20 de jun de 2016

As digitais de Israel e dos Estados Unidos no golpe brasileiro

O governo golpista de Michel Temer é comandado por Israel e Estados Unidos e tudo indica o DNA da CIA e do Mossad na derrubada de Dilma.

Poucos se atentaram ao fato de que Israel passou a controlar com seus sionistas três setores-chave do governo golpista: a Defesa (Raul Jugmann), a Inteligência (Sergio Etchegoyen) e o Banco Central (Ilan Goldfajn).

Nos últimos anos, Israel passou a controlar os principais ministérios e a influir na eleição de praticamente todos os deputados e senadores dos Estados Unidos. Agora avançam sobre os principais países latino-americanos com Macri na Argentina e como Temer no Brasil. Para quem achava que a luta palestina era um distante conflito no Oriente Médio, ele bateu às portas e chegou ao poder.

Um banqueiro sionista dos Estados Unidos dizia: "entreguem-me o controle das finanças de um país e pouco importo-me com o que fazem com as leis". Pois bem, Temer nomeou um sionista representante dos banqueiros como presidente do Banco Central do Brasil. Agora, um país minúsculo e arrogante chamado Israel controla as finanças de um gigante adormecido chamado Brasil.

Na Política Externa, Serra pediu para avaliar custos de embaixadas na África e no Caribe visando fechá-las. Também pretende dar ênfase a tratados comerciais e negociações bilaterais como o Tratado Transpacífico. Ele partidariza as relações exteriores ao atacar governos de esquerda, virar as costas para o Sul global e dar prioridade absoluta aos Estados Unidos.

Esta é a típica visão de vira-lata que acha que um país da dimensão do Brasil só deve ter relações com países ditos desenvolvidos Voltaram os tempos em que o Brasil falava grosso com países pobres e fininho com os Estados Unidos:

Esta submissão aos EUA é correspondida pelo outro lado. A embaixadora estadunidense no Brasil durante o golpe foi a mesma que articulou a derrubada de Lugo no Paraguai. Agora, os EUA a substituíram pelo embaixador deles no Afeganistão, um especialista em "reconstrução econômica" em lugares de conflito, onde se impõe uma agenda ultra neoliberal.

O Wikileaks já revelou que Temer foi informante para os Estados Unidos. Então não acredita que o governo golpista de Temer trabalha para o imperialismo dos Estados Unidos? Veja os dois documentos vazados pelo Wikileaks e tire a própria conclusão:

Tem algo com fedor de enxofre sendo gestado pelo Departamento de Estado para o Brasil e consequentemente para a América Latina.

Este pútrido odor lembra as fumaças negras de 1964...

Contudo, cresce a resistência internacional ao golpe. Em Nova York, EUA, no Congresso de Estudos sobre America Latina - LASA, intelectuais protestam contra o golpe no Brasil e repudiam a palestra de FHC que, temente de manchar ainda mais sua biografia, cancelou sua participação no dia 28/5/2016.

Mais de 500 argentinos protestaram com José Serra em Buenos Aires. Não se tem notícias de que um ministro brasileiro tenha sido recebido com protesto na Argentina. Macri age como um lacaio do Império ao receber Serra em tais condições.

Para entender os próximos passos do governo golpista de Temer, assistam este documentário: "A doutrina do choque".

Da mesma forma que um golpe de Estado no Chile abriu o caminho para a imposição do neoliberalismo, agora a mesma receita segue em implantação no Brasil. É preciso resistir a este governo. Todas as suas medidas serão antinacionais e antipopulares.

Thomas de Toledo, Historiador pela FFLCH/USP, Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo IE/Unicamp e Professor de História Econômica e Relações Internacionais da UNIP.
No Pravda
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Moro não sumiu: foi sumido

Procura-se
Moro sumiu.

Ou melhor: foi sumido.

Como as pesquisas do Datafolha e do Ibope, tão frequentes na desestabilização do segundo mandato de Dilma, Moro saiu do ar.

Ou, de novo: foi saído.

Você tira duas conclusões daí:

1) Moro, sem o circo da mídia, não é nada. A mesma coisa aconteceu com Joaquim Barbosa, hoje reduzido a um tuiteiro que tenta ganhar a vida com palestras.

2) Para despertar interesse da imprensa, a Lava Jato tem que mirar em Lula, Dilma e no PT em geral. Delações como as de Sérgio Machado são tratadas como assunto de segunda ou terceira classe pelos coroneis da mídia e seus fâmulos.

Moro e a Lava Jato têm apenas um propósito, para a plutocracia e sua voz, a imprensa: minar o PT. Se possível, exterminar.

Por circunstâncias que escaparam ao controle dos golpistas, as delações — sobretudo as de Machado — fugiram dos suspeitos de sempre, os petistas. Coisas infinitamente menos pueris que pedalinhos apareceram no caminho, mas foram previsivelmente subestimadas ou mesmo ignoradas por jornais e revistas.

Está claro que, fora do mundo de fantasia criado pelos plutocratas, o partido menos corrupto entre os grandes que estão aí é exatamente o PT.

Os demais, a começar pelo PSDB, puderam roubar com a voluptuosidade típica dos ladrões que sabem que não sofrerão castigo.

Mas não foi para demonstrar isso que a imprensa inflou Moro e a Lava Jato.

A não ser que forneçam novos panelinhos para os Marinhos e congêneres, Moro e os delegados da PF receberão o mesmo tratamento dispensado a Joaquim Barbosa: o esquecimento glacial.

Paulo Nogueira
No DCM
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Marilena Chaui: Sociedade autoritária, ética e violência no Brasil


Conferência no Quintal Amendola - maio/2016

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Xadrez de Temer e o caso dos 10 negrinhos


Lembrando o poema “O caso dos dez negrinhos”

Cinco homens no comando
Irmanados em um trato
Levaram Eduardo Cunha
Restaram apenas quatro.

Quatro homens planejando
A grande jogada da vez
Levaram Romero Jucá
Agora, só restam três.

Três homens bem assustados
Com o que a Justiça expôs
Chegou a vez do Padilha?
Restarão apenas dois.



No site de Eliseu Padilha, um rock mambembe conta a vida do “Padilha subindo a ladeira”, com “a chama no peito e de mãos dadas com a esperança brasileira”.

A ladeira rima com um cinco meia meia, seu número de candidato a deputado federal. No meio da música, relatos de Padilha menino “descendo a ladeira”, procurando “faturar um trocado para aumentar o quinhão” e “querendo subir na vida”.

Subiu. Tornou-se Ministro-Chefe interino da Casa Civil e homem mais poderoso da República, posto que o braço direito de um presidente vacilante.

Na condição de Ministro-Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha mapeou os três pilares da frente que construiu o impeachment: o Judiciário, a base política e a imprensa.

Para o Judiciário, ofereceu aumentos de proventos. Para a base política, cargos e lambança. Para a mídia, toda a publicidade da Secom (Secretaria de Comunicação). E, para o país, ofereceu uma das biografias mais polêmicas da República.

Nos governos anteriores, a Secom servia para filtrar a publicidade, especialmente a que era direcionada para veículos fora do circuito da grande mídia. Pelo menos até o ano passado, trabalhou muito mais para podar campanhas do que para estimular. Mas a decisão da publicidade ficava com cada empresa pública.

Com o interino, a Secom passa a centralizar toda a publicidade.

Isso lhe confere um poder de pressão inédito sobre os veículos de mídia. Nenhum grupo privado conseguirá fazer frente à soma combinada da publicidade da Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Ministérios. Em um momento de crise dos grupos de mídia, trata-se de uma ameaça direta à liberdade de expressão, na medida em que constrangerá inclusive os grandes veículos.

Neste fim de semana, alguns veículos noticiaram a condenação de Padilha a devolver R$ 300 mil ao Tesouro, devido à contratação de uma servidora fantasma.

O caso da funcionária fantasma é o menor envolvendo Padilha.

A seguir, um breve resumo da carreira pública de Padilha.

Caso DNER

O presidente Fernando Henrique Cardoso devia dois favores a Eliseu Padilha. O primeiro, a operação empreendida por ele e por Gedel Vieira Lima, visando impedir a candidatura de Itamar Franco pelo PMDB. A segunda, seu papel na compra de votos para a emenda da reeleição.

Como pagamento, Padilha foi nomeado Ministro dos Transportes em maio de 1997, permanecendo até novembro de 2001.

Saiu no meio de um mega escândalo de corrupção no DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) denunciado pelo então senador Antônio Carlos Magalhães. Ficou conhecido como o escândalo da Máfia dos Precatórios. Consistia em furar a fila dos precatórios do DNER e superfaturar os valores devidos, mediante o pagamento de propinas.

O caso foi investigado internamente, tanto pela Secretaria Federal de Controle Interno como pelo Tribunal de Contas da União. Mas FHC abafou o escândalo. Suas únicas providências consistiram em demitir Padilha e acabar com o DNER, substituído pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) que permaneceu no governo FHC, nos de Lula e Dilma o maior centro de corrupção da União — segundo o depoimento insuspeito de Sérgio Machado.

Em 2002 o Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar irregularidades no Ministério dos Transportes. Chegou-se até uma certa Nova Agência de Automóveis Ltda.

Segundo o processo (http://migre.me/u9h8g), Ulisses José Ferreira Leite  recebeu mais de dez milhões em suas contas pessoais, cerca de um décimo dos desvios do DNER. Ao lado de Geraldo Nóbrega e de Olívio Moacir Padilha tornou-se sócio da firma Nova Agência de Automóveis Ltda. Sua parte no negócio consistia em presentear funcionários e o próprio Ministro com automóveis de alto valor.

Nos depoimentos, constatou-se que a própria esposa de Padilha foi uma das presenteadas com automóvel de luxo.

Foi apenas uma das evidências da participação estreita de Padilha no escândalo.

Em 2003 o MPF ajuizou a ação contra Padilha. Apenas em 2013 a ação foi aceita pela 6a Vara Federal do DF. A demora se deveu à questão de competência: a Justiça federal remetendo ao Supremo que devolveu à 6a Vara (http://migre.me/u9hSH).

Na ação, o MPF apontou Padilha como lobista, que usava o cargo para atender "pleitos políticos para pagamentos absolutamente ilícitos e ainda por cima superfaturado.

Em um dos casos, o DNER usou por 82 dias o prédio da empresa Comércio, Importação e Exportação 3 Irmãos. Pelo aluguel, a empresa teria direito a R$ 185 mil. O DNER acertou um acordo extrajudicial elevando o valor para R$ 2,3 milhões.  "Bastaria o bom senso para compreender que 82 dias de uso de um prédio (...) não poderia custar quase o valor do prédio", segundo o procurador Luiz Francisco Fernandes de Souza, autor da ação. (http://migre.me/u9ihE)

Em documentos e depoimentos, Padilha foi apontado como mandante, a pedido do ex-deputado Álvaro Gaudêncio Neto, cujo pleito foi encaminhado ao Ministério por Eduardo Jorge, o influente assessor especial de FHC.

O procurador do DNER Pedro Elói Soares denunciou Padilha pelas falcatruas. E a própria Advocacia Geral da União (AGU) divulgou relatório apontando prejuízo de R$ 122,9 milhões com as fraudes. O documento afirmava expressamente que Padilha tinha conhecimento das irregularidades, assim como o consultor Arnoldo Braga Filho.

A ação do MPF apresentou ofício do assessor especial de Padilha, Marcos Antônio Tozzatti, pedindo “a maior brevidade possível”, por “ordem do excelentíssimo senhor ministro dos Transportes, Eliseu Padilha".

Em sua defesa, Padilha afirmou ter sido vítima de irregularidades cometidas por funcionários do terceiro escalão.

As denúncias de ACM levaram a recém-criada Corregedoria Geral da União à sua primeira investigação: justamente as aventuras de Padilha nos Transportes.

O governo havia instalado uma comissão para analisar as irregularidades no DNER. Mas, das 46 irregularidades constatadas, apenas uma foi analisada, justamente para suspender as punições contra dois funcionários.

Em vista disso, a corregedora Anadyr de Mendonça Rodrigues levantou irregularidades na desapropriação de uma área em Sinop (MT) e produziu um documento com 14 páginas, enviado pessoalmente a Fernando Henrique. Segundo Anadyr, a comissão de inquérito passou por cima de 46 processos conexos que tratavam de desapropriação (http://migre.me/u9ize)

E aí FHC não teve como se abster.

O presidente chamou Padilha em seu gabinete e ordenou-lhe que reabrisse as investigações.

Em vez de punir os responsáveis, FHC tirou o sofá da sala: extinguiu o DNER e substituiu-o pelo DNIT

A decisão de FHC provocou forte reação de ACM

“Tenta-se calar a grande imprensa, mas V.Exa. bem sabe que não se pode silenciar por todo o tempo a consciência cívica do país. A pura e simples extinção do DNER, como foi a da Sudam e a da Sudene, é insuficiente, pois o necessário é pegar os ladrões do erário".

Nos anexos está a Ação Cautelar de Improbidade do MPF contra Padilha e outros para ser consultado por vocês, para me ajudarem a identificar pessoas e parcerias.

A Operação Solidária

Em 2007 a Polícia Federal decidiu investigar a terceirização do fornecimento de merenda escolas em Canoas RS), na administração Marcos Ronchetti (PSDB). O seu lema de campanha era “administração solidária”, vindo daí o nome da operação.

Descobriu fraudes em licitações para obras de saneamento, construção de estradas e de sistemas de irrigação (http://migre.me/u9dwc)

A empresa-chave na operação era a MAC Engenharia, de Marco Antônio Camino, apontado como o operador do esquema. As escutas identificaram várias chamadas de Carmino para Padilha. Investigações da PF e do MPF indicaram depósito de R$ 267 mil da MAC na conta da Fonte Consultoria Empresarial, de Padilha e de sua esposa.

O inquérito total tinha sete volumes, dos quais seis baseados na operação de escuta. A Operação Solidária apontou indícios de fraude que chegaram a R$ 300 milhões, em valores da época.

As investigações envolveram ainda o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Alceu Moreira (PMDB) e o Secretário Estadual de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano (PMDB), todos da gestão Yeda Crusius.

Todas as licitações importantes de Canoas passavam por Chico Fraga, Secretário-Geral da Prefeitura. A PF apurou ligações estreitas entre Chico a Padilha. Ambos tiveram grande influência no governo Yeda Crusius. E Padilha empregou em seu gabinete, mas lotada em Porto Alegre, a esposa de Chico Fraga, Maria Dolores Fraga,

Essa contratação originou outro inquérito, sobre a contratação da servidora fantasma — divulgada esta semana pela imprensa.

A quadrilha atuou também em obras do Estado. Segundo matéria do jornal Zero Hora, a Secretária Adjunta da Secretaria Estadual de Obras Públicas, Rosi Bernardes, foi apontada como suspeita de repassar informações privilegiadas sobre licitações. O projeto era a principal obra do programa de irrigação do governo do Estado.

A Operação Rodin

Não se ficou no roubo de merenda escolar. As investigações constataram o elo entre a Operação Solidária e a Operação Rodin, que desviou R$ 44 milhões do DETRAN gaúcho.

De acordo com a PF, Padilha e o também deputado Otávio Germano (PP-RS) passaram a Carmino informações privilegiadas sobre recursos do FAT, BNDES e DNIT. E montaram um esquema para desviar recursos das obras do PAC.

Reportagem da IstoÉ, em 25/03/2009, relatava que em uma das conversas Camino dizia a Padilha: "Aquele assunto que nós tratamos na terça feira será viabilizado 100, tá?"

Segundo a PF, a quadrilha se valia de códigos nas licitações para direcionar as obras para empresas ligadas ao grupo.

Em outra conversa, Camino convida Padilha a visitar a empresa e manifesta interesse em licitação na Secretaria de Irrigação.

Segundo alegações dos advogados de Padilha, os R$ 100 mil recebidos seriam provenientes da compra de uma casa e os R$ 267 mil não seriam da MAC mas da Magna (http://migre.me/u9dcx). O argumento era frouxo. A Magna Engenharia também havia sido indiciada pela PF por participação no esquema.

Os diálogos gravados mostravam acertos de Padilha com autoridades estaduais, para direcionar os editais de duas barragens para a quadrilha (http://migre.me/u9dRq).

No dia 14 de fevereiro de 2011 Padilha foi indiciado por crime em licitações e formação de quadrilha, após prestar depoimentos na sede da PF em Porto Alegre (http://migre.me/u9dG6)

O arquivamento das ações

O inquérito terminou anulado no STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2014 porque, ao pedir autorização para o grampo, na 1a Instância, a PF descuidou-se em relação ao foro de Padilha, no cargo de deputado federal.

Padilha assumiu o cargo de deputado em fevereiro de 2007, mas a primeira instância só remeteu o caso ao Supremo em junho de 2008. Devido a esse detalhe, todas as provas colhidas foram anuladas. A autorização teria que ter sido concedida pelo próprio STF. Marco Aurélio considerou que o foro deve ser utilizado inclusive na fase do inquérito (http://migre.me/u9d7X).

Em dezembro de 2014 foi arquivado o segundo inquérito, da contratação da funcionária fantasma.

Uma das medidas propostas pelo Ministério Público Federal visa justamente evitar a anulação completa de processos devido ao chamado “fruto da árvore proibida”.

Consequências

Padilha se safou dos processos meramente por erros processuais.

Mas como fica politicamente? Todas as informações acima foram levantadas da Internet. São informações públicas, que constam de inquéritos da PF, processos do MPF, sentenças do STF, relatórios da AGU.

Padilha não é mais o deputado obscuro montando jogadas e safando-se milagrosamente de processos. Agora, é o homem forte da República. No Executivo, acima dele há apenas o Presidente interino Michel Temer, de quem é carne e unha.

Por suas mãos passam, agora, todas as demandas políticas e ele é a voz de comando sobre todo o Ministério.

Luís Nassif
No GGN
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Anistia de Temer a estados contradiz discurso do governo quebrado


O presidente interino Michel Temer, como todos sabem, conquistou o poder provisório a partir da tese de que a presidente eleita Dilma Rousseff quebrou o País com suas "pedaladas fiscais".

Pois bem: se a tese era verdadeira, Temer deveria promover um ajuste das contas — e não alargar ainda mais o rombo fiscal.

Nesta segunda-feira, no entanto, ele tomou mais uma medida expansionista, do ponto de vista fiscal, ao conceder anistia de seis meses aos estados nos pagamentos de suas dívidas.

Até agora, Temer já ampliou o déficit para R$ 170 bilhões (o que deve se repetir em 2017), concedeu reajustes ao Poder Judiciário, permitiu a criação de cargos de confiança no Legislativo e concedeu subsídios aos governadores.

Além disso, aumentos de impostos, como a volta da CPMF, foram descartados para não contrariar o empresariado.

Com issso, o resultado da gestão provisória será um país em condições fiscais muito piores do que as que foram entregues pela presidente Dilma Rousseff.

No Twitter, Michel Temer comentou a renegociação com os Estados: "Depois de um longo inverno, parece que a luz se acendeu no horizonte".

Leia, abaixo, reportagem da Reuters:

Governo fecha acordo e Estados terão carência total por 6 meses na dívida

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e governadores fecharam acordo nesta segunda-feira sobre a renegociação da dívida dos Estados com a União, por meio do qual não terão de desembolsar nenhuma parcela por seis meses, afirmou o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB).

Segundo ele, os Estados voltarão a pagar suas parcelas da dívida em janeiro, de forma escalonada. Meirelles esteve reunido nesta tarde com diversos governadores para tratar sobre o tema.

"Teremos uma carência no pagamento da dívida de seis meses. A carência total. Depois, nós teremos a partir de janeiro uma redução proporcional em 18 meses", afirmou Rollemberg a jornalistas, acrescentando que a parte da dívida que foi judicializada será paga pelos Estados em 24 meses.

Em princípio, os Estados queriam carência total por dois anos, enquanto o Tesouro havia proposto pagamento da dívida de 100 por cento até julho e, a partir daí, cairia a cada bimestre até chegar a 40 por cento em julho de 2017, patamar que ficaria congelado até dezembro daquele ano. A partir daí, voltaria cair até zerar a carência em 2018.

Reportagem de César Raizer
No 247
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Mídia impressa segue em sua derrocada

“No grupo de 18 a 24 anos, quase 30 por cento disseram que a mídia social é sua principal fonte de notícias.”
Dois estudos importantes sobre a indústria da mídia foram divulgados em meados de maio. Um deles se concentra nos Estados Unidos e outro tem visão mais global, mas ambos mostram basicamente o mesmo quadro: a mídia impressa e outros veículos tradicionais de notícias seguem encolhendo, enquanto aumenta o domínio do Facebook e outras plataformas digitais.

Os relatórios são do Pew Research Center e do Instituto Reuters de Estudos de Jornalismo. No caso do trabalho da Reuters, mais de metade dos pesquisados (50 mil pessoas em 26 países) dizem encontrar suas notícias via mídia social toda semana e cerca de 12 por cento afirmaram que ela é a principal fonte, com o Facebook de longe na liderança.

No grupo de 18 a 24 anos, quase 30 por cento disseram que a mídia social é sua principal fonte de notícias. Segundo a Reuters, os resultados são dramáticos:

“Em 26 países, vemos um cenário comum de perda de empregos, cortes de custos e metas não alcançadas, enquanto a queda de receita da mídia impressa se combina com a economia brutal do digital em uma tempestade perfeita. Em quase todos os lugares presenciamos a adoção maior de plataformas online, em grande parte como suplemento de modos de transmissão, mas com frequência às custas do jornalismo impresso”.

O estudo do Pew Center detalha mais como o negócio dos jornais impressos vem sendo dizimado pela mudança para o digital. O ano passado “foi talvez o pior para o setor desde a recessão”, e mesmo os esforços online das empresas não estão ajudando muito. A circulação média (impressa e digital juntas) caiu outros 7 por cento em 2015, a maior queda desde 2010. A receita total de publicidade caiu quase 8 por cento, para os dois casos.

Os empregos no setor, claro, vão desaparecendo. Houve uma queda de 10 por cento em 2014, e de quase 40 por cento desde 1994.

E o modelo de negócio de cobrar pelos assinantes online, formato adotado pioneiramente pelo New York Times? Os dados da Reuters não sugerem otimismo, Nenhum país de língua inglesa pesquisado pelo instituto teve uma taxa de pagamento maior que 10 por cento. No Reino Unido, por exemplo, não passa de 7 por cento.

O Pew Center nota que “existe dinheiro sendo feito na web, mas não pelas organizações de notícias”. Os gastos com publicidade digital cresceram 20 por cento em 2015, chegando a U$ 60 bilhões, “mas as organizações jornalísticas não foram as beneficiárias primárias”. Na verdade, este dinheiro está indo parar nas mãos de gigantes como Google e Face

Pode-se imaginar que o maior dano causado às empresas noticiosas seja a perda crescente de sua participação no bolo publicitário. É pior que isso, diz o Pew. Na era pré-digital, “as organizações jornalísticas controlavam os serviços e produtos jornalísticos do começo ao fim. Com o tempo, companhias de tecnologia como Facebook e Apple se tornaram parte integral, se não dominante, na maior parte destas operações”.

O resultado? Cada vez mais o conteúdo é encontrado em redes sociais como Facebook ou em agregadores como Google News ou Apple News, o que dilui as marcas das empresas jornalísticas. As únicas marcas conhecidas se tornam as das plataformas digitais.

José Eduardo Mendonça
No DCM
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O dia em que um movimento golpista foi expulso da Paulista

Coxinhas que apoiam Temer pouco antes de se retirar na Paulista 
O domingo, dia 19 de junho, foi cenário da expulsão de um grupo de coxinhas na Paulista.

Pouco mais de 50 pessoas cobertas com bandeiras do Brasil e outros apetrechos nacionalistas se aglomeraram em frente ao Masp, onde Eduardo Suplicy falava.

Gritavam palavras de ordem contra Suplicy e os que o ouviam. Uma senhora mais exaltada mandou-os embora. “A avenida não é de vocês” falou.

Houve mais um pouco de bate boca, uma ou outra escaramuça. A ficha demorou, mas caiu. Não por causa da tensão, mas do desinteresse. A multidinha do “Nas Ruas” bateu num retirada silenciosa em direção à rua da Consolação.

A líder, Carla Zambelli, que se define como “executiva”, levou seus seguidores rumo ao desconhecido. Carla havia tentado juntar gente com um boneco gigante da nova vítima desse tipo de “protesto”: o procurador geral Rodrigo Janot, apelidado “Enganô”.

Janot, dizem, “só prende de um lado”. “E os verdadeiros criminosos estão soltos”, acreditam. Os “criminosos” são Lula, Mercadante, Dilma etc.

O Nas Ruas, como seus similares MBL, Vem Pra Rua e Revoltados Online, saiu do armário para apoiar o interino. A bandeira da luta contra a corrupção foi esquecida. Uma senhora exaltada segurava um cartaz escrito “Temer governo legítimo”.

Têm que lidar com a desmoralização. Na Paulista, a maioria dos passantes agora os ignora, como se se tratasse de uma reunião de condomínio. O Elvis coreano tinha mais público.

O passeio dos cidadãos do Nas Ruas era uma espécie de “esquenta” para a manifestação marcada para o dia 31 de julho. “Ou você vai, ou ela volta”, é o mote do MBL.

Um dirigente deu uma entrevista excelente ao nosso Marcos Sacramento, abrindo o bico sobre o financiamento da turma.

A desculpa oficial é a de que Temer merece “o benefício da dúvida”, segundo o fundador do Vem Pra Rua, Rogério Chequer. Desde que se descobriu que o PMDB, entre outros partidos, deu dinheiro, casa, comida e roupa lavada para o MBL, o caldo entornou de vez.

Um resultado é o tipo de espetáculo patético que se viu na Avenida Paulista, antes o coração do golpismo de rua, do golpismo roots. A conversa fiada que ajudou a colocar no poder uma quadrilha não convence mais ninguém, eventualmente nem os interessados.

Agora: dependendo do mensalinho, o pessoal conversa.



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Rumo ao desconhecido

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Kiko Nogueira
No DCM
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Propina de Temer reaparece no TSE

Queiroz Galvão cumpriu o que Temer tomou de Machado!


Saiu na Fel-lha:

As empreiteiras Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Galvão Engenharia fizeram doações eleitorais em 2010, 2012 e 2014 que coincidem com relatos da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, revelados na quinta (16).

Levantamento da Folha mostra que ao menos 14 dos 25 citados receberam doações que sustentam a fala de Machado de que parte dos recursos ilícitos chegou a políticos por meio de doações oficiais.

(…)

Sobre Chalita, o delator afirmou que Temer solicitou R$ 1,5 milhão para a campanha do aliado à Prefeitura de São Paulo em 2012, que teriam sido pagos pela Queiroz Galvão.

Nos dados do TSE, vê-se que a empresa doou R$ 1,5 milhão ao PMDB em 28 de setembro daquele ano. No mesmo dia, a sigla repassou R$ 1 milhão a Chalita e, pouco depois, em 2 de outubro, outros R$ 500 mil.

Aqui, Sergio Machado emite nota oficial inequívoca: Temer, não mente, Temer!

E aqui, eleições já!


E eles acham que o povo não está percebendo!

PHA
No CAf
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Ciro Gomes: A única coisa estável no Brasil é a quadrilha do PMDB

Ciro quer se consolidar como terceira via
Disposto a enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva pelo voto dos eleitores de centro-esquerda nas eleições de 2018, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) prepara sua terceira candidatura à Presidência.

Ciro, que coloca Lula como um dos responsáveis pelo impeachment e pelo esquema de corrupção na Petrobras, ao patrocinar a aliança entre o PT e PMDB, afirma que é necessária uma terceira via para romper a polarização entre petistas e tucanos que, em sua opinião, beneficia uma escória que agora tenta tomar o poder na marra.

Filiado ao PDT desde 2015, depois de passar por outras seis legendas desde que iniciou a carreira política, em 1983, Ciro aposta que a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que coordenou sua campanha a prefeito de Fortaleza, em 1988, não deixará “pedra sobre pedra” no meio político, além de revelar ao povo as contradições do presidente interino Michel Temer ao apresentá-lo como um “homem da propina” pelo suposto pedido de repasses irregulares para a campanha a prefeito de Gabriel Chalita em 2012.

O ex-governador aponta erros na gestão de Dilma, mas a isenta de envolvimento na corrupção.

Após as eleições de 2014, nas quais não se envolveu, Ciro e seu irmão Cid Gomes, também ex-governador do Ceará, articularam junto com o ex-ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante a formação de um eixo governista alternativo ao PMDB no Congresso.

Cid assumiu o Ministério da Educação, onde permaneceu por apenas dois meses e meio, se demitindo após se indispor com a base parlamentar do agora presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Aos 58 anos, garante que acumulou experiência para ser presidente e sem modéstia afirma que ninguém em sua idade tem a qualificação que possui para ocupar o cargo.

Ciro também foi ministro da Fazenda por quatro meses no governo Itamar Franco, governador do Ceará (1991-1994) e prefeito de Fortaleza (1989-1990).

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Depois de um tempo afastado, o senhor voltou a se envolver com política e tem sido ultimamente um crítico do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. O que o tem motivado novamente?

Sofro da doença doída da lucidez. Resolvi não deixar por menos nessa fase. Estava quieto. A última eleição que disputei faz dez anos. Não tenho queixa do povo. Na ocasião, fui o deputado federal mais votado no Brasil proporcionalmente. Mas vivia cutucando os meus adversários. De um tempo para cá eu não aguentava mais a prática dos meus amigos. Por isso resolvi me afastar, tentar mudar de vida. Mas com o golpe fui convocado pelo PDT e achei que era minha obrigação moral com o país.

Por quê?

Me sentiria um covarde se, com a experiência e a vida limpa que tenho, com a compreensão e as conexões que tenho com o mundo acadêmico nacional e internacional, se me omitisse por qualquer razão ou conveniência.

Ainda tem esperança de que Dilma possa voltar a comandar o país?

Não me movo por esperança. Me movo por uma noção de dever. É dever de qualquer brasileiro dar o que puder para proteger a democracia. Luto por isso. Não me interessa se tem chance ou não. A probabilidade é pouca, mas existe. Por isso merece ser emulada, mas não em abstrato.

Como assim?

Estamos vendo concretudes. O povo é um elemento de instabilidade que pode ser muito fecundo e tem sido ao longo da história brasileira. Minha geração ganhou todas apostando nisso. Tínhamos uma agenda clara: anistia, eleição direta, constituinte. Produzimos pela política todos os milagres que lucidamente quisemos. Não deveríamos aceitar, custe o que custar, que à Presidência da República chegasse alguém que não fosse pelo voto popular.

A delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que aponta uma suposta intermediação de propina de Temer para a campanha a prefeito de São Paulo de Gabriel Chalita em 2012, pode favorecer o ambiente para a volta de Dilma?

Antes de mais nada, não interessa se é a volta da Dilma, do Lula ou do PT. A gente precisa perceber o valor intrínseco da legalidade, da estabilidade das regras, para que o elemento maravilhoso que produz milagres ciclicamente, que é a presença do povo no processo político, aconteça, rompendo com a plutocracia escravocrata alienada que há no Brasil. O milagre de agora é o povo perceber as contradições do Temer.

De que forma?

O pulso moral tem visto ele citado como o homem da propina. Estou cansado de saber disso. Agora, será que as pessoas não estão vendo que estão afastando uma presidente decente, contra a qual inventam um pretexto injurídico, que é a tal pedalada fiscal, para colocar no poder, sem voto, uma quadrilha de ladrões, de bandidos orgânicos da vida republicana contemporânea brasileira? Não tem nenhum exagero no que estou falando. Conheço eles todos. Fomos contemporâneos nas diversas tarefas que tive, em antagonismo ou junto, porque o Lula me obrigou a ser parceiro desses calhordas. Isso eu não perdoo. Aliás, colocar o lado quadrilha do PMDB na linha de sucessão é uma responsabilidade do senhor Luiz Inácio Lula da Silva.

Qual o impacto que a delação de Sérgio Machado pode ter no meio político?

O Sérgio está falando a verdade. Se houver isenção no aparelho do Ministério Público e da magistratura, como eu insisto em acreditar, não fica pedra sobre pedra. Isso tudo é a crônica de uma morte anunciada. Brasília vive de segredo de polichinelo. Até as pedras do caminho sabiam que o Sérgio Machado estava ali onde estava, na Transpetro durante dez anos, posto pelo Lula em homenagem ao PMDB, para fazer o que fez.

Além de colocar o PMDB na linha de sucessão, como o senhor mencionou, qual foi o erro de Lula e Dilma que tornou a situação insustentável?

O erro tático e básico foi querer brincar de PSDB, copiando o modus operandi dos tucanos para resolver problemas de caixa de campanha. E o erro ancestral foi não ter projeto de país, mas um projeto de poder, que rigorosamente é a mesma coisa que fez o Fernando Henrique Cardoso. Com a força que tinham, FHC e Lula não apresentaram uma proposta, nem para ter a autoridade de dizer que propuseram e o Congresso não aceitou. A única coisa estável no Brasil é a quadrilha do PMDB. Romero Jucá foi líder do FHC, de Lula e Dilma. Na iminência do impeachment, Lula estava querendo impor Henrique Meirelles na Fazenda. O golpista derruba Dilma e coloca Meirelles como ministro da Fazenda. Tem alguma coisa errada nisso.

O governo cometeu equívocos na economia. Faltou um mea culpa?

Sem dúvida. Votei na Dilma. Não estou arrependido, mas não compreendo como que ela entra e mete um tarifaço de 72% na testa da população na conta de energia elétrica, além de produzir uma estagnação econômica com cara de depressão ao nomear uma pessoa sem o menor traquejo para cuidar da economia. Nosso povo está magoado com razão com o governo Dilma. Houve um retrocesso generalizado em todos os avanços que a população experimentou e eu não sei se nós teremos cinco ou seis senadores que estejam dispostos a se sintonizar com a história, colocar a mão na cabeça e separar seus honrados nomes dessa quadrilha de marginais que querem tomar o poder na marra.

Depois de pouco mais de um mês, qual sua expectativa em relação ao governo interino de Michel Temer?

O conjunto de forças que determinou o golpe não se reuniu em favor de Temer nem em prol de uma alternativa de neoliberalismo mofado. Foi uma coisa contra Dilma. Temer é um trambolho no caminho, a quem se dá um crédito, que está se esvaindo muito rapidamente, para que ele cumpra tarefas que só são conciliáveis em antagonismo.

Que tipo de tarefas?

O sindicato dos políticos quer o fim da Lava-Jato por razões óbvias. Isso não será entregue porque há um problema aí. O camarada faz uma delação premiada para se defender e atenuar sua pena e compromete os demais. A segunda tarefa, que também não será entregue, é ditada pelos rentistas, que querem gerar excedentes a qualquer preço, a qualquer custo, qualquer que seja a contradição. Só que Temer pensa o oposto. Ele é fisiológico e clientelista. Haja visto o aplauso que ele pede, quando o Congresso, na contramão desse ambiente, cria 14 mil cargos numa madrugada e dá reajuste para as grandes corporações.

Como o senhor vê a possibilidade de novas eleições?

Isso é um ‘marinismo’, muito nobre e charmoso. Afinal de contas, tem um bocado de safado em cima do muro. Acontece que essa história só tem dois lados. É legalidade e constitucionalidade com Dilma, com seus custos e contradições, ou golpe. O camarada que propõe novas eleições vai para um nobilíssimo muro defender uma coisa que é absolutamente impraticável.

Por quê?

É preciso uma emenda à Constituição com três quintos de votos da Câmara, um órgão controlado por uma maioria de ladrões e bandidos orgânicos a esta quadrilha que assaltou o país, chefiados ainda por Cunha. Depois tem que passar a mesma emenda no Senado, também por três quintos. Suponha que essa proeza aconteça, o vice eleito tem todo direito de postular junto ao STF uma Ação de Direta de Inconstitucionalidade, porque pelo menor direito brasileiro, nem sequer uma emenda à Constituição pode ferir a cláusula pétrea da irretroatividade do direito adquirido. Ele foi eleito pela população e tem direito de estar na Vice-Presidência

Mas o TSE pode votar a anulação das eleições e cassar a chapa toda.

Supondo que o TSE decidisse esse ano e ninguém recorresse ao STF, teríamos eleições diretas esse ano. Mas se passar de dezembro é eleição indireta.

A reforma política é sempre apontada como solução para crise. O que, na sua visão, deve ser alterado no modelo atual?

Nosso sistema político está em colapso. Não está nem Montesquieu, nem em nenhuma outra literatura. Jamais a ciência política imaginou uma maioria de corruptos. Por outro lado, nossa democracia tem 27 anos. É o mais longevo experimento da história brasileira e o estamos interrompendo. A lógica no Brasil é a ruptura e o autoritarismo. As pessoas querem democracia, mas vamos ter clareza, nossa elite odeia nosso povo. Diz que nosso povo não sabe votar, que a culpa pela vitória da Dilma é do Nordeste, como se ela não tivesse ganhado no Rio e em Minas. Ficam procurando solução despótica e esclarecida que nos subtraia a contradição da perseverança do caminho democrático, da tentativa e do erro, do respeito à regra, de votar bem e ganhar o benefício e votar mal e pagar o preço, que é o que qualifica as outras democracias.

Então, não há nada que possa ser feito?

Advogo duas providências. Primeiro, financiamento público e transparência em tempo real. Afirmar que vai ser financiamento individual, como decidiram para 2016, você está preparando a eleição mais fraudulenta da história. Campanha custa dinheiro. E dinheiro não precisa ser sujo. O poder econômico é um dado irremovível da realidade, e ele vai atuar ou de forma transparente, visível e controlada ou clandestina. Nós optamos por fazer uma farsa. A segunda proposta que defendo é o recall. Algumas países europeus o utilizam como mecanismos de democracia direta. O Brasil já institucionalizou plebiscitos e referendos, sem usar, porque a elite brasileira resolveu dizer que isso é chavismo.

Isso não pode provocar uma onda de recall?

O recall é um remédio como o impeachment, para não usar, mas é uma iminência que obriga a reduzir o hiato entre a promessa e o dia seguinte da eleição. Se as duas coisas forem feitas teremos uma mudança mais rápida em direção a uma democracia de cidadãos treinados. Hoje temos uma democracia de cidadãos sem treinamento.

O senhor será mesmo candidato ao Planalto em 2018?

Aceitei a tarefa do PDT de assumir uma pré-candidatura. Estou me preparando e conversando com a inteligência brasileira. Me considero obrigado a aceitar. Pedi demissão do emprego na hora que saiu o impeachment. Não sou contra ninguém, sou a favor de uma concepção e se eu for é para fazer história. Vou propor um projeto nacional de desenvolvimento. Na minha idade ninguém tem a qualificação que eu tenho. Isso é menos mérito meu e mais demérito absoluto do protagonismo que assumiu a política brasileira, que é uma seleção às avessas: quanto mais picareta e mais analfabeto mais poder adquirido.

Considera um problema enfrentar o ex-presidente Lula?

Nenhum problema enfrentar o Lula, pelo contrário. Uma das razões que me obrigam a ser candidato é que o Brasil não aguenta mais essa polarização entre PT e PSDB. Quem ganha com isso é a escória. Olhe para a história. O Temer era presidente da Câmara quando o presidente Fernando Henrique desvalorizou o câmbio, veio uma inflação, os juros subiram e o desemprego explodiu. Fernando Henrique se desmoralizou e Lula assinou um pedido de impeachment e criou um movimento Fora FHC. Na época, escrevi que isso era golpe, que remédio para governo ruim não é isso. Disse ao Lula que se a gente legitimasse isso, quando um de nós chegasse lá, eles fariam a mesma coisa.

Como o senhor enxerga o crescimento da direita no espectro político nacional? O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) aparece com 8% das intenções na pesquisa Ibope.

Ao contrário da esquerda, vejo de forma positiva. Trata-se de um pensamento neopentecostal crescente no país, ultrarreacionário, ultraindividualista, protofascista. Esse eleitor estava no armário desde o golpe de 64, votando escondido em partidos que têm uma retórica que não é sincera, tipo o PSDB. A pesquisa mostra Marina competitiva com cerca de 20%, no mesmo patamar de Lula, que comemora o resultado depois de sair com 84% de aprovação. O que ninguém fala é que o PSDB não aproveita por causa do Bolsonaro, que tira voto deles.

Bolsonaro representa uma ameaça à sua candidatura?

Sua forma tosca nos ajuda, não assusta. Em 1989, houve a mesma coisa. Apareceu um médico de Goiás, com discurso conservador, que se fotografava em um cavalo branco, um vozeirão forte [Ronaldo Caiado]. A sociedade brasileira absorve isso com a maior simplicidade.

E como o senhor vê o PSDB nessa disputa?

O PSDB vai para autoimolação. O Napoleão Bonaparte dizia que os maiores erros estratégicos que cometeu foram porque supunha que um adversário conhecia seus próprios interesses. Assim está o Aécio no PSDB. Vai se acabar nessa brincadeira. O Serra, que é um grande mau caráter, aposta todas as fichas nesta eleição, porque é um velho, de 77 anos, obcecado por jogar a última cartada. Quer ser o Fernando Henrique do Itamar Franco, o que é uma ilusão grosseira. Nem ele é o FHC, nem Michel Temer é o Itamar.

Qual o futuro da esquerda?

O problema da esquerda é que nós estamos mal queridos pela população por essa mistura de fracasso econômico e de impotência no manejo da decência. O poder de compra do salário mínimo à equivalência do dólar com FHC no fim do governo estava em R$ 76, com Lula foi para R$ 320, e com a Dilma caiu para R$ 220. O crédito era 13% com FHC, subiu para 50% com Lula, focado nos interesses populares, e agora despencou para 20%. A rede de proteção social está defasada entre 15% e 20%. O Bolsa Família perdeu o poder de compra, sem reajuste. Acontece que só quem tem memória somos nós políticos. O povo vive o dia a dia e o cotidiano é retrocesso. A sensação é que falta dinheiro para tudo, menos para a roubalheira dos políticos. Precisamos nos conectar com a população.

Como o senhor avalia a gestão da economia no governo Temer?

Querem resolver todos os problemas, do desequilíbrio das contas externas ao subfinanciamento da economia doméstica, passando pelo custo monetário do manejo da dívida, com ajuste fiscal. Parece a propaganda do posto Ipiranga. Tudo é ajuste fiscal. Isso é mentira. Não há um precedente global que demonstre na teoria ou na prática que esses ajustes são a solução para a retomada do crescimento. A realidade negará essa retórica. Quando Joaquim Levy entrou no governo, o Banco Central aumentou a taxa de juros e derrubou o investimento brasileiro, o que quebrou a União e os Estados.

Qual sua expectativa em relação ao futuro da economia?

A próxima crise será a do setor financeiro. Ninguém paga ninguém no Brasil. A quantidade de provisionamento para créditos duvidosos aumentou exponencialmente. A quantidade de recuperação judicial está batendo recorde. A equipe econômica sabe disso. Os juros vão começar a cair, só que não na velocidade e profundidade suficientes para compensar a brutal queda de arrecadação que está acontecendo. Estão preocupados em reduzir o crescimento da dívida, que ainda não é explosiva. Só que querem fazer só com redução de despesas, sem aumento de receita.

Como devolver a economia na rota do crescimento?

Não é um ato voluntarista. Haverá um custo e contradições a serem administradas. A única forma de fazer inverter a tendência de galope explosivo que sinaliza para o futuro insustentável da dívida é fazer crescer a economia. Para isso você não pode ser contracionista. A DRU é uma anomalia, mas neste momento tinha que passar.

Um aumento de impostos é inevitável?

Absolutamente inevitável. A única saída estratégica é voltar a crescer. A CPMF deveria voltar, não porque é um tributo bom. É porque subtraíram do orçamento público a CPMF e 15 dias úteis depois a quadrilha que hoje comanda o Congresso votou a regulamentação da emenda 29, que define percentuais mínimos de investimento em saúde por União, aumentando em R$ 70 bilhões o gasto com a área.

Fernando Taquari
No Valor
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A política tomou conta da PF, do MP e de quem mais?


A nota aí de cima é da coluna Radar, da Veja.

Mostra a nova atribuição da Polícia Federal: a de descobrir quem é ou quem pode ser candidato em eleições presidenciais.

E, se for verdade, outra novidade, o posto máximo de fiscal da lei ser usado como trampolim eleitoral.

Infelizmente, a degradação da vida brasileira chegou a um ponto em que não se pode duvidar de nenhuma das duas hipóteses.

Como se vê, nossas instituições estão funcionando normalmente, com a isenção e o o profissionalismo que todos esperamos delas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Paulinho da Farsa é escrachado em avião!

Golpistas, fascistas não passarão!




No Blog do Esmael
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A questão Palestina | Debate com Reginaldo Nasser, Soraya Misleh e Simone Ishibashi


Reginaldo Nasser, Soraya Misleh e Simone Ishibashi debatem "A questão palestina" no II Salão do Livro Político. A mediação foi de Cauê Ameni.

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Mais dinheiro estrangeiro nas empresas de aviação


Com o argumento de que é preciso aumentar a competição no mercado aéreo doméstico, com mais cidades sendo atendidas por voos regulares, o governo provisório de Michel Temer enviou ao Congresso Nacional uma medida provisória (MP 714/16) que eleva, de 20% para 49%, o limite de participação estrangeira no capital com direito a voto das companhias aéreas brasileiras.

Com essa medida o governo altera o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/86), que mantinha o limite da participação internacional a 20% do capital votante da empresa. O código também garantia que os dirigentes das companhias fossem unicamente brasileiros, coisa que a MP revoga, permitindo que pessoas não-brasileiras possam dirigir as companhias. 

Outra abertura para o capital estrangeiro diz respeito a reciprocidade, que agora permite que uma empresa não brasileira assuma o controle do capital de uma companhia aérea nacional (acima de 50% das ações), desde que uma empresa brasileira também possa fazê-lo no país da empresa em questão. Mas veja, não significa que precisa, só que pode.

O governo insiste que as regras atuais do Código de Aeronáutica torna o setor muito restritivo aos estrangeiros e abrir as portas para esse capital vai aumentar também a presença das empresas aéreas brasileiras no exterior. 

Mas, os benefícios aos empresários não param por aí. A MP também incorpora à tarifa aérea a tarifa alfandegária que até então ia para o Fundo Nacional de Aviação Civil. Com essa mudança, o passageiro  segue pagando a tarifa, embutida no preço da passagem (mais de 3% do valor) mas os recursos irão para a Infraero — que ainda opera 60 aeroportos —  e para as empresas que vierem a vencer os próximos leilões de concessão de terminais. Ou seja, os benefícios são para as empresas e não para o país.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Uma TV Brasil para os brasileiros

A TV Brasil foi a única emissora que acolheu, também, a perspectiva de um possível golpe, na cobertura das votações do acolhimento do processo de impeachment e do consequente afastamento da presidente Dilma. Colocou no ar o debate com defensores das duas versões, representantes de um governo sob suspeita e de uma oposição em vias de assumir interinamente a Presidência.

Cumpriu o seu papel como emissora pública, conforme previsto na Lei 11.652/2008 que criou a Empresa Brasil de Comunicação-EBC e a TV Brasil (artigos 2º I, II e III e 3º I, II e III), e de acordo com o Manual de Jornalismo da empresa (capítulo 1). Mas a emissora foi acusada de estar a serviço do governo que viria a ser afastado, em outras palavras, do PT.

O governo interino agiu de imediato. Destitui o presidente da EBC aos primeiros dias de um mandato que deveria ser de quatro anos, encerrou programas e o contrato com apresentadores, chegou a proibir a veiculação de uma entrevista com a presidente afastada. Fez o que fazem governos não republicanos e não democráticos, que se apropriam de emissoras estatais.

Ao desrespeitar a Lei da EBC, o governo da vez dá sinais de que rejeita um sistema público de comunicação que se paute pelo interesse coletivo. Ao atropelar decisões do Conselho Curador, instância decisória representativa da sociedade e do Estado, afirma seu descompromisso com a diversidade de temas e a pluralidade de vozes, que não se encontram na televisão privada.

Para o Conselho Curador e a Ouvidoria da EBC, e para o movimento pela democratização da comunicação, os novos sinais transmitem a intenção de enfraquecer o sistema público de radiodifusão e, neste projeto, acabar com a TV Brasil como emissora pública.

Entendem que, ao contrário, a EBC já estava a precisar de mais independência financeira e de mais autonomia que a fortaleça diante de ameaças de quaisquer governos. E, penso eu, de uma mobilização social que a faça ser mais conhecida e desejada pelos seus verdadeiros donos, os brasileiros.

Alberto Perdigão
No Centro de Estudos Barão de Itararé
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Eliseu Padilha, o lado mais sujo da política


Chega a ser curioso o primarismo político da junta interina.

Assumiu o poder no bojo de um golpe parlamentar e no rastro de uma campanha moralizadora. A campanha uniu pontualmente mídia, Congresso e Ministério Público em torno de um objetivo específico: depor Dilma Rousseff.

Quando sai um governo e entra outro, o interino herda os poderes, mas também a visibilidade do anterior. Especialistas na pequena política, da cooptação do baixo clero, da atuação nas sombras, a junta interventora não se deu conta de que, à luz do dia é como mandruvás cobertos de sal. E partiu para o exercício do poder, da mesma maneira que os farrapos degolando os inimigos nos pampas.

Dentre todos os integrantes da junta, nenhum é mais agressivo e sem limites que Eliseu Padilha.

Coube a ele convocar dois assessores — Laerte Rimoli e Márcio de Freitas — para baixarias contra jornalistas críticos ao golpe. Jornalistas que se fizeram servindo o lado obscuro da política, não se pejaram em atacar a reputação de jornalistas que ousaram se interpor aos desmandos de seus chefes.

Padilha não se deu conta de que a exibição de poder, ainda mais por pessoa com seu passado, apenas chama a atenção das autoridades judiciais e da opinião pública.

Comportou-se como o gendarme de uma ditadura, quando não passava de inquilino provisório do poder.

Padilha é o lado sujo da política desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Coube a ele, ao lado de Geddel Vieira Lima, o enorme trabalho de cooptação do PMDB para negar a candidatura a Itamar Franco nas eleições de 1998.

Em janeiro de 2001, em minha coluna na Folha, escrevi sobre ele o que se segue:

O desmonte dos transportes

Dentre todas as áreas do setor público, a que menos avançou foi a dos transportes. A única justificativa para a manutenção do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), é não ceder às pressões do PFL, porque do ponto de vista operacional está jogada às traças uma das áreas fundamentais para a redução do "custo Brasil".

Aliás, a presença de Padilha depõe contra a aliança que mantém FHC, contra FHC e contra o próprio partido que o indicou — o PMDB. A questão da gestão passou a ser elemento vital. Tendo uma vitrine com a exposição do Ministério dos Transportes, o PMDB poderia escolher o melhor dos seus quadros administrativos para mostrar que está conseguindo assimilar as exigências dos novos tempos. Mas isso não ocorre.

O ministério foi transformado em um mercado persa, em uma troca de favores ampla, virou um arquipélago de feudos que atuam de forma independente, atropelando as exigências mínimas de uma ação coordenada.

A falta de comando de Padilha refletiu-se na própria regulamentação das agências reguladoras no Congresso. Sem um órgão atento que refletisse sobre o tema, o projeto Eliseu Rezende acabou sendo uma composição de todos os interesses, que resultou em um monstrengo regulatório. Em um tempo em que o mundo todo adota o conceito do transporte intermodal (a integração de todos os meios de transporte), o projeto prevê a criação de duas agências em separado, às quais se soma a indefinição em torno do DAC (Departamento de Aviação Civil).

No campo das concessões, as últimas bem-sucedidas datam de 1993, quando o então ministro Alberto Goldmann logrou a privatização de cinco rodovias -entre elas a Dutra e a ponte Rio-Niterói. Em 2000 foram três tentativas de privatização de rodovias federais, todas embargadas pelo fato de as licitações estarem viciadas.

A questão do transporte interestadual continua emperrada, apesar das juras públicas do ministro, há alguns anos, de que iria definir regras claras e não subjetivas para novas licitações, acabando com o cartel do setor.

Não se pretende que FHC vá manter incólume a aliança sem alguma forma de concessão. No entanto há um primado básico que não pode ser desobedecido: o primado da competência e da transparência. E, no caso dos transportes, desobedeceu-se.

No fim de semana, noticiou-se o indiciamento de Padilha devido à contratação de um servidor fantasma. Foi condenado a devolver R$ 300 mil ao erário. É mero aperitivo.

Se a Lava Jato se dispuser a esmiuçar os acordos das empreiteiras, no período em que Padilha foi Ministro, encontrará mais fantasmas do que nas covas coletivas.

Luís Nassif
No GGN
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Propaganda sionista na Rede Record


A propaganda e o esforço dos sionistas para dizer ao mundo e criar o senso comum de que o que eles fazem na Palestina, através da ocupação criminosa e genocida, é um "desígnio de Deus" e a busca da "terra prometida", é feito por todos os meios. E contam com farto apoio midiático, inclusive de redes controladas por evangélicos, como a Record.

Veja a chanada da novela "A Terra Prometida":



Marcos Tenório
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