8 de jul de 2016

Se Cunha falar, Temer cai!


Lindbergh denuncia acordão para salvar mandato


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Ministério Público atesta que pedalada no BNDES não é crime

Despacho de procurador do MPF-DF afirma que atrasos não são operações de crédito e que mesmo entendimento deve ser adotado para as outras pedaladas


A Procuradoria da República no Distrito Federal atestou, em despacho do procurador Ivan Marx, que os atrasos em repasses do Tesouro Nacional para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não constituem operação de crédito, portanto, não são crime. A informação é do jornal “O Estado de S.Paulo”.

O entendimento, segundo o procurador do MPF-DF, deve ser estendido aos demais atrasos relativos ao Plano Safra e ao Banco do Brasil. Os atrasos nos repasses foram chamados de “padaladas fiscais” e serviram para justificar a abertura de processo de impeachment contra a presidenta eleita, Dilma Rousseff.

[Houve] um simples inadimplemento contratual, quando o pagamento não ocorre na data devida. Entender de modo diverso transformaria qualquer relação obrigacional da União em operação de crédito, dependente de autorização legal, de modo que o sistema resultaria engessado. E essa, obviamente, não era a intenção da Lei de Responsabilidade Fiscal.

No Senado, onde está sendo analisado o processo de impeachment, a defesa de Dilma argumentou que o afastamento dela do cargo constitui um golpe parlamentar articulado por Michel Temer justamente porque não houve crime de responsabilidade nas pedaladas fiscais.

O procurador arquivou um procedimento aberto para apurar se houve crime de integrantes da equipe econômica de Dilma nessas operações específicas do BNDES. Ele ainda se pronunciará sobre o Plano Safra e o Banco do Brasil, mas adiantou que deve fazer a mesma recomendação.

“Foi muito similar (a prática) e, possivelmente, eu vá dizer que não existe (crime)”, escreveu o integrante do MPF-DF. “Quem tem atribuição de dizer se determinada prática é crime ou improbidade é o MPF. É o único ator que não foi chamado a depor na comissão”, completou.

O despacho de Ivan Marx exclui da investigação penal o ministro golpista do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.

Além da defesa de Dilma e do MPF-DF, os peritos escolhidos pelo Senado para analisar a documentação também concluíram que não houve participação de Dilma nas pedaladas, pois ela não assinou a documentação e não foi informada de que poderia infringir a meta fiscal de 2015.

Dilma tem a seu favor ainda o fato de que o Tribunal de Contas da União (TCU) mudou a interpretação que dava sobre as pedaladas e os decretos de crédito suplementar, os dois pilares do pedido de impeachment. Isso porque nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva, o TCU não considerava irregular as práticas, mudando sua interpretação a partir de 2015. Desde que o TCU mudou seu entendimento, Dilma não mais pedalou, respeitando a nova interpretação.

Outro argumento sólido da defesa de Dilma é que a abertura do processo de impeachment se deu não por motivação jurídica e ocorrência de crime, mas por motivação política e desejo de vingança por parte do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Então presidente da Câmara, Cunha abriu o processo após o PT não concordar em ajudar salvá-lo no Conselho de Ética em troca do arquivamento do impeachment.

Ao renunciar à presidência da Câmara nesta quinta-feira (7), Cunha indicou que, de fato, o processo foi motivado por seu desejo de vingança contra Dilma e o PT.

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Como Cunha, Moro também será descartado assim que não for mais necessário

Ele
Os caminhos de Eduardo Cunha e Sérgio Moro vão se cruzar não apenas na Justiça, mas num espectro mais amplo da vida nacional.

No roteiro do golpe, Cunha é Moro amanhã, tanto quanto Joaquim Barbosa foi Moro ontem.

O chamado acordão com o governo interino para livrar Cunha da cassação passava pela renúncia da Câmara. Foi um gesto para salvar o mandato, mas ele sabe que o STF não livrará sua cara. Vai espernear, mas está morto.

O cadáver será mantido em formol pelo comparsa Michel Temer, que deve ao colega o cargo que ocupa. Entregou a mercadoria, fez o impeachment, sua situação ficou insustentável e agora ele será atirado aos tubarões.

Roberto Requião está correto quando diz que “Cunha é o Judiciário e Cunha é a mídia”. Segundo o senador, são todos a mesma coisa.

Moro e Cunha foram saudados como heróis por sua luta contra o diabo, o PT. Em janeiro de 2015, Cunha deu seu recado sobre o que faria se assumisse o comando da Câmara.

“Regulação de mídia, jamais. Eu colocaria na gaveta. Não faz parte do meu propósito. Eu sou muito claro, transparente para que todos saibam que eu eleito presidente da Câmara não darei curso a um projeto desse tipo”. Assumido o cargo, foi mais enfático: “Regulação de mídia e aborto só por cima do meu cadáver”.

Cunha caiu na quinta feira 7 de podre.  Nunca foi incomodado em décadas de crime. Sua mulher permaneceu como apresentadora da Globo quando folha corrida do marido já era notória.

Barbosa e Moro foram adotados pela Globo. Receberam ambos o prêmio de Personalidade do Ano. No palco, Barbosa falou: “Vejo que a vida pública deve ser e tem que ser vigiada pela imprensa. Não consigo ver a vida do Estado e de seus agentes e personagens sem a vigilância da imprensa. Na minha concepção, a transparência e abertura total e absoluta devem ser a regra.”

Moro disse a mesma coisa, com ligeiras variações. A imprensa tem tido um papel fundamental na Lava Jato “levando a informação de tudo o que acontece no processo para o público em geral. É a Constituição que determina que o processo deve ser, em regra, público, e apenas, excepcionalmente, ser conduzido em sigilo.”

Barbosa desapareceu. Cunha virou vilão enquanto se prepara para a cana.

Moro ainda é necessário, sobretudo, porque está na rota de Lula para as eleições de 2018 e porque pode, eventualmente, prendê-lo — possibilidade esta que, a cada dia, parece mais remota.

Mas ele tem prazo de validade. A Lava Jato não vai durar para sempre. Como na indústria de celebridades, os ídolos cansam e precisam ser trocados como fralda de bebê.

Moro será também substituído a partir do instante em que não for mais útil. A questão é quem virá depois dele.

Kiko Nogueira
No DCM
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Melhor e Mais Justo: Mídia e Resistência


Num momento em que a política segue em crescente tensionamento, os retrocessos e ilegitimidades aumentam em proporções geométricas, a economia não dá sinais claros de recuperação e a voz jornalística da grande mídia ajuda a desinformar e confundir, é preciso criar sinergia para resistir e fazer contrapontos à narrativa irresponsável que golpeia a democracia brasileira.​

Mídia de Resistência.

Essa é a conversa do Melhor e Mais Justo.



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'Governos autoritários começam cerceando a liberdade de expressão'

Eliminados os sites progressistas e a comunicação pública, haveria uma situação praticamente totalitária, na qual existiria apenas uma voz.


Por que o governo interino — e ilegítimo — de Michel Temer quebrou contratos na ordem de irrisórios R$ 11,2 milhões (0,6% do orçamento da SECOM em 2015) com as microempresas da mídia alternativa? Por que tamanho ataque, também, contra a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC?

Segundo Venício Lima, um dos maiores especialistas em democratização da comunicação no Brasil, “governos autoritários sempre começam cerceando a liberdade de expressão”. Em entrevista exclusiva à Carta Maior, ele dimensiona o papel dos blogs e sites progressistas e comenta a guerra travada pelo oligopólio da comunicação contra qualquer iniciativa em prol da pluralidade e diversidade de vozes no país.

Confiram a entrevista:

Professor, qual sua avaliação sobre a quebra de contratos de publicidade entre as estatais e as microempresas da mídia alternativa?

Venício Lima – É preciso avaliar essa quebra de contratos no contexto mais amplo das medidas que o atual governo interino tem tomado. Não é por acaso que a comunicação alternativa ao discurso único da grande mídia foi um dos primeiros alvos desse governo.

Isso ficou claro na intervenção ilegal na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), uma empresa de comunicação pública; e na suspensão, inclusive de contratos que estavam em vigência, com sites e blogs progressistas que fazem, justamente, a oposição a esse governo interino.

Essa é uma característica dos governos autoritários. Eles sempre começam cerceando a liberdade de expressão.

Podemos estabelecer um paralelo entre os governos brasileiro e argentino em relação às metidas tomadas na área da Comunicação?

Em relação à comunicação, sim. No entanto, Maurício Macri chegou ao poder de uma forma bastante diferente do que vimos acontecer neste governo provisório. Agora, quanto às medidas em relação ao cerceamento da liberdade de expressão e, sobretudo, ao cerceamento das vozes que fazem oposição ao governo, é possível fazer uma comparação.

Logo após ter chegado ao poder, imediatamente, o governo Macri tratou de desconstruir — e está desconstruindo — uma conquista histórica do povo argentino: a Lei de Meios (Ley de Medios).

Como ele conseguiu isso?

Primeiro, tomando medidas por decreto; depois, aprovando no Congresso argentino, com a promessa de que vai reestruturar e apresentar uma nova proposta “mais ampla”, inclusive, sobre a questão digital. Desta forma, ele conseguiu aprovar a desestruturação completa dos principais parâmetros da Lei de Meios, favorecendo de maneira evidente o Clarín, principal grupo de comunicação argentino.

Por que esse ataque à mídia alternativa?

O Brasil tem historicamente, há décadas, um sistema predominantemente privado, comercial, sustentado pela publicidade e consolidado em torno de pouquíssimos grupos familiares, vinculados às elites políticas regionais e locais. Estamos diante de um quadro de oligopólio, em uma área onde a existência de qualquer voz alternativa a esse oligopólio passa a ter uma relevância extraordinária.

Não é por acaso que, historicamente, sempre houve oposição à criação de uma comunicação pública. Também não é por acaso que, historicamente, esses grupos dominantes, que são pouquíssimos, implícita ou não implicitamente, sempre tiveram aliança com os governos.

Eles sempre lutaram contra a possibilidade de qualquer voz alternativa à deles, considerando a importância que a comunicação tem nas democracias representativas. Isso faz com que toda a possibilidade de voz alternativa ganhe importância e, também, que o combate contra ela aumente, porque ela é a única voz dissonante.

Eu vejo essa possibilidade em apenas dois locais: na comunicação pública expressa pela EBC fundamentalmente, e nos chamados sites e blogs progressistas.

O poder desses veículos é pequeno perto do poder desses oligopólios...

É um poder pequeno, mas fundamental. Sites e blogs progressistas e a comunicação pública são o único respiro que existe diante da narrativa dominante da grande mídia. Isso incomoda, mesmo sendo uma luta de David contra Golias.

Se você elimina esses sites e blogs e a comunicação pública, você vai viver uma situação praticamente totalitária, na qual haverá apenas uma voz. Esse é o grande problema. Muita gente não tem consciência do que está em jogo quando se combate a comunicação pública e os sites e blogs, discorde ou não das vozes que são representadas nesses espaços.

Existem, inclusive, mecanismos científicos que mostram, pelo acompanhamento da grande mídia, que ela é partidarizada. Isso não é uma novidade no Brasil. A diferença é que, antes, os instrumentos de verificação eram sempre condicionados. Hoje, você tem o Manchetômetro, do grupo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), liderado pelo professor João Feres.

Eles fazem o acompanhamento sistemático dos principais veículos da mídia dominante. Com clareza e instrumentos transparentes, qualquer pessoa pode ir lá e olhar. Eles mostram como a grande mídia age de forma seletiva e partidarizada. Ou seja, como exclui todas as vozes que não falam igual a ela. Do meu ponto de vista, essa é a pior de todas as corrupções: a corrupção da opinião pública.

O fato é que com a comunicação pública (EBC) e os blogs progressistas, por menor que sejam, abre-se uma fenda, um respiradouro nessa dominância de uma narrativa única. É exatamente isso que eles combatem com tanta violência.

Além dos sites e blogs, a EBC também está sob ataque. Qual seu papel hoje?

A EBC existe em cumprimento a um princípio constitucional. A Constituição de 88, inseriu no capítulo da comunicação — o artigo 223 —, o princípio da complementariedade entre os sistemas público, privado e estatal. O sistema estatal já existia antes da Constituição de 88 e continua existindo.

O sistema privado e comercial é um sistema dominante no Brasil desde a década de 1930, quando o governo Getúlio Vargas, logo após a Revolução de 30, fez uma opção que privilegiou a exploração privada. Aliás, isso é pouco estudado entre nós. Atendeu-se, ali, a pressões não só da política externa norte-americana, mas das grandes empresas estrangeiras que estavam investindo no Brasil, inclusive, fabricantes de equipamentos para a nascente indústria do rádio.

Com essa opção pela exploração comercial como a única forma de fazer radiodifusão, o modelo norte-americano foi adotado. Isso não aconteceu no resto do mundo. A Inglaterra adotou, por exemplo, o modelo oposto.

Décadas depois, em 1988, por iniciativa pessoal do então deputado do MDB do Rio, Artur da Távola, introduziu-se o princípio da complementariedade na Constituição. Há, inclusive, depoimentos posteriores dele que explicam qual era a intenção na época: a de equilibrar, a partir das novas concessões e das renovações de concessões, as forças dos sistemas público e privado. Como acontece em vários países do mundo, sobretudo na Europa.

Então, a EBC surge depois de uma luta de décadas, em 2007-2008, como uma proposta do governo Lula para cumprir esse mandamento constitucional, de equilíbrio entre os sistemas público, privado e estatal. Principalmente, os sistemas público e privado. O sistema estatal, aliás, é demandado pela Constituição que exige a publicidade dos atos do governo para o conhecimento da cidadania. Isso existe nas democracias representativas do mundo inteiro.

Como se deu essa luta, na prática?

Desde o seu início, a criação da EBC encontrou uma resistência enorme no campo do sistema privado. O governo Lula mandou uma medida provisória que tramitou no Congresso, sofreu emendas e foi aprovada, transformando-se em lei em abril de 2008. Um ano depois, a Folha de S. Paulo, em um editorial, pedia o fechamento da EBC. Agora, passados sete anos, no final de junho, repete o pedido, dizendo que passou da hora de pôr termo ao “desperdício de dinheiro público”, é mais ou menos nessa linha o editorial. A EBC surge, portanto, com forte oposição dos grupos privados que se opõem a tudo o que não seja igual a eles, a qualquer voz que não seja a deles.

Vários problemas não conseguiram ser equacionados pela Lei que criou a EBC, até porque foi aproveitada uma estrutura pré-existente, da antiga Radiobrás, e a junção de estruturas legais paralelas é muito complicada. De qualquer maneira, mesmo reconhecendo todos os problemas ainda não solucionados, a EBC é um projeto de comunicação pública em implantação. E esse é um processo permanente de aperfeiçoamento e de correção.

O fato é que a Lei 11.652/ 2008, que criou a EBC, também criou mecanismos que procuram garantir a autonomia e a independência da comunicação pública. Eles têm funcionado, sobretudo o Conselho Curador, formado por 22 membros, 4 representantes do governo, um da Câmara, um do Senado, um dos funcionários e 15 da sociedade civil, escolhidos a partir de uma disputa de indicações de entidades da sociedade civil. Esses indicados passam pelo próprio Conselho Curador que faz uma lista tríplice e a encaminha para nomeação pelo Presidente da República.

Isso pode ser acompanhado?

Qualquer pessoa interessada em ver como, de fato, funciona a EBC, pode consultar as atas do Conselho Curador. Vai ver, inclusive, que ele não é aparelhado como se diz por aí. Aliás, nos últimos 7 ou 8 anos, o Conselho tem sido um vigilante atento, fiscalizando e buscando formas de garantir a autonomia e a independência da empresa.

Da mesma forma, a EBC tem uma ouvidoria autônoma que acompanha o conteúdo dos seus diferentes veículos, fazendo uma vigilância permanente.

A EBC é uma empresa que expressa um projeto de comunicação pública que, apesar de imperfeito, tem mecanismos para a sua própria correção e aperfeiçoamento. É exatamente isso que vem sendo feito e faz com que ela sofra, como tem sofrido, uma campanha permanente de oposição da mídia comercial dominante e, evidentemente, de seus porta-vozes.

Por que tamanha timidez dos governos Dilma e Lula na consolidação da mídia alternativa?

Essa é uma questão fundamental que eu nunca soube responder e, também, nunca consegui que alguém me respondesse. Por que os governos Lula e Dilma não enfrentaram a mídia dominante? Por que não criaram condições para a consolidação da comunicação pública e para a consolidação independente dos chamados blogs progressistas?

Em 2013, frente ao surgimento da internet principalmente, a União Europeia publicou um documento recomendando aos países membros, o apoio do Estado às vozes que se expressam através desses instrumentos. E isso, justamente, em nome da pluralidade e da diversidade, ou seja, do que sustenta a formação de uma opinião pública democrática. Por razões que desconheço, isso não foi compreendido ou não se conseguiu, de qualquer forma, não foi feito nos governos Lula e Dilma.

Os investimentos na EBC foram insuficientes?

A EBC tem um problema de recursos. A Lei que criou a EBC também criou Contribuição para o Fomento da Difusão Pública (CFRP). Essa contribuição é dada, sobretudo pelas empresas, concessionárias e de serviços públicos de telefonia. Mas, há uma questão judicial em torno dessa CFRP e esses recursos nunca chegaram à EBC, mesmo os que já chegaram ao governo foram utilizados para outros fins. Se essa contribuição tivesse, de fato, como previsto na Lei 11.652, chegado à EBC, o problema da economia financeira da emissora estaria resolvido. Só que isso não aconteceu. A lei que cria a EBC cria também mecanismos para o seu autofinanciamento.

Do ponto de vista constitucional, o Estado tem que apoiar a comunicação pública, em nome da pluralidade e da diversidade, como acontece em qualquer lugar do mundo.

Em relação a isso, existe alguma questão legal que poderia enfrentar essa perseguição aos sites e blogs progressistas?

Eu não sou advogado, mas com base nos princípios da ordem econômica isso pode gerar uma reação legal. Trata-se de uma questão de oligopólio, de monopólio, da concorrência. Eu tenho a impressão que é possível se pensar, inclusive, em ações judiciais em relação a isso.

Sem falar do espírito geral da Constituição e dos princípios democráticos que podem ser invocados considerando-se a importância da pluralidade e da diversidade, em prol da saúde da democracia e até mesmo para a sua própria sobrevivência.

Podemos falar em censura neste caso?

É um cerceamento econômico que visa impedir que certas vozes circulem. Qual é o nome disso?

É censura.

No Carta Maior
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A TV como fator de desinformação


Estamos vivendo a era do desespero. Gritam por socorro os noticiários, desesperados – essa é a palavra, estão a sombra do desastre — por sucumbirem depois de uma era em que os meios tradicionais de comunicação reinaram no cenário midiático. Pode parecer uma teoria negativista, mas não é; seria positivista — creiamos.

Tem se tornado um constante drama para meios hegemônicos a queda em receita vindo da publicidade, causa maior, devido ao seu enfraquecimento em audiência e alcance de público, que agora não tem apenas o controle remoto, mas a vastidão das redes sociais e da internet como toda.

Algo que podemos constatar é a luta diária travada pelos meios em reverter essa situação de distanciamento do público para a internet. Uns se preparam para esse novo cenário e tentam a convergência, mesmo que tímida. Outros abrem espaço amplo para as pautas oriundas da rede – em massa, das mídias sociais.

Dada a carência de audiência, cada vez mais visível, a hora de reverter a nova onda está se deslanchando em desespero nítido e ridículo. A televisão tenta, a todo custo, destruir a nossa inteligência, já que não consegue combater a nossa migração para a rede mundial de computadores.

Vem sendo postas em prática, diariamente, formas de barrar o nosso distanciamento do meio hegemônico de décadas, a televisão. Querem que coloquemos novamente em destaque na nossa sala, aquele aparelho receptor que escabrosamente consentíamos doses cavalares de manipulação diária em nossas residências.

Barrando a concorrência

Para maior desespero, não foi somente o público que migrou, mas também os anunciantes, para os quais existe a expectativa de investimento em publicidade nos meios eletrônicos, ainda nesta década, de US$ 500 bilhões por ano — como afirma relatório da WFA (World Federation of Advertisers), publicado no Financial Times.

Em reportagem, O Globo deu destaque para as fraudes do Google, pelo qual, em anúncios feitos na grande rede mundial, empresas poderiam perder em média 10% para os fraudadores de visualizações. Com esse enfoque na reportagem, a artimanha tenta desestimular os empresários em anunciar em concorrentes indiretos da TV, o YouTube e similares.

Mas de igual forma, indícios de falcatrua também são apontadas para empresas que avaliam a audiência na TV, deixando margem e passividade para fraudes. Além do mais, está cada vez improvável saber se o público-alvo está sendo impactado com a propaganda veiculada em televisão, tendo em vista que os telespectadores não estão sendo empolgados a continuar assistindo aos intervalos comerciais. Com a multiplicidade de telas (celulares, tablets e desktops), o telespectador tende a fugir, nos reclames da TV, para atividades que acha ser mais interessante e menos maçante — como ver postagens em redes sociais — do que ver anúncios e publicidade na velha mídia.

Recentemente quiseram jogar a contragosto da população a lei que autoriza o limite de uso de internet no país. Para a Rede Globo de Televisão foi uma oportunidade de defesa – não da população e dos seus diretos, mas dos empresários, ou melhor, dos anunciantes.

Em reportagem do dia 24 de abril, o Fantástico desenhou que estamos mesmo à mercê da manipulação e dos grandes interesses empresariais e políticos. O programa dominical vendeu na reportagem que, nós, consumidores de internet, estamos abusando no uso, ou seja, gerando desperdício. Faltou nas entrelinhas o informe que a reportagem era encomenda em acordo de livre comércio pelas empresas de telecomunicações do país. Insistimos que faltou informar esse detalhe na matéria veiculada.

Não se dá crédito à crise política

A população virou ré na questão, por assistir vídeos demais; ver postagens demais em redes sociais. Como sempre, defendeu o lado dos anunciantes. Pelo título já dava para saber: “Internet fixa ilimitada pode estar com os dias contados no Brasil”. Com isso, o maior grupo de comunicação do país passou a informação curta e grossa: estamos do lado dos lucros e contando os dias para que isso aconteça de fato, e deu o veredito: corte a internet, ganharemos ambos com isso. Com essa tática, a Globo ganharia de duas formas: anunciantes voltariam a atuar na TV — por cair o acesso em horas diárias dos consumidores na internet; e da volta dos internautas para a frente da TV — ganharia mais horas de público assistindo o grotesco da programação.

O que constatamos nessa reportagem é que a mídia não está preocupada em garantir direitos, mas em retirá-los — quando isso ameaça seus interesses mesquinhos: o lucro desenfreado e abusivo. Sentimos reféns de uma jogatina em prol da receita particular.

Não houve na reportagem um detalhamento de como o consumo de dados impactaria a receita das empresas de telecomunicações. Apenas repassaram a culpa para os usuários e a conta também. Em nenhum momento se preocuparam em informar que o acesso à internet é um direito básico nos dias de hoje, tendo em vista que a comunicação flui mais descentralizada e que foi garantida pelo Marco Civil da internet. O poder da rede causa desespero nos empresários e políticos. Chegaram a defender a restrição a filmes e séries através de plataformas, como é o caso da Netflix.

O péssimo serviço prestado pelas operadoras (entre os 10 piores do mundo) não é relatado, nem levado em consideração, mas os lucros são lembrados sem demora para o raciocínio do grande público. Apenas basta a fala: somos nós, os usuários, os culpados.

Não é só essa questão que é distorcida nesse jogo de cartas marcadas. Para demostrar que não estamos no caminho certo, que a economia está em profundo desastre, não se dá os devidos créditos a outra crise, a política, que tem feito arruaça no país.

Uma nota brevíssima e a desculpa

Mas, bem antes, quando o rumo era destruir um governo, fez-se em seus noticiários o Brasil idealizado como uma “nova Grécia”, prestes a dar o calote e a se afundar no rio de amarguras da economia. Muitas notícias bombas eram jogadas nos jornais, e de mesmo modo eram escondidos os reais motivos de outras bombas estarem em curso no congresso, as pautas do desastre econômico, que os nobres representantes do povo não hesitaram em votar.

Disso também notamos o descarado financiamento político à imprensa. Com a alta queda de anunciantes, não se dá por vencida e procura outros meios de receita. Escancarou o partidarismo em tendenciosas reportagens, onde se destaca o favorecimento de grupos políticos, em repressão a outros. Nota-se o descaramento do: Pagando bem, que mal tem em defender políticos comprovadamente corruptos e gerar receita valiosa com isso?

Para senadores e deputados envolvidos em escândalos é dado, sem cerimônia, espaço demasiado de defesa em telejornais. Bem sabemos que em TV, três minutos de construção de uma defesa pode demostrar muitos acordos ilícitos. Não somos ingênuos em pensar que meios dariam o valioso tempo de programação em defesa de corruptos, por simplesmente estarem contribuindo com a ética jornalística. Não! Definitivamente não acreditamos nisso. Interesses escusos existem nessa tática sórdida e desleal. No dia 15 de março de 2016, a Globo deu ao senador Aécio Neves — citado em delação premiada na Lava Jato — tempo amplo de defesa em seus noticiários.

Enquanto para alguns políticos é dada a premissa de defesa pela oralidade televisionada e com reportagem tendenciosa a converter o culpado em vítima, para outros é dada uma nota brevíssima e para os demais, apenas a desculpa: “Nossa equipe não conseguiu entrar em contato com o acusado”.

Encontros a portas fechadas

Não se cansaram em levar a nação ao calabouço, desenharam o Brasil como uma Grécia, fadada ao fracasso e logo depois, a uma Venezuela, progressista e ditatorial. Porém não relatam em alto e bom som, que foi ela, a rede Globo, que recepcionou com muita satisfação a ditatura militar. Moniz Sodré destaca em seu livro Antropológica do Espelho a fala do ditador Médici em 1972. “Sinto-me feliz todas as noites quando assisto TV porque no noticiário da Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz… É como tomar um calmante após um dia de trabalho.”

Depois de ter ajudado o golpe militar de 1964, a Globo tenta passar uma borracha no passado promíscuo 50 anos depois, após ter lucrado com a idade das trevas no país. Em editorial por ocasião da inauguração do site Memória da Instituição Globo, destacou que foi um erro apoiar a ditadura. Pelo que parece, não passa de uma grande farsa, tendo em vista que foi uma das medidas para conter a onda de protestos pelo país que demostrava grande insatisfação, por onde se ouviam os gritos “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”. Não convence que a empresa esteja realmente arrependida. Mais recentemente um outro golpe, o impeachment – provado em áudios vazados do líder do governo interino e ilegítimo Romero Jucá, também conta com o apoio da Organização Globo (que se leia, grande apoio).

Os países que ficaram correlacionados em uma série de reportagens no Jornal Nacional foram Brasil e Venezuela. Essa foi mais uma cartada. Lá, diz, tem uma ditadura, aqui, caminharia para uma também se não fosse tirada a presidente, mesmo que isso sacrificasse a nossa imatura democracia.

Mas como vemos, com tanto retrocesso do governo interino, pelo qual: investigados são nomeados ministros; ainda mais, extingue ministério de cultura e instala o desprazer com a educação, podemos concluir que tempos difíceis para o progresso do país estão sendo reprisados, como em um programa vespertino: Vale a Pena Ver de Novo… olha novamente o golpe, ele voltou! Engomadinho, bonitinho, mas ainda sim, um golpe baixo. Poderíamos dizer que é um golpe como manda o figurino no século 21.

Ver-se que existe uma outra ditadura no país, que ameaça a sua seriedade como uma nação democrática. Tanto a TV Globo, quanto a TV Bandeirantes, agendaram a crise na Venezuela para abordar nos telejornais. Uma tentativa de vincular o Brasil, com destino similar, caso continuasse com um governo chamado por eles de bolivariano e progressista.

Depois da Grécia e da Venezuela, como em um passe de mágica agora — logo após a usurpação do Planalto pelo vice — nos tornamos o “sonho americano”, posta em uma frase, acompanhada de mando e desmando de fanfarrões hipócritas, que são mestres em corrupção e com tamanha desfaçatez proclamam em rede nacional: “Não fale em crise, trabalhe”.

Como vemos claramente em manchetes e focos de manipulação agendadas nos meios hegemônicos (GloboFolhaEstadão), a banda podre debanda desenfreada para o lado do neoliberalismo e com o descaramento, escancarando o plano de fundo, a politicagem flertando com a mídia chula as bancarrotas: no tudo ou nada.

A imprensa mudou o rumo da conversa e agora conclama a um país sem corrupção e sem crise. Para que saibam e fique claro, querem um país sem corrupção nas manchetes, porém defendendo que ela continue esclusa e reinando de onde nunca deveria ter saído, de encontros às portas fechadas e sem as vozes dos ouvidores.

Francisco Júlio Xavier é jornalista e pós-graduando em Comunicação Digital
No Observatório da Imprensa
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A queda vertiginosa da tiragem de Folha, Globo e Estadão

PIG rumo ao abismo
A informação que mais impressiona, no post de Fernando Rodrigues no UOL sobre os gastos do governo Dilma com publicidade na mídia, não é a manchete por ele escolhida, o corte de R$ 260 milhões sofrido pela Rede Globo em 2015. É um dado que passou despercebido em meio às muitas tabelas do post: a vertiginosa queda de tiragem dos três jornalões brasileiros, Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo.

Os valores de 2016, segundo o blog, referem-se apenas ao mês de abril —– o que impede uma comparação apropriada com os três anos anteriores. O tombo, porém, é inegável, como mostra o gráfico.


São números do Instituto Verificador de Circulação (IVC), financiado pelas próprias empresas para medir o alcance desses veículos e informar ao mercado publicitário quantas pessoas leem cada um deles. Em geral são dados pouco divulgados ao público — salvo exceções ocasionais, os donos dos jornais brasileiros nunca se orgulharam muito de suas tiragens, baixíssimas se comparadas às de outros países.

O número que mais impressiona é o da Folha — uma queda de aproximadamente um terço de sua circulação impressa em apenas três anos. O jornal que duas décadas atrás se orgulhava de tirar 1,5 milhão de exemplares aos domingos (circulação, convém ressalvar, dopada por fascículos e outros produtos), hoje apresenta uma circulação impressa de meros 166 mil exemplares diários, queda que se acentuou na gestão de Sérgio Dávila à frente da redação. Neste ritmo, dentro de dez anos a Folha deixa de existir na versão impressa.

As curvas do Globo e do Estadão são parecidas, indicando uma tendência firme de abandono dos jornais pelo público. Algo a ver com a linha adotada por esses veículos, fortemente editorializada, despreocupada com a verdade e desconectada da realidade do país?

Em tempos de mesóclise, poder-se-ia alegar que essa queda vem sendo compensada pelo aumento do número de assinaturas digitais. A realidade, infelizmente, é menos rósea. A leitura digital, que alguns anos atrás era a grande esperança dos patrões, bateu no teto: o número estancou e até parece apresentar ligeira queda em 2016. Além disso, converter o leitor em receita publicitária na mesma proporção do impresso, sem os custos de impressão e distribuição do jornal físico, foi uma utopia que não se verificou.

Os dados acima fazem a adição simples dos números de circulação impressa e digital, mas, como é possível que parte do público assine ao mesmo tempo as duas versões (o post de Fernando Rodrigues não esclarece se há interseção entre os dois números), talvez a situação real seja ainda mais grave.

Esses números causam ainda mais espanto quando se considera que o período 2013-16 despertou altíssimo interesse do público pelo noticiário, em razão da crise política e econômica que se arrasta desde as manifestações da Copa das Confederações. Os jornais deveriam estar vivendo uma era de ouro; no entanto, arrastam-se decadentes e aceleram a própria morte ao produzir um jornalismo de baixa qualidade e intelectualmente desonesto.

Raymundo Gomes
No DCM
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In Dubio Pro Reo

http://www.maurosantayana.com/2016/07/in-dubio-pro-reo.html


A Lei é a razão, livre da paixão.

Essa sábia constatação de Aristóteles, cada vez mais atual, já velha de mais de 1.300 anos, está aí para nos lembrar que, fora da Lei, só existe a lógica do tacape, da destruição e do sangue, derramado por aqueles que preferem pensar com o porrete, abrindo a cabeça dos outros, do que abrir — figurativamente — a própria cabeça para tentar compreender e melhorar o mundo.

O STF, por meio do Ministro Celso de Mello, deu, esta semana, mais um corajoso passo rumo ao restabelecimento de um pleno Estado de Direito no Brasil, que se junta ao recente habeas corpus concedido ao ex-ministro Paulo Bernardo, por insuficiência de indícios que justificassem sua prisão, pelo Ministro Dias Toffoli, na semana passada.

Em um país em que — apesar de afirmar-se que a prisão não é a regra — aproximadamente 60% dos presos estão atrás das grades sem nunca terem ido a julgamento — tomado pela falácia fascista de que é preciso endurecer as leis contra suspeitos, aqui automaticamente convertidos em "criminosos" e "bandidos" pela parcela mais medieval da opinião pública que faz questão de desconhecer olimpicamente que ninguém deveria ser tratado nesses termos antes de julgado e definitivamente condenado - Celso de Mello ousou permitir que um réu recorresse em liberdade, como prevê a Constituição, mesmo depois de ter sido condenado em segunda instância.

Tal atitude bastou para que fosse transformado na bola da vez (o próximo é o ministro Ricardo Lewandowski) da malta fascista que ataca raivosamente todos aqueles que não fazem exatamente o que ela espera.

Não porque ela decida alguma coisa, mas porque seus donos assim o querem, já que é desavergonhadamente manipulada, embora — tendo a ilusão de que foi ela que construiu, com sua ignorância, hipocrisia e cabotinismo o discurso único e o senso comum que hoje imperam — não se aperceba de que não passa de massa de manobra de grupos que se assenhorearam de certos nichos do Estado — como se de seu próprio feudo se tratasse — e que parecem pretender, paulatinamente, ir tomando o controle da República.

O que estamos vivendo nesse país, hoje, é a contestação cotidiana da autoridade do STF, com uma sucessão de atos de exceção que a contradizem.

Por um lado, "aperta-se" a Suprema Corte, que, por vezes, cede diante da pressão avassaladora do fascismo nas redes sociais — ou, embora não possam reconhecê-lo, às ameaças voltadas diretamente aos próprios ministros e a suas famílias — muitas vezes escudada pela parcela mais parcial, mendaz e imediatista da mídia.

Por outro, tomam-se medidas à sua revelia, como conduções coercitivas, escutas e vazamentos não autorizados, a imposição, praticamente forçada, por circunstâncias óbvias, do instituto da delação premiada a cidadãos sob a custódia do Estado, e, principalmente, prisões moralmente ilegais e abusivas — quando não há ilações que, mesmo remotamente, as justifiquem, acusa-se o "malfeitor" de obstrução de justiça — que se repetem a cada novo dia, como ocorreu no caso do próprio Paulo Bernardo, e, agora, do Almirante Othon Pinheiro da Silva, como que testando, espicaçando, a determinação e os limites do Supremo Tribunal Federal no cumprimento de sua missão de salvaguardar a Lei, a Constituição e o Estado de Direito.

Ao conceder o pedido da defesa do cidadão condenado em Minas Gerais, o Ministro Celso de Mello não fez mais do que obedecer ao princípio de justiça universalmente aceito de que in dubio pro reo - nenhum indivíduo pode ser encarcerado se houver, ainda. qualquer dúvida, a propósito de sua culpa ou responsabilidade.

A aprovação, pelo STF, por diferença de apenas dois votos, da possibilidade do cumprimento da prisão em regime fechado depois da condenação em segunda instância, na análise de um caso específico, em fevereiro, não pode ser vista como pétrea nem definitiva, já que não foi aprovada ou regulada pelo Congresso Nacional, apesar de afetar diretamente os efeitos do que está disposto no artigo 5º da Constituição Federal, tratando-se, portanto, de matéria constitucional.

Mais grave do que isso, no entanto, foi a reação de parte da opinião pública e de juízes e procuradores que contestaram, agressivamente, sua decisão, pretendo atribuir-lhe a possibilidade de interferir com o andamento da Operação Lava-Jato.

Ora, nem a Operação Lava-Jato está acima do STF, ou da Lei, ou da Constituição da República. ou da opinião, livre, desimpedida, de qualquer cidadão; nem a Suprema Corte pode julgar, conforme as circunstâncias do momento.

Ela deve fazê-lo com vistas ao espírito da letra constitucional, que está muito acima, mutatis mutantis, do que qualquer operação jurídico-policial ou das declarações deste ou daquele grupo ou corporação ou das manchetes dos jornais e dos noticiários de televisão.

O discurso do combate à corrupção seria uma moda passageira e discutível, eventual e potencialmente útil ao aperfeiçoamento das instituições, se não estivesse sendo utilizado, no Brasil — como aliás costuma ocorrer quase sempre na História — como instrumento político de mobilização de massa, de mudança de governo e de conquista do poder.

O STF não pode permitir que em nome dessas manobras e do combate à corrupção, se solape a Democracia.

Que, com a justificativa de uma utopia proposital e interesseiramente manipulada — a venda à população da ilusão de que a corrupção pode ser eliminada pela mera repressão de quem a pratica — se estupre o Direito e se corrompa um patrimônio muito maior do que pessoas, partidos ou empresas: o da Liberdade e o da Constituição da República.

Não se pode negar a responsabilidade do governo anterior pelo atual estado dos fatos.

Pressionado por manifestações já infiltradas por adversários, principalmente depois de 2013, ele errou, e muito, ao diminuir, em nome de um republicanismo caolho, a autoridade que o poder político — derivado da vontade expressa nas urnas pela maioria dos brasileiros — deve ter sobre o Estado e principalmente sobre corporações que, pela própria natureza de suas atividades, exercem poder direto sobre os cidadãos, estimulando certa tendência autonômica, por extensão, autoritária — hoje já quase doutrina — que não se justifica nem se legitima, já que não deriva, justamente, do voto popular.

Cabe agora ao Congresso, por meio de ampla aliança — política, por que de política se trata — que deve incluir todos os partidos, fazer valer suas prerrogativas constitucionais e proceder à correção, com urgência, das brechas institucionais que favorecem o arbítrio e os excessos que se avolumam cada vez mais, como se fossem regra, e não uma situação excepcional e anômala, que se aproxima, na prática e cada vez mais, de um verdadeiro Estado de Sítio.

O STF não pode ceder à pressão e à chantagem a que querem submetê-lo, a todo momento, nesta grave quadra da vida nacional, nem ao achincalhamento de suas decisões por alguns juízes e procuradores cujo ego é inversamente proporcional à sua escassa idade, bom senso e experiência, ou — talvez porque não se ensine nos cursinhos que preparam para os concursos — ao seu entendimento do que são a Democracia e o regime presidencialista, repentinamente alçados a uma súbita e artificial notoriedade, por uma midia comprometida e irresponsável, que não sabe que está amarrando a sua égua justamente onde a onça bebe água.

A Suprema Corte deve, assim como a própria Constituição — a não ser que a Lei seja mudada pela sagrada vontade do povo — ser eterna diante das circunstâncias.

A história passa. O STF vigia.

Ele deve permanecer, em benefício de sua reputação histórica, e da biografia de seus membros, imóvel como um rochedo na paisagem institucional da República, e imune. até onde for possível, às circunstâncias temporais, humanas e políticas.

Como uma bandeira cujo mastro, mesmo que se dobre momentânea e eventualmente à tempestade, sempre volta a se erguer, soberano e sereno, em todo seu poder, evidência e plenitude.

Tudo isso exige, sobretudo, firmeza, equilíbrio e coragem, por parte de uma instituição que está aí não para mudar o país, mas para evitar que as mudanças que eventualmente aconteçam — que não podem ser impostas, como está ocorrendo, na base da pressão, da intolerância e da chantagem — ofendam ou extrapolem o que está escrito na Carta Magna, colocando em risco os direitos dos cidadãos, principalmente aqueles que envolvem, como ocorre agora, a Incolumidade, a Opinião e a Liberdade.
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Seminário em defesa da EBC - UFSC


O Seminário de Comunicação em defesa da EBC, na UFSC, expõe a necessidade do rebatimento de práticas desferidas pelos monopólios da mídia comercial. Ocorre paralelamente ao Comitê pela democratização da Comunicação CDC/SC, interligado ao Fórum Nacional pela democratização da Comunicação.

Reportagens e edição: Márcio Papa.

Locução: Janaína Machado.

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Dilma versus Cunha: um deles chorou e é quem vai para o lixo da História

Eles
Se a estatura moral de alguém pode ser medida na adversidade, é fácil identificar as diferenças entre Cunha e Dilma.

A definição clássica de Hemingway para coragem é “graça sob pressão”. Dilma teve seu mandato afanado por um bandido que liderou uma gangue. Não foi vista ganindo ou dando show de autopiedade.

Esse mesmo sujeito apareceu na tarde de quinta feira, dia 7, para ler sua renúncia. Renegando tudo o que bravateou nas últimas semanas, pediu arrego.

No final de um discurso vagabundo, chorou. Não cabe dizer se foram lágrimas falsas. Cunha é um mitômano, o tipo que acredita em suas próprias mentiras — a versão degenerada do poeta de Fernando Pessoa, o fingidor que finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.

A revista Piauí compilou as vezes em que o ex-presidente da Câmara mentiu no Twitter sobre se iria ou não renunciar. Ele apagou tudo.

Cunha-13-de-junho Cunha-13-de-junho-2 Cunha-9-de-junho

Chorou, ou fingiu que o fazia, porque tem um caráter fraco, além de mau. É um desequilibrado que aparenta a frieza de um pistoleiro de aluguel ou vice versa.

As lágrimas rolaram quando falava da família. É uma tática para fazer crer que ele se importa com o destino dos seus. Ora, se fosse verdade, não as tinha envolvido em suas bandalheiras.

Essa face humana do psicopata vinha sendo cevada na imprensa nas últimas semanas. No último dia 3, seus aliados emplacaram matéria no Estadão dizendo que ele estava “abatido, desanimado, com a perspectiva de perder o mandato e acabar na cadeia”.

Segue: “Numa das ocasiões, o peemedebista ficou nervoso, chegou a chorar e foi visto numa ligação telefônica pedindo para que a mulher se acalmasse.”

Desde pelo menos julho do ano passado ele abriu CPIs, jurou vingança, fez o diabo. Estava acostumado a anos e anos de impunidade e enlouquece com a perspectiva de ir para a cadeia.

Dilma esteve na cadeia e foi torturada. Isso, obviamente, não explica totalmente a diferença de atitude, mas ajuda.

Se ela parecia abalada e confusa antes do impeachment, demonstrou desde então estoicismo e obstinação. Simplificando, é a tranqüilidade da honestidade contra o esperneio da canalhice.

Cunha representa a parte do Brasil que acha que os fins justificam os meios, o Brasil dos espertos. Na formulação do ignóbil Marco Feliciano, é o “malvado favorito” deles. O choro é o coroamento da fraude.

Quando Dilma afirma que é a vítima de uma farsa, ela é chancelada pelos fatos. Quando Cunha se vitimiza e se declara perseguido, causa ojeriza. Nem seus paus mandados acreditam nisso.

Ele ganhou a primeira batalha e agora enfrenta um final de carreira tragicômico. No médio prazo, sabemos quem vai para o lixo da história — sem ser chorado por ninguém.

Kiko Nogueira
No DCM
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Deputado do Solidariedade tem mandato cassado

Na manhã desta sexta-feira (08), em decisão unânime, a Corte Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PA) cassou o mandato do deputado federal Wladimir Costa (Solidariedade).

De acordo com uma fonte do TRE ouvida com exclusividade pelo DOL, a decisão será divulgada somente na tarde desta sexta, mas já está confirmada.

Entre as irregularidades que causaram a decisão estão o recebimento de recursos financeiros para campanha, oriundos de fontes nao declaradas bem como a omissão na declaração de montante que chega a R$410.800. A relatora da representação foi a Juíza Federal Lucyana Daibes Pereira.

O processo foi aberto após o Ministério Público Eleitoral entrar com representação referente aos gastos da campanha eleitoral de 2014. A expectativa é que a decisão seja publicada na segunda-feira (11) no Diário de Justiça Eleitoral. Ainda cabe recurso contra a cassação.

Wlad ficou conhecido nacionalmente nos últimos meses após a pirotecnia durante a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff.



No RBA
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Imprensa começa a questionar apoio de Temer aos planos de Cunha


O núcleo duro do governo de Michel Temer (PMDB) pode tentar negar, mas "o fato é que o interino teve papel de proa na construção da saída de Cunha do cargo". É assim que a Folha de S. Paulo descreve, a exemplo de outros jornais, a participação de Temer na renúncia de Cunha à presidência da Câmara. "Eduardo Cunha só aceitou jogar a toalha sob a promessa de que não seria abandonado pelo governo no dia seguinte."

O jornal não só não escondeu que Temer trabalha ativamente para dar a Cunha o que ele quer em troca da renúncia — um presidente da Câmara que deixe penetrar sua influência na Casa, além de não trabalhar para aprovar sua cassação em plenário — como também publicou um editorial condenando a postura do interino.

Jorge Bastos Moreno, em O Globo, escreveu: "(...) Já passou da hora também de o presidente Michel Temer mostrar à nação que não existe cordão umbilical ligando-o a Cunha."

Há algumas semanas, aliás, o esforço de Temer para atender as demandas de Cunha tem preenchido as páginas de jornais e corrido pela internet sem nenhuma surpresa. "Os rumores sobre a renúncia só deslancharam após uma conversa privada entre Temer e o deputado afastado, há cerca de 15 dias. Foi quando Cunha verbalizou que aceitaria renunciar ao posto na Câmara, desde que tivesse apoio do Planalto para tentar reverter a tendência de cassação do seu mandato."

Temer, além de não despertar a fúria do poderoso aliado, também ganha com a renúncia, pois surge a oportunidade de emplacar um presidente da Câmara próximo à cúpula do PMDB, que não deixe a Casa se fragmentar em votações de interesse do Planalto.

Com sinal verde do presidente interino, Cunha segue com o plano de ganhar uma sobrevida na Casa, mesmo com aliados totalmente descrentes de que ele vai conseguir salvar o mandato.

Na própria quinta (7), após a renúncia, Cunha entrou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com um recurso solicitando que seu processo de cassação volte ao Conselho de Ética para ser votado novamente. 

A expectativa é de que o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB), após conversar com Temer, acolha o pedido de Cunha em decisão unilateral e faça o processo voltar à estaca zero. Tudo isso, claro, após o recesso parlamentar da Câmara, dando mais prazo para Cunha tentar reverter a situação.

Paralelamente, Cunha tenta emplacar Rogério Rosso (PSD) na presidência da Câmara. A eleição deve ocorrer na próxima semana, após um acordo de líderes.

No GGN
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Dilma vê renúncia de Eduardo Cunha como 'jogada' para salvar mandato

Dilma, Lula e dirigentes do PT avaliam que Cunha fez acordo com Temer e o PSDB para tentar salvar o mandato

A renúncia do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvejado pela Operação Lava Jato, foi vista pela presidente afastada Dilma Rousseff e por ex-ministros como uma "jogada" para tentar salvar o mandato dele. Em conversas reservadas, Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes do PT avaliaram que Cunha fez acordo com o presidente em exercício Michel Temer e também com o PSDB, para costurar o arquivamento do pedido de cassação.

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma, disse que vai anexar o pronunciamento de Cunha no processo de defesa da presidente afastada. Ao renunciar, Cunha afirmou pagar "um alto preço por ter dado início ao impeachment" da petista.

"O discurso dele cai como uma luva para demonstrar que esse processo foi, o tempo todo, movido por desvio de poder e vingança", afirmou Cardozo, que foi advogado-geral da União. "Está evidente a má-fé nos atos de Cunha", disse.

O então presidente da Câmara dos Deputados só aceitou a denúncia contra Dilma, em dezembro do ano passado, depois que o PT anunciou que não o apoiaria no Conselho de Ética.

A bancada do PT na Câmara vai agora trabalhar para dividir a base aliada de Temer no Congresso. A estratégia avaliada nos bastidores pelos petistas consiste em dar apoio a um candidato competitivo, que possa derrotar o nome de preferência do Palácio do Planalto.

O problema é que o PT também está rachado. Uma ala defende até mesmo o aval à candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para se contrapor ao avanço de Rogério Rosso (PSD-DF), nome ligado a Cunha. No diagnóstico dos petistas, a renúncia de Cunha foi uma manobra que passou pelo Palácio do Planalto.

"Trata-se de uma jogada para salvar o mandato de um dos chefes do golpe e rearticular a base do governo ilegítimo de Temer", afirmou o ex-ministro das Relações Institucionais Ricardo Berzoini. "Há várias fissuras nessa base e, evidentemente, a renúncia tem o objetivo de amenizar a campanha pela cassação do mandato de Cunha", disse Berzoini.

No O Dia
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Cadê o tuíte que estava aqui? Cunha apaga mensagens que negavam renúncia

Diversas postagens feitas pelo deputado afirmavam que ele não entregaria o comando da Câmara; confira algumas delas

Minutos depois de anunciar que deixaria a presidência da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apagou do Twitter as mensagens que afirmavam que ele não entregaria o comando da Casa.


No último mês, a conta do político fez diversas postagens negando que iria abrir mão do posto. “Reafirmo que não irei renunciar”, enfatizou em uma publicação. “Não fui procurado por nenhum parlamentar sugerindo a renúncia”, disse em outra.

Ontem (7), Cunha chorou durante entrevista coletiva ao revelar sua decisão e criticar uma suposta “perseguição” a sua família. A esposa do deputado, Cláudia Cruz, e a filha, Danielle, são acusadas de envolvimento no uso de dinheiro público que ele teria recebido de forma ilegal.

Confira as postagens abaixo.

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No Fórum
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O que foi mais repulsivo na fala de Cunha: o choro, o vitimismo ou as menções a Deus?

Tem que ser preso
Não há razões para comemorar a renúncia de Eduardo Cunha. Ele tinha que estar preso há muito tempo.

Ele é um insulto a todos nós. Sua liberdade nos diminui e nos humilha, tais e tantos seus crimes.

A carta de renúncia é uma infâmia. Eduardo Cunha, como psicopata que é, consegue se apresentar como vítima, vítima da perseguição dos homens maus que não o perdoaram por ter aberto o processo de afastamento de Dilma.

Ora, ora, ora.

Parece até que ele é São Francisco de Assis, e não o caso mais espetacular de corrupção comprovada que já apareceu na história política nacional. Perto de Cunha, Maluf virou um mirim.

Eduardo Cunha fez da Câmara dos Deputados um instrumento vil para a multiplicação de sua riqueza. Ao chegar à presidência da Câmara, sob o apoio entusiamado do PSDB e da mídia, ele já era um câncer parlamentar. Com mais poder, virou uma metástase.

Os depoimentos dos delatores são estarrecedores. Cunha, através de seus paus mandados, fazia ameaças para que não o citassem. Um delator contou que ameaçaram queimar sua casa com a família dentro.

Nada teria ocorrido a ele, a despeito de seus crimes, se não fossem os suíços. Se dependêssemos de Moro e da Lava Jato, seríamos obrigados a aturar Cunha até que a natureza se incumbisse de levá-lo para o túmulo.

As autoridades suíças entregaram de bandeja às brasileiras documentos que provam as contas milionárias que Cunha escondia no exterior.

Mesmo diante de evidências esmagadoras, ele continuou a negar as contas. Era como se ele dissesse a um bando de imbecis: “Vocês vão acreditar naqueles suíços ou em mim?”

Ele voltou a protestar inocência em sua renúncia. Como poderia mentir e dizer não ter contas fora numa CPI convocada por ele mesmo? — perguntou. Ora, como se isso fosse um obstáculo para ele pronunciar mais uma de suas inumeráveis mentiras. Ele contou sempre, em sua carreira de gangster, com a certeza da impunidade. Confiava que podia falar — e fazer — qualquer coisa sem enfrentar as consequências.

Dominava tudo e todos.

É difícil dizer o que foi mais repulsivo em seu pronunciamento de renúncia. As lágrimas? As menções a Deus? A afirmação de que sua mulher está sendo perseguida por causa dele?

Estamos falando de Claudia Cruz, em cuja conta bancária foi descoberto, conforme se soube há poucos dias, um depósito de 590 mil reais de uma empresa que financiou seu marido e foi por ele favorecida.

Claudiz Cruz, como seu marido, estava tão certa da impunidade eterna que não escondia a vida de fausto que levava, brutalmente incompatível com aquilo que o salário de um deputado permitiria. Selfies suas postadas no Facebook viralizaram como imagens da existência de rainha que ela levava.

O final da história de Cunha não será satisfatório se ele não terminar na cadeia.

A renúncia, embora de alto poder simbólico, é muito pouco para quem fez o que ele fez.

Repito: a liberdade de Eduardo Cunha vai nos ofender a todos enquanto ela perdurar.

Paulo Nogueira
No DCM
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A Globo e Cunha. O que o PT nunca entendeu

São uns ingratos!



Essa página dupla central da edição impressa do Globo, com a galeria de notáveis colonistas.

Só faltou o Marechal do Colonismo, o dos chapéus, esse historialista, que passa açúcar em Golpe — o de 1964 e o 2016.

E o jornal nacional:

Após 2 meses de afastamento, Cunha renuncia à presidência da Câmara.



A Globo, agora, depois da queda, tripudiou sobre o cadáver de Cunha.

Tem até um editorial velhaco: "Deputados têm o dever de recuperar a confiança do eleitor".

"Nova diretoria da Camara precisa ter biografia inquestionável"...

"A ingratidao é a inveja merecedora de todo o ódio".

(Padre Antonio Vieira, "Índice das coisas mais notaveis", organizado por Alcir Pécora, Editora Hedra, Sao Paulo, 2010)

"Adular é querer mal", do mesmo autor.

A Globo adulou, bajulou, purificou o Cunha.

Quando ele boicotou a Ley de Medios: só por cima do meu cadáver.

Defendeu os interesses da Globo, caninamente, na votação do Marco Civil da Internet e quando as telefônicas ameaçavam a Globo.

E, acima de todos os crimes, a Globo bajulou o Cunha, transformou-o num Péricles de Atenas, para promover o impeachment da Dilma.

São uns ingratos.

A Globo não perdoa.

A Globo não tem amigos, tem interesses.

Foi o que o PT e a Dilma ("use o controle remoto"...) nunca entenderam.

Acovardaram-se diante da Globo para comprar sua complacência — e por ela foram triturados.

O Requião conta sempre aquela conversa com o José Dirceu:

— Mas, Requião, você não entendeu nada! Nós já temos uma emissora de televisão! A Globo!

O Cunha certamente entendeu a liçao.

E a Dilma, se voltar?

O que é mais provável a cada dia...

Vai nomear o Paulo Bernardo Ministro das Comunicações?

PHA
No CAf
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O desfecho de Temer será ainda pior do que o de Cunha


Fosse o Brasil um país com uma democracia mais sólida e instituições mais isentas, a renúncia de Eduardo Cunha à presidência da Câmara seria recebida como a desmoralização última do processo de impeachment.

Responsável pela aceitação de uma denúncia estapafúrdia assinada por gente como Janaína Paschoal, Cunha é a tradução perfeita da ausência de moralidade e de legalidade que permeiam todo o processo que levou ao afastamento de uma presidenta legitimamente eleita.

A sua queda — ainda que com uma demora secular e sobretudo muito longe de ser a que realmente importa: a sua prisão — ratifica sobremaneira o vício e a injustiça do golpe que pretende cassar 54 milhões de votos soberanos.

O fato é que não vivemos num país justo. Aliás, quem mais deveria zelar pela justiça, o Supremo Tribunal Federal, contribuiu irreparavelmente pela desordem e pela instabilidade dos poderes.

Tivesse Eduardo Cunha sido tratado como realmente é, um criminoso internacional e sociopata perigoso, muito provavelmente não teríamos chegado a esse ponto.

A demora do STF em afastá-lo permitiu que um desequilibrado fizesse da casa mais importante da república um instrumento pessoal cuja única finalidade se resumiu a proteger e acobertar toda a sorte de crimes, chantagens e ameaças.

E ainda pior.

Permitiu, com a sua inépcia, que um traidor covarde, através da chancela de corruptos de igual estirpe, ocupasse um cargo que jamais teria pela vontade irrestrita e declarada do povo.

Definitivamente, a única coisa mais afrontosa que Eduardo Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas, Michel Temer na presidência da República.

Se ainda resta a Cunha o discurso de ter chegado à presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode alegar. A ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se aprofunda à medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo isso.

Humilhado, Eduardo Cunha saiu da presidência que tanto sonhou através de uma carta de renúncia ridícula que nada mais fez do que retratar toda a tragédia que foi a sua gestão.

Michel Temer terá, independente do que aconteça no Senado, um desfecho ainda pior.

Carlos Castilhos
No DCM
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Chorando se foi

Na história recente do Brasil, é difícil encontrar outro personagem com a ousadia, a ganância e a ambição de Eduardo Cunha. As três características o ajudaram a se tornar um dos políticos mais poderosos das últimas décadas. Ao mesmo tempo, aceleraram sua queda, consumada nesta quinta (7) com a renúncia à presidência da Câmara.

Cunha construiu a carreira nos bastidores, à sombra de padrinhos como Fernando Collor, Anthony Garotinho e Michel Temer. Aprendeu a manejar o submundo do Congresso e forjou alianças com lobistas e grandes empresários. Assim se transformou em intermediário entre os donos do dinheiro e políticos em busca de financiadores de campanha.

A desarticulação do governo Dilma abriu espaço para voos mais altos. O deputado farejou a oportunidade, candidatou-se à presidência da Câmara e impôs uma derrota humilhante ao Planalto. Ao assumir a cadeira, criou uma bancada particular maior do que qualquer partido e passou a sonhar até com a Presidência.

A Lava Jato interrompeu a ascensão meteórica, mas Cunha não jogou a toalha. Chantageou governo e oposição e, ao se sentir rifado pelo PT, abriu o processo de impeachment como ato deliberado de vingança.

A ousadia que o ajudou a abrir portas já havia começado a atrapalhá-lo. O deputado se fragilizou ao travar brigas simultâneas com o Planalto, o presidente do Senado e o procurador-geral da República. Conseguiu derrubar o governo, mas não foi capaz de parar as investigações. Ao virar a bola da vez, acabou abandonado pelos aliados de ocasião.

Sua queda era negociada havia semanas, mas ele insistia em negar as articulações. Ontem voltou a mentir ao dizer que sai para "pôr fim à instabilidade" na Câmara. Na verdade, seu único objetivo é tentar evitar a cassação e uma mudança forçada para Curitiba. No último ato, Cunha só surpreendeu numa coisa: conhecido pela frieza, embargou a voz e chorou diante das câmeras.

Bernardo Mello Franco
No fAlha
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Leandro Karnal - Civilização e Barbárie

 Imperdível 



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