17 de jun de 2016

O triplo carpado de Merval para elogiar a resposta desastrosa de Temer à delação de Machado




Há maneiras mais ou menos ridículas de apoiar o governo do golpe depois de uma temporada intensa de descalabros em tão pouco tempo.

Depois da terceira demissão de ministros, o porta voz informal Jorge Bastos Moreno, colunista do Globo para quem o ex-vice decorativo vazou sua famosa carta, soltou rojões com a reação de MT.

No Twitter, escreveu que “se convenceu ou não, é outro problema. Mas a Nação sempre esperou respostas de seus governantes como Temer fez hoje. Foi contundente!”

Como assim, “se convenceu ou não”?

A declaração de Michel Temer é, desde já, antológica pelas razões erradas. Referindo-se à delação de Sérgio Machado, segundo a qual ele lhe pediu propina para a campanha de Gabriel Chalita, o interino foi patético.

“Alguém que teria cometido aquele delito irresponsável que o cidadão Machado apontou não teria condições de presidir o país.” Ele “anda nas ruas do meu estado, nas ruas do Brasil”, onde recebe “os cumprimentos, as homenagens por todos os locais por onde passa”.

Temer não sai nem de casa em São Paulo. E cidadãos enrolados na Justiça estão ocupando o Congresso, o Planalto e outras instâncias. Não é novidade, ele é suspeito há décadas e é mais um.

O recorde de sabujice e ginástica retórica, no entanto, foi quebrado por Merval Pereira. Ele, que já não é muito claro, se desdobrou num salto triplo mortal carpado mental para explicar como viu grandeza no lixo.



De acordo com Merval, a frase de Temer é “tão perigosa e desastrosa politicamente – e não teria sido dita se ele realmente não quisesse passar a informação de que não fez o que está sendo acusado – que ele parece estar falando a verdade”.

Em miúdos: é tão absurda e sem sentido que só pode ser verdadeira. Se o presidente dele disser, amanhã, que estava com Jesus Cristo e Pelé no dia referido por Machado — é bem possível, por que não?

A chapa fica mais branca quando se compara à sua leitura do que Lula disse numa coletiva de blogueiros: “Neste país não tem uma viva alma mais honesta do que eu”.

No caso, Merval lembrou do clichê: “elogio em boca própria é vitupério”. Era uma “reação conjunta de lapsos e atos falhos de petistas graduados” que queriam “se livrar de acusações que a cada dia se mostram mais comprováveis, através das delações premiadas que fornecem informações confiáveis aos investigadores”.

Lula tinha como objetivo “criar constrangimento às investigações que se aproximam dele, tanto que o ex-presidente continuou em tom de desafio”.

A desonestidade intelectual de Merval em defesa de Temer causou um certo constrangimento em seus colegas de GloboNews, que não sabiam muito bem como sair da enrascada. O assunto, evidentemente, morreu ali. Next!

Mas de onde veio isso tem mais. O talento da gestão golpista para o desastre é infinito (hoje, o ex-deputado Gustavo Perrella, dono do Helicoca e filho de Zezé, foi nomeada para o Ministério dos Esportes).

Jornalistas como Merval Pereira serão mais necessários do que nunca para explicar a transfiguração de Michel. No fim do arco íris ele vira estadista.

Kiko Nogueira
No DCM
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As delações de Sérgio Machado — Episódio 5: Édson Lobão — assista

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FNDC lançará campanha em defesa da EBC


 
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) lançará, nos próximos dias, a campanha “A EBC é Sua”. O objetivo é divulgar a comunicação pública como direito e incentivar a sociedade civil organizada a visitar as emissoras públicas levando suas pautas. A campanha se dará basicamente nas redes sociais.

A empresa vem sofrendo interferências desde que Temer assumiu como presidente interino. A primeira delas foi a demissão ilegal do presidente da empresa, nomeado para um mandato de quatro anos, conforme prevê a Lei 11.652/08, posteriormente restituído ao cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em seguida, programas foram cancelados e profissionais foram demitidos sob a justificativa de que a empresa precisa se adequar ao ajuste fiscal. Mais recentemente, o governo tem deixado claro que pretende extinguir a empresa.

Renata Mielli, coordenadora geral do Fórum, explica que campanha nasce da necessidade de aprofundamento da compreensão do conceito de comunicação pública dentro da sociedade. “O povo brasileiro precisa compreender a estrutura de radiodifusão pública gerida pela EBC como uma conquista ainda em construção, mas seriamente ameaçada por esse governo provisório e ilegítimo. O discurso do ajuste fiscal não justifica o desmonte de uma rede de emissoras públicas. Temos consciência de que o processo de construção da comunicação pública teve falhas até aqui, mas isso não justifica o desmonte da EBC”, afirma.

A campanha foi apresentada ao presidente da empresa, Ricardo Melo, nesta quinta (16/6). Ele agradeceu ao apoio, reafirmando que comunicação pública precisa do apoio da sociedade. Ontem, durante o seminário “O Futuro da Comunicação Pública”, organizado pelas Universidades de Brasília (UnB) e do Minho, de Portugal, o jornalista ressaltou que “a comunicação pública existe para dar voz aos que não têm voz, e é esse o lema da EBC”. “Temos uma rede de rádios que chega onde nenhuma outra quer chegar. Na nossa grade de programação há espaço para a diversidade LGBT, para as mulheres, negros, para os movimentos sociais. Estamos fazendo o que prevê a Constituição, nada mais!”.

Além de publicações diárias nas redes sociais, os materiais da campanha ficarão disponíveis numa página exclusiva no site do FNDC.
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Deputada que teve marido preso após impeachment é investigada

O STF (Supremo Tribunal Federal) investiga a suspeita de que a deputada Raquel Muniz (PSD-MG) e seu marido, o prefeito afastado de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PSB), comandaram uma organização criminosa que cometeu crimes como sonegação fiscal, falsidade ideológica, estelionato, fraude contra credores e lavagem de dinheiro.

Em seu primeiro mandato, Raquel ganhou projeção nacional ao elogiar seu marido durante a sessão da Câmara que aprovou o avanço do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, em abril.

Ao votar, ela justificou ser favorável ao processo e disse que Muniz "mostra que o Brasil tem jeito". Ele acabou preso um dia depois e atualmente cumpre prisão domiciliar.



Segundo o Ministério Público Federal, foi descoberto um suposto esquema em que a Sociedade Educativa do Brasil (Soebras), entidade filantrópica comandada pela deputada e seu marido, exercia verdadeira atividade empresarial, auferindo e distribuindo lucros e rendas, por meio de transferências a entidades presididas pela congressista.

A Procuradoria aponta que a deputada e o prefeito assumiram o comando da sociedade com a finalidade de se utilizar do certificado de beneficência titularizado pela entidade, colocando sob administração escolas particulares e cursos reparatórios de propriedade do casal, para que estas empresas gozassem de imunidade e isenção tributárias.

Para a Procuradoria-Geral da República, o casal adotou, para a aquisição dos estabelecimentos, o seguinte procedimento irregular: abrir uma filial da Soebras no mesmo endereço da instituição a ser incorporada; transferir todo o patrimônio da instituição para a Soebras; alterar o quadro societário da instituição para incluir interpostas pessoas como filhos e irmãos do casal; e manter a inscrição no CNPJ da empresa incorporada, movimentando recursos, e beneficiando-se da imunidade tributária de que goza a sociedade.

Para o MP, o modus operandi consiste na distribuição, por tais instituições, de dividendos para os chefes da organização criminosa e na blindagem patrimonial dos bens de uso pessoal do casal Ruy Muniz e Raquel Muniz.

A entidade controlada pelos investigados possui mais de 125 instituições de ensino e saúde, detentoras de certificados de benemerência que lhes conferem imunidade/isenção tributária.

"O primeiro exame apresenta elementos de participação direta da parlamentar e seu marido (Ruy Muniz) nos fatos narrados. Não se está diante de notícia sem qualquer apoio indiciário ou de notícia fundada somente em denúncia anônima, devendo-se dar prevalência, diante disso, ao interesse da sociedade em ver esclarecidos os fatos", escreveu o ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito.

O ministro já autorizou a quebra do sigilo fiscal das empresas componentes do grupo econômico controlado pelo casal.

"O presente inquérito visa a apurar supostos delitos de sonegação fiscal, falsidade ideológica, estelionato, fraude contra credores e lavagem de dinheiro por parte de organização criminosa supostamente comandada pela investigada e por seu marido, Ruy Muniz", afirmou o ministro.

Na sessão do impeachment, Raquel Muniz disse em seu voto a favor da abertura de processo contra a presidente que tomava aquela decisão "para dizer que o Brasil tem jeito" e que "o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão".

"É pelo norte de Minas, é por Montes Claros, é por Minas Gerais, é pelo Brasil", afirmou a deputada.

O prefeito é suspeito de inviabilizar a existência e o funcionamento de hospitais públicos e filantrópicos que atendem pelo SUS ao deixar de prestar serviços pela rede municipal.

No Amigos do Presidente Lula
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Auditoria aponta prejuízo milionário em negócio de Aécio e Anastasia com os Perrella


Uma auditoria da CGE (Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais) apontou que contratos firmados entre duas estatais mineiras e parentes e um funcionário do senador Zezé Perrella (PTB-MG) causaram prejuízos de R$ 18,9 milhões aos cofres públicos entre 2007 e 2011, nos governos dos tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia.

As supostas irregularidades foram encontradas no âmbito do programa Minas Sem Fome, uma ação do governo mineiro voltada a famílias de agricultores.

Segundo auditores, cerca de 2.400 toneladas de sementes de arroz, feijão, milho e sorgo foram pagas com dinheiro público, mas não foram entregues para os beneficiários do programa.

Os contratos investigados pela CGE eram termos de cooperação técnicas assinados entre a Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), a Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais), a empresa Limeira Agropecuária e os produtores individuais Geraldo de Oliveira Costa e Manoel Luiz Silveira Pinhão.

A Limeira Agropecuária pertence aos sócios Gustavo Perrella, Carolina Perrella e André Almeida Costa. Gustavo e Carolina são filhos do senador e André é filho de Geraldo, irmão de Perrella. O próprio senador foi sócio da Limeira até 2008.

Manoel Pinhão também tem ligação com os Perrella: chegou a ser nomeado assessor no Senado em 2011.

Pelos contratos, a Epamig repassava sementes especiais de arroz, feijão, milho e sorgo "sem ônus" para os produtores ligados ao senador. Após o plantio, a Epamig comprava de volta o produto e a Emater-MG ficava responsável pela distribuição das sementes para os beneficiários do programa. Ao analisar recibos, os auditores concluíram que não há provas de que as 2.400 toneladas de sementes foram de fato entregues a agricultores do Estado.

Na lista de irregularidades feita pelos auditores, estão a falta de notas fiscais ou notas sem a certificação de funcionários das estatais.

Em um dos casos, os auditores desconfiaram do destino de 620 mil quilos de sementes. Ao checar o local em que elas teriam sido armazenadas, concluíram que não havia capacidade para acomodar a quantidade de grãos.

O relatório aponta também superfaturamento na negociação de sementes.

Na compra de milho do tipo BR 106, a Epamig pagou preço R$ 1,65 maior por quilo em relação ao valor de mercado, o que gerou prejuízo de R$ 26 mil. Numa operação considerada atípica, a Epamig adiantou um pagamento de R$ 2,8 milhões à Limeira Agropecuária.

Os auditores encaminharam ao Ministério Público de Minas relatório recomendando que os gestores da Epamig e da Emater-MG e os produtores rurais ligados a Perrella devolvam R$ 18 milhões.

O Ministério Público já abriu processo por improbidade em relação a esses contratos porque eles não passaram por licitação. A Justiça concedeu liminar, em 2014, bloqueando bens da família de Perrella em R$ 14 milhões.

Outro lado

A defesa do senador Zezé Perrella diz que ele "é perseguido por um promotor" do Estado e que já prestou todos os esclarecimentos no caso. Afirma ainda que não houve nada de irregular nos contratos com a Epamig e Emater.

A Epamig, por meio de sua assessoria, disse que as notas fiscais foram emitidas pela estatal e entregues a Emater-MG, responsável pela distribuição aos beneficiários.

Afirmou ainda que as notas fiscais de aquisição de sementes dos cooperados foram encaminhadas para a Controladoria-Geral do Estado em 2015.

A Emater-MG diz, em nota, que "tem o registro em seu sistema informatizado de toda a entrega de sementes feita pelo Minas Sem Fome". "Neste sistema constam nome, endereço e CPF de todos os beneficiários no período de 2007 a 2011." O advogado da família, Sérgio Rodrigues, diz que a Limeira nunca foi intimada a dar explicações.

Wálter Nunes
No fAlha
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Dono do helicoca ganha cargo no Ministério do Esporte do governo Temer


O ex-deputado estadual Gustavo Perrella foi nomeado nesta sexta-feira para o cargo de Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, conforme foi publicado no Diário Oficial da União.

Perrella ganhou notoriedade nacional em 2013 quando a Polícia Federal apreendeu 445 kg de pasta base de cocaína em um helicóptero de propriedade sua em uma fazenda no município de Afonso Cláudio, interior do estado do Espírito Santo. Apesar de ser dono da aeronave, investigações apontaram que ele não tinha ligação com o transporte da droga.

Gustavo também é filho do senador Zezé Perrella (PTB-MG), que recentemente votou pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff. A família Perrella também é conhecida por ter ocupado, em diversas ocasiões, a presidência do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte.

Foto: Reprodução Diário Oficial da União
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Ministério Público apura superfaturamento de tucano em escolas digitais

Documentos indicam sobrepreço de 100% na implantação de unidades do Uaitec; ex-secretário do governo do PSDB em Minas, Nárcio Rodrigues já está preso por desvios


O suposto esquema de desvio de recursos públicos que envolve o nome do ex-presidente do PSDB mineiro Narcio Rodrigues está sendo investigado em duas frentes distintas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o que pode agravar a situação do ex-deputado tucano, detido desde o último dia 30 na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Além da operação Aequalis, que prendeu outros seis suspeitos de fraudes nos projetos da Fundação Hidroex, em Frutal, outro inquérito, aberto em 2013, apura indícios de superfaturamento de no mínimo 100% no Programa Universidade Aberta e Integrada de Minas (Uaitec).
 Sob coordenação de Narcio Rodrigues, então secretário de Ciência e Tecnologia do governo de Antonio Anastasia (PSDB), o projeto de educação a distância criado em 2013, segundo funcionários, ex-servidores e ex-aliados, era mais um braço de um esquema milionário supostamente montado no governo do PSDB para desviar recursos públicos de emendas para campanhas tucanas.

A Uaitec foi mantida pelo atual governo do PT e, ao contrário do caso do Hidroex, investigado pela Aequalis, a Controladoria Geral do Estado (CGE) não participa da apuração de possíveis irregularidades no programa, segundo o MP.

Existem 114 espaços nos quais são oferecidos gratuitamente cursos de formação educacional e qualificação profissional no Estado. Os recursos para a instalação são provenientes de emendas parlamentares, sendo que cada deputado federal pode encaminhar ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pedido de até R$ 1 milhão por unidade. O deputado estadual indica a emenda direto para a Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectes).

A denúncia em apuração pela promotoria aponta que o custo real para cada unidade variou entre R$ 80 mil e R$ 250 mil, conforme o tamanho e as necessidades do espaço. No entanto, os valores pleiteados por parlamentares junto ao governo federal para cada unidade eram até seis vezes superiores ao preço real. O programa Uaitec é uma reformulação da Rede Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs), parceria entre governos estaduais e federal. O Estado aproveitou a estrutura dos CVTs e telecentros existentes em Minas, destinados à inclusão digital, ampliou e modernizou os locais com novos equipamentos, como videoconferência, lousa interativa, TVs de LED, computadores e mobiliário. Outras 28 unidades foram construídas até agora.

O acesso às planilhas de custos das Uaitecs era restrito a um grupo pequeno de pessoas de confiança de Narcio, conforme revelou à reportagem um ex-servidor da Sectes. Uma das pessoas com acesso às planilhas garantiu que o orçamento superfaturado para compra de equipamentos por unidade era de R$ 900 mil. “Essa planilha mostra os preços estratosféricos dos itens e já está de posse dos promotores”, confirmou um ex-aliado que conhecia o esquema.

Uma Uaitec é composta por duas salas para educação a distância, com 25 lugares cada, aparelho de videoconferência; sala de informática com 20 computadores, mesas, cadeiras; salas para biblioteca e de professores; espaço coworking (local de trabalho compartilhado); sala telecom; e espaço administrativo. Prefeituras e entidades gestoras disponibilizam imóvel, reformas e segurança. Os três funcionários são bolsistas da Fapemig.

Há uma dificuldade em se obter valores precisos dos custos de uma Uaitec. O segredo em torno dos preços orçados e dos preços reais é grande, já que a maioria dos produtos foi adquirida sem licitação, intermediada pela Fundação Renato Azeredo (FRA), gestora das Uaitecs.

O atual secretário de Ciência e Tecnologia, Miguel Corrêa, estima que o Estado gaste de R$ 300 mil a R$ 460 mil, com base nos preços de 2015/2016, metade do que era orçado entre 2012 e 2014, na gestão de Narcio. Em levantamento com preços de mercado dos equipamentos, o valor ficou R$ 320 mil. Ainda assim, nem todos foram efetivamente encontrados na visita à Uaitec de Contagem. Para citar um exemplo, dos 11 splits (ar-condicionado) que constam no projeto, só havia três no local. A matéria foi publicada no jornal O Tempo

MP analisa desvio de R$18,9mi

Uma das empresas investigadas é a Limeira, da família de Zezé Perrella


Promotor do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Eduardo Nepomuceno abriu um inquérito para investigar convênios firmados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) para compra de sementes que, conforme atestou a Controladoria Geral do Estado (CGE), não foram entregues, o que teria gerado um prejuízo de R$ 18,9 milhões aos cofres do Estado entre 2007 e 2011, em valores atualizados.

Segundo o controlador geral de Minas, Dany Andrey Secco, uma sindicância interna investiga o possível envolvimento de dez servidores nas fraudes no programa Minas Sem Fome. Eles estavam lotados na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) e na Epamig, que era, no Estado, responsável por pagar pelo material. Os insumos seriam entregues à população rural.

Uma das empresas investigadas é a Limeira Agropecuária, que pertence à família do senador mineiro Zezé Perrella (PTB) e da qual ele foi sócio até 2008, quando era deputado estadual. Todos os fornecedores que aparecem envolvidos nas supostas irregularidades têm ligação com o petebista. Na lista estão um irmão dele, um ex assessor e a empresa desse antigo funcionário.

Segundo a CGE, o cálculo do prejuízo considera as cerca de 2.407 toneladas de sementes de arroz, feijão, milho e sorgo pelas quais o Estado pagou, mas que não teriam chegado até os beneficiá- rios do programa. Entre 2007 e 2011, foram adquiridas 3.729 toneladas de sementes qualificadas. Segundo a auditoria, foram encontradas falhas em 247 municípios, atingindo 138.482 beneficiários, 38% do total de 360.225.

A Epamig assinou à época Termos de Parceria Técnica com a Limeira Agropecuária, os cooperados Geraldo de Oliveira Costa, irmão de Perrella, Manoel Luiz Silveira Pinhão, ex-assessor do senador, e a Agroshop, que pertence a Pinhão.

O programa Minas sem Fome é executado pela Emater desde 2004 com o objetivo de estimular a produção de alimentos e a melhoria de renda dos agricultores familiares.

Segundo Andrey Secco, o Estado, em 2007, decidiu que a Emater não precisaria mais fazer licitações para adquirir as sementes por ter avaliado que a Epamig teria condições de fornecê-las.

A Epamig deveria contratar os cooperados, entregar a eles as sementes qualificadas para que as multiplicassem e providenciassem o ensacamento delas. O produto seria, então, devolvido à Epamig, que oferecia assistência técnica para esse processo.

"Quando os cooperados entregavam as sementes, pela regra, tinha que passar pelo controle da Emater,mas isso passou a ser feito na Epamig, que enviava direto para as prefeituras e, às vezes, para os agricultores. Não havia conferência", disse. Segundo ele, a auditoria não encontrou notas que comprovassem que os cooperados entregaram o volume de sementes contratado. Por amostragem,verificou-se ainda divergência entre o número de beneficiados e o de termos de recebimento apresentados.

Histórico

Nepomuceno diz que o relatório da CGE reforça outra ação em curso no MPMG e que investiga os contratos sem licitação entre esses fornecedores e a Epamig no Minas sem Fome.

"Temos ausência de notas fiscais relativas a várias operações em que teria havido a compra e venda dessas sementes, houve o pagamento sem entrega efetiva da nota fiscal. O local indicado para entrega dessas sementes é um local absolutamente impróprio para o armazenamento.

Isso gerou desconfiança. Seria o caso de entregar semente num escritório, totalmente inaplicável.

Outra situação é ausência de comprovação de pagamento de frete. Essa semente deveria ter sido transportada para o interior por carretas, caminhões e não existe nenhum documento demonstrando que o frete foi pago", disse o promotor ao portal "G1".

Privilégio

Frutal. Com cerca de 60 mil habitantes, o município que é base eleitoral de Narcio Rodrigues tem duas Uaitecs. Belo Horizonte ganhou a primeira unidade em outubro do ano passado.





No Amigos do Presidente Lula
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Janot vê indício de propina a Cunha em aporte em usina de primo de Caiado

No pedido de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do cargo de deputado federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou indícios de pagamento de propina em troca da aprovação de outra operação do FI-FGTS, o bilionário fundo de investimento gerido pela Caixa com dinheiro dos trabalhadores. Trata-se do aporte de R$ 571 milhões para empresa de energia eólica do Grupo Rialma, que pertence a Emival Caiado, primo do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). O valor correspondia a 49% da empresa.

O PGR teve acesso a uma anotação encontrada na agenda de José Carlos Cordeiro Rocha, da 33 Consultoria, Assessoria e Intermediação Imobiliária, que atua como lobista junto a órgãos públicos. No cumprimento do mandado de busca e apreensão realizado nesta empresa foi encontrada em uma agenda de 2014 uma anotação, na folha do dia 20 de março do ano passado, que mencionava a quantia de R$ 600 milhões para o senhor Emival Caiado, junto com honorários de 3% do valor para Eduardo Cunha e Fábio Cleto e um registro denominado mensal de R$ 20 mil.

"Em outras palavras: a anotação indica que Eduardo Cunha e Fábio Cleto cobraram propina em troca de liberação de verbas do FI-FGTS", afirma Janot. A anotação da agenda chegou à PGR no dia 9 de dezembro deste ano por meio de informações da Justiça do Rio de Janeiro em meio à "Operação Alcateia Fluminense", que apura fraudes na Receita no Rio de Janeiro.

Janot cita reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de outubro do ano passado, quando houve o primeiro aval para o aporte do fundo na usina. O comitê de investimento do FI-FGTS faz reuniões fechadas, cujo teor não é divulgado à imprensa. O jornal já ressaltava a influência de Cleto no comitê, onde pediu retirada de projetos de pauta e aprovações de outros itens como "moeda de troca" com o governo.

Segundo Janot, a anotação coloca Cleto e seu padrinho Cunha em situação "muito semelhante" aos fatos narrados pelos delatores Ricardo Pernambucano e Ricardo Pernambucano Junior. Donos da Carioca Engenharia, eles disseram que pagaram R$ 52 milhões em propina para a liberação de uma operação com recursos do FGTS na Caixa. O pagamento foi feito em 36 prestações em contas na Suíça e em Israel. Esse caso foi revelado nesta quarta-feira, 16, no site da revista Época.

A propina paga a Cunha tinha como finalidade a aprovação de uma operação que permitiu levantar recursos de uma vez só para a revitalização do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. O consórcio responsável pelas obras recebeu R$ 3,5 bilhões de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a poupança forçada que todo trabalhador brasileiro é obrigado a fazer.

Os dados levantados pela PGR indicam que Cunha vendia "facilidades" na Caixa porque tinha o aliado Fábio Cleto como braço-direito no banco estatal. Ele atuava de acordo com os interesses do parlamentar, mesmo quando esses iam de encontro ao que queria o governo. Foi o próprio presidente da Câmara, segundo o relato dos dois delatores, que acertou e cobrou a propina.

A Carioca Engenharia é sócia da Odebrecht e da OAS na concessionária Porto Novo, responsável pela revitalização da zona portuária do Rio. Em abril de 2011, um fundo imobiliário de gestão da Caixa comprou o lote todo de títulos da região portuária e desembolsou de uma vez R$ 3,5 bilhões de dinheiro dos trabalhadores.

A operação tinha como objetivo financiar as obras na região, estimadas em R$ 7,5 bilhões - o restante seria levantado pela Caixa com a revenda de papeis no mercado para os interessados nos imóveis comerciais da região. Com a desvalorização imobiliária, o FGTS precisou liberar mais R$ 1,5 bilhão para a conslusão das obras da revitalização.

Cleto sempre foi considerado "o cara de Cunha" na Caixa. A presidente Dilma o exonerou na semana passada. A informação era de que se tratava de uma retaliação ao presidente da Câmara, que aceitou o pedido de impeachment contra a petista. Na semana seguinte, porém, foi autorizada operação de busca e apreensão na casa de Cleto, em São Paulo, e surgiram novos indícios da ligação dele com o presidente da Câmara.

Para a PGR, o pagamento de suborno a Cunha e Cleto para a aprovação de projetos no FI-FGTS também é confirmada com as mensagens de "negociações ilícitas envolvendo liberação de verbas do fundo" encontradas no celular do ex-diretor da OAS, Leo Pinheiro.

Janot cita outra matéria do jornal "O Estado de S. Paulo" sobre a pressão do Cunha para emplacar o afilhado na vice-presidência da Caixa responsável pela gestão do FI-FGTS, justamente para ampliar a influência dele no fundo.

Em nota, a Caixa informou que a operação com o consórcio Porto Novo seguiu "todos os ritos normativos e de governança corporativa" do banco, passando por diversos comitês internos. O banco diz que determinou à corregedoria da instituição a instauração de apuração de todas as operações realizadas no projeto de revitalização do Porto Maravilha. Questionado, Cunha disse que não comentaria porque não leu a acusação.

No Uol
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A astuciosa lógica dos que condenam manifestações fazendo-se de democratas

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8733

Há um discurso ardiloso contra manifestantes. Esse discurso nunca se opõe diretamente à liberdade de manifestação. Mas contra a forma de se manifestar. Jamais se ocupa da causa das manifestações. Sempre dos efeitos. Não se interessa em fazer perguntas simples:
  • Por que estudantes foram obrigados a ocupar escolas?
  • Por que professores foram obrigados a ocupar o CAFF?
  • Por que estudantes ocuparam o prédio da Fazenda?
  • Quem criou a má qualidades das escolas (chove dentro, faltam professores, as instalações são precárias…)?
O antimanifestante só pensa em si.

Pratica um egoísmo repressivo Discurso extremista, denuncia o suposto extremismo dos manifestantes.
  • Por que eles precisam atrapalhar o trânsito?
  • Por que não andam pelas calçadas?
  • Por que invadem prédios públicos?
Uma manifestação só surte efeito se provocar algum incômodo. O resto é utopia ou enrolação de quem pretende manipular os insatisfeito. Desatendido, ignorado, sem negociação, o manifestante é obrigado a adotar ações que despertem a sociedade do seu marasmo. Na Europa, que os antimanifestantes adoram citar como exemplo de tudo, manifestações bloqueiam estradas, ocupam prédios e queimam carros. A polícia negocia e reprime. Parte da grande mídia, condena. Outra parte, busca compreender as causas. Aqui, a mídia sempre condena. Salvo exceções. O ideal é o manifestante humilde, chamado de sensato.

É um discurso do poder. Mostra uma visão autoritária. Vereadores, deputados, secretários de Estado, prefeitos e governadores têm seus salários corrigidos em parcela única. Funcionários são “convidados” a aceitar parcelamento. A justiça cuida primeiro do seu pirão. Paga-se polpudos auxílios. É lenta. Salvo para julgar interesses de antimanifestantes e determinar reintegrações de posse de prédios públicos. A mídia conservadora reverbera solene:
  • É crime invadir prédio público.
Crime como estratégia de dissuasão. Na hora, precisa negociar. É acontecimento político derivado de ações ou inações políticas. Transformar justas reivindicações sociais em casos de polícia é uma velha ideologia conservadora. Mandar para o Presídio Central quem entrou num prédio público para se fazer ouvir por uma burocracia indiferente é aplicar pena de morte por infração de trânsito. Outra astúcia é transformar funcionário público em “corporação”. Tem membro de “corporação” ganhando menos do que salário mínimo. Corporação é a dos magistrados. Coisa assim. A lei é a lei, dizem os “sensatos”. A lei do piso do magistério não é cumprida. Quem se lembra disso?

Não há democracia sem entropia.

A ordem perfeita é a dos cemitérios.

Uma foto da Paris chique durante uma greve.

flore
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As delações de Sérgio Machado — Episódio 4: O acordão para conter a Lava-jato — assista

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Delação da Odebrecht terá Temer, 13 governadores e 100 parlamentares


A resposta “veemente” que o presidente interino Michel Temer deu sobre a delação de Sergio Machado, de que teria pedido recursos ilícitos no valor de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita, não deve ser a última sobre seu eventual envolvimento com o esquema investigado pela Lava Jato.  No acordo preliminar para  sacramentar  a delação premiada da construtora Odebrecht, um dos executivos promete falar sobre uma doação de R$ 50 milhões para o PMDB, que teria tido a intermediação de caciques do partido, inclusive de Temer.   Os termos preliminares de uma delação podem acabar não figurando  nos depoimentos oficiais, que ainda não foram tomados,  mas esta revelação, segundo fontes do Ministério Público, aparece no termo preliminar.

Este esboço que vem sendo negociado incluiria a participação de quase 50 executivos da empresa que tiveram, em diferentes momentos, participação no esquema de “financiamento ilícito e ilegal” de atividades político-partidárias, conforme definição da própria Odebrecht  em sua nota de março, quando anunciou uma “colaboração definitiva” com a Lava Jato.

A delação que assombra o mundo político deve implicar vários partidos, como PMDB, PSDB, PT, PP, DEM e outros, 13 governadores  (ou ex-governadores) e cerca de 100 parlamentares  que teriam recebido recursos ilícitos, derivados do fechamento de contratos com a Petrobrás e outras estatais, sob a forma de doações . Algumas declaradas oficialmente, outras por debaixo do pano, o popular caixa dois.

O detalhamento dos R$ 50 milhões destinados ao PMDB não deixaria pedra sobre pedra na cúpula do partido que hoje comanda o governo.

Temer, pessoalmente, é alvo de outras duas citações na Lava Jato que  vêm sendo deixadas no esquecimento. Uma aparece na transcrição de conversa por rede eletrônica entre Léo Pinheiro, da OAS, e Eduardo Cunha, que reclama de um pagamento de R$ 5 milhões a Temer, sem retirar a parcela de outros peemedebistas. Pinheiro então diz que explicará melhor depois, mas esclarece que se trata de recursos relacionados com outra coisa, a concessão do aeroporto de Guarulhos à OAS.

A informação sobre o suposto pagamento a Temer aparece na  manifestação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, ao fundamentar a autorização para a Operação Catilinárias, em dezembro passado. Eis um trecho do pedido do procurador-geral Rodrigo Janot,  transcrito por Teori ao autorizar a operação: “Eduardo Cunha cobrou Léo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer,  a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado  os compromissos com a 'turma'.”  Na época, Temer explicou tratar-se de uma doação legal de R$ 5 milhões da OAS ao PMDB . A Folha de São Paulo tratou do assunto na matéria que pode ser acessada pelo seguinte link.


Voltou ao assunto este ano nesta outra matéria:


Em 23 de abril deste ano a Folha publicou o editorial “Sombra sobre Temer”, que aborda outra citação ao hoje presidente interino, esta feita pelo executivo da construtora Engevix,  José Antônio Sobrinho. Ele declara ter sido pressionado a pagar um milhão de reais para a campanha de Temer em 2014. “Não se trata do único caso. A própria delação premiada de Delcídio do Amaral (sem partido-MS), ex-líder do governo no Senado — documento importante na constituição de todo o clima favorável ao impeachment de Dilma —, menciona o vice-presidente como padrinho na indicação de diretores da Petrobras hoje acusados de corrupção”, diz um trecho do editorial que pode ser lido aqui: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/04/1763960-sombras-sobre-temer.shtml

Estes dois assuntos, entretanto, sumiram do noticiário.  Mas na Lava Jato, tudo um dia volta a circular.

Tereza Cruvinel
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Força-tarefa da Lava-Jato avalia não ter indícios para prender Lula

Procuradores avaliam que nenhum episódio que envolva o petista tem gravidade suficiente para justificar detenção

Procuradores acreditam que o único caso que Lula responde e que poderia justificar, em tese, um pedido de
prisão seria o da tentativa de nomeá-lo ministro, feita pela presidente Dilma antes de ser afastada do cargo
A menos que algo de grave e inusitado ocorra, os procuradores da República que atuam na Operação Lava-Jato não pretendem pedir a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo antes de se debruçarem oficialmente sobre os três casos que envolvem o ex-presidente, os integrantes do Ministério Público Federal (MPF) que agem em Curitiba já firmaram convicção de que nenhum dos episódios enseja gravidade suficiente para justificar a colocação do líder petista atrás das grades — pelo menos, não antes do julgamento.

A opinião tem se firmado a partir das investigações já realizadas pela Polícia Federal (PF) e também da denúncia feita contra Lula pelo Ministério Público de São Paulo. Há três meses, promotores de Justiça paulistas pediram a prisão do petista, ao denunciarem que ele supostamente mentira a respeito da compra de um triplex no Guarujá (SP) e de um sítio em Atibaia (SP). Eles consideraram que Lula poderia estar manipulando os fatos e atrapalhando as investigações. A juíza responsável pelos dois casos, porém, ignorou o pedido: não decretou a prisão e decidiu encaminhar o episódio para a esfera federal.

Os procuradores da República estão decididos a agir com a cautela que seus colegas estaduais paulistas não tiveram. Primeiro, por razões técnicas: não existem, no entender deles, indícios que justifiquem a prisão do ex-presidente. Ele não chegou a intimidar testemunhas ou mover dinheiro no Exterior, nem tentou eliminar provas, como ocorreu com outros réus da Lava-Jato, ponderam.

Os procuradores acreditam que o único caso que Lula responde e que poderia justificar, em tese, um pedido de prisão seria o da tentativa de nomeá-lo ministro, feita pela presidente Dilma antes de ser afastada do cargo.

O fato foi interpretado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como tentativa de interferir nos rumos da Lava-Jato: a nomeação para o ministério daria a Lula foro especial, longe da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde o juiz Sergio Moro tem sido ágil em prender e condenar.

Mas o principal indício de que a nomeação era "proteção" a Lula, um diálogo telefônico entre ele e Dilma interceptado pela PF, acaba de ser invalidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Isso enfraquece o argumento de que Lula interferiu na Lava-Jato e, mais ainda, o embasamento para um pedido de prendê-lo.

O outro motivo para os procuradores agirem com calma é não transformar Lula num mártir político. Estão escaldados pela intensa repercussão do dia em que a PF levou o ex-presidente numa viatura policial para depor. Multidões de simpatizantes lulistas protestaram.

Em tese, o ex-presidente pode responder por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão) nos casos do sítio e do triplex. Abundam indícios coletados pela PF no inquérito.

Mesmo se for denunciado e condenado por Moro, Lula pode pegar pena mínima, porque é primário. Nesse caso, terá direito a recorrer em liberdade, até seus casos serem julgados em segunda instância, em um Tribunal Regional. Isso levaria bastante tempo, o suficiente para não incendiar o país.

Três casos sob suspeita

Triplex em Guarujá

Imóvel construído pela Bancoop e OAS teria sido reservado para a família de Lula e reformado por R$ 777 mil em 2014. A suspeita é de que a reforma tenha sido presente para Lula. Pode tratar-se de ocultação de patrimônio e corrupção passiva.

Sítio em Atibaia

Registrado em nome de amigos da família, teve reformas bancadas por Odebrecht, OAS e José Carlos Bumlai, segundo testemunhas. Há suspeita de que as obras tenham sido forma de presentear Lula. Pode tratar-se de improbidade administrativa e corrupção passiva.

Grampo telefônico

Em março, foram divulgados áudios gravados entre a presidente afastada Dilma Rousseff e Lula. Investigadores apontaram que revela indícios de que Dilma enviou um "salvo-conduto" para proteger Lula da força-tarefa da Lava-Jato até a sua posse definitiva como ministro, que acabou não correndo. O diálogo, porém, foi invalidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Humberto Trezzi
No ZH
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As delações de Sérgio Machado — Episódio 3: Sobre repasses a políticos — assista

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Marcos Valério decide fazer delação premiada

Marcos Valério negociação delação premiada
O empresário Marcos Valério, operador do esquema que ficou conhecido como mensalão, decidiu falar. Mais que isso: já conversa com promotores para tentar um acordo de delação premiada no qual promete revelar detalhes ainda obscuros dos escândalos tanto no nível estadual como na esfera federal.

O TEMPO obteve com exclusividade um documento protocolado da 17ª Promotoria de Patrimônio Público da Comarca de Belo Horizonte em que Valério se oferece para um acordo de delação, em troca de informações para o processo do chamado mensalão mineiro, que tramita na 9ª Vara Criminal da capital.

O advogado de Marcos Valério, Jean Robert Kobayashi Júnior, confirmou a autenticidade do documento, mas não quis revelar detalhes do acordo. "O que posso dizer é que a sociedade vai se escandalizar com o que o Marcos Valério vai revelar", afirmou, completando que seu cliente promete trazer fatos novos que irão ajudar bastante nas investigações.

Além de auxiliar a comprovar ilicitudes apuradas no processo do mensalão mineiro, que investiga o suposto caixa 2 na campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB), a gênese do esquema que depois foi replicado pelo PT em nível nacional, Marcos Valério já estaria negociando um acordo com investigadores federais, para tratar de temas que vieram à tona na operação Lava Jato.

De acordo com informações obtidas pela reportagem com pessoas próximas às negociações, Marcos Valério estaria disposto a falar sobre a suposta maquiagem das contas do Banco Rural e o sumiço de documentos da CPI dos Correios, que ajudaram a proteger interesses de envolvidos nos esquemas. As primeiras informações dessa prática vieram à tona em delação premiada do senador Delcídio do Amaral (ex-PT, hoje sem partido).

Entre os pedidos de Marcos Valério estaria a transferência para a APAC de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. O operador do mensalão, preso desde novembro de 2013, foi condenado a mais de 37 anos de prisão por corrupção ativa, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Detido no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, ele já tentou uma transferência para outra APAC, em Nova Lima, no ano passado, mas o pedido foi negado, já que ele não possuía residência na cidade.

A defesa de Valério não se manifesta sobre os pedidos e termos de uma proposta de delação.

Ricardo Corrêa
No O Tempo
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Delator descreve ‘salinha’ onde se reuniu com o corrupto Temer

Em depoimento gravado na Procuradoria, ex-presidente da Transpetro disse que levantou R$ 1,5 milhão em propinas, com conhecimento do presidente em exercício, para destinar ao comitê do peemedebista em 2012

Michel Temer (à esq.) e Gabriel Chalita.
Foto: Ernesto Rodrigues/AE
No depoimento gravado em áudio e vídeo à Procuradoria-Geral da República, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, delator bomba da Lava Jato, relatou detalhes do encontro que afirma ter tido, em setembro de 2012, com o hoje presidente em exercício Michel Temer (PMDB), na Base Aérea de Brasília. O delator afirma que pagou R$ 1,5 milhão, em propina, para a campanha de Gabriel Chalita, candidato apoiado por Temer à Prefeitura de São Paulo, naquele ano.

O Relato de Sérgio Machado sobre o encontro com Michel Temer



Machado contou que o senador Valdir Raupp (PMDB-RR), também em 2012, o procurou ‘dizendo que o candidato (Chalita) do vice-presidente Michel Temer estava em dificuldades financeiras’. Raupp perguntou a Machado, então presidente da Transpetro, se ele poderia ajudar.

“Eu liguei pro vice Michel Temer e marquei com ele no aeroporto militar de Brasília, na sala vizinha à sala da Presidência. Em setembro, num início de noite”, relatou.

“Ele chegando lá, conversei com ele. Ele falou da dificuldade que estava tendo acerca da campanha do Chalita. Eu disse que podia ajudá-lo em R$ 1,5 milhão, mas que depois eu informaria a ele a empresa. Telefonei depois a ele depois, informando que essa doação seria feita pelo Diretório Nacional através da empresa Queiroz Galvão.”

O delator foi questionado pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato sobre o local onde teria se encontrado com Michel Temer.

“Nós chegamos lá e fomos para uma salinha pequena onde conversamos durante 15 a 20 minutos. Você tem a sala de Presidência do lado, você tem outra sala onde embarcam as autoridades. Nessa sala onde embarcam autoridades tem uma salinha, onde eu fiquei lá com ele”, disse.

Um dia após ter o nome citado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o presidente em exercício, Michel Temer, convocou de última hora uma declaração à imprensa para contestar as informações do delator. Temer chamou a manifestação de Machado de “irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa”. “Não deixarei passar em branco essas acusações levianas”, afirmou.


Machado enfrenta Temer e reafirma delação


O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado reiterou nesta quinta-feira (16), por meio de nota, que o presidente em exercício Michel Temer pediu a ele, em 2012, ajuda para a campanha do então candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, atualmente no PDT. O relato foi feito por Machado em delação premiada.

A nota desta quinta foi uma resposta ao pronunciamento feito por Temer pela manhã, no Palácio do Planalto. O presidente interino classificou de “irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa” a delação de Machado.
Sobre o pronunciamento feito hoje pelo Presidente Interino Michel Temer, reafirmo que:

1) Quando se faz acordo de colaboração assume-se o compromisso de falar a verdade e não se pode omitir nenhum fato; falo aqui sob esse compromisso;

2) Em setembro 2012 fui procurado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), presidente em exercício do partido, com uma demanda do então vice-presidente da República, Michel Temer: um pedido de ajuda para o candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, porque a campanha estava em dificuldades financeiras;

3) Naquele mesmo mês, estive na Base Aérea de Brasília com Michel Temer, que embarcava para São Paulo. Nos reunimos numa sala reservada;

4) Na conversa, o vice-presidente Michel Temer solicitou doação para a campanha eleitoral de Chalita;

5) O vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da TRANSPETRO, através de minha influência direta. Não fosse isso, ele teria procurado diretamente a empresa doadora;

6) Após esta conversa mantive contato com a empresa Queiroz Galvão, que tinha contratos com a TRANSPETRO, e viabilizei uma doação de R$ 1,5 milhão feita ao diretório nacional do PMDB; o diretório repassou os recursos diretamente à campanha de Chalita. A doação oficial pode ser facilmente comprovada por meio da prestação de contas da campanha do PMDB;

7) É fato que nunca estive com Chalita;

Sérgio Machado



Temer pode aparecer também em delação da Odebrecht, diz colunista


Depois da citação a Michel Temer na delação de Sérgio Machado, cresce nos meios jurídicos envolvidos na negociação da delação premiada da Odebrecht a discussão sobre a forma com que o presidente interino aparecerá nas informações que a empresa prestará à Justiça.

Bons amigos

A empreiteira deu recursos ao PMDB na campanha de 2014, quando Temer era candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. O PT teria participado da negociação para a destinação de dinheiro ao partido do vice.

Soma

Os valores destinados ao partido, de acordo com pessoa familiarizada com a delação, poderiam chegar a R$ 50 milhões

No DCM
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Menos um: se Temer fosse coerente e tivesse juízo, ele mesmo pediria demissão

“Fica tranquilo, Henrique. Tamo junto”
O ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves pediu demissão. Mais um a cair, na esteira de Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência, Fiscalização e Controle, conhecido popularmente como Tráfico).

Alves tem dois pedidos de abertura de inquérito em seu nome, feitos pelo procurador geral da República Rodrigo Janot. A chapa esquentou de fato com a delação de Sérgio Machado, segundo a qual ele teria recebido 1,55 milhão de reais de propina.

Janot pede, no processo, que Henrique Alves seja investigado por envolvimento no chamado “quadrilhão”.

Temer deveria ter se livrado há mais tempo de Alves. O “grande articulador”, como o interino foi vendido, só se mexeu após ele mesmo aparecer via Sérgio Machado.

Na manhã em que o terceiro ministro de sua gestão foi para o buraco — tudo em um mês —, Temer deu uma declaração nonsense. “Se tivesse cometido delito, não teria condições de presidir o país”, falou, como sempre afetando indignação.

Além do caso Chalita, Michel Temer aparece pelo menos quatro vezes na Lava Jato, na boca de mais dois delatores: Delcídio do Amaral e o lobista Júlio Camargo, aquele que confessou pagamento de propina de US$ 5 milhões para Cunha (PMDB-RJ).

É um homem acuado. Eliseu Padilha, da Casa Civil, pediu água. Segundo ele, a Lava Jato precisa “caminhar rumo a uma definição final”. Até faz sentido, mas no quadro atual de desintegração significa, mais do que uma ameaça, um grito de socorro. A água bateu na bunda.

Numa entrevista ao SBT, Temer foi peremptório: “Se houver incriminações (…), os ministros sairão. É jurisprudência firmada na minha administração.”

Se fosse coerente, ele mesmo se daria o cartão vermelho. É o que deveria ter feito antes de embarcar no golpe — e é o que provavelmente passa pela sua cabeça quando vê onde se meteu.

Kiko Nogueira
No DCM




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As delações de Sérgio Machado — Episódio 2: Renan Calheiros — assista

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Cunha foi apenas um aprendiz de Aécio?

A delação premiada de Sérgio Machado, o "homem-bomba" do PMDB, detonou Brasília. Ela atingiu em cheio o golpista Michel Temer e o seu partido, fazendo aumentar as apostas de que o interino não vai durar muito tempo. Mas ela também respingou no PSDB e, principalmente, no cambaleante Aécio Neves. Num dos trechos vazados, já abafado pela mídia tucana, o delator afirma que participou de um "plano para eleger a maior bancada possível" para viabilizar a eleição de Aécio Neves à presidência da Câmara Federal. Ou seja: não foi apenas FHC que comprou deputados para bancar a sua reeleição. Nem foi o correntista suíço Eduardo Cunha que inventou este esquema no Congresso Nacional.  

Segundo o delator, que em 1998 era líder do PSDB do Senado, o esquema foi montado em conjunto com Teotônio Vilela, então presidente nacional da sigla, e Aécio Neves, na época deputado federal. A forma encontrada, relatou Sérgio Machado em sua delação, foi "ajudar financeiramente" cerca de 50 deputados a se elegerem. Para isso, os três pediram à campanha nacional de FHC recursos para ajudar as bancadas. Decidiu-se destinar entre 100 e 300 mil reais para cada candidato. Para obter os recursos ilícitos, além de contatos com empresas, eles procuraram o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça, que garantiu que parte dos valores, orçados em 4 milhões de reais, viriam da campanha de FHC.

Ainda de acordo com o delator, parcela da grana ilegal era proveniente do exterior e foi entregue em espécie. O recurso foi repassado aos próprios candidatos e a seus interlocutores. A maior parcela dos cerca de 7 milhões de reais arrecadados à época "foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu 1 milhão em dinheiro", disse Sérgio Machado. O ex-presidente da Transpetro ainda afirmou em sua delação que o atual senador tucano recebia, "com frequência", esses valores por meio de um "amigo de Brasília que o ajudava nessa logística". O delator detalhou quem seria o intermediário: "jovem, moreno e que andava sempre com roupas casuais e mochila”.

Sérgio Machado também confirmou a existência da "Lista de Furnas', que os tucanos ainda insistem em negar. Num dos trechos da delação, ele disse ter ouvido do ex-ministro Sérgio Motta que Dimas Toledo era afilhado político de Aécio Neves e que "todos do PSDB sabiam que Furnas prestava um grande apoio ao deputado". Estes e outros esquemas teriam viabilizado a eleição de 99 deputados da legenda, a segunda maior bancada da Câmara Federal — o que garantiu a vitória de Aécio Neves na disputa pela presidência da Casa.

Diante de tantos detalhes, o colunista Bernardo Mello Franco, uma das poucas vozes críticas na Folha tucana, concluiu que a delação premiada de Sérgio Machado desmascara de vez o cambaleante líder do PSDB: "Ao acusá-lo de financiar cerca de 50 deputados para comandar a Câmara Federal, Sérgio Machado sugere que Eduardo Cunha não inventou nada — foi apenas um aprendiz".

Altamiro Borges
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Ministro do MiniTraFiCo nomeia sócia para chefiar seu gabinete

Torquato Jardim e sua chefa de gabinete, 
Lilian Brandão, são sócios em escritório
O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim, nomeou sua sócia em um escritório de advocacia para chefiar o seu gabinete no ministério. A nomeação da advogada Lilian Claessen Miranda Brandão foi publicada na edição da última terça-feira (14) no Diário Oficial da União. De acordo a portaria de sua nomeação, Lilian receberá um salário de R$ 11,2 mil.

Torquato Jardim tomou posse como ministro da Transparência no último dia 2 em meio à polêmica que resultou na exoneração de seu antecessor, Fabiano Silveira, flagrado em conversas com o delator da Operação Lava Jato Sérgio Machado dando orientações ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre como se defender da operação.

Torquato, que já foi ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mantinha, desde julho de 2014, escritório Torquato Jardim Advogados Associados. No cadastro nacional de empresas junto à Receita Federal, Torquato e Lilian Brandão aparecem como sócios do escritório: ele como sócio-administrador, ela como sócio com capital. No dia 7 de junho deste ano, quatro dias após a posse de Torquato como ministro, a situação cadastral da sociedade foi alterada do status de "suspensa" para "interrupção temporário de atividades".

Cadastro nacional de empresas da Receita Federal mostra que Torquato Jardim e sua chefe de gabinete, Lilian Brandão, são sócios em um escritório de advocacia
O cargo ocupado por Lilian no Ministério da Transparência é do tipo DAS (Direção e Assessoramento Superior). Esses cargos podem ser ocupados tanto por servidores de carreira quanto por pessoas de fora do funcionalismo público. A nomeação de Lilian acontece quatro dias depois de o governo ter anunciado o congelamento de 4,3 mil cargos comissionados alegando corte de gastos.

O presidente da Unacom (Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle), Rudinei Marques, disse que o departamento jurídico da entidade está elaborando um parecer para determinar se haveria conflito de interesse na nomeação de Lilian.

"Já encaminhamos essa questão ao nosso departamento jurídico para ver se não tem conflito de interesse. Se houver, vamos acionar a Comissão de Ética da Presidência da República", afirmou.

Rudinei disse que a nomeação de Lilian Brandão "pegou mal" junto aos servidores do ministério, que já haviam se manifestado em diversos Estados do Brasil quando as gravações sobre Fabiano Silveira vieram à tona. "Pegou muito mal. Recebi vários e-mails de diversos filiados em todo o país reclamando dessa situação", afirmou o presidente da Unacom.

Funcionários do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle fazem manifestação em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília
Outro lado

A reportagem entrou em contato com a agora chefe de gabinete de Torquato Jardim, Lilian Brandão, na última quarta-feira (14) por telefone. Ela confirmou sua nomeação e pediu que quaisquer questionamentos feitos a ela fossem encaminhados à assessoria de imprensa do ministério.

Por e-mail, a reportagem enviou cinco perguntas ao ministro Torquato Jardim e cinco a Lilian Brandão sobre a nomeação dela. A reportagem questionou, por exemplo, se a nomeação de Lilian causava quaisquer constrangimentos a ela ou a Torquato Jardim. Também questionou quem iria conduzir os processos até então a cargo do escritório do qual os dois são sócios.

Também por e-mail, a assessoria de imprensa do ministério afirmou que Torquato e Lilian registraram seus impedimentos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seccional do Distrito Federal, enquanto eles estiverem no cargo. A assessoria informou que situação do escritório do qual ambos são sócios junto à Receita Federal está suspensa, o que impede a empresa de prestar serviços.

"Nos termos do Estatuto da OAB, os advogados Torquato Jardim e Lilian Brandão [...] registraram seus impedimentos na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal, pelo tempo que durarem suas investiduras nos cargos. A sociedade 'Torquato Jardim Advogados Associados' está inativa na Receita Federal e na do Distrito Federal", disse a assessoria.
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O governo Temer acabou e mais coisa contra ele vem por aí…

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/06/16/o-governo-temer-acabou-e-mais-coisa-contra-ele-vem-por-ai/


A presidência de Michel Temer acabou, mesmo que ele continue. Isso acontece em muitos momentos não só da vida pública, mas também da privada. Muitos relacionamentos afetivos, por exemplo, se arrastam mesmo quando já não fazem o menor sentido pra nenhuma das partes.

Se Dilma não errar muito nas suas próximas ações de articulação política (e Dilma tem sido precisa nos seus últimos lances) Termer se arrastará presidente até o meio de agosto. Mas se Dilma errar muito, Temer provavelmente prosseguirá. E mesmo assim seu governo já terá acabado ontem.

A delação de Sérgio Machado botou um ponto final na ex Era Temer.

O presidente interino que já teria grandes dificuldades de arrebatar parte da opinião pública por conta de ter atuado de forma nada ética no processo do impeachment de Dilma e por ter montado um governo branco-direito-macho, agora não conseguirá acenar nem de janelinha de avião para a população sem ouvir um “ladrão golpista”.

Temer não tem mais a menor condição de fazer um pronunciamento à Nação porque as panelas soarão na mesma intensidade das piores manifestações contra Dilma.

Temer não terá como apoiar sequer o candidato a prefeito de Tietê, porque ninguém mais vai querer o apoio de alguém que é acusado de ser propineiro. E que organizou um levante contra uma mulher contra quem nunca pesou uma acusação deste tipo.

Temer não terá como fazer uma viagem internacional, porque poucos governantes de países desenvolvidos vão querer recebê-lo, já que cada dia fica mais claro para o mundo que o Brasil sofreu um golpe organizado por um bando de ladrões.

Temer não conseguirá brincar na praça com o seu filho, porque será vítima de um escracho. Coisa que este blogueiro não acha correto, mas que se tornou um padrão de ação política nos dias de hoje.

Temer não conseguirá mais dormir tranquilo, porque sabe que outras delações como essa virão.

Anotem, essa foi apenas a primeira.

Temer em breve vai disputar com Aécio o título de delatado-mor.

No Palácio do Planalto os boatos estão fazendo ministros se demitirem.

Henrique Alves não deixou o ministério hoje apenas porque foi acusado, mas porque já descobriu que este governo estará em breve mais nas páginas policiais do que políticas. E preferiu sair do foco antes que seja tarde.

Temer hoje treme mais do que vara verde. Porque sabe o que vem por aí.


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