17 de jul de 2016

Machado vai entregar nomes de 50 deputados beneficiados para votar em Aécio Neves

Delação se refere à eleição do tucano à presidência da Câmara, em 2001

Aécio teria recebido R$ 1 milhão em recursos ilícitos para financiar sua campanha eleitoral à Câmara dos
Deputados em 2001, de acordo com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado
O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, deve entregar à Procuradoria-Geral da República (PGR), nos próximos dias, um complemento à sua delação premiada.

De acordo com informações do colunista Lauro Jardim, neste complemento vão constar os nomes dos 50 deputados para quem ele garantiu ter arrecadado fundos a fim de elegê-los, em 1998, com o objetivo de ajudar na eleição de tucano Aécio Neves à presidência da Câmara, em 2001.

Propina para Aécio foi de R$ 1 milhão, diz Machado em delação premiada

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teria recebido R$ 1 milhão em recursos ilícitos para financiar sua campanha eleitoral à Câmara dos Deputados em 2001, de acordo com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em delação premiada firmada com os investigadores da Lava Jato.

Segundo Machado, ele, Aécio e Teotônio Vilela (presidente do PSDB à época) teriam arrecadado cerca de R$ 7 milhões (R$ 19,4 milhões em valores atualizados e corrigidos pelo IPCA). Os recursos teriam sido utilizados para bancar a campanha de pelo menos 50 deputados e formar uma base majoritária para eleger Aécio para a Presidência da Câmara. Na delação, o ex-presidente da Transpetro relata que R$ 4 milhões do total obtido vieram da campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), então presidente da República, em 1998. O restante teria saído de empresas.

“A maior parcela dos cerca de R$ 7 milhões de reais arrecadados à época foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu R$ 1 milhão de reais em dinheiro”, disse Machado, acrescentando que o tucano “recebia esses valores através de um amigo de Brasília que o ajudava nessa logística”. Antes de de filiar ao PMDB, Machado integrava os quadros do PSDB.

Recursos ilícitos serviram para que Aécio Neves se elegesse presidente da Câmara em 2001

Na delação, o ex-presidente da Transpetro corroborou, ainda, outros depoimentos sobre Aécio em relação a recebimento de propina de Furnas e disse que "parte do dinheiro para a eleição de Aécio para a Presidência da Câmara veio de Furnas", à época comandada por Dimas Toledo.

"Todos do PSDB sabiam que Furnas prestava grande apoio ao deputado Aécio Neves via o diretor Dimas Toledo, que era apadrinhado por ele durante o governo Fernando Henrique Cardoso e Dimas Toledo contribuiu com parte dos recursos para a eleição da bancada da Câmara à época", disse Machado.

O senador Aécio Neves já é investigado em dois inquéritos abertos a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS).

No Jornal do Brasil
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Cultura

– Com Tony Ramos como Napoleão, se a Globo o largar. Boa ideia.

– Mas ninguém gostou, na reunião. Hasteei a ideia e não bateram continência. Atirei contra a parede e não colou. Acharam que seria uma novela muito cansativa. Sugeri uma série, em 6 capítulos.

Guerra e Paz em seis capítulos fica “Escaramuça e trégua”. 

– Também acharam que o livro tem muitos personagens. Russos demais, para o horário. Fiquei deprimido, logo agora que meu analista está fazendo sonoterapia.

– O que você acha de Shakespeare?

– Acho que tem futuro.

– Não, digo: adaptações de Shakespeare. Hamlet, com algumas modificações.

– Que modificações, por exemplo?

– Sempre achei a cena do cemitério muito mal resolvida. A caveira do Yorick poderia ter uma fala.

– É preciso ter cuidado com as adaptações. Lembra do que disseram da nossa produção sobre Roma Antiga só porque César se despediu dos senadores com um “tchau geral”?

– Outra coisa: a Marcinha sempre foi louca por fazer Ofélia. Ela só precisaria cuidar do sotaque carioca.

– É, ela também já me disse que sonha em fazer Ofélia, principalmente a cena do balcão.

– Não há nenhuma cena de balcão em Hamlet.

– A gente insere. Vou levar sua ideia para a direção, atirar no chão e ver se eles dançam em volta.

– O único problema de Hamlet é a violência. No fim, morre todo o mundo, inclusive os câmeras. Haja ketchup. Na nossa versão, Hamlet não morre no final. Sobrevive para herdar o trono. A mãe e o tio também sobrevivem e ganham uma embaixada no exterior. Pensando bem, a única pessoa que morre na nova versão é a Ofélia, que se atira do balcão.

– O crânio do Yorick também pode voltar no final para dizer algumas piadas.

– Isso. Já estou pensando nos contratos que se poderá fazer com os patrocinadores. Hamlet está cheio de possibilidades de “tie-ins” e “spin-offs”, ou, em bom português, merchandising.

– A cultura triunfa!

Luís Fernando Veríssimo
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Os melhores anos de nossas vidas

Walter Benjamin conta, em uma de suas Teses, que no fim do primeiro dia da Comuna de Paris, em vários bairros, simultaneamente trabalhadores atiraram contra os relógios de torres e palácios.  Poesia pura na cruenta luta de classes. O gesto era como que deter o fluxo do tempo para eternizar um momento inédito de libertação, o anúncio de uma nova era em que um ser humano seria senhor de si porque senhor do seu próprio tempo para fruir a condição humana plena, livre e criativa.

Houve dois momentos no século XX em que relógios poderiam ter sido destruídos: as primeiras décadas do século e a década de 60. Em cada um deles seguiu-se uma reação termidoriana.

Nas primeiras décadas do século XX  a luta social pôs em real risco as estruturas de mando político e econômico. Greves, revoluções e ensaios de revoluções. Rússia 1905 e 1917, a efêmera república soviética húngara, a revolta espartaquista de Rosa Luxemburgo e Liebknecht e, por fim, o bolchevismo pondo abaixo a propriedade privada dos meios de produção.

Na década de 60 o vislumbre da libertação em alguns anos gloriosos. Massas nas ruas como protagonistas da luta social, política, econômica e, pela primeira vez, cultural.

Em maio de 1968, 10 milhões de trabalhadores cruzaram os braços enquanto estudantes faziam de Paris novamente um campo de batalha da luta social.

Em 1963, Martin Luther King conduziu 1 milhão de pessoas na marcha para Washington pelos direitos civis e fez ecoar pelo mundo o pacifista “I have a dream”. No entanto, Malcom X e os Panteras Negras recusavam impacientes a via pacifista.

No Vietnã, o governo mais poderoso e armado do planeta atolava em uma guerra que não podia ganhar e a contestação interna à estúpida intervenção minava a autoridade do Estado.

Cuba, a não muitas milhas da costa americana, consolidava a revolução socialista e agia para exportá-la.

Os muros de Paris ostentavam “é proibido proibir”, “sejamos razoáveis, peçamos o impossível”. Marcuse denunciava o “homem unidimensional”, moldado pelo capitalismo para consumir, incapaz da consciência da condição humana plena e livre.

A reação nos primeiros anos do século XX foi o fascismo clássico: a destruição do Estado liberal (o campo mais favorável às lutas sociais) para uma dominação de novo tipo, pela violência aberta conquistando apoio de massa, erigida à condição de política de Estado para eliminar a diferença e fazer da vida burguesa a norma social exclusiva e excludente. Assim na Itália, Alemanha, Espanha, etc.

A história oficial norte-americana esconde a tentativa de golpe fascista do grande capital para depor Roosevelt em 1933. Magnatas como Rockfeller, Morgan, Prescott Bush (pai e avô dos presidentes Bush, que negociava com Hitler) e empresas como Remington, Anaconda, Goodyear e outras planejaram um exército de 500 mil homens para instaurar um regime nazifascista. O golpe foi abortado porque o general convidado para liderar esse exército denunciou a conspiração ao Congresso (cf. Allan Nasser, “Novo Normal: Austeridade Crônica e o Declínio da Democracia”).


A reação à década de 60 ainda sofremos. Noam Chomsky afirma que este tempo de deterioração política, social e moral refletem uma estratégia arquitetada como resposta ao vislumbre da sociedade livre e generosa que os anos 60 nos deram. Seu objetivo é o mesmo, mas sob nova roupagem.

Nessa reação vemos elementos do fascismo emergindo gradualmente, ainda que não em sua forma clássica, historicamente conhecida. O fascismo havia sido derrotado só militarmente. Os 45 anos pós-década de 60 mostraram outro modo de dominação. Preservar as instituições políticas e jurídicas liberais, mas tomá-las pela estratégia neoliberal aliada a uma tremenda ofensiva ideológica anti-iluminista.

O Estado foi reprogramado: desregulamentação do mercado, privatizações, desmonte do Estado de bem-estar social, aniquilação de direitos, enfraquecimento das organizações de trabalhadores. Alan Greenspan, presidente do Fed (equivalente ao nosso Banco Central) não teve pudor de dizer no Congresso norte-americano que “o trabalhador tem que se sentir inseguro”. 

No plano ideológico, elevaram-se o individualismo, egoísmo social, meritocracia, desvalorização do princípio da solidariedade social, surgimento de organizações fascistas ou filofascistas.

A análise empírica demonstra como essa estratégia foi bem-sucedida. Os dados coletados por Thomas Piketty dizem que entre os anos 1950 e 1970 os EUA tiveram a fase mais igualitária da história e entre os anos 1970-1980 “uma explosão sem precedentes” da desigualdade.  A renda do décimo superior da população passou de 30-35% entre 1950 e 1970 para cerca de 40-45% nos anos 2000-2010.

A concentração de renda e o predomínio do capital financeiro, para o qual o consumo é secundário (para que investir na produção se a renda é apropriada pela circulação de ativos financeiros?) teve como consequência a marginalização cada vez maior de parte da sociedade, tornando-a supérflua. Para isto serve o endurecimento do sistema penal, para controlar os supérfluos, resultando no impressionante crescimento da população carcerária. Pouco Estado para o capital, muito Estado para a dominação.

A nossa Constituição de 1988 ainda veio na via inversa, assegurando direitos e voltada para o Estado de bem-estar social que ia se tornando anacrônico. Exatamente por isto sempre esteve sob ataque reacionário.  O golpe de 2016 entra no túnel do tempo para esvaziar essa incômoda Constituição e nos colocar no caminho da barbárie capitalista global dos anos pós-60, como se já não bastasse a nossa barbárie secular. O programa do usurpador Temer, uma deslavada apropriação de renda em favor dos de cima e entrega de riquezas ao capital internacional, é suficientemente ilustrativo.

Este tempo de retrocesso tem uma lógica e uma estratégia que decorrem de uma Internacional de ensandecidas aves de rapina conduzindo o planeta para a barbárie definitiva, para que cada volta dos ponteiros dos relógios que a Comuna de Paris quis destruir continuem aprisionando no seu continuum implacável o sofrimento, a humilhação e a opressão da maior parte da humanidade. Resistir à grande ofensiva do conservadorismo não é uma singela escolha política, mas um imperativo da razão. É o inalienável direito de resistência para salvar o próprio processo civilizatório.

Márcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.
No Justificando
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Mariana Mazzucato: Governo: investidor, assume os riscos, inovador


Por que o governo simplesmente não sai do caminho e deixa o setor privado, os "verdadeiros revolucionários", inovar? É a retórica que se escuta em todo lugar, e Mariana Mazzucato quer acabar com isso. Em uma palestra enérgica, ela mostra como o Estado, que muitos veem como um gigante lento e antiquado, é realmente um de nossos mais animados assumidores de riscos e formadores de mercado.

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Lula lidera a disputa e Folha surta!


Após um longo período de silêncio, talvez para ocultar a baixa adesão ao “golpe dos corruptos” e ao Judas Michel Temer, o Datafolha voltou a publicar neste domingo (17) uma pesquisa sobre o cenário político brasileiro. O dado que mais chama a atenção é a força eleitoral do ex-presidente Lula. Apesar do intenso tiroteio da mídia privada, o líder petista segue liderando as intenções de voto. Diante desta perspectiva, a famiglia Frias — dona do instituto e da Folha — surta de raiva e faz malabarismos para explicar o resultado inóspito. Confirma, desta forma, que manterá a sua linha editorial que tem como objetivo central “matar” Lula. A fabricação de factoides midiáticos contra o ex-presidente deverá ser intensificada no próximo período para evitar o seu retorno ao Palácio do Planalto em 2018.

A análise da Folha sobre o resultado da sondagem do seu instituto confirma estes temores. “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as pesquisas de intenção de voto do Datafolha para o primeiro turno da eleição presidencial de 2018. O petista não garante, no entanto, a vitória em um eventual segundo turno e poderia ser derrotado pela ex-senadora Marina Silva (Rede) ou pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB)”. Haja torcida pela derrota do petista! O próprio levantamento, porém, desnorteia o editorialista da famiglia Frias, confirmando a vitalidade eleitoral do ex-presidente e a queda das intenções de voto na ex-verde e nos tucanos de alta plumagem.

“Após dividir a preferência do eleitorado com Marina nos últimos levantamentos para o primeiro turno, Lula oscilou positivamente e abriu vantagem sobre a potencial adversária, que caiu. Já os possíveis candidatos do PSDB consultados no levantamento (José Serra, Aécio Neves e Alckmin) oscilaram negativamente ou mantiveram patamares anteriores, o que favoreceu Lula... Aécio Neves, que disputou a eleição presidencial de 2014 com Dilma Rousseff, tem hoje metade das intenções de voto que detinha em dezembro de 2015, quando aparecia com 27%... A pesquisa mostra que Lula mantém um desempenho eleitoral acima da média entre os mais pobres e menos escolarizados, e que é ultrapassado pelos adversários conforme o avanço da renda e do nível de escolaridade”.

Deixando de lado os malabarismos, a pesquisa indica que o líder petista aumentou a sua vantagem na disputa e que os seus adversários perderam força. Vale destacar ainda que o Michel Temer, com forte exposição midiática nos últimos meses, aparece com apenas 5% das intenções de voto. É um desastre eleitoral! Por mais que a mídia esconda seus podres e tente criar um clima de otimismo na sociedade, o Judas caminha para ingressar na história como um traidor rejeitado e odiado!

Altamiro Borges
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O crime do Lula


Lula comete o crime de liderar todas as pesquisas eleitorais.

Entre os dias 14 e 15 de julho, o Datafolha realizou sondagem para a eleição de 2018. O resultado é o mesmo encontrado em todas as pesquisas realizadas por diferentes institutos de pesquisa: Lula mantém a preferência eleitoral, a despeito da brutal agressão jurídica, política e midiática de que é vítima nas 24 horas do dia, nos 7 dias da semana e nos 365 dias do ano.

A vida do Lula foi escarafunchada por inteiro, e não encontraram nada para incriminá-lo. O justiceiro Moro, com aquela obsessão patológica de condená-lo, chegou a cometer haraquiri funcional e praticar atropelos jurídicos que lhe custariam a demissão do serviço público — como na tentativa frustrada de seqüestro e prisão do ex-presidente abortada por autoridade aeronáutica em Congonhas; e na gravação ilegal de conversas telefônicas da Presidente Dilma —, mas não conseguiu produzir um único elemento jurídico para justificar uma ação judicial.

As acusações — algumas inclusive dizem respeito a familiares e amigos, mas não a ele – podem ser discutíveis desde uma perspectiva moral e ética, porém carecem totalmente de fundamentos jurídicos e legais. Em relação a esses episódios de índole moral, é óbvio que seria preferível que o Lula agisse como o Pepe Mujica, ex-presidente uruguaio que é uma inspiração revolucionária de militante de esquerda — mas Lula não é o Mujica, e o Mujica não é o Lula.

Lula é a pessoa mais perseguida e vilipendiada no Brasil. Na história do país, é difícil encontrar liderança política que tenha sido caçada e ofendida como ele. Apesar de tamanha vilania, devido à sua obra, Lula é significado no imaginário do povo pobre e da classe trabalhadora de maneira quase mítica.

A resistência do ex-presidente mais popular da história do Brasil é um pecado; é uma heresia que afronta o dogma do poder conspirador da mídia. E é, em razão disso, um indicador de que a direita deverá empreender ataques mais violentos para destruí-lo.

Nas sedes do Judiciário e do Ministério Público em Curitiba e Brasília, no Palácio do Planalto, em determinados gabinetes do STF, em certas delegacias da PF, num luxuoso apartamento de Higienópolis e nos estúdios de TV do Jardim Botânico, devem estar sendo arquitetadas as novas investidas para atingir Lula mortalmente.

Eles precisam desesperadamente fabricar um crime que caiba no figurino do Lula, não importa se ao custo de uma ofensa ao Estado Democrático de Direito e à Constituição.

Eles farão de tudo para prendê-lo, mesmo de maneira injusta e ilegal. Por absoluta falta de motivos, e como não conseguirão prendê-lo, tentarão cassá-lo politicamente, impedindo sua candidatura para retornar à Presidência do Brasil na eleição de 2018.

O golpe de Estado perpetrado através da farsa do impeachment não autoriza ilusões: a direita cada vez mais fascista não hesita em lançar mão de recursos totalitários, se isso for indispensável para concretizar seus interesses estratégicos. Tirar Lula do caminho a qualquer preço é um imperativo para conseguirem implantar os objetivos do golpe no médio e longo prazo.

Nesta circunstância, poderão incendiar o país. É totalmente imponderável a reação que o povo brasileiro terá diante da tentativa de martírio do seu maior símbolo.

Lula é como massa de pão: quanto mais se bate, mais ele cresce, fazendo crescer junto a consciência e a resistência democrática e popular.

Jefreson Miola

PS do Viomundo: A rejeição a Lula, segundo o Datafolha, é a maior (46%); segundo o Datafolha, ele perderia um eventual segundo turno contra Marina ou Serra; de acordo com os Frias, 50% preferem Temer a Dilma e 32% querem a volta de Dilma. Números altíssimos, todos eles, depois do massacre midiático a que o PT, Lula e Dilma são submetidos, praticamente sem defesa, nos últimos meses.

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Deus, uma hipótese improvável


Estima-se algo em torno de 8,7 milhões de espécies habitando atualmente o planeta. Também tem sido descobertas cerca de 15.000 novas espécies novas a cada ano. Isso sem falar no total de espécies já existentes em toda a história dos 4,5 bilhões de anos do planeta, que deve beirar na faixa dos 5 bilhões. Lá fora, no cosmos, os números são ainda mais impressionantes: Só na nossa galáxia, a via láctea, estima-se existir 100 bilhões de planetas. Estimativas tímidas sugerem algo em torno de 200 bilhões de galáxias no universo, que podem conter alguns 17 bilhões de planetas semelhantes à Terra (sem mencionar os outros bilhões de planetas não rochosos, do tipo Júpiter, que abundam o Universo). Até onde sabemos, há apenas uma única espécie que desenvolveu habilidade cognitiva de perscrutar criticamente o ambiente em que vive. Em nosso planeta nós somos a única espécie capaz disso.

No meio dessa monstruosidade de números, alguns — com arrogância ou medo da solidão cósmica —, alegam que há alguma entidade responsável pela criação dos mundos e das espécies. Mais estranho ainda, que esta entidade de alguma forma se preocupa com os interesses humanos. O que não deixa de ser curioso é justamente a correlação existente entre a espécie que desenvolveu raciocínio e um dos seus sub-produtos culturais mais populares: A existência de Deuses. Uma das dificuldades em sustentar essa crença é a tentativa de inserir qualidades aos Deuses que são comportamentos e vontades flagrantemente humanas. Quando alguém atribui consciência, preocupação moral, inteligência, criatividade e poder de criação (especialmente criação de seres à “imagem e semelhança” de Deus) está antropomorfizando e antropocentrizando a suposta entidade. Não há nenhuma novidade nisso, já que reflete coisas como o que Xenófanes já percebeu há mais de 2.000 anos: “Se os bois e os cavalos tivessem mãos e pudessem pintar e produzir obras de arte similares às do homem, os cavalos pintariam os deuses sob forma de cavalos e os bois pitariam os deuses sob forma de bois.”

Este é um dos problemas: Dedicar importância excessiva a atributos relacionados a uma espécie que representa uma fração muitíssimo pequena de todo o universo não é a melhor estratégia para mostrar plausibilidade de uma entidade teísta. Como já dito, somos apenas uma espécie das 5 bilhões que já existiram em um planeta num universo que pode existir outros 17 bilhões de planetas parecidos. Disso se segue que as suposições antropomórficas e antropocêntricas são, com elevada probabilidade, possivelmente falsas. Em miúdos: Só há um tipo de inteligência que tivemos acesso até hoje, a inteligência humana. Logo, há uma grande chance de que a criação de deuses seja um produto dessa inteligência.

No que diz respeito a influência de Deus no mundo, encontra-se no imaginário popular a ideia de que “ele sabe o que faz”. Para ilustrar o quanto o senso comum muitas vezes só reproduz crenças preguiçosas, tomemos o exemplo de um recente desastre natural. No estado de São Paulo, o recente deslizamento já ceifou a vida de 16 pessoas, além de causar sofrimento humano e material em habitantes de várias cidades. A pergunta é: Sabe Deus o que faz? Há algumas maneiras de tentar explorar com mais claridade essa pergunta, como: Ele sabe por que foi ele quem o fez? Ou apenas sabe e não faz nada para impedir? Ou tenta fazer algo e não consegue? Ora, se ele causou o desastre, então não é benevolente. No entanto, se ele não causou, mas apenas tem conhecimento do ocorrido, então não fez nada para impedir. Logo, não é onipotente. Se ele tentou evitar mas não conseguiu também não é onipotente. Ou ele não sabe? Então não é onisciente. Então por qual razão chamá-lo de Deus?

É possível articular algumas respostas para as questões anteriores, muito embora nem sempre o teísta que apenas repete ideias do senso comum as apresente. Uma delas é a que se segue. Deus possui todos os atributos (como benevolência, onipotência, onisciência, onipresença), mas abre mão conscientemente e temporariamente de alguns deles para que, sob a ação do mal, os humanos possam mostrar o melhor de si. Entretanto, isso ainda traria outros problemas, já que não é óbvio que a existência do mal incremente a existência do bem e não responde sobre a incompatibilidade dos atributos.

Para muitos, a ideia de um Deus é uma crença psicologicamente agradável. Apesar de toda a insistência e ligação emocional com a hipótese da existência de Deuses, a possibilidade dessa(s) entidade (s) não parece plausível. E uma vez concluindo isso, e se é com a verdade que estamos comprometidos, não é pelo fato de uma crença ser emocionalmente confortante que ela deve ser mantida.

Cícero Escobar
No Bule Voador
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Como Temer apelou para a Globo para desfazer uma asneira que cometeu


Acostumado aos rapapés, Michel Temer deu entrevista a um grupo de jornalistas sérios — Marcelo Beraba, Tania Monteiro e Vera Rosa. Pressionado, Temer dexou escapar essa pérola do fisiologismo: “A bancada do PMDB de Minas está acertando com Furnas. Vou devolver a estatal a eles. Furnas pode ser mais expressiva politicamente do que o Turismo. Tem Chesf, Eletronorte, Eletrosul, Itaipu… ”

Disse ainda que quer acabar (desidratar nas palavras dele) com o Centrão e que o Palácio do Planalto interferiu para impedir a candidatura de Marcelo Castro, porque na sua avaliação napoleônica “se o Planalto fosse derrotado seria negativo para o governo e para o país”.

E o que você faz quando comete um sincerídio desses? Ora, apela para a Globo. Às 9h04 da manhã, o presidente já havia ligado para Andreia Sadi (quem mais?) e montando uma operação para reverter a repercussão. Escreveu ela no seu Twitter: “Temer rejeita a ideia de que quer desidratar o central, no sentido de escantear o grupo”, garantiu a repórter-release, que de porta-voz de Cunha agora se posiciona para ser porta-voz de Temer.

E dá-lhe o dia todo de Globonews repercutindo a tal “entrevista exclusiva por telefone”, sem nenhuma palavrinha sobre o uso de Furnas e de outras estatais como moedas de troca. Tanto sabujismo gerou uma ironia: na entrevista de verdade para o Estadão, a entrevista está gravada em vídeo. No release da Globonews, não há nem áudio.


No DCM
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Desperdício

Há uma certa faceirice na convicção de que somos os mais corruptos do mundo. É esta nossa vocação para o amazônico. Queremos ser os maiores até na falta de caráter. Mas toda a história deste lado do mundo, a começar por Colombo, foi feita, de uma maneira ou de outra, por patifes. Os americanos do Norte, por exemplo, têm um jeito de absorver seus patifes sem danos à autoestima nacional. Esperam passar uma geração e os transformam em heróis do empreendimento. O FDP de hoje é o desbravador de amanhã e a fundação benemérita de depois de amanhã. Nomes como Rockefeller, Morgan, Ford, Vanderbilt, Kennedy etc. conquistaram a respeitabilidade pelo proveito social das fortunas que fizeram ou herdaram, não importa como. Em vez de se entregarem à angustia moral, os americanos apenas se certificam de que a patifaria tenha proveito.

Não existe exemplo maior da relação entre amoralidade empresarial e esperteza de Estado do que o famoso complexo militar-industrial, denunciado por ninguém menos esquerdista do que o presidente Eisenhower no fim do seu governo. Não deram muita bola para o velho general, e o complexo sobreviveu como instituição, garantindo os lucros dos fornecedores do Pentágono e dirigindo a política externa americana. Claro que existem regras de conduta e um mínimo de recato nessa promiscuidade consentida, e frequentemente prendem um FDP mais evidente. Mas a regra universalmente aceita é de que o que é bom para os negócios é bom para os Estados Unidos e para todo o mundo.

O maior escândalo da promiscuidade revelada pela operação Lava-Jato, no Brasil, além de expor a extensão do capitalismo de compadres praticado por aqui e há anos sem que ninguém se importasse muito, é o proveito restrito das nossas negociatas. A velha máxima de que é só deixar os ricos se lambuzarem que alguma coisa sobrará para os outros não funciona. Aqui funciona um complexo no modelo americano, com a diferença que nada escorre desse pote de melado.

No Brasil, modificou-se a frase do Balzac. Por trás de toda grande fortuna, pior do que um crime, existe um desperdício.

Luís Fernando Veríssimo
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Os alvos em questão

O lado de farsa do impeachment leva uma trombada forte. Na mesma ocasião, a Lava Jato arrisca-se a comprovar o lado de farsa implícito na acusação, feita por muitos, de que o seu alvo verdadeiro não é a corrupção, mas Lula e o PT.

A conclusão do Ministério Público Federal sobre as tais "pedaladas", fundamentais no pedido e no processo de impeachment de Dilma Rousseff, recusa a acusação de constituírem crime de responsabilidade. Dá razão à tese de defesa reiterada por José Eduardo Cardozo, negando a ocorrência de ilegal operação de crédito, invocada pela acusação. E confirma a perícia das "pedaladas", encomendada pela Comissão de Impeachment mas, com o seu resultado, mal recebida na maioria da própria comissão. À falta de base da acusação, o MPF pede o arquivamento do inquérito.

A aguardada acusação final do senador Antonio Anastasia tem, agora, a adversidade de dois pareceres dotados de autoridade e sem conexão política. A rigor, isso não deve importar para a acusação e o acusador: integrante do PSDB, cria e liderado de Aécio Neves, Antonio Anastasia assinará um relatório que será apenas como um esparadrapo nas aparências. Sem essa formalidade farsante, não precisaria de mais do que uma frase recomendando a cassação, que todos sabem ser seu propósito acima de provas e argumentos.

Mas os dois pareceres que se confirmam devem ter algum efeito sobre os senadores menos facciosos e mais conscienciosos, com tantos ainda definindo-se como indecisos. A propósito, as incessantes contas das duas correntes — o mais inútil exercício desses tempos olímpicos — têm resultados para todas as iras, a depender do adivinho de votações consultado.

Na Lava Jato, procuradores continuam falando de ameaças ao prosseguimento das suas atividades. A mais recente veio de Washington. Não de americanos, muito felizes com o pior que aconteça à Petrobras. É uma informação renovada por Sergio Moro para um auditório lá: a menos que haja imprevisto, dará o seu trabalho por concluído na Lava Jato antes do fim do ano.

Na estimativa de Moro está implícito que a corrupção na Petrobras anterior ao governo Lula, ao menos na década de 1990, não será investigada. Daqui ao final do ano, o tempo é insuficiente para concluir o que está em andamento e buscar o ocorrido naquela época. Apesar das referências em delações, como as de Pedro Barusco, a práticas de corrupção nos anos 90, pelo visto vai prevalecer a resposta gravada na Lava Jato, quando um depoente citou fato daquele tempo: "Isso não interessa" (ou com pequena diferença verbal).

As gravações traiçoeiras de Sérgio Machado, embaraçando lideranças do PMDB, ficariam como um acidente no percurso da Lava Jato. Moro, aliás, disse parecer "que o pagamento de subornos em contratos da Petrobras não foi uma exceção, mas sim a regra", no "ambiente de corrupção sistêmica" do "setor público". Diante disso, restringir o interesse pela corrupção a um período bem delimitado no tempo e na ação sociopolítica, sem dúvida valerá por uma definição de propósitos.

Incógnita

Rodrigo Maia chega à presidência da Câmara para afinal saber-se quem é. O pai, Cesar Maia, brilhante, informado e estudioso, com início sério e promissor ao lado de Brizola, e depois a vagar na política como se fora um cínico, diz que o filho adotou maneiras e caminhos próprios. O fato é que seus cinco mandatos não fariam diferença se fossem dois ou quatro, talvez mesmo nenhum, tão igualados na discrição, ou na invisibilidade.

Dela saiu Rodrigo Maia, há pouco, pelo espanto que causou ao abrigar, como relator de um projeto, o interesse inominável do colega e ricaço Wilson Filho: sem os 30 anos necessários na data da eleição, para disputar a governança da Paraíba, obteve de Rodrigo Maia uma emenda no projeto baixando a idade mínima para quebrados 29 anos. Um casuísmo como imoralidade eleitoral, e outras.

Até há pouco no grupo de Eduardo Cunha, hoje no de Michel Temer, Rodrigo Maia será um dos que mostrarão na Câmara se há, e qual pode ser, a diferença entre os dois grupos e seus objetivos. Nenhuma previsão a respeito é conveniente.

Janio de Freitas
No fAlha
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