27 de jul de 2016

Filha de Temer diz por que manter os Programas Sociais que o pai Michel quer destruir (Vídeo)


Luciana Temer é Secretária Municipal de Desenvolvimento Social do Prefeito Fernando Haddad. Ela não acompanhou a intentona golpista do pai Michel. E nesta entrevista a Paulo Henrique Amorim, Luciana mostra a importância dos Programas Sociais como o Bolsa Família, Brasil Carinhoso, PRONATEC e o papel da Assistência Social para o CADÚnico – Cadastro Único das Políticas Sociais, grande instrumento para a intersetorialidade das Políticas Públicas. Imperdível entrevista, onde Luciana mostra que foram os Programas Construídos nos Governos do PT, que mudaram a cara do Brasil e tiraram milhões da pobreza e da Miséria.



Do CAf
No Luiz Müller Blog
Leia Mais ►

PF indicia donos do jatinho de Eduardo Campos?

Relatório Final da 'Turbulência' indicia dezenove sem foro privilegiado

Delegados Federais responsáveis pela "Turbulência"
O Relatório Final do Inquérito Policial no 163/2016-SR/PF/PE
 (Processo Judicial no 0004073-09.2016.4.05.8300
) referente à Operação Turbulência, da Polícia Federal e que tramita perante a 4ª Vara Federal de Recife/PE
, instaurado em 17/03/2016
, indiciou dezenove pessoas pelos crimes previstos  nos tipos penais do art. 2º, da Lei nº 12.850, do art. 1º, da Lei no 9.613/98 e art. 299, do Código Penal.


Os indiciados foram João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho (preso), Eduardo Freire Bezerra Leite (preso), Apolo Santana Vieira
 (preso), Arthur Roberto Lapa Rosal
 (preso), Paulo Gustavo Cruz Sampaio, Severina Divanci de Moura
, Pedro Neves Vasconcelos
, Vlamir Nogueira de Souza, Silvânia Cristina Dantas
, Bruno Alexandre Donato Moutinho, Carlos Roberto de Macedo, João Victor de Albuquerque Santos Sobral, Gilberto Pereira da Silva, Sérgio André Mota Mariz, Diana Margarida Ferry Vieira, Cledeilson Nogueira de Souza, Neusa Maria de Souza, Kleyton Albert da Silva, Carolina Gomes da Silva. Paulo César de Barros Morato, consta na lista de indiciados, mas como já é público e notório, foi encontrado morto num motel em Olinda, logo após a decretação de sua prisão preventiva. Leiam, alguns trechos do Relatório:

“Em atenção ao disposto no art. 15 da Lei no 9.613/98, o COAF encaminhou à Polícia Federal o relatório de inteligência financeira no 144637 comunicando movimentações financeiras atípicas detectadas nas contas das empresas Geovane Pescados Eireli e Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda. no ano de 2014, ambas envolvidas na aquisição da aeronave CESSNA CITATION, prefixo PR-AFA, consoante já visto.

Considerando que os fatos supostamente delituosos foram trazidos ao conhecimento da Polícia Federal por intermédio de relatório de inteligência financeiro elaborado pelo COAF, e a fim de confirmar a existência de elementos mínimos de justa causa para instauração de inquérito policial, em atenção ao preceituado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RE no HABEAS CORPUS No 191.378 - DF (2010/0216887-1), foram realizadas diligências preliminares as quais evidenciaram que a empresa Geovane Pescados Eireli não funcionava no endereço constante de seu cadastro, sendo, na verdade, a residência seu sócio, Geovane de Sá Barreto, pescador, o qual desconhecia a existência da empresa em seu nome. Trata-se, pois, de empresa fantasma, constituída em nome de “laranja”.

Da mesma forma, em diligência in loco a equipe policial constatou que no lugar onde deveria funcionar a empresa Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda. tinha atividade, em verdade, a Shift Comunicação e Soluções Tecnológicas.

Ademais, observou-se que ambas as empresas noticiadas pelo COAF teriam transacionado diversas vezes não apenas entre si, mas também com algumas pessoas igualmente envolvidas na aquisição da aeronave Cessna Citation PR-AFA, como João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho e Eduardo Freire Bezerra Leite (inclusive de empresas vinculadas a eles).

Chamou ainda a atenção dos investigadores que diversas pessoas físicas e jurídicas, as quais teriam recebido ou remetido valores de/para a Geovane Pescados Eireli e de/para a Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda., também figuravam como remetentes e/ou beneficiários de recursos provenientes ou encaminhados por João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Eduardo Freire Bezerra Leite, deixando claro o vínculo existente entre eles e as operações financeiras suspeitas.

Convém destacar, conforme se demonstrará adiante, que a maioria dessas contrapartes em comum também são “laranjas” (quando pessoas físicas) ou empresas de fachada (quando pessoas jurídicas), inclusive com vínculos em comum (identidade de sócios ou de endereços), sugerindo, de um lado, que todas elas estivessem sendo utilizadas pelo mesmo grupo criminoso, e de outro, que o esquema inicialmente investigado era bem maior do que se supunha.

Sendo assim, existindo justa causa suficiente a ensejar a instauração formal de uma investigação, promoveu-se o tombamento do inquérito policial no 163/2016-SR/PF/PE.”

(…)

“Vale salientar que, diante da morte de Paulo César de Barros Morato ocorrida no dia seguinte à deflagração da presente operação policial, a Polícia Civil encaminhou a essa unidade policial todos os documentos apreendidos no local do crime. Foram selecionados apenas aqueles que pudessem guardar pertinência com o presente feito, os quais foram apreendidos, restituindo-se os demais itens ao órgão incumbido da investigação das causas da morte. As mídias, telefones e pen drives apreendidos foram encaminhados ao setor pericial para extração dos dados nele insertos. Nesse ínterim, importante registrar que foi solicitada cópia do atestado de óbito, porém até o presente momento ainda não foi juntada aos autos.

Com relação às pendências ora narradas, tão logo as respostas aportarem nessa unidade policial, serão prontamente encaminhadas ao MM. Juízo onde tramita esse feito.

Diante de todas as provas coligidas nos presentes autos, restou claro que as pessoas envolvidas na aquisição da aeronave que vitimou o ex-governador, quais sejam, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santa Vieira não apenas integravam, mas também eram os principais expoentes de verdadeira organização criminosa, nos moldes apregoados no art. 2o da Lei no 12.850/2013.

Por outro lado, o emaranhado de contas de pessoas físicas e jurídicas utilizadas nessas transações revela o propósito dessa organização criminosa de dificultar o rastreamento dos recursos, bem como de ocultar o verdadeiro responsável pelas operações financeiras, indicando que o grupo se presta essencialmente à atividade criminosa de lavagem de dinheiro.

Aliás, a partir dos elementos de prova coletados no bojo da Operação Lava Jato, seja aquela em trâmite perante a 13ª Vara Federal de Curitiba ou perante o Supremo Tribunal Federal — devidamente compartilhados com a presente investigação — restaram cristalizados eventos de branqueamento de capitais efetivamente atribuídos à organização criminosa em tela, inclusive com os crimes antecedentes a eles vinculados, permitindo-nos identificar o seu modus operandi e os seus integrantes, conforme passaremos a analisar a seguir.”

(...)

Noelia Brito
Leia Mais ►

“Nossa luta não é só por democracia, mas por outra civilização”, diz Mujica


Para o senador e ex-presidente do Uruguai, a mudança cultural deve ser o motor das novas gerações

Para o senador e ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o atual contexto político do Brasil e da América Latina, com o avanço das forças de direita, não pode ser visto com desânimo. “Nós aprendemos muito mais com as derrotas do que com as vitórias. É preciso levantar e começar de novo”, declarou Mujica durante o Seminário Democracia na América Latina, que reuniu milhares de pessoas nesta quarta-feira (27) em Curitiba.

Segundo o senador, a democracia está em risco no mundo inteiro devido a duas questões centrais: a concentração da massa financeira nas mãos dos ricos e a crescente desigualdade na Terra. “Nunca o homem teve tantos recursos e meios científicos e técnicos para erradicar a fome e a miséria dos povos˜, disse o ex-presidente, enfatizando que o grande problema não é ecológico, mas político. “Temos 80 senhores que possuem o mesmo que outros 3 bilhões de habitantes”.

O ex-presidente destacou que, antes de mais nada, é preciso mudar a cultura. “Sem mudar a cultura não muda nada”, sentenciou. Como cultura, entende-se, a mentalidade de vida. Deixar o consumismo de lado, promovendo principalmente a vida e a felicidade humana como centro da sociedade.

Mujica opinou ainda que o crescimento econômico só se justifica se ocorrer para o desenvolvimento da felicidade humana. “Fomos transformados em uma máquina de consumismo. A acumulação capitalista necessita que compremos, compremos e gastemos e gastemos. Vendem mentiras até que te tiram o último dinheiro. Essa é a nossa cultura e a única saída é a contracultura”, afirmou.

Democracia em foco

Organizado pelo laboratório de Culturas Digitais, projeto do Setor de Educação da UFPR, o evento ocorreu com o objetivo de fomentar o debate sobre a ameaça aos regimes democráticos na América Latina, a partir do atual contexto de golpe institucional no Brasil.

Sobre esse assunto, na opinião de Pepe Mujica, é necessário pensar um outro modelo de democracia. “A democracia do futuro não pode ser a democracia de gente sob medida, de campanhas e propaganda para satisfação do mercado. Aquela vende um candidato político como se fosse pasta de dente. Se a política é isso estamos fritos”, criticou.

“A democracia é uma luta permanente, não é o conformismo. E o nosso papel é lutar por um mundo melhor. O que vale é a vida”, finalizou.

Convidados

Participaram da mesa, junto com Mujica, a integrante da Rede de Mulheres Negras do Paraná e Secretária de Direitos Humanos da ABGLT, Heliana Hemeterio dos Santos; o Doutor em História pela FFLCH-USP, Gilberto Maringoni; a Mestre em Educação pela UFPR e professora da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA), Lívia Morales; e a pesquisadora na área de políticas educacionais e movimentos sociais da UFPR, Andrea Caldas.

Durante sua exposição, Gilberto Maringoni criticou incisivamente a política de Estado mínimo proposta pelo governo interino de Michel Temer. De acordo com ele, as propostas de cortes orçamentários nos programas sociais representam uma opção política. É o livre mercado e ele só tem uma alternativa: o ajuste fiscal e reduzir direitos sociais. Não tem saída porque estamos sem dinheiro”, disse ele, reproduzindo o discurso majoritário do atual Governo Federal.

Hemeterio questionou a efetividade da construção democrática em um país no qual, a cada 23 minutos, um jovem negro é morto. “A democracia latino-americana não inclui o povo negro. Não podemos falar de democracia a partir do nosso umbigo, sem incluir as mulheres negras, as mulheres lésbicas, as mulheres pobres, avaliou.

A professora Livia Morales, da UNILA, destacou a necessidade de respeitarmos e valorizarmos as diversidades. “A política é o lugar da diferença. Quem gosta de tudo igual ao mesmo tempo é facista. Precisamos aprender a lidar com as diferenças, conversar com as pessoas”, afirmou.

As falas foram recheadas de palmas e gritos por “fora Temer”e “fora Beto Richa”.

Tecnologia e participação social

Apesar de não ser aberto para perguntas, o seminário utilizou a tecnologia para fomentar o debate. Por meio da ferramenta “Delibera”, construída pelo Laboratório de Culturas Digitais, os participantes puderam enviar perguntar e votar nas mais interessantes.

O esforço de desenvolver ferramentas e metodologias de participação é um dos principais focos do projeto. Segundo o coordenador executivo do Laboratório, João Paulo Mehl, as pessoas precisam se apropriar do conhecimento gerado e também gerar conhecimento. Ele reforça que a tecnologia não deve ser tratada apenas sob o ponto de vista do especialista, mas de todos, desde os povos indígenas, aos programadores, designers e quilombolas.

Nesse sentido, a tecnologia utilizada e desenvolvida pelo Laboratório, por meio dos software livres, é aberta para ser revista, aprimorada e replicada por qualquer pessoa. Um dos exemplos de utilização da plataforma “Delibera” se dá no Conselho Nacional de Política Cultural, onde a ferramenta permite dar transparência e elaborar metodologias de decisões coletivas para o aprimoramento e fortalecimento de políticas publicas e programas.

Para Mujica, as tecnologias “não têm moral”. Portanto, caberá aos homens e mulheres da nova geração fazer o bom uso delas. “A evolução tecnológica, gostemos ou não, irá mudar a dinâmica social”, lembrou, afirmando que a interação proporcionada pelos meios digitais promovem outro tipo de integração, que pode fazer com que a democracia no futuro seja muito mais desenvolvida do que a atual democracia representativa.


Camilla Hoshino, Carolina Goetten e Gibran Mendes com fotografias de Leandro Taques, para os Jornalistas Livres
Leia Mais ►

Em busca da peça final para prender Lula


Em fins de fevereiro, um conflito entre o Ministério Público Estadual de São Paulo e a força-tarefa da Lava Jato do Paraná colocava em risco a jóia da coroa das investigações de mais de dois anos de trabalho do juiz Sergio Moro: a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Os avanços até então obtidos pelos procuradores e delegados com a revelação do sistemático esquema de corrupção dentro da Petrobras permitiu à equipe não apenas deixar à luz da opinião pública e sociedade a prática reproduzida em outras estatais brasileiras, como também aperfeiçoar a obtenção das provas. 

Mas o recorte do que seria investigado e até onde o trabalho dos investigadores avançaria escancarou uma estratégia polêmica: delações premiadas e prisões preventivas, e redução de penas dos delatores, em contraposição ao risco de quebra de importantes empresas para o mercado brasileiro. 

Para se chegar ao objetivo, nenhuma dessas medidas poderia ser questionada, abrindo espaço para a anulação da operação.

Neste sábado, o GGN revelou que de posse dos grampos há apenas 5 dias, desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Vara Federal de Curitiba a utilizar o conteúdo das conversas de Lula com políticos e aliados nas investigações, Sergio Moro avançou no caso, emitindo inclusive juízo sobre a interpretação dos áudios. [Leia aqui]

No despacho, Moro entregou uma das peças-chaves para entender esse processo: admitiu que um dos motivos para determinar a condução coercitiva de Lula, no dia 4 de março deste ano, foi o conteúdo dos grampos, revelados à imprensa no dia 16 de março. Mas por que o juiz do Paraná decidiu levantar o sigilo dos áudios apenas 11 dias depois?

O GGN mostra, agora, o orquestramento da investigação.

O motivo para a prisão coercitiva de Lula naquele mês foi a constatação de que o ex-presidente estava acompanhando os passos dos investigadores, recebendo informações de suspeitas de buscas e apreensões e outras medidas da Lava Jato sobre ele. 

Apesar da hipótese, Moro não tinha a comprovação de que o ex-presidente atuava para obstruir a Justiça, o que sustentaria um pedido de prisão, mas sentia seu avanço ameaçado. Outro delimitador era que, aquela época, a investigação não era exclusiva da equipe do Paraná. Estava nas mãos do Ministério Público Estadual de São Paulo o caso sobre o triplex do Guarujá. 

O levantamento do sigilo de conversas entre Lula e detentores de foro seria a segunda ameaça de os processos contra o ex-presidente saírem do controle de Sergio Moro, podendo ser transferidos ao Supremo. Para efetivar uma acusação ou denúncia, a apuração precisaria ser muito bem fundamentada. Um só passo em falso significaria o fim dos trabalhos. 

Cercado pelas diversas frentes, Moro preparou o terreno e tratou de avançar nas investigações desde os últimos dias de fevereiro até aquele 16 de março, quando levantou o sigilo dos áudios.

O trabalho foi feito até o ponto em que precisou arriscar perder os autos, no dia 16 março: data da nomeação do ex-presidente para a equipe ministerial de Dilma Rousseff. Foi quando levantou o sigilo do ex-presidente com políticos e, na mesma tacada, adiantou ao STF "provas fortuitas" contra Dilma [Leia aqui]. Já neste último passo, o objetivo era recorrer ao melhor escudo de Moro até hoje: a opinião pública pelos meios de comunicação.

Os dias que antecederam a liberação dos áudios

Na última semana de fevereiro, mais especificamente no dia 22, a equipe de Sergio Moro deflagrava a Operação Acarajé, decretando a prisão do marqueteiro João Santana e de sua esposa, Monica Moura, responsáveis pelas campanhas à Presidência de Lula, em 2006, e de Dilma, em 2010 e 2014.

Naquela semana, o primeiro dos obstáculos surgia: os procuradores da Lava Jato e os promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo eram postos a conflito sobre de quem era a competência para investigar o ex-presidente. O pedido foi da própria defesa de Lula, que questionou o STF.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem sequer esperou o pedido da relatora Rosa Weber, e enviou uma manifestação do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, alegando não haver conflito de atribuições. No dia 29 de fevereiro, Dallagnol sustentava que os casos das reformas no apartamento triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia não tinham relações com a investigação do MPSP, sobre o edifício no litoral paulista. 


"No que tange ao PIC [Procedimento Investigatório Criminal] conduzido pelo MPF, as provas em cognição sumária são no sentido de que os fatos sob apuração, além de reproduzirem tipologia criminosa de lavagem de capitais já denunciada no âmbito da Operação Lava Jato, envolvem José Carlos Bumlai, executivos da construtora Odebrecht, e executivos da construtora OAS, todos investigados e muitos dos quais já denunciados no esquema de corrupção que assolou a Petrobras", defendia o procurador. 

Observação do documento

O ofício do MPF foi enviado à grande imprensa, que deu ampla repercussão ao caso. Não disponível nos arquivos do STF [Acompanhe aqui], o documento foi encontrado pelo GGN nos arquivos do PSDB [Acesse aqui].

Na página dois, Dallagnol argumenta que o próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi quem enviou a denúncia referente ao ex-presidente Lula para a força-tarefa da Lava Jato apurar.


O anexo 5 traz o despacho de Janot. Datado do dia 2 de julho de 2015, o PGR afirma que a representação para investigar Lula partiu do deputado federal Wherles Fernandes da Rocha (PSDB-AC), com base em uma reportagem noticiosa que traz "supostas condutas ilícitas". Janot determinou o envio do caso à equipe de Moro.


Contudo, o procurador-geral ressaltou naquela decisão que "se surgir algum elemento objetivo que indique envolvimento de detentor de prerrogativa de foro, seja imediatamente encaminhado para a PGR para apreciação". Sabe-se, agora, que esse trecho do despacho foi ignorado pela equipe de Moro.

Com o arquivo remetido diretamente por Janot, Rosa Weber deu razão aos procuradores, em desfavor dos advogados de Lula que questionavam a competência. Moro assegurava-se de que o caso estava em suas mãos, agora com aval do Supremo para seguir com a fase iniciada no dia 27 de janeiro, a Triplo X.


A aliança com a imprensa

Conforme as investigações se aproximavam do ex-presidente, os bastidores da política e dos editoriais daquele período miravam o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Havia o receio de que a nomeação de Lula como Ministro atrapalhasse o processo de impeachment.

No dia primeiro de março, os jornais atribuíam a nomeação do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva à influência do ex-presidente. Atribuía-se ao governo Dilma a intenção de aumentar o controle sobre as atividades da Polícia Federal, logo após Lula virar alvo dos investigadores. 

Manchetes da Folha de S. Paulo dos três primeiros dias de março de 2016

Mas ainda que com o apoio dos grandes jornais na mira contra Lula e a recente vitória no Supremo, respaldados por Janot, os investigadores sofreram novo imprevisto dos promotores do MPSP. 

Na semana seguinte à condução coercitiva de Lula, que já havia causado grande impacto e repercussão negativa, no dia 9 de março, os promotores Cássio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Moraes de Araújo assinaram uma denúncia contra o ex-presidente por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro na aquisição do triplex em Guarujá. 

A precária qualidade técnica da denúncia ameaçava colocar a perder a precaução adotada pelos investigadores do Paraná com o caso do ex-presidente. De imediato, a equipe tratou de mobilizar os jornais, que levaram críticas ao documento nos dias que seguiram. 

Procuradores da Lava Jato falaram em "off", criticando as lacunas técnicas da denúncia. A Procuradoria-Geral mostrou-se irritada com a peça. Vladimir Aras, um dos procuradores que atua ao lado de Janot na cooperação internacional, chegou a publicar nas redes sociais que o texto era "imprestável a qualquer juízo".

O próprio magistrado do Paraná fez conhecer que estaria "indignado" com o pedido de prisão preventiva feito pelo MPSP. As críticas se estenderam por colunistas de O Globo, como Merval Pereira, Ricardo Noblat, da Época, Diego Escosteguy, Mônica Waldvogel, da Globonews, entre outros.

Moro se irritou, porque dias antes ele substituía a prisão de Lula pela coerção, em tempo de evitar maiores danos à credibilidade da força-tarefa junto ao meio jurídico. No dia 4, quando obrigou o ex-presidente a depor às autoridades, o magistrado agora admite que o motivo estava nas conversas telefônicas gravadas semanas antes. E arriscou na coerção para tentar as últimas provas e, ao mesmo tempo, amedrontar o ex-presidente de que os investigadores estavam dois passos adiante, evitando estratégias de sua defesa.

Para a acusação contra Lula faltava uma peça final. A medida dos promotores de São Paulo, logo no início de março, prorrogou por alguns meses mais a conclusão.  

A peça final

Em entrevista recente concedida ao GGN, o procurador Vladimir Aras, um dos braços de Rodrigo Janot e papel-chave da Lava Jato na cooperação internacional, afirmou que a autoincriminação é a mãe das provas do Direito Penal. [Leia aqui]

A delação premiada é a confissão do ilícito com o compromisso de delatar terceiros. O benefício para o acordado é a redução da pena. 

A prisão de Marcelo Odebrecht, há mais de um ano na 14ª fase da Lava Jato e já condenado no dia 8 de março, a negociação para o acordo com Léo Pinheiro, da OAS, desde que a empreiteira está na mira da força-tarefa, na 22ª fase, e as denúncias já apresentadas contra os publicitários João Santana e Mônica Moura, em abril deste ano, todas buscam como objetivo final a delação. Junto com a delação, a tática dos investigadores é solicitar documentos aos réus ainda nas negociações para o acordo, uma vez que a própria delação, por si só, não se caracteriza como prova.

Neste percurso, os investigadores depararam-se com documentos como a lista da Odebrecht — uma superplanilha que cita dezenas de partidos e políticos como supostos destinatários de repasses da empreiteira. Além de remeter o documento direto ao Supremo Tribunal Federal (STF), Moro tratou, ainda em março, de garantir que a investigação que pode respingar em outros partidos tramite em sigilo.

Há exatamente uma semana, João Santana e sua esposa e sócia davam entrada no jogo da delação, ao mesmo tempo em que Sergio Moro recebia do Supremo a permissão para trabalhar com os grampos de Lula — comprovando o sucesso das táticas utilizadas.

Em tempo: Com os últimos detalhes para começar as delações dos empreiteiros Marcelo e Léo Pinheiro, após meses de desgastantes negociações, o noticiário desta terça (26) amanhece com a tensão interna de executivos das empreiteiras, ao que tudo indica pressionados para entregar a jóia da coroa da Lava Jato.

Arquivo




Patricia Faermann
No GGN
Leia Mais ►

O que levou Temer a usar o filho de 7 anos numa operação de marketing rasteiro


A biografia de Michel Temer acaba de cruzar com a de Fernando Henrique Cardoso em mais um aspecto lamentável — e não me refiro à vocação golpista.

No mês passado, numa entrevista à Al Jazeera, FHC evocou o filho Tomás para provar ao jornalista Mehdi Hasan que era um cidadão de bem.

“Essa senhora [Mírian Dutra] tem um filho. Ela diz que é meu”, disse ele. “O DNA provou que não é. De qualquer jeito, eu gosto do cara. Eu banquei sua educação o tempo todo com meu dinheiro, usando o Banco Central. Eu mandei dinheiro para o cara.”

O rapaz surgiu na discussão por obra e graça do velho, que se amparou nele como uma tábua de salvação moral.

Na terça, 26, o interino, tentando ver se conseguia transmitir uma imagem de normalidade, provavelmente preocupado com o resultado trágico das pesquisas, resolveu expor estupidamente o filho Michel, de 7 anos.

Temer mandou seus assessores — e eles obedeceram — avisarem a imprensa que estaria na escola dele com a mulher, Marcela.

Um dos golpes mais baixos no manual da busca pela popularidade. E a imprensa amiga obedeceu e cobriu e mostrou.

Era o primeiro dia de aulas do pequeno Michel. Ele saiu antes dos colegas para encontrar os pais e todos poderem posar para as câmeras. De longe, Temer acenava para os fotógrafos enquanto orientava o caçula sobre como proceder diante dos paparazzi de casa.

Alguém lhe questionou se ele passaria a fazer aquilo todos os dias. Temer, solerte, respondeu: “Só hoje! Só hoje!”. O sujeito estava representando um papel que não vai mais se repetir. Michel Jr. deve estar achando que o pai fez aquilo numa boa, por puro amor e consideração, e que repetiria o gesto.

No tumulto, uma mãe gritou para os profissionais da mídia: “Vai ser todo dia essa palhaçada?”. “Vão atrás dos corruptos, ele é só uma criança”, falou outra. Elas seriam, depois, informadas que o Planalto havia convocado a galera e que podiam ficar tranquilas. O tempo de ir atrás dos corruptos passou.

Que tipo de homem coloca sua criança de 7 anos como peça de um plano de marketing mequetrefe? Quem ele pensa que engana? Alguém pensou no moleque ou está combinado que ele serve apenas para enfeitar o museu de cera de Michel, assim como mamãe?

E por que a imprensa compareceu em peso a essa encenação meia boca?

Numa entrevista com Dilma, eu quis saber se ela esperava que o vice decorativo a fosse trair e se o confrontou quando a conspiração ficou clara. Dilma disse que o interpelou e que não achava que ele fosse capaz de fazer o que fez “por um motivo não mencionável”.

A cada demonstração da elasticidade do caráter de Temer, esse motivo não mencionável cresce e fica mais misterioso e feio.



Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Estadão odeia a democracia e o voto popular


Quem já leu o livro “Nascidos para perder”, do jornalista Mylton Severiano, sabe que o oligárquico jornal Estadão sempre detestou a democracia. A famiglia Mesquita chegou a estocar armas no forro da redação do diário para derrubar Getúlio Vargas; ela foi uma das protagonistas do golpe de 1964, escrevendo o primeiro esboço das medidas de exceção da ditadura militar; ela nunca tolerou qualquer avanço social, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou a construção de uma nação soberana, devido ao seu complexo de vira-lata diante dos EUA. Neste sentido, para quem conhece a sua história, não causou surpresa o editorial publicado nesta terça-feira (26), intitulado “A maioria também se equivoca”.

No antológico editorial, que poderá ilustrar futuras reedições da obra do saudoso Mylton Severiano, a famiglia Mesquita faz uma desesperada defesa do “golpe dos corruptos” que conduziu o Judas Michel Temer ao Palácio do Planalto. Diante das recentes pesquisas que atestam o forte desgaste dos golpistas e reforçam a tese da realização de novas eleições presidenciais no país, o Estadão decreta simplesmente que o voto da sociedade não importa. Na prática, excluindo-se o malabarismo retórico, o editorial se contrapõe ao princípio de que “a manifestação direta da vontade dos indivíduos seja o caminho democrático para a tomada de decisões relevantes como a escolha de governantes”.

O medo-pânico da famiglia Mesquita é que uma consulta popular resulte em nova vitória das forças progressistas. “A defesa de eleições presidenciais diretas antecipadas pode servir ao lulopetismo”, confessa o Estadão. Para o jornal, esta proposta revela o “sentimento de vingança, o ‘Fora Temer’”, e engana “pessoas de boa-fé, porém desinformadas”, que estão descontentes com o covil golpista. Para se contrapor à ideia, o Estadão explora inúmeros argumentos “jurídicos” — que ele mesmo não usou ao pregar o impeachment sem crime de responsabilidade contra a presidenta eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros. Toda a argumentação é obrada para justificar a sua conclusão principal:

“O mais sensato, portanto, é a solução constitucional já em curso: o governo provisório de Michel Temer em breve transformado em governo de pleno direito. A competente equipe econômica sob o comando do ministro Henrique Meirelles já está dando mostras de que pode levar a bom termo a missão de recolocar a economia nos trilhos, a partir do saneamento das contas públicas. Na área política, a habilidade e o bom senso do presidente em exercício já lograram pacificar as relações entre o Executivo e o Legislativo, a partir da eleição do novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). É apenas o começo de uma jornada que poderá chegar a bom destino se os brasileiros se desvencilharem das paixões políticas e permanecerem pacientes, mas atentos e mobilizados, no papel de cobrar competência e patriotismo dos governantes”.

Fica a pergunta marota: quanto será que a decadente famiglia Mesquita, “nascida para perder” inclusive na gestão de seus negócios empresariais, está cobrando para obrar um editorial tão chapa-branca? Afinal, tudo indica que o empenho dos barões da mídia na promoção do “golpe dos corruptos” não se deu apenas por motivos políticos ou ideológicos. Há também inconfessáveis e mesquinhos interesses comerciais, econômicos. Será que já rolou alguma negociata sobre publicidade oficial e outras benesses junto à equipe de comunicação do Judas Michel Temer?

Em tempo: Talvez fosse o caso da famiglia Mesquita ler o artigo publicado nesta semana, de autoria da jornalista Eleonora de Lucena, no jornal rival Folha de S.Paulo. O corajoso texto, que poderia ser endereçado diretamente à também golpista famiglia Frias, mostra que o futuro dos que sabotaram a democracia no Brasil não será nada fácil. Haja escracho!

* * *

Escracho


Por Eleonora de Lucena - 26/07/2016

A elite brasileira está dando um tiro no pé. Embarca na canoa do retrocesso social, dá as mãos a grupos fossilizados de oligarquias regionais, submete-se a interesses externos, abandona qualquer esboço de projeto para o país.

Não é a primeira vez. No século 19, ficou atolada na escravidão, adiando avanços. No século 20, tentou uma contrarrevolução, em 1932, para deter Getúlio Vargas. Derrotada, percebeu mais tarde que havia ganho com as políticas nacionais que impulsionaram a industrialização.

Mesmo assim, articulou golpes. Embalada pela Guerra Fria, aliou-se a estrangeiros, parcelas de militares e a uma classe média mergulhada no obscurantismo. Curtiu o desenvolvimentismo dos militares. Depois, quando o modelo ruiu, entendeu que democracia e inclusão social geram lucros.

Em vários momentos, conseguiu vislumbrar as vantagens de atuar num país com dinamismo e mercado interno vigoroso. Roberto Simonsen foi o expoente de uma era em que a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) não se apequenava.

Os últimos anos de crescimento e ascensão social mostraram ser possível ganhar quando os pobres entram em cena e o país flerta com o desenvolvimento. Foram tempos de grande rentabilidade. A política de juros altos, excrescência mundial, manteve as benesses do rentismo.

Quando, em 2012, foi feito um ensaio tímido para mexer nisso, houve gritaria. O grupo dos beneficiários da bolsa juros partiu para o ataque. O Planalto recuou e se rendeu à lógica do mercado financeiro.

Foi a senha para os defensores do neoliberalismo, aqui e lá fora, reorganizarem forças para preparar a reocupação do território. Encontraram a esquerda dividida, acomodada e na defensiva por causa dos escândalos. Apesar disso, a direita perdeu de novo no voto.

Conseguiu, todavia, atrair o centro, catalisando o medo que a recessão espalhou pela sociedade. Quando a maré virou, pelos erros do governo e pela persistência de oito anos da crise capitalista, os empresários pularam do barco governista, que os acolhera com subsídios, incentivos, desonerações. Os que poderiam ficar foram alvos da sanha curitibana. Acuada, nenhuma voz burguesa defendeu o governo.

O impeachment trouxe a galope e sem filtro a velha pauta ultraconservadora e entreguista, perseguida nos anos FHC e derrotada nas últimas quatro eleições. Privatizações, cortes profundos em educação e saúde, desmanche de conquistas trabalhistas, ataque a direitos.

O objetivo é elevar a extração de mais valia, esmagar os pobres, derrubar empresas nacionais, extinguir ideias de independência. Em suma, transferir riqueza da sociedade para poucos, numa regressão fulminante. Previdência, Petrobras, SUS, tudo é implodido com a conversa de que não há dinheiro. Para os juros, contudo, sempre há.

Com instituições esfarrapadas, o Brasil está à beira do abismo. O empresariado parece não perceber que a destruição do país é prejudicial a ele mesmo. Sem líderes, deixa-se levar pela miragem da lógica mundial financista e imediatista, que detesta a democracia.

Amargando uma derrota histórica, a esquerda precisa se reinventar, superar divisões, construir um projeto nacional e encontrar liderança à altura do momento.

A novidade vem da energia das ruas, das ocupações, dos gritos de "Fora, Temer!". Não vai ser um passeio a retirada de direitos e de perspectiva de futuro. Milhões saborearam um naco de vida melhor. Nem a "teologia da prosperidade" talvez segure o rojão. A velha luta de classes está escrachada nas esquinas.

Altamiro Borges
Leia Mais ►

Governo do Mefisto: quando pior é impossível


Usando todo o seu arsenal de corrupção, Mefisto conseguiu poder imenso para montar o governo de seus sonhos. Através dele, terá a possibilidade de impor todo o saco de maldades que possui. Para apoderar-se do governo, abusou das bruxarias dos insidiosos comunicadores do capital. Aliás, Mefisto e o capital sempre se deram muito bem. Trocam figurinhas sobre como enganar o povo a cerca das maldades que são perpetradas.

Mefisto, buscando impingir o máximo sofrimento na população mais carente, irá “adequar” ou qualquer outro verbo que eufemisticamente representa “cortar” a dotação do programa de prolongamento da vida com dignidade para os pobres. Por “ter saúde” também representar “ter uma vida digna”, ele já incumbiu seus ministros mefistetes de executar cortes nos programas de saúde.

O gênio do mal se vangloria, em roda pequena, ao retirar direitos trabalhistas e conquistas sociais conseguidos desde o governo Vargas. Mefisto exulta ao reprimir direitos civis, conquistados na Constituição de 1988 e atinge o ápice do prazer ao privatizar órgãos e conceder serviços do Estado.

Mefisto semeia sua erva daninha em todas as áreas. Por exemplo, ele quer um ensino fundamental que forme robôs para o mercado e, não, cidadãos. Acha que a cultura esbanja recursos com a Lei Rouanet. O mefistete da Educação chamou um ator, que é conhecido energúmeno, para dar sugestões sobre a política do seu Ministério.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário não é necessário. Negros e mulheres não são bons ministros. Aliás, estes devem ficar enaltecidos por não terem sido chamados para serem Ministros do Mefisto. O próprio já disse que sabe lidar com bandidos, referindo-se, em ato falho, a seus ministros.

Mefisto e a mídia que lhe suporta querem acabar com a universidade pública, com o argumento enganoso que ricos podem pagar e a frequentam. A universidade pública precisa atrair as mentes mais brilhantes da sociedade, não importando se são ricos ou pobres, para dar a eles formação humanitária, que nenhum ente privado consegue dar, para que a elite de pensamento assim formada venha a impactar positivamente nossa sociedade. Creio que nem tudo hoje está perdido em parte devido à existência no país, há anos, de universidades públicas, formando pensadores que se espraiam por diversos locais da sociedade.

Mefisto entrega a maior riqueza nacional, o Pré-Sal, às inimigas da sociedade brasileira, quais sejam, Chevron, Shell, Exxon, BP, Total etc. São nossas inimigas porque promovem ações que representam prejuízo para a nossa sociedade, como ficar com a maior parte da lucratividade do Pré-Sal, não garantir o abastecimento nacional, não priorizar compras e empregos locais, não ter zelo pelo nosso meio ambiente etc.

Mefisto é abrangente, pois não esquece um setor. Aposentados e pensionistas vão ajudar no pagamento de juros aos rentistas, abrindo mão de parte dos seus merecidos aumentos, pois são politicamente frágeis e, assim, não precisam ser atendidos. Se o número de mortes aumentar, devido ao aumento da inanição e da carência de atendimento médico, Mefisto esclarece que se trata dos excluídos por terem nascido em grupo de risco. Nasceram em casebres, ao lado de valas negras, de pais debilitados, com muita fome e em meio à brutalidade. Enfim, segundo ele, deram azar na vida.

Mefisto, sempre ele, quer colocar o Brasil como país subordinado ao atual país hegemônico do mundo, no melhor estilo de “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, haja vista o assunto morto e enterrado da base de Alcântara, que está sendo agora ressuscitado.

O Brasil de Mefisto será o das empresas estrangeiras mais os poucos capitais nacionais e os rentistas. Contudo, tudo dourado, bem escamoteado, exemplarmente travestido pela mídia alienante. Mídia psicotrópica, alucinante e desfiguradora da realidade. Carregando um povo ludibriado, perdido, incapacitado de escolher as opções boas para ele próprio.

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia
Leia Mais ►

A Última Flor do Pântano Oposicionista

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=394

A esta altura está difícil saber se a direita imita a liderança da esquerda ou se esta aderiu ao estilo daquela. Virou moda a manipulação de informação, formação de panelinhas, discriminação, censura e difamação. A mídia tradicional tem tarimba e competência, faz passar gato por lebre mesmo onde não existam nem gato nem lebre. Já a esquerda é desastrada e tosca quando perde o rumo do nariz. A estranha patacoada de condicionar, em nome de quem não se sabe, apoio à recuperação do mandato de uma Dilma Rousseff comprometida a abdicar, se reempossada, continua a pipocar na opinião dos mais esquisitos personagens a propósito de coisa alguma. Podem chamar de plebiscito, é a velha sacada da direita de chamar golpe de revolução. Assim como extrair respostas embutidas em perguntas prontas é outra manobra tipo batedor de carteira de reportagens encomendadas. Aliás, não é de hoje que a velhacaria de assassinar caráter de dissidentes abandonou a fidelidade partidária e se vulgarizou como recurso vadio, vinte e quatro horas à disposição de qualquer um.

A real liberdade de imprensa, finalmente promovida pela internet, tudo aceita, sem filtrar páginas que reproduzem a imagem escarrada dos jornalões, com o contrapeso de uma linguagem rude. Não há novidade no que se lê, nem no que não se lê na internet, cópia dos diários impressos, que não surpreendem ninguém. Previsivelmente, grande parte das matérias dos jornalões divulga reportagens e editoriais contradizendo as bandeiras da esquerda. Vingança da dialética, a esquerda pautando a direita. Mas nem dela escapa a esquerda, com três quintos constitucionais dos blogues sobrevivendo por necrofilia, excomungando as opiniões da direita. Se os jornalões falirem haverá estrondosa mortandade entre os postes — é isso mesmo, postes, da esquerda.

Última flor do pântano, blogues especializados soltaram balões com a revolucionária proposta de apoiar um trêfego participante da salada golpista (aquela de 17 de abril) à presidência da Câmara dos Deputados. Alegadamente, um dardo letal contra Eduardo Cunha e o governo interino e usurpador de Michel Temer. O oportunismo próprio de amadores, quando não disfarça solerte manobra utilitária, ofende ao grande contingente que se vai consolidando na resistência à usurpação. Aconteça o que acontecer na decisão do Senado em agosto: se o processo de impedimento for derrotado, caberá campanha punitiva dos sabotadores da democracia. Basta de anistia a psicopatas, exploradores de pobres, mercadores do patrimônio nacional. Se consumado o impedimento, cumpre insistir na oposição ao governo, cuja ilegitimidade não compete a nenhuma decisão do Senado absolver. O restabelecimento da dignidade do voto não é matéria de decisão legislativa e o apoio ao governo deve ser implacavelmente coberto de vergonha. Basta de oposição sem pudor.
Leia Mais ►

Justiça proíbe consulta separatista e aponta crime contra a segurança nacional


Um grupo de separatistas que pretendia usar as eleições municipais deste ano para fazer um "plebiscito", com o intuito separar os três estados do Sul do resto do País e formar uma nova Nação, foi barrado por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, que ainda apontou que o ideal separatista é crime contra a segurança nacional.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, o grupo queria alcançar pelo menos 1 milhão de votos (equivalente a 5% do eleitorado da região Sul) com o plebiscito em outubro, mas o plano foi considerado um delito, segundo o TRE-SC. "A incitação à separação territorial é citada no artigo 11 da Lei 7.170/1983, que define as violações relacionadas à segurança nacional, à ordem política e social. A punição para esse tipo de delito varia de 1 a 4 anos de prisão", publicou o Conjur nesta quarta (27).

O desembargador eleitoral Cesar Augusto Mimoso Ruiz Abreu, responsável pela sentença, pediu à Polícia Federal que investigue o grupo. A mudança de incitação à separação para tentativa propriamente dita também agrava a pena, que varia de 4 e 12 anos.

O TRE-SC também proibiu o uso da palavra "plebiscito" para representar esse tipo de consultar. Segundo o desembargador, plebiscito é um pleito exclusivo dos poderes Executivo e Legislativo, e o uso do termo pode "confundir a população, levando-a a acreditar que se trata de algo oficial".
Leia Mais ►

Michel 6% Temer acaba de bater o recorde histórico de rejeição

Fiasco instantâneo
Michel. Michel Temer. Mas pode chamá-lo de Michel 6% Temer.

O resultado da pesquisa Ipsos divulgada hoje (26) é categórico: Temer é um fiasco. Um monumental fiasco.

Apenas 6% dos brasileiros aprovam o interino. Isto é metade do que Dilma tinha em sua etapa final na presidência, sob bombardeio ininterrupto da mídia e da Lava Jato.

Quer dizer: não é metade. É menos que metade. Dilma tinha quase 14% de aprovação.

Pronto. Isto é Michel 6% Temer. A mídia o protege descaradamente, a Lava Jato sumiu de circulação, a cobertura de corrupção de jornais e revistas virou nada: mesmo assim, Temer é amplamente rejeitado pelos brasileiros.

Num mundo menos imperfeito, os 6% seriam manchete dos jornais, e ocupariam vários minutos do JN.

Mas este nosso mundo é extremamente imperfeito, e então a mídia silencia. Mas isto não elimina os 6%.

É o pior índice de aprovação desde que este tipo de coisa passou a ser pesquisada. Collor, na véspera de seu impeachment, era aprovado por 9% das pessoas. Desnecessário dizer que nenhum jornal notou isso. Notariam se fosse um petista. Gritariam, melhor.

O Brasil, em suma, não quer Temer.

A plutocracia subestimou os brasileiros, este é o ponto. Achou que podia ludibriá-los. Os golpistas inventaram um pretexto que se revelou uma farsa cínica, as pedaladas.

Quando se tornou consenso que não houve pedaladas, a plutocracia alegou que isso não importava. Dilma seria afastada fosse inocente ou fosse culpada.

O golpe ficou inteiramente avacalhado. Não é justo com o Paraguai chamá-lo de golpe paraguaio.

É típico de um país ridículo montar um julgamento de meses cujo resultado se conhece de antemão porque os juízes são políticos sem nenhuma qualificação ética e moral.

O resultado disso é Michel 6% Temer.

É certo

Isso só vai piorar, caso o impeachment se concretize. Parece ter-se consolidado, com os fatos escabrosos em torno do golpe, a ideia de que Temer é o vilão e Dilma a vítima da história.

A Ipsos mostrou que diminuiu 13 pontos porcentuais o número de brasileiros que apoiam o impeachment de Dilma. De 61% passou a 48%.

Um vice decorativo não se transforma em estadista porque os Marinhos, os Frias e os Civitas querem.

Michel 6% Temer está aí para provar.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Mensalão 2.0


A importância conferida às delações do marqueteiro João Santana e de sua esposa torna ainda mais evidentes e constrangedoras as dificuldades da Lava Jato em realizar seus objetivos políticos. E nada tem de gratuito o retorno, à operação, das táticas consagradas na época da Ação Penal 470.

A ideia, em resumo, é usar contra petistas e aliados certas irregularidades que a Justiça e a imprensa toleram há décadas, e continuam tolerando, cinicamente, nos outros partidos. Deu certo na suposta compra de apoio parlamentar que originou os justiciamentos do "mensalão". Vem dando certo nas picuinhas contábeis do impeachment golpista.

Apesar das somas vultosas, o enrosco dos Santana com a lei chega a soar pueril para quem conhece o meio. Caixa dois é o “trivial com fritas” das eleições nacionais. Sua generalização torna a própria lisura uma sandice estratégica, nessa selva pragmática e competitiva, dominada pela permissividade moral.

O mesmo diria um jornalista que aceita prestar serviços para seu veículo como “pessoa jurídica”, burlando a legislação previdenciária.

Sem meios técnicos nem vontade política para escarafunchar maquiagens contábeis na imensidão disponível, a Justiça Eleitoral exibe uma estranha competência em fiscalizar certas linhas partidárias. E, assim, neste país continental, com eleições a cada dois anos, os únicos marqueteiros presos foram Duda Mendonça e João Santana, exatamente aqueles que trabalharam para petistas.

Como ocorreu no dito “mensalão”, os nobres magistrados apenas buscam o recurso mais cômodo e certeiro para atingir seus inimigos circunstanciais. Passado o escândalo, obtidos os efeitos desejados, tudo voltará à promiscuidade normal de sempre. Inclusive no Judiciário.

O caixa dois é a munição que Sérgio Moro fornece a Gilmar Mendes para atingir a campanha de Dilma Rousseff na hipótese de o Senado absolvê-la. Espremendo os Santanacom suas técnicas policialescas, Moro saberá impedir que o casal aproveite o episódio para escancarar a hipocrisia do novo capítulo dessa farsa moralista.

Guilherme Scalzilli
Leia Mais ►

Depoimentos de João Santana e Mônica Mouro na Lava-jato




Leia Mais ►

Los Angeles Times: fora Temer!

"Cerra" vai proibir o consulado em LA de ler o jornal



'Los Angeles Times' considera Temer um 'aliado que virou inimigo'

O Los Angeles Times considerou ontem (25) o presidente interino Michel Temer como um “aliado que virou inimigo”. O jornal disse que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi votado por deputados que em grande parte “respondem a acusações de corrupções mais graves, além de outros crimes” e lembrou que vazaram gravações de áudio após a votação comprovando que parlamentares e políticos queriam o impeachment para “interromper as investigações contra eles mesmos”.

“As acusações contra Rousseff não são consideradas crimes”, diz a reportagem, que avalia que após assumir interinamente a presidência, Temer instalou um governo muito mais conservador. O jornal lembrou que três ministros foram forçados a deixar o cargo logo depois de assumirem devido a acusações de corrupção.

O jornal se posiciona em relação à carta que 40 democratas membros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, parte do Congresso norte-americano, publicaram ontem criticando fortemente o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e expressando “profunda preocupação” com a democracia do Brasil. O embaixador brasileiro nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo Machado, está tentando convencer os deputados e senadores a não assinarem o documento, segundo o jornal americano Los Angeles Times.

Os legisladores norte-americanos cobraram o secretário de Estado dos EUA, John F. Kerry, para quem a carta é endereçada, de ter “máxima cautela nas suas relações com as autoridades interinas do Brasil e abster-se de declarações e ações que possam ser interpretadas como de apoio à campanha do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.”

 

A carta — que teve apoio da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), de outras entidades sindicais e de organizações não governamentais que trabalham na América Latina — diz também que, desde o princípio, “o processo de impeachment foi incentivado a partir de irregularidades processuais, corrupção e motivações políticas”.

“O governo dos Estados Unidos deve expressar preocupação com as ameaças às instituições democráticas de um país que é um dos mais importantes aliados políticos e econômicos da região”, diz o texto. A expectativa é que Kerry acate os pedidos da carta, porém, muitos chefes de Estado planejam não se posicionar sobre o caso. O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que não iria comentar sobre a democracia no Brasil.

O embaixador brasileiro enviou uma carta aos parlamentares norte-americanos afirmando que o impeachment “seguiu rigorosamente em acordo os preceitos estabelecidos na legislação brasileira”. “O Brasil vê com preocupação e rejeita qualquer tentativa de desacreditar suas instituições ou de questionar a retidão com que um instrumento constitucional e republicanamente legal, como o processo de impeachment — é implementado”, escreveu.

No CAf
Leia Mais ►

Poderíamos ser decentes, mas não somos

Aroeira
Após Dilma ter sido INOCENTADA pelo MPF, o Senado agora defende que ela deve ser afastada por uma abstração chamada ''conjunto da obra''.

Nessa caixinha cabe qualquer coisa que se queira colocar dentro dela, inclusive que ela é dentuça.

O motivo alegado pelo Congresso para o impeachment de Dilma foram as pedaladas fiscais.

Ninguém sabia o que era isso. Alguns pesquisaram e descobriram que não eram crimes. Outros se limitaram a repetir como papagaios o que a mídia e os deputados e senadores diziam e passaram a se manifestar como quem é dono da razão.

O tempo passou e os peritos que depuseram no Senado provaram que pedaladas não eram crimes.

O Ministério Público Federal se pronunciou e determinou que não foram cometidos crimes de responsabilidade. Dilma foi INOCENTADA, mas nem por isso o Supremo acabou com a palhaçada.

Os que juravam de pés juntos que havia crimes se calaram. Mas nunca se envergonharam ou se arrependeram. Nunca admitiram que cometeram uma injustiça.

Agora o Senado encontrou outra forma para prosseguir com o impeachment.

Defende que Dilma deve ser afastada por uma abstração chamada ''conjunto da obra''.

Nessa caixinha cabe qualquer coisa que se queira colocar dentro dela, inclusive que ela é dentuça.

A condenação pelo ''conjunto da obra'' é totalmente inconstitucional pois a Carta Magna prevê que um presidente só pode sofrer impedimento caso haja comprovação de crimes de responsabilidade cometidos diretamente por ele. Não há.

Mas a casa encontrou um artifício para isso.

Agora os senadores alegam que o legislativo tem o direito de fazer um julgamento político.

Ora, se antes havia quem negasse, agora fica totalmente escancarado o golpe.

E esse golpe não é somente contra Dilma ou seu partido, mas sim contra a Democracia.

É muito chato mas é verdade. Se as pessoas que apoiam o golpe tivessem um mínimo de apreço pela Democracia tão duramente conquistada, já teriam parado o Brasil e restabelecido o governo.

Mas não. Democracia é um conceito vago e desprezível para elas.

Preferem ficar escondidinhas, morrendo de medo das medidas totalmente impopulares do vice golpista que as atingirão em cheio também.

Hanna Arendt disse que não há como condenar alguém por omissão, mas há que se lhe dar o desprezo.

Demos o desprezo, então.

Fernando Castilho
No Análise e Opinião
Leia Mais ►

Serra protagoniza vexame internacional: Piada machista, misoginia e diplomacia zero

José Serra e Claudia Ruiz Massieu
Nessa segunda-feira, 25 de julho, o ministro interino das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), visitou o México em missão oficial.

O objetivo, segundo o portal do Itamaraty, era repassar “a agenda bilateral, incluindo as negociações para aprofundamento do acordo bilateral de preferências comerciais”.

Mas o que Serra conseguiu, de fato, foi protagonizar um vexame internacional, com direito a manchetes negativas.

O Infobae, diário digital argentino, cravou no título de sua matéria (abaixo, na íntegra): “A infeliz piada machista do chanceler do Brasil”.

Em matéria intitulada “Serra descobre a igualdade de gênero no México”, o El Pais diz que ele exibiu “pouca diplomacia”. Ironia fina.

No México, diferentemente do que ocorre no Brasil, as mulheres têm ampla representação no parlamento.

Em 2014, o Congresso mexicano aprovou uma reforma política que exige que os partidos apresentem 50% de candidatas.

Em consequência, após as eleições de 2015, 212 das 500 cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres. Ou seja, 46%.

No Senado lá, as mulheres já ocupam 47 das 128 cadeiras. Portanto, são 36% .

Pois bem, em entrevista coletiva conjunta com a chanceler do México, Claudia Ruiz Massieu, Serra disse, rindo: “Para os políticos homens no Brasil é um ‘perigo’ porque descobri aqui que metade das senadoras é mulher”.

Depois, ao reafirmar o convite à chanceler para os Jogos Olímpicos do Rio, Serra voltou a tocar na participação feminina na política mexicana: “Quero muito que você vá, mas será um perigo porque chamará a atenção para este assunto”.

A piada machista e a misoginia de Serra causaram indignação nas senadoras mexicanas.

Além disso, reavivaram a lembrança do gabinete “macho” do interino Michel Temer, que assumiu, em 12 de maio de 2016, após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT).

A reportagem do El Pais reabriu a ferida: “Uma fotografia ficou na memória naquele 12 de maio, o dia em que o novo Governo foi apresentado. O presidente rodeado por seus colaboradores. Todos os homens brancos. Nem uma mulher, nem um único negro”.

* * *

José Serra descobre a igualdade de gênero no México

Chanceler interino brincou diante de sua colega mexicana sobre as mulheres na política


A cena aconteceu na segunda-feira. De um lado da grande mesa de madeira estava sentado o grupo que acompanhava a ministra das Relações Exteriores mexicana Claudia Ruiz Massieu. Ao lado dela, a embaixadora do México no Brasil, Beatriz Paredes. Eram quatro mulheres e dois homens. Diante delas estava a delegação visitante. O ministro das Relações Exteriores brasileiro, José Serra, e sua equipe. Seis homens de gravata e uma mulher. Na mesa foi revelada a maneira como dois governos enfrentam a igualdade de gênero na política.

“Para os políticos homens no Brasil é um perigo porque descobri aqui que metade das senadoras é mulher”, brincou Serra diante de sua colega durante uma entrevista coletiva em que falaram sobre as relações comerciais entre os dois países.

A risada que Serra deixou escapar se referia a um fato: 47 senadoras trabalham na câmara alta mexicana, composta por 128 legisladores, representando 36% do Senado. O número reflete a batalha que as mulheres mexicanas travaram para obter mais espaços na política desde 1952, ano em que a primeira mulher foi eleita para o Congresso.

Serra, de 74 anos, disse durante sua visita à Cidade do México que no Brasil as mulheres não representam 20% do Senado. No seu tempo como senador, o político do PSDB conviveu com 13 mulheres, num total de 81 senadores. Numa classificação feita pela União Interparlamentar, o Brasil está no 153º lugar entre 185 nações. O México ocupa a sétima posição. Em outras classificações, como a realizada pela Women in Parliaments, uma fundação mundial suíça, o Brasil está relegado ao 131º posto.

Serra foi nomeado ministro em maio, quando Michel Temer foi designado presidente interino do Brasil depois do impeachment de Dilma Rousseff. Uma fotografia ficou na memória naquele 12 de maio, o dia em que o novo Governo foi apresentado. O presidente rodeado por seus colaboradores. Todos os homens brancos. Nem uma mulher, nem um único negro.

O presidente mexicano Enrique Peña Nieto apoiou a aprovação de leis que abrem o caminho para as mulheres na política.

Em 2014, o Congresso aprovou uma reforma política que exige que os partidos apresentem 50% de candidatas (no Brasil, existe uma lei análoga que exige 30% de participação feminina). Isso permitiu que 212 mulheres ocupassem um assento entre os 500 que compõem a Câmara dos Deputados depois das eleições de 2015, 46% dos assentos. Mas o México ainda tem várias pendências em relação à igualdade de gênero. O presidente só tem três secretárias em 19 pastas ministeriais. E em nível local, a diferença é ainda maior. De 32 governadores, apenas uma mulher comanda um Estado hoje.

Além da questão de gênero, os ministros das Relações Exteriores concordaram em questões comerciais. Ambos os países estão trabalhando no Acordo de Complementação Econômica 53 (ACE 53), um acordo assinado em 2002 que regula a exportação e importação de cerca de 800 produtos. Serra disse que pretende expandir o acordo, atualmente de dimensão modesta, que pode ser estendido para um universo de 10.000 produtos. O comércio anual entre os dois países, ambos gigantes da região, é da ordem de 8 bilhões de dólares (cerca de 26 bilhões de reais).

Sensibilidade diplomática

Depois de brincar em relação ao assunto com a colega, cujo trabalho no ministério que encabeça no México envolve fóruns de intercâmbio de boas práticas em gênero, justiça e violência, Serra recordou antes de encerrar a conversa que a agora afastada Dilma Rousseff foi presidente do país a partir de 2011. Procurado pela reportagem, o Itamaraty não se posicionou sobre a declaração do ministro até o fim desta terça-feira.

Sua viagem era, obviamente, de caráter diplomático, mas o tom adotado pelo chanceler interino ao fazer o comentário a Claudia Ruiz demonstrou pouca diplomacia. O chanceler reafirmou a ela seu convite para os Jogos Olímpicos do Rio, acrescentando, porém, uma advertência: “Quero muito que você vá, mas será um perigo porque chamará a atenção para este assunto” da participação feminina na política mexicana.

No Brasil, o episódio tampouco foi visto como conciliador, considerando, sobretudo, que o Governo interino de Michel Temer recebe críticas pela total ausência de mulheres em seus 22 ministérios. É a primeira vez que isso acontece no país desde o Governo ditatorial de Ernesto Geisel (1974-1979).

Nos perfis oficiais de Serra no Twitter e no Facebook, José Serra postou sobre seu encontro, rumo ao México, com María Ángela Holguín, sua homóloga colombiana. Os dois se encontraram no aeroporto de Bogotá, onde ele fez escala, para “realizar uma agenda de forte estreitamento comercial entre o Brasil e a Colômbia”. Mais uma surpresa, possivelmente, no caminho de um ministro acostumado a um gabinete 100% masculino.

Serra-003

El desafortunado chiste machista del canciller de Brasil

José Serra, de gira por México, realizó una observación sobre las senadoras locales que causó indignación


Al gobierno interino de Michel Temer le llovieron las críticas por no haber nombrado a ninguna mujer en su gabinete. El impasse “machista” parecía olvidado, pero este lunes el canciller José Serra no pudo evitar hacer una broma ante su homóloga mexicana sobre el “peligro” que representa que su país tenga tantas mujeres en política.

“Debo decir, cara ministra, que México, para los políticos hombres en Brasil,es un peligro, porque descubrí acá que mitad de las senadoras son mujeres“, dijo Serra mientras se le escapaba la risa en una comparecencia conjunta con la canciller mexicana, Claudia Ruiz Massieu.

Serra, de visita en México, reconoció que en Brasil las senadoras no llegan ni a un 20% y que nunca hubo tampoco una ministra de Relaciones Exteriores. Sin embargo, la ahora suspendida Dilma Rousseff –que fue sustituida por el vicepresidente Michel Temer para ser sometida a un juicio político en el Senado– fue la primera mujer en asumir la presidencia del país en 2011.

José Serra y su homóloga mexicana, Claudia Ruiz Massieu, (AP)

El canciller reiteró a Ruiz Massieu su invitación a los Juegos Olímpicos de R[io de Janeiro, pero le hizo una advertencia.

Yo quiero mucho que usted vaya allá, pero va a representar ese peligro, porque va a llamar la atención para el asunto“, sonrió el ministro, que perdió las elecciones presidenciales de 2010 frente a Rousseff.

Temer fue muy criticado en mayo por conformar un gabinete conservador, sin mujeres ni negros, dos grupos que representan cada uno más de la mitad de la población del país.

Tres de sus ministros han caído en estos poco más de dos meses por sospechas de corrupción.

Temer asumirá definitivamente el gobierno de Brasil si la mandataria de izquierda es destituida en el juicio político que enfrenta por manipulación de cuentas públicas.

Con información de AFP

No Viomundo
Leia Mais ►