18 de jul de 2016

Diretor da Fiesp, um dos grandes devedores da União, foi mira do Banestado


A soma das dívidas de empresas e pessoas para o governo federal já passou da linha do R$ 1 trilhão. Entre apenas aqueles que devem mais de R$ 15 milhões, que se tratam de 13 mil devedores, são responsáveis por cinco vezes o buraco total no Orçamento da União previsto para este ano.

Nesse grupo seleto de maiores devedores, estão casos como o do empresário Laodse de Abreu Duarte, que é um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele é o número um dessa indesejável lista entre pessoas físicas. Já entre empresas, figuram devedores como a já quebradas Varig e Vasp, mas também a Vale, a antiga Parmalat (Carital Brasil) e Petrobras.

Laodse, que já foi condenado à prisão por crime contra a ordem tributária, mas ainda está com o processo em aberto porque recorreu, concentra R$ 6,9 bilhões de débitos de difícil recuperação. Para se ter uma ideia, o empresário deve mais ao governo federal que os estados da Bahia, Pernambuco ou qualquer um dos outros 16 governos estaduais.

Um dos motivos para a dívida do diretor da Fiesp é a mesma de seus dois irmãos, Luiz Lian e Luce Cleo, que também ultrapassam os prejuízos de R$ 6,6 bilhões. Isso porque a família foi processada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional por uma de suas empresas, a Duagro, que deve um total de R$ 6,84 bilhões ao governo.

De acordo com o processo tributário, a empresa se empenhou em operações de compra e venda de títulos da Argentina e dos Estados Unidos, sem pagar os impostos devidos entre 1999 e 2002. A Duagro "fraudou a fiscalização tributária", apontou a Procuradoria.

Ainda, os investigadores desconfiam que a empresa realmente tenha firmado títulos, uma vez que alguns não foram sequer registrados na contabilidade, lançando a suspeita de que a empresa serviu como "laranja" em esquema de "sonegação ainda maior, envolvendo dezenas de outras renomadas e grandes empresas, cujo valor somente poderá vir a ser recuperado, em tese, se houver um grande estudo do núcleo central do esquema". 

De acordo com o site de busca judicial Escavador, a empresa mencionada, Duagro S/A Administração e Participações, possui 7 processos, sendo dois movidos pelo Banco do Brasil, todos protocolados em 2014 e três estendendo-se até este ano.

Mas não é só referente à Duagro que o empresário e um dos diretores da Fiesp está envolvido. Investigações sobre evasões de divisas e crimes tributários relacionados a Laodse de Abreu Duarte recupera o caso do escândalo do Banestado.

Duarte teve uma de suas empresas, ligada a comércio e exportação de grãos, indicada no esquema do mensalão como recebedora de sete pagamentos de Marcos Valério. Também foi indiciado pela CPI do Banestado, em 2004. Sobre esses casos, o empresário negou qualquer ligação.

"Não mantive relação comercial ou pessoal com os mencionados e não respondo a processo ou procedimentos que tenham ligações ou relacionados a estes", disse, em nota, ao Estado de S. Paulo.

Ainda, em 2003, o empresário chegou a ser condenado por participar de esquema de falsificação de operações de exportação de soja que superaram os US$ 60 milhões. Neste caso, a sentença foi de cinco anos de prisão, mas teve a pena convertida em domiciliar. Em resposta, afirmou que entrou com recurso à sua condenação e aguarda análise do Judiciário.

Outra suspeita contra Laodse de Abreu Duarte foi investigada em 2006, quando o Ministério da Justiça solicitou colaboração aos Estados Unidos para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro e crimes financeiros supostamente praticados pelo empresário, por João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, e Geraldo Rondon da Rocha Azevedo. Mas o inquérito foi arquivado em 2010. A esse respeito, o empresário negou ter "relação de qualquer espécie" com os dois investigados.

Já sobre o caso atual da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Duarte informou que não houve julgamento ou condenação, o que "torna precipitado qualquer conclusão ou juízo". Mas nega que a Duagro tenha participado do esquema de sonegação fiscal.

Ainda, outra das empresas de Laodse de Abreu Duarte, a J.B. Duarte SA, que leva o nome da família, teve a sua contabilidade analisada por uma consultoria autônoma, em abril deste ano.

Registrada como uma sociedade anônima de capital aberto, constituída em 1936 e sede São Paulo, as atividades registradas da empresa está focada na participação em outras sociedades e desenvolvendo atividades próprias na área de reflorestamento.

Mas o balanço patrimonial da companhia, entre os anos de 2014 e 2015, não foi positivo. O resultado líquido da empresa ao final do exercício de 2015, foi negativo em R$ 4.221 mil, contra um resultado negativo de R$ 10.234 mil ao final do exercício de 2014. 

No documento da auditoria, a análise responsabilizou o cenário econômico e político do Brasil do último ano para justificar o balanço. De acordo com a JPPS Auditores Independentes, o "quadro econômico, político e social permaneceu confuso e sem definição até o final do exercício de 2015, e continuou a se agravar no primeiro semestre de 2016", sendo que o que "contribui para a atual situação a dificuldade de conjugação de esforços dos políticos em torno da aprovação do impedimento da atual presidente da República e de medidas a serem propostas por um novo governo venha a propor, caso o impedimento venha a ocorrer". 

Ainda, de acordo com o balanço encaminhado aos sócios da empresa, "o único dado positivo que temos até o presente momento (abril/2016), refere-se a da redução da inflação, cuja projeção para o final do exercício de 2016, mostra a possibilidade de fechamento do atual exercício (2016) ao redor dos 7%". 

"Os demais fatores anteriormente considerados, ou seja, o agravamento do clima político, o nível dos juros, a apreciação do valor do dólar, o aumento dos gastos de custeio da máquina governamental, o aumento do nível de desemprego, a permanente queda da produção industrial e a perversa perspectiva da situação financeira internacional, permanecem totalmente indefinidos, com perspectivas de alteração caso um novo governo venha efetivamente a ser instalado", concluiu a análise (leia aqui a íntegra do arquivo).

Em nota à imprensa, a Fiesp respondeu que "não tem qualquer vínculo ou responsabilidade sobre questões pessoais, profissionais ou empresariais de seus diretores e conselheiros" e que trabalha visando "o bem do Brasl" por meio de seus projetos do Sistema Sesi/Senai. Entretanto, o sistema S é mantido pelo governo federal.

Além dos devedores pessoa física, entram no ranking topo dos maiores prejuízos à União empresas como a Carital Brasil, antiga Parmalat. A empresa é a segunda da lista de maiores débitos, com um prejuízo de R$ 25,4 bilhões à União, sendo superada apenas pela Vale S.A, com R$ 43,3 bilhões de dívida consolidada.

O Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 1 de outubro de 2010, publicou notas explicativas às demonstrações financeiras de dezembro de 2008 e de 2009. As notas explicam as condições de controle da então matriz italiana Parmalat SpA, já alvo à época de processos administrativos (acesse aqui o DOSP).

Apesar de também estar incluída na lista, na posição de terceiro lugar, a Petrobras já teve a sua dívida ativa de R$ 15,62 bilhões parcelada e sendo paga ao governo, nos últimos anos.

Os dez inscritos na Dívida Ativa da União com os maiores débitos:

1 — Vale S.A: R$ 43,3 bilhões*

2 — Carital Brasil Ltda. (ex Parmalat Participações): R$ 25,4 bilhões

3 — Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras): R$ 16 bilhões

4 — Indústrias de Papel R.Ramenzoni: R$ 9,9 bilhões

5 — Duagro S.A Administração e Participações: R$ 6,7 bilhões

6 — Viação Aérea São Paulo S.A (Vasp): R$ 6,36 bilhões

7 — Manole Jancu: R$ 6,34 bilhões

8 — Banco Bradesco S.A: R$ 5 bilhões

9 — Viação Aérea Rio-Grandense S.A (Varig) (falida): R$ 4,7 bilhões

10 — American Virginia Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Tabaco: R$ 4,2 bilhões


*Valores da dívida consolidada. Podem incluir montantes parcelados ou suspensos pela Justiça.

Arquivo






Patricia Faermann
No GGN
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Faltam espelhos: brasileiros, e ricos, devem mais de R$ 1 trilhão à União


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Brasil: Déjà vu para un gobierno trémulo


Temer parece estar comprendiendo que el grito Fora Dilma! que se escuchó de manera altisonante en las calles y en la Cámara de los Diputados el día del comienzo del juicio político no implica un Temer Fica [1]!. También debe estar dándose cuenta que la volatilidad de las lealtades políticas no son exclusivas de las alianzas que tejió el PT y que, cual déjà vu, su permanencia en el cargo — por el momento de manera interina — depende de una determinada correlación de fuerzas que, por el momento, no tiene garantizada. A ello deben añadirse dos apectos igualmente importantes: la frágil legitimidad de su poder y el enfriamiento de la populosa — no popular — movilización outdoors que, como ha afirmado recientemente el ex Presidente Cardoso, en su momento sirvió de justificación para el voto masivo pro impeachment en el Legislativo [2].

A dos meses del inicio de su gobierno interino, la capacidad política para implementar su "Plan Temer”, elaborado mientras era Vicepresidente, se ha visto limitada por la opinión pública y por sus propios aliados políticos y económicos. Su debut como jefe del Ejecutivo designando sólo hombres blancos en el gabinete y eliminando Ministerios de gran simbolismo político, como el de Cultura, el de Desarrollo Agrario y el de Mujeres, Igualdad Racial, y Derechos Humanos se vio empañado por el rechazo social y por la incesante búsqueda de una mujer que aceptara la jefatura de la Secretaría de Cultura. Tras ese cuestionado estreno, debió reestablecer el rango ministerial del área de Cultura. Además, en esas pocas primeras semanas, sufrió un importante desgaste de imagen tras la renuncia de tres de sus Ministros por estar involucrados en esquemas de corrupción. El desgaste no ha mermado tras el impacto negativo de algunas polémicas propuestas que busca llevar a cabo: extender la jornada laboral a 12 horas, privatizar la salud pública, subir la edad mínima para la jubilación, incrementar salarios para funcionarios públicos mientras se achica el gasto social, y el pedido al legislativo para que no dé tratamiento urgente al paquete de medidas anticurrupción enviado por Rousseff. Otras medidas, igualmente contrarias al bien común han sido tomadas, pero aquéllas son las que afectan también a parte de su base política de apoyo como el gobierno que los "salvó de Dilma y los corruptos del PT”.

En el ámbito legislativo tampoco le ha ido mucho mejor. Al igual que Dilma, ha sufrido importantes reveses en la votación de proyectos clave, incluyendo en ese grupo a legisladores supuestamente aliados. El pasado 6 de julio, los Diputados rechazaron el pedido del Gobierno de que se considere como "de urgencia” el tratamiento del demandado acuerdo de renegociación de la deuda de los Estados, y tampoco tuvo apoyo mayoritario para que se eligiera a su candidato para la Presidencia de la Cámara de los Diputados, en sustitución de su aliado Eduardo Cunha. El asunto no es menor para el jefe del Gobierno federal porque, al igual que Dilma, tendrá que negociar votos y apoyos para asegurar la gobernabilidad, la unidad de su base aliada, el enfriamento de su latente pedido de impeachment — ya protocolizado — y neutralizar la capacidad de daño de su correligionario Eduardo Cunha, quien ha empezado a ser conocido como el "hombre bomba” por sus no tan veladas amenazas de delaciones masivas en caso de perder fueros e ir preso.

La victoria del candidato apoyado por el PSDB, Rodrigo Maia (DEM), fue, igualmente, un alivio para el Gobierno en tanto era Marcelo Castro (PMDB) el candidato con posibilidades de ganar que hubiera puesto, paradójicamente -ya que son del mismo partido- más trabas a la gestión Temer. Maia, en definitiva, es del gran clan neoconservador al que también pertenece el Presidente, votó a favor del impeachment y ha recibido donaciones para su campaña electoral de una empresa vinculada a Lava Jato, la JBS. El juego que posiblemente marque su periodo — hasta febrero de 2017 — será el de negociar la situación del "hombre bomba” y conseguir mayor poder para los políticos tradicionales y opositores al PT de la Cámara en detrimento del llamado centrão [3].

Que Temer hoy ocupe la presidencia es un hecho que debe demasiado al abroquelamiento circunstancial de fuerzas políticas poco predecibles con los dos mayores partidos opositores al Gobierno de Dilma (PSDB y PMDB, tras su alejamiento como socio), una prensa aliada ante el mismo propósito, y una importante movilización social antipetista que sirvió de excusa legitimadora del golpe. Si dentro de un mes el Senado refrenda su Presidencia, tendrá que lidiar con fuerzas legislativas con gran capacidad de bloqueo que van a comenzar su etapa centrífuga una vez eliminado — momentáneamente — el fantasma del PT y el comando de Cunha. Su propio impeachment será otro "caballo de batalla” y, al igual que Dilma, tendrá en sus espaldas la permanente sombra de las investigaciones de la operación Lava Jato, que parece haber cobrado vida propia. Su impopularidad y la dudosa legitimidad de su mandato harán lo propio con las medidas "de sacrificio” que ya ha anunciado. Tampoco hay que olvidar que las elecciones locales del próximo octubre servirán de plataforma a un inminente comienzo por la puja de candidturas para 2018, en la que no sólo el PSDB buscará su revancha tras 4 elecciones perdidas, sino que podría encontrarse nuevamente disputando la Presidencia con Lula, quien se encuentra como favorito en las encuestas. Qué hará el PMDB por entonces es, como siempre, una incógnita. Dilma bien lo sabe. Habrá que ver si Temer sabe, tan bien como ella, que gobernar un país en medio de una crisis económica mundial y con un sistema político necrosado, no le garantiza continuidad ni gobierno.

[1] Temer se queda




[3] Bloque político informal compuesto por 13 pequeños partidos que representa el 43% de la Cámara. Fue fortalecido por Cunha y constituido como su brazo "bloqueador” de los proyectos presentados por Dilma. También destaca por plantear propuestas leguslativas de interés propio, señaladamente, a favor de los agronegocios, el culto evangelista y la industria de la seguridad.

Camila Vollenweider
No Adital
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O que está por trás da ofensiva anti-Lula dos vazadores de Moro e seus repórteres amestrados

O da direita persegue o outro
Nos últimos dez dias, Globo, Folha e Estadão republicaram antigos vazamentos da Lava Jato contra o ex-presidente Lula. Notícias velhas foram requentadas e servidas como carne fresca a quem perdeu a memória dos desmentidos: uma sede do Instituto Lula que nunca existiu, uma rodovia na África e o acervo que Lula tem de guardar por força da lei. Isso se chama publicidade opressiva, violência inerente ao estado de exceção e essencial aos “julgamentos pela mídia”.

Não pode ser coincidência. A ofensiva dos vazadores e seus repórteres amestrados segue-se à ação da defesa de Lula, que levantou a suspeição de Sérgio Moro para julgá-lo, por perda da imparcialidade. Essa é a notícia nova do caso, que a imprensa brasileira escondeu. Deu no New York Times, mas não saiu no Jornal Nacional.

A ação aponta 12 afirmações de Moro antecipando a decisão prévia de condenar Lula. Registra os abusos que ele cometeu — da condução coercitiva sem base legal à divulgação criminosa de grampos telefônicos. No estado de direito, Moro deveria declinar do caso para outro juiz, isento, imparcial, condição que ele perdeu em relação a Lula.

O Datafolha também ajuda a entender a ofensiva. Só Lula cresceu. Tem um terço dos votos válidos no primeiro turno e mais de 40% no segundo, contra os três tucanos e a insustentável Marina. Só perde, hoje, para o antipetismo; e debaixo de uma campanha de difamação sem precedentes.

É preciso acabar com Lula, fazer sua caveira, antes que ele tenha chance de voltar pelo voto. E antes que sua defesa desmoralize a Lava Jato. Tem de bater na cabeça da jararaca. Mas como, se não há crime para acusá-lo? Se há só pedalinhos, obras de alvenaria, propriedades imaginárias, palestras profissionais, presentes de governos estrangeiros.

Desde a reeleição de Dilma (aliás, por isso mesmo), Lula, seus filhos, sua empresa de palestras e o Instituto Lula tornaram-se alvos de 9 inquéritos do Ministério Público e da Polícia Federal, 3 proposições de ação de penal, 2 fiscalizações da Receita e 38 mandados de busca. Quebraram e vazaram seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Numa afronta à Constituição e a princípios universais do Direito, adotados pelo Brasil em tratados internacionais, Lula é investigado pelos mesmos fatos em inquéritos simultâneos: da Procuradoria-Geral da República, de procuradores regionais do Paraná e Brasília e de promotores do Estado de São Paulo. É tiro-ao-alvo.

Essa verdadeira devassa — insisto: sem precedentes no Brasil — não encontrou nenhum depósito suspeito, conta no exterior, empresa de fachada ou contrato de gaveta; nenhum centavo sonegado, nenhuma conversa de bandido. Nada que associe Lula direta ou indiretamente aos desvios na Petrobras investigados na Lava Jato ou qualquer ilegalidade.

Nem mesmo os réus delatores, que negociam acusações sem provas em troca de liberdade e (muito) dinheiro, apontaram fatos concretos contra Lula. No máximo, ilações, do tipo “ele devia saber”, conduzindo à esfarrapada tese do domínio do fato. No estado de exceção midiática, apela-se à tese da obstrução da justiça (o maldito direito de defesa), a partir do pré-julgamento de grampos ilegais.

O fato é que a Lava Jato e a Procuradoria-Geral da República não têm como entregar — na só-base da prova, da lei e do direito — a mercadoria esperada desde sempre por seus patrocinadores: Lula na cadeia. Não em julgamento justo, com policias e procuradores apartidários, juiz natural e imparcial, tribunais fiscalizadores da primeira instância. Não no estado de direito democrático.

Para tirar Lula do jogo, precisam desesperadamente da cumplicidade dos meios de comunicação; a Rede Globo à frente e o rebotalho dos impressos na retaguarda. Precisam promover um julgamento pela mídia, com base na publicidade opressiva. Precisam espalhar que Lula estaria metido “nessa coisa toda”; silenciar e até intimidar quem duvide disso, para sancionar uma condenação sem prova.

Quem foi jornalista na ditadura tem amarga lembrança de colegas que serviam à repressão (alguns em dupla jornada, como na Folha da Tarde, da família Frias). Noticiavam assassinatos de presos como “atropelamentos”, tratavam torturas como “rigorosas investigações”. Faziam a caveira dos “subversivos”. Eram chamados jornalistas de “tiragem” — a serviço dos “tiras”, é claro, não da verdade.

Recordo sem intenção de ofender os jornalistas “investigativos” de hoje que comem na mão dos “investigadores” anônimos. Podem acreditar sinceramente que contribuem para “combater a corrupção”. Ganham as manchetes, mas abrem mão do jornalismo, que é a busca da verdade. Quando a meganha pauta e o repórter obedece, cegamente, quem perde é a notícia. E perde a democracia.

Ricardo Amaral, jornalista e autor do livro “A vida quer é coragem”, que narra a trajetória de Dilma Rousseff
No DCM
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Xadrez dos novos tempos, da democracia em risco


A democracia brasileira finalmente encontrou seu mais perfeito tradutor: o espanhol Lluis Barba. Conforme explicam os críticos, Barba é conhecido por “ter desenvolvido uma reinterpretação da fragilidade da memória histórica e sistemas de poder, juntando obras de artes de grandes mestres com elementos contemporâneos”.

Nada melhor para definir a maneira como o país está encarando a destruição sistemática dos mecanismos democráticos. 

Peça 1 – montagem de um pacto de governabilidade com Temer

A receita está dada. Juntam-se grupos econômicos, PSDB-DEM, estamento Jurídico, em torno de três objetivos claros:

1.     Desmanche das conquistas sociais.

2.     Abertura integral da economia.

3.     Recuperação pontual da economia garantindo as eleições de 2018.

Tem que combinar com os russos.

Como dificilmente o modelo Temer será eleitoralmente competitivo, haverá a tentativa de melar as eleições. Tudo obviamente dependendo da viabilidade política do governo Temer perante os grupos de poder.

Aí entra o imprevisível: as delações do grupo Odebrecht.

Peça 2 – o fator Odebrecht

A delação da Odebrecht significará a bomba de nêutron, o fato que zerará de vez o jogo político. Serão poupados apenas membros do Judiciário. No campo político, não restará pedra sobre pedra, cerca de 2/3 do Congresso, todas as lideranças partidárias, todos os presidenciáveis, incluindo os interinos que tomaram o poder de assalto.

Será um terremoto tão devastador que levará a um pacto inevitável.

Peça 3 – o pacto político da anistia

O caminho mais viável será o de separar as doações em dois campos: aquelas destinadas ao financiamento de campanha; a as que foram para enriquecimento pessoal. Trata-se de uma divisão tácita, que o meio político utiliza internamente para não misturar alhos com bugalhos.

Saliente-se que sempre houve uma prática generalizada do político utilizar sobras de campanha em proveito pessoal, mesmo em pessoas de reputação ilibada como André Franco Montoro (que adquiriu um apartamento com as sobras de campanha para governador), Fernando Henrique Cardoso e sua fazenda mineira, Tancredo Neves quando presidente eleito.

A proposta provável será votar uma anistia geral para o primeiro grupo e jogar o segundo grupo aos leões.

Esbarra, no entanto em alguns problemas políticos.

A Lava Jato e a Procuradoria Geral da República têm lado, o PSDB. E seu lado seria apanhado em cheio por uma peneira isenta, da qual não escapariam José Serra e os fundos de investimento de sua filha Verônica; Aécio Neves e Michel Temer, com elementos de enriquecimento pessoal muito mais consistentes que sítios em Atibaia.

Peça 4 – os desafios à normalidade democrática.

Ao zerar o jogo político, o novo redesenho comporta de tudo: até modelos de democracia mitigada. Especialmente porque o país já não vive tempos de normalidade democrática. E não apenas pelo golpe parlamentar.

Os sinais são cada vez mais evidentes. Não se avançou mais porque houve um refluxo das manifestações anti-PT, depois do susto de assistir à ascensão da camarilha dos 6: Temer, Jucá, Padilha, Geddel, Moreira Fraco e Cunha.

Mas é apenas uma pausa. Os sintomas do endurecimento político estão nítidos:

Sinal 1 – o medo das palavras

Na ditadura, jornalistas acostumaram-se a escrever nas entrelinhas, pela dificuldade de se abordar temas mais delicados. Voltaram-se às mesmas práticas:

Exemplo 1 – para desgosto de Madame Natasha, o colunista Elio Gaspari inventou o termo “golpe vocabular” para poder expressar sua opinião sobre o golpe do impeachment.

Exemplo 2 – o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, explicando a não-tomada de decisão no caso do golpe: um lado pensa uma coisa e tem argumentos; o outro pensa outra e tem outros argumentos; como é uma discussão política, não cabe ao STF dizer quem tem razão. Foi o dia em que se igualou a Ayres Brito.

Exemplo 3 – o historiador José Murilo de Carvalho analisando todos os golpes da República e, na hora de analisar o atual, limitando-se a dizer que, na oposição, o PT também tentou o mesmo, demonstração cabal de que o historiador é um personagem da história que ele mesmo relatou: golpe é apenas o impeachment que os do outro lado planejam.

Exemplo 4 – a completa subversão de conceitos. A Lava Jato transformou em suspeitos qualquer forma de negócio ou de acordo político ou comercial. Esse clima persecutório atingiu financiamentos à exportação, atuação de diplomacia comercial. E qualquer tentativa de moderar abusos é imediatamente demonizada com o bordão de que “querem enfraquecer a Lava Jato”.

Ou seja, em vários dos campos do establishment, já se abdicou da defesa ampla da democracia, ou por temor ou por falta de convicções democráticas,

Sinal 2 – o dedurismo


Desde o primeiro momento, o governo Temer mostrou características de dedurismo como forma de retaliação contra adversários. Consiste em membros do governo levantar informações do Estado, dos quais eles se tornaram guardiões, vazando-as seletivamente e dando-lhes um sentido criminoso. Os precursores da volta do dedurismo foram Laerte Rimoli e os contratos da EBC; José Márcio Freitas e a publicidade pública; e o general Sérgio Ethchegoyen e as informações do Gabinete de Segurança Institucional sobre a segurança da família de Dilma.

Sinal 3 – o uso da Lava Jato para represálias

Gilberto Carvalho ousou criticar a Lava Jato e foi enfiado de contrabando em uma das ações. O mesmo vem ocorrendo com advogados e blogs que critiquem a operação. A difamação através da mídia tornou-se exercício banal: procuradores induzem delatores a inserir insinuações em uma delação para que jornalistas policiais transformem em manchetes.

Não há coincidência desses diversos sintomas com os períodos de intolerância que precederam guinadas autoritárias de governos e países. Hoje em dia, há um alinhamento de parte de alguns juízes e procuradores, visando atuar politicamente no cargo. E um forte grupo de homens de Estado trabalhando em direção ao endurecimento político, especialmente à medida em que o PSDB naufraga definitivamente como alternativa política.

Cenários possíveis

São muitas as variáveis e se tem um país relativamente complexo. Daí a dificuldade de cravar as fichas em um cenário apenas. Prefiro relacionar as forças em marcha para que vocês ajudem a desenhar o cenário final:

Jogo político – na medida em que o governo interino se consolide, haverá uma tendência de acomodamento político, com os governistas de sempre aderindo e a oposição parlamentar aceitando o jogo a fim de preservar algum espaço. E, com isso, permitindo o crescimento de partidos alternativos fora do parlamento e de movimentos sociais fora da tutela dos partidos.

Reformas – haverá uma disputa dura de informações. De um lado, os críticos tentando demonstrar que limite de despesas significará o desmonte do SUS e da educação. De outro, o establishment vendendo o peixe de que esses cortes serão a salvação da lavoura.

Jogo econômico – o interino envereda de novo pelo populismo cambial. O aumento dos limites de endividamento e a apreciação cambial darão um breve respiro à economia que eles esperam que dure até 2018. Daqui até a votação do impeachment o mercado reagirá positivamente. No dia da votação, despencará de novo, para realização de lucros.

Jogo jurídico – depois de inúmeras pressões contra sua parcialidade, o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot esboçou alguma tentativa de isonomia, abrindo ações contra Aécio Neves. Cumpridas as formalidades, nada mais se sabe das investigações. No momento, ele está preocupado com os presentes que Lula e Dilma receberam de dignitários estrangeiros. A delação da Odebrecht exigirá outras estratégias evasivas.

Luís Nassif
No GGN
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‘Você é um golpista, como seu pai’: carta aberta a Otávio Frias, dono da Folha

Reacionário e golpista
Esta é uma da série das Cartas Abertas aos Golpistas. Futuramente, elas poderão ser reunidas num livro que mostre os rostos do golpe. Desta vez, o destinatário é Otávio Frias Filho, dono da Folha.

Caro Otávio:

Duas passagens recentes sobre você me vem à mente.

A primeira foi sua reação destemperada num seminário em Londres no qual uma jornalista britânica disse que os jornais brasileiros são pesadamente conservadores, a Folha incluída.

Sua vaidade pareceu ferida por ouvir que a Folha, uma jovem progressista nas Diretas Já, é hoje uma velha reacionária.

A segunda passagem é a edição que seu jornal deu ao último Datafolha, neste domingo.

Uma coisa está conectada à outra. Como você quer que a Folha não seja considerada reacionária se você edita de forma tão desonesta os resultados do Datafolha?

A Folha apresentou os números de tal forma que pareceu um triunfo de Temer. O objetivo claro é influenciar os senadores na votação definitiva sobre o impeachment.

O destaque da Folha foi: metade dos brasileiros prefere Temer a Dilma.

Ora, ora, ora.

Caro Otávio: por que não o seguinte. Metade não quer Temer?

Na verdade, o levantamento foi péssimo para Temer, mas seu jornal edulcorou descaradamente.

A informação mais importante era que apenas 14% das pessoas aprovam Temer. É um índice miserável sob qualquer aspecto, e tanto mais num início de administração, quando a tolerância da sociedade é muito maior do que no correr dos dias.

Fora isso, a imprensa vem tratando Temer como um príncipe, o exato oposto do que ocorreu com Dilma. Mesmo assim, 14% apenas?

E isso seu jornal escondeu no meio do texto. Tentou tirar a relevância do número ao dizer que era o mesmo de Dilma às vésperas do impeachment.

A Folha só não lembrou a diferença extraordinária das circunstâncias, como se isso fosse secundário. O nome disso é trapaça. Canalhice jornalística.

Outro dado que foi subestimado, e é estarrecedor, é que um terço das pessoas não sabe quem está no governo. É revelador da pequenez, da insignificância de Temer. Ninguém o enxerga, ainda que ele esteja no Palácio do Planalto.

É um Napoleão às avessas.

Não vou nem falar da forma como Lula foi tratado também no Datafolha. Lula apareceu isolado na liderança em todos os cenários, ainda que sob bombardeio ininterrupto da imprensa e de Moro.

Só que foi posto um “mas” para desqualificar Lula. Mas no segundo turno, e blablablá.

Com Temer não houve o truque do “mas”. Metade dos brasileiros o prefere a Dilma, mas metade o quer fora. Mas um terço sequer o conhece. Mas só 15% o aprovam.

Caro Otávio: você não é apenas um editor reacionário de um jornal reacionário.

É um golpista, como foi seu pai. Este pode ser seu epitáfio, aliás: “Foi um golpista, como o pai”.

Sinceramente.

Paulo

No DCM
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NY Times tira um sarro do "poeta" traíra

Os impulsos golpistas são mais intensos que os carnais?



Com a morte do excelente Sábato Magaldi, abre-se a vaga que a Globo deveria oferecer ao presidente Trambolho: a de imortal da Academia das Letras!

O Conversa Afiada sustenta que, no dia da "posse", não foi à toa que ele deu especial atenção ao fazedor de reis (e presidentes) da Academia, o inigualável Marcos Vinicius Vilaça, único ponto de ligação do Mendoncinha com a Educação, pois dele é genro.

O Traíra se considera poeta.

Como Sarney se diz romancista e Ataulpho Merval, pensador e "cientista" politico...

Quem não leva o poetastro a sério é o New York Times, que debocha das "chamas flamejantes de fogo" e do poema "Vermelho", em que descreve seus impulsos carnais!

O New York Times, que, depois de certa ambivalência, denunciou o Golpe e lembra que Dilma pode voltar.

Até porque o Traíra foi considerado inelegível pela Justiça Eleitoral e o Sérgio Machado se encontrou com ele numa salinha da Base Aerea de Brasilia, para descolar uma grana para a campanha do Chalita.

Nem as chamas flamejantes da volúpia escondem aquele que abriu um propinoduto no porto de Santos.

Além do mais, ele é ridículo...

Em tempo: o Conversa Afiada sugere que o imortal Zuenir Ventura faça o discurso de saudação ao Trambolho, na Academia. E, em cada sentença, aplique uma mesóclise, único assunto de que realmente entende: "o emprego da mesóclise, quando e como". Como o futuro colega de imortalidade.

PHA
No CAf
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Sérgio Mamberti: EBC é fundamental para democratizar a informação


O ator, diretor e produtor cultural Sérgio Mamberti também está na nossa campanha ‪#‎EmDefesaDaComunicaçãoPública‬. Ele lembra: "A criação da EBC foi um passo importantíssimo para que a gente tenha informação democrática (..) é o momento de toda a sociedade brasileira deixar clara a importância de permanecermos com a EBC".

Assine nosso manifesto! http://chn.ge/1TGvJiz...



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O esforço da Folha em melhorar a situação de Temer e piorar a de Lula no último DataFolha

No Nordeste, trabalhando, já em campanha
É notável o contorcionismo da Folha para artificialmente piorar os resultados de Lula e Dilma no último Datafolha e melhorar os de Temer.

É uma manobra clássica de engana-trouxas. Escrevi trouxas porque é assim que a Folha parece tratar seus leitores.

Comecemos por Dilma e Temer.

O título do texto que mede o atual governo é: 50% dos brasileiros querem Temer no lugar de Dilma.

Ora, ora, ora.

E os demais 50%? O título poderia ser: “Metade dos brasileiros não quer Temer”. Ou, num esforço de imparcialidade: “O Brasil dividido entre a permanência ou não de Temer”.

Você tem que ter cuidado ao ler mesmo pesquisas na mídia. Os números são dispostos de forma a atender aos interesses dos donos, e os textos que os acompanham vão na mesma linha.

Por exemplo: o artigo sobre o tema acima trazia também a avaliação de Temer. É um número tétrico para Temer: apenas 14% acham seu governo bom ou ótimo.

A Folha escondeu isso no meio do texto. E ainda colocou o seguinte: era o mesmo resultado de Dilma em sua última avaliação como presidente.

Mas um momento.

Dilma vinha de um massacre cotidiano da imprensa, da oposição parlamentar liderada por Aécio e Cunha, da Lava Jato, de Moro — enfim, de todas as forças reacionárias e golpistas.

Temer não: é protegido pela mídia, e preservado por Moro e pela Lava Jato. Mais que tudo: ele está no governo há pouco tempo, o que faz toda a diferença.

O padrão é: altas avaliações populares no início das administrações e baixas avaliações no final. Temer conseguiu inverter o padrão consagrado. É rejeitado desde o ponto zero.

Nada dessas ponderações a Folha fez. Mas o fato é que os 14% de aprovação enfraquecem substancialmente Temer. Numa palavra, ele não pegou. Não decolou. E nem vai melhorar: o tempo só piora as avaliações aos olhos da sociedade.

O mesmo esforço da Folha para transformar dados se viu em relação a Lula.

O extraordinário é: com toda a pancadaria que vem levando, Lula aparece na liderança isolada nas intenções de votos em todos os cenários.

Outros dados notáveis: Aécio perdeu metade das intenções em menos de um ano. De 27% apurados em dezembro de 2015, caiu para 14% agora.

Todos os líderes tucanos perderam consideravelmente terreno, o que mostra o desgaste que lhes vem custando a campanha golpista frenética. Os eleitores moderados do PSDB já perderam a paciência com a guinada à direita do partido.

Mas como a Folha apresenta o desempenho de Lula? Com um “mas”, para desqualificar um desempenho impressionante. “Mas” no segundo turno — e lá vem. Não chegamos perto sequer do primeiro turno, e é no segundo que a Folha lança luzes para fingir que Lula não é o destaque absoluto deste último DataFolha.

Faz-se barulho também com a rejeição de Lula: 46%. Mas atenção: no último DataFolha ela era de 57%. Isso quer dizer: mesmo com toda a perseguição da mídia e de Moro a rejeição de Lula baixou 11 pontos percentuais. Ou quase 20%.

O que deve acontecer, caso Lula seja candidato, quando ele falar nos programas eleitorais e quando jornais e revistas tiverem que publicar não apenas acusações, como é hoje?

Não é difícil imaginar.

Mas a mídia parece viver num universo paralelo. Neste final de semana, ao mesmo tempo em que o DataFolha dava a ascensão de Lula, a Veja fazia uma reportagem especial que trazia uma ficção extremamente ao gosto da revista. Nela, Lula estaria abatido, sem força política, num terrível ocaso.

Ora, ora, ora.

O leitor inocente da Veja não conseguirá entender como alguém tão por baixo aparece em primeiro no DataFolha. E repito: sob ataque incessante.

Ao mesmo tempo em que a Folha e a Veja armavam seus textos sobre o cenário político, Lula estava no Nordeste falando com gente, misturado ao povo, como gosta, em plena campanha.

É assim que ele desde já é o franco favorito para 2018 — quer a Folha e a Veja, para não falar da Globo, queiram.

Paulo Nogueira
No DCM
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Governo de Raul Castro convoca médicos do programa Mais Médicos de volta a Cuba

 Atualizando 

O médico cubano Sael Castelo Caballero. Foto: Araquém Alcântara
O blog teve acesso a um comunicado emitido hoje pelo governo de Raul Castro convocando 1672 médicos cubanos que atuam no programa Mais Médicos para que retornem à ilha. O governo de Cuba já estabeleceu inclusive um cronograma: os médicos cubanos que estão atuando no programa cujos contratos vencem este ano devem retornar a Havana até o dia 9 de novembro. Muitos profissionais estão chateados porque acreditavam poder renovar o contrato e permanecer no Brasil por mais três anos. Não se sabe ainda se eles serão de fato substituídos por outros.

A nota oficial do ministério da Saúde de Cuba diz que “de 1 a 2 de novembro retornarão à pátria em dois vôos, um por dia, com o fim da missão, os 347 médicos que restam do grupo de 400 (alguns já retornaram e outros, por outras causas, já não estão na missão). De 4 a 9 de novembro sairão em um vôo diário, da mesma forma, os 1325 médicos que restam do grupo dos 2000 (alguns já retornaram à pátria e outros, por outras causas, já não estão na missão)”. A nota não faz referência aos outros cubanos que atuam no Mais Médicos, cerca de 11 mil no total.

Os médicos cubanos foram proibidos de comentar com os colegas brasileiros o conteúdo do comunicado, que não deixa claro se  o contrato com o governo brasileiro, sob a presidência de Michel Temer, será mesmo renovado, com a vinda de outros médicos em substituição a estes. “Ficam terminantemente proibidos comentários na presença do pessoal brasileiro. Esclarecemos que o Brasil esteve na melhor disposição de prorrogar o contrato com os mesmos médicos, mas devido a estratégias de trabalho, o Ministério da Saúde de Cuba não aprovou que a renovação do contrato fosse com os mesmos médicos”, diz  a nota.

O blog ainda não conseguiu contato com a Embaixada de Cuba em Brasília para mais detalhes. Ainda na nota, o governo cubano explica que as mudanças se devem a “razões políticas”. Os cubanos deixariam o país imediatamente após o término do contrato, em agosto, mas a saída foi prorrogada para novembro para que a população assistida pelos cubanos não fique sem médicos durante as Olimpíadas ou no período eleitoral.

“Todas estas mudanças obedecem a razões políticas, porque todos sabemos, pela experiência com a Venezuela, que não é muito positivo que no meio de um evento internacional, como são as Olimpíadas, se gerem manifestações por parte da população reclamando por atenção médica. A outra situação que nos une é o tema das eleições.”

O governo cubano também estabelece regras para que os médicos retornem à ilha: devolver os tablets cedidos pelo ministério da Saúde brasileiro e que os profissionais deixem o Brasil sem nenhuma dívida. Também se refere ao limite de peso para as compras de cada um dos médicos cubanos: eles podem levar, no máximo, 45 quilos de bagagem nos vôos da Cubana de Aviación.

Dois médicos do programa se queixaram ao blog que preferiam permanecer no Brasil por mais três anos, conforme previa a medida provisória enviada ao Congresso em abril pela presidenta afastada Dilma Rousseff. A MP previa a prorrogação, por até três anos, dos contratos de profissionais estrangeiros no programa Mais Médicos. No contrato original estava previsto que, se os médicos cubanos quisessem renovar a permanência, teriam de se submeter à revalidação dos diplomas. A medida assinada por Dilma atendia à reivindicação da AMB (Associação Brasileira de Municípios), que pedia um posicionamento do governo federal sobre o programa Mais Médicos e especificamente a continuidade da manutenção da parceria com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), que representa os médicos cubanos.

“Com a medida provisória, esperávamos ficar mais três anos. Esse limite de tempo nunca existiu por parte de Cuba. Na Venezuela, por exemplo, os médicos ficam cinco, dez anos, e depois renovam o tempo de permanência. O que não podemos compreender é que, se nós já conhecemos a população, já aprendemos a língua, já estamos aqui e queremos continuar, por qual razão Cuba está tomando essa medida de nos levar de volta?”, questiona um dos médicos ouvidos pelo blog, sob a condição de anonimato.

Perguntei a eles se têm a intenção de pedir asilo ao Brasil ou se pretendem voltar para Cuba. “Queremos voltar para Cuba, sim, mas queremos — a grande maioria de nós, com certeza — continuar trabalhando mais três anos no Brasil. Não vemos razão para voltar e sermos substituídos por outros médicos.” O comunicado do governo cubano deixa claro que, ao voltarem, os profissionais não poderão deixar a ilha em novas missões pelos próximos cinco anos.

Na quinta e sexta passadas, em reuniões na sede da OPAS, em Brasília, a vice-ministra de Saúde Pública de Cuba, Marcia Cobas Ruiz, reiterou a intenção do governo de Raul Castro de continuar com a cooperação com o Brasil, mas disse que alguns termos do acordo necessitam ser revistos, inclusive o reajuste na remuneração dos profissionais. “Respeitaremos o compromisso firmado entre a OPAS e o Brasil, mas há uma série de fatores a serem revistos e acordados entre as partes. A desvalorização do câmbio nos últimos três anos foi maior do que o previsto e não houve nenhum reajuste. Também gostaríamos de avaliar a possibilidade de uma remuneração diferenciada para os profissionais que estão trabalhando em áreas isoladas e de maior risco, entre outras considerações”, disse Cobas.

A vice-ministra confirmou que a decisão do governo “é que os médicos que estão no Brasil retornarão a Cuba ao fim do seu contrato e outros médicos virão para substitui-los”. Explicou, porém, que, diante do momento delicado que o Brasil está vivendo com os jogos olímpicos, o vírus Zika e as eleições municipais, o governo de Cuba se comprometeu a só retirar os médicos a partir de novembro, após as eleições.

Os representantes dos municípios demonstraram preocupação em relação à possibilidade de saída dos médicos cubanos, que atuam, em sua maioria, em lugares onde os profissionais brasileiros se recusavam a trabalhar antes da criação do programa — as aldeias indígenas, por exemplo. Após a reunião, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Nardi, disse que iria solicitar à OPAS a permanência dos médicos cubanos. “É um pedido dos gestores municipais e estaduais e principalmente da população que criou vínculo com esses médicos. Vamos fazer o possível para que eles fiquem, mas se não for possível, tentaremos substitui-los rapidamente”. Resta saber se haverá médicos brasileiros dispostos a isso.

Leia abaixo o comunicado do governo cubano, na íntegra:

Nota Oficial del Ministerio de Salud Publica de Cuba

Los médicos del primer grupo (400) que llegaron en agosto del 2013 y del segundo (2000) correspondientes a octubre de ese mismo año, continuarán trabajando ininterrumpidamente hasta el 31 de octubre del 2016.

Salidas previstas de la siguiente manera:

– Del 1 al 2 de noviembre retornarán a la patria en dos vuelos, uno diario, con fin de misión, los 347 médicos que quedan del grupo de los 400 (algunos ya han retornado a la patria y otros por otras causas ya no están en la misión) – Del 4 al 9 de noviembre saldrán en un vuelo diario de la misma manera los 1325 médicos que restan del grupo de los 2000 (algunos ya han retornado a la patria y otros por otras causas, ya no están en la mision)

Nota aclaratoria: Los fines de misión siempre serán entre los días 1 y 10 del mes correspondiente y los vacacionistas siempre después del 15 del mes en que corresponda.

Todos estos cambios obedecen a razones políticas porque todos conocemos por experiencia en Venezuela, que no es muy positivo que en medio de un evento internacional, como lo es las olimpiadas, se generen manifestaciones por parte de la población en reclamación a atención médica. La otra situación que se nos une es el tema de las elecciones.

Como los colaboradores regresan exactamente con 36 meses de mision, una vez en Cuba no es posible depositarles en su cuenta del Banco Popular de Ahorro, la divisa correspondiente a los 2976 reales de estipendio porque eso sería un décimo tercer salario y no se contempla para una bolsa de estudio. Sólo eso hubiese sido permisible si hubiesen salido a los 35 meses de la misión. Al grupo de los 400 se les continúa pagando a pesar de pasarse de los 36 meses porque se encuentran trabajando en la misión.

– Es de estricto cumplimiento el control sanitario internacional y declarar casos febriles.

– Reiteramos que el Tablet entregado, es propiedad del Ministerio de Salud en Brasil y no del colaborador, este junto al RNE (Carné de identificación de extranjero) así como la tarjeta del Banco de Brasil, se entrega en el polo de salida. (Todos los vuelos de fin de misión serán por Brasilia)

– El hecho de que sea un fin de misión, no altera las normas de peso en Cubana de aviación. Hemos sido bastante flexibles ( 40 y 5).

– Del 5 al 10 de agosto, el grupo de los 400 debe presentarse a la Receita Federal para solicitar un documento de prórroga de VISA temporal y lo mismo es válido para el grupo de los 2000, que debe presentarse del 5 al 10 de octubre. (Al respecto serán orientados por sus coordinadores de OPAS en su debido momento).

– Queda terminantemente prohibido irse con deudas de Brasil. Para esto las prefeituras depositarán las ayudas de costo.

Todo médico que termine la misión y retorne a la patria, debe esperar un término de 5 años para volver a salir a cumplir misión, lo cual se aclara en la bolsa de colaboración y dicha medida responde a las afectaciones que han existido en el Sistema de Salud Cubano.

Queda terminantemente prohibido comentarios en presencia del personal brasileiro. Aclaramos que Brasil estuvo en la mejor disposición de prorrogar contrato con los mismos médicos pero debido a estrategias de trabajo, el Ministerio de Salud de Cuba no aprobó que la renovación del contrato fuese con los mismos médicos.

Se adjunta un audio donde se escucha claramente a nuestra viceministra Marcia Cobas, aclarando sobre esta decisión, la cual es irrefutable e irreversible.

En relación a los diplomas del curso de especialización en Salud de la familia, muchos están pendientes de recibirlo pero en caso de que se aproxime el fin de misión, la indicación es que escriban a la Universidad para que les hagan llegar el mismo a la dirección de sus correos de informed en Cuba.

Rogamos de favor que cualquier duda contacten de inmediato a sus coordinadores de OPAS, que son los que pueden darles la información de una forma segura y oficial. Por favor, no hagan uso de las redes sociales para estos fines.

Felicidades por el deber cumplido y retornen a la patria con la gran satisfacción de haber podido ayudar al pueblo brasileiro y mantener en alto el nombre de la patria. 17 Jul. 2016

Cynara Menezes
No Socialista Morena



Cuba desmente estar chamando médicos de volta

Segundo fontes da embaixada cubana em Brasília, o governo do presidente Raúl Castro e o ministério da Saúde cubano não emitiram nenhum comunicado convocando 1.672 médicos que atuam no programa Mais Médicos a retornarem à ilha, como noticiou o blog de Cynara Menezes, a Socialista Morena. Pelo contrário, o governo de Cuba está cumprindo todos os termos do acordo assinado com mediação da Opas - Organização Panamericana de Saúde/OMS, certo de que os médicos cubanos estão prestando serviços relevantes aos brasileiros de cidades do interior e de comunidades isoladas que anteriormente não dispunham de assistência médica, disse uma fonte da Embaixada, estranhando a notícia: “é totalmente improcedente esta informação sobre um comunicado chamando os médicos de volta." O que Cuba está buscando é uma renegociação de termos do acordo.

Houve mesmo na semana passada uma reunião entre autoridades brasileiras e representantes da OPAS e do governo cubano, entre eles a vice-ministra da saúde pública de Cuba, Marcia Cobas Ruiz, que externou o desejo de Cuba de manter o acordo de cooperação mas com a revisão de algumas condições. “Respeitaremos o compromisso firmado entre a OPAS e o Brasil, porém, há uma série de fatores a serem revistos e acordados entre as partes. A desvalorização do câmbio nos últimos três anos foi maior do que o previsto e não houve nenhum reajuste, também gostaríamos de avaliar a possibilidade de uma remuneração diferenciada para os profissionais que estão trabalhando em áreas isoladas e de maior risco, entre outras considerações”, teria dito a ministra, segundo registra o site do Ministério da Saúde brasileiro.

A vice ministra disse mesmo, conforme registrou Cynara, que “a decisão é que os médicos que estão no Brasil retornarão para Cuba ao fim do seu contrato e outros médicos virão para substitui-los”. Porém, considerando a delicadeza do momento que o Brasil está vivendo – Olimpíadas, enfrentamento do vírus Zika, eleições municipais – o governo de Cuba se comprometeu a não retirar nenhum médico da cooperação cuja missão se encerre no 2º semestre/2016, e só retomar a substituição a partir de novembro de 2016 pós eleições municipais.

A vice presidente do Conasems, Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Iolete Soares, falou da preocupação dos municípios em relação aos postos de trabalho que estão vagos. “Nós apoiamos esse programa desde o início, falo pelos mais de 5 mil municípios e pela população atendida por esses médicos. É muito importante a permanência dos profissionais nos municípios por eles já saberem as dificuldades da região e conhecerem a comunidade que atendem diariamente há anos, muitos até formaram família no país”.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Nardi, afirmou que o governo vai se empenhar para atender à demanda dos prefeitos, buscando renovar e manter o acordo com Cuba mas não se comprometeu com o atendimento dos pleitos cubanos, de revisar os valores de contrato, invocando a crise fiscal e as restrições orçamentárias.

O que incomodou a embaixada cubana no post de Cynara foi a afirmação de que Cuba emitiu um comunicado aos médicos, determinando que comecem a retornar a Havana a partir do dia 9 de novembro. Não houve o comunicado nem a decisão, apenas a busca de renegociação com o governo brasileiro.

Atualmente, dos cerca de 12 mil médicos estrangeiros que atuam no Mais Médicos, mais de dez mil são cubanos, e eles têm manifestado interesse em continuar atuando no programa criado pela presidente afastada Dilma Roussef, receosos de que ele venha a ser interrompido pelo Governo Temer. O governo cubano também não tem interesse no fim do programa, que tem garantido renda e reconhecimento à excelência de seus profissionais.

Tereza Cruvinel
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FIESP sonega. De fato, somos uns patos...

E o Skaf, esse gestor de galpões?



O empresário Laodse de Abreu Duarte, um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é o maior devedor da União entre as pessoas físicas. Sua dívida é maior do que a dos governos da Bahia, de Pernambuco e de outros 16 Estados individualmente: R$ 6,9 bilhões. Laodse – que já foi condenado à prisão por crime contra a ordem tributária, mas recorreu – é um dos milhares de integrantes do cadastro da dívida ativa da União, que concentra débitos de difícil recuperação.

Além de Laodse, aparecem no topo do ranking dos devedores pessoas físicas dois de seus irmãos: Luiz Lian e Luce Cleo, com dívidas superiores a R$ 6,6 bilhões. No caso desses três irmãos, quase a totalidade do valor atribuído a cada um diz respeito a uma mesma dívida, já que eles eram gestores de um mesmo grupo empresarial familiar que está sendo cobrado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

(...)

Como se sabe, o presidente da FIESP, eterno candidato do Traíra a governador de SP pelo PMDB, roubou o pato de um artista holandês...

Skaf, de industrial, tem a credencial de ter quebrado a indústria do pai e se tornar administrador de galpão.

Ele é o campeão da luta contra aumento de imposto.

É o inimigo número da CPMF.

Ele e o colega de diretoria, o Laodse de Abreu Duarte.

São os moralistas sem moral, como diz a Dilma.

PHA
No CAf
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Proprietário de clínica de idosos é preso por suspeita de maus-tratos

Vigilância Sanitária também apreendeu medicamentos com prazos vencidos.
Pacientes serão transferidos; homem foi levado para presídio em Sorocaba.

Ação conjunta vistoriou local em Sorocaba
Foto: Hudson Bracher Beilke/Conselho do Idoso
O proprietário de uma clínica de idosos de 40 anos foi preso em Sorocaba (SP). A ação realizada pela Delegacia do Idoso, Vigilância Sanitária e da Ordem dos Advogados do Brasil constatou maus-tratos contra onze pacientes e, somou ainda, irregularidades como remédios com prazos de validade vencidos.

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito irá responder por crimes de relação de consumo e por maus-tratos. A Vigilância apreendeu medicamentos com prazos vencidos e o estabelecimento, localizado no Jardim Europa, foi autuado neste primeiro momento.

O vice-presidente do Conselho Municipal do Idoso de Sorocaba, Luiz Gildes, acompanhou o flagrante na clínica. Ele afirmou ao G1 que denúncias indicavam a falta de cuidadores no período noturno para monitorar os pacientes. “Quando chegamos ao local, eles estavam sujos e o cheiro estava forte. Inclusive, uma das senhoras estava passando frio”, lamenta.

Segundo o Conselho Municipal do Idoso, várias denúncias foram registradas sobre a clínica (Foto: Hudson Bracher Beilke/Conselho do Idoso)
Clínica tinha várias denúncias
Foto: Hudson Bracher Beilke/Conselho do Idoso
Após denúncias feitas no Ministério Público e na Vigilância Sanitária foi planejada uma ação para flagrar a situação. Ao chegarem no local, fiscais constataram que alguns idosos ficavam amarrados e “quando encontramos uma pessoa já é chocante, imagine 11? Todos em um lugar que é prestador de serviço e que está recebendo por isso”, comenta o vice-presidente.

Os idosos continuam no local, mas segundo o vice-presidente, eles deverão tomar providências legais para conseguir retirar esses pacientes da clínica.

De acordo com a polícia, o homem foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Sorocaba.

Polícia investiga maus tratos em clínica de Sorocaba (Foto: Hudson Bracher Beilke/Conselho do Idoso)
Polícia investiga maus tratos em clínica de Sorocaba
Foto: Hudson Bracher Beilke/Conselho do Idoso

No G1
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“Não vai ter golpe”…

…vai ter luta. Onde? Quando? Como?


As ameaças golpistas anunciadas com ênfase no primeiro trimestre deste ano, mas já articuladas durante todo o ano de 2015, passaram de uma preocupação menor para a concretização das ameaças quando o Congresso Nacional, atendendo ao pedido de impeachment feito por dois advogados senis e uma pomba gira marcou oficialmente a data de 17 de abril passado para votar a admissibilidade de tal proposta.

O Brasil, seu lado conservador, alienado, homofóbico, evangélico, entreguista, antipetista, saiu a correr para as varandas dos bairros nobres, e não só, a dar vazão ao seu ódio, agitando hipocritamente a bandeira nacional e batendo suas panelas em regozijo.

Guerra total ao Partido dos Trabalhadores, seus principais dirigentes e militância, podendo-se dizer à esquerda em geral. Embora esteja cada vez mais difícil se saber quem é esquerda no Brasil.

Um mal a ser extirpado em nome da moralidade, dos bons costumes, do ódio de classe. Filme já mais do que visto. Afinal, lugar de negro ainda é na senzala e de pobre é na periferia, de preferência a mais distante.

Com tal objetivo criaram-se vários mecanismos para satanizar Luiz Inácio Lula da Silva o metalúrgico nordestino, ícone de um governo trabalhista, que tirou o país da condição de devedor internacional e garantiu à população mais pobre a possibilidade, ainda que insuficiente, de viver um pouquinho melhor, o que nenhum governo anterior ao seu conseguiu fazer.

Nesse sentido, a criação da operação Lava a Jato, ainda não se sabe bem se dentro ou fora do país, surgiu quase que em paralelo ao chamado Mensalão e, apertando as duas extremidades de uma pinça jurídico/policial colocou o PT e seus principais dirigentes numa situação de criminosos perante a nação antes de serem acusados, processados e julgados.

Verdadeiro show mediático encarregou-se de colorir o palco com os holofotes sobre os principais desafetos. Processos em que muitos acusados foram condenados sem provas “porque a literatura jurídica assim o permitia” (sic)

Durante os últimos dez anos a irresponsável, chantagista e classista imprensa brasileira usou e abusou das acusações, muitas delas sem qualquer prova, para destruir a reputação de cidadãos brasileiros, colocando-os na cadeia, com a triste e afoita aceitação dos fatos até por uma parte da esquerda que, saboreando alguns dos erros cometidos pelo PT caíram,no geral, no jogo sujo da mídia, apontando o dedo acusador para o partido que se “desviou das suas origens”.  

A pureza ideológica é uma maravilha… Fica muito bem em programas partidários, entrevistas, palestras, saraus intelectuais e até em artigos como este, se fosse o caso, mas na prática, no corpo a corpo dos embates políticos, essa tal pureza deixa muito a desejar.

Como se a política fosse um teorema matemático e dela participassem somente as freiras do Colégio Sagrado Coração de Jesus.

Com o passar do tempo “aperfeiçoou-se” a acusação sem provas, açodou-se a execração pública dos acusados e a delação premiada ganhou ares de justiça ainda que tardia, uma espécie de loteria para dedos duros.

A primeira cria no público a crença e a aceitação de que todo acusado deve provar sua inocência, maculando e invertendo o direito dos cidadãos; o segundo premiando os bandidos de colarinho branco e instituindo oficialmente a dedoduragem.

Você corrompe ou é corrompido, delata alguns que receberam quantias polpudas (que evidentemente são em maior número do que essa patacoada da Operação Lava Jato informa) e ainda recebe um troco para uma vida bem confortável.

Isso para não nos revoltarmos com o fato de que os principais furúnculos da nossa “moderna” corrupção, geradores de novos focos para o corpo social continuam impunes, sem investigação, sem o julgamento de inúmeros dos denunciados por fraudes e assaltos contra e ao patrimônio público.

Pintado esse “exemplar” quadro com o descaramento e com a participação do aparelho judiciário em todas as instâncias na sua defesa e consagração, apoiados pela impoluta e imparcial máfia mediática, estavam criadas as condições para um golpe estado.

Um golpe suave, como insinuam alguns analistas, sem a necessidade de canhões e metralhadoras, pois somos também um país de sofistas, além de inegáveis filósofos de ocasião.

Veio o tal golpe suave, com pompa e circunstância, quando a maior e mais oca rede de televisão do país brindou-nos com um espetáculo de fazer inveja a qualquer circo dos horrores, uma espécie de Domingo do Faustão para a massa ignara se divertir com a ilusão de que aquilo era a sério: “voto a favor do impeachment pelos meus filhinhos”, “voto a favor do impeachment pelo amante da minha mulher”, “voto a favor pela saúde do meu cão e dos meus gatos”, “voto a favor em homenagem à inteligência cavernosa de Diogo Mainardi e Alexandre Frota”, “voto a favor pela cadeira do dragão e pelo pau de arara”, “voto a favor para que aumentem as contribuições dos incautos à minha igreja”, “voto a favor para que tenhamos uma cocaína mais pura”… “para que tenhamos uma escola sem política e uma política sem escolas…” E o rol de boçalidades do gênero poderia ir ao paroxismo.

Coxinhas e paneleiras correram a gritar de contentamento nas varandas de seus apartamentos. E o dia seguinte?

Agora sim. Mais do que nunca seria necessário bradar aos céus: não vai ter golpe, vai ter luta. E assim foi feito. Faixas nas passeatas, reuniões de movimentos sociais, sindicatos agitados, estudantes em ebulição, ajudaram a criar o clima de resistência ao tal impeachment constitucional, outro eufemismo jurídico para o GOLPE.

Só as ruas poderiam conter o avanço dos golpistas. Todos às ruas, não vai ter golpe, vai ter luta, bradavam os resistentes bolsões democráticos…

E os russos, quero dizer, e o senado federal? Foi avisado? Aceitaria ou não o pedido feito pela camara dos deputados? Se aceitasse, a presidente Dilma Rousseff seria afastada por 180 dias aguardando pelo resultado de um julgamento no qual era e é (ora vejam que surpresa!) acusada sem provas…

11 de maio foi a data escolhida e dois terços dos senadores, muitos deles sabendo que não havia crime cometido pela presidente (isso não vinha ao caso) aceitaram a denúncia trazida ali da vizinha camara dos deputados. Estavam todos em casa, no grande, ínclito, ético, republicano e independente CONGRESSO NACIONAL. Oscar Niemeyer sentiria engulhos.

A mixórdia avançou diante do olhar de boa parte da esquerda progressista e de muitos democratas do nosso leque político partidário, com palavras de ordem de chamamento à luta: “Vamos incendiar esse país”, “vamos fechar as estradas”, “vamos tomar Brasília”, “não passarão”…

E veio o 11 de maio, quando o golpe avançou mais um passo aceitando o pedido de impeachment para julgamento. Martha Suplicy, símbolo perfeito do Brasil atual, aderia às hostes que queriam limpar o Brasil da corrupção.

Kafka se transformava numa espécie de redator da Turma da Mônica e o manicômio Charcot num agradável Jardim de Infância. O Brasil tinha agora que provar ao mundo a sua competência política, sua verdadeira democracia, construindo um ilibado governo provisório e provando que os eternos esquerdistas brasileiros são de fato um câncer a ser extirpado.

Sumidades assumiram seus postos: José Serra, Ministro das Relações Exteriores, Raul Jungmann, Ministro da Defesa, Mendonça Filho, com o apoio de Alexandre Frota, o Ministério da Educação, Henrique Dias Alves em qualquer posto do qual já não me recordo e outras mediocridades que, essas sim, não veem ao caso.

Aproximamo-nos rapidamente do mês de agosto, mês conhecido na política brasileira como o mês do cachorro louco. Um misto de crise política com Jogos Olímpicos disputará o conceituado espaço da mídia nacional, esse baluarte da decência e da verdade. O golpe se aprofundará mais um pouco, enquanto se disputam as medalhas de ouro.

Em paralelo, a ópera bufa do patriota e íntegro Eduardo Cunha, dado o grande sucesso do protagonista, vai esticando a sua temporada, ajudado pelo governo interino, por seus capangas no Congresso e pela inequívoca demonstração de que aquilo que se pode chamar de esquerda parlamentar não passa de uma fantasia inventada por alguns homens de bem perdidos no meio da confusão.

O desmonte do Estado e da Nação vai sendo conduzido com a certeza de que o Senado condenará a presidente Dilma Rousseff. Mas, continua-se a pregar, sem muita convicção — é verdade — não vai ter golpe, vai ter luta…

Onde? Quando? Como?

A propósito, pois na geleia geral do golpe/impeachment tudo está relacionado, seria bom invocar a Constituição da República Federativa do Brasil que em seu Capítulo III (Do Poder Judiciário), seção II (Do Supremo Tribunal Federal) diz claramente em seu Art. 102: Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, valendo-se para tanto de inúmeras atribuições.

Com a palavra os senhores ministros do Supremo Tribunal Federal.

Izaías Almada
No Boitempo
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A Folha e as regras do jogo

Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma – Joseph Pulitzer.

No final de junho, Lauro Jardim antecipou os resultados da pesquisa CNI-IBOPE sobre avaliação de Temer ainda durante a fase de coleta de dados. Traria um aumento do índice de “regular” e consequente redução do índice de “ruim e péssimo”. O blog Tijolaço repercutiu a informação denunciando-a como um escândalo. Veio a pesquisa e os índices de Temer haviam piorado. Quinze dias depois, a pesquisa da Folha traz os resultados que Lauro havia dito que a pesquisa IBOPE traria. Duas pesquisas, duas amostras diferentes, uma coincidência incômoda.

No entanto, a impropriedade na interpretação dada pela Folha aos resultados da pesquisa é gritante e mesmo a forma dos dados pode ser no mínimo questionável.

A divulgação dos resultados em manchete tratou-se antes de uma declaração de apoio da Folha ao governo interino de Michel Temer.

O apoio aberto a Temer é uma radical mudança de posição da Folha que mês e meio atrás dizia em editorial ”Nem Dilma, nem Temer”.

Que o apoio se dá ao nível da direção do jornal basta uma leitura do caderno “Opinião” de hoje para que não restem dúvidas. Os empregados já estão alinhados com a orientação do proprietário.

Os motivos que levaram o jornal a tal guinada a própria Folha não teve o cuidado de explicitar aos seus leitores. Motivos para a mídia mainstream fazer oposição a Dilma não faltaram. Mas e para apoiar Temer, quais seriam?

Esperemos que a mudança de opinião da Folha em relação a Temer não tenha se dado em um daqueles encontros de fins de semana entre o presidente interino e senhores ilustres que adentram o Palácio em horas noturnas e pelas portas laterais.

Houve um acordo, quais os termos do acordo?

Quem deseja alguma luz sobre isso basta ler o editorial da Folha de 18 de julho de 2016 — ”A próxima reforma”. Trata de patrões bonzinhos enfrentando sindicalistas malvados e da necessária proteção a ser dada aos primeiros.

Esta Oficina defende que é direito da Folha se posicionar em apoio ao governo Temer e fazer oposição a Dilma e ao PT. Por mais ilegítimo que o governo Temer seja, por mais que o impeachment de Dilma seja um golpe. Paga o preço de ambas as posições a cada exemplar do jornal que é comprado ou deixado de lado nas bancas.

Só não pode brigar com os fatos ou faltar em deixar claras as razões de seu apoio, da sua oposição e das suas mudanças de posição.

São as regras do jogo jornalístico.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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Sonegadores já devem mais de R$ 1 trilhão

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/sonegadores-ja-devem-mais-de-r-1-trilhao/2016/07/18/

Reportagem de capa do Estadão desta segunda-feira rompe um tabu ao tocar num ponto ignorado na discussão sobre o ajuste orçamentário para equilibrar receitas e despesas: o tamanho do buraco provocado pela sonegação fiscal, que não para de crescer, sem que se tenham noticias de providências do governo federal ou do Congresso Nacional para combater esta sangria e cobrar os devedores.

Para se ter uma ideia do volume de dinheiro devido à União que deixa de entrar para os cofres públicos, a soma dos valores já ultrapassou ultrapassou recentemente a barreira de R$ 1 trilhão (sim, por extenso, trata-se de um trilhão de reais), cinco vezes mais do que o rombo no orçamento este ano, com um deficit fiscal previsto de R$ 170 bilhões.

No topo da lista dos grandes sonegadores entre as pessoas físicas aparece Laodse de Abreu Duarte, de quem nunca havia ouvido falar, um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, com uma dívida de R$ 6,9 bilhões, maior do que a dos governos da Bahia, de Pernambuco e de outros 16 Estados individualmente.

Fiesp, como sabemos, é a poderosa sigla do empresariado paulista que inundou o País de bonecos do pato amarelo, simbolo usado nas manifestações de protesto até recentemente. O objetivo declarado da turma do pato na avenida Paulista era combater a criação de novos impostos, mas pelo jeito não se preocupava em pagar os que já existem.

Segundo o jornal, a soma dos valores devidos por empresas e pessoas físicas para o governo federal não inclui dívidas previdenciárias, do FGTS e dos casos em que há suspensão de cobrança por determinação judicial — ou seja, o tamanho do rombo causado pelos sonegadores é ainda muito maior. Entre os maiores devedores são citadas empresas de ponta do PIB nacional como a Vale, a Carital Brasil (antiga Parmalat) e a estatal Petrobras.

O jornal se pergunta como pessoas físicas, a exemplo de Laodse de Abreu Duarte, chegam a dever tanto ao Fisco. "A explicação é que os integrantes da família Abreu Duarte foram incluídos como corresponsáveis em um processo tributário que envolveu uma de suas empresas, a Duagro, que deve, no total,  R$ 6,84 bilhões ao governo".

Ainda de acordo com a reportagem, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional suspeita que a empresa tenha servido de "laranja" em "um esquema de sonegação ainda maior, envolvendo dezenas de outras renomadas e grandes empresas".

No site da Fiesp, o campeão Laodse aparece como um dos atuais 86 diretores da entidade, sem especificação de cargo. Além disso, o empresário integra o Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e preside o Sindicato da Indústria de Óleos Vegetais e seus derivados em São Paulo. Não é pouca coisa.

Diante desta revelação, também me faço uma pergunta: quem são, afinal, os patos?

E vamos que vamos.
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