11 de jul de 2016

Esquerda brasileira perdeu as ruas porque é ruim na internet, diz ativista digital espanhol

Toret foi uma das lideranças na rede do 15M
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Convocadas por diversos movimentos sociais com atuação na internet, em 15 de maio de 2011, milhares de pessoas ocuparam a praça Puerta del Sol, em Madri, em protesto contra as políticas de austeridade impostas pelo governo espanhol. Após o ato, um grupo de pessoas decidiu passar a noite acampado no local, mas foi violentamente reprimido pela polícia. Vídeos da ação policial viralizaram na internet e novos protestos foram convocados para o dia seguinte, espalhando-se rapidamente pelas principais cidades da Espanha. Surgia assim o movimento 15M, também conhecido como Os Indignados, que nos anos seguintes realizaria grandes mobilizações de massa e daria origem a partidos que mudariam o cenário político espanhol, sendo o principal deles o Podemos, responsável por ameaçar a histórica alternância do poder entre apenas dois partidos, o PP (centro-direita) e o PSOE (centro-esquerda).

Por trás do 15M, estavam uma série de ativistas digitais e intelectuais que, sem espaço na mídia tradicional, aproveitaram as redes sociais para conquistar espaço e dar um sentido para as mobilizações de massa. Um deles, Javier Toret Medina, passou por Porto Alegre na última semana, onde participou de reuniões com a pré-candidata à prefeitura de Porto Alegre Luciana Genro (PSOL) e conversou com o Sul21.

Toret explica que o 15M surge em um contexto de efervescência de discussão política na rede que vinha desde a crise econômica de 2008, que gerou a explosão do desemprego de jovens, e também contra a chamada Lei Sinde, que levava o nome da ex-ministra da cultura Ángeles González-Sinde e regulamentou o download de arquivos na internet. “Criou-se uma massa crítica na internet”, explica.

Somado a isso, também havia as recentes revoluções que ficaram conhecidas como Primavera Árabe e tiveram início na Tunísia, em 2010, e se caracterizavam por grandes mobilizações de massa sendo convocadas e divulgadas primordialmente por redes sociais.

Quando explodiu o movimento do 15M, esse caldo já existente fez com que as mobilizações populares rapidamente ganhassem uma grande dimensão, mesmo não sendo noticiadas pela mídia tradicional. “As pessoas estavam conectadas, porque queriam saber como tinham sido as outras manifestações, se tinham sido grandes. Quando saiu a Acampada Sol [acampamento na praça de Madri], todo mundo estava olhando os streams e o Twitter. No momento em que despejaram as pessoas à noite, os vídeos virais do despejo “bombaram”. Então, as pessoas convocaram [nova manifestação] para o dia seguinte. A solidariedade ante o despejo e o ato legítimo que era estar lá fez crescer o movimento”, explica Toret.

Ao mesmo tempo em que as mobilizações tomavam as ruas, também ganhavam força páginas e perfis nas redes sociais dos movimentos que estavam organizando as manifestações. A página Democracia Real Já, da qual Toret fazia parte, era uma das responsáveis por passar informações e fazer uma espécie de “controle da narrativa”. Outra era o perfil Acampada Sol, que transmitia ao vivo por streaming os atos. “Lembro que, no dia que reocuparam a praça, as pessoas começaram a cantar: ‘Ha em-pe-za-do la revolución‘ [Começou a revolução, em tradução livre]. Vendo o streaming, ficamos todos loucos. Vamos ocupar todas as praças!”

Através desse processo de retroalimentação entre rua e rede, mais de 8,5 milhões de pessoas participaram de alguma forma dos movimentos do 15M, segundo Javier, o que abriu a oportunidade para a mudança da cultura política na Espanha. “Já não acreditávamos no bipartidarismo. Eles não nos representam”, diz Toret. “As pessoas odeiam os partidos. Eu também, apesar de ter montado três”, brinca.

Também foi aberta porta para novas lideranças entrarem na esfera institucional, gestadas a partir das pautas do 15M. “Havia uma crise muito grande das instituições. Partidos e sindicatos existentes perderam muita popularidade, com índices de 10%, 15% e 20% [de aprovação]”, diz Toret. Por outro lado, após os atos, as plataformas e movimentos vinculados ao 15M gozavam de 70% e 75% de aprovação.

O primeiro partido que tentou reivindicar o DNA do 15M foi o Partido X, que carregava uma aura de ciberativismo que remetia ao Anonymus e aos partidos piratas de outros países da Europa. Posteriormente, surgiu o Podemos, ocupando uma posição à esquerda do tradicional PSOE e que logo em sua primeira eleição para o Parlamento Europeu elegeu cinco eurodeputados. “Uma força que não existia três meses antes”, diz. “O Podemos, em seis meses, era a primeira força em intenção de votos. Mas o que aconteceu? O poder reagiu. Os bancos diziam: ‘precisamos de um Podemos de direita’. As empresas apoiaram o partido Ciudadanos. Colocaram muita grana”, afirma, referindo-se ao Ciudadanos, outro partido que surgiu nos últimos anos e hoje é a quarta força política da Espanha.

Em junho de 2013, o Brasil também teve protestos semelhantes ao movimento dos indignados. Apesar de, inicialmente, serem consideradas mobilizações à esquerda do governo do PT, as jornadas de junho, pelo menos até agora, não conseguiram fazer a transição de suas pautas das ruas para o campo político. Ao contrário, gradativamente, as ruas foram sendo disputadas e ganhas por movimentos conservadores e de direita.

Um dos motivos que explicaria o efeito seria a falta de organização na internet. Diferentemente da Espanha, a narrativa das redes sobre as manifestações não foram controladas por quem as estava organizando nas ruas. “Analisando os gráficos do Twitter sobre as mobilizações de junho, só aparece a direita. Das manifestações que ocorreram desde 2011, Primavera Árabe, Occupy Wall Street, Espanha, Turquia, Hong Kong, Paris, o único lugar onde os gráficos mostram a direita na liderança das redes é o Brasil”, afirma Toret. “Também porque os movimentos de esquerda daqui são inúteis na internet. São muito ruins”, dispara.

Como problema de atuação nas redes, Toret cita, por exemplo, que o Movimento Passe Livre, que pode ser identificado como o principal desencadeador das mobilizações, sequer tinha um perfil no Twitter para expressar suas posições ou ao menos criar hashtags para difundir os atos. “Se só tivessem perfil, sem ter tuitado, teriam milhares de seguidores. Mas renunciaram. A direita pensou: ‘perfeito'”, afirma.

Por outro lado, Toret diz que os movimentos que compunham o 15M tinham a preocupação de pautar diariamente a comunicação da mobilização e colocavam nessa tarefa os melhores ativistas digitais, o que incluía ele próprio. Também eram movimentos que carregavam a bandeira dos “sem partido”, mas existiam cabeças por trás e lideranças coletivas, segundo Toret. “Os perfis mais importantes foram uma escola para os demais”, afirma.

Da Espanha para a eleição de Porto Alegre

De ativista, Toret se transformou em um dos principais analistas de atividade política nas redes sociais de se país, com um relevante trabalho em análise e investigação de dados. Ele coordenou as redes sociais da vitoriosa campanha Ada Colau para prefeita de Barcelona, em 2015.

Uma das principais caras novas da política espanhola que surgiu na esteira do 15M, Ada Colau tinha uma trajetória de ativismo social a partir do início do século, mas sem ligação com partidos. Mesmo assim, logo em sua primeira eleição, como líder de uma coligação de partidos de esquerda, a Barcelona en Comú (BC), da qual o Podemos era o partido mais forte, conseguiu a vitória.

“Tivemos uma rede de ativistas digitais muito boa e trabalhamos muito para que a nossa base digital tivesse força na campanha. Cada ativista era um meio de comunicação. Nós tivemos cinco vezes mais menções e retuítes do que a segunda força em Barcelona. Tivemos 53 horas de trending topic em Barcelona e 47 na Espanha. O segundo partido de Barcelona teve uma hora”, diz Javier.

Surgida na onda do movimento 15M e com apoio de seus ativistas digitais, esta nova coligação de esquerda já controla sete prefeituras, incluindo Barcelona e a capital Madri, e, nas últimas eleições gerais, realizadas em junho, obteve 71 deputados — ainda insuficiente para assumir o governo da Espanha, mas capaz de se consolidar como uma força a ser ouvida no Parlamento espanhol.

Apesar de serem gestões novas, os governos de esquerda de Barcelona e Madri tem como uma das principais políticas a ampliação da participação popular pela internet. “São plataformas de democracia em rede e democracia digital que permitem que as pessoas façam propostas, possam debater e votar. No caso de Madri, precisa ter apoio de 2% do censo, 50 mil assinaturas, para que vá diretamente à votação no conselho municipal [equivalente à Câmara de Vereadores] e o governo de Madri assume o compromisso de apoiar essas propostas”, explica Toret.

Já em Barcelona, segundo Toret, o novo Plano Diretor da cidade está sendo moldado a partir de discussões em uma plataforma digital, tendo tido a participação de mais de 20 mil pessoas online e de 10 mil em audiências presenciais.

São estas experiências digitais, tanto em termos eleitorais quanto de gestão democratizada — um conceito que ele chama de tecnopolítica —, que Toret está trazendo para ajudar na campanha de Luciana Genro em Porto Alegre.

Luís Eduardo Gomes
No Sul21
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PT e PC do B voltam a brincar com fogo


Se houver dúvida sobre o significado da expressão “cretinismo parlamentar”, os principais partidos da esquerda brasileira correm o risco de esclarecê-la cabalmente.

Setores relevantes das bancadas do PT e do PCdoB na Câmara dos Deputados, ao flertar com o apoio a Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a chefia da casa, apresentam-se para queimar em praça pública a bandeira da luta antigolpista.

Traduz-se como vergonha e erro grosseiro, afinal, a simples especulação sobre a possibilidade de alinhamento com um dos expoentes da campanha do impeachment da presidente Dilma Rousseff, além de representante visceral da agenda conservadora.

Vale mesmo a pena dar um tapa na cara da resistência democrática e popular, em troca de duvidosos benefícios no jogo interno e de fantasiosa expectativa na divisão da base do governo Temer?

Não ocorre aos defensores dessa iniciativa o perigo real e imediato de desmoralizar o discurso que vem permitindo unificar as mais diversas vozes progressistas, marcado pela demarcação incontestável de fronteiras com o campo do golpismo?

Aqueles que defendem essa aventura parecem fechar os olhos às mudanças da situação política, que deveriam obrigar a uma ampla revisão do esquema de raciocínio que, convenhamos, levou a esquerda à beira do precipício.

Antes de mais nada, o centro espacial da acumulação de forças, do ponto de vista das correntes populares, se deslocou para a luta social. A consolidação de uma maioria antidemocrática que capturou o governo, o parlamento e as demais trincheiras do Estado transforma em fluxo principal o cerco das instituições pelas ruas, a serviço do qual deveriam estar as batalhas e manobras parlamentares. Nada do que esfria ou divide o povo em movimento deveria ser nem sequer cogitado.

O que mais a esquerda precisa, nos dias que correm, é recompor sua identidade e fundi-la outra vez com os anseios de sua base social histórica, mesmo que o custo disso seja um período de relativo isolamento, como é próprio dos ciclos políticos que sucedem às derrotas.

Obviamente que tal perspectiva não elimina a necessidade de alianças e pactos, mas deveria subordiná-los ao objetivo, nessa etapa defensiva, de reconstruir o núcleo duro do bloco político liderado pelo PT.

A esquerda poderia apoiar um candidato de centro que tenha votado contra o golpe, por exemplo, mas se associar a um representante da intentona contra a presidente Dilma Rousseff é flagrante tiro no pé. Melhor perder com um nome de suas próprias fileiras do que colidir, mais uma vez, com o sentimento do asfalto.

Breno Altman
Do Opera Mundi
No Viomundo
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Requião entrevistado por Mariana Godoy


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Temer confessa crime de lesa democracia ao dizer que age como efetivo mesmo sendo só um interino

Olha para a frente e não vê nada
Não sei o que é pior: Temer dizer que age como efetivo apesar de saber que é interino ou os entrevistadores da Folha, diante desse absurdo, não manifestarem estranheza na entrevista publicada neste domingo.

É o encontro do interino sem noção com o jornal entorpecido.

Interino tem que agir como interino. Só pode agir como efetivo depois que for etetivado.

É um fato básico da civilização e da democracia, mas Temer e a Folha parecem não saber disso.

Ou pior: Temer sabe, mas se finge de morto já que ninguém lhe cobra nada.

Como um falso efetivo, ele tomada medidas para ajudá-lo a ser mais que um interino. Nomeia pessoas ligadas a senadores supostamente indecisos, como Romário.

É legítimo? É legal? É constitucional? É decente? Há um nome para isso: usurpação. Ou golpe.

Temer é um usurpador.

George Orwell, o grande autor britânico de 1984, defendia um conceito para a vida em sociedade: a decência básica. The common decency. Temer ofende a decência básica com seu comportamento.

Imagine que o impeachment não seja aprovado na votação decisiva. O que você faz com todas as coisas feitas por Temer indevidamente? Nomeações, medidas, estas coisas todas de que ele deveria se abster enquanto fosse provisório?

Demite todo mundo, revoga tudo?

É uma irresponsabilidade, além do mais. Temer já tem idade suficiente para saber disso.

O país sofre de uma doença, disse outro dia. Temerite. Temerite aguda, derivada de um mero interino que insensatamente age como se fosse dono de milhões de votos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Debate: Em Defesa da EBC e da Comunicação Pública — assista ao vivo

 Transmissão Encerrada 


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Delação de Valério tem gente do governo Temer


O advogado responsável pelas negociações da delação premiada de Marcos Valério com o Ministério Público de Minas Gerais afirma que ele promete revelar “entre 15 e 20” autoridades, que incluiriam atuais integrantes do governo do presidente interino Michel Temer, políticos do PT, do PSDB, do PMDB e de outras siglas, em troca benefícios.

São pessoas que teriam ligação com crimes do chamado mensalão tucano, que envolveu o então governador Eduardo Azeredo (PSDB), do mensalão do PT e da Lava Jato. "Tem gente sobre quem ele pode falar e ainda não apareceu", disse Jean Robert Kobayashi, em entrevista ao Valor.

"Tem deputados estaduais, federais, senadores e ex-senadores. Alguns não teriam sido reeleitos se ele já tivesse feito a delação", disse o advogado. "Tem também gente do atual governo de Michel Temer".

A Lava Jato já derrubou três ministros de Temer: Henrique Eduardo Alves (PMDB), do Ministério do Turismo, Romero Jucá, ex-titular do Planejamento, e Fabiano Silveira, que chefiava a pasta da Transparência.

Valério foi condenado em 2012 a 37 anos de prisão pelo esquema do chamado mensalão do PT (leia aqui).

No 247
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DCM joga novas luzes sobre o Escândalo do Banestado

Moro, FHC, Youssef: personagens de uma história malcontada
Se alguém suspeita de parcialidade da Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário na caça aos corruptos deve comparar a Lava Jato com o quase esquecido Escândalo Banestado para tirar sua conclusão.

Foi o escândalo da hora na Era FHC, entre 1996 e 2003, também nas mãos do juiz Sérgio Moro, mas sem a pirotecnia do Petrolão.

Um retrato da época mostra que nem todo delegado federal é um caçador de petistas.

Que nem todo procurador do MPF investiga corruptos em nome de Deus.

E que o juiz premiado não teve o mesmo apetite justiceiro diante dos poderosos do tucanato.

O Escândalo do Banestado serviu de modelo para as grandes operações midiáticas Mensalão e Petrolão da Era Lula-Dilma e é o melhor exemplo do pior das três instituições, cinco se incluídos Legislativo e Imprensa.

Nele, apurou-se que 124 bilhões de dólares foram levados e lavados no exterior.

Nele, estavam envolvidos grandes empresas (Globo) e políticos expressivos.

Mas estranhamente a CPI do caso deu em nada.

E o Judiciário, no primeiro grande caso nas mãos de Moro, jogou pesado com laranjas, prendendo apenas chinelões.

O procurador Celso Três e o delegado José Castilho levantaram a tampa do esgoto e se deram mal — suas carreiras acabaram quando denunciaram tucanos e seus aliados.

Castilho e Três viraram críticos das instituições em que trabalham. A experiência pioneira deles foi desprezada pela cúpula.

Hoje seus nomes ainda são respeitados entre a maioria dos colegas. Mas seus exemplos de seriedade, honestidade e competência não empolgaram as novas gerações. Muitos viram que agir como eles é ruim para a carreira.

Ninguém duvida: suas carreiras estagnaram por apontar culpados com longa folha de serviços prestados à elite que domina o país há séculos, o verdadeiro centro do poder.

Esta é a história deles.

Castilho
Castilho
Delegado Castilho: “Lava Jato vai pegar Renan, Jucá, Cunha e Temer”

“Tenho convicção que a Lava Jato pegará Renan (Calheiros, presidente do Senado), Jucá (Romero, senador), Cunha (presidente afastado da Câmara) e até o Temer (Michel, presidente da República)”, disse o delegado federal José Castilho Neto, 56, em entrevista ao DCM.

Castilho é referência dentro da PF. Tem fama de competente e incorruptível.

Está na geladeira desde que conduziu o inquérito do Escândalo do Banestado, no governo tucano de FHC — rombo de 124 bilhões de dólares que bota Mensalão e Petrolão no chinelo.

Castilho diz que “a Lava Jato não está só atrás de petistas, como parece. Ela busca atingir a corrupção no núcleo do poder da República, agora é a vez de ir atrás dos outros”.

Acredita nisso “porque é a PF e o MPF que estão comandando a luta contra a corrupção, o juiz Sérgio Moro só se manifesta com base nas ações e pedidos destas duas instituições”.

Castilho está na geladeira da PF desde 2003, quando esteve no auge, na transição de FHC para Lula. O posto dele em Joinville é considerado menor: “É o meu exílio profissional”.

Ele acredita que foi posto lá porque “denunciei na TV o envolvimento de gente da cúpula do governo FHC no caso Banestado”. Castilho afirma que “a linha divisória entre a impunidade da classe dominante e período de vigência da lei foi o caso Banestado”.

Ele é considerado precursor no uso das técnicas de investigação adotadas pelas equipes da PF. Castilho já tinha trabalhado com o juiz Moro no Banestado, onde rastreou contas internacionais de empresários e políticos. Foi o primeiro a prender o doleiro Alberto Youssef, o delator zero do Petrolão.

Castilho revela mágoas por ter sido afastado na transição do governo FHC para Lula “pela panelinha que comanda a PF”, mas acha que a vida é assim, “é a dinâmica do poder”.

Ele atribui sua queda e exílio em Joinville (depois de outros postos menores ainda) porque “fiz a denúncia pública dos nomes de gente poderosa cujas contas no exterior foram reveladas, entre eles Jorge Bornhausen, José Serra, Sérgio Motta e do operador de FHC, Ricardo Oliveira”.

Castilho lembra que estava em Nova York trabalhando no rastreamento quando foi chamado de volta e afastado da operação. Foi quando ele procurou a mídia para fazer as denúncias.

Encontrou um paredão, porque entre as empresas que usaram o recurso ilegal de enviar dólares para o exterior estavam Rede Globo, Editora Abril, RBS e Correio Braziliense.

Seu momento de glória foi fazer a denúncia na Record, num programa nas altas horas, audiência quase zero — digite o nome do delegado e veja no You Tube. Em 2003, o caso Banestado rendeu uma CPI que deu em pizza.

Castilho foi a estrela dela, levando um livrão verde com a lista dos nomes de 3 mil pessoas com contas em dólar no esquema, entre mandantes e laranjas. Ele brandiu o livro no ar no plenário da Câmara, sem sucesso: “Havia gente poderosa envolvida, tinha gente lá de dentro, é claro que iriam abafar e foi o que fizeram”.

Ele diz que no início do governo Lula foi trazido de volta ao lado bom da carreira por iniciativa de José Dirceu. “Mal eu comecei a mexer, fui outra vez afastado, definitivamente”. Castilho sorri quando explica sua versão: “Acharam que eu era petista, mas não sou nada. Sou contra a corrupção. Acho que o pessoal do PT aprendeu como se fazia no Banestado e preferiu não mexer no esquema”.

O Banestado sumiu da mídia quando começou o Mensalão. E o Petrolão substituiu o Mensalão.

Castilho diz acreditar que “o pessoal (da PF) que hoje atua na Lava Jato é movido não por sua preferência política, como muitos acreditam, porque cada um tem a sua, mas sim por uma imensa vaidade. É a mídia, é querer aparecer, estar na vanguarda, tudo pura vaidade”.

Para Castilho o episódio em que Moro jogou no ar a gravação do tchau querida “foi um erro”. Aí, pensou um pouco e elaborou uma frase mais light: “Muito antes de eventuais desvios (do juiz) há um mar de descumprimentos legais”.

Castilho disse que a PF foi modernizada na Era Lula e cresceu muito. “Ganhamos verbas, carros, tudo, mas o foco eram prefeitinhos e pequenos casos regionais”, lamentou.

Ele acredita que “por muito tempo a maior operação da PF foi a ‘cortina de fumaça’, qualquer coisa que não chegasse ao núcleo do poder”.

Castilho acha que “no governo FHC não havia interesse em ir fundo, porque era um governo corrupto. Depois, a PF modernizada foi atrás dos prefeitinhos. Só agora é que o foco está em derrubar o núcleo no poder, seja de que partido for”.

Ele admite que “mesmo assim o que se vê é uma mira certeira em partidos de esquerda e outros que deram sustentação a um governo de centro-esquerda”.

Castilho se sente orgulhoso de ter contribuído no combate contra a corrupção. Ensina às novas gerações de delegados que “dinheiro não some, alguém fica com ele” e que o caminho “é sempre seguir a trilha dele”.

O delegado disse que fez sua parte “deixando uma longa lista de criminosos de colarinho branco que continua em ação, mas que já foram identificados. Está tudo num arquivo digital na Divisão de Ações contra Ilícitos Financeiros, que deixei lá”. Segundo ele “ali está o mapa da corrupção, estranhamente abandonado”.

Com sua experiência, sabe que seria mais útil se pudesse voltar ao núcleo de elite da PF.

Aceita, no entanto, o destino: “Minha rotina é perigosa, mas é a mesma de muitos policiais. Acordo cedo, boto uma pistola na cintura e saio com minha equipe para caçar traficantes. Alguém tem que fazer este trabalho.”

Três
Três



Procurador Celso Três: “Conspiração da Justiça derrubou Dilma”

O procurador federal Celso Antônio Três (55), membro do grupo anticorrupção do MPF, é um crítico da Lava Jato: “Janot (Rodrigo, procurador geral) e Sérgio Moro fizeram uma conspiração da Justiça contra a política para dar o golpe que derrubou a presidente Dilma”.

Ele fala com a autoridade de ter sido o primeiro procurador federal a seguir a trilha de volumosa quantia de dinheiro desviado do Brasil para o exterior — o Escândalo Banestado em 2003. Um trabalho de investigação monumental, sem os recursos que o MPF tem hoje.

Em entrevista ao DCM o procurador afirmou que “é inconcebível essa intromissão da Justiça na política. É evidente que o que vai ficar na história não é essa coisa ridícula da pedalada fiscal, mas sim a existência de uma conspiração. A divulgação da gravação da conversa Dilma-Lula foi uma ilegalidade, e isto é inaceitável vindo de um juiz”.

Celso critica, também, a prisão do senador Delcídio Amaral. “A Constituição é clara quando diz que um senador só pode ser preso em flagrante delito e por crime inafiançável.”

Para o procurador “se houve alguma transgressão foi da própria Justiça, que cometeu ‘um crime de hermenêutica’ ” (de interpretação da lei) — esta é a palavra usada de forma irônica dos juristas para criticar o sistema: “Eles foram torcendo a lei até achar um jeito de enquadrá-lo e forçar a delação”.

Assinalou que “outra coisa grave é querer condenar políticos por receber doações legais. Se está na lei, não é vantagem indevida. Esta história de que um parlamentar pode ser condenado se o dinheiro veio de um desvio (no caso, da Petrobras) é bobagem, porque precisa se provar que ele tenha participado da origem do desvio”.

Celso Três fala com a experiência de ter sido entre 1996 e 2003 o nome mais importante do MPF, por sua atuação firme e corajosa no Caso Banestado.

Com base na atuação dele o MPF passou a criar grupos especializados em crimes financeiros. O Judiciário também criou varas idênticas, sendo a primeira delas a do juiz Sérgio Moro. Banestado, Mensalão e Petrolão se ligam porque muitos dos procuradores e o juiz Moro trabalharam em todos eles.

Três vê na Lava Jato “uma excrescência jurídica e com claros atropelos da Constituição”. Ele trabalhou com alguns dos integrantes do MPF que hoje estão na força-tarefa da Lava Jato e acredita que “existe uma natural exacerbação que parece de boa fé, mas inaceitável. É ridículo um procurador invocar Deus” (referindo-se, sem citar, ao chefe da equipe de procuradores, Deltan Dallagnol).

O procurador disse ainda que “mais atropelos vêm aí, como aquele pacote de 10 medidas anticorrupção enviado ao Congresso. Não é tarefa do MPF, e além do mais tem erros grosseiros no item das nulidades, só vai piorar as coisas se for aprovado”. Três disse também que “a Justiça tem efeito indevido na política, mas o Brasil é movido por tsunamis”.

Três comandou o inquérito das contas CC5 do Caso Banestado. O modelo de investigação quebrou o sigilo de milhares de pessoas e empresas, flagrando as irregularidades.

Ele ainda hoje mantém cópia dos volumes do inquérito em seu gabinete. Gosta de exibi-los aos interessados. “Nunca se pôde fazer justiça porque o governo FHC tinha altos membros envolvidos. Parte do dinheiro serviu para compra de votos para a reeleição dele, outro escândalo da época”, lembra, manuseando os documentos.

“Nós do MPF tivemos que desmembrar cada ação por domicílio fiscal dos suspeitos, o que se tornou um pesadelo. O Banco Central e a PF nunca colaboraram efetivamente, até atrapalhavam as investigações, visivelmente por ordem do Executivo. Por causa disso os principais mandantes nunca foram presos”.

Celso diz que “os efeitos do caso Banestado até hoje são sentidos. O atual governador do Paraná, Beto Richa, tinha despachado para o exterior 1 milhão de dólares, sem comprovar a origem do dinheiro”.

Ele exibe documentos e mostra que o Banco Araucária (do ex-senador e governador biônico catarinense Jorge Bornhausen) enviou para o exterior 2,4 bilhões de dólares.

“Nossa experiência de combate à corrupção serviu como modelo para a Lava Jato. Não pudemos avançar porque a CPI deu em pizza. E um dos entraves foi quando flagramos a Rede Globo e a RBS mandando dinheiro para fora”.

A carreira de Três declinou depois que ele fez as denúncias da mídia para a mídia – nunca foi indicado para nenhum prêmio. Pior: só recebeu ameaças de morte. Foi movido para outras comarcas.

Lotado em Santa Catarina no ano 2000, iniciou um processo que o botou na geladeira de vez: tentou quebrar o monopólio da RBS (repetidora da Globo) no estado. Ele sustenta que a empresa “monopolizou a imprensa em SC, controla rádio, jornais e TVs, ferindo a Constituição”.

O caso ainda está pendente de decisão do TRF4, em Porto Alegre. Celso Três é procurador em Novo Hamburgo, no interior do Rio Grande do Sul.

Entenda o Escândalo do Banestado

O que é: maior caso de evasão de divisas do Brasil.

Quanto: 128 bilhões de dólares. Quase 420 bilhões de reais ao câmbio atual.

Quando: 1996 a 2003.

Onde: epicentro em Foz do Iguaçu (PR), com raio de ação em todo Brasil, Nova Iorque e Bahamas.

Origem do nome: o caso foi descoberto na agência do Banestado, em Foz do Iguaçu.

Investigados: 3 mil pessoas, empreiteiras, mídia, bancos e casas de câmbio.

Condenados: 26 laranjas, nenhum político ou empresário poderoso.

Legado: o modelo de investigação internacional reinventou o papel do Ministério Público Federal, criou as bases da moderna Polícia Federal para investigar crimes financeiros, obrigou o Judiciário a criar varas especializadas como aquela que Sérgio Moro comanda, forçou o Executivo a reequipar a PF e o MPF, e serviu de modelo para a Lava Jato.

Personagens: Procurador do MPF Celso Três e delegado da PF José Castilho Neto.

Como foi

Mídia envia dinheiro ao exterior e boicota escândalo

Políticos e empresários usaram doleiros e laranjas para remeter dinheiro para paraísos fiscais entre 1996 e 2003, burlando o sistema legal de remessa pelas contas internacionais conhecidas como CC5 (por isso também conhecido como Escândalo das CC5). O MPF em Foz do Iguaçu descobriu a fraude porque a agência local do Banestado enviou para a agência de Nova York cerca de 30 bilhões de dólares — o total com outros bancos chegou aos 124 bilhões.

A movimentação era demais naquele final dos anos 90 e levou o até então desconhecido procurador Celso Três a começar a investigação. Como o MPF não tinha técnicos e supercomputadores, quem deu início ao rastreamento de contas pela internet foi um motorista do órgão. Apaixonado por computadores, ele usou um PC apreendido de contrabandistas para descobrir a fraude.

O procurador formou dupla com o delegado federal José Castilho Neto para levar a investigação aos Estados Unidos, seguindo a trilha do dinheiro enviado para o exterior. A investigação identificou dezenas de doleiros, entre eles o mesmo Alberto Youssef delator da Operação Lava Jato, e cerca de 3 mil laranjas (pessoas comuns, usadas por políticos e empresários para enviar dinheiro em seus nomes).

Foram flagrados com remessas ilegais os políticos Jorge Bornhausen, José Serra, Sérgio Motta (já falecido), Ricardo Oliveira (operador nas campanhas de FHC e José Serra) e até o jovem Carlos Alberto Richa (Beto Richa), hoje governador do Paraná, que remeteu 1 milhão de dólares. Quase todos eram da cúpula do governo FHC. O doleiro Youssef foi preso e tornou-se delator pela primeira vez. O trabalho do procurador e do delegado deu base para a abertura de uma CPI, em 2003.

A mídia promoveu boicote depois que foram apresentados documentos de remessa ilegal de dinheiro pela Rede Globo, Editora Abril, RBS e Correio Braziliense. No front político, a investigação do Banestado morreu na CPI. No front jurídico, o MPF e a PF foram esvaziados, perdendo poderes. Ainda em 2003, quase no final, um novo juiz assumiu o caso: Sérgio Moro. Mas as investigações não avançaram.

O procurador e o delegado foram afastados. A investigação foi desmembrada, numa decisão que depois se mostrou equivocada ou, quem sabe, muito bem calculada para chegar aonde chegou: a nada. Cada laranja deveria enfrentar processo em seu domicílio fiscal, em dezenas de comarcas pelo Brasil. Houve 91 prisões de ”peixes miúdos”, do quais só 26 foram efetivamente fisgados. Muitas das ações ainda estão dormindo nos tribunais. Parece que a Justiça se desinteressou depois que o Mensalão (2004) pintou na mídia. É um pesadelo logístico saber quantas ações do caso Banestado já caducaram.

Renan Antunes de Oliveira
No DCM
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Apartamento de FHC em Hygyenopolis é uma lavagem?

Esse é outro "moralista sem moral"! Não é isso, Mirian?



FHC é liberado de hospital e passa bem após implante de marcapasso

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que passou por uma cirurgia para implantação de marca-passo neste sábado (9), teve alta no mesmo dia e passa bem.

Ele foi liberado do HCor (Hospital do Coração), onde passou pelo procedimento, às 21h e voltou para casa.

Por meio da página do ex-presidente no Facebook, sua assessoria informou que FHC "agradece as manifestações de apoio que tem recebido" e que "muito ainda dará de sua contribuição para recolocar o Brasil nos trilhos da decência e do desenvolvimento".

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Chegou a hora de os brasileiros conhecerem os pecados de Serra

Hipócrita
Estava demorando demais para o nome de Serra aparecer nas delações.

Não mais.

Neste domingo, o colunista Lauro Jardim, do Globo, afirmou que Serra será citado em duas superdelações, ambas de empreiteiras com antigos vínculos com o PSDB, OAS e Odebrecht.

Não que Serra esteja na iminência de colocar uma tornozeleira. Moro e a Lava Jato são parciais demais para punir tucanos, e Serra é amiguinho dos donos da mídia.

Mas as citações têm um valor simbólico que não se deve desprezar. Cai a máscara de mais um tucano demagogo, cínico, hipócrita, um moralista canastrão que acusa à luz do dia outros por coisas que faz no escuro.

Serra é da mesma turma, ou gangue, de FHC e Aécio. Ambos não hesitaram nos últimos anos em chamar os adversários petistas de corruptos mesmo tendo um passado tenebroso. Não só o passado, aliás.

São políticos que se locupletam e ao mesmo tempo manipulam os brasileiros. Falam abusiva e malandramente de corrupção para desviar a sociedade do debate sobre o verdadeiro câncer nacional: a desigualdade.

Prevaricaram sempre na certeza da eterna impunidade.

Eles nunca tiveram sequer o constrangimento moral de serem vinculados a atos corruptos. A imprensa cuidou de zelar pela imagem de pureza — fajuta — deles.

Só recentemente, com as delações de gente como Sérgio Machado, a festa acabou. A frase que marca o choque de realidade é exatamente de Machado. “Fui dez anos do PSDB. Não sobra ninguém.”

Todos têm seus esquemas. Apenas nada era noticiado. As denúncias de corrupção nas manchetes de jornais e revistas — boa parte delas frágeis ou até inventadas — sempre estiveram concentradas no PT.

É um avanço enorme para o país que políticos do naipe de Aécio e Serra já não possam mais fazer campanhas à base do mentiroso combate à corrupção.

É como aqueles pastores conservadores que condenam selvagemente a homossexualidade e depois são pilhados numa boa gay. Pelo menos você pode saber que o discurso de ódio deles morreu.

Serra não é só um demagogo. É um inepto. Em seus dias de prefeito de São Paulo não conseguiu salvar sequer as árvores da cidade, que desabavam a cada chuva mais morte. Levou também constantes bailes dos pernilongos paulistanos.

No governo de São Paulo tagarelou sobre meritocracia ao mesmo tempo que arrumava cargos para a família de Soninha. No Senado, deu um cabide para a irmã da ex-amante de FHC.

Serra é um caso de ambição maior que a competência. Acha que nasceu para ser presidente, embora os eleitores estejam cansados de dizer que não concordam.

Demorou, mas, graças às delações da OAS e da Odebrecht, os brasileiros estão prestes a conhecer o Serra real.

É medonho.

Paulo Nogueira
No DCM
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Cunha quer acordo com prisão para livrar mulher e filha


A equipe de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz que o parlamentar reconhece a resistência do Ministério Público Federal de aceitar uma delação feita por ele.

No entanto, pensa que os procuradores concordariam com um acordo em que ele ficasse preso, mas por menos tempo — e em que sua mulher, Claudia Cruz, e uma de suas filhas fossem poupadas, diz a colunista Mônica Bergamo.

Os advogados de Claudia Cruz entregam nesta semana a defesa dela no processo em que é acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.



No 247
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Marilena Chauí - aula pública na Av. Paulista


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Tucano Aloysio Nunes é citado pela segunda vez em delação sobre caixa 2

O senador, líder do governo interino no Senado, foi acusado mais uma vez, agora por outro executivo, de ter recebido R$200 mil em dinheiro vivo da UTC durante sua campanha em 2010. No ano passado, dono da empreiteira já havia relatado o caixa 2


Um dos principais articuladores do impeachment no Congresso, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi citado pela segunda vez em uma delação premiada sobre caixa 2. Depois de ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta da delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, em que revelou ter pago em dinheiro vivo e de maneira ilegal R$200 mil a campanha do tucano em 2010, Nunes foi citado em delação mais recente por outro executivo da empresa.

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro, revelou que pagou R$300 mil de forma oficial à campanha do senador e que os outros R$200 mil de caixa 2, solicitados por Aloysio, teriam sido pagos em dinheiro vivo na sede da UTC, em São Paulo, ao advogado Marco Moro, amigo pessoal do tucano.

Tanto Aloysio, atual líder do governo interino no Senado, quanto o advogado Marco Moro negam que tenham recebido recursos de maneira ilegal.

Com informações da Folha de S. Paulo

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Em menos de um ano, 400 palestinos são presos em Israel por postagens no Facebook

Somente neste ano, foram abertas 155 investigações sob a alegação de incitação por meio de redes sociais

Empresa forneceu quase metade das informações solicitadas pelas autoridades israrlenses
De acordo com uma denúncia feita pelo site de jornalismo investigativo The Intercept, cerca de 400 palestinos foram presos por forças israelenses por atividade em redes sociais desde outubro de 2015.

Autoridades israelenses culpam o Facebook de ter incitado a onda de ataques violentos de palestinos em outubro do ano passado. Desde então, as forças de segurança do país prenderam centenas de palestinos envolvidos com atividades em redes sociais, de acordo com os grupos de direitos humanos Addameer e Adalah. A maior parte das prisões se devem a postagens no Facebook.

Somente neste ano, a procuradoria-geral israelense abriu 155 investigações sob a alegação de incitação por meio de redes sociais. O número representa um aumento com relação aos anos anteriores.

De acordo com o jornal local Haaretz, embora a lei se aplique a todos os cidadãos e residentes, a vasta maioria das punições têm sido direcionadas a árabes que vivem em Israel.

Durante a chamada Operação Margem Protetora, Sohaib Zahda foi o primeiro palestino nos territórios ocupados a ser preso por postagens em redes sociais. Até então, somente palestinos vivendo em Israel tinham sido detidos.

De acordo com Amit Meyer, ex-integrante da unidade militar 8200, equivalente à Agência Nacional de Segurança, a coleta de informações no Facebook era prioridade quando serviu ao Exército de 2010 a 2013. Ele explica que usuários da rede social postam muita informação aberta, o que torna o trabalho de entender as relações palestinas mais fácil.

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Snowden: Denunciar não são apenas vazamentos, mas um ato de resistência política

“Esperei 40 anos por alguém como você”. Estas foram as primeiras palavras que Daniel Ellsberg [1] me disse quando nos conhecemos no ano passado.  Dan e eu sentimos uma afinidade imediata; ambos sabíamos o que significou arriscar tanto — e ser inequivocadamente transformado — por revelar verdades secretas.

Um dos desafios de ser um denunciante é viver sabendo que haverá gente que seguirá sentada, assim como você fez, naquelas mesas, naquela  unidade, em toda a agência, vendo o que você viu e aceitando em silêncio, sem resistência ou reclamação. Eles aprendem a viver não só com inverdades mas com inverdades desnecessárias, inverdades perigosas, inverdades corrosivas. É uma dupla tragédia: O que começa como uma estratégia de sobrevivência termina comprometendo o ser humano que buscava preservar e diminuindo a democracia que justificava o sacrifício.

Mas ao contrário de Dan Ellsberg, eu não tive que esperar 40 anos para testemunhar outros cidadãos quebrarem esse silêncio com documentos. Ellsberg deu os Documentos do Pentágono para o New York Times e outros jornais em 1971;  Chelsea Manning forneceu os registros do Iraque e da guerra do Afeganistão e os materiais Cablegate para WikiLeaks em 2010. Eu fiz meu aparecimento público em 2013. Agora, aqui estamos em 2016, e outra pessoa de coragem e consciência disponibilizou um conjunto extraordinário de documentos que estão publicados em The Assassin Complex, o novo livro  lançado hoje por  por Jeremy Scahill e o pessoal do Intercept (Os documentos foram originalmente publicado em 15 de outubro passado em The Drone Papers).

Estamos sendo testemunhas de uma redução do tempo em que as más políticas se escondem nas sombras, o período de tempo em que as atividades inconstitucionais podem continuar antes de serem expostas por atos de consciência. E esta redução temporal tem um significado além das manchetes imediatas; ele permite que as pessoas deste país possam aprender sobre ações governamentais críticas, não como parte do registro histórico, mas de uma forma que permite a ação direta mediante o voto — em outras palavras, de forma que empodera uma cidadania informada para defender a democracia que os “segredos de Estado” pretendem nominalmente defender. Quando vejo indivíduos que são capazes de expor informação, tenho a esperança de que não será sempre necessário restringir as atividades ilegais de nosso governo como se fosse uma tarefa constante, arrancar pela raiz a violação oficial da lei de forma tão rotineira como cortamos a grama (curiosamente, é assim que alguns começaram a descrever as operações de assassinatos remotos, como “cortar a grama”).

Um único ato de denúncia não altera a realidade de que há partes significativas do governo que operam abaixo da superfície, fora da visibilidade do público. Essas atividades secretas continuarão apesar das reformas. Mas aqueles que executarem essas ações têm agora que viver com o medo de que se eles se envolverem em atividades contrárias ao espírito da sociedade — se mesmo um único cidadão é catalisado para parar a máquina dessa injustiça — eles ainda podem ser responsabilizados. O fio que sustenta a boa governança é a igualdade perante a lei, o único medo do homem que gira as engrenagens é que ele pode encontrar-se frente a elas.

A esperança está além, quando passamos de atos extraordinários de revelação para uma cultura coletiva de responsabilidade dentro da comunidade de inteligência. Aqui teremos dado um passo significativo para a solução de um problema que existe há tanto tempo quanto o nosso governo.

Nem todos os vazamentos são iguais, nem são seus autores. O general David Petraeus [2], por exemplo, forneceu a sua amante ilícita e biógrafa favorável, informação tão secreta que desafiou a classificação, incluindo os nomes dos agentes secretos e pensamentos privados do presidente sobre assuntos de interesse estratégico. Petraeus não foi acusado de um crime, como o Departamento de Justiça tinha inicialmente recomendado, mas em vez disso foi autorizado a se declarar culpado de um delito. Fosse um soldado alistado de posição modesta que tivesse sacado uma pilha de cadernos altamente classificadas e entregado  à sua namorada para conseguir um sorriso, ele estaria olhando para muitas décadas de prisão, não um monte de referências do tipo “Quem é quem do Estado profundo”.

Existem vazamentos autorizados e divulgações também permitidas. É raro que altos funcionários do governo peçam explicitamente a um subordinado que vaze o nome de uma agente da CIA para retaliar contra o seu marido, como parece ter sido o caso de Valerie Plame [3]. É igualmente raro que passe um mês sem que algum alto funcionário não divulge algumas informações protegidas que são benéficas para atividades políticas dos partidos, mas claramente “prejudiciais à segurança nacional” no âmbito das definições do nossa lei.

Esta dinâmica pode ser visto claramente na história da conferência “Call of doom” [4] da Al Qaeda, em que oficiais da inteligência, provavelmente tentando inflar a ameaça do terrorismo e desviar as críticas de vigilância em massa, revelou a um site neoconservador relatos extraordinariamente detalhados de comunicações específicas que eles tinham interceptado, incluindo a localização das partes participantes e o conteúdo preciso das discussões. Se as afirmações dos funcionários eram verdadeiras, eles irrevogavelmente queimaram um meio extraordinário de aprenderem os planos precisos e intenções da liderança terrorista por causa de uma vantagem política de curta duração em um ciclo de notícias. Nem uma única pessoa parece ter sido disciplinada como resultado da história que nos custou a capacidade de ouvir a alegada linha direta da al Qaeda.

Se nocividade e autorização não fazem a diferença, o que explica a distinção entre a divulgação permitida e a ilícita?

A resposta é o controle. Um vazamento é aceitável se ele não é visto como uma ameaça, como um desafio para as prerrogativas da instituição. Mas se todos os componentes diferentes da instituição — e não apenas a sua cabeça, mas suas mãos e pés, cada parte de seu corpo — tem o mesmo poder para discutir assuntos de interesse, isto é uma  ameaça existencial para a política moderna de monopólio do controle da informação, especialmente se estamos falando de divulgação de irregularidades graves, ações fraudulentas, atividades ilícitas. Se você não pode garantir que só você pode explorar o fluxo de informação controlada, então a soma de todos os segredos, coisas “não mencionaveis” do mundo — incluindo o seu próprio — começa a parecer mais como uma responsabilidade do que uma vantagem.

Divulgações realmente não-autorizadas são necessariamente um ato de resistência — isto é, se elas não são feitas simplesmente para consumo da imprensa, para afofar a aparência pública ou a reputação de uma instituição. No entanto, isso não significa que todas vêm do nível mais inferior trabalho. Às vezes, acontece de as pessoas que dão um passo a frente estarem próximas da cúpula do poder. Ellsberg estava na camada superior, assessorando o secretário de Defesa. Não tem como chegar muito mais alto, a menos que você seja “o” secretário de Defesa, e ali simplesmente não existem incentivos para que um oficial de tão alta patente se envolva em divulgações de interesse público, porque essa pessoa já exerce influência para mudar a política.

No outro extremo do espectro está Manning, um jovem soldado que estava muito mais perto da parte inferior da hierarquia. Eu estava no meio do caminho na minha carreira profissional. Estava sentado à mesa com o diretor de informação da CIA, e eu estava instruindo a ele e seu diretor de tecnologia, quando eles estavam fazendo publicamente declarações como “Nós tentamos recolher tudo e segurá-lo para sempre”, e todo mundo ainda pensava que era um bom slogan de negócios. Enquanto isso, eu estava projetando os sistemas que eles usariam para fazer precisamente isso. Eu não estava instruindo o lado político, o secretário de Defesa, mas eu estava instruindo a área de operações, o diretor de tecnologia da Agência Nacional de Segurança. As irregularidades oficiais podem catalisar qualquer nível de funcionários para revelar informações, mesmo com grande risco para si mesmos, desde que eles possam ser convencidos de que é necessário fazê-lo.

Alcançar esses indivíduos, ajudando-os a perceber que sua primeira lealdade, como servidor público, é para com o público e não o governo, é o desafio. Isso é uma mudança significativa no pensamento cultural para um funcionário do governo hoje.

Eu tenho argumentado que os denunciantes são eleitos pelas circunstâncias. Não é uma virtude de quem você é ou o seu passado. É uma questão ao que você está exposto, o que você testemunha. Nesse ponto, a questão torna-se “você realmente acredita que é capaz de corrigir o problema, para influenciar a política?”. Eu não iria incentivar as pessoas a revelar informações, mesmo sobre delito, se eles não acreditassem que podem ser eficazes em fazê-lo, porque o momento certo pode ser tão raro quanto a vontade de agir.

Isto é simplesmente uma consideração pragmática, estratégica. Denunciantes são atípicos na probabilidade, e para serem eficazes como uma força política, é fundamental que eles maximizem a quantidade de bem público produzido a partir de poucas sementes. Quando eu estava tomando a minha decisão, eu entendi como uma consideração estratégica, como a espera até o mês antes de uma eleição nacional, poderia ser soterrada por outra, como o imperativo moral de proporcionar uma oportunidade para deter uma tendência mundial que já tinha ido muito longe. Eu estava focado no que eu vi e no meu senso de esmagadora privação de direitos de que o governo, em que eu tinha acreditado para toda a minha vida, estava envolvido em um ato extraordinário de engano.

No centro desta evolução é que a revelação de informação é um evento de radicalização — e por “radical” não quero dizer “extremo”; Quero dizer, no sentido tradicional de raiz, a raiz do problema. Em algum momento, você reconhecer que você não pode simplesmente mover algumas letras em torno de uma página e esperar o melhor. Você não pode simplesmente relatar o problema ao seu supervisor, como eu tentei porque inevitavelmente supervisores ficam nervosos. Eles pensam sobre o risco estrutural para sua carreira. Eles estão preocupados com bagunçar as coisas e “ganhar uma má reputação.” Não há incentivos para produzir uma reforma significativa. Fundamentalmente, em uma sociedade aberta, a mudança tem que fluir de baixo para cima.

Como alguém que trabalha na comunidade de inteligência, você doou-se muito para fazer este trabalho. Você se comprometeu alegremente a restrições tirânicas. Você voluntariamente se submeteu a polígrafos; você disse ao governo tudo sobre a sua vida. Você renunciou a uma série de direitos, porque você acredita que a bondade fundamental da sua missão justifica o sacrifício, até mesmo o sagrado. É uma causa justa.

E quando você é confrontado com a evidência — não em um caso extremo, não em uma peculiaridade, mas como uma consequência central do programa — que o governo está subvertendo a Constituição e violando os ideais que você tão fervorosamente acredita, você tem que tomar uma decisão. Quando você vê que o programa ou política é incompatível com os juramentos e obrigações que você jurou para sua sociedade e para si mesmo, então esse juramento e esta obrigação não pode ser conciliada com o programa. Para quem você deve a  maior lealdade?

Uma das coisas extraordinárias sobre as revelações dos últimos anos, e seu ritmo acelerado, é que elas ocorreram no contexto dos Estados Unidos como a “hiperpotência incontestável.” Nós temos agora a maior máquina militar incomparável na história do mundo, e que está respaldada por um sistema político que está cada vez mais disposto a autorizar qualquer uso da força em resposta a praticamente qualquer motivo. No contexto de hoje, a justificativa é o terrorismo, mas não necessariamente porque os nossos líderes estão particularmente preocupados com o terrorismo em si ou porque eles acham que é uma ameaça existencial para a sociedade. Eles reconhecem que, mesmo se tivéssemos um ataque de 9/11 a cada ano, ainda estaríamos perdendo mais pessoas a acidentes de carro e as doenças cardíacas, e não vemos o mesmo dispêndio de recursos para responder a essas ameaças mais significativas.

O que realmente conta é a realidade política que temos uma classe política que sente que deve inocular-se contra as alegações de fraqueza. Nossos políticos temem a política de terrorismo — a acusação de que eles não levam a sério o terrorismo — do que o próprio crime.

Como resultado, chegamos a essa capacidade incomparável, politicamente irrestrita. Nós nos tornamos dependentes do que estava destinado a ser, no limite, a última instância: os tribunais. Juízes, percebendo que suas decisões são subitamente carregadas de maior importância política e impacto do que estava previsto inicialmente, fizeram grandes esforços no período pós-11/9 para evitar a revisão de leis ou as operações do executivo no contexto de segurança nacional e estabelecer precedentes restritivos que, mesmo que totalmente adequada, imponham limites sobre o governo por décadas ou mais. Isso significa que a instituição mais poderosa que a humanidade já testemunhou também se tornou menos controlada. No entanto, essa mesma instituição nunca foi projetada para operar de tal maneira, ao contrário, foi explicitamente fundada no princípio de freios e contrapesos. Nosso impulso fundador foi dizer: “Embora sejamos poderosos, nos restringimos voluntariamente.”

Quando você entra em serviço no quartel-general da CIA, você levanta sua mão e faz um juramento — não ao governo, não para a agência, não ao sigilo. Você faz um juramento à Constituição. Então há esse atrito, este conflito que emerge entre as obrigações e valores que o governo lhe pede para defender, e as atividades reais que você está chamado a participar.

Estas revelações sobre programa de assassinatos do governo Obama revelam que há uma parte do caráter americano que está profundamente preocupado com o exercício desenfreado, com o poder sem controle. E que não há nenhuma manifestação maior ou mais clara do poder sem controle do que assumir para si a autoridade para executar um indivíduo fora de um contexto campo de batalha e sem o envolvimento de qualquer tipo de processo judicial.

Tradicionalmente, no contexto militar, sempre entendemos que a força letal na batalha não poderia ser submetido ex ante a restrições judiciais. Quando os exércitos estão atirando entre si, não há espaço para um juiz naquele campo de batalha. Mas agora o governo decidiu — sem a participação do público, sem o nosso conhecimento e consentimento — que o campo de batalha está em todos os lugares. Os indivíduos que não representam uma ameaça iminente em qualquer sentido dessas palavras são redefinidos, através da subversão da linguagem, para atender a essa definição.

Inevitavelmente que a subversão conceitual encontra o seu caminho para casa, junto com a tecnologia que permite que os funcionários a promover ilusões confortáveis sobre matar com precisão cirúrgica e vigilância não-intrusiva. Tomemos, por exemplo, o Santo Graal da persistência dos drones, uma capacidade que os Estados Unidos tem perseguido eternamente. O objetivo é implantar drones movidos a energia solar, que possam voar por semanas sem cair. Uma vez que você possa fazer isso e você coloque qualquer dispositivo típico de coleta de sinais na parte inferior do mesmo para monitorar, sem piscar, as emanações de, por exemplo, os diferentes endereços de rede de cada laptop, smartphone e iPod. Você não apenas sabe onde um determinado dispositivo está na cidade, mas você sabe em que apartamento cada dispositivo vive, para onde vai a qualquer momento particular, e por que via. Depois de conhecer os dispositivos, você conhece seus proprietários. Quando você começar a fazer isso ao longo de várias cidades, você está acompanhando os movimentos e não apenas de indivíduos, mas de populações inteiras.

Aproveitando-se a necessidade moderna para permanecer conectado, os governos podem reduzir a nossa dignidade ao nível de animais marcados. A principal diferença é que nós temos pago por estas marcas e elas estão em nossos bolsos. Parece paranóia fantasista, mas em nível técnico é tão fácil de implementar que eu não posso imaginar um futuro em que não se tentará. Será limitada às zonas de guerra em primeiro lugar, de acordo com os nossos costumes, mas a tecnologia de vigilância tem a tendência a seguir-nos até em casa.

Aqui vemos os dois gumes da nossa marca única de nacionalismo americano. Fomos criados para ser excepcionalistas, para pensar que somos a melhor nação com o destino manifesto para governar. O perigo é que algumas pessoas vão realmente acreditar nesta reivindicação, e alguns deles vão esperar que a manifestação da nossa identidade nacional, ou seja, o nosso governo, comporte-se de acordo.

O poder irrestrito pode ser muitas coisas, mas não é americano. É neste sentido que o ato de revelar informações tornou-se cada vez mais um ato de resistência política. O denunciante soa o alarme e levanta a lâmpada, herda o legado de uma linha de norte-americanos que começa com Paul Revere [5].

Os indivíduos que fazem estas revelações sentem tão fortemente o que viram que eles estão dispostos a arriscar suas vidas e sua liberdade. Eles sabem que nós, o povo, somos em última análise, a fiscalização mais forte e mais fiável sobre o poder do governo. Os informantes nos mais altos níveis de governo têm capacidade extraordinária, recursos extraordinários, tremendo acesso a influência e o monopólio da violência, mas no cálculo final, há apenas uma figura que importa: o cidadão individual.

E há mais de nós do que há deles.

Extrato de The Assassination Complex: Inside the Government’s Secret Drone Warfare Program por Jeremy Scahill e a equipe de The Intercept, com um prefácio escrito por Edward Snowden e um epílogo por Glenn Greenwald, publicado por Simon & Schuster. Publicado originalmente em inglês em The Intercept.

(Tradução de Cássia Bechara e Miguel Enrique Stédile, integrantes do grupo de pesquisa Modos de Produção e Antagonismos Sociais)

[1]          Daniel Ellsberg, analista militar estadounidense que vazou 7 mil páginas de documentos sobre a Guerra do Vietnã, os “Pentagon papers”, em 1971.

[2]          General estadounidense e ex-diretor da CIA na administração Obama. Vazou arquivos confidenciais para sua biógrafa e amante Paula Broadwell. No julgamento, declarou-se culpado por retirada e posse não autorizada para evitar um julgamento e uma pena de seis anos de prisão. Patreus foi condenado a dois anos de liberdade condicional e uma multa de US$ 100 mil.

[3]             Agente da CIA que teve sua identidade tornada pública por um jornalista em provável represália ao um artigo de seu marido , o embaixador Joseph C. Wilson, que negava a venda de urânio de Níger ao Iraque, como afirmava o governo.

[4]          Episódio em que o govenro norte-americano interceptou uma conferência entre líderes da Al Qaeda e organizações afiliadas em setembro de 2013 e que levou ao fechamento de 22 embaixadas para evitar ataques terroristas.

[5]          Principal mensageiro do Comitê de Segurança de Boston com a tarefa de alertar uma possível invasão inglesa no contexto da Independência dos Estados Unidos.

Edward Snowden
No Modos de Produção e Antagonismo Social
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