12 de jul de 2016

Rogério Correia: "favoritos à presidência da Câmara são golpistas sem moral!"


“Que alívio!”, reagiu o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), no final da noite dessa segunda-feira, 11 de julho, quando ficou descartada a possibilidade de o PT apoiar o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara.

Explica-se. No início da noite de ontem, ele postou no twitter a mensagem abaixo:

Rogério Correia  no twitter-001

De fato, Rodrigo Maia aparece na Lista de Furnas, que sustentou a campanha eleitoral dos tucanos e aliados em 2002.

A Lista de Furnas, como denunciamos várias vezes aqui, foi feita toda com base no esquema político de Aécio Neves que, em 2002, era deputado federal e candidato ao governo de Minas Gerais (PSDB-MG).

Aparecem também na lista de beneficiários da propina os candidatos tucanos ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, e à presidência da República, José Serra.

O esquema distribuiu propina aos partidos coligados naquela eleição, entre os quais o PP e o antigo PFL, atualmente DEM.

Rodrigo Maia, na época disputava a reeleição a deputado federal pelo PFL, aparece na Lista de Furnas, como tendo recebido R$ 100 mil em 2002. Em valores corrigidos pelo IPC-A, do IBGE, equivaleriam hoje a R$ 251 mil.

Rodrigo Maia aparece na mesma página (veja abaixo) que, por exemplo, Aécio Neves, Jair Bolsonaro, Zezé Perrella, Francisco Dornelles e Eduardo Cunha.

Hipocritamente, esses seus parceiros na Lista de Furnas a votaram a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT).

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De fato também, Rodrigo Maia pediu a cassação do petista mineiro.

Em 2005, ao tomar conhecimento da Lista de Furnas, Rogério  Correia levou-a à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal e Estadual para que fosse investigada.

Em 2011, a revista Veja publicou matéria, dizendo que ele  havia participado do processo de falsificação dos nomes da lista de lista de Furnas. “A reportagem  fajuta, e a verdade acabou aparecendo”, relembra Rogério.

Na semana seguinte à matéria, os deputados federais Rodrigo Maia (já no DEM-RJ), Rodrigo de Castro (PDSB-MG) e Domingos Sávio (PSDB-MG) foram à Assembleia Legislativa de Minas Gerais pedir a sua cassação.

“Como o Rodrigo Maia estava na Lista de Furnas, obviamente ele queria me desqualificar e me tirar do caminho”, observa Rogério.

O diretório estadual do PSDB solicitou ao Ministério Público Estadual a abertura de de inquérito para apurar se o petista teria participação no suposto ato de falsificação da afamada Lista de Furnas e se tinha usado a estrutura de seu gabinete parlamentar para isso.

A doutora Raquel Pacheco Ribeiro Souza abriu inquérito para apurar a denúncia.

Os tucanos e asseclas  fracassaram. Após exaustivas investigações, o Ministério Público de Minas Gerais  mandou arquivar o inquérito.

As razões: a Lista de Furnas era autêntica, tinha inclusive o aval do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, e Rogério Correia não havia cometido qualquer ato de improbidade administrativa.

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“É hora de o PT entender a nova tarefa da esquerda brasileira e se desvencilhar do pragmatismo institucional”, defende Rogério Correia.

“A estratégia da governabilidade a qualquer custo terá de ser substituída por período de recuperação de nossa base social”, prossegue.”Será isso ou o cretinismo parlamentar.”

Em tempo:  O deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF), candidato de Eduardo Cunha e Michel Temer (PMDB) à presidência da Câmara dos Deputados, é alvo de delação no mensalão do DEM.

Uma testemunha arrolada por advogados de defesa dos réus no caso — o técnico de informática Francinei Arruda — afirmou em depoimento à Justiça que Rosso também recebeu propina das mãos do delator do processo, Durval Barbosa. O escândalo explodiu em novembro de 2009 e culminou com a prisão e depois queda do ex-governador do DF, José Roberto Arruda.

Rogério Rosso, vale relembrar, foi presidente da Comissão de Impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados.

“Rodrigo Maia recebeu propina de Furnas e Rogério Rosso, do mensalão do DEM. Portanto, são farinha do mesmo saco”, arremata Rogério Correia. “Golpistas e moralistas sem moral.”

Conceição Lemes
No Viomundo
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DCM entrevista com Marcelo Auler


O Diário do Centro do Mundo entrevista o jornalista Marcelo Auler, que está sendo denunciado por revelações feitas em seu blog, onde abre as cartas da lava jato e expõe casos curiosos da operação, como o grampo não revelado da delação do doleiro Alberto Yousseff.

O programa traz também uma conversa com o senador Roberto Requião que, apesar de do PMDB, é contra o impeachment e acredita em um possível retorno de Dilma. Na entrevista ele fala sobre os acordos entre políticos da base de Michel Temer e empresários que, com a desculpa de retomar a economia do país, sangram os direitos sociais e ferem as leis trabalhistas.

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'Condor ainda voa', diz responsável por revelar 'Arquivos do Terror' da ditadura paraguaia

Para Martín Almada, sentença que condenou ex-ditador argentino e mais 15 oficiais por participação na Operação Condor é 'feito histórico'


A Operação Condor foi inicialmente preparada no Brasil, se formalizou no Chile e “segue voando”. Esta é a avaliação de Martín Almada, responsável por descobrir os “Arquivos do Terror” da ditadura de Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai entre 1954 e 1989. Opera Mundi conversou com Almada no último dia 27 de maio, quando a Justiça da Argentina condenou (novamente) à prisão o último ditador do país, Reynaldo Bignone, e mais 15 oficiais por participação na operação, que foi um pacto feito por governos militares da América do Sul para repressão política e intercâmbio de informações e prisioneiros na década de 1970.

“O que nos preocupa? A impunidade. O que significa a impunidade? Não punir e, ao não punir, se produzem mais corrupção e mais repressão. As duas coisas, mais corrupção e mais repressão”, comentou sobre a decisão — “um feito histórico” — o ativista, que não deixou de fazer críticas à postura dos poderes judiciários dos países onde houve ditaduras militares. Para Almada, a sentença pode representar “uma explosão da memória que vai afetar toda América Latina. E oxalá o Brasil”.

Veja, nos três vídeos da playlist a seguir, a entrevista de Almada a Opera Mundi:







“Necessitamos que a Justiça atue. É preciso despertar do esquecimento, organizar e mobilizar os despertos”, afirma. A sentença condenou os oficiais pelos crimes imprescritíveis de lesa-humanidade, associação ilegal em sequestro, tortura e desaparecimento forçado de opositores, e foi transmitida nas embaixadas argentinas do Brasil, Chile, Peru, Uruguai e Paraguai.

Almada, que é professor da Universidade Nacional de Assunção (UNA), afirma que a Operação Condor era composta de dois movimentos distintos: “um lento, tranquilo”, que ocorria no Brasil, Paraguai e Bolívia, onde a esquerda já estava derrotada; outro, “urgente, rápido, selvagem e criminoso”, em Argentina, Uruguai e Chile, onde havia, além de organização e mobilização populares, um presidente socialista, Salvador Allende, derrubado por um golpe em 11 de setembro de 1973.

Início no Brasil

Segundo o pesquisador, no Brasil existiu uma fase pré-Condor, gestada com a preparação do golpe de Estado de 1964 contra Goulart. A operação propriamente dita foi formalizada no Chile, em 25 de novembro de 1975, e, atualmente, ganhou a face de um fenômeno globalizado.

“A Condor segue voando”, afirma. E se lembra das atuais situações políticas brasileira e venezuelana. “Dilma foi vítima da tortura em sua juventude e agora segue sendo vítima da Condor. E é preciso ajudar Dilma, porque ela não cometeu crime [de responsabilidade]. Ela é inocente. Defender Dilma e Maduro, mas para isso temos que dizer em voz alta à Condor: que deixe de voar”.

Para Almada, a política norte-americana agora quer “recuperar o tempo perdido”, diante dos governos à esquerda que dominaram a América Latina na última década. “A presença desse julgamento e dessa Justiça argentina demonstram que a América Latina vai recuperar sua liberdade”, acredita.

“Terrorista intelectual”

Almada foi sequestrado pela polícia paraguaia em novembro de 1974, enquanto trabalhava como diretor do Instituto Juan Bautista Alberdi, de São Lorenzo. Lá, ele desenvolvia, junto com a esposa Celestina Pérez, experiências cooperativistas de autogestão social e pedagógica, inspiradas na “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire.

A acusação da ditadura de Stroessner foi de que Almada seria um “terrorista intelectual” e teria provocado a “subversão mental” dos jovens estudantes. Após defender o doutorado “Paraguai: Educação e Dependência” na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, Martín Almada foi novamente preso ao regressar ao Paraguai, em 1974.
Torturado por uma equipe internacional de civis e militares, com a presença de argentinos e chilenos, sob o comando paraguaio do Chefe de Investigações Pastor Coronel, Almada foi inquirido sobre sua tese e suas conexões internacionais com “subversivos”.

“Minha tese de doutorado me custou também a morte de minha esposa Celestina Pérez, o confisco de nossos bens, torturas, mil dias nas prisões de Stroessner e mais dez anos de exílio. Ambos fomos vítimas da Condor”, diz. Aterrorizada diariamente com telefonemas feitos durante as sessões de tortura de seu marido, Celestina Pérez sofreu um infarto.

O aparato policial-militar tentou convencer Almada, ainda preso, de que se tratava de um suicídio. Desde então, Almada passou a tentar descobrir as circunstâncias e os responsáveis pelo assassinato de sua companheira e por qual motivo militares estrangeiros tinham lhe torturado em seu próprio país. 
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Brazil, capital Dallas: o país de Temer e Serra

Quem precisa de projeto de desenvolvimento é o povo; a plutocracia já tem o seu: a taxa de juro mais elevada do mundo


Negros desarmados mortos por policiais brancos compõem um postal da identidade norte-americana.

Explosões de protestos contra a violência policial, como as deste final de semana, depois que dois negros foram assassinados nos EUA — um no Minnesota, terça, dia 5, e o outro 48 hs depois,  na Luisiana, quinta-feira — desfrutam do mesmo estatuto.

São standarts da terra da Coca-cola, assim como as freeways, a CIA, Hollywood — e o protecionismo disfarçado de livre comércio.

Os dois casos ganharam singular evidência graças a um fator que veio para ficar.

Imagens impressionantes das mortes colhidas em celulares e viralizadas nas redes sociais, emprestaram dramaticidade testemunhal aos crimes, gerando um apelo convocatório de protestos com poder catártico imprevisível.

Não por acaso, na noite da mesma quinta-feira, em meio a um protesto em Dallas, cinco policiais seriam assassinados por um ex-militar negro, ele também morto em seguida, explodido por um robô acionado por agentes da lei.

Manifestações em diferentes pontos do país, neste final de semana, levaram o presidente Obama apelar para que se evite uma nova escalada de choques raciais, no momento em que o país vive uma das sucessões presidenciais mais polarizadas da história.

Sugestivo desse apelo retórico que não sabe bem o que fazer com a essência do problema, temas explosivos como a exclusão social, o empobrecimento da classe média e o estreitamento das oportunidades para os fragilizados do sistema  foram capturados pela agenda da extrema direita.

Por vias tortas, coube ao ultraconservadorismo trazer para o centro da política a dissolução do sonho americano, após quatro décadas de políticas neoliberais no coração do mundo capitalista.

Que essa encruzilhada se expresse pela boca de um bilionário assumidamente racista, como  Donald Trump, reforça a impotência do centro político para lidar novos e velhos conflitos sociais e raciais.

A sociedade mais rica plasmada pelas leis de mercado conseguiu eleger um presidente negro.

Mas ele fracassou em transformar o simbolismo dessa vitória em uma era de maior convergência social e racial.

Obama trombou com as leis de mercado.

Mais precisamente, com as novas condições de enrijecimento social impostas pela concorrência global e a supremacia asfixiante do poder financeiro sobre os parlamentos, os partidos, a mídia, o Estado e a democracia.

A engrenagem que lavou seus dois mandatos em um solvente de bom mocismo inócuo, alimenta agora a ressurgência da explosão racial nas ruas do país.

A novidade reside menos na reiteração do conflito e, sobretudo, no fracasso da panaceia que exacerbou o que prometia superar.

A anunciada redenção neoliberal iniciada com Reagan, e acelerada por Clinton, implodiu até a zona de conforto da classe média norte-americana, lançando uma luz pedagógica à disjuntiva enfrentada pela sociedade brasileira neste momento.

Construir uma referência própria de desenvolvimento ordenada pela democracia social, ou resignar-se a uma réplica de segunda categoria da regressão social norte-americana, dispensando à maioria da população aqui, o limbo que os negros e pobres compartilham dramaticamente lá?

Desenvolvimento dependente ou a soberania da justiça social?

Não por acaso o discurso extremista, racista, xenófobo e protecionista vocalizado pelo bilionário Donald Trump capturou a ansiedade de 40% dos eleitores norte-americanos nesta corrida presidencial.

A economia do país caminha a duas velocidades.

Festeja-se uma recuperação anêmica, cuja expansão anualizada abaixo de 2% mantém-se rigidamente distante do salto dos  4%, preconizado há anos pelos otimistas.

O consumo cresce, é verdade, o emprego também.

Mas um dos principais patrimônios dos EUA, a classe média afluente, derrete.

O paradoxo elucida a diferença entre a sociedade que aflora e aquela legada por Roosevelt, depois da guerra.

Os empregos são de baixa qualidade.

Os direitos — leia-se, a segurança social das famílias assalariadas — escasseiam.

A precariedade é a nova lei de ferro.

A curva de crescimento dos salários, comparativamente a dos lucros, mostra a relação mais baixa da história norte-americana.

Apenas um em cada sete adultos sem formação superior está empregado atualmente na maior potencial capitalista da história.

Impera a anomia social irmã gêmea das explosões incontroláveis de revolta.

As taxas de sindicalização despencam na razão direta da expansão da ferrugem nos cinturões industriais falidos, que Trump promete resgatar com doses de protecionismo que implodiriam a ordem mundial.

No jornal Valor desta 2ª feira, o economista britânico Adair Turner, um moderado, mostra como o aparente bom senso da lógica neoliberal se traduz, na prática, em rupturas violentas da coesão econômica e social, gerando respostas aparentemente insensatas, mas revestidas de justificativa política.

Ocorrências como Trump  e o Brexit, no seu entender, demonstram o fracasso das elites em convencer os eleitores de que a livre circulação de capital, produtos e pessoas costuma ser boa para todos.

‘Na verdade, não é, diz o britânico, ‘exceto se a liberação e a globalização forem acompanhadas de um equilíbrio na divisão da riqueza ampliada pelas novas práticas de mercado, que necessariamente produzem poucos vencedores e muitos perdedores’.

‘No mundo inteiro houve muito pouco equilíbrio na divisão desse saldo’, adverte o economista.

Turner, repita-se, um moderado, não avança na análise, mas o fracasso que sublinha reitera a incompetência do mercado e das vacas sagradas da desregulação para ordenar uma sociedade convergente razoavelmente inclusiva.

Quem faz isso é a democracia, quando dotada de instrumentos para afrontar os impulsos socialmente destrutivos da lógica capitalista.

Um dado resume todos os demais: após quatro décadas de fastígio neoliberal nos EUA, pessoas em idade de trabalhar compõem agora a maioria do contingente dependente do vale-refeição para sobreviver.

Trata-se de uma ruptura de padrão.

A norma, depois da depressão dos anos 30, era uma clientela predominante feita de crianças e idosos.

Mas não é um ponto fora da curva:

— o governo dos EUA gasta atualmente US$ 80 bi  por ano com ajuda alimentar — o dobro do valor registrado há cinco anos;

— desde os anos 80, a dependência de ajuda para alimentação cresce mais entre os trabalhadores com alguma formação universitária — sinal de que sob a égide  dos mercados desregulados, a  ex-classe média afluente não consegue sobreviver sem ajuda estatal;

— cerca  de 28% por cento das famílias que recebem vale-refeição são chefiadas por uma pessoa com alguma formação universitária;

— hoje o food stamps atende  um de cada sete norte-americanos;

— os salários baixos e a desigualdade  foram responsáveis por 13% da expansão recente do programa — contra  3,5%  entre 1980 e 2000;

— pesquisas relativas ao período de 1979 e 2005 (ciclo neoliberal anterior à crise de 2008) revelam que 90% dos lares norte-americanos viram sua renda cair nesse período; apenas 1% das famílias ascendeu à faixa superior a meio milhão de dólares;

— 21% dos menores norte-americanos vivem em condições de pobreza atualmente;

O fato de Obama, ao longo de dois mandatos, não ter conseguido reajustar o salário mínimo norte-americano — congelado há 17 anos e  20% menor em termos reais  do que o vigente no governo Reagan — diz muito sobre a natureza de um sistema que gera poucos ganhadores e muitos perdedores, de que fala o britânico Turner.

É nesse labirinto social claustrofóbico que os negros ocupam o corredor mais opressivo.

O desemprego nos EUA em torno de 5% (quase pleno emprego) lambe os dois dígitos entre os negros e hispânicos.

Negros formam 13% da população, mas representam mais de 40% da massa carcerária: um milhão, em um total de 2,5 milhões.

No ano passado, 30% das pessoas mortas por policiais nos EUA eram negras, quase três vezes a participação negra na demografia do país.

Nunca a desigualdade foi tão aguda.

E jamais a probabilidade de que isso solape as bases da sociedade foi tão presente.

Não é Sanders quem está dizendo.

O desabafo é de autoria da contida presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, Janet Yellen.

Os abismos sociais no núcleo central do capitalismo atingiram o ponto em que, segundo a discreta Yellen, os americanos deveriam se perguntar se isso é compatível com os valores dos Estados Unidos.

‘A desigualdade de renda e riqueza estão nos maiores patamares dos últimos cem anos, muito acima da média desse período e provavelmente maior que os níveis de boa parte da história americana antes disso’, afirmou, repita-se, a presidenta do banco central norte-americano.

Alguém imagina um quadro graúdo do Itaú, como o interventor do golpe no Banco Central, dizendo isso por aqui?

O descarrilamento social produzido pelo neoliberalismo na sociedade mais opulenta da terra espeta o carimbo da temeridade no coração da estratégia de golpista para o Brasil.

Não invalida o fato de que o país precisa reconstruir a sua máquina de desenvolvimento.

Deixa claro, no entanto, que essa não é obra a se terceirizar aos livres mercados, como percebeu tardiamente um Obama engessado em tibieza pessoal, mas não só nela.

Numa economia longamente descarnada de sua base industrial, desfibrada por taxas de sindicalização operária as mais baixas da história, a correlação de forças reservou pouca margem de manobra ao primeiro presidente negro da sua história.

O paradoxo da recuperação com desalento social não impediria a sua reeleição, mas o devolve à história como o Presidente que não conseguir estar à altura do seu tempo.

Obama encerra seu ciclo à sombra de um bufão que melhor que ele consegue falar ao coração dos deserdados da esperança.

A sabotagem parlamentar mais obscurantista da história enfrentada pelo democrata encontra equivalente na barragem legislativa que paralisou Dilma no Brasil.

Uma aliança da escória com interesses plutocráticos descomprometidos da responsabilidade com a nação, e tão obscurantista quanto o Tea Party nos costumes, não hesitou em paralisar a economia e sacrificar a grande maioria da população para retornar ao poder sem o voto.

‘A economia precisa de um governo mais leve’, evoca a novilíngua  do jornalismo de arrocho.

Os conflitos raciais são a fumaça do vulcão que rumina no interior da sociedade mais rica da terra submetida a esse desígnio.

Em um país em que tudo ainda está por fazer, e suficientemente pobre para que erros históricos se transformem em tragédias definitivas, a terceirização do desenvolvimento aos mercados envolve um risco vulcânica ainda maior.

Devolver à democracia a prerrogativa de repactuar o passo seguinte da economia é a única apólice de seguro que resta à sociedade brasileira.

Não é um projeto que empolgue a riqueza financeira.

Esta já tem o seu país pronto: a taxa de juro real mais elevada do mundo.

O golpe visa justamente reforçar as muralhas em torno dessa soberania.

Raspar o tacho, ‘vender a mãe pátria’, como espetou o Papa Francisco na testa de seu conterrâneo, o presidente argentino amigo de Serra, Maurício Macri, é parte do arsenal bélico.

Quem precisa de projeto de desenvolvimento é o povo, os excluídos, os pobres e negros nos EUA, a vasta maioria da população no Brasil.

A resposta do golpe, ao contrário,  pressupõe um congelamento real de gastos sociais que encolherá a participação relativa da saúde, da educação, das aposentadorias e outros direitos na divisão da receita em anos vindouros.

O excedente subtraído ao bem-estar social, como já se disse neste espaço, será transferido ao bem-estar antissocial dos rentistas.

Um círculo de ferro pretende dobrar a resistência democrática sob o peso do desemprego e do desmonte da nação feito a toque de caixa.

Há um requisito: asfixiar o debate de uma agenda alternativa.

É preciso impedir que a resistência democrática seja portadora de um projeto mudancista que fale às ruas, às periferias, aos bairros pobres, às famílias assalariadas, à juventude, à classe média democrática, à inteligência nacional, à cultura e ao empresariado produtivo.

O medo desse efeito catalisador é indisfarçável.

A supressão truculenta da publicidade estatal a toda mídia progressista é um sintoma dele. A sofreguidão para se aprovar a farsa do impeachment, outra. A barganha obscena com o interesse estrangeiro sobre as riquezas nacionais –pré-sal à frente—outra.

Trata-se de criar fatos consumados,  espremer, tanger os movimentos sociais, as centrais, partidos e organizações populares, obrigando-os a pensar pequeno.

Obrigando-os a participar até o fim da farsa do impeachment.

Para desse modo obrigá-los a admitir um futuro menor que o país.

Que caiba em um orçamento menor que a população.

Menor que as possibilidades e urgências da Nação.

Menor que a ponte necessária entre a resistência democrática difusa e a repactuação ampla do desenvolvimento, feita de prazos e metas críveis negociadas com o conjunto da sociedade.

Se pensar pequeno, se aquiescer à farsa, a resistência democrática corre o risco de se abastardar e acordar um dia em um país dizimado chamado Brazil.

Cuja capital fica em Dallas.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Relatório da PF indica relação da Andrade Gutierrez com Aécio Neves

Relatório com análise de mensagens do ex-presidente da empreiteira Otávio Azvedo destaca conversas sobre valores destinados a uma associação presidida pela irmã do senador, Andrea Neves, e troca de mensagens com Oswaldo Borges, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, apontado como tesoureiro informal do tucano


Em relatório anexado ao inquérito da empreiteira Andrade Gutierrez, a Polícia Federal analisou as informações contidas em celulares apreendidos com o ex-presidente da construtora, Otávio Marques de Azevedo. No documento, a PF destaca conversas sobre valores destinados a uma associação presidida pela irmã do senador Aécio Neves, Andrea Neves, e troca de mensagens com Oswaldo Borges, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, e apontado como tesoureiro informal do tucano.

Aécio atualmente é alvo de dois inquéritos do Supremo Tribunal Federal no âmbito da operação Lava Jato. Em sua delação, Otavio Marques de Azevedo não delatou qualquer tipo de pagamento de propina ou fraudes praticadas em licitações à época que o tucano era governador de Minas Gerais.

As conversas com Borges, apontado como um tesoureiro informal do senador tucano, são de agosto de 2014, em meio a campanha presidencial na qual Aécio Neves concorreu com a presidentes afastada, Dilma Rousseff. Em 27 de agosto, Oswaldo pergunta a Otávio se era possível “falar na quinta às 19h em Sp”.

MENSAGEM OTAVIO BORGES AECIO

Dois dias depois, Otavio responde: “Já foi feito”. Oswaldo agradece no mesmo dia: “Obrigado Otavio. Com vc funciona!!!rsrs”.

As mensagens trocadas com o suposto tesoureiro informal de Aécio, segundo a PF, se deram no mesmo dia em que Azevedo confirmou doação para a campanha de Dilma Rousseff, por meio do chefe de gabinete do então tesoureiro da petista, Edinho Silva.

“Destaca-se mensagens de Otávio Marques e Oswaldo Borges da Costa e Otávio Marques e +556981266901 analisadas em conjunto pois é possível que estejam relacionadas à doações eleitorais”, informa o relatório da PF. Ainda segundo o agente federal Di Bernardi, autor do relatório, as “mensagens aparentemente contradizem o Termos de Declaração de Otávio no tocante a forma como se davam as doações eleitorais”.

MENSAGEM OTAVIO BORGES AECIO 2

“Observa-se que tanto na mensagem para Manoel Araujo como na mensagem para Oswaldo Borges, Otávio encaminha, praticamente no mesmo horário do dia 29/08/2014, a mensagem “Já foi feito”, sendo que ambos agradecem. Informações em fontes abertas associam Oswaldo Borges da Costa Filho à Aécio Neves (seria genro do padrasto de Aécio108)”, completa o relatório.

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Andrea Neves

Apontada como braço-direito do senador, Andrea Neves aparece no relatório da Polícia Federal por ter presidido a associação civil Servas – Serviço Voluntário de Assistência Social. No dia 22/11/2012, Otávio recebe mensagem de Jose Augusto Figueira, então suplente do conselho de administração da Oi e presidente da Oi Futuro.

Na mensagem, Figueira informa a Otávio que ele possui saldo de R$ 1,5 milhões e que “para o Servas reservara, 160 ou 320 mil e que aguarda retorno asap”. Além de apontar a existência da associação mineira, presidida entre 2003 e 2014 por Andrea Neves, a Polícia Federal salienta que dada a proximidade das datas é possível que o assunto Servas tenha relação com uma reunião realizada um dias antes.

MENSAGEM OTAVIO AECIO

MENSAGEM OTAVIO AECIO 2

Essa reunião, conforme revelam mensagens analisadas pela PF, foi agenda no dois dias antes da conversa sobre o Servas. Em mensagem do dia 20, interlocutor identificado como Major Braga (Aécio) enviou a seguinte informação para o ex-presidente da Andrade Gutierrez: “Boa noite Dr Otávio! A pedido do Senador Aécio Neves preciso falar com o senhor! Obrigado, Major Braga”.

Minutos depois, Major Braga envia outra mensagem: “Dr Otávio, Senador Aécio Neves pede para avisar que irá dormir na residência da mãe dele, Sra. Ines Maria. Reunião amanhã transferida para o endereço, Rua Prefeito Mendes Moraes, nr 1100 / Cobertura – RJ”.

Segundo a PF, mesmo após a troca do local do encontro, Otávio “confirma o recebimento” e diz que “estará lá no dia seguinte”.

MENSAGEM OTAVIO AECIO 3

MENSAGEM OTAVIO AECIO 4

Com a palavra, a assessoria de Aécio e Andréa Neves:

“As  mensagens são autoexplicativas e trazem um conteúdo absolutamente correto,  não apontando qualquer irregularidade.

A troca de mensagens  publicada pelo jornal, entre Oswaldo Costa e Otavio Azevedo, foi feita no mesmo dia 29 de agosto em que foi realizada uma doação da  Andrade Gutierrez  à campanha presidencial do PSDB  de 2014, como consta da declaração feita a justiça eleitoral.

Sobre a mensagem que cita o Serviço Voluntário da Assistência Social (Servas), trata-se de uma entidade criada há mais de 60 anos, vinculada ao governo de Minas. A entidade implanta e apoia programas sociais em todo o Estado e, para isso, ao longo de toda a sua história, conta com o apoio de doações de empresas privadas.

A  presidência da entidade é tradicionalmente exercida pelas primeiras damas do Estado, como ocorre em outras unidades da Federação. Durante os governos Aécio Neves e Anastasia, a entidade foi dirigida por Andrea Neves.”

Com a palavra, a Andrade Gutierrez:

“A Andrade Gutierrez mantém o compromisso de colaborar com a Justiça. Além disto, tem feito propostas concretas para dar mais transparência e eficiência nas relações entre setores público e privado.”

No Estadão
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Dívida Pública e Estratégia Nacional - O Brasil na Camisa de Força

http://www.maurosantayana.com/2016/07/divida-publica-e-estrategia-nacional-o.html

Seguindo a linha de criação de factoides adotada por setores do governo interino — exibe-se a bandeira da “austeridade” com a mão e aumenta-se, com a outra, em mais de R$ 60 bilhões as despesas, proventos e contratações. Uma das novidades da equipe econômica interina é a criação de um “teto” para as despesas do setor público para os próximos 20 anos. A principal desculpa para engessar ainda mais o país — e até mesmo investimentos como os de saúde e educação — é, como sempre, o velho conto da dívida pública. Segundo jornais como O Globo, a dívida bruta do Brasil somou R$ 4,03 trilhões em abril, o equivalente a 67,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — e pode avançar ainda mais nos próximos meses por conta do forte déficit fiscal projetado para este ano e pelo nível elevado da taxa de juros (14,25% ao ano).

E daí? A pátria do Wall Street Journal, os Estados Unidos, multiplicou, nos primeiros anos do século 21, de US$ 7 trilhões para US$ 23 trilhões a sua dívida pública bruta, que passou de 110% do PIB este ano, e se espera que vá chegar a US$ 26 trilhões em 2020. A Inglaterra, terra sagrada da City e The Economist, que tantas lições tenta dar — por meio de matérias e editoriais imbecis — ao Brasil e aos brasileiros, mais que dobrou a sua dívida pública, de 42% do PIB em 2002 para quase 90%, ou 1,5 trilhão de libras esterlinas (cerca de US$ 2,2 bilhões), em 2014. A da Alemanha também é maior que a nossa, e a da Espanha, e a da Itália, e a do Japão, e a da União Europeia...

Já no Brasil, com todo o alarido e fantástico mito — miseravelmente jamais desmentido pelo partido — de que o PT quebrou o Brasil, a dívida pública em relação ao PIB diminuiu de quase 80% em 2002, para 66,2% do PIB em 2015. Enquanto a dívida líquida caiu de 60% para 35%. E poupamos US$ 414 bilhões desde o fim do malfadado governo de FHC (US$ 40 bilhões pagos ao FMI mais R$ 374 bilhões em reservas em internacionais). E somos um dos dez países mais importantes do board do FMI, e o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Então vamos à inevitável pergunta: por que será que os países mais importantes do mundo e as chamadas nações “desenvolvidas” são, em sua maioria, os mais endividados?

Será que é porque colocam o desenvolvimento na frente dos números? Será que é porque não dão a menor pelota para as agências de classificação de risco, que, aliás, estão a seu serviço, e nunca os “analisaram” ou “rebaixaram” como deveriam? Será que é por que conversam fiado sobre países como o Brasil, mas não cumprem as regras que não param — para usar um termo civilizado — de “jogar” sobre nossas cabeças? Ou será que é porque alguns, como os Estados Unidos, estabelecem seus objetivos nacionais, e não permitem que a conversa fiada de economistas e banqueiros e a manipulação “esperta” de dados, feita também por grupos de mídia que vivem, igualmente, de juros, sabote ou incomode seus planos estratégicos?

Todas as alternativas anteriores podem ser verdadeiras. O que importa não é o limite de gastos. Nações não podem ter amarras na hora de enfrentar desafios emergenciais e, principalmente, de estabelecer suas prioridades em áreas como energia, infraestrutura, pesquisa científica e tecnológica, espaço, defesa. O que interessa é a qualidade do investimento.

Como não parece ser o caso, como estamos vendo, dos reajustes dos mais altos salários da República, e dos juros indecentes que o Estado brasileiro repassa aos bancos, os maiores do mundo. Que tal, senhor ministro Henrique Meirelles, adotar a mesma proposta de teto estabelecida para os gastos públicos exclusivamente para os juros e os respectivos bilhões transferidos pelo erário ao sistema financeiro todos os anos? Juros que não rendem um simples negócio, um prego, um parafuso, um emprego na economia real — ao contrário dos recursos do ­BNDES, que querem estuprar em R$ 100 bilhões para antecipar em “pagamentos” ao Tesouro?

Agora mesmo, como o ministro Meirelles deve saber, os juros para igual efeito na Alemanha — com uma dívida bruta maior que a do Brasil — estão abaixo de zero. Os títulos públicos austríacos e holandeses rendem pouco mais de 0,2% ao ano e os da França, pouco mais de 0,3% porque são países que, mesmo mais endividados que o Brasil, não são loucos de matar sua economia, como fazemos historicamente — e seguimos insistindo nisso, com os juros mais altos do planeta, de mais de 14% ao ano, e outros, ainda mais pornográficos e estratosféricos, para financiamento ao consumo, no cheque especial, no cartão de crédito etc.

A diferença entre países que pensam grande e países que pensam pequeno, senhor ministro Henrique Meirelles, é que os primeiros decidem o que querem fazer, e fazem o que decidiram, sem admitir obstáculo entre eles e os seus objetivos. Enquanto os segundos, por meio da ortodoxia econômica — e do entreguismo —, antes mesmo de pensar no que vão fazer, submetem-se servilmente aos interesses alheios, e criam para si mesmos obstáculos de toda ordem, adotando — como as galinhas com relação à raposa na reforma do galinheiro — o discurso alheio.

Aqui, senhor ministro, não determinamos nem discutimos, nem defendemos interesses nacionais, e quando temos instrumentos que possam nos ajudar eventualmente a atingi-los, como ocorre com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, nos dedicamos a enfraquecê-los e destruí-los.

Cortando onde não se deve e deixando de cortar onde se deveria, estão querendo matar o Estado brasileiro, que, de Brasília a Itaipu, foi responsável pelas maiores conquistas realizadas nos últimos 100 anos — na energia, na mineração, na siderurgia, no transporte, na exploração de petróleo, na defesa, na aeronáutica, na infraestrutura.

Não existe uma só área em que, do ponto de vista estratégico, a iniciativa privada tenha sido superior ao Estado, como fator de indução e de realização do processo de desenvolvimento nacional nesse período — até porque, fora algumas raras, honrosas exceções, ela coloca à frente os seus interesses e não os interesses nacionais.

E é com base justamente na premissa e no discurso contrário, que é falso e mendaz, que se quer justificar uma nova onda de entrega, subserviência e privatismo, com a desculpa de colocar em ordem as contas do país, quando, no frigir dos ovos, nem as contas vão tão mal assim. Basta compará-las às outras nações para perceber isso. As dificuldades existem muito mais no universo nebuloso dos números, que mudam ao sabor dos interesses dos especuladores (onde está a auditoria da dívida?) do que na economia real.

Se a PEC do Teto, como está sendo chamada pelo Congresso, for aprovada, as grandes potências, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha — ainda que mais endividadas que o Estado brasileiro — continuarão progredindo tecnológica e cientificamente, e se armando, e se fortalecendo, militarmente e em outros aspectos, nos próximos anos, enquanto o Brasil ficará, estrategicamente, inviável e imobilizado, e ainda mais distante dos países mais importantes do mundo.

Para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e competitivo, senhor ministro Henrique­ Meirelles, o Brasil precisa de estratégia, determinação e bom senso. E não de mais camisas de força.
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Desaparecido, Aécio Neves virou o pato manco da política brasileira

É
Tecnicamente, a expressão lame duck, pato manco em inglês, se refere ao político cujo sucessor já foi eleito. Nos EUA, o termo é aplicado para presidentes em fim de mandato ou para os que não se reelegeram mas ainda têm tempo até entregar o cargo.

Num sentido mais amplo, é o político sem poder de fogo, uma carta fora do baralho, um morto em vida. Aécio Neves é o pato manco do Brasil.

Suas aparições públicas, sempre indignadas com a da corrupção do PT, foram escasseando na mesma medida em que se avolumaram as citações na Lava Jato.

Aécio hoje se comunica com um público um pouco maior que a sua plateia cativa através de sua coluna na Folha, que repercute menos e menos. Há três semanas ele falou do Brexit; depois, do aniversário de 22 anos do Plano Real.

Seu perfil no Twitter foi atualizado no dia 9 de julho. Fotos com um Zico obscenamente barrigudo acompanhavam a legenda papo furado sobre ele “ainda bater um bolão fora do campo”.

Aécio desapareceu em sua manquitolagem. Foi vítima, sobretudo, de sua ambição e da crença de que era intocável. Crença esta, aliás, amparada na realidade, já que sua carreira na impunidade atravessou décadas.

Não era o ele esperava. Afinal, Dilma foi afastada e Lula tem de lidar com Sérgio Moro. O impeachment deve muito a Aécio, que não aceitou a derrota em 2014 desde a primeira hora e apostou todas as fichas na instabilidade.

Aécio preside, por enquanto, o PSDB, mas vê a sombra de Alckmin crescer sobre seu jardim. Não há delação em que não apareça: na do doleiro Alberto Yousseff, na de Delcídio Amaral, na do ex-deputado Pedro Corrê, na do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

O escândalo de Furnas, cuja lista a Veja trabalhou tenazmente para desqualificar, ressuscitou com toda a força. Machado disse que ajudou-o a levantar 7 milhões de reais, em 1998, e distribui-los entre 50 tucanos na campanha de Aécio para a presidência da Câmara. De onde veio isso, tem mais.

Aécio tentou responder à maioria das acusações, até que chegou o momento em que simplesmente não deu conta diante da quantidade e do impacto.

Teve de engolir Michel Temer roubar seu papel de comandante do golpe. Temer representava menos risco. Uma cena emblemática marcou esse fim de linha: sua expulsão, aos gritos de “ladrão” e “filho da puta”, da manifestação coxa na Paulista em 13 de março. Aquilo doeu. O protesto era dele. Aquele era seu povo.

Atualmente, age nos bastidores. Para quem viveu sob os holofotes, é uma mudança triste. Isso era para o Cunha, ora. No domingo, jantou com o interino no Palácio do Jaburu para falar sobre a eleição do presidente da Câmara.

Em junho, Sonia Racy escreveu, em sua coluna no Estadão, que ele “tem lembrado a amigos que nunca foi a favor do impeachment”. A antiga blindagem na imprensa caiu, Serra dá suas cacetadas como ministro, Alckmin tem falado por aí, sem fazer questão de esconder de ninguém, que “sobrou” ele no partido. Nem FHC menciona mais o seu nome.

O bonde de 2018 está perdido e sua desconstrução segue firme. Napoleão observou que do sublime ao ridículo é apenas um passo. Aécio Neves foi de futuro da nação a pato manco de um só golpe.

Kiko Nogueira
No DCM
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Câmera Oculta


O chamado Mensalão do DEM voltou. E deixa claro que Rogério Rosso, candidato à presidência da Câmara, além de Eduardo Cunha, é refém de outro personagem da Baixa Sociedade do DF, Durval Barbosa, ex-delegado de Polícia.

Podemos chamar o Mensalão do DEM de Mensalão do Durval Barbosa, uma minissérie dirigida por Durval Barbosa, roteiro e fotografia de Durval Barbosa, estrelada por Durval Barbosa e milionário elenco, uma coprodução Polícia Federal-Durval Barbosa.

Foi ele o cineasta apesar de si mesmo que aceitou gravar aquela farra com dinheiro público a troco de punição mais leve para si próprio — a PF, com a Operação Caixa de Pandora, que no mito grego se abre espalhando desgraças, em Brasília se fechou encerrando dentro dela o governador José Roberto Arruda e um bando de comparsas.

Na minissérie o governador no exercício do cargo foi filmado ao receber uma bolada de dinheiro. Aparecem outros enfiando o dinheiro nas meias, outro no bolso interno do paletó, uma terceira na bolsa de mulher, noutra o marido o da deputada federal Jaqueline Roriz, que viria a ser cassada, abre o zíper de uma mochila e Durval Barbosa, membro da gangue do Arruda, ali enfia um "paco" de quase um palmo de altura em notas de R$ 50.

Na edição da minissérie Durval Barbosa cortou um personagem que só aparece agora, na segunda temporada do Mensalão do Durval Barbosa. Trata-se de Rogério Rosso, aquele que viria a ocupar a cadeira de Arruda —, ele teve de renunciar porque o povo brasiliense foi à rua, ocupou a Câmara, brigou com a polícia e, em vez de ir discursar na convenção tucana de 2010 (era cotado para vice de Serra), foi ocupar uma cela da Polícia Federal.

Nesta segunda temporada, mais emoções.

Rogério Rosso, gravado, teria se tornado refém de Durval Barbosa, comendo na mão dele. Com aquele olhar de rufião melancólico, fazia tudo que o diretor da minissérie mandava no mandato-tampão.

E agora, na corrida pela presidência da Câmara, em mais um mandato-tampão, daí a ser chamado nos corredores de Sempre Livre ou Tampax, a caixa de Pandora pode se fechar de novo encerrando dentro dela o favorito do Centrão.

Palmério Dória
No Esquerda Caviar
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Nota sobre a matéria de O Globo a respeito da sede do Instituto Lula

Sede do Instituto Lula, no bairro do Ipiranga.
Foto: Reprodução/Google Streetview
Desde que foi criado, em 2011, o Instituto Lula funciona em um sobrado adquirido em 1991 pelo antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador. No mesmo endereço funcionou, por mais de 15 anos, o Instituto Cidadania. Originalmente, era uma imóvel residencial, semelhante a tantos outros no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.

O texto de O Globo a partir de vazamentos ilegais de agentes do estado repete uma ilação que já foi desmentida em outras ocasiões. Mais uma vez, querem impingir ao ex-presidente Lula uma acusação sem materialidade, um suposto favorecimento que nunca existiu, inventando uma sede que o Instituto Lula nunca teve, com o claro objetivo de difamar sua imagem.

Ao longo desses 20 anos, o endereço e o compromisso do Instituto Lula com a democracia e a inclusão social permanecem os mesmos.
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Além da imaginação: agora Lula “ganhou” prédio que não ganhou


A campanha de propaganda da dupla MP-mídia parece que perdeu qualquer medida.

Depois do “tríplex” do Lula que não é do Lula, apareceu agora o prédio do Instituto Lula que não é do Instituto Lula.

Agora a história é a seguinte: uma empresa de um amigo do dono da Odebrecht comprou um imóvel que iria servir de sede ao Instituto Lula.

Mas que nunca foi nem sede  nem propriedade do Instituto Lula.

Segundo a “denúncia” a prova do “crime” seria uma planta da reforma do imóvel.

E daí se o Instituto Lula quisesse comprar um imóvel?

E daí se o comprasse?

Mas nem isso.

O instituto Lula está no mesmo lugar desde 1991.

O próprio advogado de Lula confirma que o prédio foi oferecido ao Instituto Lula e não interessou.

Onde está o crime?

O que está sendo investigado, afinal?

Supostas intenções?

Serve qualquer coisa ao lobo. “Se não foi você, foi seu pai, foi seu tio, foi seu avô”

Fernando Brito
No Tijolaço
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Rogério Rosso (PSD) é acusado de ter se beneficiado com esquema de distribuição de propinas a políticos do DF


Uma testemunha do esquema de superfaturamento e propinas que ficou conhecido como “mensalão do DEM” disse à Justiça que Durval Barbosa, principal delator das fraudes, teria um vídeo do deputado Rogério Rosso (PSD-DF) recebendo dinheiro. O parlamentar é o favorito para ocupar a presidência da Câmara e contaria com o apoio do presidente interino Michel Temer.

Em depoimento no dia 29 de junho, o técnico de informática Francinei Arruda disse que Barbosa — ex-secretário do governo do Distrito Federal — omitiu a existência das imagens ao entregar a investigadores uma série de vídeos nos quais políticos recebiam propinas.

Segundo ele, o deputado do PSD sabia da existência do vídeo contra ele e o conhecimento sobre a gravação o tornava submisso a Barbosa.  Rogério Rosso é investigado por compra de votos e desvio de recursos públicos na época em que foi governador do Distrito Federal, em 2010.



No Fórum
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“O fascismo perdeu a vergonha na cara”


"Boooora bando de desgraca.
Quero ver se segunda ninguém vai oprimir esse filho da puta”.
“A gente tira uma foto com ele e na hora fala Bolsonaro presidente.
Alguém filma a gente na hora”.

O diálogo acima foi travado nas redes sociais em meados de junho, entre usuários de um grupo do aplicativo WhatsApp. O “filho da puta” a ser “oprimido” era o deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ), convidado pelo curso de cinema da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) para dar uma conferência sobre audiovisual, política e diversidade no campus da instituição em Vitória da Conquista (BA), a pouco mais de 500 quilômetros de Salvador – quase a mesma distância até Alagoinhas, cidade natal do deputado.

A conferência ocorreu em 27 de junho, uma segunda-feira. O grupo virtual foi criado pouco mais de dez dias antes com o objetivo específico de organizar algum tipo de manifestação contrária à presença de Jean Wyllys na cidade. Não por acaso, o nome dado ao agrupamento foi “Fora de VCA [Vitória da Conquista] Jeanus”. Os diálogos revelam que os membros eram simpatizantes do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), contra quem Jean Wyllys desferiu uma cusparada no dia 17 de maio, após ouvir dele ofensas de cunho homofóbico. A troca de insultos entre os dois ocorreu durante a sessão da Câmara dos Deputados que decidiu pelo prosseguimento do processo de impeachment contra a presidente eleita – e agora afastada – Dilma Rousseff (PT).

A postura ultraconservadora de Bolsonaro, militar da reserva e parlamentar representante de setores abertamente reacionários, assim como sua repulsa em relação ao que circula em torno de Jean Wyllys – único homossexual assumido na Câmara Federal, defensor de temas como a união afetiva, legalização do aborto e a descriminalização do consumo de maconha, além de ser filiado a um partido de esquerda –, foram reproduzidas pelos integrantes do grupo no WhatsApp. Inclusive quando eles discutiram sobre os métodos a serem utilizados num eventual ato de hostilidade contra o deputado do PSol.

“Vamos brigar tbm?”

“Se eu fosse ia esculhambar”

“Galera o que acha de chegarmos cedo no ‘debate’ do deputado, pegarmos as primeiras cadeiras e quando ele começar a falar, todos nós abrirmos um guarda-chuva?”

O ato de abrir guarda-chuvas seria uma alusão, pretensamente irônica, à cusparada com que o conferencista atingiu Bolsonaro. Um outro usuário, mais pragmático, parece reconhecer o poder de argumentação de “esquerdistas” como Jean Wyllys, e recomenda aos colegas do grupo que tenham prudência se conseguirem lhe dirigir alguma pergunta. Ao fazer isso, insiste em outra tentativa de chiste, desta vez ironizando a orientação sexual do parlamentar baiano.

“Todo esquerdista argumenta bem. Por isso se rolar pergunta ao deputado Jeanus, tem que ter calma pra não mandá-lo se fuder. Até pq ele gosta. Mas pra responder a altura”.

No mesmo grupo, outro usuário posta a fotografia de um produto que acabou de adquirir: um exemplar do livro A Verdade Sufocada: a História que a Esquerda não Quer que o Brasil Conheça, de autoria do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Morto em outubro de 2015, aos 83 anos, Ustra comandou, entre 1970 e 1974, o Destacamento de Operações de Informações (DOI-Codi) de São Paulo, um dos principais órgãos de repressão a militantes de esquerda durante a ditadura militar (1964-1985). O coronel foi apontado por dezenas de perseguidos políticos e familiares de vítimas da ditadura por responsabilidade na perseguição, tortura e morte de presos políticos.

‘O fascismo perdeu a vergonha’

Segundo Jean Wyllys, um exemplar desse mesmo livro também foi enviado a seu gabinete em Brasília, junto com a recomendação de que ele, Jean, conhecesse “o lado dele”, o coronel Ustra. “Não sei se ele pessoalmente enviou”, conta o deputado. “Claro que encaminhei o livro para o lugar certo: a lata de lixo da história”.

Foi à memória de Ustra que Bolsonaro dedicou seu voto favorável ao impeachment, ressaltando que o coronel seria “o pavor de Dilma Rousseff”. Explica-se: em 1970, Dilma, então com 22 anos e militante do grupo guerrilheiro Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), foi submetida a sessões de tortura durante os 22 dias em que esteve presa no DOI-Codi paulista.

Bolsonaro qualificou o dia 17 de maio como um “dia de glória para o povo brasileiro”, e parabenizou o então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – hoje afastado do cargo e respondendo a processo no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro, além de envolvido em várias citações de corrupção – pela forma como “conduziu os trabalhos”. Afirmou que os que “perdiam” em 2016 eram os mesmos que “perderam” em 1964. Para justificar seu “sim” ao pedido de impeachment, citou “a família”, a “inocência das crianças em sala de aula”, a “nossa liberdade”, o “Exército de Caxias”, a “nossas Forças Armadas” e “Deus”. O mesmo voto, segundo ele, era contra “o comunismo” e o “Foro de São Paulo”.

Por outro lado, a sessão que Bolsonaro chamou de gloriosa foi classificada por Jean Wyllys como uma “farsa sexista”, da qual o deputado se disse “constrangido” por participar. Cunha, parabenizado por Bolsonaro, mereceu do parlamentar do PSol os predicados de “traidor” e “conspirador”. E seu voto, contrário ao impeachment, foi dedicado aos “direitos da população LGBT”, ao “povo negro das periferias”, aos “trabalhadores da cultura”, aos “sem teto” e aos “sem terra”.

Os integrantes do grupo “Fora de VCA Jeanus” sabiam, portanto, de que lado estavam. E não eram os únicos. “O fascismo, no Brasil, perdeu a vergonha na cara”, observa Jean Wyllys. “Está muito mais visível e foi estimulado, de certa forma, pelos partidos de direita, DEM, PSDB, Solidariedade, PPS. Esses partidos flertaram com os grupos de extrema-direita, contaram com a difamação que eles moveram nas redes sociais. E agora, como diz o ditado, crea cuervos, y te sacarán los ojos. Agora, os grupos fascistas saíram do controle. Então, nós tomamos cuidado com isso. Mas eles não me amedrontam”, prossegue o deputado.

No dia da conferência, o “filho da puta” Jean Wyllys não chegou a ser “oprimido” de fato por nenhum integrante do “bando de desgraça”. Não houve “brigas” de verdade, e as “esculhambações” se limitaram a algumas camisetas com a mensagem “Bolsonaro presidente” – que permaneceram do lado de fora do Teatro Glauber Rocha, onde Jean Wyllys falou ao público. Do lado de dentro, o espaço foi lotado por aproximadamente 300 pessoas que queriam ouvi-lo. Certamente não estavam lá apenas militantes ou simpatizantes das ideias do deputado. Mas se havia ali alguém disposto a hostilizá-lo, calou-se.

Nenhum guarda-chuva se abriu (pelo menos não ali dentro, pois lá fora neblinava), nem houve quem se dispusesse a desferir pessoalmente algum impropério contra o parlamentar durante sua fala. Houve, sim, manifestações pessoais à distância, partidas da área externa, onde o público que não conseguiu entrar – devido à lotação máxima do local – acompanhou a conferência por um telão. Houve ainda algumas tentativas frustradas de abordá-lo no momento em que deixava a universidade. Mas o “protesto” teve seu auge mesmo em comentários agressivos e homofóbicos nas redes sociais. Alguns, além de desancar o deputado do PSol, exaltavam Bolsonaro – chamado por alguns pelo epíteto com que vem sendo tratado há tempos por seus acólitos: “Bolsomito”.

O ‘mito’ está nu

Bem menos amistosos foram os ataques ocorridos dez dias antes na Universidade de Brasília (UnB), onde militantes de grupos de direita se muniram com bombas caseiras, spray de pimenta, canos de PVC e armas de choque e se insurgiram contra estudantes no Instituto Central de Ciências. Gabavam-se de serem pagadores de impostos e tentavam impedir alunos de participar de uma paralisação, chamando-os de “vagabundos”. Envolvidos em bandeiras do Brasil, vestiam camisas pretas, estampadas com o rosto do juiz Sérgio Moro, e as indefectíveis camisas amarelas da Seleção Brasileira, com a insígnia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no peito. O grupo gritava palavras de ordem contra “gays safados”, “parasitas” e “comunistas”, e a favor de Moro (“Viva Sérgio Moro!”) e de Bolsonaro (“Bolsonaro presidente!”).

Apropriavam-se de um histórico bordão da esquerda mundial e bradavam: “Golpistas cotistas não passarão!”. Exaltavam a “democracia” brasileira, dizendo que “aqui não é ditadura de esquerda”. Talvez não soubessem que a mesma UnB foi invadida por forças policiais pelo menos três vezes, só nos primeiros quatro anos do regime militar que hoje é defendido com fervor pelo deputado que desejam ver na Presidência da República.

A ofensiva em Brasília, que também foi orquestrada a partir de grupos no WhatsApp – mensagens e áudios trocados pelos ativistas estão disponíveis na internet, graças ao trabalho do grupo Mídia Ninja – teve consequências mais graves. Segundo o Correio Braziliense, dois estudantes registraram boletins de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte de Brasília.

Desde o dia 21 de junho, o “mito” Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em duas ações penais, uma por incitação ao estupro e outra por injúria. A denúncia, feita pela deputada Maria do Rosário (PT-RS) e pela Procuradoria-Geral da República, baseia-se numa discussão na Câmara ocorrida em 2014, quando Bolsonaro disse a Maria do Rosário que não a estupraria porque ela “não merecia ser estuprada”.

Nos últimos dias de junho deste ano, a homenagem ao coronel Ustra ainda rendeu a Bolsonaro uma consequência a mais, além dos já costumeiros aplausos de pessoas saudosas da ditadura militar. Desta vez, ele será julgado por seus próprios pares, graças à instauração de um processo disciplinar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O processo, proposto pelo Partido Verde (PV), pretende apurar se Bolsonaro teria quebrado o decoro parlamentar ao evocar a memória de um personagem que, em 2008, foi reconhecido pela Justiça como tendo sido torturador durante o regime militar.

É tempo de extremismos. Em Vitória da Conquista, um internauta se declarou “hiper satisfeito” por ver que a presença de Jean Wyllys na cidade gerou “a revolta da maioria da população conquistense nas publicações dos blogs”. Nas mesmas redes sociais, outro usuário acusou o deputado de ser “cristofóbico”. Uma internauta achou que conseguiria ser engraçada: “Jean deve ta queimando a rosca pra se aquecer nesse frio”.

“O fascismo é essa estrutura de pensamento infantil, pueril, rasteira, em que a pessoa não para para pensar. A gente está vivendo um momento de burrice, de ignorância motivada”, acredita Jean Wyllys, para quem um dos problemas está, justamente, no fato de as pessoas “não pararem para pensar”.

“A homofobia não é um dado da natureza. Ela tem a ver com falsas certezas. E essas falsas certezas são adquiridas. Essas pessoas praticam a homofobia não porque elas são más por natureza, mas porque elas aprenderam a ser homofóbicas”, defende o parlamentar.

Em meio ao clima de radicalismo e intolerância motivado pela instabilidade política e institucional, e inflada cotidianamente na mídia, há que se concordar numa coisa com aqueles que, por motivações supostamente religiosas, acusam o deputado do PSol de ser “cristofóbico”: é recomendável que se tenha muito cuidado para não se utilizar certas palavras em vão. “Mito”, com certeza, é uma delas. É necessário bom senso para discernir os verdadeiros dos que jamais o serão.

Gil Brito
No Vale Pensar
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Isso é comunismo?


O genial comediante mexicano Cantinflas num filme de 1964, "o padrezinho".



No Socialista Morena
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Durval Barbosa, o do “panetone” de Arruda, envolve Rosso e Maia em propina


Então, de repente, surge em cena o personagem Durval Barbosa, que ficou famoso por gravar os vídeos de políticos de Brasília pedindo e recebendo dinheiro, entre eles o ex-governador José Roberto Arruda.

Ganhou repercussão o depoimento do técnico de informática Francinei Arruda, dado há 15 dias à Justiça de Brasilía onde ele diz que, como “editor” dos vídeos gravados por Durval Barbosa, teve acesso e entregou  versões compactas do deputado Rogério Rosso apanhando dinheiro, como publicou o Correio Braziliense.

Não é o primeiro a fazer essa acusação: ano passado, segundo o mesmo jornal,  o ex-aliado e assessor de Durval Barbosa, Luiz Paulo Costa Sampaio prestou dois depoimentos ao procurador-regional da República Ronaldo Albo, na condição de colaborador e disse que teve acesso a várias gravações, nunca divulgadas, de Durval com autoridades públicas, um deles o então deputado distrital  do Rogério Rosso.

Falta, agora, aparecerem as declarações de Barbosa em relação ao outro candidato da base de Temer, Rodrigo Maia, que o Estadão “esqueceu” ter publicado em 2010, quando o homem da câmara indiscreta diz que Rodrigo Maia também se beneficiava da corrupção do chamado “mensalão do DEM”

— O acerto do Rodrigo era direto com o Arruda, disse Durval, segundo o Estadão.

É sinal de que Eduardo Cunha será muito bem sucedido na presidência da Câmara.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Diretor brasileiro no BID denuncia o golpe de Estado em discurso de renúncia

Depois de quatro anos como diretor-executivo do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o economista Ricardo Carneiro deixa o cargo disparando críticas contra o governo de Michel Temer.

Em seu discurso de despedida, ele questiona a legitimidade do presidente interino, acusa-o de impor uma política econômica sem o respaldo das urnas e defende eleições antecipadas para corrigir o "déficit de legitimidade".

"Volto ao meu país num momento crítico de ruptura institucional, mas com uma certeza: a sociedade brasileira não cabe num golpe, qualquer que seja sua natureza", diz Carneiro no discurso.

Professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp, Ricardo Carneiro tem laços históricos com o Partido dos Trabalhadores e comunicou que deixaria o cargo no BID dois dias depois da abertura do processo de impeachment no Senado.

"Ajustei a minha saída no menor tempo possível para não ficar representando um governo ilegítimo", disse Carneiro em entrevista à Folha, pouco antes de deixar o cargo, na semana passada. "É uma irresponsabilidade histórica da elite brasileira, vai fazer muito mal ao Brasil e vai durar muito tempo."

(...)

Carneiro não acredita que a política econômica do governo Temer dará certo, mesmo se for bem sucedido no choque de confiança pretendido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

"Confiança é uma condição necessária, mas não suficiente", diz. O problema, acrescenta, é que falta impulso para que as principais "forças dinâmicas" empurrem a economia, como consumo e investimento. A retomada das exportações, uma das poucas fontes de crescimento, corre risco com valorização do real.

O economista critica a limitação imposta pelo governo Temer ao BNDES, observando que o investimento em infraestrutura é a única fonte de crescimento substancial. "A maior parte do investimento em infraestrutura no mundo é pública, na veia. No Brasil só tem um jeito, é com o BNDES", diz.

Mais que prever o fracasso da política econômica do governo interino, Carneiro não esconde que "está torcendo contra", por considerá-lo ilegítimo.

"Para esse governo dar certo, a economia tem que dar muito certo, e aí estará se legitimando um processo que é, na sua raiz, profundamente antidemocrático. Se isso acontecer, ficará uma cicatriz", afirma.

Em sua opinião, se não tivesse feito algumas "escolhas erradas", a presidente Dilma poderia ter evitado o impeachment. Ao chamar Joaquim Levy para ser o ministro da Fazenda, ela optou por uma política econômica ultraortodoxa que agravou a crise econômica.

"Pressionada pelo mercado, ela pôs o Levy, que é um talibã do orçamento. Ele fez um ajuste muito duro. A economia, que já estava desacelerando, encolheu quase 4%".

(...)

"Nem mesmo a ditadura militar se impôs por muito tempo a esta sociedade, embora lhe tenha feito muito mal. A legitimidade é um imperativo maior no ambiente social brasileiro e este governo muito dificilmente se tornará legítimo. Ainda mais porque tem como agenda principal o desmonte do nosso incipiente Estado de bem estar social", afirma.


No Cafezinho
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Stédile: “Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil e elegem quem eles querem”


O coordenador nacional do MST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, João Pedro Stédile faz uma consistente análise do quadro político brasileiro. Em palestra no Sindicato dos Engenheiros do Rio e em entrevista ao Bafafá, ele afirma que a conciliação com a burguesia é um casamento desfeito que não adianta insistir. “Nós, como forças progressistas da sociedade, temos que debater e pensar em um novo projeto. O carro de som como forma de mobilização não serve mais”, garante.

Para Stédile, o neodesenvolvimentismo da era Lula e Dilma esgotou. Caso o impeachment seja rejeitado, ele defende que Dilma venha a público com uma carta compromisso com a sociedade. “Não basta ela voltar. Tem de voltar com outro programa, outro ministério e esquecer esses partidos de merda do Congresso”, fuzila.

Sobre o papel do parlamento, Stédile fuzila: “Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil e elegem quem eles querem. Essa história de que todo poder emana do povo é uma falácia”.

Como está vendo o momento que estamos vivendo?

A classe dominante brasileira, ao longo de nossa história, sempre recorre a esses golpes militares ou institucionais para recompor o seu projeto. Nós fazemos uma leitura que a sociedade brasileira está vivendo uma grave crise nesse período de sua história. Uma crise que não é de corrupção, não é apenas uma crise política. Ela eclodiu em meio a uma crise econômica, em meio a uma crise política de gestão do estado e uma crise social com os problemas se agravando. Temos ainda uma crise ambiental fruto da ganância do capital como nunca vimos em outros períodos de nossa história. Isso é decorrência da vários fatores: da crise do capitalismo internacional, da dominação do capital sobre o estado e a produção, da falência da democracia representativa. Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil e elegem quem eles querem. Essa história de que todo poder emana do povo é uma falácia! O povo nem sequer lembra em quem votou. Na votação do impeachment da Dilma só 36 deputados tinham votos próprios para se eleger, o resto entrou de carona. A crise é mais ampla do que apenas possíveis erros do governo Dilma.

O MST foi crítico ao governo Dilma?

Nós criticamos e denunciamos o governo Dilma porque ele foi eleito com um programa em 2014 e imediatamente montou uma equipe que nada tinha a ver com este programa, com o Levy à frente. Em 2015, foi um desastre porque ela adotou um programa neoliberal que tirou o apoio popular dela. Nós sempre fomos críticos, sobretudo no segundo mandato. Porém, temos que entender que a causa principal não são os erros do governo. Diante dessa crise histórica, que só aconteceu antes em 1930, 1960, 1964 e 1980. Para sairmos da atual precisamos de um novo projeto com nova hegemonia na sociedade. A burguesia, diante da crise, soltou seus cachorrinhos na rua. Embalados pela Globo com a fantasia que o problema era a corrupção, fizeram todo aquele latido nas ruas. Ai veio o golpe e agora estão envergonhados. Nunca se viu tanta corrupção num só governo como o atual. Três ministros já caíram e tem mais sete arrolados em processos de corrupção. Como disse o Ciro Gomes, o governo Temer é um sindicato de ladrões.

O impeachment é golpe?

A burguesia deu um golpe institucional porque quer aplicar um plano neoliberal que atenda o capital financeiro e as grandes corporações internacionais. Esse governo provisório já prega o realinhamento com os Estados Unidos, a flexibilização da CLT e liberação da terceirização. Vai ser um ataque frontal ao direito dos trabalhadores. O pior vai ser a apropriação de R$ 220 bilhões em recursos que eram destinados às camadas populares, em todas as áreas, saúde, educação, moradia, reforma agrária. Isso para recompor o seu processo de acumulação. Tem ainda a apropriação dos bens da natureza. No Brasil ainda temos em oferta a energia elétrica e o petróleo. O minério de ferro não falo, pois já é deles! Eles precisam se apropriar do Pré Sal, a nossa grande riqueza natural. Eles precisam se apropriar, pois é a maior reserva conhecida do mundo. O Temer, em nome da burguesia, quer fazer esse trabalho. Seu governo golpista tem muitas contradições. O projeto neoliberal dele não é um projeto de nação, ao contrário. É um programa antinacional e antipopular. Os problemas só irão se agravar.

Quem afinal comanda o golpe?

A direita brasileira está desunida, não tem um núcleo. Tem o bloco de interesse do poder econômico representado pelo Meirelles, o bloco dos partidos conservadores como PMDB, PP, PPS, tucanos e o bloco ideológico comandado pela Globo, o Moro e o Ministério Público. Contradições destes três blocos, por falta de unidade política, podem nos ajudar.

E a classe trabalhadora no meio disso?

A classe trabalhadora tem enfrentado diversos desafios diante da crise. Apenas os setores organizados estão nas ruas, as manifestações não tem o povão que está atônito diante da luta de classes. Por que isso? Pelo fracasso ideológico dos partidos que pararam de fazer formação política, na incompetência dos governos Lula e Dilma de fazer aliança com a Globo ao invés de enfrentar o poder econômico. Hoje nós temos uma massa amorfa que está em casa vendo televisão. Nós temos que cutucar essa massa. O nosso desafio agora é trabalhar firmemente não só nos sindicatos, mas também nos movimentos populares, no sentido de uma greve geral. Se a classe trabalhadora não parar não terá força para sinalizar para a burguesia que é contra o arrocho. Esse é o desafio: a classe trabalhadora que produz sinalizar para o Temer que ela é um ator importante para o futuro da sociedade. Ai cabe uma autocrítica da esquerda de reconhecer que desaprendeu de fazer trabalho de base e de conscientização.

E os militares, são legalistas ou golpistas?

Os militares golpistas estão de pijama embora circulem nas redes sociais com discursos fascistóides. Os militares da ativa estão atônitos e receosos de ter um protagonismo maior. Cabe nos criarmos pontes com eles na defesa da democracia.

E qual é o desafio para as forças progressistas?

Temos que pensar num novo projeto para o país. O neodesenvolvimentismo da era Lula e Dilma esgotou. Não adianta achar que Lula 2018 vai resolver o problema apesar dele ainda ser o maior líder popular que nós temos. Se não tivermos um programa por trás não avançaremos. A conciliação com a burguesia é um casamento desfeito, não adianta insistir. Nós, como forças progressistas da sociedade, temos que debater e pensar em um novo projeto. O carro de som como forma de mobilização não serve mais.

É possível barrar o golpe?

Sim, temos chance. Tudo é possível diante do caráter golpista e antinacional do governo Temer. É preciso um intenso trabalho de mobilização em diferentes setores da sociedade como da saúde, da educação, da moradia, do campo. Temos ainda a perspectiva de uma greve geral como necessidade de mobilizar as massas. Nos dias 19 e 20 de julho vamos realizar um Tribunal Internacional para julgar os golpistas no Teatro Casagrande. O júri será formado por sete personalidades do mundo, entre eles Andrés Peres Ezquivel. O veredito será levado ao STF e aos senadores. Queremos ainda organizar uma grande marcha no dia 05 de agosto na abertura das Olimpíadas aproveitando que estarão na cidade mais de 20 mil jornalistas. Vamos ainda imprimir milhões de folhetos didáticos explicando a natureza do golpe. Existe também a possibilidade de entrarmos com um recurso no STF questionando o mérito do impeachment se vier a ser aprovado. Temos que associar o golpe ao STF para mostrar à sociedade que ele é conivente com o golpe.

E Dilma nisso tudo?

Ela tem de vir a público e divulgar uma carta compromisso com a sociedade. Não basta ela voltar. Tem de voltar com outro programa, outro ministério e esquecer esses partidos de merda do Congresso. Isso é urgente. É besteira ela sinalizar a direita com um plebiscito sobre a continuidade ou não de seu mandato. Até porque juridicamente é inviável.

E se o impeachment for aprovado?

Se for aprovado temos duas alternativas: recorrer ao STF para julgar o mérito da questão e paralelamente a isso lutar por um plebiscito que convoque uma Assembleia Constituinte para fazermos uma reforma política. Sem mudar o sistema eleitoral não teremos democracia representativa no país.

E um eventual governo Temer como será?

Não conseguirá governar uma semana do ponto de vista de ação política porque vai ser contra os trabalhadores. Vai aprofundar a crise e será instável.

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