperialistas" criam a desculpa. A Cidade Administrativa é um monumento à propina.

Leão Serva
No Esquerda Caviar
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Andrade Gutierrez tenta se antecipar à Lava Jato e mira em Aécio Neves

A gestão de Aécio Neves (PSDB) no governo de Minas Gerais (2003-2010) é peça de um quebra-cabeça que uma auditoria interna da empreiteira Andrade Gutierrez tenta montar. De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo ontem, a empresa vem tentando se adiantar às investigações da Operação Lava-Jato e vai apurar pagamentos de propina e irregularidades envolvendo as obras da Cidade Administrativa, que abriga a sede do governo, em Belo Horizonte. 

 Para tentar se antecipar à Lava Jato e evitar ser pega de surpresa, a empreiteira Andrade Gutierrez criou uma auditoria interna para apurar pagamentos de propina a agentes públicos, além de outras irregularidades envolvendo obras realizadas.

Entre os primeiros alvos da auditoria da empresa, que fez acordo de leniência com os investigadores, está a Cidade Administrativa, obra do arquiteto Oscar Niemeyer que abriga a sede do governo de Minas, em Belo Horizonte.

Inaugurada em 2010, a obra é a mais cara da gestão de oito anos do ex-governador e hoje senador tucano Aécio Neves (2002-2010), custando R$ 1,26 bilhão.

Segundo executivos da empresa, a apuração está dividida em duas etapas: antes e depois de a obra se iniciar.

A Cidade Administrativa apresenta, porém, uma dificuldade que outras obras delatadas, como a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e estádios de futebol não tinham: a maioria dos envolvidos no projeto não trabalha mais na Andrade Gutierrez.

Já é tido como certo entre os executivos do grupo que será um funcionário ou ex-funcionário até agora fora do grupo de delatores da empreiteira o responsável por falar sobre a obra mineira.

Alvo

A sede do governo mineiro se tornou alvo de apuração após advogados da empresa serem avisados por procuradores da Lava Jato que o grupo precisará complementar seu acordo de delação com informações sobre a obra.

O comunicado aconteceu há cerca de três semanas, mas até o momento nenhum colaborador falou sobre o tema.

Como a Folha revelou em junho, o sócio da OAS Léo Pinheiro acordou nas tratativas da delação que negocia com a Procuradoria-Geral da República que falará sobre pagamento de propina para auxiliares de Aécio Neves quando ele foi governador.

O repasse estaria associado à construção de um dos três prédios que integram a sede do governo, chamado Gerais. O tucano nega qualquer irregularidade.

A OAS integrou um consócio em conjunto com Odebrecht e Queiroz Galvão para erguer a obra. Já a Andrade participou de um consórcio com a Via Engenharia e a Barbosa Mello para fazer o edifício Minas. Ambos são anexos ao Palácio do Governo.

Outros focos

A auditoria interna também apura informações de outras obras, como a Ferrovia Norte-Sul, um projeto cuja história de corrupção começa em 1987, com o acerto das empresas que ganhariam a licitação. O tema já foi citado na delação da Camargo Corrêa, que mencionou pagamento de propina para executar a construção.

Segundo executivos ouvidos pela Folha, serão levantadas informações de todas as construções que estiverem sob a mira da Lava Jato.

Representantes dos delatores nos acordos homologados em maio deste ano relataram que a Cidade Administrativa não foi alvo de questionamento nos depoimentos prestados à Lava Jato.

No Amigos do Presidente Lula
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A Lava Jato e o Photoshop dos fatos


A politização do noticiário e da justiça criou o fenômeno conhecido da duplalinguagem. Há uma realidade de fato, mas que não pode ser descrita nas narrativas públicas, por pudor, modéstia e para não explicitar o fracasso do modelo democrático brasileiro.

Como no realismo latino-americano, há um cadáver no meio da sala, mas toda a família conversa normalmente, como se o morto ainda vivesse. De acordo com nossa tradição beletrista, não existem fatos que uma boa retórica não possa retocar. A retórica é o photoshop dos fatos.

A Lava Jato atua como um poder imperial. Montou alianças com a mídia e com partidos, logrou conquistar a opinião pública e ganhou todo o espaço possível para exercitar seus poderes. Isto é fato.

Procuradores e o juiz Sérgio Moro fazem questão de testar periodicamente os limites desse poder. Substituíram o modelo anterior, a profusão de recursos dos quais se prevaleciam os grandes escritórios de advocacia, por um poder autocrático, no qual são abolidos princípios fundamentais de direito.

Mas obviamente não podem admitir que se tornaram poder imperial.

Toca, então, a se valer de recursos de retórica para explicar que o que estão fazendo não é bem aquilo que todos sabem que estão de fato fazendo.  Como, por exemplo, manter suspeitos em prisão temporária pelo tempo que for necessário, até que sejam convencidos a aderir às delações premiadas.

Tome-se o caso do casal João Santana. Nove meses de prisão temporária. Bastou se curvar às imposições e aderir à delação premiada que a Lava Jato quer —  não é qualquer delação — para imediatamente ser solto. 

Há uma relação óbvia de causa e efeito, não? Segundo a Lava Jato, não.

Segundo a matéria do Estadão,  "o advogado explicou que as solturas não têm relação com os depoimentos de delação premiada dos dois, mas com o fato de o juiz ter entendido que não há mais razões para manter a prisão preventiva, uma vez que estão colaborando". E aí dos clientes, se o advogado ousar interpretação menos digna para a soltura.

Pelas redes sociais, bravos procuradores se esmeram em divulgar estatísticas mostrando que a maior parte das delações foi feita com os delatores em liberdade. Logo, não haveria coação.

Faça 50 prisioneiros. Fuzile os 10 primeiros que se recusaram a colaborar. As colaborações dos restantes serão espontâneas? Pela nova linguagem brasileira, absolutamente espontâneas.

Então, fica combinado o seguinte: a Lava Jato ganhou o poder de prender quem quiser do lado de lá; de poupar os do lado de cá. Por méritos próprios pode prender quem quiser, incluir nas delações os nomes de quem ousar criticá-la, processar os recalcitrantes.

Mas que se assumam como vitoriosos. Não precisam mais esse cuidado de informar aos poucos que a democracia brasileira subiu no telhado. Todos sabem que já despencou.

Luís Nassif
No GGN
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Temer: três meses de desmonte


Em 12 de agosto se completam três meses do governo interino de Michel Temer, o vice-presidente que tramou pessoalmente o afastamento de sua companheira de governo, Dilma Roussef. Não bastasse todo esse enredo de enganos e traições, que poderiam ser vistos no campo da moral como altamente questionáveis, o que definitivamente deveria preocupar os brasileiros são as medidas que vem sendo tomadas pelo interino desde que assumiu o comando do país.

Há quem diga que não há diferenças, que as políticas são as mesmas, tanto as do PT (partido da presidenta afastada), quanto as do PMDB ou do PSDB. Tudo farinha do mesmo saco, a serviço da burguesia nacional e das transnacionais, todos rendendo sacrifícios ao deus capital. Isso é uma meia verdade. Há sim semelhanças, e muitas. Mas também há diferenças, filigrânicas é verdade, mas que tem uma importância radical para quem as vivencia.   

Um exemplo concreto são as políticas públicas para as famílias empobrecidas, que nos governos de Lula e Dilma tiveram um incremento que poderia ser considerado grandioso a considerar que antes não havia nada. Olhando os valores investidos nessas políticas percebe-se que são poucos, ínfimos até, na comparação com os recursos que vão para pagamento da dívida, por exemplo. Mas, que, na vida concreta, no chão da existência, significam a diferença entre a vida e a morte para milhões de pessoas.

Sabe-se muito bem que a ideia de política pública é uma resposta do sistema capitalista às lutas dos trabalhadores, uma forma de amansar os ânimos quando os protestos e lutas sociais se aproximam dos portões do poder exigindo vida digna. Mas, também isso está recheado de contradições. Quanto mais o sistema cede, mais os trabalhadores avançam. E quando uma política pública se consolida como direito fica bem difícil um passo atrás. Essa é queda de braço permanente dentro de um sistema de exploração. E é a luta dos trabalhadores que provoca os avanços.

Quando o governo de Lula desenvolveu o Bolsa Família, que tirou da miséria mais de 40 milhões de pessoas, colocou em movimento esse mecanismo. Pessoas que viviam no abandono perceberam que tinham acesso a direitos e em dez anos do programa quase dois milhões ultrapassaram a linha da necessidade e devolveram o cartão, porque haviam conseguido sair do atoleiro da pobreza extrema. Um número pequeno, talvez, mas se concretizado em nomes, sobrenomes e CPFs, significarão vidas, universos, mundos, possibilidades de vida bonita. Uma gente que agora sabe ser sujeito de direitos. São mudanças minúsculas, mas que somadas, vão se agigantando e gerando novas formas de ser no mundo.

Outro programa que hoje já se vê sufocado no governo de Temer, o interino, é o Minha casa, Minha vida, no qual famílias de renda baixa puderam ter acesso a crédito barato na Caixa Econômica Federal, para financiar suas moradias. Um sonho acalentado por toda a gente, que é o de ter sua casinha própria, que se fez real para milhões de pessoas. Gente que nunca sequer pensaria em entrar numa agência da CEF. De novo, o acesso a um direito. Podemos tecer todas as críticas ao programa: as casas não são planejadas de maneira correta, os lugares são longínquos, passa-se muito tempo pagando, o material não é de boa qualidade. Tudo isso se questiona. Mas, uma coisa não se pode negar. Pessoas tiveram acesso à casa própria. Coisa que agora não terão mais porque a política de liberação de crédito mudou. Recursos só para moradias de classe média alta.

É fato que durante todos os anos de governo petista fomos implacáveis na crítica a essas políticas, justamente porque elas eram insuficientes, não que não fossem necessárias. Agora, com Temer, os empobrecidos não terão sequer as insuficiências. Então, não dá para negar que existem diferenças.  

Assim, em pouco mais de dois meses de governo, sob a batuta do PMDB, a mudança de perspectiva sobre quem é sujeito de direitos é visível. Os empobrecidos estão voltando a ser invisíveis para os que formulam políticas de estado. Não lhes restarão nem os parcos recursos da era petista. A eles, a letra fria da lei. Como no caso das famílias que estão sendo despejadas de suas casas, porque já não conseguem pagar os empréstimos. Há planos de mudanças nas leis trabalhistas, que significam perdas para os trabalhadores, há a reforma da previdência que também vai arrochar quem trabalha, há menos investimento nas áreas estratégicas para a população como a saúde e a educação, há proposta de emburrecimento das gentes como as que se consolidam na ideia da “escola sem partido”. É a volta da agenda neoliberal, sem pruridos e sem qualquer preocupação com a maioria da população.  

Do ponto de vista da macropolítica pouco se fala dos processos de corrupção, porque agora eles não mais interessam para a classe dominante. A famosa operação Lava Jato perdeu destaque na mídia e só volta á baila se tiver alguma acusação a mais contra os “petistas do governo”. A corrupção aparece como algo praticado unicamente pelos ditos “petistas” e isso já gerou um consenso na sociedade. A tal ponto que qualquer questão vinculada ao tema, mesmo que praticada por políticos de outros partidos, vira coisa do PT.

Não dá para negar que o PT contribuiu muito para que a situação chegasse onde está, nesse momento de destruição sistemática de políticas e direitos. Por isso mesmo é hora de os trabalhadores se reorganizarem para retomar a história nas mãos. As entidades sindicais ficaram por muito tempo domesticadas, esperando que o “governo dos trabalhadores” fizesse o trabalho que era delas. Não fez. Então já está mais do que na hora de sair do estupor. Não é possível que os trabalhadores fiquem assistindo de balcão o esfacelamento de políticas e de direitos.

É certo que esses são tempos sombrios, principalmente com a proximidade das eleições. Há muita confusão na cabeça de todos, alianças improváveis, desilusões, desesperanças. Ainda assim há que ter otimismo e organizar a luta para que venha um tempo melhor. Se não estava bom com o PT, tampouco está com Temer e é nossa responsabilidade como gente organizada construir propostas e lutas. Há um caminho e há projetos que conhecemos e que nos servem. É tempo de lutar.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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O fascismo enxuga o gelo

Grupos organizados de direita atacam páginas da mídia independente


A mídia independente é o verdadeiro termômetro da democracia em um país, e o seu alcance assinala essa perspectiva porque evidencia a quantidade de pessoas que procuram meios alternativos para se informar e ter uma visão mais ampla da realidade. Silenciar outros métodos informativos interessa somente a quem compactua com a padronização da notícia e, dessa forma, da opinião pública. Isso quer dizer: para quem quer ter domínio sobre a verdade.

Ter domínio sobre a informação possibilita não somente alienar as pessoas, como também ter vantagens econômicas e políticas, assim sendo, dar as principais cartadas no jogo do poder. Esse esquema está claro sob o prisma da Rede Globo, empresa que utiliza seu monopólio para alçar e derrubar presidentes no Brasil.

No entanto, não é somente ao grande poder que o incômodo se alastra. O ódio escondido sob a sombra do anonimato, se espalha e se organiza contra as mídias livres porque elas são porta vozes e representantes das mulheres, dos negros, dos LGBTs, dos indígenas, dos quilombolas, dos caiçaras, etc, daqueles que historicamente foram emudecidos pelo sistema do capital.

Atuar onde as fissuras sociais estão mais expostas é realmente muito arriscado, e a mídia livre quando se coloca nesse espaço fica à mercê desses ataques, que bravamente suporta, pois sabe ser alvo. Mas, quando a guerra memética é superada e armadilhas mais hábeis, com o poder de realmente aniquilar o veículo, são colocadas no jogo, o cenário se torna mais perigoso.

Nascido em 2013 o coletivo de mídia independente Mariachi teve recentemente sua página no facebook derrubada por grupos de direita organizados e coordenados, assim como a página "Contra O Golpe Fascista". É uma afronta à liberdade de expressão que se permita tais brechas contra páginas que exercem um papel tão importante para a sociedade.

O está no front dessa treta e acabou sendo acertado na batalha. Filho da mesma cena de 2013 que hoje consolida o midiativismo brasileiro, foi derrubado por grupos de direita organizados e coordenados. É uma afronta à liberdade de expressão que se permita tais brechas contra páginas que exercem um papel tão importante para a sociedade.

Os ataques em massa de grupos fascistas contra páginas no Facebook de mídia livre de esquerda só reforçam esse risco. Além disso, torna claro como o perigo do discurso de ódio está mobilizado para silenciar as vozes que destoam do discurso raso, de meras reproduções e chapa branca.

A visão limitada de quem trabalha somente para amordaçar o jornalismo ativista, não os permite enxergar que essas ações são simplesmente inúteis, pois não há retorno ao status quo. As redes abriram um universo ilimitado em que a notícia flui independente da grande mídia, e a imprensa livre é um canal dentre tantos outros que criam esse fluxo gigantesco e incontrolável de informação, para além das capas e manchetes no jornal.

Em miúdos: eles enxugam o gelo achando ingenuamente que um bando de fascistas vão silenciar a mídia independente, que não teme estar na linha de fogo de arma da polícia, imagina na de haters agindo no anonimato.

Laio Rocha
No Ninja
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Dilma diz que vai propor em carta pública plebiscito sobre novas eleições




A presidente afastada, Dilma Rousseff, disse à BBC Brasil que é preciso "lutar" pela realização de um plebiscito que consulte a população sobre a necessidade de uma eleição presidencial antecipada.

De dentro do Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência da República, ela elabora sua cartada final para tentar voltar ao Palácio do Planalto, sede do governo, a cerca de 5km dali - o feito hoje parece bastante difícil de ser alcançado.

Em entrevista exclusiva concedida na sexta-feira, ela contou que divulgará nesta semana os detalhes de sua proposta, em carta direcionada ao povo brasileiro e ao Senado.

Para tentar convencer ao menos 27 dos 81 senadores a votar contra sua cassação definitiva, Dilma vai se comprometer a apoiar a convocação de um plebiscito após seu eventual retorno ao comando do país.

"Estou defendendo um plebiscito porque quem pode falar o que eu devo fazer não é nem o Congresso, nem uma pesquisa, ou qualquer coisa. Quem pode falar é o conjunto da população brasileira que me deu 54 milhões e meio de votos", afirmou Dilma.

Além disso, também pretende comparecer pessoalmente para fazer sua defesa quando o caso for julgado pelo plenário do Senado, entre final de agosto e início de setembro.

"Eu quero muito ir. Depende das condições. Como o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, presidirá (o julgamento), acredito que haverá condições", afirmou.

Sua esperança é que a proposta de plebiscito sensibilize alguns senadores. Cristovam Buarque (PPS-DF), por exemplo, votou pelo afastamento da presidente, mas ainda não decidiu sua posição no julgamento. Ele tem defendido que a melhor saída para a crise seria a eleição antecipada. É a opinião também da maioria da população brasileira, segundo pesquisas recentes.

Para que a petista seja condenada, é preciso que 54 dos 81 senadores votem contra ela. O governo do presidente interino Michel Temer calcula ter cerca de 60 votos pela cassação de Dilma.

Dificuldade

A realização de um plebiscito depende de aprovação do Congresso — mesmo que Dilma consiga retornar à Presidência, não poderia convocar a consulta com uma mera canetada. Hoje parece muito difícil aprovar a proposta, já que a maioria dos parlamentares apoia Temer.

A presidente afastada reconheceu a dificuldade, mas ressaltou que é necessário apenas o apoio da maioria simples dos congressistas (metade dos presentes na sessão) para convocar um plebiscito.

No entanto, como antecipar a eleição exige uma mudança na Constituição, muitos juristas e parlamentares consideram que proposta só poderia caminhar com apoio de três quintos dos deputados e senadores (quantidade mínima de votos exigida para aprovar uma emenda constitucional).

"Acredito que nós temos que lutar para viabilizar o plebiscito. Pode ser difícil passar (no Congresso), a eleição direta foi também. Nós perdemos quando nós defendemos as Diretas Já (campanha pelo voto direto em 1984) e tinha milhões de pessoas nas ruas. Perdemos num momento e ganhamos no outro", afirmou.

Questionada sobre se a antecipação da eleição poderia criar mais instabilidade política, Dilma respondeu: "Essa argumentação foi a última que a ditadura militar fazia. 'Sabe por que a gente não pode fazer eleição? Primeiro, porque causa instabilidade política; segundo, o povo não é capaz de votar e escolher devidamente; terceiro, nem sempre a maioria é lúcida'. Essas três razões nós deram 20 anos de ditadura".

'Gesto tresloucado'

Um outro caminho para antecipar as eleições seria a renúncia simultânea de Dilma e Temer. Questionada se cogitaria propor um acordo nesse sentido, a petista disse que "seria muita ingenuidade da nossa parte (acreditar) que ele teria grandeza de renunciar".

O peemedebista de fato tem rechaçado a ideia. Ela tampouco aceita essa hipótese.

A presidente afastada voltou a dizer que o processo de impeachment é um "golpe" porque não haveria crime de responsabilidade que justifique sua cassação. Já os que a acusam dizem que ela cometeu ilegalidades na gestão das contas públicas.

"Quando você tem um julgamento de um presidente sem crime de responsabilidade, nada mais oportuno do que esse presidente gentilmente sair da pauta. Não renuncio. Eu volto para o governo e faço um plebiscito. É essa a proposta. Não tem hipótese de eu fazer esse gesto tresloucado: renunciar", afirmou.

"Eu acho que eu vou ser conhecida também como a primeira (presidente) mulher que, apesar de tudo, não deu um tiro no peito, e também não renunciei", reforçou, afastando a sombra de Getúlio Vargas, presidente que se matou em 1954 com um tiro no peito, após forte pressão para que deixasse o governo.

Nova rotina

Afastada do comando do país, Dilma tem se dividido entre compromissos no Alvorada, visitas à família em Porto Alegre e viagens pelo país custeadas por uma "vaquinha" que já arrecadou quase R$ 800 mil na internet.

Sua agenda inclui encontros com movimentos sociais, parlamentares e muitas entrevistas — no dia anterior, quinta-feira, havia recebido a imprensa japonesa.

Na conversa, na ampla biblioteca do Alvorada, disse que pouca coisa mudou na sua vida pessoal — o tempo livre segue raro, segundo ela, e se divide entre musculação, bicicleta, livros e filmes.

A principal novidade na agenda de compromissos, contou, é o aumento do contato mais direto com as pessoas.

"Hoje a atividade é diferente, eu não tenho atividade de gestão, mas eu tenho atividade de conversa, persuasão, discussão, avaliação, e de receber pessoas. Essa atividade exige uma presença minha extremamente direta e pessoal. Não tem eu ser representada, que na atividade presidencial tem. Tem um contato direto com as pessoas que tem sido muito bom", notou.

Uma das companhias constantes no Alvorada tem sido a da equipe da cineasta Anna Muylaert, que grava um documentário sobre o afastamento de Dilma.

Outra visita frequente é a do seu advogado, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Na última sexta-feira, uma bicicleta verde em estilo retrô, que Dilma emprestou para ele se locomover de um hotel próximo, onde está morando, até o palácio, estava estacionada na garagem do Alvorada ao lado de outras duas da presidente, com um capacete pendurado na cestinha.

Apesar de a rotina seguir "intensa", na sexta-feira, a agenda estava mais tranquila — após conceder entrevista por uma hora, Dilma ficou mais 30 minutos conversando com a equipe de reportagem.

Contou que aprendeu a dançar tango com colegas de prisão durante a ditadura militar, mas que hoje gosta mais de ouvir Bach. Disse também que aprecia uma taça de vinho, pois os efeitos da quimioterapia que fez para tratar um câncer já não lhe permitem beber muito mais que isso.

E disse não ver "oposição" entre vida política e privada. "Elas se inter-relacionam. O que é a vida política pra'ocê? É a vida em que você se coloca perante os outros, em que você não está olhando só o seu interesse".

Autocrítica

Sobre as denúncias de corrupção envolvendo o seu partido, a presidente afastada disse que o PT havia sido "contaminado pela política tradicional" e precisava "fazer uma autocrítica".

No entanto, ao ser questionada sobre ela própria poder se eximir de responsabilidades pelo fato de o esquema de corrupção ter ocorrido enquanto exercia a Presidência, repetiu a resposta que havia dado em entrevista à BBC em maio, dias antes de ser afastada — fez novamente um paralelo entre o esquema de corrupção da Petrobras e a crise financeira que estourou em 2008 nos Estados Unidos.

"O maior processo de corrupção recente no mundo foi o estouro da bolha financeira. Nada envolveu mais dinheiro, mais malfeito e processos irregulares de controle. (...) Não é algo trivial descobrir a corrupção. (...) A característica principal da corrupção é agir às escuras, escondendo suas práticas corruptas, é esconder e criar toda uma cumplicidade e não deixar traços."

A presidente afastada voltou a dizer que ela e seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investiram e fortaleceram as instituições de combate à corrupção. Afirmou também que não se pode "demonizar o PT".

"Este é um processo necessário ao Brasil. Uma sociedade tem de se fortalecer para combater a corrupção. O que não é correto é transformar uma luta contra a corrupção numa luta político-ideológica, como se o que ocorre no Brasil seja integral responsabilidade do Partido dos Trabalhadores".

No momento em que os olhos do mundo se voltam para a Olimpíada do Rio de Janeiro, Dilma disse que sua ausência na abertura do evento não é um "mau sinal" para a comunidade internacional.

"Eu acredito que os chefes de Estado, de governo, as delegações (são) pessoas sensíveis e inteligentes que vão entender claramente que eu participar da Olimpíada, tendo como a pessoa que preside a Olimpíada o vice-presidente que deu um golpe no meu governo, eu ficar disputando quem é que é a autoridade dentro do Maracanã é que daria um mau sinal", disse.

"E um mau sinal para mim também. Tenho clareza de que meu lugar era na tribuna de honra, não só por ser presidenta, porque nisso quem trabalhou fui eu. Então, por direito e também por trabalho, era lá que eu tinha de estar", acrescentou.

Mariana Schreiber e Gerardo Lissardy
No BBC
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É assim o 'colonismo' do PiG

A 'colona' não é dela. É do Otavím


Corria a entrevista coletiva de Geoffrey Robertson no escritório de um dos advogados de Lula sobre a ida à Comissão de Direitos Humanos da ONU, para expôr ao mundo que é impossível julgar o Lula no Brasil, com imparcialidade.

Chega atrasada Ilustre Colonista da Fel-lha, acompanhada de seu consultor jurídico.

(A dupla, aliás, merece a passarela da próxima SP Fashion Week — no desfile da “Versace Sem-Teto”)

A supra-citada colonista se tornou setorista dessa tribo — os “advogados”.

Para conseguir informações preciosas como essa:

— A decisão de Lula ir à ONU não foi “consensual”;

— “Um dos advogados próximos de Lula chega a chamar a opção do ex-presidente de 'uma maluquice'”!

Por que será que a notável colonista atribui a decisão a uma “maluquice”?

(Parece aquele outro colonista ilustre do PiG, o Ataulpho Merval, que viu no Lula os elementos do Craxi, aquele notório ladrão italiano.)

Porque a ação foi concebida ao longo de quatro longos meses, envolveu a vinda ao Brasil do Geoffrey Robertson e um sem-número de advogados e conselheiros do Lula, e a Ilustre colonista e seu consultor jurídico não souberam de nada!

Não vazaram!

Não adiantou nada bajular os advogados!

Foram os últimos a saber.

E pior.

A única intervenção da Ilustre colonista na entrevista foi questionar um advogado, quando disse que Lula tinha sido o primeiro brasileiro a recorrer à comissão da ONU.

Não!
O Márcio Thomaz Bastos fez isso antes e dei na minha Ilustre coluna! (Ler em tempo.)

Perplexidade generalizada!

Como é que um maluco desses, os ineptos advogados do Lula dizem tamanha besteira?

Algum tempo depois, quando, em resposta a esse ansioso blogueiro, Robertson já tinha descrito o papel inaceitável, corrosivo e quase criminoso dos vazamentos aos vazadouros do PiG, só então a Ilustre colonista se corrigiu.

Tinha confundido OEA com ONU.

Pequeno, desprezível equívoco.

Agora, pergunta-se, amigo navegante: por que esses malucos desses advogados do Lula convidam a Ilustre colonista e seu consultor jurídico para uma coletiva dessa natureza?

Masoquismo?

Ou complexo de vira-latas dessa especie paulistana que não pode viver sem a Fel-lha?

(Em tempo: no best-seller “O Quarto Poder” , o ansioso blogueiro conta que, numa conversa com Roberto Marinho, um dia, disse: “na minha coluna no Jornal da Globo”… Marinho cortou rápido. “A coluna não é sua. A coluna é do Globo”. O Otavím deveria dizer o mesmo à Ilustre colonista. A colona é dele, Otavim. Já foi da Joyce Pascovitch, hoje é dessa Ilustre e amanhã, quem sabe?, pode ser do consultor jurídico. Sem intermediários...)

PHA




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O Xadrez da dívida pública e a camarilha dos 6


Na semana passada, o economista turco-americano Dani Rodrik traçou o roteiro do fracasso da socialdemocracia no mundo, mesmo após a maior crise do neoliberalismo: a socialdemocracia se deixou levar pela ideologia mercadista, por não ter procurado estabelecer limites ao livre fluxo de capitais.

Historicamente, o ponto central dos problemas brasileiros sempre foi o livre fluxo de capitais amarrado a uma política de endividamento público muito mais focada em remunerar o capital financeiro do que em trazer investimentos.

Não é por outro motivo que os momentos de crescimento brasileiro foram nos anos 30, quando a quebra externa obrigou o governo a impedir a livre circulação de capitais, e no período pós-Guerra, com os controles cambiais criados pelo acordo de Bretton Woods.

Não há na história econômica moderna exemplo mais acabado de expropriação da riqueza do país para um grupo específico do que o que vem ocorrendo com o Brasil nos últimos 22 anos. Se algum economista se der ao trabalho de calcular o que foi pago de juros da dívida pública desde o Plano Real até hoje, daria para cobrir o país de norte a sul com infraestrutura de primeiro mundo.

Peça 1 – Como ganhar com câmbio e juros

Do Plano Real até os dias atuais, a expropriação do orçamento se deu por dois caminhos: a política monetária interna, de juros extorsivos, amarrando a política monetária do Banco Central (destinada a controlar a liquidez do sistema) ao mercado de dívida pública; o segundo caminho foi o livre fluxo de capitais.

Do Real até hoje, passando pelos governos FHC, Lula e Dilma, criou-se a seguinte dinâmica:

1.     Liberam-se os fluxos cambiais e mantém-se a taxa interna de juros superior à internacional. Com isso, há um excesso de entrada de dólares pretendendo lucrar com o diferencial de taxas de juros.

2.     O excesso de entrada de dólares promove uma apreciação do câmbio tirando a competitividade dos produtos brasileiros. O país é inundado por excesso de importações e de gastos com serviços.

3.     Na medida em que há uma deterioração do balanço de pagamentos, ocorre uma corrida final, de dólares saindo do país, promovendo uma maxidesvalorização do real. Quem entrou na baixa vende na alta e pula fora, aguardando o momento de voltar.

4.     Com a maxi, as contas externas começam a se equilibrar. Há impactos sobre a inflação que servem de álibi para o aumento expressivo das taxas de juros. Pela lógica brasileira, a taxa futura de juros sempre tem que ser substancialmente maior do que a inflação esperada.

5.     Com as contas externos se equilibrando e os juros aumentando, voltam os fluxos de dólares ao país e retorna-se à ciranda anterior do capital voltando para ganhar com juros e com nova rodada de apreciação cambial. Confira as contas:

 

Tome-se o exemplo acima. Calcula-se a rentabilidade de um investimento comparando os juros recebidos com o capital investido. No modelo brasileiro, não há capital investido: o especulador simplesmente capta dinheiro no exterior, a taxas próximas de zero, e aplica na Selic a taxas de 14,15%. Portanto, a rentabilidade é infinita.

No exemplo acima, o investidor tomou um crédito em dólares, pagando 1% ao ano. Converteu em reais, com a cotação a R$ 3,80. Aplicou em títulos do Tesouro remunerados por 14,15%. Um ano depois resgatou os títulos, converteu em dólares, com a cotação a R$ 3,40, remeteu o dinheiro para fora, quitou o financiamento e obteve um lucro equivalente a 27% do valor financiado.

Quem paga esse ganho? O orçamento público, o mesmo caixa único que garante salários de procuradores, juízes, gastos com saúde, educação.

Não existe lógica financeira, macroeconômica que possa legitimar essa operação.

Peça 2 – como expropriar o orçamento

Desde o início da internacionalização dos capitais, a dívida pública (ou soberana) se constituiu em um dos terrenos preferenciais de atuação dos bancos internacionais. No início do século, um chanceler argentino chegou a propor uma moção autorizando países credores a invadir devedores em caso de calote. E contou com o voto a favor de Ruy Barbosa, um sócio da banca londrina.

A própria criação do FED, como instituição privada, visou consolidar essa prioridade. E, mesmo não logrando emplacar o livre fluxo de capitais em Bretton Woods, a banca conseguiu criar modelos que minimizassem os riscos soberanos.

Em qualquer livro-texto, defende-se a dívida pública como um instrumento para investimentos públicos que terão como efeito aumentar a eficiência estrutural da economia ou reativar economias combalidas.

No caso brasileiro, desde o Plano Real a dívida pública serviu apenas para alimentar a dívida pública. Não há paralelo de um saque tão continuado sobre o orçamento público como o que ocorreu nesse período.

No governo FHC, a relação dívida/PIB saiu de menos de 20% para quase 70%, mesmo com a privatização em massa e sem ter acrescentado um torno a mais no parque industrial ou na infraestrutura brasileira.

Com Lula e Dilma, a mesma coisa, um enorme esforço para trazer a relação dívida/PIB para patamares mais civilizados, a criação de um colchão de reservas cambiais, apenas para diluir o risco dos investidores e não ter que mexer na livre circulação de capitais.

Peça 3 – a falsa ciência legitimando o jogo

Há um conjunto de condições necessárias para o desenvolvimento de um país: investimentos em educação, saúde, melhoria de renda, em inovação, em financiamento e assim por diante.

Algumas políticas sugerem menos Estado; outra defendem mais participação do Estado. Todas elas gostam de falar em nome do chamado interesse nacional.

Pode-se defender o interesse nacional desburocratizando a economia, criando um ambiente mais saudável para os negócios. Como se pode defender usando a força do Estado para políticas proativas de defesa da produção interna.

 Mas nenhuma política decente pode defender cortes em gastos essenciais porque aí atenta-se contra o longo prazo para benefícios de curtíssimo prazo a grupos específicos.

A maneira de impor essa política foi recorrer a sofismas que não seriam aceitos em nenhum país minimamente civilizado.

1.     A ideia de que as taxas de juros elevadas visam compensar desequilíbrios fiscais.

Como defender essa hipótese em um caso flagrante de que o maior fator de desequilíbrio é a própria taxa de juros e a queda de receita provocada pelo desaquecimento da economia, fruto de políticas monetárias restritivas?

2.     O modelo de metas inflacionárias para qualquer hipótese de inflação.

Juros só combatem inflação em caso de excesso de demanda na economia. Com a economia caindo 8% em dois anos, não há a menor lógica de continuar segurando o consumo. Pelo contrário, a política monetária restritiva tira mais dinheiro da atividade produtiva, contrai mais o consumo, por consequência derruba mais a receita fiscal e aumenta o déficit público. Em 15 anos de experimento das metas inflacionárias, o único canal eficaz para derrubar os preços foi o canal do câmbio – justamente a política que mais tornou vulnerável as contas públicas e o combate à inflação.

3.     A ideia de que basta conseguir equilíbrio fiscal (sem mexer nos juros e no câmbio) para atrair o capital externo e trazer de novo a felicidade.

Peça 4 – o investimento produtivo

O investimento produtivo – de capital nacional ou internacional - leva em consideração vários fatores.

Custo de oportunidade:

Consiste em comparar a rentabilidade esperada do investimento com a rentabilidade oferecida pela aplicação de menor risco na economia: em quase todos os países, a remuneração dos títulos públicos. Com a possibilidade de ganhar 14,15% em dólares (ou mais, dependendo da apreciação da moeda) sem riscos, o investimento só será feito em setores com mais perspectiva de rentabilidade. Fora o tráfico de cocaína, não se conhece setor com tal rentabilidade.

Financiamentos de longo prazo

O único agente que financia no longo prazo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), está sendo destruído pela política econômica de Henrique Meirelles, com o propósito de sanear as contas públicas sem mexer nos juros.

Capacidade ociosa

O investimento ocorre quando se preenche a capacidade instalada com produtos competitivos. A política monetária amplia a recessão e, automaticamente, o nível de capacidade utilizada. A apreciação cambial reduz a competitividade frente os produtos importados.

Competitividade sistêmica

O que garante a competitividade sistêmica de um país é o nível da mão-de-obra, os investimentos em inovação.

O modelo posto em prática sacrifica todos esses pontos e apresenta, como contrapartida, a única possibilidade de ganhos financeiros

Peça 4 – os jogadores principais

Camarilha dos 6 –  Temer, Jucá, Geddel, Padilha, Cunha e Moreira representam o que de mais bronco a política brasileira produziu nas últimas décadas. Mesmo com toda a ilegitimidade do golpe, tivesse um mínimo de envergadura Michel Temer se apresentaria como um conciliador. Bastou saber que comissionados o vaiaram para ordenar uma devassa no serviço público que paralisou departamentos, agências. Sua maneira de fazer política é a seco: divide o orçamento público com os parceiros. E o futuro que exploda.

Mercado – mercado não tem pátria. Por isso é ocioso submete-lo ao teste dos cenários de longo prazo da economia. No momento em que cessar o maná dos juros e câmbio, basta mudar de país.

Ministério Público Federal – assim que foi votado a admissibilidade do impeachment, as cenas dos deputados votando foram tão constrangedoras que a Procuradoria Geral da República ensaiou alguns exercícios de isenção. Passado o impacto, voltou ao mesmo padrão anterior, de fortalecer os principais atores desse jogo através de um trabalho sistemático de perseguição aos opositores. É paradoxal que a organização responsável pelos maiores avanços do país em direitos sociais tenha atuado para fortalecer um interinato responsável pelas maiores ameaças sofridas pelas políticas públicas brasileiras desde a Constituição.

Agora, com a camarilha dos 6 tomando o poder, completa-se o jogo.

1.     Explode-se o déficit público, com aumentos generalizados de salários às corporações mais influentes, aumento das emendas parlamentares.

2.     A conta de juros permanece intocada, com a Selic em 14,15% mesmo com o PIB caindo quase 8 pontos percentuais acumulados.

3.     Definição de limites para os gastos públicos, tomando por base os menores níveis reais da história: os gastos dos últimos anos, derrubados pela queda da receita em função da recessão econômica.

Luís Nassif
No GGN
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O crime de lesa-pátria da entrega do pré-sal: desenhando para coxinhas mal-informados

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Folha: farra fiscal de Temer quebrará empresas


Aos poucos, os grupos que apoiaram o golpe de 2016 começam a se dar conta do estrago econômico causado por esse processo.

Alguns dias atrás, a jornalista Eleonora de Lucena, ex-editora da Folha, publicou artigo apontando que a elite brasileira deu um tiro no próprio pé ao apoiar o golpe — para destruir o PT, decidiu destruir o Brasil (leia mais aqui).

Agora, a própria Folha publica importante editorial, chamado A mosca azul, que mostra como a farra fiscal promovida pelo interino Michel Temer pode quebrar o País e várias empresas do setor privado. O motivo: para se consolidar no poder da República, Temer abre os cofres da República.

"O desastre nas contas públicas federais continuou evidente ao fechar-se o primeiro semestre. A despesa não financeira da União, de R$ 573 bilhões (19% do PIB) superou a receita em R$ 33 bilhões. No segundo semestre, apesar da provável retomada discreta da economia, o buraco fiscal vai se aprofundar. A meta do Planalto é fechar o ano com um deficit de R$ 170 bilhões, cerca de 3% do PIB, de resultado primário (saldo antes de computada a despesa com juros)", diz o texto.

Em seguida, a Folha aponta a lógica política de Temer — gastar e fazer concessões. "Já causa incômodo a fleuma do governo provisório de Michel Temer (PMDB) diante do descalabro nas contas públicas. O teto de gastos, cuja aprovação parece ser a única promessa deste ano na área fiscal, não é terapia que desobstrua a principal artéria da finança federal, justamente a Previdência. Para piorar, Temer tem sido pródigo em reajustes para servidores públicos. Na última concessão, acenou com 37% de aumento para delegados da Polícia Federal."

A consequência disso, diz a Folha, será a manutenção dos juros altos (os maiores do mundo), com consequências nefastas para a dívida pública e para o setor privado. "Os juros, advertiu o Banco Central, não cairão antes de ser equacionado o nó das contas da União. Se o custo do dinheiro permanecer elevado por muito mais tempo, uma onda de quebras de empresas endividadas não poderá ser descartada. Esse risco já se prenuncia na alta de provisões contra calotes nos balanços dos bancos que fornecem crédito às companhias", diz o editorial. "A complacência de Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na área fiscal sugere que foram picados pela mosca azul da ambição eleitoral em 2018. Se não baixarem os olhos para o chão acidentado logo à frente, vão tropeçar."

O editorial começa a apontar, portanto, como o golpe de 2016 sangrou a economia brasileira e deixou uma conta que irá demorar muitos anos para ser paga.

No 247
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Golpista é espécie em extinção

Fugitiva do hospício
Analisei com muito interesse as imagens das manifestações de ontem, tanto as do fora Dilma quanto as do fora Temer.

Decepcionei-me um pouco com a turma do fora Temer, esperei uma maior adesão, e ri muito dos fora Dilma, esparsos e perdidos na Paulista.

Tem mais cardumes no Tietê que idiotas na Paulista, ambos poluídos por muita matéria fecal, e é só ouvir as entrevistas (até Maurício Macri para presidente do Brasil, pediram, chamando-o de Rogério Macri, talvez acreditando que Macri e Magri são o mesmo).

Tirando as lideranças assalariadas da Fiesp e de Cunha, como o Kim coreano, ou aproveitando a oportunidade, porque de outra maneira não apareceria, como Alexandre Frota, o ator de filmes pornô, o resto foi a alienada classe mérdia paulistana, branquinha e cheirosa, criticando o “comunismo brasileiro”.

O único político presente foi o progressista Major Olímpio, da gangue de Cunha, Feliciano, Bolsonaro, pastor Everaldo, Malafaia e mais toda a lixarada moral do país, um radical defensor de golpe militar.

Todos os outros políticos já conseguiram o que queriam, não precisam mais usar o exército trajado de CBF, encostado porque agora desnecessário, inútil, devidamente usado e cuspido, como bagaços de laranjas, o que nunca deixaram de ser.

Nas redes sociais, os meus contestadores, que tinham como argumento político-filosófico chamarem-me de mortadela, assalariado do PT, ladrão, filho da puta, substituíram toda essa argumentação profunda e muito bem pensada pela ausência de comentários ou, fazendo-os, dando-me a impressão que fizeram algum cursinho de boas maneiras, continuando a defender o insustentável, mas com educação, sintoma de convicções abaladas.

Nas ruas, o discurso de que a esquerda é ladra, o PT destruiu o país, Lula é ladrão... Está sendo substituído por todo político é ladrão, não adianta trocar porque são todos iguais...

Isto é um dado positivo e, paradoxalmente, negativo.

Positivo porque é avanço, os que acreditavam defender santas freirinhas já caíram na real, estão com os bolsos e bolsas ameaçados, recalcitrando entre dar razão aos que os preveniram, insistir na toleimice de ver saída à direita, ou permanecerem calados para não entregar os pontos, vaidosamente.

E é ruim porque é a morte da esperança, em boa parcela de brasileiros.

Quando o rebanho percebe que o pasto está fraco, minguado, migra para pasto novo, mas se conclui que não há mais pasto e será a fome, o que resta é o caos, a desordem, a quebra das instituições, e isto não é bom para ninguém.

Francisco Costa
No Esquerda Caviar
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Filho de envolvido no escândalo do Banestado agride Letícia Sabatella

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Leio que Gustavo Abagge é o cara que chamou Leticia Sabatella de "puta" na manifestação de Curitiba. Gustavo seria filho de Nicolau Elias Abagge, ex-presidente do Banestado, do Paraná.

Na farra das contas CC-5 este banco, entre outros, tornou-se símbolo de lavanderia de dinheiro porco; sonegado, na melhor das hipóteses. Por ele, e outros, fortunas — me lembro de certo Bilhão — eram enviadas para paraísos fiscais.

Quem conheceu as listas de dinheiro enviado pra fora via gambiarras nas CC-5 sabe que muitos do que agora bradam, e vários dos que mancheteiam contra a "córrupissão" estavam naquela farra.

Conheci tais listas porque em 34 páginas escrevi, em Maio de 98, a única edição extra de Carta Capital, "Brasil: a maior lavagem de dinheiro do mundo". Tratava desse tema, toda a edição.

Lembrar daquela longa apuração e ver certos tipos pontificando sobre "ética" nas ruas, mídias e redes, provoca engulhos: como conseguem ser tão cínicos, tão hipócritas?

Mas voltando à Sabatella, aos zurros curitibanos, e ao cara que é filho do cara, uma constatação: a neurociência avançou barbaridades, a farmacopéia idem, mas o velho e bom Freud ainda explica muito...

Bob Fernandes
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Dose diária de vergonha do Jornalismo brasileiro

Como o comportamento da Folha de S.Paulo na divulgação das manifestações de ontem, 31, atestam a falência da grande mídia

Quer ter sua dose diária de vergonha do Jornalismo brasileiro?

Abra a capa da Folha de S Paulo. Duas fotos aparentemente "iguais", mostrando os atos pro e anti Temer em São Paulo.

A mentira se dá pelo o que não se mostra.

Primeiramente, qualquer fotógrafo sabe que o ângulo das fotos, cerca de 3 a 5 metros acima da multidão, feito com uma lente aberta, dá a impressão de "infinito". Não importa se tem 4, 5, 10 ou 50 mil pessoas, a foto fica muito parecida porque prevalece a multidão logo abaixo da lente e a que está distante fica comprimida. Repare: nos atos cheios da direita, a folha sempre deu fotos aéreas da Paulista, tiradas a centenas de metros de altura, como essa.

Foto cheia Avenida Paulista em ato pró impeachment divulgada pela Folha de S.Paulo
Foto cheia Avenida Paulista em ato pró impeachment divulgada pela Folha de S.Paulo
O que não se diz é que a Paulista estava vazia ontem, e a sensação geral era de fiasco, como os próprios manifestantes atestaram.


Atos pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff realizados em todo o país neste domingo (31/7) foram um fiasco completo.


O dicionário ajuda a entender melhor...


“Fiasco s.m. fracasso, resultado desastroso de um empreendimento”. Sacou, golpista? A mentira tem pernas curtas.
A Folha omite que os atos contra Temer aconteceram em todo Brasil (aqui, no portal do NINJA) de forma massiva nas capitais e em dezenas de cidades fora do país, e que as manifestações em apoio a Temer ou ao Impeachment praticamente não passaram de SP, com pouca expressão em algumas outras cidades, como em Curitiba, onde a atriz global Leticia Sabatella quase foi linchada pelos manifestantes. Se qualquer outro Global fosse atacado dessa forma em uma manifestação, seria a Folha e o jornalismo brasileiro isentos da mesma maneira?


A atriz Letícia Sabatella conta sobre a agressão que sofreu ontem nas ruas de Curitiba, no 1º Distrito Policial. Ela foi ofendida por manifestantes em ato contra a presidenta Dilma Rousseff: “Isso está acontecendo com muitas pessoas, com pessoas maravilhosas, que eu estou vendo sofrer este tipo de coisa, ou coisas piores, injustiças mesmo. Como as prisões e mortes de índios Guarani Kaiowá, com os sem-terra”, afirmou ao jornal Brasil de Fato e aos Jornalistas Livres.
A PM resolveu, excepcionalmente nesse domingo, "não divulgar" estimativas de público como consta na legenda das fotos, mesmo tendo sobrevoado o ato do Fora Temer no ápice de sua concentração ontem (confira no vídeo abaixo em que Guilherme Boulos provoca o helicóptero da PM a "contar direito"). Não é obrigação da PM divulgar esses números em nome do interesse público? E as imagens de Drone da Folha? Será que estão com dificuldades orçamentárias?


Vigiado pelo helicoptero da PM de Alckmin, o POVO SEM MEDO toma as ruas de SP em mais de 40 mil pessoas em direção ao Escritório de Temer, no Alto de Pinheiros.
A Folha também não quis contar as peripécias que Frota, nosso nobre conselheiro do Ministério da Educação, falou na Av. Paulista para meia dúzia de fanáticos.


Frota faz discurso na Paulista baseado na repetição de ofensas e xingamentos
Poucas pessoas ouvem Alexandre Frota em uma Av. Paulista esvaziada. Sua única proposta para o país são xingamentos e ofensas, e a divisão entre "brasileiros e brasileiras", "folgados e vagabundos", entre outras palavras que não vamos repetir aqui. Isso a mídia golpista não mostra. Acompanhe no vídeo o nível de violência, misoginia e ignorância na fala deste homem.
Mas nem tudo é tão ruim no jornalismo brasileiro. A capa da Folha, por fim, sugere que você fique "de boa na lagoa" com os atletas internacionais remando tranquilamente no Rio. A Folha vai proteger e blindar todo tipo de figura como Paes, Temer, e quem for necessário pra que a Olimpíada não seja o fiasco que ela tanto desejou pra Copa do Mundo.

Quem foi pra rua sentiu que o povo brasileiro tá vivo, que o ato contra Temer e o Impeachment de ontem revelou inesperado fôlego e disposição de resistência na etapa final da votação no Senado, que as pessoas não vão ficar assistindo as Olimpíadas sentados no sofá de casa.

Compartilhe as mídias livres, informe seus amigos e família. Não deixe que esse jornalismo picareta seja a única forma de saber o que está acontecendo. Vamos ser a nossa própria mídia!

‪#‎ForaTemer‬

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Letícia Sabatella brilhou ao filmar os vândalos que a hostilizaram

Brilhou
Brilhou
Como diz meu amigo Píndaro, Letícia Sabatella brilhou.

Foi incrivelmente sábia sua reação a um grupo de idiotas que a hostilizou em Curitiba. Ela usou o celular como uma arma. Filmou os selvagens, e os expôs.



A imagem deles será vista por milhares, milhões de pessoas. Muitos amigos e familiares dos fanáticos certamente reprovarão um comportamento tão destrutivo, tão anticivilizatório, tão bárbaro.

Nas redes sociais, o vídeo viralizou neste domingo. Muitas pessoas extraíram do vídeo fotos na tentativa de identificar os agressores.

Eles ficarão estigmatizados. Foi o que aconteceu com os meliantes que hostilizaram num restaurante em São Paulo Guido Mantega. Mantega os identificou e processou. Eles foram obrigados a se retratar. Toda a coragem mostrada no restaurante se transformou em paúra.

Os vândalos contam com o anonimato. Sua falsa bravura deriva do sentimento de que ninguém saberá que tiveram um comportamento imundo.

Foi aí que Letícia Sabatella acertou.

Vamos ver quanto durará o sorriso indecente de um homem que olha para a câmara e chama Letícia de puta. Este já foi descoberto: Gustavo Abagge. Em sua página no Facebook ele postou uma foto do incidente. A legenda: “Letícia Sabatella quase foi linchada”. Abaixo, a foto:
O agressor Gustavo Abagge fez esta foto
O agressor Gustavo Abagge fez esta foto
No vídeo, destaca-se também uma mulher que ulula diante de Letícia. Grita que nossa bandeira jamais será vermelha, e diz que a mamata acabou.

Eis uma frase reveladora.

Os comentaristas das grandes empresas jornalísticas dizem isso constantemente. Que a moleza acabou. É uma estupidez, é uma desonestidade, dado que a real moleza é a que é desfrutada, desde sempre, pelas corporações de mídia. Vivem do dinheiro público, e não sobrevivem sem ele.

Mas seus colunistas dizem descaradamente que a moleza acabou. São os servos, são os fâmulos da mídia plutocrática.

Está claro que as pessoas que insultaram Letícia Sabatella são filhas da mídia. São midiotas. Perfeitos idiotas brasileiros.

Foi este o público que jornais e revistas formaram. O melhor retrato de uma publicação é quem a lê.

Letícia mostrou alguns dos rostos do universo das pessoas que consomem Veja, Globo, Folha etc.

São horríveis.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ajude a identificar os agressores de Letícia Sabatella

http://blogdojuca.uol.com.br/2016/07/ajude-a-identificar-os-agressores-de-leticia-sabatela/

Um grupo de intolerantes agrediu a atriz Letícia Sabatella hoje à tarde, em Curitiba.

Se você conhecer algum dos protagonistas ajude a identificá-los.

Está na hora de dizer basta à intolerância.

Veja o vídeo:



Atualização: Gustavo Pereira Abagge já está identificado. É conselheiro do Clube Curitibano.

"Gustavo Abagge, o sujeito deplorável que xingou Letícia Sabatella, é filho de Nicolau Elias Abagge, Presidente do Banestado, na época do desfalque de bilhões de dólares.

No relatório final da CPI do Banestado, a pena sugerida ao pai do "cidadão di bem" foi de 10 anos.

Só lembrando: o juiz que arquivou o caso e deixou todo mundo soltinho, era o popstar amado dos fascistas, Sergio Moro.

Agora, só não enxerga a ligação entre a corrupção e a justiçazinha, quem não quer. Só não enxerga que a maior lavanderia de dinheiro da corrupção deste país, fica num tribunal federal de Curitiba, quem não quer.

E dizem que lá lavam a jato, viu?"


Flávia Cristina Costa Pivatto é a loira espumante que, imagine, é psicóloga!

 

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