19 de jun de 2016

Sociedade brasileira: violência e autoritarismo por todos os lados

A filósofa Marilena Chaui analisa a situação política e econômica brasileira e comenta a ocupação das escolas paulistas

A filósofa Marilena Chaui prefere apostar na possibilidade de mudanças, sobretudo quando observa
acontecimentos como o da ocupação das escolas públicas em 2015
Foto Bob Sousa

Desde o início dos anos 1980, Marilena Chaui tem proposto como chave de leitura de nosso país a ideia de que a sociedade brasileira é autoritária e violenta. Em obras como Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas, de 1981 (que será reeditado em seus Escritos, publicados pela Editora Autêntica), a filósofa contraria a imagem de uma cultura nacional pretensamente formada pelo acolhimento recíproco e pela cordialidade, revelando estruturas enraizadas de hierarquização e de sedução pela autoridade.

Não se trata, porém, de considerar os brasileiros como individualmente violentos. Trata-se de esclarecer as estruturas históricas que produzem uma vida social em que o espaço público e republicano é minguado, transferindo-se ao Estado o papel de sujeito da cidadania e reproduzindo-se, no cotidiano, relações de poder.

Essa chave de leitura permanece, aos olhos de Marilena Chaui, extremamente atual para analisar o momento vivido pelo Brasil. Apesar dos percalços éticos, políticos e econômicos das duas últimas décadas, o país tenta entrar na Modernidade, que exige necessariamente inclusão social. Essa mesma inclusão, no entanto, desperta resistência. Se os auxílios financeiros para inserção econômica, distribuídos por países como Alemanha e França às populações mais pobres, são considerados por lá sinais de desenvolvimento, o Bolsa Família, no Brasil, é chamado de assistencialismo e de estratégia eleitoreira. Se a ação do Estado no controle do mercado é vista como necessária em outras partes do mundo, aqui ela é chamada de “ameaça comunista” e de inchaço da máquina pública.

O problema é que ainda não sabemos muito bem o que é o espaço público, porque não agimos como sujeitos, transferindo a responsabilidade pela construção da cidadania aos aparelhos de governo. Focamo-nos nas salvações que podem vir do poder e não obrigamos o poder público a representar de fato todos os setores sociais. O resultado dessa prática (ou ausência de prática) é o fortalecimento da violência e do autoritarismo, que atualmente se intensificam nas formas de controle policial, por exemplo, e a falta de pensamento no jogo político (não somente de direita, mas também de esquerda!).

Chamar atenção para essa dinâmica perversa é o que faz Marilena Chaui na entrevista que concedeu à CULT.

Como a senhora vê a situação política vivida pelo Brasil hoje?

É uma situação gravíssima. É gravíssima não por causa daquilo que a mídia apresenta como falência do governo, mas pelo movimento conservador, reacionário, de extrema direita e protofascista que está tomando conta da pauta política. Quando examinamos os pontos da pauta política discutidos de outubro de 2015 até agora, vemos o poder dos grupos dos “3B”: o boi, a bala e a Bíblia. É uma regressão sociopolítica fora do comum. É uma pauta regressiva, antidemocrática, de violação de todos os direitos que foram conquistados ao longo dos últimos quinze anos. Todo o fundo reacionário protofascista que existe no Brasil e que é alimentado pela classe média urbana brasileira veio à tona e pegou as esquerdas completamente desprevenidas. As esquerdas tinham pautas como o antineoliberalismo, os direitos, a questão da Palestina e do Oriente Médio, do surgimento do Estado Islâmico, enfim, pautas voltadas aos problemas da democracia e do socialismo, e foi pega completamente despreparada por uma onda de extrema direita que repôs para o Brasil os tópicos que estiveram em vigência no início dos anos 1960. É uma ameaça de golpe para reverter o processo de consolidação dos direitos sociais obtidos nos últimos anos e sustentada pela pauta “boi, bala e Bíblia”. Aliás, a atuação de grupos religiosos é muito preocupante e vai além de uma questão propriamente política, porque, apesar de se manifestar na representação política, ela é uma questão socioeconômica: é a maneira como as igrejas evangélicas interiorizaram e reformularam a concepção neoliberal.

Como se dá essa interiorização e reformulação evangélica da concepção neoliberal?

Uma das características do neoliberalismo é a maneira como ele concebe o indivíduo, que não é entendido nem como parte de uma classe social, nem como ser em formação que vai se relacionar com o restante da sociedade. O indivíduo não é pensado nem como átomo nem como classe, mas como um investimento. Na medida em que um indivíduo é um investimento, o salário não é entendido como salário, mas como provento, como renda. Então, o ser humano é programado para ser rendoso e rentável. A família, a escola e o emprego passam a ter por função a rentabilidade do indivíduo, porque ele é um investimento. As igrejas evangélicas se apropriam desse ideário e o desenvolvem por meio de uma teologia — a teologia da prosperidade, que considera cada indivíduo justamente como um investimento ou uma empresa. Ele não é um empresário, mas uma empresa, e, como tal, precisa de uma série de condições para funcionar. Então as igrejas, além de convencerem a pessoa de que ela nasceu para vencer na vida e ser rentável, levam a ética calvinista ao máximo, explorando a crença de que ser rentável é um sinal de salvação, porque é isso que Deus espera.

Como se sabe, a maior parte das igrejas evangélicas possui franquia. Elas se espalham no campo da produção e do comércio e empregam todas as pessoas, fazendo com que elas provem que Deus as escolheu e que são um investimento rendoso. Pouco a pouco, as pessoas se apropriam da franquia; depois abrem outra e assim por diante. Há, portanto, um fenômeno de fortalecimento da ideologia neoliberal e das concepções conservadoras da classe média por meio da maneira como as igrejas evangélicas incorporam o neoliberalismo, com uma teologia para isso. Se você juntar o conservadorismo com o reacionarismo da classe média urbana e a presença avassaladora das igrejas evangélicas, além de toda a discussão sobre a vida no campo (a reforma agrária), vai entender por que politicamente se exprime, de modo efetivo, nos grupos do “boi, bala e Bíblia”, a pauta ultraconservadora que está aí.

A minha preocupação é, evidentemente, por um lado, denunciar de todas as maneiras possíveis a tentativa de golpe. Por outro, assegurar que governos voltados para os direitos sociais (e, desse ponto de vista, com uma pauta antineoliberal) sejam garantidos. Ao lado disso, a minha preocupação é com a sociedade, ou seja, com a ideologia. Depois de muito tempo, lá retorno eu à questão da ideologia. É preciso refletir sobre como erguer um dique para impedir a entrada avassaladora da ideologia neoliberal na sua forma teológica. Estamos vivendo um momento que vai fazer 1964 parecer uma coisa muito simples. 1964 estava inserido na Guerra Fria, no poderio dos Estados Unidos sobre os países da América Latina. Por causa do exemplo de Cuba, acreditava-se ser possível uma revolução socialista. Os componentes eram muito óbvios. Havia uma clareza na compreensão do momento vivido. Agora não há clareza. Tudo é muito difuso, muito opaco, obscuro, porque há fundo teológico.

Marilena Chaui entre Juvenal Savian Filho e Laís Modelli / Foto: Bob Sousa
Marilena Chaui entre Juvenal Savian Filho e Laís Modelli / Foto Bob Sousa
A senhora acredita em um golpe militar?

Está fora de questão.

O que pode acontecer?

Se as coisas continuarem no ritmo em que estão e se o golpe dos 3B se concretizar, haverá uma efervescência social enorme, porque todos aqueles cujos direitos foram garantidos pelo Estado depois da era militar terão esses mesmos direitos cortados. E haverá ameaças: ameaça no campo, ameaça urbana, uma situação de vigilância e intimidação em todas as instituições. Isso provocará reação, uma resposta social enorme. É um risco que o PSDB não quer correr porque ele não tem condição de conter essas reações; e esse risco também não interessa ao PMDB, porque o partido está dividido. Então, no fim das contas, as forças que poderiam produzir um golpe não têm mais interesse que ele aconteça, porque a convulsão que ele vai provocar, à direita e à esquerda, não pode ser controlada nem pelo PSDB e nem pelo PMDB. Eles não têm quadros e condições institucionais para controlar convulsões sociais.

E o que daria as condições de governabilidade nesse possível contexto?

Se houver golpe, a prática será a pura intimidação e a violência. Aquilo que a gente viu com os Atos Institucionais. Um Ato Institucional poderia concretizar, por meio da polícia — já que o Exército não se misturará —, a intimidação e a violência.

Pensando na materialização da violência, que espaço resta ao diálogo nesse momento condicionado à truculência?

Nenhum. Vamos tomar o caso de São Paulo como exemplo. Há uma coisa muito interessante: quase ninguém se dá conta de que o estado de São Paulo — o único estado realmente capitalista no Brasil, já que os outros são semicapitalistas — é governado desde o final dos anos 1980 por um único partido político. Economicamente, São Paulo é um estado capitalista, mas politicamente é uma capitania hereditária. Parece haver um contrassenso entre o conservadorismo político e o desenvolvimento econômico. Mas é só na aparência que isso é contraditório, porque o conservadorismo político é a base de sustentação desse tipo de desenvolvimento capitalista. Vejam o que acontece com o governador. Há o problema da água, da luz, das escolas, da saúde — escândalos —, mas nada gruda no Geraldo Alckmin. Escorre. Isso acontece porque ele representa o tipo de poder político do estado de São Paulo: forte e autoritário. A juventude sai às ruas e faz uma manifestação? Polícia nos jovens, bate neles! O pessoal do transporte sai para se manifestar? Polícia neles, bate neles! Isso é referendado pela sociedade paulista, não só a paulistana, que está de acordo e espera que isso seja feito. Esperaríamos uma reação profunda, mas não é o que acontece. Eu me lembro de ter visto pela televisão estudantes algemados durante a ocupação das escolas. Eu disse, “Meu Deus, não se algema estudante!”. Eles não só foram algemados, como isso foi dado pela mídia como algo natural; e pela sociedade, como uma coisa necessária.

Então nós temos a consagração, da maneira menos retórica possível, da violência estrutural da sociedade brasileira. Não uma violência pontual, de modo que possamos falar em “ondas de violência”. Não. Há uma violência estruturante. É a estruturação violenta de uma sociedade hierárquica, vertical, oligárquica, conservadora, que defende os privilégios contra qualquer forma de direitos; é a mesma que dá a sustentação ideológica e política para a manifestação da violência governamental. Essa violência governamental é a expressão da violência não só paulista e paulistana, mas brasileira, e é ela que legitima essas ações. Se consideramos todo o ideário da burguesia e da alta classe média brasileira, vemos que qualquer contestação, qualquer revolta é uma “crise”. A noção de crise está identificada por essa classe com a ideia de desordem e perigo. Ora, diante da desordem e do perigo, o que é que se pede? Repressão. Cada vez que há uma luta por direitos contra privilégios, essa luta é vista como violenta e precisa ser reprimida. Há, portanto, uma inversão ideológica fantástica no Brasil: a violência é vista como ordem.

A senhora ainda acredita na desobediência civil?

Eu acho necessária! Outro dia um colega me disse: “Marilena, você tem que levar em conta que a juventude que tinha 13, 14 anos em 2000 só conhece o PT como governo, não conhece a história do PT como movimento social e sindical, como presença contestadora e de desobediência civil no interior da ordem brasileira”. Isso quer dizer que a figura do PT se apagou e sobrou somente esse pedaço, esse triste pedaço que é o PT no aparelho de Estado.

Seria preciso lembrar, por exemplo, a criação do CEDEC [Centro de Estudos de Cultura Contemporânea]. Existia no Brasil o CEBRAP [Centro Brasileiro de Análise e Planejamento], que era dirigido pelo Fernando Henrique Cardoso. O Francisco Weffort, em 1976, disse que o CEBRAP era muito economicista e que precisávamos de um centro que pensasse as questões políticas e sociais. Reunimo-nos, então, o Francisco Weffort, o José Guilhon de Albuquerque, o José Álvaro Moisés, o Lúcio Kowarick e eu, criamos o CEDEC. A Sociologia, a Ciência Política e a História explicavam (e ainda explicam) o Brasil sempre a partir do aparelho de Estado. A História do Brasil era contada como história das mudanças no aparelho de Estado e das decisões tomadas pelo Estado. O Estado aparecia como o sujeito histórico, político e econômico, como se não existisse uma sociedade nem uma luta de classes. O CEDEC propôs inverter esse processo e lembrar que a sociedade brasileira existe, com os movimentos sociais e populares. Era o momento em que surgia o Movimento dos Sem Terra, o movimento feminista, o movimento sindical. Os movimentos começavam a se organizar; os sindicatos criam as comissões de fábrica no ABC e fazem as greves. É desse momento histórico que nasce o PT. Nós surgimos da ideia de que a história do Brasil e a sociedade brasileira não são feitas pelo aparelho de Estado e de que o Estado não é o sujeito social. Existe a luta de classes e é no interior do conflito que se criam as bases da democracia. O PT se originou, então, de atos de desobediência civil. Mas isso os jovens não sabem, porque eles só conhecem o PT como um partido institucionalmente posto, envolvido nas questões do Estado e governamentais, como se isso desse conta de toda a história do PT.

É isso que permite entender também por que jovens de esquerda querem outras opções, em vez de ligar-se ao PT. Proliferam os pequenos partidos de esquerda porque toda a história social e política ficou encolhida nesses últimos quinze anos. Isso também explica o quanto nós do PT ficamos despreparados na hora em que surgiu o atual golpe. Imagine o PT do qual eu venho, o PT dos anos 1980 e 1990… Ele não teria aceitado minimamente aquilo que iria desencadear o golpe. Ele nem permitiria que isso sequer aflorasse. Muito do que estamos vendo em termos de pauta conservadora na política está ligado ao encolhimento de tudo aquilo que representa uma pauta de esquerda.

A esquerda tornou-se obediente?

Sim, claro. O PT ficou desarmado no momento em que teria de tomar uma posição pública e esclarecer as coisas. Agora, de um lado temos o Eduardo Cunha, com as igrejas evangélicas, e, do outro, o Alckmin, com a Opus Dei. É demais da conta! Eu venho de uma tradição em que a grande aliança era sustentada pela Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base. Ver os cristãos perdidos entre os evangélicos e a Opus Dei é demais; é insuportável para a minha cabeça porque eu vi a outra experiência que o cristianismo é capaz de ter e que teve na América Latina inteira.

A senhora interpreta a frase “Meu partido é meu país”, comum nas manifestações de 2013, como a manifestação de um desejo de algo novo ou como uma frase conservadora?

“Meu partido é meu país” é uma frase nazista. Ela nasceu na luta contra a social-democracia, sobretudo quando o nazismo se opõe à República de Weimar e leva a pensar que os partidos políticos roubam ou tomam para si as ações políticas que caberiam exclusivamente ao governante. O governante aparece, então, como o chefe. É dele que deve emanar, transcendentemente, toda a decisão política. Desse ponto de vista, se os partidos políticos usurpam uma função que não é deles, é preciso eliminá-los. Daí a ideia de que “meu partido é meu país”.

Falando de encolhimento da pauta de esquerda, como a senhora interpreta a ação de setores do movimento estudantil que consideram os docentes como inimigos ou representantes do capital? É delicado tocar nesse ponto, porque não se trata de ser contra o movimento estudantil. Mas entender a universidade como espaço de tensão entre estudantes, servidores (técnicos) e docentes não é também uma forma de violência ou de exclusão de diferenças?

Há algo que marca com força a história da política de esquerda no Brasil: é o fato de que, periodicamente, vindos da baixa classe média ou da classe média, há grupos que se apropriam do marxismo e do leninismo e se apresentam como revolucionários. Na verdade, o encolhimento do espaço público e de tudo o que ele representa alimenta pequenas formas privatizadas do pensamento de esquerda, dando origem a pequenos movimentos e pequenos partidos. Não vou nomear nenhum deles, mas estou apontando para a origem deles, a maneira pela qual eles privatizam um ideário. Isso significa, em primeiro lugar, fazer com que esse ideário não apareça como um ideário em expansão, mas como um ideário de exclusão. Esses partidos e movimentos se fecham sobre si mesmos, porque a condição de sobrevivência deles está na recusa de qualquer inclusão e de qualquer ampliação. Eles se mantêm pela sua pequeneza e pelo fato de que eles excluem tudo o que não se restrinja a uma pauta mínima produzida por eles mesmos. É uma mescla da vulgata marxista, da vulgata leninista e do stalinismo puro, simples e cru. É mais do que uma coisa reacionária, é uma vertente totalitária. E é por essa maneira totalitária, privatizada e excludente de se organizar que esses grupos encaram todo o restante como inimigo que precisa ser destruído. O outro não é inimigo por causa disso ou daquilo. Ele é inimigo porque simplesmente é outro. É a mesma lógica de Carl Schmitt, incorporada por grupos pretensamente de esquerda.

"Você conversa com alguém da direita e vê que ele é capaz de dizer quatro frases contraditórias e sem perceber as contradições. Você conversa com alguém da extrema esquerda e vê o totalitarismo que também opera com a ausência do pensamento. Então nós estamos ensanduichados entre duas maneiras de recusar o pensamento." / Foto: Bob Sousa
“Você conversa com alguém da direita e vê que ele é capaz de dizer quatro frases
contraditórias e sem perceber as contradições. Você conversa com alguém 
da extrema esquerda e vê o totalitarismo que também opera com a ausência
do pensamento. Então nós estamos ensanduichados entre duas maneiras de
recusar o pensamento.”
Foto Bob Sousa
A senhora sabe que um curso seu, de leitura rigorosa da Ética de Espinosa, seria hoje considerado, em alguns contextos, como um trabalho burguês, não sabe?

Eu sei!

Então, por que a cultura erudita ou o pensamento é associada por alguns movimentos a uma prática burguesa?

O pensamento é associado à prática burguesa porque esses movimentos operam pela ausência de pensamento. Estamos em uma situação aterradora: do lado da direita e da esquerda há ausência de pensamento. Você conversa com alguém da direita e vê que ele é capaz de dizer quatro frases contraditórias e sem perceber as contradições. Você conversa com alguém da extrema esquerda e vê o totalitarismo que também opera com a ausência do pensamento. Então nós estamos ensanduichados entre duas maneiras de recusar o pensamento. Lá onde o pensamento estiver se exercendo, ele receberá mil e um nomes, e como para esse pessoal de esquerda xingar é chamar de burguês, eles tratam a cultura erudita como coisa de burguês. Mas se você perguntar o que é a burguesia e o que é o capital, se pedir uma explicação, verá que eles não sabem muita coisa; apenas repetem um chavão. Nesses grupos há uma coisa muito parecida com o que acontece nas igrejas evangélicas: uma teologia e uma lavagem cerebral. É um esvaziamento de qualquer capacidade de pensamento. Não é por acaso que dos dois lados o exercício da violência é igual, e vai da violência verbal à física, à exigência de sangue. Quando o João Grandino Rodas foi reitor da USP e houve a segunda ocupação da reitoria, nós, professores, fomos negociar com os alunos e com a própria reitoria, e os alunos finalmente aceitaram desocupar. Veio então um membro desses pequenos partidos de esquerda e disse: “Ninguém sai; nós queremos ver sangue”. Por que ele queria ver sangue? Porque ele achava que ganharia poder pela destruição física do outro — uma destruição que não é nem política, nem social.

Há um encolhimento da capacidade humana de refletir e fazer escolhas ponderadas? Tanto do lado da polícia como do de certos grupos de esquerda…

Eu entendo isso com Espinosa. O que há nos seres humanos? Há paixões. A maneira como entendemos o mundo, a nós mesmos e aos outros é dada pela maneira como o mundo e os outros nos afetam. Eles causam em nós a sensação de perigo ou de aumento da nossa capacidade de viver. Se tudo o que se passa em mim é produzido pela maneira como o que está fora age sobre mim, eu sou passiva e todos os meus sentimentos são apenas paixões: o amor, a esperança, o ciúme, a misericórdia, a honra, a glória etc. O que eu sinto é pura e simplesmente uma reação passiva ao que vem de fora.

Ao contrário, se eu tenho força interior para saber que eu posso ser a causa dos meus sentimentos e, que se sinto raiva de você, não é por sua causa, mas por aquilo que eu sinto com relação ao que eu penso a seu respeito, então me vejo como a causa da raiva que sinto por você, em função do modo como eu penso em você ou percebo você. A partir do momento em que eu sou capaz de me reconhecer como causa dos meus sentimentos, eu sou ativa e descubro que não tenho de responsabilizar os outros por aquilo que se passa em mim. Se eu for passiva, nunca serei livre; tudo o que eu fizer será determinado pelo que os outros exigem de mim; e, mesmo que eles não façam nenhuma exigência, eu sinto como uma exigência. Então só obedeço ao que eu imagino que seja o desejo do outro. Ao contrário, se é o meu desejo que determina o que eu vou fazer e como vou fazer, eu sou livre.

Dessa perspectiva, o que é a violência? É aquilo que se passa inteiramente no campo das paixões, porque é lá que os desejos entram em conflito. Se eu me entregar a elas, faço o meu desejo valer destruindo o desejo do outro; e o outro faz a mesma coisa: ele acha que, para existir, deve dobrar o meu desejo, deve se apropriar de mim e me dominar física e psicologicamente, pela manipulação dos desejos e sentimentos, pela ideologia, por um série de manipulações sociais, amorosas etc. Pense no caso da violência policial: é a força física pura e simples. Um policial não é capaz de tomar uma decisão em que ele enfrentaria uma ordem recebida, dizendo, por exemplo: “Puxa vida, um filho meu poderia estar entre os manifestantes…”. Mas isso não acontece só porque ele recebeu uma ordem. É porque essa ordem constitui o modo como ele é, pensa e opera. Ele encarna essa ordem, é o portador dela e opera em um contexto de pura paixão. Essa é uma análise puramente psicológica. É preciso pensar também em termos sociais: o policial encarna a repressão; ele a realiza em nome da ordem, da paz e da segurança. Psicologicamente, ele não é capaz de deliberar sobre como poderia agir diante de manifestantes que gritam por direitos e denunciam privilégios, porque ele é, naquele instante, pura paixão. Social e institucionalmente, ele só existe como policial porque recebe, cumpre ou dá uma ordem. A polícia existe, então, como instituição social garantidora de determinados privilégios de classe. Trata-se do embate entre o direito e o privilégio. Esse embate se realiza, na sociedade brasileira, por meio da violência.

A senhora diria que o movimento de ocupação das escolas foi um bom uso político das paixões?

Um excelente uso…

E que diferença a senhora vê entre esse movimento e o das  ruas de 2013?

Em 2013, o movimento foi algo inesperado. Pouco antes das manifestações, eu estava dando um seminário na faculdade e ouvi um tambor pelos corredores. Me falaram: “É o movimento do Passe Livre, que está convocando uma reunião”. Havia só uns 30, 40 gatos pingados. Até que eles puseram nas redes sociais e aconteceu aquela movimentação toda. Mas na primeira manifestação tinha de tudo. Era um evento com a motivação mais diversa possível. Não estou dizendo que era um movimento totalmente despolitizado, mas que tinha um pequeno conteúdo determinado pelo grupo do Passe Livre, ao qual se juntaram outras formas de descontentamento. Foi estarrecedor ver que, na segunda manifestação, quando a juventude começou a comemorar, levando bandeiras do PT, do PSTU, do PSol, do movimento dos sem teto, apareceram jovens embrulhados na bandeira do Brasil, atacando, espancando e ensaguentando os manifestantes de esquerda. Assim, em lugar do conflito democrático, passou-se ao combate violento e à agressão ao adversário. Mas algo curioso aconteceu: construiu-se um sentido político para toda aquela movimentação. A própria mídia, que falava dos “vândalos” das primeiras manifestações, depois passou a falar de “manifestantes”. Houve uma construção política de uma manifestação que não existiu realmente como algo político. Ninguém prestou atenção nisso! Eu procurei falar do assunto e fui violentamente agredida, mesmo pela esquerda. Disseram que eu não tinha entendido o momento histórico. Mas fizeram mais: pegaram a afirmação que eu fiz sobre o caráter fascista dos jovens vestidos com a bandeira e disseram que eu havia considerado todas as manifestações como fascistas. Na época das eleições, o Fernando Gabeira chegou a escrever um artigo de uma página inteira no jornal O Globo contra mim, afirmando que, na minha opinião, a presença do povo na rua era fascismo. O que eu tinha dito era: houve um momento fascista nessas manifestações e ninguém está prestando atenção nisso. Aí, quando começaram os panelaços de 2015, ficou evidente o que eu queria dizer. O que veio a seguir? Veio a demanda de retorno da ditadura, a presença da TFP [Grupo de extrema direita intitulado Tradição, Família e Propriedade] e a afirmação da pauta conservadora dos 3Bs.

Na verdade, em 2013, a senhora previu, em entrevista à CULT, que no Brasil iriam acontecer panelaços parecidos com os da Argentina.

Fui a única. Eu não sei por que as pessoas – algumas delas inclusive feridas por 1964 e 1968 muito mais do que eu, como o próprio Gabeira – não se deram conta do que estava vindo. Não sei se eu conseguia ver porque presto muita atenção no Brasil como uma sociedade violenta e autoritária… Não sei se é por isso, mas eu fiquei muito surpresa ao perceber que muita gente de esquerda não percebia o que estava se montando e que junho de 2013 não era maio de 1968. Maio de 1968 foi a ocupação das escolas agora. Isso foi maio de 68.

Por quê?

Porque, no caso da ocupação das escolas, há, em primeiro lugar, um movimento de inclusão e ampliação. A marca dos movimentos realmente libertadores é sempre a inclusão e a ampliação. Em segundo lugar, pelo fato de que ele foi se dando à maneira do que, no meu tempo, se conhecia como “greve pipoca”. Em uma fábrica, por exemplo, às seis horas da manhã, um setor para por 40 minutos. Durante o tempo em que ele parou, outros três ou quatro setores não conseguiram funcionar. Então, aquele primeiro setor volta a funcionar, mas, daí, em outra ponta, outro setor para por 40 minutos. Tudo o que está em volta não funciona. Assim, sobretudo quando a greve era proibida, ia pipocando paralisação, de modo que as instituições (uma fábrica, uma escola etc.), mesmo sem parar, ficavam inteirinhas paralisadas. Nos lugares estratégicos pipocava a paralisação. Foi assim que a ocupação das escolas seguiu o princípio da greve pipoca. Quando os administradores da educação achavam que iam resolver a ocupação de uma escola, começava na outra; quando eles iam resolver nessa outra, começava em outra. Ou seja, ela foi pipocando até o instante em que parou tudo.

Além disso, a maior diferença entre a ocupação das escolas e o movimento de 2013 é que a paralisação aconteceu no interior de uma instituição pública e social para a garantia do caráter público dessa instituição. Não foi um evento em favor disso ou daquilo; foi uma ação coletiva de afirmação de princípios políticos e sociais. Os dois grandes princípios foram, primeiro, o princípio republicano da educação — a educação é pública; segundo, o princípio democrático da educação — a educação é um direito. A ação dos estudantes e professores foi tão significativa porque eles disseram: “O espaço da escola é nosso. Somos nós, alunos e professores, que somos a escola”. Então, foi a “integração de posse” das escolas pelos alunos e professores. É gigantesco o fato de alguém no Brasil pensar que algo público é nosso! É diferente das ocupações de reitorias, em que os estudantes dizem: “Nós somos contra isso que o reitor fez…” Agora, os estudantes disseram: “Esse lugar, essa instituição é pública; ela é nossa e não vamos sair daqui”. Eles se posicionaram contra algo típico do neoliberalismo — posto em prática, sob certos aspectos, no decorrer da Ditadura e, depois, explicitamente nos governos Fernando Henrique Cardoso: a ideia de que um direito social e político é aquilo que pode ser transformado em serviço e comprado no mercado. As pessoas falam das privatizações como se elas fossem apenas a da Vale e das grandes empresas… É isso também, mas o núcleo da privatização está em outro lugar, está na transformação de um direito social em serviço que se compra e vende no mercado. Isso foi feito com a educação, com a saúde, com o transporte, com todos os direitos sociais. E, em São Paulo, com grandes baterias, isso foi feito. Os estudantes mostraram que a escola pública não é mercadoria; fizeram uma ação republicana e democrática de um alcance incrível. Eu só vi algo parecido, em termos de configuração social no Brasil, nas greves de 1978 e 1979 no ABC. Por quê? Não pela repercussão, mas pelo sentido que elas tiveram.

Pensem no fato de que, durante as ocupações, só foram chamados para dar entrevistas cientistas políticos, sociólogos, historiadores, mas nenhum professor ou estudante das escolas ocupadas! Nenhum professor ou estudante foi considerado capaz de explicar o que se passava. Só se ouviu gente que estava fora das salas de aula e que vinha explicar falando disparates. Quando a mídia entrevistava algum estudante, só perguntava coisas do tipo: “O que você sente? Do que você gosta e não gosta? O que você quer?”. Ou seja, ficava no nível puro e simples do sentimento, não do pensamento. Apesar disso, a palavra deles chegou à sociedade por outras vias; e isso mostra o tamanho da ação que eles realizaram. Houve uma solidariedade que há muitos e muitos anos não se via no estado de São Paulo inteiro. Por fim, as ocupações deixaram claro o motivo de fechar as escolas. Em um país como o nosso, não se fecha escola; se abre. Mas o governador de São Paulo queria os terrenos para uma exploração imobiliária gigantesca. E para fazer o quê? Para fazer fundo de campanha. É claro que agora o Geraldo Alckmin vai tentar fragmentar tudo e implantar devagarzinho o seu projeto. Hoje essa escola, amanhã aquela. Não sei se ele vai conseguir, mas vai tentar. Como o Ensino Fundamental é praticamente todo municipal, o Ensino Médio é estadual e, de um modo geral, o Ensino Universitário é responsabilidade federal, essas instâncias operam de modo fragmentado; e isso permite tentativas de reestruturação como as de São Paulo e de Goiás. De todo modo, os estudantes revelaram que a ideia de fechar uma escola não significava fechar uma escola, significava vender um terreno. Portanto, eles denunciaram o caráter corrupto da suposta política de reestruturação escolar.

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“A ação dos estudantes e professores foi tão significativa porque eles disseram:
‘O espaço da escola é nosso. Somos nós, alunos e professores, que somos a escola’.”
Foto Bob Sousa
Como a senhora vê o atual momento da economia brasileira?

No primeiro ministério montado pela presidente Dilma, enfatizou-se, por um lado, a crise internacional em que o elemento financeiro é decisivo, e, por outro, o fato de haver, no Brasil, uma disputa entre a indústria, o comércio e o setor agrário. A Dilma pôs representantes desses setores no governo e deu a eles a responsabilidade de resolver o conflito. Um banqueiro junto com o agronegócio. Eles não resolveram. Não sei se a presidente foi maquiaveliana, mas ela parecia prever que eles fracassariam e que o fracasso mostraria para onde o barco deve ir. Então, o que ela está fazendo agora? Ao chamar o principal assessor do Guido Mantega, ela sinaliza claramente que vai retomar a política de desenvolvimento e crescimento econômico, a começar pelo aumento do salário mínimo.

É claro que há uma crise internacional gigantesca e que vai pegar os membros do BRIC. Já pegou a China, está pegando a Índia; a situação vai complicar. Mas, de todo modo, a opção agora é a do desenvolvimento. Sem desenvolvimento e crescimento não se faz, efetivamente, a política dos programas sociais. Se não há mudança no mercado de trabalho com aumento do emprego e da escolaridade, a manutenção dos programas sociais vira assistência.

Como a senhora entende a crítica da classe média alta e de alguns economistas que afirmam ser o Brasil um país protecionista e que faz pouco investimento?  

O grito contra o protecionismo é o grito da direita. São os republicanos nos EUA, o Le Pen na França, o pessoal da Alemanha. O que eles entendem por fim do protecionismo? Um “liberou geral”, um capitalismo “adulto”. A ideia de que o Estado intervenha é o que eles chamam de protecionismo. Mas se o Estado não limitar a ação do capital, cai-se na barbárie. Com relação ao investimento, a gente sabe que o Estado brasileiro investe. Há dados inacreditáveis. Na verdade, não são inacreditáveis se conhecermos bem a burguesia brasileira. Vejam: o BNDES liberou todos os recursos possíveis para os empresários brasileiros, mas eles não investiram; eles puseram tudo nos bancos, nas ilhas Cayman, em Miami, onde quiseram. Em vez de investir no país, o dinheiro do BNDES foi parar no setor financeiro fora do Brasil. E daí se diz que o país não investe! Eu adoro a burguesia brasileira. Quando ela disse “quero café”, foi ótimo. No mundo inteiro, quem vai plantar café constrói estrada de ferro para levar o café até os pontos de distribuição. Aqui no Brasil, porém, é o Estado que tem de construir estradas de ferro. A burguesia só plantava o café. Se ela precisa de porto, no mundo inteiro ela constrói portos. Aqui não. É o Estado que tem de construir o porto para a burguesia mandar o café. A burguesia quer industrializar, mas é o Estado que tem de fornecer eletricidade. A burguesia brasileira mama nas tetas do Estado desde que ela nasceu. E tem a ousadia de se colocar contra os programas sociais, quando ela depena o Estado sistematicamente.

Recentemente, a senhora afirmou que o Bolsa Família fez pelas mulheres o que seis décadas de feminismo no mundo não conseguiu…

Esses dados estão consagrados em um livro feito pela Walquíria Leão Rego sobre o Bolsa Família (Bolsa Família: autonomia, dinheiro e cidadania, em coautoria com Alessandro Pinzani, Editora da UNESP). O que ela mostrou? Primeira coisa: como o dinheiro vai para as mulheres, elas foram transformadas em chefes de família. Na tradição brasileira, o dinheiro costuma ir para o homem, e só uma parte vai para a família; a outra parte vai para os gastos pessoais dele. Com o Bolsa Família, quebra-se o monopólio masculino sobre a administração da casa. Em segundo lugar, as mulheres passaram a cuidar mais de si mesmas. Juntando o dinheiro do Bolsa Família com os serviços do SUS, por exemplo, elas fizeram diminuir o número de doenças femininas. Finalmente, elas têm participado mais de atividades públicas, filiaram-se a movimentos sociais e criaram cooperativas. Há uma quantidade enorme de cooperativas criadas pelas mulheres com o que sobra do uso do dinheiro do Bolsa Família.

Qual seria o papel do Estado na promoção da igualdade e dos direitos das mulheres?

A função do Estado não é a de promover. Ele tem de reconhecer os direitos das mulheres e decretá-los. Sua função é consignar na lei, institucionalmente, aquilo que os movimentos das mulheres exigem e produzem, mas essa ação é social. A política se faz pela sociedade. O Estado brasileiro precisa parar de agir como se não houvesse uma sociedade. A ele cabe salvaguardar tudo o que há de republicano e democrático nas ações políticas da própria sociedade. Mais do que promover, o Estado tem de garantir.

Juvenal Savian Filho é professor de História da Filosofia da UNIFESP
Laís Modelli é repórter da revista CULT
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Israel comemora o golpe de estado no Brasil

Filho de imigrantes libaneses, novo presidente no Brasi é amigo da comunidade judaica
A elevação de um vice-presidente centrista, Michel Temer, como presidente do Brasil em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff é esperado para resultar em uma relação menos tensa entre o Brasil e Israel, bem como a sua comunidade judaica, disseram os líderes judaicos.

Temer, 75, filho de imigrantes libaneses, assumiu o comando da maior nação da América Latina na quinta-feira. Ele foi vice-presidente desde 2011.

Rousseff, que serviu por 13 anos, foi suspensa pelo Congresso Nacional por 180 dias, como parte de um processo de impeachment em curso. Ela irritou a comunidade judaica com o que eram vistos como declarações anti-Israel, incluindo chamar o conflito de Israel com o Hamas em 2014 “um massacre”.

Além disso, o Brasil se recusou a aceitar a nomeação de um ex-líder dos colonos da Cisjordânia, Dani Dayan, como embaixador para Brasília. Em março, Dayan foi nomeado cônsul-geral em Nova York e ninguém foi nomeado em seu lugar.

“A interrupção de um mandato não é algo para comemorar, mas o amadurecimento da nossa democracia deve ser realçado,” Fernando Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, disse ao JTA. “Nós vamos manter um diálogo eficaz e aberto com o novo governo sobre assuntos nacionais, internacionais e relacionadas com a comunidade.”

Entre suas primeiras medidas, Temer anunciou que José Serra, um amigo de longa data da comunidade judaica, como o ministro das Relações Exteriores e Ilan Goldfajn, economista que nasceu em Israel, como presidente do Banco Central. Goldfajn, que é judeu, tentará aumentar a sexta maior economia do mundo no auge da sua maior crise financeira em um século.

Em janeiro, à luz do Dia Internacional da Recordação do Holocausto, Temer acolheu Lottenberg, que se dirigiu a ele sobre a importância da aprovação da primeira lei anti-terrorismo do Brasil, que, eventualmente, foi aprovada em março.

Nascido em São Paulo e um católico romano, Temer é filho de imigrantes libaneses maronitas da cidade de Btaaboura no distrito de Koura, vizinho à capital Trípoli no norte do Líbano. Seu pai fugiu para o Brasil para escapar da fome e da guerra na década de 1920.

Bem respeitada no Brasil, Temer lidera maior PMDB partido do Brasil, que anunciou sua ruptura com as semanas do governo Dilma atrás, contribuindo para o processo de impeachment.

“Você é mais presidente do Líbano que a mim como você tem 8 milhões, temos 5 milhões,” o então presidente do Líbano, Michel Suleiman, disse a Temer em 2011, de acordo com o serviço de notícias Ya Libnan, fazendo referência à grande comunidade libanesa estimada entre 7 milhões e 10 milhões de membros no Brasil, ou quase 5 por cento da população.

O artigo acima do Times of Israel revela os motivos do regime sionista para comemorar o golpe de estado no Brasil. Nota-se que por trás do golpe está a sombra do sionismo, operando através da CIA e Mossad israelense, orquestrando a Operação Lava Jato com o apoio da mídia e do judiciário. Uma vingança contra Dilma Rousseff, que não aceitou o embaixador terrorista nomeado pelo genocida Netanyahu.

Agora o caminho para que a máfia Rothschild possa usurpar a Petrobrás, o pré-sal e controlar diretamente o Banco Central ficou aberto. José Serra e Ilan Goldfajn são citados como nomeações importantes para Israel, ou seja, para os interesses da banca Rothschild.

Como avisado em outros artigos, quando um regime não obedece a esta estrutura globalista mafiosa, é derrubado e substituído por outro que obedeça.

Outro ponto importante é a importância para o sionismo a aprovação da “lei anti-terrorismo” no Brasil, uma lei de repressão e censura contra o próprio povo, que usa o pretexto do “terrorismo” como justificativa para a sua criação. É a ferramenta para censurar a liberdade de expressão e livre pensamento no país, intimidando quem se atreve a divulgar fatos históricos que revelam as mentiras divulgadas pelo sionismo para justificar a existência e os crimes de Israel. Esta lei está sendo criada e usada em diversos países para silenciar as denúncias contra o genocídio palestino. Para estes nazi-sionistas, quem não se alinha a Israel ou ao sionismo é “terrorista” ou “antissemita”, sendo que os antissemitas e terroristas estão em Israel e no sionismo internacional liderado pelos Rothschild.

Ameaça israelense não se limita a Palestina, senão ao mundo inteiro

O ataque sionista à América do Sul não terminou, ainda querem usurpar o petróleo da Venezuela e usarão os países que agora estão sob domínio sionista (Argentina e Brasil) para derrubar Maduro. Uma guerra na região já foi planejada pelo Comando Sul dos EUA.

“Operação Venezuela Freedom 2”: Comando Sul dos EUA em etapa decisiva contra a Venezuela

Com a Argentina e Brasil militarmente alinhados com os EUA e Israel o sionismo aponta agora contra Maduro, que por sinal há anos vêm alertando para um golpe de estado em seu país patrocinado pela CIA. Maduro já percebeu o movimento e declarou estado de exceção por tempo indefinido, já esperando uma invasão.

Israel prepara intervenção na América do Sul sob o pretexto do “narco-terrorismo”

EUA bate os tambores de guerra contra o Irã e a Venezuela

Estes são apenas alguns dos motivos por trás do golpe de estado no Brasil promovido pelo sionismo e executado pelos seus Cavalos de Tróia estratégicamente posicionados no Senado, Câmara e Judiciário.

Sabendo disto, o que a população brasileira pensa fazer? Ficar de braços cruzados e assistir Temer e sua quadrilha entregarem o país à banca Rothschild/Rockefeller e destruir a soberania nacional?

Uma coisa é certa, bater panelas e fazer manifestação não vão impedir que o plano sionista avance sobre o Brasil.

Está dado o recado.

No Caminho Alternativo
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Saudade do sonante

Não se veem mais patacas e dobrões, a não ser em filme de pirata. Não se veem mais moedas de encher algibeiras e baús e pesar no bolso. Não se veem mais moedas sonantes e ressonantes, que fazem tim-tim. Saudade do tim-tim.

Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim-tim por tim-tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopeica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal.

Pagar a alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro — tim, tim, tim, tim — era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos os tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, moedas eram dinheiro que soava como dinheiro.

Depois veio o papel-moeda, que, tecnicamente, não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em dinheiro. E começamos nosso afastamento do tim-tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio. Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopeia.

Trusts na Suíça não fazem tim-tim. Os bilhões pagos em propinas ou para ganhar privilégios, licitações ou eleições não fazem tim-tim.

O mais distante a que você pode chegar do tim-tim é o cartão de credito. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel-moeda, que, por sua vez, é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha.

Não surpreende que, na falta do tim-tim, as pessoas esqueçam que o cartão de crédito também não é dinheiro, é uma promessa de pagamento, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o Tesouro Nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas antes de mais nada, faltou o tim-tim.

Luís Fernando Veríssimo
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Época aponta um lado monstruoso em Temer


No romance "The Strange case of Dr. Jekyll and Mr Hyde", publicado em 1886 e popularizado nos países de língua portuguesa como "O Médico e o Monstro", o escritor Robert Louis Stevenson narra a história de um médico, Dr. Jekyll, que, após beber uma fórmula secreta, tem seu lado demoníaco revelado.

Neste fim de semana, a revista Época, dos irmãos Marinho, da Globo, compara o interino Michel Temer a Dr. Jekyll. Ele teria feito boas escolhas na economia, com nomes como Henrique Meirelles, na Fazenda, e Ilan Goldfajn, no Banco Central, mas o restante de sua administração provisória seria digna de um filme de terror.

"Abalroado pelas revelações de Sérgio Machado, o presidente interino Michel Temer não consegue se desvencilhar da Operação Lava Jato e fazer seu governo decolar", diz a reportagem de Ana Clara Costa.

Na semana passada, Temer perdeu seu terceiro ministro, Henrique Eduardo Alves, e foi acusado por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, de pedir uma propina de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita em São Paulo, no ano de 2012.

A capa de Época deste fim de semana chega até a deformar os traços físicos de Temer para que ele, na imagem, se transforme numa figura monstruosa.

No 247
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A maior revelação das delações: o PSDB é um partido visceralmente corrupto

Não sobra um
A maior revelação das delações é a seguinte: ao contrário do que a imprensa tentou sempre vender aos brasileiros, o PSDB é um partido visceralmente corrupto.

Corrupto e demagógico. O demagogo é aquele que prega o que não faz. O PSDB viveu nos últimos anos condenando a corrupção à luz do sol e, na penumbra, praticando-a freneticamente, com a voracidade de quem sabe que a impunidade está garantida.

Todo mundo sempre soube que o PMDB é um clube de batedores de carteiras. Você vê Sarney na sua frente e automaticamente leva as mãos para os bolsos para proteger sua carteira.

Mas, graças à parceria que sempre teve com a mídia, o PSDB era tido por muitos inocentes úteis como um reduto de homens puros.

Essa mentira histórica ruiu espetacularmente, e é um dos grandes ganhos da crise política que tomou o país.

O que aconteceu com o PSDB, simplesmente, é que a imprensa não publicou sua roubalheira.

A frase que simboliza isso foi pronunciada pelo delator Sérgio Machado: “Fui dez anos do PSDB. Não sobra um.”

Isso poderia estar gravado no túmulo tucano: “Não sobra um”. No jazigo pessoal de Aécio, o epitáfio poderia ser outra frase de Machado: “Todo mundo conhecia seu esquema”.

Uma informação do delator Cerveró pode ser o epitáfio de FHC: “Foi o campeão das propinas”.

O benefício do desmascaramento tucano é imenso para a sociedade. Imagine se o mesmo tivesse ocorrido com a UDN na campanha contra Getúlio. O trabalho sujo de desestabilização contra Jango à base do “combate à corrupção” teria sido abortado.

Nunca mais a plutocracia conseguirá ludibriar os brasileiros com a falácia da corrupção. Ficou claro que ela é a própria essência da corrupção.

Talvez então o país possa debater com profundidade o que é realmente o câncer nacional: a desigualdade.

Paulo Nogueira
No DCM
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Kassab nomeia advogada de TVs para supervisão de outorgas de emissoras

Ele
O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, escolheu para cuidar de outorgas de rádio e TV uma advogada que atua em favor de diversas emissoras em processos em tramitação na pasta.

A nomeação de Vanda Jugurtha Bonna Nogueira foi publicada nesta sexta-feira (17) no "Diário Oficial da União", mas ela já despachava no ministério havia cerca de um mês.

No cargo informalmente, ela determinou análise prioritária para casos envolvendo Globo, SBT e Record, entre outros veículos.

Nogueira aparece como representante de emissoras de rádio e televisão em dezenas de processos internos do ministério. Entre esses veículos, estão afiliadas da Rede Globo como a TV Diário, de Mogi das Cruzes (SP), e a Inter TV, de Cabo Frio (RJ).

Por não poder ter acesso oficialmente ao sistema interno do ministério, ela despachou no último mês por meio de bilhetes escritos à mão ou datilografados.

Na definição oficial da pasta, ao secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica, cargo que Nogueira agora ocupa, compete supervisionar a "regulamentação da outorga para exploração dos diversos serviços de radiodifusão" e ainda "acompanhar a exploração dos serviços".

A lei nº 12.813/2013 classifica como conflito de interesses a "prestação de serviços a empresa cuja atividade seja controlada, fiscalizada ou regulada pelo ente ao qual o agente público está vinculado".

Nesses casos, considera-se que o agente comete improbidade administrativa e é passível de demissão, entre outras eventuais punições.

Currículo

O nome da advogada também é vinculado a processos do ministério envolvendo a TV Schappo e o Sistema Alagoano de Radiodifusão.

Em 2001, a Schappo — rede ligada ao ex-deputado federal João Caldas — ofereceu R$ 16,7 milhões, em valores da época, por uma concessão de TV em Jundiaí (SP) em uma licitação pública do ministério, desbancando empresas do porte do SBT e da Bandeirantes.

O Sistema Alagoano de Radiodifusão foi declarado, em 2010, como de propriedade do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), mas seu nome não aparecia como cotista, segundo mostrou o jornal "O Globo" em 2013.

Outro lado

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou, em nota, que Vanda Jugurtha Bonna Nogueira, ao receber o convite, "retirou-se da iniciativa privada". Mas não apresentou documento formalizando a renúncia. Segundo a pasta, ela frequentou a sede para acompanhar o trabalho do antecessor, "sem poder decisório".

"[Ela] seguirá as orientações do ministério em dar tratamento isonômico a todas as permissionárias, concessionárias e autorizadas."

A nota diz ainda que o currículo "não deixa dúvidas de suas competências". "Com 42 anos de experiência nos setores público e privado, permite uma visão geral das necessidades da área, além de ter sido servidora do ministério durante 23 anos e responsável pela fiscalização".

O Grupo Globo afirmou que "não cabe a ele comentar a nomeação". 

Thais Bilenky
No fAlha
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Doações eleitorais de Michel Temer ajudam a traçar um perfil do presidente interino; todos os caminhos levam ao Rio Grande do Sul e ao porto de Santos

Beneficiados e beneficiários: em sentido horário, Fátima Pelaes, Cunha, Helder Barbalho e a mãe, Dárcisio Perondi, Edinho Araújo e Eliseu Padilha
Pelos direitos das crianças, dos jovens, das mulheres, de todos os brasileiros; por um Governo decente e, acima de tudo, por mais esperança para os brasileiros, voto “sim”. Darcísio Perondi, ao votar na Câmara pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff

Sr. Presidente, renovação; confiança; credibilidade; recuperação da esperança; ordem; harmonia; outro clima de investimentos; respeito às leis; respeito às instituições. Foi neste clima que o Brasil amanheceu hoje: céu azul, céu brilhante, temperatura agradável, bandeiras nos apartamentos e nos ônibus. Conversei com uma empregada doméstica, e ela me disse da alegria nos ônibus hoje de manhã que vieram do entorno do Brasília. Está renascendo um novo Brasil. E tenha a santa paciência o Deputado que me antecedeu! Michel Temer tem doutorado em Constituição. É professor, jurista. Foi Deputado por 16 anos, um homem inteiro, fala o português. Não confunda hombridade e legalidade com gente pequena! Viva o novo Brasil que está nascendo! Viva o novo Brasil que está nascendo! Darcísio Perondi, festejando o governo interino de Michel Temer na Câmara, em 11 de maio de 2016

Assim como Eduardo Cunha, Michel Temer tem sua própria bancada na Câmara dos Deputados. É menor, certamente. Mas não menos dedicada a defender seu líder.

Dentre os admiradores mais ferrenhos do presidente interino está o deputado federal gaúcho Darcísio Perondi.

Em 2014, o então vice-presidente estourou o limite de doações eleitorais (10% da renda declarada no ano anterior) ao dar dinheiro diretamente a dois deputados, ambos gaúchos: Darcísio Perondi e Alceu Moreira.

Temer teve os direitos políticos cassados pelo TRE-SP e está recorrendo.

Como a Galeria dos Hipócritas revelou no último 26 de maio, um dos deputados, Alceu Moreira, está enrolado em denúncias de corrupção.

O apelido dele em sua região de origem é Tico Butico.

Quando Alceu Moreira era presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, foi flagrado em escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça numa operação da Polícia Federal que investigava um esquema de corrupção envolvendo obras públicas. O esquema começou com o desvio de dinheiro da merenda escolar em Canoas, no Rio Grande do Sul.

A certa altura, quando tratava da liberação de verbas para a conclusão de uma estrada de seu interesse, Alceu Moreira disse ao interlocutor Marco Antonio Camino, da Mac Engenharia, que tocava a obra: “Tem que chover na minha horta, neguinho”.

Alceu Moreira é apadrinhado de Eliseu Padilha, hoje ministro-chefe da Casa Civil do governo interino de Michel Temer.

Padilha também teve conversas gravadas pela PF quando conversava com o mesmo empreiteiro, na mesma operação.

O hoje ministro da Casa Civil de Temer aparentemente tratava de direcionar a licitação para a construção de uma barragem no Rio Grande do Sul.

A construção da barragem fazia parte de um pacote de combate à seca no Sul patrocinado por emendas do próprio Padilha.


Nas investigações, a PF descobriu pagamentos de R$ 367 mil de empreiteiras gaúchas a Padilha.

O então deputado federal se defendeu dizendo que parte do dinheiro era resultado da venda de uma propriedade a um empreiteiro e o restante fruto da prestação de consultoria.

Padilha só escapou de maiores problemas com a Justiça porque o STF considerou os grampos ilegais: como deputado federal, ele tinha direito a foro privilegiado e as gravações deveriam ter sido autorizadas pelo Supremo.

Não adiantou a PF argumentar que seu alvo era o empreiteiro Marco Antonio Camino e que o então deputado caiu no grampo por ser interlocutor dele.

Neste final de semana a revista Veja requentou as acusações contra Padilha acrescentando que o Ministério Público Federal pediu o bloqueio de bens e a devolução de R$ 300 mil pelo ministro de Temer num caso correlato.

A ação por improbidade administrativa diz respeito a uma funcionária fantasma:
A Polícia Federal concluiu que a funcionária fantasma, motivo da ação de improbidade, recebeu salário como servidora do gabinete de Padilha por quatro anos. A suspeita é de que o titular da Casa Civil teria contratado a dona de casa como pagamento de favores a um empresário. 
Padilha pede o arquivamento desta ação alegando que ela também está contaminada pelo vício de origem, as gravações não autorizadas pelo STF.

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Temer entre Darcísio e a esposa, que é vice-presidente nacional do PMDB-Mulher; o Hospital de Caridade de
Ijuí


DARCÍSIO E A COBRANÇA NO SUS

O deputado Darcísio Perondi não é exceção à regra na “bancada gaúcha” de Michel Temer.

Eleito pela primeira vez em 1995, ele pode se dizer um deputado bem sucedido.

Nas campanhas mais recentes, dobrou os gastos para se reeleger: foram R$ 989 mil em 2010 e R$ 1,79 milhão em 2014.

Pelas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral, teve um salto no patrimônio de 293% entre 2006 e 2014.

Ao votar pela abertura de processo de impeachment contra Dilma, ele falou em defesa de um “governo decente”.

Porém, suas práticas destoaram do discurso em pelo menos uma ocasião, segundo o Ministério Público Federal.

Perondi, que é médico, era presidente do Hospital de Caridade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, quando aconteceu a denúncia.

Médicos locais cobraram por consultas do SUS, o Sistema Único de Saúde, com o conhecimento da direção do hospital.

Cobranças foram feitas de pacientes humildes dos municípios vizinhos de Catuípe, Chiapeta e Inhacorá que precisavam consultar especialistas.

O MPF recolheu vários depoimentos:
Ângela Dallepiane Schneider, professora estadual: “(…) que a aluna Cilene Patat havia sofrido uma fratura no braço, motivo pelo qual acompanhou­-a até o Hospital de Caridade de Ijuí. Chegando lá, Cilene foi atendida pelo médico Dr. Adonis Dei Ricardi. Após ter sido atendida, Cilene solicitou à declarante que lhe emprestasse um cheque no valor de R$ 100,00 para pagamento dos serviços médicos. Foi a própria declarante quem entregou o cheque para o Dr. Adonis. Declara que foi ressarcida pela Prefeitura Municipal de Catuípe”;

Cleci Vieira, do lar: “(…) em julho de 2001, procurou a assistência médica do Município, pois estava grávida, quando então foi encaminhada para o Hospital de Caridade de Ijuí (…); foi atendida pelo Dr. Élvio Silveira. Declara que, na oportunidade, foi­-lhe cobrado unicamente R$ 50,00, quantia essa paga em dinheiro para o Dr. Élvio, referente a exame de toque. Refere que tal valor foi ressarcido pela Prefeitura de Catuípe, mediante apresentação do recibo firmado pelo médico que recebeu a importância. Informa que é carente e que não teria condições de pagar quaisquer despesas (…)”.

Celine Mezadre da Luz, do lar: “(…) foi encaminhada para o Hospital de Caridade de Ijuí, ocasião em que foi atendida pelo médico Dr. Élvio. Na oportunidade, foi ­lhe exigido a importância de R$ 180,00, apenas para chamar o médico, pois era final de semana e o mesmo encontrava- se em casa. Diante da informação de que não poderia pagá­-lo, este veio atendê­-la, porém, disse que mandaria cobrar a conta da Prefeitura do Município de Catuípe. Declara que foi trazida pela ambulância do município de Catuípe após ter feito a curetagem. Informa que perdeu o bebê (…)”.

Valdemar Bortolotti, agricultor: “(…) há mais ou menos um ano fraturou a perna esquerda, quando então foi atendido pelo Dr. Rui, na cidade de Catuípe, que o encaminhou para o Hospital de Caridade de Ijuí. Que foi conduzido até aquele hospital pela ambulância da Prefeitura Municipal de Catuípe; lá chegando, foi atendido no Pronto­ Socorro pelo Dr. Adonis, que lhe pediu pessoalmente R$ 180,00 (cento e oitenta reais) para operá­-lo. Diante da recusa, ante a falta de recurso, o referido médico disse que engessaria a perna do jeito que estava, pois com o tempo ficaria bom. Declara que relutou para aceitar o engessamento, contudo acabou aceitando. (…) Declara que até hoje sofre seriamente seqüelas do procedimento adotado pelo médico, sendo que sofre muitas dores (…)”
Registre-se que em 2001/2002, época da denúncia, o salário mínimo era de R$ 180, valor relevante para um agricultor que teve de recorrer a uma ambulância pública para ser transportado entre duas cidades.

O dr. Adonis Dei Ricardi foi incluído na lista de médicos denunciados, juntamente com Armindo Pydd, Alberto Arais Pydd, Aureo Paulo Zimmermann, Bruno Wayhs, Edemar Paula da Costa, Elvio Gonçalves da Silveira, Fernando Vargas Buenos, Francisco Coutinho Kubaski, João Antônio da Silva Stucky, Mario Valter Michel e Maristela Casagrande.

Em sua defesa, eles alegaram que a cobrança era feita apenas quando os pacientes não aceitavam o tratamento dos plantonistas do hospital. Portanto, era como se fossem consultas particulares.

O juiz Adriano Copetti, de Santo Ângelo, não aceitou a argumentação.

A defesa do deputado Darcísio Perondi tentou arguir que ele tinha foro privilegiado, mas o STF considerou que o caso não envolvia seu mandato parlamentar.

Advogados de Perondi também argumentaram que as cobranças não eram irregulares, uma vez que “os municípios devem complementar os serviços de saúde financiados pelo SUS”.

O juiz, porém, condenou Perondi por improbidade administrativa:
O demandado Darcísio Perondi, como Presidente do Hospital de Caridade de Ijuí ­ HCI, concorreu com a prática dos atos ímprobos, já que anuía com as cobranças ilícitas, tanto que pressionava os municípios da região a firmarem convênios com o HCI, dizendo que os repasses do SUS eram insuficientes para o atendimento gratuito de toda a região de abrangência do referido nosocômio. Tinha ele, portanto, na condição de administrador máximo do HCI, o dever de zelar pelo adequado funcionamento da estrutura, o que implica também, sobremaneira, em fiscalizar e coibir atos atentatórios aos princípios da Administração Pública e aos objetivos do Sistema Único de Saúde, dentre eles, em especial, os do acesso universal, gratuito e igualitário às ações e aos serviços de saúde, função a qual, ao que se apurou, omitiu-­se.
Pena? No caso de Perondi, multa de R$ 1 mil. Mil reais.

Os réus, condenados em primeira e segunda instâncias, estão recorrendo.

Darcísio é crítico do programa Mais Médicos. Ele protestou, por exemplo, pelo fato de que os primeiros médicos cubanos chegaram ao Brasil ganhando menos que seus colegas, “apenas” 300 dólares mensais. Segundo ele, a presença de médicos nas pequenas cidades, sem mais investimento federal na Saúde, causaria o estrangulamento do sistema.

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O terminal em Santos e o deputado federal Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista: porto seguro
A BANCADA DE TEMER E A DELAÇÃO DE CUNHA

A bancada de Michel Temer na Câmara não inclui apenas os deputados gaúchos Alceu Moreira e Darcísio Perondi, aos quais ele doou como pessoa física.

Nas eleições de 2014, só o CPF 20.569.767/0001-43, relacionado à campanha do vice-presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia, aparece associado ao repasse de R$ 11.886.827,14 a 78 candidatos do PMDB, PSD, PDT, PCdoB e PT em vários estados do Brasil.

Impressiona o interesse de Temer pelo Rio Grande do Sul: ele ajudou na campanha de 25 candidatos a deputado estadual e federal do Estado.

Uma possível explicação: Eliseu Padilha, braço direito de Temer, é gaúcho; foi prefeito de Tramandaí, deputado federal desde 1995 e serviu como ministro em governos que um dia tiveram apoio/participação de Temer: dos Transportes sob FHC, da Aviação Civil sob Dilma e da Casa Civil sob o próprio Temer.

Doar a candidatos gaúchos seria uma forma de reforçar a base parlamentar da dupla.

Na lista de doações de Temer em 2014, a maioria dos repasses é de dinheiro originário de empresas.

A empreiteira OAS, por exemplo, fez doações de mais de R$ 3,4 milhões através de Michel Temer.

Alguns casos chamam especialmente a atenção.

Temer repassou, por exemplo, R$ 300 mil da OAS e do frigorífico JBS à candidata Fátima Pelaes. Depois de cinco mandatos, ela não se reelegeu em 2014 como deputada federal pelo PMDB do Amapá.

Agora, a ex-deputada foi escolhida por Temer para dirigir a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres.

Fátima responde a inquérito que resultou da Operação Voucher, da Polícia Federal, que investigou desvios no Ministério do Turismo.

Quando deputada, Fátima indicou uma ONG de nome Ibrasi para promover o turismo no Amapá a partir de emendas apresentadas por ela.

Fátima teria sido beneficiária de parte dos R$ 4 milhões recebidos pela ONG.

Outro que recebeu dinheiro de Temer para a campanha de 2014 foi Baleia Rossi, o presidente do PMDB paulista: R$ 150 mil, originários do frigorífico JBS.

No escândalo das merendas de São Paulo, o deputado foi acusado pelo presidente da Coaf, a cooperativa que pagou propina, de ser o beneficiário de pagamentos nos contratos fechados com as prefeituras de Campinas e Ribeirão Preto. Ele nega veementemente.

Mas, há coisas mais interessantes ainda na lista de doações eleitorais de Temer.

Voltemos no tempo.

Como o Viomundo denunciou aqui, o presidente interino já foi mencionado em ação de divórcio pelo suposto recebimento de R$ 2,7 milhões em propinas em contratos fechados quando Marcelo de Azeredo dirigia a Codesp, Companhia Docas do Estado de São Paulo, controladora das maiores instalações portuárias do Brasil, em Santos.

Temer era deputado federal e indicara seu afilhado político para dirigir a empresa, o que Marcelo fez entre julho de 1995 e maio de 1998, durante o governo FHC.

À época, Azeredo foi acusado de esbanjar dinheiro público — por exemplo, segundo denúncia assinada pelo repórter Gilberto Nascimento, ele “pagou pelo aluguel de sete veículos da marca Quantum, para atender à diretoria durante dois anos, a quantia de R$ 394 mil, suficiente para adquirir em definitivo 14 carros zero-quilômetro do mesmo tipo”.

A denúncia das propinas obtidas por Temer no porto de Santos partiu da ex-mulher de Azeredo, numa ação de divórcio litigioso.

Ela teve acesso ao computador do ex e copiou planilhas que registravam negócios e pagamentos.

A divisão do dinheiro: 25% ficavam com Azeredo, 25% com um certo Lima e 50% com MT, que os advogados dela identificaram como Michel Temer.

Lima provavelmente é o coronel aposentado da PM João Baptista Lima Filho, dono de 1.500 hectares de terras no interior de São Paulo e da empresa Argeplan, investigada na Operação Lava Jato por contrato com a Eletronuclear — que teria sido fechado depois de pagamento de propina.

O coronel Lima e Temer são amigos há mais de duas décadas.

Pois bem, segundo os registros obtidos pela ex-mulher de Azeredo naquele divórcio litigioso, Temer teria se beneficiado de R$ 640 mil em propina quando dois terminais do porto de Santos, os de número 34 e 35, foram concedidos ao Grupo Libra, especializado no transporte de contêineres.

Quando a concessão original aconteceu, em 1998, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, Codesp, era subordinada ao Ministério dos Transportes, ocupado então por Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil de Temer.

Fast forward para o governo Dilma, com Temer na vice-presidência.

Em 2013, foi editada a nova Lei dos Portos.

Ela permitia a renovação da concessão de terminais desde que houvesse promessa de novos investimentos, mas vedava isso para empresas inadimplentes.

A essa altura, o Grupo Libra tinha uma dívida com a União estimada em mais de R$ 800 milhões (valores atualizados), que contestava.

Porém, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentou uma emenda que abriu uma exceção: renovação da concessão se a empresa inadimplente aceitasse um processo de arbitragem para a dívida.

O Grupo Libra aceitou e os processos de cobrança da União contra ele foram extintos.

Isso permitiu ao Grupo Libra renovar a concessão dos dois terminais de Santos por mais 20 anos, com a promessa de novos investimentos de R$ 750 milhões.

A Secretaria de Portos, vinculada hoje à Presidência da República, era ocupada na época pelo deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP), indicado por Temer.

A demissão de Edinho por Dilma foi um dos temas da famosa carta em que o vice reclamou da presidenta: “E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado”, dizia trecho da carta.

Na lista de doações eleitorais de Temer em 2014, R$ 200 mil foram destinados à campanha de reeleição de Edinho, dinheiro originário das empresas JBS, Jofege Pavimentação e São Sebastião Desenvolvimento Imobiliário.

Já os donos do Grupo Libra, concessionários no porto de Santos desde 1998, compareceram com doações de ao menos R$ 800 mil através de Temer!

Rodrigues Borges Torrealba, um dos donos do Grupo, doou R$ 500 mil a cinco candidatos do PMDB: Edson Meuer Brum (estadual/RS), Rodrigo Sanches da Rocha Loures (federal/PR), Fábio Ricardo Trad (federal/MS), Edio Vieira Lopes (federal/RR) e Elcione Barbalho (federal, PA).

A irmã dele, Ana Carolina Borges Torrealba Affonso, também sócia do Grupo Libra, doou R$ 300 mil a candidatos do PMDB, sempre através de Temer: Hermes Parcianello (federal/PR), Mário Feitoza de Carvalho Freitas (federal/CE), Claudia Lyra Nascimento (federal/DF), Francisco Luiz Escorcio Lima (federal/MA) e Darcisio Paulo Perondi (federal/RS).

Detalhe: Elcione Barbalho, que recebeu R$ 100 mil do Grupo Libra, é mãe de Helder Barbalho, o deputado federal escolhido por Temer para ocupar… a Secretaria de Portos no governo interino!

Trocando em miúdos:

1. Temer foi citado em ação de divórcio por supostamente receber propina do Grupo Libra quando este obteve as concessões no porto de Santos, quando a Companhia Docas do Estado de São Paulo era subordinada ao então ministro dos Transportes Eliseu Padilha, no governo FHC;

2. O mesmo Grupo Libra, sob Dilma, teve as concessões renovadas por duas décadas tirando proveito de emenda parlamentar de Eduardo Cunha, quando Temer era vice-presidente e um aliado dele, Edinho Araujo, ocupava a Secretaria de Portos;

3. O Grupo Libra fez doações eleitorais através de Temer que beneficiaram inclusive a mãe do futuro secretário de Portos, Helder Barbalho.

Será que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se renunciar ao mandato e eventualmente fizer delação premiada, vai contar os motivos republicanos que o levaram a apresentar aquela emenda tão particular, uma verdadeira jabuticaba, à Lei dos Portos?


Garganta Profunda é repórter investigativo com duas décadas de experiência; ele foi ‘contratado’ pelos leitores do Viomundo através de crowdfunding
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Pegaram o Eliseu "Quadrilha"!​

Ele ou o Mendoncinha? Ou o Traíra?


Como se sabe, a alcunha "Quadrilha" aposta ao nome do peemedebista Eliseu é uma das obras duradouras do Antonio Carlos Magalhães.

Ele foi quem atribuiu ao FHC Brasif outra descriçao exemplar: o Gatinho angorá não pode ficar perto de um cofre!

Foi o ACM também quem descreveu a carreira do Geddelzinho Malvadeza como "Geddel vai às compras!”

Esse "Governo" vai sair do banheiro para a Papuda!

Quem cai nessa segunda: Eliseu ou o Mendoncinha?

Ao próximo fim do Eliseu:

MPF pede bloqueio de bens de Padilha, ministro golpista de Temer

Braço direito do presidente golpista, Michel Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, deve devolver R$ 300 mil aos cofres públicos. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal, e incluir também o bloqueio dos bens de Padilha.

O MPF moveu ação de improbidade administrativa em que acusa o ministro de ter mantido uma funcionária “fantasma” em seu gabinete quando era deputado federal.

A ação de improbidade movida pelo MPF é consequência de outra investigação, de 2008, que apura o envolvimento de agentes públicos e empresários no desvio de recursos públicos destinados à compra de merenda escolar no município de Canoas (RS). Em escutas telefônicas, o nome de Padilha aparece como um dos integrantes de um grupo que realizada fraudes nas licitações — ele nega.

A investigação encontrou uma dona de casa apontada como funcionária do gabinete de Padilha por quatro anos sem nunca ter trabalhado para o então deputado e hoje principal ministro golpista de Temer.

Em 2011, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou as escutas ilegais, pois realizadas sem autorização do STF, necessária porque Padilha tinha prerrogativa de foro por ser deputado. Mas o STF determinou também que a Justiça Federal se pronunciasse sobre a ação de improbidade administrativa contra Padilha por conta da funcionária “fantasma”.

Agora, cabe à Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestar sobre a continuidade do processo e sobre os pedidos de bloqueio de bens e de devolução dos R$ 300 mil.

Fim da Lava Jato

Padilha se envolveu em outra polêmica na última semana ao sugerir o fim da Operação Lava Jato. As investigações da Polícia Federal envolveram o presidente golpista Michel Temer e derrubaram três ministros do golpe.

Delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e de familiares revelaram que Michel Temer esteve envolvido em esquema de propinas.

“Tenho certeza que os principais agentes da Lava Jato terão a sensibilidade para saber o momento em que eles deverão aprofundar ao extremo e também de eles caminharem rumo a uma definição final”, disse, na quinta-feira (16).

No CAf
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A pornografia venceu. Frota na Educação!

Em uma de suas primeiras audiências oficiais como ministro da Educação do covil golpista de Michel Temer, o demo Mendonça Filho recebeu em Brasília o ator-pornô Alexandre Frota. A visita íntima, não prevista na agenda ministerial, gerou uma onda de chacotas nas redes sociais. Muitos ironizaram as contribuições para o ensino da sumidade intelectual do mundo da pornografia e da sacanagem. Até propuseram que o charlatão fosse nomeado para chefiar o bordel do Ministério da Educação. Agora, porém, a piada pode virar realidade. O chefão do DEM acaba de entrar para a linha de tiro do Palácio do Planalto, podendo ser o quarto "sinistro" decapitado do governo interino e fugaz de Michel Temer.

Nesta sexta-feira (17), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, relatou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que "foram encontrados indícios de possível recebimento de propina" pelo ministro da Educação. Mendonça Filho (DEM-PE) teria recebido R$ 100 mil em vantagem indevida, disfarçada de doação eleitoral, na campanha de 2014. As provas foram encontradas em uma mensagem no celular de Walmir Pinheiro, ex-diretor da construtora UTC, uma das empreiteiras investigadas na Lava-Jato. Também foram encontrados uma folha impressa identificando a sigla (DEM) e os dados bancários de uma conta para doações. Com base nestas informações, Rodrigo Janot concluiu:

"Curioso observar que na prestação de contas oficiais da campanha do deputado Mendonça Filho, há o registro de doação de exatos R$ 100 mil pelas empresas Construtora Odebrecht e Queiroz Galvão, cada. Ainda a UTC Engenharia efetuou doação de R$ 100 mil ao Diretório Nacional do DEM no dia 5 de setembro de 2014 e outra quantia de igual valor em 5 de agosto de 2014... Assim, por estarmos diante de elementos indiciários de possível pagamento de propina à campanha do citado parlamentar federal, certa e a competência desse STF para a análise e processamento de eventual investigação criminal a respeito".

A dura conclusão de Rodrigo Janot foi enviada do STF em 26 de janeiro deste ano, mas só agora veio a público — após o desfecho do "golpe dos corruptos" que afastou temporariamente a presidenta Dilma Rousseff. Na bolsa de apostas de Brasília, já circula o boato de que o demo Mendonça Filho não vai durar muito tempo no cargo de ministro de Educação. Desta forma, o Judas Michel Temer pode até nomear o educador pornográfico Alexandre Frota para ser o novo ministro da área. Não seria de se estranhar. Afinal, nesta semana o interino alucinado já indicou o dono do "helicoca" — o helicóptero com quase 500 kg de cocaína — para ocupar um cargo expressivo no Ministério dos Esportes.

Altamiro Borges
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