28 de jul de 2016

Quem pagou o churrascão do Cunha?

Com fama de truculento e vingativo, o correntista suíço Eduardo Cunha é um homem emotivo. Após a cena comovente do choro no anúncio da sua renúncia à presidência da Câmara Federal, no início de julho, nesta quarta-feira (27) ele promoveu uma festa de despedida para os funcionários da residência oficial, localizada em área nobre de Brasília. Segundo o noticiário, teve churrasco e espumantes. Nas redes sociais, porém, os internautas não deram trégua ao pobre coitado — que foi traído até pelo Judas Michel Temer. A pergunta recorrente dos insensíveis internautas foi sobre quem financiou a festança, com maldosas insinuações de que a grana teve origem nos cofres públicos ou nas bilionárias propinas que o lobista recebeu de empresas em esquemas de corrupção. Pura maldade!

De acordo com a assessoria do ainda deputado — que deverá ser cassado em meados de agosto —, cerca de 50 funcionários participaram do "churrascão". Entre eles, assessores, seguranças e policiais, além da esposa Cláudia Cruz. Em sua conta no Twitter, o ex-poderoso chefão demonstrou sua humildade. "Quero reconhecer a dedicação de todos e agradecer a atenção dispensada a mim e a minha família nesse tempo em que residi na residência oficial", postou. Não há relatos sobre a sua tristeza. Afinal, ele será obrigado a deixar o palacete oficial, no Lago Sul, para residir em um apartamento funcional de reles deputado — isto para, logo em seguida, ser também enxotado. E já havia perdido as regalias da presidência da Câmara Federal — que custavam cerca de R$ 500 mil ao mês, Que crueldade!

Devolução de R$ 300 milhões em propina

É certo que Eduardo Cunha não sofrerá muitas agruras no futuro — a não ser que seja preso ou forçado a devolver toda a fortuna que roubou dos cofres públicos. Na semana retrasada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que o peemedebista seja condenado a ressarcir R$ 298,8 milhões por seu envolvimento no esquema de propina investigado na Lava-Jato. O valor representa a soma do ressarcimento requerido pela PGR nas três denúncias oferecidas contra ele ao STF por crime de corrupção e lavagem de dinheiro. É possível que o montante ainda cresça. Agora que o golpista cumpriu o seu papel sujo no impeachment de Dilma e já foi descartado como bagaço, não param de surgir denúncias do seu envolvimento em novas maracutaias.

A mais recente indica um esquema profissional de corrupção na Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2015. Eduardo Cunha patrocinou a indicação de Fábio Cleto para a vice-presidência do banco, em um acerto com o corretor de valores Lúcio Funaro. A nomeação teria sido articulada para garantir a cobrança de propina de empresas interessadas em receber investimentos do FI-FGTS. Em sua delação premiada, Fábio Cleto garantiu que Eduardo Cunha — apelidado até por seus aliados de "meu malvado favorito" — indicava os projetos de investimentos que deviam ser aprovados ou reprovados e utilizou o influente posto para chantagear amigos e prejudicar adversários.

Ausência dos deputados; "Hoje sou eu; vocês, amanhã"

O "churrascão" desta quarta-feira não teve a presença dos deputados que protagonizaram a sessão de horrores da Câmara Federal que deu a largada ao processo de impeachment de Dilma, em 17 de abril. Segundo os jornais, eles nem foram convidados — foi uma festinha apenas para os funcionários. Tudo indica que Eduardo Cunha está muito magoado com esta turma, que o abandonou na rua da amargura. Boatos que circulam em Brasília apontam que o achacador ajudou a eleger cerca de 120 deputados, com generosas doações de campanha. Na hora em que mais precisou, muitos deles o traíram. Baita sacanagem! Há quem garanta que o emotivo parlamentar não perdoa esta traição.

Quando ainda resistia à ideia da renúncia, Eduardo Cunha afirmou em uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça que muitos que o abandonaram sofreriam as consequências no futuro. "Hoje, sou eu. É o efeito Orloff; vocês, amanhã", disse em tom profético, quase religioso. Ele ainda lembrou: "Ao todo, 117 parlamentares, mais de 20% da Casa, detêm inquéritos, alguns com mais de um, todos com natureza penal... Meus adversários não vão ouvir nenhum dos meus argumentos, esquecendo-se que amanhã pode ser qualquer um (deles)". A frase foi encarada por alguns como ameaça. Ou seja: não haveria clima para a presença no "churrascão" de despedida. Que cena triste!

Altamiro Borges
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Relação do Bradesco com organização criminosa já tinha mais de 10 anos

Ele



O procurador da República do Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal, Frederico Paiva, disse nesta quinta-feira, 28, que o suposto esquema criminoso no qual o Banco Bradesco teria se envolvido teria ciência e anuência do presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco. Hoje, a Justiça aceitou denúncia contra o executivo e mais nove pessoas por suposto envolvimento em esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

E. Segundo ele, o banco teria aceitado participar do esquema criminoso.

Os executivos do Bradesco são suspeitos de negociar com um grupo que comprava decisões no Carf, instância administrativa ligada ao Ministério da Fazenda que julga recursos dos contribuintes em processos com a Receita Federal. Paiva afirmou que há "provas consistentes" para constituir a responsabilidade penal dos dez denunciados. Segundo ele, a chamada organização criminosa teve diversas reuniões com diretores do banco, com o conhecimento de Trabuco. "Era nítido objetivo do Bradesco de obter por meios escusos benefícios fiscais", afirmou.

O coordenador de Procedimentos Especiais da Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda, Cid Carlos Freitas, explicou que, além dos processos que constam na denúncia, foram identificadas outras 30 ações que envolveriam negociações entre os suspeitos. Segundo ele, a Fazenda pode pedir nova análise de todos esses processos tributários do Bradesco.

No Amigos do Presidente Lula
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Dilma à Revista Time: Tenho a convicção de que vou vencer

Em entrevista à revista estadunidense Time, a presidenta Dilma Roussef falou sobre o golpe de estado em curso no Brasil, os preparativos para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro e sobre sua luta para obter os votos necessários no Senado para estancar o processo golpista e voltar a ocupar a presidência, da qual foi afastada em um processo político baseado em falsidades.

Ela foi entrevistada em Brasília pelo jornalista Matt Sandy. Confira a entrevista:

Como está a luta contra o impedimento?

Eu estou sendo julgada por um não-crime. O que está acontecendo no Brasil não é um golpe militar, mas um golpe parlamentar. É um golpe de um processo que está afetando as instituições, erodindo a partir de dentro, contaminando tudo. Então eu acredito que esta luta requer uma arma. Nós vivemos numa democracia e respeitamos a democracia. A arma nesta luta é o debate, a explanação e o diálogo.

Você precisa de 27 votos no Senado para evitar o impedimento. Você conseguirá?

Eu tenho lutado por isso... e tenho a convicção de que posso vencer.

Qual é seu plano caso retorne ao poder?

É essencial que façamos uma reforma do sistema político... Nós precisamos de um plebiscito para que o presidente eleito, que tomará posse em janeiro de 2019, possa conduzir o país de uma forma melhor... ao mesmo tempo, nós temos um desafio maior: o Brasil precisa voltar a crescer. E precisa crescer novamente de uma forma que não vá contra os interesses de milhares de brasileiros que deixaram a pobreza e que entraram na classe média.

Você acredita que o impedimento foi sexista?

Na verdade foi misoginista. O fato de que uma mulher se tornou presidente da República dá vazão a pensamentos sobre as mulheres muito comuns, muito estereotipados. Consideram por um lado as mulheres histéricas. Se não são histéricas, são frias, calculistas e crueis. Eu fui pintada como uma mulher fria, dura e cruel, por um lado. E em outros momentos fui pintada como uma pessoa histérica.

E você continuará a lutar?

Seguramente sim. Minha vida inteira foi uma experiência de aprendizado, aprendizado de que não há outro caminho para viver sem luta, em todas as circunstâncias. Eu aprendi a lutar desde cedo, eu combati e sofri a dor da tortura. Eu também acho que com a ajuda da medicina moderna, nós podemos lutar contra o câncer. E eu lutarei contra o impedimento de forma sistemática.

O que você acha sobre as preocupações com a segurança durante os Jogos Olímpicos?

Existe uma grande estrutura de segurança no Brasil dedicada aos Jogos Olímpicos. E essa estrutura para os Jogos não foi construída ontem, ou anteontem. Foi montada em cima de vários testes. Um deles foi a Copa do Mundo de Futebol de 2014, e ficou provado que não houve o menor problema de segurança.

E sobre a ameaça do vírus Zica?

O Brasil está passando por uma época, em termos de temperatura, que é muito atípica. Isso significa que teremos muito menos mosquitos hospedeiros do vírus Zica. E também, eu gostaria de dizer, que fizemos uma enorme campanha pública... você pode estar tranquilo de que não haverá um risco à saúde pública a partir do mosquito hospedeiro do vírus Zica.

Foi um erro realizar os Jogos Olímpicos dois anos depois da Copa do Mundo?

Não vejo isso como um erro. Porque, de uma forma, estamos ganhando bastante na economia com isso. Quando você prepara o país para uma Copa do Mundo que envolve 12 sedes, você cria uma infraestrutura... todo o equipamento de segurança e toda a tecnologia envolvida na área de telecomunicações do evento para o mundo inteiro, o centro de mídia. Nós aprendemos com isso. E, vou te dizer, eu acho que foi muito mais fácil organizar os Jogos Olímpicos já tendo realizado pouco antes a Copa do Mundo.

Há alguns anos, antes das Olimpíadas serem marcadas para o Rio de janeiro, muitas pessoas afirmavam que o Brasil tinha um papel muito mais proeminente no mundo. Agora o Brasil está falando para si próprio. Você acha que o Brasil pode e deve voltar a ter um papel importante no mundo?

Eu acho que o Brasil tem todas as condições de realizar um papel maior... todos os países do mundo atravessaram crises, bem antes de nós. Os Estados Unidos tiveram uma crise severa entre 2007 e 2010. A União Europeia correu o risco de perder sua moeda, também mergulhada em uma grave crise. A crise atingiu agora os mercados emergentes... Mas não foram os países emergentes que criaram a crise. Foi uma crise do sistema financeiro internacional, e como sabemos, foi a maior crise desde 1929.

Você tem responsabilidade pela crise econômica brasileira atual?

Nós tentamos desde 2009 ter uma política anticíclica que evitaria da crise da economia global atingir o Brasil. Nós tivemos sucesso em 2011, 2012, 2013 e 2014. Em 2015 a crise econômica foi acelerada, eu acredito, pela crise política desatada no país. A crise política colocou o país na recessão.

Qual é a importância da Operação Lava Jato para o futuro do Brasil?

O Brasil não tem o monopólio da corrupção. Em todos os países, inclusive os Estados Unidos, há uma luta sistemática contra a corrupção. Mas essa luta contra a corrupção não é feita somente a partir de uma investigação, a luta contra ela é feita pela melhoria do controle e da fiscalização sobre as instituições e pela melhoria da legislação.

Você comparecerá à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos?

Eu fui eleita com 54,5 milhões de votos... eles me convidaram para participar da abertura dos jogos a partir de uma posição secundária... eu não vou aceitar um papel que não corresponda ao meu status presidencial.

Você estará orgulhosa do Brasil quando os Jogos começarem?

Eu tenho e sempre terei orgulho do Brasil, porque eu acho que nós demonstraremos mais uma vez que somos capazes de vencer nas arenas, campos e pistas, assim como fora delas.

Fonte: Time
Tradução: Humberto Alencar
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Por que os advogados de Lula acionaram a ONU?


O ex-presidente entrou com uma reclamação no Comitê de Direitos Humanos da ONU, denunciando a parcialidade do sistema judicial e investigatório brasileiro, especialmente o juiz e os procuradores da chamada Operação Lava Jato. Aqui vão perguntas e respostas para entender melhor o que isso significa.

Como funciona o Comitê de Direitos Humanos da ONU? O que ele faz?

O comitê é o organismo que fiscaliza a garantia dos direitos humanos em todos os países-membros da ONU. Em 1966, foi assinado um acordo internacional que estabelece os direitos humanos e políticos que os países integrantes da ONU devem proporcionar e proteger, chamado “International Covenant on Civil and Political Rights”.  O Comitê de Direitos Humanos da ONU, sediado em Genebra (Suíça), recebe petições individuais a respeito de violações dos direitos humanos e julga os casos.

Do que Lula reclama?

Através de seus advogados, Lula mostra que procedimento decididos ou autorizados pelo Juiz Sergio Moro, como a condução coercitiva e a divulgação de grampos dele, de familiares e advogados, foram ilegais e violaram os acordos internacionais de direitos humanos. Ainda, o documento demonstra a falta de imparcialidade do juiz Sérgio Moro para julgar o ex-presidente.

Quais procedimentos? Por que foram ilegais?

O pedido de Lula diz respeito aos seguintes acontecimentos: a condução coercitiva do dia 4 de março, a interceptação de suas ligações telefônicas e a divulgação das gravações e o grampo no telefone de seu advogado, Roberto Teixeira. O primeiro foi ilegal porque, para forçar uma pessoa a dar depoimento, a lei brasileira exige que o investigado tenha se recusado a fazê-lo antes. No caso dos grampos, Moro publicou os áudios mesmo sabendo que não havia nenhuma indicação de crime neles; e também porque fez grampos ilegais ao gravar a conversa de Lula com a presidenta da República. Por último, a lei determina que haja confidencialidade nas relações e conversas entre um cliente e seu advogado; ao grampear o escritório e o telefone de Teixeira, Moro infringiu a lei mais uma vez.

Por que Lula diz que Moro não é imparcial?

Não só Moro, mas outros integrantes da Força-Tarefa da Lava Jato deram declarações públicas afirmando que o ex-presidente Lula cometeu crimes, embora não haja nenhuma prova disso. Tais fatos mostram que existe um pré-julgamento do ex-presidente. A lei brasileira (e as internacionais) dizem que todo cidadão é considerado inocente até que se prove o contrário; a Lula, este direito está sendo negado.

O juiz pode ter cometido erros, mas isso é o suficiente para dizer que ele é parcial?

Sérgio Moro frequentemente participa de eventos promovidos por políticos, pela mídia e outras pessoas que são notórios adversários do ex-presidente Lula. Juízes devem ser imparciais ao julgar um caso e essas aparições públicas mostram que esse não é o caso de Moro.

Mas a Lava Jato não está usando os mesmos procedimentos contra outros investigados?

A reclamação não é genérica contra todas as ações da Lava-Jato, mas sim sobre procedimentos específicos e claramente ilegais da Força-Tarefa contra Lula. A reclamação protocolada por Lula enumera alguns: prisão preventiva para forçar pessoas a “confessar” crimes e fazerem acordos de delação premiada (o que, mais uma vez, viola o princípio de presunção da inocência), humilhação pública e destruição de reputação através de vazamentos ilegais de documentos e depoimentos à mídia.

Se Lula se considera injustiçado, por que não reclamou na justiça brasileira?

O ex-presidente fez isso diversas vezes, mas a justiça brasileira não tem demonstrado ação contra os abusos. Foram protocolados pedidos em relação a entrevistas com pré-julgamento feita por promotores, contra Sérgio Moro e os procedimentos da Lava Jato. Muitas vezes as reclamações foram arquivadas; em outros casos, a lentidão vai impedir a plena defesa do ex-presidente. Outro problema é que o próprio Sérgio Moro julgou um pedido de suspeição de imparcialidade pedido pelos advogados de Lula. Ele, é claro, rejeitou tal pedido.

Por que Lula e seus advogados entraram com esse pedido na ONU?

Porque todos os mecanismos disponíveis no sistema brasileiro já foram usados e Lula e seus representantes querem garantir que os direitos humanos do ex-presidente deixem de ser violados. Por isso, foi feito o pedido para que o Alto Comissariado de Direitos Humanos se pronuncie.

Esse pedido é uma forma de Lula fugir da justiça?

Não. Lula nunca fugiu de nada, ao contrário do que se sugere. Sempre que foi convocado a prestar depoimento, a dar esclarecimentos e apresentar documentos, o ex-presidente e seus advogados prontamente atenderam aos pedidos. O que o ex-presidente pede, por meio de seus advogados, é que seus direitos constitucionais e humanos sejam respeitados pela justiça brasileira, o que não vem acontecendo.

O que vai acontecer agora?

O Comitê de Direitos Humanos vai analisar a petição dos advogados do ex-presidente. Caso julgue que os direitos humanos de Lula tenham sido violados, o Brasil terá três meses para dar satisfações ao órgão, explicando o fez para que os direitos humanos do ex-presidente sejam garantidos.
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A hipocrisia brutal de Villa para fugir de Lula

Empulhação no grau máximo
A plutocracia brasileira não é apenas corrupta, predadora e compulsivamente golpista.

É também brutalmente hipócrita.

Um pequeno grande exemplo é o de pseudo-historiador Marco Antônio Villa. Villa foi um dos nomes recrutados pelas companhias de mídia em seu jornalismo de guerra contra o PT.

Do nada a que pertencia por mérito Villa se tornou um comentarista multimídia: rádio, tevê, jornal, internet. Sempre com uma função: agredir o PT, particularmente Lula.

Villa se tornou uma fábrica de injúrias e difamações, com sua vozinha fina como a de Moro e sua completa inconsequência em acusar sem provas.

Depois de uma eternidade, Lula fez o que deveria ter feito há muito tempo: processou Villa. Onde as provas?

Soube hoje que Villa recorreu a uma manobra jurídica para escapar de Lula. Até aí, tudo bem.

O extraordinário, pelo despudor canalha, é a argumentação de Villa na peça. Ele afirma que não teve a intenção de “enxovalhar” a imagem de Lula.

Quem acredita nisso acredita em tudo, na grande frase de Wellington.

Um juiz sensato deveria rechaçar o pleito de Villa apenas por causa daquela mentira cínica.

Qual foi sua intenção ao chamar Lula cotidianamente de barbaridades como chefe de quadrilha e réu oculto do Mensalão? Promover Lula? Melhorar sua autoestima? Elevar o nível do debate político nacional?

Villa só não destruiu Lula porque é insignificante.

É o farisaísmo o que mais incomoda em Villa e na direita. Seria mais honesto e transparente a Globo, a Veja, a Folha dizerem: “Perseguimos Lula porque ele se preocupa com os pobres e, se depender dele, nossas mamatas estão em risco.”

Esta é a verdade real.

Eduardo Cunha, por exemplo, sempre foi um conhecido larápio na política. Mas a mídia jamais se incomodou com isso, mesmo quando ele ganhou o vital posto de presidente da Câmara. Um ladrão na linha de sucessão presidencial: e daí?

Mas ele foi preservado e protegido pela imprensa porque é um fâmulo da plutocracia. Roubou para si, mas muito mais para os plutocratas.

Por isso teve vida mansa, e ainda hoje está aí livre, oferecendo churrasco numa mansão em Brasília paga pelo contribuinte que já deveria ter abandonado há muito tempo.

Com Lula é o extremo oposto.

Tipos como Villa, contratados em massa pelo jornalismo de guerra pós-2003, chacinam Lula ininterruptamente.

É uma coisa indecente, e ainda mais quando somos forçados a ouvir de fâmulos dos barões da mídia como Villa que a intenção não era “enxovalhar”.

Repito: apenas por isso, a mentira no grau máximo de empulhação, o pleito de Villa deveria ser rasgado em pedaços, em praça pública.

Paulo Nogueira
No DCM
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Lula recorre à ONU contra abusos de Moro


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As eleições de 2018 e o "risco Lula"

Com a saída de Lula do pleito eleitoral, ele será menos visado e poderá trabalhar na reconstrução do partido e nas próximas eleições municipais

Lula e PT precisam ser mais pragmáticos, é preciso abrir um pouco mão do poder para que possam voltar a
tê-lo
Como nos últimos 13 anos, o futuro do Brasil e da esquerda está nas mãos de Lula, agora mais do que nunca. O país vive um grave momento de inflexão e, até o final de agosto, decidirá o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, o segundo em menos de 30 anos.

Os próximos 35 dias serão decisivos para o Brasil, que continuará em crise até 2019 se um novo Presidente, mais preparado e que não tenha relação com as investigações em curso, não assumir antes disso.

Michel Temer, como todos sabem, está envolvido até o pescoço, o que foi dito por alguns dos seus colegas mais próximos nas gravações expostas na imprensa. “Michel é Cunha” e Cunha vai, provavelmente, entregá-lo quando for preso, talvez até com gravações de conversas dele sobre crimes.

Ainda que não o faça, uma delação premiada de Cunha e outras que estão por vir derrubarão muitos dos principais políticos de PMDB, PT, PSDB, DEM, PP e outros.

Para que o governo não sofra com quedas frequentes de pessoas em posições chave até 2019 e com um constante receio de queda do próprio Presidente, é preciso que alguém de fora dessa bagunça assuma o poder.

Como João Santana, marqueteiro do PT, expôs a Sérgio Moro recentemente, quase todas as campanhas receberam dinheiro de caixa 2, inclusive a de Dilma em 2010. Se houver rigor, segundo ele, será feita uma fila de presos de Curitiba até Manaus, maior do que a Muralha da China.

Na medida em que se aprofundarem as investigações, se elas não forem seletivas, vão ser implicados de alguma forma, como já vêm sendo, Dilma e Temer, Aécio, Marina, quase todos que foram candidatos recentemente.

As pesquisas de opinião pública dão conta repetidamente de que a sociedade não quer mais Michel, nem Dilma. Parece estar claro que o caminho para o país é entoar uma voz uníssona por novas eleições diretas, que restituam a democracia.

Não se trata mais de subverter o Estado Democrático de Direito, como alguns dizem, pois o que se propõe é exatamente uma renovação dele, que, na verdade, esteve deformado desde sempre.

Se quase todos os principais políticos que concorriam a cargos em Executivos, e mesmo no Legislativo, recebiam dinheiro de caixa 2, ainda que a origem não fosse corrupção estatal, praticamente todos eles estão implicados em alguma medida e terminarão sofrendo as consequências criminais, administrativas e/ou eleitorais.

Com a proibição do financiamento empresarial de campanhas, há esperanças de que diminua a influência do poder do dinheiro sobre o poder político. Aliada a um maior medo de punição e a mais fiscalização, pode ser que um início de Estado Democrático de Direito, um verdadeiro, esteja prestes a ser construído no Brasil.

Cabe, portanto, a Lula se retirar do pleito eleitoral. O coro em prol de novas eleições não é praticamente unânime ainda, porque ele é o primeiro colocado nas pesquisas e boa parte da sociedade tem o receio de que tudo continue igual caso ele seja eleito.

Em todas as pesquisas deste ano, Lula tem a maior rejeição entre os possíveis candidatos, em torno de 60%, apesar de estar à frente no primeiro turno por causa da pulverização dos votos dos demais. No segundo turno, contudo, ele perde em todos os cenários.

O grande povo de mulheres e homens comuns do Brasil quer mudança drástica. Exceto por uma elite conservadora, as pessoas querem mais lisura, transparência, eficiência e equidade na economia. Lula teve a sua chance, ou melhor, teve duas, e sua pupila teve mais uma e pouca. PSDB, DEM e PMDB também tiveram suas chances, direta ou indiretamente, no poder.

Lula continua caçado a todo o custo. Voam as investigações contra ele e aliados, cujo objetivo maior é prendê-lo ou, ao menos, torná-lo inelegível, enquanto que todas as demais se arrastam. Se a possibilidade de Lula ser Presidente novamente deixar de ser um risco, o Brasil ganhará com o avanço das demais investigações.

Desistir das eleições é um bem que Lula faz a si mesmo, à sua liberdade, e à República de Curitiba, que poderá ficar mais tranquila depois desse fim atingido e, assim, investigar e condenar também os demais com o mesmo ímpeto da caça a Lula.

Boa parte do Brasil, mesmo aqueles que eram eleitores do PT, não tem mais coragem de apostar em um Presidente do partido, ao menos não em curto prazo. Lula e PT precisam ser mais pragmáticos, o que eles foram muitas vezes no mau sentido. É preciso abrir um pouco mão do poder para que possam voltar a tê-lo.

Deste modo, não parece haver outro caminho melhor, senão Lula anunciar sua retirada de eleições até 2018 com apoio incondicional à candidatura de Ciro Gomes com um vice do PT, a ser anunciado, que esteja longe da lama do partido. Caso Fernando Haddad não vença em São Paulo, ele tende a ser o melhor nome.

Dilma Rousseff e Ciro Gomes durante convenção nacional do PROS em junho de 2014
Com a saída de Lula do pleito eleitoral, ele será menos visado e poderá trabalhar com mais tranquilidade na reconstrução do partido, nas eleições municipais e em eventuais eleições presidenciais.

Ao mesmo tempo, com a retirada do seu nome das pesquisas de opinião, é provável que ainda mais pessoas passem a defender novas eleições. Segundo a pesquisa que o Datafolha realizou e a Folha divulgou de uma forma meio estranha, ao menos 62% da população já defende essa posição.

Sem o “risco Lula”, seria mais fácil conseguir a derrubada do impeachment com a volta de Dilma Rousseff e um plebiscito para que a sociedade diga se quer novas eleições.

Com amplo apoio da sociedade, tudo fica mais fácil. Essas novas eleições poderiam vir também pela cassação da chapa Dilma/Temer no TSE ou, ainda, por uma renúncia dupla em caso de derrota do impeachment no Senado em agosto.

Corre-se um risco imenso de Temer continuar na Presidência até o final de 2018, o que seria desastroso. Antes da votação na Câmara, este Autor defendia que seria “didático” para o país ver Temer e amigos governando, mas já vimos o suficiente. Se eles foram capazes de tanta besteira em poucas semanas enquanto interinos, imaginem em mais de 2 anos como definitivos.

Em outro péssimo cenário, Aécio Neves e comparsas torcem por uma manutenção de Temer com queda logo em seguida, no início de 2017, para que Rodrigo Maia assuma a Presidência do país e convoque eleições indiretas, pois terão se passado 2 anos desde o início do mandato.

Lula precisa dar um passo atrás para que possa voltar a caminhar pra frente. Ciro é um nome do agrado dele e de boa parte dos progressistas do país. É alguém para liderar a construção de uma nova centro-esquerda progressista, uma linha política mais equilibrada e técnica no Brasil, que busque se afastar das práticas do presente e do passado.

Ciro poderia montar um time progressista dos sonhos com Cid Gomes, Roberto Mangabeira Unger (em uma posição, enfim, de mais importância e de decisão), Fernando Haddad, Flávio Dino, Roberto Requião e outros políticos preparados da centro-esquerda que não tenham relação com as investigações criminais, administrativas e eleitorais em curso.

O Brasil não precisa de mais remendos neoliberais, nem de remendos assistencialistas. O país não quer mais populistas de direita, nem de esquerda. Para uma mudança estrutural, porém gradual e experimentalista, ninguém melhor do que Ciro, que, como é notório, tem a coragem necessária e um conhecimento que vai muito além do “politiquês” brasileiro.

Ainda que Ciro não vença as eleições, apesar da pouquíssima preparação de Marina, haveria alguns aspectos positivos em tê-la assumindo até o final de 2018, dando uma feição à política diferente das coligações PSDB-DEM-PMDB x PT-PMDB, mas isso se não sofrer nenhum respingo das investigações que, conforme delação premiada de Léo Pinheiro, ex-Presidente da OAS, indicam uso de dinheiro sujo em sua última campanha.

Continua tudo nas mãos de Lula, que pode proteger os nomes dele e de Dilma na história. É preciso que tome a decisão acertada e se mantenha em condições de definir o futuro do país mais à frente. Essa pode ser a sua última chance.

Marcos de Aguiar Villas-Bôas, doutor pela PUC-SP, mestre pela UFBA, é conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda e pesquisador independente na Harvard Law School e no Massachusetts Institute of Technology
No CartaCapital
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Depois do impeachment


O mês de agosto deste 2016 reserva uma decisão de importância capital para o futuro do Brasil: o impeachment fraudulento da Presidente Dilma ou será derrotado ou será aprovado no Senado da República.

A evocação de outros agostos dramáticos da história do país é inevitável. Na madrugada de 24 daquele agosto de 1954, os fascistas ancestrais dos golpistas de hoje, portadores de idênticos propósitos anti-nação e anti-povo que os atuais, levaram Getúlio Vargas ao suicídio.

No 25 de agosto de 1961, a mesma oligarquia golpista que perpetra o golpe atual tentou impedir que o vice-presidente João Goulart substituísse o ex-presidente Jânio Quadros, que havia renunciado ao mandato. Foi, porém, derrotada pela Campanha da Legalidade dirigida pelo então governador gaúcho Leonel Brizola, que garantiu a posse de Jango na Presidência.

Em agosto próximo, a votação da farsa do impeachment no Senado terá obrigatoriamente um desfecho: ou vence a democracia e a Constituição, ou vencem os golpistas conspiradores.

O resultado deste processo definirá o ambiente e o padrão da luta política no país para o próximo período. Na eventualidade de se consumar o golpe de Estado, o papel reservado às forças de esquerda, progressistas e democráticas deverá ser do combate permanente e sem concessões ao governo usurpador.

O golpe de Estado cria uma circunstância excepcional, de ruptura da ordem democrática e constitucional vigente — que só é disfarçada como "normalidade institucional" pela cobertura do Poder Judiciário aos conspiradores. Um governo usurpador, que assalta o Poder com um golpe de Estado, não merece sofrer a oposição institucional e parlamentar convencional, porque deve ser denunciado e combatido com vigor, durante todo o tempo que durar a ilegitimidade, até que a democracia e a Constituição sejam restauradas.

O objetivo dos golpistas é executar rapidamente o plano nefasto que jamais seria sufragado nas urnas: acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários; destruir o SUS, as políticas sociais e o sistema de educação; entregar as riquezas, o petróleo e as terras do país a estrangeiros; subordinar o Brasil aos interesses das potências e transferir a renda pública nacional para a especulação financeira internacional.

Michel Temer, ironicamente, tem manifestado o desejo de conversar com Lula uma vez consumado o golpe. Uma frase resume a mensagem que o presidente usurpador deveria ouvir: não há diálogo com conspiradores; há muita resistência, luta popular e combate sem trégua aos golpistas!

Na eventualidade de derrota do impeachment, Dilma reassume o mandato que começou a ser ilegalmente interrompido na decisão da "assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha", como define a imprensa internacional a deplorável sessão de 17 de abril da Câmara dos Deputados.

Nos círculos da resistência democrática, discute-se se Dilma, uma vez reassumindo o mandato, deveria propor a realização de plebiscito no qual o povo decidiria a respeito da antecipação da eleição presidencial. Na prática, esta proposta tem o mesmo efeito do golpe, ou seja, a subtração de tempo do mandato conferido a ela por 54.501.318 brasileiros/as.

Seria impensável o Brasil assumir a punição implacável que o governo da Turquia aplicou aos golpistas derrotados daquele país. A ausência de castigo severo aos golpistas, por outro lado, deixa a democracia brasileira em permanente suspense; deixa a ordem democrática à mercê do animus golpista que de tempos em tempos — ou, de agostos em agostos — brota do DNA da oligarquia golpista. A impunidade é nefastas para a democracia.

Jeferson Miola
No GGN
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Efeitos perversos da salvação do país

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8879

A ideia era boa. Combater a corrupção. Eles se vestiram de verde e amarelo e foram às ruas. Eram homens e mulheres de meia idade com alguns anos de trabalho pela frente. Eram senhoras e senhores aposentados. Eram jovens preocupados com o futuro. A causa era tão urgente que, para tirar os corruptos do governo, aceitaram colocar no lugar deles gente de reputação duvidosa, mas que lhes parecia menos pior. Panelas bateram. Manifestações multiplicaram-se. Parques, antes reservados ao lazer das elites, viraram palcos de ação política.

O governo corrupto caiu. Os ex-aliados dos depostos assumiram as rédeas do país. Para deslumbramento do chamado mercado, anunciaram o que pretendem fazer: reforma da previdência, desmontagem da legislação trabalhista e reformulação dos programas sociais. O cinquentão de camisa da CBF que lutou contra a corrupção do antigo governo e que aceitou o pretexto para o impeachment como suficiente descobre a sua nova realidade: em lugar de se aposentar dentro de quatro ou cinco anos, terá de trabalhar, na melhor das hipóteses, mais 40% além do tempo previsto, ou, na hipótese intermediária, até 65 anos de idade, ou, ainda, quem sabe, até 70 anos de sua vidinha.

O aposentado, que se sentiu de volta à ativa enrolado na bandeira nacional, recebe o seu quinhão: o reajuste das aposentadorias será desvinculado do aumento do salário mínimo. O seu ganho, depois de ter trabalhado muito, vai minguar mais a cada ano. Além disso, rubricas com porcentagem de gastos obrigatórios no orçamento federal, como educação e saúde, perderão esse caráter impositivo. Jovens e aposentados viverão o mesmo drama na hora da maior necessidade: o Estado poderá gastar menos em educação e em saúde. O cenário de horror é apresentado como o portal do paraíso.

O trabalhador que só queria um país mais honesto fica sabendo que alguns pensam em fazê-lo trabalhar 60 ou 80 horas semanais até que complete 70 anos de vida. O plano inclui “flexibilização” da jornada diária de trabalho e dos salários: leia-se, trabalhar mais e ganhar menos. O negociado deve prevalecer sobre o legislado. Traduzindo, a lei não vale mais. Os ricos riem sozinhos. A mídia mancheteia: país dá sinais de recuperação. FMI fala em crescimento. Programas como Ciência sem Fronteiras dispensam alunos de graduação.

Pobres dos velhinhos aposentados, coitados dos jovens, que pena dos brasileiros próximos da aposentadoria, acreditaram que o maior problema do país era a corrupção e que os novos donos do poder trariam honestidade, transparência e progresso. Sabem agora que eles não querem novas eleições por uma simples razão: nas urnas, não obteriam votos para implantar reformas que assaltam direitos adquiridos, saqueiam a plebe e enchem de alegria e ganhos os donos dos camarotes nacionais. O remédio, além de amargo, tem efeitos colaterais nefastos. Mata o pobre para engordar o rico. É macabro.

– Vão nos roubar até a pensão – exclama um velhinho.
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Não importa a votação do Senado, Dilma já foi absolvida pela história e os golpistas condenados

Ela já ganhou
Não importa a votação final do Senado, Dilma já foi absolvida pela história e os golpistas condenados.

Ficou cabalmente provado que ela não cometeu o crime que lhe foi imputado na peça infame do impeachment.

Dilma não pedalou.

Ficou cabalmente provado, igualmente, que seu afastamento foi um golpe cínico, canalha, despudorado da plutocracia corrupta e predadora.

O objetivo em nenhum momento foi combater a corrupção. Isso serviu apenas de pretexto, como em 54 com Getúlio e 64 com Jango.

Se quisessem erradicar a corrupção, jamais o maestro do golpe teria sido Eduardo Capone Cunha e nem o beneficiário principal Michel 6% Temer.

A finalidade era conquistar o Estado por outro meio que não os votos e, uma vez feito isso, estabelecer um governo destinado a favorecer os plutocratas. Para tanto, programas sociais foram sendo postos no lixo mesmo sem Temer ser efetivado.

Temer. FHC. Aécio. Serra. Famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita, ao lado de seus comentaristas e editores de alto poder de famulagem. Sérgio Moro. Gilmar Mendes. O STF no conjunto.

Todas os nomes listados acima, apenas alguns entre tantos, são a escória destes tempos dramáticos para a democracia brasileira. E assim a posteridade os reconhecerá: seus filhos e netos haverão de se envergonhar de seu papel no golpe plutocrata.

Com Dilma é o oposto.

Ela foi claramente vítima de homens corruptos, ricos e inescrupulosos.

Não teve chance de governar desde que iniciou o segundo mandato que garantiu graças a 54 milhões de votos.

Foi imediatamente perseguida. Caçada. Aécio e FHC contestaram os votos das formas mais sujas possíveis. Em seu jornalismo de guerra, a mídia crucificou Dilma. A Lava Jato e Sérgio compuseram um circo infernal. No Congresso, Eduardo Cunha, com seus métodos de gangster, inviabilizou qualquer possibilidade de Dilma passar medidas que pudessem fazer frente à crise econômica.

Não bastasse isso, a esquerda acusou Dilma injustamente de colocar em prática um programa conservador.

Ora, ora, ora.

Estes dois meses de Temer mostraram o que é, efetivamente, uma plataforma conservadora. Mesmo nas cordas, Dilma não mexeu nas ações sociais que tiraram milhões de brasileiros da miséria nos últimos anos.

Temer está fazendo o que Aécio teria feito caso fosse vitorioso.

A posteridade reparará mais esta injustiça contra Dilma: a da esquerda míope, que tradicionalmente, na história, facilita os golpes da direita.

É uma desgraça nacional, do ponto de vista das coisas concretas, ver um projeto thatcherista ser imposto aos brasileiros quando o mundo avançado já renegou o legado de Margaret Thatcher.

O thatcherismo foi responsável pelo crescimento vertiginoso da desigualdade social nos últimos 30 anos, com seus pilares francamente a favor dos ricos.

Nem os herdeiros de Thatcher, os conservadores britânicos, ousam falar em seu nome para a sociedade. Não existe uma única estátua de Thatcher na Inglaterra. É sábido que, se erguida hoje, será derrubada amanhã.

E mesmo assim Thatcher inspira os responsáveis pela economia brasileira. Um país já tão desigual se tornará ainda mais injusto.

Dilma, repito, já foi absolvida e os golpistas condenados.

Caso o golpe seja efetivado em agosto, Dilma cairá de pé, maior do que jamais foi. E os golpistas ganharão de joelhos, condenados ao desprezo eterno dos brasileiros.

Paulo Nogueira
No DCM
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Deputado Paulo Pimenta denuncia “plano Temer” para adiar cassação de Eduardo Cunha


Denúncia do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), nesta quarta-feira (27), aponta as articulações de Michel Temer para adiar a votação de cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com Pimenta, que é vice-líder do PT na Câmara, Temer está “atuando pessoalmente” para que a votação só ocorra depois da decisão do Senado Federal sobre o impeachment de Dilma Rousseff.

Pimenta também revela que Michel Temer pretende que a sessão seja realizada “da maneira mais discreta possível”, durante a madrugada, com um plenário esvaziado e sem grande cobertura da mídia. Conforme o petista, o temor de Michel Temer é que, uma vez cassado, Cunha revele os acordos e as chantagens políticas firmadas para garantir o golpe, fazendo aumentar, ainda mais, a rejeição da população em relação ao governo interino.

Para Pimenta, Temer está sem saída. “Se for cassado, Cunha já avisou que não vai pagar a conta do golpe sozinho e que vai entregar tudo o que sabe, fazendo desmoronar, ainda mais, o governo interino. Já por outro lado, se o plano de Temer para adiar a votação der certo, ficará mais nítido para a sociedade brasileira que o golpe contra Dilma foi para garantir impunidade a Cunha e políticos ligados a Michel Temer investigados e réus no Supremo Tribunal Federal”, acusa Pimenta.

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia anunciado que a sessão que vai decidir sobre o futuro de Cunha seria na segunda semana de agosto, antes, portanto, da palavra final do Senado. “As informações que circularam na Câmara no dia de hoje e que foram confirmadas por interlocutores do Planalto, de que Temer está agindo e pressionando deputados para adiar a votação, são muito graves e acenderam a luz amarela”, revelou Pimenta.

Pressão: Pimenta defende cassação de Cunha em um domingo e com transparência total

Para evitar o adiamento da votação e impedir que a sessão ocorra durante a madrugada, o deputado Pimenta protocolou na Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara, na tarde desta quarta-feira, mais um pedido para que a sessão de cassação do ex-presidente Eduardo Cunha seja realizada em um domingo, nos mesmos moldes da votação do impeachment conferida contra a Presidenta Dilma Rousseff.

“Queremos toda cobertura da mídia e também que um púlpito seja colocado no plenário para que os deputados e deputadas sejam chamados um a um votar em alto e bom som no microfone, e a população possa saber quem defende Cunha. Nada de sessão na calada da noite, como quer Michel Temer”, cobra o parlamentar petista.

Pimenta defende que a sessão seja marcada para o dia 14 de agosto, o segundo domingo do mês. “Na próxima segunda-feira (1º), logo na reabertura dos trabalhos legislativos, vamos exigir que a Mesa esclareça o rito a ser adotado para cassação de Eduardo Cunha”, adiantou Pimenta.

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No Viomundo
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Marta e Matarazzo, "a chapa dos traíras"

O anúncio da aliança entre Marta Suplicy (PMDB) e Andrea Matarazzo (PSD) na disputa para a prefeitura de São Paulo gerou uma onda hilária de comentários nas redes sociais. A chapa foi apelidada de “Ma-Mata”, de “Coalizão do Morumbi”, de “Indústrias Reunidas Matarazzo”, entre outros nomes jocosos. Talvez o melhor rótulo, porém, seja o de “a chapa dos traíras”. Afinal, ambos traíram seu passado e seus partidos com objetivos meramente eleitoreiros. A dúvida é se a exótica aliança, que juntou dois ex-adversários raivosos, irá ludibriar os paulistanos. A ex-prefeita pode perder os votos que ainda possuía na periferia da cidade e o “vereador das abotoaduras de ouro” pode ser rejeitado pela elite paulistana.

No caso da senadora Marta Suplicy, ela abandonou o PT após várias eleições em que contou com a dedicação da militância e o apoio financeiro da sigla. A sua saída, marcada pelo ressentimento, foi barulhenta. Ela atacou duramente a presidenta Dilma, após ter sido sua ministra, e acusou a legenda de chefiar a corrupção no país. Na sequência, ela se filiou ao PMDB de Eduardo Cunha, Michel Temer e de outros moralistas sem moral. No ápice da sua conversão direitista, ela fez questão de votar pelo impeachment de Dilma, tornando-se cúmplice do “golpe dos corruptos”. Aos poucos, muitos simpatizantes que achavam que ela ainda era petista começam a abandoná-la nos bairros da periferia da capital.

Já o vereador Andrea Matarazzo, fundador do PSDB e fiel aliado do ex-governador José Serra, deixou a sigla após ser derrotado na prévia tucana — que teve direito a pancadaria e xingamentos. Ele também saiu atirando. Acusou o vencedor, o empresário-picareta João Doria, apadrinhado do governador Geraldo Alckmin, de ter comprado os votos dos filiados e de ter usado a máquina do Palácio dos Bandeirantes, com o loteamento de cargos e outras benesses. A sua desfiliação gerou fraturas na sigla. Os tucaninhos da Juventude se rebelaram e os velhacos tucanos, como o ex-presidente FHC e o “chanceler” José Serra, recusaram-se a participar da convenção que homologou a candidatura de João Dória, no último domingo.

Agora, os dois “traíras” se unem para enfrentar as eleições na mais importante capital do país. A aliança não foi fácil. Andrea Matarazzo sempre tratou com desdém — e até de forma desrespeitosa — a ex-prefeita petista. Como subprefeito e secretário nas gestões municipais de José Serra e de Gilberto Kassab, ele fez duras críticas ao legado de Marta Suplicy na capital. Chegou a afirmar, em março passado, que “é mais fácil uma vaca voar” do que ele ser vice da senadora. Parece que só recuou em função do péssimo posicionamento nas pesquisas e, principalmente, devido às pressões do seu tutor, José Serra, e do chefe da sua nova sigla de aluguel, o camaleônico Gilberto Kassab. Aqui vale a análise da Folha serrista:

* * *

“O processo de convencimento de Matarazzo passou por Serra e Kassab, ambos próximos dele. Nos bastidores, a mudança de ideia do vereador é vista como uma vitória de Kassab, que é presidente nacional do PSD e teria sido ‘habilidoso’ na costura política. Tanto Serra como Kassab são ministros do presidente interino, Michel Temer (PMDB). Apesar de ter dito que não vai participar das eleições, Temer apoia a candidatura de Marta e designou um de seus amigos mais próximos, o advogado José Yunes, para coordenar a campanha dela. O próprio Temer chegou a falar diversas vezes com Matarazzo por telefone, mas delegou a Yunes a função de selar o acordo com o PSD. Já a participação de Serra nessa aliança é mais um indício do desgaste que a escolha de Doria como candidato do PSDB causou à cúpula do partido em São Paulo”.

“Matarazzo encontrou-se na noite de domingo (24) com Kassab, Marta, Yunes e Márcio Toledo — marido da candidata e ligado ao PMDB — para discutir sua adesão à candidatura dela. A equipe de Marta desejava a aliança com o vereador por entender que, enquanto ela tem boa entrada na periferia, ele pode angariar votos entre as classes média e alta. Na avaliação da dupla, somam-se os votos vermelhos dela com os azuis dele. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no último dia 15, Marta tem 16% das intenções de voto, atrás apenas do deputado federal e apresentador de TV Celso Russomanno (PRB), que tem 25%. Já Matarazzo tem 3%”. 

* * *
O problema é que na política nem sempre a aliança pragmática dá votos. A soma oportunista pode é espantar eleitores!

Altamiro Borges
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Ódio aos blogs e retorno à Ditadura

Mídia pós-golpe não aceita ser contrariada, transforma notícia em ficção e regride mais de 30 anos


A chamada “grande mídia brasileira”, que está cada dia menor, usa a força de seu imenso aparato empresarial para manipular notícias e informações e transformar os fatos em pura ficção. E não é a ficção de Marcel Proust nem a de Thomas Mann, mas a das novelas insípidas da Globo.

O único senão que resta contra o totalitarismo da mídia é a má vontade dos blogs. Sem eles, sem a contradição e sem a exposição da mídia golpista ao ridículo, o mundo seria perfeito. Por isso, o sentimento de ódio e os ataques frequentes que a grande mídia dirige aos blogs.

Vive num mundo de fantasia quem acredita que a mídia não vai transformar seu ódio em guerra de extermínio contra os blogs. Por enquanto, assistimos a uma guerra de desgaste, de atrito, mas isso não vai durar para sempre.

Ainda que a mentira não seja fato novo na mídia, a falta de compromisso com a verdade ultimamente chegou à quintessência do desplante. Retornamos ao período pré-Nova República, aquela época (1984) em que a Globo anunciava no Jornal Nacional que o comício pelas Diretas Já na Praça da Sé, que reuniu 300 mil pessoas, era um evento de comemoração dos 430 anos da cidade de São Paulo.

A Folha de São Paulo, por sua vez, esquecendo sua tentativa de passar uma borracha no passado sinistro e se penitenciar de sua colaboração com a Ditadura, mea culpa que a levou a dar início a um projeto de jornalismo imparcial e equilibrado há 40 anos — mas que não durou tanto, é claro — mergulha novamente em práticas manipulatórias abaixo da linha da decência jornalística.

Enfim, a mídia brasileira regride voltando ao status quo ante, ou seja, à situação pré-Nova República, o que significa tornar-se, nada mais nada menos, que uma mídia de Ditadura. É o que temos hoje.

Um exemplo bem recente, e muito comentado, foi o da manipulação de dados de pesquisa do DataFolha sobre o apoio do eleitorado à figura de Michel Temer. Esse fato, que denuncia a total irresponsabilidade da mídia, agindo como se seus interesses justificassem qualquer distorção, já foi bastante discutido e me contento em remeter o leitor ao segundo artigo de Glenn Greenwald sobre o assunto.

Já que não podemos citar todos, porque são muitos, vejamos quatro exemplos da atual virada da mídia:

Para colaborar no esforço da Globo de promover um clima de ameaça terrorista, reforçando a iniciativa do governo Temer, através do seu ministro de Justiça, de prender um grupo de simpatizantes úteis na véspera das Olimpíadas, o ex-atleta e comentarista Tande recitou o script ditado pela emissora. No quadro que dividiu com Hortência, ex-rainha do basquete, Tande confidenciou que um dos momentos que marcou a sua história foi o atentado nas Olimpíadas de Munique, quando um comando palestino invadiu as instalações, sequestrou e matou diversos atletas israelenses (1972).

É provável que esse trágico acontecimento tenha sido lembrado pela produção do programa depois do episódio ocorrido no dia 22 na mesma Munique, quando um atirador matou 9 antes de cometer suicídio. De fato, são situações nefastas que nunca deveriam ter ocorrido. Involuntariamente, porém, ao fazer sua declaração, que tudo leva a crer nem foi imaginada por ele, o ex-jogador trouxe uma nota cômica. O fato é que o episódio aconteceu em setembro de 1972 e Tande nasceu em março de 1970. Portanto, ele tinha pouco mais de dois anos na ocasião.

É pouco provável que o pequeno Tande, embora a precocidade não possa ser descartada, desse alguma atenção à política internacional naquele período. Não fosse o crescente distanciamento do público (que nem notou) dos critérios de realidade, esse teria seria eleito um dos grandes micos da mídia nos últimos tempos. A cegueira do público (de direita e de esquerda) mostra a atual hipnose coletiva com a aproximação do evento.

Na mesma linha, a home do G1, embalando a atmosfera de terror, deu em letras garrafais a fuga de dois suspeitos de terrorismo para o exterior (22/07). Poderia haver prova mais contundente de que a ameaça terrorista era real do que dois envolvidos fugindo?

Dois suspeitos fogem

O link, contudo, aponta para uma matéria da rádio CBN em que não se encontra uma gota de verdade. Sem qualquer fonte, a matéria afirma com toda segurança informações que logo depois vão ser desmentidas, e cuja única função foi atuar como um factoide coadjuvante para criar a sensação de plausibilidade para as prisões arbitrárias (Vale ler o texto e depois ouvir o áudio, que chega a fazer acusações à mulher de um dos presos envolvendo-a na trama como a pessoa que teria dado o sinal para a fuga dos dois terroristas):

CBN - suspeitos fogem para o Paraguai

Outro episódio interessante, na mesma linha, apareceu na home da Folha-UOL, na qual se estampou uma chamada destinada, ao que parece, a amenizar as críticas que estão vindo à tona (junto com água, fios elétricos, esgoto, e outras impurezas da política brasileira) com os primeiros hospedes que chegam à Vila Olímpica.

O número de problemas de acabamento e defeitos registrados é tão grande que choca as delegações que se aventuram. No afã de amaciar para o governo Temer, uma chamada insistentemente grudada na home do UOL ontem (27/07) nos informava que haveria coisa pior pelo mundo:

Brasileiro já viu coisa pior

Embora não seja coisa agradável de ouvir quando alguém tenta disfarçar a imundície de uma residência, ou de uma Vila, com a alegada menção ao suposto desleixo (“situação pior”) do vizinho, o fato é que até isso na matéria é falso. Lendo a matéria, constatamos que o  halterofilista brasileiro Fernando Reis, em entrevista na terça-feira (26) na Vila Olímpica, disse coisa diferente:

“Já competi em inúmeros eventos nos Estados Unidos e na Europa e nem sempre as condições são as melhores”, emendou, em entrevista na tarde desta terça na Vila.

Uma coisa é ter visto “coisa pior”, outra muito diferente é dizer que “nem sempre as condições são as melhores”. Mas o mais interessante é que o título da matéria insiste em não ser fiel ao que o atleta disse: Atleta brasileiro defende Vila e diz que já competiu em condições piores no exterior. Essa insensibilidade à contradição, ou esse desprezo pela verdade, parece agir na crença de que a mídia tornou-se tão forte, que os títulos viraram palavras mágicas, bastando pronunciá-los para criar um real que se encaixaria perfeitamente no desejo dos patrões.

E não foi isso que a mídia fez no período que antecedeu ao golpe? A mídia dizia “fiat lux”, e fazia-se a luz. Pedia chuva, e chovia. A realidade, formada pela multidão de zumbis, se tornou cada vez mais dócil e amestrada. Não é à-toa, portanto, que o ódio aos blogs cresce diariamente na grande mídia. Eles são o grande obstáculo ao fascínio e à mágica da mídia.

Enfim, parece que chegamos a uma nova situação, em que a mídia está convencida de que bastam suas palavras para que a realidade brote, ofertando suas flores e frutos, não precisando senão que um apresentador, um repórter ou jornalista, as pronuncie. Estamos vivendo a era não do Anti-Cristo, mas do Anti-Nietzsche, já que em vez do crepúsculo dos deuses presenciamos a ascensão de uma nova divindade, a Mídia.

A Mídia divinizada logo ressuscitará os antigos códigos canônicos, aqueles que justificaram as atrocidades da Inquisição, e cobrará do judiciário a imolação dos novos infiéis, os blogs. Como a Globo, do alto do seu poder, tentou bloquear o aumento do Judiciário dizendo que era esquizofrenia temerária, pode ser que o assunto não prospere. É aguardar para ver.

Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES
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Facebook e YouTube passam a Globo em 2018

Por isso ela precisa tanto do Golpe (e do BNDES)!


Por sugestão de amigo navegante fã da Globo (muito!), o Conversa Afiada reproduz artigo de Marcelo Lobianco, na Meio e Mensagem:

A insustentável leveza do ser publicitário ou a história dos 3 porquinhos

Acredito fortemente que Facebook + Google terão mais investimentos de publicidade no Brasil que a TV Globo...em 2018.

Eu era comercial do iG em 2011, quando senti minhas receitas secarem no segundo semestre daquele ano. Era a chegada do Facebook no mercado publicitário brasileiro, decretando o fim do modelo dos portais. Atualmente com mais de 102 milhões de usuários e crescendo, uma incrível base de dados e formato publicitário de alto impacto, o Face desfila a perfeita combinação de branding e performance. Mas antes disso, com a entrada do Google em 2004, os jornais e revistas começaram a minguar. You Tube veio depois trazendo plataforma de vídeo e agora, os youtubers celebridades.

A internet deixou de ser nicho para ser mídia de massa e apesar de apenas 60% de penetração, o tempo de uso é crescente, sendo o celular a porta de entrada do digital para muita gente. O próximo segmento a sofrer queda de investimento publicitário serão as pay tvs. Se defendiam pelo público qualificado e hoje, é quem mais sofre com a falta de cobertura de seus pouco mais de 18 milhões de assinantes. Nicho né?

A internet comercial data de 1995, considerado marco zero da entrada de Amazon e eBay. Sofremos durante muito tempo e continuaremos ainda a penar na luta de uma conexão decente e de baixo custo, seja ela na banda larga ou no celular. Mas Netflix continua crescendo, Snapchat idem, o Instagram anunciou esta semana que têm 35 milhões de usuários no Brasil e You Tube vai começar a produzir conteúdos de qualidade. No país da novela das oito, o mercado publicitário passa a sofrer a mais profunda mudança em seu modelo de negócio.

Têm aquelas agências que ainda fingem que nada está acontecendo. Outro tanto de gente diz que inova, trás um monte de conceito enlatado mas continua fazendo do mesmo jeito. Mas têm aqueles que passam a investir em estrutura e pessoal, curva de conhecimento e cobrando por homem/hora. Cai a margem, mas mantém o cliente. Os novos ventos vão mostrar quem vai parar de pé.

No CAf
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TRF3 julgará incitação de violência a homossexuais por Silas Malafaia


O Tribunal Regional Federal (TRF3) negou um recurso do pastor Silas Malafaia em ação civil pública por incitação à violência contra homossexuais. O Ministério Público Federal (MPF) entrou com o processo após Malafaia criticar o uso de imagens de santos em publicidade pelo uso de preservativos, durante a Parada do Orgulho LGBT de 2011.

Durante o seu programa “Vitória de Cristo”, veiculado pela TV Bandeirantes, o pastor falou que a Igreja Católica deveria "entrar de pau" e "baixar o porrete em cima" dos homossexuais.

"Os caras na parada gay ridicularizaram símbolos da Igreja Católica e ninguém fala nada. É pra Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender (sic). É uma vergonha", defendeu Malafaia no programa na Bandeirantes.

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais Travestis e Transexuais (ABGLT) acionou o MPF que, após inquérito, concluiu pela ação civil, pedindo a retratação de, no mínimo, o dobro do tempo da mensagem homofóbica e que a TV não veicule conteúdo que incite violência ou desrespeito contra homossexuais, com fiscalização da União.

"A retratação pública visa a compensação natural do dano buscando a efetiva restauração da dignidade humana daqueles que tiveram lesados seus direitos, tendo ainda a função educativa de desencorajar o ofensor a reproduzir condutas semelhantes", afirmou a procuradora regional da República, Eugênia Augusta Gonzaga, na manifestação sobre o recurso de Malafaia.

O pastor já recorreu duas vezes da decisão do TRF3, que anulou a extinção da ação civil pública, sem julgamento do mérito, pela primeira instância, em setembro de 2015. Na ocasião, a justiça havia considerado que as declarações de Malafaia eram "legítimas", por se tratar de livre exercício de manifestação, declarando a "impossibilidade jurídica dos pedidos formulados". Já o TRF-3 entendeu que é preciso julgar o mérito da ação.

No GGN
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O Fascismo e a sua imbecilidade ilógica

http://www.maurosantayana.com/2016/07/o-fascismo-e-sua-imbecilidade-ilogica_27.html


Célebre por seus estudos sobre a França de Vichy, Robert Paxton dizia que o fascismo se caracteriza por uma sucessão de cinco momentos históricos: a criação de seus movimentos; o aparelhamento do setor público; a conquista do poder legal; a conquista do Estado; e, finalmente, a radicalização dos fins e dos meios — incluída a violência política — por intermédio da guerra.

O fascismo de hoje se disfarça de “liberalismo” no plano político e de neoliberalismo no plano econômico.

Seu discurso e suas “guerras” podem ser dirigidos contra inimigos externos ou internos.

E sua verdadeira natureza não pode ser escondida por muito tempo quando multidões uniformizadas, quase sempre com cores e bandeiras nacionais, descobrem "líderes" dispostos a defender o racismo, a ditadura, o genocídio e a tortura.

Que, quase sempre, são falsa e artificialmente elevados à condição de deuses vingadores.

E passam a ter seus rostos exibidos em camisetas, faixas, cartazes, por uma turba tão cheirosa quanto ignara, irrascível e intolerante, que os exalta com os mesmos slogans, em todos os lugares.

Repetindo sempre os mesmos mantras anticomunistas toscos, "reformistas" e "moralistas", contra a política e seus representantes — o “perigo vermelho”, a “corrupção” e os “maus costumes”.

Uma diatribe que lembra as mesmas velhas promessas e “doutrina” de apoio a outros "salvadores da pátria” do passado — que curiosamente costumam aparecer em momentos de "crise" aumentados intencionalmente pela mídia, ou até mesmo, a priori, fabricados — como Hitler, Mussolini, Salazar e Pinochet, entre muitos outros.

Não importa que as “bandeiras”, como a do combate à corrupção — curiosamente sempre presente no discurso de todos eles — sejam artificialmente exageradas.

Não importa que, hipocritamente, em outras nações, o que em alguns países se condena, seja institucionalizado, como nos EUA, por meio da regulamentação do lobby e do financiamento indireto, e bilionário, de políticos e partidos por grandes empresas.

Nem importa, afinal, que a Democracia, contraditoriamente, embora imperfeita, aparentemente — por espelhar os defeitos próprios a cada sociedade — ainda seja, para os liberais clássicos, o melhor regime para conduzir o destino das nações e o da Humanidade.

Como ensina Paxton, na maioria das vezes os grupos fascistas iniciais sobrevivem para uma segunda fase, quando, como movimentos ou ainda como mera tendência, discurso ou doutrina — muitas vezes ainda não oficialmente elaborada — passam a se infiltrar e impregnar setores do Estado.

Esse é o caso, por exemplo, de “nichos” nas forças de segurança, no Judiciário e no Ministério Público, que passam então, também, a prestar dedicada "colaboração" ao mesmo objetivo de "limpeza" e "purificação" da Pátria.

Com o decisivo apoio de uma imprensa — normalmente dominada por três ou quatro famílias conservadoras, milionárias, retrógradas, entreguistas — que atua como instrumento de "costura" e "unificação" do "todo", por meio da pregação constante dos objetivos a serem alcançados e da permanente glorificação, direta ou indireta, do "líder" maior do processo.

Não por acaso, Mussolini e Hitler foram capa da Revista Time, o primeiro em 1923, o segundo em 1938, e de muitas outras publicações, em seus respectivos países, quando ainda estavam em ascensão. Não por acaso, nas capas de jornais e revistas, principalmente as locais, eles foram precedidos por manchetes sensacionalistas e apocalípticos alertas sobre o caos, a destruição moral e o fracasso econômico.

Mesmo que em alguns países, por exemplo, a dívida pública (líquida e bruta) tenham diminuído desde 2002; a economia tenha avançado da décima-quarta para a oitava posição do mundo; a safra agrícola tenha duplicado; o PIB tenha saído de 504 bilhões para mais de 2 trilhões de dólares; e, apesar disso, tenha sido reunida, entre dinheiro pago em dívidas e aplicações em títulos externos, a quantia de 414 bilhões de dólares em reservas internacionais em pouco mais de 12 anos.

Da fabricação do consentimento que leva ao fascismo, e às terríveis consequências de sua imbecilidade ilógica e destrutiva, não faz parte apenas a exageração da perspectiva de crise.

É preciso atacar e sabotar grandes obras e meios de produção, aumentando o desemprego e a quebra de grandes e pequenas empresas, para criar, por meio do assassinato das expectativas, um clima de terror econômico que permita tatuar a marca da incompetência na testa daqueles que se quer derrubar e substituir no poder, no futuro.

Criando, no mesmo processo, “novas” e “inéditas” lideranças, mesmo que, do ponto de vista ideológico, o seu odor lembre o de carniça e o de naftalina.

Como se elas estivessem surgindo espontaneamente, do “coração do povo”, ou dos “homens de bem”, para livrar a nação da “crise” — muitas vezes por eles mesmos fabricada e “vitaminada” — e salvar o país.

Afinal, é sempre com a velha conversa de que irá “consertar” tudo, corrigindo a desagregação dos costumes e os erros da democracia, que sempre apresenta como irremediavelmente, amplamente, podre e corrompida até a raíz — como Hitler fez com a República de Weimar — que o fascismo justifica e executa seu projeto de conquista e de chegada ao poder.

É com a desculpa de purificar a pátria que o fascismo promulga e muda leis — muitas vezes ainda antes de se instalar plenamente no topo — distorcendo a legislação, deslocando o poder político do parlamento para outros setores do Estado e para “lideres” a princípio sem voto.

É por meio de iniciativas aparentemente “populares”, que ele desafia a Constituição e aumenta o poder jurídico-policial do Estado no sentido de eliminar, impedir, sufocar, o surgimento de qualquer tipo de oposição à sua vontade.

Para manter-se depois, de forma cada vez mais absoluta, no controle, por meio de amplo e implacável aparato repressivo dirigido contra qualquer um que a ele venha a oferecer resistência.

Aprimorando um discurso hipócrita e mentiroso que irá justificar a construção, durante alguns anos, de um nefasto castelo de cartas, do qual, no final do processo, sobrarão quase sempre apenas miséria, desgraça, destruição e morte.

É aí que está a imbecilidade ilógica do fascismo.

Tudo que eventualmente constrói, ele mesmo destrói.

Não houve sociedade fascista que tenha sobrevivido à manipulação, ao ódio e ao fanatismo de seus povos, ou ao ego, ambição, cegueira, loucura e profunda vaidade e distorção da realidade de “líderes” cujos sonhos de poder costumam transformar-se — infelizmente, depois de muito sangue derramado — no pó tóxico e envenenado que sobra das bombas, das granadas e das balas.
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Folha da Turquia

Para esconder os expurgos brasileiros, em curso pela Cleptocracia instalada no Planalto pela mídia a serviço dos seus finanCIAdores ideológicos, a Folha de São Paulo comete um ato falho. Por que o golpe na Turquia tem importância mas o golpe no Brasil resta tratado como um fato da natureza. Como dizem os golpistas, as instituições golpistas estão funcionando. A única coisa que não funciona no Brasil do golpe paraguaio é a verdade. Nossa mídia nunca funcionou como tal. Sempre esteve à serviço da plutocracia. Nossas instituições existem para que a plutocracia continue sendo como há 500 anos.

O medo estampado na capa deste 28/07/2016 é mais uma cortina de fumaça, igual àquela em que fraudou uma pesquisa para tentar nos convencer que Temer é um estadista. Nem os jornais italianos ou alemães de dos anos 30 do século passado foram tão longe para tratar Mussolini e Hitler como o fazem hoje Folha, Estadão, Veja, Globo & RBS. A Folha não está nem aí para os expurgos que a dupla Michel Temer & Eduardo CUnha, para atender interesses da Rede Globo, pratica no MINC. Foram 81 funcionários postos na rua porque Michel Temer precisa fazer funcionar sua máquina de destruição, e, ao mesmo tempo, adular seus patrocinadores. Os expurgos na EBC também não vem ao caso. Talvez seja o caso de se perguntar quanto da velha mídia sobraria se Dilma voltar e implantar os métodos de Erdogan?!

Hoje buscam dizer que o golpe turno foi  um auto golpe. Mas o que foi o golpe brasileiro? Quais foram as bases para afastar Dilma? Aliás, quais são os fatos que levam à caçada obsessiva do grande molusco? A velha mídia recrutou mercenários para massacrar o PT e expurgar Dilma e Lula.

Pelo andar da carruagem a única saída para Lula será se filiar ao PSDB e encher seus pedalinhos de cocaína. Hoje no Brasil os únicos inimputáveis são os filiados ao PSDB e os grandes traficantes.

No Brasil da Folha tem mais chance de virar ministro um mega traficante de cocaína do que um dono de pedalinho.

A Turquia é aqui!

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida
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