7 de jun de 2016

Que tal uma tornozeleira como a de Sarney para FHC?

Dois pares de pernas à espera de tornozeleiras
Um outro idoso da política nacional merece, como Sarney, tornozeleira: o decano do golpe, FHC.

Tenho uma sugestão adicional: deveria ser uma tornozeleira especial que desse um choque em sua canela octogenária a cada vez que ele falasse a palavra “corrupção”.

Como todo direitista, FHC faz tempo que para tentar dar sustentação ao golpe alega corrupção. É um velho refrão dos conservadores. Já sob GV, em meados dos anos 1950, a plutocracia falava num mar de lama — mítico, imaginário, cínico e mentiroso.

FHC é o clássico demagogo. Atira acusações de corrupção contra os adversários ao mesmo tempo em que a pratica descaradamente, confiante na impunidade que a imprensa e a Justiça sempre lhe proporcionaram.

Comprou os votos no Congresso que lhe permitiram se reeleger, algo de amplo e irrestrito conhecimento, e mesmo assim faz cara de impoluto.

Soubemos há pouco, por um vídeo de Cerveró, que seu filho se beneficiou de dinheiro sujo da Petrobras quando ele era presidente. Mesmo assim, ele continua a falar de corrupção como se fosse um exemplo de incorruptibilidade.

Seu outro filho, este moral, Aécio, disputa com Cunha o título de mais corrupto mais citado em delações. “Todo mundo conhece conhece o esquema do Aécio”, disseram dele numa conversa gravada. Também foi afirmado que ele seria o “primeiro a ser comido”.

Tal pai, tal filhos, o de sangue e o de espírito, Paulo Henrique e Aécio.

Num mundo menos imperfeito, Aécio estaria agora fazendo as malas rumo à Papuda ou a algum outro destino do mesmo gênero.

FHC tem as pregorrativas da idade avançada, como Sarney. Para ele, uma tornozeleira seria suficiente, desde, repito, com um mecanismo que lhe desse um choque a cada vez que, demagogicamente, pronunciasse a palavra corrupção.

Paulo Nogueira
No DCM
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Temer e Cunha sabem onde estava Tia Eron e quanto custou o sumiço

Eles
O novo capítulo da tragicomédia do golpe é a ausência de uma deputada do baixo clero no processo do Conselho de Ética da Câmara que julga a cassação de Eduardo Cunha.

A baiana Tia Eron, do PRB, famosa pelo discurso a favor do impeachment (“Eu sou a voz da mulher negra e da mulher nordestina, eu sou a voz do presidente nacional Marcos Pereira” etc), simplesmente sumiu.

Depois de mais de quatro horas, faltando apenas oito líderes partidários, a votação foi adiada para o dia seguinte.

Eronildes Vasconcelos Carvalho tem o voto decisivo sobre o processo. Se ela optar pela decência, o placar aponta 10 a 10, com o voto de minerva do presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo, que já sinalizou que quer ver Cunha pelas costas.

Mas, se há algo com que Tia Eron e seus amigos da tropa de choque de Cunha não se importam é com a decência.

Sua voz, como ela mesma admitiu, é a do presidente do partido, atual ministro do Desenvolvimento e bispo licenciado da Universal.

E com quem estava ele na noite de segunda? Com Michel Temer, num encontro marcado às pressas.

Alessandro Molon chamou atenção para a “coincidência”. “Fiquei muito preocupado com essa notícia da reunião do presidente interino Michel Temer com o presidente do PRB. Pode não ser nada, mas é muito ruim para um governo que abriga tantos aliados do deputado Eduardo Cunha uma reunião dessas”, disse.

O forfait de Tia Eron virou, inevitavelmente, piada. Parlamentares levantaram a suspeita de que ela havia sido abduzida.

Mas só a consciência e a vergonha foram raptadas. Quem votaria em seu lugar é Carlos Marun (PMDB-MS), pró-Eduardo Cunha. Marun já estava de prontidão.

De acordo com o Estadão, Tia Eron acompanhava a sessão pela TV de uma sala do PRB na Casa. Estava sozinha e comia frutas. Queria “evitar o assédio”, segundo interlocutores.

Depois do anúncio do adiamento da sessão, deu as caras para alegar que estava estudando o relatório. “Saiu hoje, você não viu? Você não acha justo?”, perguntou a repórteres.

Temer e Cunha dependem desse tipo de chantagista. O preço dela sobe de um dia para o outro. Quem paga, seja qual for o resultado, é você.

Kiko Nogueira
No DCM
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Parente e Maria Silvia são réus em ação que cobra prejuízo de R$ 5 bi à Petrobras

Recém-nomeados novos presidentes da Petrobras e do BNDES compõem o complicado time do alto escalão do governo interino com "esqueletos" no armário de escândalos do passado

Operações com companhias argentina resultaram em prejuizo maior que o de Pasadena. Parente e Maria Silvia
integravam conselho
O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, tem pelo menos um esqueleto no armário do "petrolão" tucano ainda escondido. É réu em ação popular civil desde 2001, em plena era FHC, junto com vários outros diretores e conselheiros da Petrobras, entre eles a nova presidenta do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques.

Mas, mesmo sendo réu e aguardando julgamento pela Ação Popular Nº 2001.71.12.002583-5 (leia abaixo), foi escolhido pelo governo interino de Michel Temer para presidir a empresa a maior e mais importante empresa pública do país.

A ação, que corre na 2ª Vara Federal de Canoas (RS), do Tribunal Regional Federal da 4ª região, foi movida por petroleiros contra um mau negócio feito pela Petrobras, quando a empresa trocou ativos desvalorizados da multinacional Repsol-YPF na Argentina por ativos brasileiros valorizados. A operação causou um prejuízo — oficialmente registrado no balanço de 2001 — de R$ 790 milhões da subsidiária criada para realizar o negócio, conforme já abordamos aqui na Rede Brasil Atual. Corrigido para valores de hoje, esse prejuízo atinge a casa dos R$ 2,3 bilhões.

O valor da causa na ação popular é de R$ 5 bilhões e são réus, além de Pedro Parente e Maria Silvia, José Jorge de Vasconcelos Lima (ex-senador pelo PFL, ex-ministro de FHC, ex-ministro do TCU — ironicamente relator do caso Pasadena), Delcídio do Amaral (ex-diretor da Petrobras no governo FHC, ex-senador pelo PT), Henri Philippe Reichtsul, Luiz Antônio Correa Nunes Viana de Oliveira, Hildo Francisco Henz, Moacir Megiolaro, Hamilton Romanato Ribeiro, Roberto Nagão, Peter Brenner, Albano de Souza Gonçalves, Jorge Marques Toledo de Carmargo, José Coutinho Barbosa, Ronnie Vaz Moreira, Francisco Roberto Andre Gross, Gerald Dinu Reiss, Jaime Rotstein, Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena. Além das pessoas jurídicas envolvidas.

À época do negócio, Pedro Parente era ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso e compunha o Conselho de Administração da Petrobras. Conselheiros nem sempre podem ser responsabilizados, pois decidem de acordo com o plano de investimento, pareceres e com recomendações da diretoria executiva. O problema desse negócio é que nem leigos trocariam o risco menor no Brasil pelo risco maior na Argentina naquele ano de 2001, quando o país vizinho vivia uma profunda crise cambial, com moratória e fuga de capitais. O prejuízo era anunciado para qualquer um que lesse o noticiário econômico, e pouco meses depois estava consumado no balanço.

O negócio ficou tão mal explicado que o TRF-4 pediu à Petrobras uma perícia para avaliar os ativos trocados. Os réus recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para não ter de apresentar a perícia requerida. Depois de cinco anos de tramitação, só do recurso, este foi julgado e negado. A sentença determinando a realização de perícia finalmente foi publicada no último dia 15 de fevereiro.

Em março de 2002, ao mesmo tempo em que o balanço registrava o prejuízo na Argentina, Parente foi promovido a presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E outro negócio ruinoso foi feito no país vizinho. Foi a compra da Perez Companc, alvo de pelo menos duas delações premiadas na operação Lava Jato. Ainda em março de 2014, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse: “Essa compra foi tão desastrada quanto a compra (da refinaria) de Pasadena (Estados Unidos)”. Na verdade, foi muito pior.

O ambiente econômico na Argentina tinha se deteriorado mais ainda em 2002 e o próprio mercado financeiro reprovou a compra na época, fazendo as ações da Petrobras caírem 7% na Bolsa de Valores. No caso de Pasadena, não houve reação negativa do mercado. O negócio foi considerado normal na época e somente anos depois veio a trazer prejuízos por causa de disputas judiciais e da crise do subprime nos Estados Unidos, a partir de 2008.

Mas o mais grave foi a recente delação de Nestor Cerveró. Segundo ele, o negócio rendeu US$ 100 milhões (cerca de R$ 360 milhões) em propinas para integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Se a presidenta Dilma Rousseff, por ser presidenta do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra de Pasadena, teve de provar sua inocência exibindo os documentos que omitiram informações, por que Pedro Parente não deve ser cobrado a fazer o mesmo no caso da compra da Perez Companc, se ocupava cargo similar?

Assim, Parente e Maria Sílvia Bastos são mais dois que engrossam o complicado time de nomeados por Michel Temer com processos na Justiça e esqueletos no armário de escândalos do passado.


Helena Sthephanowitz
No RBA
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11 filmes geniais sobre Manipulação Midiática

Esses filmes são verdadeiras obras-primas conscientizadoras sobre a máquina manipulativa que são as mídias, eles mostram de forma crua e bastante didática o poder de persuasão delas sobre as massas. Em vários países as mídias derrubam governos, formam opiniões, ditam modas, criam ídolos, símbolos e mitos. Vemos o seu poder manipulativo principalmente em países onde o índice educacional é baixo, onde governos trabalham em prol da corrupção e onde as grandes mídias são economicamente dependentes do governo, tipo no Brasil por exemplo.

O que mais chama a atenção nesses filmes é como o sensacionalismo pode ser algo assustadoramente chamativo, como essas mídias se aproveitam de artifícios baixos em busca de altas audiências, e de como estruturas sociais e vidas pessoais são destruídas no processo.

Esses filmes são magníficos, são aulas de como se prevenir contra as artimanhas midiáticas para te tornar num espectador em transe, acreditando piamente em tudo que é mostrado nessas mídias.

Sei que muitos irão me cobrar o porque de não ter colocado o filme Muito Além do Cidadão Kane que enfatiza e denuncia brilhantemente o poder de manipulação da rede Globo nas sociedades brasileiras. Mas esse filme além de ser genial, muitos já o conhecem. Ele ficaria aqui nesta lista somente como uma menção honrosa.

Os filmes estão dispostos em ordem cronológica.

11 — A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, 1951) de Billy Wilder/ Gênero: Drama, Film-Noir/ País: EUA


Sinopse: Albuquerque, Novo México. O repórter veterano Charles Tatum (Kirk Douglas) foi despedido de 11 jornais, por 11 razões diversas. Ele está sem dinheiro, então pede a Jacob Q. Boot (Porter Hall), o dono do jornal local, que lhe dê um emprego e consegue. Seu plano era trabalhar ali no máximo dois meses, mas após um ano não surgiu nenhuma boa oportunidade nem aconteceu nada bem interessante que rendesse uma boa matéria. Tatum sente-se totalmente entediado e sem motivação, então recebe ordem para cobrir uma corrida de cascavéis. Aparentemente seria outra matéria sem o menor atrativo, mas ruma para o local acompanhado por Herbie Cook (Robert Arthur), um misto de auxiliar, motorista e fotógrafo. No meio do caminho param para abastecer o carro e Tatum acaba descobrindo que Leo Minosa (Richard Benedict) ficou preso em uma mina quando procurava por “relíquias indígenas”. Tatum sente que esta reportagem pode ser a chance que ele esperava, mas para isto precisa ter controle da situação. Ele transforma o resgate de Leo em um assunto nacional, atraindo milhares de curiosos, cinegrafistas de noticiários e comentaristas de rádio, além de forçar Lorraine (Jan Sterling), a mulher de Leo, a se fazer passar como uma esposa arrasada. Na verdade ela ia abandonar Leo neste trágico momento, mas Tatum a fez ver que ela iria ganhar um bom dinheiro na sua lanchonete quando as pessoas chegassem para ver o acontecia. Para prolongar o circo Tatum reduz deliberadamente a velocidade do resgate de Leo, pois o ideal é que ele fique preso por seis dias e não apenas por algumas horas.

10 — A Embriaguez do Sucesso (Sweet Smell of Success, 1957) de Alexander Mackendrick/ Gênero: Drama, Film-Noir/ País: EUA

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Sinopse: Descontente com o relacionamento de sua irmã, que está prestes a se casar com o músico de jazz Steve Dallas, J.J. Hunsecker, o maior e mais temido colunista de um jornal de Nova York, contrata um relações públicas sem escrúpulos para acabar com a relação do casal.

09 — Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd, 1957) de Elia Kazan/ Gênero: Drama/ País: EUA

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Sinopse: Descoberto por Marcia Jeffires, Larry Rhodes se transforma numa estrela da TV. O sucesso lhe dá mais poder, o que irá lhe corromper até destruir sua vida.

08 — O Monstro Na Primeira Página (Sbatti il mostro in prima pagina, 1972) de Marco Bellocchio/ Gênero: Drama/ País: França, Itália

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Sinopse: Um jornal italiano de direita, comandado pelo editor-chefe Bizanti (Gian Maria Volonté), busca manipular a opinião pública em torno de um caso de assassinato. Uma menina rica foi morta na periferia de Milão e um jovem proletário de esquerda é acusado. As manchetes da primeira página não buscam a solução do crime, mas a vitória num complexo jogo político que mira as eleições do final do ano.

07 — Um Dia de Cão (A Dog Day Afternoon, 1975) de Sidney Lumet/ Gênero: Drama, Policial/ País: EUA

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Sinopse: Baseado numa história real, Al Pacino brilha no papel de Sonny Wortzik, um ladrão que resolve assaltar um banco num dia de calor escaldante em Nova York. As coisas não correm exatamente como ele planejou e, em pouco tempo, o banco está cercado pela polícia e por um gigantesco circo de mídia – daí em diante, tudo só se complica. Enquanto tudo se desenrola a multidão apóia e aplaude as declarações de Sonny e fica contrária ao comportamento da polícia.

06 — Rede de Intrigas (Network, 1976) de Sidney Lumet/ Gênero: Drama/ País: EUA

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Sinopse: Apresentador de noticiário recebe a notícia de que está demitido em razão dos seus baixos índices de audiência. Um dia, com o programa no ar, comunica a sua saída da emissora e avisa que se matará na próxima semana, quando o programa estiver no ar. É imediatamente afastado, mas o público pede a sua volta e como a rede estava com problemas de audiência resolve lançá-lo. A partir de então ele passa a encarnar o profeta louco, mas mesmo tendo um comportamento insano a recepção do público é altamente positiva. No entanto, as pessoas responsáveis pela sua ascensão agora querem detê-lo.

05 — Quiz Show: A Verdade dos Bastidores (Quiz Show, 1994) de Robert Redford/ Gênero: Drama/ País: EUA

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Sinopse: Programa de perguntas e respostas na TV, nos anos 1950, é investigado e se descobre que, visando a audiência, produtores passam a dar as respostas a um jovem de família rica, que passa a ganhar de um rapaz judeu muito mais inteligente.

04 — O Quarto Poder (Mad City, 1997) de Costa-Gavras/ Gênero: Drama, Policial/ País: EUA

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Sinopse: Em Madeline, Califórnia, um repórter de televisão (Dustin Hoffman) que está em baixa, mas já foi um profissional respeitado de uma grande rede, está fazendo uma cobertura sem importância em um museu de história natural quando testemunha um segurança demitido (John Travolta) pedir seu emprego de volta e, não sendo atendido, ameaçar a diretora da instituição com uma espingarda. Ele nada faz com ela, mas acidentalmente fere com um disparo acidental um antigo colega de trabalho. O repórter, de dentro do museu, consegue se comunicar com uma estagiária que está em uma caminhonete nas proximidades, antes de ser descoberto pelo ex-segurança, que agora fez vários reféns, inclusive um grupo de crianças que visitavam o museu. Em pouco tempo um pedido de emprego e um tiro acidental se propagam de forma geométrica, atraindo a atenção de todo o país. O repórter convence ao segurança que este lhe dê uma matéria exclusiva e promete em troca comover a opinião pública com a triste história do guarda desempregado. É a sua chance de se projetar e voltar para Nova York, mas nem tudo acontece como o planejado. Os fatos são manipulados pela imprensa e tudo sai do controle, pois apenas altos salários e índices de audiência contam e a verdade não é tão importante assim.

03 — Mera Coincidência (Wag the Dog, 1997) de Barry Levinson/ Gênero: Comédia, Drama

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Sinopse: O presidente dos Estados Unidos (Michael Belson), a poucos dias antes da eleição, se vê envolvido em um escândalo sexual e, diante deste quadro, não vê muita chance de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores entra em contato com um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para que este “invente” uma guerra na Albânia, na qual o presidente poderia ajudar a terminar, além de desviar a atenção pública para outro fato bem mais apropriado para interesses eleitoreiros.

02 — A Ditadura Perfeita (La dictadura perfecta, 2014) de Luis Estrada/ Gênero: Drama/ País: México

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Sinopse: “La Dictadura Perfecta” conta a história de um governador egocêntrico que busca a cadeira presidencial e de como ele utiliza a televisão para distrair a opinião pública dos grandes problemas do país.

01 — O Abutre (Nightcrawler, 2014) de Dan Gilroy/ Gênero: Drama, Thriller/ País: EUA

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Sinopse: Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um jovem determinado e desesperado por trabalho que descobre o mundo em alta velocidade do jornalismo sensacionalista em Los Angeles. Ao encontrar equipes de filmagem freelances à caça de acidentes, incêndios, assassinatos e outras desgraças, Lou entra no reino perigoso e predatório dos nightcrawlings – as minhocas que só saem da terra à noite.

No Cinema e Fúria
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Não basta prender e cassar Cunha: é imperioso devolver a Dilma o que lhe foi tirado por uma conspiração de ladrões

Almas gêmeas
Não basta prender e cassar Cunha: é imperioso devolver a Dilma o que lhe foi tirado por uma conspiração de ladrões liderada pelo rei do cangaço da política nacional.

Isso não deve sair das vistas dos brasileiros neste momento em que fica ainda mais aguda a crise política e moral nacional.

O impeachment é Cunha. É tão viciado, tão canalha, tão desonesto, tão mentiroso quanto Cunha.

Suprimir Cunha, mas manter sua obra magna no campo do gangsterismo, o impeachment, é uma insanidade. É fazer uma obra vital apenas pela metade. É promover somente 50% de justiça num caso que clama 100% ou mais.

Cunha é o símbolo supremo de um sistema político putrefato. Foi eleito pelo dinheiro da plutocracia e fez do Congresso um meio de se tornar abjetamente rico.

Importante lembrar: não fossem as autoridades suíças, que deram de bandeja às brasileiras as provas de contas milionárias de Cunha no exterior, ele seguiria impune. A plutocracia protege os seus: Cunha durante trinta anos foi blindado pela mídia.

E Cunha não é só Cunha. Como foi dito numa das conversas gravadas por Machado, “Temer é Cunha”. São almas gêmeas. Várias coisas os unem. Por exemplo, a Libra, empresa de logística que opera no porto de Santos.

A Libra colocou 591 mil reais na conta da senhora Cunha. Foi doadora expressiva de Temer. E aliados de Temer concederam uma mamata inédita para a Libra: renovaram sua concessão no porto de Santos mesmo com as dívidas da empresa com a União.

Cunha é o impeachment e é Temer.

Tudo isso posto, repito: será um serviço incompleto, miseravelmente incompleto, cassar e prender Cunha sem reparar o mal maior que ele produziu: o afastamento de Dilma e a incineração de 54 millhões de votos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Janot pegou quatro do PMDB, o time do Governo



Hoje, Janot pediu cadeia para o Sarney, Renan, Eduardo Cunha e também para o Romero "essa porra" Jucá. E o que esses quatro têm em comum?

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Redação da Istoé pode parar por falta de pagamento

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/06/07/redacao-da-istoe-pode-parar-por-falta-de-pagamento/

delcidio

Não está fácil a situação dos jornalistas da Istoé. Eles já pensam em paralisar as atividades como forma de pressionar a Editora Três a regularizar as condições oferecidas aos funcionários. Segundo o blogue apurou, são cerca de 80 profissionais na empresa, responsável também por outros veículos, como as revistas Planeta, Motor Show e Menu. Desse total, apenas 10% possuem carteira assinada.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) já processou a editora três vezes no último ano, mas as irregularidades persistem. Em dezembro, foi feita uma negociação para o pagamento do 13º salário daqueles que atuam como pessoa jurídica. O prazo venceu em maio e a empresa, mais uma vez, adiou o acerto de contas alegando falta de verba.

O curioso dessa história toda é que a editora comemorou o impeachment e chegou a anunciar que isso resolveria seus problemas econômicos. Mas, com toda essa confusão, é possível que a revista Istoé chegue atrasada ou sequer chegue às bancas nessa semana.
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Como duas pesquisadoras estão derrubando clichês sobre a política no Brasil

Nara Pavão e Natália Bueno: pesquisadoras questionam chavões da política no Brasil
O brasileiro é racista e privilegia candidatos brancos ao votar. Políticos corruptos se mantêm no poder porque o eleitor é ignorante. Quem recebe Bolsa Família é conivente com o governo. ONGs são um ralo de dinheiro público no Brasil. Será?

A julgar pelos estudos de duas jovens pesquisadoras brasileiras em ciência política, não.

Natália Bueno e Nara Pavão, ambas de 32 anos, se destacam no meio acadêmico no exterior com pesquisas robustas que desmistificam chavões da política brasileira que alimentam debates em redes sociais e discussões de botequim.

Natural de Belo Horizonte (MG), Natália faz doutorado em Yale (EUA), uma das principais universidades do mundo. Em pouco mais de oito anos de carreira, acumula 13 distinções acadêmicas, entre prêmios e bolsas.

A pernambucana Nara é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Vanderbilt (EUA). Soma um doutorado (Notre Dame, EUA), dois mestrados em ciência política (Notre Dame e USP), 16 distinções.

Em comum, além da amizade e da paixão pela ciência política, está o interesse das duas em passar a limpo "verdades absolutas" sobre corrupção, comportamento do eleitor e políticas públicas no Brasil.

Eleitor é racista?

O Brasil é um país de desigualdades raciais — no mercado de trabalho, no acesso à educação e à saúde. Atraída pelo tema desde a graduação, Natália Bueno verificou se isso ocorre também na representação política.

O primeiro passo foi confirmar o que o senso comum já sugeria: há, proporcionalmente, mais brancos eleitos do que na população, e os negros são subrepresentados. Por exemplo, embora 45% da população brasileira (segundo o IBGE) se declare branca, na Câmara dos Deputados esse índice é de 80%.

E como a diferença foi mínima na comparação entre população e o grupo dos candidatos que não se elegeram, a conclusão mais rasteira seria: o brasileiro é racista e privilegia brancos ao votar.
politica
Abertura dos trabalhos no Congresso em 2016; pesquisa investigou desigualdade racial na política nacional
Para tentar verificar essa questão de forma científica, Natália montou um megaexperimento em parceria com Thad Dunning, da Universidade da Califórnia (Berkeley). Selecionou oito atores (quatro brancos e quatro negros), que gravaram um trecho semelhante ao horário eleitoral. Expôs 1.200 pessoas a essas mensagens, que só variavam no quesito raça.

Resultado: candidatos brancos não tiveram melhor avaliação nem respondentes privilegiaram concorrentes da própria raça nas escolhas.

Mas se a discrepância entre população e eleitos é real, onde está a resposta? No dinheiro, concluiu Natália - ela descobriu que candidatos brancos são mais ricos e recebem fatia maior da verba pública distribuída por partidos e também das doações privadas.

A diferença média de patrimônio entre políticos brancos (em nível federal, estadual e local) e não brancos foi de R$ 690 mil. E em outra prova do poder do bolso nas urnas, vencedores registraram R$ 650 mil a mais em patrimônio pessoal do que os perdedores.

Políticos brancos também receberam, em média, R$ 369 mil a mais em contribuições de campanha do que não brancos. A análise incluiu dados das eleições de 2008, 2010 e 2014.

"Se a discriminação tem um papel (na desigualdade racial na representação política), ela passa principalmente pelas inequidades de renda e riqueza entre brancos e negros que afetam a habilidade dos candidatos negros de financiar suas campanhas", diz.

Corruptos estão no poder por que o eleitor é ignorante?

A corrupção é um tema central no debate político atual no Brasil. E se tantos brasileiros percebem a corrupção como problema (98% da população pensa assim, segundo pesquisa de 2014), porque tantos políticos corruptos continuam no poder?

A partir de dados de diferentes pesquisas de opinião — entre elas, dois levantamentos nacionais, com 2 mil e 1,5 mil entrevistados —, a recifense Nara Pavão foi buscar respostas para além do que a ciência política já discutiu sobre o tema.
politica
Ato contra corrupção no Congresso em 2011; estudo investiga por que corruptos se mantêm no poder
Muitos estudos já mostraram que a falta de informação política é comum entre a população, e que o eleitor costuma fazer uma troca: ignora a corrupção quando, por exemplo, a economia vai bem.

"Mas para mim a questão não é apenas se o eleitor possui ou não informação sobre políticos corruptos, mas, sim, o que ele vai decidir fazer com essa informação e como essa informação vai afetar a decisão do voto", afirma a cientista política.

A pesquisa de Nara identificou um fator chave a perpetuar corruptos no poder: o chamado cinismo político — quando a corrupção é recorrente, ela passa ser vista pelo eleitor como um fator constante, e se torna inútil como critério de diferenciação entre candidatos.

Consequência: o principal fator que torna os eleitores brasileiros tolerantes à corrupção é a crença de que a corrupção é generalizada.

"Se você acha que todos os políticos são incapazes de lidar com a corrupção, a corrupção se torna um elemento vazio para você na escolha do voto", afirma Nara, para quem o Brasil está preso numa espécie de armadilha da corrupção: quão maior é a percepção do problema, menos as eleições servem para resolvê-lo.

Quem recebe Bolsa Família não critica o governo?

O programa Bolsa Família beneficia quase 50 milhões de pessoas e é uma das principais bandeiras das gestões do PT no Planalto. Até por isso, sempre foi vitrine — e também vidraça — do petismo.

Uma das críticas recorrentes pressupõe que o programa, para usar a linguagem da economia política, altera os incentivos que eleitores têm para criticar o governo.

Famílias beneficiadas não se preocupariam, por exemplo, em punir um mau desempenho econômico ou a corrupção, importando-se apenas com o auxílio no começo do mês.
politica
Material de campanha em dia de votação em São Paulo em 2012; receber benefícios do governo não implica
em conivência com Poder Público, conclui estudo
Deste modo, governos que mantivessem programas massivos de transferência de renda estariam blindados contra eventuais performances medíocres. Seria, nesse sentido, um arranjo clientelista — troca de bens (dinheiro ou outra coisa) por voto.

Um estudo de Nara analisou dados do Brasil e de 15 países da América Latina que possuem programas como o Bolsa Família e não encontrou provas de que isso seja verdade.

"Em geral, o peso eleitoral atribuído à performance econômica e à corrupção do governo é relativamente igual entre aqueles que recebem transferências de renda e aqueles que não recebem", afirma.

A conclusão é que, embora esses programas proporcionem retornos eleitorais para os governantes de plantão, eles não representam — desde que sigam regras rígidas — incentivo para eleitores ignorarem aspectos ddo desempenho do governo.

ONGs são ralo de dinheiro público?

Organizações de sociedade civil funcionam como um importante instrumento para o Estado fornecer, por meio de parcerias e convênios, serviços à população.

Diferentes governos (federal, estaduais e municipais) transferem recursos a essas entidades para executar programas diversos, de construção de cisternas e atividades culturais.

Apenas em nível federal, essas transferências quase dobraram no período 1999-2010: de RS$ 2,2 bilhões para R$ 4,1 bilhões.
ONGs
Cisterna em Quixadá (CE), em serviço que costuma ser delegado a organizações civis; pesquisadora estudou
distribuição de recursos públicos para essas entidades
Esse protagonismo enseja questionamentos sobre a integridade dessas parcerias — não seriam apenas um meio de canalizar dinheiro público para as mãos de ONGs simpáticas aos governos de plantão?

Com o papel dessas organizações entre seus principais de interesses de pesquisa, Natália Bueno mergulhou no tema. Unindo métodos quantitativos e qualitativos, analisou extensas bases de dados, visitou organizações e construiu modelos estatísticos.

Concluiu que o governo federal (ao menos no período analisado, de 2003 a 2011) faz, sim, uma distribuição estratégica desses recursos, de olho na disputa política.

"A pesquisa sugere que governos transferem recursos para entidades para evitar que prefeitos de oposição tenham acesso a repasses de recursos federais. Outros fatores, como implementação de políticas públicas para as quais as organizações tem expertise e capacidade únicas, também tem um papel importante."

Ela não encontrou provas, porém, de eventual corrupção ou clientelismo por trás desses critérios de escolha — o uso das ONGs seria principalmente parte de uma estratégia político — eleitoral, e não um meio de enriquecimento ilícito.

"Esse tipo de distribuição estratégica de recursos é próprio da política e encontramos padrões de distribuição semelhantes em outros países, como EUA, Argentina e México", diz Natália.

Corrupção é difícil de verificar, mas a pesquisadora usou a seguinte estratégia: comparou ONGs presentes em cidades com disputas eleitorais apertadas, checou a proporção delas no cadastro de entidades impedidas de fechar parcerias com a União e fez uma busca sistemática por notícias e denúncias públicas de corrupção.

De 281 ONGs analisadas, 10% estavam no cadastro de impedidas, e apenas uma por suspeita de corrupção.

Thiago Guimarães
No BBC Brasil em Londres
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Lula continua afiado: "Das panelas dos coxinhas saiu o golpista Temer"

Na presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de centenas de representantes de sindicatos, movimentos sociais e populares, um ato em defesa das empresas públicas realizado na noite desta segunda-feira (6) na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio de Janeiro, reafirmou a disposição de resistir ao prosseguimento do governo interino de Michel Temer.

Lula participou de ato que lançou campanha de valorização das empresas públicas, contra o desmonte do Estado e privatizações
Com palavras de ordem como "ocupar e resistir, até o Temer cair", o ato de lançamento da campanha "Se é Público é Para Todos" alertou para a necessidade de impedir os retrocessos que a equipe em exercício no poder central já começa a implementar em empresas e políticas públicas e também nas conquistas sociais obtidas nos últimos 13 anos. O ato fez também um chamamento para o "dia nacional de lutas contra o golpe", programado para a próxima sexta-feira (10).

Lula convocou todos à luta política e afirmou que tanto ele quanto a presidenta afastada, Dilma Rousseff, intensificarão suas agendas pelo Brasil nos próximos dias: "Que eles não pensem que vão destruir aquilo que nós construímos. O Temer acaba de dar um golpe não apenas na Dilma, mas na decisão tomada pelo Senado, que apenas o colocou como presidente interino. Ele não tinha o direito de fazer o que fez. Cortou até o almoço da Dilma. Vamos comer marmitex, se for o caso, mas eles não vão impedir que a gente ande por esse país fazendo as denúncias que temos que fazer".

O ex-presidente disse que "o povo não pode baixar a cabeça" nem permitir que o Brasil dê um passo atrás em seu amadurecimento político. "Até a gente chegar ao governo, foi muito tempo. Muita gente morreu antes de nós, muita gente foi torturada antes de nós", disse. Agora, segundo Lula, chegou a vez de os setores populares e democráticos ocuparem as ruas: "Haverá sempre nesse país mais gente de cabeça erguida do que coxinha. Os coxinhas agora estão com vergonha porque eles foram para a rua bater panela, mas o que caiu da panela não foi um risoto, foi o Temer. Eles sabem que o ministério que está montado é o ministério do Eduardo Cunha", disse.

Em um discurso no qual listou várias políticas bem-sucedidas — como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Prouni, Pronatec, Fies e Luz Para Todos, entre outros — Lula também fez uma autocrítica. "Conseguimos provar que esse país pode ser diferente, mas sei que não fizemos tudo, sei que estamos em dívida com a sociedade brasileira. A Dilma cometeu equívocos, e nós queremos que ela volte exatamente para corrigir os erros que nós cometemos e para nós fazermos as coisas bem-feitas neste país.".

Aclamado pela plateia como futuro candidato à Presidência, Lula afirmou que "é muito cedo para discutir 2018" e disse que "tem muita gente boa e jovem" que pode ser candidato. Em um dado momento, no entanto, pareceu admitir a possibilidade: "Estão me acusando de tudo quanto é nome, divulgado meus telefonemas e as bobagens que eu falo, como se eles não falassem as mesmas bobagens. É medo de eu voltar", disse, para delírio do público.

Coisa pública

No ato organizado pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Lula defendeu a participação do Estado na condução de políticas de inclusão social: "Somente o Estado é capaz de levar na casa do pobre aquilo que o rico nunca levou nem nunca vai levar. Somente o Estado democrático pode fazer justiça nesse país, um Estado que ouve e conversa com a população e é capaz de compartilhar as decisões com o povo", disse. Segundo o ex-presidente, ainda há muito terreno para se conquistar: "Fizemos a maior revolução social do mundo sem dar um único tiro, sem matar uma única pessoa, apenas estendendo ao pobre desse país o direito a ter uma migalha daquilo que é o resultado do que ele produziu".

Lula disse que os governos petistas apostaram na criação de um "serviço público de qualidade para todos os 204 milhões de brasileiros", e citou como exemplo de uma política de inclusão levada a cabo pelas instituições financeiras o crédito consignado: "Isso permitiu, em pouco menos de cinco anos, colocar R$ 200 milhões na mão do povo pobre", disse, antes de apontar outras mudanças: "O Banco do Brasil não sabia atender o produtor rural, e nós educamos o BB para atender o produtor com o pé no chão, aquele que anda de sandália, com a unha preta cheia de terra. Saímos de R$ 2 bilhões de financiamento ao setor para R$ 30 bilhões no ano passado. O BNDES só tinha R$ 30 bilhões para financiar o desenvolvimento desse país, e nós chegamos a mais de R$ 200 bilhões em financiamento. A Caixa financiou o Minha Casa Minha Vida".

No centro da crise política que culminou com o afastamento de Dilma, a Petrobras também foi citada: "Quando eu cheguei ao governo, a Petrobras era uma empresa desacreditada, não investia em pesquisa, nós só tínhamos petróleo para mais 30 anos. O maior orgulho da minha vida como presidente da República, como cidadão brasileiro, foi a descoberta do pré-sal. Decidimos que o pré-sal seria o passaporte para o futuro desse país, por isso criamos o sistema de partilha, falamos que o petróleo é do povo brasileiro e será usado para garantir o futuro do país, investir na educação para tirar um atraso de cinco séculos, investir em ciência e tecnologia. Eu me orgulho de ter sido o presidente que mais investiu na recuperação da indústria naval".

Segundo Lula, o sucesso da empresa incomodou os setores da sociedade que preferem manter o Brasil submisso ao interesse das grandes potências econômicas. "A elite nunca aceitou a Petrobras, desde o tempo de Monteiro Lobato. Assim que nós descobrimos o pré-sal, os americanos criaram a 4ª Frota para vigiar o Oceano Atlântico. É preciso que a gente tenha claro que os interesses contra nós são muitos, porque nós temos 12% da água doce, a maior floresta do planeta terra. Tudo isso incomoda", afirmou.

Ao voltar ao poder após o golpe, a direita brasileira, disse Lula, tentará voltar a aplicar o receituário que governou o Brasil até o governo de Fernando Henrique Cardoso. "A elite brasileira, incompetente para governar esse país, achava que tudo iria se resolver se vendessem as empresas e desobrigassem os governantes de governar. Venderam nossas empresas, criaram agências reguladoras. Eu queria provar que o país pode dar certo, acabar com a história de o pobre é o problema. Para isso era necessário ter instituições fortes."

Participam do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas as centrais sindicais CUT, CTB, UGT, CSP-Conlutas, Intersindical e Nova Central, além da Fenae (federação dos empregados da Caixa), da FUP e Contraf (confederação dos bancários da CUT).


No Vermelho | RBA
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Temer, Globo e a fábrica de ciladas

Vivemos nesses últimos dias a aceleração da indústria do boato para apressar a votação no Senado antes da desmoralização completa do governo Temer. Alguns senadores já começaram a dar sinais de impaciência, se isso é indignação verdadeira ou só uma pressão oportunista para descolar um agrado, ainda não está claro. Mas, para evitar um final infeliz, planta-se nas redes um frisson artificial, uma espécie de linchamento digital de Dilma, exatamente como se fez com Lula algum tempo atrás. Toda essa aceleração é ditada por Temer e pela Rede Globo.

No caso de Lula, quando foi nomeado para o ministério, a Globo mobilizou num instante o lacaio FHC que, durante um evento de agências de seguro, talvez ligadas a grandes bancos, em São Paulo, usou todos os adjetivos para avacalhar a imagem de Lula. Foi a senha para que outros, como Gilmar Mendes, viessem à ribalta cuspir também seus impropérios. Para alcançar o efeito desejado, FHC desceu fundo no vocabulário mais ofensivo, recuperando expressões que eram usados durante a Ditadura, quando se dizia que Lula era analfabeto:

"Tem que ter cabeça nova, não é só ser político, é preciso conhecimento. Conhecimento é fundamental. Você não pode dirigir esse país sendo analfabeto. Não dá”.

Sentindo-se respaldado, e livre para voar, Gilmar Mendes quis apontar crime tipificado no Código Penal, ou seja, coisa de bandido comum, na nomeação de Lula:

“O que ressai é a impressão de que pode ter ocorrido mesmo não um crime de responsabilidade, mas um crime do código penal, que é o crime de falsidade, a possibilidade de que pode ter havido de fato a declaração falsa de posse do presidente Lula”.

Veja-se que, como um tique nervoso, ou um gesto compulsivo de um psicopata, as acusações dirigidas a Lula e Dilma, têm sempre em mira produzir um desgaste que deve rebaixar e execrar. Ou seja, é uma tara de depredar a imagem e o valor.

Nesses últimos dias, com o andamento do golpe começando a engasgar, com a natureza decrépita do governo Temer se fazendo visível, e o grau de corrosão interna do seu plantel de ministros começando a assustar, Temer usa a batuta de maestro para, como se diz em música, passar ao presto, senão ao prestíssimo, ou seja, à maior velocidade. Começa então o jogo do linchamento público para instilar ódio na opinião pública. O portal do G1 passou os últimos dias, em frenética exposição de manchetes que serviam a esse martírio humilhante da imagem de Dilma.

O jornal O Globo, da sexta-feira, plantou a mentira estapafúrdia, pelas mãos de Merval Pereira, sobre gastos pessoais de Dilma com dinheiro da Petrobras, coisa tão ridícula que pouco foi levada a sério. Nem era para ser, porque o que interessava era apenas degradar a imagem, nada além disso:


Esta maquinação de O Globo tinha o objetivo de condensar-se com outra, que vinha desde a quinta-feira sendo esquentada, que era o “corte de comida” (veja o nível) para o Palácio Alvorada. No UOL, a matéria apareceu assim hoje:


O conteúdo da matéria sobre o caso deixa claro seu caráter de manobra vulgar engendrada para produzir o efeito de aniquilação moral:

“Sem pão… só água Dilma Rousseff e auxiliares ficaram os últimos dias sem dinheiro para comprar comida para o Alvorada. O chamado ‘cartão de suprimento” foi cortado pela equipe de Temer na quarta (1º). (...) O Planalto informou na noite de sexta que Dilma já estava liberada para compras.”

Ontem (04/05) o cerco foi mantido o dia inteiro no G1, batendo nas mesmas teclas, e buscando o mesmo efeito:


A lógica da operação não é difícil de perceber. Transformar Dilma numa espécie de vilã em fim de novela, naquele momento em que a máscara cai e a casa cai também. “A fonte secou, a antiga fartura chegou ao fim, as benesses vão sendo retiradas uma a uma. A vilã sofre.” É esse mais ou menos o recado passado a uma opinião pública idiotizada. Na home do UOL:


O conteúdo propriamente dessas denúncias não merece sequer a mínima atenção. São supostos fatos, situações que humilham e inferiorizam, ou seja, o mais puro e cristalino assédio moral, que é mobilizado para desestabilizar a imagem na opinião pública e, fazendo isso, aumentar a sede de sangue dos lobos no Senado.

O que surpreende nisso tudo é que Dilma tenha uma assessoria tão pedestre, tão míope, que ao invés de transformar isso em piada, se afoba em responder, ou seja, em fazer marola. Isso causa uma certa depressão. Ao ver a qualidade desse tipo de reação, infelizmente, fica fácil entender porque Dilma chegou ao beco em que está.

A única lição importante de tudo isso é que o golpe, hoje, está atemorizado e temendo pela própria sorte. Não existe governo na história que, recém empossado, tenha adentrado no brejo da corrupção de forma tão veloz. Esse verme corrói o ministério de Temer de forma tão íntima que os enfermos vão caindo um a um. Com 14 dias úteis de governo, foram duas baixas. Um terceiro já está com febre alta. Como os antigos tuberculosos assintomáticos, os ministros, num dia estão saudáveis e serelepes, no outro, abotoam o paletó.

Antes que toda a turma tenha que ir para uma estação de repouso, como o jovem tuberculoso Hans Castorp, do romance a Montanha mágica, de Thomas Mann, ou, quem sabe, para uma temporada em instituição mais fechada, como o senhor Franz Biberkopf, em Berlim Alexanderplatz de Alfred Döblin, o recomendável é passar sebo nas canelas e correr contra o relógio.

Caso a assessoria de Dilm, modere a sua estultice, talvez o golpe venha a se perder numa das derrapagens das encruzilhadas quando o espaço, pela pressão do tempo, se torna muito propício a acidentes de percurso.

Bajonas Teixeira de Brito Júnior é doutor em filosofia da UFRJ, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES.
No Blog do Miro
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O esforço da grande mídia e do governo para silenciar os blogs


Os blogs políticos independentes, que não fazem parte de portais corporativos, são um mistério.

De que se alimentam, como vivem, onde moram?

O novo governo Temer, mesmo diante de problemas econômicos e sociais de terrível gravidade que o Brasil enfrenta, tem encontrado tempo, desde o primeiro dia, para adotar ações políticas contra os blogs.

Como convém a qualquer ditadura, é preciso silenciar a crítica!

E com o apoio cafajeste da grande mídia e de seus satélites na blogosfera conservadora, que vem publicando freneticamente editoriais e reportagens contra os famigerados blogs políticos de esquerda.

O foco deles, naturalmente, nem são todos os blogs, mas meia dúzia de blogs com mais audiência, que se especializaram em fazer a desconstrução da narrativa golpista da mídia.

É incrível a truculência reunida contra um punhado de blogueiros.

Gilmar Mendes, Ali Kamel, Lava Jato, governo Temer, Globo, Estadão, Veja, Folha, Antagonista: todos unidos contra meia dúzia de blogueiros.

Os valores apresentados como "denúncia exclusiva" do Antagonista atestam mais a sua pobreza do que qualquer outra coisa.

Para o Cafezinho, então, o valor (R$ 124 mil para todo 2016) chega a ser ridículo, se cotejado com a audiência do blog e com o que a mídia tradicional recebe (além de não terem sido pagos, o que dá essa história toda o aspecto de pastelão).

Quanto maior a audiência do blog, maior o seu custo, porque evidentemente é preciso fazer alguns investimentos para se manter altos índices de visitação: contratar um programador, ter um bom servidor, uma ou duas pessoas para gerir conteúdo, pagar um desenhista, um repórter freelance, etc.

Não se passou 24 horas para que o governo Temer, reagindo ao Antagonista, determinasse o "bloqueio" de valores que ainda não foram pagos aos blogs.

A informação do Estadão contradiz a denúncia do Antagonista: os tais valores mostrados com "exclusividade", se já eram pequenos, sequer serão pagos.

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A grande mídia e Temer parecem não ter consciência de quanto esse tipo de abordagem é fascista e atrasada. Nos EUA, blogs e jornais tem — invariavelmente — um posicionamento político transparente e aberto ao público. Ninguém é discriminado por conta disso.

Durante os governos Lula e Dilma, a grande mídia, "simpática ao PSDB", continuou a receber normalmente suas verbas de publicidade, na ordem dos bilhões e bilhões.

Blogs políticos de oposição recebiam recursos normalmente. Não havia discriminação. Lembro de alguns episódios até divertidos, como esse da imagem abaixo:

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Em 13 anos de governo, Globo, Veja, Folha, Estadão, e todos os seus respectivos blogueiros ultra-agressivos contra o PT, recebiam enormes somas de dinheiro.

Em três semanas de governo Temer, ele não apenas determina que não haverá mais contratos de publicidade entre o governo e blogs políticos, portais e revistas progressistas, como decide bloquear o pagamento de valores já contratados?

Coisa de ditadorzinho de republica bananeira!

Evidentemente, é uma postura ilegal.

Em primeiro lugar, os tais "R$ 8 milhões" da reportagem do Estadão é um número para fazer efeito, que junta sabe-se lá quantos sites e blogs.

Em segundo lugar, só por aí — pela exiguidade dos valores — se vê como a blogosfera jamais recebeu, mesmo nos governos Dilma ou Lula, tratamento especial do governo.

É evidente que eles vão conseguir, efetivamente, prejudicar os blogs.

Se o governo apenas se limitasse a cortar verbas de publicidade, tudo bem, mas os ataques políticos na mídia chapa-branca dificultam também que os blogs consigam recursos na publicidade privada, por causa da abordagem criminalizante que se faz do perfil político dos blogs.

Naturalmente, o anunciante privado ficará temeroso em anunciar em blogs e sofrer "retaliação" de uma mídia que, aparentemente, não tem compromisso nenhum com um aspecto vital da democracia: oferecer à população uma gama ideologicamente colorida de serviços de informação.

No caso do Cafezinho, esse esforço para nos sufocar talvez nos obrigue a reduzir custos, mas sobreviveremos.

Nós criticamos a mídia corporativa não por ser "simpática ao PSDB", como ela sempre foi, mas porque ela é historicamente golpista, defendeu a ditadura militar e hoje defende o golpe do impeachment. Criticamos porque é uma mídia ultraconservadora e acreditamos que, numa democracia, a existência de blogs que fazem o contraponto político e ideológico ao conservadorismo deveria ser saudada, porque é da diversidade que nasce a criatividade, e da criatividade nasce o empreendedorismo e a riqueza das nações!

Na matéria do Estadão, lemos o seguinte:

ScreenHunter_131 Jun. 07 11.12

É uma comédia, né.

Não tenho nada contra o Observatório da Imprensa ou o Congresso em Foco, sites muito bons, e que espero que continuem recebendo publicidade institucional.

O problema é chamar — implicitamente — Globo, Veja, Estadão, Folha, de veículos "apartidários", e mencionar "debates de relevância pública". Quem define o tipo de debate que tem "relevância pública"? Bem, talvez um governo democraticamente eleito poderia, muito delicadamente, definir o que são debates de relevância pública, e mesmo assim haveria quem, com certa justiça, contestasse esse direito.

Agora, um governo como esse aí, nascido de um golpe, que legitimidade tem para definir algo assim?

Os debates no Cafezinho não tem relevância pública apenas porque tem um viés progressista? Que raios de democracia é essa?

Se o governo Temer não quer anunciar em blogs políticos, tudo bem, é a vida. Seria até hipocrisia minha pretender receber publicidade de uma administração golpista como essa.

O Cafezinho nunca viveu de banners oficiais, embora eu não veja problema nenhum se fosse este o caso, desde que oferecesse a audiência requerida pelo anunciante.

No entanto, a informação do Estadão — que sintomaticamente não ouviu o "outro lado" — de que a publicidade estatal é a principal fonte de renda dos blogs não é correta no meu caso. A principal fonte de renda do Cafezinho são assinaturas dos leitores e adsense do Google.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Seminário Regional da Juventude MST-Sul


O grupo jovem do MST-Sul, composto por quase 500 jovens dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul realizaram no Centro de Cultura e Eventos na UFSC, da capital catarinense, o Seminário Regional da Juventude.

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"Xoque de jestão" demotucano faz Justiça interditar estádio Independência em BH

Justiça interdita estádio Independência após denúncia do MP


O estádio Independência está interditado. A determinação é do juiz Michel Curi e Silva, titular da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Belo Horizonte. A decisão foi tomada após denúncia da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, que encaminhou Ação Civil pública com a acusação de improbidade administrativa e dano ao tesouro público estadual na construção do novo estádio Independência. A decisão pode forçar o Atlético a transferir para o Mineirão o clássico com o Cruzeiro, no domingo.

O magistrado também determinou que estão indisponíveis até o valor de R$ 120 milhões os bens do deputado estadual Gustavo Correa (DEM), secretário de Estado de Esportes na gestão tucana, e de João Antônio Fleury Teixeira, Oizer Myssior e Gerson Barros de Carvalho, ex-diretores do Departamento Estadual de Obras Públicas (DEOP).

O estádio só poderá ser reaberto após o América apresentar um cronograma relativo ao depósito judicial de parte da renda dos jogos que vierem a ocorrer no Horto, para que seja assegurado eventual ressarcimento aos cofres do Estado de Minas Gerais.

O América também ficou proibido de celebrar novos negócios envolvendo o estádio no Horto, até que apresente o cronograma acima. O juiz afirma que os réus causaram grave lesão ao tesouro estadual em favor do América, que seria beneficiado com recursos públicos.

A decisão de Michel Curi e Silva foi tomada após divulgação da reportagem do Hoje em Dia. O MP aguardava análise por parte da Justiça há oito meses, desde 27 de outubro do ano passado. No entanto, apesar de o MP ter solicitado pedido de liminar, o que determinaria agilidade na análise, ao chegar à 1ª Vara da Fazenda Pública esta informação não foi registrada na distribuição da ação, o que causou a indignação do juiz.

"Deve ser ressaltado que esta Ação Civil Pública foi distribuída com a informação equivocada de que "NÃO" haveria pedido de liminar, o que postergou a análise de tal pedido", justificou.

Na decisão, o juiz acata os pedidos do MP constantes na Ação Civil Pública por Atos de Improbidade Administrativa, e afirma que a descrição do contrato das obras foi enganoso.

Além disso, o magistrado afirma que o contrato administrativo firmado entre o réu América e o governo do estado "malfere escancaradamente os princípios da moralidade e da supremacia do interesse público".

Curi e Silva enfatiza ainda a falta de planejamento da obra, que começou com R$ 46 milhões e terminou com R$ 150 milhões. Além disso, afirma causar estranheza as obras terem sido iniciadas, por determinação do então diretor do Deop, João Antônio Fleury Teixeira, sem alvará municipal.

Enganoso

No entendimento do juiz, a obra no Independência não foi uma reforma, como consta nos editais de licitação, mas a demolição do antigo estádio e a edificação de um novo em seu lugar, o que "proporcionou o aumento do valor da obra em mais de 25% em franca afronta à Lei 8.666, uma vez que, em caso de obra nova, o acréscimo máximo permitido por lei é de vinte e cinco por cento, ao passo que, tratando-se de reforma, tal percentual pode chegar a até 50%".

Ele critica, ainda, a ausência de cronograma adequado, que indica a ausência de planejamento, o que fez com que o Estado desembolasse ainda mais recursos.

Clássico

A interdição do estádio obriga o Galo a decidir se vai manter o jogo de domingo no Independência. Pelo regulamento da CBF, o mandante tem até cinco dias antes da partida para definir onde será a partida. O clube havia anunciado que seria no Horto. O início da venda dos ingressos estava programada para esta terça (7).

Outro lado

João Fleury, que atualmente é secretário da Fazenda no Distrito Federal, disse desconhecer o processo e, por isso, não quis se manifestar. Procurados na semana passada, Oizer e Gerson não retornaram as ligações.

Por meio de nota, o deputado Gustavo Corrêa afirmou, também na semana passada, que não houve qualquer dano ao erário. "O estádio Independência foi adequado ao conceito de arena multiuso e está em pleno funcionamento, atendendo ao seu objetivo e ao público mineiro".

O PSDB mineiro, em cuja gestão o estádio foi reformado, também esclareceu, por meio de nota, que o projeto foi redimensionado. "O novo Independência teve capacidade ampliada de 10 mil para 25 mil pessoas e foi transformado em uma arena multiuso. Como é de amplo conhecimento, essas mudanças conceituais alteraram o custo da obra e também o seu cronograma, que contou com duas etapas", esclarece.

A legenda informa ainda que "inicialmente, a Caixa Econômica Federal prometeu repassar R$ 30 milhões para a reforma do estádio, mas a promessa não foi cumprida. Por isso, toda a obra foi custeada pelo Governo de Minas".

A nota acrescenta ainda que "graças aos esforços empreendidos, o valor da Arena é reconhecidamente um dos mais baixos desse padrão no Brasil".

Já o América Futebol Clube questiona a inclusão de seu nome na Ação Civil Pública. O advogado Paulo Lasmar, um dos presidentes do clube, argumenta que o governo do Estado à época pediu ao América que cedesse o terreno para que fosse construído um novo estádio, capaz de receber jogos dos três times de futebol da capital enquanto o Mineirão fosse reformado. "Isso é um verdadeiro absurdo. Foi o governo que pediu a cessão do estádio", argumenta.

Bruno Moreno
No Hoje em Dia
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Dilma jamais teve conhecimento sobre as atividades ilícitas de Cerveró na Petrobras


A presidenta Dilma Rousseff nunca teve relação de amizade com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, tampouco teve conhecimento das atividades ilícitas praticadas por ele. Portanto, jamais compactuou com tais condutas, ressalta a assessoria de imprensa de Dilma.

De acordo com nota à imprensa divulgada nesta segunda-feira, 06 de junho, o teatro montado por Cerveró “não tem credibilidade e não intimida a presidenta Dilma Rousseff”.

Leia a íntegra da nota à imprensa:

A respeito da reportagem “Dilma me sacaneou, diz Cerveró, em vídeo, sobre caso Pasadena”, publicada pela Folha On Line, a Assessoria de Imprensa da presidenta Dilma Rousseff esclarece:

A presidenta Dilma Rousseff jamais manteve relação de amizade com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, embora o conheceu devido ao cargo que ocupava.

A presidenta Dilma Rousseff reitera que jamais teve conhecimento sobre as atividades ilícitas praticadas por Nestor Cerveró na Petrobras e, portanto, jamais compactuou com tais condutas.

A presidenta Dilma Rousseff relembra, ainda, que foi a Diretoria Executiva da Petrobras quem comunicou ao Conselho de Administração não ter Nestor Cerveró entregue as informações necessárias sobre as condições da compra, em 2006, de 50% das ações da Refinaria de Pasadena.

Como pode ser visto na Ata da Reunião de 03 de março de 2008, referente à dita autorização de compra pelo Conselho:

“(…) em 2006, quando da submissão ao Conselho de Administração da compra da participação na Refinaria de Pasadena, não constou do Resumo Executivo apresentado a informação sobre a ‘Cláusula de Marlim’, de garantia de rentabilidade da refinaria em favor da ASTRA, condição que foi oferecida na negociação como contrapartida para que fosse aceito pela Astra que a refinaria, após o ‘revamp’, passasse a processar setenta por cento de seu óleo processado por óleo fornecido pela Petrobras. O teor da ‘Cláusula Marlim’ não foi objeto de aprovação pelo Conselho de Administração quando da sua análise com vistas à aprovação da compra de participação na Refinaria de Pasadena.” (Ata da Reunião 1.304)

Nesta mesma reunião, a Diretoria Executiva informa ao Conselho de Administração da Petrobras que apuraria os impactos dessa omissão e eventuais responsabilidades, nos seguintes termos:

“(…) por outro lado, considerando essa ausência de pronunciamento do Conselho sobre o tema (compra dos 50% das ações remanescentes), a Diretoria Executiva comunicou sua intenção de identificar se os termos de tal cláusula entraram efetivamente em vigor, se foram aplicados em algum momento e também avaliar os eventuais impactos, prejuízos e responsabilidades dela decorrentes.” (Ata da reunião 1.304)

Como fica evidente, o Conselho de Administração da Petrobras jamais teve conhecimento sobre as referidas cláusulas e não autorizou a aquisição voluntária da participação dos 50% restantes das ações da Refinaria de Pasadena. A suposta relação de amizade – que nunca existiu – não é justificativa para encobrir um desvio de conduta como foi a omissão das informações que resultaram num prejuízo à empresa.

Este teatro montado por esta pessoa que não tem credibilidade e é suspeito de crimes, não intimida a senhora presidenta Dilma Rousseff. Ela tem a consciência tranquila e reitera que as provas que demonstram as calúnias de Nestor Cerveró são contundentes.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
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Juízes do Paraná querem punir jornal que publicou seus salários


O Brasil chegou ao inacreditável.

Os integrantes das corporações judiciais, assim como estão fazendo alguns delegados da PF, se articulam para fazer a censura aos meios de comunicação pelo meio mais perverso: inviabilizando sua sobrevivência econômica.

Agora são os juízes do Paraná que investem sobre o jornal Gazeta do Povo, que noticia hoje ser “alvo de dezenas de ações judiciais movidas por juízes do Paraná, após a publicação de reportagens a respeito do “sobreteto” do judiciário estadual, citando vários exemplos de desrespeito ao teto do funcionalismo público, limitado aos valores dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal”.

Segundo o jornal, os juízes estão protocolando ações em todo o Paraná, como “retaliação à publicação da lista dos juízes e seus respectivos salários, muito embora sejam dados públicos disponíveis no site da Transparência, em obediência à Lei de Acesso à Informação”.

Diz que, receberam minutas de ações dentro da associação de classe  e “combinaram ingressar contra o jornal e os jornalistas em todo o Estado, no total de mais de trinta demandas de uma só vez, que parecem ter o objetivo de dificultar a defesa”.

Como no caso dos delegados da Polícia Federal que processam Marcelo Auler e, agora, Paulo Henrique Amorim (neste caso, segundo o jornalista, com ameaças de fazerem o mesmo, com centenas de ações espalhadas pelo país) não fazem acusação criminal, mas de dano moral. Neste caso, ao contrário do que acontece nas ações de calúnia e difamação, não existe o instituto da “exceção da verdade”, pelo qual o acusado falou apenas o que corresponde à realidade.

Há uma reclamação contra as ações dos juízes no Supremo, mas a ministra Rosa Weber recusou-a. Está em grau de recurso.

O monstro que Rui Barbosa descreveu como “a pior das ditaduras, a judicial” está em marcha batida.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O pedido de prisão da cúpula do PMDB: Janot avança e o sistema político se desfaz; o que virá depois?

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/37997/


O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF, sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja, sob comando de João Roberto Marinho.
PMDB BBCO poder hoje está com eles: a tabelinha Janot e Globo
O poder hoje está com eles: a tabelinha Janot e Globo

Está claro há muito tempo que o processo em curso no Brasil não é apenas um ataque ao PT, ou ao que se convencionou chamar de lulismo. É um ataque ao sistema político estabelecido pelo pacto da Constituição de 88; e, talvez, chegue a ser também um ataque à ideia de Estado Nacional — que se constrói desde a Era Vargas.

A bomba de hoje, confirmando que o Procurador Geral da República pediu mesmo a prisão de Sarney, Renan e Jucá (pedido este que repousa na mesa de Teori, no STF) mostra que o sistema político desmoronou.

Em 64, Lacerda achava que, demolindo o trabalhismo e derrubando Jango com apoio dos militares, herdaria o poder. Acabou cassado e a UDN foi extinta da mesma forma que o PTB.

Um advogado, fonte deste blogueiro e que atua na Lava-Jato, dizia já em 2015: “o PSDB, o Aécio e o PMDB terão o mesmo fim de Lacerda; não percebem que a Lava-Jato ataca hoje o PT, mas que o passo seguinte será a destruição do PSDB e do PMDB”. Não perceberam. tentaram surfar na onda do antipetismo. E agora serão destruídos pelo tsunami.

Agora, isso tudo ficou claro.

Há quem comemore os pedidos de prisão da cúpula do PMDB. Este blogueiro não comemora, por uma razão simples: vivemos o colapso da política. O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja sob comando de João Roberto Marinho.

Vivemos, formalmente, sob Democracia; mas as decisões já não se tomam à luz do dia. A Democracia está sequestrada pelo poder jurídico-midiático.

Da mesma forma que em 64, os ridículos lacerdas de ocasião (aécios e seus tucaninhos de segunda linha, além dos garotos podres de Temer) serão tragados pelo turbilhão.

Se Teori (que parece ser o último bastião da razoabilidade democrática, em meio ao turbilhão) prender mesmo a cúpula do PMDB, o poder dos togados e da PF se consolida. Aécio e Lula serão os próximos na lista. Qual limite pra isso?

O poder está com a toga e a mídia. Mas mesmo esse é um poder fluído, que não controla todas as variáveis.

O processo de impeachment virou uma incógnita. E já há gente no PSDB desesperada com o avanço de Janot. Vejam o que postou hoje um tucano patético, desses criados às sombras de FHC:

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Mas há mais a se considerar:
  1. Se Renan for afastado do Senado, o impeachment passa a se conduzido pelo vice Jorge Viana, que é do PT; Viana também é quem pode acolher pedidos de impeachment contra ministros do STF;
  2. Aumentam as chances de governo Temer se desfazer, abrindo a possibilidade de Dilma ser absolvida no julgamento do Senado;
  3. Dilma voltaria ao poder sob o compromisso de chamar um Plebiscito, para que o povo decida se quer ou não novas eleições diretas para presidente e vice.
A crise, no entanto, estaria longe de se esgotar.

Novo presidente eleito, com esse Congresso sequestrado pelos interesses privados, significaria apenas a renovação do impasse.

O Brasil precisaria, isso sim, de uma Constituinte para renovar o sistema político. Mas faltam lideranças para encampar essa bandeira.

O risco é o país ser sequestrado pelo discurso moralista do “partido da Lava-Jato”. Tudo se resolveria com os “escolhidos”, os “limpos”. A agenda do país passaria a ser “o combate à bandalheira” (num retorno patético ao janismo dos anos 60; não é à toa que vassouras reapareceram como símbolos da política).

O povo seria alijado do debate. A desigualdade, os programas de redução da pobreza, o desenvolvimento e o projeto de um país independente: tudo isso ficaria em suspenso.

Esse é o risco da agenda Globo/Janot. O lógico é que essa agenda (hoje provisoriamente vitoriosa) termine não em Temer ou nos tucanos. Mas num homem das togas — que cumpra o papel que em 64 foi exercido pelo general Castelo Branco.

Mas há um fator que Janot e os Marinho não controlam totalmente: as ruas.

O começo catastrófico de Temer ajudou a criar um novo movimento social: mulheres, jovens, estudantes e trabalhadores organizados. Esse movimento pode construir um programa e uma candidatura que signifiquem a consolidação de uma outra agenda, para disputar espaço com a direita moralista.

Lula e Dilma vão se incorporar a esse movimento novo? Ou serão superados por ele? É uma questão ainda em aberto.

Entre a agenda Janot/Lava-Jato e agenda da Nova Esquerda que emerge das ruas, há ainda uma terceira força: liberal e privatizante. Sob comando de Gilmar Mendes/Serra, essa gente sonha com um arranjo pelo alto, em que o país se arrastaria com Temer até onde fosse possível, para depois se costurar uma eleição indireta e um pacto de semi-parlamentarismo, que permitisse fazer “reformas liberais” e privatizações.

O pedido de prisão da cúpula do PMDB é o desmoronamento da política como a conhecíamos desde 88. E o início de um ciclo em que esses 3 projetos acima descritos farão a disputa:
  • agenda moralista de Janot/Lava-Jato (em parceria com a Globo);
  • agenda de reformas da Nova Esquerda (com Lula/Dilma ou sem Lula/Dilma);
  • agenda privatizante de Serra/PSDB e do “mercado” (também em parceria com a Globo).
Pairando por cima (ou por baixo) dessas três agendas, há o mundo dos políticos profissionais: desesperados, acossados pelas denúncias, apodrecidos por seus próprios erros… Eles podem se acertar com qualquer uma dessas agendas, se isso significar a sobrevivência.

A primeira e a segunda agendas podem se apresentar em eleições diretas, com candidatos mais ou menos fortes. Já a terceira agenda (por impopular e elitista) depende de costuras nas sombras, pelo alto.

A terceira agenda hoje está embutida na primeira, numa aliança provisória que sustenta o governo Temer. Mas esse arranjo parece próximo de se desfazer.

Essa disputa, imprevisível, marcará o tipo de Estado que teremos ao longo das próximas décadas.
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