18 de jun de 2016

As delações de Sérgio Machado — Episódio 8: As "doações oficiais" — assista

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Janot confirma: houve golpe eleitoral contra Dilma


Em entrevista à Folha, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez uma declaração bombástica:

“Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação.”

Se a acusação atingisse o PT, a mídia a teria transformado, imediatamente, em manchetão nas capas de todos os jornais, portais e revistas.

Como é contra o PSDB, então a informação é minimizada, como sem importância.

Janot repetiu a denúncia de golpe político-midiático, que a gente, da blogosfera, se cansou de fazer durante os primeiros vazamentos seletivos dos depoimentos de Alberto Youssef.

Denúncia esta que a imprensa jamais fez, embora estivesse ali, à vista de todos.

Por quê?

Por que a imprensa não identificou o óbvio, que havia vazamentos seletivos, com objetivo de interferir na campanha eleitoral e prejudicar Dilma Rousseff?

Ora, porque a imprensa fez parte do esquema.

Essa é a conclusão lógica inevitável das palavras de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, o cargo máximo do Ministério Público Federal.

No dia do penúltimo debate da eleição presidencial, que ocorreria na Record, um dos principais repórteres políticos da Globo, Gerson Camarotti, chegou a publicar, em seu blog, que Aécio e Alvaro Dias tinham recebido um "detalhamento completo" dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que "envolveria nomes graúdos do PT".

Ficou evidente (hoje confirmado, visto que Aécio não usou a suposta "bomba" no segundo turno) que se tratava de blefe tucano e jogo sujo da Globo, para intimidar Dilma no debate.

Aécio tinha apanhado que nem gente grande no debate anterior e estava com medo.

A Globo, portanto, foi cúmplice do golpe eleitoral preparado pela oposição, em conluio com o advogado de Alberto Youssef.

Só que agora as coisas mudaram de figura.

A operação Lava Jato tomou proporções que fogem ao controle da mídia e da "República do Paraná", ou seja, ao grupo de delegados e procuradores que tentaram usar a investigação para influenciar as eleições.

Envolvendo todos os partidos, e detectando desvios desde 1999, a Lava Jato fortalece a líder política número 1 do país, a presidenta da república.

Não adianta a oposição espernear, como fez Noblat hoje, dizendo que a Polícia Federal é "órgão de Estado", que Dilma não autorizou nada, blablablá.

A Polícia Federal é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça, e a presidente da República escolhe o seu diretor-geral.

Esta relação está bem clara no Decreto 73.332, de 1973, que define a estrutura da instituição.

Entretanto, não é preciso ser especialista em leis ou decretos para fazer uma comparação simples: a PF não investigava ninguém na era tucana.

Hoje investiga e prende poderosos, de políticos graúdos a empreiteiros bilionários.

Aliás, alguém deveria perguntar se as polícias estaduais, que também são "órgãos de Estado", investigam os seus respetivos Executivos.

Em São Paulo, alguém pode imaginar a polícia estadual ou a polícia civil investigando o trensalão ou as obras do Rodoanel? Todas elas envolvem, aliás, as mesmas empreiteiras da Operação Lava Jato.

A oposição e a mídia queriam transformar a Lava Jato num golpe político.

Tinha tudo para dar certo. Os delegados federais responsáveis pela operação são tucanos. Foram inclusive flagrados fazendo festinha pró-Aécio no Facebook, usando informações sigilosas.

O juiz Sergio Moro é tucano, como ficou claro com sua leniência em relação aos vazamentos feitos bem durante a campanha eleitoral, inclusive o último, o que sequer existiu, de Alberto Youssef, tentando atingir Dilma.

Os procuradores também devem ser, visto que defenderam os delegados, quando estes foram denunciados na imprensa por seu partidarismo pouco republicano, para dizer o mínimo.

A "República do Paraná" (entendida aqui como juiz, promotores e delegados por trás das investigações feitas pela Operação Lava Jato), enfim, é um núcleo tucano.

Some-isso a uma mídia ultratucana, e tínhamos todos os elementos para criar uma narrativa e aplicar um golpe político-midiático, que culminaria com o impeachment da presidenta.

Mas eles não pensaram uma coisa.

A Lava Jato de repente assumiu uma dimensão tal que saiu da esfera apenas política. Ou seja, deixou de ser regida pelo jogo baixo e apaixonado das guerras partidárias, e passou para o domínio inexpugnável da história.

Ao tratar com os setores economica e politicamente mais poderosos da sociedade, a Lava Jato não poderá abrir "exceções" jurídicas como fez no mensalão.

O fato dos investidores e o próprio juiz serem tucanos se volta em favor de Dilma, porque esta seria acusada de "bolivariana", se fosse o contrário, se a mídia identificasse afinidade ideológica, política ou partidária entre ela e a República do Paraná. Além de ser acusada de "traidora" pelos caciques partidários envolvidos no esquema.

O enfraquecimento dos caciques pesará em favor do Executivo.

A direita não tem mais um Joaquim Barbosa no STF para fazer o serviço sujo.

Em mãos de Teori Zavascki, a Lava Jato não corre o risco de virar um circo golpista.

Outro fator que enfraquece a tentativa de golpe é que o procurador geral, Rodrigo Janot, embora frequentemente também faça o jogo da mídia, é infinitamente mais qualificado, em termos éticos, do que seus antecessores.

A entrevista que deu à Folha, em que denuncia o golpe do advogado de Youssef, é evidência de que ele não se prestará, não facilmente ao menos, a um jogo sujo visto no mensalão, em que procurador, mídia e oposição manipularam provas, ocultaram documentos, e fizeram de tudo para confundir a opinião pública e enganar os réus.

A mídia tentará aumentar ao máximo a presença do PT junto às listas dos corrompidos e corruptores, mas ao fazê-lo, ampliará a imagem de republicana de Dilma Rousseff.

Afinal, que outra estadista, senão Dilma, permitiria que a Polícia Federal, subordinada a seu governo, investigasse e punisse impiedosamente membros de seu próprio partido?

Restará à mídia, desta vez, o papel triste de tentar confundir e manipular a opinião pública, e fazendo o jogo mais baixo.

Quando houver denúncia de envolvimento de um petista: manchetão na capa e páginas e páginas no miolo do jornal.

Quando houver envolvimento de um tucano: sem capa, e notinha curta ao pé de página.

Só que, desta vez, a gente tem as redes sociais.

Alguns internautas temem que haja alguma falsa denúncia sobre caixa 2 na campanha presidencial de Dilma, o que justificaria a sua deposição.

Improvável.

As campanhas presidenciais no Brasil costumam ser impecáveis. O caixa 2 é jogado sempre para as campanhas regionais e proporcionais.

As campanhas presidenciais de PT e PSDB costumam ter dinheiro de sobra. Isso desde 2002.

O mensalão, por exemplo, que foi um problema de caixa 2, admitido pelo próprio Lula e por Delúbio Soares, ocorreu justamente por conta disso: a campanha presidencial chupou todo o dinheiro limpo, e o caixa 2 foi lançado nas costas dos diretórios regionais, que precisavam pagar dívidas de campanha.

Claro, espera-se todo o tipo de mentira, calúnia e manipulação, nos próximos meses. Desta vez, porém, temos uma opinião pública um pouco mais crítica e desconfiada.

E a mídia não tem mais o monopólio da narrativa.

*

O fato da análise das contas da campanha de Dilma terem caído em mãos de Gilmar Mendes, não deveria ser motivo de preocupação excessiva.

Um pouco sim, mas não muito.

Justamente por ser identificado como juiz de oposição, Mendes será obrigado a aprovar as contas da presidenta.

Só lhe restará o patético papel de fazer suspense, pedir explicações, inventar factoides variados.

Mas não poderá desaprovar as contas de Dilma, porque soaria golpista demais isso partir de um juiz tão abertamente de oposição.

De qualquer forma, o próprio Ministério Público Eleitoral entrou com recurso para que a relatoria das contas da campanha de Dilma não fique em mãos de Gilmar.

*

O maior desafio de Dilma, e isso não é pouca coisa, é evitar que a Lava Jato, por envolver as maiores empreiteiras do país, provoque interrupção das grandes obras de infra-estrutura.

A nossa mídia, já vimos, não tem qualquer compromisso com o desenvolvimento. Sergio Moro ganhou pontos ao mostrar que, ao menos nisso, demonstra bom senso, visto que se preocupou em não paralisar o trabalho das empresas.

As empreiteiras empregam centenas de milhares de trabalhadores, e as denúncias terão que apurar responsabilidades e impor multas, mas cuidando para não prejudicar o emprego de quem não tem culpa nenhuma pelos desvios. Nem parar obras que são estratégicas e urgentes, como a finalização da refinaria Abreu Lima, cuja entrada em operação servirá como alavanca para a indústria petroquímica, e ajudará a reduzir o déficit da balança comercial brasileira.

Miguel do Rosário
No 247
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O xadrez da República de Temer e a guerra mundial


Há um conjunto de circunstâncias que, em um ambiente democrático, permitem as grandes tacadas políticas e de negócios.

Os pacotes contra a inflação abriram esse espaço para operações de arbitragem de taxas, de jogadas no mercado de câmbio e de vendas de estatais. Criava-se a comoção nacional, em nome da união contra o inimigo maior — a inflação — e conferia-se ao comandante econômico o direito de matar. E matava-se valendo-se da sofisticação da matemática financeira.

O novo normal brasileiro incluiu o golpe do impeachment, que fere fundo a democracia, e um bando assaltando o poder com arcos, flechas e tacapes.

Mas não sufocou outras formas de manifestação democrática, como a autonomia dos poderes, o novo protagonismo das redes sociais, as manifestações de movimentos sociais e coletivos e o acompanhamento da cena política pela opinião pública midiática.

Essa democracia, ainda que ferida, é um obstáculo à dois tipos de ações espúrias:

1.     As manifestações ostensivas de poder.

2.     As grandes jogadas financeiras.

E a cada dia que passa mais se consolida o perfil do governo Temer em torno desses dois eixos.

Os personagens públicos que se expõem em demonstrações excessivas de força provocaminvariavelmente uma reação da opinião pública em sentido contrário.

Ocorre o mesmo nas jogadas financeiras, especialmente após campanhas de cunho moralista, como a que promoveu a tentativa de impeachment de uma presidente eleita.

É nesse terreno movediço que o grupo de Temer se move, como elefantes em loja de louça.

Chave 1 - a república de Temer e a truculência

No início, a República de Alagoas era incensada. Colegas saudavam os novos conquistadores, bajulavam, elogiavam suas gravatas Hermes, trocavam elogios pelo direito de participar das feijoadas de Cleto Falcão, divulgavam que PC Farias era um amante de "cantatas de Bach" (anos depois, fiz uma entrevista com Collor e indaguei sobre as aptidões musicais de PC Farias. Sua resposta foi a de que provavelmente eles confundiram com "cantadas no bar").

Nos primeiros meses do PT foi a mesma coisa, com o deslumbramento dos novos poderosos sendo saudado por áulicos.

É chocante a diferença de dimensão do grupo de Temer com os coronéis nordestinos — como José Sarney e Renan Calheiros. Ambos têm boa formação cultural e respeito pela chamada liturgia do cargo. O grupo de Temer não. Agem como chefetes do interior, usando métodos de capitães do mato em pleno centro do poder, à vista de todos.

É só conferir o inacreditável Gedel Vieira de Lima, aplicando, no coração do país, os métodos políticos do sertão da Bahia. Diz, com todas as letras, que empenhará todas as suas forças para destruir a TV Brasil, que proibirá qualquer publicidade de empresas estatais em veículos críticos ao governo, em uma claríssima demonstração de censura política.

Na fase de deslumbramento, suas fanfarronices recebem o respaldo de jornalistas locais, como Tânia Monteiro, do Estadão, e Jorge Bastos Moreno, de O Globo, que se oferecem para os tiros a serem desferidos nos colegas do outro lado do muro.

Ocorre que o mercado de opinião não prescinde do exercício do caráter. Por mais oportunista que seja o jogo de mídia — ou de jornalistas, individualmente -, por mais que a parcialidade gritante da mídia teime em criar o discurso único, o mercado de opinião é suscetível a julgamentos de caráter. Ainda mais agora que o grande mote unificador – Dilma presidente — se diluiu e, em seu lugar entrou um Ministério dono da maior capivara da República.

Daqui a algum tempo, a imprensa do Sudeste estará se referindo aos Gedels, Padilhas, Moreiras Francos e Temers com o mesmo desprezo com que passou a se referir aos alagoanos que desembarcaram com Collor.

Trata-se de uma dinâmica do jornalismo que está acima das preferências ideológicas. Quando uma autoridade pública começa a dar demonstrações ostensivas de poder, a incorrer em abusos retóricos ou reais, entra na alça de mira da opinião pública nos centros mais modernos. Nasce uma nova demanda dos leitores exigindo seu enquadramento. E esse movimento chega até os jornais, aos seus colunistas e transborda para procuradores, juízes. Foi o que aconteceu com o mais blindado dos personagens políticos da Lava Jato, Aécio Neves.

Chave 2 – a república e os negócios

Parte intrínseca do pacto político que levou Temer ao poder é a entrega do Estado para negócios particulares dos novos conquistadores.  A montagem do Ministério é prova disso. Soma-se avidez e imprudência em um grupo que corre contra o relógio, sabedor da instabilidade intrínseca do interino.

A parte mais graúda virá nos próximos meses, em torno de dois meganegócios: a nova Lei do Petróleo e as privatizações.

A possibilidade de Elena Landau assumir a presidência da Eletrobrás é sinal eloquente do ritmo que se quer imprimir ao jogo. Landau é personagem polêmica nas manobras de Daniel Dantas no setor elétrico. Com ela na Eletrobrás, Moreira Franco na tal Secretaria das Privatizações, auxiliado por José Serra no Ministério das Relações Exteriores, não há como não dar errado.

Chave 3 – o mito do bom juiz

 Até ditaduras exigem a legitimidade do ditador. A legitimidade pode ser dada por propostas de expansão do poder nacional, por benefícios sociais, pela disseminação da imagem do déspota esclarecido, pela promessa de melhoria de vida e até pelo primado racial.

Deus poupou a Temer o sentimento da grandeza. É político pequeno, vingativo, sem capacidade de mediação, propenso a pequenos gestos de retaliação e suscetível a qualquer pressão.

Cedeu às corporações públicas, cedeu às pressões da base — ampliando a meta de déficit fiscal para atender aos políticos. Principalmente: cedeu a um grupo comprometido até o pescoço nas investigações da Lava Jato.

Em suma, em lugar de pairar acima das paixões, mergulhou de cabeça na pequena política .

Desfecho – a guerra mundial

Chega-se, finalmente, ao desfecho: a guerra mundial entre os poderes.

As três Chaves mencionadas comprovam as vulnerabilidades do grupo de Temer. Aí entram os demais personagens.

Numa ponta tem-se o Procurador Geral da República Rodrigo Janot e seu pedido de prisão de três senadores, mais os primeiros vazamentos envolvendo cardeais do PSDB. Abriu uma enorme frente de adversários.

Na outra, o Senado começando a se movimentar contra Janot, provavelmente articulado com o Ministro Gilmar Mendes.

Um terceiro ponto é o rigor discreto de Teori Zavascki, que não cedeu aos pedidos de prisão solicitados por Janot, mas com um voto que não enfraqueceu a posição do PGR. Ao mesmo tempo, abriu espaço para que a defesa de Dilma ou Lula processe o juiz Sérgio Moro.

Finalmente, o fator Eduardo Cunha, com uma certeza e uma incógnita. A certeza é de que irá em cana. A incógnita é sobre quantos levará com sua delação.  

Ontem, Janot recebeu dois apoios importantes: do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e de seu ex-chefe Cláudio Fonteles, uma das referências do Ministério Público Federal.

O apoio de Fonteles é simbólico — já que está aposentado —, mas com enorme significado moral. Foi graças à pressão dele e de outros procuradores referenciais, que Janot saiu da parcialidade que até então marcara sua atuação e embrenhou-se pela selva atrás de intocáveis.

Agora, seu apoio devolve a Janot parte da legitimidade perdida com seus assomos de onipotência. E isso apesar da piada pronta, da súbita indignação de Janot com vazamentos e o pedido ao diretor-geral da PF Leandro Daiello para que investigue o vazamento dos pedidos de prisão dos senadores. Até hoje se aguardam os resultados das investigações do vazamento de delações para Veja, na véspera das eleições. Nem a PF investigou nem Janot demonstrou a menor preocupação com a manobra.

Esses conflitos paralelos são parte do circo de horrores em que se converteram as instituições brasileiras.

Que Janot saia vitorioso desses embates, especialmente na hora do embate maior, do enfrentamento do poder indiscutível de Gilmar Mendes, o maior dos desaforos sofridos pela jovem democracia brasileira..

Mas, definitivamente, não há heróis na República.

Luís Nassif
No GGN
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Leandro Karnal - Conflito e Confronto


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As delações de Sérgio Machado — Episódio 7: Jáder Barbalho — assista

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Por um Brasil livre de FHC

O Brasil está em via de autorizar novamente o uso de produtos de alta toxidade em um tratamento de duvidosa eficácia, mas de efeitos devastadores para o nosso organismo social.


FHC é um composto cardoso altamente tóxico ao ambiente onde se encontra presente, mesmo em teores meramente residuais. Substância de meia-vida muito longa, continua produzindo efeitos insalubres por décadas após seu uso.

FHC foi considerado entre as décadas de 60 e 80 do século passado como uma substância promotora de clareamento do ambiente sociopolítico e de crescimento do tecido social pela produção de equidade. Mas, já na década de 90, era questionada a validade de sua aplicação. Mesmo assim, foi introduzido no Brasil, quando se tentou, na América Latina, a aplicação de tratamentos neoliberais já, então, abandonados nos países desenvolvidos.

Houve, inclusive, fundadas acusações de que os países desenvolvidos estariam ganhando muito dinheiro descartando por aqui produtos econômico-financeiros com validade vencida e seus resíduos tóxicos.

Provou-se posteriormente que, ao contrário dos efeitos progressistas esperados, FHC é indutor do comensalismo de bactérias oportunistas altamente patológicas com o trato da coisa pública, debilitando-a até estados degenerativos do sistema administrativo governamental.

Durante seu período de uso no Brasil, verificaram-se casos de extremo definhamento da seguridade social e de precarização das relações trabalhistas. É igualmente sabido que, durante o período de aplicação de FHC, houve depressão da ação dos mecanismos de vigilância contra improbidade — efeito popularmente conhecido como “engavetamento”. Há publicações de autores relevantes relatando mesmo a ocorrência de cleptocracia generalizada.

Desde 2003, FHC e seus subprodutos estão interditados no país, devido a quatro ações populares consecutivas pelo seu banimento definitivo.

Porém, hoje, setores empresariais associados com a busca de lucros sem contraparte social tentam, com forte apoio midiático, a sua reintrodução no ambiente político brasileiro.

Utilizam-se do estratagema da promoção de um composto de outro grupo de elementos, mas com o mesmo princípio ativo e efeitos deletérios. Até porque, tais elementos, foram utilizados, no passado, associados a FHC como agentes coadjuvantes. O produto atual, em si, é o mesmo FHC, apenas estando, agora, invertida a relação na composição dos coadjuvantes.

Logo, é esperada a mesma debilitação do nosso organismo social.

Trata-se de uma ação temerária.

E é contra essa temeridade que todos devemos lutar:

“Fora, FHC”.

Por um Brasil sem nada a temer.


PS: esta Oficina é pela descriminação das drogas e pela proibição de FHC. Como diria Roberto Campos: “a incoerência é prorrogativa dos homens inteligentes… e das mulheres bonitas”.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Cocertos Gerais e Poesia
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“O PMDB deu dinheiro, casa e carro para o MBL”: ex-dirigente do movimento fala ao DCM


No dia 12 de junho, Bráulio Fazolo deixou uma mensagem pública na página do MBL no Facebook informando sua decisão de sair do grupo.

O motivo era o apoio do MBL ao PMDB em troca de ajuda financeira e o uso do movimento como ferramenta de autopromoção por parte de alguns integrantes.

“Estou saindo da coordenação do Movimento Brasil Livre Espírito Santo representado aqui na figura de sua coordenadora geral Raquel Gerde pelos seguintes fatos. Após a sua confirmação pessoal de filiação ao PMDB e pela sua postura pessoal que vem defendendo de forma aberta escancarada esse partido, usando a mim e as pessoas do movimento para auto promoção política, não compactuo com corrupção e não defendo corrupto, defender o PMDB que é um partido tão corrupto quanto o PT é fazer associação criminosa”, escreveu.

Junto ao texto, ele anexou um áudio da coordenadora geral do MBL/ES, no qual ela confirma a filiação ao PMDB e diz que eles, do MBL, têm que “bater” nos corruptos e deixar o PMDB em paz.

“Você está querendo que eu acabe com o partido, é isso que você quer, que nós chegamos e batemos no partido, nós não podemos, nós temos que bater nos corruptos, mas não no partido porque não há motivos nenhum para a gente bater nele”, diz Gerde, referindo-se ao PMDB. Moradora de Guarapari, principal ponto turístico do Espírito Santo, Gerde tem 60 anos e foi candidata a deputada estadual em 2014 pelo PC do B.

Na entrevista ao DCM, Braúlio Fazolo fala sobre o papel exercido por Gerde na coordenação do MBL/ES e detalha os motivos que o fizeram sair do grupo.

Ele entrou para o MBL no começo deste ano, após participar de várias manifestações na Grande Vitória contra o governo e a favor do impeachment da presidente Dilma. Estudante de Direito em uma faculdade particular, Fazolo tem 29 anos de idade e trabalha como desenvolvedor de sites.

Como você chegou ao MBL?

Eu já tinha participação ativa nas manifestações, pouco antes da votação do impeachment no congresso. Tinha amigos do MBL e de outros movimentos daqui da Grande Vitória, como o Fora Dilma e o Levanta Brasil. Foi numa dessas manifestações que conheci a coordenadora geral do MBL aqui no ES, Raquel Gerde, que inclusive é uma das coordenadoras gerais do MBL nacional. Como a gente pactuava das mesmas pautas e dos mesmos ideais, ela me convidou para participar da coordenação aqui no ES, alegando que precisavam de alguém para cuidar dessa parte digital, da criação do site, do banco de dados para cadastro.

Isso foi antes da votação do impeachment na Câmara? 

Antes da votação, no final de fevereiro. Eu participei das manifestações de março já pelo MBL, já havia me filiado ao movimento.

Quais eram suas atividades práticas na coordenação?

Eu cuidava do site, toda a parte do banco de dados, de cadastro de membros. Eu que desenvolvi a parte de banco de dados, a captação fui eu que desenvolvi, por estar responsável de dar acesso a Raquel e demais coordenadores a esse banco de dados, com informações de todas as pessoas cadastradas.

O que te levou a sair do grupo?

Foi após uma discussão. O MBL se modificou bastante desde a votação do impeachment no Congresso. Uma coisa que eu quero que fique clara é que o movimento recebeu dinheiro do PMDB. Não só do PMDB mas de alguns outros partidos, mas vou citar o PMDB em especial porque o nome do partido foi falado internamente nas reuniões. É um assunto que a gente nunca levou para fora dos grupos internos, dos núcleos. O MBL tem vários grupos abertos para quem diz simpatizar com a causa, e essas situações não são levadas para esses grupos, são tratadas em grupos internos. Essa questão do PMDB ter destinado fundos para pixulecos, panfletos, movimentação de pessoas que foram a Brasília acompanhar o impeachment sempre foi tratada com bastante tranquilidade, porque eles passavam para a gente que o PMDB era uma peça fundamental no impeachment.

Assim, o MBL caminharia com o PMDB até a votação e depois não seria mais possível porque a gente sabe, acho que hoje tem mais deputados e senadores do PMDB envolvidos em processos, sendo investigados por corrupção que o próprio PT. Como uma da pautas que a gente sempre carregou abertamente foi o combate à corrupção, a orientação que a gente tinha para falar para as pessoas era essa: “Olha, a gente não apoia o PMDB, gente está caminhando com o PMDB até o impeachment, porque o impeachment é impossível, é inviável sem o apoio do PMDB, mas que logo depois a situação seria revista”.

Assim como você, tem outros membros da coordenação insatisfeitos?

Da coordenação, uns 70%. A gente começou a estranhar… A questão financeira do MBL no ES sempre foi pessoal. Por exemplo, o site. As despesas de criação, registro de domínio, servidor, eu arquei com tudo, e quando a gente tinha que fazer determinadas movimentações, a gente fazia uma espécie de vaquinha, juntava todo mundo. Só que alguns recursos começaram a aparecer sem que fosse informado de onde vinha, de quem vinha, e o que é pior, onde estava sendo aplicado, porque da mesma forma que eles não informavam quanto foi angariado, eles também não informavam pra onde esse valor foi destinado especificamente, por exemplo, um Pixuleco gigante custou uns 30 mil reais.

Houve manifestações que custaram uns 60 mil reais e a gente sabe que não eram recursos angariados entre os integrantes, que na maior parte da sua composição têm uma certa restrição financeira, não são pessoas “bem de vida”. Assim, a gente começou a cobrar transparência sobre esses recursos e isso era sempre desconversado nas reuniões.

Inclusive algumas pessoas que bateram, persistiram na tecla, nessa pauta, foram convidadas a sair do grupo, foram consideradas pessoas de esquerda. É um assunto que nunca foi tratado muito bem, mas a gente sabia que existia o dinheiro que vinha do PMDB, a gente não sabia quanto, da mão de quem ele vinha e como esse dinheiro estava sendo aplicado. Para onde ele estava indo? Como ele estava sendo movimentado, na conta de quem? Ficavam sempre perguntas sem resposta.

Quem são os outros coordenadores?

Não queria envolver outros nomes, são amigos, pessoas com quem convivo. Não vem ao caso falar das outras pessoas por elas são como eu, a gente vai lá para ouvir e não é nem aberta uma contradição, uma discussão sobre as pautas. Eu falo assim porque quem dita como o MBL vai se posicionar aqui no estado é a Raquel Gerde. Ela é a representante nacional e uma das coordenadoras nacionais. É quem passa como o movimento vai agir, como vai se movimentar. Não vem ao caso falar das outras pessoas porque elas são como eu, a gente vai lá para ouvir e não é nem aberta uma contradição, uma discussão sobre as pautas. Ela sempre falou que a gente segue a discussão nacional.

Tudo passa por ela? Centraliza nela?

Financeiramente tudo passava por ela. Inclusive, ela utiliza contas pessoais para destinar esses recursos. A falta de transparência foi gerando dúvidas e com o passar do tempo, começaram a existir orientações da Raquel para evitar postagens contra o governo atual e contra o PMDB, que não era interessante. Se você pegar a página do MBL, tanto no nacional como no Espírito Santo, você não vai ver nada contra o governo atual. Isso foi se intensificando, a ponto de semana retrasada você encontrar manifestações contra o atitude de Janot de pedir a prisão de três integrantes do PMDB, Renan, Jucá e Sarney. Eles chegaram ao ponto de querer convocar reuniões para protestar contra o pedido. Eu comecei a questionar, falei assim, “tem alguma coisa errada acontecendo”.

Questionou o quê? 

Questionei a questão financeira, a falta de transparência e o apoio repentino do MBL ao PMDB e ao governo Temer e aí, nessa discussão a Raquel afirmou (até mandei o áudio) e ela confirmou que estaria, ela é de Guarapari, né, ela já foi candidata a deputada estadual aqui, pelo PC do B, e aí ela … ela confirmou que … ela é uma pessoa que participou ativamente em Brasília, ela tem acesso ao Congresso, ao Senado, é a pessoa que passava informações pra gente de tudo que acontecia lá dentro, passava telefones de deputados para a gente pressionar, divulgando números, ligando, incentivando pessoas a ligar, então era uma pessoa que participava lá ativamente até mais que o Renan (Santos) e o Kim (Kataguiri).

Mais que o Kim e o Renan?   

Mais, tanto é que o Kim e o Renan não participaram da votação, só ela, e o Renan foi retirado, foram retirados, né, de maneira forçada. Ela foi a única figura que ficou lá dentro.

Bráulio Fazolo
Bráulio Fazolo
Mas ela não aparece assim nacionalmente, nacionalmente, como Kim Kataguiri, Renan Santos, Rubens Nunes e o Fernando Holiday …

A Raquel alega que é uma ponte entre o MBL e esses partidos dentro do Congresso, porque ela é uma figura que tem contato com o PMDB, é aliada do deputado federal Lelo Coimbra, daqui do ES. Ela foi uma ponte para o MBL chegar lá dentro, ter acesso a essas pessoas no Congresso, inclusive, foi um dos motivos dela ter sido nomeada coordenadora geral aqui do Estado. Ela tem passe livre, ela entra e sai a hora que quer, tem contatos lá dentro. E aí, nessa discussão ela confirmou que iria mudar o domicílio, o título de eleitor para Vitória, que ela iria se filiar ao PMDB. Pra mim é muito claro, possivelmente ela vai se candidatar pelo PMDB. Na última reunião que a gente teve pelo MBL, eles expuseram que o MBL deixou de ser um movimento apartidário para ser suprapartidário, e claramente apoia o PMDB.

Em maio surgiu um áudio que revela que o MBL recebeu dinheiro do PMDB, PSDB, DEM e Solidariedade. Você já sabia disso antes dessa informação vazar?

Todas as pessoas que faziam parte da coordenação, da parte interna do MBL sabiam que esses repasses existiram.

Havia prestação de contas?

Nunca houve prestação de contas. Inclusive, é um dos problemas que eu tive porque a gente queria saber quanto estava vindo e para onde esse dinheiro estava indo, até para saber se alguém estava sendo favorecido.

Você recebeu ajuda de custo pelas atividades que desenvolveu?

Não, nenhuma. Nunca recebi nenhuma ajuda de custo do MBL.

Chegou a viajar?

Não, a faculdade me prendia muito, eu tive oportunidade de ir a Brasília no período da votação do impeachment no Congresso, mas era semana de prova.

Iria ficar acampado?

O MBL tinha uma estrutura montada, uma casa, o MBL não ficou acampado, as pessoas da coordenação não ficaram acampadas na votação do impeachment. A coordenação tinha um “QG”, uma casa que foi cedida por um deputado desconhecido, que a gente não sabe quem é, com carro disponível que levava e buscava as pessoas.

Antes da votação houve um acampamento. Nessa época o MBL não tinha essa afinidade, esse encontro do MBL com o PMDB. Depois que o MBL chegou ao PMDB e o partido começou a ajudar, a estrutura do MBL deu uma mudada. Em Brasília havia um lugar pra ficar, carro para levar as pessoas, alimentação. Isso foi depois. O acampamento foi no começo das movimentações para abertura do processo. Na votação já tinha essa cooperação do PMDB com o movimento.

Foi mais ou menos quando que começou essa cooperação?

Uma semana antes … quando os líderes saíram daqui para acompanhar a votação no congresso, as coisas já começaram a mudar e já começou a se falar dessa participação do PMDB colaborando, ajudando o MBL.

No âmbito nacional, Kim Kataguiri conseguiu uma coluna na Folha de São Paulo. Fernando Holiday se filou ao DEM e concorrerá a uma vaga de vereador por São Paulo. Rubens Alberto Gatti Nunes Filho, o “Rubinho”, pretende se candidatar a prefeito de Vinhedo. Você acredita que o MBL é um trampolim para projetos pessoais? 

Eu acho, tenho certeza. A Raquel por exemplo, usa o MBL para promover sua imagem política e a gente tem visto isso acontecendo como você expôs no MBL nacional. E aí é o problema. Um movimento que nasceu apartidário de uma hora pra outra começa a ser suprapartidário e começa a vincular em partidos, e começa a dar respostas assim: “olha, não tem como mudar o país sem a política então nós precisamos participar da política”. Até aí tudo bem, mas a estranheza é a relação de fazer aliança com pessoas que estão sendo investigadas e envolvidas em processos de corrupção, como as pessoas que eles acusam. Então é muito claro e notório que eles estão usando da imagem de líderes do movimento para se apresentando a esses partidos, se filiando e tendo a oportunidade de concorrer a cargos.

E a gente vê hoje a troca da presidente por Temer, a gente vê que foi uma simples troca. O que ficou claro pra gente é que vão tirar o PT, e eu sou a favor disso, quero que fique bem claro. O PT tem que sair porque cometeram crimes e eles devem responder por isso. Mas queriam punir somente o PT, e aí punindo o PT parece que tudo está legal. Vamos fazer aliança com o PMDB, ele está do nosso lado e vai ajudar no nosso projeto de chegar à representação política em vários lugares do Brasil, vamos crescer assim, vamos fundar várias instituições… Isso me parece mais um projeto pessoal do que um movimento que está preocupado com as mudanças que o Brasil precisa.

Além da Raquel, você sabe de alguma outra pessoa aqui se aproveitando do MBL para alavancar projetos pessoais?

Eu não sei dizer nomes, mas dos 20 coordenadores, uns cinco ou seis pretendem lançar candidaturas pessoais.

Se arrependeu de fazer parte do movimento?      

Olha, eu não me arrependi porque a verdade, por mais que seja triste, seja uma coisa que decepciona a gente, ela é necessária. Talvez se eu não tivesse passado por tudo isso eu estaria hoje achando que o MBL é um movimento que realmente luta pelas causas e pelas mudanças no Brasil. Estou falando aqui do MBL e não é só o MBL não. Infelizmente líderes de movimentos sociais estão sendo comprados, estão recebendo dinheiro de partidos para movimentar, criar um sentimento na população para serem guias de articulações que a gente vê acontecendo hoje. É fato que para o PMDB o apoio popular é uma coisa de suma importância e eu acredito que o partido está se articulando aí nessa figura de pessoas representativas nos movimentos sociais para melhorar essa imagem, querendo buscar de maneira mais fácil uma legitimidade popular para o governo do Temer.

A quais movimentos sociais você se refere?

Eu poderia citar vários, mas como eu não participo, não posso falar assim, o “Fora Dilma”, o “Vem Pra Rua”, porque eu não vivi dentro desses movimentos, mas com a posição que eles assumem em favor do governo alegando que novas eleições no Brasil seriam uma articulação do PT, eu sinto que essas pessoas também estão envolvidas.

A militância no MBL chegou a atrapalhar sua vida particular?

A gente acaba dedicando uma parte considerável do tempo da gente por uma causa, que eu acho assim, a questão do Brasil hoje é uma coisa que interessa a todos nós. Quem não está sofrendo com a questão econômica? Então eu acho que aquele tempo investido ali tinha um propósito que compensava o tempo que eu deixava de trabalhar pra mim, é uma coisa que querendo ou não iria beneficiar mais na frente não só eu mas todos os brasileiros. É lógico que sim, a gente acaba deixando de empregar tempo para atividades pessoais.

Você se arrepende?

Eu não me arrependo, inclusive minha luta continua. Vou continuar lutando ativamente contra a corrupção no Brasil.

Como pretende continuar?

Minha luta continua na rua, falando para um e para outro, criando grupos de discussão, grupos nas redes sociais, batendo na tecla de que as pessoas devem se envolver na política, que elas devem pensar.

Raquel Gerde
Raquel Gerde

Marcos Sacramento
No DCM
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Delator liga Aécio a corrupção na Petrobras de FHC


O senador Aécio Neves foi citado em delação premiada do ex-deputado Pedro Correa como um dos responsáveis por indicar o diretor de Serviços da Petrobras, Irani Varella, durante o governo FHC. O papel de Varella na estatal, de acordo com o delator era conseguir “propinas com empresários para distribuir com seus padrinhos políticos”.

É a primeira vez que o nome de Aécio surge na Lava Jato em esquema na Petrobras. O senador, presidente nacional do PSDB, já foi citado outras vezes por delatores como o doleiro Alberto Youssef, o senador cassado Delcídio Amaral (sem-partido-MS), o lobista Fernando Moura e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Em nota divulgada por sua assessoria, Aécio disse que Corrêa é desprovido de qualquer credibilidade e sua afirmação é falsa e absurda.

Delator liga Aécio a esquema de corrupção na Petrobrás

Por Ricardo Brandt, Mateus Coutinho, Valmar Hupsel Filho e Roberta Barbieri

Corrêa diz em depoimento que tucano, durante governo FHC, foi um dos responsáveis por indicação de ex-diretor e teria se beneficiado de propina

O ex-deputado Pedro Corrêa afirmou em depoimentos de sua delação premiada que o então deputado (hoje senador) Aécio Neves (PSDB-MG), foi um dos responsáveis pela indicação do diretor de Serviços da Petrobrás, Irani Varella, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Corrêa, Varella era responsável por conseguir “propinas com empresários para distribuir com seus padrinhos políticos” por meio de seu genro, identificado apelas como Alexandre.

Esta é a primeira vez que o nome do senador tucano é relacionado por um delator da Operação Lava Jato a um suposto esquema de pagamento de propinas na Petrobrás.

Em nota divulgada por sua assessoria, Aécio disse que Corrêa é desprovido de qualquer credibilidade e sua afirmação é falsa e absurda.

O senador, presidente nacional do PSDB, já foi citado outras vezes no âmbito das investigações da Lava Jato por delatores como o doleiro Alberto Youssef, o senador cassado Delcídio Amaral (sem-partido-MS), o lobista Fernando Moura e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

O TRECHO DA DELAÇÃO DE PEDRO CORRÊA QUE CITA AÉCIO:


Aécio é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal abertos a partir da delação premiada de Delcídio. Uma das investigações tem como objetivo saber se Aécio atuou para “maquiar” dados da CPI dos Correios, em 2005, e esconder a relação entre o Banco Rural e o chamado mensalão mineiro. O senador também é alvo de uma outra linha de investigação no STF, que apura se ele recebeu propina de Furnas, subsidiária da Eletrobrás.

‘Devedores’. No anexo 08 da delação de Corrêa, no qual trata do tema “CPI Petrobrás”, o ex-deputado afirma que os partidos comprometidos com a estatal, tanto da base aliada ao governo federal, como da maioria da oposição, “eram devedores aos empresários que financiavam as suas eleições nos Estados e tinham negócios com a Petrobrás”. “Os quais os diretores da estatal, indicados pelos políticos, facilitavam os seus negócios e cobravam propina para distribuir aos partidos políticos.”

Neste trecho do depoimento, o ex-deputado afirma que no governo FHC, por exemplo, o diretor de Serviços era “Irany Varella, indicado na época pelos deputados Aécio Neves (PSDB-MG), Alexandre Santos (PMDB-RJ) e Paulo Feijó (PMDB-RJ)”.

Segundo Corrêa, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2003, Irani Varella manteve relação com o PT, mas acabou sendo substituído no cargo por Renato Duque, condenado na Lava Jato e cumprindo prisão preventiva em Curitiba.

“O operador de Irany Varella, que conseguia as propinas com os empresários, para distribuir com seus padrinhos políticos era o seu genro, de nome Alexandre”, afirma o ex-deputado na depoimento da delação premiada.

No GGN
Irani Varella foi nomeado diretor da área de Serviços da Petrobrás em novembro de 2001. Duque o substitui no cargo no início de 2003.
O Estado não conseguiu contato ontem com Alexandre Santos e Paulo Feijó. A assessoria do Instituto Fernando Henrique Cardoso informou que não conseguiu localizar o ex-presidente.
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Fomos todos delatados por Sérgio Machado


O Brasil está em choque com a delação de Sérgio Machado. Mas não é pela extensão ou o tipo do esquema de corrupção revelado. Não. Também não é com o PMDB. É com o fato de alguém, simplesmente, estar contando tudo isso com tabelas, entregando intocáveis como Renan e Sarney. É difícil acreditar que isso está acontecendo.

Aceitamos durante anos que a corrupção financiasse nossa democracia. De repente, Machado está tirando dos brasileiros o direito de fingir que estão sendo enganados. De fingir que o financiamento privado não exige “contrapartida” às “doações” das empresas. De fingir que se indignam com a corrupção enquanto votam em candidatos que fazem campanhas milionárias. De fingir que a propaganda do João Santana e as campanhas milionárias do PT foram possíveis porque os empresários descobriram que lucravam mais com um governo “socialista”. De fingir que as campanhas milionárias do PSDB eram fruto da identidade ideológica do empresariado com o tucanato. E com o PMDB, PP, PR, PTB, PSD… Quando mesmo é que chegamos a acreditar que alguém doaria algo para essas confederações de mercenários por amor ao Brasil?

Já era. Fomos delatados. Nossa casa caiu. Já procuramos as soluções de sempre. Bodes expiatórios. Os candidatos de sempre são os políticos, uma espécie de Geni universal. Eles são os culpados pela nossa desgraça moral. Sérgio Machado? Corrupto. Renan Calheiros? Satanás. José Sarney? O avô do diabo. Aécio? Playboy delinquente. Lula? O inventor do clientelismo. É um lugar comum. Mas será que eles são, realmente, psicopatas? Pessoas muito diferentes de nós? Será que não amam suas famílias? Será que todos só querem roubar e ficar ricos?

Esses políticos não vieram de Marte, nem dos EUA (apesar de Serra nos deixar em dúvida). Também não foram eleitos por marcianos ou yankees. Vieram todos da sociedade brasileira, e foram eleitos por ela. Tiveram que se enquadrar no sistema para competir.

Nenhum governo ou sistema político jamais eliminará todas as formas de corrupção. Ela tem entre muitas outras causas, a própria natureza humana. Mas é claro que há muito mais coisa errada com o sistema político brasileiro do que a nossa natureza. Também sabemos que a democracia no regime capitalista é corrompida pelo poder do capital. Mas nenhum país europeu está no nível de degradação em que nós estamos.

Existe um componente ainda mais explosivo que esses na corrupção brasileira. Nós. Nós somos eleitores corruptos. Nós, por preguiça, desinteresse ou desesperança, não participamos ativamente da vida política e nos orgulhamos disso. Muitos inclusive discursam que só é decente a pessoa que não se mete na vida pública e só se ocupa de sua vida.  Nos anestesiamos com a ideia de que o problema se resume àqueles que não obedecem a lei: os corruptos. Trabalhando muitas vezes nas próprias empresas corruptoras, justificamos as mesmas como vítimas de extorsão da classe política. O corruptor é a vítima. O corrompido, o único vilão.

Mas atribuir aos agentes públicos toda culpa pela corrupção é menos um ato de ignorância do que de má fé. Sempre que um agente público se corrompe, é porque um agente privado o corrompeu. Por definição. Ora, o que é a corrupção senão o desvio do bem público para benefício privado? O poder esmagador do capital, que opera desde os veículos de informação de massas até os grandes bancos e empreiteiras, tem o poder de subjugar governos, parlamentares, partidos, funcionários públicos. Financiando-os, chantageando-os e finalmente difamando-os. Nesta ordem.

Nós permitimos durante décadas que a vida política fosse degradada por bancos, indústrias, empreiteiras e empresas de ônibus contribuindo para campanhas eleitorais. Para o sistema, são dois coelhos mortos com uma cajadada: a garantia que o capital controle a vida política não permitindo mudanças estruturais nas leis e na sociedade, e a submissão de todas as pessoas que se dedicam à vida pública ao esgoto do financiamento privado de campanha.

Nós sabíamos muito bem que o financiamento privado de bancos era o juro da dívida pública que comia nossos impostos, que o de planos de saúde era nosso SUS sucateado, que o de empresas de ônibus era nosso engarrafamento, nossa falta de metrô, nosso ônibus lotado. Mas agora, não podemos mais fingir que não sabemos.

Fomos todos delatados por Sérgio Machado. Todos. Eleitores de Aécio ou de Bittar, de Renan ou de Agripino Maia. Mas ele está nos dando, assim como as delações das empreiteiras que virão (ainda que seletivas e desonestas), uma oportunidade de mudar nosso país. Ele não fez isso por amor ao Brasil, mas por amor a sua família. Nisso também não é muito diferente de nós. O que é diferente é sua conta bancária e o fato de que ele foi um dos que operou o modo como escolhemos financiar nossa democracia.

Democracia é caro. Campanha é caro. É trabalho muito duro, aliás, nunca conheci trabalho mais duro. São milhares de encontros. Centenas de viagens. Centenas de entrevistas e gravações. Staff 24 horas por dia, material, ligações telefônicas, gestão de comunicação. Temos que decidir agora como vamos mudar isso e financiar nossa liberdade política, ou aceitar das duas uma: uma ditadura, ou um país corrupto e injusto. E eu quero uma democracia. Você quer?

Gustavo Castañon é professor de Filosofia e Psicologia na Universidade Federal de Juiz de Fora.
No Viomundo
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Veja transforma Eliseu Padilha em Quadrilha


O governo interino de Michel Temer não vem tendo vida fácil nem mesmo nos meios de comunicação que se engajaram no golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff. 

Enquanto O Globo mira Mendonça Filho (leia aqui), a revista Veja aponta mais alto e denuncia o chefe da Casa Civil de Temer, Eliseu Padilha.

Na reportagem "Ecos de Quadrilha", faz-se até uma discreta alusão ao antigo apelido de Padilha, que era chamado de Eliseu Quadrilha, nos tempos do governo FHC.

Assinada pelo repórter Hugo Marques, a matéria traz um diálogo em que um empreiteiro gaúcho chamado Marco Camino sugere o pagamento de propinas ao próprio Padilha.

"Vai ser viabilizado 100, tá? Sendo a metade semana que vem, tá bom?", diz o empreiteiro a Padilha, num grampo interceptado pela Polícia Federal.

Se isso não bastasse, o Ministério Público Federal bloqueou seus bens e pediu a restituição de R$ 300 mil por empregar funcionário-fantasma.

No 247
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Nova queda de ministro resgata suspeitas passadas e abala governo Temer

Delação com potencial explosivo sobre depósito de empreiteira em conta na Suíça faz Henrique Alves pedir para sair e acrescenta novos casos a um obscuro passado de denúncias e suspeitas

Ex-ministro Henrique Eduardo Alves fala sobre turismo em programa da EBC: saída antecipada para evitar
novo escândalo dentro do governo Temer
Henrique Eduardo Alves caiu. Nesta quinta-feira (16), o titular da pasta do Turismo de Michel Temer passou para a história como o terceiro ministro a cair por consequência do explosivo teor da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Este afirmou que Alves sempre o procurava antes das eleições e que conseguiu para ele cerca de R$ 1,5 milhão para campanhas, dinheiro arrecadado em propinas cobradas de empreiteiras que tinham negócios com a Transpetro.

Aliado e amigo próximo do presidente em exercício Michel Temer, Henrique Alves é o terceiro ministro a cair em 36 dias de governo. Antes dele, Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência) deixaram de ser ministros também devido a citações ou declarações relativas à Lava Jato.

Henrique Alves (PMDB-RN) já havia sido citado em outros casos de corrupção investigados pela Lava Lato. Há dois pedidos de investigação contra ele no Supremo Tribunal Federal. Um deles é referente ao inquérito que apura se existiu uma organização criminosa para desviar dinheiro da Petrobras e outro, que apura se o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, pediu dinheiro da empreiteira OAS para beneficiar Henrique Alves.

Além de seu envolvimento com estes casos, Henrique Alves pediu para sair também porque foi citado em outra delação, que ainda não se tornou pública, a de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Alves teria sido informado sobre a descoberta de um depósito feito por uma empreiteira em uma conta sua na Suíça e que existiriam provas inéditas e documentais contra ele.

Com sua saída do governo Temer, Henrique Alves acrescenta mais uma obscura nota em sua biografia, já repleta de suspeitas. Citemos algumas:

Dinheiro no exterior

Em processo movido desde 2004 pelo Ministério Público Federal, Henrique Alves é acusado de manter ilegalmente milhões de dólares fora do país, segundo publicou o site Congresso em Foco. Em 2002, Alves foi cogitado para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra (PSDB), mas foi deixado de lado após sua ex-mulher dizer que ele tinha US$ 15 milhões no exterior.

Este caso também foi lembrado no período que antecedeu a eleição do presidente da Câmara em 2013 pelo jornal "O Estado de São Paulo".

A reportagem relatou que o Ministério Público Federal mantinha, desde 2004, acusação contra Henrique Alves relacionada a enriquecimento ilícito. O parlamentar conseguiu adiar decisão sobre a quebra de seu sigilo fiscal e bancário, bem como de suas empresas, por meio de recurso judicial.

Dinheiro para assessor
A Folha publicou em janeiro de 2013 que Henrique Alves destinou dinheiro de emendas parlamentares para a empresa de um de seus assessores na Câmara dos Deputados, Aluizio Dutra de Almeida, que é sócio da Bonacci Engenharia e Comércio. A sede da empresa, segundo o jornal, não aparentava ser sede de um empreendimento e era vigiada apenas por um bode.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) teria repassado R$ 1,2 milhão à empresa do assessor de Alves. E pelo menos três prefeituras do Rio Grande do Norte comandadas pelo PMDB contrataram a empresa para executar obras bancadas pelas emendas parlamentares do deputado. Segundo a Folha, a Controladoria-Geral da União apontou desvio nas obras realizadas pela empresa do assessor de Alves.

Dinheiro para times de futebol

Em janeiro de 2013, o jornal O Estado de São Paulo publicou que Alves "usou o prestígio de líder do PMDB para arrancar do então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, o compromisso de que o banco financiaria o ABC e o América, dois times de futebol de Natal que disputam a série B do Campeonato Brasileiro, e que haviam pedido cerca de R$ 3 milhões para a temporada daquele ano.

Patrimônio de luxo

Também em janeiro de 2013, a Folha publicou que, entre 2006 e 2010, Alves tinha conseguido dobrar seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. "O crescimento - de R$ 2,8 milhões para R$ 5,6 milhões - se deve principalmente a dois imóveis de luxo obtidos entre 2009 e 2010", afirmava o jornal.

Dobradinha

Também em janeiro de 2013, O Globo publicou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) teve entre seus empregados Mônica Infante Azambuja, ex-mulher de Henrique Eduardo Alves, como assessora de diretoria. O salário dela era de R$ 10,1 mil.

O jornal escreveu que "em 2002, quando Alves surgiu como vice de José Serra na coligação que disputaria a Presidência, Mônica acusou o ex-marido de ter dinheiro depositado em paraísos fiscais. O caso derrubou Alves da dobradinha com Serra. Foi substituído por Rita Camata (PMDB-ES). Mônica passou pela Infraero e entrou numa lista de demissionários da empresa. Alves brigou para mantê-la no cargo".

Mala roubada

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um roubo de R$ 100 mil em espécie que estavam na mala de Wellington Ferreira da Costa, secretário parlamentar de Henrique Eduardo Alves. O crime ocorreu junho de 2013 e foi revelado pelo jornal Correio Braziliense. À Polícia, Alves informou que o dinheiro era seu, proveniente de um empréstimo.

Como ministro, Henrique Alves garantia o direito de ser julgado no Supremo, e não pelo juiz Sérgio Moro. Com a demissão, ele perde o chamado foro privilegiado e, havendo processo contra ele, este correrá na Justiça paranaense e sob comando do juiz federal de primeira instância.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Filho de Perrella, secretário de Temer é réu por desvio para abastecer helicóptero

Gustavo Perrella seria responsável por desvios de cerca de R$ 15 mil dos cofres públicos para abastecer
helicóptero de empresa da família durante mandato de deputado estadual
Nomeado nesta sexta-feira, o novo secretário nacional de futebol e defesa dos direitos do torcedor, Gustavo Perrella, é réu em duas ações civis por uso de dinheiro público para fins pessoais e criação de cargo fantasma para um funcionário da família, segundo informações oficiais do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e do Ministério Público mineiro.

Filho do senador mineiro Zezé Perrella (PDT-MG), Gustavo seria responsável por desvios de cerca de R$ 15 mil dos cofres públicos para abastecer o helicóptero de uma empresa da família durante seu mandato de deputado estadual, entre 2010 e 2014.

Ele também é acusado de criar um cargo fantasma para o então piloto da aeronave, cujo salário teria sido pago com dinheiro público. Trata-se do mesmo helicóptero onde quase meia tonelada de pasta-base de cocaína foi encontrada pela Polícia Federal em 2013.

A secretaria assumida por Gustavo Perrella é vinculada ao Ministério dos Esportes, chefiado pelo peemedebista Leonardo Picciani (RJ), nomeado em 13 de maio pelo presidente interino Michel Temer.

À BBC Brasil, o Ministério Público mineiro, autor das denúncias, afirmou que Perrella "custeava o combustível com recursos próprios e depois pedia reembolso à Assembleia Legislativa de Minas Gerais". A promotoria diz que "14 ou 15 viagens" teriam sido financiadas ilegalmente entre 2010 e 2013.

Procurado, o Ministério do Esporte negou que o secretário seja réu nos casos. "Nas duas ações as quais o jornalista se refere, o secretario não foi nem citado. O acusado só se torna réu quando a Justiça aceita a denúncia, e isso não ocorreu", afirmou a pasta, em nota.

A reportagem então enviou detalhes dos processos obtidos pelo sistema do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que mostram o nome completo de Perrella, classificado como "réu". Segundo o Tribunal, o status dos processos é "ativo".

Por meio da assessoria do Ministério do Esporte, o advogado do secretário, Sérgio Santos Rodrigues, afirmou que o "site do Tribunal de Justiça deve estar errado e que a resposta oficial é esta".

A reportagem voltou a conversar com fontes no Ministério Público, que confirmaram a veracidade da informação oficial e classificaram a possibilidade de erro no sistema do tribunal como "impossível".

'Provas consistentes'

Ainda segundo a promotoria, o então piloto da aeronave teria confirmado em depoimento ao Ministério Público que não frequentava a Assembleia Legislativa. Ele teria dito ainda que fora contratado para ter direito a benefícios como "plano de saúde, vale alimentação e refeição".

Os inquéritos foram instaurados depois que o helicóptero da família Perrella foi apreendido com 445 quilos de pasta-base de cocaína, no final de 2013.

Por decisão da Justiça Federal, em 2014, o helicóptero foi devolvido à família, e Gustavo foi considerado inocente no caso relacionado ao transporte de drogas.

"Temos aqui o dever de não ajuizar qualquer ação se houver dúvidas sobre a consistência das provas produzidas. Os elementos são extremamente robustos", disseram representantes do Ministério Público mineiro à reportagem. "Perrella usou a aeronave para fins privados e a abasteceu com dinheiro público."

Informações oficiais do Tribunal de Justiça de MG mostram processos em que Gustavo Perrella é réu
Informações oficiais do Tribunal de Justiça de MG mostram processos em que Gustavo Perrella é réu
"Foram dados prazos para que o acusado apresentasse documentação para justificar o uso do dinheiro público para o combustível. Nada foi apresentado", prosseguiu a promotoria.

Durante visita a Londres, o novo ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, justificou à BBC Brasil a nomeação - e teceu elogios ao secretário.

"Foi uma decisão profissional. Há poucas pessoas com as qualificações de Gustavo. Fiquei impressionado com o trabalho dele ao reduzir a violência nos estádios", disse.

O peemedebista ressaltou sua decisão de manter "grande parte do quadro técnico" da gestão anterior do ministério.

Crítica e nomeação

Gustavo Perrella virou secretário um mês após seu pai, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) fazer críticas à nomeação de Picciani.

Em entrevista à BBC Brasil minutos após a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, Perrella afirmou:

"Do jeito que estão sendo feitas as composições dos ministérios, eu já vejo alguma insatisfação dentro do PSDB, eu já vejo insatisfação dentro do meu próprio partido, eu já vejo insatisfação aqui dentro com a maneira que esses ministérios estão sendo montados".

O senador prosseguiu: "Não porque a gente esteja buscando ministérios, mas está gerando insatisfação. O Michel Temer já deu cargos, como no Rio de Janeiro. Ele deu o Ministério do Esporte para uma pessoa que votou inclusive contra ele. Isso acaba gerando mal estar dentro da base de apoio dele".

A reportagem questionou o Ministério do Esporte sobre os comentários do senador. A pasta informou que o ministro Picciani "não tem o que comentar sobre eventuais declarações do senador".

Zezé Perrella
"Michel Temer já deu cargos, como no Rio de Janeiro, deu o Ministério do Esporte para uma pessoa que votou
inclusive contra ele. Isso acaba gerando mal estar dentro da base de apoio dele", disse Zezé Perrella em maio
Ricardo Senra
No BBC Brasil
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Sobre Vazamentos e Enquadramentos


No dia 23 de maio de 2016, o jornal Folha de São Paulo publicou trechos de conversas do então ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer, Romero Jucá, com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro e ex-senador pelo PMDB. Nelas, os dois discutiam a possibilidade de deter o avanço da Operação Lava Jato caso a presidente Dilma Rousseff sofresse impeachment.

O vazamento do grampo de um ministro de Estado não é exclusividade do governo Temer. Em 15 de março de 2016, ainda no governo Dilma Rousseff, o site da revista VEJA divulgou conversas do então ministro da Educação Aloísio Mercadante com um assessor do senador cassado Delcídio do Amaral, na qual o ministro teria supostamente oferecido ajuda ao senador em troca de seu silêncio.

Ambos os episódios foram apresentados pela mídia, no dia do vazamento e no dia seguinte, como tentativas de obstruir o andamento da Operação Lava Jato. A cobertura, entretanto, foi bastante dissimilar, principalmente no que toca o tratamento da relação dos ministros com os respectivos presidentes da República, tal qual veremos a seguir.

No dia 15 de março de 2016, o site da revista VEJA divulgou conversas entre um assessor do senador cassado Delcídio do Amaral com o então ministro da Educação, Aloísio Mercadante, na qual os dois negociavam um possível apoio do ministro ao senador. No dia seguinte, Mercadante e Delcídio estavam presentes nas capas dos jornais.

As manchetes dos três jornais, Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, destacavam em alguma medida a homologação da delação de Delcídio, de perspectivas distintas: do PGR, do STF e da própria Lava Jato. Mesmo competindo com dois outros temas importantes à época — o conteúdo da delação de Delcídio e a nomeação de Lula como ministro — o caso de Mercadante ainda obteve espaço relevante nas capas.

Ao analisarmos os textos que acompanham as manchetes podemos notar uma característica comum nas coberturas: a insistência em ressaltar que o ministro da Educação era próximo à Presidenta da República. Este fato foi, inclusive, utilizado por articulistas para contradizer a justificativa de “ação pessoal” apresentada por Aloísio Mercadante quanto à oferta de ajuda a Delcídio. Assim, os jornais associaram o escândalo diretamente a Dilma Rousseff, mesmo que ela tivesse desmentido tal ilação.

Seria essa atitude agressiva em relação ao ministro e à presidenta, que faz inclusive uso de ilações sem comprovação concreta, uma característica geral do comportamento dos jornais em relação ao poder estabelecido ou um tratamento especial reservado a Dilma e ao governo do PT?

Para responder a essa pergunta é necessário avançarmos no tempo até 23 de maio. Michel Temer completava seu 10º dia como Presidente da República interino, quando a primeira grande crise de sua administração eclodiu. Segundo denúncia do jornal Folha de S. Paulo, Romero Jucá, então ministro do Planejamento, mantivera conversas com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro e ligado ao PMDB, sobre a possibilidade “um pacto para deter a Operação Lava Jato” em um futuro governo Temer.

No dia seguinte ao vazamento, os três jornais — Folha de São Paulo, Estadão e O Globo — estampavam a queda de Romero Jucá, causada pelo vazamento da gravação. Nos textos que acompanhavam as manchetes, o foco esteve no peemedebista, sem mencionar a proximidade entre Jucá e Temer. Por sua vez, o presidente interino foi citado apenas em três oportunidades: como alguém que era desafiado pela situação, que elogiara Romero Jucá em sua saída e também que fora chamado por petistas de golpista em sua visita ao Senado Federal.

Mesmo que Jucá e Michel Temer fossem aliados próximos, como os jornais em diversas oportunidades reforçaram, não houve em nenhum momento a tentativa de associar o conteúdo da delação com o presidente interino, ainda que existissem falas do próprio Jucá que associavam o governo Temer à possibilidade de influenciar o andamento das investigações da Operação Lava Jato. Além disso, o afastamento do então ministro do Planejamento foi apresentado como uma ação positiva do governo Temer contra a prática da corrupção, mesmo que se lembrasse o fato que o próprio Romero Jucá já era investigado na Operação Lava Jato antes de assumir o cargo.

Assim podemos notar que os dois ministros são representados de forma negativa, dotados da mesma intenção: impedir os avanços da Operação Lava Jato. No entanto, as perspectivas apresentadas são distintas: Aloísio Mercadante é apresentado tal qual um fantoche a serviço do Governo Federal e de Dilma Rousseff, mas que assume todo o ônus de sua ação como forma de protegê-los, enquanto Romero Jucá é representado como o político que age sem o apoio ou conhecimento de Michel Temer, mesmo que seu objetivo explícito fosse conduzir o último ao poder.

Em suma, o tratamento dado a Dilma e a Temer pela grande mídia foi bastante distinto. Uma sendo alvo de ilações e o outro sendo poupado de qualquer associação aos malfeitos de seu comandado e aliado. Esse comportamento se verificou nos três jornais, de maneira similar. Resta saber até quando permanecerá esse estado de coisas.

Eduardo Barbabela e João Feres Júnior
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A confissão de Gilmar na Suécia

Não importa se Dilma pedalou ou não

Foi divertido ver um vídeo de Gilmar Mendes na Suécia, feito pelo Cafezinho.



O que ele foi fazer lá é irrelevante.

O que importa foi o que ele disse a um jornalista contratado pelo Cafezinho, Wellington Calasans. Disse gaguejando, aliás. Como notou Miguel do Rosário, editor do site, Gilmar estava longe de sua zona de conforto. Não estava dando entrevista para seus amigos da Globo, da Folha, da Veja, aquele tipo de coisa em que está tudo combinado.

A Toga Falante, como ele está sendo chamado nas redes sociais, vacilou.

Mas o realmente extraordinário foi a admissão do seguinte: o processo de impeachment é uma farsa. Um circo. Uma palhaçada.

Ele não usou exatamente estas palavras, claro, mas foi isso o que gaguejou.

Se Dilma cometeu ou não o crime de que é acusada — as pedaladas — não quer dizer nada, confessou Gilmar. O que vale, unicamente, é que ela não teve os votos necessários na Câmara para deter a ação do sindicado de ladrões montado por Eduardo Cunha.

Ora, ora, ora.

O ministro Luís Barroso dissera algo parecido alguns dias antes. Parece ser algo ensaiado no STF para justificar a indecente omissão no golpe. Os juízes deliberam sobre pipoca no cinema, mas se acoelham e silenciam diante de um golpe de Estado. E o infame Toffoli tem a petulância de dizer que falar em golpe é ofender as instituições brasileiras.

O parecer pelo impeachment pelo qual Janaína recebeu 45 mil reais do PSDB não é nada. Todos os debates em torno das pedaladas são nada. Todas as sessões na Câmara e no Senado são nada. Todas as declarações de corruptos como Aécio e FHC são nada.

É um julgamento de mentirinha, portanto. É o avesso da real justiça. É como os julgamentos de Stálin na década de 1930 em que o veredito era conhecido assim que o processo era aberto.

É um julgamento paraguaio, numa palavra.

54 milhões de votos foram triturados numa encenação criminosa que se arrasta há meses.

Qual o custo disso para o país? Quem vai pagar por ele?

Talvez o próprio Gilmar possa responder a essa questão numa próxima ocasião — caso não esteja falando com amigos da Globo.

Paulo Nogueira
No DCM
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